quinta-feira, março 29, 2012

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 29/03/12



Acidente da Chevron não é trivial, diz Graça

Sócia da Chevron no campo de Frade, a Petrobras não pode nem quer falar sobre o acidente que interrompeu a operação da americana neste mês, mas vem ajudando "sempre que chamada" pela ANP, segundo a presidente da estatal, Graça Foster.

"Atendemos a ANP a todo instante e a toda hora, quando somos chamados a estar junto com a agência, com a Chevron. Nós temos a nossa equipe de trabalho aqui, nossos engenheiros, geólogos."

Graça admite que o acidente da Chevron não é rotineiro e que muito ainda terá que ser investigado para uma conclusão. "É um problema geomecânico, não é trivial", disse.

"A própria análise do óleo, que é diferente nas regiões dentro do campo de Frade, não é trivial. A Petrobras tem devotado um imenso trabalho em simulações considerando diversas hipóteses."

A experiência de ter sofrido um caso parecido com o da Chevron, em 2004, no campo de Marlim Sul, ajuda na interpretação do acidente da sócia, apesar de na época a Petrobras não estar perfurando no local, como ocorreu com a Chevron.

Um vazamento no reservatório do bloco 11 de Marlim Sul determinou o fechamento de quatro poços do sistema, dois de produção e dois de injeção.

Fraturas naturais no reservatório foram apontadas como possível causa do vazamento na época. A exsudação no reservatório provocou, na ocasião, muitas especulações no mercado de que teria havido erro de injeção no poço, abandonado para sempre.

Graça diz que a Petrobras já domina a tecnologia de exploração nas águas ultraprofundas do pré-sal e agora busca redução de custos.

Desde 2010 a estatal produz no pré-sal sem registro de acidentes significativos. O campo de Lula, na bacia de Santos, tem os dois maiores poços produtores do país hoje.

"É um problema geomecânico, não é trivial. É um problema para se fazer sísmica, para se ter outras interpretações geomecânicas"

GRAÇA FOSTER

presidente da Petrobras

VAZAMENTO ZERO

Há menos de dois meses no cargo, Graça disse que vai ter tolerância zero com vazamentos e acidentes. Criou grupo de trabalho formado por sete gerentes que têm de entregar em breve um trabalho com propostas de ações mais rígidas para o combate dos dois problemas.

A empresa conseguiu reduzir em 65% os vazamentos de petróleo de 2010 a 2011, quando o despejo da substância foi de 234 mil barris. Figura entre as menos poluidoras entre as grandes petroleiras. Mesmo assim, Graça quer vazamento zero.

"Havia tolerância ao vazamento. Eu quero estar zerada", disse, rebatendo a máxima da indústria de que não existe vazamento zero. "Pode não existir, mas estamos perseguindo."

Segundo o representante dos empregados no Conselho de Administração da Petrobras, Silvio Sinedino, um sinal de que a companhia está levando mais a sério a manutenção das plataformas, após ter 11 delas interditadas pela ANP em 2011, foi a troca do gerente-geral da bacia de Campos, em dezembro.

"O novo gerente veio da área de manutenção", diz Sinedino sobre Joelson Mendes, substituto de José Marti, no cargo desde 2008.

Brasil e Uruguai fecham acordo por comércio em moeda local

Os bancos centrais do Brasil e do Uruguai concluíram as negociações para a adoção do SML (Sistema de Pagamentos em Moeda Local), que já é usado com a Argentina.

A informação foi confirmada pelo BC brasileiro, que já finalizou o desenvolvimento do sistema operacional.

Com a medida, as empresas que compram e vendem para o país vizinho poderão executar os pagamentos em real ou peso uruguaio.

Para entrar em vigor, o projeto depende da aprovação do Congresso brasileiro.

Duas comissões da Câmara dos Deputados já aprovaram a ideia, que ainda será analisada pelas Comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, o projeto ainda passará pelo Senado.

As operações com SML entre Brasil e Argentina começaram em outubro de 2008. Até o momento, apenas pequenas e médias empresas têm se utilizado do processo.

"Com o Uruguai, isso também deve ocorrer, pois tudo que é novo leva tempo para amadurecer. Mas sem dúvida é algo positivo", diz o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Para o deputado Júnior Coimbra (PMDB), relator do projeto na Comissão de Finanças e Tributação, a medida incentiva o comércio e diminui custos dos exportadores.

"Devemos aprová-la nos próximos dias."

PLANO PRIVADO

A arrecadação da previdência privada cresceu 19,3% em janeiro ante o mesmo mês de 2011, com R$ 4,7 bilhões, segundo a Fenaprevi (federação de previdência privada).

Os planos empresariais foram destaque entre as carteiras, segundo o vice-presidente da entidade, Renato Russo. Os aportes foram de R$ 694,8 milhões, crescimento de 34% na mesma base de comparação.

"A tendência deve se manter porque há vários setores com carência de mão de obra qualificada. O benefício atua na atração e retenção de talentos", diz Russo.

Em janeiro, o sistema contabilizou mais de 187 mil empresas, principalmente as de médio porte.

ILUMINAÇÃO

Empresas brasileiras de iluminação estão concluindo seus estudos para fabricação de lâmpadas LED, que duram até quatro vezes mais do que as fluorescentes.

A baiana G-Light deve finalizar seu projeto até junho. A expectativa é começar, em 2013, a construir uma planta para fabricar o produto, segundo o presidente da companhia, Gerhard Marschallinger.

Neste ano, a empresa está ampliando sua fábrica em Feira de Santana para aumentar a produção de 2,9 milhões de lâmpadas por ano para 4 milhões.

A FLC planeja concluir seu projeto em quatro meses. "Estamos verificando qual o melhor Estado para instalação da planta e os equipamentos mais adequados", diz Marcos Ambrosano, CEO da companhia.

A Abilux (Associação Brasileira da Indústria de Iluminação) prevê crescimento do mercado de LEDs de 100% ao ano.

Instabilidade... O ano de 2012 poderá ser de mudanças políticas internacionais ainda mais intensas do que 2011, de acordo com Erik Peterson, diretor da AT Kearney, que está no Brasil nesta semana.

...internacional Segundo estudo do executivo para a Oxford University, a instabilidade geopolítica será decorrente das possíveis trocas de governos em EUA, China, França, Índia e México, além da maior competição por comida, água e energia.

Debate... Um grupo de economistas PhDs lançará, no dia 10 de abril, a Reap (Rede de Economia Aplicada), que já funciona como um portal de livre acesso.

...público O objetivo é fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas e discutir a contribuição que a ciência pode dar à gestão. Ricardo Paes de Barros (Ipea), Naercio Menezes Filho (Insper e FEA-USP) e Marcos Lisboa (Itaú-Unibanco) estão no conselho diretor da entidade.

De Varsóvia a Havana - DEMÉTRIO MAGNOLI


O Estado de S.Paulo - 29/03/12


O papa não é o mesmo, a cidade é outra e os tempos mudaram, mas o paralelo é incontornável. Quando, em 1979, João Paulo II falou numa Varsóvia submersa no som dos sinos que repicavam, começou a acabar a história do comunismo europeu. Ontem, em Havana, Bento XVI falou aos cubanos, retomando os antigos temas da verdade, da liberdade de consciência, de fé e de expressão. Será esta a centelha do colapso de um comunismo caribenho que copiou os traços essenciais do sistema inventado na URSS de Stalin?

Não é a primeira visita papal a Cuba. João Paulo II falou em Havana em 1998, iniciando uma ambígua aproximação entre a Igreja e o regime. De lá para cá, como explica a blogueira Yoani Sánchez, "podemos rezar em voz alta, mas criticar o governo continua a ser pecado, blasfêmia". Há 14 anos a sentença final do papa foi sobre a liberdade do espírito. Será viável retalhar o princípio da liberdade em fatias, tolerando uma delas para conservar o veto às demais?

A interlocução entre a Igreja de Cuba e o governo dos Castros propiciou a libertação recente de dezenas de prisioneiros de consciência. Entretanto, na maioria dos casos, a liberdade foi reduzida a um "direito à deportação", uma barganha que reforça a narrativa política do governo cubano. Dias atrás, o arcebispo de Havana permitiu a remoção de um grupo de dissidentes que se abrigara na Igreja da Caridade e publicou uma nota no jornal do Partido Comunista, escrita nos tons inconfundíveis do oficialismo. A liberdade de religião poderá florescer num edifício social erguido sobre o dogma do monopólio partidário da verdade?

Cuba é irrelevante sob os pontos de vista da economia e da geopolítica globais. É, contudo, um teatro fundamental para o debate sobre o tema da liberdade. Os Castros reconheceram, literalmente, o fracasso do sistema cubano. Mas os muros da ilha caribenha continuam cobertos pela palavra de ordem apocalíptica que condensa a doutrina do poder: "Socialismo ou morte". A disjunção lógica encontra uma solução dupla, nas esferas da política e da linguagem. Política: as reformas destinadas a criar uma economia mista, estimulando a iniciativa privada e emulando o "modelo chinês". Linguagem: a produção de um novo significado para "socialismo", que passa a designar exclusivamente o papel dirigente do Partido Comunista. Terá futuro um regime que admite fatias diversas de liberdade, mas rejeita de modo absoluto o exercício das liberdades políticas?

No universo da lógica, o reconhecimento oficial do fracasso do sistema traz implícita a admissão da falibilidade histórica do Partido Comunista. Disso seguiria o corolário da abertura política, com a promoção de um debate nacional sobre as alternativas disponíveis de organização do poder e da economia. No entanto, paradoxalmente, Raúl Castro escolheu a última conferência partidária como ocasião para reiterar a regra de ouro do partido único, repetindo o argumento de que todas as demais correntes de pensamento representariam "interesses estrangeiros". A tradição comunista identifica o partido com o proletariado, uma classe social que seria portadora da chave do futuro. Os comunistas cubanos inovam ao identificar o partido com a própria nação, uma proposição com consequências radicais. Seria realista imaginar a hipótese de uma abertura política conduzida por um regime que não distingue o dissidente do espião?

O destino de Cuba tem implicações decisivas para a esquerda latino-americana. Na Europa, as esquerdas aprenderam a lição da URSS e abraçaram o princípio da liberdade política. Na América Latina, onde o pensamento de esquerda se tingiu de nacionalismo e antiamericanismo, um Muro de Berlim mental continua em pé. O teorema da "ditadura virtuosa", que serve como álibi para a fidelidade ao regime castrista, reflete a alma dessa esquerda. "Por que insistir nas liberdades, se há saúde e educação?", indagam quase todos os nossos "intelectuais progressistas". O teorema está apoiado no material quebradiço de que são feitas as lendas. A Cuba pré-revolucionária, de Fulgêncio Batista, já exibia indicadores sociais invejáveis, enraizados nos padrões singulares de colonização da ilha. Mas a lenda deve ser preservada, pois forma a gramática de um precioso livro de memórias. Afinal, sem ela, o que fazer com a pilha incomensurável de artigos, ensaios e discursos consagrados à canonização do castrismo?

Às vésperas da visita de Bento XVI, a Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro aprovou duas moções que solicitam o fechamento da prisão de Guantánamo e o encerramento do embargo econômico americano a Cuba. Na mesma sessão, curvou-se à vontade de dois parlamentares, do PCdoB e do PSOL, rejeitando moções que pediam o indulto para os presos políticos remanescentes e a concessão de autorização de viagem a Yoani Sánchez. As moções aprovadas, como as rejeitadas, incidem sobre decisões políticas de Estados soberanos - mas, felizmente, ninguém se lembrou do argumento da soberania nacional para poupar os EUA da crítica justa. O critério dúplice usado pelos senadores espelha a duplicidade geral que contamina a esquerda brasileira quando estão em jogo as liberdades e os direitos humanos. Mas como exigir coerência de princípios daqueles que ainda vivem à sombra de um Muro de Berlim ideológico?

Bento XVI pisou em solo cubano mencionando os "presos e seus familiares", palavras simples que não foram pronunciadas nenhuma vez por Lula ou Dilma Rousseff. Cuba não é a Polônia de 1979. Ela não participa de um sistema internacional em colapso nem dispõe da oportunidade de se incorporar a um sistema alternativo, próspero e democrático, constituído pela Europa Ocidental. A ilha caribenha marcha, numa aventura difícil e incerta, rumo a um capitalismo sem liberdades políticas. Seria esse o novo horizonte utópico da esquerda latino-americana?

O alerta por trás do caso Demóstenes - EDITORIAL O GLOBO


O Globo - 29/03/12


O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) foi, durante muito tempo, uma espécie de homem acima de qualquer suspeita. Líder do partido na Casa, crítico vigoroso de desvios éticos, vocalizou a maioria da opinião pública quando, sem medir palavras, investiu contra o esquema peemedebista que controla o Senado sem preocupação com os manuais de boas condutas. Ou ao pedir a expulsão dos protagonistas do escândalo brasiliense do "mensalão do DEM", à frente dele o ainda governador José Roberto Arruda.

Por isso, talvez não tenha havido, nas últimas legislaturas, surpresa maior que a descoberta do relacionamento nada ético entre o senador e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, também de Goiás. O lado obscuro do destemido defensor de boas causas começou a ser iluminado a partir da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, deflagrada contra a indústria dos caça-níqueis, atividade ilegal em que o velho jogo do bicho firmou alianças com máfias internacionais e fez um up-grade em dinheiro, poder e violência.

À descoberta que Cachoeira dera ao senador, como presentes de casamento, um fogão e geladeira importados, o político respondeu, de maneira singela, que não poderia perguntar o preço dos regalos ao amigo. Mas as evidências de que o relacionamento entre Demóstenes e Carlinhos ultrapassava os limites de uma exótica amizade se acumularam. Não é comum um bicheiro dar a um político um tipo de telefone supostamente vacinado contra grampos para, por meio dele, ficarem em contato constante. O equipamento não funcionou ou usaram outros aparelhos para colocar os assuntos em dia, pois mais de 300 ligações entre os dois teriam sido gravadas pela PF. O conteúdo das conversas implicaria Demóstenes nos negócios escusos de Cachoeira.

A primeira reação dos senadores foi de pavloviano corporativismo: situação e oposição subiram à tribuna para prestar solidariedade ao ultrajado colega, um jogo conhecido em cujo final costumam-se engavetar as piores investidas contra o decoro. As denúncias, porém, foram se acumulando, Demóstenes perdeu a liderança do DEM e até mesmo a Procuradoria-Geral da República, desatenta ao caso, despertou para o escândalo, e, na terça, o procurador Roberto Gurgel, afinal, despachou pedido ao Supremo para ser aberto inquérito sobre o senador. Gurgel já estava há algum tempo com o processo, mas alegou esperar mais informações da operação policial.

A proximidade entre o bicheiro e Demóstenes realça a grave questão da infiltração do crime organizado nas instituições. E não se pode esquecer que, além do senador, dois deputados também faziam parte - ou fazem - deste círculo íntimo de Carlinhos: Carlos Alberto Leréia (PSDB) e Sandes Junior (PP), ambos de Goiás. O próprio bicheiro é conhecido por antigas relações subterrâneas com o mundo político, expostas no vídeo gravado em 2002 em que Waldomiro Diniz, então na Loterj, e futuro assessor de José Dirceu na Casa Civil no governo Lula, o achacava. Cabe lembrar que o escândalo causado pelo vídeo, revelado pela revista "Época" em 2004, abortou uma operação em curso no governo e Congresso para a indesejada legalização do jogo.

Se Cachoeira atua no Congresso, no Rio há milícias com representação nas Casas legislativas, e um juiz sob suspeição de proteger esses grupos. Demóstenes não pode ser visto como caso isolado.

Tolerância máxima - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 29/03/12

BRASÍLIA - É nessas horas que a gente fica com pena de quem tem de julgar: quando os dois lados têm razão e ninguém tem razão. Foi o que ocorreu ontem na votação do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que enterrou a lei do bafômetro por resultado bem apertado, 5 a 4.

De um lado, os formalistas, digamos assim, alegaram que a lei aprovada estabelece um padrão objetivo para determinar se o motorista está ou não embriagado: quando há seis decigramas ou mais de álcool por litro de sangue. Fora isso, qualquer critério seria "subjetivo".

Na prática, só o bafômetro ou um exame de sangue podem determinar a quantidade. Uma testemunha ou um simples olhar médico não teriam condições de estabelecer se eram três, quatro ou sete decigramas.

De outro lado, os realistas, digamos assim, ponderaram que as leis não podem ser interpretadas no seu sentido "puramente gramatical" e há outras formas, sim, de apurar se o sujeito (ou sujeita) está incapaz ou não de dirigir e capaz de botar a vida dele e de outrem em risco.

O relator, Marco Aurélio Belizze, votou com os realistas -a favor de permitir que outros indícios pudessem ser considerados além do bafômetro e do exame de sangue.

Numa linguagem quase coloquial, disse o que para nós, leigos, parece óbvio: "Não pode ser tolerado que um infrator, com uma garrafa de bebida alcoólica no carro, bafo e cambaleando, não possa ser preso porque recusou o bafômetro".

Não poderia tolerar, caro ministro. Agora, pode. Venceram os formalistas, perderam os realistas. A lei do bafômetro, que tem salvado vidas, foi mais uma que deslizou para a gaveta das inutilidades. Sim, porque ninguém é obrigado a produzir provas contra si. Bafômetro? Exame de sangue? Eu, hein?! Tim-tim!

*

"Imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados." Essa é dez. Grande Millôr!

SINAL DE FUMAÇA - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 29/03/12


Caio Blat, Felipe Camargo, Maria Flor e o índio Tabata Kuikuro, que atuam em "Xingu", foram à pré-estreia para convidados do filme anteontem, no Cinemark do shopping Eldorado. O empresário Guilherme Leal também esteve por lá.

NO PALCO DO MUNDO
O ex-ministro José Dirceu (PT-SP) pode recorrer a organismos internacionais, como a OEA (Organização dos Estados Americanos), caso seja condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no caso do mensalão.

ENCONTROS
Ele falou sobre a possibilidade em mais de um encontro que tem tido com personalidades para conversar sobre o processo. Dois interlocutores recentes de Dirceu relataram a ideia à coluna, ressalvando que o petista sempre diz ter certeza de que será absolvido.

EU INSISTO
Dirceu nega com veemência. "Isso são advogados que propõem. Tenho convicção de que vou ser absolvido. Como vou falar uma coisa dessas?", afirma. "Sempre falei que sou inocente e confio no Supremo. E agora vou recorrer a órgãos internacionais?" O ex-ministro diz ainda que gostaria que o caso fosse logo apreciado. "Nunca atrasei o processo, abri mão de testemunhas no exterior, não quero prescrição do caso. Insisto em ser julgado."

LINHA DIRETA
Dilma Rousseff foi a segunda pessoa a receber a notícia de que o câncer de Lula desapareceu. O primeiro foi o próprio, que telefonou imediatamente para ela, na Índia, e colocou seu médico Roberto Kalil Filho para conversar com a presidente.

LULA ELÉTRICO
Um dos melhores amigos de Lula duvida que ele consiga passar dias numa praia, quieto, embora o ex-presidente diga que quer, sim, ficar deitado na rede e olhando para o mar. "O mais provável é que ele peça para buscarem um copo de água, jogue na cabeça e diga: 'Pronto, já tomei meu banho de mar'. E saia logo fazendo campanha por aí."

PALMAS
A socióloga Fátima Pacheco Jordão, a escritora Clara Charf e a secretária Eloisa Arruda, da Justiça, recebem hoje a medalha Ruth Cardoso, por seus trabalhos em questões ligadas às mulheres. Serão agraciadas também, no Palácio dos Bandeirantes, Alzira Rufino, a deputada Maria Lucia Amary e a delegada Rossana Camacho.

TCHAU, VILA
A loja de Ronaldo Fraga na Vila Madalena fechou as portas no último sábado. O imóvel, que era alugado, foi pedido de volta pelo proprietário. No lugar, será erguido um prédio. O estilista está à procura de um novo endereço na cidade.

EU E MADONNA
O modelo Rob Evans (Way Model), um dos quatro homens que aparecem agarrando Madonna no clipe de "Girls Gone Wild", desembarca no Brasil no mês que vem. Ele ocupa a 17ª posição no ranking do site Models.com. "Ela é uma das pessoas mais engraçadas e pés no chão que eu conheci. É uma mulher muito legal", diz.

DE FORA PRA DENTRO
O governo de SP lançará na segunda seu plano de relações internacionais. Terá 54 metas, como atrair investimentos externos para gerar 1,5 milhão de empregos até 2014 e, no mesmo período, dobrar (para 4,4 milhões) o número de turistas estrangeiros no Estado. Será assinado com a presença do chanceler Antonio Patriota.

VIRADO CULTURAL
O músico Arto Lindsay, americano criado no Brasil, vai participar da Virada Cultural Paulista, em maio, em shows com a cantora Cibelle, brasileira radicada em Londres. Eles se apresentarão em Sorocaba e em Franca.

LAÇOS
Daniel Iliescu, presidente da UNE, entregou em mãos a Dilma Rousseff carta pedindo "a afirmação do direito da meia-entrada estudantil", contra a "vulgarização" de "falsas carteirinhas".

JOIA RARA
As atrizes Mariana Ximenes, Laura Neiva e Sheron Menezzes circularam pela festa de lançamento da campanha de uma marca de joias. A modelo Carol Trentini também foi ao Bar Numero, nos Jardins, anteontem.

CURTO-CIRCUITO

Karim Aïnouz será jurado da competição de curtas-metragens do Festival de Cannes.

A peça "Os Monólogos da Vagina", com Fafy Siqueira, Adriana Lessa e Chris Couto, estreia amanhã, às 21h, no teatro Brigadeiro. Classificação: 12 anos.

Adriana Degreas apresenta sua coleção de inverno com desfile hoje, a partir das 18h, no antiquário de Jorge Elias.

A festa Uh-la-la-Arianos, de Cacá Ribeiro e Dudu Bertholini, acontece hoje, às 23h, no clube Yacht. Classificação: 18 anos.

A exposição coletiva Masterarte será aberta hoje, às 18h, na rua Capitão Antonio Rosa, em Pinheiros.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

Tolices curriculares - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 29/03/12


Há dois meses, o Conselho Nacional de Educação (CNE) baixou a Resolução n.º 2/12, definindo as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, que é considerado desvinculado da realidade social e econômica do País, quando comparado aos programas do ensino fundamental e superior. Elaborada com base num extenso parecer aprovado uma semana antes pelo Ministério da Educação (MEC), a Resolução tem 23 artigos, muitos deles caracterizados por uma retórica vazia.

A Resolução, por exemplo, propõe a incorporação, como conteúdo obrigatório do currículo do ensino médio, "do reconhecimento e atendimento da diversidade e diferentes nuances da desigualdade da exclusão na sociedade brasileira". Também recomenda "a valorização dos direitos humanos, mediante temas relativos a gênero, raça e etnia, religião, orientação sexual, pessoas com deficiência". E enfatiza a importância de "práticas que contribuam para a igualdade e enfrentamento de todas as formas de preconceito, discriminação e violência" e de "atividades intersetoriais de promoção da saúde física e mental, saúde sexual e saúde reprodutiva e prevenção do uso de drogas".

Não são apenas esses os parágrafos da Resolução tautológicos ou ininteligíveis. "O trabalho é conceituado na sua perspectiva ontológica de transformação da natureza, como realização inerente ao ser humano e como mediação no processo de produção de sua existência" - diz o § 1.º do inciso VIII do artigo 5.º da Resolução. "A organização curricular deve oferecer tempos e espaços próprios para estudos e atividades que permitam itinerários formativos opcionais diversificados, a fim de melhor responder à heterogeneidade e pluralidade de condições, múltiplos interesses e aspirações dos estudantes", determina o inciso XI do artigo 14. "O projeto político-pedagógico, na sua concepção e implementação, deve considerar os estudantes e professores como sujeitos históricos e de direitos, participantes ativos e protagonistas na sua diversidade e singularidade" - reza o § 2.º do artigo 15 da Resolução. E vai por aí afora.

Além disso, a Resolução do CNE impõe ao currículo do ensino médio quatro áreas de conhecimento e nove matérias obrigatórias, chamadas de "componentes curriculares com especificidades e saberes próprios e sistematizados", subdivididas em doze disciplinas. O novo currículo vai na contramão dos países desenvolvidos, onde o ensino médio não tem um programa mínimo obrigatório. A diversificação é vista naqueles países como forma de adequar melhor o ensino à realidade cultural, econômica e social dos estudantes.

Não são de estranhar, portanto, as críticas que têm sido feitas à Resolução n.º 2/12. "O Brasil não diversifica e mantém a ideia de que todo mundo tem de fazer a mesma coisa", diz João Batista Araújo e Oliveira, do Instituto Alfa e Beto, depois de classificar o texto da resolução como "erudição boba". "É uma montoeira de matérias. O resultado é que ninguém aprende, só decora. No resto do mundo, há segmentação", afirma o economista Cláudio Moura Castro. "Acredito em soluções mais individualizadas e segmentadas, porque há muitas diferenças", assevera Priscila Cruz, do movimento Todos pela Educação.

Além das altas taxas de evasão, o ensino médio esbarra no despreparo dos alunos - por exemplo, 85% dos estudantes desse ciclo ingressam na 1.ª série da rede pública com um nível de conhecimento equivalente ao da 5.ª série do ensino fundamental. Segundo o MEC, 50,9% dos jovens de 15 a 17 anos não estão matriculados no ensino médio, onde o índice de reprovação é de 13,1%. Dos estudantes que completam as três séries do ciclo, metade obtém média inferior a 4 na prova objetiva do Enem.

Ao justificar a Resolução n.º 2/12, alguns membros do CNE alegaram que ela foi um "resultado de opções" e que "nem todo mundo pensa a escola do mesmo jeito". O que eles não conseguiram explicar é por que, em vez de definir diretrizes mais objetivas e realistas, optaram por um palavrório tolo e sem sentido, e por medidas inócuas, que só poderão aprofundar a crise do mais problemático dos três níveis de ensino.

Controle civil das prisões militares - ALEXANDRE BARROS


O Estado de S.Paulo - 29/03/12


"Tendo feito todo o esforço para guiar os superiores civis na direção que ele acha certa, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (Joint Chiefs of Staff) deve aceitar as decisões do secretário da Força, do secretário de Defesa e do presidente como finais e, daí para adiante, apoiá-lo perante o Congresso. 
A alternativa é a renúncia (demissão voluntária)"
General Maxwell Taylor, ex-chefe do Estado-Maiordas Forças Armadas dos Estados Unidos


No Brasil, vivemos de escaramuças entre civis e militares. Ou é a Comissão da Verdade, ou o revanchismo e, agora, o tema do controle das prisões militares por autoridades civis. Militares, como outros cidadãos quaisquer, nas democracias devem ser controlados pelo poder civil.

Foi o presidente Truman que decidiu jogar as bombas atômicas no Japão. Aos militares coube coordenar sua produção e dizer ao presidente que a arma estava disponível. Mas a responsabilidade de lançá-la e explodi-la foi do presidente. Assim foi feito porque assim é que tem de ser feito numa democracia.

No Brasil vivemos num sistema de relações civis-militares cinzento. Os militares têm sistemas separados para tudo: salários, pensões, assistência médica e punições disciplinares, até prisão em instituições militares. Tudo isso tem raízes históricas em tempos de guerra. Não deviam aplicar-se a tempos de paz.

Os salários são diferentes porque nos tempos em que na Europa só se guerreava na primavera e no verão os soldados mercenários ficavam desempregados durante o resto do ano. Alguns governantes resolveram que eles precisavam ficar fora dos limites das cidades fortificadas porque senão acabavam fazendo arruaças. A maneira funcional de evitar que os soldados sem trabalho atacassem os governantes foi comprar sua docilidade com pagamentos, mesmo quando eles não estavam guerreando.

Dentistas só eram temidos quanto tinham os seus boticões nas mãos e os clientes, sentados na cadeira. Fora isso, eram inofensivos. Os militares, porque armados, eram temidos sempre. E por isso ganharam regalias.

Alguns governantes conseguiram romper essa couraça de privilégios oriundos de situações específicas de guerra e o mais eficiente exemplo foi também o menos edificante. Adolf Hitler conseguiu dominar os militares alemães, que tinham sido a base de formação e de sustentação do Estado prussiano, por meio da formação de forças paralelas aos militares, só que armadas. Primeiros foram as SA e depois as SS. A submissão dos militares, portanto, ocorreu, entre outros motivos, porque Hitler criou forças armadas paralelas que podiam opor-se a eles. Para eliminar a "hitlerização" dos militares trazê-los de volta à democracia o general conde Wolf von Baudissin desenvolveu um trabalho fundamental após o fim da 2.ª Guerra Mundial.

Antes que algum leitor assustado ache que estou promovendo ideias de Hitler, escolhi o exemplo para mostrar como é difícil controlar os militares, sobretudo na ausência de uma tradição político-cultural-constitucional para fazer isso, como é o caso dos Estados Unidos e da Inglaterra. De Gaulle era general e presidente da França e enfrentou a rebelião e o terrorismo dos militares de direita por conta da independência da Argélia.

Mas chega de histórias alienígenas. Concentremo-nos aqui.

As Forças Armadas brasileiras não se envolvem em nenhuma guerra externa (que é para o que elas existem) há mais de cem anos. O envolvimento na 2.ª Guerra Mundial foi mais simbólico do que numérica ou temporalmente significativo, ainda que nos tenha deixado heranças edificantes, e menos edificantes, durante o período da guerra fria.

Agora estamos diante da Comissão da Verdade e da Lei da Anistia. Poderemos resolver isso democraticamente, mas ainda não dá para saber e esta vai sobrepor-se a àquela, ou vice versa. O jogo democrático é que definirá isso.

Agora surgiram os problemas das prisões militares, que o governo civil quer e deve poder inspecionar. Afinal, por que manter as prisões militares em tempos de paz? E mais: cento e tantos anos de paz!

Em algum momento os militares precisarão adaptar-se ao princípio da superioridade civil. E isso inclui permitir a inspeção de prisões militares, em que são postos atrás de grades, entre outros, cidadãos que entraram para as Forças Armadas não porque quisessem, mas porque uma lei os obrigou a prestar o serviço militar. Este não passa de um imposto disfarçado cobrado dos cidadãos maiores de 18 anos, sob forma de trabalho e de renúncia a ganhos e/ou educação, durante um ano. Se vivemos num regime constitucional, não é possível manter encarcerados cidadãos sem terem sido condenados por um tribunal civil. Se a lei permite isso, é hora de mudar a lei.

Eu tive o desprazer de passar um fim de semana estendido (Dia de Todos os Santos e Finados) detido por causa da arbitrariedade de um tenente que resolveu punir-me por eu ter falado com um capitão sem pedir permissão a ele - tenente. Só que não tomei a iniciativa de falar com o capitão, apenas respondi a uma pergunta que ele me fez.

Esse episódio foi suficiente para sentir o peso do que podem ser as arbitrariedades dentro de um quartel, já que a instituição militar não está sujeita a nenhum controle externo independente. Portanto, melhor que não tenhamos prisões militares fora do controle do Judiciário civil.

Prisões são a melhor maneira de tornar as pessoas piores. Não acredito que nenhum dos meus colegas de serviço militar que foram presos tenha de lá saído melhor, nem um pouco.

Se, de todo, por questões políticas, ainda não for possível acabar com as prisões militares em tempo de paz, ao menos que um poder independente do sistema militar possa fiscalizá-las.

A primeira pedra - LUIZ FERNANDO VERISSIMO

O GLOBO - 29/03/12


E os fariseus trouxeram a Jesus uma mulher apanhada em adultério e perguntaram a Jesus se ela não deveria ser apedrejada até a morte, como mandava a lei de Moisés. E disse Jesus: “Aquele entre vós que estiver sem pecado que atire a primeira pedra”. E a vida da mulher foi poupada, pois nenhum dos seus acusadores era sem pecado. Assim está na Bíblia, evangelho de São João 8, 1 a 11.

Mas imagine que a Bíblia não tenha contado toda a história. Tudo o que realmente aconteceu naquela manhã, no Monte das Oliveiras. Na versão completa do episódio, um dos fariseus, depois de ouvir a frase de Jesus, pega uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, dizendo: “Eu estou sem pecado!”.

– Pera lá – diz Jesus, segurando o seu braço. – Você é um adúltero conhecido. Larga a pedra.

– Ah. Pensei que adultério só fosse pecado para as mulheres – diz o fariseu, largando a pedra.

Outro fariseu junta uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, gritando: “Nunca cometi adultério, sou puro como um cordeiro recém-nascido!”.

– Falando em cordeiro – diz Jesus, segurando o seu braço também – e aquele rebanho que você foi encarregado de trazer para o templo, mas no caminho desviou dez por cento para o seu próprio rebanho?

– Nunca ficou provado nada! – protesta o fariseu.

– Mas eu sei – diz Jesus. – Larga a pedra.

Um terceiro fariseu pega uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a adúltera, dizendo: “Não só não sou corrupto como sempre combati a corrupção. Fui eu que denunciei o escândalo da propina paga mensalmente a sacerdotes para apoiar os senhores do templo”.

– Mas foste tu o primeiro a receber propina – diz Jesus, segurando seu braço.

– No meu caso, foi para melhor combater a corrupção!

– Larga a pedra.

Um quarto fariseu junta uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, dizendo: “Não tenho pecados, nem da carne, nem de cupidez ou ganância!”.

– Ah, é? – diz Jesus, segurando o seu braço. – E aquela viúva que exploravas, tirando-lhe todo o dinheiro?

– Mas isto foi há muito tempo, e a mulher já morreu.

– Larga a pedra, vai.

E quando os fariseus se afastam, um discípulo pergunta a Jesus:

– Mestre, que lição podemos tirar deste episódio?

– Evitem a hipocrisia e o moralismo relativo – diz Jesus.

E, pensando um pouco mais adiante:

– E, se possível, a política partidária.

Reforço na escola - CLAUDIA COSTIN

O GLOBO - 29/03/12

Em março de 2009, ao tentar concluir um diagnóstico claro da Educação carioca, aplicamos uma prova nas escolas da Prefeitura do Rio para identificar se havia analfabetos funcionais entre os alunos do 4 ao 6 anos. Qual não foi a surpresa ao constatar que, numa cidade como Rio, sede dos maiores centros de pesquisa científica do país, contávamos com cerca de 28.000 alunos destas séries incapazes de ler ou entender frases curtas.

O esforço feito para resolver este triste problema passou por constituir um reforço escolar estruturado que desse conta não apenas de realfabetizar os analfabetos funcionais identificados (e, para isso, investimos na capacitação de mais de 1.100 professores da rede municipal), mas de corrigir problemas de desempenho dos alunos, medidos sistematicamente a cada prova bimestral unificada de Português, Matemática, Ciências e Redação. Mas envolveu, sobretudo, a melhoria da alfabetização inicial.

O Ministério da Educação inicia agora um importante programa para avançar na alfabetização de crianças pequenas. Pretende-se garantir que toda criança esteja alfabetizada antes de completar 8 anos. Não faz mais sentido aceitarmos que, por sabermos da baixa escolaridade dos pais e seu impacto na aprendizagem dos filhos, a alfabetização seja deixada para mais tarde. Se retardarmos a alfabetização, o apartheid educacional entre escolas públicas e boas escolas privadas só fará aumentar no 3, 4 ou 5 anos.

Aqui no Rio, lançamos um desafio: vamos tentar alfabetizar já no 1 ano. Fácil? Certamente que não. Muitos alunos não têm livros em casa, os pais não têm o hábito da leitura e não fizeram pré-escola. Mesmo assim, decidimos preparar material adequado para apoiar a ação dos professores, na forma de cadernos pedagógicos e aulas digitais, que podem ser projetadas nas salas. Tudo preparado por professores da nossa rede. Resolvemos também estruturar a rotina e o ambiente de sala de aula, para assegurar uma alfabetização mais efetiva, por meio do programa Casas de Alfabetização. Os pais também foram envolvidos e receberam cartilhas, em linguagem adequada, sobre como apoiar a alfabetização em casa.

Os resultados são animadores: na avaliação externa aplicada em toda a rede no 1 ano (crianças de 6 anos), 83% já estavam alfabetizados em 2011, sendo 30% em estágio avançado. Em termos percentuais, houve um avanço de 5,9% na proficiência média de leitura e 6,5% na de Matemática, em relação a 2010.

Enquanto as escolas comemoram este resultado, outro nos coloca também numa trilha muito positiva. O analfabetismo funcional do 4 ao 6 anos, que era de 14% dos alunos em março de 2009, caiu para 6,5% no fim de 2011. Ainda desafiador, mas um avanço considerável para o espaço de tempo de menos de 3 anos.

Dar um salto na qualidade da Educação demanda tempo, mas empenho, boa gestão e persistência estratégica podem colocar o analfabetismo funcional na escola como coisa do passado. Falta pouco!

Taxação do câmbio? - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 29/03/12


Por enquanto, leva jeito de não passar de balão de ensaio. Mas, se não forem prontamente rechaçadas, essas tentativas de enfiar mais impostos goela abaixo do setor produtivo nacional acabam virando fato consumado.

Informações publicadas ontem no Estado apontam que setores do governo, mais particularmente do Ministério do Desenvolvimento, querem porque querem taxar com IOF todas as operações de venda de moeda estrangeira no Brasil.

O Ministério da Fazenda prontamente desmentiu a existência de estudos nesse sentido. Mas tanta lambança econômica já começou assim no Brasil, com desmentido e tudo, que é bom desconfiar.

Como ainda são notícias preliminares, não dá para aprofundar análises. Mas as primeiras indicações são de que essa taxação viria para controlar o fluxo de capitais. Assim sendo, capitais especulativos que entrassem disfarçados de investimento produtivo deveriam ser "pesadamente taxados". Como dinheiro não chega carimbado e é difícil distinguir o que é capital produtivo de especulativo, a intenção dessa gente é taxar tudo pesadamente para, depois, comprovado o cumprimento do interesse nacional, devolver o que viesse a ser arrecadado. Essa nova taxação alcançaria também as exportações e os Investimentos Estrangeiros Diretos.

O diabo é que nem sempre é possível cumprir um cronograma inicialmente traçado. A Petrobrás, por exemplo, está atrasada nos seus investimentos devido a fatores que não dependem dela. É a demora para liberação de uma licença ambiental; é o descumprimento dos prazos por parte de fornecedores tanto internos como externos; é um acidente qualquer que exige outros procedimentos... Enquanto esperam para serem desembolsados, esses recursos têm mesmo de ficar aplicados no mercado financeiro. E nem por isso devem ser considerados não produtivos, ainda que temporariamente. Ou seja, não basta rastrear o seguimento de cronogramas e a finalidade pela qual um capital ingressou no País. E, se for para rastreá-los, é preciso também ter condições para avaliar qualquer quebra de programa previamente estabelecido.

Além disso, a ideia de taxar todas as operações de venda de moeda estrangeira, inclusive nas exportações, para posteriormente, na falta de irregularidades, devolver a taxa paga, tem tudo para se transformar em nova arapuca de custos. O governo federal há anos deixou de pagar os créditos da Lei Kandir. E qualquer contribuinte da Receita Federal sabe o que é ficar esperando pela devolução do que foi cobrado a mais pelo Imposto de Renda na fonte.

Ademais, se fosse somente para farejar desvio de capitais, não seria necessária uma alíquota alta. Qualquer 0,001% já seria suficiente para fornecer pistas. Se esses setores do governo pretendem "taxar pesadamente" as operações de venda de moeda estrangeira é porque querem atender à voracidade tributária do governo federal. E aí já estaríamos falando de nova estocada do custo Brasil: aumento da carga tributária, pura e simplesmente.

Quem tem defensores do interesse nacional que pensam assim não precisa de inimigos do interesse nacional dos quais se defender.

Indústria para todos - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 29/03/12


Controvérsia sobre recuo da manufatura no país não pode ser desqualificada, pois há risco real e não só lamúria de empresários ineficientes

A fraqueza da produção manufatureira, nos últimos meses e anos, aqueceu o debate sobre o risco de desindustrialização no Brasil.

No ano passado, seu crescimento foi de apenas 0,3%, uma ninharia em comparação com a alta de 6,7% no varejo. Mesmo que se considere um período mais longo, a diferença continua dramática: a manufatura está no nível do início de 2008, contra quase 35% de aumento nas vendas de varejo.

Espera-se alguma retomada para este ano. Uma parte da desaceleração de 2011 decorreu da diminuição de estoques em alguns setores, como o automobilístico, pressionados por importações crescentes e vendas internas estagnadas. Feito o ajuste, a produção pode retornar ao nível normal.

Não se deve, no entanto, confundir recuperação de curto prazo com desafios estruturais. Durante anos, foi comum desqualificar a preocupação com a indústria como lamúria de empresários interessados em favores do governo.

Hoje não é mais assim. A pura negação, contudo, deu lugar à resignação. Muitos analistas consideram o fenômeno consequência inevitável da mudança nas condições externas e internas.

Do lado externo, os altos preços das matérias-primas exportadas pelo Brasil encorpam a entrada de divisas e valorizam o real. Internamente, a renda do trabalho ampliada por políticas salariais e previdenciárias generosas estimula o consumo e o setor de serviços.

O resultado seria a especialização da economia nos setores primário e terciário, com forte geração de emprego, em troca de menor competitividade industrial. A perda de mercado para importações, por sua vez, não seria um problema, prossegue o argumento, já que boa parte delas seriam compras de bens de capital para investimento e modernização do parque industrial.

Essa análise peca por considerar que exportações de poucos produtos primários sejam confiáveis, pois uma inversão de preços traria ao país altos deficit nas contas externas. No que se refere às importações de bens de capital, é fato que o uso de equipamentos importados melhora a produtividade, mas a perda da base de conhecimento ("know-how") por fornecedores de bens finais brasileiros é uma ameaça para o futuro do país.

É temerário considerar que um país de renda média e com baixa escolaridade, como o Brasil, possa manter tal padrão de crescimento. Serviços que geram renda, hoje, são atividades complexas como design industrial e marketing, de alto conteúdo intelectual.

Sem um sistema de ensino melhor, a produtividade em serviços não crescerá o suficiente para dar emprego e renda para cerca de 150 milhões de brasileiros adultos.

O impacto fiscal da re-renegociação - RIBAMAR OLIVEIRA


VALOR ECONÔMICO - 29/03/12

A mudança dos critérios utilizados na renegociação das dívidas dos Estados e municípios pela União entrou, definitivamente, na agenda do Congresso. Uma comissão especial para discutir o assunto, criada pela Câmara, começou ontem a ouvir os secretários estaduais de Fazenda e deverá ouvir também vários governadores e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em meados de abril. O governo sabe que o principal objetivo de governadores e prefeitos é reduzir as prestações mensais que pagam ao Tesouro pela dívida renegociada e, com isso, abrir espaço para maiores gastos, principalmente investimentos.

Atualmente, os Estados e alguns dos principais municípios do país gastam até 15% de sua receita líquida real com o pagamento das dívidas renegociadas. Para fazer esses pagamentos, eles foram obrigados a executar programas de ajuste fiscal, que são monitorados pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). São esses pagamentos que servem de base para que o governo federal estime em 0,95% do Produto Interno Bruto (PIB) o superávit primário a ser feito, anualmente, pelos Estados e municípios. Com o superávit de 2,15% do PIB do governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central), a meta de todo o setor público alcança 3,1% do PIB. É bom lembrar que, atualmente, embora sejam calculadas de acordo com os percentuais do PIB, as metas fiscais são fixadas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) em valores nominais.

Meta de superávit pode ser alterada com a mudança

Até 2008, os Estados e municípios cumpriram com folga a meta prevista para eles. A partir de 2009, por causa da crise econômica internacional que afetou o Brasil, o governo federal relaxou um pouco os controles sobre os governos estaduais e prefeituras, ao permitir maior contratação de novos empréstimos. Em 2010, por exemplo, o superávit primário de Estados e municípios ficou em apenas 0,63% do PIB, incluindo no cálculo os resultados obtidos por suas empresas estatais (veja tabela abaixo).

Ainda não é possível saber em que resultarão as negociações para mudar os contratos das dívidas estaduais e municipais renegociadas pela União. Há todo tipo de proposta na mesa, inclusive uma que prevê uma nova renegociação de todo o estoque dos débitos existente atualmente, fixando-se um novo prazo para pagamento e custos financeiros mais favoráveis do que aqueles previstos nos atuais contratos.

Há um impedimento legal para uma re-renegociação: o artigo 35 da Lei Complementar 101, mais conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), proíbe a realização de operação de crédito entre os entes da federação. O Ministério da Fazenda diz que aceita discutir novas formas contratuais para as dívidas renegociadas desde que isso não implique alteração da LRF. Essa orientação, se mantida, vai limitar bastante a pauta das negociações.

A troca do indexador das dívidas (o IGP-DI, índice de inflação da Fundação Getulio Vargas) e a redução das taxas de juros previstas em contrato (atualmente de 6% a 9%) estão no centro das discussões. Os atuais custos financeiros a que Estados e municípios estão submetidos são maiores do que as taxas pagas pelo Tesouro Nacional nos títulos que emite. Se o Banco Central conseguir manter a Selic em um dígito, a situação ficará ainda mais distorcida.]

É difícil acreditar que a alteração dessas duas variáveis (indexador e taxa de juro) não se configura, do ponto de vista jurídico, em uma nova re-renegociação, proibida pela LRF. Os políticos que participam dessas negociações não demonstram preocupação com a possibilidade de ter que alterar a LRF.

O primeiro problema que surge nessa discussão é saber se a nova taxa de juros e o novo indexador serão aplicados de forma retroativa, ou seja, se a série histórica do endividamento será revista desde 1997 - ano da lei 9.496, que autorizou a renegociação dos débitos estaduais. Se a série for revista, haverá, obviamente, alteração na composição da própria dívida líquida do setor público, que é divulgada pelo Banco Central. Se o governo não aceitar a retroatividade, mesmo assim haverá mudança na composição futura da dívida líquida do setor público, por conta dos novos custos financeiros.

O segundo problema é que a diminuição do custo financeiro das dívidas renegociadas pela União abrirá espaço para que sejam também reduzidas as prestações mensais pagas pelos governos estaduais e prefeituras ao Tesouro. Se isso acontecer, a meta fiscal para os Estados e municípios não poderá mais ser estimada em 0,95% do PIB. Será menor. Para manter a meta de 3,1% do PIB para todo o setor público, o governo central teria, portanto, que aumentar a sua parte.

É pouco provável que isso ocorra, pois quando retirou a Petrobras e a Eletrobras da meta fiscal, o governo central não elevou a sua participação. A meta, que era de 3,8% do PIB com a Petrobras e a Eletrobras, caiu para 3,1% do PIB. O superávit das estatais correspondia a 0,65% do PIB. Hoje, é de zero. O governo central reduziu um pouquinho a sua parte, de 2,2% do PIB para 2,15% do PIB.

A discussão sobre a mudança dos contratos de renegociação dos débitos estaduais e municipais tem, portanto, implicações na política fiscal. Se o governo permitir o alívio que os governadores e prefeitos reivindicam, é muito provável que a meta de superávit primário do setor público tenha que ser diminuída.

CLAUDIO HUMBERTO

“Eu vou voltar à vida política”
Ex-presidente Lula, comemorando o desaparecimento do câncer na laringe

MAIA MOSTRA A DILMA QUEM MANDA NA CÂMARA

Às turras com a presidente Dilma já há algum tempo, o presidente da Câmara, Marco Maia, tenta mostrar quem manda na Casa ao fixar em abril a votação do novo Código Florestal, contrariando a ordem do Planalto. Com apoio dos ruralistas e de maioria na base aliada, inclusive de grupos descontentes, Maia acredita estar blindado em caso de uma ‘reação negativa’ da presidente.

EM CAMPANHA

Maia fechou acordo afinado com o líder do PMDB, Henrique Alves, e a vice-presidente Rose de Freitas, candidatíssimos à sua sucessão.

ESCAFEDEU-SE

O líder do PSDB, Bruno Araújo, ironiza sobre o desaparecimento da ministra Ideli Salvatti durante o acordo: “Deve ter viajado com Dilma”.

É FLORIDA

A primavera chegou à Presidência da República, que reservou R$105, 3 mil para comprar flores e plantas diversas. Incluindo coroas fúnebres.

ESQUECERAM DE MIM

O senador Sérgio Petecão (AC) diz que o PSD do prefeito Gilberto Kassab esqueceu dele “mais rápido do que imaginava”.

‘JEITO ESTÚPIDO’ É HILÁRIO, MAS AFASTA ALIADOS

O governador é aliado da presidente Dilma, mas acha que ela precisa mudar ou perderá apoio dos aliados, da classe política e até do eleitor. Ele estava no Planalto, dia desses, quando houve uma cena bizarra: Dilma machucou o pé após um violento pontapé na porta de aço do elevador. Queria ir ao gabinete da ministra Gleisi Hoffmann, mas o elevador não se encontrava à sua espera, como deveria. “Ela estava com raiva. Pior: furiosa”, conta o governador, que teme ser identificado.

ESTAVA OCUPADA

Dilma se irritou porque Gleisi não atendia ao telefone. Nem poderia: ela estava reunida com um importante embaixador estrangeiro.

PAVIO CURTO

Impaciente, Dilma saiu para um pequeno corredor, atrás do gabinete, mas seu elevador privativo não estava no 3º andar. Ela explodiu de ira.

ANDAR DE CIMA

O gabinete de Dilma fica no 3º e o de Gleisi no 4º andar do Planalto. O elevador privativo liga os quatro andares à garagem, no subsolo.

PASSOU RECIBO

A senadora Marta Suplicy (PT-SP) desafiou no Twitter: “A tese de que qualquer candidato do PT tem assegurado 30% do eleitorado não é totalmente verdadeira. Não se turbina uma candidatura com desespero, pressões e constrangimento”. E pediu “leque de forças” contra o PSDB.

VOO LIVRE

A estatal Infraero expande os domínios terrestres: vai alugar um quinto prédio para abrigar seu “exército” de 14 mil servidores e novos contratados: o edifício Planalto, no Setor Comercial Sul, em Brasília.

FALTA DAR EXEMPLO

O deputado Lúcio Vieira Lima (BA) reclamou a Henrique Alves, líder do PMDB, sobre a venda de bebidas na Copa: “Como apoiamos essa medida se o próprio líder do PT, Walter Pinheiro, esculhamba a Fifa?”.

PRESIDENTE INTERINO

Além do ex-presidente FHC, Lula recebeu no Sírio-Libanês o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Makhtar Diop, para confirmar que em maio vai a um seminário sobre a África, no Rio. 

TUDO DOMINADO

Soldados da Força Nacional entraram em ação na sexta (23) em Novo Gama (GO), para garantir a ordem após o roubo ao Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops). A cidade parou com o tumulto.

E NA COPA?

O Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, ignora a possibilidade de um cadeirante ser cliente vip. Até hoje, não oferece elevador de acesso à área vip do embarque internacional. Só por meio de escada rolante.

VAI QUE COLA

A deputada Rose de Freitas (ES) aproveitou a condição de presidente interina da Câmara e tentou colocar ontem, no bojo da votação da Lei Geral da Copa, projetos de sua autoria. A oposição impediu.

COELHINHA

A visita de Dilma aos EUA, dia 9, tem tudo para ser um “não evento”, em meio a ovos de Páscoa e coelhinhos saltitantes. Não terá caráter oficial, porque Barack Obama está em campanha à reeleição.

PONTO FINAL

É do já inesquecível Millôr Fernandes, que morreu ontem, aos 88, no Rio: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados.” 

PODER SEM PUDOR

O AMOR É LINDO

O senador Gilvam Borges (PMDB-AP) discursava ontem no Senado quando se dirigiu ao colega Valter Pereira (PMDB-MS):

– Senador, com todo o respeito, a solidariedade e o amor que existe entre nós dois... Falo do amor fraterno, não do amor que vossa excelência está imaginando...

E concluiu:

– Vou parar com isso, porque quando falamos em amor já somos cerceados.

Renan Calheiros, que presidia a sessão, apenas deu um leve sorriso.

QUINTA NOS JORNAIS


Globo: Congresso aprova a nova previdência para servidor
Folha: Tribunal livra de prisão quem recusar bafômetro
Estadão: Lei seca só vale se motorista passar por bafômetro, diz STJ
Correio: Fundo vai mudar vida do servidor
Valor: Hidrelétricas se preparam para aumentar capacidade
Zero Hora: Decisão da Justiça enfraquece Lei Seca
Estado de Minas: BH tem fila até para nascer

quarta-feira, março 28, 2012

Calma, gente! - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 28/03/12

Dez coronéis prometem saltar de paraquedas na Praia da Barra da Tijuca, na altura do Quiosque 172, no Rio, com uma bandeira do Brasil de dez metros de comprimento, no dia 31 de março. É para celebrar os 48 anos do golpe militar de 1964.

Segue...

A Comissão da Verdade ainda não foi instalada. Aliás, seus membros nem foram escolhidos, mas ela já funciona na prática. Por causa da comissão, muita gente, dos dois lados, debate democraticamente sobre esse período de trevas. Isso é bom. Isso é ótimo.

Retratos da vida

O mercado de trabalho específico para anões cresce. Uma empresa especializada, veja em lc5.zip.net, oferece esse tipo de mão de obra para festas e eventos. Geralmente, trabalham como garçons, mas também como... seguranças. Que sejam felizes.

O mundo se move

A CAL, Casa das Artes de Laranjeiras, no Rio, uma das principais escolas de atores do país, está para formar a primeira travesti. Joana dos Santos, aluna da professora Celina Sodré, estreia em maio na montagem “Fantasmas de guerra e paz”, do Studio Stanislavski, no Instituto do Ator, na Lapa.

No mais...

Luíza, aquela que estava no Canadá, foi para Londres. Ou seja: não é nada, não é nada... não é nada.

Vida que segue
Orlando Silva e sua mulher, a atriz Ana Cristina Petta, que já são pais de uma menininha, estão grávidos novamente. O ex-ministro decidiu terminar seu curso de ciências sociais, na USP, interrompido quando assumiu o ministério.

O RIO GANHOU um novo parque estadual, pertinho do complexo do Porto do Açu, projeto tocado por Eike Sempre Ele Batista no Norte Fluminense. O local foi batizado por Carlos Sempre Alerta Minc de “Lagoa do Açu” e tem 8.400 hectares ou quase duas vezes e meia a área da Floresta Nacional da Tijuca. É belíssimo. Preserva dunas, restingas e espécies ameaçadas como o lagarto branco-da-areia e o pássaro formigueiro-do-litoral.

Mãos ao alto!
Edson Vidigal, ex-presidente do STJ, e sua mulher, Eurídice, ex-secretária de Segurança Pública do Maranhão, foram assaltados no último fim de semana, numa praia, em São Luís (MA). Pelo Twitter, Vidigal contou que roubaram seus documentos, cartões, dinheiro, celular e “arrancaram- nos as alianças”: — No Maranhão é cada um por si, a sorte é só para alguns. Acabamos, Eurídice e eu, de escapar ilesos de um assalto...

Prende eu

Glória Perez está escrevendo um papel para Giovanna Antonelli em sua próxima novela na TV Globo. A bela será uma delegada.

Matisse em Sampa

As vinte serigrafias de Henri Matisse (1869-1954) furtadas há sete anos e recentemente recuperadas pela PF voltarão para a Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. A decisão é de José Nascimento Jr., diretor do Ibram. Mas, antes disso, elas serã expostas no MNBA, no Rio.

‘Harmonices mundi’
A Biblioteca Nacional incorporou ao seu acervo de obras raras um exemplar da primeira edição de “Harmonices mundi ” , de Johannes Kepler (1571/1630). O livro do astrônomo, matemático e astrólogo alemão (foto) passará por higienização e restauro e, depois, ficará disponível para consulta.

Seguro de... você sabe

A corretora SCK e a seguradora Zurich criaram, veja só, um seguro para advogados. É assim: ressarce o cliente prejudicado por algum erro ou omissão do “doutor”. Será lançado hoje na OAB-RJ.

Nova vizinha

Adriano, o Imperador, vai ganhar uma vizinha famosa em seu condomínio, o Mansões, na Barra. É Juliana Paes, que acaba de comprar um casarão no local.

Justiça

A 17a- Câmara Cível do Rio determinouque a Estância Turística Jonosake indenize em R$ 15 mil o espólio do mestre Cartola. Em 2009, a empresa confeccionou blusas e folhetos com a imagem de Cartola, sem autorização, para um evento carnavalesco.

Poxa, Naldo!

Ronaldinho Gaúcho está um fera com o cantor Naldo. É que ele teria postado na internet uma foto da festa de aniversário do craque. Mas um dos pré-requisitos para entrar no arrasta- pé era... não tirar fotos.

A roda da fortuna - DENISE ROTHENBURG


Correio Braziliense - 28/03/12


A maioria dos casos de cassação ou renúncia no Senado ocorreu porque seus protagonistas buscaram apoio dos colegas na tribuna e, depois, os apoiadores se sentiram enganados. É por aí que Demóstenes caminha hoje



O calendário estava longe de registrar a data do bug do milênio quando ouvi do então senador Gilbeto Miranda, à época no PMDB, que o Senado era uma "confraria". Empresário da Zona Franca de Manaus, pouco afeito aos meandros da Casa, ele logo pegou o "espírito da coisa". Ali, governo e oposição convivem em relativa harmonia. Não por acaso, os embates, quando ocorrem, viram logo notícia de primeira página. Foi assim quando, por exemplo, o então senador Antonio Carlos Magalhães, à época do PFL, se atirou sobre a gravata de Pato Donald do colega Ney Suassuna. Ou quando Tasso Jereissati, no período mais recente, xingou o senador Almeida Lima, num embate em plenário.

Como toda a confraria, há regras e comportamentos considerados pecados capitais. O mais visível deles é ir à tribuna jurar que não há mais nada, seja sobre o quê ou quem for e, mais dias, menos dias, os fatos mostrarem uma coisa aqui, outra ali. É nesse ponto que está hoje o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). A muitos ali não interessa mais se Demóstenes era amigo de Carlinhos Cachoeira, o que não é crime. O que vale é que Demóstenes disse aos senadores que eles não encontrariam mais nada entre ele e o empresário, e houve novidades.

Desde segunda-feira, os bastidores da Casa se referem a Demóstenes como alguém que deixou os senadores com a "cara no chão". Quando surgiram as primeiras notícias, o senador goiano foi à tribuna e saiu do plenário ovacionado pelos colegas. Recebeu o apoio de todos os partidos, sem exceção. Do intransigente PSol, representado pelo jovem Randolfe Rodrigues (AP), passando pelos partidos da base do governo, todos se solidarizaram com o senador do DEM. Talvez jamais tenha havido um caso em que os senadores tenham sido tão cordatos com alguém que aparecesse citado numa investigação.

Os integrantes do PCdoB, que ouviram poucas e boas do DEM quando do episódio envolvendo o então ministro do Esporte, Orlando Silva, comentavam à boca pequena estarem arrependidos de terem defendido Demóstenes. E não foram os únicos. Demóstenes teve a solidariedade de nomes como Pedro Simon (PMDB-RS) e Pedro Taques (PDT-MT), que chegou ali como um procurador implacável com desvios de qualquer espécie.

Por falar em desvios...
A história recente da Casa está recheada de casos parecidos. Há mais de 10 anos, ouvi de um ilustre senador da República a seguinte frase: "Não adianta ele querer lutar. A roda da fortuna girou. E ele foi espirrado". O "ele" era o então senador Luiz Estevão, do PMDB do Distrito Federal. Por meses, Estevão negou envolvimento no escândalo do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, a obra que virou símbolo do desperdício de dinheiro público e da corrupção, ao ponto de levar um juiz para a cadeia: Nicolau dos Santos Neto.

Estevão bem poderia ter continuado senador, não fosse o fato de ter dito aos colegas que não tinha envolvimento direto com o episódio e as páginas do Correio Braziliense revelarem um contrato de gaveta que o colocou no epicentro da trama. Pouco depois, seria a vez de José Roberto Arruda e Antonio Carlos Magalhães, no episódio de quebra de sigilo dos votos registrados no painel eletrônico da Casa quando da cassação de Estevão.

Esses casos mais antigos, todos ocorridos há mais de uma década, têm em comum o fato de seus protagonistas terem recorrido à tribuna em busca de socorro, conquistarem esse apoio e, depois, os apoiadores se sentirem meio que enganados. Afinal, a relação de confiança é moeda inegociável entre as excelências. Por isso, hoje interessa pouco aos senadores saber se Demóstenes é culpado ou inocente na letra fria da lei. O que vale é ele ter deixado grande parte de seus colegas com a cara no chão. Ou seja, a roda da fortuna girou e, ali, quando ela gira, alguém cai. Alguns ainda se seguram, ou retomam seu lugar, como ocorreu com o próprio Antonio Carlos Magalhães, que morreu senador, lembrado pela legislação que criou o fundo de Combate à Pobreza. Mas ACM, depois daquele caso, nunca mais foi o mesmo. Demóstenes também não será. Podem ter certeza.

Meu primo Raul - ROBERTO DaMATTA


O Estado de S.Paulo - 28/03/12


Ao lado de Chico Anysio, que vi e admirei uma ou duas vezes no teatro e em incontáveis ocasiões na telinha da televisão, partiu meu primo Raul Augusto da Matta. Chico é notícia necessária da mídia e, no jornal, ocupa toda uma página. Raul é personagem da humilde coluna. Ao jornal às notícias; à crônica, os fatos da vida e da morte que pertencem eventualmente ao cronista e por meio dele podem, quem sabe, recompensar o leitor. Mesmo quando o seu centro é um morto desconhecido da maioria e o texto fala da perda e do luto.

Será preciso lembrar o poeta inglês John Donne, quando ele descobria que nenhum homem é uma ilha - todo homem é parte de um continente? E que, quando os sinos dobram, eles têm a autoridade de dobrar para todos nós e também para o meu primo Raul? "A morte de todo homem", segue o poeta, "diminui-me porque eu estou envolvido na humanidade."

Estou mais pobre, mas se não fosse por essa morte, eu não seria alcançado pelo poderoso badalar dos sinos que tocam por todos nós. Meus olhos estão turvados, mas eu ouço os sons que nos unem e inventam insuspeitas teias de solidariedade, porque não há como ficar indiferente ao nascimento e à morte.

Todas as vidas tocam - querendo ou não - muitas outras vidas. E Raul atingiu a vida de nossa família primeiro na Rua Nilo Peçanha, 31, no Ingá, casa dos nossos avôs Raul e Emerentina; depois, no apartamento de Renato e Lulita, meus pais, no Edifício Abaeté, aqui, em Niterói.

A mediunidade da literatura me deixa ver Raulzinho pela primeira vez. Ele chega, menino alto e de calça curta, segurando uma pequena maleta de Laranjeiras, Rio de Janeiro. Naquele tempo, eu imaginava a Rua das Laranjeiras como sendo um laranjal e o Rio de Janeiro como a cidade que tinha todos os cinemas do mundo na Cinelândia. Raulzinho deixava meus avós orgulhosos e despertava inveja nos meus irmãos e em mim, porque ele tinha o mesmo nome do meu avô, o velho Raul, desembargador aposentado e sisudo, cujo prazer mais visível era fumar um charuto aos domingos. Aos 10 anos, Raulzinho realizava a façanha de vir das Laranjeiras ao Ingá, em Niterói, tomando bondes e barcas. Era órfão de pai e visto como audacioso por andar contando somente com ele mesmo. Logo que chegava, vovó telefonava para a sempre elegante e bonita tia Celeste, mãe do primo, avisando que estávamos todos juntos, brincando.

Naquele tempo, a morte estava longe de mim. Roberval, o pai de Raulzinho, havia morrido quando ele era uma criança de 4 anos. Uma variedade de lúpus o levou em 19 dias aos 39 anos, numa morte que foi o maior golpe vivido por meus pais, tios e avôs, sobretudo pelo meu avô Raul. O nome do meu primo falava desse amor feito de obediência, respeito e amizade, tão difícil de articular entre Raul e esse Roberval roubado pela morte. Raulzinho era o testemunho vivo dessa ausência. Vocês não sabem o que é não ter pai, dizia ele para nós, cujo pai - sempre presente - não permitia imaginar essa experiência.

Hoje, como membro da fraternidade dos que enterraram filhos, estou seguro que a postura soturna de vovô tinha muito a ver com esse Roberval que foi o primogênito de Raul e Emerentina, dois viúvos que se uniram com filhos dos seus primeiros matrimônios. Roberval transbordava de gosto pela vida. Dançava como Fred Astaire e, estudante de Medicina, deu a um viúvo e a uma viúva, cujo marido foi assassinado na Manaus de 1908, a prova de que a vida, afinal e a despeito de tudo, valia a pena. Ele está imortalizado numa fotografia - alto e bonito - ao lado de meu avô Raul, igualmente alto e bonito. Detalhe: pai e filho estão de chapéu, gravata, colete e de mãos dadas, como deve ser.

Raulzinho se parecia com o pai. Foi ator e empresário. Casou-se com a atriz Leina Krespi (que morreu em 2009), teve Patricia e Georgia e escreveu a peça Caiu Primeiro de Abril, que fez muito sucesso em 1964.

A morte obriga a recordar a beleza e o encanto do primo. Estudante de teatro, Raul fazia laboratório com as suas apaixonadas. Declarava, representando, um amor incondicional para, na semana seguinte, desfazer suas promessas, deixando as moças em lágrimas e às vezes encaminhado-as a nós, os primos comuns que não moravam no Rio e não possuíam o carisma do ator.

Como não lembrar de Raulzinho, Romero, Fernando, Ricardo, Renato, Ana Maria e eu dançando com vovó Emerentina, viúva e jogadora inveterada de pife-pafe e pôquer, capaz de viver com alegria mesmo tendo enterrado tantos filhos, uma das canções de My Fair Lady na nossa sala de visitas? Fizemos uma roda ao som do maravilhoso I'm Getting Married in the Morning, demos as mãos e, com Emerentina no centro, dançamos sacralizando o apartamento com a música e o amor que amenizam as diferenças e as dores.

Raul está hoje com todos os meus mortos que você, querido leitor, não conheceu, mas sabe muito bem quem são. A menos que você não tenha amado, a menos que você jamais tenha ouvido o grande sino que dobra por todo nós.

Um dia, quando eu também estiver nessa terra dos esquecidos e, às vezes, lembrados somente para serem definitivamente deslembrados, nós todos - Raul, Raulzinho, Emerentina, Amalia, Renato, Lulita, Roberval, Rosalvo, Oyama, Kronge, Marcelino, Silvio, Yolanda, Fernando, Rodrigo, Renatinho, Regina - e muitos outros; todos esses seres amados, vamos nos encontrar e dançar debaixo dos acordes do piano de mamãe, na celebração desse casamento combinado com o fim. O fim sem o qual não seríamos como o Raul desta crônica, amados e pranteados porque somos tudo: apenas humanos.