quarta-feira, dezembro 16, 2009

GOSTOSA

RICARDO GANDOUR

Todos seremos melhores com a imprensa livre

O ESTADO DE SÃO PAULO - 16/12/09


O País acompanha nos últimos meses uma novela que parece não ter fim: os procedimentos jurídicos para derrubar a censura prévia que se abate sobre este jornal e seu site na internet. Uma decisão judicial impede o Estado, desde 31 de julho, de publicar informações sobre a investigação da Polícia Federal apelidada Boi Barrica, que esmiúça negócios do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. Desde então, o Grupo Estado vem recorrendo às sucessivas instâncias do Judiciário.

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inadequado um recurso impetrado pelo jornal na esperança de encurtar o caminho e apressar o restabelecimento da plena liberdade. O STF declarou imprecisão técnica e arquivou o pedido. Continuam os recursos pelas vias que os advogados já vinham trilhando.

Ao oficialmente deliberar apenas sobre a forma do recurso, a Suprema Corte acabou tangenciando o delicado tema da liberdade de imprensa. Delicado e, ao que pareceu, mal compreendido. Parte do plenário articulou seu discurso para sustentar que a liberdade de imprensa talvez não deva mesmo ser plena. Para alguns ministros, uma "intervenção judicial" que impeça um veículo de publicar algo pode, em alguns casos, ser plausível e até benéfica!

Escrevo evidentemente não como especialista. Escrevo como jornalista e editor, mas principalmente como cidadão preocupado com o que viu e ouviu ao assistir à plenária pela TV Justiça, solução tecnológica que potencializa a concepção essencial de Oscar Niemeyer. Ao projetar a Praça dos Três Poderes, o arquiteto quis que o tripé sustentáculo da democracia fosse ali vislumbrado, vivido e, quem sabe, influenciado pelo cidadão comum. O plenário do Supremo Tribunal praticamente não tem portas ou obstáculos à entrada. Suas sessões são abertas, vistas e até ouvidas pelo povo na praça.

Temos atualmente, no Brasil, uma carência de debates e de aprofundamento em torno da função da imprensa livre nas democracias. É fato que diversos autores, acadêmicos ou na prática do mercado, têm se debruçado sobre o assunto em teses e livros recentes. Mas o foco em moda tem recaído primordialmente sobre as novas mídias e o impacto da internet, ficando em segundo plano a análise do papel central da informação jornalística livre e fiscalizadora, e seu futuro inclusive nos novos meios de veiculação. Liberdade de imprensa deveria ser assunto obrigatório em diversos cursos superiores, não só nas áreas de comunicação social.

A democracia precisa de uma imprensa plenamente livre, que responda (e amadureça) com responsabilidade pelos seus erros e acertos, aos quais as coisas, principalmente as públicas, estão e devem ser expostas. Imaginar que algum tipo de tutela tenha a capacidade de melhorar a atuação da imprensa, em favor do povo ou "protegendo-o" de potenciais equívocos, é raciocínio, no mínimo, infantilizado. O ato de proibir um veículo de divulgar não encontra outro lastro senão o da presunção do que se está prestes a editar. "Eu te proíbo, em nome da lei, de editar o que eu estou imaginando que você está imaginando." Coerção do pensamento! A proteção prévia motivada por temor é prima do paternalismo, todos parentes do autoritarismo. Os riscos da liberdade são muito melhores e mais frutíferos do que os riscos do controle prévio.

Cada texto de um repórter será sempre pontual, sujeito ao escrutínio público e passível de interação com as partes, complementação, ajuste e correção. Os tribunais classicamente operam em outra dimensão, se e quando provocados e a partir de fatos concretos. Suas sentenças serão sempre mais definitivas, e sua ação será tanto melhor quanto mais a posteriori for, com o máximo possível de informações apuradas e postas em público. Ambos os ofícios sujeitos aos erros de toda obra humana. Mas cada qual com o seu tempo e o seu método.

Sinalizar ao País que a liberdade da imprensa não é plena trará precedente gravíssimo. Instituições de diversas naturezas demandarão o Judiciário para impedir a realização de reportagens que julguem, por mera presunção, incômodas - e a sociedade jamais poderá comprovar. Corruptores e corrompidos, governantes que não cumprem metas, organizações que desrespeitam a lei, o meio ambiente e os consumidores: todos terão a chance de encontrar no Judiciário o escudo para esconder da fiscalização do público o que poderia vir a ser de elevado interesse para todos. E quem poderá dizer em que casos a cautela antecipada não se transformará em impunidade pré-adquirida? Os juizados se verão abarrotados de demandas baseadas na imaginação do que pode vir a acontecer, e não em fatos concretos. A edição final passará pelos juízes, um desvio bárbaro no método e no tempo. Ruim para as duas atividades, péssimo para as mínimas chances de transparência e debate públicos.

A democracia voltou a reinar entre nós tendo o poder fiscalizador da imprensa como aliado e catalisador. Lideranças hoje atuantes são ao mesmo tempo testemunhas e frutos dessa história. Ao País parece estar reservado um futuro inegavelmente próspero no plano material. A sociedade brasileira não merece, para dizer o mínimo, seguir adiante estampando ao mundo essa enorme rachadura em sua construção democrática, o que pode abalá-la no futuro, até em termos econômicos. O Judiciário ainda terá a chance de ratificar ao Brasil a plena liberdade de sua imprensa, com a qual somos e seremos todos melhores.

Ricardo Gandour, jornalista, é diretor de Conteúdo do Grupo Estado

ANCELMO GÓIS

ROUANET NO SAMBA

O GLOBO - 16/12/09


Além da carioca Acadêmicos da Rocinha, que semana passada foi autorizada a captar R$ 2 milhões pela Lei Rouanet, o Ministério da Cultura autorizou ontem o Bloco do Psirico, da Bahia, a captar R$ 402.545.
SEGUE...
Já as Escolas do Grupo Especial do Rio vão receber, como se sabe, R$ 8 milhões da Petrobras pela lei de incentivos fiscais do ICMS de Sérgio Cabral.
AEROCÂMARA
O deputado Ernandes Amorim, que responde a meia dúzia de ações na Justiça, fez discurso em defesa da compra de um avião para ser usado pelos 513 deputados:
– Pedi ao presidente Michel Temer a compra de uma aeronave para ficar à disposição da casa. É que fazemos, em média, umas 100 viagens a trabalho por ano.
Ah, bom!
QUEBROU A PERNA
O embaixador de Portugal em Brasília, João Salgueiro, sofreu um acidente em Macapá, onde visitava uma usina, e quebrou a perna.
Uns ferros caíram em cima dele, coitado. Mas Salgueiro já deixou o hospital.
NO MAIS
Como já foi dito, a delegação brasileira na Conferência do Clima em Copenhague é escandalosamente grande.
Alguns jornalistas estrangeiros já até entrevistaram coleguinhas brasileiros a respeito. Há gente lá que não tem nada a ver com o clima.
RETRATOS DA VIDA
Segunda à noite, dois gays namoravam no Pizza Hut do Shopping New York, no Rio, quando entrou um casal com crianças.
O pai exigiu que os gays saíssem. O gerente, sem graça, pediu para os dois ficarem no andar de cima. Meu Deus...
MOMENTO “CARAS”
Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, mostrou ontem nesta reunião do clima em Copenhague que ainda não deixou de ser ator.
Antes de discursar (o fortão e José Serra foram os únicos governadores a falar), foi ao auditório vazio e, veja só, ensaiou com o teleprompter.
BRRRRRRR...
Aliás, faz tanto frio em Copenhague que tem gaiato fazendo piada e se dizendo desconfiado do aquecimento global.
POR FALAR EM FRIO...
Carlos Minc tem lançado novos modelitos de colete em Copenhague, mais apropriados para a temperatura de zero grau.
“É o modelo Copenhague”, diz. São de tecido mais grosso e nada discretos, listrados de várias cores, e acompanhados por uma echarpe. Não é fofo?
MODA RIO
As grifes Animale e Farm, grandes marcas do Rio, estão fundindo suas operações.
SEGURANÇA PÚBLICA
O TJ do Rio repassará ao governo do Estado R$ 60 milhões para a execução de projetos na área de segurança pública.
O presidente do TJ, desembargador Luiz Zveiter, e Sérgio Cabral assinarão o acordo hoje.
CASO MÉDICO
Beth Carvalho está internada no Pró-Cardíaco, no Rio.
A cantora cancelou seu show no réveillon na praia de Copacabana. Em seu lugar, estará Arlindo Cruz.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

DORA KRAMER

Conduta abusiva

O ESTADO DE SÃO PAULO - 16/12/09



Não faz ainda 20 dias que apareceu diante de todo o País recebendo um dinheiro das mãos de notório distribuidor de propinas e o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, já dá nova demonstração de conduta abusiva.

Valeu-se do cargo que, pelos critérios do bom senso, ocupa de maneira ilegítima, para distribuir R$ 248 milhões entre funcionários do DF. Antecipou o pagamento de dezembro para todos os 45 mil servidores e liberou verbas de gratificação a bombeiros e policiais militares.

Estes últimos especialmente merecedores, sob a ótica do governador, de recompensa pela atuação truculenta na repressão a estudantes em protesto contra a presença no governo de uma autoridade investigada por corrupção e filmada em flagrante delito.

Ao presentear os funcionários, a intenção do governador foi presentear a si mesmo, pois supõe que assim contribua para esvaziar os movimentos em prol do seu impeachment.

Não fez nada de ilegal. Inclusive porque sua cota nessa seara já foi exposta. Mas impressiona nesse caso a desfaçatez. Não só de Arruda ao tentar simular normalidade reunindo o secretariado para falar de assuntos "de governo" e organizando "a base" na Câmara Distrital para decidir a melhor (para ele) data do início do recesso, a fim de ganhar tempo na esperança de que esfrie o clima do escândalo.

O cinismo é generalizado. Alcança todos os partidos a ele aliados, cujos filiados também aparecem nas imagens ou são citados no inquérito, mas permanecem incólumes, impunes, levando a vida quase normalmente, como se nada tivesse acontecido.

A falta de pudor alcança também o DEM, que tanto escarcéu fez pela saída de José Roberto Arruda do partido por causa do vídeo em que o então candidato aparece recebendo dinheiro, mas não se importuna com a presença do vice Paulo Octávio em suas fileiras.

Isso, apesar de o principal executivo do empresário do ramo imobiliário (o maior de Brasília) ter sido filmado enchendo uma mala preta. O DEM alega que nada há contra o vice. Amplamente citado no inquérito, mas sem a imagem dele na tela.

As coisas chegaram a um ponto em que evidências, citações, a óbvia divisão de responsabilidades entre o governador e o vice - que nem uma palavra de reparo disse sobre a conduta de seu companheiro de governo - não bastam.

E, nesta altura de um campeonato em que o governador se arvora o direito de ler comunicados sem permitir perguntas para não ser constrangido pela imprensa, usa o patrimônio público em feitio de autoajuda, nem as provas comprovam.

É preciso, no dizer dos correligionários de Arruda, uma CPI da Câmara Distrital para "investigar" se as cenas a que o Brasil todo assistiu significam que o governador recebeu dinheiro, que os deputados embolsaram propina, que os empresários levaram notas nas cuecas, que os corruptos oraram em atenção à graça recebida, ou se porventura as imagens não falam por si.

Ação parlamentar

É do deputado Miro Teixeira a ação de inconstitucionalidade contra vários pontos da legislação eleitoral alterados pelo Congresso neste ano, que ensejará a chance de o Supremo Tribunal Federal interpretar a Constituição de modo diferente ao desejado pelos parlamentares.

Por exemplo, no que tange à limitação do prazo de 15 dias após a diplomação do eleito, para contestação de mandatos. A legislação impede a cassação de José Roberto Arruda por crime eleitoral em 2006 e teria impedido também a interrupção dos mandatos de governadores e prefeitos condenados antes da aprovação das novas regras.

Foi do deputado Miro Teixeira a ação que permitiu a derrubada da Lei de Imprensa, bem como foi da autoria dele uma antiga consulta que permitiu ao Tribunal Superior Eleitoral instituir a obrigatoriedade de alianças uniformes para eleições nacionais e regionais.

A chamada verticalização, já extinta pelo Congresso por contrariar interesses dos grandes partidos.

O deputado Miro, aliás, anda sumido. Ele e outros de atuação parlamentar significativa perderam espaço, hoje totalmente ocupado pela turma da fisiologia.

Limites

"O censor não está limitado por lei alguma", disse o ministro Eros Grau, em seu voto contrário ao recurso do Estado ao Supremo Tribunal Federal, pela suspensão da censura prévia à publicação de informações sobre a operação da Polícia Federal que investiga atividades ilícitas do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney.

Pelo raciocínio do ministro, só o juiz está limitado pela lei, cuja aplicação não pode ser confundida com censura.

O ministro Eros Grau não levou em conta que não apenas o censor, mas qualquer cidadão - inclusive juízes - está não só limitado como impedido pela Constituição de ferir os preceitos da liberdade de expressão e do direito à informação.

CLÁUDIO HUMBERTO

“O nosso grande nome é o do presidente do partido [Michel Temer]”
JOSÉ SARNEY, SOBRE O NOME QUE VAI OCUPAR A VAGA DE VICE NA CHAPA DE DILMA ROUSSEFF

CGU INVESTIGA DESVIO DE DINHEIRO NO TURISMO
A Controladoria Geral da União (CGU) investiga um escândalo de grosso calibre, no âmbito do Ministério do Turismo: o desvio de recursos destinados a eventos em centenas de municípios, financiados majoritariamente por emendas parlamentares. Só este ano, receberam ajuda financeira cerca de 1.500 eventos “que atraem fluxo turístico” (a condição para o patrocínio oficial), no total de mais de R$ 250 milhões.
QUEBRA DE SIGILOS
A CGU já requereu a quebra dos sigilos bancário e fiscal de vários agentes públicos, incluindo dirigentes do Ministério do Turismo.
DINHEIRO FÁCIL
Cada “projeto” de evento recebe até R$ 1,2 milhão do Ministério do Turismo em emendas parlamentares, sendo R$ 300 mil por deputado.
NOTAS FRIAS
A CGU suspeita que prefeitos, ONGs e deputados federais prestam contas com notas fiscais frias para justificar despesas desses eventos.
SUPERFATURAMENTO
Os custos dos eventos turísticos nos municípios são também superfaturados, acredita a CGU, incluindo os cachês pagos a artistas.
BLOGS FAZEM CONSÓRCIO CONTRA A CENSURA
Os blogueiros Adriana Vandoni e Fabio Pannunzio criaram a “permuta de censura”. Vítimas de um abuso frequente da Justiça, apesar da Constituição e de decisões do Supremo, um publica o que é proibido ao outro. Ele está impedido de mencionar uma quadrilha de Curitiba e ela de citar o deputado José Riva (PP), presidente da Assembléia do Mato Grosso, réu por formação de quadrilha, desvio, improbidade, etc etc, etc.
BADALOS NATALINOS
Os servidores do Tribunal de Justiça da Bahia estão emendando greve com Natal e talvez ano-novo. Não querem trabalhar oito horas por dia.
UM DIA ESPECIAL
A coluna seleciona até domingo (20) as melhores broncas dos leitores com o que eles esperam de 2010. Serão destaque em 1º de janeiro.
TOMA LÁ...
O governo do DF tem quase 20 mil cargos para distribuir entre os deputados distritais interessados na aliança com o governador Arruda.
ESTACA ZERO
Em greve política há dez dias, até agora, quase cem dias depois, a Policia Civil do DF ainda não desvendou o brutal assassinato do ex-ministro do TSE José Guilherme Villela, sua mulher e a empregada.
A VIRGINDADE DE CREUZA
Lula garantiu na esquisitíssima Conferência Nacional de Comunicação que para ele a liberdade de imprensa é “sagrada”, mas “sem excessos”, etc. O velho conceito da meia gravidez ou da “democracia relativa”.
CALOTE PERMITIDO
Nos EUA, os bancos devolvem ao governo o socorro que receberam no auge da crise. No Brasil, bancos das montadoras de automóveis, que tomaram nossa grana, fingem-se de mortos. E nem são incomodados.
FALSETA LUSA
O jantar dos 97 anos da Câmara de Comércio Luso-Brasileira na Hípica (SP), por até R$ 600, segunda, garantia a presença de Lula e Dilma, mas os convidados jantaram com o ministro Luiz Barreto (Turismo) e o senador Aloizio Mercadante. Os comensais tiveram raiva irrevogável.
FOGAÇA GOVERNADOR
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) está otimista com a chapa do seu partido em 2010, no Rio Grande do Sul: o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, vai disputar o governo; Germano Rigotto, o Senado.
VOO SOLO
O PV abandonou o governo Jaques Wagner (PT) por “coerência ideológica” com Marina Silva. O deputado Luiz Bassuma, expulso do PT por ser contrário ao aborto, é o candidato ao governo baiano.
TERCEIRO SETOR
O procurador José Eduardo Sabo Paes coordena o volume 3 do livro “Terceiro setor e tributação” (Fortium Editora), que será lançado às 19h desta quarta-feira (16) no restaurante Stella Grill, em Brasília.
O “CARA”, NÃO. O CHILE
O Chile, onde o PIB cresce 5,5% ao ano, foi aceito na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), clube dos países desenvolvidos. O primeiro sulamericano, o segundo da América Latina.
PENSANDO BEM...
... Há malas que vêm para o DEM.

PODER SEM PUDOR
IRMÃO É SEGURANÇA
Em viagem ao interior do Estado do Rio, sozinho e sem motorista, o deputado Ronaldo Cezar Coelho (PSDB-RJ) parou para oferecer carona a dois PMs uniformizados. Um de seus assessores, paranoico, alertou para a possibilidade de serem falsos policiais, talvez sequestradores. Ele sorriu:?
– Ninguém sequestra deputado federal, ainda mais se ele é irmão de alguém famoso como o Arnaldo Cezar Coelho...

O ESGOTO DO BRASIL

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Setor público tem 21% dos empregos do país


- Folha: Brasil aprova entrada da Venezuela no Mercosul


- Estadão: Brasil cede e paga mais US$1,2 bi pelo gás boliviano


- JB: PF prepara novo cerco a Arruda


- Correio: Câmara aprova orçamento do DF


- Valor: Empresas aéreas ampliam crédito para atrair classe C


- Estado de Minas: BH terá R$ 1 bi para destravar o trânsito


- Jornal do Commercio: Ônibus do futuro vai sair do papel

terça-feira, dezembro 15, 2009

NELSON VASCONCELOS

O sócio

O Globo - 15/12/2009


Ontem, por volta de meio-dia, batemos a marca de R$ 1 trilhão pagos em impostos este ano, de acordo com cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Tudo a ver com o que andei conversando semana passada com executivos de tecnologia. Como todos sabemos, pagamos impostos demais - e o pior é não haver retorno visível.

A mordida é cruel. E o governo acaba sendo considerado uma espécie de sócio das empresas. Mas daquele sócio que só passa na firma uma vez por mês, para recolher a parte boa, sem fazer qualquer esforço produtivo, digamos assim. Faz isso com salários também, ora se não...

Mas voltemos à tecnologia.

Aqui no nosso mundinho, pouca gente sabe que, no preço final de um modem importado, por exemplo, estão embutidos nada menos que 77,95% de impostos. Em protesto, tratemos então de comprar um modem nacional - e, com isso, pagaremos apenas 53,39% de tributos.

Nada animador.

Evidentemente, impostos vão pesando sobre o que quer que pensemos: computadores, celulares, software, acesso à internet, acessórios etc. etc. Resultado: - A carga tributária sobre o setor de tecnologia fica em 45%. É uma das mais altas que temos (quando comparamos os diversos setores da economia) - alerta Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT.

Os exemplos dos investimentos oficiais vão se sucedendo.

Para uma fabricante de celulares, somente o IPI sobre um aparelho importado, por exemplo, chega a 15%.

- Mas a lei diz o seguinte: se você montar o celular aqui, esse IPI cai pra 3%. No entanto, tem que dar uma contrapartida para o país, que é investir cerca de 4% em pesquisa e desenvolvimento (P&D) - conta o executivo de uma multinacional. - E será que essa renúncia fiscal está valendo a pena em termos de patentes para o Brasil? As regras são muito complicadas.

De fato, a ideia de criar contrapartidas para a indústria nacional poderia parecer interessante. Só que há um detalhe: os projetos de P&D ainda devem ser aprovados pelo Ministério do Desenvolvimento, num jogo que está longe de ser ágil. Como se sabe, a burocracia atravanca o progresso.

Além do mais, até que ponto o ministério tem o direito de se meter nos segredos que envolvem as pesquisas e os projetos desenvolvidos pelas empresas de tecnologia? Obviamente, as empresas cuidam com muito carinho das suas patentes próprias, que são a base da indústria. Temos grande dificuldade para explicar essas regras quando temos que nos reportar para o pessoal da matriz... - diz o executivo.

Pense aí: para quem você abriria seus projetos estratégicos? São bastante criativos, pois, os burocratas que determinam o futuro da nação...

O rolo não se dá pela simples cobrança dos impostos.

O problema é que se tributa tecnologia como se essas coisinhas fossem luxo, apenas uns brinquedinhos modernos para deleite de poucos privilegiados.

Não são. São instrumentos fundamentais para produtividade e crescimento de todos os setores, inclusive educação e cultura (onde estão nossas maiores deficiências). Ninguém, afinal, vive sem tecnologia - e não investir nisso é miopia, ignorância ou má-fé.

E com tudo o que vemos, e o que não vemos, o governo (desde sempre, de qualquer partido) percebe a indústria de tecnologia não como instrumento produtivo, mas como uma ótima fonte de renda - através dos impostos, naturalmente.

Agir dessa maneira não é a opção mais inteligente para quem pretende trilhar o caminho do Primeiro Mundo.

Pelo contrário. Abaixar tributos talvez seja mais útil. Como lembra Amaral, o mercado de PCs era dominado pelos produtos piratas.

O quadro se inverteu somente nos últimos anos, depois da desoneração de impostos (PIS, Cofins, ICMS etc.). Foi bom para a importação legal e para os fabricantes nacionais. Por que não incrementar essas medidas e adotá-las em outros setores? Mistérios.

- Diferentemente de outros países em desenvolvimento, nós tributamos fortemente a produção e o consumo - diz Amaral. - Basta ver que, no desenvolvimento da tecnologia nacional há também uma alta carga tributária sobre emprego e sobre as vendas.


No fim das contas, o recado é um só: encarecer tecnologia é burrice.

Jogo perigoso

Está rendendo muita discussão o projeto de lei que quer proibir importação e venda de games violentos no país. Leitores do GLOBO, pelo jeito, não embarcaram na conversa. Alguém sugeriu a criação do jogo "One day in Brasília", que gira em torno de muita corrupção. Inspirado em fatos reais. Confira em .

De olho

Chegou a 3.470 o número de chineses presos por alimentarem sites pornográficos, somente este ano. De acordo com a agência oficial de notícias do país, o governo conseguiu apagar da rede mundial cerca de sete mil sites pornográficos.
O mais difícil, no entanto, é detonar a pirataria, diz o site Info.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Brasileiras fecham acordo com dinamarquesa

FOLHA DE SÃO PAULO - 15/12/09



As empresas brasileiras Braskem e Cetrel anunciaram ontem em Copenhague, em evento paralelo à COP-15, parcerias com a dinamarquesa Novozymes para produção de energia limpa e o início de pesquisas para desenvolvimento de polipropileno, ambos a partir da cana-de-açúcar.
As empresas irão partilhar conhecimentos técnicos e científicos com a Novozymes, que é a maior fabricante de enzimas industriais do mundo.
No caso da Cetrel, que é especialista em reaproveitamento de resíduos industriais, a intenção é usar a biotecnologia da companhia nórdica para produzir biogás, que, por sua vez, deverá gerar energia elétrica para indústrias.
"Há um impacto na geração de energia do bagaço, que pode aumentar em 50% o potencial, com custo mais baixo e menor emissão de gases de efeito estufa", segundo Denis Cidreira, diretor da Cetrel.
Com a Braskem, a ideia é desenvolver a partir do etanol uma alternativa verde para produzir polipropileno, plástico utilizado em vários produtos, de recipientes a carros.
"Já há plástico verde, mas estamos desenvolvendo uma tecnologia diferente e mais eficiente do que a que existe", disse Marcelo Lyra, vice-presidente da Braskem.
Em Copenhague, lembrou Marcos Jank, da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), há vários anúncios da Coca-Cola em nova garrafa em plástico "verde". Com a nova tecnologia, o material dessas embalagens poderá vir a ser importado do Brasil, segundo Pedro Luis Fernandes, presidente regional da Novozymes.
Os primeiros resultados devem sair em, no mínimo, cinco anos.

RASTREAMENTO ESTRATÉGICO
A Tracker do Brasil irá relançar no próximo ano o sistema de rastreamento para motos, agora voltado para as de baixa cilindrada, mais visadas nos roubos e furtos. Segundo o vice-presidente da companhia, Diego Insignares, o produto será direcionado aos motoboys, que encontram dificuldade em fazer seguro. Além das motos, os laptops, alvo de furtos principalmente em aeroportos, também poderão ser rastreados a partir de 2010. Paralelamente, a companhia está exportando a sua metodologia de desenvolvimento de novos produtos para empresas do grupo na América Central e na América do Sul. O planejamento estratégico tem como foco as necessidades do cliente, diz o vice-presidente.

CENÁRIO POSITIVO
Os empresários brasileiros esperam cenário positivo nos próximos três anos, segundo estudo da Deloitte, que será divulgado hoje. A maioria (88%) acredita que o investimento estrangeiro deva subir. O acesso ao crédito crescerá, segundo uma fatia menor dos empresários (66%). "Com a necessidade de investimentos para PAC, pré-sal e eventos esportivos, o país vai viver forte demanda por crédito e capital. Com tudo isso, o custo do crédito deve cair, mas não em proporção tão alta", diz José Paulo Rocha, sócio da Deloitte. A pesquisa abordou 573 empresas.

PARCERIA
Os governadores José Serra e Arnold Schwarzenegger, da Califórnia, se encontram amanhã e poderão estabelecer cooperação entre os dois maiores Estados dos seus países na área de bioenergia, com ênfase no etanol. A Califórnia é um grande mercado para o Brasil pois consome quase 6 bilhões de litros de etanol por ano -10% do consumo de gasolina do Estado americano. "A COP-15 é revolucionária para nós. Deve produzir um acordo global, mesmo que seja fraco. Vender para a Califórnia já será muito bom, mas a COP deverá provocar aumento de escala", disse Marcos Jank, da Unica. Independentemente da Conferência das Nações Unidas, EUA e Europa já criam legislação rigorosa e o caminho para atendê-la será aumentar o álcool na gasolina, como o Brasil já fez, diz Jank.

HOTELARIA 1
As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste começam a receber apoio do governo para reformar e ampliar o parque hoteleiro com foco na Copa de 2014. No início do mês, a Sudene ampliou de 15 para 20 anos o prazo para pagamento de empréstimos de recursos do Fundo Constitucional do Nordeste para o setor. Sudam e Secretaria de Desenvolvimento do Centro-Oeste também acabam de ampliar os prazos.

HOTELARIA 2
Na última sexta, em reunião do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste, foram aprovados R$ 364 milhões para a região em 2010. Os recursos serão operacionalizados pelo Banco do Brasil. Para o Nordeste, serão destinados R$ 520 milhões. O Norte terá R$ 164 milhões.

FLORESTA
A Amazônia está adaptada para receber 3 milhões de visitantes ao ano e movimentar US$ 5 bilhões, segundo o Proecotur (Programa de Desenvolvimento do Ecoturismo na Amazônia Legal), desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente. A região possui uma permanência média de turistas de 14 dias. No restante do Brasil, a média é de nove dias. Cada visitante gasta, em média, US$ 112,86 por dia.

NO PRATO
O consumo de macarrão no Brasil deve crescer neste ano, mas em menor proporção que nos EUA, segundo a Abima (Associação Brasileira das Indústrias de Massas). Com a crise econômica, as vendas de macarrão, alternativa de baixo custo, subiram 12% neste ano no mercado norte-americano.

com JOANA CUNHA e ALESSANDRA KIANEK

GOSTOSA

DIRETO DA FONTE

McTone?

Sonia Racy

O ESTADO DE SÃO PAULO - 15/12/09


Antônio Carlos Rodrigues, presidente da Câmara paulistana, fechou o Parque da Xuxa, sábado.
Decidiu alegrar os tristes tempos de "panetonegate" e comemorar o aniversário de seus dois netos. Com direito a livre acesso ao McDonald"s.

Pensar médio
Depois de bombardeamento de mais de três horas, domingo, com ONGs diversas, Serra fala hoje "treinado" durante palestra que dá em Copenhague ao lado de outros governadores, como Arnold Schwarzenegger.
Ouviu de Luiz Pinguelli Rosa, por exemplo, que Estados e municípios devem ter papel decisivo. Na ótica do físico, planos em ampla escala tendem a funcionar mal.

Chic, o clima
Deu no Daily Telegraph, de Londres. Em 11 dias de cúpula, chegarão a Copenhague nada menos que 140 jatos particulares mais boa parte das 1.200 limusines alugadas pelas delegações.

Plumas e paetês
A Lei Rouanet caiu no samba. A escola Acadêmicos da Rocinha foi autorizada a captar R$ 2 milhões para botar seu bloco na avenida.

Vale ouro
Cesar Cielo enquadrou o maiô que usou ao ganhar ouro no Mundial de Roma para dar a... Gustavo Borges. Uma retribuição a presente idêntico que ele recebeu do veterano.

Drug story
Marcos Prado vai se debruçar sobre novo longa.
De nome Paraísos Artificiais, no qual pretende explorar o drama da "geração ecstasy".

Réquiem
Na mira do "projeto tratorada" do governo, que quer encerrar o ano sem deixar bodes na sala, Heráclito Fortes já se prepara para ver sepultada a CPI das ONGs. O enterro será precedido de pequeno teatro do relator Inácio Arruda - que, antes de baixar o caixão, vai propor a criação de um... marco regulatório.
Seja lá o que isso for.

Réquiem 2
A base aliada deve fazer ouvidos de... "mercadante."

Pontapé
Conforme antecipado pela coluna em agosto, Ricardo Lacerda montou seu próprio banco de investimentos, o BR Partners. Começou capturando uma sócia, a ex-BMC Andrea Pinheiro, e uma operação gigante de R$ 1,5 bilhão, a da Hypermarcas e Neoquímica.
Outros sócios estão a caminho. "Nosso projeto é bem mais ambicioso do que apenas uma butique de investimentos", diz o ex-Citi.

Invasão chinesa
Ao lado de dois dirigentes chineses da JAC Motors, David Zhan e Michael Yang, Sérgio Habib, do Grupo SHC, fecha oficialmente hoje uma parceria com a montadora chinesa.
Começam com a importação de três novos modelos.

Livro no parque
Magda Maciel Montenegro, bibliotecária, foi escolhida por João Sayad para dirigir a mais nova biblioteca do Estado. A Poiesis cuidará da administração.
O espaço abre em janeiro no Parque da Juventude.

Tá na hora, tá na hora
O Procon afrouxou e bares da rua Augusta e dos Jardins estão fazendo festa na cobrança de consumação mínima, coisa proibida por lei. Tem gente cobrando até R$ 20, como o Z Carniceria, ou R$ 15, como o restaurante Tostex.
Pudera. A última fiscalização foi em agosto, quando vistoriaram 31 estabelecimentos e multaram seis.

Na Frente

Ao voltar para o segundo bis, na sexta, Maria Bethânia quis cantar uma canção cuja letra estava nas mãos de... Cássio. Bethânia gritou, chamou e o moço, nada. Acabou cantando Ronda. Ninguém ficou sabendo onde foi parar Cássio.

No ano em que completa cem anos, o Bar Vesúvio - o de Jorge Amado, em Gabriela - tenta emplacar projeto cultural no Ministério da Cultura e também na Secretaria da Bahia.

Araquém Alcântara lança Sertão sem Fim, hoje, na Livraria da Vila da Lorena.

Fernanda Marques comemora seus 20 anos de carreira com lançamento de livro. Hoje, na Casa do Saber.

Vistos sábado em sessão garimpo no Santa Luzia, Charlô Whately e Philippe Marc, do Plaza Athénée. Preparando o cardápio para o jantar a quatro mãos que farão hoje no bistrô?

Minutos depois da agressão contra Berlusconi, o Facebook recebeu 20 novas comunidades exaltando Maximo Tartaglia, autor da aclamada "façanha".

Roberto Justus e Marcos Quintela pilotam jantar, hoje, na Y&R. Com direito a brinde à promoção de Quintela.

O Pacotão, grupo carnavalesco de Brasília, definiu tema para 2010. Pedirá... a troca de José Roberto Arruda por Zelaya.

VINICIUS TORRES FREIRE

O leilão de vento deu certo

FOLHA DE SÃO PAULO - 15/12/09



LEILÃO DE ENERGIA EÓLICA MOSTRA QUE SETOR DEIXA DE SER EXÓTICO E MARGINAL E QUE PREÇO DE SUA ELETRICIDADE PODE SER VIÁVEL

A ENERGIA dos ventos deixou ontem de ser um exotismo marginal na produção de eletricidade no Brasil. O governo contratou em leilão projetos de usinas eólicas com capacidade de gerar 1.805 MW, pouco mais de um quarto da potência instalada de uma usina do rio Madeira, em Rondônia. A energia estará disponível a partir de 2012. Hoje, todas as usinas de eletricidade movidas a vento no país são capazes de produzir cerca de 600 MW.
Para começar pelas boas notícias, o preço médio da energia do leilão foi muito competitivo, R$ 148,39 por MWh. O governo havia fixado um teto de R$ 189 por MWh (megawatt-hora). No mercado, que sempre chora, dizia-se que alguns projetos seriam capazes de se sujeitar ao limite de preço do governo, mas que não haveria propostas próximas de R$ 140 por MWh. Mas houve até propostas entre R$ 130 e R$ 140, embora algumas empresas gigantes, como a portuguesa EDP, tenham desistido do leilão (a EDP tem um parque eólico de 2.500 MW nos EUA). O teto do preço para o leilão "normal" de energia elétrica marcado para este mês era de R$ 144 MWh (o leilão foi cancelado, pois a oferta majoritária era de energia "suja" e, porque, por ora, sobra energia devido à crise).
A energia eólica ainda é tida como cara. Tanto que a associação do setor, Abeeólica, insiste em que a energia dos ventos seja leiloada apenas em certames "especiais", sem concorrer com outras fontes. Mas, pelo leilão de ontem, talvez a energia eólica não precise tanto de disputas "café com leite". "Talvez", ressalte-se.
Apesar de racional e simpático, no médio e longo prazos, a adesão aos ventos tem problemas. Há grande potencial de energia eólica em locais remotos do Nordeste, isolados das redes de transmissão. Custa caro fazer rede de transmissão. Faltam coisas simples como boas estradas. Sim, é preciso transportar pás de 30 metros e torres de 90 metros dos geradores, que demandam carretas e guindastes especiais. Faltam engenheiros e técnicos especializados.
Investidores estrangeiros que ontem acompanhavam o leilão observam ainda que se sentiriam mais seguros em investir no país (em parques eólicos e fábricas de equipamentos) se houvesse uma espécie de "programa de metas" para o setor, infraestrutura melhor e leis mais claras (no caso, incentivos fiscais garantidos por mais tempo, pelo que se pôde depreender das conversas).
Na sexta-feira passada, o setor se irritou com a decisão do Confaz que prorrogou apenas até o final de janeiro de 2010 a isenção de ICMS para equipamentos de energia eólica e solar, desconto que já dura 12 anos. Mas na quarta-feira da semana passada o governo federal desonerou os aerogeradores do IPI.
Há ainda gente no governo de má vontade com o projeto de eólicas, pois a produção de energia pelos ventos é instável e não pode ser estocada. Mas as novas hidrelétricas do país também padecem desse defeito. São usinas de "fio d'água" (que, grosso modo, geram energia na proporção da vazão do rio, não podendo estocar a água para tempos mais secos). Mas o pessoal da EPE, estatal de pesquisa e planejamento energético, argumenta que, no caso brasileiro, as eólicas têm um papel complementar importante -venta mais quando chove menos.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

FERNANDO RODRIGUES

Partido faz espuma para negociar melhor

FOLHA DE SÃO PAULO - 15/12/09



Há hoje sete pessoas filiadas ao PMDB ocupando assentos na Esplanada dos Ministérios. No Congresso, a Câmara e o Senado também estão sob o comando de peemedebistas.
Nunca o partido foi tão bem tratado em Brasília. O benfeitor maior do PMDB é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nomeou para ministro da Integração Nacional o deputado Geddel Vieira Lima (BA), que no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) nunca foi cogitado para cargo tão alto.
A moeda de troca que Lula e o PT esperam do PMDB é o tempo da sigla no horário eleitoral no rádio e na TV durante a campanha presidencial de 2010. A ideia é inundar a campanha com os comerciais da provável candidata petista ao Planalto, Dilma Rousseff.
Trata-se de uma aposta de risco de Lula, sobretudo porque o grupo hoje mais forte na cúpula do PMDB só tem um nome para oferecer como candidato a vice: Michel Temer, deputado por São Paulo e atual presidente da Câmara.
Quando Lula falou na possível lista tríplice do PMDB com opções de vice, a reação não poderia ser boa porque não existem três nomes no condomínio peemedebista. Michel, Geddel e o líder na Câmara, Henrique Alves (RN), soltam gargalhadas ao ouvir a hipótese de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, ser indicado.
Cristão-novo no PMDB, Meirelles não representa nenhum grupo relevante nas diversas sesmarias do partido pelo país. A cúpula apostará até o fim em Temer. Só em condições muito especiais mudará de ideia, cobrando mais cargos.
Os muxoxos e resmungos dos peemedebistas diante da proposta de Lula fazem parte do jogo político. É espuma para simular um tsunami e negociar melhor mais adiante. Afinal, se o PMDB ficasse quieto, em breve Lula diria que o partido talvez nem devesse indicar um vice, pois já tem muitos cargos.
A rigor, o combustível dessa aliança não dependerá dos humores de Lula, de exigências de listas tríplices nem de Michel Temer se ofender com o tratamento público oferecido pelo Planalto. Sem perspectiva real de chegar sozinho à Presidência da República, o PMDB mira num único alvo: permanecer no poder pelas mãos de aliados.
Se em abril ou maio do ano que vem Dilma disparar nas pesquisas -algo ainda longe de acontecer-, o PMDB produzirá um consenso e embarcará no projeto de Lula oficialmente.
Mas se a candidata petista empacar e suas chances de vitórias forem pequenas, o PMDB fará o que sempre mais soube: ficará sem apoiar ninguém e totalmente disponível para entrar no governo seguinte, não importando qual seja.

ARI CUNHA

Fim do ano


Correio Braziliense - 15/12/2009

História que vem do Nordeste lembra que quando começam os meses dos be-rê-ó-bró é sinal de que o ano acaba. Primeiro de setembro indica que está na hora de mandar cartões de boas-festas, e os presentes que as pessoas “mais de perto” merecem receber. A expectativa vem dos tempos das vacas gordas, quando a cera de carnaúba virou ouro na Segunda Guerra. E das vacas magras, quando a seca destruía plantações. Andando de automóvel nos anos 1970, era desoladora a paisagem. A caçula Circe via a natureza. “Aquela casinha está de olhos fechados.” Era grande o número. Aparecia uma casinha distante com janela aberta. Aquela está vendo com um olho só. Eram casinhas abandonadas pelas famílias que procuravam vida melhor no Sul.

A frase que não foi pronunciada


“Como as pedras preciosas, as palavras possuem também seus quilates e seu grau de pureza.”
» Francisco Sadeck, geólogo, pensando nos últimos acontecimentos da cidade.


Popular

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Os baianos sempre foram fiéis às origens. A fonética do seu beabá funciona assim: “a, bê, cê, dê, ê, fê, guê, agah, i, ji, ka, lê, mê, nê, o, pê, que, rê, si, tê, u, vê, xis, pisilone, zê”.

Reverso

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Barão de Itararé podia perder o amigo, mas a piada era segura. Pensando nas pessoas que não valem nada, costumava dizer: de onde muito se espera é sinal de que nada virá. Era comum quando falava de alguém pobre que ficou rico e abandonou as origens.

Deserto

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Clima de Brasília mostra que estamos a mais mil metros de altura. Nos desertos, durante a madrugada, é frio de rachar. Não há pedras e a areia congela. Depois vem o calor. Meio-dia é comum usar turbante e roupa longa. A saia mantém temperatura não muito quente.

Cavalo longo

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Drusos, que habitam o oriente ao lado de Síria e Israel, usam calças com braguilha longa. Acreditam que o salvador virá de um homem. Sempre preparados para receber o salvador da humanidade. Trazem entre as pernas algo como se fosse um saco para receber o nascido.

Cinema

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Amanhã, às 15h, no auditório da reitoria, a comissão UnB 50 anos de Brasília fará mesa redonda para discutir o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em Questão. Vladimir Carvalho apresentará o tema. Participam o reitor José Geraldo de Sousa Junior e o professor Marcos de Souza Mendes, especialista em cinema brasileiro e documentários. O evento é aberto a estudantes e personalidades da mídia e da cultura da cidade.

Interessante

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Vale a divulgação maciça do Observatório da Juventude, feito pelo Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (Ceam) da UnB, dirigido por Ana Maria Nogales. Professores, estatísticos, pesquisadores fazem trabalho com a população pobre do DF e do Entorno. Jovens sem emprego ou sem estudos são o alvo da pesquisadora Martita Ghirlanda. Eles participam ativamente do projeto, auxiliando no trabalho de captação de dados e elaboração de programas que venham a desenvolver a comunidade.

Memória

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Jaime Cohen lembra à coluna a beleza da Ponte das Garças. O nome oficial é Ponte Presidente Médici, mas todos preferem usar o apelido. Ela leva à QI 5 do Lago Sul ou à L2 Sul. Mesmo com 4.700m³ de concreto e 460 toneladas de aço, a ponte toca a água em dois pontos estreitos, dando leveza à obra. São 300m de comprimento e 18m de largura, com duas pistas de cada lado. Foi construída em sete meses, com 24 horas de trabalho por dia. A inauguração foi em 14 de janeiro de 1974.

Prêmio

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É comum ver, ao nascer do sol, um pontinho escorregando pelo lago. São os remadores do Minas Brasília Tênis Clube Pedro Pizarro e Célio Amorim. O esforço valeu o Troféu Brasil Unificado de Remo. O torneio foi na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. As próximas remadas serão no Pan e na Olimpíada.

Expressão

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Até a expressão em português pegar em flagrante é amena. Não quer dizer muita coisa. A mesma expressão em inglês é red-handed. Indica que quem foi pego em flagrante estava com as mãos sujas de sangue.

História de Brasília


A Praça Municipal está sendo depósito de lixo, entulho e terra. Os caminhões chegam e, sorrateiramente, despejam a carga incômoda, desaparecendo em seguida. (Publicado em 19/2/1961)

JAPA GOSTOSA

TODA MÍDIA

Ranking

NELSON DE SÁ

FOLHA DE SÃO PAULO - 15/12/09


No alto de UOL e outros portais brasileiros no fim do dia, "Brasil lidera ranking" ou "encabeça combate ao aquecimento".
Na BBC Brasil, "pela primeira vez um emergente passou para trás desenvolvidos como a Suécia", em índice da Germanwatch e da CAN, Climate Action Network. Na alemã Deutsche Welle, "Brasil e Suécia, seguidos por Reino Unido e Alemanha, são os que mais fazem pela proteção ao meio ambiente". A China vem em 52º lugar, os EUA, em 53º. No final da lista, Canadá e Arábia Saudita.
Mas "os três primeiros lugares estão vagos", porque "nenhum está se esforçando o suficiente para evitar a perigosa mudança no clima".

EUA VS. CHINA
A conferência de Copenhague parou no meio do dia, "brevemente", segundo o relato do "New York Times". Ou "incendiou tensões", destacou o "Wall Street Journal", entre ricos e emergentes.
Mais precisamente, analisava o mesmo "WSJ" antes ainda dos problemas, entre EUA e China. No enunciado original, "U.S. Versus China". Em longo texto, o jornal diz que "o roteiro tinha Obama e outros líderes mundiais voando para abençoar uma nova era de cooperação global. Na realidade, o encontro vai tomando a forma de duelo essencial entre EUA e China".

BRASIL VS. CHINA?
Um colunista do "Washington Post", Sebastian Mallaby, diretor no Council on Foreign Relations, escreveu ontem que o Brasil segue "vulnerável" devido à valorização do real frente ao dólar, desvalorizado pelos juros baixos nos EUA, e ao chinês yuan, desvalorizado para seguir o dólar. Diz ele que não adianta "pedir aos EUA" que mudem e só "resta a opção de falar com a China", o que o Brasil não faz por "solidariedade Bric".

IMPRESSIONADO
Depois que a secretária de Estado ameaçou o Brasil pela visita do Irã, o subsecretário Arturo Valenzuela esteve em Brasília para ver o assessor Marco Aurélio Garcia e se dizer "impressionado" com a concordância em "aspectos fundamentais". Sobre o Irã, "o Brasil tem relações com quem quiser, é soberano".

ALGUMA COISA
Da parte do Brasil, pelas agências, Garcia buscou algo substantivo. "Concordamos em alguma coisa: para os governos do Brasil e dos EUA, a eleição é insuficiente para" a normalização da democracia em Honduras. E "realmente concordamos nos aspectos fundamentais de nossas relações".

AGORA, OS BRINKS
O "WSJ" destacou ontem a chamada "Petróleo no Brink", trocadilho com beira de abismo e o mais novo acrônimo do mercado financeiro global. Brink, expressão lançada pela consultoria PFC Energy, une Brasil, Rússia, Iraque, Nigéria e Cazaquistão, com K em inglês. São os cinco países dos quais se espera produção crescente para as próximas décadas.
O "WSJ" avisa que, apesar da concessão de campos às companhias ocidentais nas últimas semanas, "o Iraque é a incógnita na equação".

AO VIVO, DO RIO
O principal canal financeiro dos EUA transmitiu no fim de semana uma entrevista do Rio, destacando a nova classe média etc. E sugeriu investir em imóveis, argumentando com o programa Minha Casa, Minha Vida

MEGA
Nos portais financeiros daqui, o destaque ontem foi para o célebre "megainvestidor" americano Sam Zell, que anunciou sua associação com a Brazilian Finance & Real State, empresa "líder do mercado brasileiro de produtos financeiro-imobiliários". No Brasil, o americano já aplica na Gafisa e outras, do setor.

"ESTÁ CAINDO COISA DEMAIS"
Foi manchete da Folha Online ao portal G1, mas a Globo mal registrou. Locução da Band: "É impressionante o que cai de obra em São Paulo. Ou é azar ou está caindo viga demais. Alô, Serra, está caindo viga demais. Um operário morreu. Está caindo coisa demais aqui em São Paulo

ROBERTO LUIS TROSTER

Muvuca no câmbio

FOLHA DE SÃO PAULO - 15/12/09


Estamos fazendo a pergunta errada. A indagação correta é: Como tirar mais proveito do novo cenário e alavancar o desenvolvimento?
O REAL é a moeda que mais se valorizou em 2009 e foi uma das mais voláteis. Sua trajetória é motivo de preocupação para operadores no mercado financeiro, que podem abrir e fechar posições em segundos. Para alguns setores da indústria e da agricultura, uma taxa de câmbio desfavorável significa prejuízos que em algumas ocasiões inviabilizam a continuidade da produção.
Os números do PIB divulgados na última quinta-feira mostram um produto agropecuário no último trimestre 9% inferior ao de um ano atrás, e o da indústria, 6,9% menor. Parte expressiva dessa queda é efeito da valorização do câmbio. Enquanto o consumo já superou o nível de 2008, a recuperação de alguns desses setores só ocorrerá em 2011. Há sobras de motivos para desespero.
Há também efeitos positivos na apreciação da moeda nacional, como o barateamento das importações, o controle da inflação, juros mais baixos e maiores possibilidades de consumo. Em vésperas de uma eleição, uma desvalorização pode ter sequelas. Entretanto, o governo está sinalizando, com o aumento do IOF e as propostas de autorizar mais investimentos fora, o propósito de conter a valorização do real.
O diagnóstico das autoridades brasileiras está correto, mas as terapias usadas e as sugeridas não curam a doença que aflige os produtores locais, apenas alguns dos sintomas -e com efeitos secundários.
Sua capacidade de influenciar a taxa de câmbio é restrita, pois, numa economia aberta, o preço do dólar é determinado por fatores externos, como a evolução da economia nos EUA e os preços internacionais das commodities, e internos, como as expectativas de fluxos comercial e financeiro e a taxa de juros local.
O IOF sobre câmbio foi uma tentativa de conter a valorização do real, mas indicou para os investidores que o Brasil não quer investimentos externos. Para crescer, o país não pode prescindir desses recursos. Há um deficit de poupança, e aumentos de investimento interno só são viáveis com fluxos maiores do resto do mundo.
Uma proposta em pauta é permitir maiores aplicações fora do país. Com a compra de ativos estrangeiros, haveria uma demanda maior por dólares e isso contribuiria para desvalorizar o real. Também transferiria problemas dos setores afetados para o setor de fundos, pois atividades realizadas por instituições financeiras locais seriam feitas por empresas no exterior, ao deslocar seus ativos para lá.
A bem da verdade, o quadro conjuntural atual é uma oportunidade.
Poder-se-ia catalisar a vocação de São Paulo como centro financeiro internacional e porta de investimentos para a América do Sul, à semelhança do que Londres é na Europa e Hong Kong na Ásia. Em vez de trasladar empregos para fora, seriam criados mais postos de trabalho aqui dentro.
A concretização desse projeto depende apenas de mudar o tratamento dado a ativos financeiros estrangeiros. As restrições existentes são da época que o Brasil tinha escassez crônica de divisas. Hoje, o problema é o oposto. Atualmente, uma empresa não tem limites para estocar carros americanos, vinhos argentinos e perfumes franceses, mas tem restrições para guardar dólares, pesos e euros.
É um anacronismo com efeitos adversos na taxa de câmbio e, o que é pior, no produto e no emprego.
O que é um problema, o excesso de dólares, é uma oportunidade. O sistema financeiro nacional é sofisticado e seguro e tem capacidade de absorver mais do fluxo externo oferecendo ativos em divisas para clientes no país e no exterior. Essa medida, a liberação do câmbio, enalteceria seu papel de canalizador de investimentos para os setores produtivos da economia e diminuiria a volatilidade cambial. Fazer de São Paulo o centro bancário da América do Sul é viável e favorável.
Há mais a ser feito, pois, enquanto no mercado financeiro as idas e vindas da cotação do dólar resultam em lucros e prejuízos, nos setores mais afetados são um risco à sobrevivência.
Medidas para aumentar sua produtividade estão na ordem do dia: eliminação de gargalos da infraestrutura, elevação da segurança física e institucional, realização de reformas microeconômicas e racionalização maior de gastos e tributos do governo.
O ponto do artigo é que está se fazendo a pergunta errada: o que fazer para voltar ao passado? Ou seja, desvalorizar o câmbio e pressionar a inflação e, dessa forma, auxiliar a indústria e a agropecuária.
A indagação correta é: como tirar mais proveito do novo cenário e alavancar o desenvolvimento?

ROBERTO LUIS TROSTER , 59, doutor em economia pela USP, é sócio da Delta. Foi economista-chefe da Febraban, da ABBC e do Banco Itamarati.

O ESGOTO DO BRASIL

MERVAL PEREIRA

Machismo na política

O GLOBO - 15/12/09


A pesquisa do Latinobarômetro, uma ONG sediada no Chile que faz consultas regularmente, desde 1995, sobre valores e opiniões na América Latina, tem uma parte dedicada à análise da discriminação da mulher que pode ser muito útil para entender a relação do eleitorado com as mulheres, numa região em que Argentina e Chile elegeram mulheres para a Presidência da República e, no Brasil, surge como potencial favorita a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do PT à sucessão de Lula, e onde poderemos ainda ter a senadora Marina Silva candidata pelo PV.

O resultado da pesquisa mostra a sociedade latinoamericana ainda fortemente agarrada a preconceitos contra as mulheres. O Brasil não chega a ter o mesmo nível de preconceito de um país da América Central, os mais discriminatórios contra as mulheres, mas também não é nenhum Uruguai, considerado o país mais democrático da região.

O Brasil está na média regional, não estando em nenhum dos casos pesquisados entre aqueles países com menor índice de preconceito.

Na região como um todo, nada menos que 1\/3 dos pesquisados acham, por exemplo, que os homens são melhores do que as mulheres na política, e o Brasil está justamente na média regional.

Segundo o instituto, a discriminação de gênero é um dos indicadores mais potentes para prever o grau de tolerância e de democracia que existe nos países.

Três temas fundamentais para medir a discriminação que as mulheres sofrem nas sociedades latino-americanas foram abordados: o trabalho, o dinheiro e a política.

Repetindo as mesmas perguntas feitas anos atrás, a pesquisa constatou que não há evolução com relação ao trabalho e à política, mas em relação ao dinheiro se observa mudança para melhor no espaço de cinco anos.

Sobre o papel da mulher, a afirmação feita foi: "É melhor que a mulher se concentre no lar, e o homem, no trabalho".

Ou, em bom português, "lugar de mulher é em casa".

Desde 1997, cerca de 36% dos latino-americanos concordam com a afirmação, o que o instituto considera "desalentador", mostrando uma sociedade que não muda no aspecto central do papel da mulher na sociedade.

Há, no entanto, diferenças significativas em alguns países, e até mesmo regiões.

Nos países da América Central estão os maiores índices de discriminação contra as mulheres, com exceção da Costa Rica (31%). Honduras (60%), Guatemala (51%), República Dominicana (46%), Nicarágua (44%), El Salvador (42%) e Panamá (41%) são os países de mais altas taxas.

Há, no entanto, um grupo de países onde é menor a aprovação do papel preponderante da mulher no lar: Uruguai (23%), Chile (25%) e Peru e Venezuela (26%). O Brasil não está entre os países de maior índice, mas também não está entre os de menor: 33% dos pesquisados concordam que lugar de mulher é em casa.

A segunda questão, em relação ao dinheiro, foi pesquisada com a seguinte afirmação: "Se a mulher ganha mais dinheiro que o homem, é certo que terá problemas". Embora nada menos que 48% dos cidadãos na região estejam de acordo com essa afirmação, temos aí um avanço na percepção dos direitos da mulher, já que na pesquisa de 2004 eram 52%.

Argentina (40%) e Uruguai (41%) são os países onde há menor quantidade de pessoas de acordo com essa afirmação, enquanto no México (58%) e na República Dominicana (55%) estão os maiores índices de resposta positiva, que denota discriminação. No Brasil, o índice de concordância com a afirmação machista é de 46%, bem na média da região.

A participação das mulheres na política foi avaliada com uma afirmação: "Os homens são melhores líderes políticos que as mulheres". Segundo o Latinobarômetro, apesar de a América Latina ter dois países presididos por mulheres, esse fato não mudou favoravelmente a percepção dos cidadãos e, sobretudo, Chile e Argentina não são os países que mais aceitam mulheres na política.

Entre os anos de 2004 e 2009 aumentou de 31% a 32% a quantidade de pessoas que está de acordo com a afirmação de que homens são mais eficientes na política do que mulheres.

Na avaliação dos analistas do Latinobarômetro, em vez de ser positiva, a permanência nos mesmos níveis em cinco anos mostra uma resistência à ação das mulheres por parte de 1\/3 da região.

O país em que há o menor grau de aprovação a essa atitude é o Uruguai (19%), considerado o mais democrático da região. Em seguida vêm Peru e México (21%), Chile (22%), Costa Rica (23%), Argentina (26%).

No outro extremo, diz o relatório do Latinobarômetro, estão países da América Central como República Dominicana (51%) e Honduras (46%).

Mais uma vez o Brasil está no meio termo, na média da região com 31% que consideram que homens são melhores que mulheres na política.

Comparando-se as respostas no Chile e na Argentina dadas em pesquisas realizadas antes e depois das eleições de Michelle Bachelet e Cristina Kirchner, constata-se que as mudanças foram diferentes em cada um dos países.

Desde 2004, no Chile houve uma pequena evolução a partir da eleição de Bachelet, com uma queda de 26% para 22% nos que consideram que o homem é melhor do que a mulher na política. Já na Argentina esse índice aumentou de 25% para 26%.

É possível que essa mudança positiva no Chile tenha a ver com o sucesso de Bachelet na Presidência, cujo mandato se encerra com a maior aprovação de todos os presidentes em exercício (85%), o que poderá ajudar a reduzir o machismo na política do Chile.

A sugestão feita por Lula para que o PMDB indique o vice da chapa oficial através de uma lista tríplice está fazendo com que os políticos lembrem um caso de Getulio Vargas, que pediu ao PSD lista tríplice para indicar o interventor de Minas Gerais. Ao recebê-la, fez um comentário casual: "Não estou vendo o nome do dr. Benedito Valladares". Que acabou sendo nomeado. Há quem aposte que a ideia de Lula é colocar na lista tríplice do PMDB o nome do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.