quinta-feira, setembro 27, 2012

Aperto e emissões demais - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 27/09


As primeiras análises sobre o conteúdo do pronunciamento da presidente Dilma Rousseff na abertura da 67.ª Assembleia-Geral da ONU mostraram que as críticas feitas por ela aos dirigentes dos países avançados, pelas suas respostas insatisfatórias à crise, não foram acompanhadas de nenhuma proposta de solução. Ou seja, Dilma não teria com que contribuir para uma saída da encalacrada global.

Mas há nesse discurso mais do que falta de sugestões para uma saída; há alguma inconsistência. A presidente critica as "políticas fiscais ortodoxas" e adverte que a "austeridade, quando exagerada e isolada do crescimento, derrota a si mesma".

Em seguida, condena as políticas monetárias expansionistas que desalinham o câmbio, ou seja, as emissões de moeda feitas pelos grandes bancos centrais, que não levam a lugar algum e, de quebra, geram efeitos colaterais graves aos emergentes, como o Brasil - porque os inundam de moeda estrangeira e tiram competitividade do seu setor produtivo.

Em outras palavras, para a presidente Dilma, tanto estão erradas as respostas de natureza fiscal (austeras demais) quanto as respostas monetárias (expansionistas demais). Sem ser mais específica, a presidente pede "ajustes fiscais apropriados e estímulos ao investimento e à demanda" que interrompam a recessão e assegurem o crescimento.

Ora, essas políticas de incentivo à produção e ao emprego, como apontadas por Dilma, implicariam renúncia tributária (quebra de arrecadação) e elevação das despesas públicas. Tanto uma como outra causariam aumento das dívidas nacionais ou prolongamento dos prazos para seu resgate. O problema está em que grande número de países não encontra mais financiamentos a juros aceitáveis no mercado para esses rombos. Pedir programas de austeridade mais flexíveis de modo a evitar tanto sacrifício por parte do consumidor e tanta paradeira na atividade econômica também exigiria aumentar o endividamento e, por causa disso, os interessados em financiá-lo.

Não é outro fator senão o alto custo do ajuste fiscal que está obrigando os grandes bancos centrais a atuarem no limite da irresponsabilidade e a se dedicarem a despejos ilimitados de moeda.

Quando lamenta que "as principais lideranças do mundo desenvolvido ainda não encontraram o caminho", a presidente Dilma indica que o principal obstáculo não é sequer técnico, mas político - no que tem razão.

O pronunciamento de terça-feira teve um subentendido: faltam condições políticas que permitam a montagem de um conjunto de ações que possibilitem a flexibilização fiscal adequada. No momento, é o Partido Republicano nos Estados Unidos que veta uma forte expansão da dívida pública (emissão de títulos do Tesouro); e são principalmente os alemães (mas não só eles) que não aceitam um cronograma menos rígido de resgate dos enormes passivos soberanos.

No entanto, é irrealista descartar da equação política tanto a capacidade de bloqueio dos republicanos dos Estados Unidos quanto a intransigência dos alemães. Qualquer solução terá de levar em conta o apoio ou a oposição deles. E, no mais, se for para flexibilizar políticas de austeridade, somente um programa de alta credibilidade será capaz de garantir financiamento para a expansão de passivos que ela exigiria.

Mas qual seria ele?

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 27/09


Fundos de pensão de associação e sindicato crescem em participantes
Os fundos de pensão instituídos, aqueles formados por sindicatos e associações de classe, elevaram a captação de participantes nos últimos anos, segundo a Abrapp, que reúne entidades fechadas de previdência complementar.

A modalidade, que foi regulamentada há cerca de dez anos, ainda está longe do limite de seu potencial, segundo Devanir Silva, superintendente da associação.

"Temos em torno de 500 planos nesse tipo de origem. Mas só o número de sindicatos no Brasil é de 5.000", diz.

"Essa é uma possibilidade que até pouco tempo atrás não existia. Se a pessoa não estivesse em uma empresa que oferece plano, só poderia fazer na previdência aberta, por banco ou seguradora."

A OABPrev-SP, plano de previdência dos advogados de São Paulo, é o maior fundo de pensão instituído do país em número de participantes, com mais de 25 mil advogados.

"As OABs têm forte potencial porque a base é grande, com cerca de 700 mil advogados no Brasil, e porque faz um trabalho de disseminação da cultura", diz Luis Ricardo Martins, presidente da OABPrev-SP, que registra hoje em torno de 400 adesões ao mês.

Na Unimed-BH, são cerca de 5.000 médicos associados da operadora mineira, que ocupa o segundo lugar em investimentos no ranking.

"Temos crescimento consistente, com a entrada de cerca de 200 médicos todo ano. Quase 100% entra no fundo de pensão", diz Luiz Otávio Andrade, diretor da entidade.

ESCALA NA FUNILARIA
A empresa britânica de reparos automotivos Chips Away, que chegou ao Brasil neste ano, inicia suas atividades com a abertura de duas lojas em São Paulo e uma operação móvel, que vai aonde o cliente estiver.

Estão previstas também novas unidades para o próximo ano, incluindo expansões para o Rio Grande do Norte e Pernambuco.

A rede pretende competir com funilarias pequenas e atrair mulheres. Para isso, utilizará produtos à base de água, menos agressivos ao ambiente, de acordo com João Furlan da Silva Teles, sócio da empresa.

"Os preços são tabelados, porque o custo para qualquer carro é o mesmo. Esperamos conquistar também o público feminino, que em geral não sente muita confiança para ir a uma oficina pequena de bairro", diz Teles.

Serão oferecidos serviços como pintura de riscos e reparação de amassados.

Sangue... 
Com aporte de R$ 35 milhões, o grupo biofarmacêutico LFB e a Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia) instalaram uma câmara fria para bolsas de plasma na fábrica da estatal em Goiana (PE).

...novo 
A câmara tem capacidade para armazenar um milhão de bolsas de plasma, usado no desenvolvimento de remédios para hemofilia, grandes hemorragias e doenças decorrentes de imunodeficiências, segundo a empresa.

DESIGN EM ALUMÍNIO
O estilista Pedro Lourenço fez uma parceria com a Turpin, empresa brasileira de bolsas e bijuterias, para desfilar pela primeira vez uma linha de acessórios própria.

A coleção será lançada no mercado internacional com o nome Pedro Lourenço by Turpin e apresentada no desfile da coleção primavera-verão 2013 durante a semana de moda de Paris.

A inspiração foi a obra de Luís Barragan, arquiteto mexicano que mistura influências modernistas com o regionalismo de sua terra natal.

"Pudemos utilizar o máximo de técnicas diferentes para criar bolsas de mão que unem alumínio anodizado com couro", afirma Lourenço.

Os materiais foram trabalhados em ateliê para obter as cores e o brilho que eram desejados.

"Essa coleção traz uma visão abstrata sobre a mulher brasileira e seu estilo de vida. Os acessórios são fundamentais para compor essa ideia", diz.

O estilista é filho de Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço.

2009 AO CONTRÁRIO
A situação começa a se inverter: o otimismo dos consumidores dos países emergentes está diminuindo, enquanto os americanos estão ficando mais confiantes, de acordo com pesquisa da consultoria Ipsos.

No relatório do estudo consta que "2012 parece um 2009 ao contrário, com os países emergentes passando de salvadores para parceiros incertos à medida que os consumidores ficam mais desconfiados. A chave é saber se esse momento será passageiro ou não".

A queda do otimismo no Brasil, na Rússia, na Índia e na China é decorrente da desaceleração no ritmo de crescimento dessas economias, aponta o estudo.

Ciência e linguagem - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO


O GLOBO - 27/09


Sir Francis Bacon deu um conselho curioso aos que estudavam a Natureza: deveriam desconfiar de tudo que suas mentes aceitassem sem hesitação. Talvez fosse uma maneira de prevenir contra a ilusão de que qualquer descoberta humana fosse completa, ou tivesse completamente desvendado o que Deus encobrira. No momento (século 17) em que crescia a ideia herética de que existia um metafórico Livro da Natureza tão cheio de mensagens de Deus para os homens quanto o Livro dos Livros, Bacon aconselhava a Ciência a não desprezar o que diziam os mitos e as Escrituras. A glória de Deus se manifestava de várias formas. Alguma eram apenas mais poéticas do que as outras.

A primeira "mensagem" assim identificada do Livro secular da Natureza foi o magnetismo, que só começou a ser estudado a fundo pelo inglês William Gilbert, contemporâneo de Bacon na corte da rainha Elizabeth I, de quem era médico. O magnetismo era a prototípica evidência de uma força invisível na Natureza, a primeira alternativa à pura vontade de Deus como algo por trás de tudo. Albert Einstein contava que o presente de uma bússola, quando era menino, lhe dera a primeira sensação desta força misteriosa, e o primeiro ímpeto de desvendá-la.

Mais do que ninguém, Einstein podia reivindicar uma glória de descobrir igual à glória de Deus em ocultar, embora nunca abandonasse sua devoção quase religiosa a um determinismo harmônico do Universo, atribuindo-o a Deus ou a que outro nome se quisesse dar ao indesvendável. Mas Einstein não seguiu o conselho de Francis Bacon, de desconfiar do que o satisfazia. Satisfez-se tanto com suas certezas que passou os últimos anos da vida buscando uma teoria unificada da gravidade e do eletromagnetismo que refutasse a teoria quântica que as ameaçava, e tornava a matéria e seu comportamento inexplicáveis em qualquer linguagem, científica ou poética.

Quando recém se começava a falar em partículas subatômicas e seu estranho procedimento o físico dinamarquês Niels Bohr disse que elas só poderiam ser descritas usando-se a linguagem como na poesia. Um sombrio reconhecimento de que a linguagem racional não teria como acompanhar a especulação científica e estava condenada à analogia e à aproximação inexata. Assim os físicos falam em teorias das cordas, em um universo em forma de donut, ou de bola de futebol, e isso é apenas o som da mente humana se chocando contra os limites da linguagem, como moscas (para usar outra analogia) na vidraça.

Einstein morreu sem se resignar à ideia de que a verdadeira e inexpugnável glória de Deus começa onde termina a linguagem humana.

Ueba! Dilma em ONULULU! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 27/09


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Piada do século: Deputado quer censurar ursinho muito louco! O deputado Protógenes levou o filho pra assistir "Ted", e o ursinho fuma maconha, não estuda, não trabalha e é feliz! E aí o Protógenes quer censurar o Ursinho Ted!

O Protógenes achava que era o Ursinho Pimpão? E tão dizendo que o Protógenes vai levar o filho pra assistir a "Bruna Surfistinha" pensando que é filme sobre surfe! E um amigo me disse que o medo do Protógenes é que, no "Ted 2", o ursinho vire deputado federal. Rarará!

A verdadeira história do Ursinho Ted: o ursinho alugou uma fita duma sessão plenária do Protógenes e aí começou a fumar maconha! Rarará! Castigo pro Ursinho Ted: passar 12 anos no "TV Xuxa"!

E Protógenes em grego quer dizer potro? Potrógenes! E agora o Ministério da Justiça vai reavaliar a faixa etária. Sugiro acima dos 60 anos! Ursinho maligno! Rarará!

E a Dilma na ONU? Com aquela roupa estampada. Muito chique. Mas roupa estampada tá mais pra ONULULU do que pra ONU! Acho que a estilista entendeu errado: em vez de ONU,ONULULU. E fez uma estampa havaiana!

E adorei a manchete da Folha: "Dilma ataca os Estados Unidos". Atentado de novo? Rarará! ADilma deu uma voadora no Obama! E o discurso da Dilma na ONU: "MAAAAANTEGA! AAAAAQUI! AAAAAGOORA!". Rarará!

E eu já disse que a ONU só serve pra usar aquela bandeirinha no para-lama da limusine. Pode estacionar até em lugar proibido em Nova York! Fundamental!

E um amigo meu conheceu uma menina na internet, codinome Oncinha. Aí foi conhecer pessoalmente. E de oncinha ela só tinha o bafo! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

A Galera Medonha! A Turma da Tarja Preta! O PGN, o meu Partido da Genitália Nacional, tem que intervir em Biguaçu, Santa Catarina . A Justiça cortou o Pissudo do Fernando. O candidato Fernando Pissudo não pode mais usar o Pissudo. Atentado ao pudor!

Mas o povo quer saber tudo sobre a vida do candidato. O povo quer transparência: se o cara é pissudo, tem que se chamar Pissudo! Rarará!

Mas como disse uma amiga minha: "Atentado ao pudor é o cara não ser pissudo"! Rarará! A situação tá ficando psicodélica. Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Cultura do rapapé - DORA KRAMER


O Estado de S.Paulo - 27/09


A primeira parte da sabatina de Teori Zavascki no Senado foi mais instigante que o que habitualmente se vê nessas ocasiões.

Há todo o contexto do julgamento do mensalão, a desconfiança sobre o "timing" da indicação que paira no ar e a expectativa em torno da participação dele. Tudo isso desperta interesse e obriga os senadores a um comportamento diferenciado.

Mesmo assim, ficou a léguas de distância do que seria o desejável: uma inquirição consistente o bastante para que os senadores extraiam o máximo de informações sobre práticas e pensamentos de uma pessoa indicada para fazer parte do colegiado mais poderoso do País.

Nada parecido com o vexame de alguns senadores quando da sabatina de Ellen Gracie, que se desmancharam em saudações à beleza da primeira mulher indicada ao Supremo Tribunal Federal, mas ainda inadequadamente reverentes.

Mais preocupados em louvar as qualidades do indicado do que em pesquisar o grau de qualificação por meio do questionamento para aceitar ou recusar a indicação.

O País merece uma mudança de procedimento. A chefia do Executivo e a composição do Legislativo passam pelo escrutínio do público por meio das eleições, mas sobre os integrantes da cúpula do Judiciário nada se sabe antes de começarem a exercer suas funções. A chance de conhecê-los um pouco é a sabatina no Senado.

E por que isso não acontece? Em parte porque não temos a cultura do questionamento. Vemos o contraditório como falta de educação, a cobrança como afronta, o rigor como provocação e o rapapé como sinal de civilidade.

No caso da relação dos senadores com indicados para o Supremo - o foro de julgamento de parlamentares - há ainda o temor embutido na reverência.

A maioria não quer correr o risco de desagradar a quem amanhã ou depois poderá lhe decidir o destino.

De um lado os parlamentares têm medo de perguntar. Na terça-feira era evidente o nervosismo de senadores que só faltaram pedir desculpas para fazer uma indagação tão simples quanto óbvia: afinal, o pretendente a ministro se consideraria ou não apto a participar do julgamento em curso?

De outro lado os interrogados se acham no direito de não responder a coisa alguma. Escudados na Lei Orgânica da Magistratura cujo enunciado os impede de se manifestar sobre "processos pendentes de julgamento".

Ora, como em tese qualquer questão pode um dia ir ao Supremo, cria-se uma espécie de pendência permanente na qual o magistrado se apoia para evitar emitir opinião que possa vir a lhe ser cobrada. Não responde e assim subtrai à sociedade informação relevante.
A certa altura da sabatina de terça-feira o senador Aloysio Nunes fez a observação cabível: "Se tudo está sob a égide do impedimento, vamos conversar aqui sobre o quê?".
Uma deformação que faz das sabatinas um misto de mera formalidade com oportunidade perdida. Para todos.
Na opinião de Nunes Ferreira, a Lei da Magistratura, de 1979, está superada. Pela Constituição de 1988, pela relevância crescente do Supremo e, sobretudo, pelos fatos: "Uma vez no cargo, os ministros falam pelos cotovelos sobre qualquer assunto. Por que não dizer o que pensam antes?".

Mal calculado. Foi o PMDB o operador da teimosia em fazer a sabatina de Teori Zavascki no afogadilho de um recesso eleitoral e uma convocação para exame do Código Florestal.
Era óbvio que a sessão seria suspensa assim que começassem os trabalhos do plenário. A oposição tentou adiar, mas foi derrotada por uma ofensiva pemedebista cuja motivação não ficou clara. Mostrar serviço ao Planalto, agradar ao indicado?
O resultado foram três tiros no pé: a exposição de Zavascki a uma desgastante atmosfera de suspeição, a demonstração de que os oposicionistas tinham razão e a evidência do risco de recusa quase inédita (só há um caso na História) do nome de um indicado para o STF.

De juízes e de coronéis - JANIO DE FREITAS

FOLHA DE SÃO PAULO - 27/09


O Supremo, na sessão agitada por repetidas e tensas discussões, pareceu entrar em uma nova etapa


VÁRIOS DOS próprios ministros do Supremo Tribunal Federal viram-se compelidos, ontem, a manifestar-se criticamente ao destempero e a certas intervenções "técnicas" do ministro Joaquim Barbosa, revisor no processo dito do mensalão.

O ministro Ricardo Lewandowski, revisor do relatório de Barbosa, cresceu no julgamento, com o cuidado detalhista e a sensibilidade que procura aplicar à fundamentação de cada fato e cada personagem do processo. Foi ouvido de modo muito diferente, em atenção e participação, das anteriores.

O Supremo, na sessão agitada por repetidas e tensas discussões, pareceu entrar em nova etapa. Não do processo: etapa diferente na disposição dos ministros no desenrolar do julgamento.

VELHOS CORONÉIS

Demonstração da seriedade com que os problemas ambientais brasileiros, em particular o de desmatamento/reflorestamento e o dos rios: além de desfigurado em benefício dos grandes proprietários rurais, o Código Florestal foi aprovado na terça-feira pelo Senado por "voto simbólico".

Ou seja, sem que os senadores tivessem o trabalho mínimo de votar, de fato.

O reflorestamento das margens de rios ficou, no noticiário, como a contrariedade mais importante dos ruralistas com o código como proposto pelo governo.

Esse realce mascarou o motivo real dos anos de resistência dos ruralistas ao código, até que o amoldassem à sua conveniência. Para os grandes proprietários, o problema maior são as multas por queimadas e desmatamentos, e as dívidas daí decorrentes.

Não consta indicação segura das dívidas feitas pelos ruralistas, mas a ideia a respeito ascende à casa dos R$ 20 bilhões ou mais.

A falta de precisão se deve à existência de multas estaduais por desmatamento e queimadas, cujo montante é desconhecido até em razão de aliança de governos com os ruralistas. A essas dívidas se somam as decorrentes de multas federais, também por desmatamento e queimadas, que sozinhas passam de R$ 10 bilhões.

O reflorestamento pretendido pelo projeto do governo, para proteção dos mananciais e das bacias hidrográficas, viria juntar-se ao desmatamento e às queimadas como causa de mais e maiores multas por crimes ambientais.

Além de reduzir as áreas de exploração de terra já desmatada e de desmatamentos ainda a serem feitos, com retirada e venda de sua madeira ribeirinha.

Os coronéis do interior sumiram como tema político. Mas continuam sendo os velhos coronéis como força política no Senado e na Câmara. Enquanto a Fiesp, a CNI, a CNC, a Firjan e outras se supõem força dominante.

EUA 'primarizam' importação - ALBERTO TAMER


O Estado de S.Paulo - 27/09


Os Estados Unidos ainda são o mais importante parceiro comercial do Brasil, representam quase 11,2% das exportações, um fato que ultrapassa esse contencioso verbal entre os dois governos sobre quem protege mais o seu mercado. É evidente que Obama encena para um eleitorado que se angustia com o aumento do desemprego de 8,1%, que só pode recuar com mais produção. Não reage aos estímulos, não se aventura a comprar mais - apesar de juros praticamente negativos - e quer eleger um presidente que lhes garanta menos incerteza e mais emprego e salário.

E a economia mundial precisa desesperadamente da recuperação dos Estados Unidos, que representam quase 25% do PIB global. Tem a China, sim, mas seu PIB de US$ 6 trilhões é apenas 10% do mundial.

Pesamos pouco. Afinal, o Brasil, não representa ameaça maior aos produtores americanos. Os Estados Unidos importam anualmente cerca de US$ 2 trilhões e o Brasil exportou para eles US$ 25,7 bilhões em 2011. A questão não é saber quem é mais protecionista, mas avaliar a qualidade, o perfil, das nossas exportações para o mercado americano. E é o que o governo faz agora, abrindo uma grande frente de redução da carga tributária e estímulo ao investimento e produção. É o caminho certo que a presidente Dilma Rousseff decidiu seguir. Aqui, a grande novidade e o desafio. Antes, eles importavam mais produtos industrializados; agora, commodities, principalmente petróleo. A pauta bilateral está sendo "primarizada".

Há algo mais. É este o desafio que o governo decidiu enfrentar, com protestos, sim, contra medidas protecionistas, mas ações especificas para aumentar a competitividade do produto nacional.

O confronto verbal entre os dois países deixou de lado um aspecto essencial: os Estados Unidos eram - e ainda são - um parceiro extremamente importante para o Brasil não só pelos valores, mas porque, ao contrário da China, foram sempre grande importador de manufaturados, que geram emprego.

As exportações de manufaturados para o mercado americano ainda estão crescendo, mas se retraem enquanto as de commodities e básicos aumentam ano após ano. O processo de "primarização"da pauta brasileira, que domina o comércio com a China, está contaminando as exportações para os Estados Unidos. Será? Sim, informam os números do comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento. Entre janeiro e agosto, as exportações para os EUA cresceram 13,4%, compensando a queda de 16,2% nas vendas para o Mercosul, mas por causa essencialmente de um expressivo aumento das commodities.

O déficit americano. Apesar da forte desaceleração econômica mundial, eles ainda continuam importando muito. Nos últimos 12 meses, registram um déficit comercial com o mundo de US$ 744 bilhões, enquanto o Brasil não participa desse déficit; tem não um "superávit", mas um "déficit" comercial de US$ 2,8 bilhões. Ou seja, eles importam mais, nós exportamos menos. E o nosso déficit só não foi maior por causa das exportações de petróleo. Em 2011, elas representaram nada menos que 22,5% das vendas para os Estados Unidos. E tendem a crescer com o pré-sal. Segundo a Agência Nacional de Petróleo, em 2008, a Petrobrás exportou para o mercado americano 49,6 milhões de barris por dia e, no ano passado, 59,3 milhões b/d. Não é um fato novo, mas vem se acentuando, diz o economista da Funcex, Rodrigo Branco.

Ele acrescenta que, entre 2005 e 2011, as vendas brasileiras representavam 1,51% das compras externas americanas; hoje, apenas 1,27%. Ou seja, há uma dupla deterioração de presença e qualidade porque a queda é mais acentuada entre os produtos manufaturados (queda de 1,31% para 0,73% em 2011) e semimanufaturados (queda de 8,11% para 5,13%) exportados para o mercado americano. Os números do comércio bilateral entre os dois países confirmam que a "primarização"da pauta, que existia com a China e a União Europeia, começa agora a contaminar as exportações para os Estados Unidos. Antes, um fato restrito, agora mais amplo alcançando o nosso mercado mais importante.

Branco admite que "no Brasil de hoje há a consolidação do perfil exportador, focado principalmente em produtos básicos, porque possuímos vantagens comparativas para a produção destes e porque nos aproveitamos das altas de preços internacionais desses produtos, as commodities". É esse o novo cenário do comércio com os Estados Unidos. É hora de se defender sim - estamos nos defendendo -, mas contra-atacar também.

CLAUDIO HUMBERTO

“Podem descontar no meu contra-cheque”
Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) sobre o imposto que incide sobre os 14º e 15º salários


STF: ESCOLHA DE ZAVASCKI EVITOU PRESSÃO DE LULA

Pareceu apressada a escolha do ministro Teori Zavascki para o lugar de Cezar Peluso no Supremo Tribunal Federal, e foi mesmo. Mas nada teve a ver com o julgamento do mensalão. Seu nome surgiu durante uma conversa da presidente Dilma com o amigo Gilson Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justiça. Ao bater o martelo, ela evitou a pressão que Lula já fazia para indicar o substituto de Peluso. Daí a “pressa”.

UNANIMIDADES

O ministro Gilson Dipp, ele próprio uma unanimidade, mostrou a Dilma que Teori Zavascki seria sua melhor escolha. Ela aquiesceu.

O NOME DE LULA

Lula queria que Dilma indicasse um outro ministro, que ele nomeara para o STJ, também muito admirado no meio: Benedito Gonçalves.

BRASIL ENVERGONHADO

Prisão do presidente do Google por não retirar o vídeo pelo qual não é responsável, teve mais destaque internacional que Dilma na ONU.

LEI DA MORDAÇA

Mais um: a Justiça Eleitoral de Piraí (RJ) proibiu a circulação do jornal Correio de Notícias, acusado de beneficiar um candidato a prefeito.

PIMENTEL NA CASA CIVIL

A presidente Dilma poderá substituir Gleisi Hoffmann na chefia da Casa Civil por seu amigo Fernando Pimentel, ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Em uma tacada só, deslocaria Aloizio Mercadante (Educação) para o Itamaraty, e ganharia os ministérios do Desenvolvimento e da Educação para negociar em troca de apoio a Fernando Haddad no 2º turno em SP.

RECOMPENSA

A promoção de Pimentel seria prêmio por seu engajamento, a pedido de Dilma, na campanha de Patrus Ananias, seu rival no PT mineiro.

ACORDO BRANCO

Candidato pelo PMDB em São Paulo, Gabriel Chalita fez acordo para apoiar o PT num segundo turno. Em troca, pede a pasta da Educação.

DANÇA DAS CADEIRAS

A possível ida de Mercadante para o lugar de Antonio Patriota foi antecipada em julho nesta coluna. Outra opção para ele é a Casa Civil.

SALVE, DILMA

Curiosa a aprovação de Dilma no Nordeste (68%), segundo a pesquisa CNI/Ibope. É a região com os piores índices de Educação e Saúde. A pesquisa mostra que o caso do mensalão não prejudica a imagem dela.

VALEC DEMITE OUTRO

Após demitir o ex-presidente da estatal Valec José Eduardo Castello, o governo confirmou a demissão de outro dirigente. Ricardo Garofalo Loos, réu por improbidade e fraude em licitações no escândalo do VLT de Brasília, não é mais o chefe de Licitações e Contratos da Valec.

EDITAL CANCELADO

O governo federal também cancelou o suspeito edital da Valec para comprar 95 mil toneladas de trilhos. Vetava a participação de empresas nacionais e prevendo pagamento dos produtos no exterior.

ASSIM É FÁCIL

O governador Tarso Genro (PT) vai patrocinar com dinheiro público o Fórum Social Mundial Palestina Livre, em novembro. Faltou perguntar aos contribuintes gaúchos se eles concordam com essa “contribuição”.

ÀS MOSCAS

Em recesso branco devido às eleições, a Câmara sequer reuniu um décimo dos deputados esta semana, número necessário para que a sessão conte como prazo para a votação de emendas constitucionais.

HABILITADOS

O ministro Aldo Rebelo (Esportes) entrega hoje as chancelas do Plano de Promoção do Brasil para Copa 2014. Foram aprovados 96 dos 199 projetos apresentados nas áreas de negócios, turismo e sociocultural. 

PEPINO É DO PR

O PMDB divulgou nota lembrando ontem que o ex-líder do partido José Borba – em julgamento no STF por envolvimento no mensalão – não faz parte da sigla desde outubro de 2007, quando se filiou ao PR.

INTRIGA DA OPOSIÇÃO

Com medo de perder votos em Minas, o PT alega que a presidente Dilma recebeu ofício da associação de municípios mineradores pedindo para vetar emenda que evita exportação subfaturada de minérios.

PERGUNTA AO BARMAN

Se o mensalão não é happy hour, como afirmou ontem no Supremo o ministro Luiz Fux, os mensaleiros vão ficar sem “saideira”?. 

PODER SEM PUDOR

PEDIDO DE BEBUM

Lutero Vargas, filho de Getúlio, aceitou convite para passar uns dias em Fortaleza. O anfitrião, Renato Solden, era boêmio conhecido na cidade e amigo sincero do visitante. Num banquete oferecido por Menezes Pimentel, Lutero resolveu brincar com Renato:

- Faça um pedido que eu dou um jeito de ele ser atendido.

Com a língua enrolada pela bebida farta, Solden levantou-se, solene:

- Amigo Lutero, quero mesmo pedir uma coisa...

- Pois não. É só falar que eu atendo.

- Quero ser nomeado bispo auxiliar desta zona... 

QUINTA NOS JORNAIS


- Globo: Crédito turbinado

- Folha: PF prende chefe do Google por não retirar vídeo do ar

- Estadão: Russomanno tem ‘laranja’ na chefia de plano de governo

- Valor: “Guerra” aos juros ameaça consumo

- Estado de Minas: Brasileiros devem aos bancos R$ 1.042.574.000.000,00

- Zero Hora: Seis sinais apontam reação da economia

- Correio Braziliense: Voo da morte

- Jornal do Commercio: Todas as 7.372 opções de emprego na Fiat

quarta-feira, setembro 26, 2012

Estuda que melhora - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 26/09

Pesquisa feita pela Fundação Getulio Vargas em parceria com o Senai mostra que um jovem com ensino médio completo tem salário 15% maior quando conclui também um curso técnico.
Aliás, os brasileiros da classe C são os que mais procuram por esse tipo de educação profissionalizante.

Em tempo...

A Pnad, divulgada semana passada, reforça tese da importância de o estudante permanecer na escola, qualificando-se para o mercado de trabalho.

Dilma vota Obama

Dilma se encontrou com Obama numa sala na ONU, antes dos dois discursarem na abertura da Assembleia Geral.
A brasileira perguntou sobre as eleições e Obama demonstrou otimismo. Se fosse cidadã americana, Dilma votaria nele.

No mais

A decisão da Comissão da Verdade de investigar empresários que financiaram os órgãos de repressão é pólvora pura.
Em “Ditadura escancarada” Elio Gaspari conta um encontro organizado por Gastão Vidigal com 15 representantes de bancos para recolher grana para a Operação Bandeirante, com direito a uma exposição de Delfim Netto mostrando que as “Forças Armadas não tinham equipamento nem verbas para enfrentar a subversão”

Segue...

Elio diz ainda que na Fiesp “convidavam-se empresários para reuniões em cujo término se passava o quepe. A Ford e a Volkswagen forneciam carros, a Ultragás emprestava caminhões e a Supergel abastecia a carceragem da Rua Tutoia com refeições congeladas.”

LAPARQUINHO

Veja que legal! Até o fim do ano começarão a ser instalados na Lapa estes brinquedos coloridões das fotos. Criados por João Bird, designer da Fundição Progresso, e aprovados pela prefeitura do Rio, os equipamentos foram idealizados para tentar combater o sendentarismo na infância e ocupar a área embaixo dos Arcos da Lapa, com a criançada da região. É tudo tão bonitinho que já ganhou até um apelido: é o Laparquinho. Não é fofo?

Mais do mesmo

A LeYa vai lançar em outubro uma nova edição do livro “Gonzaguinha e Gonzagão” de Regina Echeverria.
A obra serviu de base para “Gonzaga: de pai para filho” filme de Breno Silveira.

Feliz da vida

Ângela Ro Ro prepara o seu novo CD e DVD, “Feliz da vida”O álbum terá 80% de canções inéditas e a participação de, entre outros, Diogo Nogueira, Sandra de Sá e Maria Bethânia.

O bar de Nacib

Vesúvio, o bar de Ilhéus que inspirou o boteco de “Gabriela, cravo e canela” de Jorge Amado, vai virar livro.
Nos anos 1940, ele mudou de nome, mas voltou a ser “Vesúvio” quando o livro saiu, em 1958. A Araújo Assessoria pode captar R$ 343.001,37 pela Lei Rouanet.

Rabbit, 30 anos

Lembra do Rabbit, vibrador que ficou famoso por causa do seriado americano “Sex and the city”? Está completando 30 anos e ganhou... uma versão especial: o Black Labei Jack Rabbit Anniversary Edition.
Mas, cá entre nós, “Black Labei Jack...” é o cacete.

iPadre

Padre Jorjão, o fofo que comanda a Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, está cada vez mais tecnológico.
Na missa das 17h de domingo passado, ele recorreu ao iPad para ler a homília.

Serafina no Rio

O Serafina, um restaurante italiano bastante badalado em Nova York e que é muito frequentado por brasileiros, está à procura de um ponto para abrir por aqui.
A turma, para ser mais preciso, busca um lugar no Rio.

Mão grande

Acredite. Sexta à noite, uma ambulância estacionou na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, para remover um paciente.
Os enfermeiros e o motorista foram até o apartamento. Na volta, um gatuno havia roubado o rádio e o GPS da ambulância.

Calma, gente!

A reforma do banheiro do Shopping Via Parque, na Barra, que instalou espelhos no corredor, tem desagradado a alguns clientes.
É que... tem gente levando 15 minutos fazendo xixi, só para ficar espiando, digamos, o Davi de Michelangelo.

Arte sacra

O colégio Santo Inácio finalizou a restauração de três estátuas do Conjunto Escultório do Calvário, levado para lá em 1922, quando houve o desmonte do Morro do Castelo. As imagens, do fim do século XVII, representam Jesus crucificado, Nossa Senhora das Dores e São João Evangelista. Ficavam no altar-mor da Igreja dos Jesuítas.

A primeira vez de Catarina - MARTHA MEDEIROS

ZERO HORA - 26/09


Não li o badalado Cinquenta Tons de Cinza, que está fazendo vir à tona fantasias eróticas pouco ortodoxas do público feminino, mas para não dizer que estou totalmente fora do mundo, venho acompanhando outra questão envolvendo sexo que traz componentes que parecem ficção, mas consta que a história é verdadeira. Um cineasta australiano, Justin Sisely, está pré-produzindo um documentário chamado Virgens Wanted. Pretende realizar uma espécie de reality show com jovens virgens, cuja pureza está sendo leiloada na internet a fim de que, depois de submetidos à sua primeira relação sexual, possam ter suas transformações físicas e emocionais avaliadas por nós, espectadores. A conferir.

Catarina, uma jovem brasileira de 20 anos, bonita e entediada com sua vida de estudante de Educação Física, inscreveu-se e foi aceita. O lance por ela já alcançou US$ 100 mil, mas as apostas continuam abertas, vão até o dia 15 de outubro. Segundo ela, é a chance de ganhar um belo dinheiro, participar de um filme e sair da rotina. E os riscos são nulos, segundo os idealizadores. O candidato que der o lance mais alto terá que apresentar exames médicos, ficha policial e está proibido de se inspirar em Christian Grey: nada de fetiches, acessórios, nem mesmo beijo na boca. Farão um provável papai e mamãe – mas ele receberá certificado de consumação ao fim do intercurso, como o mundo dos negócios exige.

Falando em mamãe, a dela está dando todo o apoio. Que sorte, a dessa menina.

É isso aí, Catarina, divirta-se. Prostituta por um dia, celebridade por três meses (mais do que a Luiza do Canadá) e grana para se sustentar uns bons anos sem precisar voltar para a faculdade. Li sobre você: gosta de filosofia, dos livros de Dostoievski e Albert Camus, escuta jazz e música clássica, adora Edith Piaf. Vamos torcer para que seu pretendente mantenha esse nível, ainda que isso pouco importe, claro. Você não está procurando um namorado, e sim um patrocinador. Se, apesar de sua beleza, juventude e consistente formação cultural, é a virgindade que você tem como produto de troca nesse grande Baú da Felicidade que se tornou o planeta, realize a permuta e deixe para amar depois. Se é que amar não é uma grande besteira. Deve ser. Ando tão desatualizada.

Teu corpo te pertence, Catarina. E você pertence a esse mundo, é fruto dessa sociedade, não há nada fora do lugar, nenhum motivo para choque, é a vida como ela é hoje, roteirizada para oferecer ao público um show quente, com muita luz projetada sobre os protagonistas e sem sentimentalismos, que isso entrou em desuso junto com a inocência. Está tudo certo. Tudo normal. Se é que essa história de normal não virou outra grande besteira.

Bravo tatu-bola - RUY CASTRO

FOLHA DE SP - 26/09


RIO DE JANEIRO - Amijubi, Zuzeco e Fuleco. Qual desses nomes você mais deplora, despreza ou detesta? São os inventados e propostos pela Fifa para designar o tatu-bola, que ela elegeu como mascote da Copa de 2014 no Brasil. A Fifa os pôs em votação pela internet e espera que, até 25 de novembro, um deles seja sacramentado pelo povo brasileiro.

Sacramento esse que nenhuma diferença fará para a Fifa. Qualquer nome lhe servirá, desde que artificial -fora do dicionário-, à prova de prévio domínio alheio e que ela possa registrar internacionalmente como propriedade industrial. O que já fez com os três nomes. Seja qual for o escolhido, nosso bravo tatu-bola -um abundante e legítimo espécime brasileiro, também existente apenas em certos países vizinhos e de forma esparsa- contribuirá com centenas de milhões de dólares para as burras da entidade.

Escolhido o nome, o planeta será inundado de Amijubis, Zuzecos ou Fulecos em outdoors, posters, bonecos, chaveiros, adesivos, brinquedos, gibis, desenhos, comerciais, anúncios em cinemas e toda quinquilharia eletrônica que se imagine. Sempre que esse nome for escrito, lido ou pronunciado, ouvir-se-á o apito do "copyright" e uma moeda pingará na conta da Fifa.

A ninguém espantou até agora que a Fifa terá se tornado proprietária de uma palavra que, artificial ou não, pertence à língua portuguesa. E nem surpreende que, tão ciosa de seus direitos, ela só tenha se esquecido de consultar o principal interessado: o tatu-bola. Quem pode garantir que ele gostará de ver seu bom nome ligado a uma daquelas execráveis alcunhas?

Seria divertido ver a Sociedade Protetora dos Animais, o Partido Verde e outras instituições de defesa do ambiente, como representantes autorizados do tatu-bola, acionando a Fifa por injúria, abuso da imagem e exploração indevida.

Carnaval de primavera - DIANA CORSO

ZERO HORA - 26/09


Os historiadores não se cansam de lembrar que a dita tradição gaúcha, o gaudério de bota, bombacha, lenço no pescoço, sorvendo sua cuia de chimarrão, não passa de uma brincadeira cultural. Longe da verdade histórica, o bravo guerreiro, tão celebrado a cada setembro, é a fantasia glamourizada de um peão que nunca existiu.

Homens e mulheres vivem nos CTGs, no Acampamento Farroupilha e nos desfiles, uma espécie de Carnaval de primavera. Fantasiados de gaúcho e prenda, fazem danças típicas, acrobacias equestres e festejam por vários dias o mútuo reconhecimento.

Depois falamos da longa duração e da entrega popular aos orgiásticos e ostensivos carnavais baiano ou carioca, como se os prolongados festejos sulistas nos ocupassem menos. De qualquer modo, durante esta época, os nativos sentem-se felizes e tranquilos, assim fardados e comportando-se conforme os clichês da personagem. Umas poucas insígnias resolvem as inquietudes de que tanto padecemos.

Fora da festa, a vida é mais hostil: os papéis viril e feminino não cessam de ser questionados, a sabedoria dos pais não vale um vintém e, diferentemente do patrão do CTG, ninguém ousa dizer aos mais jovens o que vestir, cantar e pensar. No baile à fantasia tradicionalista, basta envergar o traje regulamentar, e todas essas incertezas são banidas, gaúcho corretamente fardado é macho, prenda com saia de armação e flor no cabelo é mulher. As dúvidas do século 21 são resolvidas com o imaginário do 19, e estamos conversados.

“Não há como ser original, se não for com base em uma tradição”, escreveu o psicanalista Winnicott, aludindo ao fato de que partimos de uma base, que nos alicerça, justamente para transcendê-la. Nesse sentido, é sempre bom lembrar que, apesar do aspecto tranquilizante da festa regional, nossa cultura só mostrará sua riqueza enquanto for tributária do maior acervo de referências que pudermos adquirir.

Jorge Luis Borges, que muitas histórias de homens do campo escreveu, já dizia que “nossa tradição é toda a cultura ocidental”, “nosso patrimônio é o universo” e que “não podemos aferrar-nos ao argentino para ser argentinos: porque o ser argentino é uma fatalidade e nesse caso o seremos de qualquer modo”.

Ele propunha, como contraponto, que “se nos abandonamos a esse sonho voluntário que se chama criação artística, seremos argentinos e seremos, também, bons e toleráveis escritores”. O mesmo vale para nós, gaúchos. Só para lembrar que nosso movimento tradicionalista organiza uma boa festa popular, mas a arte e a cultura das quais nosso povo pode se orgulhar são muito maiores do que isso.

A cooperação financeira dos partidos - JOAQUIM FALCÃO

FOLHA DE SÃO PAULO - 26/09


Não é natural, como alguns sugerem sobre o julgamento do mensalão, partidos diferentes se ajudarem com dinheiro. Se é assim, os eleitores têm de saber


Se o eleitor soubesse que o PT pagaria as contas dos outros partidos, como por exemplo PTB e PP, isso alteraria o voto dos eleitores?

Se o eleitor soubesse que existia uma cooperação financeira entre partidos que se apresentaram distintos, com propostas diferentes, e que concorreram entre si, isso afetaria o seu voto? Essa seria uma informação relevante? Essa pergunta é indispensável para entender o mensalão e suas consequências.

Uns dizem e com razão que alianças políticas são naturais. Sejam antes ou durante a campanha. Ou mesmo no meio do governo. Fazem parte da democracia. Nada de novo. Nem mesmo a distribuição de ministérios. É prática comum, sobretudo em democracias parlamentaristas. Inevitável no presidencialismo de coalizão que temos.

Outros, no entanto, fazem duas ressalvas. Primeiro, aliança ou cooperação política é distinta de cooperação financeira. Aquela é aceitável. Esta não.

Segundo, se a cooperação financeira foi para pagar dívidas de campanha, não de meio de governo, a cooperação já estava estabelecida antes da campanha. Donde deveria ter sido pública. Feita a céu aberto. No debate dos palanques e da TV.

Por que? Por razão simples. Essas alianças influenciam o voto do eleitor. Conhecê-las é, sim, informação relevante. Elas não devem ser ocultadas. O deputado é representante, e o eleitor o representado. O representado, o eleitor, precisa saber quem está pagando seu representante, o deputado.

Mas não existe nenhuma lei que obrigue os partidos a revelar esta cooperação financeira, defendem-se os réus. Pode até ser. Mas existe a presunção de boa fé, fruto da cultura democrática, que os deputados de um partido não são financiados por outro partido.

A moralidade exigida pela constituição não se instala depois das eleições, mas no correr do próprio processo eleitoral. Como o Supremo já decidiu no caso da Lei da Ficha Limpa.

O ministro Ayres Britto considera que o Estado democrático de Direito é o maior de todos os princípios constitucionais. Estrutura e orienta outros princípios e regras da constituição. A democracia exige um eleitor cada dia mais e melhor informado. Daí o horário eleitoral, os debates e o principio da publicidade da administração pública.

Caso confirmado o conjunto articulado de crimes e ilícitos através de cooperação financeira oculta, o dano maior não terá sido ao caixa do Banco do Brasil, do Congresso, do fisco ou do Visanet. Terá sido ao Estado democrático de Direito.

Um cheiro de 1974 em 2014 - FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE SP - 26/09


BRASÍLIA - O Brasil viveu seu milagre econômico no início dos anos 70. O PIB cresceu 14% em 1973. No ano seguinte, a taxa foi de 8,2%. Ainda assim, 1974 está marcado nos livros de história como a época em que os brasileiros começaram a emitir sinais de insatisfação em direção aos generais no comando do país.

O MDB, oposição consentida, obteve vitórias importantes para vagas no Congresso em 1974. Era difícil de entender. A economia crescia num ritmo chinês, como se diz agora. Havia emprego farto e sensação de bem-estar. Mas, em meio à essa bonança, abriu-se uma fissura na ditadura.

Há similaridades entre 1974 e o atual momento, guardadas todas as devidas proporções -sobretudo o fato de o Brasil, hoje, viver em democracia.

Assim como em 1974, agora os eleitores começam a emitir mensagens diferentes em alguns centros urbanos. São Paulo é o caso mais saliente. Mas há também Recife, Belém e outras cidades grandes nas quais nomes tradicionais da política estão fracassando.

Pode-se argumentar, com certa dose de razão, que em todas as eleições ocorrem esses pontos fora da curva. É verdade. Mas aí entra São Paulo, a maior cidade do país e com uma história de exceções "dentro da normalidade".

Quando se olha o voto paulistano em retrospecto, nunca, no atual período de eleições diretas, o vencedor pertenceu a um grupo minoritário na política -caso do atual líder nas pesquisas, Celso Russomanno, do minúsculo PRB. Até a mais catastrófica administração recente, de Celso Pitta, havia saído de den-tro do establishment.

Ou seja, a fadiga de material que pune tucanos e petistas, mesmo com a economia nos eixos, pode tomar corpo e se alastrar pelo país em 2014. Isso vai acontecer? Impossível prever. Mas que há placas tectônicas se movendo na política brasileira, não resta a menor dúvida.

O preço do almoço - HÉLIO SCHWARTSMAN


FOLHA DE SP - 26/09



SÃO PAULO - "There's no Such Thing as a Free Lunch". Numa tradução livre, "almoço grátis é algo que não existe". A frase, popularizada por Milton Friedman, que a utilizou como título de livro de 1975, revela a ideia central da economia de que tudo tem um preço, ainda que ele não esteja evidente.
O princípio não está restrito à economia e vale para outras esferas, como direitos e dinâmicas sociais, aí incluída a liberdade de expressão. Como mostrou o "Tec", ela vem sendo objeto de debates, devido à conjunção dos incidentes provocados por sátiras ao islamismo e casos variados de autocensura na rede social.
Evidentemente, não existem direitos absolutos. Se afirmássemos algum deles em grau superlativo, estaríamos negando todos os demais, o que nos tornaria um povo de direito único. Ainda assim, há que reconhecer que a liberdade de expressão só faz sentido se for assegurada de forma robusta. Dou a palavra ao linguista e ativista político Noam Chomsky: "Se você é a favor da liberdade de expressão, isso significa que você é a favor da liberdade de exprimir precisamente as opiniões que você despreza". De fato, se o mecanismo devesse limitar-se ao que a maioria está disposta a ouvir, nem seria necessário inscrevê-lo como garantia fundamental nas Constituições.
E nós o fazemos, não por capricho dos primeiros ideólogos da democracia, mas porque ele regula um elemento essencial para o funcionamento da sociedade, que é a circulação de informações. Sem a livre troca de ideias, a democracia não funciona. Nem a ciência, a inovação, o desenvolvimento tecnológico e, por conseguinte, o avanço econômico. Isso para não mencionar as artes.
Exageros, bobagens e ofensas são o preço que precisamos pagar para ter uma sociedade aberta. O que há de novo aqui é que, em tempos de internet, tantos os benefícios quanto os ônus da liberdade de expressão ganham escala exponencial.

No princípio era Portugal - JOSÉ LUÍS FIORI


Valor Econômico - 26/09



O sistema mundial em que vivemos - interestatal e capitalista - surgiu na Europa, e só na Europa, entre 1150 e 1450, de um longo conflito sistêmico entre "feudos" e "centros imperiais" de poder, que conseguiram transformar suas "economias naturais" em economias capitalistas mais poderosas do que a dos seus rivais. Nesse período, a Península Ibérica cumpriu um papel decisivo na formação do próprio sistema e no início da sua expansão para fora da Europa. Os reinos de Castela, Leon e Aragão, que se transformaram no núcleo político do Império Habsburgo, que dominou a Europa, durante o século XVI, sob a batuta de Carlos V e Felipe II. Mas antes dos espanhóis, foi o reino de Portugal que se estruturou primeiro, como Estado nacional, e foi ele também que liderou o primeiro século da expansão mundial da Europa, depois da sua conquista de Ceuta, em 1415.

Portugal nasceu de um pequeno "feudo" - situado entre os rios Minho e Douro - que se rebelou contra Leon e Castela em 1143, e depois travou uma guerra expansionista de mais de dois séculos em duas frentes: contra os muçulmanos, ao sul, e contra os espanhóis, ao leste. Foi nesse período de guerra quase contínua com os "mouros" e os "castelhanos" que se formou o Estado português, depois da "reconquista" de Lisboa, em 1147, e da expulsão definitiva dos árabes, do Algarve, em 1249; e depois da assinatura do Tratado de Paz, de 1432, referendando a separação e o reconhecimento mútuo entre Portugal e Castela, algumas décadas após a Revolução de Avis, de 1385. Mas foi só no século seguinte à expulsão muçulmana de 1249 que Portugal criou as estruturas legais, tributárias e administrativas do seu Estado moderno.

O mesmo Estado que seguiu se expandindo durante mais um século e meio depois da paz com os castelhanos até construir o primeiro grande império marítimo da história moderna. O impulso inicial dessa expansão "para fora" não parece ter tido um objetivo nem um sucesso mercantil imediato, e só promoveu a ocupação e a colonização dos territórios conquistados depois de 1450 na Ilha da Madeira. Além disso, o empreendimento português contou com ajuda externa, mas se financiou sobretudo por meio da capacidade tributária do novo Estado, e da riqueza de suas Ordens Militares religiosas - em particular, os Templários - que forjaram em conjunto uma verdadeira máquina de guerra, conquista e tributação.

Península Ibérica cumpriu um papel decisivo na formação do sistema interestatal capitalista na Europa

Na altura de 1147, a economia portuguesa era local, e o seu comércio era feito em espécie. Mas depois de 1249, houve um aumento constante da circulação nacional de mercadorias, a partir da reforma monetária e do tabelamento de preços, promovido por D. Afonso III, na década de 1250. Em 1293, D. Diniz criou a primeira Bolsa de Mercadorias do país, com um sistema de seguros para os navios e cargas portuguesas, e durante toda a segunda metade do século XIII foram criadas mais de 40 feiras comerciais, responsáveis pela ativação de um incipiente mercado nacional.

Até o século XVI, o Estado português foi o maior proprietário de terras do país, e atuou como uma espécie de "banco de financiamento" das atividades econômicas públicas e privadas. Foi só em 1500 que o governo português conseguiu criar o seu sistema de títulos da dívida pública consolidada, e só foi depois de 1540 que esta espécie primitiva de "capitalismo de Estado" foi cedendo lugar ao desenvolvimento de um capitalismo privado de grandes companhias mercantis. Entretanto, esse processo foi interrompido em 1580, pela incorporação de Portugal pelo império espanhol de Felipe II e, depois, pela submissão comercial definitiva de Portugal, à Holanda e à Inglaterra, a partir de 1640.

Esta história pioneira de Portugal deixou algumas lições sobre a formação do sistema interestatal e do próprio capitalismo:

1) O primeiro Estado nacional europeu já nasceu dentro de um sistema de poderes competitivos;

2) Suas fronteiras territoriais, sua unidade política e sua identidade nacional foram construídas por duas guerras que duraram mais de 200 anos;

3) Essas guerras "nacionais" se prolongaram imediatamente, num movimento de expansão "para fora", na direção da África, Ásia e América, que durou ainda mais um século e meio;

4) Essas guerras e conquistas não tiveram inicialmente um objetivo prioritariamente mercantil, mas assim mesmo, no longo prazo, tiveram um papel decisivo na criação e expansão de uma economia de mercado e de um capitalismo nacional incipiente;

5) Nesse período, essa economia nacional de forte cunho estatal não alcançou a se "privatizar", nem chegou a criar um sistema nacional de bancos e crédito capaz de mobilizar o capital financeiro português, o segredo do sucesso posterior da Holanda e da Inglaterra;

6) Por fim, se pode dizer que Portugal teve um papel decisivo no "big-bang" do "sistema interestatal capitalista", que está vivendo uma nova explosão expansionista neste início do século XXI.

José Luis Fiori, professor titular de economia política internacional da UFRJ, é autor do livro "O Poder Global", da Editora Boitempo, e coordenador do grupo de pesquisa do CNPQ/UFRJ "O Poder Global e a Geopolítica do Capitalismo".

Lula - ANTONIO DELFIM NETTO

FOLHA DE SP - 26/09

Desde a Constituição de 1988, as instituições vêm se fortalecendo e o poder incumbente tem, com maior ou menor disposição, obedecido aos objetivos nela implícitos: primeiro, a construção de uma República onde todos, inclusive ele, são sujeitos à mesma lei sob o controle do Supremo Tribunal Federal; segundo, a construção de uma sociedade democrática com eleições livres e à prova de fraudes; terceiro, a construção de uma sociedade em que a igualdade de oportunidades deve ser crescente, por meio de um acesso universal e não oneroso de todo cidadão à educação e à saúde, independentemente de sua origem, cor, credo ou renda.
Vivemos um momento em que se acirram as legítimas disputas para estabelecer a distribuição do poder entre as várias organizações partidárias e que é propício aos excessos verbais, às promessas irresponsáveis e à agressão selvagem.
Afrouxam-se e liquefazem-se os compromissos com a moralidade pública, revelados no universo da "mídia". Esta também, legitimamente, assume o partido que melhor reflete sua "visão do mundo".
A situação é, agora, mais crítica porque a campanha eleitoral se processa ao mesmo tempo em que o Supremo Tribunal Federal julga um intrincado processo que envolve o PT e, em breve, vai fazê-lo em outro, da mesma natureza, que envolve o PSDB.
O que alguma mídia parece ignorar é que o uso abusivo do seu poder é corrosivo e ameaçador à necessária e fundamental liberdade de opinião assegurada no artigo 220 da Constituição, onde se afirma que "a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição".
Primeiro, porque o parágrafo 5º do mesmo dispositivo previne que "os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio". E, segundo, porque no art. 224 a Constituição fecha o ciclo: "Para os efeitos do disposto nesse capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei". Dois dispositivos suficientemente vagos que podem acabar criando problemas muito delicados no futuro.
Um exemplo daquele abuso é a procura maliciosa de alguns deles de, no calor da disputa eleitoral, tentar destruir, com aleivosias genéricas, a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ignorando o grande avanço social e econômico por ele produzido com a inserção social, o fortalecimento das instituições, a redução das desigualdades e a superação dos constrangimentos externos que sempre prejudicaram o nosso desenvolvimento.

É o fim do mundo - MARCELO COELHO

FOLHA DE SP - 26/09


Afraninho é um garoto fora de série. Aos nove anos, já leu as principais obras de José de Alencar (1829-77), de Raul Pompeia (1863-95) e de Nélida Piñon. As tias do interior dizem que ele é um crânio.

Como toda criança de sua idade, Afraninho também passa muitas horas no computador. Só que, em vez de perder tempo com bobagens, ele costuma acessar sites de alto conteúdo cultural.

Ultimamente ele tem se dedicado muito a acompanhar, pelo site do Supremo Tribunal Federal, o julgamento do mensalão. Mas quando os ministros dão uma folga, Afraninho volta ao seu sítio preferido. (Ele prefere dizer “sítio” em vez de “site”.)

É a página da Academia Brasileira de Letras (www.academia.org.br). Lá, Afraninho pode acompanhar o que de melhor se faz na literatura brasileira, ademais de manter-se ao corrente das atividades de seus acadêmicos preferidos.

Soube, por exemplo, que “atendendo a convite da Fiat feito à Academia Brasileira de Letras, o Acadêmico Carlos Nejar esteve presente, dias 13 e 14 do corrente, à Exposição de Caravaggio, no Museu de Arte de São Paulo”.

Nervosos, céleres, os pequenos dedos de Afraninho movimentam o mouse (ratinho? Camundongo? Camondongo, como preferem alguns?).

Outra notícia. O Acadêmico Evanildo Bechara comemora, com palestra, os quatro anos do Acordo Ortográfico. Já a presidente da ABL, Ana Maria Machado, informa que proferiu aula magna, em francês, na Universidade Blaise Pascal de Clermont-Ferrand.

Os alunos da Faculdade de Editoração e Ciências do Livro ouviram, assim, uma palestra na qual a autora “evocou sua trajetória em contato constante com os livros”.

Afraninho ia redigir um bilhete de congratulações quando algo chamou sua atenção no site da ABL.

Começava a ser transmitida, ao vivo, conferência do professor Jorge Coli, dentro do ciclo Mutações, organizado por Adauto Novaes.

Afraninho já tinha acompanhado outras transmissões do gênero, versando sobre Valéry ou sobre a morte das utopias.

O tema escolhido por Jorge Coli não deixava de ser alvissareiro: “O Sexo Não é Mais o Que Era”. Bom motivo para Afraninho acompanhar as considerações do renomado crítico. “Se o sexo ainda fosse o que eu penso que é, seria sem dúvida pouco recomendável que, na minha idade, eu seguisse a conferência.”

O título, todavia, iludiu o ajuizado garoto. Os comentários de Jorge Coli vinham acompanhados de imagens de elevado teor erótico.

Afraninho ficou de cabelo em pé, coisa que não lhe acontecia desde a última palestra de Marilena Chaui.

Uma das primeiras imagens era o célebre quadro de Courbet (1819-1877), que retrata, em close e de modo praticamente frontal, uma especificidade da anatomia feminina que nosso protagonista, bastante arguto para a idade, não tardou em reconhecer.

Seu cérebro, entretanto, estava despreparado e imaturo para a devida apreciação do que Jorge Coli exibia sem pudor.

A obra, cá entre nós, não é tudo o que dizem. Sua fama, para além da ousadia temática, reside no título que lhe foi dado por Courbet, o qual não passa de um trocadilho: “A Origem do Mundo”.

Confuso, Afraninho indagava-se se aquela pintura não seria outro quadro célebre, o “Isto Não é Um Cachimbo”, de Magritte. Suas dúvidas não puderam ser dissipadas.

Depois de outra imagem pesada, agora de Jeff Koons, e depois de Jorge Coli pronunciar uma palavra mágica, verdadeiro abracadabra para todo intuito de censura (a palavra “boceta”), algum funcionário da Academia Brasileira de Letras resolveu interromper a transmissão. A presidente da ABL, de volta de Clermont-Ferrand, subscreve a atitude saneadora.

Afraninho agora navega em outros sites da internet. Faz sucesso entre as crianças, por exemplo, o “Mundo Canibal”. Aparece ali um desenho animado humorístico. Um velho desdentado se decepciona ao saber que a loira a quem pagou por uma felação era transexual. Amputa-lhe o pênis; o sangue espirra na tela do computador.

Surpreendi meu filho de oito anos às gargalhadas com isso. Naturalmente, proibi o acesso ao site. Quanto ao site da ABL, tampouco o recomendaria a crianças de sua idade, por outros motivos.

De certo modo, a censura é bem-vinda. Para cada fictício Afraninho que se desencaminhou com a “A Origem do Mundo”, haverá dez ou vinte marmanjos sabendo agora que, no site da ABL, coisas interessantes também podem acontecer. Ou podiam.

A crise embutida num indulto a mensaleiros - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 26/09


Vencida parte do julgamento do mensalão, não é mesmo exagero afirmar que o Supremo Tribunal Federal tem feito História. Poucas vezes, em mais de 120 anos de República, houve um caso judicial com tantos e tão poderosos interesses políticos em jogo.

Há a referência recente do ex-presidente da República Fernando Collor, julgado por corrupção pelo STF e inocentado. Mas ele já havia sido destituído do cargo, num — também memorável — processo de impeachment aprovado no Congresso.

No mensalão, sentam-se no banco dos réus políticos de partidos no poder, alguns com mandatos no Congresso: João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), já com algumas condenações no julgamento. Há, ainda, no “núcleo político” da “organização criminosa”, duas estrelas graduadas do PT — José Dirceu e José Genoíno — e o tesoureiro do partido durante a operação de desvio de dinheiro público para o valerioduto, já comprovado pelo STF, Delúbio Soares.

O julgamento, portanto, envolve a espinha dorsal do poder político, a ponto de estimular o ex-presidente Lula a cometer a temeridade de, numa conversa indevida com o ministro do STF Gilmar Mendes, tentar convencê-lo a propor a postergação do julgamento para depois das eleições. Mendes se sentiu pressionado e até chantageado, denunciou a operação e o início do julgamento se tornou irreversível. Não fazia mesmo sentido adiá-lo.

Mas não parecem cessar articulações para ajudar réus mensaleiros. A mais recente, detectada pelo Ministério Público, envolveria um indulto, prerrogativa do presidente da República, a mensaleiros que sejam obrigados a cumprir pena em reclusão.

Este perdão é concedido na época de Natal e segue requisitos estabelecidos em decreto pelo presidente da República — pena mínima, tempo de prisão, bom comportamento, por exemplo. Nada impediria o Planalto de calibrar o decreto deste ano para libertar mensaleiros condenados.

Agem como aprendizes de feiticeiros aqueles que porventura engendram a manobra, pois colocarão o Executivo em rota de colisão com o Judiciário. Será uma ingerência indevida do Executivo na Justiça. Na prática, num golpe de esperteza, o Planalto terá revisto veredictos de juízes da mais alta Corte do país. Há cheiro de crise institucional no ardil.

Promotores e procuradores já alertaram o Ministério da Justiça. Como cabe a ele enviar os decretos anuais de indulto à Casa Civil, deve o ministério, como pedido pelo MP, excluir do perdão os condenados por corrupção, lavagem de dinheiro e delitos contra o sistema financeiro, os crimes enquadrados no processo do mensalão. A reivindicação é sensata e precisa ser aceita pelo Executivo.

DELÚBIO E SUA PIADA DE SALÃO


Peculiaridades não significam novidades - ROSÂNGELA BITTAR


Valor Econômico - 26/09


Peculiar é característico, ímpar, singular, e tantos outros adjetivos que o dicionário Houaiss nos oferece e podem qualificar a definição do que se passa no julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. O gigantismo do caso é peculiar, os estudos de jurisprudência que tem exigido também é, o entrelaçamento dos fatos, a imbricação dos crimes, dos acontecimentos, dos réus, das pessoas circunstantes. Qualquer dos personagens sobre quem se coloca um foco, vê-se que suas relações são inacreditavelmente variadas e amplas.

São 38 réus, muitas imputações, 600 testemunhas. O ineditismo, porém, está na intensa visibilidade, na exposição da técnica argumentativa do Ministério Público, dos advogados e dos ministros do Supremo, na jurisprudência peculiar que, embora exista desde sempre, nunca foi tão vista e ouvida como agora. Os fatos foram peculiaríssimos, exigindo um equacionamento também peculiar. Há filigranas, conexões, particularidades que exigem um equacionamento especial. Sem que isso signifique mudança. Os juízes estão dando tratos à bola nesse desempenho.

Avaliações de técnicos que acompanham o trabalho ali realizado desautorizam o reconhecimento de inovações. O que há de novo, admite-se, é a superexposição dos juízes, o conhecimento que toda a sociedade vai tendo, em tempo real, do julgamento, as teorias discutidas em praça pública - até (era imaginável?) em academias de ginástica cujos aparelhos de TV estão sintonizados na emissora da Justiça.

Entre as críticas que o tribunal registra, e que vêm até de advogados que não atuam na defesa dos réus, portanto descomprometidos, estão as de ter o STF surpreendido, por exemplo, com as teses do domínio do fato, do ato de ofício, da inversão do ônus da prova, para escolher três das campeãs de audiência.

Diz-se, no Supremo, que o novo é o contexto, o conhecimento que só chegou agora, com a transmissão ao vivo, a Internet, o tempo real, de todos os meios que não existiam há 20 anos. E a metodologia, tendo em vista a peculiaridade do processo. Uma metodologia em que se vai do particular para o geral, estabelecendo-se a conexão até a compreensão final. Fato por fato, protagonista por protagonista, peça por peça.

Nesse raciocínio indutivo, chega-se ao geral e às conclusões sobre o que houve. Não é uma inovação, defendem, é uma metodologia cuja novidade está apenas no fato de que todos estão vendo o processo andar e nunca antes haviam acompanhado um tão de perto quanto este.

Qual o ofício de um deputado? É o que, didaticamente, se perguntam os especialistas no julgamento para rebater a tese de que o Supremo inovou na caracterização do ato de ofício. É a opinião, a palavra, o voto. Atos que se praticam por ação e por omissão. Portanto, explica-se considerar a omissão.

À crítica à flexibilização da presunção da inocência, de que o STF foi alvo porque, em um dos votos, o ministro Luiz Fux argumentou que cabe ao réu provar seu álibi, responde-se que, se não provar, por exemplo, com recibos, que o dinheiro foi destinado a um pagamento específico alegado, cada um pode dizer ao juiz o que quiser e ficar tudo por isso mesmo. Mas também não é novo.

Outra jurisprudência da lista de inovações contestadas no plano técnico é a do domínio do fato como razão para imputar responsabilidade. Sem o grande protagonista os fatos aconteceriam daquela forma? Esta é a pergunta que pode sustentar o raciocínio e que já esteve nos meandros do encadeamento de votos. Sem determinada figura, tudo seria igual?

Foi o domínio do fato que absolveu, por exemplo, a ré do mensalão Geiza Dias. Ela sabia de tudo? Não. Do que sabia, tinha condições de questionar os patrões sendo uma servidora da iniciativa privada sem estabilidade no emprego? Não.

Não faz parte do rol de perplexidade com o peculiar, mas de um conjunto de exigências com que se pressiona o tribunal, a cobrança de fidelidade do juiz ao governo que o nomeou. São frequentes as contas de quantos ministros, nomeados por qual presidente, votaram desta ou daquela maneira.

A quem o ministro do Supremo deve fidelidade? Quando o processo envolve políticos e partidos, a cobrança se acirra.

Tome-se o exemplo de um juiz, conhecido como Carlinhos na sua região, estimado, respeitado e querido no Nordeste dos pequenos Sergipe e Alagoas, que foi lá buscado por alguém que o identificou, indicou, pinçou e nomeou para o Supremo Tribunal Federal. Passou pelo crivo dos três poderes. Qual o limite do seu compromisso com a circunstância pela qual chegou lá?

O ministro Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo Tribunal Federal, personagem descrito acima, já teve oportunidade de se confrontar com essa questão e sobre ela refletir em mais de uma oportunidade em que se viu diante de um julgamento desafinado do desejo dos que o elevaram à função. Ayres Britto já expressou mais de uma vez à sua audiência que, do ponto de vista rigorosamente jurídico, o juiz tem que fazer a distinção. Enquanto juiz, é um agente. Então não pode se deixar tomar por uma virtude, um tipo de virtude que tem obrigação de ter, e tem, enquanto gente, que é a gratidão. Enquanto agente não pode ser grato, não vai pagar a nomeação com o exercício da função.

Na argumentação que o ministro apresenta em conversas e palestras, diz que tem fidelidade, mas no plano objetivo, não no subjetivo. Sua fidelidade é à Constituição. Essa exige, como condição de sua nomeação, reputação ilibada e notável saber jurídico. Assim, sua obrigação é transformar esses pré-requisitos em desempenho: permanecer com a boa reputação e manter o saber jurídico refinado, com estudos. Se o juiz observar essa divisão, estará em uma faixa de atuação segura. Enquanto vai guardando no seu coração, de gente, a gratidão ao descobridor.

Dilma e a ética pública - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 26/09


A manobra da presidente Dilma para esvaziar a Comissão de Ética Pública, que acabou gerando a demissão de seu presidente, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Sepúlveda Pertence, mostra bem sua maneira de agir quando desagradada.

Depois de quase três meses sem se reunir, pois só contava com dois dos sete conselheiros, sem o quorum mínimo, portanto, de quatro membros para a realização de sessões, a comissão entrou em uma crise quando a presidente decidiu, afinal, preencher suas vagas. O não preenchimento das vagas passou uma mensagem clara do Palácio do Planalto: a comissão passara a ser um estorvo para o governo, que não tinha interesse em pô-la em funcionamento. Só depois que a imprensa chamou a atenção para a extinção branca da comissão, a presidente viu-se na obrigação de preencher as vagas no número mínimo para recolocá-la em condições de funcionamento.

Cinco mandatos se encerraram nos meses de junho e julho, e poderia haver reconduções para novos mandatos em dois casos, os dos conselheiros Marília Muricy e Fábio Coutinho. Nos outros três, a presidente da República teria, necessariamente, que nomear brasileiros sem passagem anterior pela CEP, pois já estavam em seu segundo mandato, como sempre foi praxe na comissão. Pois ela nomeou três novos conselheiros e não reconduziu os dois únicos que poderiam permanecer, justamente aqueles que haviam sido indicados por Pertence.

Mas não foi isso que os fez cair em desgraça junto ao Palácio do Planalto, e sim suas atuações em dois episódios envolvendo ministros do governo Dilma. Ambos atuaram na análise de denúncias contra o então ministro do Trabalho, Carlos Lupi, recomendando sua demissão após denúncia de que seu partido, o PDT, cobrava comissões de ONGs que tinham convênios com o Ministério do Trabalho.

A presidente Dilma, que parecia estar em meio a uma operação de faxina em seu Ministério para livrá-lo de corruptos, não gostou da orientação da comissão, pois seu plano era fazer a substituição sem romper politicamente com o PDT. Na ocasião, ela se disse desagradada por ter sabido através dos jornalistas da recomendação da comissão.

Não custa lembrar que o mesmo Lupi já tivera um enfrentamento com a mesma comissão - o que não é de estranhar - no governo Lula, quando o ex-ministro Marcílio Marques Moreira a chefiava. A comissão exigiu que Lupi deixasse a presidência do PDT enquanto exercesse o cargo de ministro do Trabalho, e ele durante meses resistiu à recomendação. Ao final de uma crise política tensa, a comissão exigiu a demissão de Lupi, obrigando-o a abrir mão da presidência formal do partido.

Os dois conselheiros que não foram reconduzidos aos seus cargos haviam também tomado parte da decisão de cobrar mais explicações sobre as palestras do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, sendo que Fábio Coutinho fora o relator do caso. Muito ligado à presidente, Pimentel ficou em situação constrangedora no ministério, o que irritou a presidente, que não pretendia abrir mão de sua colaboração.

A "punição" sofrida pelos dois conselheiros demonstra que o Planalto, sob a gestão de Dilma, não admite ser confrontado por uma Comissão de Ética Pública que se considere independente.

Para não fugir ao hábito de difamar os adversários, ou os que passa a considerar como adversários, o Palácio do Planalto deixou "vazar" informações de que os motivos de desagrado de Sepúlveda Pertence seriam outros, bem menos nobres.

O ex-ministro do Supremo estaria desgostoso porque seu filho fora preterido, tanto por Lula quanto por Dilma, na escolha para ministro do Tribunal Superior Eleitoral. A posição republicana de Sepúlveda passaria a ter, nessa versão palaciana, motivação vulgar: reivindicação nepotista não atendida. O ex-ministro do STF portou-se de maneira elegante ao pedir demissão, sem explicitar as razões mais profundas que o levaram a sair, dizendo apenas que o fazia em solidariedade aos conselheiros não reconduzidos. Mas Sepúlveda admitiu que a tarefa de "impor limites éticos" ao governo é necessária, mas difícil.

A posição da presidente Dilma, ao contrário, acende uma luz amarela em relação à sua disposição de abrir o governo ao contraditório, na busca de um aprimoramento ético. Justamente o contrário daquela imagem de "faxineira ética" do início do governo.

A revolução de Santos - JULIA SWEIG

FOLHA DE SP - 26/09


Em apenas dois anos, o presidente da Colômbia redirecionou a política externa da América do Sul


Que diferença um presidente pode fazer! Em apenas dois anos, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, redirecionou a política externa para a América do Sul.

Forjou um modus vivendi com sua maior parceira comercial, a Venezuela, e uma trégua de retórica política com seu presidente, Hugo Chávez. Arrumou a bagunça criada por seu predecessor com o Equador, de Rafael Correa, e moderou a deferência de "melhor amiga" da Colômbia em relação aos EUA.

Forjou níveis inusitados de cooperação comercial, humanitária, de investimentos e de segurança com o Brasil. E, o mais positivo e inovador, deixou a ideologia de lado, substituindo-a pelo pragmatismo que procura resolver problemas.

Com índices de crescimento e classificações de investimento respeitáveis e com um muito cobiçado acordo comercial com os EUA, Santos está agindo para encerrar o conflito com o grupo armado mais antigo da América Latina, as Farc.

A desigualdade e a pobreza, a concentração das melhores terras nas mãos de financistas de cartéis e paramilitares, 3 milhões de colombianos deslocados dentro do país e a influência descarada dos paramilitares sobre o Congresso: esses problemas vão continuar presentes mesmo com a desmobilização e integração bem-sucedidas dos 8.500 soldados ainda restantes das Farc.

Santos agora considera que tirar as Farc do campo de batalha e do tráfico de drogas é um passo essencial para construir a vontade política necessária para fazer frente a essas divisões que ainda restam.

O presidente já pediu e aceitou ajuda de diversos atores externos. A Noruega tem um histórico de atuação nessa área -pense no processo entre Israel e a OLP- e vai sediar e pagar as negociações em outubro.

Notavelmente, o mesmo Chávez que o governo Uribe alegou ter dado refúgio às Farc e a seus negócios comerciais agora deixou claro ao grupo que é chegada a hora de aproveitar a oportunidade criada por Santos e sua "realpolitik".

É o mesmo Santos que, como ministro da Defesa de Uribe, impulsionou a decapitação do alto comando das Farc.

E há Cuba, país que ainda consegue guardar um segredo. Desde fevereiro de 2012, Havana sediou as discussões iniciais que prepararam o terreno para as negociações do próximo mês em Oslo e Havana.

Raúl Castro vem conservando perfil relativamente baixo na política externa, paixão do irmão Fidel.

Mas, usando o capital considerável de Cuba entre a esquerda latino-americana -armada e democrática-, Raúl posicionou Cuba como intermediária e "avalista" séria de negociações que possuem o potencial para encerrar o último conflito armado do século 20 na região.

Barack Obama vem aplaudindo o processo e guardando silêncio quanto ao papel de Cuba, dando espaço de manobra a Santos.

Num segundo mandato, ele poderia começar por pedir a seus amigos na América Latina -Santos, Dilma- que ajudem Washington e seu aliado acidental no processo de paz, Cuba, a estabelecer também eles uma negociação.

Noves fora - SONIA RACY


O ESTADÃO - 26/09


O governo Alckmin desistiu: não vai mais arcar com R$ 70 milhões para o aluguel de 20 mil lugares em arquibancadas provisórias do estádio do Corinthians – a serem utilizadas durante a Copa de 2014.

Em parceria com o clube, conforme confirma Luis Paulo Rosenberg, procura um patrocínio privado. “São Paulo já vai ter de arcar com a recepção de 32 chefes de estado, segurança, transporte, alojamento e festas”, justifica o diretor do clube.

Noves fora 2
O time também está negociando os “naming rights” do estádio com dois interessados. Valor? R$ 400 milhões. “Escolheremos até o fim do ano.”

Noves fora 3
Ja a Odebrecht, construtora da arena, está apreensiva. Se o BNDES não aprovar o financiamento de R$ 400 milhões em algumas semanas, a obra pode… parar.

Pelo que se apurou, os recursos, também de R$ 400 milhões, captados via empréstimos-ponte – com intuito de esperar o ok do banco – estão quase acabando.

O que “pega” na transação? A alta exigência de garantias

Via Varejo
Henry Kravis, chefão da KKR, chega ao Brasil semana que vem. Vai se reunir com Michael e Raphael Klein.

Leve e solta
Durante visita à exposição Esplendores do Vaticano, apoiada pelo MinC, anteontem,Marta Suplicy abriu o sorriso quando leu na parede da Oca a resposta de Michelangelo ao papa Julio II sobre quando a Capela Sistina ficaria pronta: “Quando eu conseguir”.

“Essa é boa para entrada de ministério”, disparou.

Presa
Não estar full time em São Paulo atrapalha a subida de Haddad nas pesquisas? “Não. Com ou sem ministério, estou fazendo o que disse que faria: carreatas, comícios e televisão”, diz Marta.

Direto de NY
Dilma pode ter saído na capa da Forbes, mas isso não aumentou o interesse da mídia internacional por seu discurso na ONU, ontem.

Estavam todos concentrados na fala de Mitt Romney no Clinton Global Initiative.

Direto de NY 2
Celso Kamura não acompanhou Dilma na viagem. Pintou e cortou o cabelo da presidente no sábado, antes do embarque.

Imbróglio à vista
A Câmara está finalizando relatório sobre mineração em terras indígenas na região Norte – assunto que tramita há mais de 15 anos no Congresso Nacional.

Mas já tem ambientalista alegando que a questão só está indo adiante porque pegará carona na mudança de cursos d’água prevista no projeto de Belo Monte.

In portuguese
E a Marvel Comics planeja lançar seus quadrinhos no Brasil, em formato digital, no começo do ano que vem.

Com direito até a edições que podem ser encadernadas.

Umbigo
Longe do poder, Carla Bruni ainda mantém alguns hábitos dos tempos de Palácio do Eliseu. A ex-primeira-dama retorna aos palcos, dia 29, em show para homenagear Charles Aznavour.

Exigiu rigorosíssimo sistema de segurança – que inclui escolta e vários policiais.

Clima pesado
Estresse no último capítulo da negociação de Ganso com o São Paulo, na madrugada de quinta para sexta. Roberto Moreno, da DIS, se “estranhou” com Luciano Moita, advogado do Santos.

Ofereceu a ele uma bolsa na faculdade de direito do ex-presidente do Santos, Marcelo Teixeira.

Na frente
Maria Fernanda Cândido e Selton Mello comandam a palestra A Criação de um Filme. Hoje, na Casa do Saber do Itaim.

Fran Parente lança a loja virtual Phonephotoprint, na Galeria Ouro Fino. Amanhã.

Ricardo Viveiros lança o livro Saudade. Dia 6, na Livraria da Vila do Shopping JK.

Tatiana Loureiro abre loja no Pátio Higienópolis. Hoje.

João Doria receberá, da Sociedade Brasileira dos Amigos da Universidade Hebraica de Jerusalém, o prêmio Scopus. Pela aproximação entre Brasil e Israel.

Thiago Lobo pilota reunião em torno de Serra. Hoje, no Círculo Militar.

E a Democracia Corintiana vai ganhar a Europa. É o livro Compagni di Stadio – l’Avventura Corintiana, que está sendo editado na Itália em comemoração aos 30 anos do movimento de Sócrates, Casagrande e cia.