sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Inflação preocupa BC; Mantega fica - CLAUDIA SAFATLE


VALOR ECONÔMICO - 08/02

Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, entrou em cena, ontem, e elevou em alguns decibéis o tom das preocupações da autoridade monetária com a inflação. "A inflação está resistente e nos preocupa", disse ao Valor PRO, pouco depois da divulgação da alta inflação de janeiro, pelo IBGE, que revelou variação de 0,86% do IPCA.

A trajetória que se apresenta para o índice de preços ao longo do ano não ajudará o BC. O IPCA só deve cair, na taxa acumulada de 12 meses, no segundo semestre do ano.

Assim que tomou conhecimento do índice, o mercado reagiu com o aumento dos juros nos contratos de curto e longo prazos. A mensagem de Tombini, se pretendia domar as taxas futuras que extrapolavam o bom senso, teve efeito contrário.

Ele voltou a agir para impor alguma racionalidade ao mercado e disse ao Valor PRO que "a comunicação da última ata do Copom não foi alterada". Ou seja, continua válido o texto que diz: "O Copom entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta".

A Inflação está no topo das inquietações do BC. O elevado grau de disseminação da alta dos preços torna o problema mais agudo. O índice de difusão, que retrata a parcela dos produtos que tiveram alta no mês, subiu de 70,7% para 75,1% e os núcleos também subiram de dezembro para janeiro. Embora o governo sustente que ela está sob controle, os riscos não são desprezíveis.

O BC garante que a taxa de janeiro não se repetirá. A inflação deste mês deve ser menos da metade da registrada no mês passado e os índices mensais tendem a ficar comportados este ano. Mas a trajetória da inflação acumulada em 12 meses não será nem um pouco "confortável", comentou.

Durante todo o primeiro semestre, a inflação acumulada em 12 meses estará pressionada, superior a 6%, mas não necessariamente vai furar o teto da meta, de 6,5%. "É desafiador", disse ele.

Dilma quer Mantega na Fazenda até o fim do governo, em 2014

Só no segundo semestre é que a inflação de 12 meses começará a recuar. Tombini cita as razões pelas quais confia nesse cenário: a boa safra de grão, que afasta do horizonte um choque de preços dos alimentos como teve o país no ano passado, agravado pela seca americana, que também não deve se repetir; a inflação de serviços vai continuar caindo, ainda que lentamente, e o menor reajuste do salário mínimo vai contribuir para essa desaceleração; e a taxa de câmbio que, em 2012, entre "pico" e "vale" teve uma depreciação de cerca de 24%, este ano ficará mais acomodada. Ou, como avalia o BC, será razoavelmente "neutra".

Somam-se a esses fatores uma expansão do crédito, algo entre 15% e 16%, mais moderada do que nos anos passados, à exceção de 2012; e a base de comparação da inflação do segundo semestre de 2012, que foi bem alta, carregada pela desvalorização da moeda (cerca de 10% no ano) e pelo choques de alimentos.

As expectativas do mercado se deterioram há cinco semanas seguidas, embora a taxas decrescentes. Hoje, as projeções para o IPCA se encontram em 5,68% para o ano.

Nas declarações de ontem, Tombini endureceu o verbo. Mas não está claro se isso será o suficiente para que a inflação de 2013 seja bem menor do que os 5,84% de 2012.

Guido Mantega, desde o fim do ano passado, tornou-se alvo constante de uma bateria de boatos. Ministro da Fazenda desde 2005, ele está no cargo por um fio, segundo especulações das mais diversas origens. O Palácio do Planalto nega que a presidente Dilma Rousseff pretenda substituí-lo. "A determinação da presidente é de mantê-lo no cargo até o fim do governo", assegurou ontem o porta-voz da Presidência, Thomas Trauman, a esta coluna, reiterando a posição de Dilma sobre o assunto. "O ministro da Fazenda é Guido Mantega. Boatos são boatos", completou.

O governo atribui os boatos ao mercado, motivado por interesses contrariados sobretudo com a redução dos juros. Mas há, no aparente silêncio de corredores ministeriais, um julgamento severo da performance de Mantega. A falta de respostas da economia às políticas de incentivo do governo e tantas negativas da Fazenda à demandas dos demais ministros, deixaram Mantega vulnerável.

O ministro da Fazenda, ao longo desses anos, tem se mostrado uma pessoa de "couro duro". Suporta pressões e tem flexibilidade como poucos. Ele é da total confiança de Dilma e ela sempre diz que a política econômica é dela, Mantega é o executor.

Mais do que uma eventual troca de comando da pasta da Fazenda, num futuro imprevisível, a pergunta que se faz no governo é: "Quem o substituiria?". Há quem argumente que o ex-presidente Lula gostaria de indicar o sucessor e que um novo titular teria que ser alguém próximo ao ex-ministro Antônio Palocci. O Palácio nega. Há ministros do PT no governo que poderiam ser uma solução. Mas isso não está em jogo agora.

Mantega fica. 

O Ministério da Fazenda não vê contradição, para o controle da inflação, entre a política monetária frouxa e a nova e expansionista política fiscal do governo, que reduziu o superávit primário este ano em mais R$ 20 bilhões para abrigar novas desonerações de impostos. As novas desonerações serão feitas de forma mais universal, em benefício do consumidor - a exemplo da cesta básica e da energia elétrica - ao contrário dos incentivos setoriais concedidos até agora para determinados segmentos da indústria. Foi uma vitória do secretário-executivo, Nelson Barbosa, que desde o fim de 2011 defendia a queda do superávit para reduzir a carga tributária. 

O governo sai de seu labirinto - LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS

FOLHA DE SP - 08/02


O governo Dilma passou a depender do capital privado para superar as limitações ao crescimento


Há algum tempo escrevi que o governo do PT não conseguia -na questão das concessões de serviços públicos- sair do labirinto em que estava preso desde a posse de Lula, em 2003. Seus corredores escuros eram formados por questões de ordem política e ideológica e por uma falta de entendimento da dinâmica privada na decisão de seus investimentos. Essas mesmas limitações continuaram a manter a política de concessões no limbo nos primeiros dois anos do governo Dilma.

Mas as condições que cercam esse labirinto mudaram de forma radical em 2012. Nos anos Lula, as concessões de serviços públicos não tinham a importância que têm agora na dinâmica da economia brasileira. Tínhamos então uma grande folga em nossa infraestrutura e a economia crescia empurrada pela explosão de consumo de uma sociedade que descobria -depois de muito tempo- o crédito bancário e a valorização de sua moeda.

Era muito fácil ser radical na questão do monopólio do Estado em áreas críticas da economia nessas circunstâncias.

Mas o governo Dilma, com o aparecimento de gargalos em setores estratégicos de nosso tecido econômico e a estabilização do consumo, passou a depender do capital privado para superar essas limitações ao crescimento. Essa situação não foi percebida com clareza, no início de seu mandato, e a realidade do pibinho de 2012 obrigou a presidente a mudar de posição. Com o aumento do consumo limitado ao crescimento real da renda das famílias e sem a alavancagem criada pelo crédito bancário, o investimento passou a ser elemento necessário para estimular a economia.

Por essa razão, independentemente das questões de natureza política e da clara má vontade de setores importantes do governo em relação ao capital privado em áreas públicas da economia, a presidente Dilma resolveu sair do labirinto e encarar a realidade de hoje do mercado. Nesta semana, em um evento público ligado a questões da infraestrutura, o governo definiu novas regras -mais realistas- para as concessões de rodovias federais a capitais privados.

Foram também liberalizadas as condições para exploração de terminais portuários privados e definido um novo modelo para a concessão da exploração de ferrovias.

Com essa nova posição, avançaremos bastante na expansão das concessões públicas e na criação das condições necessárias para um novo ciclo de investimentos e, mais à frente, para um aumento da oferta de serviços de logística. A experiência brasileira nesse campo é muito rica -em erros e acertos- e o governo pode replicar facilmente o que deu certo nos anos FHC ao se libertar de seu labirinto.

No campo dos acertos eu citaria principalmente a questão do realismo tarifário que permite ao capital privado obter uma taxa de retorno compatível com os riscos e condições de mercado.

Aqui talvez esteja o maior erro dos últimos anos. Os burocratas de Brasília, ao definir taxas de retorno muito baixas (5% ao ano), reduzem o número de concorrentes nos leilões. Apenas empresas de menor porte se apresentam e -especulativamente- tentam comprar uma fatia do mercado. O resultado, como mostram as últimas experiências, são concessões com uma capacidade de investimentos muito pequena, com reflexos claros sobre a qualidade dos serviços prestados.

Aqui estava o maior erro na forma de encarar os leilões de concessão. Para a sociedade em geral -e os usuários de maneira mais restrita-, é muito mais importante ter uma oferta de infraestrutura de qualidade do que economizar alguns reais no pagamento de pedágios.

Vejam os exemplos das estradas privatizadas no Estado de São Paulo. Apesar de erros cometidos na concessão terem levado a valores muito altos de pedágio em algumas delas, a qualidade e a segurança apresentadas aos usuários faz com que esses desvios sejam mais do que compensados.

Dou ao leitor um exemplo: imaginem hoje a rodovia Castelo Branco, em São Paulo, sem suas marginais pedagiadas! As manifestações, inclusive com queima de pneus, que aconteceram quando uma empresa privada assumiu a concessão são apenas memórias de um passado já distante, enterrado pelos benefícios do investimento realizado.

Alta desconfortável - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 08/02

A avaliação do Banco Central é que a safra deste ano ajudará a reduzir a pressão inflacionária. É baseado nisso que o presidente do BC, Alexandre Tombini, apesar de admitir que está "desconfortável" com a inflação, acredita que a taxa de 2013 será menor que a de 2012. Há grande chance de a safra ser boa no Brasil, mas continua a haver riscos de preços internacionais em alta.

O que o presidente do Banco Central me disse ontem é que não há descontrole inflacionário, mas a taxa está alta e continuará assim no curto prazo. Ele acredita que o número divulgado ontem pelo IBGE, de 0,86% para o IPCA de janeiro, vai ser a pior taxa mensal do ano. A de fevereiro deve ser a metade. Apesar do reajuste da gasolina e do item educação, a queda dos preços da energia vai ajudar a conter o índice em fevereiro. O acumulado em 12 meses - que com o dado de ontem foi a 6,15% - vai continuar em torno de 6% durante todo o primeiro semestre, na visão de Tombini.

- A inflação nos preocupa a curto prazo, está mostrando uma resiliência forte, mas não é o caso de descontrole inflacionário. A nossa expectativa é que ela continua pressionada no primeiro semestre. A inflação de 2013 ficará menor do que em 2012, porém a situação não é confortável - disse Tombini.

Ele disse que o Banco Central está atento à evolução da inflação, quando perguntei se era o caso de mudar a política monetária. Pelo que me explicou, há três razões pelas quais acredita que a taxa pode ceder. Primeiro, a inflação de serviços pode ser menor porque o salário mínimo não subiu tanto este ano quanto no ano passado. O segundo motivo é que o câmbio no ano passado subiu muito. Segundo Tombini, houve desvalorização nominal de 9% e uma alta, do vale ao pico, de 20%. Ele disse que não espera algo dessa magnitude este ano. Terceiro, o Brasil está colhendo uma supersafra e não se espera que aconteça nos EUA uma quebra de safra tão devastadora quanto a de 2012.

Tombini tem razão no primeiro e no segundo ponto. O terceiro é mais incerto. Conversei com José Roberto Mendonça de Barros sobre a oferta de produtos agrícolas este ano. Ele confirma que a safra de grãos em geral será muito boa, a cana deve colher 580 milhões de toneladas. Há boa perspectiva para a pecuária. E, de fato, a quebra de safra dos EUA foi tão grande no ano passado que dificilmente se repetirá na mesma proporção.

- Mas os estoques estão muito baixos nos Estados Unidos. Mesmo que não haja um desastre como o do ano passado, qualquer problema na safra terá repercussão nos preços - disse José Roberto.

Olhando por dentro dos números, há razões para inquietações. Alimentação e bebidas tiveram alta de 11% em 12 meses; despesas pessoais, 11%; educação, 7,7%; aluguéis, 9%. Cigarro, que felizmente pesa menos, disparou 38% em um ano.

Em cinco das onze capitais pesquisadas, houve estouro do teto da meta: em Belém, a taxa em 12 meses está em 8,8%; Fortaleza, 7,7%; Recife, 7,3%; Rio, 6,9%; e Salvador, 6,7%. No INPC, que mede a inflação dos mais pobres, até cinco salários mínimos, o acumulado está em 6,6%.

Os números assustam, principalmente porque se sabe que o aumento do ônibus foi postergado. O presidente do Banco Central disse que nem sempre o ônibus sobe em janeiro. Os prefeitos que aceitaram adiar o reajuste deixaram para junho, que normalmente é um mês mais tranquilo. A inflação só não foi maior porque a queda da energia já provocou efeito em janeiro, de -4%. O resto do efeito será em fevereiro.

O economista Nicolas Tingas, da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito), ouvido por Alvaro Gribel, aqui da coluna, considerou que o Brasil está numa inflação de custos e não de demanda.

- O empresário teve aumento de custos num cenário de desaceleração da economia. Ele segurou os preços, mas isso tem limite. E agora está havendo uma queda de braço na cadeia produtiva para recompor as margens. Os reajustes de preços na virada do ano foram mais fortes. Eu faço compras e percebo isso claramente - disse.

De fato, o problema não é trivial e há uma série de dados perturbadores na economia, mas o presidente do Banco Central disse que está atento, não está confortável, acha que a trajetória dos preços "inspira cuidados" e que por ora está avaliando tudo.

A inflação e seus estragos - CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 08/02


Se a presidente Dilma concordar com a maneira como, no tempo dele, o presidente Lula entendia os efeitos políticos da inflação, terá de fazer muito mais do que tem feito para combatê-la.

Lula aprendeu, por ocasião do Plano Real, que inflação sob controle e em baixa é o melhor cabo eleitoral para um administrador público. E que o contrário é igualmente verdadeiro. A inflação em alta, que come salários e a confiança, é um dos maiores sabotadores eleitorais que pode enfrentar.

Como os analistas já previam, a inflação em 12 meses medida pelo IPCA saltou em janeiro, para 6,15% - já mais próxima do teto da meta, de 6,5%. O 0,86% de janeiro é o nível mensal mais alto desde abril de 2005.

Inflação é febre. E febre é sintoma de infecção. Esse resultado só não foi pior porque o governo injetou antitérmicos pela economia. Há anos represa os preços dos combustíveis; negociou com prefeitos de grandes cidades e governadores para segurar tarifas de condução; interveio no câmbio para baixar as cotações do dólar e, assim, os preços dos importados; derrubou o custo da energia; e estuda a isenção total dos impostos sobre a cesta básica.

Mas não fez o que de mais eficaz poderia ter feito. Deixou que as despesas públicas saltassem e impediu que o Banco Central voltasse a puxar pelos juros. Ao longo de 2012, o governo fez um diagnóstico equivocado, de que o maior problema da economia fosse consumo insuficiente. E fez de tudo para inflar a demanda. Gastou mais do que deveria, empurrou o crédito para além da capacidade de endividamento do consumidor, concedeu isenção ou redução de impostos para bens de consumo e, na marra, derrubou os juros.

Sem autorização para voltar a apertar a política monetária, o Banco Central se limitou a dizer que o diagnóstico está errado: o problema não é falta de consumo, mas de oferta. E pulou fora: a solução não está na alçada do Banco Central.

As autoridades não são sinceras como, sem outra saída, foi a presidente da Petrobrás, Graça Foster. Dias mais difíceis virão, avisou. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, empenham-se em dourar a pílula. Debitam a inflação a choques externos (alta das commodities) ou a causas climáticas e, sempre que podem, avisam que, mais um tempo, o jogo terá virado. É o que o Banco Central tem dito: a convergência para a meta de 4,5% ao ano acontecerá "de forma não linear".

Um dos dados mais preocupantes que se repetem nos relatórios do IBGE mostra forte difusão da alta de preços. Quer dizer, a inflação está bem espalhada. Em janeiro, alcançou 75,1% dos itens da cesta do custo de vida. Este é o maior avanço do índice de difusão desde maio de 2003.

Essa inflação traz mais dois estragos: (1) deteriora a poupança, já que as aplicações rendem em torno de 0,5% ao mês e o patrimônio aplicado se desvaloriza em 0,86%; e (2) derruba o câmbio real. A desvalorização cambial, que beirou 20% para dar competitividade à indústria, é corroída à proporção de 6% ao ano. Ontem, o mercado financeiro reagiu à inflação mais alta com puxada nos juros e baixa do dólar. O Banco Central ficou só olhando.

Por ora, o povão parece feliz. Não se deu conta da erosão que a inflação causa no seu orçamento. Uma hora, cai a ficha.

Profissionais em campo - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 08/02


BRASÍLIA - Sinceramente, não entendi a surpresa geral com o disse não disse do novo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), sobre o futuro dos deputados condenados pelo Supremo.

Primeiro: o discurso dos políticos é um na campanha e na posse e é outro, diferente, depois de eleitos e já no batente. Antes, eles falam o que os eleitores querem ouvir. Depois, o que é preciso ser feito.

Segundo: o discurso dos políticos (e não só deles) é um para o público interno e é outro para o externo. Para seus pares na Câmara, Henrique Alves precisava falar grosso, em apoio aos condenados. Para o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, tinha de falar institucionalmente.

O antecessor Marco Maia (PT) é pouco mais que um aprendiz na política nacional e seu compromisso maior é com os companheiros petistas enroscados no mensalão, mas Henrique Alves é o mais antigo deputado e tem a exata noção de como funciona o jogo político-institucional. Sem contar que seu compromisso é com o sucesso de sua gestão, e não exatamente com o PT.

De tão experiente e tão esperto, Henrique Alves fez um interessante cruzamento de palavras, até com frases iguais, para justificar duas posições só aparentemente antagônicas.

No Congresso, na terça, ele disse: "Nós vamos finalizar o processo. Quem declara a perda do mandato, quem declara a vacância (...), tudo compete à Câmara fazer". Interpretação: ele diz que a última palavra é da Câmara e confronta o STF.

Já no Supremo, na quarta, declarou: "Nós vamos finalizar o processo (...), cumprir as formalidades. Não há nenhuma possibilidade de confrontarmos o mérito". Interpretação: ele recuou e reconheceu que a decisão é do Judiciário.

Na verdade, disse a mesma coisa no conteúdo, mas burilou a forma para agradar a cada interlocutor. A isso se chama "cancha política". É o que ele e Renan têm de sobra.

Novas regras para as multas ambientais - LOUISE BOSSCHART E MARINA GALVANI


VALOR ECONÔMICO - 08/02
A Lei Federal nº 9.605, editada em 1998, denominada popularmente de "Lei dos Crimes Ambientais", representou um grande avanço na área ambiental ao dispor acerca das sanções administrativas e penais aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. O Decreto Federal nº 6.514, promulgado dez anos depois, em 2008, que especificou as penalidades cabíveis para cada tipo de infração ambiental, estabelecendo sanções pecuniárias que variam entre o mínimo de R$ 50,00 e o máximo de R$ 50 milhões foi mais um avanço significativo na área.

A par disso, o fato é que o Decreto nº 6.514, de 2008, assim como as demais regulações que se seguiram sobre o tema, para a grande maioria das infrações previstas, se ressentia de critérios e parâmetros objetivos, que viabilizassem a quantificação do valor das sanções pecuniárias a serem aplicadas nos casos concretos. Em outras palavras, a legislação até então em vigor não dispunha de mecanismos que norteassem a fixação do valor das multas entre o valor mínimo e o máximo previsto em lei.

Consequência direta dessa lacuna na legislação é a alta discricionariedade até então empregada na fixação dos valores das multas, a acarretar, não raras às vezes, penalidades extremamente altas, sem justa e motivada fundamentação e, sobretudo, desproporcionais ao alegado dano e a capacidade econômica do infrator. Consequência ainda dessa inexistência de critérios objetivos é a ausência de segurança jurídica e a dificuldade de defesa, em violação aos princípios norteadores da administração pública, como o da legalidade e da motivação.

Em 13 de dezembro de 2012, com o intuito de sanar essa lacuna, foi publicada a Instrução Normativa IBAMA nº 10, em vigor desde 1º de janeiro deste ano, estabelecendo, dentre outras questões, critérios objetivos de quantificação das sanções pecuniárias administrativas. Nos termos da referida instrução, as sanções pecuniárias serão quantificadas tomando-se em conta os critérios da gravidade da infração e da capacidade econômica do infrator.

As sanções serão quantificadas por critérios da gravidade da infração

A gravidade da infração é definida segundo três fatores. Primeiramente, toma-se em conta a motivação da conduta, se intencional ou decorrente de omissão ou negligência. Em segundo lugar, verificam-se os efeitos gerados ao meio ambiente, se apenas potenciais, reversíveis ou irreversíveis. Finalmente, verificam-se os efeitos para a saúde pública, se inexistentes, potenciais, reversíveis ou irreversíveis. Esses critérios, quantificados segundo uma tabela, determinam o nível de gravidade da infração, que são então combinados à capacidade econômica do infrator. Feito isso, chega-se à quantificação do valor da sanção pecuniária devida no caso concreto.

Nos casos de pessoa jurídica de direito privado, a capacidade econômica do infrator será apurada de acordo com o porte da empresa, observada a seguinte classificação: microempresa e empresa de pequeno porte; empresa de médio porte, aí entendida a empresa com receita bruta anual superior a R$ 3,6 milhões e igual ou inferior a R$ 12 milhões; e empresa de grande porte, com receita bruta anual superior a R$ 12 milhões

Além de fixar esses critérios objetivos, atrelados à gravidade da infração e à capacidade econômica do infrator, a instrução normativa ainda estabelece percentuais de redução ou majoração das sanções pecuniárias diante da existência de eventuais atenuantes ou agravantes. Assim, tomando-se por exemplo uma situação hipotética em que o causador de um determinado dano ambiental denuncia espontaneamente a sua ocorrências às autoridades ambientais competentes e, por si só, já toma as providências necessárias para a sua reparação, o valor da multa aplicável ao caso poderá ser reduzido em até 50%. Contrariamente, identificada uma agravante, como na situação em que a infração ambiental é cometida no exercício de atividade econômica financiada por verba pública, a penalidade pode ser majorada em até 20%.

A Instrução Normativa nº 10, de 2012 certamente foi mais longe que qualquer outra regulamentação no que se refere à definição dos critérios objetivos para a fixação das sanções pecuniárias administrativas aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Essa maior objetividade era esperada e, de forma geral, parece bastante positiva, na medida em que confere maior segurança jurídica aos administrados, possibilitando a melhor compreensão e consequente questionamento e revisão das sanções administrativas aplicadas pelos correspondentes agentes de fiscalização.

Não se pode perder de vista, entretanto, que em algumas situações, especialmente nos casos envolvendo empresas de grande porte, os critérios objetivos de dosimetria previstos na instrução normativa tendem a resultar em sanções pecuniárias de elevado valor, próximas ao teto máximo, gerando novos tipos de distorções.

Dentro desse contexto e de forma a que a Instrução Normativa nº 10 cumpra com a sua finalidade, imprescindível que as autoridades ambientais lancem mão dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade insertos no artigo 18 da instrução normativa, readequando o valor das multas, nas situações em que se mostrem desproporcionais à gravidade da infração, a par do emprego dos critérios objetivos insertos na atual legislação.

Louise Bosschart e Marina Galvani são, respectivamente, sócia e advogada do Mattos Muriel Kestener Advogados 

A distensão entre Câmara e Supremo - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 08/02

O não cumprimento de sentenças da Justiça rompe a ordem institucional. No caso dos mensaleiros, é preciso atenção a manobras para adiar a cassação



Em qualquer eleição, há uma natural exacerbação dos espíritos, mesmo quando transcorre no espaço delimitado do Congresso. Contabilizados os votos, a agenda da vida real se impõe, e os eleitos precisam exercer seus mandatos com os pés no chão.

Devido à coincidência do fim do julgamento do mensalão com a renovação da Mesa da Câmara e Senado para mais dois anos de mandato, o tema do destino dos deputados mensaleiros terminou se infiltrando na campanha para a troca de comandos, principalmente na Câmara.

José Genoino (PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP), mensaleiros condenados à prisão, se transformaram em foco de tensão entre — não a Câmara como instituição —, mas uma ala do PT e o Supremo, porque a Corte determinou a perda de mandato dos parlamentares.

A questão ganhou contornos de choque entre Poderes diante da postura de simples militante petista assumida pelo ainda presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), numa defesa descabida da desobediência do veredicto da mais alta instância da Justiça. Maia chegou a oferecer asilo aos mensaleiros no prédio da Câmara.

O encontro , anteontem, entre o recém-eleito presidente da Casa, Henrique Alves (PMDB-RN), e o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, serviu para colocar o assunto em sua verdadeira dimensão.

— Não há hipótese de não se cumprir a decisão (perda de mandatos) do Supremo — disse Alves, numa retificação do que afirmara antes de se eleger para o principal posto na Mesa da Câmara.

A base legal para o veredicto do Supremo é passível de discussões jurídicas. Por isso, quatro dos nove ministros que julgaram este item do processo do mensalão preferiram deixar para a Câmara a decisão sobre o destino dos deputados. Mas cinco, a maioria, defenderam o oposto. E não importa se os deputados foram cassados por apenas um voto de diferença. Este foi o veredicto do STF, e, como tal, não pode deixar de ser cumprido. Caso contrário, quebra-se a ordem jurídica, algo de implicações político-institucionais muito graves.

É possível que o encaminhamento do caso dos quatro deputados mensaleiros seja o mesmo das cassações decretadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Há uma tramitação do processo, sem que a Câmara discuta o mérito do veredicto da Justiça. O problema passa a ser o tempo desta tramitação. Sintomático que o PT se articule para controlar o Conselho de Ética da Câmara. Como cassações pela Justiça são executadas pela Mesa da Casa, não se prevê que o Conselho intervenha na perda de mandatos do mensaleiros.

Mas é preciso ficar atento às manobras no Congresso. Até porque é real o risco de a execução da sentença do STF ser postergada, para os mensaleiros cumprirem o mandato até 31 de dezembro do ano que vem. Será uma desmoralização para o Congresso e se consumará a afronta à Justiça.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“A gente só quer uma definição: ou se é governo ou oposição”
Deputado Anthony Garotinho (RJ), líder do PR, cobrando cargos no governo Dilma


MERCADANTE TRABALHA CONTRA INDICAÇÃO DE CHALITA

Ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante (Educação) está dedicado a torpedear a indicação do deputado Gabriel Chalita ao cargo, segundo acredita o PMDB. A alegação é que Chalita seria “católico demais” para comandar a pasta de Ciência e Tecnologia, e até poderia “boicotar” pesquisas contrárias a dogmas da Igreja. A turma do vice-presidente Michel Temer está indignada com a manobra.

MOBILIZAÇÃO

Mercadante e Marco Antônio Raupp (Ciência e Tecnologia), que deseja ficar no cargo, mobilizaram a “comunidade científica” contra Chalita.

OLHO NO PALANQUE

Aloizio Mercadante teme encher a bola de Chalita, seu eventual adversário na disputa majoritária de 2014, em São Paulo.

AUTOQUEIMAÇÃO

Gabriel Chalita também dá força à própria “queimação”, ao conceder entrevistas falando como se fora ministro. A presidente Dilma detestou.

SÓ DÁ SP

O PMDB mineiro e o nordestino, que lidera o Congresso, resistem a Chalita por fortalecer o grupo ligado a Michel Temer.

SERVIÇO SECRETO AMERICANO VAI VIGIAR COPA NO RIO

Maior fornecedora do governo dos Estados Unidos, a centenária empresa V.H. Blackinton deverá ser a escolhida pela Fifa, por valores não revelados, da tecnologia ultrassofisticada de identificação nos jogos da Copa 2014 no Rio – utilizada pelo serviço secreto e Forças Armadas dos EUA no Iraque e Afeganistão: banco de dados fiscaliza todos os agentes nas entradas do Maracanã e locais de grande concentração.

NÃO ROLOU

A decisão do comando da Fifa pela empresa americana contrariou “interesses” de subalternos da Federação no Brasil. Não teve “papo”.

PATO DONALD

Dispositivos móveis controlam com as digitais os horários e locais das equipes de segurança – o mesmo sistema de acesso na Disneylândia.

GRAUS DE SEPARAÇÃO

A Presidência da República reservou R$ 246,9 mil para grades móveis na “segurança física” dos palácios e residências oficiais em Brasília.

CHAPA-BRANCA

Além da volta de Mozart Viana à secretaria-geral da Câmara, o nome do ex-deputado Ibsen Pinheiro é cogitado para dirigir a TV Câmara, que deverá se tornar um veículo para publicidade dos deputados.

EFEITO REVERSO

No PSB, é comum a tese de que o dossiê divulgado no dia da eleição contra Henrique Alves (PMDB-RN) mais ajudou do que atrapalhou sua eleição a presidente, porque fez a bancada sair em defesa dele.

ÓRFÃOS

Para Daniel Almeida (BA), o PCdoB ficou “meio sem rumo” após Aldo Rebelo (SP) assumir os Esportes: “Estávamos acostumados a marcar posição em eleições importantes como a de presidente da Câmara”.

DNA DE BRIGÃO

O deputado Lincoln Portela (MG) acredita que o novo líder do PR, Anthony Garotinho (RJ), não aguenta reduzir o tom contra o governo durante mais do que duas semanas: “Está no DNA dele”.

PALCO ILUMINADO

O Ministério Público Federal recorreu da decisão da Justiça Federal que isentou o governador Cid Gomes (PSB) de tirar do bolso R$ 650 mil de cachê pago a Ivete Sangalo na inauguração de hospital público.

POLICIAMENTO A SUSTOS

A PM do DF decidiu “dar sustos” em pessoas que frequentem lugares ermos, só para depois advertir: “Poderia ser um bandido!”. Quem escapar de morrer à bala, corre o risco de morrer de susto.

FUNDO DO POÇO

Ex-presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra deu aula de gerência no Twitter sobre a queda vertiginosa da estatal: “Lucro baixou por conta dos bilhões investidos em pesquisa e desenvolvimento do pré-sal.”

RETÍFICA CH

Não é o governo italiano, mas a ONG Brasil Verdade que questiona no Conselho Nacional de Justiça o juiz Odilon de Oliveira por monitorar as visitas íntimas de dois italianos num presídio de segurança máxima.

PENSANDO BEM...

...o chanceler Patriota não o foi, deixando o embaixador da Venezuela enxovalhar o Judiciário brasileiro.


PODER SEM PUDOR

ENTIDADES DO PAU OCO

O procurador Marcelo Pastana viveu experiência inusitada, ao mobilizar a Polícia Federal na apreensão de dinheiro para compra de votos em Macapá (AP), certa vez. O santuário da grana era um terreiro. Os pais de santo tentaram impedir a busca, alegando proibição das "entidades", enquanto lá dentro queimavam as cédulas. Pastana ainda apreendeu sacos de dinheiro no telhado. Todos em cana, uma "entidade" exigiu cachaça, mas o procurador negou, lembrando a "lei seca" - era véspera da eleição. Um homem "incorporando" mulher xingou Pastana, que, na dúvida sobre a quem autuar por desacato, preferiu ignorar a agressão. E cair na gargalhada, certamente.

SEXTA NOS JORNAIS


- Globo: Com 82 ruas fechadas, Rio abre hoje o carnaval
- Folha: Inflação bate recorde mensal e preocupa BC
- Estadão: Inflação é a maior em 8 anos e mercado prevê alta de juro
- Correio: Inflação assusta governo e dá um baile na poupança
- Valor: Pimentel diz que câmbio é ‘vigilante’ e mira os R$ 2
- Estado de Minas: Inflação volta a assombrar

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Num reino murilíssimo - LUCAS MENDES

Nova York para a BBC Brasil - 07/02


Em Juiz de Fora, "nasceram dois dos maiores escritores brasileiros do século 20: Murilo Mendes e Pedro Nava", escreve Rachel Jardim, juiz-forana, mineira da memória e do tempo.


O livro da Rachel, Num Reino à Beira do Rio, foi lançado em segunda edição, com uma nova apresentação de Pinho Neves, um murilista extraordinário. A edição tem parceria com o não menos extraordinário Museu de Arte Moderna Murilo Mendes da Universidade Federal de Juiz de Fora, cujas sementes brotaram num jantar em Lisboa na casa de Rachel Mendes, sobrinha-neta do poeta.

Estavam presentes, entre outros, o embaixador José Aparecido e outros murilistas empenhados em convencer a viúva do poeta, Maria da Saudade, a levar seus quase 3 mil livros - muitos em primeira edição - e a pinacoteca dele para Juiz de Fora. Mas isto é outra história.

Pedro Nava e Murilo Mendes não sentiram saudades de Juiz de Fora, mas a cidade aparece como pano de fundo naIdade do Serrote, um livro autobiográfico publicado em 1968.

O livro da Rachel faz parte da série "Sabor Literário", criada em 2006 e aos cuidados da editora Maria Amélia Mello, da José Olympio. Saborosíssimo.

O livro da Rachel Jardim é uma doce viagem. A mãe dela, Maria Luiza, era belíssima. Ela e Murilo Mendes eram vizinhos na rua da Imperatriz, ela tinha 17 e ele 18 anos quando Maria Luiza pediu a Murilo Mendes para transcrever algumas poesias no caderno literário dela.

Isto era comum entre amigos e namorados na época, o ano é 1919, e Murilo, com uma caligrafia preciosa, deixou no livro da irresistível vizinha, 37 poemas de 27 poetas apaixonados, como ele. Na recatada Juiz de Fora, puramente platônicos.

Ele se mudou para o Rio aos vinte anos, onde se viram algumas vezes, mas o romance murchou e ela nunca apareceu nos versos nem na prosa de Murilo. Quando morreu, aos 88 anos, deixou um envelope com seu caderno de poemas.

Esta é a plataforma do livro em que Rachel nos lança por uma surpreendente Juiz de Fora romântica e industrial, das jabuticabas, dos biscoitos de polvilho, onde gente fina e empregadas negras viviam em per feita harmonia: "A cidade que conheci tinha o tom vermelho, como a Albi de Toulouse-Lautrec, como a Nova York do começo do século 20, com suas casas de brownstones (influência da velha New Amsterdam), da própria Manchester com suas casas e fábricas de tijolos vermelhos reelaborados e ornamentados (ver colégio Santa Catarina) pela firma Pantaleone Arcuri. As manhãs eram uma festa..."

Rachel Jardim saiu de Juiz de Fora ainda jovem e quando voltou no reconheceu a cidade. Eu nunca conheci esta Juiz de Fora por onde passei tantas vezes com a família para ir ao Rio e raramente parávamos para visitar outros Mendes. Não ter conhecido melhor a cidade não é um pecado grave, mas não me perdoo por não ter conhecido melhor meu tio Murilo.

Ele vivia no Rio e era endeusado pelos parentes. Minha mãe falava sempre nele, mas nunca nos levou para visitá-lo quando estávamos no Rio. Não era um tio fácil. Eu o descobri na adolescência, no poema Por Causa de Jandira: "O mundo começava nos seios de Jandira/Depois surgiram outras peças da criação". Para um jovem obcecado com sexo, aquele Mendes era dos meus.

Só uma vez minha conexão com ele não foi pelos livros. Ele tinha acabado de chegar ao Rio, vindo de Roma, onde morava, e eu, de Nova York. O tio escritor e guru, José Guilherme Mendes, promoveu o encontro, num almoço no hotel Paissandu, único hotel onde se hospedava. Era maniado.

No almoço surgiu um quarto convidado, um editor da revista Veja que fazia uma entrevista com ele para as "páginas amarelas". As considerações literárias e artísticas do poeta, colecionador e crítico de arte, dominaram a refeição. Nunca chegamos no prato pessoal. Como era o dia a dia dele em Roma, como tinha sido a vida no Rio e em Juiz de Fora...

As muriladas: era verdade que bateu na porta de um casarão e disse ao dono que morava na casa mais feia do Rio? Que abria o guarda-chuva no meio de concertos quando maltratavam Mozart? Quem era a Jandira dos seios onde começou o mundo?

Eu me lembro que fiz um comentário debochado sobre Minas levei um olhar indagativo repreensivo e fechei meu bico.

Combinamos que iria visitá-lo em Roma e ele disse que viria a Nova York, mas o bestalhão aqui nunca foi adiante no combinado e naquele dia ele foi para Belo Horizonte, onde se hospedou na casa de meus pais. Minha mãe estava feliz com a visita, o irmão Onofre se tornou assistente e motorista.

No começo da noite, perguntou se o tio queria tomar um uísque. Ele consultou o relógio de bolso: "São sete e cinco. Se fossem 7 horas eu aceitaria". Mais tarde, ele ficou assombrado com a rapidez que foi levado pelo irmão, num Fusca, até a casa de um amigo. Os aloprados motoristas romanos eram menos assustadores do que o sobrinho-neto mineiro.

Pedro Nava e Murilo Mendes tinham quase a mesma idade e cresceram numa cidade pequena. Na infância não se cruzaram. Pedro Nava mudou para o Rio na adolescência, se encontraram no Rio. Cobrei, por escrito, uma resposta de Pedro Nava: "Cadê o Murilo nas suas memórias?". Me deu uma resposta fina, mas frouxa. Rachel conta a história: não se amavam.

Tio Murilo economizava palavras, mas tio José Guilherme me contou que ele adorava superlativos e costumava usá-los em bilhetes e situações extremas. Sempre com precisão.

Sobre Num Reino à Beira do Rio, Murilo Mendes, inventor dos murilogramas, hoje teria tuitado: "Murilíssimo".

As regras do bem viver - CONTARDO CALLIGARIS

FOLHA DE SP - 07/02


A polidez excessiva é diretamente proporcional à violência do desejo que ela mascara e contém


Um pré-adolescente me contou que ele sempre deixa as mulheres passarem primeiro nas portas, nas catracas e em todos os limiares da circulação social, segundo ele foi instruído pelos pais e pelos avós.

No entanto, esse gesto cavalheiro é acompanhado por um pensamento que ele não consegue evitar e que, um dia, ele receia, poderia explodir como um grito indomável, impossível de ser mais uma vez reprimido.

Deixo você imaginar as consequências que esse grito teria, pois, a cada vez que ele, nobremente, estende a mão para convidar uma mulher (moça ou idosa, tanto faz) a passar antes dele, o que insiste na sua mente é a frase: "Empina a bunda, sua vaca!".

Não acho estranho: as boas maneiras existem, provavelmente, para reprimir pensamentos, condutas e desejos, que, se liberados, tornariam desagradável a nossa convivência social.

Não conheço estudos sobre o costume de deixar as mulheres passarem primeiro. Algumas más línguas dizem que nasceu como uma precaução masculina, caso houvesse assassinos esperando o homem do outro lado da porta. Outras más línguas afirmam que era um jeito de os homens controlarem as mulheres, pois, se elas fossem autorizadas a ficar atrás, fugiriam na primeira ocasião.

No que me toca, aprendi que a mulher deve passar sempre antes do homem, salvo na descida de uma escada, quando o homem, indo na frente, tapa a perspectiva inconveniente de quem, a partir do piso inferior, procurasse olhar por baixo da saia da mulher. Esse deve ser um preceito recente, de quando as saias se encurtaram, mas a própria regra de deixar a mulher passar primeiro tampouco é antiga.

Seja como for, há uma distância notável entre, no meio de um saque, jogar a mulher em cima do ombro e levá-la embora, para estuprá-la mais tarde, com calma (quem sabe, entre amigos) e, no extremo oposto, abrir a porta para a mulher passar primeiro. Como ilustra a dificuldade do jovem que mencionei, a polidez excessiva é diretamente proporcional à violência do desejo que ela mascara e contém.

Em suma, as regras de boas maneiras podem parecer risíveis e são quase sempre hipócritas, mas, justamente por isso, elas são úteis e necessárias -porque não poderíamos conviver sem repressão e hipocrisia.

Norbert Elias escreveu "O Processo Civilizador" (Zahar) em 1939. Pobre, exilado em Londres no momento da maior barbárie do século 20, Elias procurou e encontrou a origem da subjetividade e da liberdade modernas logo nos tratados de boas maneiras.

Isso porque as regras de etiqueta nos ensinam a domesticar os impulsos mais perigosos e, mais ainda, porque a preocupação com o olhar do vizinho de mesa nos obriga a sermos minimamente graciosos.

Chato? Talvez. Mas a novidade moderna é que a elegância é uma qualidade social permitida a todos -basta querer. Se o requisito é a elegância (e não a nobreza, que não depende da gente), qualquer um pode ter o que precisa para ser convidado a qualquer jantar.

Engraçado: criticamos as aparências e a etiqueta como se fossem leviandades, sem pensar que seu triunfo nos libertou das barreiras intransponíveis de uma divisão social decidida pelo berço no qual cada um tinha nascido.

Parêntese: estou lendo "Consider the Fork: A History of How We Cook and Eat" (pense no garfo: uma história de como cozinhamos e comemos, Basic Books), de Bee Wilson, que conta muito bem como fomos transformados pela evolução dos costumes de cozinha e de mesa.

Enfim, estava no meio dessas reflexões quando, sábado passado, fui assistir a "As Regras da Arte de Bem Viver na Sociedade Moderna", de Jean-Luc Lagarce, no Sesc Ipiranga, em São Paulo (imperdível, e atenção: só nos próximos três sábados, às 19h30). A atuação de Lorena da Silva é perfeita. E o texto, francamente engraçado, é uma pérola de inteligência.

Lagarce nos lembra os usos e costumes dos rituais da vida, do nascimento até a morte, passando por batismo, casamento, bodas de prata etc. Ele escreveu "As Regras" em 1993, dois anos antes de morrer de complicações relacionadas à Aids; pelo destino que o espreitava, ele poderia ter sido sarcástico com a suposta "frivolidade" de nossos rituais. Mas ele tomou outro caminho: ele fez, sim, que as regras básicas de nossa etiqueta nos parecessem estranhas e eventualmente hipócritas, mas sem que a gente perdesse de vista que elas são a própria trama de um mundo que amamos -e do qual ele já devia sentir saudade.

Seca e fim da civilização maia - FERNANDO REINACH

O ESTADÃO - 07/02

Se você tem dificuldade de imaginar como uma flutuação climática pode destruir uma civilização, imagine o que aconteceria em São Paulo se uma seca violenta fizesse com que os reservatórios de água que abastecem a cidade ficassem incapazes de enviar sequer uma gota para a cidade durante um ano. A população teria de ser realocada e provavelmente viveríamos uma crise política e econômica.

Há anos historiadores suspeitam que uma seca extremamente violenta foi uma das causas da extinção da civilização maia. Agora, os cientistas conseguiram mapear as variações climáticas que ocorreram durante quase 2.050 anos - começando 40 antes do nascimento de Cristo e terminando em 2006 - e puderam correlacionar essas mudanças climáticas ao surgimento, apogeu e o desaparecimento da civilização maia.

A caverna de Yok Balum fica em Belize a 1,5 quilômetro de Uxbenká, uma cidade maia. Nas suas imediações, submetidos aos mesmo regime de chuvas, estão outros grandes centros da cultura maia. Essa caverna, localizada 366 metros acima do nível do mar, é rica em estalagmites.

As estalagmites surgem no solo das cavernas quando gotas de água caem do teto regularmente, exatamente no mesmo no mesmo local, durante milhares de anos. Cada gota contém minerais dissolvidos na água. Quando a água da gota evapora, os minerais se depositam no topo da estalagmite.

Imagine que a cada hora uma gota de água caia no topo da estalagmite e evapore, adicionando uma nova camada de minerais. Imagine agora que esse processo ocorra ininterruptamente durante milhares de anos. O resultado é a formação de uma estrutura na forma de dedo (algumas têm metros de altura) onde cada camada contém os minerais presentes na gota d'água que caiu naquela hora, daquele dia, daquele ano. Por esse motivo, as estalagmites são um registro temporal extremamente confiável do clima de uma região.

Em 2006, cientistas coletaram uma estalagmite de 56 centímetros de comprimento na caverna de Yok Balum. Os 45 centímetros do topo da estalagmite foram fatiados como se fosse um salame. Cada fatia tinha 0,1 milímetro de espessura. Usando um método que mede a quantidade de urânio e tório, os cientistas puderam determinar a idade de cada uma dessas fatias. As mais de cima se formaram em 2006, antes da estalagmite ser coletada, mas as mais de baixo haviam sido formadas 40 anos antes de Cristo nascer.

Durante 2.050 anos, gota a gota, a composição da água que pinga nessa caverna estava registrada nesses 45 centímetros de estalagmite. De posse da idade de cada fatia, outra amostra de cada fatia foi utilizada para determinar a presença do isótopo 18 do oxigênio. Uma maior quantidade desse isótopo está relacionada a uma maior quantidade de chuva na época em que a fatia foi formada; uma quantidade menor do isótopo indica menos chuva.

Correlacionando os dados de idade e de quantidade de chuva em mais de 4,2 mil fatias, foi possível fazer um gráfico que indica quanto choveu, a cada semestre, naquela região desde 40 anos antes do nascimento de Cristo até o presente. As duas maiores secas que ocorreram na região após a chegada dos europeus (em 1535 e em cinco anos entre 1765 e 1800) aparecem claramente no gráfico.

O passo seguinte foi colocar no mesmo gráfico os diversos eventos da civilização maia. Lembre que os maias possuíam um sistema de calendário extremamente sofisticado, onde registravam os eventos políticos e a construção de pirâmides e outras obras.

O período áureo da civilização maia surgiu por volta dos anos 300, mas os centros urbanos e a construção dos monumentos se iniciou por volta do ano 400, após uma grande seca que ocorreu entre 400 e 425. Após essa seca, o número de cidades cresceu muito, atingindo o máximo por volta do ano 780.

Durante esses 360 anos, não houve secas na região. A primeira seca importante, que durou 15 anos, ocorreu em 820 e coincide com a não construção de novas cidades. Após essa seca, as chuvas voltaram em intensidade menor até o ano 910 e novas cidades apareceram nesse século. Uma seca forte que durou dez anos, iniciada em 910, marcou o fim das grandes construções.

A civilização maia ainda viveu na região até o ano 1000, quando veio o pior período de seca, que durou quase cem anos. Durante essa seca prolongada, o período clássico da civilização maia acabou e logo depois a cultura maia desapareceu.

Essa descoberta corrobora a suspeita levantada por historiadores que a falta de água foi um dos fatores que explicam o fim da civilização maia. Além de demonstrar que secas fortes e raras podem dizimar civilizações, esse trabalho é um bom exemplo de como estudos climáticos estão aos poucos sendo incorporados à história das civilizações.

No banho, enquanto ensaboa o cabelo com a torneira aberta, lembre que os maias, que reinaram por mais de 800 anos na região do México, tiveram as chuvas a seu favor durante 400 anos, mas bastou uma seca rara e forte para eles desaparecerem. A civilização ocidental descobriu a América e se instalou por aqui faz aproximadamente 500 anos - e, por enquanto, teve o clima a seu favor.

Para a Petrobras, as boas notícias só virão em 2014 - ADRIANO PIRES

BRASIL ECONÔMICO - 07/02

Os anos de intervenção governamental na Petrobras mostraram seus efeitos na divulgação dos números referentes ao ano de 2012. A produção de petróleo caiu 2,3% e o lucro 36%, com a empresa chegando a registrar prejuízo no 2º trimestre.

Toda essa deterioração se deu num ambiente que seria o paraíso para qualquer empresa do setor: preço do petróleo alto, demanda crescente e quase monopólio do mercado.

Na última segunda-feira (4/2), a Petrobras reportou lucro líquido de R$ 21,2 bilhões em 2012, bem abaixo dos R$ 33,3 bilhões reportados em 2011. Esta foi a 4ª vez que o lucro da empresa apresentou queda no governo PT (2004, 2007 e 2009) e o pior resultado desde 2004.

Aliás, o ano de 2012 guarda semelhança com 2004, quando a produção de petróleo também apresentou queda (3,1%).

Salta aos olhos a piora no resultado operacional da empresa. O Ebitda da Petrobras em 2012 foi de R$ 53,4 bilhões, 14% abaixo do valor de 2011. O principal motivo para a piora do resultado foi a interferência do governo nos preços dos combustíveis, que se mantiveram fortemente defasados em relação ao mercado internacional.

Em 2012, a defasagem média da gasolina foi de 19,9% e do diesel de 24,6%. Num ambiente de forte crescimento da demanda, as importações de gasolina cresceram 73%, contribuindo para o prejuízo de R$ 34,2 bilhões da Área de Abastecimento.

Aumentos de custos, baixa de poços secos e baixa performance operacional, foram outros fatores para o frustrante resultado.

O resultado de 2012 só não foi pior por conta de R$ 2,6 bilhões em receitas financeiras, oriundas de operações com títulos públicos e reconhecimento de juros depósitos judiciais.

Com a piora da geração de caixa e o efeito da desvalorização cambial sobre a dívida, a relação dívida líquida/Ebitda elevou-se para 2,77 (em 2011 a relação era de 1,66), fato que pode provocar um futuro rebaixamento da classificação de risco da empresa, o que dificultaria e encareceria o financiamento.

Esta questão torna-se ainda mais grave frente a necessidade de caixa para fazer face aos investimentos dos próximos anos.

Aparentemente, a empresa pretende elevar seu caixa e financiar seus investimentos à custa da diminuição do pagamento de dividendos aos acionistas. Pela primeira vez, o dividendo dos papéis ON (R$0,47) será muito menor do que o dos PN (R$0,96).

Para 2013, as perspectivas não são boas. Após o reajuste insuficiente concedido no final de janeiro, não há expectativa de novo reajuste em um cenário de inflação em elevação e proximidade do período eleitoral presidencial.

A manutenção da política de preços domésticos controlados e defasados se dará num contexto de aumento da demanda doméstica e elevação do preço do petróleo no mercado internacional.

A presidente da empresa procurou não dar falsas esperanças ao mercado ao declarar que 2013 será um ano difícil, com baixas de poços secos equivalentes as de 2012 e queda na produção, por conta da necessidade de manutenção das plataformas, o que reforça a ideia de que há um longo trabalho para consertar as falhas de gestão dos últimos 10 anos. Boas notícias, quem sabe, só em 2014.

Novos critérios de concessão das estradas - RICARDO GALUPPO

BRASIL ECONÔMICO - 07/02

O ministro da Fazenda Guido Mantega anunciou na terça-feira passada uma mudança importante no critério de concessões rodoviárias no Brasil - e as novas condições já valerão para os nove trechos anunciados no final de 2012.

A partir de agora, quem vencer a disputa terá condições mais vantajosas para exploração do serviço. O período de concessão saltará de 25 para 30 anos. As condições de financiamento serão mais vantajosas, com juros mais baixos, e a carência será estendida.

Passará de três para cinco anos. O governo espera que os investidores sintam-se mais atraídos pela possibilidade de retorno que o novo modelo oferece.

Só faltou reconhecer o óbvio: as condições anteriores eram desvantajosas e nenhuma empresa séria se mostrava interessada em disputar o negócio - que envolve alguns trechos fundamentais da malha rodoviária brasileira.

Entre eles, uma boa extensão da BR-040, que faz a ligação do Rio de Janeiro com Brasília, e o trecho mineiro da BR-116, que vai do Rio de Janeiro ao Nordeste, pelo interior.

Uma rodovia explorada pela iniciativa privada é obrigada, por força de contrato, a oferecer pistas de boa qualidade e prestar uma série de serviços inimagináveis para quem viaja por uma rodovia federal administrada pelo governo.

O problema acontece quando uma concessionária assume a rodovia e a única mudança que o motorista percebe é a instalação das cabines de pedágio em alguns trechos. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a BR-381, a Fernão Dias, que faz a ligação entre São Paulo e Belo Horizonte.

Para percorrer todo o trecho privatizado dessa estrada (que é de 562 quilômetros), o motorista gasta menos da metade do valor que paga para vencer os 60 quilômetros que separam São Paulo da cidade portuária de Santos pela Rodovia dos Imigrantes. Pela Fernão Dias, a viagem custa cerca de R$ 10 de ponta a ponta. Pela Imigrantes, mais de R$ 20.

Pelo que uma e outra estrada oferecem, no entanto, a sensação é a de que o pedágio da Fernão Dias é muito mais caro. Privatizada em 2008, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a rodovia - que é administrada pelo grupo espanhol OHL - é hoje praticamente igual ao que era no tempo em que estava nas mãos do governo.

Nas privatizações feitas a partir de Lula, vence a concessão quem se compromete a cobrar o menor pedágio - e a OHL, por menos que ofereça em termos de serviço e qualidade, está rigorosamente dentro da lei e não pode ser cobrada por isso.

Nas concessões feitas pelo governo de São Paulo e pelo governo federal no tempo de Fernando Henrique Cardoso, vencia quem oferecesse o melhor retorno ao governo. A virtude, como sempre, não está num modelo nem no outro.

Ela se encontra em algum lugar entre os dois pontos - e tomara que as mudanças anunciadas por Mantega consigam por as coisas em seu melhor lugar.

A força da TV - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 07/02

Em apenas três dias, o número de denúncias de tráfico de mulheres ao “Ligue 180”, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, do governo federal, foi igual ao de 2012 inteiro. Foram 57 de domingo até ontem.

É que...
A enxurrada de telefonemas veio depois que o “Fantástico”, da TV Globo, revelou a libertação de umas mulheres exploradas por uma quadrilha na Espanha. A denúncia foi feita por uma mãe que reconheceu na novela “Salve Jorge”, de Glória Perez, o drama da filha confinada em Salamanca.

Um milhão de amigos
A página de Chico Buarque no Facebook já tem cerca de 930 mil fãs. A cada dia recebe mais três mil. Em menos de um mês, deverá ultrapassar a barreira do milhão.

Sobrou para Esteves
A juíza Flávia de Almeida Viveiros de Castro, do Rio, acusou o Banco BTG Pactual, de André Esteves, de se esquivar de cumprir ordem judicial que determinava o pagamento de R$ 3 milhões ao advogado João Maurício de Araújo Pinho. A juíza penhorou os ativos financeiros dos administradores.

Jurada de morte
A chefe da Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, vai incluir no programa de proteção a testemunhas a advogada Ana Cláudia Abreu Lourenço. Ana deixou a defesa dos PMs e passou a ser testemunha de acusação de policiais condenados pela morte da juíza Patrícia Acioli.

Fafá na Sapucaí
Fafá de Belém fará parte da Comissão de Frente da Imperatriz que celebrará o Pará, terra da cantora.

AS DUAS FACES DO AMOR
A turma da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos do Rio descobriu que a estátua do cupido, deus romano do amor, na Fonte Adriano Ramos Pinto, na entrada do Túnel Novo, em Botafogo, tem duas caras. É que nos anos 1980, a prefeitura reformou a estátua, mas, sem imagens de como ela era, fez um novo rosto (acima, à direita).
Recentemente, o cupido, coitado, foi atacado por vândalos. Só que, agora, na hora de recuperar a peça mais uma vez, ufa!, os técnicos encontraram uma antiga foto (ao lado) da fonte original no livro “Fonte Adriano Ramos Pinto — O vinho do Porto e a arte da Belle-époque no Rio de Janeiro”, de Ana Filipa Correia. E com base nessa imagem, onde o cupido tem cabelos longos, olhar feliz e um sorriso sapeca, repare, a estátua será refeita. Deve ser instalada até o fim de março. No mais: viva o amor!

Calma, gente
Um debate toma conta das redes sociais ligadas aos grupos LGBT. Na sexta-feira, dia 1º, seguranças do baile de formatura dos alunos de Relações Internacionais da PUC de Minas Gerais barraram um convidado porque ele estava usando... saia.

Segue...
Não adiantaram os argumentos de que o rapaz estava muito mais elegante que outros homens vestidos de jeans e que até estilistas, como Marc Jacobs, da Louis Vuitton, usam saia. Para o cerimonial da festa mineira, homem só de calça. Ah, bom!

Leiloeiro condenado
O leiloeiro Alexandre Pereira da Costa, acusado de se apropriar de R$ 610 mil arrecadados num leilão judicial de um imóvel, teve a condenação aumentada para dois anos e três meses, em regime aberto. A decisão é da 2ª Câmara Criminal do Rio.

Notícias do Império
Adriano, ex-Fla, está negociando com o Atlético Mineiro de Ronaldinho. 

Polêmica na Lapa
As ruas da Lapa, o bairro boêmio do Rio, devem parar de ser fechadas ao tráfego de veículos nas noites de sextas e sábados. O prefeito Eduardo Paes pensa em adotar a medida depois do carnaval.

Aliás...
Perfeito Fortuna, da Fundição Progresso e espécie de embaixador do bairro, apoia a ideia. Segundo ele, a interdição aos carros diminui a quantidade de clientes nas casas de shows e nos bares. É que a turma prefere ficar nas ruas, consumindo bebidas dos ambulantes.

Questão de segurança
O condomínio do Edifício Avenida Central, na Av. Rio Branco, no Rio, conseguiu antecipação de tutela para que a Queiroz Galvão retire em 24 horas as trancas nas portas corta fogo que dão acesso às escadas do 30º andar, todo ocupado pela construtora. A decisão é da juíza Luciana Halbritter, da 6ª Vara Cível do Rio.

Um luxo
O projeto do Maracanã foi premiado pela sofisticada revista inglesa “The Architectural Review”.

De volta ao Rio
O superexecutivo carioca Carlos Brito, presidente da AB InBev, maior cervejaria do mundo, estará este ano na Sapucaí. Vem receber pessoalmente no Camarote da Brahma a atriz americana Megan Fox.

Cortando o clima
O Hotel Stallion, no Rio, terá que indenizar em R$ 5.450 um casal que foi passar lá o Dia dos Namorados. O hotel queria receber antes da saliência. O casal se recusou e foi convidado a se retirar. A decisão é da 19ª Câmara Cível do Rio.

Quem dá mais? - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 07/02

O Planalto age para deter a aproximação do PMDB com tucanos em praças nas quais ministros de Dilma Rousseff devem disputar a eleição em 2014. No Paraná, de Gleisi Hoffmann (Casa Civil), o governo ofereceu cargo em Itaipu a Orlando Pessuti, que negocia ingresso na gestão de Beto Richa. Peemedebistas de Minas, em namoro com Antonio Anastasia, devem ser acomodados na Caixa Econômica Federal, mantendo a sigla na órbita de Fernando Pimentel (Desenvolvimento).

Semeando 1 Aliados de Blairo Maggi (MT) dizem que o senador foi sondado para assumir um ministério, num gesto para reintegrar o PR ao primeiro escalão. Ele esteve com Dilma duas vezes nesta semana: segunda-feira, no Paraná, e ontem, no Planalto.

Semeando 2 Pelas conversas em curso, Maggi poderia ir tanto para a pasta da Agricultura quanto para o Desenvolvimento. Depois de ameaçar deixar o PR, o senador deve ficar no partido.

Aqui, não Para desalojar Mendes Ribeiro da Agricultura, Dilma teria de compensar o todo-poderoso PMDB. O titular da pasta, que se recupera após tratamento de um câncer, reagiu mal às articulações para sua substituição.

Bênção Depois de falar com a presidente, Maggi embarcou ontem à tarde para São Paulo, onde se reuniu com o ex-presidente Lula por mais de duas horas.

Superpoderes Para o PMDB, Aloizio Mercadante (Educação) é quem mais se empenha para preservar Marco Antônio Raupp na Ciência e Tecnologia. Ex-titular da pasta e fiador da indicação do sucessor, o petista desejaria manter influência nos programas do ministério.

Veto Integrantes da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) desencorajam Dilma a entregar a pasta a Gabriel Chalita. Fizeram chegar à presidente que a indicação seria mal recebida na comunidade científica.

Embarque O diplomata Acir Pimenta Madeira Filho será nomeado hoje diretor de Relações Internacionais do Ministério do Turismo. Sua missão será atrair turistas dos países que mais gastam em viagens internacionais: Canadá, Rússia e China.

Veja bem José Eduardo Cardozo (Justiça) e Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) percorreram gabinetes dos ministros do STF nos últimos dias para prever risco de instabilidade jurídica e econômica caso o Congresso analise vetos presidenciais dos últimos 16 anos.

Show do bilhão A AGU prepara estudo do impacto econômico da revisão de medidas como Plano Real, Lei de Responsabilidade Fiscal e Refis 1. Cardozo tenta sensibilizar o relator Luiz Fux.

Te ligo Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) se comprometeu com Joaquim Barbosa a fazer uma reunião nas próximas semanas para tratar da pauta do Judiciário na Câmara. Entre os temas está o estatuto da magistratura.

Do baú Em clima cordial após a polêmica dos mandatos dos mensaleiros, lembraram de quando se conheceram, quando Barbosa trabalhou na gráfica do Senado e Alves se tornou deputado.

Bons amigos Renan Calheiros (PMDB-AL) recebeu José Dirceu ontem para café da manhã em Brasília. Condenado no mensalão, o ex-ministro defendeu a eleição de Renan em seu blog.

Concentração Dois dias após iniciar os trabalhos em 2013, a Câmara paulistana suspendeu as atividades hoje. A justificativa para prolongar o feriado de Carnaval foi homenagem póstuma ao ex-vereador Luiz Carlos Santos.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio
A democracia permite que até mensaleiro condenado critique o STF. Mas embaixador da Venezuela atacar a corte é vergonhoso.

DO SENADOR PEDRO TAQUES (PDT-MT), sobre a participação do diplomata Maximillien Sánchez em ato de apoio a José Dirceu, anteontem em Brasília.

contraponto



Estética do poder
Durante sessão que abria os trabalhos da Câmara paulistana, anteontem, Fernando Haddad compareceu para levar mensagem aos vereadores. Ao ser anunciado pelo presidente, José Américo (PT), o prefeito foi saudado com gritos femininos na galeria:

-Lindo! Lindo!

Ao final do seu discurso, um grupo de manifestantes, composto basicamente por mulheres, bradou na plateia:

-Prefeito, negocia com a gente! Somos de confiança!

Haddad acenou, ao que um dos presentes completou:

-Aqui funciona assim. Beleza não põe mesa.

PSB pavimenta 2014 - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 07/022

O presidente do PSB, Eduardo Campos, orientou ontem os líderes no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF), e na Câmara, Beto Albuquerque (RS), a não entrarem no jogo de interesses do PT e do PMDB. Acha que 2013 é ano de o PSB marcar posição. De temperamento calmo, comentou que o ex-presidente Lula está muito afobado para encontrar solução eleitoral para 2014.

Saúde faz pressão sobre prefeitos
Para acelerar a execução das obras de Unidades de Pronto Atendimento e de Unidades Básicas de Saúde, o Ministério da Saúde apertou o cerco sobre as prefeituras. A partir de agora, os municípios que descumprirem prazos para elaboração de projetos e atrasarem as prestações de contas e do andamento das obras deixarão de receber recursos para realizá-las. Pelo menos uma vez a cada 60 dias, os gestores deverão atualizar as informações no Sistema de Monitoramento de Obras do Ministério da Saúde, o que passa a ser pré-requisito para acessar o dinheiro dos cofres federais.

“O PMDB pode ficar tranquilo porque não queremos a vaga de vice-presidente. A que queremos é a outra” 
Beto Albuquerque
Líder do PSB na Câmara

Com Marina
Os deputados Alfredo Sirkis (PV-RJ), Domingos Dutra (PT-MA), Ricardo Trípoli (PSDB-SP), Walter Feldman (PSDB-SP) e José Reguffe (PDT-DF) decidiram ajudar na criação do partido de ministra Marina Silva, recolhendo assinaturas.

Cirurgia pelo SUS
O assessor da Presidência Marco Aurélio Garcia resistiu à tentação de operar o coração no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Sofreu pressão da família, do médico das celebridades políticas e da presidente Dilma. Mas se internou no Instituto do Coração, em Brasília, cuja sede é em Porto Alegre. E fez todos os procedimentos pelo SUS.

Espaçoso
O deputado Marco Maia (PT-RS) desalojou parte da Secretaria de Comunicação da Câmara. Como ex-presidente, tem direito a um gabinete maior e a escolher qualquer espaço da Casa. Fez um tour, gostou do que viu, e a reforma já começou.

Tensão pós carnaval
Os líderes governistas no Congresso chamam de "chicana" e de "armadilha" a proposta de votar os vetos em bloco, mas separando alguns, como o dos royalties e o fator previdenciário. Avaliam que essa escolha de temas pode trazer sérios prejuízos à economia, e avisaram ao Planalto que terão de partir para o enfrentamento com a oposição e com os partidos da base para votar o Orçamento.

A ordem era para sair
O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), disse que, a pedido do vice Michel Temer, tentou convencer Rose de Freitas (PMDB-ES) a desistir da candidatura a presidente da Câmara no domingo à noite, horas antes da eleição.

Queda de braço
O governo não abre mão de garantir a competitividade na MP dos Portos e vai manter, mesmo a contragosto de empresários, decisão de permitir a instalação de novos portos.

PEGOU MAL. Tucanos ficaram incomodados com declaração do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que elogiou a candidatura do PSB na Câmara.

ARMA E SÓ LOVE - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 07/02

Com 15 filmes na bagagem, João Miguel viverá o primeiro protagonista na TV, o policial federal Jorge Macedo da minissérie "A Teia" (Globo). "Só decidi que ia ser ator mesmo com 18 anos. Aí vi o que é ralação", afirma o ator à revista da Gol deste mês. Ele também fala sobre seu personagem Só Love, assassino da cantora de axé vivida por Isis Valverde na série global "O Canto da Sereia". "É um tipo que você encontra em vários lugares."

BILHETE PREMIADO
A família de Jânio Quadros (1917-1992) está pedindo a devolução de toda a documentação do arquivo do ex-presidente, hoje na Secretaria de Cultura de Minas Gerais. Pretende doar tudo à Faculdade de Direito da USP.

BILHETE 2
Depois da morte de Jânio, sua filha Tutu Quadros entregou a documentação ao mineiro José Aparecido de Oliveira. Ex-secretário particular e íntimo colaborador do ex-presidente, ele pretendia fazer um memorial. A ideia não vingou. Aparecido morreu em 2007, e os herdeiros dele doaram o arquivo ao governo mineiro.

BILHETE 3
A família de Jânio acha que a doação foi indevida pois apenas emprestara os documentos a Aparecido. Entre eles estão os célebres bilhetinhos que o ex-presidente escrevia para os ministros, correspondência com Juscelino Kubitschek e John Kennedy, uma carta de Che Guevara e móveis como a escrivaninha e a cadeira em que Jânio trabalhava.

SOLTO A VOZ
Lula recebeu alta nesta semana da fonoaudióloga. Até então, o ex-presidente fazia consultas semanais e exercícios especiais antes de falar em grandes eventos.

Está liberado agora para fazer longos discursos.

PRENDO A VOZ
Dirigentes do PT estão preocupados com a sucessão de eventos de "desagravo" aos réus petistas do mensalão. Temem que eles se "vulgarizem" e "saiam de controle".

EU BEBO SIM
Os integrantes da bateria da Vai-Vai vão sair vestidos de sommelier no Sambódromo de São Paulo. O enredo da escola, "Um Brinde de Amor em Plena Avenida", fala dos vinhos do Brasil.

DANÇOU
A Secretaria Municipal de Cultura detectou "imperfeições" na obra da Praça das Artes, complexo ainda inacabado no centro de SP que abriga as escolas de Música e de Dança e que já consumiu R$ 136 milhões. O secretário Juca Ferreira recebeu relatório que aponta problemas como goteiras e afloramento de esgoto "que chegou a uns 30 centímetros", segundo ele.

BONDE DAS BONITAS
A apresentadora Luciana Gimenez conferiu o lançamento da coleção de inverno da Bo.Bô, anteontem. As modelos Fernanda Motta e Luciana Curtis, grávida do segundo filho, e a miss Brasil, Gabriela Markus, foram ao shopping JK Iguatemi.

ESQUENTA
A cantora Roberta Sá foi a atração principal do Baile do Movimento, no HSBC Brasil. A empresária Tatiana Monteiro de Barros curtiu a festa pré-Carnaval.

Curto-circuito
O suíço Flurin Bisig abre a mostra "The Seismographical Back" na Kunsthalle SP, em Pinheiros.

Buchecha encerra hoje a temporada do seu baile na Outlaws. 18 anos.

Pélico apresenta hoje o show "Que Isso Fique Entre Nós", no Studio SP. 18.

Nordeste e Minas Gerais receberão R$ 20 milhões do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, dentro do Sistema Nacional de Emprego.

De malas... - SONIA RACY

O ESTADÃO - 07/02


Multinacionais que atuam no ramo de óleo e gás decidiram “expatriar” profissionais por causa do cancelamento de contratos com a Petrobrás.
Para não perder mais dinheiro, preferem manter funcionários em unidades fora do País durante o primeiro semestre.

...prontas

A movimentação começou a ser desenhada em 2012. Destinos? Oriente Médio e Sudeste Asiático são os mais frequentes. A área de Engenharia Química é uma das mais afetadas.

Vale quanto pesa

Com patrimônio líquido de R$ 26 bilhões, ativos de R$ 400 bilhões e a discrição de sempre, o Grupo Safra - rede internacional de bancos controlada pela família Joseph Safra- divulgou, ontem à noite, seu resultado de 2012.
Destaque, no Brasil, para os ativos consolidados (R$ 111,5 bilhões) e a classificação de sua carteira de ativos, de R$ 57,3 bilhões. Na escala de risco estabelecida pelo BC, 88,2% dos papéis fecharam o ano classificados nos níveis AA e A.
Lucro? De 19,6% sobre o patrimônio líquido. Isto é, cerca de R$ 1,3 bilhão no ano.

Cooperação

José Eduardo Cardozo está em La Paz para se reunir com Carlos Romero, ministro de Governo da Bolívia. Em pauta, acordos para reforçar o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas.
Principal ponto? Permissão para que veículos aéreos não tripulados da PF sobrevoem espaço aéreo boliviano.

How much?

Prova de que o brasileiro está gastando mais lá fora: segundo números fresquinhos da Visa, cartões pré-pagos para compras bateram na casa dos US$ 800 milhões em 2012. Contra US$ 640 milhões em 2011.

Resistência

A TV Brasil lança, em março, a série Resistir É Preciso. Em dez episódios, tratará do embate entre imprensa e ditadura militar.
Aguinaldo Silva, Franklin Martins, Juca Kfouri e José Hamilton Ribeiro participam.

Eclética

Megan Fox, estrela do camarote da Brahma, quer sopas e chás - de jasmim e verde - em sua passagem pelo Brasil. A surpresa é que a musa também pediu carne vermelha, cookies, bacon e… toucinho de peru. Seria para o marido, Brian?

Folia lucrativa

Uma das pioneiras dos camarotes de carnaval em Salvador, Daniela Mercury comemora 20 anos de seu sucesso O Canto da Cidade. A diva dos trios elétricos, que contabilizou retorno de R$ 30 milhões no ano passado, já tem agenda cheia para depois da folia: quer se encontrar com ACM Neto e Marta Suplicy. Um dos objetivos da cantora é atrair os olhares do poder público para transformar a indústria cultural em negócio.

O carnaval é uma festa muito rentável para Salvador. E, no ano passado, houve uma onda de violência pré-folia…

Temos de repensar o carnaval. É uma festa que movimenta em torno de R$ 1 bilhão, com 2 milhões de pessoas, e é feito quase totalmente pela iniciativa privada. A prefeitura e o governo entram só com a infraestrutura, os banheiros, o policiamento. A festa acontece por iniciativa dos artistas, dos blocos e dos empresários.

Você afirmou que vai conversar, depois do carnaval, com o novo prefeito e também com a ministra da Cultura.

Sim, porque a prefeitura de Salvador compete, na captação de recursos, com os artistas. E nós só nos viabilizamos através de patrocínio. Acho que é preciso se enxergar de maneira profissional. Não podemos tratar a cultura e o entretenimento como algo que precisa de caridade. Odeio isso. A gente gera muito dinheiro. Meu camarote, por exemplo, que foi o primeiro institucional (há 18 anos), ano passado trouxe de retorno R$ 30 milhões para a cidade. Isso é o que o governo gasta só com a infraestrutura do carnaval. Eu, sozinha, pago em mídia o que o governo investe. Imagine todos nós juntos.

Acha que o carnaval é subestimado economicamente?

O mercado criativo nacional precisa ser levado a sério. É hora de enxergar a importância da indústria criativa brasileira. E a gente trabalha com muito pouco respaldo. Há alguns anos, pedi ao BNDES que abrisse uma linha de financiamento para o mercado cultural e consegui isso. Pedi também ao Senado que aprovasse uma lei desonerando a exportação de cultura - que já está passando nas comissões. Precisamos ser tratados como as outras indústrias, porque divulgamos o País lá fora. /MARILIA NEUSTEIN
“Maior que no Rio”

O Sebrae estima que cerca de 40 mil vendedores ambulantes, entre licenciados e não-licenciados, atuem no carnaval de Salvador - um faturamento bruto superior a R$ 125 milhões nos dias de festa. Só este pequeno quesito dá a dimensão do que é, hoje, a folia baiana. Para falar um pouco sobre a festa, a coluna entrevistou o novo prefeito da cidade, ACM Neto.

O senhor assumiu a prefeitura agora. O que mudou?

Em 30 dias, não pude alterar muita coisa. Mas, em 2014, farei mudanças. Quero, por exemplo, que nosso carnaval seja autossustentável.

Como assim?

Vamos gastar R$ 35 milhões este ano. De patrocínio, serão R$ 20 milhões. Ou seja, teremos de colocar R$ 15 milhões dos cofres baianos.

Qual a ênfase do senhor?

Estamos agindo com rigor nos serviços públicos. Limpeza, por exemplo. Tínhamos 1,4 mil sanitários no ano passado e, agora, serão 2 mil. E, com a Ambev, montamos 16 espaços climatizados - tipo contêiner - com ar-condicionado e banheiros. Para o trânsito, estamos melhorando o sistema de sinalização e fluxos.

Haverá mais segurança?

Teremos uma central de acompanhamento, câmeras de monitoramento distribuídas por toda a cidade. Vamos assistir a tudo o que acontece e agir no que for preciso.

Mais alguma novidade?

Criamos o projeto-piloto de um “Afródromo” e vamos estreá-lo com desfile de Carlinhos Brown. Pretendo ampliar isso em 2014. E mais: o Itaú investiu na Praça Castro Alves e está montando um palco para atrações locais e internacionais. Haverá trios elétricos saindo de lá. E vamos disponibilizar wi-fi gratuito para 1 milhão de pessoas.

Gosta de carnaval?

Nossa, se gosto! Comecei minha vida profissional na área, trabalhando em carro de bloco de apoio.

Pretende fazer o carnaval de Salvador maior que o do Rio?

Acho que a pergunta deveria ser: quando é que o carnaval do Rio conseguirá ser maior que o de Salvador?(risos) Eduardo Paes terá de rebolar para nos passar.