O GLOBO - 11/06
A Espanha é a crise contemporânea em todas as suas dimensões. Seus arquétipos são conhecidos. Os financistas quebraram os bancos com a farra do crédito, à base de alavancagem excessiva. E os políticos quebraram os governos e congelaram os mercados de trabalho com as práticas populistas, obsoletas e financeiramente irresponsáveis dos social-democratas. Até que a cobra engoliu o próprio rabo.
Os bancos não podem mais comprar títulos públicos para rolar dívidas dos governos nacionais porque os riscos soberanos em alta trazem pesadas perdas de capital ao sistema financeiro. E os governos nacionais não podem mais socorrer seus bancos porque fariam disparar ainda mais seus riscos soberanos e os custos de rolagem de suas dívidas públicas. Afinal, suas finanças já foram exauridas por décadas de demagogia social-democrata.
Só analistas ingênuos acreditam que a quebra do Lehman Brothers foi a causa da grande crise financeira que se abateu sobre a economia americana. É claro que o excesso de endividamento permeava todo o universo financeiro após anos de expansão abusiva do crédito. A quebra do Lehman Brothers foi apenas um dos inúmeros gatilhos que poderiam disparar a ameaça de contágio bancário. Qualquer fósforo riscado em um paiol de pólvora o faria explodir. Do outro lado do Atlântico, a emergência do euro como moeda continental estimulou a expansão excessiva do crédito e revelou também os abusos da classe política europeia contra os orçamentos públicos.
Mais e mais, percebe-se que a grande crise contemporânea reflete um atentado de financistas e políticos contra o regime de moeda fiduciária e a sustentabilidade financeira das redes de solidariedade social, pilares da modernidade na longa história evolucionária da civilização ocidental.
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