domingo, setembro 09, 2012

Chega de pleito! Quero blunda! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 09/09



E o TRE de Pernambuco: TRE-PE! Vou transferir meu título pra Pernambuco. Na hora de votar, trepe!



Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

Ereções 2012. Engraçado eleição ser chamada de pleito. Brasileiro não gosta de pleito. Gosta de blunda! Rarará! E aquele candidato do Mato Grosso: "Estou sofrendo acusações abdomináveis". Abdomináveis? Então vai ganhar na academia do prédio ou então uma ponta em "Malhação"! Castigo: três horas de esteira e 150 abdomináveis!

E tô adorando as siglas dos TREs! TRE de Pernambuco: TRE-PE! Vou transferir meu título pra Pernambuco. Na hora de votar, trepe! E melhor é o TRE do Pará: TRE-PA! Não trepo, detesto obedecer ordens! E o TRE do Maranhão: TRE-MA! Na hora de votar, pense no Sarney e TREMA! Rarará! E avisa pra vóinha do TSE que os ficha-limpas de hoje serão os ficha-sujas de amanhã!

E os brasileiros estão arrasando nas Paraolimpíadas. Os deficientes são mais eficientes! E o novo apelido do Adriano é Landau: faz 3 km por litro! E o posto de gasolina é o Barmengo. E a frentista é a Patrícia Amorim! E sabe o que o Adriano disse quando voltou pro Centro de Treinamento? "Não risquem fósforos senão vamos pelos ares!" Inflamável!

E o Datafolha? O Russomanno engoliu um rojão e nós vamos engolir sapo. E se juntar a rejeição do Kassab com a rejeição do Serra, eles vão sair devendo voto. E eu já pedi pro Haddad dar um ProUni pro padrinho padim Lula. Pra ele parar de falar Pranalto e Pétobais!

Eu queria saber se o Russomanno é Universal ou municipal? É marsupial: tem bolsa na barriga! Rarará! E o bom do Russomanno ser prefeito é que você pode reclamar pro bispo! Só que na hora de reclamar, você não acha bispo nem no inferno! Rarará!

E o Chalita escreveu 80 livros e só fala três palavras: picuinha, picuinha e picuinha! E o Paulinho da Força deve estar com fraqueza. Tá sempre cansado com aquela cara de quem tá se recuperando de uma hepatite.

E a Mulher Pêra é periguete de nascença. Sabe qual o nome de batismo dela? SUELEM! Rarará! E o Raul Gil Jr., o Wagner Montes Filho e a Lívia Fidelix. Mais três casos de NEPAITISMO! Rarará! A situação tá ficando psicodélica. Ainda bem que nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

O que o Supremo está decidindo? - SAMUEL PESSÔA

FOLHA DE SÃO PAULO - 09/09


O Brasil deve ser o país no qual o sistema jurídico evita com mais força a condenação de um inocente


Nesta coluna, compartilho com os leitores a leitura que faço do julgamento da ação penal 470, popularmente conhecida como mensalão, que ocorre no Supremo Tribunal Federal (STF).

Dependendo da forma como o Supremo se pronunciar, ele dará contribuição fundamental ao combate à corrupção. Como diversos trabalhos sugerem, a redução da corrupção deve ter impactos positivos sobre o crescimento no longo prazo de nossa economia.

A grande dificuldade em crimes do colarinho branco é que é difícil haver prova material. Assim, o julgamento há que se basear em provas circunstanciais ou indícios.

Um exemplo paradigmático foi o caso do escândalo dos anões do Orçamento em 1993. O deputado João Alves, para justificar a evolução de seu patrimônio, explicou que Deus lhe dera muita sorte e apresentou como prova diversos bilhetes premiados de loteria.

Não há prova material. De fato, a prova material, os bilhetes de loteria, concorriam para a absolvição. O problema é que a probabilidade de que esse evento ocorra é praticamente nula.

Nesse ponto, a sociedade pode perseguir dois caminhos distintos. Primeiro, alegar que é obrigação do Judiciário produzir as provas materiais. No caso do deputado João Alves, o Judiciário deveria mostrar que ele comprava os bilhetes premiados, o que provavelmente inviabilizaria a caracterização de culpa, pois João Alves havia tomado precauções para encobrir as operações.

Um segundo curso de ação que a sociedade pode tomar é reconhecer que a probabilidade de alguém ganhar inúmeras vezes em uma loteria é praticamente nula e, portanto, que o Judiciário deve condená-lo baseado nessa evidência.

Assim, quando tratamos de crimes do colarinho branco, em geral as provas são circunstanciais. Dificilmente há prova material contundente.

O Judiciário tem que trabalhar com dois tipos de erro: condenar um inocente ou não punir um culpado.

Há um teorema conhecido em estatística que mostra que, se as regras processuais forem construídas de forma a que a probabilidade de prender um inocente por crimes do colarinho branco seja nula, a probabilidade de prender um culpado também será nula.

O Brasil deve ser o país no qual o sistema jurídico evita com mais força a condenação de um inocente.

Pode-se afirmar que é praticamente impossível um inocente com um bom advogado ser condenado por crime do colarinho branco.

Isso porque nós devemos ser o único país no mundo no qual:

. há quatro instâncias de julgamento (Justiça de primeiro grau, de segundo grau, Superior Tribunal e Supremo Tribunal);

. sempre é possível recorrer da sentença e qualquer ato jurídico é passível de um recurso;

. a litigância de má-fé dificilmente é caracterizada nos tribunais;

. e, finalmente, temos o princípio de que a presunção da inocência somente deixa de existir depois que todas as instâncias se pronunciam sobre todos os recursos!

Além de todo esse pacote, a tradição de nosso Judiciário é somente aceitar evidência material contundente.

O STF, ao aceitar uma série de provas circunstanciais como prova de um crime de colarinho branco, reduz o requerimento para a condenação.

No Direito, existe o princípio de que, se houver dúvida, o réu deve ser considerado inocente (in dubio pro reo). No Direito norte americano existe outro princípio, de que se a dúvida que existe com relação à culpa de um réu for além de uma dúvida razoável ("beyond any reasonable doubt"), o Judiciário deve condenar o réu.

Vejo na decisão do STF um sinal de democratização de nossa sociedade. O elevadíssimo e excessivo requerimento de prova para crimes do colarinho branco é um entulho da sociedade oligárquica no qual a Justiça dos homens bons é diferente da Justiça dos comuns.

Oxalá o próximo passo de democratização de nosso Judiciário seja a aprovação pelo Congresso do projeto de emenda constitucional (PEC) de autoria do ministro Cezar Peluso e iniciativa do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES).

A PEC determina que o cumprimento da pena, em caso de condenação, comece em seguida à condenação na Justiça de segundo grau. A pessoa pode ter acesso às instâncias superiores, mas cumprindo a pena.

A desorientação energética - ADRIANO PIRES


O ESTADÃO - 09/09

No seu último artigo (Herança pesada, 2/9), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cunhou a expressão "desorientação da política energética", que retrata bem a atual situação do setor de energia no Brasil. Em artigo publicado aqui, no Estado (23/7, B2), chamei de falta de visão estratégica. Essa desorientação energética ou falta de visão estratégica é um dos fatores que explicam o alto custo da energia e estão levando determinados segmentos do setor ao colapso, afastando investimentos privados e incentivando indústrias a irem para outros países.

Senão, vejamos: no segmento de exploração de petróleo, a mudança do marco regulatório após o anúncio do pré-sal trouxe a estagnação e retirou a Petrobrás da rota da excelência.

Trouxe a estagnação porque o novo marco regulatório abandonou o tripé estabilidade regulatória, segurança jurídica e respeito às regras de mercado. Isso fica claro quando o novo marco promove um tratamento discricionário a favor da estatal, dando-lhe um mínimo de 30% dos blocos que forem leiloados no pré-sal e o monopólio da operação, e também não realiza mais leilões. A falta de leilões tirou o Brasil da rota de investimentos das empresas petrolíferas. Voltar a fazer leilões é voltar a colocar o Brasil na rota dos investimentos das empresas petrolíferas. Imaginem quanto dinheiro o País perdeu de arrecadação de bônus de assinatura nos últimos quatro anos - calcula-se algo em torno de US$ 1 bilhão por ano -, quantos empregos deixaram de ser criados e os investimentos privados que poderiam ter sido realizados.

Retirou a Petrobrás da rota da excelência na medida em que promoveu um processo de capitalização da empresa politizado, congelou os preços da gasolina e do diesel e partidarizou a gestão da estatal. Ou seja, usou a empresa como instrumento de política industrial, econômico e político-partidário. Isso tem promovido uma reação dos acionistas minoritários, em especial fundos de investimentos estrangeiros, que já questionam uma presença no Conselho de Administração da empresa, substituindo os atuais que não representariam verdadeiramente os minoritários, e põem em dúvida, também, se a Petrobrás, diante da atual política de preços, terá condições de cumprir o plano de investimentos anunciado para os próximos quatro anos.

No segmento dos combustíveis o estrago é grande e está levando ao colapso. Os números chamam a atenção. De 2009 a 2011 o crescimento do consumo de gasolina foi de 57% e o do diesel, de 27%, enquanto o do etanol caiu 34%. No primeiro semestre de 2012 o consumo da gasolina aumentou 13%; o do diesel, 7%; e o do etanol despencou 17%. As importações de gasolina cresceram 427% quando comparamos os primeiros sete meses de 2012 com os de 2011.

E por que isso ocorreu?

Em resumo, o governo resolveu criar uma política de incentivo à venda de automóveis e não fez nenhum planejamento no sentido de aumentar a oferta de combustíveis, nem os fósseis, tampouco os renováveis. O pior é que essa falta de planejamento fará o Brasil permanecer como importador de combustíveis nos próximos dez anos. Caso o etanol permaneça com a atual fatia de mercado e o consumo de gasolina cresça 4,5% ao ano até 2020, as importações aumentarão em mais de 600%. Esse volume extraordinário de importação de gasolina e diesel está levando a um colapso na logística e infraestrutura do setor e poderá ocasionar um apagão de combustíveis no País. A falta de planejamento também está levando ao fim do etanol, como ocorreu com o álcool nos anos 1990.

O que fazer para reverter essa situação?

A medida principal seria o governo permitir que a Petrobrás adotasse uma política de preços, baseada na tendência dos preços do mercado internacional. Isso incentivaria investimentos privados em três setores: refinarias, terminais de importação de derivados e biocombustíveis. A solução é fácil se houver vontade política.

O mercado do gás natural também sofre com a desorientação energética. O consumo está estagnado nos últimos três anos e a causa principal é o poder de monopólio da Petrobrás. A estatal insiste numa política de preços que torna inviável a competitividade do gás, incentiva a troca por outros combustíveis e, o pior, leva as empresas a mudarem suas instalações para países onde o gás natural é mais barato, como é o caso dos Estados Unidos, do México e da Colômbia, por exemplo. O preço do gás natural está inviabilizando a petroquímica, a indústria de fertilizantes e a de cerâmica, entre outras.

Isso se repete no setor de energia elétrica. Faz sentido que um país onde a quase totalidade da sua eletricidade é gerada com água tenha uma das tarifas mais caras do mundo? E o pior: com a exigência de reservatórios a fio d"água e a insistência em realizar leilões nacionais com a presença de todas as fontes de energia, em que não se capturam o fator localização nem a dispersão regional, isso nos fará perder a nossa vantagem comparativa em relação a outros países pelo fato de termos uma grande diversidade de fontes energéticas, além de levar a custos crescentes na geração de eletricidade.

Tanto o governo anterior como o atual sempre chamaram a atenção para a falta de planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso. O problema é que a solução encontrada pelo governo anterior e pelo atual para a falta de planejamento é criar mais empresas estatais - no anterior, a Empresa de Planejamento Energético (EPE), e agora, no caso das concessões de rodovias e ferrovias, a Empresa de Planejamento e Logística (EPL).

Não resolveremos a falta de planejamento com a criação de mais estatais, e sim com políticas públicas que respeitem as regras de mercado e os interesses tanto dos investidores quanto dos consumidores. Enquanto isso não for feito, permanecerá a desorientação energética, com suas graves consequências para toda a sociedade.

Então, pior para os fatos... - JOÃO BOSCO RABELLO

O ESTADÃO - 09/09



"Se os fatos estão contra mim, pior para os fatos” ironia da espirituosa sa-frade Nelson Rodrigues, dela se apropriou o presidente do PT, Rui Falcão, para contestar, aesta altura, a existência do mensalão, que o Supremo Tribunal Federal conta em capítulos semanais como história real, com começo, meio e fim.

A obstinação em desmentir a realidade para manter de pé o insustentável discurso da moralidade, de cuja prática o partido há muito se apartou, leva Falcão a agir como a personagem Brancaleone, do filme de mesmo nome, que julgara ter cumprido nobre missão ao entregar ao rei, ainda virgem, a jovem Matelda, deflorada na viagem pelo bando sob seu comando, bem debaixo de seu nariz.

O presidente do PT apenas age como a personagem de Vitório Gassmann, que realmente confiara na pureza de Matelda, porque ao contrário daquele, há muito sabe que não carrega um partido virgem, mas já emprenhado pelos vícios do Poder.

Até aqui seria apenas fingir virtude que não tem, mas Falcão reafirmou não haver limites para a negação do crime, exibindo total desprezo pelas instituições, ao incluir a Suprema Corte na ficção do golpe político articulado por uma “elite suja”.

Afora a injúria, que clama por acrescentá-lo como mais um réu, põe o partido na contramão de uma das premissas do day after do julgamento, que é a responsabilização das cúpulas partidárias pelo comportamento de seus filiados e dos danos causados à sociedade.

O presidente do PT, e seu partido, choram como a Matelda arrependida da cruzada medieval, após constatado que ambos vestiam a fantasia da virtude.

“Os atos foram até generosos”

Ministro Joaquim Barbosa, relator do mensalão rebatendo críticas a suposto rigor do tribunal


Empenho minoritário

Inconformado com o congelamento dos trabalhos da CPI do Cachoeira, um grupo de parlamentares decidiu levar, pessoalmente, as provas produzidas pela comissão ao Ministério Público Federal em Goiás, que deflagrou a Operação Monte Carlo. Os senadores Pedro Taques (PDT-MT) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) vão a Goiânia, pedir aos procuradores que avancem na investigação, das em-presas-fantasmas, que recebiam repasses da empreiteira Delta -uma linha de trabalho que um acor-dão entre PT, PMDB e PSDB inviabiliza.
Desculpa esfarrapada

O presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), defende nova lei geral das comissões de inquérito, para substituir a atual, sexagenária. Quer priorizar provas técnicas em relação às testemunhais, para evitar o que chama de As CPIs do Silêncio”. Com todo o respeito, a que preside não deixou de fazer isso por causa da lei vigente.

Na mira

Aumentou a insegurança do governo em relação ao PDT depois da performance oposicionista do líder na Câmara, André Figueiredo (CE), na última semana, contra a ampliação do Regime Diferenciado de Contratações (RDC) para as obras da rede pública de ensino, e ao liderar movimento para apressar a votação do Plano Nacional de Educação (PNE), que o governo cozinha para evitar a ampliação de 7% para 10% dos recursos do PIB para o setor.

PT light


Se vai mal na Capital, o PT mineiro lidera a disputa em Uberlândia, a segunda maior cidade de Minas, onde o deputado Gilmar Machado tem 53% das intenções de voto. O candidato do PSDB, Luiz Humberto - apoiado por Aécio Neves, tem 19%. O presidente do PSDB mineiro, Marcus Pestana, provoca: “ele é um “PT light” e há 43% de indecisos ainda”.

A crítica em julgamento - JANIO DE FREITAS

FOLHA DE SP - 09/09


Nada na legislação isenta de crítica os ministros do Supremo, como ninguém está isentado


O momento mais ilustrativo, na semana de julgamento do mensalão, não veio de uma das várias condenações. Nenhuma surpreendeu. O momento especial também não surpreendeu se considerado o seu protagonista. O teor, sim, foi ilustrativo.

O ministro Joaquim Barbosa não suportou ouvir o ministro-presidente, Ayres Britto, dirigindo-se aos que, de fora do tribunal, tenham feito alguma crítica ao desenrolar do julgamento. Interrompeu-o: "Presidente, o Supremo Tribunal Federal não tem que dar satisfação a ninguém!"

Daí em diante, tratou ele próprio dos seus críticos, pessoas "irresponsáveis", em particular "um ex-juiz, hoje comerciante".

O Supremo tem a função de proteger a Constituição. Seja dirimindo dúvidas quanto à afinidade de determinada questão com os preceitos constitucionais, seja julgando condutas ou situações que se contraponham ao Estado de Direito expresso pela Constituição.

A função do ministro Joaquim Barbosa, como a de seus colegas, é dar voz ao tribunal. Mas a guarda da Constituição não é em abstrato. Há de ter uma finalidade. E esta finalidade somos nós outros, cidadãos filhos e pais de cidadãos e de futuros cidadãos, e são os nossos direitos. A começar do direito de viver em regime democrático, no qual o direito de crítica é um dos essenciais.

Para que cumpram tal função protetora é que nós outros pagamos os impostos com os quais são pagos os ministros do Supremo.

São eles, portanto, servidores públicos, denominação bastante clara sobre quem é remunerado para prestar serviço a quem. E toda prestação de serviço, público ou privado, implica a eventual prestação de satisfações a respeito. Até por força de lei.

Nada na legislação isenta de crítica os ministros do Supremo, como ninguém está isentado. O que não falta no Supremo, aliás, são críticas mútuas. Com frequência, sem preservar nem sequer a civilidade.

E isso não se refere a ocorrências, não raras, distantes das câmeras da excelente TV Justiça, conquista da cidadania claudicante e da cultura democrática em construção. Ocorre na sala de julgamentos.

O ministro Joaquim Barbosa condenou Ayanna Tenório, funcionária do Banco Rural ao tempo das transações com Marcos Valério. Os demais nove ministros a absolveram. Só poderiam fazê-lo pelo voto, que é uma forma de crítica frontal ao voto do ministro-relator.

Não compõem uma exposição de sinceridade as toneladas de elogios que os ministros permutam o tempo todo. O que levou o ministro Marco Aurélio Mello a dizer, já no julgamento do mensalão, que não seguiria o hábito de fazerem todas as louvações à sabedoria de um voto para, em seguida, contrariá-lo.

Em resposta a Joaquim Barbosa, os ministros Ayres Britto e Celso de Mello lhe explicaram que as palavras aos críticos eram (e são) esclarecimentos. Na mesma sessão de julgamento, a mais recente, o próprio Joaquim Barbosa disse, por exemplo, que o dinheiro usado pelo Banco Rural na trama com Marcos Valério "não é dinheiro próprio".

Claro, bancos são o mais esperto dos negócios inventados porque só usam dinheiro dos depositantes e aplicadores.

Mas, no capítulo da publicidade Visanet/Banco do Brasil, o procurador-geral Roberto Gurgel, o relator Joaquim Barbosa e a maioria dos ministros do STF afirmaram que o dinheiro era do Banco do Brasil. Seria, como parece, só para permitir a afirmação de uso de dinheiro público na trama chamada de mensalão? A esclarecer.

STF e o crime financeiro - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 09/09


A condenação de Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane, três executivos graduados do Banco Rural, terá reflexo importante em coibir o que está se repetindo de forma assustadora: bancos quebram e são salvos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Como a operação fica parecendo uma venda, os banqueiros não são punidos. A decisão do STF ajudará a mudar isso.

Cinco bancos quebraram nos últimos anos. Matone, Schahin, Morada, PanAmericano e Cruzeiro do Sul. Em alguns deles as fraudes são gritantes.

No Proer do governo Fernando Henrique, os bens dos donos e dirigentes ficavam indisponíveis e até hoje alguns ex-banqueiros correm o risco de enfrentar a execução da dívida pelo Banco Central. Os donos e administradores dos bancos que quebram hoje são beneficiados pela engenharia financeira da operação montada pelo Fundo Garantidor de Crédito.

Os controladores e dirigentes dos bancos Matone e Schahin escaparam com facilidade. O FGC emprestou dinheiro a quem comprou os bancos. No caso do Matone, o grupo JBS recebeu R$ 800 milhões, com juros facilitados, a perder de vista, para assumir o banco quebrado. Como ficou parecendo uma compra, não houve problema para quem quebrou o banco.

O PanAmericano inventou carteiras de ativos que não tinha. O nome disso é fraude. Pior, o banco atraiu a Caixa Econômica para o buraco. A instituição pública pagou R$ 700 milhões para ser sócia de um banco quebrado, no qual teve que fazer altos aportes. O Fundo Garantidor de Crédito absorveu um prejuízo de R$ 4 bilhões e vendeu o banco para o BTG Pactual. Os bens dos donos e administradores do PanAmericano não ficaram indisponíveis, como ocorreria se fosse no velho Proer.

Isso começou a mudar quando o juiz Marcelo Costenaro Cavali, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, aceitou, dias atrás, a denúncia contra dois ex-dirigentes e 15 funcionários do PanAmericano. Eles foram acusados pelo Ministério Público e responderão por crime contra o Sistema Financeiro Nacional. A condenação dos dirigentes do Banco Rural por gestão fraudulenta reforçará na Justiça o entendimento de que é necessário rigor contra esse tipo de crime.

No caso do Cruzeiro do Sul, houve também fraude, balanços maquiados, invenção de ativos. O Fundo Garantidor está agora negociando com os credores. Se eles aceitarem a proposta do FGC, o prejuízo será rateado: a maior parte da conta será paga pelo Fundo; outra parte, pelos credores.

Segundo o FGC, como o Cruzeiro do Sul deu prejuízo a terceiros – os investidores nacionais e internacionais – seus dirigentes poderão responder a processos. E as investigações sobre o que houve continua na Polícia Federal, Banco Central e CVM.

No PanAmericano, falta explicar por que a Caixa entrou de sócia num banco quebrado. Como a análise dos ativos que ela fez (a due diligence) não percebeu o rombo? Perguntas que nunca vão calar. Oficialmente, o banco foi vendido. Essa simulação de uma operação “de mercado”, com o buraco sendo coberto pelo FGC, beneficia quem quebrou o banco. Espera-se que tudo mude agora que o STF mostrou rigor com o caso do Banco Rural.

Sem punição poderia ocorrer o moral hazard, a desmoralização da lei. Isso incentivaria a fraude. Quebrar um banco estava virando o crime perfeito, porque bastava entregar a batata quente nas mãos do FGC. Com a decisão do STF, os dirigentes de bancos passarão a redobrar seus cuidados na administração dos bens de terceiros que estão sob seus cuidados. Isso tornará o mercado financeiro mais saudável e sólido.

Novos custos do biodiesel - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 09/09


A disparada dos preços do milho, da soja e de seus derivados não mostra só a dependência da alta volatilidade dos preços das rações animais, a que estão expostos os produtores de frangos e de suínos. Mostra, também, a excessiva dependência de todo o setor de biodiesel no Brasil, que usa para sua produção nada menos que 79,5% de óleo de soja (veja o Confira).

No momento, a esticada dos preços do milho e da soja é efeito da estiagem que prejudicou as colheitas no Centro-Oeste dos Estados Unidos, de longe o maior produtor mundial. Mas esses preços estão sempre sujeitos a turbulências, ou do clima ou, simplesmente, do jogo financeiro, por se tratar de commodities altamente negociadas nos mercados futuros.

Quando lançado, na segunda metade da década passada, o Programa do Biodiesel pretendia aproveitar farta diversidade de matérias-primas: mamona, pinhão-manso, gordura animal, sementes de girassol e palma (dendê). Mas esses produtos não conseguiram montar uma rede de produção e distribuição tão abrangente e bem articulada quanto à da soja.

Em condições normais, o custo de produção do biodiesel é 60% mais alto do que o do diesel de petróleo (o poder energético do biodiesel corresponde a aproximadamente 90% do poder energético do diesel de petróleo).

A disparada dos preços da soja puxou o custo de produção do barril de óleo de soja a quase o dobro do custo do diesel de petróleo. Ele só se impõe na mistura porque o governo assim o determinou por lei. Hoje, combustível leva 5% de biodiesel.

A quebra da última safra de soja provocou queda de 4,2% da produção de biodiesel entre janeiro e junho deste ano, em comparação aos mesmos seis meses de 2011. Enquanto isso, as vendas de óleo diesel nos postos cresceram cerca de 7,0%. Mas, ao menos, não houve falta de matéria-prima para o biodiesel.

A safra 2012/2013 provavelmente será recorde: 82,3 milhões de toneladas, 24% mais alta do que a anterior - aponta a consultoria Safras & Mercado. A novidade é que a atual alta de preços dos grãos é o novo fator de elevação de custos. E não é coisa passageira. Os preços deverão se manter elevados por alguns meses.

Para Anderson Galvão, presidente da consultoria Céleres, o problema mais grave do setor do biodiesel continua sendo a excessiva dependência da soja. A produção de biodiesel em 2012 deve passar de 2,8 bilhões de litros (veja no gráfico), o que corresponde a apenas 50% da capacidade instalada do setor. Essa é a razão pela qual os produtores seguem pressionando o governo para que aumente a atual reserva de mercado, de 5% na mistura com o diesel, para 10%.

O setor do biodiesel no Brasil não enfrenta só as críticas de que um alimento importante como a soja está sendo desviado para a produção de combustível. Tem de carregar ainda o estigma da falta de competitividade estrutural. Os planos audaciosos que vêm da administração Lula, de adicionar 20% de biodiesel ao diesel proveniente de petróleo até 2020, se deparam não só com a falta de entusiasmo do governo Dilma com os biocombustíveis. A baixa competitividade em relação ao diesel de petróleo também é obstáculo./COLABOROU GUSTAVO SANTOS FERREIRA

BCE e China ajudam pouco - ALBERTO TAMER


O Estado de S.Paulo - 09/09


Algumas notícias animadores, nesta semana. A China anunciou investimentos de mais de US$ 15o bilhões em projetos de infraestrutura para conter a desaceleração econômica e, após superar resistência da Alemanha, o Banco Central Europeu (BCE) confirmou que vai comprar títulos da dívida soberana de até três anos. Não fixou limites, mas deixou claro que serão compras de papéis dos governos mais sobrecarregados, e no mercado secundário.

Crise da zona do euro que havia voltado de férias - tudo para em agosto na Europa - recebe mais uma trégua de alguns meses. A Grécia não quebra, a Espanha vai ser socorrida e a Itália luta tentando evitar o pior, mas seus bancos já podem contar com o apoio do BCE. Pelo menos, mais um ano está passando e a zona do euro entrará no quarto ano de crise mais ou menos como começou, esperando que os governos do bloco, Alemanha, França principalmente, façam a sua parte. É o que o BCE pede e espera, até agora em vão.

Nada para a economia. Mas o socorro anunciado por Mario Draghi, presidente do BCE, deve ser considerado apenas como um socorro financeiro de curto prazo. O banco vai comprar títulos no mercado secundário e esterilizá-los. Ou seja, não injetará mais liquidez nem vai estimular o crescimento econômico. Adia-se a crise do mercado financeiro, ganha-se tempo, mas nada se faz para impedir que a economia europeia avance no caminho da recessão. Na verdade, ela decorre menos da crise da dívida soberana, em si, do que da política adotada pelos governos europeus de corte de gastos e investimentos - austeridade em meio à recessão. Isso não mudou e o BCE continua sozinho. A economia não pode contar com a Europa para crescer neste e no próximo ano. E ela representa quase 25% do PIB mundial.

Mais recessão? Sim, diz a OCDE, que alerta agora a Alemanha, o único país do bloco que ainda crescia. Ela vai entrar em recessão no segundo semestre porque sua economia depende muito das exportações para a Europa e para a China. A previsão divulgada na quinta-feira é de uma retração de 0,5% neste trimestre e 0,8% nos últimos três meses do ano. As três principais economias da zona do euro, Alemanha, França e Itália, vão recuar 0,2%. "A situação vai continuar se deteriorando, diz a organização com base nos últimos dados oficiais, com a produção industrial recuando 2,2% e o desemprego recorde de11,2% da força de trabalho. No G-7, só os EUA ainda salvam com um crescimento estimado em 2,5% este ano.

E a China chegou. Esta é a segunda boa notícia da semana. O governo chinês colocou em campo a sua cavalaria, anunciando investimentos e estímulos para evitar um PIB abaixo de 7,5%. Pode parecer muito, mas não é, se pensarmos numa população de mais de 1bilhão de pessoas que, insegura, poupa mais do consome, uma economia dependente do comércio exterior, que se retrai. Serão mais de US$ 150 bilhões em 60 projetos de infraestrutura. É menos do que os US$ 630 bilhões de 2008, mas assim mesmo representam 2% do PIB chinês. Há projetos já aprovados que podem ser iniciados imediatamente. Ao mesmo tempo, o BC chinês indica uma nova redução da taxa do depósito compulsório e da taxa de juros. Não há pressão inflacionária, ao contrário, deflação, com os preços recuando de 3,2% para 1,8% no último mês. Segredo? Subsídios generosos usando os imensos recursos que acumulou nos anos de bonança.

E aqui. No Brasil, o governo continua empurrando como pode a economia à espera que o setor privado reaja. Mais defesa para a indústria contra a competição externa, em grande parte decorrente não só de custos menores, mas de subsídio ( subsídio, sim!) da taxa cambial. Ofereceu também redução de até 28% no preço da energia elétrica para as indústrias, 16,8% para os consumidores residências, mas isso virá apenas no próximo ano. Por enquanto, é sustentar o mercado interno, onde as vendas crescem ainda mais de 6%, a massa salarial vem aumentando 5% ao ano e os juros recuam para 7,25%, com taxas reais inferiores a 2%. Não é a repetição do "modelo chinês," pois a política voltada ao fortalecimento do mercado foi implantada há oito anos. Desde então, a economia tem crescido por dentro.

Esperar o quê? Da economia mundial, muito pouco ou nada este ano. Só os Estados Unidos e a China vão ainda crescer, com o resto, Japão, zona do euro, Grã-Bretanha, beirando a recessão. Se servir de consolo inútil, a inflação média mundial continua em torno de 2% simplesmente porque não há demanda, os governos dos países que realmente pesam não investem e o desemprego só aumenta. E bem-vindo ao mundo novo dos 2% com os quais o Brasil, apesar dos seus esforços, vai ter de conviver, se preservando com reservas cambiais de US$ 370 bilhões, dívida de apenas 35% do PIB com capacidade de aumentar sem pôr em risco o equilíbrio fiscal e um comércio exterior distorcido que mais atrapalha do que ajuda.

Silvinho, o gênio da raça petista - ELIO GASPARI

O GLOBO - 09/09



Em 2003, Silvio Pereira, secretário de organização do PT, tornou-se um dos homens mais poderosos do país. Centralizou os registros de candidatos a cargos no governo e, depois da posse de Lula, comandou o Grupo de Trabalhos Eleitorais. Ele foi um dos primeiros petistas a verem em Marcos Valério um gênio das finanças. Quando ia ao Planalto, despachava numa sala próxima à do comissário José Dirceu. Tinha 42 anos e viera de Osasco, onde trabalhara na lanchonete da família, a Cebolinha. Tornou-se uma estrela promissora da nova ordem.

O PT tinha dois propinodutos. Um ficou conhecido como o mensalão, outro, apelidado de “gibi”, remunerava companheiros de cargos que pareciam mal remunerados. Conta a lenda que “Silvinho” jogou no lixo as 150 cadernetas de anotações de seus primeiros tempos de poder.

Em 2005 explodiu o escândalo do mensalão, e ele foi acusado de formar um triunvirato com José Dirceu e Delúbio. Meses depois, apanharam-no com uma Land Rover de R$ 74 mil, presenteada por um empreiteiro. Deixou o cargo e o partido. Em maio de 2006, deu uma entrevista à repórter Soraya Aggege com a mais detalhada narrativa petista do mensalão. Temia até mesmo ser assassinado. Foi dado por louco. Seus advogados, informavam que ele passava por “visível transtorno de adaptação à realidade”. Era o contrário, o governo é que transtornava a realidade, como se viu no Supremo.

Silvio Pereira foi um homem de sorte. Não teve cargo público nem há registro de que tenha tocado em dinheiro do Banco Rural. Com isso, o Supremo excluiu-o da denúncia por peculato e corrupção ativa. Sobrou-lhe uma acusação de formação de quadrilha, mas ele foi clarividente: fez um acordo com o Ministério Público e aceitou uma pena de 750 horas de serviços comunitários.

Silvinho protegeu o arquivo de sua memória. Fez um curso de gastronomia e, em julho passado, planejava o cardápio do restaurante de sua irmã, ao lado da sua lanchonete, a Tia Lela, próxima à prefeitura de Osasco.

Subsídios para o cálculo de penas

O provável desfecho do julgamento do mensalão poderá abrir uma nova época nos procedimentos judiciais de Pindorama. Todos os réus apresentaram-se ao Supremo defendendo a própria pele, como se o conjunto da obra tivesse acontecido na Austrália. O ministro Joaquim Barbosa reconstruiu a trama, e deu-se a encalacrada geral. É possível que futuros réus entendam ser melhor negócio colaborar com as investigações. (“delação premiada” é uma expressão infame, pois não se trata de delação, muito menos de prêmio.) Olhado pelo retrovisor, o caso de Silvinho mostra que o melhor serviço que ele poderia prestar à comunidade seria aprofundar sua famosa entrevista.

Em 1990, a juíza americana Kimba Wood sentenciou o bilionário Michael Milken a dez anos de prisão por fraudes no mercado financeiro. Quatro anos antes, ele faturara US$ 550 milhões.

Ao condená-lo a pena tão alta, Wood deu três razões: 1) O senhor não precisava de tanto dinheiro. 2) O senhor permitiu que o apresentassem como um exemplo para a comunidade. 3) O senhor não quis colaborar com a promotoria.

Milken mudou de ideia, ajudou o Ministério Público, teve a pena reduzida para dois anos e tornou-se filantropo.

Em 1993, a juíza esteve a um passo de ser nomeada procuradora-geral dos Estados Unidos. Seu nome saiu da lista quando se descobriu que tivera uma imigrante sem documentação como diarista. À época em que contratara a moça, isso não era ilegal, mas Kimba Wood caíra no item 2 de seu raciocínio. Serviço: A preciosa sentença da juiza está na rede.

PanAmericano

Há alguns meses, surgiu a possibilidade de uma colaboração dos diretores do banco PanAmericano com a Viúva. Não andou muito. Com 22 indiciados e o destino da cúpula do Banco Rural, a conversa poderá ser retomada, em outros termos.

IDC

Pelo andar da carruagem do julgamento do mensalão, grandes empresas, bancos, partidos políticos e órgãos públicos deveriam criar uma nova função: o IDC. Seria um funcionário (não precisa ser diretor) encarregado de dizer uma só frase: “Isso dá cadeia”.

Aviso amigo

O repórter Rafael Gomide teve acesso ao relatório de 28 páginas sobre as condições de segurança da Biblioteca Nacional. Nele, listam-se casos de hidrantes bloqueados, escadas obstruídas, portas de escape magneticamente fechadas e gambiarras no sistema elétrico. A Biblioteca Nacional fica perto do Museu de Arte Moderna, onde, em 1978, um incêndio provocou o maior desastre cultural da História do país. O fogo levou 90% do acervo, inclusive uma retrospectiva do artista uruguaio Joaquin Torres Garcia, quase toda de madeira. À época, a direção do museu disse que ele era seguro, pois o eletricista “não deixava fios desencapados”. A BN informa que investiu R$ 1,2 milhão num sistema de detecção de alarme. Em 2011, os doutores gastaram cerca de R$ 1 milhão na organização de exposições e eventos.

Madame Natasha

Madame Natasha adora o termo “periguete”, encantou-se por Suelen e agradece ao Padre Eterno porque o julgamento do mensalão e Avenida Brasil são transmitidos em horários diferentes. Ela acredita que o ministro Luiz Fux enriqueceu o vocabulário político nacional ao criar o conceito de “gestão tenebrosa”.
A senhora horroriza-se quando ouve a expressão “operadores do Direito”. Seu medo é que a chamem de operadora do idioma.

Pronada


Nos próximos quatro domingos, o signatário implementará um projeto piloto do PAC, o Pronada, iniciativa destinada a incentivar o ócio. Será a única obra do PAC plenamente concluída em apenas um mês.

A madrinha do inferno - MAC MARGOLIS


O Estado de S.Paulo - 09/09


Baixinha e rechonchuda, ela parecia uma avó modelo. Mas ninguém chamava Griselda Blanco de vovozinha. A colombiana de 69 anos fez sua fama - e fortuna - tramando crimes hediondos, de sequestro e tráfico internacional de drogas a homicídios em série. Sua especialidade: encomendar assassinatos para pistoleiros de aluguel que executavam o serviço de motocicleta. Nesse caminho, ela fez inimigos e, pelo jeito, um deles a alcançou esta semana nas ruas de Medellín.

Na semana passada, Griselda fazia compras em um açougue da cidade quando um motoqueiro se aproximou, sacou uma pistola de calibre grosso e disparou duas vezes, à queima-roupa, contra sua cabeça. Uma ex-nora que a acompanhava e testemunhou o crime saiu ilesa, deixando apenas uma Bíblia no peito da vítima, já sem vida na calçada. Não se sabe que fim levou a última compra da criminosa: R$ 300 em carne de primeira.

Griselda morreu assim como viveu. Uma rara matriarca no universo machão latino-americano da droga, ela já era conhecida como narcotraficante de gabarito quando Pablo Escobar ainda roubava carros nas ruas de Medellín. De trombadinha, virou garota de programa, assaltante e, depois, tornou -se a "Madrinha da Cocaína" quando a mercadoria colombiana ainda estreava nos mercados globais. Tinha 1,5 metro de altura, um pouco mais com a cabeleira de salão, mas era tão cruel quanto qualquer capo da coca. Agentes federais americanos atribuem a ela 40 homicídios, enquanto fontes não oficiais falam em 250.

Griselda sobreviveu a três maridos, todos mortos em disputas de drogas, um deles - reza a lenda colombiana - por sua própria mão. Após um desentendimento nos negócios, ela teria sacado uma pistola de sua bota e o matado com um disparo na cara. Seu apelido era "Viúva Negra" e, ao seu filho caçula, ela deu o nome de Michael Corleone, em homenagem ao personagem mafioso herdeiro da Cosa Nostra nos EUA, no livro e nos filmes O Poderoso Chefão.

Com o tempo, é claro, a fama de Griselda também atraiu os olhares de cineastas, que a tornaram protagonista de dois documentários badalados, a série Cocaine Cowboys, da dupla Billy Corben e Alfred Spellman. O astro de Hollywood Mark Wahlberg está filmando uma versão romanceada da vida da criminosa para o cinemão, com Jennifer Lopez cotada para o papel de Griselda.

No fim dos anos 70, ela mudou-se para Miami, onde ergueu uma dinastia do crime, com 1,5 mil traficantes e movimentação de mais de 3 toneladas de cocaína ao ano. Coroava seu reinado com festas decadentes e violência cinematográfica. Usuários e traficantes caloteiros morriam sem misericórdia. Seu golpe mais dramático foi um ataque à luz do dia, em 1979, em um shopping de Dadeland, subúrbio de Miami. Morreram metralhados três traficantes rivais.

Presa em 1985, ela foi condenada a mais de 50 anos de prisão nos EUA, mas, numa trapalhada dos promotores, cumpriu 19 anos e foi deportada para Colômbia em 2004. De volta a Medellín, tentou se refazer, mas, para a confraria da droga, seus crimes jamais prescreveram.

A morte brutal de Griselda Blanco, porém, parece menos um sinal dos tempos do que uma relíquia de um pesadelo passado. Há duas décadas, traficantes arrogantes, como Griselda, em parceria com a narcoguerrilha, como as Farc, converteram cidades como Medellín e Cartagena em campos letais e a Colômbia em nação quase falida.

Os crimes violentos, como sequestro e homicídio, tiveram queda recorde. A guerrilha recuou e o país é a nova vedete da emergente América Latina. Sim, a cocaína ainda faz estragos e os cartéis deslocaram o tráfico e a violência para o México e a América Central. Mais difícil é imaginar outra madrinha do inferno, pelo menos fora do telão do Cineplex.

Roleta brasileira - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 09/09


Os brasileiros invadem Las Vegas na crise; excursões em nove parcelas têm jogatina, gelo do Titanic em museu, Celine Dion e sete shows do Cirque du Soleil

A aposentada Ana Maria Ferreira dos Santos, 70, pagou em nove prestações o pacote de R$ 4.000 para visitar Las Vegas, nos EUA. Com direito a uma visita de um dia ao Grand Canyon e um final de semana na Califórnia, é na cidade dos cassinos que ela vai passar mais tempo.

"Os hotéis são maravilhosos e posso gastar US$ 5 (R$ 10) em caça-níqueis para ficar um tempão jogando", explica ao repórter Raul Juste Lores. Ela viajou com outras seis amigas de Peruíbe, litoral sul de SP. É sua segunda visita a Vegas. Nessa, vai aproveitar para se encontrar com uma amiga de Minnesota que conhece só pelo Orkut.

Até 2010, os brasileiros não estavam nem entre os dez principais visitantes estrangeiros de Las Vegas. Eram menos de 50 mil por ano. Em 2011, foi o sexto maior grupo (133 mil). Las Vegas já é o quarto destino preferido de brasileiros nos EUA, depois de Miami, Orlando e Nova York. E o único desses sem voo direto.

"Estou tremendo até agora de emoção", ri a auditora federal Camila Bella, que assistiu na noite anterior ao show de Celine Dion no Caesars Vegas. Ela pagou US$ 250 (R$ 500) para se sentar perto do palco. Com o marido, o técnico da Petrobras Talles Faria, ela foi a quatro shows do Cirque du Soleil (há sete em cartaz permanentemente, em diferentes hotéis). "É entretenimento para adultos", diz Faria. "Vale voltar a cada dois anos."

A crise econômica mundial iniciada em 2008 afetou duramente o turismo em Las Vegas. A renda dos cassinos da cidade caiu ou ficou estagnada, e o empresariado local passou a promover mais o destino em países emergentes como Brasil e China.

Celebridades brasileiras, como Ana Maria Braga e Luciano Huck, propagandearam o destino. A apresentadora da TV Globo se vestiu de noiva para uma reportagem sobre casamentos na cidade, enquanto Huck se fantasiou de Elvis Presley. A estratégia deu resultado.

Os irmãos mineiros Flávia e Antonio Eduardo Pinto Coelho visitam a cidade pela primeira vez, em um pacote que incluiu também a Califórnia. Pagaram cada um US$ 460 (R$ 920) para viajar de helicóptero de Las Vegas até o Grand Canyon. Uma limusine foi pegá-los no hotel. "Viemos pelas compras e pelos shows. Não vamos jogar nada", diz Antonio, que é empresário. "Todas as pessoas comparam com Dubai. Acho aqui melhor."

Las Vegas também fatura com a vizinhança mais reprimida. É um dos raros lugares dos Estados Unidos onde pessoas podem andar com bebidas alcoólicas na mão e na rua sem precisar escondê-las com um pacote de papel ou saco plástico.

O fumo é liberado dentro de todos os cassinos. Vans circulam pela cidade com anúncios oferecendo "delivery" de garotas "direto no seu quarto". A cidade é considerada o maior polo de despedidas de solteiro e solteira do país.

"Nunca vi tanto brasileiro na cidade quanto no dia da última luta do Anderson Silva, em julho", recorda o agente de viagens Sandro de Paulo, há três anos em Las Vegas, que faz o turismo receptivo da empresa All Tour para grandes agências como CVC.

Ele diz que o novo turista brasileiro por lá tem entre 40 e 60 anos de idade, joga pouco ou quase ignora os cassinos, compra eletrônicos Apple e produtos esportivos em outlets e não perde Celine Dion e Cirque du Soleil. "Não interessa o valor do pacote, Celine e o Cirque são adorados por todas as classes."

Entre os dez países que mandam mais turistas a Las Vegas, os do Brasil são os que mais tempo passam na cidade -sete dias, em média. Gastam US$ 3.360 (R$ 6.720). Para 30% deles, é a primeira viagem internacional.

"O que o brasileiro mais quer é gente que ajude no aeroporto e no hotel que fale português", diz De Paulo. A rede de churrascarias Fogo de Chão, que abriu há seis meses uma filial em Las Vegas, levou o conceito à risca. Quase todos os garçons são brasileiros e até um mexicano fala português. O rodízio sai por US$ 26,50 (R$ 53, 50% ou R$ 46 a menos que em SP, onde custa R$ 99).

A imaginação para criar atrações é veloz. Mal terminada a Olimpíada de Londres, hotéis já anunciavam apresentações especiais com medalhistas americanos. Baladas nas maiores discotecas têm como anfitriões astros como Enrique Iglesias. Na semana passada, enquanto Jennifer Lopez promovia uma festa, o príncipe britânico Harry fazia farra noturna na piscina com amigos.

A arte do "name dropping", o vício de usar nomes de famosos para impressionar, é altamente explorada na cidade. Os maiores hotéis usam as grifes de chefs conhecidos como chamariz para seus restaurantes. Gordon Ramsay, famoso por um reality show, empresta seu nome a um restaurante do Paris Vegas, hotel famoso por sua réplica da Torre Eiffel na entrada. Dezenas de turistas franceses se hospedam lá, indiferentes ao pastiche da arquitetura francesa do lugar.

Até Claude Monet é comercializado no museu instalado no hotel Bellaggio, com algumas poucas obras menores, emprestadas pelo museu de Belas Artes de Boston. Há exposições mais escancaradamente caça-níqueis, como a das relíquias do Titanic. Por um ingresso de US$ 32 (R$ 64), o visitante pode ver porcelanas, roupas e móveis, que os organizadores juram que estavam no navio. Podem também tocar em um bloco de gelo com a temperatura e a espessura do iceberg que afundou o transatlântico, em 1912.

Em Vegas, turismo é consumo. O flanar pela cidade praticamente não existe. Há apenas duas grandes atrações gratuitas -a dança das fontes do hotel Bellaggio, onde as águas podem alcançar uma altura de 40 metros, ao som de Celine Dion, e o calçadão da rua Fremont, no centro velho de Vegas, que parece uma versão "high tech" do centrão paulistano. Ao lado de cassinos e lojinhas de 1,99, o maior telão LED do mundo serve como cobertura do calçadão. Nele são projetados shows de Bon Jovi e Queen -este é o "ano do rock em Las Vegas".

A maior atração da Fremont, no entanto, é paga: um cabo por onde os turistas são içados e vão de uma ponta a outra do calçadão, a 10 metros de altura, sob o telão iluminado. É uma espécie de tirolesa com muito neon. O programa de 30 segundos custa US$ 20 (R$ 40).

O objetivo dos principais hotéis da cidade é que o hóspede jamais tenha que sair dali e gaste a cada minuto da estadia. Além de vários cassinos e restaurantes, eles abrigam centros de convenções, diversos teatros e discotecas. Em média, têm de 3.000 a 4.000 quartos. No total, são 150 mil em toda a cidade (o Rio tem 28 mil). Não é tão difícil convencer os hóspedes a não se aventurar na rua. No verão, a temperatura média fica acima dos 40º C.

Sustentabilidade é palavra desconhecida. Borrifadores eletrônicos tentam dar umidade na porta dos hotéis para que, entre o percurso do táxi ao lobby, os hóspedes não se encharquem de suor. Ar condicionado e luz artificial ficam ligados o dia inteiro. Os cassinos jamais possuem janelas e vários têm um céu azul e nuvenzinhas brancas pintadas no teto. Para eles, é melhor que os jogadores percam qualquer noção do tempo -e da realidade.

Edilson - LUIZ FERNANDO VERISSIMO

O GLOBO - 09/09


O prêmio de melhor slogan eleitoral até agora vai para um candidato a vereador em Nova Iguaçu: “Edilson que o povo gosta”. Não sei qual é o sentimento real do povo em relação ao Edilson, mas isso não importa. O que interessa é que o trocadilho é bem bolado e o Edilson tem senso de humor, o que talvez ajude a ser vereador em Nova Iguaçu.

O Barack Obama bem que gostaria de ter uma frase sintética como a do Edilson para enfatizar sua principal virtude eleitoral, a simpatia. O sorriso de boca apertada do Mitt Romney não se compara ao largo sorriso do magrão. Mas boa parte do povo que gostava de Obama, pelo seu sorriso e pelo que ele representava de novo e promissor, está decepcionado com ele. O desafio para Obama é fazer a simpatia render até as eleições, resistindo à desilusão crescente.

Os republicanos estão repetindo a pergunta feita por Ronald Reagan ao eleitorado americano para derrotar os democratas e se eleger, anos atrás: está melhor hoje do que estava há quatro anos? Com recordes de desemprego e a economia  rastejando, a resposta óbvia parece ser “não”. O desempenho de Obama nestes quatro anos não foi tão ruim. Ele evitou que a crise dos bancos de 2008 fosse mais catastrófica do que foi, reergueu a indústria automobilística – com toneladas de dinheiro publico, é verdade, mas quem está se queixando? – e criou, aos trancos, um sistema universal de saúde apesar da reação dos lobis contrariados e de todo o rancor da direita. Mas a economia insistiu em não colaborar. E é disto que o povo não gosta.

O tom da convenção recém-encerrada do Partido Democrata foi: vamos dar mais quatro anos para o homem cumprir sua promessa. Mais uma chance ao sorriso, ele merece. Eu vou prestar atenção na eleição para vereadores em Nova Iguaçu, para saber o resultado do divertido slogan do Edilson. E em novembro vou torcer pelo Baraca. Ele pode não ser o prometido, mas a alternativa é muito pior. 

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV


7h - Paraolimpíada, SporTV 2

8h - Mundial de motocross, etapa da Itália, Bandsports

9h - GP da Itália, F-1, Globo

11h - Volta da Espanha, ciclismo, ESPN

12h - Paraolimpíada, futebol de 7 (final), SporTV 2

13h - Final, Paulista fem. de handebol, ESPN Brasil

13h - Bauru x AABB, Liga paulista de futsal, SporTV

13h - F-Truck, etapa de Buenos Aires, Band

14h -Tennessee Titans x New England Patriots, futebol americano, Esporte Interativo

14h - Chicago Bears x Indianapolis Colts, futebol americano, ESPN +

15h30 - Santos x São Paulo, Brasileiro, Band e Globo (para SP)

15h30 - Internacional x Fluminense, Band e Globo (menos SP)

16h - Clermont x Racing, rúgbi, Bandsports

16h30 - Paraolimpíada, cerimônia de encerramento, SporTV 3

17h30 - Aberto dos EUA (final masc.), tênis, ESPN, ESPN + e SporTV 2

18h30 - Atlético-MG x Palmeiras, Brasileiro, SporTV (menos MG)

20h15 - River Plate x Newell's Old Boys, Argentino, Fox Sports

21h15 - Denver Broncos x Pittsburgh Steelers, futebol americano, ESPN, ESPN + e Esporte Interativo

A sucessão no Supremo - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 09/09


Com a aposentadoria do ministro Cezar Peluso, a presidente Dilma Rousseff indicará outro ministro para o Supremo Tribunal Federal (STF). Será o terceiro por ela escolhido - os outros dois foram Luiz Fux e Rosa Weber, nomeados em 2011. Como o presidente da Corte, ministro Ayres Britto, completa 70 anos em novembro e o decano do STF, Celso de Mello, anunciou que se aposentará em 2013, Dilma ainda escolherá mais dois nomes.

Assim, quando terminar seu mandato, ela terá indicado cinco ministros. Em seus dois mandatos, o presidente Lula indicou oito. Na vigência do regime democrático, nenhum outro presidente teve possibilidade de influir tanto na linha doutrinária do STF quanto Lula e Dilma. Os dois ministros já indicados por Dilma - Fux e Weber - pertenciam ao Superior Tribunal de Justiça e ao Tribunal Superior do Trabalho, respectivamente. Já Lula não obedeceu a qualquer critério coerente, ora recompensando nomes sem expressão, que eram amigos da família de sua mulher ou advogados que trabalharam para o PT, ora seguindo estratégias de marketing "politicamente correto".

Nos países com sólida tradição judicial, os ministros de uma corte suprema são escolhidos entre grandes juristas e advogados respeitados. Raras vezes se viram, nesses países, escolhas ditadas por critérios partidários, interesses corporativos e, muito menos, estratégias de marketing. No Brasil, manda a Constituição que os ministros do STF sejam indicados pelo presidente da República e tenham reputação ilibada e saber jurídico. Depois de sabatinados pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, devem ser aprovados pela maioria absoluta dos senadores.

Na última década, como pairavam dúvidas sobre o "saber jurídico" de alguns ministros indicados por Lula, surgiram propostas para mudar os critérios de escolha. Entidades de magistrados defenderam um número maior de juízes de carreira no STF. Entidades de advogados sugeriram o nome de criminalistas que defendem políticos em ações propostas pelo Ministério Público. Entidades da sociedade civil propuseram a indicação de advogados de ONGs. E houve quem defendesse que tribunais, Ministério Público e OAB tivessem o direito de indicar, cada um, dois candidatos a cada vaga, cabendo ao STF escolher um deles. Comparado com tais propostas, o sistema de escolha vigente é, de longe, o melhor.

Em 2011, o ministro Marco Aurélio Mello advertiu Dilma para o risco de nomear mais "magistrados despreparados" e mais "advogados da União", que "não fazem sombra" aos ministros "mais destacados" da Corte. Marco Aurélio não citou nomes, mas traçou o perfil de cada um deles, o que gerou constrangimentos internos no STF. Agora, o ministro Joaquim Barbosa, que será o próximo presidente da Corte, quer interferir na escolha do substituto de Peluso, entregando a Dilma uma lista de nomes que, segundo ele, não têm ligações nem com "o mundinho de Brasília" nem com grandes escritórios.

No Legislativo, tramitam várias Propostas de Emenda Constitucional (PEC) que mudam os critérios de escolha dos ministros do STF. A Câmara escolheu a PEC 434, apresentada pelo deputado Vieira da Cunha (PDT/RS), anexou as demais e submeteu o texto às comissões técnicas. Mas essa PEC, preparada pela Associação dos Magistrados Brasileiros, prima pelo corporativismo. Sob a justificativa de reduzir influências políticas na indicação de ministros do STF, ela limita o campo de escolha do presidente da República, reservando um terço das vagas para juízes, e proíbe a indicação de quem, nos três anos anteriores, exerceu cargo eletivo, foi ministro de Estado, procurador-geral da República ou teve cargo de confiança nos Três Poderes.

Todas essas propostas esbarram num problema: elas não consideram que o STF, por ter a última palavra em matéria de controle de constitucionalidade das leis, não é um tribunal qualquer, mas uma instituição política no sentido mais amplo da expressão. Inspirado no modelo americano, o atual sistema de escolha de ministros do STF é adequado - desde que, evidentemente, o presidente da República indique juristas consagrados, capazes de dar ao STF coerência doutrinária. É sobre isso que Dilma tem de refletir ao preencher as vagas abertas no STF.

O verdadeiro gargalo de engenheiros - FERNANDO PAIXÃO e MARCELO KNOBEL

FOLHA DE SP 09/09



Abrir mais vagas não adianta, nossos alunos têm limitações. A maioria não tem habilidades mínimas em matemática. O resultado é a evasão dos cursos



Entre as questões em debate em educação, destaca-se hoje a quantidade de profissionais em áreas de ciência e tecnologia.

Muitos propõem formar mais engenheiros e mais professores de química e física criando vagas no ensino superior para essas carreiras.

Essas propostas são importantes, mas não levam em consideração limitações dos alunos.

O que de fato limita a qualidade e o número de formandos nas áreas de ciências exatas e tecnológicas? Dados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) apontam que a maior restrição está no número de jovens com habilidades mínimas em matemática.

Os resultados de avaliações internacionais tendem a repercutir entre nós apenas pela constatação de que estamos nas últimas colocações. Mas o Pisa vai muito além: fornece dados valiosos sobre o desempenho dos jovens de 15 anos.

O exame de 2009 foi feito por aproximadamente 470 mil alunos de 15 anos pelo mundo. A amostra representa 26 milhões de alunos de 65 países. Cada exame avalia três áreas -leitura, matemática e ciências- e estabelece seis níveis de competência.

Para uma ideia do que significa um aluno estar em cada um desses níveis (ou abaixo de todos), veja ao lado exemplos de questões similares às aplicadas em matemática.

Os dados mostram que 88,1% dos alunos não chegam ao nível 3 -não sabem, portanto, ler gráficos. Além disso, 96,1% não conseguem explicar o que ocorre numa troca de moeda se a taxa mudar. Mais do que impossibilitados de estudar economia, poderiam ser enganados com facilidade em qualquer outro país.

A distribuição limita o percentual dos nossos jovens em áreas que exijam competências mínimas em matemática, classificados do nível quatro para melhor. Só 3,8% dos participantes brasileiros do Pisa alcançaram esse desempenho.

Considerando que a população de jovens com 15 anos no Brasil é de aproximadamente 3,2 milhões, teríamos, no máximo, cerca de 122 mil jovens aptos para às carreiras de exatas. Esse número ainda cai no final do ensino médio, porque evidentemente há estudantes com habilidades mínimas que optam por outras carreiras profissionais.

Em 2011, o Ministério da Educação anunciou que dobraria as vagas de engenharia. Mas, em 2009, os 1.500 cursos existentes ofereciam 150 mil vagas ao ano, tinham 300 mil matriculados (embora as vagas permitissem até 750 mil, já que o curso dura cinco anos) e formaram 30 mil.

Uma alta evasão, para a qual contribui o déficit de habilidade matemática que o Pisa evidencia. Com conhecimentos tão pequenos de matemática, não surpreende que os alunos tenham dificuldades já no ensino médio. Um exemplo: para acompanhar gráficos nas aulas de física.

A Austrália tem 38,1% dos seus alunos no nível quatro ou superior na avaliação de matemática do Pisa; o Canadá, 43,3%; a Coreia do Sul, 51,8%. O Brasil tem 3,8%. Esses países têm proporcionalmente pelo menos dez vezes mais alunos aptos para as áreas de exatas e tecnológicas. Mesmo com uma população bem menor, a Coreia pode formar muito mais engenheiros do que nós.

A política educacional dos últimos 20 anos tem sido colocar os alunos na escola, uma etapa importante. Hoje, o desafio é melhorar, e muito, a qualidade do ensino fundamental. No momento em que se discute um novo Plano Nacional de Educação, deveríamos propor ações concretas para atacar a raiz do problema.

CLAUDIO HUMBERTO

“...Um verdadeiro núcleo criminoso”
Ministro Celso de Mello (STF) definindo a cúpula dirigente do Banco Rural


BILHETE DE DILMA FOI UMA “EVASÃO” DE PRIVACIDADE

O silêncio do Planalto confirma a suspeita de que a presidente Dilma exibiu de propósito o bilhete com a suposta bronca nas ministras Izabel Teixeira (Meio Ambiente) e Ideli Salvatti (articulação), interpelando-as sobre o acordo para votar o Código Florestal, esperando ser fotografado. O teatrinho foi uma forma de insinuar aos ambientalistas que o acordo foi feito à sua revelia. Autêntica “evasão” de privacidade.

CONTINUOU VALENDO

Reforça a suspeita de “armação” o fato de Dilma, apesar do bilhete ameaçador, não haver anulado o acordo em torno do Código Florestal.

LOROTA

O bilhete que Dilma convenientemente expôs às lentes tem um problema: no governo, ninguém ousa fechar acordos sem seu OK.

PROFISSIONALISMO

Os fotógrafos que flagraram o bilhete de Dilma registraram o fato, mas nada têm a ver com a armação ilimitada do Palácio do Planalto.

FALTOU REVISÃO

Para a próxima, Dilma já prometeu submeter a revisão os bilhetes a serem “flagrados”, para não voltar a cometer erros gramaticais.

AGRESSÃO RACISTA REVELA NEPOTISMO NA ANTT

Uma denúncia de racismo na Agência Nacional de Transportes Terrestres flagrou um caso de nepotismo: acusada de chamar uma estagiária de “macaca”, Clenilma Borges Santiago é parente da coordenadora-geral da Gerência de Transporte Fretado de Passageiros, onde aconteceu o caso, e talvez por isso não tema represálias. “Sabemos que há uma relação entre elas [chefe e agressora]”, admitiu a assessoria da ANTT.

O ATAQUE

Ao reclamar do serviço, Clenilma Santiago disse: “Alguém segura essa macaca? Olha o tanto de serviço que ela jogou na minha mesa”.

CONSTRANGIMENTO

Luana Santos Conceição, 20, vítima de racismo, contou: “Fiquei tão constrangida que não consegui continuar o meu trabalho direito”.

POLICIA INVESTIGA

A Policia Civil do DF confirmou que Clenilma Santiago foi indiciada por injúria racial e que as investigações seguem normalmente.

MT: CAOS NA SAÚDE

O governador do Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), enfrenta greve na Saúde. Os hospitais referências de Sorriso e Colíder cancelaram as cirurgias por falta de pacotes esterilizados. A Secretaria de Saúde deixou acumular uma dívida milionária junto a fornecedores. 

JUCÁ NA MESA

Se depender do líder do PMDB, Renan Calheiros, o senador Romero Jucá (RR) deve ocupar a segunda vice-presidência do Senado, a partir de 2013. O cargo, como a presidência, deve ser ocupado pelo PMDB.

MANÉ INSPECIONADO

A Fifa e o Comitê Organizador da Copa do Mundo 2014 vão inspecionar neste domingo as obras do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, que já estão 72% concluídas. A comitiva soma 70 pessoas.

DUAS MEDIDAS

Relator de projeto que pune empresas corruptoras, Carlos Zarattini (PT-SP) não acha que penas deveriam ser aplicadas no caso de João Paulo Cunha: “Não teve corrupção, é uma injustiça grande”.

BECO SEM SAÍDA

Juristas acreditam ser inevitável a cassação do mandato do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), condenado no Supremo por envolvimento no mensalão. O artigo 55 da Constituição determina a pena em caso de “condenação criminal em sentença transitada em julgado”.

EXÉRCITO ELEITORAL

Para Vieira da Cunha (PDT-RS), a candidatura de José Fortunati a prefeito de Porto Alegre vai arrancar na reta final com seu “exército” de 250 candidatos a vereador: “Vamos tomar as ruas”, prevê. 

CANDIDATO ÚNICO

Líder do PCdoB, Luciana Santos (PE) afirmou que até agora apenas o deputado Henrique Alves (PMDB-RN) pediu apoio na disputa pela presidência da Câmara: “Eduardo Campos ainda não fala nisso”.

ESPERANÇA

A deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) ainda acredita que a presidente Dilma vai interferir junto ao vice Michel Temer para que ela seja indicada à liderança do PMDB, em substituição a Henrique Alves. 

PENSANDO BEM...

Pelo visto na campanha eleitoral deste ano, eleitores que se acham muito vivos serão outra vez governados por políticos ainda mais vivos. 

PODER SEM PUDOR

EM PÉ OU DEITADO

O general Ernesto Geisel baixou o Pacote de Abril de 1977, que instituiu a Lei Falcão e o senador biônico. Na Câmara amordaçada, o deputado Francisco Studart, do MDB, encontrou, conversando, os colegas Marco Maciel, governista que era o presidente da Casa, e Célio Borja, ex-presidente. Studart perdeu a linha, mas não a piada, da qual depois se penitenciaria:

- Tínhamos o Célio, um presidente de metro e meio, mas de pé. Hoje, temos Marco Maciel, um presidente de metro e oitenta, mas deitado...

DOMINGO NOS JORNAIS


Globo: Eleições 2012: Câmaras custam R$ 9,5 bi e não são transparentes
Folha: Para Fazenda, tarifa de luz menor deve frear inflação
Estadão: Orçamento prevê mais 61 mil funcionários públicos em 2013
Correio: Políticos agora querem fugir do foro privilegiado
Zero Hora: Vagas e bons salários em profissões técnicas
Estado de Minas: Ainda somos o País da inflação
Jornal do Commercio: Livre escolha para morrer

sábado, setembro 08, 2012

Câncer é cultura - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 08/09

sce o clima de apreensão entre artistas e produtores culturais com o silêncio da Casa Civil de Dilma em relação à MP 563 recém-aprovada.
É aquela que permite que recursos destinados à cultura pela Lei Rouanet possam ser utilizados para projetos de pesquisas médicas, notadamente sobre câncer.

Conflito
O ator e produtor Odilon Wagner espera que Dilma evite "um conflito entre dois setores tão importantes da sociedade disputando o mesmo dinheiro"
Ele argumenta que incentivos para pesquisas médicas se encaixam melhor na área de ciência e tecnologia. Tem razão.

Parto normal

Os ministérios da Saúde e da Educação vão investir suas fichas em um programa de incentivo ao parto normal na rede pública.
Lançam semana que vem um programa nacional de residência para formar enfermeiros especializados em obstetrícia. Eles ganharão uma bolsa mensal no valor de R$ 2.384,82.

Agora é oficial
Triângulo do Sudeste.
Dilma estreia estes dias nos programas eleitorais de Fernando Haddad, Eduardo Paes e Patrus Ananias.

Bênça, padrinho!
Fernando Henrique Cardoso está apadrinhando uma nova frente pela descriminalização do uso de drogas e regulação da maconha medicinal e do autocultivo, que será lançada dia 18 agora.
É a Rede Pense Livre, por uma política de drogas que funcione. Entre os membros, o empresário Carlos Jereissati Filho, a cineasta Júlia Bacha e ajornalista Mônica Cavalcanti.

PENELOPE CHARMOSAPenelope (assim mesmo sem acento) é nome de filme, de perfume e também é uma personagem da série Hanna Barbera. Além de tudo é um gênero de aves craciformes que inclui esta belezura da foto, a jacupemba, que ilustra a coluna porque hoje é sábado. Esta vive numa comunidade de umas 300 jacupembas no Sítio Santo Antônio, na cidade fluminense de Pedro do Rio, onde são tratadas a pão de ló. Que Deus proteja esta jacupemba e a nós não desampare jamais 

Não há dia fácil
Amanhã, o famoso programa de TV "60 minutes’,’ nos EUA, vai entrevistar o líder da tropa de elite americana que, sob o pseudônimo de Mark Owen, revelou detalhes da operação que matou Bin Laden, no livro "Não há dia fácil” primeiro lugar na lista de mais vendidos da Amazon.com.
No Brasil, o livro da Companhia das Letras chega às livrarias terça, nos 11 anos dos atentados às Torres Gêmeas.

Partido pornográfico Teve gente que caiu na gargalhada quarta na Câmara dos Deputados quando o deputado paranaense Fernando Franceschini, líder deste novo Partido Ecológico da Nação (PEN), anunciou solenemente no microfone:
— O PEN entra em obstrução! Em Frei Paulo isto quer dizer... deixa pra lá.

Javanês em francês
A obra do nosso escritor Lima Barreto (1881-1922) está na moda e não somente no Brasil.
Em outubro, sai na França um livro de contos: "L'homme qui parlait javanais & autre contes” ("O homem que sabia javanês e outros contos”). A editora é a Chandeigne. A obra sairá em edição bilíngue, francês-português.
Viva o Lima, viva o Brasil!

Divina Cleo
A imortal Cleonice Berardinelli, de 96 anos, pôs um ponto final em seu novo livro: "Fernando Pessoa — Antologia poética’!
Trata-se da mais completa coletânea de poesias do escritor português já feita no Brasil. A obra chega às lojas no final deste mês, pela Editora Casa da Palavra.

Ponte na Barra
Além do Museu do Amanhã, o premiado arquiteto espanhol Santiago Calatrava fará o projeto de uma ponte do metrô sobre o Canal da Barra, que ligará o túnel à estação do Jardim Oceânico.
O arquiteto virá ao Rio dia 24 para apresentar o projeto a Cabral e Paes.

Arôxa na Mocidade
Jaime Arôxa fará a coreografia da comissão de frente da Mocidade de Padre Miguel, que leva para a Sapucaí enredo sobre o Rock in Rio.

Diário da Justiça
Com base no voto do juiz Paulo Roberto Jangutta, a 3? Turma Recursal dos Juizados Especiais do Rio condenou a Clínica São Silvestre, de São Gonçalo, a indenizar Sandro Pereira em R$ 10 mil.
Em novembro, ele teve que pagar R$ 950 pelo parto de sua mulher pois informaram erradamente que o atendimento não seria coberto pelo SUS.

Capivaras
Quinta, o Aeroporto de Jacarepaguá teve que ficar fechado por um tempo.
Para os pilotos, o controlador avisava que estavam fazendo uma varredura na pista por causa da invasão de... capivaras na pista. A informação é de Genilson Araújo, o querido repórter aéreo.

Em eleição, vaca desconhece bezerro - LEONARDO CAVALCANTI

CORREIO BRAZILIENSE - 08/09

Na briga por votos, nem amores partidários legítimos resistem. Imagine então os pequenos flertes entre Dilma Rousseff e Fernando Henrique. Era mesmo uma relação fadada ao fracasso


Depois de longos meses de flertes e elogios rasgados, Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso se estranham e jogam para longe o que teóricos e incautos festejaram como um dos períodos mais saudáveis da nossa democracia. Um tempo em que um ex-presidente e uma presidente, de partidos adversários em todas as esferas eleitorais, trocavam gentilezas, em gestos e palavras.

Nada é para sempre, mas nesse caso — ou melhor, nessa relação enviesada entre uma petista e um tucano — havia prazo definido e anunciado para o fim. Um prazo de menos de dois anos, com o início da campanha municipal. Nela, refiro-me à briga por votos, nem amores partidários legítimos são capazes de resistir aos ataques combinados. O que vem a seguir são rancores e xingamentos.

O racha, como se sabe, começou por causa de um artigo escrito por Fernando Henrique e publicado no último domingo com o título Herança pesada. O ex-presidente tucano afirmou que o antecessor de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva, desperdiçou oportunidades econômicas e promoveu uma crise moral com o mensalão — o melhor mote para atacar e desestabilizar qualquer petista.

“O mensalão é outra dor de cabeça. De tal desvio de conduta a presidenta passou longe e continua se distanciando. Mas seu partido não tem jeito. Invoca a prática de um delito para encobertar outro: o dinheiro desviado seria ‘apenas’ para o caixa 2 eleitoral, como disse Lula em tenebrosa entrevista dada em Paris, versão recém-reiterada ao jornal The New York Times”.

A primeira reação de Dilma veio na segunda-feira, em nota oficial. Num texto duro, ela disse que não reconhecer os avanços do país nos últimos 10 anos “é uma tentativa menor de reescrever a história”. Na quinta-feira, durante pronunciamento no rádio e na TV, outro ataque. Sem citar Fernando Henrique, a presidente atacou as concessões da gestão tucana à iniciativa privada.

Símbolos

Os movimentos de Dilma contra a administração de Fernando Henrique são simbólicos por dois motivos caros ao PT. O primeiro é o mais óbvio e simples de explicar: os candidatos petistas correm cada vez mais o risco de se esborracharem nas urnas, perdendo espaço nas capitais e principalmente no Nordeste, onde — até as eleições passadas — residia grande parte da força de Lula.

Se a estratégia do PSDB e do DEM é levantar o mote do mensalão, é preciso que os petistas — entre eles, a própria Dilma — contra-ataquem. O problema é que, com as condenações confirmadas sessão a sessão no Supremo, defender mensaleiro ficou cada vez mais difícil. Assim, os petistas voltaram a bater nas privatizações tucanas e nos acertos dos programas sociais de Lula.

O segundo motivo é mais intricado. As duas ações da presidente contra Fernando Henrique em menos de uma semana foram oferecidas à plateia petista, dividida entre dilmistas e lulistas. Os ataques entre os dois grupos chegaram ao limite com a ausência de Lula na guerra travada entre o Planalto e os sindicatos e com a distância de Dilma na campanha de Fernando Haddad, em São Paulo.

A guerra entre dilmistas e lulistas ocorre por conta de uma acomodação de poder. Torcedores de Lula perderam acesso ao Palácio do Planalto e começaram a chiar. Com os índices de popularidade de Dilma, a chance de candidatura à reeleição torna-se cada vez mais próxima, o que escantearia ainda mais os lulistas do poder. Um quadro cada vez mais tenso, de vaca desconhecendo bezerro.

O movimento de Dilma é, assim, uma tentativa de acalmar os lulistas. Os camaradas não poderão dizer que ela aceitou calada as provocações de Fernando Henrique. Ao contrário, em vez de pedir a um ministro para bater boca com o tucano, soltou uma nota oficial, deixando claro que a maior autoridade do país defende o ex-presidente Lula. Mexeu com ele, mexeu com ela.

Inveja dos americanos! - TUTTY VASQUES


O Estado de S.Paulo - 08/09

O brasileiro atormentado pela busca de um mísero discurso articulado e convincente no horário de propaganda política na TV acordou ontem morrendo de inveja do eleitor americano. Dá gosto assistir o Obama pedindo voto, né não?

Você pode discordar de suas posições sobre a guerra, o aborto, o casamento gay, a morte do Bin Laden, a reforma do sistema de saúde ou o time de basquete favorito da NBA, mas quando ele fala em mudança, de esperança num "lugar melhor" - essas coisas que todo político arranha mal -, nem precisa saber inglês para sentir firmeza na visão de mundo do candidato.

Não é aquele super-herói todo que há quatro anos se imaginava, mas continua sendo o homem que, como dizia Paulinho da Viola, "vai encontrar um jeito de dar um jeito na situação" do planeta.

Te ocorre outro guia? Pode até existir alguém tão inteligente, gente boa e bem apanhado, porém tudo isso mais aquela família adorável, duvido!

Quase quatro anos governando uma superpotência de doidos, o cara não se deixou contaminar. Sua lucidez de campanha continua contagiante! Os americanos - ô, raça! - reclamam de barriga cheia da propaganda política na TV!


Bronca terapêutica

O torcedor brasileiro que foi ao Morumbi matar saudades da seleção já nem lembrava mais como faz bem ao fígado vaiar o escrete canarinho. Desopila geral!

Acesso ao consumo

O Brasil já é o segundo maior consumidor de cocaína do mundo! Isso quer dizer o seguinte: mal empinou o nariz, a nova classe média brasileira já está cheirando!

'Menos, mano!'

Marqueteiros de Celso Russomanno estão preocupados. Também, pudera! Mandar o Gilberto Kassab "enfiar o rabo entre as pernas", francamente, por muito menos a Marta Suplicy perdeu a eleição para prefeito em 2008.

Outra coisa

Os "bandidos de toga" estão em festa. O novo corregedor do Conselho Nacional de Justiça, ministro Francisco Falcão promete ser mais intolerante com os "vagabundos do Judiciário". São, como se sabe, categorias bem distintas do serviço público.

Última instância

Quando, afinal, o caso de Adriano vai a julgamento no STF? Imagina só um debate sobre o Imperador entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski. Imperdível!

Mau exemplo

A presidente Dilma deu um tapa no penteado para anunciar na TV que a conta de luz do brasileiro vai ficar 16,2% mais barata. Ou seja, já está gastando por conta.

Mulher-Rocha

Com os trabalhos suspensos até as eleições, a CPI do Cachoeira deixa como legado seu "Furacão" na capa da Playboy de setembro. Sobra na ex-assessora parlamentar Denise Rocha o que falta à maioria dos parlamentares no Congresso: peito!

O caso Fox - HÉLIO SCHWARTSMAN


FOLHA DE SP - 08/09


SÃO PAULO - Meu colega João Pereira Coutinho publicou na terça uma interessante coluna em que criticava o estilo tortuoso de muitos textos das ciências humanas. Como estou convencido de que mesmo ideias sutis podem ser expostas de forma clara, concordo com Coutinho em gênero, número e caso.

Receio, contudo, que ele tenha sido levemente injusto para com as humanidades. Não há dúvida de que elas abusam do jargão e da impenetrabilidade. Prova-o um célebre caso de 1996, em que o físico Alan Sokal, disposto a demonstrar a falta de rigor das ciências humanas, submeteu à revista "Social Text" um artigo-embuste que foi aceito e publicado. O texto era uma coleção de disparates em linguagem empolada, argumentando que a gravidade quântica é uma construção social e linguística. Diga-se em favor da "Social Text" que, à época, ela não contava com sistema de revisão por pares.

O problema é que esse tipo de coisa não é exclusividade das ciências humanas. Num experimento mais antigo e menos famoso, pesquisadores da Universidade da Califórnia criaram o Dr. Myron L. Fox.

Também era um engodo. Não existia nenhum Dr. Fox. Para representá-lo, contrataram um ator, Michael Fox, que deu uma aula sobre teoria dos jogos aplicada à educação médica. A exposição não tinha amparo na lógica. Eram frases de duplo sentido sobrepostas a contradições e palavras difíceis. Mas o ator tinha charme e dizia as bobagens com autoridade.

A plateia, composta por psiquiatras e psicólogos, não percebeu o logro. Na verdade, avaliou o desempenho do Dr. Fox muito positivamente. Vídeos da aula foram exibidos a outros públicos sempre com os mesmos níveis de sucesso.

Hoje, o caso Fox é usado em livros de psicologia para ilustrar as várias formas pelas quais nossos cérebros se deixam seduzir por elementos não racionais. O problema, no fundo, é a arquitetura de nossas mentes.