segunda-feira, novembro 05, 2012

Tudo pelo social - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 05/11

Após ouvir queixas de ONGs, Geraldo Alckmin convocou os reitores das universidades públicas paulistas para cobrar a adoção de políticas de cotas, sobretudo raciais, nos vestibulares. O governador quer evitar que o Estado "fique para trás" em relação ao governo federal, que já regulamentou a reserva social de vagas em agosto.

Mesmo confrontado com a alegada autonomia universitária, Alckmin pediu estudos ao comando da USP, Unesp e Unicamp. O governo paulista sabe que enfrentará desgaste. Entidades que advogam celeridade na implantação do sistema avisaram o Bandeirantes que farão manifestações ruidosas até o final do ano.

Contra o relógio Pressionada, a USP reunirá hoje o conselho universitário para tratar do assunto polêmico.

No pé Tramita na Assembleia desde 2004 projeto do petista Simão Pedro, que atuou na coordenação de campanha de Fernando Haddad, reservando 50% das vagas nas universidades estaduais para alunos de escolas públicas, sendo 30% desse total para afrodescendentes.

Homem novo? Historicamente próximo da Mensagem ao Partido, que reúne, entre outros, o governador Tarso Genro (RS) e o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), Haddad tem respondido que não é filiado a nenhuma corrente do PT quando questionado sobre cotas para as tendências na prefeitura.

Tô fora Apontado como o indicado da Mensagem ao Partido para ocupar uma vaga no secretariado paulistano, o deputado federal Paulo Teixeira diz que já avisou Haddad que seu projeto é ser candidato a vice-presidente da Câmara, em Brasília.

Talk show A exemplo do que o PSB fará no fim do mês, o PSDB marcou para 5 de dezembro, em Brasília, um seminário nacional com os prefeitos eleitos pela sigla.

Revoada A ideia é a mesma: difundir uma marca de gestão tucana uniforme no país. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fará palestra para os novos gestores.

Memória A Fundação Ulysses Guimarães, ligada ao PMDB, também realiza encontro em Brasília, quarta e quinta-feira, para avaliar a eleição e discutir ações para 2013. Em homenagem aos 20 anos da morte de Ulysses, a entidade inaugurará no Bosque dos Constituintes busto do ex-presidente da Câmara.

Não... Na contramão de alguns réus do mensalão que se anteciparam à decisão dos ministros do STF e estão entregando espontaneamente os passaportes, o ex-ministro José Dirceu se recusa a tomar essa iniciativa.

... passarão Condenado por formação de quadrilha e corrupção ativa, o ex-ministro da Casa Civil considera um atentado ao Estado democrático o pedido da Procuradoria-Geral da República para recolher os passaportes antes da publicação do acórdão pelo Supremo.

Ajuda 1 Os Correios estão avaliando a compra da CTT, empresa congênere de Portugal, que será vendida até o final do ano. Ainda não se sabe o valor da transação. O governo português aguarda a formalização de uma proposta a partir desta semana.

Ajuda 2 Um dos modelos de negócio em estudo, e que seria vital para viabilizar a compra, prevê uma parceria com o Banco do Brasil para implantar, em Portugal, o banco postal. A iniciativa tem aval do governo português, que, desde 2005, tenta introduzir o serviço no país.

Preleção Ex-técnico do Palmeiras e da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari estreia hoje como consultor do Ministério do Esporte. Felipão fará palestra para mil alunos da rede pública do Ceará no estádio Castelão, em Fortaleza, sobre oportunidades no futebol para os jovens.

Tiroteio

Se a milhagem do Alexandre Padilha na campanha do PT fosse a mesma para cuidar da saúde, certamente o SUS estaria melhor.

DO DEPUTADO MARCUS PESTANA (PSDB) sobre a maratona de viagens do ministro Padilha (Saúde), cotado para disputar o governo de SP em 2014

Contraponto

Figuração disputada

No segundo turno, a assessoria de imprensa de Geraldo Alckmin improvisou um pequeno palco para o governador conceder entrevista no colégio Santo Américo, no Morumbi, onde vota. O espaço ficou lotado de políticos que disputavam espaço ao lado do tucano. O presidente da Assembleia, Barros Munhoz (PSDB), vibrou:

-O Orlando Morando não está aqui! Vou aparecer!

Morando, também deputado estadual, se notabilizou por sempre estar ao lado de José Serra nas fotos.

A alegria durou pouco: com a superlotação, o palco começou a ranger, e Barros Munhoz preferiu descer.

O perigoso desmanche da política de confiabilidade - MARCO ANTONIO ROCHA


O ESTADÃO - 05/11


Como age uma empresa privada séria, se uma adversidade afeta os resultados esperados para o curto e o médio prazos?

Age com seriedade.

E o governo brasileiro?

Age com enrolações, como nesta fase de "contabilidade criativa" de que falam as autoridades.

Seriedade na empresa privada é não esconder os fatos dos acionistas, dos fornecedores, dos financiadores, dos clientes, de todo o seu público. É expor com racionalidade e clareza os efeitos dos fatos adversos nas contas e explicar de que modo serão enfrentados esses efeitos. É a maneira de preservar o principal ativo com que deve contar qualquer empresa privada: a confiança.

Podem dizer os tycoons do mundo moderno que esse é um ativo meramente virtual. Mas a prova de que não é tão virtual é que até sustenta aventuras arriscadas dos pulhas do mundo dos negócios. Os robbers barons de hoje, como os de ontem, vivem, afinal, da confiança que infundem nos investidores, e nela se saciam até falirem e serem presos (quando o são).

O mesmo fator, a confiança, também assegura a sobrevivência de boas empresas a longo prazo. O outro lado dessa moeda - mais uma prova de não ser virtual - é que sua perda joga a empresa no chão em pouquíssimo tempo. Nem é preciso lembrar os casos recentes de bancos brasileiros e estrangeiros em que a perda de confiança acabou com eles em poucos dias. No setor financeiro, sobretudo, confiança é palavra mágica e sua perda é trágica.

Numa escala um tanto diferente e respondendo a valores talvez diferentes também, a confiança é o nome da prece no que concerne a países. Ninguém no mundo deixaria de emprestar dinheiro para o governo da Suíça. Pode-se até não emprestar, por achar melhor aplicação, não por temer calote. O mundo inteiro aplica dinheiro em títulos do governo americano, cuja remuneração é até negativa, sabendo que o governo americano tem dívidas despropositadas há muitos anos, completamente extra-parâmetros. Mas é que ele desfruta de confiança e de confiabilidade, pois segue regras e normas legais conhecidas, distantes dos, e imunes aos, humores do governante de plantão.

Vamos e venhamos. Em 2008 o Brasil e seu governo passaram por uma saia-justa perigosa. A crise financeira que estourou nos EUA e se espalhou pelo mundo poderia ter-nos afetado de maneira muito cruel. Tivemos sorte? Talvez, mas não foi o fator fundamental. O ex-presidente Lula gosta de pensar que foi o seu enorme prestígio pessoal internacional, sua barbicha e seus belos olhos que nos protegeram. Mas, na prática, confiança foi o nome do santo. O Brasil já vinha nadando numa boa onda de confiança desde o tratamento responsável que deu à sua dívida externa, até a implementação de regras claras para suas contas. Entre elas, a solução das dívidas dos Estados e dos bancos estaduais, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o famoso "tripé" (metas de inflação, superávit primário, juro básico monitorado) de política econômica, sem falar no câmbio o mais flutuante possível.

Isso tinha gerado e mantido uma dose de confiança, interna e externa, nos rumos do País e na ação do governo, capaz de trazer muito investimento direto atraído pelos efeitos que as boas políticas iriam ter, como de fato tiveram: melhoria da renda média da população, dos empregos e do crescimento do mercado de consumo. Cenário favorecido ainda pela crise de confiança que 2008 gerou nos países ricos, em relação à capacidade dos seus governo de lidar com ela.

Mas o que estamos vendo agora na condução da política macroeconômica do governo brasileiro é o renascer de fatores de desconfiança ou de incertezas, e muita enrolação.

O sistema de metas está indo para o brejo. No caso do superávit primário, é evidente. A meta consignada para o ano era de 3,1% do PIB. Ora, o PIB está caminhando abaixo do que se previa. Em vez de um crescimento de 4% ou 5%, caminha para crescer 1,5%. Como o superávit primário serve para pagar os juros da dívida, tem de crescer em termos absolutos, e assim cobrir os compromissos que se pretendia resgatar no ano. Não está crescendo em termos de caixa, até porque a arrecadação está caindo. Paga parcela cada vez menor dos juros. Na estatística criativa, continua na meta de 3,1% do PIB. Só que alimentado por receitas muito fora da curva - como a antecipação de futuros supostos dividendos das empresas estatais - e por despesas diferidas, que ficam como restos a pagar para o ano que vem. Mais grave é que essa parcela "fantasma" está alargando sua participação no total do superávit primário, ninguém sabe exatamente de quanto.

Na política monetária, a Selic é usada não mais como bastão prudencial de contenção da inflação, mas como anabolizante do crescimento da atividade econômica, junto com o aumento da oferta de crédito nos bancos oficiais e com a desoneração fiscal seletiva, alegadamente destinada a melhorar o nível de emprego em alguns ramos industriais.

E, com o abandono do "tripé" macroeconômico, vem o relaxamento com as dívidas dos Estados e com a LRF, enquanto a inflação vai retornando. O desmanche das políticas de confiabilidade não traz bom agouro para o ano que vem.

OBESIDADE INFANTIL - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 05\11

'TEM CRIANÇA QUE NUNCA VIU UMA BATATA, SÓ CONHECE FRITA'


O menino gordinho de oito anos olha para um chuchu e, questionado se sabe o nome do vegetal, diz: "Coco?". Essa é uma cena de "Muito Além do Peso", documentário sobre a obesidade infantil dirigido por Estela Renner, 39. O problema, segundo o IBGE, atinge um terço das crianças brasileiras. Ela conversou com a coluna sobre o filme, que estreia nos cinemas em 16 de novembro.

Folha - Por que esse tema?
Estela Renner - A gente estava na dúvida se faríamos sobre adoção ou sobre obesidade. Mas a obesidade está mais à mostra. Você vai à praia e vê, está em todos os lugares.

Em todos mesmo?
Sim. Fui para o meio da Amazônia, em casas de palafita, e as crianças não sabem o que é bacuri, uma fruta da região. Sabem o que é cupuaçu, mas bacuri não. Mas sabem o que é batata frita, ainda que não reconheçam uma batata.

O filme mostra crianças brasileiras e entrevistados estrangeiros. Como os escolheu?
As crianças são todas brasileiras e as famílias também. Minha dúvida era se funcionaria ouvir uma família brasileira falando e depois disso passar para uma fala do [chef inglês] Jaime Oliver. Mas, como as causas são universais, acho que funcionou.

Você foi recebida pelo Ministério da Saúde?
A gente tentou fazer contato. Não conseguimos. Existe preocupação, mas lá dentro é um complexo de engrenagens. Não adianta ter só um grupo preocupado. No filme, há um momento em que o ministro da Saúde dá o título de parceiro da saúde para o CEO do McDonald's. Isso pode?

Esse canal de diálogo pode ser aberto após a estreia?
A intenção é essa. A Marina Silva já tem uma cópia do filme, queremos mandar para a presidente Dilma. Seria incrível se tivéssemos força política, se o [Celso] Russomanno ou a Marta Suplicy fossem à pré-estreia [no dia 12, no auditório Ibirapuera]. É um problema de saúde. Não dá para falar mais que é culpa da criança nem só culpa da família. Imagina se 33% das crianças do Brasil estivessem com dengue. Como lidaríamos com o problema?

É um filme para crianças?
Estamos pleiteando censura livre. Mas é para adultos. O pai precisa ver primeiro para saber se é ou não para o seu filho. Meus três filhos viram.

As crianças do filme mudaram de hábitos alimentares depois de conversar com vocês?
Há duas semanas, falamos com os pais do menorzinho, de quatro anos, que mora perto de Manaus, e ficamos preocupados, porque ele engordou muito. Fomos até lá levar uma nutricionista. Estamos realmente preocupadas, ele corre riscos. Outra, de Brasília, fez uma aposta e parou de tomar refrigerante. Perdeu cinco quilos. Mas a maioria continua na mesma. Ou engordou um pouquinho. Já a equipe do filme mudou de hábitos: virou vegetariana ou passou a comer melhor.

"O filme mostra o ministro da Saúde dando o título de parceiro da saúde para o CEO do McDonald's. Isso pode?"

OLHA O BURACO
Uma em cada cinco vítimas de quedas atendidas no Hospital das Clínicas, em agosto, se acidentou nas calçadas de São Paulo. De 197 pacientes que deram entrada no pronto-socorro de ortopedia, 35 relataram ter caído nas ruas. Desse total, 40% dos acidentes foram causados por buracos.

NO TÉRREO
A pesquisa do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC mostra que 77% dessas vítimas eram mulheres. Mas só 8,5% usavam salto.

CHAVE...
O PSDB e José Serra não têm do que reclamar em relação a Gilberto Kassab (PSD-SP), que agora se reaproxima do PT. De acordo com apoiadores do prefeito, se não fosse ele, a campanha tucano-serrista não teria sequer recursos para ir adiante.

...DO COFRE
Kassab, com "seu prestígio como prefeito", diz um correligionário, deslocou pessoas de sua confiança para ajudar na arrecadação de dinheiro para a campanha. E até nomeou um amigo, Rubens Jordão, para ser o presidente do comitê financeiro de Serra.

COLCHÃO
E Kassab deixará R$ 55 bilhões no caixa da prefeitura para Fernando Haddad (PT-SP) tocar o ano de 2013.

50 TONS DE FÉ
A Igreja Universal destacou, em seu site, que "Nada a Perder", autobiografia de Edir Macedo, "passou as duas obras de ficção erótica mais vendidas do país".

ESPELHO, ESPELHO MEU
A jornalista e apresentadora da TV Globo Fátima Bernardes, 50, fala à revista "Boa Forma" deste mês sobre envelhecer. "Eu sou como eu era aos 20, aos 30 anos? Não. Aos 40 não sentia que tinha aquela idade. Agora, passo por 45? Ótimo!"

VACAS MAGRAS
A grife Iódice vende uma calça jeans skinny, colada ao corpo, chamada Somália. A marca diz que o nome é por conta do tecido de que a peça é feita, igual ao país africano.

CHEQUE ESPECIAL
O número de paulistanos com dívidas diminuiu em outubro, segundo dados da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). A queda é de 2,6% em relação ao mês anterior, passando de 51,5% para 48,9%. Em números absolutos, o total de famílias endividadas caiu de 1,846 milhão em setembro para 1,754 milhão no mês passado.

PRESTAÇÕES
A PEIC (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) aponta que o principal tipo de dívida dos paulistanos continua sendo o de cartão de crédito (73,6%), seguido por carnês (19,5%), financiamento de carro (17,6%), crédito pessoal (12,3%), cheque especial (8,8%) e financiamento de casa (7,3%).

QUESTÃO DE MÉRITO
O arquiteto Carlos Alberto Cerqueira Lemos, professor emérito da USP, recebe hoje em Brasília a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura.

BARBEADOR
O ator Julio Andrade, que vive Gonzaguinha em "Gonzaga - de Pai pra Filho", conta que já está "cansado" da barba que vem usando desde o começo do ano. "Fiz dois filmes, 'A Pele do Cordeiro' e 'Gonzaga', que pediam barba para meus personagens. E agora vou pro terceiro, 'Serra Pelada'. Não aguento mais."

DA TV PARA A MESA
Carla Pernambuco está reformulando o cardápio do restaurante Carlota. Incluirá nele receitas testadas no programa "Brasil no Prato", que terá terceira temporada no Canal Bem Simples (Fox).

A ÚLTIMA MODINHA
A atriz Patrícia de Sabrit levou seu filho, Max, para conferir a coleção da grife Dior para crianças. Mariana Kupfer, atriz, foi à loja com a filha, Victoria. A empresária Sandra Habib levou a neta Catarina e Ana Elise Rocha foi acompanhada pela filha Júlia. Maythe Birman também esteve na butique Dhuif, nos Jardins.

CURTO-CIRCUITO

Henrique Prata, do Hospital do Câncer de Barretos, lança hoje, às 19h, o livro "Acima de Tudo o Amor", na Fnac Pinheiros.

A atriz americana Kristen Stewart tem aparecido com um escapulário feito pela joalheira brasileira Francisca Botelho.

O Espaço Offset faz às 19h evento em prol do Facial Anomalies Center.

O livro "Pauliceia de Mil Dentes", de Maria José Silveira, será lançado às 18h30, na Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho.

A chef Bel Coelho recebe amanhã o mexicano Enrique Olvera para preparar jantar no restaurante Dui.

De costas para o futuro - LÚCIA GUIMARÃES


O Estado de S.Paulo - 05\11


NOVA YORK - A indignidade deste ano da eleição presidencial, que será decidida amanhã, foi resumida em meio ao trauma da passagem do furacão Sandy. Um programa da Fox News, também conhecida como máquina de propaganda do Partido Republicano, recebeu o esgotado Chris Christie, Governador de Nova Jersey, que interrompera a viagem de campanha por Mitt Romney, quando ficou claro que seu Estado sofreria a maior destruição com Sandy. O âncora Steve Docy tentou levantar a bola para inserir a campanha na tragédia e perguntou se Christie ia convidar Romney para fazer um tour do desastre. O republicano Christie cortou na hora: "Estou pouco me lixando. Tenho devastação, enchentes, 2.4 milhões de pessoas sem eletricidade e um trabalho a fazer."

Christie, que passou o ano ridicularizando Barack Obama, elogiou a presteza e a liderança do presidente em alocar recursos federais para ajudar seu Estado. E foi imediatamente ridicularizado por colegas de partido, acusado de ajudar o candidato democrata.

A visão dos republicanos para os Estados Unidos já havia sido anunciada em 2010 pelo líder do partido no Senado, Mitch McConnell: "Minha prioridade número um é fazer de Barak Obama o presidente de um mandato só".

Se dependesse dos republicanos, milhões de americanos não teriam direito de votar amanhã, graças à campanha que moveram de combate a uma endêmica - e inexistente - fraude nas listas de eleitores registrados. Tropas de choque de contratados pelo partido vão aparecer nos locais de votação para confundir minorias e idosos, pedir identidade mesmo quando não é preciso apresentar o documento. E, caso a votação termine numa margem muito apertada num Estado decisivo, podemos contar com uma nefasta reprise da disputa de 2000, quando a recontagem da Florida foi parar na Suprema Corte e a vitória foi depositada no colo de George W. Bush, a quem devemos duas guerras e parte do desatino econômico que desaguou no crash de 2008. Um frio me passou pela espinha quando liguei a TV e peguei o advogado de Bush, em 2000, hoje contratado pela campanha Romney, dizer que já deixou sua agenda livre de compromissos a partir de amanhã.

Eu estava em Times Square na noite fria de 4 de novembro de 2008, quando a praça irrompeu numa comemoração memorável, assim que o telão anunciou a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Conversei com eleitores negros de todas as classes e eles expressavam orgulho e incredulidade com o caminho percorrido pelo país onde, 45 anos antes, a lei os tratava como cidadãos de segunda classe. Estudantes universitários de todas as combinações étnicas, parte da chamada Geração Obama, se identificavam como o primeiro presidente que mantinha contato com eles por SMS. Um líder que falava em ciência, aquecimento do planeta, igualdade entre os sexos e havia transformado a palavra esperança num slogan cool. Ninguém pensava na nuvem da Grande Recessão, que já se formava naquela noite.

No fim da noite de sábado, um enrouquecido e muito mais grisalho Barack Obama reclamou de volta o slogan "Hope" num discurso em Iowa. O slogan de 2012, Forward (para frente) ganhou um ponto de exclamação de última hora nos pôsteres dos comícios. Mas não há pontuação ou oratória que possa produzir uma explosão de ufania como a de 2008 amanhã, em Times Square ou no Grant Park de Chicago, onde Obama tem chance apertada de fazer um segundo discurso de vitória. Obama, o presidente da esperança, é também o presidente que manteve aberta a prisão de Guantánamo e mata civis com drones controlados do deserto de Nevada. É o presidente que não consegue tomar um cafezinho com seus adversários e detonou sua arma mais poderosa de campanha, Bill Clinton, sem ter servido uma refeição ao casal Clinton, depois que chegou à Casa Branca.

Dizem que a vitória tem muitos pais e a derrota é órfã. Uma vitória de Mitt Romney terá a custódia de extremistas que hoje dominam seu partido. A vitória de Obama, que eu gostaria de ver amanhã, já tem pelo menos uma paternidade confirmada: Mitt Romney, o candidato escolhido porque exibe a qualidade necessária para prevalecer entre os republicanos - a qualidade de um invertebrado.

A pena e a reparação do dano - EDUARDO SAAD-DINIZ

VALOR ECONÔMICO - 05/11


O julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta agora a fase de questionamento da "utilidade" da imposição de uma pena aos cidadãos, para quê serve então "fazer Justiça". Antes de aplicar as condenações, no entanto, talvez seja preferível conhecer os valores a partir dos quais será construída a decisão, motivo por que o colegiado cresce em importância para afastar o subjetivismo decisório e a ânsia por tutelar a carência de Justiça dos brasileiros sem maiores reflexões.

Embora ainda esteja pouco precisa a noção de utilidade que tem orientado o julgamento, já é possível observar a reparação dos danos causados como resposta "útil", de tal forma que a compensação dos prejuízos causados pelos condenados tem despontado como uma terceira via alternativa para a resolução dos casos penais.

É verdade que a compensação dos danos pode estimular uma reconciliação dos mensaleiros com a população. A alternativa à pena recorreria à inteligência das relações de direito privado, que incidem diretamente no benefício e na vantagem percebida com a prática das condutas proibidas. Além de afetar a capacidade econômica do condenado, demonstrando-lhe que o crime não compensa, com essa terceira via se crê coroar o caráter subsidiário da intervenção penal, aceito pela maioria dos penalistas. Mas será que a reparação do dano bastaria como um equivalente da culpabilidade?

Se alguém provoca um prejuízo a outro de forma criminosa, causa uma perturbação na sociedade. Espera-se dele então que, na qualidade de cidadão, possa restabelecer os danos que foram causados, como se pudesse transitar na sociedade de uma ação perturbadora para uma construtiva. Isso não significa, contudo, que a pena possa ser igual à reparação.

Reparação se propõe a restabelecer a relação entre autor e vítima, e por isso expõe o direito penal ao risco de mera proteção da vítima. A pena tem um propósito um pouco mais amplo. Propriamente, a imposição de um mal a quem comete o crime, sem que necessariamente possa ser verificada a utilidade imediata à vítima. O sentido da pena é um pouco mais delicado para a compreensão da vida em sociedade do que o simples cálculo e restituição das perdas.

A imposição da pena evidencia um "plus", uma "mais-valia de sentido" para além das relações entre autor e vítima. Importa a toda a sociedade, e por isso mesmo é que a pena pode ser entendida como supra-individual, criando espaços para que a sociedade possa restituir a perturbação causada, com uma justa distribuição da liberdade entre os indivíduos que cometem os delitos e aqueles que sofrem como vítimas.

Desde esses parâmetros de fundamentação da pena, é provável que se possa compreender as condenações do mensalão de forma diversa. A terceira via das reparações do dano parece contribuir apenas superficialmente para a efetivação de um modelo de prevenção à corrupção no Brasil. É no mínimo duvidoso que se admita a pretensão de equivalência entre os limites de legitimação da pena e a multa patrimonial. Mesmo porque os fatos se deram há quase oito anos. Quer dizer, oito anos em que o dinheiro circulou no mercado, o que faz da reparação uma ilusão bem pouco funcional à efetiva construção do direito penal.

Já citado neste espaço, Michael Pawlik critica muito fortemente a arbitrariedade de se manter as normas penais a qualquer custo. Caberia ao direito penal zelar pela manutenção das condições de liberdade real dos indivíduos na sociedade e, segundo Pawlik, quem se priva dessa responsabilidade ao realizar uma conduta típica, afeta o projeto comum da "liberdade pelo direito", rompendo a solidariedade e o próprio papel de cidadão. Assim como o direito penal é um pesado instrumento estigmatizante, pode ser também pensado como instrumento que cria condições de liberdade aos indivíduos. Além dos vínculos entre as relações privadas e a norma penal, está por se definir no Brasil um importante marco regulatório da estabilidade do ordenamento e da confiança nas relações jurídicas.

O filósofo do martelo na academia - LUIZ FELIPE PONDÉ

FOLHA DE S. PAULO - 05/11


Se Kafka hoje escrevesse um conto sobre nós acadêmicos, nos colocaria com cara de ratos



"Eu lamento agora que naqueles dias eu ainda não tinha coragem (ou imodéstia?) para permitir a mim mesmo, de todas as formas, minha própria língua individual..."

Estas palavras são de Friedrich Nietzsche (1844-1900), em tradução livre, do seu "Tentativa de Autocrítica", opúsculo escrito por ele como autocrítica, em 1886, ao seu livro "Nascimento da Tragédia" (primeira edição em 1872). A edição de 1886 ganhou como acréscimo ao título o subtítulo "Helenismo e Pessimismo".

Nietzsche foi minha primeira paixão na faculdade de filosofia da USP. Na época, recém-saído da medicina e em formação para ser psicanalista, o que nunca aconteceu, eu colocava em diálogo Nietzsche e Freud.

O filósofo do martelo me é inesquecível e continuo pensando com o martelo até hoje. Vocação é destino. Este trecho específico carrega em si muito do que Nietzsche significa para um filósofo profissional como eu, em constante mal-estar com o que a vida universitária se transformou, em épocas de produtividade industrial do ensino superior.

A fala de Nietzsche vai de encontro ao modo como somos formados, não sem razão, nas boas faculdades de filosofia: somos formados para não sermos originais. Hoje, entendo que qualquer originalidade possível em filosofia é algo conquistado a duras penas, assim como a santidade ou os movimentos precisos de uma dança -metáfora cara ao filósofo do martelo.

Lembro-me de uma das primeiras aulas em que um dos grandes professores que tive nos disse algo assim: "Você não está aqui para achar nada, antes de achar algo estude, e descobrirá que muita gente já pensou o que você pensa, e muito melhor do que você, antes de você."

Esta dureza acaba por fazer de nós pessoas menos opinativas e mais rigorosas, e isso é sem dúvida fundamental. Esta é a diferença entre pensar filosoficamente e pensar como senso comum. Vale lembrar que do ponto de vista da filosofia, as ciências humanas em geral são senso comum.

Rigor nada tem a ver com o que a academia se tornou com o passar dos anos: um antro de política lobista e de burocracia da produtividade a serviço da morte do pensamento. A universidade está morta e só não sente o cheiro do cadáver quem tem vocação para se alimentar de lixo. Fosse Kafka vivo e escrevesse um conto sobre nós, acadêmicos, nos colocaria com cara de ratos.

Imaginem Nietzsche preenchendo o currículo Lattes, uma plataforma informática que supostamente democratiza o acesso à produtividade da comunidade acadêmica, ao mesmo tempo em que normatiza e quantifica esta produtividade. Na prática, o Lattes serve para nos tomar tempo (sempre dá pau) e acumular platitudes e repetições que visam a quantificação de um quase nada de valor.

Agora imaginem Nietzsche às voltas com relatórios anuais da CAPES, que junto com o Lattes, institucionaliza e quantifica esta mesma produtividade de um quase nada de valor.

Não existiria filosofia se nossos patriarcas, de Platão a Nietzsche (para citar dois grandes), tivessem que preencher o Lattes, fazer relatórios CAPES ou serem "produtivos". Todos seriam o que, aos poucos, nos transformamos: burocratas mudos da própria irrelevância. Analfabetos do pensamento.

Uma das formas de sobreviver a este processo de produtividade de massa é obrigar nossos alunos a pesquisar aquilo que não querem, de uma forma que não querem, a fim de garantir verbas institucionais de pesquisa em grande escala. Esmagamos a criatividade e as intenções dos alunos fazendo deles uma infantaria estatística. A universidade mente: quer formar rebanhos dizendo que defende a liberdade de pensamento.

Lutamos dia a dia para conseguirmos sobreviver aos montes de formulários e demandas do mundo dos ratos. A universidade aos poucos sucumbe aos efeitos colaterais de um mundo que, como diria Nietzsche, vomita "ideias modernas". Os processos de democratização do saber, como suspeitava nosso filósofo, são processos de produção de nulidades em grandes quantidades.

Mais do que nunca é urgente sermos corajosos e imodestos para acharmos nossa própria língua individual.

Buscando o equilíbrio - PAULO GUEDES


O GLOBO - 05/11
O Brasil e a China são emergentes antípodas. O Brasil fez primeiro sua abertura política, estando ainda em transição inacabada para sua abertura econômica. Já a China completou sua integração competitiva à economia mundial, enquanto prossegue lentamente em seu quase imperceptível processo de abertura política.
A taxa de poupança da China é extraordinariamente alta. Permite o financiamento de maciços investimentos públicos em infraestrutura. Permite também a geração de um excesso de oferta que transborda para os mercados globais por meio das exportações. A contenção do consumo interno possibilita que a produção local se direcione à fabricação de máquinas, equipamentos, bens de capital, instalações industriais, bem como a construção de aeroportos, ferrovias, portos, rodovias, usinas hidrelétricas, linhas de transmissão e redes de distribuição de energia.

Já o Brasil parece movido a consumo corrente, gastos públicos com pessoal e transferências de renda. Por isso somos prisioneiros da armadilha social-democrata do baixo crescimento. O boom de consumo empurrado à base de crédito e de bolsas governamentais estimula expansões cíclicas de fôlego curto, mas não o crescimento econômico a longo prazo. Os investimentos privados estiveram contidos por duas décadas de juros excessivamente elevados, baixas expectativas de crescimento e marcos regulatórios inadequados. E, mesmo nos orçamentos públicos, as despesas com os juros sobre a dívida, com os salários e aposentadorias do funcionalismo e com subsídios e transferências de renda acabaram comprimindo a níveis irrisórios os investimentos governamentais em infraestrutura.

A grande crise contemporânea exigirá ajustes importantes no Brasil e na China. Curiosamente, o que há de excesso em um país é o que falta no outro. A China tem de ampliar seu consumo interno para compensar os efeitos da desaceleração econômica global sobre suas exportações e sua engrenagem de geração de empregos lubrificada pelos fluxos do comércio internacional. E o Brasil tem de expandir seus investimentos em educação, infraestrutura e logística para transformar uma expansão cíclica à base de crédito ao consumidor e transferências de renda em crescimento econômico sustentável.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 05/11

SP quer descentralizar combate ao câncer
A Secretária da Saúde do Estado de São Paulo investiu em um pacote de cerca de R$ 50 milhões para equipar hospitais e descentralizar o tratamento de câncer.

"É um processo de modernização de hospitais estratégicos, principalmente os universitários, mas também para dar acesso a novas tecnologias nos hospitais da rede", afirma o secretário estadual da Saúde, Giovanni Guido Cerri.

"A ideia é que essas tecnologias mais avançadas de diagnóstico e terapêutica cheguem a outros hospitais, não apenas aos de ponta da rede. Estamos fazendo uma democratização de recursos tecnológicos pelo Estado."

São equipamentos para tomografia, ultrassom e videocirurgia de tecnologia mais avançada, que não estavam disponíveis em hospital de média complexidade, como os de Assis, segundo Cerri.

Um outro esforço, de acordo com o secretário, é em equipar a rede para descentralizar o atendimento de câncer. O Hospital Guilherme Álvaro (Santos) terá uma unidade supervisionada pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira.

"Os pacientes da Baixada Santista serão atendidos com tecnologia igual à que é encontrada em São Paulo", afirma o secretário.

Outro exemplo é o hospital Luzia de Pinho Melo (Mogi), que terá uma unidade de câncer completa.

São 23 novos equipamentos de radioterapia, em vários locais, como Mogi, Guarulhos, Presidente Prudente, Santos e Heliópolis, diz.

Os hospitais de primeira linha, os universitários, que são considerados estratégicos, por sua vez também contam com recursos.

"Colocamos tecnologia de ponta até mesmo para o país, o continente, como é o caso da ressonância de sete tesla, um projeto em parceria com outras instituições". A rede estadual usa hoje equipamentos com três tesla (potência do magneto).

No Dante Pazzanese e no Incor, foram instaladas salas híbridas, em que se faz o diagnóstico e a cirurgia reparadora, com tecnologia das mais modernas no tratamento de doenças cardíacas e coronarianas.

OUTRAS ÁGUAS
O site de compras coletivas Peixe Urbano irá lançar sua própria agência de viagens nesta semana.

Hoje a empresa fecha parcerias com terceiros, como redes hoteleiras, e disponibiliza as ofertas no site.

"Nós apenas divulgamos serviços, quem entrega a viagem não somos nós, mas outra companhia. Nós só tentamos escolher o melhor parceiro", diz Julio Vasconcellos, CEO da empresa.

Com a agência, a companhia passará a ser responsável pelos pacotes vendidos.

"Tem muita gente que olha as ofertas no site, mas não compra por medo de algum imprevisto. Agora vamos controlar tudo, devolveremos o dinheiro em caso de problema", acrescenta.

"Com isso, pretendemos trazer para a internet os consumidores que só adquirem viagens em lojas físicas."

MODA RÁPIDA
A rede de "fast fashion" Handbook, que tem hoje 30 lojas no Brasil, vai chegar a 41 unidades até o final deste ano.

A expansão, cujo objetivo é avançar para o Sul do país e elevar a presença em Minas Gerais, se manterá em 2013.

Serão outras 30 lojas, segundo Sérgio Zeitunlian, sócio da marca.

"No ano que vem, também começaremos a abrir franquias em cidades com menos de 500 mil habitantes", diz.

Estão previstos R$ 30 milhões em investimentos em 2013, além de R$ 20 milhões neste ano.

Norte e Nordeste, regiões que vão requerer coleções adaptadas ao clima, estão nos planos para depois de 2014.

O faturamento deve fechar em R$ 130 milhões em 2012 e superar R$ 160 milhões no próximo ano.

MERCADO DESAQUECIDO
O volume de fusões e aquisições caiu nos continentes americano, europeu e asiático no primeiro semestre de 2012, ante o mesmo período do ano passado, segundo levantamento da consultoria American Appraisal.

Na América, a retração é atribuída, sobretudo, ao desempenho dos Estados Unidos, onde o valor das transações diminuiu em 40%.

O resultado europeu não foi considerado ruim por conta da crise econômica pela qual passa o continente.

Após um desempenho positivo em quase todo 2011, as transações na Ásia caíram.

A América do Sul e a América Central registraram alta no volume e nos valores dos negócios no segundo trimestre de 2012, em comparação com o trimestre anterior.

Vide bula - MELCHIADES FILHO

FOLHA DE SP - 05\11


BRASÍLIA - O PT tomará um banho de loja em São Paulo e lançará projetos dirigidos à nova classe média, impulsionado pela vitória de Fernando Haddad na capital e pelo diagnóstico de que, para conquistar o governo do Estado, é preciso ir além do discurso contra a pobreza.

De olho nessa fatia emergente do eleitorado, quatro petistas de São Paulo estão instalados em ministérios de projeção: Aloizio Mercadante (Educação), José Eduardo Cardozo (Justiça), Marta Suplicy (Cultura) e Alexandre Padilha (Saúde).

A disputa entre eles será -já é- sangrenta. Mas a política vive fase curiosa, em que ser desconhecido virou vantagem. Lula animou-se com os "postes" que escolheu e elegeu. A bola "nova" da vez é Padilha, 41, e não os outros, veteranos.

O titular da Saúde, ao contrário de Dilma e Haddad, é petista de raiz. Milita desde adolescente e conhece bem o partido. No governo Lula, cuidou do mapa federativo, encarregado de ouvir e atender prefeitos. Imagine quantos galhos quebrou.

Outro trunfo dele é a hiperatividade. A Folha detalhou ontem o giro paulista do ministro nos finais de semana anteriores às eleições municipais. Em um só sábado, ele correu mil quilômetros e seis cidades. Não está a passeio.

No ministério, Padilha tem lançado programas em profusão: Rede Cegonha, SOS Emergência, Academias da Saúde, Melhor em Casa, Mamografia Móvel, IDSUS...

Trata-se de um portfólio de respeito, mas ainda de pouca visibilidade: a Saúde segue a área mais crítica e criticada do governo federal.

A verdade é que, enquanto Dilma não abraçar essa agenda e colocar a Presidência a serviço dela, a percepção popular não mudará -e a corrida de 2014 continuará aberta. Para lembrar: o PAC e sua "mãe" foram inventados três anos antes da eleição de Dilma e o "mauricinho" do ProUni foi avisado em 2009 que um dia seria candidato.

Falta a opção pela competência - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 05/11


O governo decidiu dar prioridade ao crescimento, disse o secretário do Tesouro, Arno Augustín, tentando justificar, pelo menos em parte, a arrecadação ruim deste ano. O baixo ritmo da produção prejudicou a receita de impostos e contribuições, mas também os incentivos ao setor privado afetaram o recolhimento de tributos.

As desonerações, disse o secretário, podem afetar o resultado das contas públicas a curto prazo, mas "são necessárias para construir uma equação fiscal favorável no longo prazo". Trocando em miúdos: a troca é vantajosa sob todos os aspectos, porque a menor tributação fortalece os negócios, em primeiro lugar, e cria condições, depois, para o governo arrecadar mais. Genericamente, o argumento é sensato e bem conhecido há décadas. Pelo mesmo critério, pode-se admitir um pouco mais de inflação, a curto prazo, para romper a estagnação econômica, e essa manobra também já foi executada várias vezes em muitos países. No Brasil, no entanto, a contrapartida dos incentivos está demorando a aparecer. Aparecerá, segundo o secretário. Fé e esperança podem ser virtudes, mas é difícil, neste caso, acompanhar o otimismo oficial.

O governo já concedeu estímulos no ano passado e reforçou-os neste ano. Em 2011 o Produto Interno Bruto cresceu apenas 2,7%. Neste ano, o resultado final será pior que o de 2011 e a expansão poderá ficar abaixo de 2%, segundo a maior parte das projeções divulgadas até agora. Os incentivos foram dirigidos principalmente ao consumo. Quando a insistência nessa política foi criticada, a resposta oficial foi muito simples: ainda há muito espaço para a expansão do consumo, até porque há uma ampla demanda reprimida e muitas famílias ainda serão incorporadas ao mercado. Tudo isso é verdade, mas o argumento tem sido usado como resposta à pergunta errada. A questão relevante é outra: os consumidores foram às compras, mas a resposta da indústria ficou muito abaixo da demanda. Há algo errado e a Confederação Nacional da Indústria já chamou a atenção para os limites da política oficial.

Se essa crítica for correta, as esperanças apontadas pelo secretário do Tesouro serão materializadas apenas em parte. Poderá haver alguma reação da indústria, depois de longa estagnação e de um demorado ajuste de estoques, mas o crescimento será medíocre. Uma expansão de 4% ou 5% no próximo ano, depois de dois anos muito ruins, será apenas suficiente para o setor começar a sair do atoleiro. Mas uma nova fase de expansão segura dependerá de outros fatores, incluídos novos investimentos tanto privados quanto públicos.

Do lado público, as coisas vão mal, embora o governo, como indicam as contas do Tesouro, tenha investido até setembro 23,3% mais que um ano antes. Mas convém examinar os dados com mais atenção. Boa parte dos desembolsos foi de restos a pagar, porque o governo continua incapaz de investir o valor previsto no orçamento de cada ano.

Os investimentos em transportes continuam travados, a sucessão de apagões mostra problemas sérios no setor elétrico (sem contar o atraso dos programas de geração) e até a Petrobrás, a mais dinâmica das estatais, enfrenta dificuldades para realizar seus planos. Ao incluir na agenda a desmobilização de ativos no valor de US$ 14,8 bilhões, a empresa escancara, mais uma vez, os danos acumulados em anos de planejamento defeituoso e de gestão submetida a objetivos políticos do governo.

Esses fatos podem parecer desconexos, à primeira vista. Tomados em conjunto, no entanto, revelam problemas muito mais graves que aqueles decorrentes de uma crise conjuntural. Isso vale tanto para as dificuldades de uma indústria acossada pelos concorrentes estrangeiros quanto para uma Petrobrás enfraquecida ou para um sistema elétrico de baixa confiabilidade.

Nenhum desses problemas se resolve com incentivos fiscais ao consumo ou com políticas de investimento público divorciadas de critérios de eficiência. A opção pelo crescimento, mencionada pelo secretário do Tesouro, só produzirá resultados relevantes e duradouros com base em critérios mais sólidos que aqueles seguidos até agora.

Incertezas no horizonte - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 05\11
Pelas características do setor, as empresas que geram, transmitem e distribuem energia elétrica geralmente são concessionárias de um serviço público e, por isso, estão sujeitas à regulação. O ideal é que estas regras sejam de longo prazo e procurem ter como referência leis de mercado. A regulação no Brasil é essencial porque a grande maioria dos consumidores compõe um mercado cativo. Somente grandes consumidores têm acesso ao mercado livre, e não estão forçosamente atrelados à distribuidora local. Esses grandes consumidores podem contratar parte de suas necessidades aproveitando oportunidades periódicas de oferta de energia, com preços mais baixos. As empresas fornecedores de energia, por sua vez, também podem ser beneficiadas em momentos repentinos de incremento de demanda.

Dessa forma, embora sujeito à regulação, o setor de energia elétrica tem atraído investimentos de grupos privados, e um bom exemplo é o que tem sido observado no segmento de fontes alternativas, em especial o relacionado à energia eólica. No caso das grandes hidrelétricas, em face das resistências a esses empreendimentos, a parceria com companhias estatais vem sendo a opção para se atenuar os riscos durante a construção, já que nesse tipo de associação os governos acabam se constituindo em importantes aliados na superação das dificuldades.

Sob este modelo, que concilia leis de mercado com uma razoável dose de regulação, investimentos têm sido feitos para acompanhar o crescimento esperado para a demanda no médio e longo prazos. Problemas pontuais têm ocorrido por insuficiência de investimentos de alguma empresa local, mas sem chegar a comprometer o sistema como um todo.

Em tal ambiente, surgiu, porém, uma questão mais polêmica, com forte impacto sobre os preços das ações das companhias de energia elétrica na Bolsa de Valores. O prazo de concessão de várias usinas hidrelétricas e de algumas linhas de transmissão terminará em dois anos, e o governo decidiu que, para renová-lo, as companhias terão de se submeter a uma redução nas tarifas, sob a premissa de que a maior parte do investimento já foi amortizada. O cálculo vem sendo posto em dúvida e existem casos em que as empresas se propõem a não renovar a concessão em troca de uma indenização sobre a parcela que não teria sido ainda amortizada.

Sintomático que, na sexta-feira, aos serem conhecidas as bases divulgadas pelo governo para renovar concessões com uma redução em média de 20% nas tarifas, as ações da Eletrobrás tenham desabado na bolsa de Nova York. É louvável a redução dos custos da energia elétrica, mas o mercado financeiro vê na iniciativa um risco regulatório, com a intervenção governamental indo além do recomendável.

Essa questão terá de ficar mais clara o quanto antes, pois no horizonte dos que investem em infraestrutura, necessariamente a longo prazo, não é possível que incertezas relacionadas à regulação passem a existir.

Cristinoduto - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 05/11


Não bastassem as tensas relações que mantém com a imprensa oposicionista, o governo argentino revela uma face talvez ainda mais grave de sua estratégia antidemocrática e manipuladora.

Segundo dados oficiais, possivelmente subestimados, a administração Cristina Kirchner canalizou, neste ano, cerca de 600 milhões de pesos (mais de R$ 300 milhões) para órgãos alinhados com o governo. Em alguns jornais, os recursos de publicidade oficial cobrem mais de 90% dos custos.

Publicações governistas tiveram, de 2011 a 2012, acréscimos enfáticos nas verbas publicitárias. Uma publicação da cidade de Mendoza conheceu 266% de aumento nesse tipo de receitas, se comparado o primeiro semestre do ano passado com o mesmo período de 2012.

Somente critérios técnicos, como o volume de circulação e o público específico que se pretende atingir, deveriam orientar os governos na escolha dos veículos a serem utilizados para anúncios estatais.

Privilegiando jornais que lhe são favoráveis e diminuindo a publicidade nos órgãos de oposição, o governo Kirchner faz mais do que simplesmente revelar o que já se sabia desde suas primeiras investidas contra o grupo editorial "Clarín".

Não se trata apenas de tentar sufocar setores que criticam o governo. Trata-se, no fundo, de desqualificar toda a imprensa.

Não haveria necessariamente nenhum escândalo se um jornal celebrasse, como fez um diário de Buenos Aires, a volta da petrolífera YPF às mãos do governo com uma primeira página veemente. Mas o fato de esse mesmo jornal duplicar a receita de anúncios governamentais descaracteriza, em tese, o próprio valor de sua opinião.

Assim como a compra de votos de parlamentares é um atentado contra a própria lógica democrática, o "cristinoduto" atinge a imprensa argentina como instituição. Para criticar ou apoiar, a relação entre jornais e governos só se mantém saudável enquanto vale o princípio da máxima distância.

Com 18 jornais em circulação na capital, a Argentina pode, sem dúvida, dispor de uma imprensa múltipla, representativa das mais diversas correntes de opinião.

Nenhuma instituição pluralista e independente da sociedade civil consegue sobreviver, entretanto, se depende de favores, de mesadas e mensalões oferecidos pelo Estado -cujos recursos não pertencem ao governante ocasional, mas a toda a sociedade.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO


Réus do mensalão podem ir até o fim do mandato


Condenados por maioria no Supremo Tribunal Federal, os deputados réus do mensalão João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT) podem concluir o mandato na Câmara antes de ir para prisão. Segundo especialistas, após a condenação e a definição das penas – processo chamado de dosimetria –, os ministros precisam publicar o acórdão, de seis mil páginas, revisado por todos.

Só em 2014

Uma vez finalizada a dosimetria, advogados de réus do mensalão esperam adiar em pelo menos um ano o cumprimento da pena.

Leva tempo

Segundo o jurista Erick Pereira, acórdãos muito menores levam hoje cerca de quatro meses para serem revisados e publicados.

Protelatórios

A defesa também pode apresentar embargos de declaração (para esclarecer dúvidas) e infringentes, a fim de reverter a condenação.

Pergunta no PT

Afinal, Marcos Valério é um “desqualificado” agora, como disse o presidente da Câmara, Marco Maia, ou já era antes no mensalão?

Câmara também ‘dedura’ quem indaga salários

Como no Senado, também no site da Câmara dos Deputados já é saber os salários recebidos pelos seus servidores, muitos deles dignos de marajás, mas o pesquisado é imediatamente informado sobre a identidade e o endereço do contribuinte que busca a informação. No Senado, o “dedurismo” provocou situações de constrangimento, com servidores reagindo à curiosidade com insultos.

Obstáculos

O fornecimento dos dados do pesquisador de salários ao servidor que é alvo da pesquisa é só um dos obstáculos ao direito à informação.

Faça o que digo...

Curiosamente, a Lei de Acesso à Informação, conquista expressiva dos direitos do cidadão, foram aprovadas na Câmara e no Senado.

Pensando bem...

...quem morre é o mocinho, na guerra de palavras entre o governo federal e o governo estadual sobre a onda de crimes em São Paulo.

A vida é bela

O ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que viveu no Rio ora à beira-mar, ora no xilindró, não sai de Porto Alegre, onde vive a namorada. Utiliza charmoso apartamento na rua Fernando Gomes, mais conhecida como “Calçada da Fama”, promissor pólo gastronômico da capital gaúcha.

Dolce vita

Além da alegada participação de Lula e Antonio Palocci no esquema do mensalão, dá calafrios nos envolvidos o que Marcos Valério sabe das festas que organizou na famosa casa do Lago Sul, em Brasília.

Já deu

Os Correios perderam a moral de exigir respeito ao seu monopólio. Deveria até abrir mão desse privilégio uma estatal que leva 15 dias para entregar em Brasília uma carta enviada do Recife. Que vergonha.

Ele é o tal

O gerente de Relações Institucionais da Infraero, Cleber Herodes, divulgou em sua página de rede social fotos de praias de Salvador, durante viagem a trabalho, gabando-se estar bem com o “cabeça branca”, como trata o presidente da estatal, Gustavo do Vale.

Sofá retirado

Após o caso do gerente que publicou na internet fotos de seu passeio a Salvador por conta do contribuinte, a Infraero tomou medida drástica: recomendou “cuidado” aos funcionários no uso das mídias sociais.

Guardanapo sujo

O Ministério Público Federal abriu inquérito para investigar indícios de patrimônio ilícito do ex-subsecretário de Saúde do Rio, Cesar Romero Vianna Jr, primo da mulher do secretário Sérgio Côrtes. Cesar se envolveu no escândalo das ambulâncias superfaturadas da Toesa.

Lorota

Convidando-se para chefiar a Secretaria do Entorno do governo do DF, o ex-governador Rogério Rosso diz que seu PSD venceu eleições em quatro cidades do entorno do DF. Mas a vitória foi do PSD goiano.

AMB, 63

O Senado realiza nesta segunda-feira (5), às 11h, sessão solene em homenagem aos 63 anos de criação da Associação dos Magistrados Brasileiros, por iniciativa do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Toque de ‘Clarín’

Os argentinos vivem o tal “efeito Orloff” ao contrário: já são nós amanhã.

Tucanos são como irmãos

Fernando Henrique conhece bem José Serra. Por isso Itamar Franco, então presidente, chamou-o no Ministério das Relações Exteriores para opinar sobre a nomeação de Serra como ministro da Fazenda.
- O sr. pretende renunciar? – perguntou FHC.
- Não estou entendendo, ministro – respondeu Itamar, intrigado.
- É que, ao nomear Serra, o sr. vai abdicar do poder. Conheço bem o Serra, ele é da turma do “eu sozinho”, tome muito cuidado...
Assim Serra acabou queimado, e FHC virou ministro da Fazenda.

2012 + 2 - JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO


O Estado de S.Paulo - 05/11


Como a eleição de prefeitos vai impactar o jogo de poder em Brasília? No varejo, uns caciques perdem penas enquanto outros aumentam seus cocares. No atacado, porém, a perda de cabos eleitorais será fatal para muitos deputados federais e, por consequência, para as bancadas de seus partidos na Câmara.

DEM, PMDB, PR e PTB são os mais ameaçados de diminuírem em 2014 por causa de 2012. PSB e PT, ao contrário, tendem a medrar. Nada aponta, entretanto, para uma revolução na balança partidária. A eleição municipal fez crescer mais partidos nanicos e projeta uma dispersão de poder ainda maior que a já existente na Câmara.

Há uma correlação muito forte entre número de prefeitos eleitos e tamanho das bancadas que os partidos levam para Brasília dois anos depois. No último ciclo eleitoral, o coeficiente foi de 0,9 num máximo de 1,0. Esse número não implica relação de causa e efeito, mas há indícios de que o sucesso do partido na eleição municipal esteja ligado ao número de deputados que ele elege.

Com uma série histórica mais ampla e metodologia científica, Leandro Piquet Carneiro e Maria Hermínia Tavares de Almeida demonstraram a articulação dos votos recebidos por um partido em diferentes eleições em artigo na revista Dados em 2008. O que se colhe das urnas num ano semeia os resultados subsequentes.

Em setembro passado, pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas confirmaram a relação de causalidade entre um pleito e outro e ainda estimaram que a eleição de um prefeito aumenta em 20% os votos para deputado federal recebidos pelo mesmo partido naquele município dois anos depois. Suas descobertas estão no artigo Articulações interpartidárias e desempenho eleitoral no Brasil, publicado pelo Cepesp da FGV.

Explicam os autores: "Essa vantagem veio do maior acesso dos prefeitos aos recursos públicos, seu papel como implementadores de políticas públicas locais ou como intermediários de transferências estaduais e federais, ou até como emprestadores de credibilidade para as promessas eleitorais dos candidatos do partido". Ou seja: prefeitos são bons cabos eleitorais.

No triênio 2008-2010, a proporção média foi de dez prefeitos para cada deputado federal eleito por partido. Essa taxa variou muito de legenda para legenda. O PT conseguiu converter quase três vezes mais deputados por prefeito do que o PMDB, por exemplo. Isso pode mudar porque petistas avançaram nas pequenas cidades.

Adaptadas as proporções, a Câmara semeada este ano tem o PT com favorito a fazer a maior bancada em 2014, mas ainda assim menos de 20% dos deputados. O PMDB tende a encolher mas manter o segundo maior número de cadeiras. PSD e PSDB devem se equivaler em tamanho, e o PSB ameaça alcançá-los.

Em seguida viria um bloco que, em ordem decrescente, começaria no PP, passaria por PDT e PR, desceria por DEM, PTB, PC do B, PRB e PV até o PPS. Uma dezena de partidos nanicos completaria o plenário.

Haverá outros fatores em jogo em 2014, porém. No seu artigo de 2008, Carneiro e Tavares de Almeida concluíram que "a votação para governador é a variável que tem o maior efeito sobre as votações para deputado federal". Logo, os partidos ainda têm como mudar seu destino até a próxima eleição.

É a fila, tucano. O PSDB tem dois problemas similares mas diferentes que, por aparência ou conveniência, vêm sendo debatidos como se fossem um só. Renovação partidária independe de renovação política, ou o contrário. Um partido pode arejar suas ideias com os mesmos caciques de sempre, ou pode promover curumins com ideias gastas. Seria saudável juntar caras novas a cabeças abertas, mas o ótimo é inimigo do bom. Renovação, de fato, seria fazer a fila andar.

A opinião pública já deu o recado algumas vezes, basta querer ouvir. Quem encabeçava a fileira e perdeu precisa reconhecer a derrota - qualquer uma delas. É um gesto que equivale a sair da frente, dar lugar. Sem isso, a sucessão entope. Tensões se acumulam até os conflitos implodirem o partido. Para quem obstrui, melhor retirar-se do que ser expelido ou abandonado.

Quanto às novas ideias, é mais provável que provenham da necessidade do que da hereditariedade. Na política, a repetição é mais forte do que a inovação. Se o patriarca teve sucesso, o herdeiro tende a imitá-lo, não contradizê-lo. Os exemplos se repetem, não importa o partido: Dirceus no PT, Brizolas no PDT, Covas no PSDB, Magalhães no DEM, Alves no PMDB, Arraes no PSB.

O coco raramente cai longe da palmeira - ser Vladimir é exceção.

Aécio olha na direção do Planalto - RICARDO GALUPPO

BRASIL ECONÔMICO - 05\11

Desta vez, tudo tudo indica que a biruta que aponta a direção dos ventos eleitorais se voltou na direção de Minas Gerais e que o senador Aécio Neves sairá candidato a presidente da República em 2014. Nas eleições passadas, aó para recordar, Aécio chegou a manifestar da intenção de disputar o Planalto. Suas pretensões, no entando, esbarraram na determinação de José Serra. O cenário, agora, é distinto e os movimentos recentes do senador levam a crer que desta vez não haverá recuo. Afinal (e ao contrário do que se viu em São Paulo), ele deu nas eleições deste ano uma demonstração de prestígio de proporções impressionantes: 80% dos 853 municípios de Minas elegeram prefeitos simpáticos a Aécio. E, mais importante ainda, ele teve com a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva um embate pessoal que só não foi mais valorizado porque a vitória do PT em São Paulo acabou esmaecendo o brilho de todo o resto. Em Belo Horizonte, Dilma e Lula se esforçaram para tentar eleger o petista Patrus Ananias tanto quanto se empenharam para eleger Fernando Haddad em São Paulo. Aécio avalizou a candidatura à reeleição do prefeito Márcio Lacerda - que venceu no primeiro turno. Pode parecer pouco, mas não é. Depois que elegeu Pimenta da Veiga para a prefeitura, em 1988, o PSDB passou a ser presa fácil para a PT em BH. Agora, deixou de ser.

Segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com 12,5 milhões de eleitores, Minas Gerais dará a Aécio uma base regional com um nível de coesão que nenhum outro político terá nas próximas eleições. Para começar, com Aécio candidato, Dilma perderá o apoio de um estado que lhe deu quase 1,8 milhão de votos de vantagem sobre José Serra em 2010. Cerca de 15% dos votos que Dilma teve a mais que Serra foram dados por Minas Gerais. Agora, ela não contara com eles.

A coesão de Minas será uma ajuda e tanto, mas está longe de ser suficiente para fazer de Aécio favorito na disputa. Mesmo porque, ele tem uma dificuldade enorme pela frente: conseguir viabilizar seu nome no maior Colégio Eleitoral do país. O PSDB paulista nunca conseguiu entender como um político com a força regional de Aécio não conseguiu transferir prestígio a José Serra (em 2002 e 2010) e a Geraldo Alckmin (em 2006). Aécio e seus assessores mais próximos dizem que não é verdade e que ele fez o que pôde para garantir votos a seus correligionários. Uma coisa, no entando, é o que ele diz. Outra, muito diferente, será conseguir convencer os políticos de São Paulo a apoiá-lo daqui a dois anos. O grande plano de Àécio para 2013 é percorrer o Brasil e se transformar na figura nacional que ainda não é. Se conseguir, terá dado o primeiro passo em direção ao Planalto. A questão é que, no jogo de xadrez eleitoral, a presidente Dilma Rousseff, que disputará a reeleição, joga com as pedras brancas-e tem a iniciativa dos movimentos.

Insensatez - DENIS LERRER ROSENFIELD

O GLOBO - 05/11

Uma coisa é o ministro da Justiça receber grupos com demandas insensatas. Que ele assuma essa insensatez, é algo totalmente diferente



Quando tudo parece já ser conhecido, causa espanto, senão surpresa, observar que ministros e titulares de órgãos do Estado agem à revelia de si mesmos e de decisões maiores do Supremo Tribunal Federal. Refiro-me, em particular, à edição e à suspensão da Portaria 303 da Advocacia-Geral da União (AGU), normatizando as condicionantes do STF relativas ao julgamento do caso da Raposa Serra do Sol.

Na edição dessa Portaria, a AGU nada mais fez do que regulamentar um Acórdão do Supremo, seguindo as suas determinações. Cumpriu um preceito constitucional. Em nota Nº24/ 2012/DENOR/CGU/AGU, ao responder solicitação da Funai, pedindo a revogação dessa Portaria 303, constam, no seu arrazoado, importantes considerações.

O texto da AGU, em seu inciso 3: “Seu texto segue rigorosamente o que foi determinado pelo STF no julgamento do caso Raposa Serra do Sol, em 2009, pois é mera reprodução de sua decisão na Petição 3.388/RR.” Trata-se de uma decisão da mais alta corte do país sendo aplicada. É o estado de direito em funcionamento.

Em seu inciso 5, frisa que o seu principal objetivo, “ao publicar essa Portaria, é a promoção da estabilidade das relações jurídicas”. Observe-se que a segurança jurídica é o seu objetivo maior. Logo, há um marco a partir do qual os conflitos podem ser equacionados no estrito cumprimento da lei.

Não obstante essas considerações, a mesma AGU conclui pela suspensão dessa Portaria considerada tão necessária. A contradição é flagrante. Ela deixa de seguir o que foi fixado pelo STF, não mais se preocupa com a estabilidade jurídica apregoada, dissemina a insegurança jurídica e aumenta os conflitos existentes nessa área. O que era um marco constitucional deixa, abruptamente, de sê-lo.

A questão é a seguinte: o que levou a AGU a agir contra si mesma, na verdade, contra o próprio governo? Convém salientar que a suspensão dessa Portaria atinge não somente agricultores (familiares, pequenos e médios) e o agronegócio, mas a construção de hidrelétricas, hidrovias e estradas, a mineração e, de modo mais geral, a soberania nacional e a presença das Forças Armadas, em particular o Exército, em todo o território nacional.

Para responder a essa questão, é necessário remontar ao Ofício nº260/ GAB/PRES-FUNAI, assinado pela presidente, Marta Maria do Amaral Azevedo, e dirigido ao ministro Luis Inácio Adams, advogado-geral da União.

Em sua consideração nº1, consta: “Em atenção às reivindicações apresentadas pelos povos indígenas e organizações da sociedade civil e considerando os compromissos e esforços do Estado brasileiro para a regulamentação e implementação do direito de consulta dos povos indígenas, previsto na Convenção 169 da OIT, solicito a suspensão temporária dos efeitos da Portaria AGU nº303/2012, que foi publicada no DOU de 17/07/ 2012.” Posteriormente, em declarações publicadas em jornais, é advogada a suspensão definitiva dessa mesma Portaria.

Observe-se que uma decisão do Supremo, seguida pela AGU, deveria ser submetida à apreciação e aprovação dos povos indígenas e organizações da sociedade civil. O STF não seria instância máxima do país na interpretação constitucional das leis, mais deveria ser referendada por outras instâncias. O Supremo deixaria de ser supremo.

Note-se o eufemismo “organizações da sociedade civil” para designar, na verdade, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão da Igreja Católica, o Instituto Socioambiental e outras ONGs indigenistas, nacionais e internacionais, além dos ditos movimentos sociais. Eles se tornariam, então, a instância máxima para a decisão dessas questões. A insensatez é total.

O ofício ainda recorre à Convenção 169 da OIT, como se ela estivesse acima da Constituição nacional e da decisão do STF. De nova conta, nossa mais alta corte aparece como instância subordinada. Ocorre aqui uma transferência de soberania.

Em sua consideração nº 2 consta que “tal medida [de suspensão] se justifica em razão da repercussão negativa que a edição da Portaria causou em âmbito nacional e internacional, fato atestado, inclusive, pela Secretaria Geral da Presidência da República”.

Ora, ora! Uma Portaria da AGU normatizando uma decisão do Supremo deveria estar condicionada às suas repercussões em ONGs nacionais e estrangerias, graças às suas influências em certos jornais, revistas e meios de comunicação no país e em escala global. A mensagem é a seguinte: Brasil, não exerça a sua soberania e siga essas ONGs e movimentos sociais!

Mais estarrecedor ainda é o fato de o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, assumir para si essa posição de um órgão de seu ministério, a Funai. Em seu aviso nº 1744/2012/MJ, de 14 de setembro de 2012, endereçado ao advogado-geral da União, Luis Inácio Lucena Adams, é dito ter ele recebido no ministério a presidente da Funai, o ministro substituto da Advocacia- Geral da União, vários representantes de etnias indígenas que “solicitaram a revogação da Portaria nº303”. Ou seja, órgãos estatais e representantes de algumas etnias apregoam a revogação da portaria, o que significa dizer que a decisão do STF não deve ser normatizada, logo, seguida.

Que o ministro receba grupos com demandas insensatas, pode perfeitamente fazer parte do seu trabalho. Que ele assuma essa insensatez, é algo totalmente diferente. Assim, escreve após ter ouvido as lideranças: “Declarei de próprio punho” que encaminharia à AGU a proposta de “criação de um Grupo de Trabalho composto pelo Ministério da Justiça, AGU, Funai e representantes dos povos indígenas com o objetivo de discutir as condicionantes estabelecidas na Portaria nº303/2012 e outras formas de viabilização de processos de demarcação de terras indígenas, na conformidade com o estabelecido na Constituição Federal.”

Como assim? Agir em conformidade com o estabelecido na Constituição Federal submetendo a consulta uma decisão do Supremo, como se essa corte não tivesse seguido a nossa Lei maior? A instância máxima do país tornou-se mínima?

Verdades gabaritadas - VINICIUS MOTA

FOLHA DE S. PAULO - 05\11


SÃO PAULO - As tecnologias aplicadas à produção de alimentos e a exploração empresarial da terra ajudam a tirar bilhões de seres humanos da miséria. Mas frustrou-se o aluno que, ao prestar o Exame Nacional do Ensino Médio neste fim de semana, tenha procurado uma resposta nesses termos.

Nada disso. A expansão dos alimentos transgênicos está relacionada às "desigualdades sociais".

Ponto para quem foi induzido a pensar de um só lado durante anos a fio nos bancos escolares.

E o avanço da irrigação nas plantações? Melhorou a produtividade? Estabilizou o abastecimento de comida? Não. Na prova do Enem, é preciso responder que essa técnica levou ao "agravamento da poluição hídrica". Ou que desviou o curso dos rios.

No exame, estudantes percorreram uma litania marxista a pretexto das trabalhadoras do babaçu no norte do país. O termo "quebradeira de coco", diz o texto citado no teste, "assume o caráter de identidade coletiva", pois as mulheres "reconhecem sua posição e condição desvalorizada pela lógica da dominação".

Ao final, é claro, era só marcar a alternativa que culpava os fazendeiros.

O jargão rebarbativo das ciências sociais "progressistas" correu solto. Para a questão citando o "discurso da disciplinarização dos corpos" (tratava da aversão à gordura na sociedade), a resposta mencionava a "culpabilização individual".

Sociólogos e antropólogos podem ver poesia em passagens como "portadora de memória, a paisagem ajuda a construir os sentimentos de pertencimento". Mas tente entender, leitor. Agora imagine um garoto de 17 anos obrigado a decifrar esses atentados à linguagem franca, numa prova para quase 6 milhões de brasileiros.

O Enem pode ter algumas vantagens. Do ponto de vista das ciências humanas, entretanto, vai exacerbar a transformação de plataformas pedagógicas parciais e militantes em verdades gabaritadas.

À espera do pior - RICARDO NOBLAT

O GLOBO - 05\11


"Maluf corre o risco de ser preso se sair do país. Genoino, se ficar." CARLOS BRICKMANN, jornalista



O medo e o ranger de dentes parecem ter cedido lugar à cautela e à sensatez como atitudes mais indicadas para orientar o comportamento do PT diante do que está por vir - a cadeia, destino certo de alguns dos seus festejados ex-dirigentes, e a possível, embora incerta, investigação sobre o papel desempenhado por Lula no esquema do mensalão. O PT estava pintado para a guerra. Guardou as armas.

DEU-SE COMO definida a ausência de Dilma na posse do ministro Joaquim Barbosa, o novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Lula não queria vê-la por lá. Está furioso com o rigor que tem pautado as intervenções de Barbosa durante o julgamento do mensalão. E pensar que Barbosa deve a Lula o cargo que ocupa... E pensar que seu nome foi selecionado por Frei Betto, assessor especial de Lula no primeiro governo dele.

AFINAL, PREVELECEU a moderação. Dilma viajará à Espanha. Mas voltará às vésperas da posse de Barbosa na vaga aberta com a aposentadoria do ministro Carlos Ayres Britto. Trata-se de um rito de Estado a presença do presidente da República na posse do chefe do Judiciário. O contrário seria um desaforo. Ou para ser exato: um ato de provocação. Presidente da República pode muito, mas não tudo.

A CONDENAÇÃO do deputado João Paulo Cunha (PTSP), um dos envolvidos no crime do mensalão, desatou no PT uma onda de ataques duros ao STF. Como se aquela Corte fosse composta por homens fracos, covardes, que cedem à pressão de uma imprensa ávida por cabeças e de uma opinião pública movida a manchetes e artigos.

ALGUÉM DEVE ter-se dado conta de que a rebelião do PT contra o STF poderia agravar a situação do partido na reta final do julgamento. Aconselhado pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, Lula reuniu-se com José Dirceu e José Genoino, e ordenou que baixassem a bola. Nada de nota oficial para censurar o STF. Nem de manifestações hostis promovidas pela Central Única dos Trabalhadores. A hora é de esperar para ver no que vai dar.

O PT IMAGINOU que o STF absolveria algumas de suas estrelas - Dirceu e Genoino com certeza. Foram condenadas. O PT imaginou que, se condenadas, elas acabariam poupadas de cumprir pena atrás de grades. Tudo sugere que não serão. Para completar, o ex-publicitário Marcos Valério, um dos operadores do mensalão, pediu para ser ouvido pelo procurador- geral da República e, em depoimento assinado, disse que tem muito o que revelar.

REZA O PT para que Valério não tenha como provar o que a "VEJA" e o jornal "O Estado de S. Paulo" publicaram nas últimas semanas - que Lula era o chefe do mensalão; que Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, participou do esquema da compra de apoios políticos; e que ele, Valério, enviou para o exterior dinheiro destinado ao PT.

TERÁ VALÉRIO abastecido ou tido acesso à caixamãe de todos os caixas dois onde o PT esconde dinheiro obtido irregularmente? Será trágico para o partido se isso tiver ocorrido. Valério quer contar o que diz saber em troca de menos anos de cadeia. O procurador-geral da República poderá ou não aceitar a sua proposta. Mas, caso Valério formalize uma denúncia contra quem quer que seja, e desde que ela seja minimamente fundamentada, o procurador não poderá ignorá-la.

É SUA OBRIGAÇÃO providenciar para que uma denúncia de crime seja apurada. Então talvez se venha a saber se Lula foi apenas um idiota, feito de bobo por seus acólitos, ou mente ao país até hoje.

SEGUNDA NOS JORNAIS


Globo: Eleições nos EUA – Obama disputa voto a voto para se reeleger
Folha: STF ordena que ação de Valério no BC seja apurada
Estadão: STF avalia dar penas mais leves para Valério
Correio: Flagrante de um sequestro em Brasília
Valor: ‘Ficha limpa’ do BC barra executivos do mercado
Estado de Minas: Infância perdida na chuva
Zero Hora: PCC tentou instalar “filial” no Estado

domingo, novembro 04, 2012

A melhor versão de nós mesmos - MARTHA MEDEIROS

ZERO HORA


Alguns relacionamentos são produtivos e felizes. Outros são limitantes e inférteis. Infelizmente, há de ambos os tipos, e de outros que nem cabe aqui exemplificar. O cardápio é farto. Mas o que será que identifica um amor como saudável e outro como doentio? Em tese, todos os amores deveriam ser benéficos, simplesmente por serem amores.

Mas não são. E uma pista para descobrir em qual situação a gente se encontra é se perguntar que espécie de mulher e que espécie de homem a sua relação desperta em você. Qual a versão que prevalece?

A pessoa mais bacana do mundo também tem um lado perverso. E a pessoa mais arrogante pode ter dentro de si um meigo. Escolhemos uma versão oficial para consumo externo, mas os nossos eus secretos também existem e só estão esperando uma provocação para se apresentarem publicamente. A questão é perceber se a pessoa com quem você convive ajuda você a revelar o seu melhor ou o seu pior.

Você convive com uma mulher tão ciumenta que manipula para encarcerar você em casa, longe do contato com amigos e familiares, transformando você num bicho do mato? Ou você descobriu através da sua esposa que as pessoas não mordem e que uma boa rede de relacionamentos alavanca a vida?

Você convive com um homem que a tira do sério e faz você virar a barraqueira que nunca foi? Ou convive com alguém de bem com a vida, fazendo com que você relaxe e seja a melhor parceira para programas divertidos?

Seu marido é tão indecente nas transações financeiras que força você a ser conivente com falcatruas?

Sua esposa é tão grosseira com os outros que você acaba pagando micos pelo simples fato de estar ao lado dela?

Seu noivo é tão calado e misterioso que transforma você numa desconfiada neurótica, do tipo que não para de xeretar o celular e fazer perguntas indiscretas?

Sua namorada é tão exibida e espalhafatosa que faz você agir como um censor, logo você que sempre foi partidário do “cada um vive como quer”?

Que reações imprevistas seu amor desperta em você? Se somos pessoas do bem, queremos estar com alguém que não desvirtue isso, ao contrário, que possibilite que nossas qualidades fiquem ainda mais evidentes. Um amor deve servir de trampolim para nossos saltos ornamentais, não para provocar escorregões e vexames.

O amor danoso é aquele que, mesmo sendo verdadeiro, transforma você em alguém desprezível a seus próprios olhos. Se a relação em que você se encontra não faz você gostar de si mesmo, desperta sua mesquinhez, rabugice, desconfiança e demais perfis vexatórios, alguma coisa está errada. O amor que nos serve e nos faz evoluir é aquele que traz à tona a nossa melhor versão.

Infância exilada - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 04\11

A terceira edição da “Zum”, revista de fotografia do Instituto Moreira Salles, que chegará às livrarias dia 10, vai trazer reportagem do coleguinha Plínio Fraga sobre crianças de menos de 10 anos, acredite, fichadas como “subversivas” pelo finado SNI e mandadas ao exílio. Eram filhos, sobrinhos e netos de militantes presos pelo regime militar.

Segue...
Na foto acima, de 1970, pinçada por Plínio entre as mais de 15 mil imagens dos arquivos do SNI, estão, da esquerda para a direita, os irmãos de criação Zuleide (4 anos), Ernesto (2), Luiz Carlos (6) e Samuel (9). Foi captada horas antes de os quatro embarcarem para a Argélia com 40 presos spolíticos, entre os quais Carlos Minc e Fernando Gabeira, trocados pelo embaixador alemão Von Holleben, sequestrado pela guerrilha.

Os quatro...
As crianças estavam sob os cuidados da avó Tercina Dias de Oliveira, ali com 55 anos, militante mais velha presa pela ditadura. Atiradas ao exílio, passaram pela Argélia e cresceram sem pátria em Cuba até a Lei da Anistia, em 1979.

Tango no aço
Argentinos da Techint estão fortes na disputa pela usina CSA, no Rio.

Fã de Obama
Dilma torce por Obama. Mas o governo acredita que a vitória de Romney (toc, toc, toc) não mudaria muito a relação com o Brasil. Afinal, nosso déficit comercial com os EUA é alto. E, como se sabe, vendedor não briga com comprador.

O DOMINGO É...
...de Giovanna Antonelli, a formosa atriz carioca de 36 anos, que vive a delegada Heloísa na novela “Salve Jorge”, de Glória Perez, na TV Globo. A temida e poderosa Helô, compradora compulsiva, não consegue arrumar um... namorado. Namora eu.

Cavalo VIP
O Aeroporto de Viracopos, em Campinas, vai ganhar um novo terminal de carga viva para receber os cavalos que virão competir nos Jogos de 16. A obra começa em 14.

O papel dos índios
Será criada, a partir de uma costela da Comissão Nacional da Verdade, que investiga os crimes da ditadura, um grupo específico para apurar o que ocorreu com os índios suruís na Guerrilha do Araguaia, no início dos 70. Eles teriam sidos forçados a atuar como guias do Exército.

Aliás...
Dias 16, 17 e 18 agora, a CNV vai visitar, pela segunda vez, o sul do Pará, onde ocorreu a guerrilha.

Cem anos de Braga
Para celebrar o centenário do grande cronista (13 de janeiro de 2013), a José Olympio vai reeditar no começo do próximo ano o livro “Na cobertura de Rubem Braga”, fora de catálogo faz tempo, de José Castello. Na forma de verbetes, descreve a múltipla personalidade do nosso cronista capixaba, que adotou o Rio.

País do Tufão
Mano Menezes, o técnico da seleção brasileira, a exemplo do país todo, também adorou... “Avenida Brasil”, a novela-sensação da TV Globo. Especialmente, por causa do personagem Tufão, interpretado por Murilo Benício. O treinador acha que o craque da trama representava, de fato, a média do jogador brasileiro rico e bem-sucedido atual: cercado de gente que vive às custas dele.

Silas eterno
Silas de Oliveira (1916-1972), o genial compositor do Império Serrano, para o qual compôs 16 sambas-enredos, será homenageado no Dia da Consciência Negra (20 de novembro) com um grande show no velho Imperator, no Méier, no Rio. Estrelas do samba como Dona Ivone Lara, Monarco, Dudu Nobre, Ana Costa e outros vão se revezar no palco.

Para dar sorte
A Caprichosos de Pilares, cujo enredo é o fanatismo, vem com uma ala de anões representando amuletos. Os miúdos vão aparecer fantasiados como, entre outros, pé de coelho, galho de arruda e figa.

Maluco-beleza
O bloco “Bagunçando o coreto” vai desfilar no carnaval de 2013 homenageando os... loucos ilustres do Brasil e do mundo. Serão lembrados na folia Bispo do Rosário, profeta Gentileza, Raul Seixas e até André Breton e Salvador Dalí, os mestres do surrealismo.

Mas...
Nessa lista está faltando o nome de pelo menos um conhecido político carioca. Com todo o respeito.