quarta-feira, julho 13, 2011

GOSTOSA

ANTONIO PRATA - Assoando o nariz


Assoando o nariz
ANTONIO PRATA
FOLHA DE SP - 13/07/11

"Estou gripado. Faz uma semana que meu nariz escorre ininterruptamente, como a nascente de um rio, ou explode em tonitruantes espirros, como um vulcão desativado que, após anos de silêncio, retoma suas atividades.
Eu não deveria me incomodar com a fúria da natureza: durante toda a infância e a adolescência, a rinite alérgica foi minha fiel companheira. Por quase duas décadas, andei por aí com rolinhos de papel higiênico enfiados nos bolsos, escravo das vias que, não satisfeitas por serem aéreas e superiores, queriam também ser hídricas -e conseguiam: essas narinas anfíbias, inundadas como um brejo, coaxantes como sapos.
Foi na passagem para a idade adulta, meio que de uma hora pra outra, que o nariz parou de me atormentar e resolveu resignar-se às duas únicas funções para as quais veio ao mundo: respirar e meter-se onde não é chamado.
Não sei nada de medicina e desconfio das relações que o senso comum costuma tecer entre doenças e estado de espírito; provavelmente o fim concomitante da rinite e da adolescência tenha sido mera coincidência, mas sinto como se o bem-vindo estio nasal tivesse a ver com uma mudança de postura, certo ganho de confiança, capacidade de olhar as coisas (um pouco mais) de frente, fruto da maturidade.
Assoar o nariz, como usar chapéu ou fazer piadas, é uma forma de proteger-se do mundo. Uma pequena covardia, um ato de autossabotagem. Durante os segundos em que se usam as narinas como corneta, fica-se temporariamente isento de quaisquer responsabilidades. Impossível dar em cima de uma garota e assoar-se ao mesmo tempo. Contar uma história, não dá. Jogar bola, sem chances. Bater boca, fora de cogitação. Neurose das mucosas: por conta de um mero grão de pólen, um pelo de gato, um ácaro acariciando a parede das fossas nasais, o sistema imunológico decide ativar o alarme, grita "Fogo! Fogo!" e liga os sprinklers, inundando caixas e caixas de lenços de papel.
Por essas e outras, sempre acreditei que assoar o nariz é um vício da vida contemplativa. Como se o embotamento de nosso sentido mais animal, o olfato, fosse pré-requisito para a negação do corpo e a opção pelo intelecto: não sinto, logo penso, logo existo. Difícil imaginar um general com rinite alérgica. Ou um piloto de F-1. Charles Bronson deve ter espirrado só duas ou três vezes -e na infância. Já escritores, humoristas, filósofos, vejo-os todos com uma pequena pirâmide de papel higiênico amassado ao lado de suas poltronas. Woody Allen é praticamente só nariz. E Groucho Marx, então? Veja um retrato de Descartes: é evidente que ele está segurando um espirro.
Nesses últimos sete dias de gripe, me senti transportado de volta à adolescência. A uma festa em 1993, em que, sentado numa mesa no canto, via a garota dos meus sonhos sendo xavecada por um boçal de boné para trás e não podia fazer nada: não com o nariz naquele estado, não me assoando e limpando as caspinhas de papel caídas na camiseta. "Quem sabe mais pra frente?", eu pensava, fazia alguma piada e voltava a cuidar dos meus assuntos: sssrrrrrruuuuummmmfffffchhhhh."

GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO - Socuerro! O Ganso brochou!


Socuerro! O Ganso brochou! 
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 13/07/11

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Confirmado! Ministro dos Transportes: Paulo Sérgio PASSOS! A partir de hoje o Brasil anda a pé! A passos de tartaruga!
Mas um amigo me disse que ele tem cara de cobrador de ônibus. E ele também é do PR. Partido das Rodovias! Ministério Matte Leão. Já vem queimado! Rarará!
E esta: "Japão exibe sua mais nova atração: a montanha russa Takabisha". Takabisha? É a montanha russa do Bolsonaro?!
E eu tenho a foto dum bar em Malawi, África, que se chama POBREZA CANSA! Cansa não, esgota, exaure! Como diz o outro: "Dinheiro não traz felicidade, mas acalma os nervos!".
E esta do "Fantástico": "Macacos invadem casas e roubam comida na zona sul do Rio". Foram treinados em Brasília? Rarará!
E o Roberto Justus, ops, Roberto Sustus, foi pra Record! O Justus parece jacaré do Pantanal tomando sol, nem pisca o olho! Rarará!
E a Seleção do Queimano? E o Pato? O Pato só faz gol na filha do Berlusconi! E o site QMerda diz que a seleção tá como o marido da vizinha: "Lento, irritante e tem um Ganso que não funciona". Rarará!
Seleção com um Ganso que não funciona é brochante! Seleção dos Topetes! O cabeleireiro é mais importante do que o preparador.
E a manchete do Twiteiro: "CBF demite Mano Menezes e anuncia Jassa para o comando técnico da seleção brasileira". Pra quem não sabe, Jassa é o famoso cabeleireiro do Silvio Santos. E, pra quem não sabe, o Silvio Santos é aquele que combina a cor do cabelo com a cor do cinto. Rarará!
E hoje tem Brasil x Equador. Equador Dona Mellita. Equador de papel! Não existe canela debaixo da linha do Equador!
E, graças a Deus, o Rogério Ceni, vulgo Mão de Maionese, entrou em dieta. O meu São Paulo ganhou!
E se hoje a seleção falhar? Temos que apelar para o time de peladeiros do Itororó: Nelson Cara Inchada, Urubu Pé de Goma, Cara de Kombi, Filé de Borboleta e Bebê Monstro. Moisés Tarado, Cidinha Cu de Fora e Tóin Tóin. Xão Puerão e Geladeira de Pobre.
O apelido Geladeira de Pobre é porque a caxumba desceu pro saco e ele ficou com o ovo enorme. Por isso Geladeira de Pobre: só tem ovo. Rarará! Por isso que eu digo que o Brasil é lúdico! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

MERVAL PEREIRA - Surrealismo


Surrealismo 
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 13/07/11

Vivemos uma situação surreal. Segundo o diretor-geral (afastado por denúncias de corrupção, mas oficialmente de férias) do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, não há irregularidades no Ministério dos Transportes. Já o novo ministro, Paulo Sérgio Passos, assume prometendo fazer alterações no ministério para acabar com os esquemas de corrupção. E ele não apenas é do PR, que tem nos Transportes seu feudo político, como era o segundo homem do ministério desde o primeiro dia do governo Lula.
Quem acompanhou a decisão fulminante da presidente Dilma Rousseff de demitir toda a cúpula do Ministério dos Transportes, no mesmo fim de semana em que a revista "Veja" denunciou que havia um esquema de corrupção instalado no feudo do Partido da República, não tinha dúvidas de que ali tinha coisa.
Inclusive porque vários membros do Executivo afirmaram que há muito tempo a Polícia Federal e o Ministério Público investigavam o setor. (No entanto, foi preciso que a imprensa denunciasse os desvios para que providências fossem tomadas.)
Imaginou-se que as demissões fulminantes seriam o início de uma faxina naquele ministério. A decisão era coerente com as opiniões da própria presidente, que teria reclamado em uma reunião de que os preços das obras estavam "insuflados" e ameaçado se transformar em uma "babá" que acompanharia as decisões do ministério para impedir o superfaturamento das obras.
Mas, na semana seguinte, a presidente convidou para ocupar o ministério o senador Blairo Maggi, um dos caciques do PR e padrinho político do mesmo Pagot que havia sido afastado do Dnit.
Maggi, aliás, deu uma lição de moral na presidente ao recusar o convite alegando que teria "conflito de interesses", pois tem negócios no setor. O que não o impede de apadrinhar o diretor-geral do Dnit, mas essa é apenas uma das muitas contradições dessa história.
Ontem, o próprio Maggi fez um apelo à presidente Dilma, numa espécie de fecho de ouro do depoimento chapa-branca de Pagot no Senado, para que ele seja reconduzido ao cargo, desejo que o diretor-geral do Dnit (afastado ou em férias?) já havia expressado em seu depoimento.
Disse Pagot que gostaria de realizar uma reformulação no órgão e continuar à frente dele. Reformular para quê, se está tudo bem? Ele não explicou e também não lhe foi perguntado.
Mas deixou bem clara sua situação, pelo menos do seu ponto de vista: "Eu disse ao ministro Alfredo Nascimento: "Do meu cargo, eu não posso ser afastado. Ou sou demitido ou continuo no cargo e vou assumir as responsabilidades que já tenho e vou continuar respondendo pelo Dnit"."
Já o novo ministro, Paulo Sérgio Passos, que é filiado ao PR e está no ministério como secretário-executivo desde o primeiro momento da gestão de Alfredo Nascimento, anunciou que assume a pasta com a firme disposição de fazer uma reformulação geral, inclusive com demissões, para evitar que a corrupção prevaleça.
Deve estar falando com conhecimento de causa, mas também não se sabe de qualquer reação dele aos tais esquemas corruptos implantados sob o seu nariz nestes anos todos em que está no ministério, em posto- chave.
Apesar de ser filiado ao partido, o partido rejeita sua indicação, que no primeiro momento acatou. O PR está irritado com sua nomeação, e ninguém do partido apareceu em uma comemoração da base aliada em torno da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.
De duas, uma: ou a presidente Dilma agiu de maneira intempestiva, irresponsável mesmo, sem base nenhuma para demitir a cúpula do ministério, ou está sendo testada pela cúpula do PR.
Ninguém sabe o que exatamente vai acontecer, mas seria muito desmoralizante que Pagot continuasse onde sempre esteve.
O mais provável é que receba de compensação outro cargo na administração federal, mas, como vivemos tempos de surrealismo, é possível que, de volta das férias, Pagot reassuma seu posto no Dnit sem que ninguém explique nada.
Em 2005, diante de situação muito mais dramática, em meio à crise do mensalão, o presidente Lula fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV dizendo que se sentia traído pelos acontecimentos divulgados e pediu desculpas ao povo brasileiro.
A mensagem foi gravada com a presença de todos os ministros, aos quais o presidente pediu esforço redobrado para que o "Brasil continue marchando". Consternado e com a voz embargada, o presidente disse que estava "tanto ou mais indignado" que o povo brasileiro.
Mais tarde, recuperado do susto, Lula passou a divulgar diversas versões sobre o caso, desde que fora uma mera repetição de atitude comum aos políticos brasileiros, o uso de caixa 2 nas campanhas eleitorais, até que tudo não passara de uma tentativa golpista de tirá-lo do poder.
Prometeu provar, quando saísse da Presidência da República, que o mensalão simplesmente não existiu.
Depois do parecer do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pedindo prisão para 36 dos envolvidos no caso, Lula calou-se, e o PT está tentando não aprovar a continuação de Rangel no cargo.
Pois, ontem, a presidente Dilma, em entrevistas no interior do Paraná, disse que "tem dias" em que fica triste, principalmente "quando acontece alguma coisa errada no governo".
- Fico (triste). Todo mundo pode perceber que a gente, num governo, tem muitas dificuldades.
O sentido é o mesmo, certa impotência diante da realidade política, que, no entanto, ela deveria conhecer tanto quanto Lula conhecia a história pregressa do PT nas prefeituras que ocupara no interior paulista, no início da escalada do partido rumo ao poder.
Nada do esquema de cooptação de apoios e recolhimento de "recursos não contabilizados" era desconhecido de Lula, assim como a presidente Dilma, depois de comandar a Casa Civil e controlar a execução das obras do PAC, não pode alegar desconhecimento de "coisas erradas" no governo.

DORA KRAMER - O bônus da prova

O bônus da prova
DORA KRAMER
O ESTADÃO - 13/07/11

A julgar pelas declarações de Luiz Antonio Pagot e das homenagens que recebeu de senadores da base governista, quem pecou foi a presidente Dilma Rousseff ao, primeiro, acusar a cúpula do Ministério dos Transportes de tentar “inviabilizar” o governo e, depois, ao demitir Alfredo Nascimento e companhia quando a reprimenda foi parar na imprensa.

Um após o outro, senadores do PT e da base aliada ao governo no Parlamento ressaltaram a “coragem”, a “correção” e a “competência” do até então tido como ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), mas que ontem (12) tratou de desmentir a presidente para dizer-se “responsável pela gestão do Dnit” em férias até o próximo dia 21.

Se houve ou não o propagado acerto para que Pagot não arrastasse novos personagens às denúncias envolvendo o Ministério dos Transportes, é uma questão que será esclarecida pela atitude que vier a tomar a presidente diante da flagrante e cínica quebra de hierarquia funcional do subordinado que lhe subtraiu autoridade perante o Senado.

Se calar e aceitar a insubordinação, estará autorizando a conclusão de que o governo realmente fez algum tipo de negociação com Pagot. Mais que isso: reconhece que estava errada, que foi injusta e precipitada – para não dizer leviana – ao anunciar a demissão de um funcionário que afirma ter explicado a ela “ponto por ponto” a razão de os preços das obras do ministério terem apresentado o que a presidente tratou como superfaturamento e, segundo Pagot, foi apenas “mudança de escopo” em relação aos projetos originais.

Em seu depoimento, Luiz Antonio Pagot comportou-se como se tudo o que a presidente e seus auxiliares disseram e fizeram nos últimos dias valesse zero. A demissão entrou-lhe por um ouvido e saiu-lhe pelo outro. Para ele, o que conta são suas férias, “previamente marcadas” e o absoluto rigor com que se comportam seu departamento e os órgãos de controle: Tribunal de Contas, Controladoria-Geral e auditorias internas, “que não deixam passar nada”.

Tudo muito certinho, muito corretinho, estritamente dentro das normas. A despeito de toda a cordialidade formal em relação a Dilma, o que Pagot quis dizer foi que a presidente afastou a cúpula do Ministério dos Transportes ao arrepio dos fatos, sem fundamento para tal. Deixou a ela o ônus da prova, reservando para si o bônus da redenção na forma de reverência por parte dos senadores governistas.

Caberia agora à presidente refutar. A menos que não considere nada demais ver sua decisão desmoralizada. O depoimento de ontem (12) pode ter sido bom para Pagot, que não tem nada a perder. Para o governo, Dilma em particular, foi um péssimo negócio.

Esperneio
O PR boicota almoço de governo e insinua que pode deixar a base governista no Congresso. E fazer o quê? Ir para a oposição, que não tem o que o partido gosta? Negociar a independência no varejo poderia ser uma opção, mas dá um trabalho danado e não fornece garantias como as de um feudo, por pequeno que seja, caso a presidente venha a pensar na transferência do PR para um ministério menos poderoso que o dos Transportes.

Inimigo ideal
O Palácio do Planalto tem pesquisas diárias mostrando que quanto mais menosprezo Dilma demonstra pelos políticos aliados mais pontos ganha junto à população. Bater nos partidos, cuja imagem pública é péssima, é uma maneira fácil de obter apoio popular, embora não seja a mais coerente com a busca de alianças no período eleitoral para adensar as campanhas e aumentar o tempo de televisão.

Antes tarde
Livre, leve e solto há anos, desde a eclosão do primeiro escândalo do governo do PT, quando foi divulgado vídeo em que aparecia extorquindo dinheiro de um bicheiro, Waldomiro Diniz foi denunciado por sonegação de impostos. À moda de Al Capone.

MÔNICA BERGAMO - MONEY NO BOLSO

MONEY NO BOLSO
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 13/07/11

A Embratur revisou para cima a projeção de gastos de turistas estrangeiros no Brasil em 2011. A expectativa era de que os visitantes deixariam US$ 6,35 bilhões no país, mas o órgão agora espera US$ 6,7 bilhões. O otimismo se deve ao resultado de maio: US$ 543 milhões, maior valor mensal dos últimos dez anos, e alta de 33,11% em relação a maio de 2010.

ACEITA CARTÃO
De janeiro a maio deste ano, os gastos dos estrangeiros chegaram a US$ 2,88 bilhões. O valor é 14,33% maior que os US$ 2,519 bilhões do mesmo período de 2010. O cálculo inclui operações de câmbio e gastos com cartões de crédito internacionais.

IMPASSE
O Casino não reunirá seu conselho para ouvir novos argumentos em favor da fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour no Brasil, como pediu o empresário Abilio Diniz. A assessoria de Jean-Charles Naouri, presidente do grupo francês, confirma que ele e Diniz se reuniram a sós por 40 minutos depois da reunião do "board", ontem. Diz que ouviu novamente argumentos do brasileiro -e também repetiu os seus, contrários à operação.

SOB NOVA DIREÇÃO
O jornalista Paulo Markun, ex-presidente da Fundação Padre Anchieta, que controla a TV Cultura, foi convidado pelo ministro Fernando Haddad, da Educação, para dirigir a TV Escola.

DEU NO "TIMES"
Simon Romero é o novo correspondente do "New York Times" no Brasil. O jornalista norte-americano substitui Alexei Barrionuevo, que sucedeu Larry Rohter. Casado com uma brasileira, Romero já morou no país antes, onde foi correspondente da Bloomberg News e da revista de negócios "America Economia".

E A LUSITANA RODA

Mudanças no canal pago de moda Glitz. Maria Prata, atualmente editora-chefe, deixará a emissora. Ela será a diretora de redação da edição brasileira da revista "Harper's Bazaar", a ser lançada em novembro pela Carta Editorial.

REPETECO

O ator Selton Mello voltará a dirigir um episódio de "A Mulher Invisível", em setembro. Protagonista da atração, ele dirigiu o último capítulo da primeira temporada da série da TV Globo, que foi ao ar na semana passada.

ATO CONTÍNUO

Deu no "Diário Oficial": o secretário municipal de Finanças, Mauro Ricardo Costa, teve que aprovar a compra de quatro guarda-chuvas para o órgão. Cada um custará R$ 58. Serão utilizados pelos contínuos que levam documentos oficiais da sede para outros escritórios.

FREE WILLY

E o Ministério da Cultura liberou a captação de R$ 2,5 milhões via lei Rouanet para uma exposição de 20 esculturas de baleias em tamanho natural na praia do Rosa, em Santa Catarina.

CAUBY SEM SHOW

Cauby Peixoto cancelou a apresentação que faria no Bar Brahma, no centro de São Paulo, na segunda-feira. Na semana passada também não houve show. A empresária do cantor, Nancy Lara, diz que a agenda impediu Cauby de cantar. "Ele vai lançar um box com três CDs em setembro, então anda muito atribulado." Peixoto "provavelmente fará o show da semana que vem", diz Lara.

SEXO TREMENDÃO
Será hoje a gravação do videoclipe de "Kamasutra", primeira música de "Sexo", próximo disco do cantor Erasmo Carlos. Alguns dos versos da canção que inspirará o trabalho: "Em que posição? Frontal, de pé, por trás ou de lado / A hidra às voltas com o dragão / Tesoura, fechadura ou de quatro".

QUE ESCÂNDALO!

A peça "A Escola do Escândalo", de Richard Sheridan, ganhou versão brasileira de Miguel Falabella, com Cristina Mutarelli e Maria Padilha no palco. A atriz Sophie Charlotte foi assistir à pré-estreia, no Teatro Raul Cortez.

LULU LÁ
Lulu Santos abriu no fim de semana sua nova turnê, "Acústico MTV II", no Citibank Hall de SP. A apresentadora Cuca Lazzarotto foi ao show do sábado.

CURTO-CIRCUITO


O Monobloco fará show no dia 13 de agosto, às 23h, no Credicard Hall. 18 anos.

A banda The Platters canta hoje e nas próximas duas quartas no Bar Brahma.

Toquinho e Paulo Ricardo lançam disco no Passatempo.

O projeto Autobahn fará no sábado, às 22h, festa do Dia Mundial do Rock, na Tribe House. 18 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

CELSO MING - O dinheiroduto do BNDES

O dinheiroduto do BNDES
CELSO MING 

O Estado de S.Paulo - 13/07/11

A veemente rejeição da proposta de megafusão entre o Grupo Pão de Açúcar e os Supermercados Carrefour pelo sócio preferencial, o grupo francês Casino, joga novo foco de luz na atuação do BNDES, especialmente no açodamento com que havia aprovado e recomendado o projeto.

Baseado em avaliação de cinco bancos e consultorias de peso (Santander, Goldman Sachs, Messier-Maris, Rothschild e Merril Lynch), o Grupo Casino torpedeou, ontem, a iniciativa do presidente do Grupo Pão de Açúcar, Abilio Diniz.

A partir do relato do correspondente Andrei Netto, ficamos sabendo que o Conselho de Administração do Grupo Casino definiu o projeto da megafusão como "contrário aos interesses dos acionistas, baseado numa estratégia errada e em estimativas de sinergias fortemente superdimensionadas".

Depois de proclamar sucessivamente que o negócio é "de interesse nacional", "bom para todos" e "bom para o Pão de Açúcar", o empresário Abilio Diniz teve de ouvir dos membros do Conselho de Administração do sócio francês, reunidos em Paris, que sua proposta não é boa nem mesmo para o Pão de Açúcar.

Ficou dito, também, que um investimento em ações do Carrefour é "arriscado, em razão das dúvidas expressas pelos mercados sobre sua estratégia".

Apoiado apenas em uma sigla de luz própria relativamente baixa, a do BTG Pactual, especializado em hospitalização de empresas em fase terminal, Abilio tentou arrastar o BNDES para a sua parada. Seu vice-presidente, João Carlos Ferraz, acorreu pressuroso, reconhecendo imediatamente nesse arranjo um interesse estratégico e uma fonte de criação de valor - ambos duvidosos. E aparentemente estaria disposto a despejar mais de R$ 4 bilhões em vitamina pública no projeto, não fosse a inesperada (para eles) reação da sociedade contra a chancela oficial de uma disputa entre grupos privados pelo controle acionário de uma rede de varejo.

Felizmente, evocando "seu compromisso com a estrita observância das leis e dos contratos, baseado em rigorosos princípios de ética", o BNDES avisou oficialmente que ficaria de fora do negócio, enquanto esse não obtivesse o entendimento entre seus acionistas. E, não obstante a obstinação do agora isolado empresário Abilio Diniz em manter de pé seu plano, o desfecho da reunião de Paris mostra que esse acordo ficou difícil.

Mas o provável fracasso da armação não absolve o BNDES, cuja atuação começa a ser cada vez mais contestada. O mesmo serve para o governo federal, que sustenta a máquina de favorecimentos com verbas não orçamentárias, graças ao uso do dinheiroduto instalado em ligação direta entre o BNDES e o Tesouro.

Também não absolve o Banco Central. O BNDES, presidido por Luciano Coutinho, pode alcançar, em 2011, perto de R$ 300 bilhões em financiamentos subsidiados a seus eleitos ao longo dos anos, bem abaixo dos juros primários (Selic). Assim, boicota a política monetária, que deve agir sobre canais de crédito. E, até agora, o Banco Central foi incapaz de denunciar os rombos provocados pelo BNDES no sistema vascular do plano de metas de inflação.

O provável desmanche do projeto da megafusão também não absolve a oposição, que não está sendo capaz de denunciar o mau uso do BNDES, neste governo e no anterior. Essa é uma oposição sem discurso e que, hoje, não passa de um enorme apagão político.

CONFIRA

Trégua

Apesar da falta de progresso nas negociações sobre o socorro à Grécia, os mercados financeiros deram ontem uma trégua às dívidas da Itália e da Espanha. Continuou a fuga das aplicações de risco, mas sem o nervosismo do dia anterior. Falta saber se os mercados resistirão à vacilação geral dos políticos.

O BRAZIU E OS BRAZILEIROS

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Alta do petróleo pressiona preço do gás nacional
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 13/07/11
O gás natural de produção nacional pode ficar 6,7% mais caro para as distribuidoras no próximo trimestre, de acordo com cálculos da Abrace (associação de grandes consumidores industriais de energia e de consumidores livres).
A pressão do aumento vem da alta do petróleo no mercado internacional.
O gás é corrigido trimestralmente pela Petrobras, com base em uma cesta de preços internacionais do petróleo, cuja cotação teve forte alta nos últimos meses.
"De acordo com a fórmula utilizada, a Petrobras poderá aplicar o reajuste de até 6,7%", diz Rodolfo Danilow, analista da associação.
Em abril, a Petrobras havia anunciado um desconto médio de 9,7% no preço do gás para os três meses seguintes.
Com o aumento do combustível, a indústria nacional perde competitividade.
"O gás chega a custar no Brasil até três vezes o que as subsidiárias das empresas pagam nos EUA e na Europa", diz Paulo Pedrosa, presidente da Abrace.
As indústrias de vidro e do setor químico são as mais impactadas pela alta do gás.
"No final de 2012, os contratos das distribuidoras começarão a vencer, e essa será uma oportunidade para que seja revisto o modelo de precificação, desvinculando-o do petróleo", diz Danilow.
Segundo a Petrobras, a política de reajuste de preços do gás é definida de acordo com cada contrato com as distribuidoras.

IMPOSTO NA PENTEADEIRA
Os altos impostos de importação são ainda uma barreira para o Brasil alcançar seu potencial de consumo, segundo o presidente internacional da Givenchy Parfums, Thierry Maman, no Brasil nesta semana.
O executivo quer ampliar a presença da marca e o mercado consumidor brasileiro, que ele costuma separar em "interno e externo".
"É pequeno o consumo de produtos por brasileiros aqui, devido aos altos impostos de importação. Mas no outro mercado brasileiro, o de quem compra em lojas de departamentos no exterior, o país está entre os de maior relevância."
Maman diz que o Brasil é uma "enorme fonte de consumidores", com mercado que, apesar de ter potencial maior do que México e Argentina, tem patamar de vendas semelhante.
"O mesmo produto pode ser duas vezes mais caro no Brasil que nos EUA." A situação se assemelha à da Índia, onde a empresa chegou a procurar o governo para debater o tema. No país, a taxa de importação desestimula e o consumo costuma ser transferido para Dubai.
Os preços praticados na Rússia e na China são mais compatíveis, segundo ele.

Alimento... 
As exportações de cereais brasileiros para os países árabes cresceram 798% nos seis primeiros meses deste ano, na comparação com o mesmo período de 2010.

...das arábias 

Com a alta, o fluxo comercial do produto no primeiro semestre deste ano chegou a US$ 562,79 milhões (cerca de R$ 889,77 milhões), de acordo com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

VOO DE IMPACTO
As obras de reforma e construção de aeroportos são as que causarão o maior impacto no Brasil nos próximos anos, de acordo com estudo da Amcham (Câmara Americana de Comércio).
Em uma escala de zero a cinco, os novos projetos do setor terão impacto de 4,17 na economia nacional.
Os empreendimentos voltados para a melhoria da mobilidade urbana aparecem em seguida, com 4,05.
O desenvolvimento de novas tecnologias, por sua vez, é o setor que mais atrai o interesse das companhias.
Entre as empresas paranaenses ouvidas pela Amcham, 52% têm planos de investir nesse segmento.
Foram entrevistados 155 executivos entre maio e junho deste ano.

DE OLHO NOS LATINOS
A rede de cursos de idiomas Yes! vai abrir sua segunda unidade no exterior até o final deste ano.
O início das aulas está previsto para janeiro de 2012, mas a filial da empresa em Boston já estará aberta a partir de outubro.
A outra unidade da rede fora do Brasil também está localizada nos Estados Unidos, em Miami.
"Há um mercado muito grande a ser explorado de latino-americanos que precisam aprender inglês por lá", afirma o presidente da companhia, Clodoaldo Nascimento.
A rede de idiomas, que oferece cursos de inglês e espanhol, tem 105 franquias em 12 Estados brasileiros e abrirá outras 20 escolas até o final deste ano.
Entre as cidades que receberão filiais da companhia em 2011 estão Campo Grande (MS) e Salvador (BA).
Em 2012, a empresa pretende ter ao menos uma unidade em todos os países do Mercosul: Argentina, Paraguai e Uruguai.
"Os professores terão a possibilidade de viajar para fazer cursos de capacitação em nossas unidades no exterior", diz Nascimento.

Cerca... 
A ArcelorMittal Tubarão investirá R$ 5,7 milhões para instalar telas de proteção contra o deslocamento de pó resultante do manuseio do carvão do pátio da Sol Coqueria. As telas servem para reduzir a dispersão do pó pela ação do vento.

...viva 
A empresa utiliza como proteção natural um cinturão verde com 2,6 milhões de árvores plantadas ao redor da unidade. As telas complementarão a barreira natural, terão 450 metros de extensão e serão instaladas até dezembro.

Em linha 
A Agência de Fomento Paulista/Nossa Caixa Desenvolvimento renovou o acordo de cooperação com o Sebrae-SP para oferecer linhas de crédito que operam com juros a partir de 0,49% ao mês e prazos de até dez anos, com no máximo dois anos de carência.

Ponte 
A brasileira GoOn, de gestão de risco de crédito, fechou contrato com a Tigo, empresa de telefonia, do Paraguai. O acordo prevê projeto de diagnóstico estratégico de crédito e cobrança. A Tigo visa o mercado de crédito via celular.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION

MÍRIAM LEITÃO - Os riscos dos ricos

Os riscos dos ricos
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 13/07/11
A grande dúvida é sempre como a crise externa vai bater em nós; e se vai. A pergunta deve ser feita sempre, para que o país saiba se fortalecer. Há cenários muito ruins para a Europa e outros menos ruins. Não há bons cenários. Haverá moratória de alguns países, e o projeto político da moeda comum está em xeque. A crise é deles e dos Estados Unidos, mas o mundo está todo ligado.

O economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos, é taxativo:

- Trabalho com três cenários, todos ruins: uma moratória organizada da Grécia, com mudanças negociadas de prazos de pagamentos; uma moratória desorganizada, como a da Argentina; e o melhor, mas menos provável, que seria um aprofundamento da união monetária, com emissão de títulos comuns. A dificuldade é que isso exigiria intervenção em países que descumprissem regras.

Joseph Tutundjian, especialista em comércio exterior, acha que pelo lado do comércio a Europa é grande para nós. O Brasil exportou para a região 21% de tudo o que vendeu em 2010, ao todo, US$43 bi. Mas quase metade disso foi de produtos básicos, que têm uma demanda mais firme. De qualquer maneira, afeta. Um aprofundamento da recessão na Europa atinge também a China, que é grande exportadora para lá. O embaixador Sérgio Amaral acha que se a China não tiver compradores na Europa pode querer inundar o mercado de outros países, como o Brasil.

A crise de agora é a mesma crise de 2008. Não é diferente: uma coisa levou à outra. Os bancos quebraram e os governos gastaram demais para salvar, agora os governos estão com dívidas altas, déficits altos, e os bancos que compraram os papéis dos governos estão em novos apuros. Agora, os bancos estão passando por um pente fino que eles chamam de "testes de stress". Os órgãos fiscalizadores avaliam os ativos e passivos dos bancos para saber como eles vão se comportar em cenários ruins. Vários serão reprovados.

- Estamos vendo um segundo momento da mesma crise, que começou com uma crise bancária e agora virou fiscal. O risco é ela voltar a ser crise bancária - explicou o embaixador Sérgio Amaral, presidente do Conselho Empresarial Brasil-China.

Nossos bancos não estavam expostos aos riscos do subprime em 2008 e passaram bem pela crise. A fragilidade dos bancos é deles e não nossa. Qual o nosso risco? É pagar o preço de uma dificuldade de crédito global.

- Mesmo se a Grécia fizer uma moratória negociada, as agências de classificação de risco disseram que isso é calote. Isso aciona o CDS - diz José Márcio Camargo.

O CDS (Credit Default Swap) é o seguro contra o calote, que cada detentor de papel compra. Acionar o CDS significa que quem tem um título grego pode cobrar o seguro, caso não receba na data:

- Teríamos um congelamento do crédito, porque ninguém sabe quem vai pagar esses seguros.

Para piorar, as agências continuam atirando. Ontem, a Moody"s rebaixou a Irlanda porque uma reestruturação da dívida grega vai afetar Irlanda e Portugal. Ou seja: se a Grécia der o calote, aumenta ainda mais o temor de que a Irlanda e Portugal também deem o calote, e aí a profecia se cumpre.

O economista Newton Rosa, da SulAmérica Investimentos, acha que deveria ser feito um programa como o Plano Brady, que socorreu a América Latina. Quem viveu viu. Quando uma moratória é inevitável, não há jeito: só mesmo com os credores que emprestaram demais aceitando perder um pouco:

- A Grécia tem 330 bilhões de dívida e 22% disso estão com os bancos gregos, mas depois vem França, Alemanha, Bélgica.

E nós, como poderemos ser afetados? Essa é sempre a grande pergunta.

- Desde que não tenhamos uma crise financeira, o Brasil fica bem, porque o crescimento é sustentado pela demanda interna. Temos reservas, superávit comercial, um crescimento do PIB acima da média mundial - diz Rosa.

Longe da crise, mas sofrendo respingos, o Brasil vai amargando uma queda de 14,7% na Bovespa este ano. De 4 de novembro para cá, que foi o pico recente, a bolsa já caiu 18,2%. Muito para um país que está tão bem e até recebendo o fluxo de capitais externos abundante.

Segundo José Márcio, a Itália, que agora está no lugar da bola da vez, até que não está tão mal. É verdade que ela tem uma dívida de 120% do PIB, mas o déficit é pequeno comparado com o de outros países:

- A Itália tem um déficit de 6% do PIB, então teria que fazer um ajuste de 3%, que é bastante viável. Mas se o mercado continuar desconfiado, o governo gastará cada vez mais para rolar sua dívida e aí ficará difícil reduzir o déficit.

A revista "Economist" divulgou ontem uma análise de que a Itália está em melhor situação que muitos países grandes. A Inglaterra, por exemplo, está com déficit primário - ou seja, descontando o pagamento de juros - de 4,4%. O dos Estados Unidos é 6,8%. O do Japão é 4,9%. Por esta medida de contas públicas feita pela revista inglesa, a Itália teria superávit.

Em resumo: a situação é de risco para economias grandes, algumas até maiores do que a nossa, outras com tamanho suficiente para produzir um efeito cascata que afete a todos. A crise de 2008 é a crise que não terminou. Por isso é melhor ficar atento a todos os pontos fracos da economia brasileira.

ELIO GASPARI - Dilma ouviu o prof. "Cachorrão"

Dilma ouviu o prof. "Cachorrão" 
ELIO GASPARI
FOLHA DE SP - 13/07/11
O comissariado diz que "o mercado" não percebeu o negócio do trem-bala, é o contrário: percebeu tudo

O FRACASSO DO LEILÃO do trem-bala foi o primeiro grande sucesso do governo Dilma Rousseff. Zero a zero e bola ao centro. Mandaram para o zoológico a girafa nascida na Valec do doutor Juquinha e redesenhada na Agência Nacional de Transportes Terrestres.
Uma geração de engenheiros formados na PUC do Rio lembra-se do professor Ademar Fonseca, titular de mecânica. Pelo porte e pela voz tinha o apelido de "Cachorrão". Um dia, deu zero a um aluno que resolvera o problema, mas, na última linha, errara na vírgula. Ao invés de oito, escrevera 80: "Professor, é uma vírgula. Está tudo certo. Cinco páginas de prova e uma vírgula!".
"Cachorrão" deu-lhe uma lição que ficaria para a vida: "Menino, isso é para você aprender. Um engenheiro não pode fazer um erro de vírgula. Uma ponte não pode ter 8 metros ou 80 metros. Você mergulha em uma questão complexa, depois, quando você termina, você se afasta e olha o jeitão da coisa. Pelo jeitão você vai ver se é 8 ou 80. Então, é zero mesmo!".
Um trem que custaria R$ 19 bilhões, bancado pela iniciativa privada, arriscava sair, com a ajuda de uma estatal e da Viúva, por R$ 33 bilhões. Falando sério, R$ 45 bilhões, pelo menos. Pelo jeitão, alguma conta estava errada. Não era um projeto de trem unindo o Rio a São Paulo e, mais tarde, a Campinas. Era um prelúdio da formação de cleptoconsórcios que habitualmente acabam no noticiário policial e em CPIs.
Pela primeira vez em muitos anos, as grandes empreiteiras nacionais recusaram-se a entrar numa aventura. O comissário da ANTT, Bernardo Figueiredo, disse que "nós não conseguimos que o mercado percebesse e encontrasse condições de fazer alianças". Deu-se o oposto: o mercado percebeu tudo e seguiu o ensinamento de "Cachorrão". Olhou para o "jeitão" do negócio e afastou-se dele.
O trem-bala não tem traçado, projeto ou estimativa de demanda que demonstre sua viabilidade. Pode-se discutir até mesmo sua prioridade, pois por R$ 33 bilhões constroem-se 100 quilômetros de linhas de metrô em cidades brasileiras.
Tomado pelos murmúrios, o trem sairia do Rio, mas não se sabe de onde. Seu ponto de chegada em São Paulo ficaria longe do metrô. Mais: faria alguns percursos nas duas cidades rodando sobre vias elevadas.
Aquilo que foi um trem Rio de Janeiro-São Paulo chegou a ser um projeto que, na primeira fase, ligaria Campinas a São José dos Campos. Por conta das facilidades topográficas, a linha Campinas-São José pode ser economicamente mais atraente do que a Rio-São Paulo, mas essa gambiarra é uma reencarnação do J. Pinto Fernandes da poesia de Drummond, aquele que se casou com Lili, mas "não tinha entrado na história".
Se os ensinamentos do professor "Cachorrão" tivessem sido absorvidos pelos poderosos do Planalto, o Brasil não teria torrado US$ 18 bilhões (em dinheiro de 1982) num acordo nuclear com a Alemanha. Também não teria construído a Ferrovia do Aço (cerca de US$ 4 bilhões) para transportar pedras a 100 quilômetros por hora.
Há momentos em que a melhor decisão é parar a máquina da grande ideia. Lula teve a sabedoria de mandar para o lixo a teatralidade onipotente do Fome Zero. No seu lugar, ergueu o êxito do Bolsa Família.

FERNANDO RODRIGUES - Marketing e realidade

Marketing e realidade
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 13/07/11

Volto de férias e constato que o Partido da República está de novo envolvido em ações pouco republicanas. Suspeitas de corrupção produziram a queda da cúpula do Ministério dos Transportes, uma capitania hereditária concedida ao PR. O donatário da sigla é Valdemar Costa Neto, um sobrevivente.

Renunciou ao mandato de deputado em 2005, no auge do mensalão. Seria cassado. Escapou. Depois, voltou à Câmara em 2006 e 2010. Hoje, é a eminência parda de seu partido.

A presidente Dilma Rousseff nomeou Paulo Sérgio Passos ministro dos Transportes. Ao assumir, o novo titular prometeu “reajustes para limpar” a pasta. Impedirá a influência do poderoso Valdemar? No Congresso, parte dos deputados e dos senadores do PR lamuriavam ontem pelos cantos. Faltaram a um almoço de líderes governistas. Justificaram com uma ironia tosca – estariam todos de regime.

Pela lógica da política em Brasília, nem o novo ministro fará uma razia nos Transportes nem o PR deixará o governo. Assim como as melancias se acomodam na carroceria de um caminhão rumo à feira, todos encontrarão seus espaços em breve. Continuarão a ir às compras, refestelando-se em licitações de estradas, pontes e viadutos.

Diante desse desfecho quase inevitável, fica uma dúvida sobre a real intenção pretendida pela presidente da República no episódio. Não está clara a fronteira entre o marketing e a realidade. O Planalto age com destreza nesta crise. Dilma reforça a imagem de política firme, intolerante com atos de corrupção, a favor de uma profilaxia no setor de transportes. Afinal, cortou várias cabeças.

Mas há dúvida sobre o enquadramento dos 40 deputados (um número emblemático) e dos seis senadores do PR. Os tubos alimentando a fisiologia dessa legenda continuam ligados. Só nos próximos dias saberemos se Dilma irá, de fato, desconectá-los.

ROLF KUNTZ - Um governo entalado

Um governo entalado
ROLF KUNTZ

 O Estado de S.Paulo - 13/07/11

O governo promete para breve uma política de competitividade, para fortalecer a produção nacional e favorecer a criação de empregos. A presidente Dilma Rousseff poderia ter adiantado o serviço se houvesse promovido uma reforma completa no Ministério dos Transportes. Nenhum país pode ser competitivo com estradas, ferrovias e pontes como as do Brasil. Mas ela preferiu manter o assunto sob controle do PR e de seu líder de fato, o deputado Valdemar Costa Neto, réu no processo do mensalão. A presidente, segundo se diz em Brasília, escolheu o novo ministro, Paulo Sérgio Passos, contra a vontade do partido. Pode ser, mas o escolhido, seja como for, pertence aos quadros partidários. Para os otimistas, a demissão do ministro Alfredo Nascimento, na semana passada, foi um passo para a construção de um novo governo, moldado segundo os propósitos da atual presidente. Mas falta saber se ela tem mesmo objetivos próprios e ambição maior que a de tomar conta, durante quatro anos, da cadeira presidencial.

Para comprovar essa pretensão a presidente Dilma Rousseff teria de ir muito além do projeto de poder - o único elaborado e executado por seu partido - e criar um projeto de governo. Na economia, o objetivo central, síntese de todos os demais, é obviamente a competitividade, condição para o crescimento econômico, a segurança das contas externas, a criação de empregos e a elevação dos padrões de consumo. Uma política com esse objetivo deve incluir programas de ciência e tecnologia, esforços para elevação da poupança e do investimento e um enorme empenho na formação de recursos humanos. Tudo isso requer novos critérios de política fiscal e tributária e padrões muito mais eficientes de gestão pública.

Até agora, o governo da presidente Dilma Rousseff foi incapaz de implantar novidades importantes em qualquer dessas áreas. Os ministros do Desenvolvimento e da Fazenda vêm há meses prometendo uma política de competitividade. Ninguém explicou, ainda, como será, por exemplo, a desoneração das folhas de pagamento, nem esclareceu como o governo tentará compensar essa "renúncia fiscal". As possibilidades de uma reforma tributária ampla e modernizadora permanecem remotas e dependentes de negociações difíceis com Estados e municípios.

Falta um líder, no governo, para comandar uma discussão séria e produtiva sobre a reforma. Também falta articulação entre os Ministérios do Desenvolvimento e da Fazenda. Sobra desacordo quanto a objetivos e custos fiscais. Isso emperra, entre outras ações, a definição de critérios para depreciação acelerada. A presidente Dilma Rousseff, tudo indica, só acompanha de longe o debate, em vez de orientá-lo.

A sujeição aos esquemas e compromissos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva restringem claramente suas iniciativas. O ministro dos Esportes, Orlando Silva, permanece no posto, embora se tenha mostrado incapaz, até agora, de coordenar os investimentos necessários para a Copa de 2014. O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mantém a política autoritária e custosa de criação de "campeões nacionais". Só recuou do envolvimento na fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour porque a imprensa mostrou os perigos dessa iniciativa estapafúrdia. Mas nenhuma ordem foi dada para o abandono da estratégia implantada no governo anterior. Com isso se preserva uma orientação incompatível com uma política séria de competitividade.

A presidente mostra sua fidelidade aos esquemas políticos de seu antecessor também ao preservar o ministro da Educação, Fernando Haddad, apesar das muitas trapalhadas de seu Ministério. Mais que isso: a política educacional foi por ela classificada como "herança bendita". Com essa atitude a presidente apoia o candidato de Lula à Prefeitura de São Paulo, mas deixa desprotegida uma área fundamental para o poder de competição.

O governo tem alardeado a melhora de desempenho brasileiro no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês). Grande melhora: no exame de 2009, o Brasil ficou em 53.º lugar em leitura, num conjunto de 65 participantes. Em todos os testes o País ficou muito abaixo da média internacional. Nenhuma surpresa, Afinal, as prioridades do presidente Lula foram as ações demagógicas na política universitária, como se as vagas criadas ampliassem de fato as oportunidades de emprego e tornassem o Brasil mais eficiente. Enquanto isso, os grandes gargalos eram mantidos, com metade dos adolescentes entre 15 e 17 anos fora do ensino médio e enormes contingentes sem base para receber treinamento no trabalho. Mantida essa orientação, é ridículo falar de competitividade. Ou a presidente constrói seu governo ou cuida dos interesses políticos de seu padrinho Lula.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Homens e bombas
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 13/07/11

Horas depois de ser atropelada por Dilma Rousseff na definição do novo ministro dos Transportes, ala significativa do PR se reuniu no apartamento de Valdemar Costa Neto para avaliar os "estragos".
O ex-ministro Alfredo Nascimento reclamou de ter sido rifado pelo Planalto e deixou ameaças no ar caso continue a ser "demonizado". Segundo relatos, negados pela assessoria de imprensa do PR, Nascimento disse: "Eles estão pensando que o Pagot sabe das coisas? Quem sabe tudo daquele ministério sou eu"! Já Costa Neto, na alça de mira do Planalto, teria sido lacônico e enigmático. Como ao dizer que "coisas acontecem hoje", mas "acontecem amanhã também".
Entre alas O desfecho das turbulências nos Transportes causou estragos nas relações internas do PR. Deputados chamam senadores da sigla de "entreguistas".

Como está... 

No governo, há quem aposte que a sucessão no Dnit também pode resultar na efetivação do secretário-executivo, José Henrique Coelho Sadok de Sá. Ele é funcionário de carreira, mas tem trânsito político.

...fica? 
A saída poderia agradar o PR e Luiz Antonio Pagot, sinalizando que não haverá "caça às bruxas".

Script 
O Planalto ficou satisfeito com a fala de Pagot no Senado. Avaliação semelhante foi feita entre deputados governistas, que, aliviados, diziam não esperar "surpresas" no depoimento de hoje à Câmara.

Carro novo 
O edital do Senado para renovar a frota de veículos, publicado ontem, traz acréscimo de 50% no preço divulgado em abril por Cícero Lucena (PSDB-PB), primeiro-secretário. O custo estimado para o aluguel de cada sedã foi de R$ 4 mil para R$ 6,1 mil ao mês.

Espeto de pau 
O ministro Wagner Bittencourt (Secretaria de Aviação Civil) perdeu a hora para café com jornalistas, ontem. O voo que o levava a Brasília atrasou.

Game over 
Orlando Silva (Esporte), Ricardo Teixeira (CBF) e Andrés Sanchez (Corinthians) telefonaram ontem a Geraldo Alckmin para parabenizar o comitê paulista da Copa-14 pela entrega das garantias financeiras para o Itaquerão, capítulo que faltava para São Paulo sediar a abertura da competição.

Tesoura 1 
Mesmo com folga no teto de gastos com funcionalismo, o pacote de bondades para professores e policiais custará a Alckmin fatia expressiva da cota de investimentos para 2012, ano em que o tucano se empenhará para eleger aliados nas grandes cidades.

Tesoura 2 
Não por acaso, o governador convocou os secretários, individualmente, para reforçar o apelo por economia no custeio.

Apetite 
O tucano abre hoje o Bandeirantes para jantar em homenagem aos 80 anos de FHC.

Mudança de lado 1 
De saída do PSDB, que lhe negou apoio à sua candidatura para a Prefeitura de Curitiba, o ex-deputado federal Gustavo Fruet tende a fechar com o PDT. É muito pouco provável que ele vá para o PSD, que deve se acertar com o candidato do governador Beto Richa (PSDB), o atual prefeito, Luciano Ducci (PSB).

Mudança de lado 2 
Ala do PT-PR defende apoio da legenda a Fruet caso ele vá para o PDT. Questionado se há constrangimento devido à atuação do ex-deputado na oposição a Lula, André Vargas (PT-PR) cita o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), também ex-tucano e hoje aliadíssimo do Planalto.
com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio


"Loteamento político do governo é especialidade petista. Mas a sociedade paga a taxa do condomínio. O escândalo nos Transportes é o melhor exemplo."
DO LÍDER DO PSDB NA CÂMARA, DUARTE NOGUEIRA (SP), sobre o artigo em que José Dirceu defende critérios políticos para o preenchimento de cargos.

contraponto

Etiqueta à mesa

Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) levou ontem para a liderança do PT na Câmara o bolo que havia providenciado para celebrar a aliança entre PT e PMDB. Na hora que chegaram os pratinhos, Ricardo Berzoini (PT-SP) brincou:
- Espera aí. É melhor não cortar este bolo não... Pode rachar a aliança.
Alves logo rebateu a piada:
- Não se preocupe, vamos fazer como o PT faz conosco... Vamos comer pelas beiradas!

ANTONIO DELFIM NETO - Disfuncional

 Disfuncional
ANTONIO DELFIM NETTO
FOLHA DE SP - 13/07/11
Recentes eventos mostram a gigantesca disfuncionalidade a que estão sendo levadas as administrações públicas federal, estaduais e municipais, com os votos no Congresso, nas Assembleias e nas Câmaras Municipais sendo obtidos em troca do "aparelhamento" da máquina estatal por apaniguados nem sempre competentes e honoráveis.
A competição entre os partidos leva à generalização e ao aprofundamento do processo, com a consequente banalização e a tolerância com o mau comportamento.
O partido que mais "aparelha" acaba recebendo mais financiamento (não declarado) e prepara-se, assim, para aumentar a sua participação nos próximos pleitos, em detrimento dos que não conseguiram a "mão gorda".
Isso é ainda mais visível, desde a instituição da reeleição, nos municípios que não são capitais. O poder incumbente leva para o Executivo vereadores eleitos à custa de benefícios e favores concedidos e recebidos pelo domínio da máquina pública.
Uma vez eleitos, voltam para o Executivo como "secretários" e deixam nas Câmaras seus suplentes, fragilizando o Poder Legislativo. Com duas eleições, dominam a imprensa local e se perpetuam no poder, por meio de mulheres, filhos e "tutti quanti". O grave é que, com o controle da imprensa local, as revelações de corrupção (mesmo comprovadas) exercem pequena influência nos resultados das eleições. É muito pouco provável que essa situação possa melhorar com as propostas de financiamento público e de lista fechada. O poder incumbente, que é maioria, vai receber maior verba pública e, sendo o poder concedente, terá ainda maior suporte do famoso "caixa dois". Trata-se de mecanismo que se autorreforçará, tornando cada vez mais difícil a administração pública.
Do aparente "presidencialismo imperial" comprado a preço de ouro, como vimos na aprovação da emenda da reeleição, estamos evoluindo na direção de um "parlamentarismo irresponsável"...
A solução para o problema está sendo procurada no lugar errado. Ela não está na reforma eleitoral, mas na autorreforma do Executivo (Constituição Federal, artigo 84, VI, a).
É preciso radicalizar a profissionalização do serviço público com concursos transparentes e honestos, e promover apenas pelo mérito. Além disso, reduzir o incrível número de "cargos de confiança" e diminuir os graus de liberdade dos ministros. Escolhidos livremente pela Presidência, ditarão obviamente a "política do ministério".
Poderão levar consigo três ou quatro assessores de confiança, mas, na sua execução, deverão aproveitar os valores do seu próprio funcionalismo.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Lá atrás [Dilma ministra], ela já questionou o valor das obras”
LUIZ PAGOT, DIRETOR-GERAL DO DNIT, CONFIRMANDO QUE ESTAVA “SOB CONTROLE” DO GOVERNO

PASSOS FEZ O QUE SE ATRIBUI A ALFREDO, INSINUA PR 
O Partido da República começou a “detonar” o ministro Paulo Sérgio Passos (Transportes), mal ele foi confirmado pela presidente Dilma. O líder do PR na Câmara, deputado Lincoln Portela (MG), insinuou que foram dele as decisões suspeitas atribuídas ao ex-ministro Alfredo Nascimento, como aditivos a contratos milionários. Passos foi ministro interino em 2006 e em 2010, quando Nascimento disputou as eleições.

DIRETO AO PONTO 
Após sugerir que “se investigue” quem foi o ministro dos milionários aditivos, o próprio Lincoln Portela deu a resposta: Paulo Sérgio Passos.

RECURSOS HUMANOS 
Conclusão do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) sobre as “férias” de Pagot: “Dilma mandou demitir Pagot. Hoje, Pagot demitiu Dilma”. 

PENSANDO BEM... 
Só faltaram as planilhas da Dilma no burocrático e enfadonho “relatório” que Luiz Antônio Pagot apresentou no Senado. 

FESTA NO INTERIOR 
Todo cuidado é pouco no Ministério dos Transportes: além do trem-bala, começou a licitação das linhas de ônibus nacionais. 

PARADA MILITAR DE DILMA VAI BEIRAR OS R$ 3 MILHÕES 
A inflação chegou à tradicional parada militar do Sete de Setembro em Brasília: a presidência da República reservou R$ 2,7 milhões para a primeira comemoração da Semana da Pátria no governo Dilma. É quase o triplo da última parada de Lula, em 2010, que custou R$ 999 mil. A expectativa de público também mais que dobrou: de 20 mil para 50 mil. A João Palestino Eventos costuma vencer todas as “paradas”. 

PEGOU 
O Brasil levou três meses para conceder o agrément para o novo embaixador da Guiana no Brasil, Kellawan Lall. Humm...

MARCO AURÉLIO, 65 
O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, comemorou ao lado da família, ontem, em Barcelona, os seus 65 anos de idade.

BATTISTI NA TRAVE 
A Itália vai participar dos Jogos Mundiais Militares no Brasil, mas a oposição italiana se mobiliza para impedir o amistoso no fim do ano. 

O TEOREMA DE PAGOT 
Decifrando: o inefável diretor do Dnit disse que “Dilma não foi omissa em momento nenhum, sempre questionou a questão do valor das obras” (quando ministra). Mas a roda da fortuna continuou girando...

PIADA PRONTA 
O governo do DF cedeu à chantagem e concordou em fazer o contribuinte pagar plano de saúde... para funcionários da Secretaria de Saúde. Eles próprios acham um horror o serviço que prestam.

BATATA ASSANDO 
Uma ação popular na Justiça quer impedir a posse do senador Antonio Russo Neto (PR-MS), que assumiu a vaga da tucana Marisa Serrano, hoje no Tribunal de Contas. Ele é acusado de participar da quebra dos frigoríficos Independência, que deixou rombo de R$ 3,5 bilhões. 

SEM PILOTOS 
Criada para “desmilitarizar” o setor, no antigo DAC, a Agência Nacional de Aviação Civil pediu cem pilotos à Aeronáutica para reforçar o quadro de inspetores, onde concursados há dois anos batem carimbo.

APATIA 
Amigos do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) se preocupam com sua apatia. Nem sequer tem tido o acesso a Dilma, mesmo como primus inter pares, o primeiro dos ministros pela ordem do cerimonial.

MOTIM A BORDO 
Rebelião no barco do PT catarinense com o desemprego do ex-deputado Cláudio Vignatti, lançado ao mar duas vezes pela ministra Ideli Salvatti. Perdeu a secretaria-geral nas Relações Institucionais e uma diretoria na Eletrosul, presidida pelo ex-marido de Ideli.

LADEIRA ABAIXO 
Além de pagar extorsivos R$ 47,75, o remetente de uma carta com foto de Brasília para Portugal teve de colar 48 selos no envelope. É que o dono da franquia no edifício Radio Center “não pega selos maiores”.

PARA OS OUTROS 
A área de comunicação da Infraero ainda não explicou ao novo presidente por que uma única pessoa recebeu quase R$ 2 milhões em patrocínios, no ano de 2010, enquanto a estatal avisava em seu site que não examinava projetos de patrocínio. Para os outros...

PERGUNTA NO DNIT 
Quais serão os próximos Passos de Pagot? 

PODER SEM PUDOR
AMIGO ATRASADO 
Ney Suassuna (PB) era senador e líder da bancada do PMDB quando tocou o telefone. Um homem se apresentava como “grande amigo” de Valdick Suassuna, irmão do senador, e insistia em falar com o líder.
– Olhe, senhor, me desculpe... – tentou cortar a secretária.
– ... sou amigo do Valdick, sim – repetia o homem.
Ela desmascarou a farsa:
– Valdick morreu há uns quatro anos. Só se o senhor for amigo dele em sessão espírita...