terça-feira, agosto 26, 2014

Nós, os vermes - JOÃO PEREIRA COUTINHO

FOLHA DE SP - 26/08

Se nós, ocidentais, não respeitamos o que somos, por que motivo devem os outros respeitar-nos?


Que beleza, leitor: um grupo intitulado Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) agora domina partes da Síria e do Iraque. Melhor: já faz vídeos. Com decapitações de ocidentais. E proclamações: existe um novo Califado, dizem os assassinos, renascido das cinzas otomanas que a Primeira Guerra provocou.

Essa utopia terrena está atraindo jihadistas do mundo inteiro. Do mundo inteiro, vírgula: do Reino Unido em especial. O premiê David Cameron está pasmo. Membros do seu governo, "idem". E a "inteligência" britânica quer saber como é possível que cidadãos britânicos, que nasceram e cresceram à sombra do Estado de bem-estar social, viram as costas ao Ocidente para lutarem contra o Ocidente.

Boas perguntas. Nenhuma delas é especialmente misteriosa. Qualquer pessoa com dois neurônios compreende que, no caso do Reino Unido, a produção de jihadistas explica-se pela belíssima cultura de "tolerância" que, durante duas gerações, permitiu que muitas mesquitas locais fossem antros de ódio e extremismo.

Só Deus sabe --ou Alá, já agora, para não ferir certas sensibilidades ecumênicas-- a extrema dificuldade legal que Londres teve para extraditar Hamza al-Masri, o famoso "Capitão Gancho" da mesquita de Finsbury Park, em Londres, para os Estados Unidos, onde era acusado de vários complôs. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem estava preocupado com os "direitos humanos" de um terrorista, mas não com os direitos das vítimas que ele potencialmente causava com as suas palavras de loucura e morte.

E só agora a ministra do Interior britânica, a conservadora Theresa May, promete legislação pesada para o extremismo e as incitações ao ódio --em espaços públicos, escolas, mesquitas etc. Até os trabalhistas aplaudem a "coragem" da senhora.

Não admira: como informa o "Daily Telegraph", existem mais cidadãos britânicos de origem muçulmana marchando nas fileiras do EIIL do que no exército de Sua Majestade. Eis um retrato da pátria de Churchill.

Mas há outro. Porque não existem apenas fanáticos islamitas que, dentro do Ocidente, pregam a morte do Ocidente. É preciso relembrar os fanáticos revisionistas e multiculturalistas que, na mídia e nas universidades, foram oferecendo as doces pastagens da retórica antiocidental.

Caso clássico: anos atrás, Ian Buruma e Avishai Margalit escreverem um livro que inverte o título (e a tese) do celebrado "Orientalismo" de Edward Said. Chama-se "Ocidentalismo" e é um estudo sobre a visão deturpada e grotesca do Ocidente produzida pelos seus inimigos.

E, no topo da lista, está um longo rol de intelectuais ocidentais --de Spengler a Heidegger, sem esquecer o demencial Sartre-- para quem o Ocidente era um antro de decadência/declínio/corrupção/brutalidade/desumanidade/exploração (pode escolher à vontade). Essa retórica, escreviam os autores, acabou por emigrar para o mundo inteiro, Oriente Médio em especial. E é hoje repetida, "ipsis verbis", pela turma do EIIL.

No livro, há até um episódio pícaro (e grotesco; atenção, famílias) que ilustra bem como as más ideias viajam depressa. Acontece quando o Taleban tomou Cabul em 1996, pendurou o presidente afegão Najibullah no poste, encheu os seus bolsos de dólares e colocou cigarros entre os dedos quebrados do cadáver.

Mensagem: esse aí é um produto degenerado do Ocidente em seus vícios e ganâncias.

(Curioso, lembrei agora: as campanhas antifumo poderiam usar a imagem do antigo presidente afegão enforcado e com cigarros entre os dedos. E o lema: "Fumar prejudica a saúde." Mas divago.)

Porque a questão é glacial: se nós, ocidentais, não respeitamos o que somos ou temos, independentemente de todos os erros cometidos (e corrigidos: será preciso lembrar a escravatura, abolida por aqui e praticada ainda no resto do mundo?), por que motivo devem os outros respeitar-nos?

Gostamos tanto de nos apresentar como vermes que os outros acabam olhando para nós como vermes.

Soluções?

Deixemos isso para os líderes do mundo, como Barack Obama, que tipicamente não sabe o que fazer. (Uma sugestão: que tal reduzir à Idade da Pedra quem tem a mentalidade de homens das cavernas, senhor presidente?)

Mas já seria um grande contributo se o Ocidente fosse um pouco mais intolerante com a intolerância daqueles que recebemos, alimentamos, sustentamos --e enlouquecemos de ódio com o ódio que sentimos por nós próprios.

‘Contabilidade criativa’ retarda gastos públicos - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 26/08

Ao usar a Caixa para maquiar o superávit primário, o Tesouro repete governadores que se financiaram nos bancos estaduais, a ponto de quebrá-los


Uma das causas do rebaixamento da nota de risco do Brasil, em março, pela agência Standard & Poor’s, a “contabilidade criativa” continua sendo aplicada para melhorar as aparências das contas públicas. Por reduzir a transparência da contabilidade oficial, ajudou naquela espécie de cartão amarelo recebido pela economia brasileira. Sob o impacto da má notícia, autoridades econômicas, na tentativa de restabelecer alguma confiança nas estatísticas oficiais, se comprometeram com um superávit primário de 1,9% do PIB, sem maiores contorcionismos contábeis.

Não cumprem a promessa, e há mesmo analistas que preveem que, sem contabilidade criativa, não haja, este ano, qualquer superávit, ou ocorra até algum déficit primário, um resultado muito ruim do ponto de vista da administração da dívida pública. Logo, com reflexos negativos no custo dos financiamentos externos ao Brasil.

A usina de criatividade que aparece na Secretaria do Tesouro já produziu efeito paradoxal de transformar endividamento público em receita primária — sempre para embonecar o superávit primário, a fim de transmitir aos mercados uma ideia de austeridade fiscal que na realidade inexiste. Isso acontece quando o Tesouro lança títulos para captar recursos, repassa-os ao BNDES, Caixa ou Banco do Brasil e estes antecipam o pagamento de dividendos ao Tesouro. Neste passeio, o dinheiro vai como proveniente de dívida e volta como lucro distribuído pelas estatais. Uma “lavagem”.

Outra manobra criativa, descoberta há pouco, tema de reportagem do GLOBO no sábado, é o Tesouro retardar repasses obrigatórios para, novamente, melhorar o superávit. Essas “pedaladas”, no jargão dos analistas, não chegam a ser novidade. Devido a elas, a rubrica “restos a pagar” costuma ser robusta nas viradas de ano: o Tesouro retém transferências no final de dezembro, para eles serem contabilizados apenas em janeiro, no novo exercício fiscal. A preocupante novidade é o aumento do volume dos atrasos em repasses que o Tesouro tem de fazer à Caixa Econômica, para ressarci-la pelo pagamento de benefícios como o Bolsa Família e seguro desemprego. Em entrevista exclusiva ao jornal, o secretário do Tesouro, Arno Agustin, negou qualquer artifício, tudo ocorreria normalmente no fluxo de créditos e débitos no relacionamento Tesouro/CEF.

O Ministério Público, por não concordar, aciona o Tribunal de Contas da União, e o próprio Banco Central faz consulta à Procuradoria-Geral da Fazenda sobre essas operações. Afinal, na prática, a CEF está financiando o Tesouro, algo proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Nem mesmo banco privado pode liberar crédito aos controladores.

O Tesouro usa um banco estatal assim como, no passado, governadores se valeram de bancos estaduais para criar moeda. Quebraram as instituições financeiras. Repetir hoje a manobra é abalar os alicerces da estabilização da economia.

Hollande beijou a cruz - CELSO MING

O ESTADÃO - 26/08


A queda do ministério do governo da França é o resultado da forte guinada do presidente François Hollande para uma política econômica ortodoxa.


A França vive hoje uma estagnação do sistema produtivo parecida com a do Brasil. Hollande se elegeu pregando a cartilha heterodoxa contra o arrocho fiscal e impôs uma linha dura contra o capital e os mais ricos. Chegou a decretar um imposto de renda de 75% sobre ganhos superiores a 1 milhão de euros por ano. Tudo o que conseguiu foi o fechamento recorde de indústrias e a revoada de artistas e de empresários para o exterior.

Em janeiro, Hollande beijou a cruz e agora tenta levar adiante uma política econômica que ele mesmo denominou de “pacto de austeridade”, destinada a reequilibrar as contas públicas e a criar condições para que o setor produtivo recupere competitividade.

O problema básico de Hollande é o de que a dívida alta demais (93,6% do PIB), o baixo crescimento econômico (de apenas 0,3% em 2013) e o alto desemprego (10%) impedem a expansão dos gastos públicos como alavanca de recuperação da economia. Se a França não fizesse parte de uma união monetária (área do euro), seu governo ainda poderia desvalorizar sua moeda para reduzir os salários, baratear em moeda estrangeira o produto francês e exportar mais. Como renunciou à soberania monetária, tem de produzir efeito equivalente por meio da redução drástica de despesas.

O francês não tem nem consciência nem disciplina pública suficiente para aceitar uma redução de salários, como o alemão aceitou. Assim, as reformas e o megacorte de despesas públicas da ordem de 50 bilhões de euros (US$ 65,5 bilhões) em três anos funcionam como disfarce para a redução da renda. A transferência de recursos em vantagens fiscais para as empresas para que possam se recuperar foi de 40 bilhões de euros (US$ 52,4 bilhões).

Neste domingo, o até ontem ministro da Economia, Arnaud Montebourg, feroz adversário da “obsessão alemã”, em entrevista ao jornal francês Le Monde, na prática declarou-se em rebelião contra essa política. Assim, facilitou a vida de François Hollande que acaba de ordenar a recomposição do governo que abre caminho para o inevitável.

Na última sexta-feira, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, admitiu que poderia ajudar a retomada da atividade com emissão de moeda se os governos da área do euro fizessem sua parte com mais aperto fiscal. Isso sugere que o movimento de Hollande seja parte de esforço coordenado da área do euro para a criação de condições para a retomada sustentável da produção.

A conversão do socialista Hollande à austeridade, agora com ações de maior impacto, é um aviso para o governo Dilma que também vem desprezando recomendações em direção ao maior equilíbrio fiscal. Pode-se administrar política pública de qualquer coloração ideológica, desde que a execução do orçamento seja feita com equilíbrio.

Isso não significa que não se devam fazer dívidas. Significa apenas que estas têm de ser cobertas com recursos que não coloquem em risco seu pagamento futuro. No Brasil, até mesmo o flexível ministro da Fazenda, Guido Mantega, já avisou que, em 2015, será preciso providenciar um alentado aumento do superávit das contas públicas para garantir um mínimo de arrumação da economia.

Antônio Ermírio
Dizia sempre o que pensava. Podia mudar de opinião, mas nunca desdisse o que disse. Terno surrado sobre camisa de colarinho folgado em pelo menos três dedos, Antônio Ermírio estava sempre pronto a operar sua régua de cálculo. Os resultados saiam com precisão de décimos. Acreditar no futuro do Brasil era só um bom começo. O resto teria de vir com trabalho duro – e nada de dar mesada generosa demais para os filhos, “pra não criar vagabundo”. Fará muita falta.

Política lucrativa - JOSÉ CASADO

O GLOBO - 26/08


Controlados por poucos, que se perpetuam no comando, os partidos políticos se tornaram valioso ativo financeiro, com dinheiro público pagando contas privadas



Um dos melhores negócios do mercado brasileiro é ser dono de partido político. Convive-se com 32 deles, dos quais duas dezenas têm bancadas no Congresso. Na essência, diz o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, se transformaram num “agregado de pessoas que querem um pedacinho do orçamento”.

Partido político no Brasil se tornou ativo financeiro de alto retorno, sem risco e com recursos públicos garantidos por lei, elaborada e votada pelos próprios interessados.

Em ano de eleição, as doações de empresas representam cerca de 60% das receitas declaradas, mas é do orçamento federal que sai o financiamento das despesas regulares da estrutura e da propaganda partidária (o horário eleitoral gratuito só é gratuito para partidos e candidatos, quem paga a conta é o público, telespectador ou não, via isenção fiscal).

Nunca os partidos brasileiros receberam tanto dinheiro público como neste ano: R$ 313,4 milhões, dos quais 57% já repassados.

O Fundo de Assistência Financeira, que sustenta as máquinas partidárias, aumentou 184,5% nos últimos dez anos. Seu valor nesse período subiu em ritmo muito acima da inflação, da correção da poupança e do salário mínimo, da valorização da Bolsa de Valores (Ibovespa) e do Certificado de Depósito Bancário (CDB).

Os contribuintes vão pagar, além disso, mais R$ 600 milhões como compensação fiscal às emissoras de rádio e televisão pelo horário de propaganda eleitoral.

Todos os 32 partidos registrados na Justiça Eleitoral têm direito a um pedaço do orçamento. É o que diferencia o Brasil. Há países com mais de 50 organizados e em atividade, mas o acesso ao dinheiro público é limitado àqueles que têm representação legislativa.

A maioria dos partidos brasileiros é controlada por duas dezenas de famílias, em regime de revezamento nos cargos de direção e com mandato variável entre cinco e oito anos.

Caso exemplar é o Partido Trabalhista Cristão (PTC). Há 25 anos atendia pela sigla PRN e hospedou Fernando Collor como candidato à Presidência. Tem 14 pessoas na cúpula. Cinco partilham o mesmo sobrenome (Tourinho) e cerca de R$ 150 mil mensais do fundo.

No Legislativo funciona um condomínio partidário baseado na perpetuação do poder familiar. Metade dos deputados federais eleitos em 2010 tem pais, filhos, irmãos, avós, tios, primos, sobrinhos, cônjuges, genros, noras ou cunhados em cargos eletivos. Sete de cada dez estão nas ruas, batalhando a reeleição.

Dos deputados eleitos em 2010, e que na época tinham menos de 30 anos de idade, 79% eram herdeiros (filhos ou netos) de clãs políticos — informa a ONG Transparência.

Ser dono de partido no Brasil é ótimo negócio porque garante acesso a dinheiro fácil, sem custo, direto do orçamento. Basta ter o registro da Justiça Eleitoral.

Melhor ainda é ser dono de partido com bancada na Câmara. A fatia do fundo partidário é maior e já vem com a garantia de um tempo mínimo na propaganda eleitoral. É mercadoria passível de negociação, a dinheiro ou em barganhas por cargos.

O que se vê nesta eleição é que nenhum partido político pode ser tão ruim quanto seus líderes.

O emprego na campanha eleitoral - JOSÉ PASTORE

O ESTADÃO - 26/08


Mario Henrique Simonsen costumava dizer que a inflação aleija, mas o câmbio mata. Parafraseando o saudoso economista, parece razoável dizer que, numa campanha eleitoral, a inflação aleija, mas o desemprego mata. Isso porque o desemprego fragiliza a economia doméstica e mina o sentimento de dignidade.

Os primeiros programas eleitorais no rádio e na televisão já mostraram a importância do tema. Os candidatos da situação destacam que nunca na história deste país se gerou tanto emprego como na gestão do PT. Os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2013 indicaram a existência de 49 milhões de empregos formais, um avanço de 65% em dez anos. Mais do que isso, eles argumentam que os trabalhadores desfrutam hoje de uma situação de pleno-emprego - com apenas 5% de desempregados. E adicionam o fato de que a maioria dos brasileiros foi beneficiada com uma apreciável elevação da renda do trabalho, que em dez anos aumentou 32% em termos reais.

São trunfos preciosos. A oposição fica com o difícil desafio de convencer o eleitor comum a abandonar os candidatos da situação e tudo o que fizeram até aqui em favor do emprego e do poder de compra dos trabalhadores.

Missão complicada. Aos candidatos da oposição resta explorar as dificuldades latentes no mercado de trabalho. Entram na sua argumentação os dados recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que em julho revelaram um crescimento pífio na geração de empregos: menos de 12 mil novos postos de trabalho, o pior resultado dos últimos 15 anos. A oposição destaca ainda que os setores mais dinâmicos e que melhor empregam passaram a dispensar empregados, como é o caso da indústria automobilística, mecânica e metalúrgica. Com isso, os candidatos tentam criar nos eleitores um clima de apreensão em relação ao futuro.

É pouco provável, porém, que o eleitor comum que está empregado e recebendo aumentos salariais acima da inflação venha a se abalar com o futuro sombrio apontado pela oposição, por mais realista que seja o raciocínio dos que veem a estagnação da economia no presente como detonadora de uma grave crise de emprego no futuro.

Não invejo a situação dos marqueteiros da oposição porque, no campo do emprego e da renda, os dados parecem favorecer a situação. Com o forte encolhimento dos que procuram emprego, a taxa de desemprego se mantém baixa e a pressão salarial se mantém alta. A desocupação em São Paulo, por exemplo, recuou de 5,1% para 4,9% em julho, ao mesmo tempo que 93% das negociações coletivas do primeiro semestre terminaram com ganhos reais de salários.

É verdade que o emprego de amanhã resulta dos investimentos de hoje. E como o setor privado parou de investir, o quadro de 2015 tende a ser bastante diferente do atual. Ou seja, a oposição pode questionar a capacidade de a situação repetir o feito anterior em condição tão adversa como a que se descortina para o próximo ano. Mas isso requer um exercício de lógica simples para o especialista, mas complexo para o eleitor comum. Como levá-lo a abandonar o certo pelo incerto? Isso não é impossível, mas exige uma didática aprimorada que seja capaz de criar no eleitorado uma dissonância acentuada entre o que ele vive hoje e a incerteza que o espera amanhã.

Não tenho a menor vocação para o ramo da propaganda. Levanto estas questões porque não vejo fragilidade no discurso da situação no que tange aos temas relacionados ao mercado de trabalho. Não vejo tampouco na oposição uma estratégia efetiva de geração da incerteza que pode levar o eleitor comum a desprezar o presente certo em favor de um futuro incerto.

Pedindo desculpas ao leitor por me considerar um reles amador em matéria política, penso ser este um dos maiores obstáculos da campanha da oposição no pleito atual. Sem uma estratégia adequada, é melhor mudar de assunto.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

‘Infelizmente, esse não é o Brasil real’
Aécio Neves (PSDB) sobre o País que o PT mostra em sua propaganda eleitoral



CANDIDATURA DE MARINA TIRA MAIS VOTOS DE AÉCIO

O comando da campanha de Aécio Neves (PSDB) a presidente anda apreensivo com o resultado dos levantamentos preliminares do próprio partido. A confirmação de Marina Silva na disputa revela-se mais prejudicial ao tucano do que à candidatura de Dilma Rousseff (PT). O desempenho da candidata do PSB surpreende em grandes colégios eleitorais: São Paulo, Rio de Janeiro, DF, Paraná e Pernambuco.

ONDE BATER

A turma de Aécio já discute como enfrentar Marina Silva sem fechar as portas para eventual entendimento no segundo turno.

INEXPERIÊNCIA

A tendência do PSDB é fazer o contraponto da inexperiência de Marina em gestão com a administração bem avaliada de Aécio em Minas.

PIBINHO

É quase unânime no boletim Focus do Banco Central, que consulta quase 100 instituições: o crescimento do PIB não passará de 0,7%.

BATEU, LEVOU

Candidato tucano a vice-presidente, Aloysio Nunes avisa que Geraldo Alckmin responderá a quem o atacar: “Quem quiser bater vai ter volta”.

POR QUE AUMENTO? BARRIL SUBIU SÓ 1,9% DESDE 2011

A gasolina subiu 13,2% no Brasil desde a posse de Dilma: de R$ 2,612, em 2011, para os atuais R$ 2,959. O desempenho do diesel é bem pior: subiu 24,3% no mesmo período. De R$ 2,009, em 2011, a R$ 2,498, hoje. Difícil explicar o aumento “imprescindível” pretendido pela Petrobras no cenário atual. O barril de petróleo cru era negociado a US$ 91,55, em 2011, e US$93,38, ontem. Aumentou só 1,9% no período.

QUE PT?

Na propaganda de Delcídio Amaral ao governo do Mato Grosso do Sul, o PT não é citado, nem sua estrela. E a cor oficial da campanha é azul.

QUE DILMA?

Em Pernambuco, a propaganda do ex-prefeito do Recife João Paulo (PT) ao Senado continua sem citar ou mostrar Dilma. Só Lula aparece.

CAMILO RIFADO

Lula reiterou a Eunício Oliveira (PMDB) que nem ele nem Dilma vão ao Ceará pedir votos para o candidato do PT ao governo, Camilo Santana.

GIM COMO OPÇÃO

Com a candidatura a governador do DF impugnada pelo TRE, José Roberto Arruda (PR) continua otimista quanto ao julgamento do recurso no TSE, mas, pelo sim, pelo não, seus aliados já definiram: se ele ficar fora da disputa, será substituído pelo senador Gim Argello (PTB).

PERDEU A CABEÇA

Ex-PT-PR, notório amigo do doleiro Alberto Youssef e enrolado até o pescoço na operação Lava-Jato, da Polícia Federal, o deputado André Vargas foi retirado da lista dos Cabeças do Congresso 2014 do Diap.

ANÚNCIO DE CONCURSO...

O Ministério do Planejamento aprovou concursos públicos no apagar das luzes do governo Dilma. O anúncio é para dar aos sindicatos aliados meios de pedir votos para o PT às categorias, mas é lorota.

...É SÓ LOROTA ELEITORAL

A promessa de concurso é lorota porque a Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe aumentar gastos com pessoal nos últimos 180 dias de mandato. A oposição pretende denunciar a manobra à Justiça Eleitoral.

OUTRO JATINHO

Como o Citation que caiu, também pertencia à Bandeirantes Pneus, do Recife, o Learjet usado por Eduardo Campos na visita a Feira de Santana (BA), em maio. Os gastos não constam da prestação de contas do PSB porque a viagem foi anterior ao registro da candidatura.

NOVA CORREGEDORA

A ministra Nancy Andrighi tomará posse, do Superior Tribunal de Justiça,como corregedora nacional de Justiça nesta terça-feira (26), às 18h. Ela sucede ao ministro Francisco Falcão.

O PROBLEMA É A COR

Candidato ao governo do DF, Toninho do Psol já não promete extinguir o Bope, um dos mais admirados batalhões da Polícia Militar. Promete só mudar a aparência. Para ele, fardamento preto é “fascista”.

ANTI-PT COMO BANDEIRA

A rejeição ao PT chegou a tal ponto que no DF os adversários do partido passaram a direcionar suas campanhas para o “anti-petismo”. Pelas pesquisas, isso dá mais votos que apresentar projetos.

GASTOS CAMPEÕES

Atingiu R$ 453 milhões em junho o total de diárias pagas pelo governo Dilma. Até maio eram R$ 354 milhões. Fecharão o ano em R$ 1 bilhão.


PODER SEM PUDOR

GARANTIA

O poeta chileno Pablo Neruda era conhecido pelo hábito de abandonar qualquer coisa por uma boa soneca, após o almoço. Ele era candidato a presidente de seu país quando visitou o Brasil. Numa de suas muitas entrevistas, ele acabaria sendo confrontado com aquele hábito que fazia as delícias dos seus adversários. Neruda respondeu com tranquilidade:

- Claro, vou continuar com a sesta. Enquanto estiver dormindo, a população saberá que não lhe vou fazer nenhum mal.


Invasão de danos - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 26/08


Como se resolver o problema do deficit habitacional já não fosse tarefa complexa, invasões orquestradas por movimentos de sem-teto em empreendimentos populares inacabados adicionam à equação dificuldades nada desprezíveis --e não apenas para as autoridades.

Também a população que vive em áreas de risco ou espera há anos por sua residência se vê prejudicada por intervenções de grupos que, à margem da lei, decidem se apossar de conjuntos habitacionais construídos com recursos públicos.

Reportagem desta Folha mostra que, na cidade de São Paulo, 1.427 famílias de baixa renda continuam à espera de moradias do programa federal Minha Casa Minha Vida devido a danos causados por invasores.

Não satisfeitos em ocupar ilegalmente unidades quase prontas, que dependiam apenas de ligações de água e de esgoto para serem entregues, os sem-teto depredaram e incendiaram instalações de oito condomínios quando a polícia comandou uma ação de reintegração de posse.

O vandalismo tornou necessário reformar os empreendimentos. Assim, não se sabe quando as unidades, em construção desde 2010, serão oferecidas às famílias. Agrava-se, pois, a situação de quem hoje vivem em condições precárias.

É o caso, por exemplo, do mecânico Thiago do Nascimento Silva, 24, que mora com a mulher e a filha de três anos no Jardim Pantanal, bairro da zona leste frequentemente sujeito a alagamentos.

"Até hoje espero minha casa e quase não tenho mais esperança. Perdi meu carro na última enchente e tenho medo de a minha filha ficar doente", lamenta Silva.

Essa destruição, ademais, impõe um custo adicional às obras --responsabilidade da qual os invasores provavelmente escaparão. Segundo a Caixa Econômica Federal, que zela pelos imóveis, ainda não há estimativa para os gastos extraordinários em que incorrerá.

A julgar por experiência semelhante na esfera municipal, o prejuízo será significativo. Na Prefeitura de São Paulo, calcula-se em R$ 700 mil o custo para reformar 40 apartamentos de um condomínio da Cohab (empresa metropolitana de habitação) que também foi destruído no momento do despejo.

Os próprios sem-teto agradeceriam se os recursos não precisassem ser aplicados duas vezes no mesmo apartamento.

Marina e a democracia - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S.PAULO - 26/08


"É necessário criar mecanismos de participação popular que revigorem a democracia representativa, aumentando sua legitimidade." Essa vaga afirmação de princípios consta - e dela quem há de discordar? - do texto prévio do programa de governo de Marina Silva a ser divulgado, segundo se anuncia, até a próxima sexta-feira. Esse texto foi antecipado pelo Estado no último domingo e precipitou reações contraditórias, especialmente no que se refere à questão da formação de conselhos populares destinados a promover o "controle social" da atividade política, o mesmo tema do polêmico decreto de Dilma Rousseff que está sendo examinado pelo Congresso Nacional.

No mesmo dia, Marina Silva se dispôs a colocar água na fervura, tentando desvincular sua proposta do decreto de Dilma. Saiu-se, porém, mais uma vez, pela tangente da generalização. A intenção é "aprofundar a democracia" por meio da "valorização das instituições e que essas instituições e as representações políticas possam estar ligadas à sociedade brasileira". Mais uma vez: discordar, quem há de?

A generalização pode ser um recurso eficaz, especialmente durante campanhas eleitorais, para tornar acessíveis e atraentes ideias complexas. Criar signos de fácil compreensão é um exercício também conhecido como "falar a linguagem do povo". Mas é também a melhor maneira de escamotear as verdadeiras intenções de quem os propõe. A generalização pode ser, pura e simplesmente, uma maneira de dissimular o engodo.

É o caso desse decreto do governo petista que institui a Política Nacional de Participação Social (PNPS). O decreto não chega a ser novidade, uma vez que conselhos já existem, e há muito tempo, em todos os âmbitos e níveis da administração pública. Tais conselhos não têm o poder de impor políticas, mas apenas o de ampliar a "participação popular" na gestão da coisa pública, inclusive fiscalizando o trabalho dos gestores. A novidade é a óbvia intenção do lulopetismo de usar seu poder hoje quase hegemônico para influir fortemente na estruturação desses conselhos - que serão coordenados diretamente pelo Palácio do Planalto, por intermédio da Secretaria-Geral da Presidência - e manipulá-los como instrumentos de pressão política para consolidar e perpetuar essa hegemonia. Em outras palavras, por simples decreto revoga-se o dispositivo constitucional que consagra a representação popular nos órgãos de soberania nacional, transformando os conselhos em centros de decisão até mesmo mais efetivos que o Congresso Nacional, eleito pelo voto universal.

Isso significa que, reeleita Dilma Rousseff, os petistas disporão de pelo menos quatro anos para montar nas entranhas da administração federal uma ampla estrutura de pressão política capaz de garantir-lhes o exercício de um forte poder paralelo mesmo que venham a ser apeados do poder formal por decisão das urnas.

Pela voz de seu então líder, Eduardo Campos, o movimento político que hoje, por injunção da "providência divina", Marina Silva comanda já se havia posicionado claramente contra a mentira dissimulada na proposta petista. Em junho, Eduardo Campos reagiu duramente à iniciativa do Planalto, denunciando a incoerência entre "a palavra e a atitude" de Dilma Rousseff: "Essa palavra e esse decreto não têm nada a ver com o que o governo pratica no dia a dia. É um governo fechado, que não tem as portas abertas para o diálogo".

Não obstante, Marina Silva chegara a defender o decreto da PNPS e essa posição em certa medida foi levada em consideração no texto prévio do programa de governo do PSB. Agora cabeça de chapa e forçada a harmonizar suas convicções pessoais com as do partido que a hospeda, Marina recuou, justificando-se com o argumento de que o documento a que o Estado teve acesso é apenas preliminar.

O PSB, como todo mundo, apoia o fortalecimento da democracia, mas não quer ouvir falar do decreto de Dilma Rousseff. O candidato a vice, Beto Albuquerque, pessebista histórico, colocou o dedo na chaga: "A proposta de Dilma é diferente. Você não pode me dizer que vai ter controle social sem me dizer quem vai controlar o eleito. Isso é muito perigoso". Melhor assim.

Revendo conceitos - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 26/08

Nos últimos 19 dias, muita coisa mudou para a candidata à Presidência da República pelo PSB Marina Silva, inclusive algumas ideias. Para se manter na condição em que deve aparecer na pesquisa Ibope/Estadão a ser divulgada hoje, à frente do tucano Aécio Neves e abrindo boa vantagem para a presidente Dilma no segundo turno, Marina está tendo que rever alguns de seus conceitos mais arraigados.

No dia 5 de agosto, então candidata a vice na chapa de Eduardo Campos, a ex-senadora Marina Silva elogiou o decreto da presidente Dilma Rousseff que cria conselhos populares em órgãos do governo, medida que teve uma forte reação contrária do Congresso e da sociedade civil independente.

Para Marina, o decreto era tão bom que foi classificado como uma medida eleitoral de Dilma, pois já deveria ter sido editado antes. A participação da sociedade é algo muito bom em um país como o nosso, com essa dimensão territorial e diversidade cultural. É fundamental que os governos façam coisas com as pessoas e não para as pessoas. Mas isso é para ser feito ao longo de toda uma vida, e não apenas vinculado à eleição. É algo a ser cultivado, independente de ser estratégia eleitoral. É uma inovação na gestão pública .

A ideia era tão boa que foi parar no programa que o PSB estava organizando para o candidato Eduardo Campos, e que agora Marina herdará. O que se buscaria era o controle social da política, com a criação de instâncias próprias para o exercício de pressão, supervisão, intervenção, reclamo e responsabilização .

Da mesma maneira que o decreto da presidente Dilma foi considerado uma tentativa de aparelhar a sociedade civil, criando conselhos populares que seriam manipulados pelas organizações e movimentos ligados ao PT para passar por cima do Congresso, também a decisão de Marina Silva de se utilizar desses conselhos para ações de pressão, supervisão, intervenção, reclamo e responsabilização provocou o mesmo temor, principalmente tratando-se de quem não leva muito em conta os partidos políticos como Marina.

Essa rejeição à política tradicional , aliás, é uma das suas vantagens competitivas no atual momento junto a um eleitorado que em sua maioria quer mudanças no país e desacredita os líderes políticos. Mas, ao mesmo tempo, Marina não pode assumir posições radicais, senão se arrisca a perder um eleitorado mais conservador que quer mudanças, mas não revoluções.

Instada a reafirmar sua posição nesse assunto tão controverso, Marina tratou de dar um passo atrás e disse que o texto a que os jornalistas do Estadão tiveram acesso não havia sido aprovado por ela, e que o programa de governo que será lançado na sexta-feira pretende, isso sim, valorizar as instituições .

O nosso documento fala em aprofundar a democracia, o que significa a valorização das instituições, e que essas instituições e as representações políticas possam estar ligadas à sociedade brasileira , explicou a candidata. A explicação verdadeira só saberemos quando o texto oficial for divulgado, mas está claro que a Marina candidata já não está tão empolgada com o decreto da presidente Dilma, a ponto de seu vice, o deputado federal Beto Albuquerque, ter dito que controlar representantes eleitos é muito perigoso , e que a proposta de sua chapa é bem diferente da de Dilma.

Da mesma maneira Marina está sendo chamada a se posicionar sobre a origem do avião que era usado na campanha por ela e por Eduardo Campos, e caiu no mesmo erro de Aécio Neves ao falar do aeródromo de Cláudio, em Minas. A explicação será dada no tempo necessário , disse ela.

O tempo necessário do candidato geralmente não é o tempo do eleitor, do cidadão comum. A própria Marina sabe disso, pois na ocasião cobrou providências, pois achava que havia fortes indícios de ilicitudes . E completou, criticando tanto o PT quanto o PSDB: Eu e o Eduardo Campos estamos lutando contra estes grandes grupos que se alimentam da corrupção. É por isso que cada um tem um mensalão para chamar de seu .

Hoje, é ela quem está tendo que dar explicações e justamente quando anuncia querer o apoio da parte boa do PT e do PSDB para formar um eventual futuro governo. Ao citar o ex-governador José Serra como um desses, Marina deixou no ar uma questão: por que negou-se a apoiá-lo em 2010 no segundo turno?

O recomeço - DORA KRAMER

O ESTADÃO - 26/08


Ainda sem ataques, fazendo a linha bem comportada, os três candidatos competitivos a presidente deram uma rearrumada nos discursos a fim de adaptá-los para a nova realidade da campanha, com a entrada de Marina Silva no páreo.

A mexida maior, claro, até agora foi no PSB, obrigado a trocar os pneus com o carro em movimento. Com a candidatura de Eduardo Campos, a estratégia era a de acentuar a oposição ao governo Dilma e apresentar as propostas para consertar os erros cometidos por ela na visão do então candidato.

Agora, o PSB precisa mostrar, ao mesmo tempo, que honra os compromissos com os aliados, que a candidata não é tão sectária como parece, que o mercado e o empresariado não têm nada a temer, que ela terá pulso firme para governar, que suas propostas "sonháticas" não são necessariamente lunáticas e, sobretudo, que dispõe de lastro em termos de equipe para o caso de vir a se eleger.

O movimento desde os últimos dias da semana passada foi intenso nesse sentido. Emissários saíram para conversas em todas as direções: o agronegócio, o setor empresarial, a área financeira, os partidos aliados nos Estados.

Não foi esquecida nem a velha carta de união dos "melhores" do PT e do PSDB para a formação de um governo de qualidade.

A ideia muito ventilada tempos atrás andava arquivada havia mais de dez anos. Por um motivo óbvio: a completa impossibilidade de convergência entre tucanos e petistas no tocante ao papel do Estado e na relação deste com a sociedade. Mas ao PSB nessa altura cabe isso mesmo, fazer gestos de conciliação, mostrar-se agregador, capaz de unir "os melhores" como convém ao projeto de terceira via.

Evidentemente, a tal associação soa inexequível. Primeiro, porque aquelas duas forças têm candidatos à Presidência. E depois, o PT e o PSDB nessa altura pensam em tudo, menos em colaborar com a adversária.

Na realidade nua e crua, querem mais é que Marina e o PSB se esfrangalhem a fim de não conseguirem consolidar a mudança do roteiro original em que petistas e tucanos se enfrentariam no segundo turno.

No fim de semana Dilma Rousseff e Aécio Neves já começaram a explicitar a divergência, ambos ressaltando o mesmo ponto de deficiência de Marina. A presidente aproveitou uma crítica da ex-senadora ao seu perfil de gerente para qualificar a declaração de "coisa de quem não tem experiência administrativa".

O candidato tucano em suas andanças de campanha também deu um jeito de encaixar uma fala ressaltando a si como a única alternativa "segura", para destacar a representação de insegurança em Marina. Hoje à noite, no primeiro debate entre os candidatos na TV Bandeirantes, será o teste inicial do peso da artilharia das campanhas presidenciais.

Legado. No PSB há a convicção de que o partido sai ganhando mesmo se Marina Silva perder a eleição para presidente ou, se eleita, deixar a legenda quando a Rede Sustentabilidade conseguir o registro definitivo na Justiça Eleitoral.

Com a candidatura presidencial forte, o PSB tem chance de eleger boa bancada de deputados federais. Isso dará ao partido direito a um tempo de televisão maior e uma parcela mais substanciosa do fundo partidário.

Caça ao apoio. Ávidos por boas notícias, PSB e PSDB adorariam neste momento contar com a declaração de voto do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. Ambos trabalham em surdina. Nenhum dos dois ousa registrar sombra de êxito.

Ou vai... O acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa funciona assim: ou ele dá à Justiça informações - vale dizer, nomes - que permitam esclarecer o esquema de corrupção na empresa, ou não sairá da cadeia.

Bater ou não bater? - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 26/08


BRASÍLIA - Os programas na TV mostram Dona Nalvinha de dentes novos, humanizam Dilma e colorem Aécio como estadista e Marina como salvadora da pátria. Mas tudo muda nos debates, a partir de hoje.

A discussão é quem, como e onde vai bater primeiro na intrusa Marina, que chegou atrasada, por uma fatalidade, e já bagunçando o coreto. Dilmistas e aecistas estão loucos para bater, mas morrem de medo.

Marina, com seus 50 quilos, alimentação de passarinho e um prontuário recheado de doenças nativas, está emergindo da perplexidade geral e da dor particular com a morte de Eduardo Campos. Como bater numa figura frágil assim?

Ocorre que Dilma e Aécio não têm como fugir disso. Marina é competitiva, uma incógnita fantástica e um fantasma para a polaridade PT-PSDB. Se os dois antes favoritos lavarem as mãos, correm o risco de acordar com Marina disparada. Se bater, o bicho pega; se não, o bicho come.

Dilma vai desviar as baterias de Aécio para Marina, hoje a ameaça principal. Com a economia crescendo 7,5%, Serra tinha em torno de 30% em agosto de 2010. Com crescimento menor que 1%, Aécio só chega a 20% no mesmo mês da campanha. Ou seja: ele se enclausurou nos votos tucanos. É bobagem Dilma bater aí, porque são votos que não vão para ela e para o PT de jeito nenhum.

Aécio vai ter de bater no mau governo de Dilma e nos desmandos do PT, mas sem deixar Marina correndo solta rumo ao segundo turno. E Marina pode bater em quem quiser, mas o problema dela não é só mostrar o que há de ruim nos outros, mas o que há de bom nela além dos sonhos.

Até aqui, Dilma e Aécio questionam a capacidade executiva de Marina e a ausência de quadros suficientes do PSB e da Rede, tanto para compor um eventual governo quanto para cumprir a promessa de combater a síndrome do vitorioso no Brasil: a dependência do que há de pior na política para ter maioria no Congresso.

Bom debate!

Missão não cumprida - RUBENS BARBOSA

O GLOBO - 26/08


O aproveitamento do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e o desenvolvimento de veículos lançadores de satélites (VLS) são prioridades no âmbito do Programa Nacional de Atividades Espaciais do Ministério da Defesa. O funcionamento de um centro de lançamento competitivo permitiria a entrada do Brasil no importante nicho de mercado de satélites de telecomunicações e de meteorologia.

Um programa desse porte só será possível se houver um entendimento com o governo dos EUA. A Base de Alcântara só poderá tornar-se viável comercialmente quando um novo acordo de salvaguardas entre o Brasil e os EUA tiver sido negociado, uma vez que, por motivos ideológicos, o anterior nunca foi ratificado.

A oposição do PT a esse acordo, que iria regulamentar o uso comercial da base de lançamento de foguetes de Alcântara por empresas americanas, na prática, excluiu o Brasil de um mercado anual de US$ 12 bilhões. Procurando contornar essa dificuldade, o país está tentando desenvolver um VLS próprio, outro com a Ucrânia e conduzindo um programa de lançamento de satélites com a China. Anuncia-se para o dia 29, como parte desse esforço o lançamento em Alcântara de foguete de sondagem, que pela primeira vez testará no Brasil combustível líquido embarcado.

A grande ironia em todo esse affair é que, sem o acordo com os EUA, nem o programa com a Ucrânia poderá avançar, apesar dos milhões de dólares investidos pelo Brasil.

No fim da visita do presidente Obama ao Brasil, em março de 2011, ficou decidido que os entendimentos sobre o acordo de salvaguarda seriam retomados com o objetivo de renegociar o texto para consideração do Congresso Nacional. Com isso, poderia ser viabilizado o programa de lançamento de satélites com a Ucrânia e ficaria aberta a porta para a cooperação entre empresas brasileiras e americanas na área de lançamento de satélites, tornando de fato efetivo o uso da Base de Alcântara. Com a divulgação da espionagem da NSA à presidente Dilma e a relação entre os dois países bastante dificultada, os entendimentos nem chegaram a começar.

Espera-se que, nos próximos quatro anos, sem preconceitos partidários e com razoável dose de pragmatismo, o futuro governo empreste ao programa espacial brasileiro uma efetiva prioridade. Com a conclusão da negociação do acordo de salvaguarda tecnológica com os EUA e com recursos financeiros adequados para garantir a continuidade dos esforços — que, por falta de apoio, caminham com grande dificuldade —, os programas poderão avançar e ser concluídos com êxito.

Em agosto de 2003, sério acidente na Base de Alcântara paralisou o projeto por algum tempo e fez desaparecer uma elite técnica que conduzia o programa do veiculo lançador de satélite. O VLS-1, que estava sendo preparado, explodiu e matou 21 cientistas, adiando ainda mais o projeto que colocaria o Brasil numa posição competitiva no mercado de satélites comerciais.

É urgente recuperar o tempo perdido.

domingo, agosto 24, 2014

Feliz aniversário - MARTHA MEDEIROS

ZERO HORA - 24/08


Ela sabe que é um pensamento improdutivo, mas mesmo assim se preocupa com a passagem do tempo, parece uma menina assustada diante do acúmulo de números que sua idade vem ganhando. Não entende onde foram parar seus 16 anos, seus 21, seus 29, seus 35, seus 42.

Ora, onde eles podem estar? Todos ainda dentro dela.

Ao assoprar as velas, a sensação é de que o passado também se apaga e um presente totalmente novo é inaugurado. Sendo virgem da nova idade, é como se estivesse nascendo naquele específico dia com pequenas rugas e manchas surgidas subitamente, e não trazidas do antes. Como se estivesse vindo ao mundo na manhã do festejado dia com os quilos, as dores e os limites de um adulto recém-nascido e com uma expectativa de vida mais curta, sem registro algum do tempo transcorrido até ali, aquele tempo que sumiu.

Sumiu nada.

Você tem seus 16 anos para sempre. Seus 21. Seus 25 e todos os outros números que contabilizou a cada aniversário: você tem oito anos, você tem 19, você tem 37. Você só ainda não tem o que virá, mas os anos que viveu ainda estão sendo vividos, são eles que, somados, lhe transformaram no que é hoje. Sua idade atual não é uma estreia, você não nasceu com esses anos todos que sua carteira de identidade diz que você tem. Só o dia do seu nascimento foi uma estreia. Desde então, você nunca mais saiu de cena. Ainda estão em curso seus primeiros minutos de vida.

Você ainda sente o nervosismo das primeiras vezes, as mesmas dúvidas diante das escolhas, o afeto por pessoas que foram importantes lá atrás, a adrenalina dos riscos corridos. Nada disso evaporou. O ontem segue agindo sobre você, segue interferindo na sua trajetória. É a mesma viagem, a mesma navegação. O meio de transporte é seu corpo, e ele ainda não atracou.

Mas e todo aquele peso extra que você um dia jogou ao mar? Não muda nada. A viajante que durante o percurso vem se desfazendo de algumas coisas continua sendo você. Aquele instante aos 19 anos ou aos 26 em que você cruzou o olhar com alguém que modificaria seu futuro continua acontecendo, o ponteiro continua se mexendo, o tempo não parou. Desiludem-se os amantes apaixonados que, quando se instalam num amor maduro, não encontram mais a mágica anterior que fazia o tempo parar, mas não se deve ser tão fatalista, você não tem 18 anos, ou 37, ou 53. Você tem 18, 37 e 53. No que tange o tempo vivido, não há “ou”. São várias idades contidas numa frequência cardíaca ininterrupta.

Você chegou a uma idade gloriosa, a idade de entender que não existem perdas, só ganhos. Não existe envelhecimento, e sim desenvolvimento constante. O tempo não passa, ele está sempre conosco. O novo não ficou para trás, ao contrário, o novo está adiante: na vida que ainda está por vir.

Três fábulas monterrosianas - ANTONIO PRATA

FOLHA DE SP - 24/08


O porco-espinho procurou um dermatologista, que constatou carência de vitamina D e recomendou banhos de sol


Era uma vez um porco-espinho que adorava a balada. Toda noite ele ia a festas, clubes ou raves, onde fazia o maior sucesso com seu visual loucão --era muito cool ser amigo de um porco-espinho. Um dia ele acordou às seis da tarde, como de costume, e percebeu que vários dos seus espinhos haviam se soltado durante o sono. O porco-espinho procurou um dermatologista, que constatou carência de vitamina D e recomendou banhos de sol pela manhã. Acontece que o porco-espinho era incapaz de acordar cedo e decidiu não abrir mão das baladas, mesmo sob o risco de ficar careca. Quanto mais caíam seus espinhos, porém, mais escasseavam os convites para as noitadas: o que gostavam no porco-espinho era justamente o seu visual loucão, cheio de espinhos. Hoje, ninguém mais o chama pra nada, as hostess o barram na porta, ele vaga sozinho noite adentro e atende pelo nome de gambá --quando atende, pois, geralmente, se alguém se aproxima, ele exala amargura e corre pro mato.

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A coruja estava no forro do telhado, lendo Proust, quando entrou a andorinha, ofegante. "Nossa, andorinha, que animação...", comentou a coruja, sem tirar os olhos do livro. "Ah, dona coruja! Tô voltando da minha primeira viagem pelo mundo! Eu cruzei a Amazônia e os desertos mexicanos, vi o sol se pôr atrás dos picos nevados dos Andes, fiz amor no céu vermelho da aurora, sobre o mar azul do Caribe!" "Veja só", disse a coruja, passando saliva na pata e virando a página 987 do livro. "Em Manaus, você foi no teatro Amazonas, claro." "Não...", respondeu a andorinha, "mas eu voei com as araras e...". "Poxa vida", cortou a coruja, "Não foi no teatro Amazonas... E no México? No México, pelo menos, você visitou o museu de antropologia, né?". "Na verdade, não...", admitiu a andorinha, se encolhendo entre as asas. "Não visitou o museu de antropologia?! Desculpa, andorinha, mas você não-foi-pro-Mé-xi-co! Só falta me dizer que depois dos Andes cê não passou por Buenos Aires, pra tomar um chá com medialuna num daqueles lindos cafés europeus." "Na-não", confessou a andorinha, com um fio de voz, então pediu licença e foi fazer seu ninho, angustiada, crente que quem sabia das coisas era a coruja, que seguia lendo Proust --agora, com um sorriso no rosto.

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Nada irritava tanto a rã mais pequenininha do brejo quanto ser confundida com uma perereca. "É rã!", ela dizia, cerrando os dentes, toda vez que a confundiam. Um domingo de manhã ela estava no brejo vizinho pegando umas moscas pro almoço quando passou por uma família de pererecas sobre uma vitória-régia. "Nossa, que perereca enorme!", exclamou uma delas. A rã estava prestes e xingar e exibir o dedo médio, mas os comentários das outras foram mais rápidos. "Uau, deve ser ótimo ser uma perereca tão grande!!" "Incrível!" "Mãe, mãe, se eu comer bastante mosca eu vou ficar desse tamanho?"

Na segunda, bem cedo, a rã fez as malas e se mudou para o brejo vizinho, onde é tratada com todas as deferências devidas à maior perereca já vista, às quais ela responde com azedume e rispidez, dedicando as piores patadas às pererecas mais pequenininhas.

O dia seguinte hoje - FABRÍCIO CARPINEJAR

ZERO HORA - 24/08


Ao fazer festa em casa, do que mais gosto é a bagunça.

Não da festa em si, mas daquilo que precisarei arrumar no dia seguinte.

Sou vidrado pela ideia de reconstrução de um ambiente em algumas horas.

Tudo repentinamente fora do lugar, sujo, imundo, e há o desafio de reencontrar a ordem natural das coisas.

É uma recriação do mundo num final de semana.

O corredor beira o estado de sítio, o banheiro sofreu com o desespero dos boêmios, as estantes dos livros estão cheias de bandejinhas de salgados.

Nem espero o dia seguinte.

Nada mais íntimo dentro de um casamento do que o silêncio das 6h. Todos já foram embora, felizes com a balbúrdia, e nós dois decidimos ajeitar o lar enfrentando o cansaço.

O previsível era deitar com a roupa do corpo e desmaiar, desprezando os escombros e a vida virada pelo avesso.

Mas não, eu e minha mulher adoramos o pós-festa, quando estamos sozinhos.

Reina uma sensação de paz, de sobrevivência.

A faxina é partilhar a memória do encontro. Melhor do que roda de violão.

A faxina é fixar as lembranças antes que sejam corrompidas pela enxaqueca do meio-dia.

Ela segura o lixo de 100 litros e eu vou buscando as garrafas de cerveja espalhadas pelos cantos.

Vamos conversando sobre as cenas mais engraçadas da festa, o comportamento dos amigos, as coreografias das músicas ridículas.

Cada um repassa o que viu e o que conversou. Como anfitriões, tínhamos o trabalho de nos revezar por diferentes turmas e atender a todos, não deixar ninguém excluído e isolado. Naquele momento, completamos o quebra-cabeça da noite.

– Você falou com a Vanessa? E como ela está com o marido?

– Sim, pareciam alegres. Já passou a tormenta.

De nosso papo frugal, seguimos com o rodo e a vassoura, um encarando o outro com ternura.

De vez em quando, reclamo da dor nos braços. De vez em quando, ela reclama da dor nos pés. São exclamações naturais do sacrifício que não se estendem por muito tempo.

Ela massageia rapidamente meus ombros e diz que providenciará uma massagem mais tarde. Eu tiro seus sapatos, apertos seus dedos e juro que depois pego um creme para aliviar o estresse.

A admiração é feita de pequenas pausas e promessas.

E seguimos nosso baile mudo, nossa coreografia de espuma e detergente.

Lamentamos uma mancha que não sairá no sofá ou algumas cicatrizes novas nas paredes. Não choramos por algo que tenha sido quebrado. Entendemos que a amizade é para ser usada.

Recolhemos o exército de copos e cálices, os pratos sujos, e não nos intimidamos com a quantidade de louça que ocupa a mesa inteira da cozinha.

Dividimos as tarefas: primeiro os copos, depois os pratos, em seguida os talheres. Assim não sofremos com a dimensão assustadora do compromisso.

E continuamos nossa troca de impressões ouvindo os pássaros assobiando ao longe. Não temos certeza se são os rumores das aves ou se é a claridade cantando lentamente na janela.

Ela pergunta se estou com fome. Paramos um pouco nossa arrumação para esquentar salgados e comer sentados no chão da cozinha, na posição de índios ao redor da fogueira.

Corre entre nós uma cumplicidade apaixonada, como se só nossos olhos dançassem.

O amor não é apenas uma festa, como alguns imaginam. O amor é também dividir o trabalho de limpar a casa.

Acordamos com o apartamento brilhando e nos beijamos de olhos fechados, ainda sonhando.

Frutos e migalhas - JOSÉ CASTELLO

GAZETA DO POVO - PR - 24/08


Em um e-mail que recebo de meu amigo Ricardo Arnt, se destaca uma bela, mas alarmante frase de Rubem Alves: “A vida é um fruto saboroso que cresce na parede do abismo”. A frase me esmurra e entorpece. Ela me pega em meio à leitura de A Festa da Insignificância, novo romance de Milan Kundera (Companhia das Letras). Uma delicada narrativa a respeito da fragilidade humana — que não exclui, ao contrário, intensifica a beleza de nossa aventura. O que dói na frase de Alves é, do mesmo modo, a demonstração de que a beleza se alia à insignificância. É de muito pouco — é de um abismo — que arrancamos a vida.

Apesar da arrogância e presunção, não deixamos de ser pequenos. A vida nos dá ninharias e — ainda que de nariz empinado — enchemos o peito. É tudo, de fato, muito pouco, mas justamente por isso comovente e admirável. Assim também sentem os quatro amigos parisienses que protagonizam o romance de Kundera. Diz Ramon a D’Ardelo: “A insignificância, meu amigo, é a essência da existência. Ela está conosco em toda parte e sempre. Ela está presente mesmo ali onde ninguém quer vê-la”. Mas, prossegue Ramon, não basta reconhecer a insignificância como alicerce da existência. O mais difícil vem depois: “É preciso amar a insignificância, é preciso aprender a amá-la”. Porque só assim chegamos um pouco mais perto de nós mesmos.

Em busca das migalhas que compõem a viagem humana, o romance de Kundera traça um inesperado paralelo entre a Paris de nossos dias e a União Soviética do passado. A figura onipresente de Joseph Stalin circula pelo relato. Apesar de seu poder, Stalin se envolve em situações em que a insignificância o suplanta. As maiores demonstrações de força não vêm, necessariamente, das grandes brutalidades, mas das pequenas resistências. Lendo as memórias de Nikita Khruschóv, um perplexo Alain descobre em Stalin, em alguns momentos, a presença da ternura. “A palavra ternura não combina com a reputação de Stalin, ele é o Lúcifer do século”, admite. Diante de seu auxiliar Mikhail Kalinin, e ainda que sem ceder aos apelos do poder, ele consegue provar de doces momentos de afeto. Originados não dos grandes atos, mas de pequenos sentimentos.

Já na velhice, o amigo sofre da próstata. Em espaços muito curtos, tem necessidade de ir ao mictório. Stalin o provoca, contando longas anedotas que Kalinin não ousa interromper. Nessas horas de sofreguidão, admira a resistência do amigo. “Sofrer para não molhar a cueca... Ser um mártir de sua higiene... Combater a urina que nasce, cresce, avança, que ameaça, ataca, mata...”. Leitor das memórias, Alain se pergunta: “Existe um heroísmo mais prosaico e mais humano?” Talvez a batalha contra a urina tenha sido a grande guerra que Kalinin lutou. Do mais desprezível, surge o mais grandioso.

Stalin, o inflexível, gostava de contar uma tola história sobre vinte e quatro perdizes que, durante uma caçada, encontrara pousadas em uma árvore. Só carregava consigo doze balas — e, por isso, matou apenas doze. Andou de volta os treze quilômetros até sua casa, pegou mais uma dúzia de balas, e voltou para matar as que restavam. Sempre que ouviam a história, seus companheiros bufavam de ódio. Como Stalin podia supor que acreditassem que as doze perdizes restantes permaneceram estáticas, na mesma posição, à sua espera? Ninguém entende que o ditador está brincando. Que ele os provoca. Levam a sério o insignificante e por isso sofrem. A experiência do poder é, também, a experiência da desprezível. É tudo muito pequeno.

Charles, outro amigo, fala sempre de uma peça de teatro que tem quase pronta, destinada às marionetes. Um dia, em um momento de sinceridade, ele desabafa a Alain: “Você entende, minha peça para marionetes é apenas uma brincadeira, uma tolice, eu não a escrevi, apenas a imagino, mas que posso fazer se nada mais me distrai...” No fim da peça que não consegue terminar — até porque nunca a escreveu — surgirá um anjo. Não sabe por quê. “No momento, sei apenas que no fim haverá um anjo”. Comenta Alain que uma das poucas coisas que sabemos a respeito dos anjos é que são magros. Tudo muito pouco — sonhos frágeis, detalhes inúteis —, mas é dessas ilusões que o pequeno Charles se alimenta.

A experiência da insignificância pode vir dos sentimentos mais prosaicos. Caminhando pelas ruas de Paris, Alain descobre que nas mulheres não são as coxas, nem os seios que o atraem, mas o umbigo. Pergunta-se: “Como definir o erotismo de um homem (ou de uma época) que vê a sedução feminina concentrada no meio do corpo, no umbigo?” Mais uma vez, é no que, para a maioria dos homens, não passa de um detalhe que o personagem de Kundera se detém. Ali ele se concentra. Ali guarda sua frágil atenção. Ali o desejo lhe brota.

O arrebatamento pode vir de coisas tão inesperadas quanto a ameaça de morte. D’Ardelo vai ao médico, pois teme estar com câncer. O diagnóstico, para seu desafogo, é negativo. Na saída do consultório, atravessando aliviado o Jardim de Luxemburgo, ele cruza com Ramon. Conta de onde está vindo. “Que foi que o médico disse?”, o amigo quer saber. Responde com uma única palavra, cheia de poder: “Câncer”. Por que mentiu? Não sabe responder. Mas por que, também, diria a verdade? Não pode negar que seu câncer imaginário o alegra. Não ela, a doença, mas a pequena farsa que produz. Também de migalhas, de sobras do assombroso, é feita a imaginação.

Além do mais, a insignificância tem suas vantagens. Em outro momento, os amigos refletem sobre a inutilidade de ser brilhante. O sujeito brilhante — supõe-se — “sabe tudo”. Mas diante dele, em vez de se aproximar, uma mulher logo se sente obrigada a entrar em competição. Ser brilhante é não só inútil, mas nocivo. Prossegue Ramon: “Ao passo que a insignificância a libera. A liberta das precauções. Não exige nenhuma presença de espírito. A torna despreocupada e, portanto, mais acessível”. São muitas as vantagens do pequeno — por isso, aceitar a insignificância, se a olhamos bem de perto, não é tão doloroso assim. Pode até trazer pequenas alegrias. É o fruto saboroso de que Rubem Alves nos fala.

Mais perguntas que respostas - FERREIRA GULLAR

FOLHA DE SP - 24/08


Marina Silva ir para o segundo turno, e não Aécio Neves, é, creio eu, o maior temor de Lula e sua turma


Como têm observado os comentaristas políticos, a morte de Eduardo Campos e sua consequente substituição na candidatura à Presidência da República, por Marina Silva, mudou radicalmente o quadro político eleitoral.

Antes que ela manifestasse a decisão de substituir Eduardo como candidata ao governo do país, já os dois outros candidatos temiam pelo que viesse a acontecer. Sem dúvida, no mínimo, o projeto de campanha eleitoral que haviam elaborado não serviria mais.

Como a candidatura de Marina parecia inevitável, Lula teria telefonado para Roberto Amaral, presidente do PSB, sugerindo que desistissem de apresentar outro candidato e voltassem a aliar-se ao PT, como antes da ruptura provocada por Eduardo Campos.

Não resta dúvida que Roberto Amaral sempre teve simpatia por Lula e Dilma, razão por que este teria tentado convencê-lo a retirar seu partido da disputa presidencial.

Roberto Amaral não teria dito nem sim nem não, claro, mesmo porque não tinha ele autoridade para tomar tal decisão. A rigor, digo eu, nem se atreveria a prometê-la, já que isso soaria como traição ao companheiro que acabara de morrer tragicamente.

Se essa conversa aconteceu mesmo, não posso afirmar; o que sei é que, como dizia Brizola, "Lula é capaz de pisar no pescoço da mãe" para não perder o poder. Sem dúvida, se ele conseguisse impedir a candidatura de Marina, as eleições de outubro estariam vencidas por Dilma Rousseff.

Sucede que a exclusão do PSB da disputa eleitoral é inviável, não só pela identificação que nascera entre Marina e Eduardo, como porque a desistência seria como uma espécie de suicídio do partido.

Outra alternativa que, conforme se fala, poderia ajudar a candidatura de Dilma seria conseguir que Marina, no caso de ficar em terceiro lugar, tomasse a mesma atitude que tomara, em 2010, quando Dilma e Serra disputaram o segundo turno: ela simplesmente se omitiu, não disse a seus eleitores que votassem em Serra e, com isso, garantiu a vitória de Dilma.

Só que, desta vez, ao que tudo indica, caso Aécio vá para a disputa final com Dilma, Marina não adotaria a mesma atitude, uma vez que sua relação com o PT é hoje muito diferente.

Na verdade, ela o tem como seu inimigo, quando mais não seja, porque deve ter atribuído a ele, pelo menos em parte, não ter conseguido registrar seu partido na Justiça Eleitoral. Sim, porque não interessava ao PT que ela se candidatasse outra vez.

Porém, e se nas eleições deste ano ocorrer o contrário, se ela, e não Aécio, for para o segundo turno? Esse é, creio eu, o maior temor de Lula e sua turma. Numa tal hipótese, não resta dúvida de que Aécio apoiaria a candidatura de Marina Silva e, caso isso ocorra, dificilmente Dilma seria eleita.

Mas é evidente que tudo isso são hipóteses. Acredito que razoavelmente baseadas em possibilidades reais, em observações aceitáveis mas, de qualquer modo, discutíveis. Além disso, neste momento em que a morte de Eduardo Campos comove a nação, as considerações que fiz aqui levam em conta a influência que esse fator emocional terá na decisão dos eleitores.

Mas pode ser que, passado este momento, questões mais objetivas --como a inflação, as dificuldades econômicas que o país enfrenta, os problemas relacionados com a saúde, com a educação e a com segurança-- passem a determinar a escolha do eleitor em outubro.

Claro que isso é possível, mas tudo dependerá de como os candidatos de oposição --e particularmente Marina Silva-- consigam valer-se desse fator emocional para convencer o eleitor de que é possível livrar o país do populismo lulopetista.

Não se trata, evidentemente, de usar a morte de Eduardo Campos para chantagear o eleitor e, sim, de chamá-lo a participar de um momento decisivo para o futuro do país, fazê-lo crer que nem todo político é corrupto e demagogo.

Enfim, valer-se do fator emocional, para trazer o eleitor desencantado a confiar na mudança. Nesse sentido, pode ser que a candidatura de Marina consiga atuar de maneira decisiva, como já se viu na primeira pesquisa em que ela aparece. Isso é precisamente o que Lula e seu pessoal não querem. Para eles, quanto mais abstenção, melhor.

Momentos de Lula e Dilma - SUELY CALDAS

O ESTADO DE S.PAULO - 24/08


Nesta fase pré-eleitoral, em que a política se destaca e se sobrepõe à realidade econômica, muitos analistas passaram a comparar o primeiro ano do próximo governo com o primeiro ano de mandato do ex-presidente Lula. Esses dois períodos têm em comum a necessidade de ajustes e correção de rumos depois das turbulências econômicas nos finais de mandato de FHC, em 2002, e de Dilma Rousseff, em 2014. Entre estes analistas está o economista e filósofo Eduardo Gianetti da Fonseca, um livre pensador próximo dos economistas tucanos e, desde a eleição de 2010, conselheiro da candidata Marina Silva. "Lula teve um bom resultado em 2003", lembrou Gianetti há dias, sugerindo dúvidas quanto ao êxito ou fracasso do próximo governante.

Os dois momentos são diferentes. Eleito para governar o Brasil a partir de 2003, Lula era uma caixa de surpresas naquela época: tentou reverter a imagem de incendiário inconsequente, acumulada em muitos anos, assumindo compromissos na Carta ao Povo Brasileiro, em junho de 2002. Mas o mundo econômico, o mercado financeiro, empresários e investidores ainda tinham dúvidas. O fenômeno "pânico Lula" fez dispararem o câmbio, a inflação e a taxa de risco Brasil. Controlar a economia e impedir que o Real descambasse ladeira abaixo foi uma tarefa difícil e custosa para quem comandava a economia em 2002. Armínio Fraga, presidente do Banco Central na época, desabafou um ano depois: "Havia medo em relação ao futuro, mas o futuro não estava em nossas mãos".

E o futuro chegou com Antônio Palocci no comando da economia no primeiro ano de governo Lula. Por indicação do próprio Armínio, Palocci levou para sua equipe economistas que o PT rotulava de neoliberais, ignorou as maluquices econômicas do partido e deu continuidade à política econômica de FHC, por anos condenada pelos petistas. O ajuste se deu pelo freio de arrumação que quase levou à recessão. Mas o resultado foi melhor que o esperado: em 2003 a inflação fechou em 9,3%, abaixo das previsões e acima da meta de 4%; e o PIB cresceu só 0,5%, mas o clima de confiança foi recuperado e as portas começaram a abrir para construir o desenvolvimento - não fossem o mensalão, a vitória de Dilma Rousseff no conflito com Palocci sobre o equilíbrio fiscal e a queda do ministro e de sua equipe de neoliberais.

Agora, em 2014, o momento é diferente: os candidatos são conhecidos e não mais assustam como Lula assustava em 2002. Os problemas são outros e as soluções para eles não constituem nenhum mistério. Até mesmo a candidata Dilma, em cujo mandato esses problemas foram criados ou acentuados, sabe que em 2015 terá de corrigir seus erros se ganhar nas urnas.

Na energia elétrica reinam a confusão, o represamento da tarifa, o endividamento das empresas cresce a galope e a Eletrobrás cambaleia. No petróleo, nem a promissora área do pré-sal salvou - pelo contrário, sobrecarregou - a já combalida Petrobrás, punida com a tarifa congelada e obrigada a multiplicar o endividamento para dar conta de investimentos.

A produtividade do trabalho é rasteira, a geração de empregos perde fôlego, a indústria definha, o custo Brasil é alto, o comércio exterior emagrece e gerar superávit primário para pagar a dívida virou um pesadelo diante de um Estado gastador, com 39 ministérios (12 deles criados por Lula e Dilma) que só produzem disputa e conflitos políticos. Por fim, o crescimento econômico é cada ano mais medíocre, a inflação é persistente e a falta de confiança de empresários e investidores na condução da economia suspende ou adia investimentos - e o País não cresce.

Nenhum dos três candidatos desconhece essa realidade. A diferença entre eles está na escolha dos caminhos de cada um para corrigir os erros. E há enorme desconfiança de quem investe e empurra o progresso para a frente em relação a Dilma Rousseff, que lidera as pesquisas. Ela não mostra, por exemplo, disposição de abrir mão de intervir em negócios privados, método que originou muitos desses erros.

Como Lula em 2003, é dela que vêm as maiores incertezas para 2015.

Decisões erradas - AFFONSO CELSO PASTORE

O ESTADÃO - 24/08


Embora o governo insista que "tudo vai bem", há uma forte desaceleração do crescimento brasileiro. Ela não deriva apenas de uma queda na demanda agregada. É predominantemente uma consequência da queda abrupta do crescimento da capacidade produtiva do País, isto é, do seu PIB potencial. Hoje, mais do que em qualquer outro período de nossa história, esse crescimento depende do aumento da produtividade da mão de obra.

Primeiro, porque dada a taxa baixa e declinante de crescimento da população em idade ativa, o País não pode contar, tanto quanto no passado, com a contribuição do "fator trabalho". Segundo, porque contrariamente ao que ocorria nos anos posteriores ao encerramento da 2.ª Guerra, não há mais um "exército industrial de reserva", que em resposta ao aumento do protecionismo à indústria saia do campo obtendo emprego em atividades urbanas, mais produtivas, elevando a produtividade total dos fatores.

As baixas margens de lucro na indústria brasileira não estimulam os investimentos em capital fixo. Se tivéssemos uma taxa de investimentos mais elevada, o crescimento do PIB potencial seria mais intenso, e a maior densidade de capital por trabalhador empregado elevaria a produtividade do trabalho.

O governo, em busca de desvendar o enigma do baixo crescimento criado por ele próprio, passou a se aconselhar com empresários. Dentre as sugestões, estava a de que um forte estímulo aos investimentos viria da desoneração da folha de trabalho. Afinal, o custo da mão de obra no Brasil supera em muito o dos países concorrentes, estreitando as margens de lucro, e o diferencial deriva em larga medida da tributação excessiva sobre a folha de pagamentos. Olhado do ponto de vista de cada empresa, isoladamente, tal medida levaria à queda do custo da mão de obra e, consequentemente, a um aumento das margens de lucro e da taxa de investimentos.

Contudo, antes mesmo da desoneração da folha já era claro que a escassez de mão de obra vinha desestimulando a indústria. Os dados do IBGE indicam que o custo unitário do trabalho medido em reais - o quociente dos salários reais com relação à produtividade média do trabalho - vinha se elevando fortemente desde o início de 2010. Estes mesmos dados mostram que por muitos anos, antes da crise de 2007/2008, o custo unitário do trabalho flutuou em torno de um patamar constante.

O que mudou a partir do início de 2010 foram os fortes estímulos à expansão da demanda agregada de bens e serviços, deslocando para a direita a curva de demanda de mão de obra o que, ao lado dos aumentos do salário mínimo acima da produtividade média do trabalho, acelerou o crescimento dos salários reais. Por isso, a partir do início de 2010, o custo unitário do trabalho passou a crescer continuamente, situando-se atualmente acima de 20% do seu valor inicial.

Um dos objetivos do crescimento econômico é a elevação dos salários reais, mas isso tem de ocorrer em uma velocidade determinada endogenamente, compatível com o aumento da produtividade da mão de obra. Quais são as consequências da imposição de uma divergência entre estas duas taxas? O PIB da indústria (como o PIB de qualquer setor da economia) é a soma dos valores adicionados dos vários produtos (quer finais, quer intermediários), e o valor adicionado nada mais é do que a soma das remunerações: do trabalho (a folha de salários); e do capital (os lucros). Ora, uma elevação do custo unitário do trabalho leva a um estreitamento da outra componente do valor adicionado - os lucros -, desestimulando os investimentos e contribuindo para o quadro de estagnação em que vivemos.

Ocorre que a desoneração da folha de trabalho em um país caracterizado pela escassez de mão de obra não foi a única ação do governo. Através de todo um conjunto de transferências de renda, criou estímulos para que um número elevado de homens e mulheres em idade ativa tomasse a decisão de sair do mercado de trabalho, deixando de fazer parte da população economicamente idade ativa. Com isso, caiu a taxa de participação, isto é, o quociente entre a população economicamente ativa e a população em idade ativa.

Não é possível atribuir a nenhuma dessas transferências de renda, isoladamente, o efeito ocorrido sobre a taxa de participação, mas a sua queda - qualquer que tenha sido a causa - representou uma contração na oferta de mão de obra. Quando a demanda se expande e a oferta se contrai acentua-se a elevação daquele preço relativamente aos demais. Ou seja, esse efeito acentuou a elevação dos salários reais.

Os empresários devem estar perplexos e frustrados. Esperavam que com as desonerações sobre a folha de trabalho colheriam uma elevação da taxa de lucro, e estão obtendo uma queda, que é publicamente revelada pela queda nas cotações das ações das suas empresas. O que deu errado? A explicação repousa naquilo que os economistas chamam de "falácia da composição", que traduzida em termos simples significa que o que vale para uma empresa (ou indivíduo) isoladamente, nem sempre vale para o conjunto.

Mas este não é o único exemplo de medidas que isoladamente favorecem as empresas e que levam a resultados opostos para a economia como um todo. O governo atendeu a outro pleito dos empresários - a redução das tarifas de energia elétrica. O propósito era semelhante ao anterior, isto é, derrubar os custos de produção em produtos intensivos na utilização de energia, elevando a competitividade da indústria. Mas o governo não se satisfez em reduzir apenas as tarifas industriais. Estendeu esse benefício aos consumidores.

A questão imediatamente levantada por alguns economistas rebeldes era se o governo havia dado a devida atenção à magnitude da "elasticidade preço" da demanda de energia. Nenhuma resposta foi dada. Afinal, esse tipo de "purismo" é incompatível com o voluntarismo nas decisões do atual governo. Como seria de se esperar, o consumo não industrial de energia elétrica cresceu aceleradamente, acentuando-se a escassez de energia mesmo com as usinas termoelétricas ligadas 100% do tempo. O efeito foi a explosão das tarifas no mercado livre. Para algumas indústrias passou a fazer sentido vender no mercado livre a energia que seria consumida na produção, que caiu.

Em contrapartida, indústrias sem sobra de energia são obrigadas a comprá-la no mercado livre, pagando custos bem mais elevados do que antes da redução de tarifas. Em resumo, a expectativa de que a redução das tarifas de energia levaria a um aumento da produção foi substituída pela "surpresa" de que tal aumento, se ocorreu, foi bem menor.

Esses dois exemplos nos mostram que o que precisamos é de um governo que formule a política econômica com base em uma teoria econômica sólida, e não com base no voluntarismo. É preciso manter o diálogo com os empresários, buscando sugestões. Se não fosse o seu instinto em descobrir caminhos para acumular capital, não teríamos o crescimento econômico. Mas antes de tudo é preciso levar em consideração que a teimosia em desprezar os ensinamentos da história e da teoria econômica abre caminho para aventuras ingênuas e para investidas de grupos de pressão, com elevados custos para o País.

Juros baixos e estagnação secular - SAMUEL PESSÔA

FOLHA DE SP - 24/08


O juro nos EUA será baixo nos próximos anos; para quem depende de capital externo, é uma boa notícia


É possível que a taxa real de equilíbrio nos Estados Unidos, após o processo de normalização dos juros naquela economia, estabilize-se em nível ainda inferior a 1,5%, que vigorou no período anterior à crise.

Essa possibilidade foi aventada pelo influente economista Lawrence Summers, em novembro de 2013, em uma conferência no FMI em homenagem ao atual vice-presidente do banco central americano (Federal Reserve ou Fed), Stanley Fischer.

O argumento de Summers é que, ao longo da primeira década do século 21, o juro real foi de 1,5%. Nesse período, houve forte bolha especulativa no mercado de imóveis, o que ajudou a manter o consumo das famílias crescendo mais do que seria normal. Mesmo assim, a inflação ficou em 2,2% ao ano.

O endividamento das famílias cresceu quatro pontos percentuais do PIB por ano. Esse endividamento à época não parecia excessivo, pois a riqueza das famílias, que são proprietárias de imóveis, crescia em razão da subida do preço das residências. Ou seja, a bolha de imóveis injetou demanda por consumo na economia americana ao ritmo de quatro pontos percentuais do PIB por ano!

Summers considera o seguinte exercício contrafactual: qual teria sido a taxa real de juros de equilíbrio --isto é, que mantém a inflação em 2% ao ano e a economia em pleno emprego-- se não tivesse havido a bolha imobiliária? Certamente abaixo de 1,5% ao ano. Há analistas que consideram que, na próxima década, essa taxa ficará próxima de zero.

Dado que os EUA são uma das economias financeiramente mais integradas com o resto do mundo, além de emitirem a principal moeda, que funciona como reserva internacional de valor, a taxa básica de juro americana é, de fato, a taxa básica da economia mundial.

Ou seja, observa-se, ao menos desde os anos 1980, um contínuo processo de redução da taxa de juros internacional. Aparentemente as enormes taxas de poupança da China e de outros asiáticos emergentes explicam boa parte do fenômeno.

No entanto, essa elevação da poupança deveria ter sido compensada pela redução da poupança dos países desenvolvidos --EUA, Europa e Japão--, fruto do processo de envelhecimento.

Os indivíduos poupam ao longo de sua vida ativa e consomem a poupança após se retirarem do mercado de trabalho. Com a elevação da população aposentada, deveria ocorrer forte redução da taxa de poupança nos países desenvolvidos.

De fato, essa taxa tem caído. Por exemplo, a taxa de poupança no Japão reduziu-se nas últimas décadas. O que não estava previsto é que o envelhecimento da população também reduz as oportunidades de investimento. Em uma sociedade que envelhece, a taxa de crescimento populacional se reduz. Se o crescimento da população é menor, há menor necessidade de investir em infraestrutura urbana, moradias, estradas, portos etc.

A experiência do Japão sugere que o envelhecimento reduz mais a poupança do que o investimento. Nos últimos anos, a poupança externa, que o Japão exporta, diminuiu. No entanto, o efeito foi pequeno e mais do que compensado pelo crescimento da poupança nos emergentes, China à frente.

Outro fator que pressiona para baixo a taxa de juros na economia mundial é a possível redução da taxa de crescimento de longo prazo da produtividade do trabalho nas economias centrais.

De fato, como bem documentado em recente artigo do economista Robert Gordon, da Northwestern University, nos EUA, a taxa de crescimento do produto por trabalhador da economia americana da década de 1970 para cá é pouco mais de 0,5 ponto percentual inferior à observada nos cem anos anteriores.

Se o crescimento da produtividade do trabalho é menor, as possibilidades de investimento também são menores. Por outro lado, se o crescimento da renda for menor, em razão do menor crescimento da produtividade do trabalho, a demanda por crédito também será menor.

Tudo somado, a menos que a transição para uma economia liderada pelo consumo ocorra rápida e profundamente na China, a taxa de juros americana nos próximos anos será baixa.

Para nós, economia cronicamente dependente de capitais externos, não deixa de ser uma boa notícia!

A TV a cabo sob assédio - CELSO MING

O ESTADÃO - 24/08


Tem gato gordo que se mete na TV a cabo. Essa intromissão do além impede que os administradores comemorem a marca de quase 19 milhões de domicílios (30% do total) conectados a canais fechados.

Os furtos de sinal cobrem hoje 4 milhões de domicílios no Brasil, como aponta pesquisa divulgada no início de agosto pela Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA).

Nos cálculos do seu presidente, Oscar Simões, a utilização de sinal clandestino impõe perdas de faturamento ao setor de R$ 6 bilhões por ano, ou 21% do total. O segundo sócio nessas perdas são os poderes públicos que ficam sem arrecadar impostos, de cerca de R$ 1,8 bilhão por ano, o equivalente a 3,5% do orçamento do Município de São Paulo.

Dá para dizer que há um terceiro sócio, o assinante que paga. “Este é um negócio de escala. Quanto maior o número de assinantes, mais o preço poderia ficar mais baixo”, diz Simões.

O roubo de sinal pode ser obtido por meio de ligação clandestina via cabo, que é o gato propriamente dito. Ou, então, envolve o uso de decodificadores não homologados pela Anatel, a agência encarregada de fiscalizar o setor. Embora proibida, a venda desses aparelhos é fortemente difundida, mais ou menos como os CDs piratas ou os baseados. Em alguns casos, a captação não envolve só engenhocas eletrônicas, mas também transmissões feitas a partir do exterior. Ou seja, são esquemas clandestinos sofisticados praticados por profissionais.

Para inibir esse tipo de pirataria, as prestadoras do serviço procuram mudar constantemente o código dos canais fechados para que, mesmo desbloqueados, os aparelhos clandestinos percam o acesso à programação paga. E, lá de quando em quando, a polícia também colabora e estoura um desses centros de transmissão. Mas parece que esse crime compensa, porque tem prosperado.

Outra ameaça não vem da família dos felinos, mas das novas tecnologias. As empresas de TV paga enfrentam, no mundo todo, a implacável concorrência da internet. Mais do que simples acesso a algumas centenas de canais, o telespectador cada vez mais procura – e encontra – conteúdos audiovisuais na hora e na plataforma mais conveniente para ele, como laptops, smartphones ou tablets.

Os sites que transmitem vídeos online também vêm tirando clientela da TV paga, sobretudo nos Estados Unidos. A empresa líder do segmento, Netflix, conta com 50 milhões de assinantes, em 40 países, 1 milhão deles na América Latina. Ela começou a atuar no Brasil em 2011, mas não divulga estatísticas sobre o universo dos seus assinantes.

Simões não se deixa impressionar pela novidade. Nos Estados Unidos, 90% dos domicílios já dispõem de acesso à TV por assinatura. Por isso, lá, o setor está mais vulnerável a perdas desse tipo. Aqui, ainda há um enorme mercado por conquistar. Por enquanto, a principal resposta das empresas a esse novo assédio da internet é o oferecimento de conteúdos sob demanda (on demand).

O setor de TV paga no Brasil apresentou crescimentos médios de 30% ao ano entre 2009 e 2012. Embora obtivesse avanço menos expressivo de sua base de clientes em 2013, de apenas 11,3%, o faturamento do setor foi de R$ 27,9 bilhões, 17,2% superior ao de 2012.

A consultoria especializada PTS aponta dois cenários para o futuro. No mais otimista, o número de assinantes pode chegar a 40,3 milhões em 2019, mais do que o dobro do atual. No cenário mais pessimista, que leva em conta crescimento econômico baixo, aumento do desemprego e queda da renda média, a base de assinantes cresceria 32% no período de cinco anos, para 25,1 milhões de brasileiros . /COLABOROU LAURA MAIA

Desnorteados - DORA KRAMER

O ESTADÃO - 24/08


Enquanto o PSB corre para apaziguar divergências internas e vencer resistências externas ao nome de Marina Silva, o PT e o PSDB andam com cuidado, sabendo que pisam em terreno minado: a concorrência de uma candidatura que mexe com o emocional do eleitorado.

É sobre o sonho de muita gente de eleger um governante do “bem” que Dilma Rousseff e Aécio Neves terão de caminhar nos próximos 40 dias. Período difícil e completamente imprevisível, dizem os números captados diariamente pelas campanhas por meio de consultas telefônicas que não têm o rigor científico das pesquisas, mas registram tendências de crescimento de Marina em relação ao último Datafolha*, onde ela aparecia com 21%. Na ocasião a ex-senadora ainda não havia sido confirmada como candidata do PSB nem chegado ao auge da exposição no noticiário, o que se deu ao longo da semana a partir do domingo, data do enterro de Eduardo Campos.

Embora em público simulem tranquilidade, os adversários temem Marina. Um perigo cuja dimensão exata eles ainda preferem esperar de uma semana a dez dias para medir. Desde já, no entanto, têm consciência de que uma coisa são os desacertos políticos das alianças partidárias e outra bem diferente as demandas do eleitorado.

Marina é uma figura vista como mítica. Transita numa espécie de altar acima do bem e do mal e fazê-la descer dele será uma tarefa espinhosa. Nesse aspecto, PT e PSDB criaram uma rara zona de convergência de interesse: os tucanos querem estar no segundo turno e os petistas querem que eles estejam porque acham mais fácil derrotá-los.

A ordem na campanha de Aécio Neves é não atacá-la para não transformá-la em vítima e preservar o voto do eleitorado dela para eventual segundo turno. Os tucanos esperam que o PT faça esse serviço. Mas os petistas também têm dificuldade de travar esse combate candidata a candidata. O mais provável é que o façam por intermédio da tropa virtual que atua na internet. O PSB acredita que o “chumbo” – não identifica a natureza – sairá do PT e que o PSDB atuará na linha da desqualificação administrativa. Quando, como e se conseguirão transferi-la do imaginário para o lado racional do eleitor sem dar tiros nos próprios pés é o desafio a ser vencido.

Missão Renata. A retirada barulhenta de Carlos Siqueira da campanha de Marina Silva deflagrou no PSB uma operação de emergência para a redução de danos. Homem da estrita confiança de Eduardo Campos, de total influência no partido do qual é secretário-geral, Siqueira também desfruta da intimidade da família Campos. Renata, a viúva de Eduardo, foi acionada para convencer Siqueira a não se afastar do partido para não desmobilizar a militância e se dedicar às campanhas dos governadores, senadores e deputados. Se possível, sem hostilizar Marina.

Labirinto. Muito difícil entender a lógica da presidente Dilma Rousseff. Ela considera natural que o governo exerça pressão sobre o Tribunal de Contas da União para evitar que os bens da presidente da Petrobras, Graça Foster, sejam bloqueados. Semana passada, porém, recusou-se a comentar a posição do PT sobre o julgamento do mensalão alegando que como presidente não pode se imiscuir em decisão de outro Poder. 


Dilma acha injusto que se investigue com rigor a compra da refinaria de Pasadena, mas não se faça o mesmo com dois casos ocorridos da empresa durante o governo Fernando Henrique: o afundamento da Plataforma P-36 e a troca de ativos com a Repsol. Não explica, contudo, por que os governos do PT não tomaram a iniciativa de pedir investigação. 

A presidente lamenta o uso da Petrobras como arma política, enquanto seu partido faz da empresa há três eleições uma de suas principais armas políticas.

O papel dos partidos - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 24/08
Com o retorno da ex-senadora Marina Silva ao proscênio da vida política brasileira na disputa pela Presidência da República, está em debate a importância dos partidos na democracia representativa. Marina, em reunião com aliados no primeiro dia de candidata, insistiu no descrédito do que chama de velha política junto à opinião pública e ressaltou que a aliança que importa neste momento é com a sociedade, não com os partidos.
Em outra ocasião, disse que o presidente não é propriedade de um partido. A sociedade está dizendo que quer se apropriar da política. E as lideranças políticas precisam entender que o Estado não é o partido, e o Estado não é o governo . Sua velha amiga e agora coordenadora da campanha presidencial, Luiza Erundina, do PSB, fizera há algum tempo uma crítica a essa visão de Marina, que agora foi revivida na internet.

Erundina dizia, em síntese, que Marina, embora seja uma pessoa maravilhosa , entra no senso comum da sociedade do ponto de vista de negar a política, de negar o partido. Tanto é que (criou) uma Rede, não partido. Acho que isso desorganiza, deseduca politicamente. Não há política e não há democracia sem partidos. Pode ser um partido dentro da concepção do que ela defende, mas não negando o partido, não negando a política .

O tema foi também abordado esta semana pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em palestra no ciclo Novos olhares - Perspectivas políticas do século XXI: crise e reinvenção da democracia -, na Academia Brasileira de Letras, sob a coordenação do historiador José Murilo de Carvalho. Segundo Fernando Henrique, se quisermos repensar a democracia não podemos cair na armadilha de achar que com menos liberdade e com autoritarismo se vá conseguir. É preciso reafirmar que não se trata de cancelar a democracia representativa, mas de ampliá-la, de encontrar mecanismos que possam comunicar a democracia representativa com as outras formas de manifestação da sociedade .

Ele ressaltou que alguns passos já estão sendo dados, que não há lei importante que não seja apresentada na internet para consulta pública, ou mesmo decisões que são tomadas após audiências públicas. Geralmente quem se apresenta para opinar são os grupos de interesse, daí a necessidade de ter mecanismos de representatividade, como é o Congresso , comentou.

O risco, advertiu, é fazer isso de forma autoritária. O decreto criando os conselhos populares é o oposto disso. É o Estado tentando organizar a sociedade civil, um passo para aumentar o grau de controle do Estado sobre o indivíduo . As transformações havidas na sociedade foram de tal natureza, e o empoderamento do indivíduo é crescente de tal maneira, que os partidos ficaram limitados diante das expectativas gerais que existem , disse.

Estamos em uma época em que é preciso fazer uma releitura da pessoa , lembrou o ex-presidente. Não se trata da volta ao individualismo, quem está ligado a uma rede está opinando, é parte daquilo, mas tem sua individualidade. Nada a ver com ser do partido e seguir a orientação geral .

O mundo contemporâneo implicaria preservar essa capacidade de escolha e ao mesmo tempo fazer parte, ter uma identidade, que é global. Sonho, talvez, mas uma possibilidade que se divisa como nunca antes. Acrescentar ao interesse de pessoa, ao de uma classe, de nação, o que diz respeito a uma comunidade mais ampla, à Humanidade . Mas Fernando Henrique disse não acreditar que sem as instituições esses mecanismos tenham condições de duravelmente afetarem o comportamento das pessoas.

Acho que é preciso prestar atenção à representação, a despeito de todas as dificuldades, é preciso tentar dar vida aos partidos. E fazer com que os partidos tomem partido. Como eles partem de uma posição de apenas querer votos, não tomam partido, e ao não tomar partido as pessoas não acreditam no que dizem .

Os partidos passaram a ser um agregado de pessoas que querem um pedacinho do orçamento. O sistema é corrompido. Isso é a deterioração da democracia representativa , insistiu Fernando Henrique. Para ele, reinventar a democracia é um processo social em curso.

Mas fez uma ressalva: a cultura política brasileira precisa ser alterada, sem essa mudança nada acontecerá. E essa mudança cultural se dá pela exemplaridade, pela repetição, pelo embate, e nós ainda não temos uma cultura democrática .

A opção dos eleitores - SACHA CALMON

CORREIO BRAZILIENSE - 24/08

A situação econômica do país de 2010 a esta parte é de progressiva deterioração. Bem podemos passar de baixo crescimento para a recessão, segundo alguns analistas.

O quadriênio 2010-2014 coincide com o governo da presidente Dilma, destituída de experiência política e traquejo econômico, tanto acadêmico quanto profissional. Não estava preparada para governar o país. Foi-nos imposta pelo presidente Lula. Sua eleição deveu-se aos bons ventos internacionais até 2008 e às políticas assistencialistas massivas do PT. Fato é que, desde a proclamação da República, no século 19, passando pela chamada década perdida dos anos 80 do século 20, foi o quadriênio de menor crescimento econômico do país.

Dilma foi-nos apresentada como excepcional gestora, a "mãe do PAC", destinada a conduzir a nação a um futuro grandioso de desenvolvimento com igualdade. Contudo, ocorreu exatamente o contrário, pois os resultados do seu governo são desastrosos.

Na área de petróleo e gás, a Petrobras, já vitimada pela roubalheira e o empreguismo herdados de Lula, por ordens expressas de Dilma, passou a represar os reajustes da gasolina, perdendo 2/3 do valor nas bolsas de São Paulo e Nova York, o que arrasou o programa do álcool combustível, somente viável se custar nas bombas 70% do preço real dos combustíveis fósseis.

No campo da energia elétrica, a presidente quebrou, unilateralmente, contratos de concessão em vigor, prometendo preços menores. Na prática, os preços subiram estupidamente e o sistema acumula hoje prejuízo de R$ 70 bilhões, que os usuários pagarão em 2015, após as eleições.

A política cambial é controlada pelo governo, rompendo a flutuação cambial instituída no segundo mandato de FHC. Dilma fez a apreciação do real com três consequências gravíssimas: (a) incentivou as importações e compras de particulares no exterior; (b) desincentivou as exportação e; (c) transformou indústrias em meras importadoras dos produtos que fabricavam.

Sua política de desenvolvimento consistiu em conceder bolsas e auxílios a fundo perdido e dar aumentos do salário mínimo acima da produtividade média da economia, além de incentivar o consumo a qualquer custo, levando o povo a endividar-se tão logo a inflação subiu, pois os custos trabalhistas e os impostos pesados sobre receitas brutas, folhas de pagamento e consumo aumentaram os preços dos bens e serviços (inflação), impelindo os juros para 11% ao ano, os quais, por sua vez, encareceram os empréstimos.
Sua resistência comunista em conceder atividades econômicas aos empreendedores, privatizar e fazer parcerias público-privadas resultou em deterioração da educação, da saúde, da mobilidade urbana, da segurança pública e das fronteiras, da infraestrutura em geral (portos, ferrovias, estradas, hidrovias, usinas etc.).

O viés estatista de seu governo e o neopopulismo militante estagnou o país e gerou descrédito dentro e fora do país. União e estados investiram apenas 3,2% do PIB, quando o necessário é 22% para crescer a 4%. Sem o investimento particular, o país não tem futuro algum.

Como votar na reeleição de governo tão inepto, a gastar fortunas em propaganda política, além de alianças partidárias espúrias? (Loteiam os cargos para tirar vantagens.)

A política externa de Dilma não tem formulação. A par do apoio aos governos liberticidas do continente - Cuba, Venezuela, Argentina e Bolívia -, não conseguiu reformar o Mercosul, encorpar economicamente a Unasul nem celebrar acordos bilaterais. O Brics puxa o Brasil para uma política global, em vão! A reaproximação econômica com os EUA se impõe mas não se concretiza. Rússia e China nos cortejam, mas a noiva é desajeitada.

A outra ficaria melhor no Acre, mas tem o orgulho ferido e enorme ambição. Para ela, a morte de Eduardo Campos "não aconteceu por acaso". Ela é messiânica. Acha que Deus matou Eduardo para ela ser candidata!
Marina, além de seu louvável ambientalismo, também não tem nenhuma experiência administrativa nem cultura política. Como ministra só fez atrapalhar o agronegócio. Seu maior triunfo é ter sido vice de um morto ilustre, esse sim, testado, aprovado, hábil e capaz. Mas os mortos não governam...

Dilma ou Marina, tanto faz, são "farinhas do mesmo saco". Insistem na velha política com falsas palavras (neopopulismo e estatismo). No caso de Marina, vem de contrabando a intolerância ao empresariado. É arestosa. Brigou com o PT e quis pôr cabresto em Eduardo, sem êxito.

Não porei em risco o futuro do meu país. Não vou desistir do Brasil. Votarei em Aécio. Ele, juntamente com o senador Anastásia, governaram bem Minas Gerais, tirando-a do marasmo. Aécio já presidiu o Congresso e tem a política nas veias. Chega de improvisos. "Sursum corda", diziam os romanos, ou seja, que haja esperança em nossos corações. É preciso amar e redimir o povo, ao invés dele aproveitarem-se os demagogos.