O ESTADÃO - 05/04/12
O governo está empenhado em acabar com a chamada "guerra dos portos". Trata-se dos incentivos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para importações de mercadorias por alguns Estados. O benefício fiscal, diz-se, exacerba o ritmo das importações e contribui para agravar a desindustrialização. Intuitivamente, a medida faz sentido.
A intuição, como se sabe, é um pressentimento que pode se basear em observação da realidade. As tardes quentes de verão costumam provocar chuvas fortes. Assim, intui-se que virá um temporal quando a temperatura sobe, mas as condições meteorológicas podem não confirmar o palpite. A intuição se mostrou equivocada.
A cruzada contra a guerra dos portos coincide com a percepção da alarmante perda de competitividade da indústria. A opinião pública tende a aceitar qualquer explicação plausível para a sua origem.
Os incentivos do ICMS para importação são uma modalidade de guerra fiscal. No seu início, os incentivos visavam à industrialização das regiões menos desenvolvidas. Eram aceitos e aprovados pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne todos os Estados.
Como tempo, particularmente depois que a Constituição de 1988 deu aos Estados o poder de legislar sobre o ICMS, os incentivos se ampliaram, muitos de forma ilegal. O Confaz foi ignorado. Estados entraram na Justiça contra Estados. Benefícios foram glosados, criando incertezas e custos para as empresas. Virou bagunça.
O uso de incentivos do ICMS se justifica em certos casos. Sua utilização indiscriminada é prejudicial. Distorce a alocação de recursos, os quais não se orientam por sua melhor aplicação, mas pela economia de tributos.A guerra fiscal reduz a eficiência e os ganhos de produtividade. A sociedade perde.
O enfrentamento dessa questão exigirá uma revisão ampla do sistema tributário, bem como políticas eficazes e críveis de desenvolvimento regional e um prazo de transição para que Estados e empresas se adaptem a uma nova realidade. Não pode ser feito açodadamente.
A ação contra a guerra dos portos não mira a guerra fiscal, mas as importações. Não pode ser chamada de reforma tributária, pois o caos doICMS continuará. As mudanças frequentes de regras e alíquotas permanecerão. O custo de cumprir obrigações fiscais não se alterará.
O foco da medida é equivocado. A grande maioria dos bens importados com tais incentivos é de matérias-primas, partes, peças e componentes. A indústria os importa pela necessidade de mudar a cadeia de suprimentos e assim lidar com o drama da perda de sua competitividade, provocada por conhecidos problemas estruturais. Busca-se o incentivo apenas quando este supera o custo adicional de transporte.
A lógica da grande maioria das importações não é a da guerra dos portos, mas a da preservação da competitividade. Assim, a não ser que o produto nacional fique mais barato que o estrangeiro após o fim dos incentivos - o que nem sempre acontecerá -, as importações tendem a continuar.
Haveria tão somente o deslocamento para outros portos,particularmente para o de Santos, já congestionado. A logística pioraria. Aumentaria o custo das empresas, reduzindo sua competitividade.
O governo federal se comprometeu a compensar os Estados pela perda de arrecadação nos portos. Sem segurança de que receberão esses recursos, os governadores buscarão apoio dos parlamentares de seus Estados para o que consideram um ameaça à sua saúde financeira e ao desenvolvimento estadual. A derrota provocará desgaste político que poderia ser evitado.
A medida parece ter muitos custos e pouco ou nenhum benefício. É preciso estudar e debater melhor o assunto.
quinta-feira, abril 05, 2012
Dilma Teflon - JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO
O Estado de S.Paulo - 05/04/12
A popularidade da presidente Dilma Rousseff está no mesmo nível a que chegou a de Luiz Inácio Lula da Silva aos 15 meses do seu segundo mandato. Foi nesse estágio, em março de 2008, que a aprovação do ex-presidente começou a decolar e a se descolar dos patamares históricos das avaliações presidenciais, elevando-o ao status de mito - merecido ou não.
Não há como afirmar - nem negar - que a história vá se repetir. A aprovação de Lula estava acelerando mais rapidamente em 2008, por exemplo, mas há indícios de que Dilma esteja desenvolvendo poderes "Teflon", como seu antecessor. Na pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem, fica claro que a percepção sobre o noticiário é cada vez mais positiva para a presidente. Não que haja menos notícias de "malfeitos" envolvendo o governo, apenas elas não estão colando na imagem presidencial.
O dobro de brasileiros vê um noticiário mais favorável (28%) do que desfavorável ao governo (14%). A taxa de percepção de notícias negativas já foi de 25% em julho do ano passado, quando começou a crise ministerial. Mas a troca de ministros virou "faxina" e, hoje, a agenda de Dilma, aos olhos da população, tem mais boas notícias do que problemas: "programas sociais para as mulheres", "viagens da presidente", "Dilma recebe prêmio". Mesmo as notícias potencialmente negativas, como prisões e demissões, são lidas como sinais de limpeza e não de sujeira.
Isso ajuda a explicar por que Dilma chegou a este patamar com "um mandato" de antecedência em comparação a Lula, mas não explica as razões desse "efeito Teflon". As causas fundamentais estão ligadas à situação econômica do País e, mais especificamente, à capacidade de consumo do eleitor.
A taxa líquida de popularidade da presidente ("ótimo"+"bom" subtraído o porcentual de "ruim"+"péssimo") medida pela pesquisa CNI/Ibope está colada à situação financeira do brasileiro, aferida pela mesma sondagem. A superposição das duas curvas ocorre praticamente desde o começo do governo Dilma. Para onde uma vai, a outra vai atrás. Estatisticamente, seu coeficiente de correlação é muito alto: 0,88 num máximo de 1,00.
Basicamente, quando cresce o número de brasileiros que avaliam que seu bolso está mais cheio agora do que estava três meses antes e, ao mesmo tempo, preveem que ele vai continuar estufando nos próximos meses, cresce também a quantidade de brasileiros que dizem que o governo Dilma é "bom" ou "ótimo". Por essa correlação, a popularidade presidencial é uma função direta do poder de compra e da capacidade de consumo do eleitor.
Essa percepção não depende apenas da renda, mas de outros fatores indiretos, como facilidade de o brasileiro obter crédito, de sua estabilidade no emprego ou facilidade de conseguir uma ocupação remunerada e, em menor grau, do medo de descontrole inflacionário.
Em outras palavras, enquanto a economia continuar se expandindo, o emprego seguir em alta e os consumidores continuarem comprando e se endividando, Dilma deverá permanecer com uma avaliação positiva de seu governo. E se essas tendências se intensificarem, a boa vontade da população com sua gestão pode crescer ainda mais.
Essa correlação entre consumo e popularidade não é um fenômeno jabuticaba, que ocorre só no Brasil. Ela acontece nos EUA também. Barack Obama tem se beneficiado dela. O presidente norte-americano só voltou a melhorar sua posição nas pesquisas de intenção de voto depois que o índice de confiança do consumidor cresceu, refletindo o aquecimento do mercado de trabalho e a retomada do consumo.
Não é por acaso que, tanto nos EUA quanto no Brasil, os presidentes dedicam muito mais atenção à economia do que às rusgas com o Congresso. Quanto melhor o emprego e o consumo, mais populares eles ficam e mais poder eles têm para negociar o que lhes convém, tanto com sua base de apoio quanto com a oposição. Lá como cá, a avaliação do trabalho dos parlamentares é muito pior do que a do Executivo federal. E quando o presidente se populariza, a balança de força entre os Poderes se desequilibra, sempre em detrimento do Legislativo.
Se aparece um escândalo envolvendo um dos principais porta-vozes da oposição, menor ainda o poder de barganha dos parlamentares. Aos olhos da população, quando um crítico do governo é pego praticando o que condenava, reforça-se a ideia de que "político é tudo igual". E se a percepção de que a conduta ética é a mesma para todos, melhor salvar pelo menos o bolso.
Presidentes que perderam sua base de apoio e a chamada "governabilidade" perderam antes o controle da economia. Foram os casos de José Sarney e Fernando Collor. O primeiro acabou tutelado pelo PMDB de Ulysses Guimarães e o segundo sofreu o impeachment. Desde Fernando Henrique Cardoso, o bom desempenho econômico tem precedido a estabilidade política. Foi assim com Lula, é assim com Dilma.
Combate ao atraso - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 05/04/12
Há dúvidas até sobre o diagnóstico. A maioria dos economistas reforça a tese mais comum: de que a indústria passa por uma crise e precisa de atenção do governo. Outros calculam que o setor industrial está ficando menor em relação ao PIB, mas não está encolhendo, está apenas crescendo menos. O consenso: o pacote não vai resolver a questão, porque os problemas estruturais não foram enfrentados e continuam fora da pauta.
O economista Armando Castelar, coordenador de Economia Aplicada do IBRE/FGV e professor do Instituto de Economia da UFRJ, explica que a indústria brasileira cresceu em média 1,6% ao ano de 2005 a 2011. Por crescer em um ritmo mais fraco está perdendo participação no PIB. Castelar diz que a desaceleração da indústria acontece no mundo inteiro, porque a demanda mundial está menor. Por causa da crise, o endividamento aumentou e isso reduziu o apetite por crédito.
- A indústria está desacelerando no mundo inteiro. O que existe aqui é um desafio de competitividade porque a demanda mundial diminuiu. E não é dando mais subsídio que vamos resolver isso. Pelo contrário, as medidas de proteção são contra a produtividade. Isso é voltar ao passado, é deixar a indústria brasileira mais dependente - afirmou.
O economista Sergio Vale, da MB Associados, acha que a indústria foi sim afetada pela crise internacional, que diminuiu a demanda global e afetou as expectativas dos empresários. Uma prova disso está na queda da demanda por crédito do setor industrial no BNDES (veja esse e outros gráficos em meu blog). Despencou no segundo semestre do ano passado: o desembolso acumulado em 12 meses para a indústria foi de R$ 67 bilhões para R$ 39 bi de agosto a setembro. Já o crédito para o comércio subiu de R$ 77 bilhões para R$ 85 bilhões de agosto a dezembro. Ou seja, o pacote do governo errou de mira, porque ofereceu mais dinheiro a quem já estava pegando menos.
- Quem queria investir pensou duas vezes. Precisávamos de um verdadeiro corte tributário horizontal, para todos os setores. Mas isso não vai acontecer porque dependeria de ter um corte de gastos semelhante, algo que o governo não está disposto a fazer agora - explicou Sergio Vale.
A lista do que se precisa fazer para aumentar de fato a competitividade da indústria brasileira tem uma parada obrigatória no custo da energia. O gráfico postado no blog mostra que houve alta de 194% de 2001 a 2011 no custo da energia elétrica, enquanto a inflação medida pelo IGP-M chegou a 115% e pelo IPCA, 83%. Tudo fica mais claro quando se faz o raio x do custo da luz de 2011: 50% do preço são encargos, taxas e tributos; 24% é produção da energia; 21%, custo de distribuição; 5%, custo do transporte. Ou seja, metade do gasto que as empresas tiveram com energia foi para pagar tributos, encargos e tarifas.
Mesmo com todas as descobertas de reservas, o custo do gás natural no país é dos mais altos do mundo: US$ 16,8 pelo BTU (unidade que mede o gás natural). A média mundial é de US$ 13,7, enquanto a média dos Brics é ainda mais baixa: US$ 7,3. Menos da metade do que paga à indústria no Brasil.
O presidente da Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres), Paulo Pedrosa, reclama que a energia ficou de fora dos últimos pacotes do governo e continua fora da pauta de prioridades. Ele explica que houve uma preocupação muito grande em garantir a oferta de energia, para que não houvesse apagão na gestão petista, e por isso, deixou-se de lado as preocupações com preços.
- A energia é fator de perda de competitividade da indústria e deveria ser atacada com prioridade. Há todo tipo de tarifas, encargos, taxas, impostos, subsídios cruzados, há de tudo na conta. Ao contrário do combate ao câmbio, que gera efeitos colaterais, como inflação, reduzir o custo da energia é dar ganho de competitividade à indústria sem causar outros problemas - explicou Pedrosa.
Em todo anúncio de pacote nos últimos anos o governo garantiu que o resultado das medidas seria a elevação da taxa de investimento para 24%. Nunca aconteceu. Ela até recuou um pouco em 2011. A taxa de investimento só conseguiu superar os 20% do PIB por duas vezes nos últimos 20 anos. Em 1991 e em 1994. Nos últimos anos, bateu em 15,3% em 2003, foi a 19,5% em 2010, e caiu para 19,3% no ano passado (vejam o gráfico no blog).
A produtividade da indústria de transformação também está em queda. Depois de bater em 105 pontos, num índice medido pelo IBGE, em abril de 2010, recuou para 100 pontos em janeiro deste ano. Isso é, em grande parte, resultado do aumento de custos do trabalho. Neste ponto, a mudança da forma de cobrança da contribuição patronal previdenciária, mesmo que parcial, pode trazer algum resultado.
O economista Felipe Queiroz, da Austin Rating, enumera os velhos problemas conhecidos de perda de competitividade industrial: carga tributária elevada, falta de mão de obra especializada, infraestrutura logística sucateada, custo de produção elevado. Ele também acha que o pacote de ontem não enfrenta essas questões.
- As medidas anunciadas na terça-feira, pela sexta vez, são apenas paliativas e não resolverão os problemas. As questões são estruturais, e o governo não tem tomado medidas para resolver as causas - disse.
É torcer para que elas sejam apenas medidas para ganhar tempo enquanto o governo prepara formas de enfrentar o que realmente está atrasando a indústria.
No escuro - CELSO MING
O ESTADÃO - 05/04/12
Quer tapar todos os buracos que aparecem na administração da economia e não consegue tapar nenhum deles. Se não definir prioridades, corre o risco de esvaziamento político.
O açodamento em mostrar serviço vai amontoando esquisitices e distorções. Ninguém entendeu, por exemplo, porque, no meio daquela parafernália, apareceu um certo Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica, que destinará R$ 306 milhões para o combate ao câncer.
O regime automotivo era embrião com alguns meses de gestação e foi arrancado do útero do Ministério do Planejamento a fórceps. Caso sobreviva às indefinições, ficará meses e meses na incubadeira. Falta explicar o que é o tal conteúdo local que será exigido das montadoras e como avaliar a inovação tecnológica num setor que, em 60 anos de substituição de importações, não produziu um único veículo genuinamente nacional. (Até o falecido Gurgel não passava de uma casca que carregava alguma mecânica Volkswagen.)
O esquema destinado adar competitividade à indústria se limita a dois instrumentos: desoneração da folha de pagamentos de 15 setores (que não passam de 20% do PIB industrial que, por sua vez, corresponde a 28% do PIB do Brasil); e distribuição de mais recursos a juros favorecidos pelo BNDES, que distribui seu crédito aos eleitos da hora.
Embora o ministro Guido Mantega faça questão demostrar a importância das decisões tomadas (R$ 60,4 bilhões ou cerca de 7% da arrecadação federal esperada para 2012), a redução de custos para a indústria será insignificante.
A desoneração foi concebida para evitar que o empresário demita pessoal em tempo de retração de vendas. Seu objetivo é, portanto, garantir mercado de trabalho. Transformá-la em instrumento de redução do custo Brasil - que está afundando a indústria - é aprofundar a política de construção de puxadinhos.
Pior que isso, é a precariedade com que são tocadas as mudanças. A desoneração tem data para acabar ao final de 2014. O empresário fica sem horizonte para planejar seus negócios.
A dotação do BNDES, que se soma aos R$ 312 bilhões em fundos à sua disposição, está sendo providenciada com mais um aumento de R$ 45 bilhões na dívida pública federal, ou cerca de um terço do superávit primário, alardeado como grande metafiscal deste ano do governo Dilma.Como o afluxo de crédito a juros subsidiados será aumentado, o Banco Central terá mais motivos do que os até agora manifestados para se queixar de que o BNDES solapa a eficácia da política monetária.
A presidente Dilma está fazendo deliberada confusão entre defesa comercial e protecionismo. Defesa comercial contra importações predatórias se faz com fiscalização aduaneira, aplicações da lei antidumping e com recursos aos tribunais da Organização Mundial do Comércio.
Sobre taxação mal disfarçada de importações é prática protecionista, que já foi objeto de advertência da chanceler da Alemanha, Angela Merkel. E não deixará de ser nova fonte de encrenca.
Estigma - LUIZ FERNANDO VERISSIMO
O GLOBO - 05/04/12
É difícil acreditar que não exista, entre os militares, uma corrente, ou talvez até uma maioria, que reprova a atitude dos clubes de reformados das forças armadas em relação à comissão da verdade e ao esclarecimento final do que houve nos anos de rebeldia e repressão. Dos clubes militares só se pode esperar bravatas vazias, mas ignora-se até que nível vai a mesma insubordinação entre os da ativa. Entende-se a resistência a remexer lama antiga, mas é impossível que se continue a sonegar à Nação uma parte tão importante da sua história. E é impossível que ainda confundam a preservação da honra da instituição militar com o silêncio e prefiram o estigma das acusações nunca investigadas ao esclarecimento.
LEGADO
Dizem que o legado mais importante de qualquer presidente americano não são suas obras, suas escolhas econômicas ou sua herança política; são suas nomeações de juízes para a Corte Suprema. Os juízes supremos, com suas decisões e interpretações da lei, são os que determinam os rumos do país, seja quem for o presidente – que é apenas temporário, enquanto eles costumam ser longevos. A Corte Suprema americana (muito mais marcadamente do que a nossa, onde há algumas figuras intermediárias) se divide em conservadores e liberais e, nos últimos anos, tem sido dominada pelos conservadores – que, apesar da antipatia declarada da maioria por uma Corte muito “ativista”, têm se metido bastante em política. Foi a atual Corte, com duas ou três exceções, que literalmente doou a reeleição ao Bush, quando houve aquele problema da recontagem dos votos para ele e para o Gore na Flórida e havia a ameaça de que a recontagem favoreceria ao Gore. A Corte mandou parar a recontagem. Estes mesmos juízes, quase todos nomeados por republicanos, estavam infernizando a vida do Obama, que tenta criar um programa de saúde pública que só os Estados Unidos não têm, entre as potências industriais do mundo, e que os juízes retalharam.
CAÇA-NÍQUEIS
A mesma Corte Suprema americana decidiu eliminar qualquer limite ao que empresas e corporações podem doar aos candidatos a cargos públicos em campanha. Antes, claro, já davam muito dinheiro escondido, ou você pensa que o Caixa 2 foi inventada no Brasil? Agora podem dar às claras, e o quanto quiserem. E os candidatos prometerem o melhor governo que o dinheiro pode comprar. No Brasil, deveríamos fazer o mesmo, uma espécie de leilão em que o candidato se ofereceria abertamente ao maior patrocinador com o compromisso de defender seus interesses no governo ou no Congresso. O que nos pouparia de espetáculos melancólicos como o do Demóstenes – claramente uma vítima do sistema atual de financiamento de campanhas – negociando apoio clandestino com o rei dos caça-níqueis.
É difícil acreditar que não exista, entre os militares, uma corrente, ou talvez até uma maioria, que reprova a atitude dos clubes de reformados das forças armadas em relação à comissão da verdade e ao esclarecimento final do que houve nos anos de rebeldia e repressão. Dos clubes militares só se pode esperar bravatas vazias, mas ignora-se até que nível vai a mesma insubordinação entre os da ativa. Entende-se a resistência a remexer lama antiga, mas é impossível que se continue a sonegar à Nação uma parte tão importante da sua história. E é impossível que ainda confundam a preservação da honra da instituição militar com o silêncio e prefiram o estigma das acusações nunca investigadas ao esclarecimento.
LEGADO
Dizem que o legado mais importante de qualquer presidente americano não são suas obras, suas escolhas econômicas ou sua herança política; são suas nomeações de juízes para a Corte Suprema. Os juízes supremos, com suas decisões e interpretações da lei, são os que determinam os rumos do país, seja quem for o presidente – que é apenas temporário, enquanto eles costumam ser longevos. A Corte Suprema americana (muito mais marcadamente do que a nossa, onde há algumas figuras intermediárias) se divide em conservadores e liberais e, nos últimos anos, tem sido dominada pelos conservadores – que, apesar da antipatia declarada da maioria por uma Corte muito “ativista”, têm se metido bastante em política. Foi a atual Corte, com duas ou três exceções, que literalmente doou a reeleição ao Bush, quando houve aquele problema da recontagem dos votos para ele e para o Gore na Flórida e havia a ameaça de que a recontagem favoreceria ao Gore. A Corte mandou parar a recontagem. Estes mesmos juízes, quase todos nomeados por republicanos, estavam infernizando a vida do Obama, que tenta criar um programa de saúde pública que só os Estados Unidos não têm, entre as potências industriais do mundo, e que os juízes retalharam.
CAÇA-NÍQUEIS
A mesma Corte Suprema americana decidiu eliminar qualquer limite ao que empresas e corporações podem doar aos candidatos a cargos públicos em campanha. Antes, claro, já davam muito dinheiro escondido, ou você pensa que o Caixa 2 foi inventada no Brasil? Agora podem dar às claras, e o quanto quiserem. E os candidatos prometerem o melhor governo que o dinheiro pode comprar. No Brasil, deveríamos fazer o mesmo, uma espécie de leilão em que o candidato se ofereceria abertamente ao maior patrocinador com o compromisso de defender seus interesses no governo ou no Congresso. O que nos pouparia de espetáculos melancólicos como o do Demóstenes – claramente uma vítima do sistema atual de financiamento de campanhas – negociando apoio clandestino com o rei dos caça-níqueis.
Governo cria mais dívidas para pacote problemático - EDITORIAL VALOR ECONÔMICO
VALOR ECONÔMICO - 05/04/12
Discernir o alvo é meio caminho andado para se avaliar com bom senso as chances de sucesso. Como o coro de críticas de empresários e analistas apontou, o pacote será inócuo para deter o mal maior, a valorização do real. Fará pouco também para melhorar a produtividade da economia como um todo, sem a qual a competitividade não avança. Daí a concluir que ele não terá efeitos no curto prazo é retórica vazia.
Há várias medidas defensáveis no meio de outras nem tanto, mas a concepção do pacote merece reparos. Dotar o BNDES de um orçamento paralelo de R$ 280 bilhões, em pouco mais de três anos, à custa do Tesouro é um equívoco dos governos petistas que se repete agora. A dívida bruta cresce, engrossada por subsídios a grandes empresas que têm condições de se financiar em outra parte, mas que não deixarão de lado uma boa oportunidade. Na verdade, o governo cria dinheiro que não existe para seus pacotes.
A comparação entre redução dos juros a programas bancados com endividamento do Tesouro com a desoneração de 15 setores empresariais é ilustrativa. A renúncia fiscal em um ano é diminuta, R$ 4,3 bilhões, depois de compensações, como o aumento da tributação sobre bebidas leves e o aumento da Cofins sobre bens importados dos segmentos industriais beneficiados.
A Cofins sobre os importados é um dos pontos contraditórios do pacote. Quanto maior for a utilização de bens importados na exportação das empresas desoneradas - em geral, isso reduz custos e eleva a competitividade -, menor será o benefício relativo da empresa. Nesse caso, navega-se em meio a uma das contradições do pacote. A defesa da produção doméstica por aumento do custo dos importados pode prejudicar as exportações. Se um dos objetivos é melhorar a competitividade, logo exportar mais, seu sucesso implicará saldo comercial tendencialmente maior - que ajuda a valorizar o câmbio. Se o objetivo é deter as importações, e o programa conseguir isso, o resultado vai na mesma direção.
Coisa distinta é robustecer a capacidade de competir reduzindo os custos dos setores domésticos. Mas a forma de fazê-lo é importante. Com um dos juros mais altos do mundo, o governo quer reduzir o custo financeiro das empresas via linhas subsidiadas do BNDES, um remendo caro. Para reduzir o custo do emprego, os 20% pagos à Previdência são substituídos por alíquota sobre faturamento e, para que haja desoneração de fato, a União tem de abdicar de receitas. Não o faz e adota a saída do endividamento do Tesouro, que subsidiará a diferença. Essa diferença será tanto menor quanto maior for a elevação da tributação compensatória sobre setores que não tiveram a "sorte" de ser desonerados.
Por outro lado, não há dúvida de que setores como têxteis, confecções e móveis ganharam vantagens creditícias e fiscais diretas consideráveis e indiretas também, com o aperto da fiscalização nas alfândegas. O reforço das empresas que conseguem acesso ao BNDES e ao mesmo tempo foram desoneradas é significativo - pagarão menos impostos, terão juros mais baixos e obterão taxas quase civilizadas, abaixo de mercado, para capital de giro. Essa deveria ser a paisagem natural na qual se movem todas as empresas do país. Ao proteger alguns setores, o pacote ajuda a manter distante uma solução que eleve a capacidade competitiva do conjunto da economia.
Dá para consertar - GUSTAVO MORELLI
O GLOBO - 05/04/12
Em meio à sucessão de denúncias que envolvem o governo e tomam as páginas dos jornais, poucos arriscariam discordar de que um dos grandes gargalos para o desenvolvimento do país é a qualidade da gestão pública, tanto no Executivo, no Legislativo, como no Judiciário. Nesta primeira semana de abril está sendo realizado em Brasília o II Congresso Nacional de Gestão Pública. O momento é oportuno para a reflexão em torno dos problemas que permeiam a gigantesca e complexa estrutura da administração pública brasileira, onde as ações governamentais são implementadas por um conjunto de órgãos que interagem de forma precária entre si, mesmo quando há disponibilidade de recursos financeiros. A baixa capacidade de resposta da administração pública no atendimento às demandas da população é uma das maiores evidências de que há inúmeros desafios a serem superados.
O fato novo e portador de futuro é que a cobrança da sociedade civil por mais eficiência na gestão pública e transparência das instituições está se acentuando. A mobilização social para a aprovação da Lei da Ficha Limpa e a decisão do Supremo Tribunal Federal confirmando a competência constitucional do Conselho Nacional de Justiça são sinais de que os brasileiros querem construir uma nova sociedade. Há uma maior valorização da gestão pública voltada para resultados e, felizmente, os exemplos de gestão inovadora e eficaz se multiplicam em vários cantos do país. Estados como Minas Gerais, Espírito Santo e Pernambuco e prefeituras como a de Belo Horizonte e a do Rio de Janeiro têm investido fortemente na gestão e colhido bons resultados.
Contudo, ainda não se conseguiu dar o passo decisivo e suficiente para conduzir o Brasil a um patamar mais elevado de gestão pública. O cidadão é constantemente desrespeitado na alocação do dinheiro público, compromissos assumidos nos planos de governos não são cumpridos, o saneamento básico alcança patamares inaceitáveis, a qualidade da educação e dos serviços de saúde deixa muito a desejar, os casos de desperdício de recursos públicos se repetem e a sociedade ainda convive com níveis intoleráveis de corrupção.
A gestão pública é hoje um dos condicionantes ao desenvolvimento do país. Infelizmente o Governo federal não foi capaz, nos últimos oito anos, de construir uma agenda para além dos aumentos salariais e melhorias de gestão pontuais. A adoção de um modelo de gestão profissionalizado e orientado a resultados requer método e pertinência. É preciso romper barreiras na busca de inovações capazes de ampliar a geração de valor público à sociedade.
A boa gestão exige visão de longo prazo que seja capaz de orientar, de fato, as ações governamentais e induzir projetos privados. Há bons exemplos de governos e prefeituras que adotaram uma visão de longo prazo. São administrações com planos com horizonte de 20 anos, que orientam a escolha de prioridades — evitando a dispersão dos meios financeiros, humanos e do tempo dos gestores — e que são desdobradas em projetos públicos, privados e em parceria, não limitados ao tempo dos mandatos.
A gestão intensiva orientada por metas e indicadores com impacto no reconhecimento por desempenho dos servidores felizmente está se disseminando. Contudo, no campo da gestão de pessoas, um desafio é atrair profissionais com elevado potencial para a atuação pública. Uma boa prática nesta direção é o intercâmbio de talentos com o setor privado e a sociedade civil.
A ampliação da capacidade de investimento também é parte central desta agenda. Aqui as práticas se organizam em torno de três vertentes: aceleração da execução, ampliação da produtividade do gasto e o desenho de modelos que ampliem a disponibilidade de recursos, a exemplo das parcerias público-privadas, privatizações, concessões e sociedades de propósito específico.
O salto de patamar na gestão, finalmente, requer democratizar mais o poder público, o que implica em transparência e abertura ao dialogo com a sociedade e liderança dos governantes na geração de coalizões, parcerias e mobilizações.
A reforma da gestão pública brasileira requer o estabelecimento de uma estratégia ampla e consistente e os setores estratégicos precisam ser convencidos da centralidade dessa questão. O Brasil está diante de uma grande chance de desenvolvimento que exige o estabelecimento de uma agenda com a identificação do que fazer em uma visão de longo prazo, para promover as transformações necessárias na realidade econômica e social do país. Será preciso acertar o passo no campo da gestão pública para garantir o aproveitamento desta oportunidade histórica.
PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV
7h45 - Brasil x Japão, amistoso (fut. fem.), Bandsports
9h - Alemanha x Dinamarca, Mundial masc. de curling, Sportv 2
14h - China x Canadá, Mundial masc. de curling, Sportv 2
16h05 - Hannover x Atlético de Madri, Liga Europa, ESPN Brasil
16h05 - Athletic Bilbao x Schalke, Liga Europa, RedeTV! e ESPN
18h - Masters Tournament, golfe, ESPN e ESPN HD
19h - Pinheiros x Paulistano, NBB, Sportv 2
19h30 - Criciúma x Atlético-PR, Copa do Brasil, Sportv
20h - New York Knicks x Orlando Magic, NBA, Space e Space HD
20h15 - Libertad (PAR) x Nacional (URU), Taça Libertadores, Fox Sports
21h50 - Atlético-GO x Ponte Preta, Copa do Brasil, Sportv
22h30 - Juan Aurich (PER) x The Strongest (BOL), Taça Libertadores, Fox Sports
6h - Mundial de ciclismo, Etapa de Melbourne, Sportv
CLAUDIO HUMBERTO
“Garanto que não vazaram da Polícia Federal”
Ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), sobre informações da Operação Monte Carlo
MARTA DEVE VIRAR EMBAIXADORA
A presidente Dilma decidiu mesmo mandar às favas a mais expressiva conquista dos diplomatas brasileiros, implantada no governo Lula, de reservar para a carreira o cargo de embaixador. Como compensação por ter sido preterida por Fernando Haddad na candidatura à Prefeitura de São Paulo, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) deve ser nomeada embaixadora em Washington.
INSPEÇÃO
Entusiasmada com a boquinha, Marta já passa a semana na capital americana, visitando os próximos domínios (chancelaria e residência).
MARTA A TIRACOLO
Dilma poderá comunicar informalmente a Obama e Hillary Clinton, na visita dos dias 9 e 10, a escolha de Marta como futura embaixadora.
ELAS SE ENTENDERÃO
Como Hillary, Marta é senadora, uma por Nova York e a outra por São Paulo, os mais importantes Estados dos respectivos países.
REGRA QUEBRADA
Dilma quebrou a regra na diplomacia ao nomear o físico Laércio Vinhas para nossa missão junto à Agência Internacional de Energia Atômica.
BRB RECUSOU PROPOSTA QUE IMPEDIRIA O PREJUÍZO
A atual direção do Banco de Brasília acusa a diretoria do biênio 2008-2010 de um prejuízo de R$ 130 milhões, por isso deixou de pagar aos empregados a participação nos lucros em 2011. Mas em carta ao BRB, em poder do Banco Central, o vendedor dos títulos, Antonio Carneiro, o “Bode”, propôs desfazer a operação e devolver o valor corrigido pela TR, após a Caixa atestar a licitude dos títulos. O BRB rejeitou.
RECUSA
Analistas consideraram curiosa a recusa do BRB alegando que bancos fazem qualquer negócio para reaver dívidas corrigidas pela TR.
SEM LUCRO
Se a operação fosse desfeita com o recebimento da TR, somando outros ganhos embutidos, o BRB ainda teria um lucro de R$ 31 milhões.
IMPOSTOS DESCONTADOS
Optando pelo prejuízo em lugar do recebimento da dívida, o BRB pôde abater integralmente os R$ 130 milhões dos tributos devidos.
VALCKE VAI CAIR
A Fifa pode anunciar o cancelamento da visita do secretário-geral Jérôme Valcke. A decisão do Congresso de cancelar convite para que ele participasse de debates foi decisiva. Pode ser substituído por Franz Beckenbauer, como esta coluna já antecipou.
INSINUAÇÃO DE INFLUÊNCIA
Chegaram à Casa Civil informações inquietantes de funcionários da Agência Nacional de Aviação Civil sobre a atuação de um ex-servidor da subchefia de Assuntos Jurídicos, Sérgio Renault, tentando melar a licitação já concluída para gestão do Aeroporto de Viracopos (SP).
Ó, COITADO!
Acusado de agredir uma oficial de chancelaria em 2006, – ele nega – o embaixador no Paquistão, Alfredo Leoni, pediu que o Itamaraty pague a passagem ao Brasil, para ir à audiência na Justiça, na terça (10).
CAPACIDADES
Com a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, o bilionário Eike Batista está na lista dos cem mais influentes do mundo em 2012, da revista Time. Sua influência no BNDES, por exemplo, é indiscutível.
CONTENDO CRISE
Em conversa ontem com a presidente Dilma Rousseff, o líder do governo, Arlindo Chinaglia, combinou almoço dela com os líderes da base aliada para a segunda quinzena de abril, no Palácio da Alvorada.
O PERIGO DOS EX
Escândalo que se preza tem ex-amante e ex-motorista. Não é diferente no caso Cachoeira e Demóstenes: um ex-assessor do PT de Goiás tem muito a contar sobre supostos telefonemas do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares a um dos deputados que pediu “ajuda de campanha” ao bicheiro.
RECADO AMEAÇADOR
Preso na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, o bicheiro Carlinhos Cachoeira mandou recado a alguns parlamentares de que avalia pedir delação premiada e abrir o verbo contra tudo e todos.
PÁSCOA ANTECIPADA
Enquanto para a maioria dos brasileiros o feriado da Semana Santa só começa na sexta, os políticos têm calendário diferenciado. Ontem, no Congresso, apenas meia dúzia de parlamentares bateu o ponto.
SAI DE BAIXO
A piada no Planalto é que a pesquisa CNI/Ibope, de 77% de aprovação ao “jeito Dilma de ser”, não consultou os maltratados assessores dela.
PODER SEM PUDOR
CAFEZINHO IMPERTINENTE
O jornalista Aparício Torelli, o “Barão de Itararé”, terror dos poderosos, foi preso em 1935 e levado à presença do juiz Castro Nunes.
– A que o sr. atribui a sua prisão, seu Aparício?
– Tenho pensado muito, excelência, e só posso atribuí-la ao cafezinho.
– Como assim?
– Vou explicar. Eu estava no Café Belas Artes, tomando o meu oitavo cafezinho e pensando em minha mãe, que sempre me advertiu contra o excessivo consumo de café. Nesse momento, chegaram os policiais e me deram voz de prisão. Só pode ser um castigo pelo abuso do cafezinho...
Ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), sobre informações da Operação Monte Carlo
MARTA DEVE VIRAR EMBAIXADORA
A presidente Dilma decidiu mesmo mandar às favas a mais expressiva conquista dos diplomatas brasileiros, implantada no governo Lula, de reservar para a carreira o cargo de embaixador. Como compensação por ter sido preterida por Fernando Haddad na candidatura à Prefeitura de São Paulo, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) deve ser nomeada embaixadora em Washington.
INSPEÇÃO
Entusiasmada com a boquinha, Marta já passa a semana na capital americana, visitando os próximos domínios (chancelaria e residência).
MARTA A TIRACOLO
Dilma poderá comunicar informalmente a Obama e Hillary Clinton, na visita dos dias 9 e 10, a escolha de Marta como futura embaixadora.
ELAS SE ENTENDERÃO
Como Hillary, Marta é senadora, uma por Nova York e a outra por São Paulo, os mais importantes Estados dos respectivos países.
REGRA QUEBRADA
Dilma quebrou a regra na diplomacia ao nomear o físico Laércio Vinhas para nossa missão junto à Agência Internacional de Energia Atômica.
BRB RECUSOU PROPOSTA QUE IMPEDIRIA O PREJUÍZO
A atual direção do Banco de Brasília acusa a diretoria do biênio 2008-2010 de um prejuízo de R$ 130 milhões, por isso deixou de pagar aos empregados a participação nos lucros em 2011. Mas em carta ao BRB, em poder do Banco Central, o vendedor dos títulos, Antonio Carneiro, o “Bode”, propôs desfazer a operação e devolver o valor corrigido pela TR, após a Caixa atestar a licitude dos títulos. O BRB rejeitou.
RECUSA
Analistas consideraram curiosa a recusa do BRB alegando que bancos fazem qualquer negócio para reaver dívidas corrigidas pela TR.
SEM LUCRO
Se a operação fosse desfeita com o recebimento da TR, somando outros ganhos embutidos, o BRB ainda teria um lucro de R$ 31 milhões.
IMPOSTOS DESCONTADOS
Optando pelo prejuízo em lugar do recebimento da dívida, o BRB pôde abater integralmente os R$ 130 milhões dos tributos devidos.
VALCKE VAI CAIR
A Fifa pode anunciar o cancelamento da visita do secretário-geral Jérôme Valcke. A decisão do Congresso de cancelar convite para que ele participasse de debates foi decisiva. Pode ser substituído por Franz Beckenbauer, como esta coluna já antecipou.
INSINUAÇÃO DE INFLUÊNCIA
Chegaram à Casa Civil informações inquietantes de funcionários da Agência Nacional de Aviação Civil sobre a atuação de um ex-servidor da subchefia de Assuntos Jurídicos, Sérgio Renault, tentando melar a licitação já concluída para gestão do Aeroporto de Viracopos (SP).
Ó, COITADO!
Acusado de agredir uma oficial de chancelaria em 2006, – ele nega – o embaixador no Paquistão, Alfredo Leoni, pediu que o Itamaraty pague a passagem ao Brasil, para ir à audiência na Justiça, na terça (10).
CAPACIDADES
Com a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, o bilionário Eike Batista está na lista dos cem mais influentes do mundo em 2012, da revista Time. Sua influência no BNDES, por exemplo, é indiscutível.
CONTENDO CRISE
Em conversa ontem com a presidente Dilma Rousseff, o líder do governo, Arlindo Chinaglia, combinou almoço dela com os líderes da base aliada para a segunda quinzena de abril, no Palácio da Alvorada.
O PERIGO DOS EX
Escândalo que se preza tem ex-amante e ex-motorista. Não é diferente no caso Cachoeira e Demóstenes: um ex-assessor do PT de Goiás tem muito a contar sobre supostos telefonemas do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares a um dos deputados que pediu “ajuda de campanha” ao bicheiro.
RECADO AMEAÇADOR
Preso na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, o bicheiro Carlinhos Cachoeira mandou recado a alguns parlamentares de que avalia pedir delação premiada e abrir o verbo contra tudo e todos.
PÁSCOA ANTECIPADA
Enquanto para a maioria dos brasileiros o feriado da Semana Santa só começa na sexta, os políticos têm calendário diferenciado. Ontem, no Congresso, apenas meia dúzia de parlamentares bateu o ponto.
SAI DE BAIXO
A piada no Planalto é que a pesquisa CNI/Ibope, de 77% de aprovação ao “jeito Dilma de ser”, não consultou os maltratados assessores dela.
PODER SEM PUDOR
CAFEZINHO IMPERTINENTE
O jornalista Aparício Torelli, o “Barão de Itararé”, terror dos poderosos, foi preso em 1935 e levado à presença do juiz Castro Nunes.
– A que o sr. atribui a sua prisão, seu Aparício?
– Tenho pensado muito, excelência, e só posso atribuí-la ao cafezinho.
– Como assim?
– Vou explicar. Eu estava no Café Belas Artes, tomando o meu oitavo cafezinho e pensando em minha mãe, que sempre me advertiu contra o excessivo consumo de café. Nesse momento, chegaram os policiais e me deram voz de prisão. Só pode ser um castigo pelo abuso do cafezinho...
QUINTA NOS JORNAIS
- Globo: BB e Caixa derrubam juros para estimular a economia
- Folha: Sob pressão de Dilma, BB reduz juro e ações caem
- Estadão: Dilma defende usinas e critica ‘fantasia’ de ambientalistas
- Correio: Governo declara guerra aos juros
- Valor: Empresas do Brasil lideram projeto de US$ 16 bi no Peru
- Estado de Minas: Um metrô de problemas
- Zero Hora: Erro do INSS – Revisão de benefícios envolve 40 mil gauchos
quarta-feira, abril 04, 2012
Bala em queda - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 04/04/12
O Relatório Bala Perdida, a ser divulgado hoje pelo Instituto de Segurança Pública, revela que o número de vítimas em 2011 foi de 88, com sete mortes. Em 2007, nada menos que 279 pessoas foram atingidas por balas perdidas, 21 delas mortas.
Aliás...
Cabral publica hoje decreto que libera o turno extra de trabalho para policiais, bombeiros e agentes penitenciários. A medida atinge 70 mil servidores. Com isso, o estado ganha mais policiais nas ruas e os agentes uma alternativa ao bico.
Fator Roberto Kalil
No pacote anunciado ontem de política industrial, há uma série de contrabandos que nada têm a ver com o setor. Um deles cria um incentivo fiscal para doação a instituições de pesquisas para câncer. Vai ver foi lobby dos médicos que tratam de Lula. Nada contra.
Longe da cultura
O BNDES, após cinco anos, suspendeu edital de R$ 24 milhões de apoio a acervos culturais. Aliás, a área do banco que cuidava dessa ação foi desmontada. O edital de 2010 que eles lançaram ainda não foi pago. É pena.
Última viagem
Um brasileiro que esteve na Itália para acertar a Jornada Mundial da Juventude aqui em 2013 ouviu do Papa que, se depender dele, será a última viagem internacional que fará no seu pontificado. Bento XVI, de 85 anos, acaba de fazer uma viagem cansativa ao México e a Cuba.
Hora da saudade
Nelson Freire, nosso pianista maior, comemora 60 anos de carreira tocando no Teatro Municipal de São João del-Rei, MG, no dia 30 de junho, na série Música no Museu. Foi lá que ele fez seu primeiro concerto, aos seis anos.
JULIANA PAES, a morena sensação de 33 anos que é musa da turma da coluna, posou para Bob Wolfenson antes de ir para o sertão brasileiro. Lá, a atriz grava a nova versão de “Gabriela”, a novela de Jorge Amado que voltará à tela da TV Globo. Aqui, ela aparece, danadinha, dentro de um ringue, repare só. A foto será capa da revista “Bodytech”. Que Deus a proteja e, a nós, não desampare!
Calma, gente!
Fernanda Montenegro foi eleita uma espécie de musa pela turma que usa as redes sociais para fazer guerra de guerrilha contra Ana de Hollanda. A grande atriz diz que apenas assinou um documento com outras pessoas em torno de Danilo Miranda, “nom comprovadamente experiente, com longa e extraordinária prática na área”.
Segue...
Fernanda insiste que o documento deixa bem claro que essa sugestão (“repito: sugestão”) depende de vagar o posto do ministério. “Repito: não há pressão, reunião, jantares ou algo semelhante de que eu tenha conhecimento.”
Para Fernanda...
Dilma sabe o que convém. “Afinal, é do conhecimento de todos nós que a escolha desses auxiliares é uma prerrogativa que lhe é absolutamente própria como chefe de Estado.”
Dilma abre
Dilma irá à abertura dos JogosOlímpicos de Londres.
Lula fecha...
Lula irá ao encerramento dos Jogos.
Marco civil
O carioca Alessandro Molon será o relator da proposta que cria o marco civil da internet. Para o debate do tema, o pessoal do Facebook colocou à disposição do deputado sua rede com 31 milhões de usuários.
Craque da pechincha
Romário, o deputado, foi ao Casa Shopping, na Barra da Tijuca, na tarde do último domingo. Perguntou a uma funcionária do local qual era o restaurante mais barato do shopping . A moça que o acompanhava estranhou: — Mais barato por quê? E o Baixinho: — Pra pagar menos, ué! Há testemunhas.
Praia do Pepê
Hoje, 21 anos após a morte de Pepê (1957-1991), o campeão mundial de voo livre, a Secretaria de Conservação do Rio entrega, totalmente recuperada, a escultura, obra de Vera Torres, em homenagem ao atleta, na Barra.
O Relatório Bala Perdida, a ser divulgado hoje pelo Instituto de Segurança Pública, revela que o número de vítimas em 2011 foi de 88, com sete mortes. Em 2007, nada menos que 279 pessoas foram atingidas por balas perdidas, 21 delas mortas.
Aliás...
Cabral publica hoje decreto que libera o turno extra de trabalho para policiais, bombeiros e agentes penitenciários. A medida atinge 70 mil servidores. Com isso, o estado ganha mais policiais nas ruas e os agentes uma alternativa ao bico.
Fator Roberto Kalil
No pacote anunciado ontem de política industrial, há uma série de contrabandos que nada têm a ver com o setor. Um deles cria um incentivo fiscal para doação a instituições de pesquisas para câncer. Vai ver foi lobby dos médicos que tratam de Lula. Nada contra.
Longe da cultura
O BNDES, após cinco anos, suspendeu edital de R$ 24 milhões de apoio a acervos culturais. Aliás, a área do banco que cuidava dessa ação foi desmontada. O edital de 2010 que eles lançaram ainda não foi pago. É pena.
Última viagem
Um brasileiro que esteve na Itália para acertar a Jornada Mundial da Juventude aqui em 2013 ouviu do Papa que, se depender dele, será a última viagem internacional que fará no seu pontificado. Bento XVI, de 85 anos, acaba de fazer uma viagem cansativa ao México e a Cuba.
Hora da saudade
Nelson Freire, nosso pianista maior, comemora 60 anos de carreira tocando no Teatro Municipal de São João del-Rei, MG, no dia 30 de junho, na série Música no Museu. Foi lá que ele fez seu primeiro concerto, aos seis anos.
JULIANA PAES, a morena sensação de 33 anos que é musa da turma da coluna, posou para Bob Wolfenson antes de ir para o sertão brasileiro. Lá, a atriz grava a nova versão de “Gabriela”, a novela de Jorge Amado que voltará à tela da TV Globo. Aqui, ela aparece, danadinha, dentro de um ringue, repare só. A foto será capa da revista “Bodytech”. Que Deus a proteja e, a nós, não desampare!
Calma, gente!
Fernanda Montenegro foi eleita uma espécie de musa pela turma que usa as redes sociais para fazer guerra de guerrilha contra Ana de Hollanda. A grande atriz diz que apenas assinou um documento com outras pessoas em torno de Danilo Miranda, “nom comprovadamente experiente, com longa e extraordinária prática na área”.
Segue...
Fernanda insiste que o documento deixa bem claro que essa sugestão (“repito: sugestão”) depende de vagar o posto do ministério. “Repito: não há pressão, reunião, jantares ou algo semelhante de que eu tenha conhecimento.”
Para Fernanda...
Dilma sabe o que convém. “Afinal, é do conhecimento de todos nós que a escolha desses auxiliares é uma prerrogativa que lhe é absolutamente própria como chefe de Estado.”
Dilma abre
Dilma irá à abertura dos JogosOlímpicos de Londres.
Lula fecha...
Lula irá ao encerramento dos Jogos.
Marco civil
O carioca Alessandro Molon será o relator da proposta que cria o marco civil da internet. Para o debate do tema, o pessoal do Facebook colocou à disposição do deputado sua rede com 31 milhões de usuários.
Craque da pechincha
Romário, o deputado, foi ao Casa Shopping, na Barra da Tijuca, na tarde do último domingo. Perguntou a uma funcionária do local qual era o restaurante mais barato do shopping . A moça que o acompanhava estranhou: — Mais barato por quê? E o Baixinho: — Pra pagar menos, ué! Há testemunhas.
Praia do Pepê
Hoje, 21 anos após a morte de Pepê (1957-1991), o campeão mundial de voo livre, a Secretaria de Conservação do Rio entrega, totalmente recuperada, a escultura, obra de Vera Torres, em homenagem ao atleta, na Barra.
Millôr para jovens - MARTHA MEDEIROS
ZERO HORA - 04/04/12
Foi assim. Dia 30 de dezembro de 1987, eu estava na agência de publicidade onde trabalhava, quando me liga o Jorge Furtado: “Tu já leu o Jornal do Brasil hoje?”. Não tinha o costume. “Então lê. O Millôr fala do teu livro de poesia.” Catei o jornal e vi com meus próprios olhos – ele inclusive reproduzia um poema meu. “Jorge, o que eu faço?” “Liga pra ele, te dou o número.”
“Imagina, vou morrer de vergonha, é o Millôr!” “Fica tranquila, ele nunca atende, vai cair na secretária eletrônica.” Me enchi de coragem e liguei. Foi como Jorge profetizou, caiu na secretária, e depois do sinal, deixei meu recado: “Bom dia, Millôr, aqui é Martha, de Porto Alegre, acabei de ler sua coluna no jornal, puxa, nem sei como agrad...” Fui interrompida por um “Salve, Martha!”.
E ali começava uma relação que, se eu dissesse que foi de amizade, estaria exagerando e sendo mais cabotina do que já fui nesse primeiro parágrafo. Foi, isso sim, uma relação brevíssima de carinho mútuo. E, de minha parte, de gratidão eterna.
O resultado daquele telefonema: ele escreveu a orelha do meu livro seguinte, nos encontramos pessoalmente num churrasco em Porto Alegre, almoçamos num restaurante no Rio, fui contemplada com a presença dele numa sessão de autógrafos e depois trocamos rápidos e-mails, ele sempre gentilíssimo e eu embasbacada, me belisca. Então, perdemos contato, ele perdeu a saúde, e o Brasil o perdeu de vez.
A única maneira que encontro para retribuir o aval inacreditável que ele me deu é recomendar a todos os jovens que não conhecem seu trabalho que leiam imediatamente Millôr Definitivo – a Bíblia do Caos. É uma espécie de dicionário que traz 5.142 frases sobre todos os assuntos possíveis e imagináveis, sempre com o brilhantismo, o humor, a provocação e a mordacidade de um autor que não teve similar.
“Me arrancam tudo à força, e depois me chamam de contribuinte.”
“Pra escrever bem não é preciso muitas palavras, só saber como combiná-las melhor. Pense no xadrez.”
“Podem-se evitar descendentes, mas ninguém jamais conseguiu evitar antepassados.”
“Escravos sempre produzem menos.”
“O direito de resposta é fundamental. Senão a gente fica até pensando que o outro lado pode ter razão.”
“Nunca ninguém me disse que parar de sofrer doía tanto.”
“Pode ser que paz e tranquilidade sejam no céu. Mas showbusiness é no inferno.”
“Passei a vida pensando que diabos, afinal, estou fazendo neste mundo. Descobri – nada. Sou visita.”
“Pela aparência que tinha e pela idade que dizia ter, aquela senhora podia ser a mãe de si mesma.”
“Nascimento e morte. A mais perfeita forma de renovação de estoque”.
Não no teu caso, Millôr. O produto ficará em falta para sempre.
Foi assim. Dia 30 de dezembro de 1987, eu estava na agência de publicidade onde trabalhava, quando me liga o Jorge Furtado: “Tu já leu o Jornal do Brasil hoje?”. Não tinha o costume. “Então lê. O Millôr fala do teu livro de poesia.” Catei o jornal e vi com meus próprios olhos – ele inclusive reproduzia um poema meu. “Jorge, o que eu faço?” “Liga pra ele, te dou o número.”
“Imagina, vou morrer de vergonha, é o Millôr!” “Fica tranquila, ele nunca atende, vai cair na secretária eletrônica.” Me enchi de coragem e liguei. Foi como Jorge profetizou, caiu na secretária, e depois do sinal, deixei meu recado: “Bom dia, Millôr, aqui é Martha, de Porto Alegre, acabei de ler sua coluna no jornal, puxa, nem sei como agrad...” Fui interrompida por um “Salve, Martha!”.
E ali começava uma relação que, se eu dissesse que foi de amizade, estaria exagerando e sendo mais cabotina do que já fui nesse primeiro parágrafo. Foi, isso sim, uma relação brevíssima de carinho mútuo. E, de minha parte, de gratidão eterna.
O resultado daquele telefonema: ele escreveu a orelha do meu livro seguinte, nos encontramos pessoalmente num churrasco em Porto Alegre, almoçamos num restaurante no Rio, fui contemplada com a presença dele numa sessão de autógrafos e depois trocamos rápidos e-mails, ele sempre gentilíssimo e eu embasbacada, me belisca. Então, perdemos contato, ele perdeu a saúde, e o Brasil o perdeu de vez.
A única maneira que encontro para retribuir o aval inacreditável que ele me deu é recomendar a todos os jovens que não conhecem seu trabalho que leiam imediatamente Millôr Definitivo – a Bíblia do Caos. É uma espécie de dicionário que traz 5.142 frases sobre todos os assuntos possíveis e imagináveis, sempre com o brilhantismo, o humor, a provocação e a mordacidade de um autor que não teve similar.
“Me arrancam tudo à força, e depois me chamam de contribuinte.”
“Pra escrever bem não é preciso muitas palavras, só saber como combiná-las melhor. Pense no xadrez.”
“Podem-se evitar descendentes, mas ninguém jamais conseguiu evitar antepassados.”
“Escravos sempre produzem menos.”
“O direito de resposta é fundamental. Senão a gente fica até pensando que o outro lado pode ter razão.”
“Nunca ninguém me disse que parar de sofrer doía tanto.”
“Pode ser que paz e tranquilidade sejam no céu. Mas showbusiness é no inferno.”
“Passei a vida pensando que diabos, afinal, estou fazendo neste mundo. Descobri – nada. Sou visita.”
“Pela aparência que tinha e pela idade que dizia ter, aquela senhora podia ser a mãe de si mesma.”
“Nascimento e morte. A mais perfeita forma de renovação de estoque”.
Não no teu caso, Millôr. O produto ficará em falta para sempre.
O foco de (e em) Dilma - DENISE ROTHENBURG
Correio Braziliense - 04/04/12
Quanto mais fraco o Congresso, menos problemas o governo terá ao lidar com ele. Daí o fato de a presidente Dilma não dar muita trela aos parlamentares e centrar fogo na economia
Nesses poucos dias que passa em Brasília entre a chegada da viagem à Ìndia e a visita ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em Washington, a presidente Dilma Rousseff mantém-se concentrada na agenda econômica. O lançamento ontem do programa de apoio à indústria foi sincronizado de forma a tentar tirar o impacto da onda de demissões dos últimos dias.
Quanto às confusões da base parlamentar, ela tem dito que tudo tem seu tempo e, para bons entendedores, o recado é claro: deixa abaixar a poeira para que seja possível identificar a espuma e os erros de fato na condução política do governo — o que, por enquanto, Dilma considera que não existe, e os que haviam, na avaliação dela, foram corrigidos com a troca dos líderes.
Talvez a presidente tenha razão ao considerar que a crise na base não é esse fogaréu todo. Afinal, na Câmara, a Lei Geral da Copa foi aprovada. No Senado, passou o fundo de Previdência do Servidor Público, o Funpresp, que, no futuro, irá aliviar o caixa governamental com a aposentadoria dos servidores. Diga-se de passagem, há mais de 10 anos o país tenta votar essa proposta e foi no governo Dilma que o texto terminou aprovado.
Por falar em aprovação...
Enquanto a presidente estiver com a popularidade alta, seus fiéis escudeiros consideram que ela não tem o que temer. No Congresso, mesmo aqueles arredios ao estilo duro da presidente dizem que ela só precisa segurar a economia e evitar as demissões em massa, como aquelas que ocorreram recentemente na Gol. Não por acaso, ela convidou os pesos pesados da indústria nacional e dos bancos para verem de perto o lançamento das medidas de socorro à indústria, nos salões do Planalto.
Os industriais aplaudiram a desoneração da folha de pagamentos, uma medida que nem Luiz Inácio Lula da Silva tinha conseguido adotar, porque o Ministério da Fazenda não deixava. Medo de perder receita demais. Dilma, entretanto, preferiu correr esse risco e tentar alavancar o Produto Interno Bruto (PIB). Se der certo, pode conseguir um passaporte para a reeleição. Pelo menos, assim raciocinam os petistas.
Por falar em PT...
Ontem, ouvi de muitos correligionários da presidente que eles morrem de saudades dos tempos de Lula. Lembram com nostalgia dos anos em que eram chamados ao Alvorada para conversas políticas, um drink, ou uma boa música na voz do então ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. José Múcio, aliás, é citado por todos como um craque na construção de pontes entre o presidente da República e o Congresso.
Hoje, isso acabou. Eles têm plena consciência de que Dilma é outro estilo, não é de perder tempo com conversas políticas ou drinks no Alvorada. Mas, embora saudosos, os petistas são pragmáticos. Se Dilma, mesmo durona, continuar lhes oferecendo um governo para chamar de seu, eles vão defender a reeleição dela com unhas e dentes, sem pestanejar ou fraquejar.
Por falar em fraquejar...
Isso não quer dizer que a política não vá deixar de trazer sobressaltos a Dilma. Mas, até o momento, nada foi suficiente para abalar as perspectivas de futuro ou gerar tanta incerteza ao ponto de lhe fazer perder espaço perante a população. No final de 2011, dizia-se que a popularidade dela não se sustentaria no início do segundo ano. Em seguida, ficou para depois do carnaval. Chegamos à Semana Santa e a vida dela segue.
Dentro do Planalto, há quem diga que, enquanto o Congresso estiver cuidando das suas próprias mazelas e das relações de deputados e senadores, a pressão sobre o Planalto diminuirá. A impressão que se tem por ali é a de que quanto mais fraco o Congresso menos problemas o governo terá ao lidar com ele. Daí o fato de a presidente Dilma não dar muita trela aos parlamentares e centrar fogo na economia. Esse é o foco que mantém, não só a sua popularidade como também a sua base.
Senhor, piedade! - TUTTY VASQUES
O ESTADÃO - 04/04/12
O DEM está partido! A metade que defendia a crucificação imediata de Demóstenes Torres comemora o pedido de desfiliação do senador. A outra metade continua achando que seria mais sensato só bater esse martelo depois da Semana Santa para evitar que o político goiano passe o feriadão dizendo por aí que foi “pego para Cristo”!“Vai que ele ressuscita no domingo”, ponderou o senador José Agripino na última reunião sobre os rumos do calvário do correligionário.
Depois daquilo tudo que o Brasil descobriu sobre o relacionamento íntimo de seu principal apóstolo da ética com o jogo do bicho, francamente, nada parece assim tão absurdo que não possa acontecer em Brasília.
Exageros à parte, a ideia de deixar o Demóstenes arrastando sua cruz por mais algum tempo nas manchetes de jornal talvez resultasse em castigo proporcional à quebra de decoro em questão.
Fora isso, a exemplo do que aconteceu com o ex-governador José Roberto Arruda, o ex-líder do DEM no Senado deve ser condenado à pena do esquecimento de todo Judas da política.
A boa notícia é que, se a fila dos denunciados andar, Ideli Salvatti pode dar um bom passinho à frente no abismo do noticiário.
Tá podendo!Lionel Messi está muito próximo de quebrar um novo recorde! Já deve ser o artilheiro do Barcelona que mais cuspiu em campo com a camisa do clube. O craque do momento dá pra mais de cem cuspidinhas, em média, por partida. Tem gente na Espanha fazendo as contas pra gente!
Lá vem ele!O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, vai a Brasília na semana que vem explicar melhor o que quis dizer quando se referiu ao “traseiro do Brasil”. No encontro com o ministro Aldo Rebelo, em vez de chutar, vai só passar a mão. De leve!
Meio ambiente“Que saco!” Só se fala disso nas filas do caixa dos supermercados de São Paulo. Descabelada Cristina Kirchner está louca para um bom bate-boca com a rainha da Inglaterra sobre as Ilhas Malvinas. “Só não vale puxão de cabelo!” - entrega seu ponto fraco.
Caiu nessa?O mundo vai aos poucos descobrindo que a notícia do êxito do plano de paz de Kofi Annan para a Síria foi uma espécie de 1.º de abril da imprensa internacional. Mira, que tal? Já correm na internet ofertas de carta- convite de brasileiros a espanhóis que não tenham onde ficar nem conheçam ninguém no Brasil. Por qualquer R$ 100, o visitante pode comprar o documento exigido pelas novas regras de controle da imigração em nossos aeroportos.
Quem?Fãs de Justin Bieber estão em pé de guerra com os 21 milhões de seguidores de Lady Gaga no Twitter. Isso quer dizer o seguinte: nada, absolutamente nada! Relaxa, vai! Depois de amanhã é feriado, caramba!
Por um Brasil bem Maior - CAROLINA BAHIA
ZERO HORA - 04/04/12
Na falta de força política para bancar a reforma tributária, o governo Dilma lança um pacote de ajuda à indústria visando a efeitos de curto prazo. As medidas apresentadas com pompa para uma plateia lotada de empresários servem, sim, para desafogar setores que flertam com a estagnação desde 2010. Desoneração da folha e linhas de financiamento devem alavancar a produção e o consumo. Por outro lado, os entraves estruturais continuam latentes, comprometendo a competitividade. Há burocracia e falta de investimento em infraestrutura. Em agosto de 2011, Dilma lançou a primeira versão do Brasil Maior e o resultado foi pífio. O desafio agora é não só colocar as promessas em prática, mas construir uma política industrial de fôlego para o país.
Fim da cascata
Técnicos da Receita Federal já estão estudando o fim do imposto cumulativo, aquele que vai crescendo em cascata, ao longo de toda a cadeia produtiva, até pesar no bolso do consumidor final. Empresários da confiança de Dilma Rousseff vêm insistindo nesta medida como parte de uma reforma tributária fatiada.
Máscara
Amigo do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Demóstenes Torres só pediu a desfiliação do DEM para fugir do fiasco da expulsão. Mas continua agarrado ao mandato, por causa do foro privilegiado. Na carta ao DEM, o Senador ainda tentou manter-se o paladino da ética, negando que tenha se desviado do programa partidário e reclamando de prejulgamento. Depois das gravações, parece piada.
Regalo
O prefeito de Soledade, Gelson Renato Cainelli (PP, foto), não quis deixar passar em branco a sua primeira audiência com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Para marcar o encontro, levou um mimo do município: um colar de ágata, fabricado especialmente para Gleisi. Na conversa, Cainelli e outros quatro prefeitos gaúchos pleitearam a liberação de R$ 326 milhões do programa Pró-Transporte.
PARA CONFERIR ali adiante
Ciumeira - Não é só para um encontro privado com a Senadora Ana Amélia Lemos (PP) que o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, desembarca em Brasília na próxima terça. O pedetista quer um café da manhã igualzinho ao da bancada do PP com Manuela D"Ávila (PC do B). Ciente da movimentação, Manuela resolveu ampliar sua oferta em troca do apoio dos progressistas. Além da vaga de vice, propôs a coligação na proporcional.
Na falta de força política para bancar a reforma tributária, o governo Dilma lança um pacote de ajuda à indústria visando a efeitos de curto prazo. As medidas apresentadas com pompa para uma plateia lotada de empresários servem, sim, para desafogar setores que flertam com a estagnação desde 2010. Desoneração da folha e linhas de financiamento devem alavancar a produção e o consumo. Por outro lado, os entraves estruturais continuam latentes, comprometendo a competitividade. Há burocracia e falta de investimento em infraestrutura. Em agosto de 2011, Dilma lançou a primeira versão do Brasil Maior e o resultado foi pífio. O desafio agora é não só colocar as promessas em prática, mas construir uma política industrial de fôlego para o país.
Fim da cascata
Técnicos da Receita Federal já estão estudando o fim do imposto cumulativo, aquele que vai crescendo em cascata, ao longo de toda a cadeia produtiva, até pesar no bolso do consumidor final. Empresários da confiança de Dilma Rousseff vêm insistindo nesta medida como parte de uma reforma tributária fatiada.
Máscara
Amigo do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Demóstenes Torres só pediu a desfiliação do DEM para fugir do fiasco da expulsão. Mas continua agarrado ao mandato, por causa do foro privilegiado. Na carta ao DEM, o Senador ainda tentou manter-se o paladino da ética, negando que tenha se desviado do programa partidário e reclamando de prejulgamento. Depois das gravações, parece piada.
Regalo
O prefeito de Soledade, Gelson Renato Cainelli (PP, foto), não quis deixar passar em branco a sua primeira audiência com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Para marcar o encontro, levou um mimo do município: um colar de ágata, fabricado especialmente para Gleisi. Na conversa, Cainelli e outros quatro prefeitos gaúchos pleitearam a liberação de R$ 326 milhões do programa Pró-Transporte.
PARA CONFERIR ali adiante
Ciumeira - Não é só para um encontro privado com a Senadora Ana Amélia Lemos (PP) que o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, desembarca em Brasília na próxima terça. O pedetista quer um café da manhã igualzinho ao da bancada do PP com Manuela D"Ávila (PC do B). Ciente da movimentação, Manuela resolveu ampliar sua oferta em troca do apoio dos progressistas. Além da vaga de vice, propôs a coligação na proporcional.
De vestal a vilão - ZUENIR VENTURA
O GLOBO - 04/04/12
Na vasta galeria dos vilões que compõem a cena política brasileira, acho que nunca houve um tipo tão desconcertante quanto Demóstenes Torres. Suas duas faces têm intrigado os que acreditavam conhecê-lo. Como é possível ser ao mesmo tempo alguém e seu contrário? Ser o impoluto paladino da ética, a vestal que vergastava sem piedade os corruptos, enquanto secretamente se corrompia, adotando a mentira e a dissimulação como prática? Como pôde enganar seus pares por tanto tempo? Era preciso ver a cara dos que num primeiro momento foram à tribuna do Senado botar a mão no fogo por sua inocência e que, depois das gravações comprometedoras, voltaram constrangidos para expor sua decepção. Não se conhece um colega parlamentar, um companheiro de partido, um correligionário ou um adversário político que tenha dito "eu sabia, ele nunca me enganou". Primeiro a surpresa, depois a incredulidade quanto às revelações desse estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hide, o médico e o monstro.
Atribuir esse comportamento contraditório ao puro cinismo talvez não explique tudo. Demóstenes parece ter vivido com autenticidade suas duas vidas, a que exibia e a que escondia - uma parte dele, a conhecida, combatia o mal, e a outra, clandestina, a da banda podre, estava a serviço do próprio mal. Sua dupla personalidade permitiu que desempenhasse com competência o papel de líder do DEM no Senado de conduta irrepreensível, símbolo da oposição no Congresso, e por outro lado o subserviente lobista do contraventor Carlinhos Cachoeira, chefe da máfia dos caça-níqueis.
Quando ainda não jorrava a cachoeira de autodenúncias, apenas pingava, ele fez discurso alegando que não havia investigação ou processo na Procuradoria-Geral da República: "Não sou acusado de nada." De fato não era, porque o procurador Roberto Gurgel levou três anos para pedir ao Supremo abertura de inquérito contra o ex-colega de Ministério Público (Demóstenes também foi procurador em Goiás). Só o fez após muita pressão do Congresso. Num episódio com tantas interrogações, cabe mais essa: por que a PGR demorou tanto para tomar providência, se desde setembro de 2009 havia lá um relatório da Polícia Federal incriminando o Senador do DEM? O atraso permitiu que ele, indignado, como se fosse um ficha-limpa, falasse em "injúrias, calúnias e difamações" e recebesse a solidariedade de 44 dos 81 Senadores.
Demóstenes pode ter dupla personalidade, mas na hora de faturar grana ilegal ele foi sempre coerente. Calcula-se que desde 2006 embolsou cerca de R$ 50 milhões só em trabalho sujo. Por dinheiro, Demóstenes foi capaz até de uma boa ação, como afirmar, ainda como vestal: "Os políticos estão perdendo a vergonha na cara." Ao negar todas as acusações, ele também esqueceu o que disse em 2007: "Todo bandido nega tudo."
Na vasta galeria dos vilões que compõem a cena política brasileira, acho que nunca houve um tipo tão desconcertante quanto Demóstenes Torres. Suas duas faces têm intrigado os que acreditavam conhecê-lo. Como é possível ser ao mesmo tempo alguém e seu contrário? Ser o impoluto paladino da ética, a vestal que vergastava sem piedade os corruptos, enquanto secretamente se corrompia, adotando a mentira e a dissimulação como prática? Como pôde enganar seus pares por tanto tempo? Era preciso ver a cara dos que num primeiro momento foram à tribuna do Senado botar a mão no fogo por sua inocência e que, depois das gravações comprometedoras, voltaram constrangidos para expor sua decepção. Não se conhece um colega parlamentar, um companheiro de partido, um correligionário ou um adversário político que tenha dito "eu sabia, ele nunca me enganou". Primeiro a surpresa, depois a incredulidade quanto às revelações desse estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hide, o médico e o monstro.
Atribuir esse comportamento contraditório ao puro cinismo talvez não explique tudo. Demóstenes parece ter vivido com autenticidade suas duas vidas, a que exibia e a que escondia - uma parte dele, a conhecida, combatia o mal, e a outra, clandestina, a da banda podre, estava a serviço do próprio mal. Sua dupla personalidade permitiu que desempenhasse com competência o papel de líder do DEM no Senado de conduta irrepreensível, símbolo da oposição no Congresso, e por outro lado o subserviente lobista do contraventor Carlinhos Cachoeira, chefe da máfia dos caça-níqueis.
Quando ainda não jorrava a cachoeira de autodenúncias, apenas pingava, ele fez discurso alegando que não havia investigação ou processo na Procuradoria-Geral da República: "Não sou acusado de nada." De fato não era, porque o procurador Roberto Gurgel levou três anos para pedir ao Supremo abertura de inquérito contra o ex-colega de Ministério Público (Demóstenes também foi procurador em Goiás). Só o fez após muita pressão do Congresso. Num episódio com tantas interrogações, cabe mais essa: por que a PGR demorou tanto para tomar providência, se desde setembro de 2009 havia lá um relatório da Polícia Federal incriminando o Senador do DEM? O atraso permitiu que ele, indignado, como se fosse um ficha-limpa, falasse em "injúrias, calúnias e difamações" e recebesse a solidariedade de 44 dos 81 Senadores.
Demóstenes pode ter dupla personalidade, mas na hora de faturar grana ilegal ele foi sempre coerente. Calcula-se que desde 2006 embolsou cerca de R$ 50 milhões só em trabalho sujo. Por dinheiro, Demóstenes foi capaz até de uma boa ação, como afirmar, ainda como vestal: "Os políticos estão perdendo a vergonha na cara." Ao negar todas as acusações, ele também esqueceu o que disse em 2007: "Todo bandido nega tudo."
Debate jurídico - SONIA RACY
Enquanto se espera a nomeação do novo procurador-geral de Justiça, outra "polêmica" ocupa as rodas do Ministério Público: o fim dos copinhos descartáveis. Eles serão trocados, no semestre que vem, por canecas duráveis – cada funcionário ganhará a sua. Já foram licitadas 10 mil unidades, a R$ 10,09 cada.
Tem promotor achando que é coisa de presidiário. Outros defendem a iniciativa verde.
Bumerangue
Especula-se queAlckmin, ao optar por um empresário na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, possa trazer de volta ao governo do Estado João Carlos Meirelles.
Sucessão
Preparando-se para mais um desafio, Marcelo Araujo, novo secretário da Cultura (conforme antecipado, anteontem na hora do almoço, pelo blog da coluna), não arrisca dizer quem assumirá seu lugar na Pinacoteca. "A decisão caberá aos 11 membros do conselho", explica.
Desde que Araujo assumiu a direção do museu, os avanços gerenciais foram tantos que hoje não é mais o governador do Estado a escolher quem dirige a casa. Ontem, falava-se em uma substituição caseira, para dar continuidade ao trabalho.
Pé-de-meia
Para bons ativos, a liquidez está grande. A Magnesita precificou, sexta-feira, um bond perpétuo – papel que jamais será pago, mas que renderá juros para sempre.
A demanda foi absurda: oito vezes os US$ 200 milhões ofertados. Juros? 8,6% ao ano.
Clã Higienópolis
Estrelado o café da manhã de Chalita em padaria de Higienópolis ontem. Primeiro, encontrou Henrique Meirelles, que praticava sua caminhada matinal. Desejou-lhe boa sorte no JBS e soltou: "Este eu queria como meu secretário. Olha que maravilha".
Depois, cruzou com Mario Sergio Cortella, colaborador de Haddad. E brincou: "Agora só falta encontrar o FHC".
Redoma
Reivindicação antiga, agora a Biblioteca Nacional ganhará reforço na área de segurança. Galeno Amorim conseguiu, junto ao Ministério do Planejamento, a liberação de R$ 5 milhões.
No prédio da Fundação serão instaladas novas câmeras, haverá mais vigilantes, obra de prevenção a incêndios e troca de catracas. Outra parte do dinheiro vai para o prédio anexo, na zona portuária, onde será montada a Hemeroteca Brasileira.
Segue
Depois do pedido de desfiliação deDemóstenes Torres, um observador gaiato do cenário político disparou: "Há males que vêm para o DEM".
PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV
9h - Suécia x Canadá, Mundial masc. de curling, Sportv 2
14h - França x Dinamarca, Mundial masc. de curling, Sportv 2
15h45 - Chelsea x Benfica, Copa dos Campeões, ESPN Brasil e ESPN HD
15h45 - Real Madrid x Apoel, Copa dos Campeões, ESPN
19h30 - Ipatinga x Grêmio, Copa do Brasil, ESPN Brasil e Sportv
19h30 - Godoy Cruz (CHI) x Universidad de Chile, Taça Libertadores, Fox Sports
21h - Oklahoma City Thunder x Miami Heat, NBA, ESPN HD
21h50 - Internacional x Santos, Taça Libertardes, Globo (para SP) e Fox Sports
21h50 - Emelec (EQU) x Flamengo, Taça Libertadores, Globo (menos SP) e FX
22h - Horizonte-CE x Palmeiras, Copa do Brasil, Band (para SP), ESPN Brasil e Sportv
22h - Guarani x Botafogo, Copa do Brasil, Band (menos SP), ESPN e Sportv 2
6h - Mundial de ciclismo, Etapa de Melbourne, Sportv
Problemas no Funpresp - CRISTIANO ROMERO
VALOR ECONÔMICO - 04/04/12
Como o diabo mora nos detalhes, o projeto aprovado pelo Congresso trouxe novidades em relação à proposta original que põem em risco a solvência do Funpresp. É bem provável que a presidente Dilma Rousseff, que teve coragem política de ressuscitar um projeto abandonado havia oito anos, vete algumas das mudanças feitas pelos parlamentares.
O principal risco, na avaliação de Marcelo Abi-Ramia Caetano, economista do Ipea especialista em previdência, está no Fundo de Cobertura de Benefícios Extraordinários (FCBE). A ideia é que esse fundo pague um bônus para as categorias do funcionalismo que, pela Constituição, têm direito à aposentadoria antecipada. São os casos, por exemplo, das mulheres e dos professores do ensino infantil, fundamental e médio.
Para ficar em dois casos, o FCBE faria aporte extraordinário de 40% sobre as reservas acumuladas por uma professora de ensino médio e de 16,7% por uma servidora. Caetano vê pelo menos quatro problemas nesse modelo.
O primeiro decorre do que os economistas chamam de seleção adversa. Como os bônus terão que ser pagos pelo sistema, isto é, pelo próprio Funpresp, e a adesão é voluntária - o funcionário público não é obrigado a se filiar ao fundo -, o FCBE vai gerar desincentivos à filiação de parte de seus financiadores. "Isso pode causar ciclo vicioso em que poucos homens se filiam ao Funpresp por causa do elevado custo do FCBE, o que reduz ainda mais a adesão masculina e aumenta o custeio do FCBE", explica Caetano.
O segundo problema é que as categorias beneficiadas pelo FCBE tenderão a sobreacumular para receber o bônus - quanto maior for a reserva acumulada, maior será o bônus. Enquanto isso, os demais participantes do fundo terão o incentivo contrário: subacumular para fugir do ônus de financiar o FCBE. "A estratégia ótima para um casal de servidores seria a esposa poupar além e o marido aquém como forma de minimizar o custeio e maximizar o recebimento do FCBE", exemplifica Caetano.
O terceiro risco é de insolvência, afinal, nada garante que o FCBE terá recursos capazes de cobrir os benefícios prometidos. Se a seleção adversa e a reação aos incentivos postos ocorrerem da forma como Caetano está prevendo, e é bastante provável que isso aconteça, o perigo de insolvência será considerável, dado o reduzido tamanho das contribuições dos participantes financiadores do FCBE.
"Ademais, a composição por gênero e atividade dos futuros servidores independe do poder de decisão do Funpresp, tornando alta a imprevisibilidade dos fluxos de receita e despesa do FCBE", adverte o especialista.
Um outro problema é que o pagamento de aposentadorias diferenciadas desrespeita o princípio da contribuição definida, consagrado pelas reformas previdenciárias aprovadas pelo país na última década e meia - até o fim dos anos 90, prevaleceu o sistema de benefício definido, uma forma, insustentável, de aposentadoria integral.
Uma possível solução para esses desequilíbrios seria o Tesouro Nacional, responsável pela contrapartida patronal do Funpresp, aumentar, via elevação de alíquota, sua contribuição ao fundo nos casos das aposentadorias especiais. Não é a melhor saída porque impõe à sociedade um custo adicional, quando o objetivo é diminuir custos, mas pelo menos asseguraria a solvência do fundo.
Há outros problemas na forma como o Funpresp saiu do Congresso. Fruto do corporativismo que impera em instâncias do setor público, a criação de um fundo de pensão para cada poder da República é um tiro no pé porque diminui a economia de escala que um fundo apenas possuiria. Escala permite reduzir custos de administração e aumentar os ganhos dos segurados - no regime de benefício definido, os lucros do fundo de pensão são repartidos entre os participantes.
A proibição de adesão de governos estaduais e prefeituras ao Funpresp é, também, uma limitação sem sentido. Na prática, funciona como um obstáculo à ampliação da previdência complementar no país, uma vez que muitos Estados e municípios não têm escala para criar o próprio fundo. Um outro aspecto condenável do projeto aprovado é o que acaba com a necessidade de terceirização da gestão dos recursos. Isso abre espaço, lembra Caetano, para ingerência política na administração dos fundos.
Ainda é possível corrigir alguns desses equívocos. Com o Funpresp, o Brasil está dizendo ao mundo que, aqui, não existe mais o instituto anacrônico da aposentadoria integral. Mostra também que, no longo prazo, o gasto previdenciário tende a se equilibrar. Haverá uma demanda a menos por aportes do Tesouro (leia-se: da sociedade) para cobrir rombos - em 2011, o déficit das aposentadorias do funcionalismo federal beirou os R$ 60 bilhões, numa escalada preocupante que ainda pode exigir das autoridades alguma medida saneadora.
A criação do Funpresp diminui, portanto, uma das principais fontes do déficit público - os gastos com pessoal ativo e inativo representam 40% da despesa primária da União. Com o tempo, isso ajudará o governo a reduzir o déficit orçamentário, o que, por sua vez, contribuirá para diminuir a taxa de juros com que o Estado brasileiro se financia no mercado.
Um outro efeito positivo do Funpresp é que, ao arrecadar recursos no curto prazo e assumir obrigações de longo prazo (o pagamento de aposentadorias no futuro), ele aumentará a poupança doméstica. Para honrar as obrigações, o fundo terá que investir os recursos em negócios rentáveis, ajudando a financiar a economia e, assim, a reduzir a dependência do país de poupança externa, um dos principais fatores de apreciação da taxa de câmbio.
O lobby legal - FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 04/04/12
Demóstenes recebeu presentes de casamento de um empresário acusado de contravenção. Também se prestou a atender dezenas de telefonemas do notório Carlinhos Cachoeira. As conversas versavam sobre como influir na tramitação de projetos de lei no Congresso.
Em miúdos, Demóstenes exerceu a antiga prática do lobby. Exceto se aparecer prova de dinheiro grosso nessa relação, o maior pecado do senador foi esconder do público essa sua atividade na defesa dos interesses de um empresário ligado ao ramo do jogo e da contravenção.
Não haveria nada de errado nem de ilegal se Demóstenes fosse à tribuna do Senado semanalmente para relatar os pontos de vista de Carlinhos Cachoeira. Bem, a imagem do senador não seria mais a de paladino da Justiça. Mas ele não cometeria quebra de decoro. Essa hipótese, por óbvio, é só uma alegoria. Tudo para ir ao seguinte ponto: falta ao Brasil legalizar e regulamentar o lobby. Identificados com um crachá, representantes dos mais diversos setores têm o direito de circular pelo Congresso ou ministérios defendendo suas causas e as de seus patrões.
É bom quando ativistas a favor do ambiente, da liberação dos jogos ou de mais verbas para estradas se manifestam de forma livre, aberta. Essas ações não podem ser nas trevas nem com a ajuda disfarçada de deputados e senadores.
A legalização do lobby não elimina o tráfico de influência. Também não garante uma política livre de casos como o de Demóstenes. Mas a adoção da regra seria um passo relevante para sanear o ambiente.
Homens probos - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 04/04/12
SÃO PAULO - Demóstenes Torres surgiu para a política tentando firmar-se como o Catão, o Moço, de nossa República: senador com ideias conservadoras, mas patologicamente íntegro e incorruptível.
Não deu certo. Quanto mais descobrimos sobre suas relações com Carlinhos Cachoeira, mais seus feitos pretéritos cheiram a hipocrisia. Ele entra assim para o clube dos que foram apanhados fazendo o contrário do que pregavam, cujos sócios mais ilustres são políticos e religiosos.
Embora isso não seja muito cristão, adoramos ver moralistas caindo em desgraça por exibir as falhas morais que condenavam. Como observa o psicólogo Jonathan Haidt, experimentamos, quando contemplamos sua queda, a emoção do desprezo, que faz com que nos sintamos melhores do que eles. E isso é gostoso.
Mas é bom tirar esse sorriso de superioridade da cara. Vários experimentos psicológicos recentes confirmam as advertências dos sábios de que somos todos hipócritas.
Um exemplo: quando voluntários tiveram a chance de decidir se seriam eles mesmos ou um parceiro quem ficaria na posição mais vantajosa, metade deles se dispuseram a ser justos e usar uma moeda para tirar a sorte. Dos que não fizeram cara ou coroa, 90% escolheram para si próprios o posto privilegiado. A surpresa é que, entre os que jogaram a moeda, também foram 90% os que acabaram ficando com a parte do leão. É como se as leis da probabilidade tivessem sido milagrosamente suspensas.
A ideia que emerge desses experimentos é que, dispondo de invisibilidade (impunidade assegurada) e de um vestígio de razão moral em que possamos nos apoiar (negação plausível), a maioria de nós trapaceia.
A má notícia para Demóstenes é que, mesmo que ele tenha sido apenas humano, zombar de sua situação e puni-lo são uma necessidade. Sociedades só são estáveis quando castigam os que tentam se dar bem sem pagar sua parte na fatura.
Não deu certo. Quanto mais descobrimos sobre suas relações com Carlinhos Cachoeira, mais seus feitos pretéritos cheiram a hipocrisia. Ele entra assim para o clube dos que foram apanhados fazendo o contrário do que pregavam, cujos sócios mais ilustres são políticos e religiosos.
Embora isso não seja muito cristão, adoramos ver moralistas caindo em desgraça por exibir as falhas morais que condenavam. Como observa o psicólogo Jonathan Haidt, experimentamos, quando contemplamos sua queda, a emoção do desprezo, que faz com que nos sintamos melhores do que eles. E isso é gostoso.
Mas é bom tirar esse sorriso de superioridade da cara. Vários experimentos psicológicos recentes confirmam as advertências dos sábios de que somos todos hipócritas.
Um exemplo: quando voluntários tiveram a chance de decidir se seriam eles mesmos ou um parceiro quem ficaria na posição mais vantajosa, metade deles se dispuseram a ser justos e usar uma moeda para tirar a sorte. Dos que não fizeram cara ou coroa, 90% escolheram para si próprios o posto privilegiado. A surpresa é que, entre os que jogaram a moeda, também foram 90% os que acabaram ficando com a parte do leão. É como se as leis da probabilidade tivessem sido milagrosamente suspensas.
A ideia que emerge desses experimentos é que, dispondo de invisibilidade (impunidade assegurada) e de um vestígio de razão moral em que possamos nos apoiar (negação plausível), a maioria de nós trapaceia.
A má notícia para Demóstenes é que, mesmo que ele tenha sido apenas humano, zombar de sua situação e puni-lo são uma necessidade. Sociedades só são estáveis quando castigam os que tentam se dar bem sem pagar sua parte na fatura.
Quem interpreta quem? - ROBERTO DaMATTA
O Estado de S.Paulo - 04/04/12
Em 1974, passei cinco dias no castelo do Burgo Warteinstein, numa localidade próxima de Viena, Áustria, para tomar parte num seminário patrocinado pela Wenner Gren Foundation for Anthropological Research sobre "rituais seculares". Num muito acatado dia de folga das competições para ouvir - como é rotina nos encontros acadêmicos -, quem tinha as melhores teorias sobre os rituais, inclusive a teoria de que o conceito de ritual era uma bobagem teórica, fiz algo inesquecível. Acompanhado dos meus velhos e queridos amigos Victor Turner e Richard Moneygrand, fui ao Auersperg Palace para assistir à ópera As Bodas de Fígaro, do grande Amadeus Wolfgang Mozart.
Chegamos cedo e como estávamos interessados em rituais, queríamos observar o que Victor Turner chamava, com sua imaginação habitual, toda a "curva performativa" que é parte das atividades humanas encapsuladas em tempo e espaço especiais, em contraste com a ilimitada e aberta vida diária, na qual não temos hora ou lugar para o que pode ocorrer conosco.
Moneygrand, motivador da nossa ida ao concerto e que sabia tudo sobre Mozart, falava entusiasmado da vida e da obra do gênio com Turner, enquanto eu me impressionava com a orquestra que, no grande palco, afinava suas notas, retomava acordes e ensaiava pequenos trechos da peça a ser tocada, lembrando um jovem prestes a fazer vestibular ou um conferencista ensaiando o seu texto. Disso resultava uma tremenda confusão de sons que invadiam o ar sem nenhuma diretiva ou alvo.
Então, debaixo de aplausos veio o maestro e, com a sua batuta, fez-se o milagre. Num segundo mágico, surgiu em todo o seu esplendor a música de Mozart e o mundo fez sentido.
Moneygrand comentava o virtuosismo dos profissionais vienenses; Turner falava em liminaridade, como sempre. Eu, acostumado àquelas tardes com mamãe tocando Ernesto Nazareth, Eduardo Souto, Franz Liszt, Cole Porter e Lamartine Babo ao seu piano, pensava com os meus botões: é a orquestra que interpreta o Mozart ou, pelo contrário, é Mozart quem comanda tudo, interpretando a orquestra?
* * * *
Em 2002, o famoso cantor e roqueiro, ex-jogador de futebol e coveiro, Rod Stewart, gravou o Grande Cancioneiro Americano e, com belos arranjos, cantou os clássicos de Irving Berlin, Cole Porter, George e Ira Gershwin, Rogers e Hart, Vincent Youmans e outros. Vendeu mais do que todos os antropólogos que conheci, aqui e "lá fora", com todos os seus livros e economias. Tenho todos os seus CDs. Um deles me foi gentilmente presenteado pelo meu caro amigo João Emmanuel numa noite de autógrafos.
A voz é fraca, o modo de cantar não tem nem a técnica nem a dramaticidade italiana de Sinatra, Tony Bennet ou Dean Martin ou o toque mavioso ou solene de um Nat King Cole ou Billy Eckstine. Mas as músicas pegam. Sempre ouço com prazer todas essas canções na voz de Rod, pois elas têm o poder mágico de lavar a minha alma e enxaguar o meu coração.
Um dia, porém, entendi tudo. Quem cantava as músicas não era o Rod Stewart. Muito pelo contrário, eram as canções que se cantavam por meio de sua voz. Afinal, quem canta quem? Tal como as análises dos mitos era, ela própria, uma mitologia, conforme ensinou Claude Lévi-Strauss, seu grande pensador?
* * * *
No número de 27 de fevereiro a capa da revista The New Yorker traz uma ilustração intrigante do desenhista Bruce McCall. Eis um artista cujo trabalho tem um toque de criticismo surrealista e por quem eu tenho uma enorme admiração, pois sou um desenhista frustrado por uma dupla ausência: a do danado do talento e, pior que isso, do tal esforço que - dizem, pois falar é fácil - constitui 99% da genialidade.
Naquela quinzena de entrega dos Oscars, um prêmio pelo qual alguns matariam a própria mãe; outros passariam fome e frio; e todos sentem uma inveja funesta dos vencedores, McCall desenhou cinco estatuetas - cinco Oscars - em volta de uma mesa de um restaurante, cujas paredes são decoradas com fotografias de artistas que receberam tal honra no passado, mas já passaram, não se sabe mais quem foram. Os Oscars, tornados vivos pelo artista, têm em suas mãos sem dedos taças de Martini e champanhe. Nos seus pratos há restos do seu lauto jantar e todos eles olham com o seu olhar petrificado e desumanizado pelo ouro de que são feitos, pequenas estatuetas de humanos em traje de gala. Todos os Oscars têm essas figuras premiadas nas mãos e estão prestes a comê-las como sobremesa.
Pergunta-se: é o premiado quem recebe o prêmio (e por ele fica marcado, como quer a nossa vã filosofia) ou é o prêmio quem recebe o premiado, como sugere a ilustração de McCall?
Afinal, somos nós que interpretamos a sociedade e o mundo no qual nascemos sem pedir; ou é o mundo que se escreve inapelavelmente em nós? De tal modo que nós nem percebemos a nossa ingenuidade quando pensamos que somos nós quem recebemos os Oscars quando, na verdade, são eles que nos recebem e, como todo signo de sucesso descabido, nos devoram?
Pescaria fisiológica - EDITORIAL FOLHA DE SP
Folha de S. Paulo - 04/04/12
Já diz muito sobre a qualidade da administração pública brasileira a simples existência de um ministério voltado para a atividade da pesca, ora comandado por um senador, bispo evangélico e cantor gospel, que se declara incapaz de "colocar minhoca no anzol".
Tal inabilidade não deve, porém, ser superestimada; na realidade, é tão irrelevante quanto a própria pasta, criada pelo ex-presidente Lula para saciar apetites de comensais do petismo.
O objetivo vai sendo atendido, como atestam a própria nomeação do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) pela presidente Dilma Rousseff e o noticiário sobre a doação que o empresário José Antônio Galizio afirma ter feito, a pedido do PT, para a campanha eleitoral de 2010.
Trata-se do dono da Intech Boating, empresa que vendeu, em 2008 e 2009, 28 lanchas ao Ministério da Pesca, no valor de R$ 31 milhões.
O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou superfaturamento e outras irregularidades na operação. Entre elas, o fato comezinho de o ministério não ter poder fiscalizador, o que o levou a transferir parte das embarcações de vigilância para outros órgãos. Além disso, a empresa, pelas regras, precisaria ter produzido previamente ao menos três unidades para ser qualificada -e só havia construído uma.
Em 2010, a Intech doou, segundo o empresário, R$ 150 mil ao PT de Santa Catarina. A candidata a governadora pelo partido era a atual responsável pela pasta das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que, derrotada, assumiu a Pesca.
Altemir Gregolin, titular do ministério à época da transação, também pertencia ao PT catarinense -e assinou ordem para a compra das últimas cinco lanchas pouco antes de deixar o cargo.
Quatro das embarcações adquiridas encontram-se paradas há um ano, sem uso, numa marina perto de Florianópolis. A Intech diz que pretende cobrar R$ 400 mil do governo pela manutenção. Já o ministério informa que pediu "um plano de trabalho para solucionar as pendências que impedem a plena utilização" das lanchas.
Diante de tantos problemas, soa até tímida a declaração do antecessor de Crivella, o ex-ministro Luiz Sérgio, de que o pedido de doação feito ao empresário teria caracterizado um "malfeito".
Tudo nessa operação, na realidade, sugere desfaçatez, fisiologismo e desperdício de dinheiro público. A começar, aliás, pela criação do Ministério da Pesca.
Tal inabilidade não deve, porém, ser superestimada; na realidade, é tão irrelevante quanto a própria pasta, criada pelo ex-presidente Lula para saciar apetites de comensais do petismo.
O objetivo vai sendo atendido, como atestam a própria nomeação do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) pela presidente Dilma Rousseff e o noticiário sobre a doação que o empresário José Antônio Galizio afirma ter feito, a pedido do PT, para a campanha eleitoral de 2010.
Trata-se do dono da Intech Boating, empresa que vendeu, em 2008 e 2009, 28 lanchas ao Ministério da Pesca, no valor de R$ 31 milhões.
O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou superfaturamento e outras irregularidades na operação. Entre elas, o fato comezinho de o ministério não ter poder fiscalizador, o que o levou a transferir parte das embarcações de vigilância para outros órgãos. Além disso, a empresa, pelas regras, precisaria ter produzido previamente ao menos três unidades para ser qualificada -e só havia construído uma.
Em 2010, a Intech doou, segundo o empresário, R$ 150 mil ao PT de Santa Catarina. A candidata a governadora pelo partido era a atual responsável pela pasta das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que, derrotada, assumiu a Pesca.
Altemir Gregolin, titular do ministério à época da transação, também pertencia ao PT catarinense -e assinou ordem para a compra das últimas cinco lanchas pouco antes de deixar o cargo.
Quatro das embarcações adquiridas encontram-se paradas há um ano, sem uso, numa marina perto de Florianópolis. A Intech diz que pretende cobrar R$ 400 mil do governo pela manutenção. Já o ministério informa que pediu "um plano de trabalho para solucionar as pendências que impedem a plena utilização" das lanchas.
Diante de tantos problemas, soa até tímida a declaração do antecessor de Crivella, o ex-ministro Luiz Sérgio, de que o pedido de doação feito ao empresário teria caracterizado um "malfeito".
Tudo nessa operação, na realidade, sugere desfaçatez, fisiologismo e desperdício de dinheiro público. A começar, aliás, pela criação do Ministério da Pesca.
O teatro político da economia - VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 04/04/12
Críticas ao pacote para remediar a vida de certas empresas se limitam ao palavrório para a mídia
A encenação do teatro das reações estereotipadas repete-se a cada anúncio de planos de estímulo à economia, como o de ontem, que contou até com a presença da estrela da companhia, Dilma Rousseff.
Todos os envolvidos sabem mais ou menos o grosso do que o governo vai divulgar. Como numa encenação de commedia dell'arte ou de teatro tradicional chinês, a gente sabe o que os tipos (fixos) vão dizer.
Os tipos, claro, o arlequim, a colombina, o scaramuccia, a pulcinella, somos nós, jornalistas, "analistas do mercado", o burocrata-mor de federações patronais e sindicais, o economista liberal "sério", o "desenvolvimentista" que vai se fazer de animado com o "desmanche da ortodoxia" e "grande elenco".
As críticas são estereotipadas.
As medidas não são "estruturais", não resolvem os "problemas de longo prazo". Elegem "setores" favorecidos ou "campeões". "Distorcem" a tributação, complicam-na, distorcem preços, a alocação de capital. São protecionistas. São insuficientemente protecionistas. Enfim, não tratam de "câmbio, juros, impostos demais, infraestrutura ruim, mão de obra incapaz e escassa".
É tudo verdade. E, assim posto, tudo pontualmente irrelevante.
O que o governo anunciou ontem?
1) Um refresco para a rentabilidade das empresas, na maioria industriais, que vão pagar menos para o INSS e, assim, faturar mais e/ou manter fatias de mercado;
2) Uma baixa de juros na marra, localizada, decerto. O governo vai tomar emprestado R$ 45 bilhões adicionais a juros de quase 10% e vai repassar o dinheiro ao BNDES, que pode dar crédito ao custo de no máximo 7,7%, no mínimo de 5,5%, a depender do tamanho do freguês. Ou seja, taxa de juro real (descontada a inflação) quase zero;
3) Uma promessa de cobrança de inovação e nacionalização de peças da indústria automobilística, o que talvez renda boa coisa, a depender de como for feita (se é que vai), combinada a um monstrengo de impostos escalonados e cotas de importação, algo arcaico e confuso.
Isso é o grosso do pacote. Não é inútil. Confere alguns privilégios (que podem ser contestados, claro, desde que a gente ponha todos eles na mesa de discussão). Deve atenuar danos que de fato muita indústria sofre devido ao câmbio doido.
Por que as críticas são de um tédio irrelevante? Porque são uma desconversa pontual. "Reformas estruturais" implicam uma "guerra civil por outros meios". Reforma estrutural significa, para começo de conversa, alterar o gasto público (aumentar, reduzir, redividir).
Quem vai propor corte de gasto social? De salários e pensões de servidores? De benefícios sociais para pobres? Aumentar o imposto sobre a renda de ricos? Dar cabo da guerra fiscal dos Estados? Intervir pesadamente no modo como governadores e prefeitos tratam da educação? De baixar o número de ministérios (e seu volume) a uma dúzia?
Seria divertido ver empresários cortar verba de campanha eleitoral para governador que faz guerra fiscal. Ou ver quem vai propor o congelamento dos benefícios sociais. Pregar a privatização em massa (pregar abertamente, financiando um movimento radical e público). Pregar o controle do câmbio para valer, quase centralizando. Isso é exemplo de "reforma estrutural", boa ou ruim. Quem se habilita?
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