sexta-feira, janeiro 18, 2013

Nada a perder - DENISE ROTHENBURG


CORREIO BRAZILIENSE - 18/01


Foi-se o tempo em que os latino-americanos dedicavam tempo e dinheiro para a reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Desta vez, apenas Guatemala, Panamá e Costa Rica vão comparecer com seus chefes de Estado. Os demais têm outros afazeres em suas respectivas agendas de trabalho. Dilma Rousseff, por exemplo, ganha muito mais ficando por aqui, no tête-à-tête com empresários e banqueiros, do que se hospedando num lugar gelado para discutir as saídas da crise europeia.

Esta é a terceira vez que a presidente brasileira recusa um convite para o Fórum Econômico Mundial — que, sinceramente, é cada vez menos “mundial”, uma vez que a Ásia tem seu próprio evento, o Boao Fórum, no sul da China, e as ausências em Davos são cada vez maiores.

Em seu primeiro ano de governo, 2011, Dilma frustrou as expectativas entre o empresariado ao recusar o convite. Todos esperavam que ela aproveitaria o evento para expor os rumos e as eventuais mudanças na condução da economia. A presidente, entretanto, preferiu o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Para a Suíça, enviou um corpo técnico, capitaneado pelo chanceler Antônio Patriota, e pelos presidentes do Banco Central, Alexandre Tombini, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho.

No ano passado, foi a mesma coisa. Dilma ficou por aqui e enviou, além de Patriota, os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, e do Meio Ambiente, Izabella Texeira. A presença dos dois tinha um motivo estratégico: aproveitar o fórum para chamar a atenção em torno da Rio+20, a Conferência de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, de onde saiu um documento aquém das expectativas dos ambientalistas, mas altamente festejado como o início de uma conversa para o futuro.

A última vez que um presidente brasileiro pisou no fórum de Davos foi em 2007. Lula não compareceu aos demais eventos. Em 2010, estava tudo pronto para o embarque, mas o presidente teve uma indisposição que o obrigou a cancelar a viagem. Naquele ano, Lula receberia o prêmio “estadista global”. Chegou, inclusive, a preparar o discurso, que terminou lido pelo chanceler, à época Celso Amorim, atual ministro da Defesa. No texto lido pelo ministro, Lula frisou várias vezes que “a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Essa também é uma das melhores receitas para a paz. E aprendemos, no ano passado, que é também um poderoso escudo contra crise”.

Davos, realmente, perdeu substância na última década com o fortalecimento do G-20, o grupo das maiores economias do mundo. São nos encontros desse grupo, e não em Davos, que cada país expõe seus projetos. Dilma, por exemplo, com dois anos de governo, está rouca de tanto repetir que aperto demais não levará ao desenvolvimento. Tampouco a emissão de moeda, que incomoda as regiões do mundo que conseguem, a duras penas, obter algum progresso.

Dilma, atualmente, e Lula, há alguns anos, cansaram de repetir que o melhor mecanismo para desenvolvimento é o combate à pobreza. Mas é bem verdade que só é possível o governo ser bem-sucedido no combate à pobreza se houver inflação baixa. Há dois anos, aliás, essa era a grande preocupação dos economistas presentes ao fórum. Desta vez, a discussão será em torno de receitas para salvar a Zona do Euro, e as expectativas de uma solução são consideradas remotas entre diplomatas brasileiros.

Enquanto isso, no Brasil…

A inflação que tanto preocupava os europeus há dois anos, e nem tanto o nível dos reservatórios, parece ser mesmo o grande fantasma econômico deste início do ano. Mais do que o baixo crescimento, é a inflação que faz mais estragos políticos. Basta ver as senhoras e senhorinhas nos supermercados, reclamando dos preços. Para todo lado, é gente falando que a gasolina vai aumentar, que o preço do quilo da batata está nas alturas, e por aí vai. Definitivamente: Dilma fez bem em ficar por aqui e tratar de dedicar este início de ano a arrumar a casa e animar o empresariado. Tudo para ver se o samba de 2013 não começa atravessado.

Por falar em 2013…

Há nove anos, o PT fazia suas festas no Porcão, palco de arrecadação de fundos e até do aniversário de Delúbio Soares. Hoje, opta por uma concorrida galeteria, excelente e com preços mais modestos. É a lei do custo-benefício.

Crônicas do fim do mundo - FERNANDO GABEIRA

O ESTADÃO - 18/01


Feliz fim de mundo dizia a manchete do jornal venezuelano Tal Cual no dia de dezembro marcado para ser o último, com base no calendário maia. De certa forma, o mundo acabou e, de tão felizes, não nos demos conta.

Como baratas que sobrevivem ao inverno nuclear, o PMDB prepara-se para assumir o controle do Congresso Nacional. São os mesmos de sempre, como diz o personagem de Beckett ao perguntarem quem lhe deu uma surra na rua.

O calendário de Marco Maia terminou com uma ação importante: a compra de 1.500 iPads para os deputados. Medida econômica destinada a poupar montanhas de papel. Acontece que os iPads serão pregados nas mesas. É compreensível o medo de serem subtraídos. Tantos recursos, conhecimento e inovação foram gastos para criar uma tecnologia móvel e os deputados vão usá-la pregada. A esquerda no poder sempre pode argumentar: se a aristocracia reacionária pregou Cristo na cruz, qual o problema de pregar uma conquista tecnológica? O problema é que, se fizessem um aplicativo para celular, poderiam economizar os iPads, montanhas de papel e, naturalmente, os pregos. Todos os deputados têm celulares e do bolso dos assessores brotam celulares como dinheiro amassado do bolso dos bicheiros.

Do iPad vamos para o Photoshop. É um programa, com muitas funções, para tratar imagens. Com o Photoshop, os políticos sempre parecem mais novos do que sua idade real e as contas, mais arrumadinhas do que autoriza a crise real. Algumas rugas em forma de débito foram suprimidas. Dizem as notícias que as manobras feitas pelo governo para formalizar a maquiagem, mobilizando estatais e o BNDES, deram um prejuízo de R$ 4,7 bilhões, via mecanismo, forçado pela urgência, de comprar ações na alta e vendê-las na baixa.

Na energia, Edison Lobão é a cara do fim do mundo. Ele aconselhou a usar energia à vontade num momento em que os reservatórios estão baixos, as empresas hidrelétricas se desidratam na Bolsa e as térmicas a todo vapor emitem milhões de toneladas de gases de efeito estufa. Em todo o mundo, o conselho dos dirigentes é usar energia com critério e procurar economizá-la sempre que possível.

Lobão é generoso. Como Dilma, que nos promete uma redução de 20% na conta de luz, nesta conjuntura complicada. Como as térmicas encarecem a energia, a única saída será subsidiar uma parte da redução. Parte do que Dilma nos dá com toda a pompa devolvemos silenciosamente ao pagar a conta.

O sistema brasileiro é considerado bom por muitos analistas do setor. Precisa de investimento e gestão. Hidrelétrica fechada há quase 20 anos e central eólica funcionando sem linhas de transmissão para distribuir a energia são sinais de desgoverno. Costumo dizer que Barack Obama escolheu um Prêmio Nobel de Física para a pasta de Energia; quis o destino, graças à coligação vitoriosa, que nosso ministro fosse Lobão. Os vitoriosos impõem-nos condições constrangedoras. No passado, decisões brasileiras com repercussão continental eram pelo menos comunicadas às Comissões de Relações Exteriores do Congresso. Em alguns casos, falava-se até com a oposição.

A Venezuela está sendo governada por aparelhos. Eles são o vínculo de Hugo Chávez com a vida. Os chavistas poderiam respeitar a Constituição e eleger Nicolás Maduro dentro de um mês. Resolveram suprimir esse caminho, afirmando ser apenas uma formalidade constitucional.

Um assessor especial brasileiro viaja para Havana, discute com cubanos e venezuelanos e afirma: a posição do Brasil é apoiar o adiamento das eleições na Venezuela. Os vitoriosos não deveriam poder tudo. A política externa do Brasil não precisa coincidir totalmente com a do PT. Ela é o resultado de um pacto com a maioria que elegeu Dilma. E quando se trata de decisão de peso é preciso ao menos comunicar à oposição.

Marco Aurélio Garcia encarnou o PT, o governo e o Brasil. Que viagem! Enquanto espera as malas na esteira, proclama: a posição do Brasil é pelo adiamento das eleições na Venezuela.

Com o esfacelamento da oposição, os vitoriosos deixaram de fazer política. Desfilam solitários. Um partido substitui o País, que, por sua vez, é substituído por um assessor especial.

Na crise energética de 2001, fazíamos comissões, íamos ao Planalto, chamávamos o Pedro Parente, responsável pela gestão do problema, ao Congresso. Hoje está tudo morto por lá. E o PMDB prepara-se para roer os escombros. Esses dois momentos em que um setor vital como a energia invade a agenda revelam a devastadora decadência da política no Brasil.

Aos vencedores, as baratas. Pena que a paisagem na oposição seja também tão desoladora. O calor do debate político poderia levar-nos a pensar numa alternativa para tudo isso. A alternativa não é fácil. Os grandes partidos da oposição parecem não se interessar por ela. No mínimo, estariam se reunindo, discutindo os temas, lançando notas sobre a energia, a posição do Brasil nas eleições da Venezuela, a maquiagem das contas públicas.

Se a imprensa se tornou o único setor que questiona tudo isso, melhor talvez fosse distribuir os iPads aos repórteres. De que vale ser eleito como oposição e não realizar a tarefa?

Um certo mundo acabou. Ainda não apareceram aquelas brumas do amanhecer nos rios do Pantanal. Elas nos dão a ilusão de uma nova gênese, um outro mundo despontando gradualmente da névoa. Não espero nenhum paraíso. É pedir muito que o Brasil tenha um ministro da Energia à altura da importância do tema, que a política externa seja mais democraticamente exercida, que as contas públicas não sejam maquiadas? E que o Congresso funcione, a oposição se oponha?

Começam pregando iPads, daqui a pouco vão comprar aviões para a linha de ônibus Madureira-Central do Brasil, desativando sua capacidade de decolar. Começam com o ministro da Energia estimulando o consumo e, daqui a pouco, o da Saúde aconselhará a fumar.

O mundo acabou de certa forma. De tão felizes, não percebemos que está de pernas para o ar.

Vaquinha petista - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 18/01


Juntos, os 25 réus condenados pelo mensalão terão que pagar uma multa de mais de R$ 22 milhões, a preços de 2003 a 2005 que serão ainda atualizados pela inflação. A cúpula do PT condenada no processo deve junta cerca de R$ 1,8 milhão de multas, assim distribuídos: José Dirceu, R$ 676 mil; José Genoino, R$ 468 mil; Delúbio Soares, R$ 325 mil; e João Paulo Cunha, R$ 370 mil. Um grupo de militantes denominado Juventude Petista do DF, que tem Delúbio como mentor (não é ironia, é verdade), começou ontem à noite, com um jantar em uma galeteria brasiliense, com convites que variavam de R$ 100 a R$ 1.000, movimento para angariar doações a fim de ajudar a pagar essas multas.

E uma solidariedade partidária que seria natural, não fossem as acusações contra esse grupo de petistas condenados. A "juventude petista" se mobilizar, assim como alguns petistas de grosso calibre, como o governador de Sergipe, Marcelo Deda, dá a manifestações como essa, que pretendem replicar pelo país, tom de apoio oficial aos condenados.

O PT não apenas não fez autocrítica como continua apoiando os condenados no processo do mensalão. É uma atitude meramente política, para tentar dar a impressão de que houve um julgamento parcial, de exceção. O PT faria melhor se tratasse de sua vida esquecendo esse episódio, que só faz marcá-lo negativamente. Ao contrário, sua atitude aprofunda essa ligação com os condenados e com os próprios crimes cometidos no mensalão.

É um absurdo que o PT como partido incorpore essas práticas criminosas de fazer política com o apoio tácito aos condenados. O PT perde a cada dia a oportunidade de se refundar, embora alguns petistas importantes como o governador Tarso Genro, do Rio Grande do Sul, defendam essa necessidade, e não é de hoje. Mas não é esse o espírito geral do partido, que continua dominado pelo grupo do ex-ministro José Dirceu, considerado "o chefe do esquema criminoso" e condenado por formação de quadrilha e corrupção ativa pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Essas atitudes refletem uma realidade política: o partido continua nas mãos daquela cúpula que foi condenada no processo do mensalão. O triste papel dessa "juventude petista" repete a atuação de entidades estudantis chapas-brancas como a União Nacional dos Estudantes (UNE), que desde a chegada do PT ao poder apoia os projetos do Palácio do Planalto, em troca de benesses variadas, entre as quais uma verba de R$ 40 milhões para a construção de uma nova sede na Praia do Flamengo, no Rio. Vários desses "benefícios" oficiais estão sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU).

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, integra uma corrente minoritária no PT, Mensagem ao Partido, que tem em torno de 40% dos delegados, e quer que o partido passe por uma "profunda renovação", de métodos e de práticas políticas. Genro faz todas as ressalvas do mundo sobre o julgamento, critica a utilização da tese do "domínio do fato" para a condenação de José Dirceu, mas alerta: "Tendo ocorrido ilícitos penais ou não, os métodos de composição de maiorias e de formação de alianças que nós utilizamos foram os mesmos métodos tradicionais que os partidos que nós criticávamos adotavam."

Esses "métodos tradicionais" herdados da República Velha teriam que ser substituídos, e o governador do Rio Grande do Sul diz que a maneira como Dirceu está enfrentando a condenação "é equivocada" porque "tende a estabelecer uma identidade dos problemas que ele está enfrentando com o problema do PT, com o conjunto, e trazendo para a sua defesa o partido como instituição". Essa "identidade forçada dele em conjunto com o partido" é uma coisa "que não existe’^ afirma Genro.

Exista ou não, o fato é que o partido é dominado pela facção Construindo um Novo Brasil, que une Lula e José Dirceu, e não tem o menor pudor de defender os condenados pelo mensalão, uma mácula permanente na história do Partido dos Trabalhadores.

O rei - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 18/01


BRASÍLIA - Chega a ser patética a foto de Lula no gabinete do prefeito de São Paulo, sentado entre Fernando Haddad e a vice Nádia Campeão, dando ordens, mostrando quem é o chefe. Pobre Haddad.

Não satisfeito em impor seus candidatos à Presidência e à Prefeitura de São Paulo, não satisfeito com as duas vitórias espetaculares e não satisfeito com a percepção geral sobre quem manda e quem obedece, Lula quer mais: quer oficializar publicamente a tutela dos pupilos.

Chegou de férias num dia, assumiu a prefeitura no dia seguinte e já determinou que a prioridade é conter as enchentes e as chacinas na capital. Os efeitos no marketing e na popularidade são muito danosos...

Reduzido a pau-mandado, Haddad não vai poder reclamar quando os secretários despacharem diretamente com Lula, assim como os ministros de Dilma fazem fila na porta dele quando realmente importa.

Lula tenta se apossar, na prática, do mandato da sucessora, que sofre críticas (pibinho, inflação, temor de racionamento e maquiagem de números oficiais). Ela reage. Convocou pesos-pesados da indústria, reduziu tarifas de luz, baixou juros de moradia para a classe média alta e negociou o adiamento do reajuste de ônibus em São Paulo e no Rio.

No final, vai a Lula, provavelmente no dia 25, próxima sexta-feira, prestar contas e aprender melhor que, entre o que é necessário e a popularidade, cuide-se da popularidade...

Com Haddad e Dilma instruídos e sob controle, Lula estará livre para retomar as "Caravanas da Cidadania", tão importantes para sua vitória em 2002. Vai de região a região reaquecer a adoração popular por ele.

Além de buscar uma cara promissora e com credibilidade para depois tutelar no governo de São Paulo -uma nova Dilma, um novo Haddad-, tanta mobilização sugere que é cedo para descartar Lula em 2014.

Ele fala em destravar a economia, o governo e a Dilma, mas o problema dela é o oposto: travar o Lula.

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 18/01


RESOLUÇAO QUE PROÍBE CIGARROS COM SABOR É SUSPENSA
Juiz federal de Brasília cancelou decisão da Anvisa, que entraria em vigor em setembro. Ação foi movida pelo Sinditabaco

Está suspensa desde fins de dezembro do ano passado, por decisão judicial, a Resolução 14/2012 da Anvisa. É o texto que baniria do país, a partir de setembro deste ano, os cigarros aromatizados e com sabor. A resolução foi aprovada, por unanimidade, em março de 2012 pela diretoria da Anvisa; e entraria em vigor 18 meses depois. Em outubro passado, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco entrou com ação na 9ª Vara Federal em Brasília, pedindo a suspensão dos efeitos da resolução. Além de prejuízos aos produtores de tabaco e à indústria de cigarros, o Sinditabaco alegou ao juízo que faltava à agência sanitária competência para banir os ingredientes. A Anvisa tinha prazo até novembro para se manifestar sobre o processo. A área técnica chegou a redigir parecer sobre o caso, mas a procuradoria do órgão perdeu o prazo estabelecido pela Justiça. Assim, em 17 de dezembro, o juiz substituto da 9ª Vara, Alaor Piacini, concedeu liminar suspendendo a resolução. Representante da Aliança de Controle do Tabagismo, Paula Johns tenta marcar audiência com a Anvisa para cobrar o recurso à liminar. A ONG é a favor do banimento dos sabores, como o mentol, nos cigarros.

40 MARCAS COM SABOR
Segundo dados da Anvisa, de 2007 a 2010, o total de marcas de cigarros com sabor registradas no país saiu de 21 para 40. A ACTBr diz que o produto é a porta de entrada dos jovens no tabagismo. 

ESPECIAIS
A For Special Ladies, grife feminina do estilista Ricardo Almeida, lança sua primeira campanha semana que vem. Jaques Dequeker fotografou a modelo Marília Moreno na flagship, em São Paulo. As imagens vão circular em mídia impressa e na internet. Este ano, a marca quer dobrar o número de multimarcas onde é vendida. Hoje são 30. A expectativa é de 80% de alta nas receitas. 

DESCONTO
A Tudo Bom, marca franco-brasileira de moda sustentável, lança hoje a campanha de liquidação progressiva, que dará descontos de 30% a 60%. A modelo Thayna Brito posou para o fotógrafo Philippe Tinel. As peças vão circular em mídia on-line. Com duas lojas em Paris e uma no Rio (Shopping da Gávea), a grife espera crescimento de 30% nas vendas.

Internacional
A oferta de assentos em voos internacionais diretos para o Rio subiu 10% desde janeiro de 2012. Foi o dobro da alta no Brasil, diz a Rio Negócios. Por dia, são 10.982 lugares. Já o número de voos do exterior para o Rio cresceu 4%. São 270 diariamente.

Bons ventos
A Alstom, múlti de origem francesa, fechou em 2012 € 630 milhões em contratos de projetos eólicos no Brasil. O grupo abre este ano uma fábrica de torres eólicas de R$ 30 milhões no Sul. Já tem unidade na Bahia.

Óleo e gás
A Chemtech fechou parceria com a Gas Energy. Espera que a área de gás e energia chegue a 20% das receitas no fim do ano. Hoje, representa 8%. Juntas, as empresas vão oferecer soluções de TI e engenharia, além de estudos de viabilidade econômica.

Parceria
A brasileira Armco Staco vai investir R$ 10 milhões para fabricar no Brasil produtos Weholite, da finlandesa KWH Pipe. Começa pelos tubos de polietileno de alta de densidade e três metros de diâmetro. A fábrica abre no 2º semestre, em Resende.

Sustentável
A Votorantim Metais aplicará R$ 215 milhões em ações socioambientais este ano. Em Niquelândia (GO), 350 produtores rurais vão aprender a proteger recursos hídricos, flora e fauna locais. 

Café do Rio 1
A Secretaria estadual de Agricultura do Rio fechou com BB e BNDES empréstimo de R$ 1,7 milhão para a Coopercanol. A cooperativa reúne 500 produtores de café em Varre-Sai, no Noroeste fluminense. Os recursos, não reembolsáveis, vão financiar a compra de equipamentos.

Café do Rio 2
O café, hoje vendido sem beneficiamento, será separado, classificado e torrado na cooperativa. Sairá do Rio para o mercado externo com preço de 35% a 45% maior, diz o secretário Christino Áureo. A unidade estará pronta em seis meses. O Rio produz, por ano, 300 mil sacas de café.

Finanças
A Tov Corretora vai expandir operações no Rio. Pôs na diretoria comercial Paulo Santa Ritta, ex-banco Fibra. Espera aumentar em 50% o número de clientes este ano. A empresa girou US$ 1,3 bi em 2012. É o 5º maior volume financeiro do Brasil.

Oncologia
A Clínica São Carlos, de oncologia, investiu US$ 1,6 milhão na compra de equipamento para exames de imagem. Além de identificar e localizar tumores, é usado no tratamento radioterápico.

Ressonância
O Hospital Pasteur, no Méier, investiu R$ 1 milhão em novo equipamento de ressonância magnética. Passou a agendar exames de Amil, Dix e Medial.

CINCO BAILES
Estreia amanhã, em TV aberta, rádio, impressos, internet e mobiliário urbano, a campanha dos Bailes do Rio no carnaval deste ano. Serão cinco, de 7 a 13 de feveiro, no MAM. A previsão dos organizadores é receber 1.500 foliões em cada. A agência 11:21 assina a ação.

Sapucaí 1
O Bob’s estará na Passarela do Samba pelo 20º ano. Terá 40 unidades na avenida. Vai contratar 1.100 temporários e 500 ambulantes.

Sapucaí 2
O Grupo Pacífica investiu R$ 5 milhões em espaço no sambódromo. Nos desfiles do Grupo Especial, terá o camarote Folia Tropical; nos do Acesso, o gay Candybox. É parceria com a Super QG.

Salvador
Somam R$ 17,7 milhões os investimentos privados no carnaval de Salvador, diz o consórcio OCP/Mago.
Brahma, Petrobras e Itaú patrocinam. O governo da Bahia dará R$ 3,82 milhões.

Doação
O Hemorio estreia na semana que vem a ação de carnaval. A Onda Carioca vai distribuir mil imãs (foto) estampados com tipos sanguíneos.

Livre Mercado
A Chifon abre loja no Center Shopping Rio, em Jacarepaguá, em março. Investimento de
R$ 500 mil, será a 36ª da rede.

A Spedini Trattoria Expressa abriu unidade no Shopping Nova América. É a 1ª no Rio. A rede tem 16 restaurantes em São Paulo, no Sul e em Brasília. Quer abrir no Mato Grosso do Sul.

O salão infantil Fashion Mix lançou linha de cosméticos. É aporte de R$ 200 mil. Deve chegar a 500 pontos de venda até o meio do ano e aumentar o faturamento em 40%.

O Casa Shopping fará ação no Facebook, a patir de segunda. Dará cheque-presente de R$ 500 a cliente. Quer passar de 15 mil para 18 mil fãs. A Escolinha Fla rendeu R$ 600 mil ao Flamengo em 2012.

Há 130 núcleos de educação esportiva para crianças no país.

O CDPV, em 2012, formou 15 mil profissionais de venda. Foi 14% de alta sobre 2011. Aplicou 56 mil horas de treinamento. Quer crescer 30% este ano.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 18/01


Safra ruim deve elevar preço do azeite neste ano
O azeite que o consumidor encontrará na prateleira do supermercado em 2013 será mais caro, de acordo com empresas do setor.

Após uma safra ruim no ano passado, o custo da matéria-prima subiu 40% desde agosto até agora.

"Ainda não está claro onde o preço final vai parar e como será a evolução climática para a próxima colheita. Por enquanto, havia um estoque que foi sendo consumido. Mas há uma crise na origem mediterrânea", diz Bernardo Pontes, diretor da Borges para a América Latina.

"Vai ser inevitável. E ficará visível em todas as marcas no decorrer do ano. Já subimos cerca de 8% desde o final do ano passado", afirma Nuno Miranda, gestor de mercado da Sovena, dona da marca Andorinha.

As fontes alternativas, como Austrália, Chile e algumas regiões do Oriente Médio, não têm condição de suprir a redução da oferta de países como Portugal e Espanha, segundo Pontes.

O setor ainda se pergunta se o consumo cairá com o aumento do preço.

"A questão é saber se o azeite nos últimos cinco anos emplacou de tal maneira que o impeça de sofrer tanto agora", diz Pontes.

Para Miranda, a demanda não será abalada. "Já houve aumentos anteriores que não inviabilizaram o crescimento do mercado. Tem havido um movimento de expansão do consumo do produto no Brasil pelo próprio desenvolvimento econômico, que amplia o acesso."

MÃOS AO ALTO
O roubo e o furto de veículos aumentaram 16,35% no ano passado ante 2011, segundo o grupo Tracker, do mercado de rastreamento.

A empresa recuperou 3.857 veículos em 2012. São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Campinas, Santo André, Curitiba, São Bernardo do Campo, Guarulhos, Diadema e Osasco foram as cidades que mais sofreram com a prática dos dois crimes, de acordo com a companhia.

O furto e o roubo de utilitários tiveram expansão de 29,95% no último ano, conforme o balanço. Foram 794 ocorrências em 2012 e 611 no ano anterior.

Os automóveis, que representam cerca de dois terços do total de veículos roubados ou furtados no Brasil, tiveram alta de 13,49%. Caminhões aparecem com 11,03% de alta e motos com 11,02%.

POR UM FIO
Com investimentos de aproximadamente R$ 40 milhões, a Algar Telecom vai entregar em abril seu projeto para levar a Uberlândia (MG) internet de banda larga na faixa de dez a cem mega.

Uberaba (MG) e Franca (SP), que também estão nos planos, têm término previsto para antes do início do segundo semestre.

"Estamos substituindo toda a rede de fios de cobre. Uberlândia será cabo coaxial e Uberaba e Franca, fibra ótica", afirma Divino Sebastião de Souza, diretor-presidente da empresa.

Os investimentos também atingem a televisão por assinatura. Em Uberlândia, foi construído um parque de antenas.

"A entrada dos 44 canais em HD fica para fevereiro", afirma Souza.

Essa distribuição será feita no cabo coaxial juntamente com as altas velocidades de internet, de acordo com a companhia.

R$ 40 milhões são os investimentos realizados pela Algar Telecom para levar internet de alta velocidade para alguns municípios

Madeira... 
O polo moveleiro de Bento Gonçalves (RS) fechou 2012 com alta de 4,4% nas exportações, totalizando US$ 63 milhões. A Colômbia é o principal destino dos móveis da região.

...no navio 
Chile, Uruguai, Peru, Argentina e Angola também aparecem na lista dos principais importadores. Juntos, os seis países representam 60% do total das vendas para o exterior.

Forno 
A ArcelorMittal Aços Longos registrou em 2012 uma receita de cerca de R$ 40 milhões com o beneficiamento e a venda de coprodutos (resíduos da produção de aço para outros segmentos).

Autossuficiência 
A Fibria começa 2013 com produção de um excedente mensal de 50 megawatts em sua unidade Três Lagoas (MS). O excedente gerado na unidade até o ano passado foi de 30MW/mês.

CARRINHO DE COMPRAS
Apesar da desaceleração econômica registrada na China em 2012, o país ainda terá um ritmo de crescimento acelerado no consumo nos próximos quatro anos, segundo projeções da consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit) e da empresa de pesquisa de mercado Mintel.

A expansão deve ficar em torno de 15%, com alguns setores, como o de comidas prontas, alcançando os 20%.

A alta será decorrente do crescimento da renda em cidades menores do país e também dos esforços do governo para apoiar o consumo, segundo o estudo.

Racionalizações do fiasco - ROGÉRIO FURQUIM WERNECK

O GLOBO - 18/01


Governo se contorce para explicar o crescimento econômico pífio



O governo vem digerindo com dificuldade a previsão de que taxa de crescimento do PIB, depois dos pífios 2,7% de 2011, deverá ser inferior a 1% em 2012. Surpreendida por esse desempenho, a equipe econômica, pressionada pelo Planalto, se vê agora obrigada a engendrar racionalizações de última hora que possam explicar o fiasco.

Artigos do ministro da Fazenda e do presidente do BNDES, publicados no final do ano, bem ilustram o contorcionismo fantástico que tem pautado esse esforço desesperado de racionalização. O ministro Guido Mantega abraçou-se a uma explicação completamente estapafúrdia. “Tenho procurado alertar para os paradoxos da fase de transição vivida pela economia brasileira. As mudanças na taxa de juros e no câmbio não têm efeitos imediatos. A economia brasileira estava “viciada” em juros altos e real sobrevalorizado. É necessário, portanto, um processo temporário de “desintoxicação” ”. (O Estado de S.Paulo, 23/12/2012)

Nessa mesma edição do Estado, Luciano Coutinho publicou artigo intitulado “Desafios e oportunidades do crescimento desequilibrado”, com um subtítulo prolixo e pomposo: “Uma homenagem a Albert Hirschman, que nos permite uma visão promissora do que hoje parece uma situação de baixo dinamismo econômico”.

Menções a Hirschman, de quem tive a sorte de ter sido aluno há quase 40 anos, são sempre bem-vindas. Era um economista com ideias extraordinariamente interessantes. Morreu há pouco mais de um mês, com bem vividos 97 anos. Tinha um talento admirável para fazer inferências surpreendentemente férteis com base em fatos isolados, sem medo de “se expor à dupla acusação de excesso de generalização e insuficiência de documentação”, como ele mesmo alegava.

A ideia de crescimento desequilibrado, que defendeu em meados dos anos cinquenta, opunha-se à noção de que o processo de crescimento deveria envolver expansão harmônica de todos os setores da economia. Hirschman arguía que essa harmonia, que se detectava no crescimento dos países desenvolvidos, era muito difícil de ser assegurada em economias subdesenvolvidas (como então se dizia).

Por contar com escassa capacidade de tomar decisões de investimento, tanto no setor privado como no governo, essas economias estavam fadadas a ter um crescimento marcado pela expansão desequilibrada dos seus vários setores. O que implicava interminável sucessão de gargalos, desabastecimentos e racionamentos temporários, decorrentes, de um lado, do aproveitamento defasado de oportunidades de investimento pelo setor privado e, de outro, da necessidade de esperar que as pressões políticas atingíssem nível suficientemente crítico para que os esforços requeridos de investimento público, afinal, pudessem ser viabilizados.

A ideia de crescimento desequilibrado é inegavelmente interessante. Permite, por exemplo, entendimento mais claro da desordenada expansão da economia brasileira nos anos cinquenta. O quadro caótico que esse desordenamento trazia à então capital do País foi bem satirizado em uma conhecida marchinha de carnaval de 1954: “Rio de Janeiro / Cidade que me seduz / De dia falta água / De noite falta luz”.

O que causa espanto é que, passados 60 anos, o governo tenha decidido agora desenterrar a ideia de crescimento desequilibrado, para racionalizar o desempenho medíocre da economia. De um lado, porque ela em nada ajuda a entender a estagnação de 2012, a não ser que a intenção do governo seja usá-la para um mea culpa sobre o investimento entravado.

De outro, porque não se pode esquecer que a campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff foi toda baseada nos supostos talentos administrativos da candidata, apresentada como “mãe do PAC” e restauradora de práticas de planejamento que levariam a um crescimento rápido e harmônico, liderado por um programa de investimentos que permitiria expansão ordenada de capacidade, a tempo e a hora. Empenhado em justificar o fiasco, o governo parece não ter percebido que seu malcozido discurso do crescimento desequilibrado é a negação frontal de tudo isso.

Hidrovias, ferrovias, sem um novo olhar - WASHINGTON NOVAES


O Estado de S.Paulo - 18/01


Parece difícil de acreditar, mas um diretor da Associação Brasileira de Recursos Hídricos anuncia que estão sendo preparadas licitações de obras para tornar viáveis hidrovias nas Bacias Teles Pires-Tapajós e Araguaia-Tocantins (Estado, 15/12/2012). O primeiro projeto já está debaixo de fortes ataques por englobar também a implantação de várias hidrelétricas em áreas indígenas e de preservação permanente na Amazônia. O segundo some e ressurge de tempos em tempos, apesar dos fortíssimos argumentos que têm sido invocados para mostrar seus inumeráveis e insuperáveis problemas.

São muitos os cientistas que têm mostrado ao longo dos anos a inconveniência de implantar uma hidrovia no Araguaia. Rio de região ainda em formação, o Araguaia nem sequer tem leito navegável permanente - pois este se desloca de ano para ano, com a movimentação de sedimentos. Estudo da Universidade Federal de Goiás já demonstrou que num único ano passam por Aruanã, ainda no Médio Araguaia, nada menos de 6 milhões de toneladas de sedimentos, vindas desde a região de nascentes, onde continuam a se formar e se expandir gigantescas voçorocas (agravadas pela erosão decorrente da formação de pastagens, canaviais e culturas de soja). Implantar uma hidrovia nesse rio exigiria escavar e isolar um canal permanente ao longo de centenas de quilômetros.

Quanto custaria? Onde se depositariam os sedimentos retirados e os que viessem depois? Qual o preço da manutenção? E o preço do transporte, já que as cargas exportadas do Centro-Oeste teriam de ser desembarcadas em certo ponto da margem, levadas por caminhão até o lugar em que seriam repassadas para a ferrovia de Carajás e de novo desembarcadas e reembarcadas no Maranhão?

Com tudo isso, também se anularia, pelos custos, a grande vantagem: permitir que safras brasileiras chegassem ao Atlântico - e daí à Europa e à Ásia - a preços inferiores aos dos produtos norte-americanos.

Isso ainda é possível com uma Ferrovia Norte-Sul. Mas quando se passa a esse capítulo das ferrovias, as surpresas não são menores. Depois de décadas de esquecimento, anuncia-se que elas terão agora investimentos federais de R$ 25 bilhões entre 2013 e 2016, aos quais se somarão R$ 50 bilhões de empreendimentos privados. Talvez consigamos assim nos redimir de tantos pecados desde que a Norte-Sul teve sua primeira licitação embargada (com toda a razão) em 1987, por causa de irregularidades na licitação do governo federal. Só que se confundiu o acessório - as irregularidades - com o principal - a obra em si. Mas, na melhor das hipóteses, essa ferrovia só estará pronta no final de 2014, segundo anunciou a presidente da República. Desde 2007 já consumiu R$ 6 bilhões e só tem 15% do trajeto pronto.

Não é só a Norte-Sul que sofre com percalços, desonestidades, etc. A Transnordestina, iniciada em 2006 e prevista para 2014, ao custo de R$ 4,5 bilhões, não será completada no prazo de 2014 (Estado, 31/12/2012). O consórcio que nela trabalha agora prevê custo de R$ 8,2 bilhões e quer um adicional, que o governo federal não aceita. E com isso se retardam as ligações do Porto de Suape, no Maranhão, e do município de Eliseu Martins, no Piauí, a Salgueiro e ao Porto de Pecém, no Ceará - o caminho para escoamento de safras em direção ao Hemisfério Norte, com as mesmas vantagens da Norte-Sul. Mas os técnicos dizem que, no ritmo atual das obras, elas só se concluirão em 2036, já que apenas 345 dos 1.728 quilômetros previstos estão prontos.

É quase impossível para as pessoas mais novas imaginar que no Brasil, há mais de meio século, cargas e pessoas se deslocavam quase somente em comboios ferroviários, de norte a sul. Como pensar que tínhamos até ramais ferroviários eletrificados? Em 1958 o País ainda tinha 38 mil quilômetros de ferrovias, que começaram a ser sucateadas nos governos a partir da década de 60, principalmente para favorecer a nascente indústria automobilística. Hoje tem 28.600 quilômetros, a maior parte ociosos durante quase todo o tempo, pois apenas 4 mil são modernos. É o que restou de um sistema iniciado no Império, em 1852, com uma concessão feita ao barão de Mauá, por 70 anos.

O sucateamento pós-privatizações, em governos da segunda metade do século passado e início deste, e a concorrência desleal do transporte rodoviário subsidiado levaram ao quadro de hoje, quando se anuncia uma retomada de investimentos que chegaria a R$ 75 bilhões entre 2013 e 2016 (Estado, 4/9/2012). Mas a grande atração parece continuar sendo o trem-bala Rio-Campinas, que, só ele, custaria R$ 27,6 bilhões, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Tudo isso seria parte do investimento total de R$ 401 bilhões em infraestrutura, com destaque para os setores de energia elétrica (R$ 158 bilhões), telecomunicações (R$ 74 bilhões) e transporte rodoviário (R$ 53 bilhões).

Mais uma vez é preciso insistir que falta a definição de estratégia nacional para os novos tempos em que se vive no mundo - onde os problemas de clima, energia, ambiente, alimentação e outros estão entrelaçados e exigem posturas adequadas às novas situações. A sensação que fica, ainda hoje, é a de que continuamos a viver uma mistura dos governos jusceliniano e janista, com ênfase absoluta em "desenvolvimentismo" e "política externa independente". Não é preciso discutir muito para concluir que os tempos são outros, como são outras as exigências prioritárias para um mundo conturbado, complexo e mutante. Nele o Brasil pode vir a ter condições excepcionais, graças aos fatores privilegiados de que dispõe - território, recursos hídricos, biodiversidade, possibilidade de matriz energética limpa e renovável. Basta olhar o recém-publicado atlas Amazonia Bajo Presión (editado pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada e coordenado por Beto Ricardo, do Instituto Socioambiental) para ver que só na Amazônia brasileira esses fatores são imensos - mas já sob ataques em muitas frentes.

Do frio ao morno - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 18/01


O IBC-Br de novembro em 0,4%, divulgado pelo Banco Central, foi melhor do que o esperado, mas há grande risco de o PIB do quarto trimestre decepcionar de novo. As projeções apontam para uma taxa abaixo de 1%. Há quem preveja até menor que os 0,6% do terceiro tri. Os investimentos terão a sétima queda trimestral seguida. O primeiro trimestre de 2013 pode também ser fraco.

Se for confirmado o 1% do PIB em 2012, o governo Dilma chegará à metade do mandato com crescimento médio de 1,85%. O primeiro governo FHC cresceu 3,25%, em média, nos dois primeiros anos. No segundo mandato, cresceu 2,25%, na mesma comparação. No primeiro de Lula, deu 3,4%, e no segundo, 5,55%, também nos dois primeiros anos.

As previsões mais frequentes são de que o PIB pode crescer em torno de 3% em 2013, mas persistem as mesmas incertezas que levaram a economia a minguar em 2012. O economista Armando Castelar, da FGV, acha que as mudanças na área de energia provocarão um primeiro trimestre de paralisia de investimento. A queda do preço não muda isso, segundo ele, porque há dúvidas sobre o suprimento e o preço elevado no mercado spot pode levar eletrointensivos a revenderem suas sobras, em vez de aumentarem a produção.

Os números mostram que a economia brasileira está num processo de desaceleração contínuo desde o terceiro trimestre de 2010, quando saiu de uma taxa de 7,6% de alta e desceu a 0,9% no terceiro tri de 2012. Nada indica reversão no final do ano passado. A esperança é de que mude durante 2013.

O dado oficial do PIB de 2012 só será divulgado no dia primeiro de março, pelo IBGE. Mas os números até aqui não são bons. A produção industrial, até novembro, está com queda de 2,6%. A balança comercial fechou o ano com o pior saldo dos últimos 10 anos. A formação bruta de capital fixo, sinônimo de investimentos, caiu 3,9% de janeiro a setembro.

Para o quarto trimestre, a Tendências Consultoria estima alta de 0,4% no PIB, menos que os 0,6% do terceiro. Alguns indicadores, já divulgados, decepcionaram. O fluxo de caminhões pesados nas estradas ficou 1% menor, na comparação com o terceiro tri. A expedição de papelão ondulado, termômetro das encomendas industriais, caiu 0,5%. Mas o consumo de energia subiu 2,1%, na mesma comparação.

O economista Fábio Silveira, da RC Consultores, estima que os investimentos terão nova queda no quarto trimestre, de 1,2%, que seria a sétima retração trimestral consecutiva. A capacidade ociosa da indústria continua alta e ela tem peso de mais de 50% nos investimentos. Se há máquinas paradas, não há razão para os empresários aumentarem a capacidade de produção.

- Até dezembro, eu acreditava que os investimentos pudessem se recuperar no primeiro semestre deste ano. Mas isso só vai acontecer no segundo semestre. Há ainda ociosidade na indústria - disse Silveira.

O que mais ajudou no último trimestre foi a produção de veículos, que subiu 4%. Mas ela foi impulsionada pelas vendas do IPI reduzido. Uma notícia boa é que os empresários continuam confiantes. O HSBC tem um indicador que mede a confiança dos empresários e ele se manteve acima de 50 pontos entre setembro e dezembro, o que significa otimismo e crescimento. A FGV também faz pesquisa parecida e ela subiu 1,9% no quarto trimestre. Ainda assim, isso é pouco para dizer que a economia recuperou o vigor.

Para o ano de 2012, a Tendências estima que o crescimento será de 0,8%. A indústria, que no cálculo do PIB engloba também a construção civil, deve cair 0,8%. Os investimentos devem fechar com queda de 3,7%. A agropecuária, com retração de 1,2%, porque houve quebras de safras no início do ano. Puxando a economia, continuam o setor de serviços, o consumo das famílias e os gastos do governo.

A crise externa explica apenas uma parte do baixo crescimento. A economista Monica de Bolle, da Galanto Consultoria, lembra que o quadro no começo deste ano é bem melhor lá fora. Há sempre a dúvida fiscal americana, mas a Europa saiu da beira do abismo e os EUA estão em um início de retomada do crescimento.

Nossas principais travas ao crescimento mais forte continuam sendo internas. O cenário é de o Brasil sair de uma economia fria, para um nível de atividade morna ao longo do ano. Podem haver surpresas, mas, segundo Monica, mais risco de ter surpresas para menos do que para mais.

Começa complicado - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 18/01


Na sua primeira reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, presidido por Alexandre Tombini, reconheceu que foi surpreendido tanto por uma inflação alta demais como por uma recuperação da atividade econômica (crescimento do PIB) "menos intensa do que a esperada".

Ou seja, a inflação deste ano está embicando para acima dos 4,9%. E vai pintando um crescimento do PIB inferior aos 3,3% (nos 12 meses terminados em outubro de 2013) - magnitudes projetadas no último Relatório de Inflação, editado em dezembro.

Desta vez não dá para culpar a crise internacional pelo agravamento das condições físicas da economia. Seu impacto sobre o Brasil já estava computado e, de lá para cá, não houve piora significativa. Como geralmente ocorre, as causas do problema estão aqui dentro.

No caso da inflação, o fator mais relevante é a atual incapacidade do governo de cumprir as metas fiscais, especialmente o superávit primário de 3,1% do PIB (cerca de R$ 140 bilhões em 2012), que é a sobra de arrecadação destinada ao pagamento da dívida. É dinheiro demais despejado no consumo que puxa a inflação.

Alguns analistas, entre os quais o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, argumentam que, nas atuais circunstâncias, um superávit de 2,0% do PIB (ou seja, de cerca de R$ 90 bilhões), em vez desses 3,1% do PIB a que se comprometera o governo, já estaria de bom tamanho. E que, no momento, o que mais importa é a transparência da administração das contas públicas, tão prejudicada ao longo de 2012.

O problema é que a definição e o não cumprimento do superávit de 3,1% do PIB têm implicações em outras áreas da administração da economia, como o do próprio controle da inflação.

O Banco Central, por exemplo, deixou claro em seus documentos, especialmente no Relatório de Inflação e nas Atas do Copom, que, entre as condições necessárias para entregar uma inflação na meta (ou alguma coisa acima disso), estão a obtenção do superávit de 3,1% do PIB e o reajuste zero nos preços dos combustíveis. Se o governo não pode mais garantir nem um nem outro, fica prejudicado também o controle da inflação nos níveis a que se comprometeu o Banco Central.

As coisas ficaram mais complicadas porque mudou a relação, sempre delicada, entre Banco Central e Ministério da Fazenda. Ao longo da administração Lula, o Banco Central olhava para as lambanças na condução das contas públicas e as tomava como fato consumado, um dado da realidade. Com base nisso, calibrava os juros de maneira a empurrar a inflação para dentro da meta. No governo Dilma, o Banco Central recebeu a ordem de derrubar os juros para os 7,25% ao ano onde estão hoje e, em troca, tinha como garantido o superávit primário de 3,1% do PIB pelo Ministério da Fazenda.

O Banco Central fez sua parte no acordo. No entanto, no meio do caminho, se viu traído pelo pessoal da Fazenda, que não cumpriu (ou não conseguiu cumprir) o combinado.

Na próxima Ata do Copom, cuja divulgação está programada para a próxima quinta-feira, o foco das atenções será a nova expectativa do Banco Central para o crescimento econômico, para as metas de austeridade fiscal e para os reajustes dos combustíveis. Mas o desempenho da economia brasileira em controle da inflação e crescimento do PIB começa o ano fortemente comprometido.

Energia em questão - RODOLFO LANDIM

FOLHA DE SP - 18/01


É preciso discutir a incompreensível decisão de eliminar as barragens nos novos projetos hidrelétricos


O ano de 2013 chegou, o mundo não acabou, o temido abismo fiscal americano foi ao menos adiado por alguns meses e o noticiário colocou em voga uma nova grande catástrofe por acontecer, o racionamento de energia elétrica no país.

Em pouco tempo, começamos a receber uma enxurrada de dados estatísticos, opiniões de todos os tipos e feitios as quais no mínimo devem deixar o cidadão comum apreensivo e receoso quanto à seriedade e o profissionalismo com que esse importantíssimo tema vem sendo tratado.

O parque de geração brasileiro foi construído em sua grande maioria a partir de investimentos realizados por companhias estatais. Contudo, antes da virada do século, ocorreram claras dificuldades de manutenção daquele modelo e a crise de abastecimento ocorrida no Brasil em 2001 acabou chegando em meio a um processo de mudanças estruturais no setor elétrico.

Apesar de todo o seu impacto negativo, a crise trouxe o benefício de alertar a sociedade sobre a necessidade de criar um novo modelo, com regras mais claras, de forma a evitar a continuidade das indefinições regulatórias que afastavam potenciais investidores desse setor.

O novo marco regulatório estabelecido trouxe importantes contribuições. Para começar, foram mais bem estabelecidos os mecanismos para a inserção de outros tipos de geração de energia elétrica em uma matriz predominantemente hídrica. Isso foi algo fundamental, dados o caráter emergencial da viabilização de nova capacidade de geração no país e o longo prazo para a implantação dos projetos de hidrelétricas.

Além disso, foi criada a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), de forma a preencher uma lacuna existente no planejamento do setor depois da perda desse papel pela Eletrobras.

Dentro dessa nova estrutura, foram realizados leilões bem-sucedidos para a ampliação do nosso parque de geração buscando o menor custo marginal de energia para o sistema e por meio de concessões com significativa participação privada. Adicionalmente, apesar de as manchetes recentes enfocarem principalmente os atrasos na interligação de um parque de geração eólica no interior do país, o sistema de transmissão foi reforçado.

Isso tornou possível a transferência de uma maior quantidade de energia entre os subsistemas de geração, não só evitando desperdícios como reduzindo o risco de desabastecimento.

Também não parecem ser justas as críticas direcionadas à operação do sistema. O despacho das usinas térmicas, as quais possuem um maior custo de geração, só deve ser ampliado à medida que o risco do desabastecimento cresce.

No limite, seria uma insanidade mandar despachar térmicas jogando água fora pelo vertedouro das hidrelétricas.

Por outro lado, deixar que o nível dos reservatórios fique muito baixo sem autorizar o despacho de térmicas seria um contrassenso. Por essa razão, a operação é conduzida por técnicos com base nos resultados de modelos matemáticos complexos, que vêm sendo aperfeiçoados ao longo dos anos. Eles levam em consideração uma grande quantidade de variáveis e têm por objetivo otimizar o custo de energia, sempre dentro de uma margem de segurança satisfatória.

As precipitações desde o início do período chuvoso na cabeceira dos rios com os maiores aproveitamentos energéticos foram inferiores à média histórica, o que deflagrou o alarmismo de plantão.

No entanto, o período de maior precipitação ainda está longe do fim, as decisões para evitar o risco de desabastecimento parecem estar sendo tomadas e o nível de garantia de fornecimento futuro de energia vem sendo mantido dentro dos limites tecnicamente aceitáveis.

Assim sendo, melhor seria voltar o foco da sociedade para discussões de problemas estruturais ainda por resolver, a começar pela incompreensível e repetida decisão de praticamente eliminar a presença de barragens nos novos projetos hidrelétricos.

São elas que permitem a regularização da vazão dos rios, a garantia do suprimento às turbinas de geração nos períodos de estiagem e a otimização do potencial gerador das bacias hidrográficas.

A busca por credibilidade na economia - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 18/01


Mesmo com a manutenção da Selic em 7,25%, decidida pelo Copom esta semana, o Brasil recuou no ranking mundial das taxas de juros reais, de que já foi líder, de terceiro para quinto lugar. Com juros de 1,7%, a economia brasileira se distanciou da argentina (4,6%), a primeira colocada nesta desconfortável disputa. A explicação está na persistência da inflação — e isso tira qualquer mérito da política econômica na queda das taxas. A Selic fica no mesmo lugar, apenas a alta dos preços faz cair a taxa real. E é a conjugação de preços em ascensão com a passividade do BC que torna mais intenso o debate sobre os rumos da economia.

Em nota, o Copom, conselho do BC que trata da política monetária, reconhece a degradação do cenário de curto prazo da inflação, assim como admite a lentidão com que a economia reage aos estímulos fiscais e creditícios. Portanto, está claro que, entre estas duas frentes de batalha, o PIB e a inflação, o BC (o governo) reafirma a opção de buscar o crescimento a qualquer custo. Mesmo o custo de mais inflação, coerente com a visão “desenvolvimentista”. (Cabe lembrar, sempre, dos riscos da estratégia numa economia com longo passado de descontrole de preços.)

Visto por um ângulo mais amplo, a decisão do BC é parte do sério problema da baixa confiabilidade que passou a ter o governo na condução da economia. Quando começou a executar cortes nos juros, a autoridade monetária fez o certo, apesar das críticas iniciais. Mas o terceiro ano consecutivo sem que o centro da meta de inflação (4,5%) seja alcançado, com os índices oscilando acima dos 5%, e a decisão desta semana reforçam a suposição de que esta política foi abandonada. Ou que a verdadeira meta é outra, mais alta.

A perda de confiança na administração da economia passa pela percepção de analistas de que a própria política do “tripé” — câmbio flutuante, meta de inflação e superávit fiscal — foi deixada de lado. No câmbio, parece haver um tabelamento acima de R$ 2. No campo fiscal, até mesmo o ex-ministro Delfim Netto, defensor da política econômica dos governo do PT, não digeriu as maquiagens da “contabilidade criativa” feitas para tentar mascarar o não atingimento da meta de 3,1% do PIB para o superávit das contas primárias (gastos não financeiros). Isso quando havia bons argumentos para justificar a falha o superávit mais baixo, como ocorreu.

Em colunas nos jornais “Valor” e “Folha de S. Paulo”, Delfim atacou a sucessão de “espertezas” capazes de destruir “o esforço de transparência que culminou na magnífica Lei de Responsabilidade Fiscal”, segundo o ex-ministro, “sob permanente ataque” do PT.

Compreensível que investidores se retraiam, mais ainda depois do viés intervencionista exposto pelo Planalto. A presidente Dilma passou a conversar com empresários. Sempre é bom ouvir a sociedade. Mas, para estabelecer uma confiança mínima na política econômica, será preciso mais do que palavras.


Volta ao passado - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 18/01


Incapaz de conter a inflação, governo tenta influenciar os índices com o adiamento dos reajustes de tarifas, expediente típico dos anos 80


Soam anacrônicos os pedidos do governo federal para que Estados e capitais -como São Paulo e Rio- segurem os aumentos nas tarifas de ônibus, trens e metrô. Teme-se que a concentração de reajustes no início do ano eleve as expectativas de inflação.

A inovação -a rigor, um retorno ao modus operandi dos anos 80, quando o governo tentava manipular os índices- visa evitar uma alta ainda maior no IPCA do primeiro trimestre. Adiar o problema é, pois, a estratégia do dia. A novela do aumento do preço da gasolina segue o mesmo enredo.

Maquiagens à parte, o fato é que o Banco Central e o governo têm atiçado o dragão inflacionário.

Com o pretexto de que outros países adotaram uma política monetária expansiva para superar a estagnação, nossas autoridades parecem se esquecer que na maior parte deles a inflação é baixa.

Nos EUA e na Europa os índices correm abaixo das metas, em geral de 2% ao ano. Na China se espera uma alta inferior a 4% em 2013.

No Brasil, contudo, há um dilema: crescimento baixo e inflação alta, perigosamente perto de 6,5% -teto superior do intervalo de tolerância- na maior parte deste ano.

O BC esteve certo em dar mais peso à fraqueza do crescimento quando iniciou o ciclo de cortes de juros em agosto de 2011, mas de lá para cá não parece se preocupar -nem passar a impressão de que se preocupa- com a piora do quadro inflacionário.

O perigo maior de descontrole existe quando o setor privado não acredita mais no compromisso com as metas. Tal deterioração tende a ser lenta no início, mas pode ganhar vida própria rapidamente.

O cenário é preocupante. As expectativas de analistas privados para 2013 superam 5,5%, e os papéis indexados ao IPCA são negociados com inflação perto de 6%. Economistas de vários matizes admitem que o BC já não persegue a meta de 4,5%, mas cerca de 5,5%. Talvez o teto de 6,5% ainda seja uma restrição para a leniência -politicamente, seria custoso para a presidente Dilma Rousseff explicar o estouro do limite superior. Mas quem pode ter hoje essa certeza?

O problema inflacionário é grave, pois a indexação generalizada persiste e nada foi feito nos últimos anos para mudar esse quadro. Talvez seja cedo para dizer que as metas foram abandonadas, mas as autoridades caminham a passos largos para consolidar essa suspeita.

Credor e conselheiro - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 18/01


A foto na primeira página da edição de ontem deste jornal, de autoria de Márcio Fernandes, registra uma cena que seria constrangedora para o prefeito paulistano Fernando Haddad, não fosse pelo "pequeno detalhe" de todos conhecido - e por ele reconhecido. Haddad aparece com a cabeça ligeiramente inclinada e o olhar absorto. Sentado à sua esquerda, as sobrancelhas arqueadas e o indicador estendido de quem enfatiza um ponto de vista, o ex-presidente Lula. Ao lado, a vice-prefeita Nádia Campeão e ex-assessores presidenciais lotados no instituto que leva o nome do primeiro companheiro. Fora de quadro, uma dezena de secretários municipais petistas ou da chamada cota pessoal de Haddad. Ele os convocou na véspera para, não se sabe se por iniciativa própria ou de Lula, ouvi-lo durante mais de uma hora, no que, segundo o anfitrião, tratou-se de "uma visita de cortesia". Ela foi precedida por uma conversa a portas fechadas com Haddad.

Na sua versão, o ex-presidente, de volta das férias, pediu que se encontrassem. Convidado a vê-lo no Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura, "ele se colocou à disposição", relatou o prefeito, obviamente invertendo os papéis de cada um no episódio. Fernando Haddad - eis o "pequeno detalhe" - está à disposição de Lula desde quando este o pinçou do Ministério da Educação e do celibato eleitoral para devolver ao PT o governo da maior cidade brasileira, perdido em 2004. Replicando em São Paulo a formidável experiência com Dilma Rousseff no plano nacional, Lula partiu da premissa de que, diante de um eleitorado com amplos setores de classe média refratários ou hostis ao petismo, concorrer com nomes batidos como o da ex-prefeita Marta Suplicy ou do senador Aloizio Mercadante seria um desatino.

À clarividência de Lula - que fez a amuada Marta afastar-se da campanha, até ser apaziguada com o Ministério da Cultura -, seguiu-se uma competente operação de propaganda, explorando a boa estampa do candidato "moço de família" - uma espécie de atualização do "Lula paz e amor" de 2002 -, e a decisiva reconquista dos redutos petistas no sul da cidade, onde a candidatura Celso Russomanno vinha fazendo perigosos estragos. Para usar um clichê, o ex-presidente não mediu esforços para erguer o seu segundo poste, em dois anos, na praça política brasileira. A parte que tocou a Haddad, além de exibir moderação, empatia e conhecimento dos problemas de sua cidade, foi fazer rigorosamente tudo o que o seu mestre mandasse - como participar do beija-mão a Paulo Maluf, que exigiu que fosse público e no seu próprio palacete. Em protesto, a ex-prefeita Luiza Erundina desistiu de integrar a sua chapa. No fim, o estrago foi contido e deu tudo certo.

Como poderia o novo titular da Prefeitura deixar de fazer as vontades de quem o levou até lá? Ciente de ser seu credor, Lula o escolheu como ator coadjuvante do espetáculo de sua rentreé política pelo portão principal, depois de uma amarga temporada de confinamento nos porões da corrupção. Já não bastassem as condenações dos mensaleiros de sua intimidade, como José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino, ao fim de um julgamento no STF de que foi o ostensivo sujeito oculto, eis que a Polícia Federal detona um esquema de venda de facilidades na administração federal, arrastando aos holofotes a sua namorada Rosemary Noronha, a Rose, a quem ele entregara a chefia da representação da Presidência da República em São Paulo. Completando o inferno astral de Lula, o Estado revelou que o operador do mensalão, Marcos Valério, o acusou ao Ministério Público de ter se beneficiado pessoalmente do tráfico de recursos ilícitos.

Na sequência da reabilitação de sua imagem e reafirmação de sua autoridade, Lula tem encontro agendado daqui a uma semana com a presidente Dilma, ministros e dirigentes petistas.

Quem sabe ele possa dar à sua voluntariosa sucessora conselhos tão sensatos como os que distribuiu a Haddad e sua equipe sobre a conveniência de fazer parcerias e o imperativo de não deixar as coisas pela metade. A nova administração, ensinou, "deve sair maior do que entrou". É do que a presidente precisa se compenetrar, enquanto é tempo.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Perdeu meu voto ao dizer que a Câmara está acima do Supremo”
Deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) agora contra Henrique Alves para presidir a Câmara


MINISTRO DA MICROEMPRESA DEVE SER AFIF, DO PSD

A adesão do PSD ao governo Dilma Rousseff deverá ser formalizada com a nomeação de Guilherme Afif Domingos para o cargo de ministro da Microempresa. Ex-vice-prefeito paulistano, Afif fez carreira a partir da Associação Comercial de São Paulo, e até disputou a Presidência da República. Dilma pretendia nomear para o cargo Luiza Trajano, dona das lojas Magazine Luiza, mas a empresária declinou do convite.

PARTIDO GRANDE

Criado por Gilberto Kassab, o PSD cresceu com insatisfeitos de vários partidos. Tem 55 deputados, já é a terceira maior bancada da Câmara.

OLHO NOS CARGOS

Apesar da ligação de Kassab ao ex-governador tucano José Serra, que inspirou sua criação, o PSD já nasceu flertando com o governo Dilma.

ALERGIA

Sintomático que menos de R$ 900 foram gastos com assinatura de jornais nas despesas secretas com cartão corporativo na era Lula.

CULTURA RELAXADA

Pelo critério da ministra Marta “Relaxa e Goza” Suplicy (Cultura), o vale-cultura que pode comprar até “revista de 5ª”, deve incluir revista pornô.

DILMA ACENA ESPAÇO PARA O PR CONTRA GAROTINHO

A presidente Dilma está preocupada com a possível eleição de Anthony Garotinho (RJ), crítico do ex-presidente Lula, como líder do aliado PR na Câmara. Ela teme que isso inviabilize aliança com o partido em 2014. Em encontro com o atual líder, Lincoln Portela (MG), Dilma disse que espera contar com o apoio do PR para sua reeleição e sinalizou a possibilidade de negociar novo ministério ao partido na minirreforma.

FECHANDO O CERCO

Dilma marcou nova reunião com o PR ainda para este mês, antes da eleição do líder do partido, que acontecerá em fevereiro.

OPOSITOR FERRENHO

Para membros do PR, Garotinho, que disputa com governista Giacobo (PR), é o melhor nome, caso a bancada decida partir para a oposição.

EUNÍCIO COM RENAN

O senador Eunício Oliveira (CE), que deve ser eleito líder do PMDB, confirmou à coluna ter sido sondado para disputar a presidência do Senado, mas não aceitou. Eunício disse que apoia Renan Calheiros.

DE VOLTA

De licença desde as eleições municipais, o senador Blairo Maggi (MT) retorna aos trabalhos legislativos em fevereiro e garante que não houve qualquer avanço nas conversas sobre deixar o PR e se filiar ao PMDB.

INCOMPETÊNCIA

O deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) culpa o excesso de normas para instalar antenas (mais de 200) pela má qualidade da telefonia celular: “É preciso dar a segurança para as operadoras melhorarem”.

BATENDO CHAPA

Insatisfeitos com escolha do deputado Fábio Farias (RN) para ocupar a vaga do PSD na próxima mesa diretora da Câmara, os deputados Átila Lins (AM), José Carlos Araújo (BA), Júlio César (PI) e Ademir Camilo (MG), resolveram disputar o cargo no plenário. A eleição será no dia 4.

OCUPANDO ESPAÇO

Líder da bancada do holofote, Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) não tem apoio nem mesmo de partidos de oposição para presidir o Senado. Mas sua candidatura, diz ele, é só para “provocar o debate”. Ah, bom.

ADMIRAÇÃO

Autor de 18 livros, o advogado e professor Osmar Paixão Côrtes lidera um dos escritórios de advocacia mais admirados do País, e o maior de todo o DF, segundo o anuário Análise Advocacia, que acaba de sair.

DOMINÓ NO CAOS

Moradores de Águas Claras (DF) sofrem com apagões frequentes. E os funcionários da estatal de energia CEB, em vez de resolverem o problema, vão ao local e jogam dominó por horas. Têm até lugar cativo.

À FORÇA

Aliados de Giacobo dizem que Garotinho ameaçou sair do PR, e levar mais seis deputados, caso não tivesse apoio de Valdemar Costa Neto .

COMISSÕES

Os líderes do PR, PTB e PSC se reunem dia 31, às vésperas da eleição ao comando do Senado, para discutir presidência de comissão. O bloco está dividido entre Infraestrutura, Fiscalização e Meio Ambiente.

PENSANDO BEM...

...o PT teve ontem seu dia de PCC: Plano de Caixinha para Condenados, ou seja, os meliantes condenados no mensalão.


PODER SEM PUDOR

ATRAVESSANDO OS SÉCULOS

O historiador Sérgio Buarque de Holanda (pai de Chico) conversava com o ex-presidente Washington Luís sobre literatura, numa esquina da rua Haddock Lobo, em São Paulo, onde moravam. Um defendia a produção literária do século 18, e o outro preferia a do século 17. Álvaro Augusto, filho de Sérgio, aos 10 anos, perdeu a paciência:

- Vocês não são do século 17 nem 18; são do século 20!...

Depois, olhou o cavanhaque branquinho do ex-presidente e corrigiu:

- ...talvez, quem sabe, um pouco do século 19.

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: Turbinando o pibinho – Governo reduzirá custo de todas as empresas
Folha: SP tem 661 mil pedidos médicos na fila de espera
Estadão: Petrobrás terá de elevar investimentos após revisão da ANP
Correio: Sites põem à venda versão falsificada de suplemento
Valor: Novas concessões de rodovias têm disputa acirrada
Estado de Minas: Sacolinhas liberadas
Zero Hora: Quadrilhas miram o mercado de joias e impõem medo ao RS
Jornal do Commercio: Capibaribe navegável antes da Copa de 2014

quinta-feira, janeiro 17, 2013

A denúncia do “jeitinho monetário” brasileiro - RICARDO GALUPPO

BRASIL ECONÔMICO - 17/01


Não é segredo que no Brasil vigora uma espécie de culto às soluções fáceis e engenhosas. "Não conseguiu ingressos para um show nem passou no exame para motorista?

Não se preocupe; você precisa apenas encontrar um jeitinho", disse o diário inglês Financial Times, num artigo publicado no dia 15 de janeiro sobre a economia brasileira.

O artigo - que se chama "O jeitinho monetário brasileiro" - explica mas não traduz o hábito nacional de se apoiar numa criatividade que chega a resvalar na ilegalidade para resolver desde os problemas mais prosaicos do dia a dia até as questões mais delicadas de política monetária.

Cita como exemplo o pedido feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, para que não aumentasse já as passagens de ônibus para que a decisão não tivesse impacto sobre as taxas de inflação.

É claro que as autoridades reagiram. Haddad disse que o pedido de Mantega não significa jeitinho, mas gestão. A questão é que, incomodando ou não, é impossível deixar de dar razão ao Financial Times.

E os exemplos de jeitinho que o jornal citou são esclarecedores, sem dúvida. Mas estão longe de representar uma relação abrangente desse hábito que, convenhamos, já passou da hora de ser eliminado da vida brasileira.

O Brasil parece ter a mania de produzir leis apenas pelo prazer de vê-las burladas. Um princípio universal transformado em lei diz, por exemplo, que o orçamento de um determinado exercício tem que ser aprovado no ano anterior.

Acontece, porém, que até agora o Congresso Nacional não se dignou a aprovar a relação de receitas e despesas públicas previstas para o ano de 2013. E, para não cometer uma ilegalidade, Brasília deu um jeitinho.

E baixou uma medida provisória que autoriza que os gastos prossigam até a chegada de uma lei que será aprovada Deus sabe quando. Para tentar aquecer a economia, o governo recorre com frequência ao jeitinho da renúncia fiscal a determinados setores em lugar de abrir uma discussão séria e profunda em torno de uma alteração para valer na ordem tributária.

E assim, de jeitinho em jeitinho, os problemas vão sendo empurrados com a barriga até o dia que for possível.

Visto pelo ângulo da necessidade de mudança de rumos, até que o artigo do Financial Times pode produzir resultados positivos. Mesmo porque, na medida em que o hábito começa a ser percebido e apontado como um problema por observadores internacionais influentes, a possibilidade de se encontrar uma solução aumenta.

O Brasil precisa deixar de recorrer à meia-sola para resolver os problemas de sua economia. Reformas consistentes e profundas são mais do que necessárias para que o jeitinho deixe de ser a ferramenta principal e passe a ser apenas - e em casos absolutamente secundários - um traço do bom humor brasileiro.

O modelo de leilão pelo menor preço - ADRIANO PIRES

BRASIL ECONÔMICO - 17/01


A presidente Dilma lançou em 2012 ambiciosos planos para ferrovias (investimentos de R$ 91 bilhões), rodovias (R$ 42 bilhões), portos (R$ 57 bilhões) e aeroportos (R$ 19 bilhões), com o objetivo de ampliar e melhorar a infraestrutura no país.

A maioria dessas licitações será feita com base no objetivo de modicidade tarifaria. Apesar de o barateamento das tarifas ser desejável, este modelo de leilão traz consigo uma série de problemas, principalmente quanto à eficiência e qualidade do serviço.

A base teórica para adoção de leilões pela menor tarifa se encontra no artigo de Demsetz (1968), no qual postulou que esta forma de leilão resolveria um dos problemas fundamentais dos reguladores, que consiste na definição do preço ótimo do serviço em um contexto de assimetria de informações sobre custos das firmas reguladas.

Segundo a sua teoria, assumindo um leilão suficientemente competitivo, os participantes estariam dispostos a fazer lances, oferecendo preços dos serviços cada vez menores até atingir os seus respectivos custos médios.

No critério de menor preço do serviço, o vencedor seria o de menor custo médio. Assim, além do certame baseado no menor preço do serviço se constituir em um mecanismo de revelação da informação sobre o preço ótimo do serviço regulado para o regulador, também viabiliza que o escolhido seja aquele participante com maior eficiência.

O problema deste mecanismo foi apontado por Williansom (1976). A crítica se baseia na tendência dos participantes do certame de realizarem lances com valores abaixo daqueles minimamente consistentes com a sua função custo.

Isso ocorreria num ambiente no qual os participantes do leilão acreditam ser possível convencer o regulador a permitir o incremento dos preços dos serviços, acima daquilo que foi ofertado no leilão.

A base da teoria de Williansom é a de que faltaria capacidade do regulador de se comprometer a não ceder às pressões para o ajuste de tarifas acima do combinado.

Tal fato decorre, especialmente, das dificuldades do poder público para trocar o fornecedor do serviço rapidamente e com baixo custo. Um dos maiores geradores de custos de troca de fornecedores são os elevados sunk costs (custos afundados), que permitem comportamentos oportunistas tanto do concessionário como do próprio Estado.

Se os participantes do certame esperam a falta de comprometimento do regulador com as tarifas fixadas no leilão, o valor do preço do serviço proposto em seus lances passa a ser desvinculado dos seus reais fundamentos de demanda e custo.

Pode-se chegar ao caso limite, no qual o valor do preço do serviço ganhador reflita não a sua eficiência própria, como custos menores, mas sim a capacidade de realizar um lobby bem-sucedido junto ao regulador quando o contrato estiver em operação. Ou seja, vencerá quem tiver melhores conexões políticas.

Tia Peregrina - LUIS FERNANDO VERISSIMO

O GLOBO - 17/01


Velha piada: qual é a diferença entre um visitante francês e um visitante judeu? O visitante francês vai embora sem se despedir, o judeu se despede mas não vai embora. Nós tínhamos uma tia — a famosa tia Peregrina — que seguia o método judeu. Quando a tia Peregrina começava a se preparar para sair, sabíamos que aquilo era apenas o inicio de uma longa retirada, prolongada por assuntos que ainda não tinham sido tratados. A tia Peregrina podia ficar em silêncio durante toda a visita, mas na sua saída começam a brotar assuntos e fofocas e revelações que tinham ficado esquecidas, todas lembradas pela tia Peregrina. A migração da tia Peregrina da sua cadeira até a calçada, que era onde a conversa ficava mais animada, podia levar horas. E se alguém sugerisse que voltassem para a sala e sentassem-se de novo para continuar a conversa, a tia Peregrina era a primeira a protestar:

— Não, não. Estou indo embora. Já me despedi de todo o mundo. E não ia embora.

Durante muitos anos a tia Peregrina fez parte do folclore da família. Quando alguém se atrasava para sair de casa, ouvia:

— Vamos, tia Peregrina!.

Até amigos que nunca conheceram a tia Peregrina, mas conheciam sua fama, a evocavam para desculpar um atraso.

— Epa, desculpe. Dei uma de tia Peregrina.

Confesso que não sei qual era o parentesco dela conosco, nem que fim levou. Parte do seu habitat, a calçada onde todas as conversas terminavam, ficou inabitável. Mas duvido que assaltantes e balas perdidas fossem impedi-la contar a última. Sempre imagino a tia Peregrina sendo velada, e no momento em que vão tampar o caixão, levantando o dedo e dizendo:

— Esperem, tem uma que eu não contei.

Se alguém sugerisse que voltassem e sentassem-se de novo para continuar a conversa, a tia Peregrina era a primeira a protestar: — Não, não. Estou indo embora. Já me despedi... E não ia embora.

Acelera, Mengo! - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 17/01


A Peugeot-Citroën vai patrocinar o Flamengo este ano. Aliás, dia 30 agora, a montadora lança o modelo 208, na fábrica de Porto Real, RJ. O principal acionista da francesa, Thierry Peugeot, virá para a festa.

Calma, gente I
Frei David dos Santos, da ONG Educafro, protocolou ontem uma representação no Ministério Público do Rio contra os clubes Paissandu e Caiçaras, a quem acusa de “discriminação racial e social”, por proibirem a entrada de babás não uniformizadas.

“A medida”, diz a representação, “mesmo que imposta por associação privada, implica discriminação odiosa, ao revelar um tratamento hierárquico irrazoável e violador do princípio da igualdade e da não discriminação”.

As mucamas...
Para Frei David, conhecido por sua luta a favor de cotas para negros nas universidades, “o traje acarreta automática identificação de empregadas domésticas e babás no ambiente do clube, no intuito de registrar para todos os frequentadores sua condição social, reproduzindo o cenário das célebres gravuras de Debret, com a representação de “sinhôs”, “sinhás”, “sinhozinhos” e suas “mucamas”, em pleno século XXI”.

Calma, gente II
Juliana Paes, grávida, caminhava com Pedro, seu filho, dia destes, à noite, pelo Jardim Oceânico, na Barra, no Rio, quando notou a aproximação de um carro com vidros escuros. Segurou o miúdo e, assustada, temendo ser um assalto ou um sequestro, pensou em correr. O carro chegou um pouco mais perto da atriz e, do banco do carona, saiu um... flash. Era um paparazzo.

OLHAI POR NÓS
Os mirantes do Rio precisam de mais carinho. No Mirante do Pedrão, no Morro Santa Marta, em Botafogo, veja acima, a situação é de abandono. Lixo se acumula por toda parte e fios cruzam o local na altura do parapeito, ao alcance de uma criança de 5 anos. No Parque Penhasco Dois Irmãos, no Leblon (ao lado), um dos deques está interditado pela Defesa Civil. O pior é que não há sinal de que será reformado. Lá, a escultura de aço feita por Oscar Niemeyer (1907-2012) sofre com a ferrugem. Até que o parque está bem cuidado, diga-se de passagem, mas a obra do mestre-arquiteto precisa de restauro.

Dado condenado
O ator Dado Dolabella terá de pagar R$ 40 mil de indenização à camareira Esmeralda Honório. A 11ª Câmara Cível do Rio reformou, por unanimidade, a sentença que julgara improcedente o pedido desta condenação. A causa foi ganha pelos advogados Marcelo Salomão e Maria José Arruda de Almeida.

Segue...
Na decisão em primeira instância, a juíza argumentou que Dado seria inocente porque “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. Mas a desembargadora Myriam Medeiros da Fonseca Costa, relatora da apelação, não entendeu assim. Esmeralda, como se sabe, acusa o Dolabella de tê-la agredido durante uma briga dele com a então namorada Luana Piovani, em uma boate, no Rio, em 2008.

Arte moderna
Helena Severo e Antonio Cicero serão os curadores de uma exposição itinerante pelo Brasil de 80 quadros da coleção do banco Santander (arte moderna). “Narrativas poéticas” irá celebrar o diálogo entre poesia e artes plásticas.

Crítica ao capitalismo
Estas esculturas espalhadas pelo Rio, uns amontoados de objetos usados, como sofás, TVs, malas etc, têm chamado atenção. São, na verdade, uma espécie de anúncio da peça “Edukators”, que estreia hoje. Inspirado no filme homônimo, o espetáculo conta a história de jovens que invadem uma mansão e fazem protestos anticapitalistas. O trabalho é do cenógrafo Thomaz Velho e envolveu adolescentes do Novo Degase.

Chuva que cai I
Segunda agora completam-se três meses que a Lona Cultural Hermeto Pascoal, em Bangu, está fechada para shows. As chuvas de outubro causaram danos e nada foi reparado. Alô, prefeitura!

Chuva que cai II
A chuva da última terça causou estrago no Centro Cultural Cartola, no Morro da Mangueira, no Rio. O forro do teto caiu, e a água inundou os equipamentos do centro de digitalização. Além disso, as fantasias que estavam sendo preparadas para o “Baile das Rosas”, em homenagem ao centenário de Dona Zica (1913-2003), viúva de Cartola, foram destruídas.

Imagina na Copa
Um bonecão do Fuleco, o mascote da Copa de 14, foi colocado, terça, próximo ao Rio Joana, quase de frente para o Maracanã. Só que, com aquele temporal, o boneco... caiu no rio e foi levado pela correnteza. De um prédio, um gaiato, como se encorajasse um nadador, ficou gritando: — Vaaai, Fuleeeeeco! Vaaaiiiii...