segunda-feira, fevereiro 17, 2014

O jeitinho brasileiro - CARLOS PONTES

CORREIO BRAZILIENSE - 17/02

Na década de 1970, o famoso jogador da Seleção Brasileira Gérson, o Canhotinha de Ouro, gravou comercial de uma marca de cigarros, em que ele cunhou a expressão: "Gosto de levar vantagem em tudo", em que exaltava o tal cigarro. A propaganda gerou a expressão Lei de Gérson, em que a pessoa quer obter vantagens a qualquer custo, mesmo que indevidas, sem respeitar os códigos éticos ou morais. De tal forma o conceito de dar-se um jeitinho à moda de Gérson ficou incrustado na mente dos brasileiros que o jogador sentiu seu nome associado a algo pernicioso e permaneceu com esse estigma. Por diversas vezes, ele se lamentou publicamente pelo fato. Mas não adiantou. O conceito do jeitinho já se entranhara no imaginário popular.

A cultura de quebrar um galho, de criar um gato na rede elétrica para não pagar a conta de luz, de estacionar o carro em vagas destinadas a pessoas com deficiência ou idosos, de tomar atitudes politicamente incorretas ou socialmente inaceitáveis, só mudará quando agirmos corretamente mesmo nas pequenas coisas do convívio social. Os delitos devem ter a devida punição, proporcional, é claro, ao grau do delito. Infelizmente, a nossa legislação penal é totalmente defasada, como no caso da maioridade penal, o que faz que os adolescentes de hoje, por causa da impunidade reinante, sejam responsáveis, já se noticia, por 40 % dos crimes. Os adolescentes começam a achar que o errado parece o certo quando picham os muros e os imóveis dos outros e nada lhes acontece. A lei prevê punição para quem danifica o patrimônio público ou privado, mas a regra é o "deixa pra lá", e nunca alguém foi punido por fazer pichação.

Os legisladores e a Justiça estão a anos-luz aquém das exigências da sociedade quando se trata de impunidade. A frouxidão das leis penais gera situações inaceitáveis para a civilização, como o de um menor ser "apreendido" dezenas de vezes pela polícia e ser solto imediatamente. Isso gera o retrabalho, que desmotiva a própria polícia, que se sente enxugando gelo na atuação frente aos criminosos. E a legislação também é nula em casos de reincidência. Em Brasília, vale lembrar o caso da jornalista Christina Velho, cujo marido foi morto atropelado por um menor de 16 anos e hoje, 26 anos depois, os pais não responderam judicialmente pela indenização.

A falta de punição, o hábito de cometer pequenos delitos é tão forte entre nós que um noticiário de tevê tem uma seção intitulada Sem noção, em que os próprios telespectadores enviam vídeos ou fotos captados pelo celular de situações que fogem do bom senso, que comprometem a segurança pública e desafiam os bons costumes.

Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, e Gilberto Freyre, em Casa grande e senzala, destacaram, principalmente o primeiro, a figura do brasileiro como o homem cordial. Mas a cordialidade não significa tolerância com o mal. Temos é que usufruir da índole de bom moço descrita por eles de forma generosa, mas sem tolerância com o malfeito e o delito.

Se formos capazes de conciliar a beleza e a riqueza de nossa terra tropical com o nosso jeito de ser acolhedor e hospitaleiro (recusando o quebra galho e o pequeno delito), seremos um povo mais feliz. E aí teremos motivo de nos alegrar com o papa Francisco quando até ele proclama: "O papa é argentino, mas Deus é brasileiro".

 A presidente Dilma e o Congresso Nacional não tiveram a coragem e a honra de encarar as reformas política, tributária, judiciária de que tanto o país necessita. Fica evidenciado que o brasileiro merece uma política com P maiúsculo, em que tenhamos orgulho e não vergonha dos políticos. Só depende de nós na hora de votar. O voto também não pode ser mais um jeitinho. 

Gente não é problema - CARLOS ALBERTO DI FRANCO

O Estado de S.Paulo - 17/02

Nunca a informação foi tão acessível quanto agora. Mas ainda continua sendo difícil ver além dos dados. Nossa avaliação é sempre bastante frágil. Quem diria, por exemplo, antes da crise imobiliária nos EUA, que os analistas financeiros estavam mal informados? Ao contrário, eles estavam munidos, em tempo real, de muitíssimos dados. Pouquíssimos, no entanto, vislumbraram o que estava por vir. Depois de ocorrer, a pergunta era natural: como é que não vimos isso?

Por que se dá esse fenômeno? A realidade parece esconder-se, trapacear. Talvez a dificuldade esteja nessa informação em tempo real. A proximidade com os fatos deixa-nos vulneráveis.

Mas não é apenas a falta de distanciamento da informação. Às vezes nos enganamos por anos, por décadas. Por exemplo, especialmente a partir dos anos 1960 veio à tona com grande força a preocupação demográfica. Consolidou-se a leitura unívoca de que o crescimento populacional era um problema a ser combatido. A pobreza e a miséria no mundo estavam de certa forma mais próximas, tornavam-se mais conhecidas. Imagens televisivas dos países extremamente pobres pareciam gritar: o mundo não comporta mais gente, falta alimento. E parecia urgente a necessidade de uma guinada. Acrescentava-se também a consciência ecológica. A presença humana causava - quase como uma lei física - problemas ambientais. O mundo parecia ser uma casa pequena para tanta gente. Diminuir o número de habitantes, ou ao menos não crescer tão rapidamente, apresentava-se como uma questão de sobrevivência.

Era a cultura de uma época. Duas décadas antes não se via assim. No debate sobre a reconstrução da Europa no pós-guerra, o crescimento da população não era visto como problema, ao contrário. Já nos anos 60, ao avaliar o desenvolvimento dos países latino-americanos, a demografia estava na ordem do dia. Objetivamente, a Europa em 1945 era mais densamente povoada que a América Latina dos anos 60. No entanto, neste lado do planeta o número de pessoas era encarado como um problema; lá, não.

Essa visão transcendeu os anos 60 e nas décadas seguintes era lugar-comum criticar o crescimento populacional. Chegou até agora. Até quase agora, para ser exato. No apagar das luzes da década passada, sem grande estardalhaço, passou-se a falar o oposto. Aparecia na mídia a expressão "janela demográfica". Ao contrário de todas as visões anteriores, a população jovem tornava-se um aspecto positivo. Passava a ser considerada um valioso ativo dos países.

Qual foi a grande mudança? Surgiu uma nova tese acadêmica? Não. Apenas passou a ser evidente demais que os países cuja população ativa - leia-se população jovem - era proporcionalmente maior estavam em crescimento; já os outros, não. Na década de 50 a China tinha o tamanho da Europa. Hoje o velho continente, limitado na sua capacidade de renovação, está mergulhado em assombrosa crise. A China, não obstante sua enorme fatura social, é a grande potência do terceiro milênio.

Mas vamos à experiência da Rússia. Estudo patrocinado pelas Nações Unidas mostrou que a população do país poderá encolher dos atuais 142 milhões de pessoas para 100 milhões até 2050. A sensível queda da população pode ter diversos impactos na economia russa. Economistas estimam que a redução da força de trabalho resultará na queda da produção econômica, provocando um impacto direto no seu produto interno bruto.

Uma população em declínio também poderá afastar investidores internacionais, interessados no potencial do consumo interno. "Onde o investidor prefere aplicar recursos? Na Índia ou na China, onde a renda per capita cresce junto com a população, ou na Rússia, onde a renda per capita vem crescendo, mas o mercado consumidor vem encolhendo?", indaga Markus Jaeger, economista do Deutsche Bank.

A previdência social também poderá vir a sofrer com a crise demográfica, pondera Jaeger. "Se a força de trabalho não for renovada, não haverá pessoas suficientes para gerar a renda necessária para pagar as pensões de aposentados. Isso pode prejudicar as políticas fiscais e econômicas e gerar tensões políticas", estima.

Ainda segundo Jaeger, em termos demográficos a Rússia está na pior posição em relação aos outros países do Brics. O economista detalha que na Índia a população vem crescendo rapidamente, enquanto na China a força de trabalho vai continuar se expandindo até 2015, data a partir da qual a população começará a envelhecer, mas não deverá declinar. Já o Brasil, observa ele, se beneficiará de um aumento de 20% na força de trabalho até 2025. É a força da inércia.

Sociedades envelhecidas não têm capacidade de ousar e de inovar. Que idade tinha Steve Jobs quando se lançou na fascinante aventura da Apple? Bill Gates não era um cinquentão quando concebeu a Microsoft. Os velhos, carregados de experiência e maturidade, são bons gestores. Mas o motor de um país é a ousadia. E o atrevimento não tem cabelos brancos.

O Brasil tem enfrentado a turbulência global graças à sua janela demográfica: uma população em idade ativa desproporcionalmente grande. Quando o mundo mergulhava na dura crise econômica, que ainda perdura, o ex-presidente Lula, apoiado em sua aguçada intuição e em seu sentido de oportunidade, conclamou os brasileiros a um forte exercício de consumo. O apelo deu certo. O tamanho e a juventude do mercado brasileiro mantiveram a saúde econômica do País.

Ter tomado consciência apenas agora nos põe em outro problema: conseguir enriquecer como país antes de envelhecer. Estamos numa corrida contra o tempo. Queremos sucumbir ao inverno demográfico ou estamos dispostos a abrir a janela da renovação? Gente não é problema. É solução.


O BC e as travas da economia - EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo - 17/02

A inflação e o cenário internacional continuam preocupantes e o Banco Central (BC) usará seus instrumentos, incluída a taxa de juros, para domar a alta de preços e conter os efeitos da turbulência financeira externa. Em tradução livre, isso resume alguns dos comentários mais importantes do presidente do BC, Alexandre Tombini, publicados na revista Exame. Resume também declarações do diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton, ao apresentar um boletim regional em Curitiba na quinta-feira. Essas afirmações contêm pelo menos uma boa notícia: a autoridade monetária reconhece problemas e promete agir para enfrentá-los. Em outras palavras, reafirma a intenção de cumprir seu papel - uma sinalização recebida com sinais de inquietação e até de perplexidade nos mercados. Então o fim da alta de juros pode estar mais longe do que se imaginava? Foi um golpe a mais, num cenário já tumultuado pelos números fracos do varejo no fim do ano, pela preocupação com os custos da energia e pela realização de lucros nas bolsas estrangeiras.

Mas as duas entrevistas cuidaram de questões muito mais importantes que a oscilação de cotações e de juros no curto prazo. Os dois diretores combinaram, em suas declarações, a inevitável dose de otimismo das manifestações oficiais e um respeitável toque de realismo em relação às condições da economia nacional. Foram além da questão dos preços e discutiram também as condições de retomada do crescimento.

A inflação será conduzida à meta de 4,5%, disseram ambos, mas nenhum deles indicou um prazo inferior a dois anos. O recuo da taxa mensal para 0,55% em janeiro foi um progresso, comentou Hamilton, mas ele mesmo chamou a atenção para a melhora de "itens pontuais", como passagens aéreas, e para o aumento da dispersão, isto é, para a maior porcentagem de componentes em alta. O índice de difusão passou de 69,3% em dezembro para 72,1% em janeiro.

Sem mencionar diretamente esses números, ele admitiu a importância de um detalhe sempre examinado com atenção por analistas econômicos e obviamente relacionado a pressões de demanda. Sem discutir diretamente esse ponto, Hamilton lembrou mais uma vez alguns dos fatores por trás da expansão da demanda, o crédito ao consumidor e a elevação da renda das famílias.

Manteve, no entanto, o tom conciliador ao se referir às contas públicas: o balanço fiscal tende à neutralidade em relação aos preços, disse o diretor do BC, repetindo um mantra - diplomático, segundo alguns analistas - adotado pela instituição desde o ano passado. Não deixou, mesmo assim, de repetir o recado básico: quanto maior a disciplina fiscal, melhor para o combate à inflação.

A referência mais ampla às condições de crescimento surgiu na entrevista de Tombini. "Temos de encontrar novos motores, novas fontes de expansão da economia", disse ele, dando um passo além de seu território habitual. "Crescimento gerado apenas pela absorção de mão de obra tem um limite", argumentou, deixando entrever uma percepção crítica da evolução recente da economia.

A saída, acrescentou, é "destravar o investimento e resolver os gargalos da infraestrutura" para ampliar a capacidade de crescer sem pressionar a inflação. Não há propriamente novidade no diagnóstico nem na prescrição, adotados, há algum tempo, pelo menos em parte, pelo governo. A novidade é a disposição do presidente do BC de apontar o vínculo entre inflação e estagnação da oferta.

Seria possível expor a mesma ideia de maneira mais contundente: o aumento da demanda será acompanhado de pressões inflacionárias enquanto a capacidade produtiva continuar travada. Isso seria menos diplomático porque a política econômica, já há alguns anos, se tem voltado muito mais para o estímulo à demanda, especialmente de consumo, do que para o aumento da capacidade produtiva. O fraco desempenho da indústria é um dado indisfarçável. Analistas independentes disseram isso muitas vezes. É animador ouvir o presidente do BC dizer algo muito parecido.

Pacote de ilusões - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 17/02
O governo da presidente Dilma Rousseff se prepara para lançar ainda neste semestre a terceira versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), portfólio de obras montado pela administração federal. O segundo relançamento do carro-chefe de investimentos públicos e privados em infraestrutura também servirá aos propósitos da corrida eleitoral, visando projetar a ideia de continuidade de um conjunto de ações do Executivo no período seguinte, pós-urnas. Rebatizado de PAC 3, o pacote deverá, contudo, ser marcado em seu oitavo ano de execução pelo descrédito de analistas e pelo uso ainda mais desmedido da propaganda oficial.
Com o polêmico Trem de Alta Velocidade (TAV) encabeçando a lista de realizações perseguidas pelo programa, o repaginado programa ainda carregará nas costas as promessas não cumpridas dos PACs 1 e 2. O que ainda não saiu do papel ganhará novas cores e outros alvos menos ambiciosos, como o avanço da inclusão digital e foco maior nas questões mais urbanas, leia-se mobilidade e saneamento, deverão ser incluídos. Tudo com a supervisão direta do marketing dedicado, simultaneamente, à administração federal e à reeleição da presidente.

Lançado em janeiro de 2007, o PAC virou precocemente PAC 2 em março de 2010, começo do último ano da era Lula, como ponte para a candidata ao Planalto e atual sucessora. Em sete anos, o programa do qual Dilma foi denominada "mãe" tem avançado com dificuldades, mas, curiosamente, ganha mais fôlego na divulgação nos anos eleitorais - 2008, 2010, 2012 e, finalmente, 2014. O mesmo não ocorre na prestação de contas, que há muito perdeu a regularidade, e, quando ocorre, vem acompanhada de dúvidas em torno das mudanças de critérios de avaliação, de valores empenhados e de itens expostos.

Depois de conseguir avanços no relacionamento com o Tribunal de Contas da União (TCU), considerado por Lula o obstáculo maior ao PAC, o governo ainda esbarra em entraves burocráticos nos planos para animar e tornar eficaz a economia. A própria ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, admitiu que os projetos na esfera federal não andam na velocidade desejada por falta de "cultura de resultados" na máquina pública.

Há obras do PAC com seis anos de atraso, algumas que causam grande constrangimento, como a transposição de águas do Rio São Francisco, sonhada desde a época do Império. A expectativa agora é tentar mostrar que 2015 terá novo ritmo para tudo o que é proposto, sem, contudo, indicar como o arranque poderá ser feito sem alterar metodologias.

Embora o balanço do PAC 2, que deve ser apresentado amanhã, provavelmente indique o cumprimento da meta de investimentos até dezembro de 2014 de quase R$ 1 trilhão, boa parte do total vem de financiamentos habitacionais e do plano de investimentos da Petrobras. Segundo o Ministério do Planejamento, responsável pelo PAC, a dotação do programa chegou a R$ 181,42 bilhões, dos quais R$ 112,03 bilhões foram efetivamente pagos ou 61,75% do original. Para 2014, as obras do PAC têm previstos R$ 61,4 bilhões no Orçamento da União.

A democracia conquistada pelo país, há 25 anos sob a proteção da Constituição, permitiu o convívio com a rotina de eleições a cada dois anos, com mandatos de quatro para os eleitos dos três níveis de governo. Mas o maior desafio para fazer o sistema representativo funcionar ainda é o de conciliar as políticas de Estado com o uso político do Estado.

A lógica eleitoral acaba interferindo negativamente nos prazos e objetivos dos grandes investimentos públicos e, sobretudo, na sua transparência. A solução está no aperfeiçoamento da cultura da gestão estatal para alcançar visão de longo e médio prazo, descolando até onde for possível dos ditames das campanhas pelo voto popular.

A agonia da Venezuela - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 17/02

A ditadura de Chávez e Maduro está esgarçando o tecido social venezuelano



A Venezuela chavista, disse uma vez o ex-presidente Lula, tinha “democracia até demais”. Pois nos últimos dias o mundo pôde perceber, mais uma vez, como é peculiar essa “democracia”. A repressão violenta contra as manifestações populares que tomaram as ruas de diversas cidades venezuelanas desde quarta-feira passada, com três mortos, dezenas de feridos e de pessoas presas, e ações explícitas de censura e hostilidade à imprensa mostra que, de democrática, a Venezuela hoje não tem praticamente nada.

Multidões tomaram as ruas no Dia da Juventude para pedir a saída do ditador Nicolás Maduro, sucessor do falecido caudilho Hugo Chávez. Houve violenta repressão policial e dois manifestantes foram mortos a tiros – segundo testemunhas, os disparos foram efetuados por pessoas à paisana; o jornal El Universal fala em membros de milícias chavistas e agentes do Serviço de Inteligência Bolivariana (Sebin). Um policial de Caracas, membro de um grupo chavista, também foi morto.

No entanto, quem estava longe das manifestações teve pouquíssimos meios de saber o que vinha ocorrendo. Os canais de televisão venezuelanos não transmitiram cenas das manifestações; não se sabe se houve censura explícita ou se as emissoras, já conhecedoras dos métodos chavistas, resolveram se autocensurar. Coube ao canal colombiano NTN24, que os venezuelanos com tevê a cabo podem assistir, mostrar a mobilização popular. Os chavistas não pensaram duas vezes: cortaram o sinal da NTN24 em duas provedoras de tevê por assinatura. Além disso, dois jornalistas foram presos, um fotógrafo e um blogueiro. Chavistas roubaram uma câmera de vídeo da agência France Presse e uma câmera fotográfica da Associated Press. Os jornalistas tinham registrado imagens da repressão policial aos manifestantes.

Aliás, é interessante lembrar que, um dia antes do protesto dos estudantes, foi a vez de os jornalistas irem às ruas. Meses atrás, em mais uma tentativa de estrangular a imprensa que não se curva ao chavismo, o governo deixou de vender aos órgãos de comunicação os dólares de que necessitam para comprar papel. Uma nota da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) afirma que, desde setembro do ano passado, dez jornais tinham deixado de circular e outros 29 tinham diminuído o número de páginas ou eliminado cadernos. A SIP apoiou a manifestação dos jornalistas. O presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da entidade, Claudio Paolillo, acusou Maduro de levar a cabo uma “estratégia oficial destinada a castigar meios independentes”.

Maduro, como convém a líderes do seu naipe, apelou para teorias da conspiração, acusando um golpe de Estado com financiamento norte-americano (como já fez em diversas outras vezes, diga-se de passagem); seu ministro da Informação, Delcy Rodríguez, chamou os chavistas para uma “marcha antifascista”. E, por fim, o ditador resolveu silenciar os adversários, pedindo a prisão de líderes oposicionistas. Como a Justiça do país é majoritariamente bolivariana, não tardou a aparecer uma juíza disposta a ouvir o clamor de Maduro. Ainda na quarta-feira, a magistrada Ralenys Tovar Guillén mandou prender Leopoldo López, fundador do partido Voluntad Popular, por crimes que incluem até homicídio e terrorismo. Também há mandados de prisão contra um ex-oficial da Marinha, Ivan Carratú, e um ex-embaixador da Venezuela na Colômbia, Fernando Gerbasi.

O “socialismo do século 21”, percebe-se, não tem nada a dever ao “socialismo do século 20”, que deixou um rastro de dezenas de milhões de mortos, perseguição política escancarada, censura, pobreza e caos econômico – basta lembrar a inflação anual de 56% e a escassez de diversos produtos básicos. A ditadura de Chávez e Maduro está esgarçando o tecido social venezuelano e criando uma polarização que já começa a dar trágicos resultados.


O dever de um jornal - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 17/02

-Muitos criticaram a postura da imprensa em geral, e do GLOBO em particular, de publicar fatos que tocavam diretamente a Marcelo Freixo

-Não existem homens acima do bem e do mal. Mas, se existissem, nem eles poderiam ganhar imunidade da imprensa
Se há algo a que os jornalistas estão acostumados é a contrariedade que a publicação de fatos negativos sobre pessoas, partidos, artistas, políticos, empresários gera naqueles que os admiram, respeitam e os têm acima do bem e do mal. O fenômeno é diário, e recebido pelo jornal como algo natural.
Essa contrariedade se expressa de diversas formas: cartas, e-mails, telefonemas e comentários em redes sociais. E até mesmo em colunas assinadas publicadas por colaboradores: como o jornalismo deve buscar a expressão livre de opiniões para que o leitor tenha diante de si uma pluralidade de ideias, é normal que colunistas divirjam do próprio jornal em que escrevem.

O episódio em torno do deputado Marcelo Freixo é um exemplo. Muitos criticaram a postura da imprensa em geral, e do GLOBO em particular, de publicar fatos que o tocavam diretamente.

No dia em que foi preso Fábio Raposo, réu confesso de participar diretamente da ação que resultou na morte do cinegrafista Santiago Andrade, Marcelo Mattoso, o estagiário do advogado que defendia o detido, disse duas coisas: a ativista Elisa Sanzi Quadros telefonara para ele e oferecera ajuda jurídica; e que, ao passar o telefone para o próprio advogado, Jonas Tadeu Nunes, este ouvira dela que o homem que atirou o rojão contra o jornalista era ligado ao deputado Marcelo Freixo, do PSOL e que o deputado estaria à disposição de Fábio. Ao telefone, a ativista avisava que estava indo à delegacia junto com outros ativistas para protestar contra a prisão. Tudo isso foi registrado, oficialmente, num termo de declaração prestado pelo estagiário na delegacia.

Logo em seguida, de fato a ativista e alguns colegas foram à delegacia. A primeira parte do termo de declaração, prestado antes de Elisa aparecer na repartição policial, estava confirmada. Um dos ativistas, Yan Carrazoni de Matos, chegou a ser agredido por um dos jornalistas ao dizer a ele e seus colegas que estavam de plantão na delegacia: Tomara que vocês sejam os próximos (os próximos a levar um rojão na cabeça). O que fez a imprensa e O GLOBO em particular?

Ligou para o deputado e relatou o ocorrido. O deputado primeiro disse que não sabia de nada e que só se manifestaria depois de ler o termo de declaração. De posse dele, decidiu gravar uma entrevista para a TV Globo, a primeira a procurá-lo. Na gravação, o deputado decidiu admitir que recebera um telefonema da ativista naquela manhã, solicitando assistência jurídica porque temia que o ativista preso fosse torturado. No telefonema, segundo seu relato, negou assistência jurídica, porque para isso existe a defensoria pública, mas concordou em agir para que torturas não ocorressem.

Por fim, negou ter dito à ativista que o atirador de rojão fosse ligado a ele. E prometeu processar a ativista e o advogado se insistissem nessa afirmação. Mais tarde, revelou que o advogado Jonas Nunes tinha sido o defensor de Natalino Guimarães, um dos líderes das milícias cujos crimes foram denunciados por ele quando presidia a CPI sobre o tema. Insinuou, assim, que o relato do advogado era enviesado.

A ativista, por sua vez, confirmou aos jornalistas que oferecera assistência jurídica e que telefonara para o deputado para pedir ajuda, mas negou ter dito que o atirador do rojão fosse ligado a Freixo. O delegado que cuidava do caso deu entrevista afirmando ter ouvido o telefonema e, por esse motivo, pedido ao estagiário para documentá-lo no termo de declaração.

A imprensa agiu corretamente. De posse de um documento oficial com uma narrativa grave como essa, num momento grave como aquele, ouviu todos: o advogado, a ativista, o deputado e o delegado. Parte do que a ativista disse ao telefone se confirmou: ela de fato compareceu à delegacia para protestar (e um de seus amigos ameaçou os jornalistas) e ela própria admitiu ter telefonado ao estagiário oferecendo ajuda jurídica e reconheceu ter telefonado ao deputado naquela manhã em busca de proteção ao preso contra maus tratos. Depois de dizer que não sabia de nada num primeiro instante, o deputado admitiu ter recebido um telefonema da ativista solicitando ajuda, mas negou envolvimento com o homem que atirara o rojão (desconhecido naquele momento).

O que faz um jornal diante disso? Omite os fatos na presunção de que o deputado Marcelo Freixo é um homem acima do bem e do mal? Mas esses homens, infelizmente, não existem. E, se existissem, nem eles poderiam ganhar da imprensa essa imunidade. O dever da imprensa é jogar luz sobre os fatos, não importando se atingem fulanos ou sicranos.

Confirmado que o telefonema existiu, e parte do seu conteúdo, não cabia ao jornal julgar se o trecho onde não havia coincidência de relatos era ou não verdadeiro (se o homem do rojão era ou não ligado a Freixo). O certo, ali, a obrigação da imprensa, era revelar a discordância e dar espaço igual para que todos a manifestassem. Inclusive destacando a informação de que o advogado Jonas Nunes fora o defensor de um miliciano. Isso foi feito, sem dúvida alguma.

O jornal não disse em momento algum que o deputado Marcelo Freixo era ligado ao homem do rojão, nem de forma alguma induziu seus leitores a acreditarem nessa versão. Seria absurdo e leviano, porque não há prova alguma sobre isso. Mas, certamente, o jornal foi leal com os leitores, publicando, com o destaque merecido, uma notícia, dando amplos espaços para que todos se manifestassem, o deputado principalmente. Agindo assim, foi respeitoso com a família do cinegrafista, interessada em tudo que lhe possa fazer justiça.

O que resta agora? Jogar mais luz no episódio. Acompanhar as investigações policiais, fazer investigações jornalísticas próprias para que, ao fim, a verdade apareça. Seja ela qual for. Jornalistas não são adivinhos: a verdade só aparece quando se expõem os fatos sem preconceitos.

Que essa atitude irrite os que admiram Freixo é absolutamente compreensível. Como dissemos, é um fenômeno cotidiano, e atinge pessoas de todos os matizes, origens, crenças e valores.

E não irrita O GLOBO. Ao contrário, ajuda-o a rever seus procedimentos e verificar se acertou ou errou. Como faz agora.

Venezuela no abismo - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 17/02

O saldo de três mortos a tiros e dezenas de feridos durante protestos estudantis na semana passada são mais uma evidência de que o governo Nicolás Maduro aposta na repressão para debelar a crescente insatisfação na Venezuela, imersa no desabastecimento crônico, na inflação galopante e na insegurança generalizada.

A passeata reuniu milhares de universitários no centro de Caracas e em outras cidades do país, no maior ato oposicionista desde a eleição de Maduro, há dez meses.

Estudantes pretendiam ser recebidos pela procuradora-geral, Luisa Ortega Díaz. Reivindicavam a liberação de três colegas que, durante protestos anteriores, haviam sido presos, levados a um quartel e depois transferidos a um presídio a 500 km de distância.

Irritados com a chefe do Ministério Público, que se recusava a recebê-los, manifestantes atacaram policiais e o prédio da instituição.

A reação à condenável violência estudantil foi desproporcional. Imagens mostram que agentes do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência) utilizaram armas de fogo e que os estudantes foram atacados também por "coletivos", organizações civis que apoiam a defesa armada da "revolução bolivariana".

Fora das ruas, a atuação de Nicolás Maduro foi lamentável. O presidente justificou a truculência como resposta a um fantasioso "golpe de Estado planejado".

O embate serviu ainda para tirar do ar o canal a cabo NTN24, que transmitia os confrontos ao vivo. Com isso, aumentou ainda mais o controle estatal sobre os meios de comunicação críticos ao governo, hoje praticamente reduzidos a um punhado de jornais impressos --entre os quais se destacam "El Universal" e "El Nacional".

Eleito na esteira da morte de Hugo Chávez e tendo superado seu adversário por apenas 1,6 ponto percentual, Maduro se mostra incapaz de enfrentar a situação econômica extremamente delicada. A inflação do ano passado chegou a 56%, estimulada pelo desabastecimento de produtos básicos.

Sem coragem para enfrentar os gargalos da Venezuela, Maduro aprofunda os erros de Chávez, com uma política econômica suicida e uma dependência cada vez maior das Forças Armadas.

Protestos oposicionistas, intolerância política e dificuldades econômicas empurram a Venezuela para o fundo de um abismo que ela própria criou --e do qual não sabe como escapar.

Sem máscaras - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA - 17/02

Cresce a pressão sobre o Congresso Nacional para que aprove legislação restritiva ao uso de máscaras em manifestações públicas, posição defendida pelas forças de segurança para melhor prevenir e reprimir atos de vandalismo praticados por encapuzados. Embora a Constituição Brasileira deixe margem para a regulamentação ao definir no inciso IV do artigo 5º que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”, há sérias controvérsias a respeito do assunto, inclusive por parte de legisladores e constitucionalistas. Argumentam os opositores que o projeto fere a liberdade de expressão e abre caminho para o autoritarismo por parte de governos e corporações policiais.
O desafio do Parlamento é exatamente esse: encontrar um caminho que ajude a prevenir a violência e proteger os cidadãos, sem cassar-lhes direitos e liberdades individuais. Porém, como ocorre nas principais sociedades democráticas, alguma concessão individual se pode fazer em nome da segurança coletiva. É o caso, por exemplo, das câmeras de vigilância atualmente instaladas em espaços públicos e privados das grandes cidades. Se elas existem para identificar e inibir os delinquentes, parece um contrassenso permitir que potenciais depredadores possam usar máscaras exatamente para não serem identificados.
Evidentemente, ninguém pode ser incriminado preventivamente, apenas pela presunção de que vai praticar algum crime. Mas também é incompreensível que alguém precise esconder o rosto para participar de uma manifestação ordeira e pacífica, a não ser em casos específicos de representação simbólica. Considerando-se o retrospecto recente dos grupos mascarados em protestos violentos, a prevenção se torna necessária.
Países reconhecidamente democráticos como o Canadá, os Estados Unidos e a França possuem legislação que proíbe o uso de máscaras em manifestações e passeatas. Evidentemente, a lei precisa ser bem específica, para que não chancelar abusos contra as liberdades civis. Trata-se de uma situação excepcional, gerada pela atuação e pelo crescimento dos chamados black blocs. Deve funcionar mais como um recurso inibitório do que propriamente como incriminação.
O simples fato de colocar máscara não pode ser interpretado como crime. Mas o cidadão que escolher esta atitude tem que saber que pode ser interpelado pela polícia a retirá-la, e a mostrar o rosto, assim como é legítimo que os policiais exijam documentos de identificação de suspeitos ou que agentes de trânsito exijam carteira de habilitação de motoristas.
O desafio, portanto, está posto e o Legislativo precisa enfrentá-lo logo.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

APAGÃO DO SETOR ELÉTRICO É TAMBÉM FINANCEIRO

O balanço anual da Eletrobras, a ser divulgado em março, vai registrar rombo superior a R$ 8,7 bilhões. Apesar do tamanho da estatal e do problema, a direção da Eletrobrás não tem interlocução com quem decide no governo, por isso tem procurado políticos governistas para suplicar interferência junto ao ministro Guido Mantega (Fazenda), para drenar recursos do Tesouro a fim de salvar a empresa da bancarrota.



CONTA CARA

A Eletrobras foi prejudicada com a renovação onerosa das concessões, para Dilma “faturar” politicamente a redução da conta de luz em 20%.


QUEBROU

Já não há dinheiro na Eletrobras, em fevereiro, para despesas com pessoal, material e serviços. Por ano, totalizam R$ 9,4 bilhões.


PINDAÍBA

A situação da Eletrobras é tão ruim que a empresa nem sequer pode recorrer a crédito bancário. Nem tem um centavo para investimento.


TERRA ARRASADA

Lula prometeu fazer da Eletrobras “uma Petrobras”. Conseguiu: como na petroleira, o prejuízo na holding do sistema elétrico é bilionário.


LULISTAS NÃO QUEREM GIM NO TRIBUNAL DE CONTAS

Lulistas do PT não gostaram da notícia transmitida pelo ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) a Gim Argello (PTB-DF), de que a presidenta Dilma decidiu indicar o senador para o Tribunal de Contas da União, na vaga do ministro Valmir Campello, que completará 70 anos em outubro. Há uma possibilidade de Campelo antecipar sua aposentadoria para março. Ligado ao PTB, ele é cotado para disputar mandato de senador.


APOIO FORTE

O senador Gim Argello tem o apoio dos senadores Renan Calheiros e José Sarney, ambos do PMDB, e já faz campanha aberta no plenário.


REBELIÃO

De olho na vaga do TCU, lulistas espalham no Congresso que, se Gim for nomeado, o TCU estaria disposto a não lhe dar posse.


PRECEDENTE

O ex-senador Luiz Otávio (PMDB-PA) foi indicado ao TCU, com apoio de Renan Calheiros, mas os ministros do TCU rejeitaram a sua posse.


MÃO DE FERRO

Membros do Conselho Nacional de Justiça querem ver pelas costas o presidente Joaquim Barbosa, que os teria “engessado” nas decisões administrativas. Estão ansiosos pela gestão de Ricardo Lewandowski.


TORTURA EMOCIONAL

Vítimas de assédio moral e sexual do embaixador Américo Fontenelle, ex-cônsul-geral em Sidney (Austrália), não sabem mais a quem apelar pela divulgação do resultado do processo no Itamaraty, iniciado há quase um ano. Um dos atingidos ameaça suicídio.


CARTÃO-VANDALISMO

Depois do Bolsa Família, Bolsa Escola, Cartão-Gás e do Cartão-Material, o advogado do black bloc Caio Silva revelou a mais recente criação da esquerdopatia nacional: o cartão-vandalismo, de R$ 150.


A VOLTA DE MAIA

O deputado Rodrigo Maia (DEM) garante que o pai, César Maia, segue firme para disputar o governo do Rio: “A candidatura ao Senado é mais difícil sem o governador puxando. É melhor sair ao governo logo”, diz.


VAI QUE COLA

O governador André Puccinelli (PMDB-MS) tem defendido Tereza Cristina Corrêa da Costa para ministra da Agricultura. Esquece de avisar que ela é filiada ao PSB, do presidenciável Eduardo Campos.


QUEM MANDA

Cristovam Buarque (PDT-DF) comentou o abaixo-assinado para fazê-lo candidato a presidente. “Só precisa de uma assinatura, a do Lupi”, disse o senador que gosta de falar em “ética”, referindo-se a Carlos Lupi, suspeito de exigir propina na liberação de cartas sindicais.


SÓ DESGASTE

Líder do PSD na Câmara, Moreira Mendes (RO) acredita que não vale a pena o partido assumir ministério no governo Dilma em ano eleitoral: “Já estamos na base; um cargo agora só daria pecha de oportunista”.


SEM SAÍDA

Membros da Executiva Nacional do PMDB saíram da reunião esta semana certos de que o partido terá de liberar os diretórios a se coligar com oposição. Até agora, PT e PMDB só estão juntos no DF, AM e SE.


PENSANDO BEM…

…os chineses se enganaram. Pelo menos no Brasil, 2014 é o Ano da Vaquinha, não do Cavalo.



PODER SEM PUDOR

EXAME DE VISTA

O ex-presidente Jânio Quadros estava no meio disputa eleitoral entre Collor e Lula, em 1989. Um jornalista desavisado e audacioso, resolveu perguntar:

- Presidente, o senhor “Colloriu”?

Jânio observou-o atentamente e não teve dúvida:

- Não senhor! Continuo daltônico.

SEGUNDA NOS JORNAIS

Globo: Calor forte pode reduzir avanço do PIB à metade
Folha: Metade dos Estados tem gastos acima das receitas
- Estadão: Alckmin promete 'vigor' contra feira de drogas
Correio: O racismo envergonha Brasília: 11 casos ao mês
Estado de Minas: Procuram-se alunos
Brasil Econômico: Dilma cedeu ao consenso de Washington, mas não tem oposição

domingo, fevereiro 16, 2014

Woody Allen vs. Mia Farrow, ainda - MARTHA MEDEIROS

ZERO HORA - 16/02

Nem uma, nem duas, mas oito pessoas me enviaram e-mails exigindo que eu me posicionasse sobre a acusação de que Woody Allen abusou sexualmente de uma filha adotiva quando esta tinha sete anos. Isso mesmo, eu, que não sou irmã, prima, esposa, advogada, terapeuta, amante ou vizinha do Woody Allen, senti como se me jogassem tomates em plena rua. E agora, o que você nos diz sobre seu ídolo, hein, hein?. Me chamaram para a briga.

Não deixo de admirar os filmes do Polanski mesmo ele tendo sido acusado de abuso sexual, nem deixo de me emocionar com a obra de Picasso mesmo sabendo que ele tinha um caráter peçonhento, e não vou deixar de reverenciar a filmografia do Woody Allen mesmo que um dia se comprove sua depravação – da qual sigo duvidando. Mia Farrow, sim, é que não me parece de confiança.

Estou sendo tendenciosa? Ora, estou sendo hiper, super, megatendenciosa, pois é incômodo acreditar que um sujeito com capacidade de transformar neuroses em tiradas geniais, um homem que extrai o melhor de seu elenco, que é fiel à sua equipe técnica, que ama o jazz, que não se deixa bajular por tapetes vermelhos, que deu ao mundo filmes como Manhattan, Hannah e Suas Irmãs, Crimes e Pecados, Match Point e tantas outras obras-primas, vá ferrar com a vida de uma garotinha. É a palavra de um contra o outro, então me dou o direito de escolher de que lado ficar.

A questão é pessoal, familiar e intricada. Allen leva sobre os ombros as acusações de ter seduzido a jovem Soon-Yi, adotada por Mia Farrow e o ex-marido dela, André Previn. Segundo Allen, ele e Soon-Yi nunca tiveram relação de pai e filha nem mesmo moravam sob o mesmo teto (ele e Mia moravam em casas separadas e a moça morava com a mãe). O romance vingou e estão casados até hoje, e lá se vão uns 20 anos – não era um capricho, como se vê. Mas foi suficiente para deixar a ex-esposa ferida em seu orgulho e a opinião pública disposta a julgar o diretor sem atenuar nada.

Será Woody Allen um tarado, um pedófilo, um cara que deveria estar atrás das grades? Não acredito, mas tudo pode nesse mundo maluco. Ainda assim, devemos deixar de admirar o trabalho daqueles que não vivem com retidão? Se um presidiário escrever uma emocionante peça de teatro ou esculpir magistralmente, não merecerá reconhecimento pelo que faz pela arte, a despeito do que fez contra a sociedade? Deixo aqui essas perguntas porque não tenho resposta conclusiva para a questão. Mas vale lembrar aquela máxima de Nelson Rodrigues: se soubéssemos o que cada um faz na intimidade, ninguém cumprimentaria ninguém.

Tomara que nenhuma agressão tenha acontecido de fato, mas se aconteceu, sinto muito, não conseguirei gostar menos dos filmes de Woody Allen. Apenas deixarei de cogitar ter um filho com ele – vá saber.

Tragédia desnecessária - FERREIRA GULLAR

FOLHA DE SP - 16/02

Hoje, muitas clínicas psiquiátricas possuem campos de esporte e salas de leitura e de jogos


A morte de Eduardo Coutinho chocou o país e particularmente os seus amigos. Morrer assassinado era a última coisa que alguém poderia prever que ocorresse com ele. Por isso mesmo, ao chegar em casa e ver seu rosto na televisão, me detive pensando que se tratava de alguma notícia relacionada com sua atividade de cineasta. Não era, logo ouvi o locutor dizer que ele havia morrido, e fiquei surpreso. E logo acrescentou que havia sido morto por seu filho Daniel, de 41 anos.

Não dava para acreditar naquilo, era absurdo demais. Não obstante, aos poucos, aquele quadro trágico ia se completando e ganhando realidade. O filho era doente mental e consumia drogas. Matara o pai a facadas e tentara fazer o mesmo com a mãe; em seguida, esfaqueou-se a si mesmo, mas não morreu.

Teria declarado a um vizinho que fizera aquilo para libertar os pais e a si mesmo. Sem dúvida, é preciso estar louco e surtado para pensar e agir dessa maneira. Depois de saber essas coisas, não restava dúvida: Daniel agira tomado por um surto esquizofrênico.

Não sabia que Eduardo Coutinho tinha um filho com esse problema. Segundo ouvir dizer, parece que ele não admitia que o filho fosse doente mental e, se isso for verdade, certamente evitava tratá-lo com tal. Pode não ser verdade mas, se for, não seria o único caso de uma família não admitir que algum de seus membros seja louco. Conheci uma família que manteve trancado num quarto, por mais de uma década, um filho com problemas psíquicos.

Esse tipo de comportamento decorre quase sempre de uma visão preconceituosa da doença mental, como se sua incidência na família fosse uma espécie de maldição. Era assim no passado. Hoje, no entanto, são pessoas avançadas que negam a existência da doença mental. Segundo elas, trata-se apenas de um relacionamento diferente com o mundo real. Admitir que alguém é louco seria nada mais nada menos que um preconceito.

Certamente, quem pensa assim nunca viveu de fato o problema. Como pega bem mostrar-se avançado, aberto, antirrepressivo, muita gente não apenas nega que a loucura seja doença como, coerentemente, se opõe à internação nos chamados "manicômios". Criaram até um movimento que se intitula "antimanicomial", que visa, de fato, acabar com as clínicas psiquiátricas, uma vez que o que se chama de manicômio não existe mais.

É verdade que, no passado, a internação nesses hospitais implicava em agressão física e choques elétricos, mas não por simples crueldade e, sim, pelo desconhecimento das causas da doença e de medicamentos apropriados.

Com a descoberta dos remédios neuroléticos, os hospitais psiquiátricos mudaram radicalmente. Hoje, muitas dessas clínicas possuem campos de esporte e salas de leitura e de jogos. Já não lembram em nada os hospícios de antigamente, que mais pareciam prisões.

Os adeptos da nova psiquiatria fazem por ignorar essa mudança para justificar sua tese contra a internação. Essa tese surgiu em Bolonha, onde foi implantada com resultados desastrosos: os doentes pobres terminavam nas ruas como mendigos.

Isso já começa a acontecer no Brasil que, tendo adotado a tal nova psiquiatria, levou à extinção de mais de 30 mil leitos em hospitais públicos. Quem tem recursos interna seus doentes em clínicas particulares, enquanto os doentes pobres morrem na rua. E isso é obra de um governo que diz trabalhar em favor dos necessitados.

Tive oportunidade de conversar com pessoas que se opõem à internação de doentes mentais e me dei conta de que nada sabem da doença e aceitam a nova psiquiatria por acreditarem que favorece aos doentes. Na verdade, a internação só tem cabimento quando o doente entra em surto e consequentemente torna-se um perigo para si mesmo e para os outros. Foi o que aconteceu no caso de Eduardo Coutinho.

Desconheço a situação por que passava sua família naquele momento, mas não resta dúvida de que o filho Daniel, que é esquizofrênico, entrou em surto. Não sei por que os pais não solicitaram atendimento médico para interná-lo, mas não tenho dúvida de que, se o tivessem feito, aquela tragédia dificilmente teria ocorrido.

Espero que esse exemplo terrível leve as pessoas refletirem melhor sobre essa questão.

Chave do carro - FABRÍCIO CARPINEJAR

ZERO HORA - 16/02

Ao perguntar para o homem se ele quer dirigir seu carro, a mulher se mostra apaixonada. Perdidamente interessada.

É um pedido implícito de namoro.

Ninguém está bêbado, estão se conhecendo, sóbrios das palavras e sussurros, e ela concretiza esta prova de amor.

Entrega a chave sorrindo, como se fosse um prêmio de loteria federal.

Não é uma artimanha da sedução, um teste para ver se ele dirige bem ou não, para classificar ou desclassificar o sujeito.

O pretendente talvez seja um péssimo motorista, um barbeiro, com mais de 20 pontos na carteira, nada mudará a natureza da declaração.

Ela não se preocupa com o que vai acontecer, porque dentro dela já aconteceu. Não há acidente que interrompa a escolha de seu coração.

Quando uma mulher oferece seu carro — e só a mulher —, é que ela se entregou para a história.

É quando duplica sua alma. É quando se confessa vulnerável. É quando se anuncia disposta a construir uma vida a dois.

É mais do que um “eu te amo”, é um “não tenho mais reservas com você, não tenho mais segredos, não tenho mais medo”.

Ela vem a dizer que aquilo que é dela é também dele. Ela vem a dizer que ele pode guiá-la, que pode cuidá-la, que pode levá-la para o mau caminho, tanto faz o fim, pois chegaram ao destino no momento em que se encontraram.

A chave do carro é mais importante do que a cópia da chave do apartamento.

Porque o carro não é o mundo para a mulher, como é para o homem. Não é aventura para a mulher, como é para o homem. Não é ostentação para a mulher, como é para o homem. Não é um investimento e senha bancária para a mulher, como é para homem.

Na perspectiva feminina, o carro é extensão de sua personalidade, conquista afetiva, intimidade. É seu quarto, seu guarda-roupa, seu salão de beleza móvel.

Ela não tomará a atitude intempestivamente. Foi um gesto pensado, ponderado, maduro.

Alcançará o posto como um convite psicológico para que ele assuma o ponto de vista dela.

É o equivalente a “ponha-se no meu lugar” e “olhe por mim e através de mim”.

Não tem machismo envolvido, não é fraqueza educada. Trata-se de um sinal de confiança.

É um ato de muita coragem, um mergulho consciente nas inconsequências da paixão.

Talvez conte com seguro do veículo, mas dificilmente terá seguro para cobrir o relacionamento. E ela não se importa.

Crônicas de hotel - TONY BELLOTTO

O GLOBO - 16/02

Histórias passadas em hotéis, do Rio de Janeiro a Nova Orleans


Hotel Perpignan, Paris

Pela janela eu via os edifícios ocres do bairro em que vivíamos. Eu tentava desenhar um toureiro no momento em que ele crava a espada na carne suada do touro. Minha mãe entrou chorando no quarto do hotel: “Mataram o Martin Luther King!”, disse, brandindo um jornal enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto.

Hotel Prins Hendrik, Amsterdã

Não saberemos jamais no que pensava Chet Baker quando despencou da janela do hotel para a morte. Podemos supor que se lembrava do céu azul na primavera em Yale, Oklahoma, onde nasceu, muito longe dali. Testemunhas declararam que havia gaivotas sobrevoando o local e que seus guinchos remetiam ao som de um trompete.

Hotel Intercontinental, Bora-Bora

Acordamos de madrugada com o vento rugindo. Uma arraia gigante deslizava sob o chão de vidro da palafita como se fugisse de alguma coisa. Ligamos para a recepção: “É o tufão?”. “Não”, respondeu o recepcionista. “É só o vento.” Quando amanheceu ainda não tínhamos pegado no sono. Ventou forte durante três dias.

Hotel Saint Peter House, Nova Orleans

O investigador González não acreditou no que viu. “Como esse cara conseguiu morrer assim?”, pensou. O cadáver se enrolava como um pretzel debaixo da mesa do quarto número 37. A polícia nunca concluiu se foi homicídio, overdose ou algum tipo de bruxaria. González ficou indiferente quando soube que o morto era Johnny Thunders, ex-guitarrista dos New York Dolls.

Hotel Novo Mundo, Rio de Janeiro

De madrugada, ao voltar para o hotel, reparei mais uma vez na placa comemorativa do milésimo gol de Pelé, que se hospedara ali no dia do jogo histórico. Eu ainda não conseguira dormir quando o sol nasceu sobre o aterro, iluminando os jardins de Burle Marx. Desci para o café. Peninha estava sentado sozinho numa mesa. Ovelha servia-se de ovo mexido.

Hotel Royal, Porto Alegre

“O quarto é muito pequeno, chê”, disse a mulher para o poeta Mário Quintana. “Não me conformo que tenham te despejado do Majestic. O quarto lá era muito melhor!”. “Eu moro em mim mesmo”, confortou-a o poeta. “Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder minhas coisas.”

Hotel Chelsea, Nova York

Quem entra no quarto número 100 do hotel não consegue deixar de olhar fixamente para a porta do banheiro. Se a porta estiver fechada, a morbidez e a curiosidade se aguçam. Algumas pessoas não se contêm e correm para abrir a porta. E então imaginam Nancy Spungen morta com a faca de Sid Vicious enterrada no ventre.

Hotel Rio Poty, Teresina

As portas dos quartos estavam abertas quando o sujeito irrompeu pelo corredor gritando: “Cadê o segurança?”. O que dava consistência à indagação é que ele carregava um revólver. Alguns fecharam as portas, eu corri para a varanda. O segurança tinha agredido o sujeito quando este se aproximara da van, depois do show, atrás de autógrafos.

Beat Hotel, Paris

Quando o gato de madame Rachou caiu de uma janela do quarto andar, os hóspedes pensaram que ele encontrara a morte na calçada da rua Git-le-Coeur. William Burroughs, que morava no hotel, levou o gato para seu quarto. O felino estava vivo e tinha apenas quebrado uma perna. Na companhia do escritor, logo se recuperou. Burroughs preferia gatos a humanos.

Hotel Nikkey, São Paulo

Sozinho no quarto do hotel, eu não conseguia pregar o olho. Não podia voltar para casa, sob o risco de ser encontrado por um oficial de Justiça e ter de cancelar minha viagem para Montreux, onde gravaríamos um disco. A programação da TV já tinha acabado. Olhei o bairro da Liberdade, vazio àquela hora da madrugada, e liguei o rádio. Tocava “Sonífera ilha”.

Hotel Marriot, Atlanta

“Onde é que você meteu o cinto do papai, garoto?”. Meu filho me olhou com aquela carinha de que não fazia a menor ideia. Já tínhamos revirado o quarto do hotel umas cinco vezes. O quarto não era grande. Meu filho vivia fazendo as coisas sumirem. Eu achava que ele era um mágico em potencial. O cinto nunca foi encontrado.

Hotel Ambos Mundos, Havana

Mais cedo, quando visitamos a casa, lembramos das palavras de García Márquez sobre os sapatos do escritor que a habitara. Lá se podem ver igualmente os chinelos no chão do banheiro. À tarde, no quarto 511 do hotel, onde Hemingway também viveu, nada nos impressionou tanto quanto a visão de seus sapatos pela manhã, nem mesmo a luminosidade de Havana entrando pela janela.

Hotel Seventeen, Nova York

De manhã, na fila para o banheiro, vi um junkie desdentado com uma bandana vermelha na cabeça, três garotas punks japonesas — uma delas carregava um estojo de guitarra —, um garoto moreno latino com uma jaqueta de couro e Dorothy, uma senhora alcoólatra que nunca se separava de sua garrafa de gim. “Hi”, eu disse, mas Dorothy tinha o olhar perdido em algum lugar muito longe dali.

Carta ao pai - FÁBIO PORCHAT

O Estado de S.Paulo - 16/02

Prezada Rosely Sayão, meu nome é Fábio Porchat e eu preciso da sua ajuda. Sei que você é de outro jornal, mas não sei a quem mais recorrer quando o assunto é família. Não é nada comigo, é um amigo meu que está passando por uma situação bem delicada. Ele fez um vídeo de humor e recebeu uma ameaça de morte de um blog na internet. Ele estava tranquilo, pois sabia que aquilo era a reação de uma pessoa só e que não ia dar em nada.

Passada uma semana, o tal blog já estava fora do ar, o assunto já estava esquecido, mas o pai desse meu amigo, assustado, resolveu pedir ajuda para um amigo senador dele que leu uma carta desse pai no Senado, pediu ajuda ao Ministro da Justiça e o estardalhaço trouxe o assunto de volta à tona só que muito pior. Esse meu amigo tinha pedido pro pai não fazer barulho, não expor a sua vida porque ele já estava resolvendo tudo da forma mais discreta possível, falou que não queria que nada fosse parar em Senado nenhum, mas não adiantou. O pai fez do jeito que ele queria e agora a notícia se potencializou quinhentos por cento.

Eu entendo que o meu pai, digo, o pai desse meu amigo só tenha feito isso querendo ajudar, preocupado com o seu filho e que só tinha boas intenções, mas a vida é minha, quer dizer, do meu amigo, e eu tenho que poder resolvê-la do jeito que eu quiser. Afinal de contas, eu já tenho trinta anos, ele também, e sabemos cuidar muito bem das nossas vidas.

Se eu faço uma piada, eu tenho que aguentar sozinho as consequências dela, não preciso da ajuda de ninguém, e, se precisar, eu peço. Ele pede. Enfim. Parece aquela história do moleque que apanha na escola e o pai vai tirar satisfação envergonhando o filho, como se dissesse, "ele não pode se defender, então eu estou aqui para ajuda-lo". Como lidar com uma situação onde a pessoa não é mais criança, e o pai é imparável e faz aquilo que bem lhe der na telha, nem que isso vá contra a vontade do seu filho?

O diálogo não foi possível, e depois de tudo isso, ele ainda não entende que o filho não gostou de como tudo se sucedeu. Ele acha que está certo. E, com certeza, tomará decisões futuras sem a aprovação do filho. Esse meu amigo ama meu pai, mas esse pai precisa saber respeitar as vontades alheias. E saber que nem sempre as coisas acontecem da forma que ele quer.

Se ele está preocupado com a vida do filho, não seria melhor conversar com o filho antes de tomar atitudes precipitadas? Eu entendo a atitude de um pai que ama seu filho e só quer o seu melhor. Mas o melhor quem tem que saber não é a própria pessoa? Me ajude, Rosely. O quê que esse meu amigo deve fazer? * fabio.porchat@estadao.com

A ditadura contagia - EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo - 16/02

Ao cancelar o registro para exercício da medicina pela cubana Ramona Matos Rodríguez, que veio ao Brasil no programa Mais Médicos do governo federal, o Ministério da Saúde exibiu mais uma violação dos direitos individuais dos profissionais da saúde "importados" da ilha caribenha para clinicar no País. Esta portaria do Ministério da Saúde institucionaliza uma situação de "dois pesos e duas medidas", que contraria a igualdade dos cidadãos perante a lei, essencial na democracia.

Há dois anos, o governo brasileiro vinha negociando com a ditadura dos irmãos Castro a vinda de médicos de Cuba para suprir deficiências de pessoal para a saúde pública em nossos grotões. Sob desconfiança generalizada, a equipe de Dilma Rousseff tentou manter tais tratativas sob sigilo. Mas, enfim, seguindo a prioridade do marketing da administração petista, anunciou o programa Mais Médicos para preencher vagas em postos de saúde dos ermos do interior com profissionais estrangeiros, a grande maioria deles cubanos. Empreendido na gestão do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, candidato do PT, partido da presidente, ao governo do maior Estado da Federação, São Paulo, o plano já mostrou ser uma eficiente forma de conquistar votos nas eleições de outubro, seja para a reeleição de Dilma, seja para a pretensão de fazer de Padilha sucessor do governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, também candidato à reeleição. A população, antes desassistida, do interior mais remoto do Brasil recebeu esses estrangeiros de braços abertos, a ponto de suprir as carências causadas pela baixa remuneração do corpo médico (só no caso dos cubanos) com alimentos e outros mimos. Isso, contudo, não tem sido suficiente para prover uma qualidade de vida compatível com a expectativa destes médicos. A presença de outros estrangeiros, em muito menor número e gozando de condições mais dignas de trabalho, bastou para chamar a atenção dos ilhéus para a cruel discriminação por eles sofrida aqui. Dos 6.658 participantes, 5.378 vieram da ilha caribenha. Os 1.280 de outros países são minoria.

Primeira médica a pedir para se desligar desse programa, Ramona, que trabalhava em Pacajá (PA), deixou o trabalho em 3 de fevereiro, alegando haver desistido do projeto após ter tomado conhecimento de que ganha muito menos do que colegas de outras nacionalidades, embora, por convênio firmado entre Cuba, o Brasil e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), seu salário seja de R$ 10 mil mensais. Conforme informou ao líder do DEM na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO), a quem pediu abrigo para ficar no País, ela, na verdade, recebia o equivalente a R$ 400 por mês, menos que o salário mínimo, de R$ 724.

O Ministério da Saúde reconheceu que, além de Ramona e de Ortelio Guerra, que fugiu do Recife para os Estados Unidos, as prefeituras para cujos postos foram enviados comunicaram o desaparecimento de mais três cubanos. E é provável que a onda de deserções esteja apenas começando. Segundo a organização Solidariedade Sem Fronteiras, que, em Miami, ajuda médicos cubanos que querem desertar, de sete a oito cubanos a serviço na Bolívia, na Nicarágua e principalmente na Venezuela lhe telefonam por semana. Pelos cálculos da entidade, já fugiram pelo menos 5 mil médicos, enfermeiros e terapeutas cubanos numa década.

A situação dos cubanos no Brasil não é menos degradante do que nos países citados. Além da indignidade de pagar à ditadura dos Castros a parte do leão, ficando os trabalhadores com praticamente um troco como remuneração pelo serviço prestado, o governo brasileiro se submete a exigências da ditadura cubana, como a proibição de médicos cubanos saírem das cidades onde trabalham sem autorização. É também o caso do cancelamento do registro de Ramona, que clinicava aqui para contribuir para as divisas de Cuba e o marketing eleitoral dos companheiros brasileiros. Agora, por ordem do Ministério da Saúde, sempre que um médico cubano faltar ao trabalho, sua ausência deve ser comunicada à polícia. Pelo visto, a ditadura cubana é contagiosa.

A polêmica que atrasa - JOÃO BOSCO RABELLO

O Estado de S.Paulo - 16/02

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, investe contra dois pontos essenciais da proposta do secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, ao avaliá-la no contexto de projeto que o governo elabora para conter a violência em protestos de rua. A principal, a proibição do uso de máscaras pelos manifestantes.

O outro senão de Cardozo se refere à obrigatoriedade de aviso prévio para manifestações. No primeiro caso, o ministro considera mais fácil que o policial peça a identidade do manifestante em meio a uma ação predatória, do que ter o seu rosto descoberto para facilitar a identificação posterior.

É uma curiosa tese sobre facilidade operacional. Imagine-se o policial, interrompendo um cidadão que está quebrando um banco: "Por favor, sua identidade". Não menos ruim é o argumento para invalidar o aviso antecipado: o de que tira a espontaneidade do protesto. São objeções que priorizam o manifestante, colocando em segundo plano o interesse público.

Ele se identifica se quiser e continua beneficiário do fator surpresa, promovendo manifestações em pontos diferentes da cidade, dificultando a ação policial. Considerando que sentou em cima da proposta de Beltrame por meses, Cardozo continua sem a pressa que o problema impõe.

O ministro parece desconsiderar que as primeiras prisões com elementos claros de culpa direta na morte de um cidadão só foram possíveis porque um deles se apresentou à polícia quando concluiu que seria identificado em imagens de veículos de comunicação.

O que torna esse fator - da identificação - fundamental para que, através da punição, se desestimule a violência. Dificultá-la com objeção à proibição de máscara, sob argumento inconsistente, parece mais gosto pela polêmica do que por resultado.

A combinação de legislação objetiva, simples, como a proposta pelo secretário de Segurança do Rio, Mariano Beltrame, com uma investigação competente é a melhor resposta e a reafirmação de compromisso democrático da classe dirigente ao País.

Na linha dispersiva do ministro, o Congresso também dá sinais de comportamento errático ao se enredar com propostas polêmicas, como a de uma lei antiterror que não se aplica ao caso. Se a devemos, não só em função da Copa do Mundo próxima, mas também pelos tempos planetários, ela não se impõe como prioridade agora.

Com menos pretensão se pode dar às autoridades policiais condições objetivas de enfrentar a violência dentro de regras democráticas que não comprometam os resultados das investigações pela falta de legislação que impeça seus efeitos.

Shirley Temple faz falta a Obama - DORRIT HARAZIM

O GLOBO - 16/02

Existe uma fórmula certeira para presidentes zerarem dívidas políticas com determinado tipo de doador de campanha: nomeá-lo embaixador. A prática de recompensar amigos e contribuintes com o cargo mais alto da carreira diplomática é tão antiga quanto a política das nações.

Nos Estados Unidos, Abraham Lincoln se deu bem ao recorrer a esse expediente para conquistar votos a favor do término da Guerra Civil. Já de Barack Obama não se pode dizer o mesmo se analisarmos as ecléticas nomeações anunciadas pela Casa Branca neste início de 2014.

Talvez nem ele ainda se lembre da intenção que anunciou em janeiro de 2009 de fazer apenas “algumas” indicações fora das fileiras do State Department. Somando apenas as escolhas feitas somente neste segundo mandato presidencial, o pronome indefinido pode ser descartado: mais da metade (48) dos 85 nomes já encaminhados pela Casa Branca para a sabatina de confirmação não são diplomatas de carreira.

E segundo levantamento do Center for Public Integrity, um instituto de jornalismo investigativo de Washington, 23 desses indicados são contribuintes que arrecadaram mais de US$ 16,1 milhões para a campanha democrata desde 2007.

Semanas atrás, quatro futuros embaixadores dessa safra se apresentaram perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado. A leitura de seus depoimentos é um espanto.

O empresário e consultor político Noah Bryson Mamet, doador de mais de US$ 1,3 milhão de dólares, fora indicado para Buenos Aires. Trata-se de um posto de considerável sensibilidade politico-diplomática regional, turbinada pela crise financeira atual e pelo latente confronto com a Grã-Bretanha envolvendo as Malvinas.

Sem falar nas tensas relações de Cristina Kirchner com a imprensa e no alinhamento de seu governo com países do continente cujas políticas a Casa Branca considera indigestas. Ou seja, um posto que deveria ser ocupado por alguém com interesse e conhecimento sólido do que o espera. E que navegasse, nem que fosse superficialmente, pelo idioma local.

Só que o californiano Mamet, parceiro de golfe do presidente, não fala espanhol. Tampouco pisou uma só vez em solo argentino em seus 44 anos de vida. “Mas já viajei bastante pelo mundo inteiro, apenas ainda não tive a oportunidade de ir até lá (a Argentina), esclareceu. Dá para imaginar como essa declaração foi bem recebida pelos portenhos.

O veterano senador democrata Max Baucus, de 72 anos e seis mandatos parlamentares, foi inquirido com mais simpatia por seus pares. Ainda assim, houve desconforto com sua resposta à pergunta sobre o que teria levado a China a mexer no mapeamento da zona de defesa aérea do país. “Não sou exatamente um especialista em China”, admitiu, “mas estou convencido do que o povo chinês é tão orgulhoso quanto nós americanos somos”.

Pelo menos Baucus já fizera oito viagens à China e tem farta experiência em complexas negociações de comércio exterior. Foi confirmado na hora.

A produtora de televisão Colleen Bell, do seriado “The bold and the beautiful” (audiência estimada em 26,2 milhões de telespectadores e 31 prêmios Daytime Emmy, diz seu perfil na internet), precisará de algum tempo para se enfronhar nas profundezas da cultura magiar. Ela foi indicada para a embaixada na Hungria.

Patronesse da várias entidades culturais e doadora de US$ 800 mil para a primeira campanha de Obama, Bell teve a infelicidade de ser inquirida pelo senador republicado John McCain, que, no dia da sabatina, estava mais cruel do que seus captores do Vietnam do Norte. O senador quis saber da loura de 47 anos quais eram os interesses estratégicos dos Estados Unidos na Hungria.

“Bem, temos interesses estratégicos, no sentido de interesses-chave na Hungria”, começou Bell, enfileirando palavras como blocos de lego. “Acredito que nossas prioridades-chaves consistem em melhorar a relação de segurança e também a implementação da ordem e a promoção de oportunidade de negócios, o aumento de comércio ...”

McCain a interrompeu, impiedoso: “Gostaria de perguntar novamente quais nossos interesses estratégicos na Hungria”.

A enfileirada de palavras também prosseguiu, no piloto automático: “Trabalhar em colaboração, como aliados da Otan, trabalhar para promover e proteger a segurança para ambos os países e para o mundo e prosseguir no trabalho comum em prol da causa dos direitos humanos em todo o mundo, reforçar este lado de nossa relação e, ao mesmo tempo, manter e prosseguir com difíceis negociações que venham a se tornar necessárias.”

“Resposta definitiva”, concluiu McCain, sádico.

A tortura só não se prolongou porque na mesma tarde tinha outro nomeado para ser ouvido.

George Tsunis, fundador e presidente da cadeia de hotéis Chartwell, de Nova Jersey, contribuíra com mais de US$ 1,3 milhão para a eleição democrata e fora brindado com a Embaixada da Noruega. Talvez pela surpresa, sequer teve tempo de recapitular o curso básico de História Universal e passou a falar no que fará o “presidente” da nação nórdica. A Noruega, como se sabe, é uma monarquia constitucional de regime parlamentarista.

Diante de um elenco desses para representá-los mundo afora, os americanos tiveram um motivo a mais para chorar a morte de sua menina prodígio esta semana. A republicana Shirley Temple Black, gordota assumida e livre dos cachos infantis que a imortalizaram no cinema, foi pinçada para embaixadora dos Estados Unidos em dois países sem jamais ter pensado em ser diplomata de carreira.

Mas era séria, aplicada e soube usar seu status de celebridade adorada para movimentar programas assistenciais de grande vulto na África. Primeiro, como membro da delegação americana junto à ONU. Depois como embaixadora em Gana. Por fim, na Tchecoslováquia dos últimos e decisivos anos da Guerra Fria. Não se conhece uma só gafe cometida por ela em seus postos diplomáticos.

Recebeu de Henry Kissinger três qualificativos: “Muito inteligente, muito dura, muito disciplinada”. Ou seja, não precisa ser de carreira. Basta saber o que faz.

Isso também vale para quem faz a escolha.

Pensamento mágico - TOSTÃO

FOLHA DE SP - 16/02

A certeza de Felipão de que o Brasil será campeão é uma sabedoria técnica ou uma tática psicológica?


Com o evidente crescimento individual e coletivo da seleção, que vai além da conquista da Copa das Confederações, a avaliação do time, que era excessivamente negativa, como se o Brasil estivesse mil anos atrasado na parte tática e tivesse apenas um grande jogador, Neymar, passou a ser exageradamente positiva, como se a seleção fosse a única favorita no Mundial e possuísse inúmeros foras de série. Nem uma coisa nem outra.

Fred é um excelente centroavante. Porém, mesmo irregular e sem nunca ter sido destaque mundial --era reserva no Lyon--, desperta em Felipão, e na maioria das pessoas, o sentimento de que, na hora de a onça beber água, ele brilha, mesmo sem boas condições físicas. Isso ocorre por causa das boas atuações na Copa das Confederações e em alguns clubes. Outro motivo é o pensamento mágico, de achar que o desejo é maior que a realidade.

Ocorre com Júlio César, que não joga, algo parecido. Sua escalação na Copa, antecipada pelo técnico, ultrapassa a realidade, como se suas excelentes atuações na Copa das Confederações fossem o único parâmetro. Ou seria também uma desconfiança em relação aos outros goleiros?

Felipão já disse que vai convocar um típico centroavante para a reserva de Fred. Nenhum convence. Poderia ser um meia ofensivo, como Kaká ou Robinho, mas os dois não merecem, por suas atuações no Milan. Nem o lobby de Galvão Bueno por seu amigo Kaká convenceu Felipão. O técnico não gosta também de chamar um jogador muito famoso para ficar na reserva. Bastaria um mau momento do time para a torcida pedir Kaká, como se ele fosse o craque de antes. Este foi um dos motivos de não levar Romário ao Mundial de 2002. Felipão entende da alma humana.

Um dos méritos de Felipão foi fazer com que a seleção tenha sistema tático e estratégia muito parecidas com as das melhores equipes do mundo. Isso só é possível porque quase todos atuam na Europa, ao lado de muitos craques e sob o comando de ótimos técnicos, como Mourinho, do Chelsea, clube com quatro brasileiros na seleção.

Existem muitas incertezas em relação à Copa do Mundo. O grande número de pessoas indiferentes ou revoltadas com os absurdos gastos públicos vão vestir a amarelinha, quando a bola rolar? Muitos destes falam hoje que vão torcer pela Argentina. As manifestações serão maiores, menores ou tão intensas quanto às do ano passado?

O Brasil vai ganhar a Copa?

São inúmeras análises e possibilidades, muitas lógicas e convincentes. Quando o Mundial acabar, só uma será aceita, de acordo com o resultado. As outras serão ignoradas e criticadas. O mais interessante de tudo isso é que muitas das partidas equilibradas serão decididas nos detalhes, por causa de uma dor de cotovelo ou por uma bola que bateu na trave e entrou, em vez de sair.

Shirleys - LUIS FERNANDO VERISSIMO

O GLOBO - 16/02

A própria Shirley do cinema só foi a Shirley dos sonhos por um instante fugidio. Depois cresceu, ficou adulta, foi infeliz no amor, virou política e, pior, republicana



Houve uma época em que os pais davam o nome de Shirley às filhas na esperança de que fossem adoráveis como a Shirley do cinema. E o mundo se encheu de Shirleys. Poucas corresponderam ao que, implicitamente, se esperava delas. As outras só foram Shirleys no nome. Mas durante um breve instante de suas infâncias todas foram Shirleys autênticas em potencial, projetos de Shirley que só porque a vida é injusta não deram certo. O que restou da desilusão foi uma geração inteira de Shirleys desperdiçada, como uma plantação frustrada em que nada floresceu. A própria Shirley do cinema só foi a Shirley dos sonhos por um instante fugidio. Depois cresceu, ficou adulta, foi infeliz no amor, virou política e, pior, republicana, e só o que ficou do seu instante de Shirley foram as covinhas.

‘TONIGHT’

Só falo no assunto porque mexeu com meu vespeiro particular de memórias, pois não tem nenhuma relação com nossa realidade, com o beijo gay ou com os destinos da Nação. Nós estávamos nos Estados Unidos quando começou na TV o programa “Tonight”, o protótipo de todos os talk-shows de fim de noite que existem hoje. Isso há, meu Deus, 60 anos! O show era feito em Nova York e o Jô Soares deles, na época, era o Steve Allen, que tocava piano, gostava de jazz, era um bom entrevistador e, com o seu “cool”, como dizem os franceses, e seu humor inteligente personificava, pra mim, tudo o que Nova York tinha de mais nova-iorquino. Os cantores do programa eram o Steve Lawrence e a Eydie Gorme, casados, o Andy Williams e outra cantora cujo nome que não encontro no vespeiro. A segunda fase do “Tonight” foi com o Jack Paar, que provocou uma grande crise quando, em protesto por uma censura que sofreu, abandonou o programa em plena transmissão — mas depois voltou. Em seguida veio o Johnny Carson, que ficou anos, quando o programa já era feito na Califórnia. E agora chegou a notícia de que Jay Leno, que substituiu Carson, também vai se aposentar. E, mais importante, que o “Tonight” vai voltar para sua origem, Nova York. Infelizmente, não posso voltar para os meus 17 anos. E a gente nunca volta para a mesma Nova York.

PAPO VOVÔ

O pai da nossa neta Lucinda, de 5 anos, é de Yorkshire, e ela só fala inglês com ele. E desenvolveu um vocabulário em inglês surpreendente, que muitas vezes não sabemos de onde vem. No outro dia a mãe dela a viu sentada na privada, pensativa, e perguntou se era xixi ou cocô. E ela: “I’m evaluating.” Ainda não tinha avaliado o que iria fazer.

Ueba! Vaquinha na Papuda! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 16/02

E um amigo me perguntou: 'Já comprou sua fantasia de black bloc pro Carnaval?'. NÃO VAI TER CARNAVAL!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Novidades da semana: o Pizzolato virou Prezolato, o Azeredo virou Azarado e o Zé Dirceu tá criando um novo bichinho de estimação na Papuda: uma vaquinha. A Mimosa! E quem vai contribuir pra Mimosa ficar gordinha? Rarará!

E depois do Apagão, vem o Sujão! Falta d'água! São Paulo virou uma grande piscina vazia!

Dica para economizar água: proibido lavar calcinha no chuveiro! Dica para economizar água: você não entra no chuveiro, você PASSA pelo chuveiro.

Por isso que aquela minha amiga colocou a placa no box do chuveiro: "Favor só lavar o que for usar HOJE!". Rarará.

E o meu amigo Ciro Botelho dá mais duas dicas: 1) O Corinthians só pode levar uma LAVADA por mês. 2) A Alstom só pode MOLHAR as mãos dos secretários do Alckmin a cada 15 dias!

E essa piada pronta: "Bebedouro adota racionamento de água". Rarará!

Aliás, quem inventou o chuveiro foi um francês chamado Merry Delabost! Então devia ter inventado a privada e não o chuveiro! Rarará!

E adorei o Marco Feliciano no Twitter: "O AUTO índice de analfabetismo". Gente! Nem Jesus salva! Seria uma autoavaliação? Ele vai culpar o ALTO corretor! O auto índice de analfabetismo do Feliciano é automático e automotivo?

E adorei a charge do Zop: "Olimpíadas de Inverno: saltos de esqui, snowboard e patinação. E aqui Olimpíadas do Inferno: ônibus queimado, rojão assassino, apagão e falta d'água". Olimpíada de Inferno!

E essa expressão agora: "Fulano usa tática black bloc". E eu já disse que qualquer banda de heavy metal perto dos black blocs vira Galinha Pintadinha!

E um amigo me perguntou: "Já comprou sua fantasia de black bloc pro Carnaval?". NÃO VAI TER CARNAVAL! Rarará!

É mole? É mole, mas sobe!

O Brasil é Lúdico! Olha esse cartaz na padaria: "Pudim de Leite Condenado". Sobremesa da Papuda! Pudim de leite condenado feito com crime de leite! Rarará.

E esse cartaz num restaurante por quilo: "Devido a trabalheira pra fazer a panqueca, hoje não teremos ovo frito".

Mas eu quero! Não consigo viver sem OVO FRITO! Rarará.

Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

O fim do mundo e outras novidades - JOÃO UBALDO RIBEIRO

O GLOBO - 16/02

Já tive oportunidade de denunciar aqui a aleivosia segundo a qual, quando o mundo acabar, lá na ilha nós só iremos saber uns cinco dias depois. Isto é fruto de inveja e despeito contra a pátria itaparicana. Pelo contrário, a julgar por certas circunstâncias, deveremos estar entre os primeiros a ser informados ou até convidados especiais. Em meio aos nossos inúmeros filósofos, pensadores, visionários e estudiosos de alta escatologia, muitos têm opiniões sólidas sobre o assunto e diversos conhecem datas e pormenores copiosos. O finado Americano, que nunca esteve sóbrio um só instante em toda a vida e morreu com uns noventinha, me disse uma vez que um belo dia o mar ia felver, ia felver, escaldar a ilha toda e, logo em seguida, o resto do mundo. Hélio Bríbria, que não larga a Bíblia e sabe de cor todas as profecias terríveis, fica checando tsunamis, terremotos, erupções e outras catástrofes, lê um trecho da Bíblia que julga apropriado para o evento e, os olhos brilhando, dá umas casquinadazinhas de satisfação. “Hi-hi-hi!” faz ele. “Vocês todos vão se lascar, tá tudo escrito aqui, tá tudo acontecendo!”

Mesmo entre os que não costumam ocupar-se do assunto, como no caso de Toinho Sabacu, há posições claras. A dele, expressa várias vezes no Bar de Espanha, é não estar presente aos acontecimentos. Ao sentir o fim do mundo chegando, pirulitar-se-á rapidamente, para local não revelado mesmo aos mais íntimos e só sai até segunda ordem.

— Não faço a menor questão de estar presente — explica ele. — Não entendo nada do assunto e só ia piorar o sufoco. Tou fora, vou esperar para ver como ficam as coisas.

Nos dias recentes, o fim do mundo voltou ao debate público, espicaçado pelas mudanças climáticas. Quem ligava a tevê se espantava com as notícias sobre o calor no Sudeste, enquanto, lá no Nordeste, chegou a fazer frio e choveu. Houve dois dias em que os mais friorentos saíram meio agasalhados e muita gente chegou a mudar o figurino de casual para passeio completo, que, no caso de ilha é bermuda com camisa, aparição antigamente raríssima no verão. Ao contrário da previsão de Americano, o mar não parecia que ia ferver, mas talvez congelar-se, no ver quiçá exagerado de alguns observadores.

— Meus senhores, a situação é grave! — discursou Jacob Branco. — Estão ameaçadas a atmosfera, a troposfera e a própria ionosfera!

Aplausos respeitosos, belas palavras; Jacob nunca envergonhou, numa tribuna. Prosseguiu ele com uma dissertação sobre a destruição da camada de ozônio, que vários entenderam como a “camada de Osório”, o que levou alguns presentes a acharem que o lado Osório de minha família estava sendo prejudicado, e oferecerem sua solidariedade, diante daquele absurdo. E, mais, chuva ácida, desertificação, desmatamento, poluição ambiental, um deslumbramento ecológico.

Além disso, tinha Jacob razões para crer que evidências inquietantes pululavam por toda a ilha. O caso dos tatus ferrados com anzol já praticamente oficializara a pescaria do tatu, com a futura criação, no Ministério da Pesca, da Secretaria do Tatu, a ser ocupada por indicação da base governista. Só podia ser por causa dos agrotóxicos, que enlouqueceram os tatus, levando-os a acreditar que são peixes e mordendo isca de camarão. Noca Pequeno surgira com a notícia de que fora visto um pinguim em Salinas da Margarida, mas era muito tímido e sumiu logo, aparentando estar estranhando o frio. E Nilmete veio com a história de que botou para correr uma foca que a atacou no escuro, em sua casa na Ilha dos Porcos, mas há quem suspeite que o vulto dessa dita foca era mais parecido com Julinho da Gameleira — cala-te, boca.

Concluindo seu vistoso pronunciamento, Jacob afirmou a necessidade de conscientização, porque, de fato, entre tatus virados em peixes e pinguins tropicais, o mundo podia acabar a qualquer momento, nem neve tinha mais na Rússia. Seria a perfeita chave de ouro, se uma conhecida voz roufenha não viesse da entrada — quem, senão Zecamunista, regressando de mais uma vitoriosa turnê de pôquer, todo sorridente e cercado, não por uma, nem duas, mas seis esplendorosas jovens do Sul do País.

— Jacob, nobre amigo — disse ele. — Você ainda discute se o mundo vai acabar? Claro que já está acabando e eu, modéstia à parte, me antecipei.

Aquelas encantadoras moças antes renomadas acompanhantes, haviam sido as primeiras contratadas para trabalhar no Projeto Bom Apocalipse, destinado a produzir o melhor fim de mundo possível a clientes exigentes. Como não discriminaria ninguém, homens também serão contratados, para compor importante setor de lazer e entretenimento. Infelizmente, no começo o programa ia ter que ser restrito aos de melhor poder aquisitivo, embora já estivesse considerando aceitar participantes com bolsa apocalipse. O principal, como sempre, era entrar dinheiro na ilha. E era importante ressaltar que o mercado ia ser basicamente de corruptos e ladrões sortidos, que entre nós abundam.

— Vamos manter um quadro de advogados de primeiro time. O sujeito rouba, pega julgamento em liberdade e vem para cá. Como o julgamento não acaba nunca, ele passa o resto da vida aqui, no bem-bom, podendo sair até do país, se o juiz deixar e a Interpol não pegar. “Aproveite que o mundo neste país já acabou há muito tempo e viva aqui o melhor fim do mundo do mundo! Traga as propinas, que nós damos o paraíso fiscal! Roubar, todo mundo rouba, mas roubar com elegância e segurança só com o Bom Apocalipse — onde o que você rouba continua sempre seu! É agora ou nunca, não marque bobeira, não seja o único do bairro a ficar de fora! Ladrões de todo o Brasil, uni-vos!”

Sem intimidades - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

O Estado de S.Paulo - 16/02

A escrita nasceu da necessidade de não esquecer. O primeiro hominídeo que pensou "preciso me lembrar disto" deve ter olhado em volta e procurado alguma coisa que ele não sabia o que era. Era lápis e papel, que ainda não tinham sido inventados. A angústia primordial da humanidade foi a de perder o pensamento fugidio. Imagine quantas boas ideias não desapareceram para sempre por falta de algo que as retivesse na memória e no mundo. A história da civilização teria sido outra se, antes de inventar a roda, o homem tivesse inventado a Bic e o bloco de notas.

*

As espécies que não desenvolveram a escrita se valem da memória instintiva. O salmão sabe o caminho do lugar onde nasceu sem consultar um parente ou um mapa. Já o homem pode ser definido como o animal que precisa consultar as suas notas. Nas sociedades não letradas as lembranças sobrevivem na recitação familiar e nos mitos tribais, que são a memória ritualizada. Todas as outras dependem do memorando. Mas mesmo com todas as formas de anotações inventadas pelo homem desde o tempo das cavernas, inclusive, hoje, o "notebook" eletrônico, a angústia persiste.

*

O que está aí em cima é o resumo de um texto que escrevi há anos, depois de ter uma ideia para crônica, confiar que bastaria anotar uma frase para me lembrar da ideia - e imediatamente esquecê-la. Eu já havia desistido de ter um bloco de notas sempre à mão para o caso de sonhar com uma boa ideia ou ter um lampejo criativo, porque minha experiência era que nenhuma ideia sonhada resiste à luz do dia e os lampejos aproveitáveis aconteciam invariavelmente no chuveiro. Mas desta vez o lampejo foi num lugar seco e anotei a frase: "Conhece-te a ti mesmo, mas não fique íntimo". Boa, boa. Só que quando sentei para escrever a crônica a frase tinha perdido o sentido. Não me ajudava a me lembrar de nada. E não me lembrou de nada até agora, quando, por acaso, a vi escrita num bloco de notas antigo e finalmente me entendi.

*

O que eu quis dizer, eu acho, é que é positivo e saudável o ser humano se conhecer, desvendar todo os seus mistérios e exorcizar todas as suas culpas, com ou sem orientação cientifica ou religiosa. Ou será que é mesmo? Talvez o conselho mais prático e racional seja se conhecer, sim, mas evitar muita intimidade com esse ser que atende pelo nosso nome, tem os mesmos pais e o mesmo CPF, torce pelo mesmo time e nos levará junto quando morrer. Como em qualquer relacionamento humano, nas nossas relações com nós mesmos deve haver um certo recato, e cuidado para evitar mal-entendidos. Familiaridade demais pode gerar desprezo e revolta. Quem sabe o que nos espera lá no fundo sombrio, nos nossos mergulhos de autoconhecimento? Melhor ficar na superfície, que é mais clara e tranquila.

*

Junto com a frase anotada anos atrás há outra, também para me lembrar de uma ideia para crônica. A frase é: "O abacaxi é fruta a contragosto". Mas esta eu não tenho a menor ideia do que queria dizer.

Política externa e a eleição presidencial - CELSO LAFER

O Estado de S.Paulo - 16/02

A política externa é uma política pública. Tem como objetivo básico traduzir necessidades internas em possibilidades externas. Isso, no mundo contemporâneo, tem especial relevância porque o processo de globalização, nas suas múltiplas vertentes, contribui para diluir o que separa o "interno" de um país do que a ele é "externo". A importância crescente dos fluxos e das redes tornou as fronteiras porosas e, por isso, o mundo se "internaliza" na vida dos países, inclusive na forma de expectativas, positivas ou negativas, que guiam as condutas dos atores governamentais e não governamentais atuantes no sistema internacional. Tal "internalização" adensa o relacionamento entre política interna e externa, mas não é uniforme. Obedece à lógica das especificidades próprias e das características da inserção internacional dos países.

No Brasil, pela natureza do seu presidencialismo e pelo que estipula a Constituição, o rumo da política externa é responsabilidade do presidente da República, que a exerce de acordo com as características de sua liderança e personalidade. Foi o que fizeram Fernando Henrique Cardoso e Lula. Ambos, com grande interesse pela política externa, deram sentido de direção à diplomacia brasileira, valendo-se da qualificada competência do Itamaraty.

Independentemente das muitas críticas que tenho, expostas nesta página no correr dos anos, ao sentido de direção que Lula imprimiu à inserção internacional do Brasil, cabe registrar que, na atual administração petista, a política externa perdeu energia e centralidade. A presidente Dilma Rousseff não só não revelou maior interesse pela ação diplomática, como não deu o devido respaldo ao Itamaraty, fragmentando o processo decisório da política externa, tornando-o difuso e desconexo. Uma das consequências foi a erosão do prévio patamar da presença do Brasil no mundo, obtido, de distintos modos, nas gestões de Fernando Henrique e de Lula, e também a reiteração do inadequado. São insatisfatórias, no âmbito governamental, a identificação das necessidades internas e a avaliação das possibilidades externas num cenário internacional em movimento, de que são exemplos as mutações geopolíticas e as em andamento na ordem energética mundial, a velocidade com que se amplia o horizonte do conhecimento e o seu impacto na competitividade, o papel crescente das cadeias globais de valor no comércio internacional.

Daí a imprescindibilidade para a condução da política externa de sensibilidade estratégica como componente de governança que saiba mesclar com criatividade e sentido de direção a relação entre o "interno" e o "externo". É isso que torna relevante a discussão, na campanha presidencial deste ano, da política externa.

Para isso aponta recente documento do PSDB, com o qual me identifico, ao almejar "um país que participe ativamente da comunidade internacional, negociando com todos os continentes", tendo como ponto de partida interno "um país justo, inovador, sustentável, produtivo, integrado e moderno", que valorize, no campo dos valores, "a sua rica diversidade cultural".

O documento do PSDB, articulado e inspirado pelo senador Aécio Neves, assinala a existência de um desejo de mudança comum a muitos brasileiros e indica que uma das suas razões, que impacta a política externa, é a perda de confiança no governo. Essa degradação de confiança na administração petista tem muitos vetores arrolados no documento. Entre eles, o aumento da incerteza proveniente da erosão de um ambiente econômico adequado para o desenvolvimento do País; o desacerto de serviços públicos essenciais como saúde, educação, transportes, que tem uma das suas raízes na falta de profissionalismo na gestão pública, comprometida pelo contínuo aparelhamento político-partidário; a precariedade crescente da infraestrutura, que põe em questão a logística do País e a desatenção a válidos preceitos de sustentabilidade que vem comprometendo, inter alia, a qualidade da matriz energética e o papel do etanol; a corrupção - os malfeitos, na terminologia da presidente -, que mina as instituições democráticas; e o estilo petista de governar baseado, de um lado, na cooptação e, de outro, no constrangimento político, lastreado na prática intolerante da desqualificação dos opositores, que deteriora o ambiente político e aumenta a desconfiança dos brasileiros na atividade pública.

A voz das recentes manifestações públicas nas ruas, ainda que difusa na sua mensagem e por vezes destrutiva quando acompanhada de violência, é uma expressão de indócil desconforto com a situação presente. Não é exteriorização de ingratidão em relação aos mecanismos de inclusão social, como alegado por próceres petistas, mas, sim, a tradução de que, por si só, o que está sendo feito não dá conta dos problemas atuais do País, o que alimenta o desejo de mudança.

Toda política externa adquire o adicional do soft power na sua ação diplomática na medida em que é vista e percebida no plano internacional como a expressão de um país que, além do quantitativo dos seus recursos e de sua escala, tem dimensões qualitativas, nos campos econômico, político e no dos valores. É isso que amplia a credibilidade e gera expectativas positivas que, por obra das redes e dos fluxos, operam no mundo contemporâneo.

A credibilidade externa é uma faceta da confiança interna. A perda da confiança interna é um dos fatores que diminuem a capacidade de uma inserção internacional mais construtiva do País. É por isso que a primeira necessidade interna para a recuperação de uma presença internacional mais ativa do Brasil é a recuperação da confiança interna, e esta dificilmente se obterá com a reeleição da presidente, que tenderia, se bem-sucedida, a insistir, sem sensibilidade estratégica, em fazer mais do mesmo.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 16/02

Empresa dona da Brastemp amplia lançamentos no país
A Whirlpool, indústria de eletrodomésticos dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, vai ampliar o número de lançamentos neste ano para 180 produtos, um incremento de 12,5% na comparação com 2013.

O aumento faz parte da estratégia da empresa para enfrentar um ano que deverá ser de estabilidade para o setor em geral, de acordo com João Carlos Costa Brega, presidente da companhia.

"A perspectiva para esse ano na indústria [de eletrodomésticos] é de crescimento zero. No nosso caso, vamos continuar crescendo por conta de inovação e do lançamento de produtos."

Para o Dia das Mães, em maio, a Consul colocará à venda um novo micro-ondas que, segundo o executivo, é capaz de fazer um sanduíche tão crocante quanto o feito em fogão convencional. O produto, que terá uma sanduicheira dentro do micro-ondas, se chamará Tostex.

Outra novidade será especialmente para a Copa: uma cervejeira -um refrigerador compacto para consumidores da bebida.

"No caso de produtos que o cliente não tem, a ideia é oferecer facilidade", diz.

Em outra frente de ação, a Whirpool apostará em inovação de eletrodomésticos que já estão mais consolidados no dia a dia dos brasileiros, como as geladeiras e os fogões, para motivar a aquisição de novos produtos.

Os refrigeradores, por exemplo, estão presentes em 98% das casas do país, segundo dados da Nielsen citados pelo executivo.

"Mesmo nesse caso, apenas 45% dos refrigeradores são 'frost free' [que não acumulam gelo]. Há muito espaço para crescer", afirma.

O grupo deve manter em 2014 uma média de investimentos no Brasil que varia de R$ 480 milhões a R$ 520 milhões, segundo o executivo.

LIQUIDAÇÃO O ANO TODO
A Outlet Lingerie, rede de lojas de roupas íntimas fora de coleção, pretende abrir 40 novas unidades no país neste ano, com foco nos Estados de Minas Gerais, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

A expansão vai priorizar os pontos de rua, "para não agredir" outras lojas de varejo que vendem produtos das mesmas marcas, mas de coleções atuais, segundo Maurício Michelotto, presidente da rede de franquias.

Das 72 lojas que a Outlet Lingerie possui hoje, somente duas estão localizadas em em shopping centers -uma no Center 3, na avenida Paulista, em São Paulo, e outra em Petrolina (PE).

"Nossas lojas conseguem praticar preços até 70% mais baratos que no varejo comum, com uma diferença temporal [entre o lançamento das peças] que às vezes é de um mês", diz.

Para os próximos três anos, a rede pretende chegar a 300 unidades no país.

"Não temos concorrentes, somente alguns sites e os períodos de liquidação do varejo. Os grandes outlets ficam distantes do centro."

A rede trabalha com marcas voltadas para as classes A e B, como Hope, Valisère, Nu. Luxe, Loungerie e Calvin Klein Underwear.

228
é o número de lojas que a rede pretende abrir até 2017

16
é a quantidade de marcas de roupas íntimas comercializadas

COM EMPRÉSTIMO
A parcela de imóveis usados comprados com empréstimos bancários na cidade de São Paulo passou de 41% do total em 2012 para 48% no ano passado, segundo a base de dados da imobiliária Lello.

Oito anos atrás, o número era de apenas 15%.

Em 2013, o valor médio das unidades de terceiros comercializadas pela empresa nos principais bairros da capital ficou em R$ 550 mil.

A expansão do crédito e a procura por imóveis prontos para morar alavancaram esse modelo de compra.