O GLOBO - 17/11
Mas Lewandowski não fez isso. Prevalece, portanto, ainda, na literatura jurídica do país, o vaticínio do mestre Evandro Lins e Silva, no livro-depoimento "O salão dos passos perdidos": "A verdade, parece-me, é que a atitude do ministro Adauto Lúcio Cardoso foi única, continua única, e provavelmente nunca se repetirá".
Lewandowski saiu, mas se esqueceu de não voltar.
Cultura
A título de curiosidade: Adauto, antes, já havia renunciado à presidência da Câmara, em protesto contra as cassações dos mandatos de seis deputados. Foi um dos dois mais ilustres filhos de Curvelo (MG). O outro foi o escritor Lúcio Cardoso, seu irmão, cujo centenário está sendo comemorado agora. Lúcio, homossexual assumido, foi a grande paixão de Clarice Lispector.
O articulador
Mercadante, agora, tem participado de quase todas as reuniões políticas da Dilma.
É hoje, seguramente, o segundo mais importante do governo.
Só perde para a sua própria vaidade, que sempre estará em primeiro lugar.
A Marta e o Padilha precisam saber que política é como a Bovespa: recusaram as ações do Mercadante na baixa, agora terão que correr atrás do prejuízo.
Nas alturas
Só agora, depois que a Dilma instalou uma UPP entre os morros da Saúde e da Educação, é que estou autorizado, por quem de direito, a contar esta história sensacional.
No auge da troca de "carinhos" entre Mercadante e Padilha, Dilma, durante uma viagem, resolve chamar os dois, separadamente, à cabine presidencial. E repete a um o que dissera ao outro:
- Se continuarem com essa palhaçada, eu demito os dois, e o Lula que vá arranjar emprego para vocês em outra freguesia!
Direita, volver!
Se essa guria aí, a Cibele Bumbel Baginski, líder da Nova Arena, resolver recuperar os quadros da velha Arena, o governo perde sua base no Congresso.
Quero ver as caras do Sarney, do Jucá, do Lobão e de outros voltando para o antigo ninho, de cabeças baixas.
Briga de foice
Conhecido fofoqueiro do Planalto, que não é o Gilberto Carvalho (esse se regenerou e virou ex-fofoqueiro), mandou-me esta nota pronta que repasso a vocês pelo mesmo preço que comprei:
"Não ouse falar de Ideli Salvatti para Marco Maia, nem de Maia para Ideli."
O clima, que já não andava bom, azedou de vez com a votação dos royalties.
Dizem que Maia quer pegar a vaga da ministra e, por isso, estaria criando dificuldade para vender a facilidade.
E a Ideli está de cabelo em pé com os projetos que o Marco Maia quer colocar em votação - principalmente o do fator previdenciário.
Pensando nisso, ela ligou pro Sarney pra pedir que ele enviasse uma MP à Câmara e, com isso, trancasse a pauta e acabasse com a alegria do Marco Maia.
Como presidente em exercício, Marco Maia despachou ontem com a Ideli.
Pareciam até parceiros.
Gafe
Dilma não repreendeu Cardozão por causa da frase dele de que preferiria morrer do que ir para a cadeia, como crítica ao sistema presidiário brasileiro. Para Dilma, esse desabafo de Cardozão já virou ladainha: ele fala isso sempre.
O problema foi que o ministro da Justiça falou a coisa certa, mas na hora errada: em cima da dosimetria do Supremo.
Pareceu, assim, que Cardozão falou de corda em partido de enforcados.
A bola da vez
O tucano Eduardo Azeredo sabe que seu julgamento será político:
- A suposta prova utilizada contra mim no processo é um "recibo" com falsificação grosseira de minha assinatura. Trata-se de uma cópia, cujo original nunca apareceu.
Um comentário:
Nesse caso nem precisa da prova com o recibo "falsificado" o STF já pode condená-lo por simples indício do crime, como fez com os petistas.
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