quarta-feira, abril 03, 2013

Desarrumação - CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 03/04

A economia brasileira está sob processo de implacável desarrumação.

É a sucessão de pibinhos que, provavelmente, continuará este ano com um avanço da atividade econômica não superior a 3%.

É também a alta resistente e espalhada da inflação que, nos dois primeiros trimestres deste ano, perfurará o teto de 6,5% em 12 meses, incluída aí a faixa de escape de 2 pontos porcentuais. Tão ou mais preocupante, o governo não se dispõe a combater a inflação com a arma mais poderosa que possui, que é a política monetária (política de juros). Ao contrário, o combate à inflação voltou a ser feito por expedientes antigos e notoriamente ineficientes, como o represamento de preços e tarifas (caso dos combustíveis e da condução) e desonerações tributárias (como a da cesta básica e a dos veículos).

E é, ainda, a rápida deterioração das contas externas, sobretudo do Comércio Exterior, cujo superávit chegou aos US$ 40 bilhões em 2007 e vai sendo esvaziado rapidamente (veja o Confira). Neste ano, dificilmente passará dos US$ 9 bilhões - algumas projeções apontam para apenas US$ 4 bilhões.

Os desequilíbrios transparecem de outras avaliações. O governo gasta demais, como o Banco Central vem denunciando e ontem foi novamente objeto de avaliações de seu presidente, em depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal. Isso não é tudo, porque a transparência vem sendo sacrificada pelo uso de truques contábeis.

Embora contemplada com seguidos incentivos, a indústria mostra desempenho modorrento. Isso acaba de ser confirmado pelo IBGE, a partir dos levantamentos de fevereiro. Há um notório descompasso entre consumo e oferta, repetidas vezes denunciado pelo Banco Central, que desemboca nos maus resultados das contas externas. O mercado de trabalho está excessivamente aquecido e desequilibrado, o que concorre para a exacerbação da demanda, para elevar custos do setor produtivo e para a desenvoltura da inflação, principalmente no setor de serviços.

Informações sobre o apagão logístico estão todos os dias na TV e nos jornais. O governo parece ter-se dado conta de que é preciso puxar o investimento. Mas é lento demais e pouco eficiente. O setor privado parece algo mais propenso a investir, como mostra o melhor resultado do setor de bens de capital (máquinas e equipamentos), mas segue com o breque de mão puxado. Teme o excessivo intervencionismo do governo e a falta de determinação em combater o custo Brasil, que mina a competitividade do setor privado.

Até recentemente, o governo pretendia compensar a baixa capacidade de competir do setor produtivo com doses alentadas de desvalorização cambial (alta do dólar) que garantissem o encarecimento do produto importado. Mas deu marcha a ré nessa empreitada quando percebeu as avarias que apareceram na inflação.

A presidente Dilma não mostra disposição para a arrumação da economia. Não só porque seu conceito de ordem difere do partilhado pela maioria dos analistas, mas também porque se julga segura pelas pesquisas de avaliação de seu governo. Como estratégia eleitoral, a presidente pode estar certa. Mas, lá na frente, ficará mais difícil colocar a casa em ordem.

Hesitação autônoma - ALEXANDRE SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 03/04

O cenário inflacionário piorou, mas o BC ainda não foi capaz de decidir se vai fazer algo a respeito


Na semana passada, o Banco Central divulgou seu Relatório Trimestral de Inflação e, com ele, suas previsões para a inflação até o primeiro trimestre de 2015.

Como os 18 leitores já suspeitavam, o BC teve que rever significativamente para cima suas projeções, de valores pouco acima da meta em 2013 e 2014 para algo ao redor de 5,5% até março de 2015. Ainda são previsões otimistas, mas mostram, ao menos parcialmente, a extensão do problema.

Em meados do ano passado, quando os primeiros sinais de aceleração da inflação começaram a surgir, a equipe econômica, BC inclusive, culpava um mal definido "choque de oferta" relacionado à seca no EUA (que, maldosamente, só afetou o Brasil, poupando nossos vizinhos mais bem-comportados).

Seria, portanto, um fenômeno de curta duração, pois os preços cairiam assim que a oferta internacional se normalizasse, dissipando os efeitos inflacionários.

O próprio relatório demole esse argumento, já que previsão de inflação esperada acima da meta por período tão longo revela não mais se tratar de problema temporário e localizado.

Ao contrário, é coerente com um padrão observado há algum tempo nos índices de inflação: a proporção de itens que registram aumentos de preços no IPCA (o chamado índice de difusão) tem batido seguidos recordes, atingindo os valores mais elevados dos últimos dez anos, indicando propagação das pressões inflacionárias.

Não é por acaso, então, que até o BC, depois de negar o quanto pôde a gravidade do problema, começou, com atraso, a mudar de atitude.

Seja por meio dos discursos de seus dirigentes, seja em sua comunicação oficial, o banco passou a dar ênfase precisamente à persistência da inflação, assim como a seu caráter disseminado.

Ao mesmo tempo, removeu as referências à estabilidade da taxa de juros "por um período de tempo suficientemente prolongado" e, finalmente, ao reconhecer a piora nas perspectivas de inflação para os próximos 24 meses, preparou o terreno para iniciar a elevação da taxa de juros.

Ou não.

Depois de elencar os argumentos que justificariam um endurecimento da política monetária, inclusive reconhecendo a possibilidade de "uma eventual acomodação da inflação em patamar mais elevado", o BC evita a conclusão lógica e "pondera que incertezas remanescentes (...) cercam o cenário prospectivo e recomendam que a política monetária deva ser conduzida com cautela".

Em outras palavras, o cenário inflacionário piorou consideravelmente, mas o BC ainda não foi capaz de decidir se vai fazer algo a respeito.

Não estivesse essa expressão presente já na ata do Copom, divulgada duas semanas antes de a presidente se manifestar contrária à elevação da taxa de juros, caberia até perguntar se a hesitação resulta de restrições de ordem política.

Aparentemente, porém, o BC hesita sozinho.

Isto dito, embora o Copom mostre autonomia de hesitação, a atitude da presidente em nada colabora.

Caso o BC conclua pela manutenção do nível atual da Selic nos próximos meses, será difícil para observadores externos distinguir entre duas possibilidades: uma decisão autêntica (apesar de, a meu ver, errônea) ou uma intervenção direta do mundo político num corpo que deveria ser predominantemente técnico eliminando qualquer ilusão remanescente sobre a autonomia decisória do BC.

Talvez esteja aqui a dificuldade maior de entendimento da presidente. Ninguém interpretou sua fala (contra "políticas de combate à inflação que olhem [sic] a redução do crescimento econômico") como sinal de descaso com a inflação (ainda que seja exatamente essa a conclusão inescapável do seu discurso), mas, sim, como um obstáculo à ação do BC, a quem foi dada a tarefa de proteger a estabilidade do poder de compra da moeda.

Pior do que a presidente não entender a dinâmica da inflação é sua desconsideração pelo arranjo institucional para lidar com o problema. Ainda iremos lamentar bastante as consequências.

Ano ainda não esquentou - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 03/04

A queda forte da indústria em fevereiro altera o quadro para o ano porque ameaça a previsão de crescimento de 3% do PIB. A alta de juros, que muitos davam como certa, pode ser adiada. O BC fica mais pressionado entre dois fogos: a atividade fraca e a inflação que em março deve ter superado o teto da meta. As sondagens com empresários e consumidores mostram que os termômetros de confiança não esquentaram.

Já se esperava queda na indústria em fevereiro, mas a redução de 2,5% foi mais forte que o previsto e significou o maior tombo mensal desde dezembro de 2008. O número praticamente anulou o crescimento de janeiro, de 2,6%. A produção encolheu em 15 das 27 atividades pesquisadas e a taxa é livre de influências sazonais, não se pode culpar os feriados do carnaval. A maior retração aconteceu no setor automobilístico, que, depois de subir 6,2% em janeiro, caiu 9,2%. Não foi à toa que o governo decidiu esta semana cancelar o aumento gradual do IPI para veículos, que estava previsto para o ano.

A única boa notícia está nos bens de capital, que subiram 1,6%, pelo segundo mês seguido. Mas houve uma forte desaceleração em comparação aos 9,6% de janeiro, e isso mostra que os investimentos no primeiro mês do ano estavam mesmo concentrados na produção de caminhões. O crescimento em fevereiro foi puxado pelas máquinas agrícolas, que cresceram 12%, e tem relação com a supersafra de grãos. Ou seja, as maiores altas têm explicações específicas.

Neste início de ano, os principais termômetros que medem a confiança na nossa economia estão frios. Isso preocupa. A bolsa terminou o primeiro trimestre com a maior queda em 18 anos. As sondagens feitas pela FGV com empresários e consumidores mostram que o ano ainda não engrenou. O Índice de Confiança da Indústria caiu pelo segundo mês seguido em março e voltou ao patamar de setembro. A confiança do setor de construção civil recuou 7,9% no primeiro trimestre, em relação ao quarto. A confiança dos empresários do setor de serviços teve um pequeno aumento em março, mas continua abaixo da média dos últimos cinco anos. Já a confiança dos consumidores está em queda há seis meses seguidos. Tudo isso contradiz a expectativa de alta forte do PIB.

O economista Aloisio Campelo, coordenador de Sondagens Conjunturais da FGV, explica que a queda da confiança dos consumidores tem relação com o mercado de trabalho, que tem gerado menos vagas. Também há influência negativa do endividamento das famílias e da inflação alta, que tira renda. Olhando para a indústria, Campelo ainda enxerga ociosidade dos meios de produção. Por isso, é preciso mesmo cautela ao olhar para as taxas de investimento.

- A alta do investimento no início do ano não está sendo puxada pelo esgotamento da capacidade instalada, porque ainda há ociosidade. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada não chegou a um patamar alto. Podemos dizer que está neutro. Os investimentos também não estão crescendo pela confiança, porque nossas sondagens mostram queda - disse.

Para que aconteça um crescimento do PIB de 3% ou mais, como espera o governo, o país tem que crescer forte em todos os trimestres. No primeiro tri, o baixo desempenho da indústria em fevereiro compromete o resultado e foi reforçado pela queda da confiança dos empresários em março.

O problema básico da economia é que o governo tem um diagnóstico errado. Com isso, preocupa-se em incentivar a demanda, quando deveria estar atuando na oferta, principalmente no investimento. O ambiente de negócios permanece ruim por inúmeros problemas, alguns regulatórios, e outros de incerteza. Movimentos de manutenção da demanda, como a renúncia fiscal de R$ 2,2 bilhões para não elevar o IPI dos carros, não produzem efeitos sustentados, apenas provocam antecipação de compras.

Decimais - ANTONIO DELFIM NETTO

FOLHA DE SP - 03/04

Terminamos o primeiro trimestre de 2013 sem que nada tenha acontecido, a não ser um aumento do ruído que atrapalha o avanço das importantes medidas institucionais e estruturais que o governo tenta implementar.

Não se trata de problema de comunicação, mas de execução. Graças a isso, as significativas propostas, que, no prazo médio, acelerarão o desenvolvimento pelo aumento da produtividade, são vistas apenas como "ativismo" tresloucado. Trata-se, obviamente, de um equívoco.

É inútil, porém, tentar corrigi-lo com palavrório ou exortação moral, pois há alguns sinais objetivos de que é daquela forma que nos veem, interna e externamente, os agentes econômicos, revelados no recente comportamento dos "credit default swaps" (CDS), da Bolsa e das perspectivas dos investimentos privados.

Como afirma o famoso teorema de Thomas, "se os agentes definem suas circunstâncias como reais, então elas serão reais nas suas consequências". O governo precisa, portanto, demonstrar, por atos e fatos, que não aceita o capitalismo de "compadres" e sua política "pró-negócios". Que sua política é "pró-mercados" fortemente competitivos e regulados constitucionalmente.

A primeira medida para mudar o quadro e salvar os três quartos de 2013 que ainda nos restam é destravar o "investimento" público por meio de leilões projetados por profissionais competentes, nos quais o poder incumbente fixa cuidadosa e transparentemente o que exigirá dos concessionários, estimula a competição e aceita a taxa de retorno oferecida pelo vencedor. É pouco provável que competidores sérios e capazes acreditem ou sejam seduzidos por subsídios creditícios e garantias financeiras que engordarão o deficit público dos futuros governos...

Nas condições atuais, a medida sugerida parece, infelizmente, de difícil realização, por dois motivos.

Primeiro, porque é impossível produzir um leilão realmente eficiente sem que os pretendentes à concessão sejam obrigados a apresentar minucioso "plano de negócio" que especifique as etapas, os procedimentos e as prováveis emergências da obra. Sem isso, não há o que cobrar do vencedor. Chega a ser ridículo sugerir que tais planos sejam analisados e assegurados por uma instituição financeira.

Segundo, porque cinco iluminados brasilienses criaram a seguinte dificuldade: a nota nº 663/2012/STN/SEAE/MF (17/8/12), que pretere o bom-senso. Ela fixa a divina taxa de retorno das rodovias em 5,50%. Trata-se de um "afugentador" de investidores, com a "precisão" de duas casas decimais...

Os ingleses e a morte de Lumumba - ELIO GASPARI

O GLOBO - 03/04

A cena não podia ser mais chique. Em 2010 Lord Lea de Crondall tomava chá com a baronesa Park de Monmouth e comentou um trecho de um livro que discutia o envolvimento do serviço secreto britânico no assassinato do primeiro-ministro congolês Patrice Lumumba, em 1961. O mistério completaria meio século. Lumumba tinha 35 anos e parecia um Fidel Castro (versão 1.0) africano. Vencera uma eleição e mal completara tres meses como primeiro-ministro quando foi deposto e preso. Fugiu e foi capturado. Seu assassinato foi um crime que superou, de longe, a execução do Che Guevara. Primeiro, porque estava no seu país. Ademais, porque foi filmado apanhando, até mesmo quando soldados tentavam fazê-lo comer um documento que assinara. A imagem de sua altaneira resignação, com as mãos amarradas está no Youtube. Tropas da ONU que policiavam o Congo poderiam tê-lo libertado. Lumumba foi martirizado durante duas semanas. Apanhou de soldados, generais e até mesmo do presidente de uma província rebelada. Finalmente, no dia 17 de janeiro de 1961, militares congoleses e mercenários europeus encostaram-no numa arvore e fuzilaram-no.

A execução foi uma espécie de Crime do Oriente Expresso da Guerra Fria. Os americanos tentaram envenená-lo, os belgas tratavam-no pelo codinome de Satan e planejaram seu assassinato. O primeiro-ministro inglês discutira sua "eliminação" com o presidente americano Eisenhower, mas o dedo de Londres só apareceu durante o chá dos lordes. Faltava uma peça: quem armou a cena final?

"Fomos nós. Eu organizei a coisa", disse a octogenária baronesa de Monmouth. Aos 39 anos ela era Daphne Park e chefiava a estação da inteligencia inglesa no Congo. Para quem se habituou com a cenografia de James Bond, Parks encarnava o anticlimax. Com jeitão de missionária gorda, dirigia um Citroen velho. Até chegar à Camara dos Lordes, passaria por Moscou, Zâmbia e Hanoi. Nunca falou de sua carreira, ria do Bond de Ian Fleming e não gostava das tramas de John Le Carré. Daphne morreu aos 88 anos, poucos meses depois de seu breve comentário com Lord Crondall. Ele narrou a conversa numa carta recente ao London Review of Books.

Recompondo-se os fatos de janeiro de 1961, é possível que Daphne tenha organizado e instruído a ida de um ex-assessor de Lumumba à prisão onde ele estava, transferindo-o para a capital de uma província rebelada, onde seu fim estaria selado. Semanas antes, ela salvara a vida desse novo colaborador escondendo- na mala de seu carro.

Passados 52 anos do assassinato de Lumumba ficou o saldo. De 1961 a 1997, o Congo foi governado por Joseph Mobutu, um policial transformado em coronel, queridinho da Central Intelligence Agency americana. O embaixador inglês achava-o incapaz de se tornar ditador. Foi um arquétipo dos cleptocratas africanos, intitulando-se Messias, Supremo Combatente e O Grande Leopardo. Juntou algo como cinco bilhões de dólares, mais um castelo na França. Desde então o Congo viveu meio século de guerras civis (numa das quais meteu-se o Che Guevara) e nelas morreram milhões de pessoas. País de imensos recursos naturais, o Congo é um dos mais pobres e corruptos do mundo.

Redesenhando as fronteiras - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 03/04

SÃO PAULO - A internacionalização das universidades brasileiras é uma meta a perseguir. Pesquisadores que passam um período no exterior e retornam trazem de volta não só conhecimento novo como uma rede de contatos que pode resultar em proveitosas colaborações entre instituições brasileiras e estrangeiras. Faz sentido que o governo invista em programas para enviar jovens cientistas e estudantes para as universidades de ponta fora do país.

A pergunta incômoda é se o Ciência sem Fronteiras foi dimensionado corretamente e se está funcionando bem. E eu receio que a resposta seja duplamente negativa. Para começar, o programa, lançado em 2011, peca por um certo gigantismo. O Planalto pretende mandar 101 mil alunos de graduação e pós-graduação ao exterior até 2014 a um custo de R$ 3,2 bilhões. Será que temos tantos jovens qualificados para extrair o melhor desse tipo de experiência? Eles estão partindo com um domínio pelo menos razoável do idioma do país em que irão estudar? E, no caso dos graduandos, será que já reúnem conhecimento suficiente em sua área para que a viagem seja mais do que um cursinho de língua estrangeira adquirido a preço extorsivo?

Tudo indica que não. Levantamento feito pela Folha no início do ano mostrou que, dos 8.000 graduandos agraciados com uma bolsa, apenas 12% frequentam escolas de primeira linha. Os demais estão em universidades que não são melhores do que as melhores nacionais.

A instituição que mais recebeu brasileiros em termos absolutos foi a Universidade de Coimbra, em Portugal, que fica abaixo da USP nos rankings internacionais e nem ao menos oferece a vantagem de familiarizar o aluno com um idioma novo.

Talvez seja o caso de recalibrar o Ciência sem Fronteiras, tornando suas metas mais consonantes com o triste estado da educação brasileira e colocando mais foco na pós-graduação do que na graduação.

O limite da ineficiência - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 03/04
Já que a principal qualificação da presidente Dilma Rousseff é a excelência gerencial, pelo menos na propaganda oficial, analisemos seu governo à luz da organização de sua estrutura administrativa, agora que mais uma secretaria com status de ministério, a da Micro e Pequena Empresa, foi criada. São 24 ministérios, mais dez secretarias ligadas à Presidência e cinco órgãos com status de ministério, ao todo 39 ministérios, um recorde na História do país, além de uma dimensão que está dentro do que se conhece como "coeficiente de ineficiência", definido em estudo, já relatado aqui na coluna, de três físicos da Universidade Cornell, Peter Klimek, Rudolf Hanel e Stefan Thurner, depois de analisarem a composição ministerial de 197 países.

O estudo chegou à conclusão de que os governos mais eficientes têm entre 19 e 22 membros. O Brasil estaria no mesmo nível de ineficiência ministerial do Congo (40); do Paquistão (38); de Camarões, Gabão, Índia e Senegal (36), entre outros. O empresário Jorge Gerdau, que atua como consultor do governo para melhorar sua gestão, perdeu a paciência com a situação e disse, em recente entrevista, que "tudo tem o seu limite. Quando a burrice, ou a loucura, ou a irresponsabilidade vai muito longe, de repente, sai um saneamento. Nós provavelmente estamos no limite desse período".

Para Gerdau, o país poderia ter apenas uma meia dúzia de ministérios, que são os que realmente a presidente Dilma controla diretamente. Os demais "ministros" raramente estão com a presidente, e alguns nunca foram recebidos por ela em audiência nestes mais de dois anos de governo. Napoleão Bonaparte concordava com Gerdau e dizia que nos altos níveis não se comanda com eficiência mais de sete subordinados.

O número de ministérios no Brasil tem aumentado a partir da eleição de Tancredo Neves, em 1985, segundo o cientista político Octavio Amorim Neto, da Fundação Getulio Vargas do Rio, um estudioso da formação de governos, e seu levantamento vale a pena ser republicado por refletir a necessidade crescente de composições políticas, acrescida da busca desenfreada de minutos de propaganda eleitoral. Antes de Tancredo, o governo Figueiredo tinha 16 membros, além dos cinco ministérios militares: Marinha, Exército e Aeronáutica, SNI e Emfa. Eleito, uma das primeiras coisas que Tancredo Neves fez foi aumentar o número de ministérios, para acomodar na sua coalizão uma série de facções do PMDB e do antigo PDS, transformado em Frente Liberal.

O primeiro Ministério de José Sarney, herdado de Tancredo, tinha 21 ministros, com três ministérios novos: da Cultura, da Reforma e Desenvolvimento Agrário, e o de Ciência e Tecnologia. O governo de Fernando Collor reduziu radicalmente o Ministério para dez, chegando a 12 no final, antes do impeachment, o que alimenta a tese de que ele caiu por não ter mantido bom relacionamento com o Congresso, e não pelas falcatruas de que era acusado.

Quando Itamar Franco assumiu, na crise da deposição de Collor, uma das primeiras coisas que fez foi ampliar o número de ministérios para 22, tendo sido criado o Ministério do Meio Ambiente. O tamanho dos ministérios ficou em torno desse número no governo Fernando Henrique Cardoso, embora também ele tenha criado mais três pastas: a do Planejamento, a da Defesa e a do Esporte, e uma série de secretarias para acomodar facções políticas. A partir dos governos petistas, especialmente depois da crise de 2005, a criação de ministérios disparou: saltou das 21 pastas do último ano do governo Fernando Henrique Cardoso para 34 no primeiro mandato de Lula, 37 no segundo e, agora, 39 com Dilma.

Remoção de obstáculos - DORA KRAMER

O ESTADO DE S. PAULO - 03/04
Fácil não vai ser, o senador Aécio Neves tem perfeita consciência disso, mas acha que também não é uma missão tão impossível assim en­frentar o governo na eleição presi­dencial de 2014.

"Estamos nos preparando, saben­do que o segredo é entender o eleito­rado e despertar a emoção das pes­soas", diz ele, com o cuidado de in­cluir um "se eu for mesmo escolhi­do candidato do PSDB" ao início de cada frase.

Como nessa altura a ressalva é um recurso de linguagem meramente formal, às vezes esquece o protocolo e discorre livremente sobre o roteiro que já começou a cumprir para cons­truir uma candidatura competitiva,

O trabalho por ora é de remoção de obstáculos. Primeiro trata da consolida­ção do apoio da seção paulista do parti­do a fim de superar a "agenda da divi­são". Sem isso, é tempo perdido, confor­me ensinaram as últimas três derrotas presidenciais.

O passo seguinte, a eleição (de prefe­rência por unanimidade) para a presi­dência do PSDB. Em maio, numa con­venção que produza fotografia simbóli­ca: Fernando Henrique Cardoso repre­sentando o legado da estabilidade eco­nômica, José Serra traduzindo unidade política, os jovens eleitos ou com bom desempenho na eleição de 2012 retra­tando o "time novo" e o comandante do partido subentendido como candidato a presidente da República.

E por que a necessidade de ter a presi­dência do PSDB como suporte para a candidatura se esta não é uma etapa in­dispensável nem uma prática comum nos partidos?

Em primeiro lugar, porque o PSDB não é um partido comum. Tema marca de divisão, da ausência de comando e de referência de ação e pensamento.

Basta lembrar que o ex-presidente Fer­nando Henrique até bem pouco atrás falava sozinho em seus alertas em defe­sa de uma urgente reorganização geral do partido. Suas declarações tinham mais repercussão entre petistas que no meio dos tucanos.

Quando o candidato está no coman­do, ainda que delegue as funções admi­nistrativas fica no controle político da máquina. Um exemplo: tem poder de influir nas alianças regionais para que elas acompanhem os interesses da can­didatura presidencial.

Outra razão, esta apontada pelo pró­prio Aécio: "Se estiver na presidência, não ficarei o tempo todo sendo ques­tionado sobre a divisão do partido nem preciso falar oficialmente como candidato".

Resolvida a questão da tomada das rédeas, o senador se impõe um prazo de "seis a oito meses" para convencer as pessoas de que pode representar uma boa alternativa ao governo do PT.

Avisa logo que o estilo vai continuar ameno. Na forma, pelo menos. "Com aju­da de um esquema bem profissional", ele ainda ajusta os detalhes de lingua­gem, busca entender as demandas do eleitorado, incorporar os maneirismos da sedução, em suma: "Encontrar o melhor caminho para chegar lá".

O conteúdo está escolhido. O alvo, claro, a presidente Dilma Rousseff. "Ela foi eleita com fama de boa gesto­ra. Vou mostrar que não é nada disso, que as questões reais não foram resol­vidas, que não tem compromisso fir­me com a inflação e tem uma base política imensa que aprisiona e parali­sa o governo."

Na visão de Aécio Neves, o aumen­to do endividamento das famílias, o efeito da inflação sentido no preço dos alimentos e a queda no consu­mo darão sustentação factual ao dis­curso.

A tática do ataque está entendida. E a defesa, o que propõe? Duas verten­tes: uma, resgatar passado, não como bandeira, mas como "vacina" para não deixar que o PT pose de dono da estabilidade econômica, inventor dos programas sociais e defensor de patrimônios como a Petrobrás.

Outra, "explicar que se governos do PSDB já fizeram bastante pode­mos fazer mais e melhor, mostrando que o PT de repente precisa de um novo estágio na oposição. Até para re­ver e recuperar seus antigos valores".

E as estradas? - FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE SP - 03/04

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff nomeou César Borges como ministro dos Transportes.

Borges é do PR. Dilma precisa dessa sigla em 2014 para tocar seu projeto de reeleição. O fato de o partido ter sido um dos expoentes do escândalo do mensalão não importa.

Também não faz diferença para a presidente se alguém vier a questioná-la sobre estar desfazendo a faxina realizada no início do seu governo. O PR foi uma das legendas enxotadas da Esplanada dos Ministérios no começo da administração Dilma.

Todas essas observações políticas são verdadeiras, mas irrelevantes para o cidadão comum. O que conta é o aspecto prático por trás da nomeação de Borges. Por exemplo, a capacidade do novo ministro de melhorar o estado das estradas brasileiras. Ou sua habilidade para dotar o país de um sistema de transportes eficaz e que impeça a soja do Brasil de chegar à China custando 30% ou 40% a mais do que a produzida nos EUA.

Gostaria de estar enganado, mas parece óbvio que nada mudará na gestão de transportes no país com a chegada de Borges. Assim como a recente nomeação de Moreira Franco como ministro da Aviação Civil não trará nenhum ganho governativo no dia a dia dos aeroportos brasileiros.

Dilma tem 39 ministérios. Um número recorde desde Pedro Álvares Cabral. Ainda assim, basta sair à rua para constatar o atraso na infraestrutura. Portos, aeroportos, estradas e ferrovias estão em situação incompatível com uma das dez maiores economias do planeta.

Enquanto a tal sensação de bem-estar dos brasileiros estiver em alta, talvez ninguém se importe se César Borges será um bom ministro. Só que está cada vez mais evidente que gestão não é o forte da atual presidente.


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É patética a discussão sobre cassar ou não Marco Feliciano por afirmar que uma comissão da Câmara foi comandada por Satanás.

A mistura inflamável de inflação com reeleição - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 03/04

É grande a tentação de manter o mercado de trabalho aquecido, considerado a explicação da alta popularidade da presidente. Neste caso, a ressaca virá em 2015



Aprevisão de que 2013 seria um ano em que o Banco Central precisaria ter sangue frio se confirma, e é até mais ampla: o próprio país precisa manter os nervos sob controle, pois, como esperado, a inflação deverá superar o teto da meta de 6,5%, e o BC faz o possível para retardar ao máximo o aumento da taxa básica de juros, hoje em 7,25%.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, esteve ontem no Senado e repetiu o discurso clássico de que o compromisso da instituição é com a meta de 4,5%. Não poderia ser diferente. E que o “instrumento de política monetária”, os juros, será usado para fazer a taxa de inflação convergir para a meta, assim que o BC considerar necessário. Por suposto. À medida que o tempo passa, porém, e depois que governo e PT anteciparam a campanha eleitoral de 2014, análises de cenários econômicos precisam levar em consideração as urnas. E parece evidente que o governo Dilma, a esta altura, não se lançará num combate à inflação com o vigor necessário. É revelador, neste sentido, que o presidente do BC, quando Dilma, na África do Sul, depois de defender a prioridade do crescimento sobre o controle da inflação, tentou consertar a derrapagem, tenha previsto que também em 2014 a inflação estará acima dos 5%.

Nos quatro anos de governo, Dilma terá mantido os preços rodando bem acima da meta, que é de 4,5%, com dois pontos de margem de tolerância, acima e abaixo. Reforçam-se os temores de que, na prática, o governo reviu a meta, criando uma nova, na faixa dos 5,5%, taxa muito elevada em escala mundial, mais ainda para uma economia com conhecidos mecanismos de indexação (contratos de aluguel, etc). O irônico é que os "desenvolvimentistas" sempre justificaram a inflação como contrapartida de um crescimento vigoroso. Mas este não existe.

O governo Dilma vive o grande dilema político-eleitoral: agir logo para cortar o fôlego da inflação e correr o risco de aumentar o arsenal da oposição, ou deixar como está e esperar o primeiro ano de um segundo mandato para fazer um ajuste com firmeza, como o executado por Lula/Palocci em 2003.

É grande a tentação de manter o mercado de trabalho aquecido, o desemprego pouco acima de 5%, considerado a principal explicação para os altos índices de popularidade da presidente. Mesmo que a pressão sobre o custo dos empregadores ajude a inflação e reduza a produtividade da indústria, já em queda.

Se não é simples o cenário econômico-eleitoral à frente do Planalto, também preocupa o de 2015. Defensores do governo acusam os críticos da leniência com a inflação de quererem condenar o pobre que passou a tomar banho com sabonete de marca a voltar ao sabão em barra.

Mas isso também acontecerá pela perda de poder aquisitivo que a inflação já impõe às famílias de renda mais baixa.

Recaída franciscana - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 03/04

A deletéria antecipação da corrida eleitoral de 2014 leva a presidente Dilma Rousseff a reciclar o jogo fisiológico e o loteamento de ministérios


Embora contenha um fundo de verdade, a declaração da presidente Dilma Rousseff de que "nenhuma força política sozinha é capaz de dirigir um país com esta complexidade" não justifica o pragmatismo desenfreado do PT em busca de alianças eleitorais para perpetuar seu projeto de poder.

Se o mensalão é um exemplo acabado do abandono de princípios éticos em troca de apoio político, a proliferação e o loteamento de ministérios atestam, por seu turno, o triunfo da fisiologia sobre a responsabilidade administrativa e a boa gestão do Estado.

Depois de compelida, no primeiro ano de mandato, a promover o que se convencionou chamar de "faxina" ministerial para conter o gangsterismo de aliados, Dilma volta ao credo do "é dando que se recebe" -cínica apropriação politiqueira da oração franciscana.

Os movimentos da presidente pautam-se pela antecipação deletéria do jogo eleitoral de 2014, com as virtuais candidaturas de Aécio Neves (PSDB), Marina Silva (Rede Sustentabilidade) e Eduardo Campos (PSB) na praça.

As escaramuças já haviam propiciado, há duas semanas, a reabilitação do pedetista Carlos Lupi, que deixou o Ministério do Trabalho sob acusações de corrupção. Agora, a mandatária reforça a posição do PR e cria um espantoso 39º cargo de primeiro escalão para contemplar o PSD, do ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab.

É verdade que a escolha do ex-governador da Bahia César Borges (PR) para a pasta dos Transportes -de onde foi varrido, em 2011, seu correligionário Alfredo Nascimento- se cercou de precauções. Com efeito, a presidente contrariou propostas e optou por um nome com menos chance de expor o governo, conforme se noticiou, nas páginas policiais.

Com perfil técnico e experiência política, Borges não era o preferido por Anthony Garotinho, líder do PR na Câmara, mas teria sido chancelado pelo senador Nascimento. Por esse caminho, a presidente procura evitar o surgimento de novos escândalos e deixa para outro momento a opção de "fazer o diabo" -como disse.

Quanto ao descalabro de mais um ministério, a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, o provável indicado deverá ser o vice-governador paulista, Guilherme Afif Domingos (PSD). A proximidade do candidato com o governo tucano de São Paulo -oponente histórico do PT- já não causa surpresa. Como de hábito, vai para a conta do chamado presidencialismo de coalizão, justificativa padronizada para toda aliança oportunista.

A explicação, embora tenha alguma pertinência, é na realidade bastante conveniente para acobertar a ausência de espinha dorsal nos partidos e representantes políticos, que se entregam sem escrúpulos ao vale-tudo eleitoral.

A volta dos 'faxinados" - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 03/04
Na segunda-feira, o  presidente do chamado Partido da República (PR), senador Alfredo Nascimento, levou o   correligionário César Borges, um dos vice-presidentes do Banco do Brasil e ex-governador da Bahia, ao principal gabinete do comitê reeleitoral da presidente Dilma Rousseff, conhecido como Palácio do Planal­to. Não se quer dizer com isso que a sede do governo do País nada mais seja hoje em dia do que a sede da campanha de Dilma. Mas nada do que ali se faça importa tanto quanto as ações destinadas a manter a presi­dente no posto até 1º de janeiro de 2019. É o que explica a reaparição no coração do poder do chefe do PR, o mesmo que Dilma, na sua decantada fase ética, expurgou da administra­ção federal.

Apadrinhado também ele pelo ainda presidente Lula, Nascimento foi reconduzido ao apetitoso Minis­tério dos Transportes, com seus R$ 10 bilhões de recursos, que ocupara de 2007 a 2010. Durou até julho de 2011, quando sucumbiu, com outros 27 integrantes da pasta, a denúncias incontestáveis de corrupção no se­tor, a começar do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O PR foi o primeiro parti do a ser "faxinado" por Dilma, mas o seu titular não mereceu a mesma pri­mazia - antes dele, caíra em desgra­ça o todo-poderoso ministro da Ca­sa Civil, Antonio Palocci. Para o lu­gar de Nascimento, a presidente pro­moveu o secretário executivo do Mi­nistério, Paulo Sérgio Passos. E ali provavelmente permaneceria não fosse o fato de Dilma se dispor a "fa­zer o diabo" pela reeleição.

Passos agradava a Dilma, mas não ao PR, a que é filiado. Os republica­nos o consideravam "escolha pes­soal" da presidente, não uma de­monstração de que o partido, apesar de tudo, continuava representado no primeiro escalão. Depois de dois meses de resistência, ela capitulou diante de Nascimento. Para garantir o minuto e 10 segundos do PR, duas  vezes por dia, no horário eleitoral e para impedir que esse tempo possa beneficiar o governador de Pernam­buco, Eduardo Campos, do PSB, se sair candidato, ou, não seria de excluir, o senador tucano Aécio Neves -a presidente entregou a Nascimento a cabeça de Passos.

Dilma bateu o pé, no entanto, em relação ao sucessor. Apesar dos pro­testos de boa parte da bancada fede­ral da agremiação (34 deputados e 4 senadores), que reivindicava o cargo para um dos seus, fechou questão em torno do nome de César Borges, a ser empossado hoje. O engenheiro que ascendeu na política baiana se integrando ao feudo de Antonio Carlos Magalhães (1927-2007) contou agora com o apoio do governador pe- tista do Estado, Jaques Wagner. Bor­ges tem biografia para ser um bom ministro, ainda mais tendo recebido carta branca da presidente para me­xer no Dnit. Mas isso não altera o essencial: o uso da Esplanada dos Ministérios como moeda de troca no mercado eleitoral.

Antes de Nascimento, com efeito, Dilma reabilitou o cacique pedetista Carlos Lupi, atingido por uma vas­sourada quando titular do Trabalho. Há pouco, o posto foi entregue ao seu liderado Manoel Dias, secretário geral do PDT. Para afagar o PMDB em dois Estados cruciais, nomeou o ex-governador fluminense Wellington Moreira Franco para a Secretaria da Aviação Civil e o presidente do partido em Minas, deputado Anto­nio Andrade, para a Agricultura. E uma nova pasta, a da Micro e Peque­na Empresa, acaba de ser criada para atrair o ex-prefeito paulistano Gil­berto Kassab aos palanques dilmistas de 2014. O titular do 39º Ministé­rio será o vice-governador paulista Afif Domingos, correligionário de Kassab no PSD.

Lula disse certa vez que, se gover­nasse o Brasil, Cristo "teria de se aliar a Judas". A esta altura, ninguém dirá que Dilma faltou à aula naquele dia. Já não se trata de suas alianças com partidos e personagens promís­cuos. Quanto a isso, ressalte-se ape­nas que não é a tal da governabilida­de que move a presidente, mas a ân­sia de seguir no Planalto. O que mos­tra a que extremos Dilma leva à prática, sem disfarçar, as lições de seu mentor é a prontidão para premiar  por nenhum outro motivo a não ser aquele  políticos como Alfredo Nas­cimento e Carlos Lupi, acusados de participação em "malfeitos" e por is­so removidos de sua equipe.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“As suspeitas sobre o presidente da CBF são graves, constrangedoras”
Deputado-craque Romário (PSB-RJ), defendendo o afastamento de José Maria Marin


BORGES É MINISTRO, MAS QUEM MANDA É BELCHIOR

O verdadeiro ministro de Transportes tem nome e é mulher: Mirian Belchior. É ela, ministra do Planejamento e gestora do PAC, quem despacha com o diretor-geral do DNIT, general Jorge Ernesto Pinto Fraxe, e determina as obras no setor dos Transportes, que por acaso estão devagar, quase parando. Indicado para o cargo, o ministro baiano César Borges será pouco mais que uma rainha da Inglaterra.

CAUTELA

Dilma concordou em devolver o Ministério dos Transportes ao PR sob a condição de manter a chave do cofre com a ministra Mirian Belchior.

GRANA NA VEIA

Alvo de frequentes suspeitas de irregularidades, o Ministério dos Transportes tem um apetitoso orçamento anual: R$ 20 bilhões.

SEM LARGAR O OSSO

Confirmado César Borges nos Transportes, o diretor do DNIT, general Jorge Fraxe, disse a Garotinho que também sabe fazer política.

SIMPATIA É QUASE AMOR

Milagre eleitoral: além de consultar o líder Garotinho (PR-RJ) sobre César Borges, Dilma pediu para falar ao telefone com a filha, Clarissa.

EM FORTALEZA, DILMA IGNORA O EX-ALIADO CAMPOS

A reunião da Sudene, em Fortaleza, serviu para a presidente Dilma sinalizar preocupação com a força da candidatura do presidenciável Eduardo Campos no Nordeste. Ela agradou o anfitrião, Cid Gomes, que se opõe a Campos no PSB, e alfinetou à vontade o pernambucano, que ainda passou pelo constrangimento de ouvir seu pupilo, ministro Fernando Bezerra (Integração), caprichar na bajulação à presidente.

ÚLTIMO A SABER

Eduardo Campos escafedeu de cara amarrada: foi o último a saber o teor do saco de bondades de Dilma e Fernando Bezerra para o Ceará.

QUASE PARANDO

O PSDB quer aplicar uma injeção de ânimo no presidenciável Aécio Neves. Tucanos acham que lhe falta “sangue nos olhos”.

CORRIDA BAIANA

O governador Jaques Wagner (BA) quer Rui Costa (PT), da Casa Civil, como sucessor. Walter Pinheiro e Sérgio Gabrielli correm por fora.

AU REVOIR

O governador Sérgio Cabral deveria dar um tempo nas viagens a Paris: a imprensa francesa foi impiedosa com a barbárie contra o turista francês e a namorada. Na TV de lá, o Rio é “barril de pólvora”.

PROTESTO

A governadora Roseana Sarney (PMDB) não foi a Fortaleza, nem mandou representante. Soube nesta coluna que Dilma anunciaria outra refinaria para o Ceará, sem tirar do papel a de Bacabeira (MA).

CRESCIMENTO MENOR

Apesar da montanha de dinheiro federal injetado na veia, o Estado de Eduardo Campos foi o que cresceu menos, em 2012, entre os grandes do Nordeste: o Ceará foi a 3,7%, Bahia 3,1% e Pernambuco só 2,3%.

O QUE É ISSO, COMPANHEIROS?

Curioso o ruidoso silêncio do corintiano Lula e do top-top Marco Aurélio Garcia no caso do torcedores paulistas presos na Bolívia. Eles são privilegiados interlocutores do presidente maluquete Evo Morales.

O embaixador Marcel Biato foi inclusive indicado por top-top, e deverá ser substituído.

SOL QUADRADO

Se a “fila” andar até sexta com a revisão do voto escrito de Celso de Mello no processo do mensalão, não é de todo improvável que os mensaleiros condenados passem as férias de julho... na cadeia.

TELA QUENTE

Pressionado, o chanceler Antonio Patriota passará aperto na Comissão de Relações Exteriores do Senado, para explicar os gastos de Dilma em Roma, a intromissão de agentes e do embaixador cubano em São Paulo, asilo de senador boliviano e denúncias de assédio moral.

POR NOSSA CONTA

O ministro Gilberto Carvalho, que nega ser católico carismático, não viajou por conta própria para o Fórum Social Mundial, na Tunísia. Arranjaram-lhe agenda de “visita oficial” para justificar a conta da viagem, afinal espetada no bolso do contribuinte.

GATOS PARDOS

Em campanha na Venezuela, Nicolás Maduro subiu no telhado do hospício. Após Hugo Chávez chegar ao céu num desenho animado, virou passarinho, com quem ele diz “se comunicar”, na versão aloprada de Frajola e Piu Piu.

PENSANDO BEM...

... como disse Hugo Chávez na ONU, é forte o “cheiro de enxofre”, com Dilma fazendo o “diabo” e “satanás” rondando o Pastor Feliciano.


PODER SEM PUDOR

HOMENAGEM AO CARÁTER

Na campanha de 1994, o deputado Paulo Heslander (PTB-MG) visitou o povoado de São José dos Rosas e pediu apoio do chefe político. Divino se desculpou: "já tenho candidato". O deputado lamentou:

- Ah, que pena. Ia oferecer-lhe um carro 0km em homenagem a seu caráter.

Divino arregalou os olhos e gritou lá para os fundos da casa:

- Mulher, faça aí um cafezinho e traga um bolo aqui pro deputado!

No comício, Divino fez um discurso emocionado pedindo votos para Heslander. No final, o deputado já ia embora quando Divino lembrou:

- E o carro zero?

- Ora, meu amigo, aquilo foi brincadeira...

Ele ficou revoltado, mas era tarde: Heslander foi o mais votado no povoado.

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Nova lei já vale hoje: Encargos de domésticas serão simplificados
Folha: ONU aprova 1º acordo para controlar venda de armas
Estadão: Indústria tem pior mês em 4 anos e anula ganho de janeiro
Correio: Vem aí o Supersimples para as domésticas
Valor: Mecanização avança, mas cana perde produtividade
Estado de Minas: Minas terá pacote contra a seca
Zero Hora: MP denuncia oito pessoas por incêndio na boate Kiss
Jornal do Commercio: Mais R$ 1,4 bilhão para combater a seca
Brasil Econômico: Empresas brasileiras já desistem de exportações para a Argentina

terça-feira, abril 02, 2013

Rebu no shopping - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 02/04

Carolina Coelho Appel acusa o gerente da Gucci, Urias Taques Junior, do shopping Village Mall, no Rio, de segurar violentamente, quinta passada, às 19h30m, os braços de sua filha de quatro anos e dizer, aos berros, que a criança havia roubado o casaco que usava.

A mãe diz que tentou explicar que o casaco havia sido comprado nos EUA.

Segue...
Como o gerente insistia na acusação, Carolina chamou a polícia. As imagens das câmeras de segurança constataram que a menina havia entrado no shopping com o casaco da grife italiana.

O caso foi registrado na 16ª DP.

Superministro
Tem o dedo de Aloizio Mercadante a costura que trouxe o PR de volta ao Ministério dos Transportes.

Crime e castigo
A juíza Alessandra de Araújo Bilac condenou Antônio Francisco Bonfim Lopes, o “Nem”, ex-chefe do tráfico na Rocinha, a 20 anos de reclusão.

Eleição 2014
A Mocidade Independente de Padre Miguel recebeu uma proposta de enredo homenageando mineiros famosos, incluindo Tancredo e seu neto, Aécio Neves.

Pulando a cerca
A Verus, do conglomerado Record, vai lançar no Brasil, no final do mês, o livro “Beauvoir apaixonada”, escrito pela jornalista francesa Irène Frain.

É um romance, baseado em documentos, sobre a louca paixão de Simone de Beauvoir, companheira da vida toda de Jean-Paul Sartre, pelo escritor americano Nelson Algren.

Menina malvada
A polêmica atriz americana Lindsay Lohan, que veio ao Brasil para divulgar uma grife de roupa, quer aproveitar para faturar mais um pouquinho aqui.

Seu agente está oferecendo Lindsay como DJ. O preço? US$ 20 mil.

Bethânia e Tom
Maria Bethânia será a convidada de honra de Vanessa da Mata na estreia nacional do projeto Nívea Viva Tom, dia 9, no Vivo Rio, todo dedicado ao repertório do maestro Tom Jobim.

Troca de bandeira
Marquinhos e Giovanna, mestre-sala e porta-bandeira bicampeões do carnaval com a Unidos da Tijuca, vão desfilar em 2014 pela Vila Isabel.

Passaporte da Cidadania
A Pastoral do Menor lança hoje o projeto Passaporte da Cidadania, que vai usar um ônibus, grafitado por Ziraldo, para tentar reintegrar à sociedade menores e jovens que vivem nas ruas.

O veículo, veja na ilustração, equipado com computador, sala de lanche e chuveiro, vai percorrer bairros do Rio.

Combustível da Alerj
A Assembleia do Rio entregará a gestão do sistema de abastecimento de sua frota à mineira Trivale Administração LTDA, dos irmãos Pajaro.

Um deles, Egton Pajaro Júnior, foi citado no relatório da CPI dos Bingos por envolvimento com... o bicheiro Carlos Cachoeira.

Em tempo...
O edital da Alerj prevê um gasto de R$ 2.656.800 com 966.000 litros de combustível em um ano.

Outra tragédia
Em 1989, no Condomínio Povoado das Canoas, morreram intoxicados com gás no banheiro o arquiteto Joca Serra e sua mulher.

É o condomínio carioca onde, semana passada, ocorreu a mesma tragédia com uma neta de Portinari.

Burocracia doente
Uma senhora chegou, às 8h24m de domingo, com crise de desmaios na unidade da Unimed em Itaipava, RJ. Somente após a longa burocracia para internação, o atendente informou que não havia médico.

Perguntado se antes de cuidar do protocolo não deveria ter avisado sobre a falta de médicos, ele respondeu:

— Não cuido do horário dos médicos.

Viagem ao inferno - JOÃO PEREIRA COUTINHO

FOLHA DE SP - 02/04

As chamas da calúnia nunca se apagam. Elas permanecem como brasas dormentes


O MELHOR do mundo são as crianças, dizia Fernando Pessoa. Ainda bem que o poeta morreu em 1935. Hoje, na era da histeria, quando qualquer adulto é um agressor sexual em potencial, frases dessas poderiam alimentar equívocos.

Um filme dinamarquês, já estreado no Brasil, ajuda a entender por quê. Intitula-se "A Caça", foi dirigido por Thomas Vinterberg (um dos ideólogos estéticos do movimento Dogma 95, juntamente a Lars von Trier) e a história resume-se em breves linhas: Lucas, depois de um casamento desfeito, encontra trabalho como educador de infância.

Lentamente, a vida começa a reerguer-se: ele tem uma nova namorada; o filho reaproxima-se depois do afastamento; os amigos são exemplos de camaradagem "nórdica" em alegres caçadas e alegres bebedeiras.

Mas eis que surge em cena uma criança, Klara, pronta para estragar a festa com os equívocos próprios das crianças. Em casa, Klara encontra imagens pornô no iPad do irmão adolescente. Sinal dos tempos: onde estão as velhas revistas em papel da minha adolescência? Divago.

Certo é que esse encontro será a primeira fagulha do incêndio que virá a seguir. E que tem início na escola, depois de uma birra entre Klara e o professor Lucas, uma dessas birras em que as crianças são pródigas.

Questionada pela diretora da escola a respeito, Klara confessa um episódio "impróprio" que nunca aconteceu com o professor. Usando para o efeito os pormenores gráficos que vira nas fotos.

O incêndio começa e Vinterberg parece reatualizar no filme essa outra "caça" que Arthur Miller apresentou na peça "The Crucible" a respeito das "bruxas" de Salem.

Não apenas ao eleger como palco da tragédia uma pequena comunidade rural (e puritana) que inicia também a sua "caça" ao elemento demoníaco.

Mas ao filmar, com impressionante crueza, os mecanismos clássicos da "histeria contagiosa".

Primeiro, a histeria da diretora da escola, que passa rapidamente da incredulidade para a dúvida; e da dúvida para a certeza; e da certeza para a condenação pura e simples.

Tudo com a ajuda de um "especialista pedagógico" que, obviamente, não é especialista de coisa nenhuma, exceto das suas próprias taras e preconceitos: o interrogatório à criança, na sua aparente doçura, é um dos momentos mais aberrantes de todo o processo.

Quem diria que os velhos inquisidores de Salém regressariam hoje pela porta da "pedagogia" romântica? Ah, os discípulos de Rousseau nunca desiludem.

E, depois da histeria da diretora, o incêndio propaga-se aos pais das restantes crianças, alertados em reunião escolar para a existência de um lobo entre as ovelhas. O que significa que o incêndio também chega às ovelhas, que já apresentam sintomas possíveis/prováveis/óbvios de abuso sexual.

Exatamente como as donzelas falsamente possuídas da peça de Arthur Miller.

Lucas, o professor, não cometeu nenhum crime. Em poucos dias, cometeu vários crimes -e o incêndio atinge finalmente o seu círculo mais restrito. A namorada. O filho. Os amigos, os velhos amigos, que se afastam com o nojo próprio de quem sempre suspeitara de que ele era "diferente", ou seja, "tarado", ou seja, "pedófilo".

O incêndio da calúnia consumiu todos em volta, ou quase: há ainda um amigo que resiste; há ainda o filho que persiste na inocência do pai.

E quando essa inocência é provada e comprovada, nós, testemunhas da destruição metódica de um ser humano, acreditamos com Lucas que as chamas serão apagadas e o inferno chegará ao fim.

Mas essa é a principal e mais inquietante lição do filme de Thomas Vinterberg, um verdadeiro tratado sobre a natureza humana: as chamas da calúnia nunca se apagam. Elas permanecem como brasas dormentes, prontas para serem atiçadas pela mínima brisa.

A sequência final, que naturalmente não revelo aqui, é talvez o melhor momento do filme ao ilustrar de forma agônica como o inferno é a única eternidade garantida.

O melhor do mundo são as crianças? Acredito que sim. Mas o poeta poderia ter escrito antes que o pior do mundo são os adultos.

Ou, como Arthur Miller explica na sua peça, que não existe maior medo do que o ódio dos homens com medo.

O primeiro embate - VLADIMIR SAFATLE

FOLHA DE SP - 02/04

Os embates em torno da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara talvez sejam o primeiro capítulo de um novo eixo na política brasileira.

A maneira aguerrida com que o deputado Marco Feliciano e seus correligionários ocupam espaço em uma comissão criada exatamente para nos defender de pessoas como eles mostra a importância que dão para a possibilidade de bloquear os debates a respeito da modernização dos costumes na sociedade brasileira. Pois, tal como seus congêneres norte-americanos, apoiados pelo mesmo círculo de igrejas pentecostais, eles apostam na transformação dos conflitos sobre costumes na pauta política central. Uma aposta assumida como missão.

Durante os últimos anos, o conservadorismo nacional organizou-se politicamente sob a égide do consórcio PSDB-DEM. Havia, no entanto, um problema de base. O eleitor tucano orgânico é alguém conservador na economia, conservador na política, mas que gosta de se ver como liberal nos costumes. Quando o consórcio tentou absorver a pauta do conservadorismo dos costumes (por meio das campanhas de José Serra), a quantidade de curtos-circuitos foi tão grande que o projeto foi abortado. Mesmo lideranças como FHC se mostraram desconfortáveis nesse cenário.

Porém ficava claro, desde então, que havia espaço para uma agremiação triplamente conservadora na política brasileira. Ela teria como alicerce os setores mais reacionários das igrejas, com suas bases populares, podendo se aliar aos interesses do agronegócio, contrariados pelo discurso ecológico das "elites liberais". Tal agremiação irá se formar, cedo ou tarde.

Nesse sentido, o conflito em torno dos direitos dos homossexuais deixou, há muito, de ser algo de interesse restrito. Ele se tornou a ponta de lança de uma profunda discussão a respeito do modelo de sociedade que queremos.

A luta dos homossexuais por respeito e reconhecimento institucional pleno é, atualmente, o setor mais avançado da defesa por uma sociedade radicalmente igualitária e livre da colonização teológica de suas estruturas sociais. Por isso, ela tem a capacidade de recolocar em cena as clivagens que sempre foram o motor dos embates políticos.

A história tem um peculiar jogo por meio do qual ela encarna os processos de transformação global em lutas que, aparentemente, visam apenas a defesa de interesses particulares.

Ao exigir respeito e reconhecimento, os homossexuais fazem mais do que defender seus interesses. Eles confrontam a sociedade com seu núcleo duro de desigualdade e exclusão. Por isso, sua luta pode ter um forte poder indutor de transformações globais.

'Home office', uma tendência irreversível - SÉRGIO AMAD COSTA

O ESTADÃO - 02/04

Recentemente, a Yahoo, uma das maiores empresas da internet no mundo, decidiu acabar com o chamado home office para os próprios funcionários. Alegou a presidente da organização que trabalhar em casa gera prejuízos na agilidade e na qualidade dos serviços. A notícia logo se espalhou e uma pergunta veio a lume: será esse o sinal de que o trabalho a distância deixa de ser uma tendência?

O que ocorreu naquela empresa, a meu ver, é algo pontual, específico ao momento por que ela está passando para a sua reestruturação. O home office, não tenho dúvida, veio para ficar. Pesquisas revelam isso. Trata-se de uma tendência irreversível, pois seu uso se dá por razões de ordem econômica e ela é propiciada pelo desenvolvimento da tecnologia da comunicação.

A utilização do trabalho a distância é movida por razões econômicas, por vários motivos. Cito três. Um é que o home office possibilita reduzir o espaço físico da empresa, cujo custo do imóvel se torna mais elevado a cada ano, além de esse espaço ficar ocioso em boa parte do tempo - das 8.640 horas do ano, muitas empresas usam, em seu espaço físico, apenas cerca de 40% delas com os seus profissionais; os 60% restantes são as horas noturnas, os fins de semana e os feriados.

Outro motivo que mostra a razão econômica para o uso do home office está ligado à questão da mobilidade dos profissionais, no deslocamento de casa para a empresa. A economia se dá com o transporte e o tempo gasto no trânsito. Finalmente, há a globalização, que já exige o trabalho a distância entre membros de uma mesma equipe de profissionais atuando simultaneamente em diferentes regiões, aculturando-os a trabalhar dessa forma, economizando tempo, transportes e hospedagens para se encontrarem.

Estamos, porém, no começo do processo de home office e as empresas devem tomar alguns cuidados na sua utilização, para que seus resultados sejam produtivos. Cuidados são necessários com a tecnologia utilizada e com a aculturação dos profissionais para trabalharem a distância.

Quanto à tecnologia, ela já possibilita esse novo modo de trabalho, de forma relativamente produtiva, para os ocupantes de alguns cargos não operacionais. Para trabalhar a distância são necessários equipamentos que deem conforto ao profissional, para ele ser produtivo, principalmente na hora de se comunicar com colegas e participar de uma equipe remota. Atualmente, esses equipamentos ainda são caros e não são confortáveis em termos de visualização por seus usuários. Entretanto, num futuro muito breve nós estaremos com câmeras de telepresença acionadas da residência do profissional para a sede da empresa, a um baixo custo e com o conforto necessário para que o trabalho seja ainda mais produtivo. Além disso, os hologramas facilitarão ainda mais essa comunicação.

No que concerne à aculturação do profissional ao home office, a empresa precisa treinar o seu colaborador para que ele consiga ser produtivo trabalhando em casa. É necessário conscientizá-lo de que ele precisa mostrar aos outros moradores da casa que ele está lá trabalhando, e não está de folga. É preciso arrumar um espaço físico fixo na residência que seja o seu local de trabalho. E, finalmente, ter muita disciplina para cumprir o horário das atividades, dando conta da agenda de compromissos.

Cientes dos cuidados acima mencionados e de que o home office está num processo irreversível, várias empresas de ponta no País - muitas delas multinacionais - já estão determinando, para os ocupantes de cerca de 30% de seus cargos, que trabalhem na forma de home office uma ou duas vezes por semana. Estão, aos poucos, aculturando seus colaboradores a essa nova modalidade de trabalho. É uma maneira adequada para não perder o "trem da história".

Com o desenvolvimento tecnológico da comunicação, num futuro muito próximo não fará mais sentido, para muitos profissionais, ir até a empresa para trabalhar. A utilização do home office será inexorável.

O país imaginário de Cristina Kirchner - RODRIGO BOTERO MONTOYA

O GLOBO - 02/04
Os regimes autoritários terminam criando um mundo de sonho, ao qual só chegam boas notícias. Diz-se que, durante a ditadura de Oliveira Salazar, seu círculo íntimo mandava imprimir um diário com um único exemplar, para que o líder do Estado Novo pudesse apreciar o progresso de Portugal. Os aduladores de Cristina Kirchner desenharam uma variante não menos engenhosa. Uma vez consolidado o controle político do organismo oficial de estatísticas, falsificam-se os índices de maneira vergonhosa para que produzam os resultados que a presidente deseja.

O problema da inflação é resolvido com a divulgação de um aumento de preços de cerca de um terço do real. Persegue-se judicialmente quem produz cifras de inflação fidedignas. Ao mentir acerca da inflação, o governo colhe dividendos adicionais. O PIB aparece maior que de fato é e a proporção de pobres aparece menor. Obtém-se um ganho fiscal ao fraudar os detentores de títulos soberanos indexados à taxa de inflação. No entanto, o uso sistemático da mentira como ferramenta de governo apresenta alguns inconvenientes, como o desprestígio internacional e a perda generalizada de credibilidade.

Na medida em que o governo opta por crer em suas próprias mentiras, e atua em função desse autoengano, entra no reino da fantasia. O discurso esquizofrênico se converte em verdade oficial. Cristina Kirchner constrói um relato fictício da história da Argentina e o proclama ante auditórios selecionados para que a aplaudam. Como adverte um de seus colaboradores mais próximos: "À presidente não se fala. Se escuta." Suas entrevistas coletivas são um monólogo. Quando pontifica sobre temas econômicos, pode dizer qualquer disparate, como quando anuncia que o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos não inclui alimentos nem gasolina. Por estar acostumada ao aplauso incondicional, suas atuações no exterior acabam sendo desconcertantes. Seu comportamento na Escola de Governo Kennedy da Universidade de Harvard produziu estupor entre os americanos e vergonha entre os latino-americanos.

A condução econômica consiste numa mescla de rentismo de amigos e capitalismo de Estado, com alta dose de intervencionismo discricionário e corrupção. A presidente se tornou adepta de usar o imperativo "exproprie-se" sem ordem judicial ou indenização. A combinação de prepotência e inépcia gerencial converte as empresas estatizadas em máquinas de destruição de valor. As Aerolíneas Argentinas acumulam prejuízos da ordem de US$ 2 milhões diários. Depois de confiscar o investimento da Repsol na empresa petrolífera nacional, o valor da YPF se reduziu em 60%.

A Argentina não merece esse estilo de governo. A governadora do Banco Central declara que a emissão monetária não produz inflação. E o secretário de Comércio anuncia que prefere a arbitrariedade a regras claras. Como consequência, tanto o investimento estrangeiro como o dos argentinos fogem de semelhante condução da política econômica. Os fatos são teimosos. A dura realidade vai rumo a uma colisão com a visão surrealista imaginada por Cristina Kirchner.

As eleições no Quênia - GILLES LAPOUGE

O Estado de S.Paulo - 02/04

O Quênia, principal potência da África Oriental (entre a Etiópia, a Somália e o Oceano Índico a leste, Uganda a oeste e Tanzânia ao sul), tem um novo presidente, Uhuru Kenyatta, eleito num escrutínio democrático, considerado tão idôneo que mesmo o seu adversário, o ex-premiê Raila Odinga, depois de alguns resmungos, aceitou a derrota.

Um belo exemplo de democracia, tanto mais que a África não é a campeã do mundo em termos de legalidade republicana. Mas Kenyatta, o novo presidente desse país, do qual outrora Hemingway e Karen Blixen falaram tão bem (As Neves do Kilimanjaro e Entre Dois Amores), tem algumas características singulares.

Em primeiro lugar, ele nasceu em 1961, ou seja, dois antes de o Quênia, ex-colônia britânica, alcançar sua independência. Além disso, é filho do primeiro presidente do Quênia, Jomo Kenyatta, o "pai da independência". Aliás, foi na esperança dessa independência que seus pais lhe deram o nome Uhuru, que na língua local significa "liberdade".

Assim, muitos sinais favoráveis acompanham essa eleição e isso é bom porque o país necessita de calma. Ainda está marcado e de certa maneira martirizado pelos tumultos que ocorreram após a eleição presidencial precedente, em 2007 (que resultaram em mil mortos e 600 mil pessoas expulsas de suas casas).

Dizem que o novo presidente tem um inconveniente. Não gosta muito de trabalhar. Um defeito compensado por muitas virtudes: ele é brilhante. E é um homem simples, próximo do povo, voltado para os cidadãos em situação de miséria. Em sua campanha eleitoral Uhuru dirigiu-se em primeiro lugar à grande maioria pobre do país. O que lhe confere mais crédito, já que sua família é uma das mais ricas do continente, de acordo com a revista Forbes.

A família Kenyatta acumulou um império de meio bilhão de dólares nos setores de mídia, finanças e agricultura. Os inimigos políticos afirmam que a família conseguiu adquirir imensa quantidade de terras agrícolas, a preço baixo, pelos britânicos no momento da independência.

Uhuru Kenyatta teria um outro inconveniente nessas eleições, acusado duramente de alguns atos. Ele teria tido um papel importante na onda de violência que explodiu na eleição de 2007. Uma ação por crimes contra a humanidade foi impetrada no Tribunal Penal Internacional e o processo deve ser iniciado em julho em Haia.

Em princípio.

Essas suspeitas não atrapalharam sua disputa pelo poder. Segundo analistas, foi o contrário, pois os quenianos desconfiam e muito do Ocidente, do qual o Tribunal de Haia constitui nesse caso a imagem e o símbolo.

Assim, Uhuru Kenyatta soube explorar a herança de seu pai: em 1963, Jomo Kenyatta foi o homem que pôs fim à colonização. Em 2013, seu filho começará as manobras que poderão criar os "neocolonizadores", restabelecendo seus antigos privilégios.

Por que nada acontece no País? - ARNALDO JABOR

O Estado de S.Paulo - 02/04

Não são as décadas que nos transformam; são os fatos. Eles cavam buracos no tempo e criam caminhos que não podemos prever. Há épocas lentas, há épocas sangrentas, épocas eufóricas e ingênuas, há épocas que parecem ataques epiléticos da história.

Antigamente, achávamos que os fatos nos levariam a um futuro harmônico, que a vida era uma linha reta que ia desde os macacos até o paraíso cristão ou socialista ou, recentemente, ao fim da história.

Hoje vivemos em um labirinto de boas e más notícias, uma teia do homem aranha, um deserto do Iraque de ideias, um vazio de estupidez islâmica, um tempo de terrores como nos pesadelos de ficção científica. Antes, sonhávamos com o futuro; hoje, temos pavor de que ele chegue.

Na década de 60, ainda se comemorava a paz depois da guerra mundial, com euforia democrática movida pela prosperidade do capitalismo.

O mundo era dos jovens, era o oásis do pós-guerra. Havia o Vietnã, guerra fria, mas o clima das cabeças era de alegria. As saias curtas, as pernas de fora, as pílulas anticoncepcionais fazendo o sexo livre, a revolução gráfica desenhando uma vida ideal junto com a publicidade, havia um clima de ousadia, de fé, com a crença de que era simples fazer revoluções, de que o socialismo seria alegre e dançante em Cuba, de que os Beatles e os Rolling Stones nos libertariam para sempre da caretice. Mas, aos poucos, entendemos que o buraco do mundo era mais embaixo, que não bastavam palavras de ordem para vencer o conservadorismo.

Os líderes do sonho começaram a morrer. Guevara saiu de Cuba em busca da utopia e foi denunciado pelos próprios camponeses na Bolívia e morreu como um Cristo desmoralizado na selva.

As boas-novas sempre vinham anuladas por um desastre qualquer. A chegada do homem à Lua aconteceu ao mesmo tempo em que Sharon Tate, mulher de Polanski, grávida, foi morta a punhaladas por um bando de hippies enlouquecidos. A paz, o amor e a flor foram virando rancor, medo, ódio.

Aqui, a guerrilha urbana conseguiu seu maior feito - o rapto do embaixador americano Elbrick -, um gol de placa igual ao milésimo gol de Pelé no dia 19 de novembro de 69, junto também com a chegada do Médici ao poder, com sua cara de vampiro deprimido, enquanto o Marighella morria em São Paulo, enquanto os Beatles se separavam com a declaração de John Lennon de que o sonho tinha acabado.

Tudo ao mesmo tempo.

Aí, nada mais parou de acontecer no chamado "milagre brasileiro"; a burguesia enchendo a barriga de dinheiro em São Paulo e a violência militar e guerrilheira rolando solta; porrada e grana, enquanto a Transamazônica destruía a floresta, enquanto Leila Diniz morria num deserto da Índia, na queda de um Boeing japonês.

E assim fomos seguindo, com o progressivo fechamento da esperança, com os fatos ficando menores, mais episódicos, com as tragédias virando chanchadas e as alegrias murchando em melancolia. Era como se a grande História estivesse impedida e só as pequenas bobagens pudessem acontecer, prenunciando um futuro de inanidades, de irrelevâncias.

Nos anos 70, no Brasil, veio o misticismo laico da contracultura e as desgraças psiquiátricas causadas pela ditadura, enquanto um desastre de avião nos Andes provocava um banquete canibal na neve, Allende caía morto e subia o assassino Pinochet.

O fato mais importante foi a crise de petróleo em 73, com a Opep inaugurando a guerra fria entre o Oriente e o Ocidente, a mãe dos homens-bomba que até hoje nos assolam.

E assim fomos indo. Lembro-me do Tancredo no hospital e do sorriso deslumbrado dos médicos de Brasília, amparando o presidente como um boneco de ventríloquo para a opinião pública. "Vai morrer!" - arrepiei-me. O jaquetão do Sarney, deslumbrado e contristado, me arrepiou. A foto sorridente de Collor, na capa da Veja, com o título Caçador de Marajás, me deu pavor. Depois FHC e Lula (Se FHC não tivesse vencido, onde estaríamos hoje?).

E agora, que arrepio é este que sinto?

Estamos assistindo a uma nítida deterioração das instituições, quando ninguém teme mais nada, pois todos descobriram que delitos e corrupção "não têm bronca", não têm "pobrema". Como disse Lula uma vez: "Dossiê?... Ah, o povo pensa que é doce de batata..."

Este governo está desmoralizando os fatos. Os acontecimentos não acontecem, se diluem, morrem. Dilma anuncia medidas modernizantes, aeroportos, estradas de ferro, hidrovias, infraestrutura - mas tudo morre na praia; a burocracia sindicalista não permite.

Até aquele Paulinho da Força (com vários processos) consegue paralisar a reforma portuária... É espantoso.

Estive há pouco na Europa. Todos os países estão desesperados por problemas insolúveis. Espanha com 25 por cento de desempregados, a Itália com um ridículo palhaço levado a sério, a Holanda (até ela) está sem caixa, a América sob chantagem da direita, a Coreia um país psicótico sob um gordo louco, a primavera árabe morta e por aí vai...

Na imprensa mundial o Brasil é tratado como uma ex-esperança, atual vexame. Até o drama de Chipre vai nos beneficiar com ingresso de capitais. Estamos jogando fora a imensa sorte que temos, por causa de imbecis com dogmas vergonhosos que não existem mais. Estamos antes do muro de Berlim. Esses canalhas desprezam a sociedade e acham que o Estado tem de nos tutelar.

Mas, até quando esse "chove-não-molha" vai aguentar?

Por que a besta do Brasil não prospera, por que continua atrás dos Brics, atrás da América Latina, por que até a Petrobrás caiu para a metade, saqueada pela porcada magra sindicalista? Por quê? Temos grana entrando, temos um governo com maioria total no Legislativo, sem oposição, sem nada. Por que não vamos para frente? Por quê, porra? Os diagnósticos são iguais no mundo todo: uma presidente rachada ao meio por fissuras ideológicas e dominada pela fome eleitoral do PT, a fim de virar um partido mexicano como o PRI. Os europeus têm inveja e desprezo por nós, porque eles querem sair da crise e não conseguem e nós temos tudo para nos salvar e não queremos...

Algo muito ruim cozinha em banho-maria nosso progresso. Há alguma coisa "não-acontecendo" no Brasil que me dá arrepios.

A regra do jogo - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 02/04

Os partidos aliados se curvaram à presidente Dilma nas recentes mudanças em ministérios. Foram nomeados os nomes da preferência dela mesmo que não fossem os escolhidos em seus partidos. Um integrante do núcleo do governo explica: desde que a presidente Dilma abraçou a tese da faxina, ela não pode correr qualquer risco e precisa escolher ministros que resistam a uma devassa.

O mundo da lua e a vida real
Falar mal do PMDB é um esporte nacional. Mas, desde a redemocratização (1985), todos os presidentes, que concluíram seus mandatos, tiveram o apoio do partido. No governo FH, os tucanos o esnobavam, mas sem seu voto não haveria Plano Real. O ex-ministro Ciro Gomes (PSB) fala mal, mas seu irmão, Cid, governa o Ceará com apoio do partido. No governo Lula, os petistas fizeram beicinho, mas quando veio o mensalão foram para debaixo de sua saia. O ex-presidente Collor (como Marina Silva agora) achou que poderia governar sem partidos, inclusive sem o PMDB, e sofreu impeachment. A vida é implacável com os que fogem da realidade.

Frase
"O PMDB é o partido de maior capilaridade. Quem quiser governar com estabilidade precisa de seu apoio. E ainda o tratam como uma Geni"
Paulo Kramer cientista político

Mutirão pelos direitos humanos
O governo tem urgência em aprovar na Câmara projeto de combate à tortura, prática ainda recorrente no país, que permite peritos inspecionar todas as instituições carcerárias do país, sem qualquer tipo de autorização prévia.

O recado
Na última conversa que tiveram com o presidente Lula, o governador Sérgio Cabral (RJ) e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (foto), perguntaram: O PT tem um projeto nacional ou quer eleger o governador do Rio? Paes acrescenta: "O Rio é o único estado em que a presidente vai vir passear, o governador e o prefeito vão esperar por ela sorridentes".

O PR se rendeu
A cúpula do PR resistiu o quanto pôde. Mas quando se deu conta que esta seria a única forma de ter de volta o Ministério dos Transportes, conformou-se com a preferência da presidente Dilma pelo nome do ex-senador César Borges.

Quem te viu, quem te vê
A atuação do ex-presidente Lula defendendo empresas brasileiras no exterior não conta com a recriminação do presidente do DEM, senador José Agripino (RN). Ele cita o ex-presidente americano Bill Clinton, contratado pelo grupo americano Laureate. Mas, no caso de Lula, não resiste à ironia: "Na oposição, sempre criticou as elites, agora presta serviços a essa mesma elite."

Reação à receita liberal
Reação do presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), à receita dos economistas que sugerem combater a inflação com desemprego: "Eles raciocinam com o desemprego do filho do vizinho, não com o do seu próprio filho."

Na corrida à vaga do STF
O presidente do TJ paulista, desembargador Ivan Sartori, rejeita qualquer influência do governador Geraldo Alckmin na sua carreira. Explica que foi eleito presidente do tribunal pelo voto dos demais desembargadores. Sobre o STF: silêncio.

O candidato do PSDB à presidência,...
O candidato do PSDB à presidência, senador Aécio Neves (MG), almoçou ontem no Rio com o ex-prefeito Cesar Maia (DEM). Conversaram sobre 2014.

SEGURANDO O CARNÊ - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 02/04

Pelo terceiro mês seguido houve diminuição no Índice de Intenção de Consumo das Famílias, medido pela Fecomercio. Em março, a queda foi de 4,3% em comparação a fevereiro -e de 9% em relação ao mesmo período de 2012. É o menor registro desde setembro de 2009.

SEGURANDO O CARNÊ 2
Segundo a Fecomercio, a retração mostra que, mesmo com a queda dos juros, os consumidores estão cautelosos em contrair dívidas por causa dos aumentos dos preços e do receio de perderem os empregos. Para a pesquisa, a ser divulgada hoje, foram ouvidas 2.200 pessoas.

SOB NOVA DIREÇÃO
O gabinete do senador José Sarney (PMDB-AP) virou ponto de peregrinação. O corredor anda cheio de servidores que batem à porta do ex-presidente do Senado para reclamar das medidas adotadas pelo seu sucessor, Renan Calheiros (PMDB-AL), especialmente médicos e funcionários que perderam cargos e funções.

Mas Sarney já avisou que não quer se meter nos assuntos administrativos da Casa.

HERANÇA
Propostas para declarar Pelé o Patrono do Futebol Brasileiro e para criar o Dia Nacional da Igreja O Brasil para Cristo estão na lista de 169 projetos de lei herdados pela recém-criada Comissão de Cultura da Câmara, presidida pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Os textos antes tramitavam na Comissão de Educação.

A TANGA DO QUEIROZ
O estilista Mário Queiroz, que deixou a SFPW há um ano, abrirá a Dragão Fashion Week, de 13 a 18 de abril, em Fortaleza (CE). "Vou lançar uma linha de moda praia, para homem e para mulher", explica. Ele promete peças pequenas e ousadas. "Não vou fazer sungão para homem", avisa.

VIP DO VIP
O ator Bruno Gagliasso circulou pelo festival de rock Lollapalooza, anteontem, com um crachá de produção. E assistiu ao show do Planet Hemp, ao lado da mulher, Giovanna Ewbank, no cercadinho em frente ao palco Butantã, reservado apenas para fotógrafos e pessoas que trabalhavam no evento.

NA LAMA
Já a atriz Mariana Ximenes deixou o camarote da Geo Eventos para assistir a apresentação do Black Keys, no sábado, no meio da galera.

EU VOS DECLARO
A atriz Leandra Leal chamou a atenção no festival de rock. Ela e o namorado, o empresário Alexandre Youssef, passaram a usar aliança na mão esquerda.

DEU ROCK
Na festa do Lollapalooza no Cine Joia, na sexta, Lindsay Lohan tentou entrar no camarim do Hot Chip, dizendo conhecer a banda, mas os artistas não permitiram. Sua passagem pelo festival também foi tumultuada. Ficou pouco no camarote, em meio ao empurra-empurra entre fotógrafos e seguranças. Foi expulsa dos bastidores do show do The Killers.

AMIGAS DE MESA
Na festa da revista "Billboard Brasil", na quinta, Lindsay e a modelo Michella Cruz trocaram confidências em lugar inusitado: debaixo da mesa do DJ. A atriz tentava se esconder dos fotógrafos.

"Lindsay queria dançar, me perguntou o que fazer na cidade e tentei convencê-la a sair, mas ela não podia. Expulsou todo mundo, menos a mim", conta a modelo. "Deve ser difícil pra ela."

SIGNIFICA? Ronnie Von fez ensaio inspirado em Hebe, com quem ficou 20 anos sem conversar 'por uma fofoca que não fiz', para a 'Lola'; à revista ele fala sobre seu programa na TV: 'Sou sexagenário, não posso me travestir de teen'

PÁSCOA DO ROCK, BEBÊ
Os atores Bruno Gagliasso, Giovanna Ewbank e Fernanda Rodrigues, o chef Alex Atala e a top Lea T. circularam pelo camarote VIP no último dia do Lollapalooza, anteontem, no Jockey de SP. A atriz Antonia Morais, filha de Glória Pires, e a apresentadora Carol Ribeiro assistiram aos shows do festival na sexta.

CURTO-CIRCUITO
Gui Amabis faz show do álbum "Trabalhos Carnívoros", hoje, às 23h30, no Mundo Pensante. 18 anos.

O Festival Sesc Melhores Filmes, que homenageará Carlos Reichenbach, será aberto amanhã, às 20h30, no Cinesesc.

A exposição "8 Meninas" será inaugurada, hoje, às 19h30, na galeria DOC.

Carol Bezerra faz show em homenagem a Elis Regina, com participação de Jair Rodrigues, às 21h, no MuBE Nova Cultural. Livre.

A Schutz e a AmfAR promovem festa para convidados no Baretto, na quinta.

O documentário "Elena", de Petra Costa, ganhou o prêmio de melhor filme no Festival Films de Femmes.