sexta-feira, junho 15, 2012

Loucuras hídricas - ROBERTO MALVEZZI


FOLHA DE SP - 15/06


Irrigação em todo o semiárido é ilusão. Só 5% do solo é apto para irrigação. Só há água para 2%. Sempre haverá semiárido, é preciso conviver com isso
A severa diminuição no regime das chuvas que assola o semiárido brasileiro estava prevista pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Grandes secas no Nordeste são cíclicas: a última foi há 26 anos, em 1982, e daqui um período semelhante teremos outra diminuição drástica e progressiva no volume da pluviosidade.

Esses momentos são férteis para o cometimento de loucuras e demagogias hídricas. Por isso, são necessárias algumas reflexões.

O regime das chuvas, em média, começou a diminuir desde 2006, tendo seu pico em 2012, mas a seca pode adentrar 2013. A região mais atingida é o semiárido baiano. Na verdade, 40% do semiárido brasileiro está na Bahia. Cerca de 250 municípios decretaram situação de emergência. Mas a diminuição das chuvas já se estende ao chamado polígono das secas, atingindo os nove estados do Nordeste.

Encontros para debater o problema, incluindo os moradores da região, mostram que hoje é mais fácil enfrentar a situação que há 30 anos.

Agora, há pelo menos uma cisternas para depositar a água dos pipas, há o salário dos aposentados para fazer uma feira, há mais facilidade nos transportes, a energia elétrica ajuda e há o próprio Bolsa Família. Entretanto, essa infraestrutura ainda é insuficiente para que o período seja atravessado sem maiores sofrimentos.

Não se pode comparar o semiárido de hoje com o de dom Pedro 2º. No século passado, o Denocs (Departamento Nacional de Obras contra a Seca) construiu cerca de 70 mil açudes para armazenar a água da chuva, com uma capacidade de 36 bilhões de metros cúbicos. Grande parte desses açudes, assim como rio São Francisco, está com água. Onde reside o problema?

Hoje, a maioria dos técnicos insiste que a questão chave está na capilaridade da distribuição dessa água. Não foi realizada a distribuição horizontal, por adutoras.

Pior, alguns açudes, como o de Mirorós, na Bahia, tiveram suas águas intensamente utilizadas para irrigação, quando de forma planejada deveriam ter sido poupadas para o uso humano e para a dessedentação dos animais, já que a seca estava prevista. Nesse caso, o fato novo pode ser o colapso hídrico do meio urbano, não apenas das famílias dispersas no meio rural.

Por isso, o diagnóstico da Agência Nacional de Águas (ANA) é que 1.794 municípios nos nove estados do Nordeste precisam de novos ou complementares serviços de água para não entrarem em colapso hídrico até 2025.

Outra questão é vender a ilusão da irrigação para todo o semiárido.

O projeto Áridas, realizado ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, concluiu que apenas 5% dos solos do semiárido são aptos para a irrigação -e, mesmo assim, temos água para irrigar apenas 2% deles.

Portanto, 95% do semiárido sempre serão semiárido.

É inevitável desenvolver um olhar sistêmico sobre a região, algo que chamamos de convivência com o semiárido. São necessárias propostas de atividades econômicas adequadas a esse ambiente específico.

O semiárido tem solução. O pouco que foi feito contribuiu decididamente com a diminuição da mortalidade infantil na região, fato que surpreendeu inclusive os técnicos do IBGE. Temos apenas 400 mil cisternas -projetadas para períodos de seis meses sem chuva- e poucas adutoras, insuficientes para suportar períodos de longa estiagem.

Quem sabe a geração nordestina que vai viver a seca em 2042, agravada pelas mudanças climáticas, possa estar melhor infraestruturada do que a geração atual.

A maturidade de uma privatização - LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS

Folha de SP - 15/06

As concessões privadas de serviços públicos devem ser retomadas na segunda metade do governo Dilma 

Com o sucesso do leilão das concessões para a exploração da telefonia celular de quarta geração, o Brasil se junta a um grupo seleto de poucos países que colocam à disposição de seus cidadãos e empresas uma tecnologia que deve abrir novas fronteiras para os serviços de telecomunicações. O passo seguinte será certamente a chegada de uma nova onda de inovações que vão mudar de forma relevante o modo de vida dos brasileiros, pois a 4G é a via rápida para a internet de última geração.

Toda essa transformação vai ocorrer com os investimentos necessários sendo feitos pelas empresas privadas que operam no mercado brasileiro desde a quebra do monopólio da Telebrás, em 1998, e por uma série de novos operadores.

Do lado do governo, além de não ser necessário o desembolso de recursos, vai haver arrecadação de alguns bilhões de reais.

Se forem bem utilizados, poderão facilitar o acesso dos brasileiros de mais baixa renda à internet -hoje, um instrumento imprescindível de ascensão social.

Outro sinal claro da maturidade a que chegou o sistema brasileiro de telecomunicações vem do número expressivo de empresas privadas, nacionais e estrangeiras, que participaram do leilão 4G.

O mercado brasileiro de telefonia é hoje um dos mais competitivos do mundo, com a participação de empresas que disputam os consumidores tanto em nível nacional como em segmentos específicos de serviços. Como resultado dessa pulverização, o Ebtida das empresas está entre os mais reduzidos do mundo.

Outra característica única do nosso sistema de telecomunicações é o princípio da obrigação de universalização, por parte das concessionárias, em alguns serviços definidos pela Anatel. Criação do inesquecível Sergio Motta, essa combinação de liberdade privada e responsabilidade social dos concessionários de serviços públicos é uma das marcas mais importantes do arcabouço institucional do mercado de telecomunicações no Brasil e que o torna diferente do existente em outros países emergentes.

Mas devo, neste momento, uma explicação ao leitor da Folha, sobre a volta do tema privatização das telecomunicações a este espaço quinzenal. Minha motivação está relacionada com o debate que temos atualmente sobre o cansaço do modelo econômico do governo, baseado no estímulo ao consumo e à necessidade de se acelerar o investimento.

Como bem disse a presidente Dilma Rousseff respondendo a membros de seu governo que pediam a redução no chamado superavit primário, não existe falta de dinheiro para investir, mas, sim, capacidade operacional dos órgãos públicos que operam nos setores mais importantes da infraestrutura.

Por isso, me pareceu importante trazer ao debate o exemplo das telecomunicações. Será que se ainda existisse a Telebrás monopolista e estatal, teríamos a situação atual das telecomunicações? Será que essa empresa, controlada pelos partidos políticos em cada Estado, teria realizado os investimentos que geraram o sistema que temos hoje? Certamente não...

O mesmo raciocínio pode ser utilizado quando comparamos as estradas privatizadas no Estado de São Paulo com as estradas federais que ainda são operadas pelo Dnit e suas subsidiárias. Mesmo as estradas privatizadas no governo Lula e que seguiram um modelo com tintas petistas estão fazendo água.

Ainda na mesma direção, temos recente matéria no jornal "O Estado de S. Paulo", em que é feita uma comparação entre as obras realizadas em duas ferrovias em construção no norte do país, pelo governo federal, e a privada ALL em Mato Grosso.

Espero sinceramente que a presidente Dilma, que já deu sinais fortes de que está disposta a quebrar certos paradigmas do governo Lula e do PT, entenda a importância de retomar com vigor as concessões privadas de serviços públicos na segunda metade de seu governo.

Mas, para que esse movimento atinja com eficiência seus objetivos, será preciso retomar esse caminho respeitando os marcos microeconômicos e contratuais que balizaram as experiências bem-sucedidas como a da Telebrás.

CPIlusão - VALDO CRUZ

FOLHA DE SP - 15/06


BRASÍLIA - Palco montado para desfile de prestidigitadores e seus afins, no qual exercitam a arte da encenação em busca dos holofotes da mídia, tendo como objetivo quase único desgastar adversários políticos de ontem e de hoje.

Talvez seja esse o melhor resumo sobre o atual cenário da CPI do Cachoeira, destinada, salvo grata surpresa, a gerar nada de relevante em termos de novidades sobre o que seria o esquema ilegal do empresário de jogos Carlinhos Cachoeira.

Os depoimentos dos governadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF) apenas reforçaram tal sensação. Nada acrescentaram aos trabalhos da comissão, cujos membros mostraram-se despreparados para inquiri-los de fato.

O que se viu foi muito mais um festival de estocadas entre petistas e tucanos, numa disputa de aplausos para seus aliados. Isso tudo tem pouca serventia para esclarecer as suspeitas relações de Cachoeira com parlamentares, governos e empreiteiras.

O grande resultado auferido nos depoimentos foi obter a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos dois governadores -o que gera muito barulho e repercussão, mas rende quase nada. Afinal, foi-se o tempo em que se depositava cheque-fantasma, fruto de ilegalidade, em contas pessoais.

Mais do que nunca, estamos diante de uma CPI que é um palco de guerra entre facções políticas, que mira em adversários e "esquece" de investigar os corruptores por conta do receio de que todo mundo tem um pouco ou muito a perder.

Posso estar enganado, mas os ilusionistas querem entreter o prezado público até o recesso do Legislativo em julho. Depois, vem a eleição municipal e Brasília fica esvaziada. Aí, esqueçam -a não ser que jornalistas descubram algo que a CPI prefere não vasculhar.

O fato é que o instrumento da Comissão Parlamentar de Inquérito, visto até pouco tempo como uma arma contra desvios, vai perdendo sua eficácia e credibilidade.

O craque e o espelho - NELSON MOTTA


O Globo - 15/06



Pisando na bola, errando passes, falhando nos desarmes, atropelando seus próprios companheiros de time e, em lance inusitado, tentando driblar até o juiz, para usar as metáforas futebolísticas que lhe são caras, Lula sem barba está parecendo um Sansão sem cabelos. E a Dalila a lhe cortar a força não é a doença, mas sua própria vaidade. Enfrentar o câncer e a morte, e sobreviver, talvez tenham lhe provocado o efeito colateral de aumentar a sua onipotência e fazê-lo vítima de sua já desmesurada vaidade. Ao lado de Sérgio Cabral e Eduardo Paes, Lula foi flagrado em mais um impedimento clamoroso no futebol político.

"É com muito orgulho que eu posso dizer ao povo do Rio de Janeiro: um dia tive a coragem de ir para a televisão e pedir votos para este moço."

A vaidade de Lula é tanta que ele se sente orgulhoso do que qualquer um se envergonharia, chamando de coragem pedir votos para um moleque que detestava, que era secretário-geral do PSDB e havia infernizado a sua vida e dos petistas na CPI dos Correios, e, pior, tinha denunciado seu filho Fábio Luis como beneficiário de uma associação suspeita com a Brasil Telecom, que o fazia ainda mais odiado por dona Marisa Letícia. Dobrar a ira da mãe e a decepção do filho em nome da política e da luta pelo poder não dá para orgulhar ninguém.

Cometendo faltas e culpando o adversário, pressionando o juiz e insuflando a arquibancada, Lula prende demais a bola e centraliza todas as jogadas, mas erra na distribuição e não consegue armar os contra-ataques. O craque dos palanques está em fase mais para Ronaldinho Gaúcho do que para Fenômeno.

Disse que pouco conhecia Eduardo Paes em 2008 e por isso tinha tinha dúvida em apoiá-lo, mas foi convencido por Sérgio Cabral:

"Não me arrependo de ter pedido voto para ele e farei isso em 2012 com muito mais convicção."

Assim como não sabia do mensalão, Lula não conhecia um dos oposicionistas que mais o denunciavam. Assim como José Dirceu está cada vez mais convencido de sua inocência, Lula agora está muito mais convicto de que pode enganar todo mundo o tempo todo. Assim não ha teflon que aguente.

CPI libera forças difíceis de controlar - EDITORIAL O GLOBO


O GLOBO - 15/06
A CPI do Cachoeira tem conhecidas deformações de origem, por ter sido criada - e não poderia ser de outra forma - com a aquiescência da base parlamentar do governo.
Mesmo que, segundo consta, o Planalto preferisse não correr o risco de ter esta comissão no Congresso, o grupo petista ligado a Lula vislumbrou, com grande senso de oportunidade, a chance de atingir adversários com o resultado de investigações da PF sobre as articulações do contraventor goiano no mundo da política. A tentação foi irresistível, por se tratar de ano eleitoral

O primeiro e mais visível alvo era o senador Demóstenes Torres, ainda do DEM goiano, conhecido arauto da moralidade no Congresso e denunciante de estripulias éticas de petistas. Hora do troco. (Espera-se que o senador, hoje sem partido, seja de fato cassado, como exemplo de punição a quem atua no Estado em nome de organizações criminosas.) Também seria hora de alvejar um tucano de farta plumagem, o governador Marconi Perillo, de Goiás.

Perillo desagradou a certos petistas quando, no estouro do escândalo do mensalão, em 2005 - caso que o então presidente da República garantiu desconhecer -, afirmou ter alertado o próprio Lula para a existência do esquema. Outro troco.

Entre os danos colaterais da CPI, na hipotética avaliação de um estrategista deste núcleo do PT, o maior seriam estilhaços de Carlinhos Cachoeira sobre o governador de Brasília, Agnelo Queiroz. Este, também como Perillo, apanhado pela PF na teia de articulações do contraventor. O desdobramento dos fatos é prova que, neste balanço de perdas e danos, deve-se ter concluído que valeria a pena correr o risco de se empurrar para o patíbulo o governador, um petista jejuno, ex-militante do PCdoB, filiado ao partido para concorrer, e vencer, as eleições brasilienses de 2010.

Mas a comissão de Cachoeira confirma a velho ditado de que "CPI, sabe-se como começa, não se sabe como termina". Não devia estar nos planos dos maquiavélicos insufladores da instalação das investigações no Congresso que a Delta, principal empreiteira do PAC, terminasse surpreendida em situações comprometedores assim que algumas luzes foram acesas nos porões do esquema de Carlinhos Cachoeira. A empreiteira de Fernando Cavendish promete ser um arquivo excitante de traficâncias com políticos e, talvez, autoridades. Explica-se a dificuldade de a CPI, controlada pela base governamental, avançar no tema.

Há uma força de gravidade própria nas CPIs. Perillo não quis oferecer a quebra de seus sigilos bancário, telefônico etc. Teve de admiti-lo depois que Agnelo Queiroz o fez. E, mesmo que não desejasse, ontem a CPI formalizou a abertura destas informações de ambos.

À margem da CPI, o Ministério Público Federal decidiu, com fundadas razões, pedir ao STJ para investigar os dois governadores. Afinal, o tucano não consegue explicar o imbróglio da venda de uma casa, numa operação em que aparece Cachoeira; e o petista enfrenta a mesma dificuldade para provar que a velocidade supersônica da ampliação de seu patrimônio se deve a méritos financeiros próprios.

Enquanto claques de tucanos e petistas se enfrentam no octógono da CPI, procuradores e promotores precisam mesmo agir. Provas, indícios, vestígios de falcatruas com dinheiro público não faltam em toda esta história. Aprendizes de feiticeiros parecem ter liberado forças de difícil controle.

Teste da liderança - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 15/06

O Brasil será testado nos próximos dias em sua capacidade de liderança nas negociações da Rio+20. A reunião do Comitê Preparatório vai terminar hoje e há pouca chance de sair deste último dia da etapa preliminar um acordo forte. O Brasil assumirá oficialmente o papel de presidente da Conferência e terá que remover os muitos vetos que se espalham por quase todo o documento.

E há espaço para isso. Entre o fim da reunião do Comitê Preparatório e a chegada dos chefes de Estado, o Brasil instalou quatro estratégicos dias. Neles, haverá um evento semioficial, os diálogos de sustentabilidade. Nas salas de reunião, contudo, as negociações continuarão, apesar de estarem oficialmente encerradas hoje no fim do dia. Na diplomacia, tudo começa antes de começar, e agora, nesta reunião preparatória, vai continuar depois de terminar.

O maior impasse está no que eles chamam de Meios de Implementação. A sigla é MOI (Means of Implementation ). A tradução verdadeira é: dinheiro. Ou seja, empacou tudo na hora de decidir como será o fundo e quem depositará recursos para financiar a busca em países mais pobres pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Há vários outros pontos de dúvida, mas esse é o mais difícil.

Normalmente, o país que sedia a conferência tem que assumir a liderança nos momentos de impasse, para tentar dissolvê-lo. Um dos problemas que ocorreu na COP 15, em 2009, foi que o governo da Dinamarca negociou um documento à parte, em conversas com apenas alguns países, e isso minou a confiança na presidência da conferência. O governo dinamarquês negou que tivesse um documento secreto para substituir o que estava sendo negociado. Mas o rascunho acabou vazando e sendo publicado pelo "The Guardian". Seguiu-se a isso uma guerra de documentos feitos por grupos de países. Ao preparar a sua versão do documento, a Dinamarca tinha ouvido preferencialmente dois países: os Estados Unidos e a China. Quem ficou de fora não gostou.

Por isso, quando a imprensa perguntou se o Brasil tinha preparado sua versão paralela do documento, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo imediatamente disse que não havia documento algum. Reiterou categórico: "O Brasil não apresentará novos textos." Tentava assim fugir da síndrome de Copenhague.

O caminho que está sendo costurado pelo Brasil é estudar alternativas para cada ponto de impasse. Terá que ser criativo e capaz de conciliar. Neste momento, para atender melhor o interesse de fazer da Rio+20 uma conferência de sucesso, o governo brasileiro terá que ir além da visão brasileira da questão. É o preço da liderança.

Para ajudar a resolver, o Brasil terá que sair do discurso que opõe países ricos e países pobres. O assunto é mais complexo do que isso. Em cada reunião climática e ambiental há um momento em que países como China, Índia, Brasil se escudam atrás do grupo dos G-77 e lembram o princípio das "responsabilidades comuns, porém diferenciadas".

Quando o princípio foi consagrado, o Brasil era um país pequeno, em crise econômica, a Índia também era pequena, e a China tinha uma fração do tamanho que tem hoje, em todos os sentidos. Quando os países ricos querem flexibilizar esse princípio, exigindo, por exemplo, que os países maiores entre os em desenvolvimento participem do rateio dos recursos, eles reagem lembrando as emissões históricas. De fato, quem emite gases de efeito estufa há mais tempo são os países de industrialização mais antiga. Mas hoje a China é a maior emissora absoluta de gases de efeito estufa; os Estados Unidos são o maior quando a conta é feita em relação à população.

É por isso que, ontem, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo evitou dividir o mundo assim. Lembrou que a China é líder mundial em desenvolvimento de tecnologia de energias renováveis e que, portanto, pode transferir tecnologia de energia limpa. Lembrou que há neste momento "uma forte retração dos doadores" - os países ricos - "por causa da crise econômica".

Com essas duas declarações, ele admitiu que o mundo é mais complexo do que a divisão que sempre aparece nos discursos em determinado momento. O de que os ricos poluem há mais tempo e que, portanto, têm que capitalizar os fundos de socorro e transferir tecnologia aos mais pobres.

O Brasil terá que exercer sua liderança em momento difícil, porque a crise econômica internacional torna os países tradicionalmente doadores de recursos refratários a qualquer conversa sobre eles depositarem recursos. Como dizer para a Europa que ela terá que depositar num fundo e que a China não o fará?

Há muito mais acordo do que parece. Já houve avanços na negociação para que os países assumam o compromisso de ter Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Está adiantada a negociação para que haja uma legislação, dentro da Convenção do Mar, para proteção da biodiversidade marinha em águas internacionais. Houve acordo sobre o fortalecimento do Pnuma, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Mesmo assim, há risco de fracasso. Como o princípio é o de que nada está decidido até que tudo esteja decidido, se a discussão sobre dinheiro não for superada haverá um retrocesso nos outros pontos. É esse risco que a liderança do Brasil não pode correr.

AS VOZES DO PASSADO - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 15/06

O grupo do Ministério Público Federal que investiga crimes de sequestro e desaparecimentos da época da ditadura volta seus radares para aqueles que integravam o aparato repressivo e que poderiam hoje colaborar. Os procuradores enviaram requerimento à Justiça Militar pedindo nomes de pessoas citadas em processos do período.

VOZES 2

Como consideram que os crimes não estão prescritos nem anistiados, por se estenderem até hoje sem solução, os procuradores poderiam oferecer a possibilidade de delação premiada aos envolvidos. A ideia é que eles esclareçam fatos da época.

VOZES 3

Há alguns dias, os procuradores tomaram o depoimento oficial do ex-sargento Marival Chaves, que integrou o DOI-Codi. Há pelo menos duas décadas o ex-militar dá declarações e entrevistas sobre o que sabe a respeito de torturas, execuções e desaparecimentos. Mas só agora foi ouvido por um órgão de Estado.

TETO FURADO
O governo federal vai socorrer o Hospital das Clínicas de SP para que ele possa realizar mais cirurgias e diminuir as filas de pacientes. Hoje, operações ortopédicas, vasculares e urológicas demoram até seis meses para serem realizadas. O Ministério da Saúde ampliará o teto de gastos do hospital, hoje de R$ 110 milhões mensais. Vai destinar outros R$ 80 milhões para serem investidos nos procedimentos.

TETO FURADO 2
O teto de gastos impede que as cirurgias sejam realizadas, ainda que o hospital tenha médicos e leitos disponíveis para elas. O aumento garantirá a remuneração dos profissionais e despesas com materiais e equipamentos.

O NOVO VINGADOR
O irlandês Colin Farrell, que protagonizou "Miami Vice" e "Alexandre", entre outros, desembarca no Rio no próximo dia 11. O ator divulgará a nova versão de "O Vingador do Futuro", longa estrelado por Arnold Schwarzenegger nos anos 90.

PRÍNCIPE DO JAZZ
O pianista e compositor americano Austin Peralta, 22, considerado um dos fenômenos do jazz atual, se apresentará no Cine Joia, em São Paulo, no dia 13 de julho.

FAZENDO BARULHO
Um projeto para restaurar os órgãos da igreja de Santa Cecília, no centro de SP, foi autorizado a captar R$ 666,7 mil via Lei Rouanet.

A paróquia Santa Teresinha, em Higienópolis, já tem iniciativa similar. "Ali tinha até rato nos instrumentos", diz a produtora Maria Eugenia Malagodi, que coordena as propostas. Outro problema eram os fotógrafos de casamento. "Subiam nos tubos, quebravam e remendavam com durex."

HOMENS RICOS
Gabriel Braga Nunes, protagonista da novela "Amor Eterno Amor", diz que o salário de um ator da Globo em sua posição é pequeno, "tratando-se de comunicação de massa" e comparado a outros países, em entrevista à revista "Status" que chega às bancas na segunda. "Dá para ter a expectativa de fazer em torno de US$ 1 milhão por ano, ou mais um tantinho. No nosso país o número assusta..."

DIA DA MÃE

O empresário Marcus Buaiz, acompanhado da mulher, Wanessa Camargo, presenteou sua mãe, Tânia Buaiz, com festa de aniversário anteontem, no Club Royal, na rua da Consolação. Lívia de Bueno, atriz do filme "Paraísos Artificiais", estava entre os convidados do evento.

TERRITÓRIO LIVRE

Uma briga entre adolescentes no Capivari, em Campos do Jordão, no feriado, resultou em pelo menos uma internação hospitalar. Pais chamados para socorrer os jovens, na faixa dos 15 anos, se assustaram com o cenário: os menores bebiam uísque, cerveja e pinga livremente. Meninas menores de idade também foram levadas ao hospital, embriagadas.

ALGAZARRA

O delegado da cidade, Fernando Xavier, diz que houve um registro envolvendo menores. Um grupo foi conduzido à delegacia na madrugada de sábado porque soltava bombinhas numa praça, fazendo "algazarra". Um deles carregava "pequena quantidade de maconha". Registrado B.O, foram liberados.

PÔSTER

A organização do Black2Black, que acontece no dia 29, em Londres, diz que há várias versões de cartazes do festival. Em alguns pôsteres, Marcelo D2 está em destaque com foto. O rapper manifestou a amigos contrariedade porque seu nome aparecia pequeno em outras peças.

DE GRIFE

O casal de atores Paulo Vilhena e Thaila Ayala conferiu o desfile da Forum anteontem, no terceiro dia da São Paulo Fashion Week. A apresentadora Isabella Fiorentino também estava na Bienal.

DOCE CANÇÃO

O casal Marcelo Callado e Nina Becker, grávida de cinco meses, realizou pocket show na loja Maria Brigadeiro, no Dia dos Namorados

CURTO-CIRCUITO

A banda Família Gangsters se apresenta hoje no Itaú Cultural, às 20h. Livre.

Ana Maria Maluf Sayeg promove hoje bazar em prol da Associação Cedro do Líbano de Proteção à Infância, no clube Zahle. A partir das 10h.

Roberta Campos lança o álbum "Diário de Um Dia", com shows hoje e amanhã. No Tom Jazz, às 22h. 14.

com ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, LÍGIA MESQUITA e OLÍVIA FLORÊNCIA

Húbris - JOÂO MELLÃO NETO


O ESTADÃO - 15/06


Na Grécia da antiguidade, era o sentimento de extrema autoconfiança que acometia os heróis após a realização de seus feitos. Não raramente, eles passavam a se sentir invencíveis, chegando até a desafiar as próprias divindades que lhes haviam concedido a glória. Os deuses gregos não admitiam tal afronta. Havia um senso da "exata medida de todas as coisas", e não era lícito ao homem desafiar essa ordem. A alguns os deuses davam mais, a outros, menos. E cada um deveria contentar-se com aquilo que lhe era concedido.

Júlio César, alguns séculos mais tarde, introduziu nesse conceito a questão do mérito. Para ele não havia limites à ousadia humana. Os deuses sempre abençoariam os seus pupilos, desde que estes se mostrassem merecedores de tal graça. Já na época de César, como contrabalanço ao excesso de soberba, os romanos instituíram um ritual cuja finalidade era trazer os seus generais de volta à realidade. Após seus triunfos, nos campos de batalha, eles deixavam suas tropas no Campo de Marte e seguiam, sob ovação geral, até as escadarias do Senado. Em sua companhia - na biga - seguia um sacerdote constantemente a repetir: "Memento mori" (lembra-te de que és mortal).

Avancemos dois milênios na História e encontraremos nas palavras de Napoleão Bonaparte uma visão mais fatalista desse desígnio: "Enquanto eu for útil aos deuses, não haverá força no mundo capaz de me vencer. Mas bastará que eu deixe de sê-lo que até mesmo uma mosca me derrubará".

Napoleão fora acometido pela húbris e terminou melancolicamente os seus dias, isolado na Ilha de Santa Helena. Júlio César não teria melhor sorte: foi brutalmente esfaqueado às portas do Senado romano. Seus assassinos receavam que ele viesse a tomar para si o poder absoluto e tornar-se rei. O temor era tão grande que até mesmo discípulos seus participaram da carnificina.

A húbris, por si só, já era um instrumento de loucura. Quem sofria os seus efeitos era tomado por uma sede insaciável de glória e reconhecimento. Como bem lembrou Bertrand Russell: Napoleão invejava Carlos Magno. Carlos Magno, por sua vez, invejava Júlio César. Este invejava Alexandre, que invejava Hércules, que nunca existiu. Alertavam os persas de que nem todo o ouro, nem toda a glória, nem todo o poder do mundo são suficientes para saciar a cobiça de um único homem. Há que se compreender e se conformar com isso.

Pois bem! Estamos aqui a nos deleitar com história e filosofia, e não nos apercebemos de que há, entre nós, um homem que, enlouquecido pela húbris, pretende implodir as nossas instituições. Ele já investiu contra as prerrogativas do Poder Judiciário, incentiva movimentos contra a liberdade de expressão, trata o Poder Legislativo com desdém e vem dando sinais de que pretende novamente se eleger presidente da República. Ele atende pelo nome de Lula.

Ninguém entende as razões de sua implicância com a ordem democrática, uma vez que foi a própria democracia que permitiu que ele alçasse voos tão altos. Ele foi de torneiro mecânico a presidente da República graças a ela. Mérito ele demonstrou, sem dúvida. Mas isso não faz dele alguém acima das instituições. Não foi fácil construir a nossa liberdade. Ninguém tem o direito de atentar contra ela.

Há quem veja em Lula alguns traços de caudilhismo. E não é difícil imaginá-lo trajando sombreiro e poncho a arengar as massas. Nos oito anos em que ocupou o poder, ele deu repetidas demonstrações de sua fixação em líderes carismáticos. Incensou os irmãos Castro, flertou com Evo Morales, genuflexou-se perante Hugo Chávez e persignou-se à frente de inúmeros ditadores africanos. Isso tudo sem contar a vergonhosa atitude de apoiar o ditador do Irã e o episódio de Honduras, em que o Brasil, por orientação de Chávez, custeou sozinho a sobrevida de Manuel Zelaya.

Com exceção deste último, todos os demais "caudillos" permanecem no poder, o que faz Lula se perguntar por que só ele se dispôs a entregar a faixa presidencial e voltar para São Bernardo.

Por trás de Lula existe o PT - o Partido dos Trabalhadores -, e talvez seja esse o seu "calcanhar de Aquiles".

O substrato ideológico do partido é de origem marxista, e aos seguidores dessa seita não basta alcançar o poder e exercê-lo com excelência. É preciso, também, eliminar os adversários, estabelecer uma verdade única e emudecer aqueles que dela discordam. O conflito entre essa visão de mundo e a democracia é, portanto, inevitável.

Para o bem ou para o mal, é com essa qualidade de mão de obra que Lula conta. E, de quando em quando, é preciso tratá-la com carinho.

Criar uma elite ideologicamente confiável e minimamente capacitada é o sonho de consumo de qualquer ditador. Mussolini pretendeu criá-la permitindo o acesso ao nível superior de ensino unicamente aos jovens identificados com a sua causa.

Aqui, nestas plagas, Getúlio Vargas e o movimento militar de tudo fizeram para que os postos de confiança na administração pública fossem ocupados exclusivamente pelos seus simpatizantes.

O problema de Lula é que a húbris já o está a contagiar. E aqueles acometidos por ela costumam deixar de lado prudência, passam a subestimar os seus adversários e perder a noção do perigo.

O recente episódio de abordagem imprópria e insinuação de chantagem de um ministro do Supremo Tribunal Federal é emblemático. Lula não bebe mais somente aquele líquido refugado pelos pássaros. Ele agora ingere também a húbris. E a dependência, aí, é muito pior.

Conselho: não se atreva a mexer com o jacaré, antes de ter atravessado o rio.

Brasil é o país das periguetes! - JOSÉ SIMÃO


FOLHA DE SP - 15/06

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Ainda tô surdo! Os corintianos gastaram todo o dinheiro da "mistura" em fogos? Rarará!
Novidades do São Paulo Faxion Bixa! A editora de moda Lilian Pacce disse que o Brasil é o país das periguetes! OBA! E onde fica a capital do país das periguetes? Na Globo! Rarará! E qual a moda das periguetes? Aquela famosa minissaia: abajur de perereca! Aquela minissaia que bate no umbigo! E aquela lycra superapertada. Que aparece até a cicatriz da apendicite. E a periquita fica em alto relevo. Tendência pro Verão 2013: periquita em alto relevo!
E como disse uma amiga minha: "Vou ver a minha neta na festa junina antes que ela vire periguete". Rarará! A Globo devia lançar a camiseta: I LOVE PERIGUETES!
E é isso que tá faltando no Piriquitério da Dilma: uma periguete! Suelen para o Ministério das Periguetes. E a filosofia da periguete: se derrubar, é pênalti! Tem uma marca de lingeries bem sexy chamada Se Derrubar É Pênalti! Pra arrasar na Copa!
E quem é o rei das periguetes? O Neymar! Que no jogo tava o próprio Pônei Maldito. O Neymar já teve três tipos de penteado: Mamute da "Era do Gelo", Pica-pau de Chapinha e agora: PÔNEI MALDITO!
E adorei Santos x Corinthians. Teve até apagão no estádio. Vela Belmiro. O Vila Belmiro virou Vela Belmiro. E eu sei por que a luz caiu: o Neymar esqueceu a chapinha ligada na tomada do vestiário! Rarará!
Aliás, o Neymar tava mais apagado que o estádio! E o Timão ganhou com gol fora de casa. Gol fora de casa é quando você come a vizinha! Rarará! E o Muricy virou ESMORECI. Esmoreci Ramalho! E se o juiz tivesse dado 230 minutos de acréscimo, o Santos teria feito um gol. Contra! Rarará!
E o melhor do jogo: Galvão Free! O Foca da Disney não apareceu. O cruzamento de vuvuzela com trio elétrico não apareceu para transmitir. Transmitir, não. GRITAR! E o peixe virou comida de gavião. É mole? É mole, mas sobe!
Adoro periguetes e detesto essa expressão "imagine na Copa". A Copa no Brasil vai ser incrível. O único perigo na Copa: os gringos fazerem arrastão em Copacabana. Espanhóis fazem arrastão no Itaquerão. Gregos assaltam corintianos. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

A saída é o investimento? - AMIR KHAIR


O ESTADÃO - 15/06

Após a divulgação do fraco crescimento no primeiro trimestre, várias análises apontaram para a insuficiência do investimento, especialmente do governo federal, como causa desse resultado.

Será que a saída para a recuperação econômica está no investimento? Vejamos.

1. Investimento-Cerca de 90% dele é feito pelas empresas e 10% pelo setor público (3% governo federal e 7% Estados e municípios), destinado principalmente para creches, escolas, postos de saúde, hospitais e vias públicas. Assim, pensar que o deslanche econômico seja feito só pelo investimento do governo federal é olhar a formiga de3 % e não ver o elefante de 90% das empresas.

Além disso, o setor público não tem primado pela pontualidade e pela eficácia na alocação de recursos para obras, dado o cipoal burocrático que é obrigado a cumprir para atender às exigências legais de uso do recurso público, nem sempre corretamente usado. Quando faz concessão, falha no controle e na fiscalização da operação.

Resta o investimento das empresas (estatais e privadas). Nas estatais o destaque é a Petrobrás, que vem cumprindo com atraso seu programa de investimento para abrigar o crescimento na produção, transporte e refinação do petróleo do pré- sal. Exigências de conteúdo nacional podem estar dificultando o cumprimento do cronograma das obras. Além disso, o congelamento dos preços dos combustíveis enfraquece o caixa da empresa, atrasando mais ainda o seu cronograma.

O investimento das empresas privadas só irá deslanchar após a redução dos estoques e a absorção da capacidade ociosa delas. E isso poderá demorar, ainda mais com o espectro do fantasma da recidiva da crise internacional, que está paralisando o investimento em todo o mundo.

De qualquer forma, o empresário cuidadoso só toma a decisão de investir quando prevê a elevação do consumo do seu bem ou serviço. Há, no entanto, um fator favorável com a queda prevista para a Selic, que pode encostar em 5%, como nos países emergentes. A perda do ganho em títulos do governo pode empurrar as empresas para a retomada dos investimentos. Isso fica mais fácil caso o consumo dê mostra de evolução crescente.

2. Demanda - Para crescer é necessário a expansão da demanda, composta 60% pelo consumo das famílias, 20% pela despesa do governo (federal, estadual e municipal) e 20% pelo investimento.

A demanda é atendida pela venda interna (88%) e pela importação (12%). A despesa do governo depende do nível do superávit primário (receita menos despesa exclusive financeira) e da arrecadação, e esta depende do crescimento econômico. Assim, parece mais eficaz expandir o consumo das famílias, que responde por 60% da demanda, e reduzir o superávit primário do que optar pelo investimento com os problemas citados.

3. Estímulo ao consumo - Feito nos últimos anos pelo salário mínimo acompanhando o crescimento, por programas sociais (educação, saúde, habitação, assistência e previdência social) e de renda e pela expansão do crédito a taxas de juros elevadas.

Essa expansão pode levar ao endividamento crescente das famílias, o que amplia a inadimplência e esgota o orçamento doméstico.

Ocorre que parte importante desse endividamento é com juros dos financiamentos. Assim, a política recente de estímulo ao consumo visa à redução do comprometimento doméstico com os juros pela redução das suas taxas. É a forma mais eficaz para ampliar o potencial de consumo sem aumentar a massa salarial, possibilitando reduzir o nível de endividamento das famílias, bem como a inadimplência causada pela agiotagem bancária.

O governo pode, no entanto, contribuir um pouco mais para ampliar a demanda caso decida reduzir o superávit primário, uma vez que poderá economizar com juros pela queda da Selic, o que não afetaria a sua metade déficit público decrescente.

Em síntese, a saída para o crescimento pode estar na ampliação do estímulo ao consumo e na redução do superávit primário. O investimento, com ou sem regulação e / ou concessão, é consequência natural da expansão do consumo. Vale acompanhar.

CLAUDIO HUMBERTO

“É uma afronta à Constituição!”
Senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) sobre convocar Dilma à CPI mista do Cachoeira

PT E PSDB FAZEM ACORDO E POUPAM SERRA E DILMA

O líder do PT, Jilmar Tatto (SP), costurou acordo com o líder do PSDB, Bruno Araújo (PE), para anular requerimento pedindo explicações à presidente Dilma sobre obras da Delta com o DNIT. Em troca, o PT vai retirar pedido de convocação de José Serra para esclarecer, na CPI do Cachoeira, o aumento de contratos com a Delta em sua gestão à frente da prefeitura e do governo de São Paulo.

ASSINO EMBAIXO

Autor do requerimento para convocar José Serra, Dr. Rosinha (PT-PR) foi procurado pelo PSDB, mas autorizou o líder a negociar sua retirada.

TESTEMUNHAS

O tucano Carlos Sampaio (SP), que apresentou pedido de explicações à Dilma, participou da negociação junto ao colega Vaz de Lima (SP).

REAÇÃO

O PT envolveu José Serra na CPI após a oposição ter pedido para convocar Waldomiro Diniz, o que respingaria em Palocci e Lula.

MAIS DO MESMO

Será a Queiroz Galvão a construtora do novo e moderno aeroporto internacional em Gana, na África, com US$ 174 milhões do BNDES.

TJ-DF ABSOLVE ACUSADOS NO CASO FINATEC

O Tribunal de Justiça do DF absolveu os acusados do caso Finatec, fundação científica ligada à UnB, como o empresário Luís Antonio Lima e sua mulher, Flávia do Carmo Camarero, e o ex-presidente do órgão, Antonio Manoel Henriques. Foram condenados a mais de dez anos de prisão, mas os advogados Antonio Carlos de Almeida Castro e Pedro Ivo Velloso Cordeiro assumiram o caso e a sentença acabou revertida.

VELHA CONHECIDA

Recursos da Finatec foram usados para pagar mordomias do ex-reitor da UnB Timoty Mulholland, cujo apartamento funcional era um luxo só.

VIXE!

O deputado Fernando Ferro (PT-PE) chamou no Twitter de “estupro” a candidatura do senador Humberto Costa (PE) à Prefeitura do Recife.

ALÔ, PROCON!

Surpresa! Latas lacradas de 300g de leite desnatado Taeq, marca “sustentável” do grupo Pão de Açúcar, vêm com menos de 200g.

ELE TEM A FORÇA

Líder do PMDB e futuro presidente da Câmara, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), pode não ser visto na CPI, mas participa de todas as decisões estratégicas na investigação da quadrilha de Cachoeira.

CADÊ O TSUNAMI?

Com a retirada do IOF nos empréstimos em dólar, comprova-se o que esta coluna havia anotado: o “tsunami” acabou não dando as caras por aqui. Em março, Dilma advertiu Angela Merkel para o “tsunami financeiro” em razão da suposta manipulação cambial na Zona do Euro.

FOMINHA

O ex-banqueiro Salvatore Cacciola entrou sozinho, ontem, em Porto Alegre, no famoso restaurante “Bah” do Barrashopping. Examinou o cardápio e logo foi embora reclamando dos preços elevados.

COMPETÊNCIA

Escolhida pela presidente Dilma Rousseff para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Ana Frazão foi eleita relatora da comissão de juristas que analisa o projeto do novo Código Comercial. É a única mulher e única representante do Distrito Federal na comissão.

CLIMA TENSO

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) soltou farpas ontem com o líder do PT, Jilmar Tatto, que defendeu o adiamento da convocação de Fernando Cavendish e Luiz Antonio Pagot na CPI: “É que eu não minto”, provocou o pedetista.

MÃO DE FERRO

Aprovado por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o ministro Francisco Falcão (STJ) é um magistrado muito admirado, mas de estilo diferente de Eliana Calmon, de quem é amigo e até vizinho. Usará mão de ferro como corregedor nacional de Justiça.

CONTENDO O CAOS

O governador de Alagoas, Teotonio Vilella Filho (PSDB), esteve com o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) para traçar um plano de ação comum no enfrentamento à criminalidade no Estado.

CAFÉ COM LEITE

Para o senador Pedro Taques (PDT-MT), a recusa em convocar o ex-diretor do Dnit, Luiz Antonio Pagot, e o ex-diretor da Delta, Fernando Cavendish, só prova que a CPI adotou a “política do café com leite”.

PENSANDO BEM...

...a CPMI do Cachoeira não Pagot para dar zebra. 

PODER SEM PUDOR

QUERIDA MARINHA

ACM era governador da Bahia e foi a uma cerimônia, em Salvador, com o comandante do 2º Distrito Naval. Ao final, convidou o almirante ao contato com o povo. Em meio ao corpo a corpo, ACM se vangloriou:

– O senhor viu isso, almirante?

O milico reagiu com naturalidade:

– Nunca pensei que a Marinha fosse tão querida por estas bandas!

O comandante deixou de ser querido naquelas bandas. 

SEXTA NOS JORNAIS


- Globo: Integrantes da CPI se reuniram em segredo com dono da Delta
- Folha: Rio+20 – Petrobras anuncia corte de gasto em energia verde
- Estadão: Base aliada ‘freia’ CPI e veta convocação do dono da Delta
- Correio: “Tropa do cheque”abre guerra na CPI
- Valor: G-20 propõe compromisso europeu para salvar o euro
- Estado de Minas: O medo ronda as universidades
- Jornal do Commercio: A história se repete
- Zero Hora: Alta do dólar já afeta preços de vinho, arroz e eletrônicos

quinta-feira, junho 14, 2012

Corpo congelado - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 14/06

A 20+ Câmara Cível do Rio deu ganho de causa a um engenheiro da FAB que, até morrer de doença crônica, no carnaval passado,aos 82 anos, pedia para não ser enterrado, mas... congelado! É que acreditava na descoberta da cura no futuro. Seu corpo vem sendo mantido congelado por uma empresa especializada, no Rio, ao custo de R$ 900 mensais.

Segue...

O cadáver, agora, se a decisão for mantida, seguirá para os EUA, para tratamento especial num laboratório já contratado. Como um ramo da família é contra, o caso deve render recurso. A causa é do escritório Mansur, Fernandes e Aguiar.

Estilo Dilma

Dilma aprovou o Pavilhão Brasil na Rio+20, ontem. Mas não escapou da presidente a ondulação do piso nuns trechos. Orelhas foram puxadas.

Transparência.com

O site do Banco Cruzeiro do Sul (bcsul.com.br) omite que a instituição está sob intervenção. O do Tesouro Direto (bit.ly/ LK2RHY) é outro devagar: ainda diz que a corretora Cruzeiro do Sul vende letras do Tesouro.

Caravana de Hillary

Hyllary Clinton, que confirmou em cima da hora a vinda à Rio+20, pediu mais de 80 quartos de hotel para sua comitiva. A Casa Civil de Dilma se vira, com os hotéis da cidade lotados.

Palma da mão

A Claro anuncia hoje o lançamento de um novo serviço de biblioteca virtual, em que será possível acessar livros de diferentes categorias para ler no próprio aparelho. O acervo virtual terá mais de 1.500 títulos.

DOS AVANÇOS das favelas todo mundo reclama, com certa razão. Mas, na Av. Delfim Moreira 180, esquina com Av. Afrânio de Melo Franco, no Leblon, na troca da grade por um daqueles vidros à prova de bala, o prédio comeu, pelo menos, veja nas fotos, 40 centímetros de calçada. Isto pode, Eduardo Paes? Aliás, a coluna, com todo o respeito, vai além. Acha que é chegada a hora de pôr na mesa outra discussão: a derrubada das grades que separam prédios das ruas. Quem se habilita?

Sangue na rede
Veja como a internet é útil em questões de saúde. O ministro Alexandre Padilha anuncia hoje, Dia Mundial do Doador Voluntário de Sangue, que vai buscar doadores pelo Facebook (facebook. com/doesanguems). Há mais de 6.800 doadores virtuais cadastrados, e a página já recebeu mais de 24.000 “curtir”.

Segue...

Se o estoque de determinado tipo sanguíneo baixar, o Hemocentro local enviará mensagem aos voluntários virtuais.

Copa de Garrincha

Domingo agora, faz 50 anos que o Brasil conquistou a Copa de 1962, no Chile. Haverá festa em Santiago com a presença de José Maria Marin, presidente da CBF.

Au, au, au
A 2+ Câmara Criminal do Rio cassou liminar que determinava a expulsão de casa de um rapaz, Paulo Tadeu de Oliveira, cujo cachorro... atacou a irmã dele, Sônia de Oliveira. Para o desembargador Antonio José Carvalho, mordida de cão não é violência doméstica e não cabe a aplicação da Lei Maria da Penha.

Ex-fofão

Antes de entrar na reta final da campanha para prefeito do Rio, pelo DEM, o deputado Rodrigo Maia resolveu fazer regime e perdeu 12 quilos.

Lona Dicró

A Arena Carioca (nome novo das lonas culturais do Rio) da Penha vai se chamar Carlos Roberto de Oliveira, o Dicró. A inauguração é sábado.

Não é fofo?

Do ministro Crivella no seu Facebook, elogiando a mulher no Dia dos Namorados: — Foi um dia lindo! O único ministro da Pesca casado com uma sereia.

Tropeçou no correto

A turma do politicamente correto marca sob pressão. Tem gente chateada com Dilma que, ontem, na abertura do Pavilhão Brasil, na Rio+20, falou em “opção sexual” ao invés de “orientação sexual”, como indica a Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Segundo a turma, ser homossexual não é uma opção.

O fim do primeiro ato - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 14/06




Se Perillo e Agnelo vão chegar à segunda fase da CPI com a mesma altivez demonstrada nos depoimentos, só o tempo dirá. Ambos dependem do que virá a ser apurado na quebra dos sigilos

Aos trancos e barrancos, a CPI que investiga os negócios de Carlos Cachoeira termina seu primeiro ato com tudo que PT e PSDB lutaram para não serem obrigados a fazer: quebrar os sigilos dos dois governadores. Até aqui, os atores convidados seguiram seus scripts. Os dois governadores, no geral, se saíram bem ao apresentarem suas explicações, mas não dá para esquecer que, em seu primeiro ato na tribuna do Senado, Demóstenes Torres (sem partido-GO) também obteve o apoio de todos os colegas.

No fim de março, quando Demóstenes recebeu a solidariedade dos senadores, a CPI soava como um projeto distante. Todos desconheciam a coleção de conversas entre ele e o contraventor Carlinhos Cachoeira. Isso nos leva a crer que os dois governadores, Marconi Perillo, de Goiás, e Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, fecham esta semana como Demóstenes saiu daquele primeiro discurso. Foram bem, mas não estão livres dessa sombra da CPI sobre suas cabeças.

Para refrescar a memória, o líder do DEM, senador José Agripino (RN), comentava ontem que 44 senadores defenderam o senador goiano no início de todo esse processo. Hoje, passados quase três meses daquela sessão, Demóstenes não tem mais partido e corre o sério risco de perder o mandato parlamentar.

Se Perillo e Agnelo vão chegar à segunda fase da CPI com a mesma altivez demonstrada esta semana, só o tempo dirá. Ambos dependem do que virá a ser apurado na quebra dos sigilos a ser oficializada na sessão de hoje. Mas, no que se refere aos respectivos mandatos, eles não têm muito por que se preocupar com a CPI. Afinal, se houver qualquer surpresa indigesta lá na frente, caberá às câmaras legislativas de Goiás e do Distrito Federal decidir o futuro de cada um. Ou seja, a partir de agora, a estratégia dos dois é se voltar a seus estados no sentido de manter uma maioria na política local, em que se dará o último capítulo do festival de depoimentos dessa semana. No caso de Demóstenes, o destino está nas mãos dos senadores.

Por falar em Demóstenes...
O senador pode dormir tranquilo, pelo menos, no que diz respeito ao voto secreto. O tema só deve voltar à pauta do Senado dia 26 de junho, bem perto do recesso. Na semana que vem, tem um interstício por conta da Rio+20, a conferência de desenvolvimento sustentável da ONU. E, como já dissemos aqui, o plenário do Senado dificilmente votará a proposta de emenda à Constituição (PEC) do voto aberto a toque de caixa, em tempo de avaliar o processo de Demóstenes, que fatalmente ficará para agosto.

A esperança dos senadores que torcem pelo voto aberto é o mandado de segurança apresentado ao Supremo Tribunal Federal pelo senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) para lhe garantir o direito de votar abertamente em casos de processos de perda de mandato. O relator do pedido, ministro Celso de Melo, não concedeu nem indeferiu o pedido de liminar. Apenas pediu mais informações. Diante disso, ficamos com a impressão de que não só destino da turma do PT enroscada no processo do mensalão como também o de Demóstenes estará a cargo do STF.

Por falar em mensalão...
O PT está convicto de que tem tudo para evitar que o julgamento do mensalão contamine o horário eleitoral gratuito de rádio e tevê. Basta para isso focar a propaganda dos candidatos no debate dos problemas de cada município, ou seja, segurança pública, saúde, educação. E, claro, a imagem de Lula, o grande transferidor de votos do partido. Falta combinar com o adversário, que não deixará de mencionar o mensalão quando for oportuno. Afinal, faz parte do jogo.

Dói no bolso e mais na alma - CLÓVIS ROSSI

FOLHA DE SP - 14/06


Crise europeia provoca devastadores efeitos anímicos e mina o sistema democrático


A crise e a maneira europeia de enfrentá-la estão provocando, na Espanha, efeitos que vão além da já grave retração econômica, com suas inescapáveis sequelas sociais. Estão também doendo profundamente na alma dos espanhóis e reverberando no funcionamento da democracia.

Um resumo do sentimento dominante está em texto de Ulrike Guérot, representante da Alemanha no Conselho Europeu de Relações Exteriores:

"Para um país como a Espanha, que vinculou seu passado recente e seu futuro à Europa, ser agora posto de joelhos pela mesma Europa atinge um nervo, pondo em questão tudo aquilo em que os espanhóis basearam suas esperanças quando se livraram da era Franco" [o ditador Francisco Franco, que governou desde a vitória na guerra civil de 1936/39 até morrer em 1975].

De fato, a construção europeia exigia a democracia para aceitar sócios. A Espanha de Franco batera no teto de suas possibilidades econômicas e, sem integrar-se à Europa, estaria condenada à periferia.

Por isso mesmo, até os empresários e os setores conservadores mais lúcidos, que se identificavam com a ditadura e/ou se beneficiavam dela, chegaram à conclusão de que era preciso redemocratizar o país.

Até a crise, tudo deu certo: a democracia veio, a Espanha foi aceita na Europa em construção e, logo em seguida, no primeiro lote de países que adotaram o euro. Com tudo isso, veio também uma explosão de crescimento.

É compreensível, pois, que haja um choque agora que a Europa, como escreveu Guérot, põe a Espanha de joelhos.

A recessão dói, o desemprego machuca, os cortes na rede de proteção social aleijam e, ainda por cima, vem a humilhação de submeter o país, sócio-fundador do euro, à condição de semicolônia de seus pares supostamente mais virtuosos.

O efeito na política é devastador: o governo anterior, do socialista José Luis Rodríguez Zapatero, no qual começaram a crise e, como resposta, os ajustes, ruiu fragorosamente nas urnas.

O atual, do conservador Mariano Rajoy, desmoralizou-se em escassos seis meses de gestão: pesquisa que o jornal "El País" publicou no domingo mostra que 63% dos espanhóis desaprovam sua gestão e 78% dizem ter "pouca ou nenhuma confiança" nele.

Desidratados os partidos tradicionais, surge o movimento dos "indignados", forte, mas incapaz, até agora, de traduzir sua indignação em ação política alternativa a conservadores e socialistas.

Aparece então o fantasma grego, aponta outro integrante do Conselho Europeu de Relações Exteriores, José Ignacio Torreblanca, em "El País": "A destruição dos dois grandes partidos gregos de centro-direita e centro-esquerda como consequência de planos de ajuste que ignoram o entorno político e social em que têm que operar oferece um ponto de referência muito claro nesse sentido [o de que a intervenção europeia mina tanto a legitimidade como a eficácia do sistema político]".

Visto do outro lado do Atlântico, sabemos como foi demorado remover no Brasil o complexo de vira-lata em que agora incidem Espanha, Portugal e Grécia (pelo menos).

A balança comercial de ameaças à biodiversidade - FERNANDO REINACH


O ESTADÃO - 14/06



Se os brasileiros importassem casacos feitos de pele de panda, certamente estaríamos contribuindo para a extinção desse simpático urso chinês. Do mesmo modo, se os chineses usassem casacos de mico-leão-dourado, seriam acusados de contribuir para a destruição da biodiversidade brasileira. Imagine que a balança comercial entre China e Brasil se restringisse a esses dois produtos: poderíamos dizer que a balança comercial de ameaças à biodiversidade entre os dois países estaria equilibrada.

Mas o comércio entre Brasil e China não é tão simples: exportamos soja, frango, madeira e minério. Importamos roupas e centenas de outros produtos industriais. Ao produzirmos tudo o que exportamos para a China, contribuímos para a extinção de espécies da Amazônia e do Cerrado. Por sua vez, ao produzir tudo o que nos vendem, os chineses poluem seus rios e também destroem parte da sua biodiversidade. Será possível calcular a balança comercial de ameaças à biodiversidade entre Brasil e China? Qual seria o valor líquido dessa balança? Estaríamos importando três ameaças a espécies chinesas e exportando cinco ameaças a espécies brasileiras?

Parece conversa de louco, mas cientistas mapearam o impacto do comércio internacional sobre o risco de extinção de espécies ameaçadas.

Não é tão complicado. Os cientistas selecionaram 6.964 espécies listadas por órgãos internacionais como ameaçadas de extinção em 187 países. Em seguida fizeram um levantamento das 166 atividades humanas que ameaçam essas espécies (por exemplo, desmatamento e poluição). Para cada uma das espécies, eles identificaram quais das atividades humanas contribuíam para a extinção de cada espécie em cada um dos países. Isso gerou um banco de dados com 171.825 combinações de espécies, países e atividades econômicas (exemplo: no Brasil, o mico-leão-dourado é ameaçado pela destruição da Mata Atlântica para a produção de frutas).

Esse primeiro banco de dados foi integrado a um segundo, com 15.909 tipos de transações comerciais, tanto internas quanto entre países (exemplo: exportações de frutas do Brasil, importação de carros da China).

Cruzando estes dois bancos de dados, é possível identificar o fluxo comercial responsável pela ameaça a cada uma das espécies. Examinando o exemplo de Madagascar, fica fácil entender o tipo de resultado desse estudo. Lá existem 359 espécies em risco de extinção. Metade da culpa por esse risco vem de atividades econômicas que geram produtos consumidos dentro do próprio país; 25% da culpa recai sobre produtos exportados para a União Europeia e 25% para a China. O restante da culpa é dividida entre Japão e EUA. Um mapa interativo com todos os dados do estudo para cada país pode ser consultado no site worldmrio.com/biodivmap.

Com base nesses dados, é possível descobrir que alguns países, no balanço final, são "importadores" de extinção de espécies, ou seja, as mercadorias que importam causam mais ameaças no restante do mundo que as mercadorias que eles exportam causam em suas espécies. Exemplos desse grupo são EUA, Japão, Coreia do Sul e Canadá. Outros países são "exportadores" de extinção, ou seja, as mercadorias que exportam causam mais estragos em casa do que o estrago feito no restante do mundo pelas mercadorias que eles importam. É o caso de Madagascar, Tailândia e Indonésia.

Surpresa. O que me surpreendeu foi o caso do Brasil. Imaginei que éramos um "exportador" de extinção, pois destruímos a Floresta Amazônica para produzir carne e grãos, exportamos madeira e minerais e importamos muitos produtos industrializados. O estudo (veja no site indicado acima) indica que o Brasil tem 356 espécies entre as estudadas. A maioria delas é impactada principalmente por atividades econômicas que suprem nosso mercado doméstico. Somente 35 delas estão sob ameaça por atividades de exportação.

Por outro lado, nossa atividade de importação afeta 76 espécies ao redor do mundo. Assim, apesar de nossa imensa biodiversidade, nossa balança comercial de ameaças à biodiversidade é mais parecida com a de um país europeu do que com a de um país agrícola do Sudeste Asiático.

É claro que esse trabalho é preliminar e os autores listam extensivamente os potenciais problemas e dificuldades de um estudo tão abrangente como esse, mas o interessante é que pela primeira vez foi mapeada, em escala global, a responsabilidade dos produtos que circulam nas rotas do comércio internacional pela destruição da biodiversidade do planeta.

Estudos como este serão aperfeiçoados e se tornarão instrumentos importantes na divisão, entre os países, da responsabilidade pela destruição da biodiversidade. Também ajudarão na discussão de quem deve pagar a conta associada à preservação da biodiversidade. Um bom assunto para os corredores da Rio+20.

Um outro punhado de euros - ALEXANDRE SCHWARTSMAN


Valor Econômico - 14/06



O recente pacote de até €100 bilhões para o resgate dos bancos espanhóis seguiu o padrão dos anteriores: meses de negativas, relutância por parte dos tomadores e, finalmente, o anúncio em meio a certo embaraço por parte do governo resgatado. Dado o histórico pouco estimulante dos resgates passados me pergunto se a mesma sequência de eventos poderia ser tomada como uma profecia (nada lisonjeira) do resultado do pacote.

A resposta dos mercados, uma rápida euforia, dissolvida ao longo de um dia, aponta precisamente nessa direção. De fato, embora o resgate possa evitar um desastre de grandes proporções ele não resolve o problema espanhol (ou europeu) e, a depender da definição de alguns pontos importantes, pode reforçar o elo negativo entre problemas bancários e soberanos.

Vamos, porém, por partes. Em primeiro lugar deve ficar claro que o pacote não ataca o cerne do problema espanhol, que talvez seja o exemplo mais bem acabado da natureza da crise europeia. Já foi dito, mas vale a pena repetir, que, por mais que as dificuldades ibéricas se manifestem no lado fiscal, sua origem está longe daí.

Dependendo da definição de alguns pontos, pacote pode reforçar o elo ruim entre problemas bancários e soberanos

Com efeito, a Espanha, antes da crise, registrou seguidos superávits fiscais, resultantes, é verdade, do forte desempenho da arrecadação por conta do seu expressivo crescimento à época. Todavia, segundo as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), mesmo ajustando o saldo fiscal espanhol ao ciclo econômico, seu déficit estrutural ficou em média próximo a 1% do Produto Interno Bruto (PIB), do início do euro até a eclosão da crise. Para fins de comparação, a Alemanha apresentou déficit estrutural médio pouco inferior a 2,5% do PIB no mesmo período. A dívida do governo espanhol em 2007 atingia modestos 36% do PIB (contra 65% do PIB na Alemanha).

Por outro lado, o déficit externo espanhol era da ordem de 10% do PIB às vésperas da crise contra 4% do PIB em 2000. O forte crescimento da demanda interna espanhola, em particular o investimento em construção, foi possibilitado pelo financiamento barato do centro europeu, levando a taxas de inflação sistematicamente mais altas e, portanto, apreciação da sua taxa real de câmbio vis-à-vis à alemã.

Isso não foi problema enquanto o capital fluía do centro para a periferia, mas, quando, por conta da crise, houve a reversão, a vulnerabilidade espanhola foi desnudada, em particular a impossibilidade de ajuste rápido da taxa real de câmbio por meio da depreciação da moeda. O que restou à Espanha foi o duro caminho da deflação, ou seja, desemprego e recessão, que, por sua vez, levou à deterioração fiscal.

Uma vez que o pacote não endereça, contudo, as dificuldades de ajuste da taxa de câmbio no contexto de uma moeda única, não há motivo para crer que seja a solução para a crise espanhola, nem para países que sofrem problemas semelhantes.

É verdade, porém, que o foco do programa é mais limitado, a saber, recapitalizar os bancos para evitar uma crise bancária. Ainda assim há pontos que precisam de esclarecimento urgente.

Como notado, o país passou por uma onda extraordinária de construção, financiada por seus bancos, que assim reciclaram os recursos obtidos do centro europeu. Todavia, na esteira da recessão e da queda dos preços de imóveis, a qualidade dos empréstimos se deteriorou consideravelmente. Segundo a mais recente avaliação do FMI, seriam necessários €40 bilhões para que os bancos ibéricos pudessem absorver as perdas de suas carteiras, em particular as imobiliárias, assim como trazer seus níveis de capitalização para os requeridos, emulando a bem-sucedida experiência americana de 2008-09 (Tarp).

Nesse sentido os recursos europeus são mais do que bem-vindos, mesmo porque, face às perdas esperadas nas carteiras de crédito, é pouco provável que o setor privado vá fazer este papel. Há, contudo, dois problemas relacionados que podem afetar em muito a efetividade do resgate.

Em primeiro lugar, em vez de serem diretamente injetados nos bancos, esses recursos serão emprestados ao governo espanhol que, por meio do seu fundo de capitalização bancária (FROB), se responsabilizará pelo processo. Dessa forma a dívida espanhola se elevará pelo exato montante requerido para a capitalização (cerca 10% do PIB no máximo), o que deve levar a dívida pública para algo em torno de 85% a 90% do PIB. O problema no caso é que isso piora as condições de solvência do governo e, portanto, afeta os bancos, detentores dos títulos públicos.

Esse efeito pode ser magnificado dependendo da senioridade desses recursos relativamente aos dos demais credores. Caso, como quer a Alemanha, a União Europeia tenha direito de receber antes dos demais em caso de calote, a perda esperada para os credores remanescentes será tão maior quanto mais recursos vierem da UE. Isso realimentaria os problemas bancários, agora pelo canal da dívida soberana, ao invés de mitigá-los, gerando o efeito inverso ao originalmente pretendido.

Não por acaso, portanto, a reação do mercado foi tão frustrante. Caso implique a venda da senioridade por um outro punhado de euros, o resgate será no máximo um rima, jamais uma solução.

Meio ambiente não é brincadeira! - TUTTY VASQUES

O ESTADÃO - 14/06

O pior são as crianças! Basta ligar a TV nesses tempos de conferência global sobre o clima e lá estão elas, tadinhas, ensinando a tomar banho rápido para não acabar com a água do planeta ou a reaproveitar a casca dos alimentos para não deixar faltar comida no mundo.
Gente que deveria estar tomando banho de mangueira e caçando passarinho com amigos cresce preocupada com os efeitos do pum da vaca na camada de ozônio.
Meninos e meninas de 10, 11 anos aprendem desde muito cedo a salvar o mundo na própria lata de lixo! Tementes ao aquecimento global, dormem de luz apagada, fecham a torneira enquanto escovam os dentes, há entre eles quem pronuncie "sustentabilidade" antes de conseguir dizer "marshmallow".
Não existe, em tese, nada de errado com a educação ambiental, mas o discurso ecológico deveria ser proibido para menores.
Feliz o pré-adolescente que não cultiva o mau hábito do desperdício no seu dia a dia sem nunca ter pensado muito seriamente no fim do mundo!
"A infância", como bem a definia o poeta Paulo Mendes Campos, "é isso: achar que a vida é de graça!"
Só depois de crescidinhos dá pra ver quem está jogando água fora da bacia!

ConsoloSe você acha que sua vida está um inferno, dá um pulinho no Aeroporto de Congonhas e agradeça a Deus por não precisar fazer check-in hoje, tá?! 

Bobo de não irO governador Sérgio Cabral cometeu um erro infantil de avaliação política ao se esquivar da CPI do Cachoeira. Perdeu a chance, muito bem aproveitada por Marconi Perillo e Agnelo Queiroz, de se consagrar como gestor competente e incorruptível em depoimento no Congresso. 

Não diga! Em seu primeiro voo solo no Ministério do Trabalho, Brizola Neto foi a Genebra alertar a OIT de que "a crise na Europa vai afetar o mundo inteiro". Isso quer dizer o seguinte: o Brasil perdeu ótima chance de economizar o custo de tal viagem ao exterior. 

Barril de pólvoraJá se viu de tudo em matéria de divergências editoriais no Brasil, mas quebra-pau a toda hora como na redação da Revista de História, da Biblioteca Nacional, francamente, o jornalismo jamais viveu nada igual! Toda hora tem notícia a respeito do bafafá na grande imprensa, repara só! 

Mal comparandoSe o Brasil tem 8 das 20 melhores universidades da América Latina, convenhamos, o problema da educação é muito maior do que a gente imagina. 

Você sabia?E a briga da Gretchen com o pagodeiro Vavá no reality show A Fazenda, hein? Só se fala de outra coisa por aí! Graças a Deus, né? 

Modéstia à parteAmigos de Deborah Secco estão preocupados! A atriz voltou de uma festa de entrega de prêmios para artistas nos EUA anunciando para as colunas de celebridades que Steven Spielberg a achou linda de morrer! É o tipo de sigilo que não lhe cabia quebrar! 

O debate das provas - IGOR GIELOW

FOLHA DE SP - 14/06


BRASÍLIA - O voto do relator do pedido de anulação das provas da Operação Monte Carlo, considerando ilegais as escutas telefônicas centrais do Cachoeiragate, é mais um capítulo de um embate surdo que já dura anos.

Ao longo da década de 90, o espírito inquisitorial encarnou em agentes públicos a cargo de investigações e, numa perversão típica da vaidade humana, também em jornalistas.

Muita coisa boa decorreu disso, mas o Brasil foi brindado com o voluntarismo nefasto de figuras como a do delegado Protógenes. A acomodação veio a partir dos excessos dele na famosa Operação Satiagraha.
Ele foi enquadrado, ainda que houvesse tanto rigor quanto política naquela decisão. Seja como for, um contrapeso em favor da legalidade foi estabelecido. O preço foi o das investigações incompletas.

Agora é diferente. O entendimento do desembargador Tourinho Neto, repetindo a avaliação que enterrou a Operação Castelo de Areia, é o de que denúncia anônima não justifica o uso de grampos.

Não deixa de ser irônico ver o ex-chefe de Protógenes e da PF das grandes operações, Márcio Thomaz Bastos, virar o arauto dos direitos individuais ao defender a anulação.

Também fora dos autos, por assim dizer, há o óbvio: os grampos da Monte Carlo são um rico inventário de práticas obscuras. Mas isso tudo é nota de rodapé e não deve estar em jogo; a prática é tão importante quanto o resultado, algo que os voluntaristas não entendem.

O ponto é outro. Uma coisa é ver ações policialescas, e não policiais. A alegação da PF de que fez diligências antes de pedir os grampos parece sólida. Ainda que não o fosse, há, necessariamente, abuso em investigar a partir de uma dica anônima?

Concorre para tudo a falta de regulamentação da prática investigativa, o verdadeiro nó da questão, mas isso não deveria ser argumento no caso da Monte Carlo.

A Lei de Lavagem e o Sigilo do Advogado - MARCELO KNOPFELMACHER

O ESTADÃO - 14/06


Está em tramitação avançada, no Congresso Nacional, o Projeto de Lei (PL) n.º 3.443-B/2008 que pretende alterar a Lei n.º 9.613/1998, que trata dos crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores. Por meio desse PL, pretende-se incluir no rol das pessoas físicas e jurídicas sujeitas ao denominado "mecanismo de controle" todos aqueles que "prestem, mesmo que eventualmente, serviços de assessoria, consultoria, contadoria, auditoria, aconselhamento ou assistência, de qualquer natureza, em operações" (artigo 9.º, inciso XIV, do PL), exigindo-se a identificação de seus clientes e a manutenção de cadastro atualizado, "nos termos de instruções emanadas das autoridades competentes", conforme o artigo 10, caput, da Lei n.º 9.613/1998.
Além de atingir, diretamente, as pessoas físicas e jurídicas que prestam os serviços acima referidos, quando o PL em questão se refere ao "aconselhamento ou assistência, de qualquer natureza", quer parecer que também estaria a incluir, ainda que indireta e veladamente, a atividade da advocacia. Todavia, se a pretensão do legislador ordinário de fato for essa, o PL em questão mostrar-se-á natimorto do ponto de vista de sua constitucionalidade, além de flagrantemente incompatível com diversos preceitos legais que exigem o dever de sigilo profissional. Com efeito, o artigo 133 da Constituição é expresso ao preconizar que "o advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei". Evidente que quando a Constituição alude, nesse mesmo artigo 133, à inviolabilidade do advogado "nos limites da lei" está se referindo ao Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994).
Já a Lei 8.906/1994, por sua vez, estabelece, no inciso XIX do seu artigo 7.º, ser direito do advogado "recusar-se a depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deva funcionar, ou sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou foi advogado, mesmo quando autorizado ou solicitado pelo constituinte, bem como sobre fato que constitua sigilo profissional".
Mais adiante, em seu artigo 34, inciso VII, preceitua com todas as letras o Estatuto da Advocacia que constitui infração disciplinar "violar, sem justa causa, o sigilo profissional". O Código Penal, por outro lado, em seu artigo 154, define como crime a violação do segredo profissional nos seguintes termos: "Revelar a alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem: pena de detenção, de três meses a um ano, ou multa".
Sendo assim, verifica-se que há ampla disciplina legal acerca do direito/dever de sigilo, por parte do advogado, em relação a fatos de que tenha tomado conhecimento em virtude de sua atuação profissional. Constituindo verdadeira infração disciplinar (e mesmo crime) a violação, sem justa causa, do sigilo profissional, parece-nos inadequada qualquer iniciativa que, alicerçada sob o nobre propósito de alterar a legislação de combate à lavagem de dinheiro, venha a arrolar - ainda que indireta e veladamente - a atividade da advocacia como uma daquelas sujeitas ao denominado "mecanismo de controle", obrigando-se aos profissionais da Advocacia a delatar, sob pena de imposição de severas multas, seus clientes.
Dessa forma, e levando em conta que, por força do próprio artigo 133 da Constituição, o advogado é inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, "nos limites da lei", e sendo essa lei precisamente o Estatuto da Advocacia que regula in totum a profissão do advogado e que não admite (pelo contrário, censura), em linha com o Código Penal, a divulgação de fatos protegidos pelo sigilo profissional, toda e qualquer iniciativa parlamentar (a exemplo do indigitado PL n.º 3.443-B/2008) que venha, ao arrepio do Estatuto da Advocacia, amesquinhar ou infirmar o sagrado dever de sigilo encontrará óbice no texto constitucional, sendo de rigor afastar, por contrárias à Carta de 1988, tais iniciativas, por mais nobres que sejam ou pareçam seus propósitos.

Festa da uva - SONIA RACY

O ESTADÃO - 14/06




Pegou mal pedido de Aldo Rebelo. O ministro do Esporte enviou carta ao Itamaraty pedindo que faça lobby junto às federações de vôlei do mundo pela candidatura de Ary Graça à presidência da Federação Internacional de Voleibol.

“Agora, virou festa da uva. Isso não é assunto nosso, está se transformando em forma de pressão governamental”, disse um diplomata.

Expandindo
Nova aquisição do BTG. Desta vez, na Colômbia.

Santa ignorância
Informativo enviado pelo Ipesp quase levou gente ao infarto. O instituto – que gerencia fundo previdenciário de trabalhadores do Estado de SP – avisava que 9,51% do patrimônio da carteira dos advogados continuavam aplicados no Banco Cruzeiro do Sul, “em perfeita segurança”.

Nem todos sabiam que parte do dinheiro estava na instituição sob intervenção.

Eu vou
Abilio Diniz desmarcou palestra que faria na McKinsey, em Istambul. Para ir à Assembleia Geral da Wilkes, dia 22. Data em que o Casino assume, oficialmente, o Pão de Açúcar.

Nada feito
Carolina Ferraz resistiu. Não posará nua para a Playboy.

Tertúlia
José Eduardo Cardozo janta, amanhã, na casa de Fernando Lottenberg– com lideranças judaicas, advogados como Alberto Toron e Roberto Podval e juristas da comunidade.

Dificilmente escapará de falar sobre a vinda de Ahmadinejad.

Na onda
Serra procurou, mês passado, a Bola de Neve Church – igreja evangélica com público entre 20 e 35 anos. Deu resultado. Rinaldo Pereira, o Apóstolo Rina, fundador do grupo, vai apoiá-lo.

Bem-vindas
A Fundação Gilberto Salvador entrega, sábado, quatro esculturas doadas à Cinemateca Brasileira. Concebidas por José Resende, Caíto e Kimi Nii– além do próprio Gilberto–, serão instaladas nos jardins.

Rio real
Foi visto ontem, no Copacabana Palace, o príncipe Albert de Mônaco. Que, oficialmente, só chega à Rio+20 no domingo.

Rio real 2
E a primeira delegação a desembarcar no Rio foi a da Tailândia, segunda-feira. Capitaneada pela princesa Maha Chakri Sirindhorn, herdeira do trono.

Merecido
Eliezer Batista recebeu homenagem de Fiesp e Firjan, anteontem. “Por ter sido um dos poucos empresários no mundo a já se preocupar com meio ambiente na Eco-92”, segundo explica Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, da federação carioca.

Ganhou escultura de Vergara.

\sos.com
A prefeitura do Rio abriu licitação para adquirir até dois milhões, seiscentos e setenta e duas mil… mensagens de texto SMS.

Na frente
Na condição de embaixador da Boa Vontade da Unesco, Oskar Metsavaht (em parceria com a Prefeitura do Rio) promove, sábado, o Prêmio-e. Evento oficial da Rio+20, ele reconhece iniciativas para o desenvolvimento socioambiental nos últimos 20 anos, em seis categorias.

O MAM abre, hoje, retrospectiva do artista carioca Oswaldo Goeldi.

O Banco Espírito Santo pilota coquetel da exposição BES Photo 2012. Hoje, na Estação Pinacoteca.

O Stylesight pilota palestra sobre moda na FAAP e coquetel para a editora chefe, Sharon Graubard. Hoje.

Mariana e Danda Papa inauguram, hoje, o portal de festas Fica a Dica.

Lula continua, firme e forte, fazendo fono e fisioterapia. E melhorando…