O ESTADÃO - 27/11/11
Como se redução de pastas, extinção de igrejinhas partidárias, substituição de ministros e toda gama de boas intenções que começam a ser proclamadas pelo Palácio do Planalto não tivessem implicações profundas.
Há, para início de conversa, uma contradição básica com a qual Dilma Rousseff deverá se confrontar se o que pretende é realmente reformular o modo de operação de governo, a partir da constatação feita na semana passada pelo empresário Jorge Gerdau, presidente da Câmara de Gestão criada pela presidente.
Caso ela concorde com Gerdau que "éimpossíveladministrarcom40ministérios" e resolva enxugar a máquina, estará se contra pondo à lógica do governo Luiz Inácio da Silva com a qual compartilhou como principal gestora.
Uma ruptura como passado,cuja execução equivaleria a dizer que o conceito de Lula estava errado, vai muito além da questão do estilo.
Bate de frente com o conteúdo, pois Dilma estaria renegando uma concepção da qual não foi mera herdeira,mas parceira.
Por concordar com o modo lulista de governar é que se elegeu presidente sob o estandarte da continuidade absoluta.
Ou o que se disse na campanha eleitoral não era a expressão da verdade? Numa sociedade menos disposta a aceitar pratos feitos,a presidente seria convidada a explicar essa incongruência e explicitar em detalhes as razões da mudança do rumo.
Mas isso só se a ideia for mesmo promover alterações na estrutura da montagem de governo, e não uma conjectura feita como objetivo de expor um bom propósito que depois será incorporado ao ativo gerador de bons índices nas pesquisas de opinião.
Depois,como ocorreu com a dita faxina, sempre se pode jogar a culpa na resistência dos partidos.
Pois, então, digamos que o plano seja apenas trocar partidos de pastas e titulares de cadeiras.
Qual será a justificativa, visto que a presidente já substituiu seis ministros sem mudar os termos do contrato? Para trocá-los de novo em tão pouco tempo faltará um bom argumento.O da simples necessidade de um "rodízio", francamente, não confere nobreza à ação. Confirma que o importante não são as políticas para cada setor, mas a a comodação de aliados aqui e ali,pouco importando quem faça o quê.
Restaria a hipótese de a presidente fazer mudanças localizadas a fim de trocar alguns ministros que lhe desagradam, sem dizer que o faz por pressão de denúncias.
Se for assim,dessa montanha terá nascido um mirrado rato.
Preliminar. Tomando como exemplo a cidade de São Paulo, o tucano José Serra considera que para o PSDB a questão do discurso é muito mais importante do que propriamente se há ou não candidatos com chance de vitória.
"Candidatura se constrói", diz ele, apontando para o campo adversário para demonstrar: se o PSDB não conta com um nome competitivo na largada, o PT também não.
Em termos de pesquisas, o ministro Fernando Haddad parte de patamar igual ou pior que postulantes dos outros partidos. Luiza Erundina, praticamente uma desconhecida quando se elegeu, é mais um entre outros exemplos.
O pré-requisito,na visão de Serra,é a definição do campo da disputa - de onde decorrem as alianças -,que será entre os defensores e os de tratores da administração Gilberto Kassab.
"O PSDB vai precisar decidir de que lado estará, sob pena de não ter um discurso que seja entendido pela população", diz.
Falando sozinho. Não é necessário repetir a última torpeza de Jair Bolsonaro, desta vez em referência à presidente da República.
Diante da impossibilidade de se punir parlamentar por palavra ou voto, talvez o melhor seja presentear o deputado com um passa porte para o ostracismo, a fim de que o debate sobre suas costumeiras abjeções não lhe dê mais projeção.
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