domingo, janeiro 15, 2012

Reconstrução capilar - LAURENT DUBOIS E DEBORAH JENSON


THE NEW YORK TIMES - O Estado de S.Paulo - 15/01/12


O Haiti nem sempre foi "a nação mais pobre do hemisfério sul", embora hoje seja quase impossível ler sobre o país sem cruzar com essa frase. Nos dois anos após o terremoto devastador, o Haiti tem sofrido com conflitos políticos e uma epidemia de cólera jamais registrada; centenas de milhares de pessoas vivem em barracas improvisadas que se espalham como bandeiras cobertas de poeira às margens das rodovias. É fácil esquecer que, no século 19, o Haiti foi um centro de inovação agrícola e sucesso econômico.
A revolução escrava que terminou com a criação do Haiti em 1804 levou ao que o sociólogo Jean Casimir qualificou como sistema de "counter-plantation". Escravos, os habitantes da ilha plantavam e processavam cana, mas se alimentavam de pequenas hortas, desenvolvendo técnicas sofisticadas de plantação integrada, que envolve o plantio de várias culturas próximas uma da outra. Quando se tornaram livres os haitianos aproveitaram esse conhecimento para criar gado, plantar frutas, tubérculos e até café para exportar. Ao criar minifúndios, interceptaram qualquer possibilidade de retorno às grandes plantações que definiram a escravidão.
O sistema de autossuficiência agrícola propiciou aos haitianos uma vida melhor do que desfrutavam outros descendentes africanos nas Américas. O país atraiu imigrantes, incluindo milhares de afro-americanos. E, embora o governo dos EUA só tenha reconhecido o Haiti como país em 1862, empresários americanos já mantinham um forte intercâmbio comercial com a ilha.
A economia haitiana era organizada em 11 regiões, cada uma com seu porto. Houve muitos conflitos no país, especialmente pela tomada do governo central, mas as economias regionais prosperavam e um sistema militar e político descentralizado assegurava a muitos haitianos o controle do seu destino.
No século 20, contudo, esse sistema começou a ser pressionado. Estrangeiros, e também integrantes da elite do país, consideravam os minifúndios uma barreira ao progresso. Quando os EUA ocuparam o Haiti, de 1915 a 1934, forçaram a reforma da Constituição para permitir que os estrangeiros pudessem se tornar proprietários de terras, o que os fundadores do país tinham proibido temendo o retorno da escravidão, e manobraram para substituir minifúndios por grandes plantações, de posse de estrangeiros. Muitos agricultores perderam suas terras.
Quando a população rural se revoltou contra a ocupação e o trabalho forçado para a construção de estradas, os EUA criaram uma milícia para reprimi-la. A violência e o declínio econômico na zona rural obrigou os haitianos a fugir para as cidades ou para plantações em Cuba e na República Dominicana. Nos anos seguintes, a zona rural continuou sofrendo uma degradação econômica e ambiental, enquanto as grandes cidades se ressentiam com a superpopulação. Hoje metade dos alimentos no Haiti é importada.
O fluxo de ideias e dinheiro após o terremoto oferece uma oportunidade para a volta dos minifúndios. O presidente Michel Martelly falou da necessidade de descentralizar a economia e ONGs iniciaram projetos para assistir os agricultores. Mas é preciso mais.
Os governos municipais devem construir mercados equipados para as mulheres venderem a produção rural. O Estado precisa implementar políticas comerciais destinadas a proteger o setor agrícola, levar adiante a reparação de estradas e portos, fazer frente ao desflorestamento e melhorar os sistemas de aprovisionamento de água. As organizações estrangeiras que trabalham no país podem ajudar incentivando a comprar de alimento e outros bens de produtores locais.
Investir novamente na economia rural vai gerar autoconfiança, minorar o problema da superpopulação nas cidades e ser um passo à frente para pôr fim à desnutrição e à escassez de alimentos. Como os haitianos aspiram a reconstruir seu país em 2012, os melhores projetos virão da altiva história. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Matar a serpente - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 15/01/12
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que querem controlar as ações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estão tentando convencer o presidente do Tribunal, ministro Cezar Peluso, a fazer uma reunião fechada, antes da sessão que cuidará do tema, para que as posições sejam organizadas e o plenário não exponha uma divisão constrangedora, que enfraqueceria qualquer decisão.
Essa seria uma atuação atípica do nosso Supremo, que não tem o hábito de reuniões fechadas para acertar a posição de seus membros, como faz, por exemplo, a Suprema Corte dos Estados Unidos, que não tem reuniões públicas.
Apenas divulga a decisão final como tendo sido a posição vencedora, sem revelar as dissensões, que ficam atrás das portas fechadas.
Não há ainda uma definição clara sobre a tendência majoritária no Supremo em relação ao CNJ, e há notícias de que ministros buscam posições de conciliação.
Os movimentos de bastidores continuam muito intensos, e a divulgação do relatório do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), que a corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, enviou ao Supremo, é fruto dessas manobras.
Ele mostra que 3.426 juízes e servidores do Judiciário tiveram, nos últimos dez anos, movimentações de dinheiro consideradas "atípicas", num total de inacreditáveis R$855 milhões.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Rio (OAB-RJ), Wadih Damous, encaminhou sexta-feira um ofício à presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Rio, Maria de Lourdes Sallaberry, pedindo a identificação do responsável por ter feito 16 movimentações financeiras no órgão, em 2002, totalizando R$282,9 milhões.
"Não queremos um novo juiz Lalau aqui no Rio", disse ele, referindo-se ao juiz do Tribunal do Trabalho de São Paulo que está preso por desvio de verbas para a construção da nova sede do TRT paulista.
O melhor que o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra, principal contestador da atuação do CNJ, pode dizer sobre o relatório da Coaf é que "nem tudo que é atípico é legal".
Esse relatório é um exemplo de que há procedimentos que têm que ser investigados, demonstração cabal de que as liminares, que paralisaram as investigações no início do recesso de fim de ano, são prejudiciais à saúde moral do Judiciário.
A partir da liminar do ministro Marco Aurélio Mello, as funções do CNJ foram esterilizadas, e, devido a uma outra liminar dada também no último dia antes do recesso, esta pelo ministro Ricardo Lewandowski, as investigações internas em várias regionais também foram paralisadas.
O relatório, ao mesmo tempo, fortalece a posição da corregedora Eliana Calmon, que vem batalhando por isso, revelando à opinião pública que tipo de investigação querem evitar os que pretendem imobilizar o CNJ, transformando-o em órgão meramente revisor.
Não pode ser considerado normal que uma classe tenha tantos membros com movimentações fora da curva. Da mesma maneira, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo deu 30 dias para que os magistrados paulistas entreguem suas declarações de Imposto de Renda, o que é um procedimento exigido, mas não cumprido. Boa parte dos magistrados não admite ser investigada, se considera acima da lei.
A tendência no Supremo para reduzir os poderes do CNJ é forte, e, por isso, a corregedora Eliana Calmon decidiu explicitar sua atuação para fora, em busca do apoio da opinião pública, que revelações como essas reforçam.
O artigo 103-B dispõe que caberá ao CNJ o controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes. Não se diferenciando de 1ª instância ou de tribunais.
Certamente, o que a Constituição Federal não permite é a interferência do CNJ nas sentenças judiciais de qualquer instância, juízo ou tribunal.
De qualquer forma, suas decisões estão subordinadas - como todo o resto, inclusive e, principalmente, sentenças - ao crivo do STF.
Assim, no entendimento que prevalecia até agora, o CNJ detém poderes para verificar atuação de juízes no controle administrativo e financeiro, que é onde está a "caixa-preta" do Judiciário. Um dos pontos mais controversos da ação do CNJ, e que deve ser resolvido pelo plenário do Supremo, é o momento a partir do qual o conselho pode investigar.
Uma das alegações contrárias ao CNJ é que, se o juiz já está sob o crivo do seu tribunal, seria ilegal submetê-lo a outro processo pelos mesmos fatos - doutrina e jurisprudência imemoriais repelem a acumulação de investigação (bis in idem), lembram os especialistas.
Mas, se o tribunal não decide e as reclamações se eternizam? E se a parte reclamante faz a prova do, digamos, desleixo?
O CNJ não foi criado como um órgão revisor. Tem poderes tão amplos que pode agir por conta própria e vinha investigando casos de corrupção na magistratura sem a necessidade de aguardar uma decisão do tribunal local.
As associações de magistrados querem impedir essa autonomia e advogam, como está explicitado na decisão do ministro Marco Aurélio Mello, que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não pode investigar juízes antes de a denúncia ser analisada pela corregedoria do tribunal onde se registra o caso.
O anseio da sociedade por mais justiça, mais rapidez nos processos, foi o que fez com que a ideia de um controle externo da magistratura prosperasse e fosse vitoriosa depois de anos de negociação.
É isso que está em risco neste momento ou, como diz a corregedora Eliana Calmon, "a serpente está nascendo" e é preciso combatê-la.

EUA não se recuperam em 2012 - NOURIEL ROUBINI


FOLHA DE SP - 15/01/12
O crescimento do emprego continuará medíocre e o consumidor e as empresas ficarão mais cautelosos 

Os indicadores macroeconômicos dos EUA vêm superando as expectativas nos últimos meses. A criação de empregos aumentou. Os indicadores da indústria e dos serviços mostram moderada melhora. Mesmo o setor de habitação mostrou algum sinal de vida. E o crescimento no consumo vem se provando relativamente persistente.
Mas, a despeito dos dados favoráveis, o crescimento continuará fraco e inferior à tendência durante todo o ano. Por que as boas notícias econômicas dos últimos meses não merecem confiança?
Primeiro, os consumidores norte-americanos continuam a apresentar baixa disponibilidade de renda, seu patrimônio caiu e as dívidas os prejudicam. A renda disponível vem crescendo moderadamente, mas principalmente em consequência de cortes de impostos e transferências de renda vindas do governo.
Isso não é sustentável: as transferências terão de ser reduzidas, e os impostos, aumentados, um dia, a fim de reduzir o deficit fiscal. Os dados recentes sobre o consumo já mostram enfraquecimento ante os números de dois meses atrás, que abarcavam vendas apenas passáveis para a temporada de festas.
Ao mesmo tempo, o crescimento do emprego continua medíocre demais para reduzir o desemprego geral e elevar a renda do trabalhador. Os EUA precisam criar no mínimo 150 mil empregos ao mês apenas para manter o desemprego estável. Agora, mais de 40% dos desempregados podem ser considerados desempregados em longo prazo, e isso reduz suas chances de voltar a obter um bom emprego.
A crescente disparidade de renda também restringirá o crescimento do consumo, à medida que a renda se transfere daqueles com maior propensão marginal ao consumo (trabalhadores e pessoas menos ricas) para os que apresentam maior propensão marginal a poupar (grandes empresas e domicílios ricos).
Além disso, o recente salto no investimento (e no investimento em habitação) deve terminar em breve, e as perspectivas para 2012 são sombrias, com o fim dos incentivos fiscais, a indisposição das empresas a gastar devido a riscos de baixa probabilidade, mas alto impacto, e demanda insuficiente.
A maioria dos investimentos de capital será devotada a tecnologias que permitam reduzir o número
de funcionários, o que uma vez mais implica criação limitada de empregos.
Ao mesmo tempo, mesmo depois de seis anos de recessão na habitação, o setor continua em coma. Com a demanda por casas novas tendo caído em 80% ante o pico do mercado, a redução de preços deve continuar em 2012, porque a oferta de casas, novas e existentes, continuará superior à demanda.
É improvável que a política fiscal possa servir como força de resgate, nos EUA. Pelo contrário, 2012 verá arrasto fiscal significativo, e o impasse político causado pela corrida presidencial e pela eleição de novembro impedirá que as autoridades tratem das questões fiscais de longo prazo.
Dada a perspectiva pessimista quanto ao crescimento econômico dos EUA, a expectativa é que o Fed (BC) conduza nova rodada de relaxamento quantitativo (aumentar a quantidade de dinheiro no mercado). Mas o Fed também enfrenta restrições políticas e fará pouco demais, e tarde demais, para ajudar a economia significativamente.
Por fim, existem os riscos de baixa probabilidade que causam cautela aos investidores, empresas e consumidores: os problemas da zona do euro, na qual reestruturações de dívidas nacionais são ameaça de grau sistêmico; o resultado da eleição norte-americana; riscos geopolíticos como os causados pela Primavera Árabe, um confronto militar com o Irã, a instabilidade no Paquistão e no Afeganistão, a sucessão na Coreia do Norte e a transição de lideranças na China; e as consequências de uma desaceleração na economia mundial.
Dados todos esses riscos, grandes e pequenos, empresas, consumidores e investidores têm forte incentivo a esperar e fazer o mínimo possível. O problema, claro, é que, se número suficiente de pessoas decidir esperar sem agir, os riscos que estão tentando evitar se agravarão.
Tradução de PAULO MIGLIACCI

O problema é o Haiti, não o Brasil - CLÓVIS ROSSI


FOLHA DE SP - 15/01/12
Abrir as fronteiras ajuda, mas não é a solução, enquanto o Haiti não puder ficar de pé
José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, queixa-se de que o noticiário em torno dos refugiados haitianos no Brasil passa a impressão de que o país fechou as fronteiras para eles, quando o que ocorre "é o contrário", diz o ministro.
Se as informações de Cardozo estão corretas -e creio que estão-, de fato as críticas estão mal endereçadas.
Primeiro ponto: o Brasil teria efetivamente fechado as fronteiras se o governo tivesse se pautado pela inércia legal-burocrática. Acontece que quase todos os haitianos que batem às portas do Brasil reivindicam o status de refugiados políticos. Como o problema do Haiti não é de perseguição política, mas de desastre humanitário, todos os haitianos teriam que ser rechaçados.
O governo decidiu, no entanto, entender o caráter humanitário envolvido e resolveu abrir as portas para 100 haitianos por mês, aos quais será concedido um visto excepcional por cinco anos, condicionado a que nesse prazo encontrem trabalho e residência fixa.
É pouco? Talvez, mas o número não foi estabelecido ao acaso. Levou em conta que, no momento, de 70 a 80 haitianos procuram o Brasil por mês. Logo, 100/mês dá conta da demanda. De quebra, será regularizada a situação dos cerca de 4.000 já instalados, a maior parte ainda na ilegalidade.
Em tese, o programa, além de resposta a uma grave crise humanitária, ajuda a evitar a ação dos "coiotes", os contrabandistas de seres humanos, que cobram de US$ 3.000 a US$ 4.000 -uma infâmia em qualquer caso, mas ainda maior quando se trata do Haiti, país em que 75% da população vive com menos de US$ 2 por dia.
O Brasil poderia fazer mais? O economista Irineu Evangelista Carvalho, como lembrou na sexta a ex-ministra Marina Silva, chegou a sugerir que o país abrigue 100 mil haitianos de uma vez só. A ideia é simpática, mas não parece viável quando há notórias dificuldades para cuidar dos desabrigados nativos, como está à vista de todos.
Na verdade, o problema do Haiti está muito mais no próprio país do que nos refugiados que o deixam. Trata-se de outro fracasso da comunidade internacional, incapaz de, nos dois anos transcorridos do terremoto, recolocar o Haiti minimamente de pé. Dois números são eloquentes: ainda há 500 mil desabrigados, em uma população de 9 milhões, e 300 mil imóveis em ruínas.
Claro que não é fácil reconstruir um país já muito pobre e que perdeu o equivalente a dois terços de seu PIB no terremoto.
Mas a ação internacional, liderada pelo Brasil, antes da tragédia foi efetiva no quesito segurança, como atesta Johanna Mendelson Forman, do Programa Américas do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington: "Alguns haitianos reclamam e dizem que se trata da ocupação do país por uma força militar estrangeira, mas a realidade é que a missão da ONU ajudou a suprimir o crime violento e a criar uma nova e moderna força policial, de que o Haiti precisa extremamente".
O ideal, portanto, seria que o Brasil servisse de catalisador para um esforço internacional de reconstrução de todo o país, não apenas de sua polícia.

Milhões em cores - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 15/01/12


Artista das mais valorizadas do país, Beatriz Milhazes prepara mostra "monumental" em Buenos Aires, enquanto decora apartamento no Leblon

A artista plástica Beatriz Milhazes, 51, prepara a maior exposição retrospectiva de sua carreira; em setembro, ela mostra suas obras no Malba, o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires. O espaço será invadido pela luz filtrada dos vitrais berrantes de Beatriz, que serão instalados em toda a fachada de vidro irregular.

"Só me interessa o projeto que é monumental", diz ela à repórter Thais Bilenky, em seu ateliê no Jardim Botânico, no Rio. Um andar do museu será tomado por Milhazes. Deverão estar lá mais peças do que as 32 que estavam em sua última grande exposição, na Pinacoteca do Estado de SP, em 2008.

Naquele ano, seu quadro "O Mágico" foi leiloado por R$ 1,7 milhão na Sotheby's de NY -um recorde entre artistas brasileiros vivos. Em 2011, perdeu o posto para Adriana Varejão e sua "Parede com Incisões a la Fontana II", de R$ 2,9 milhões. Mas se superou em junho passado, com "O Moderno", vendido por R$ 1,8 milhão.

Beatriz gosta de rotina. "Sempre me senti uma operária." Ela usa as manhãs para fazer ginástica e resolver tarefas administrativas. Almoça ao meio-dia e então se tranca no ateliê até as 19h.

Ela se mudou recentemente para um apartamento no Leblon. Mora sozinha, mas convive com os rastros de seu ex-marido, o arquiteto Chico Cunha, que decorou a casa. Eles se separaram "não sei dizer há quanto tempo", depois de dez anos juntos. Não tiveram filhos. Mas o sobrinho Thomaz, filho de sua única irmã, está espalhado por sua vida. Tem fotos dele na tela do BlackBerry e no ateliê, e outras "marcas", como a fita crepe que ele colou no teto do estúdio para tampar goteira.

Hoje Chico e ela são "muito amigos" e também parceiros profissionais. Ele trabalha na concepção dos espaços das exposições dela, cada vez mais ligadas à arquitetura. Beatriz não gosta de falar sobre relacionamentos. "É uma coisa muito privada."

A artista morava na Gávea antes de se mudar para o Leblon. Era perto do ateliê e ela escapava do congestionamento. "Mas queria voltar a morar perto da praia. Nasci e me criei em Copacabana." Não tem animais, mas plantas, que ela mesma rega.

Instalou-se em um prédio dos anos 1940 de formato arredondado. "Era casada com um arquiteto e não curtia tanto. Mas tá sendo divertido brincar de dona de casa. Eu que trabalho com círculos agora moro dentro de um."

A mesa de jantar é, claro, redonda, de Sérgio Rodrigues. As paredes são brancas. Os sofás têm as cores da dona: roxo e mostarda.

"Tenho obras de amigos, como Leda Catunda, Luiz Zerbini e do próprio Chico, mas quase nada meu. Já convivo o dia inteiro comigo. Cheguei em casa, encerrei o expediente." Raramente sai, para jantar com amigos. "Nunca gostei de badalação." Gosta de ouvir ópera e Roberto Carlos.

Beatriz começou a pintar com a Geração 80, movimento artístico de vanguarda. Chico, o ex, também fazia parte. Nos anos 1990, ficou "encantada" pelo estilo barroco. "Adorava novela mexicana." A partir de 1995, quando expôs nos EUA pela primeira vez, foi ficando mais figurativa e depois abstrata. E também conhecida por lá.

Ela encontrou a coluna em seu ateliê. Vestia calça social, blusa e cardigan pretos. "Tudo Agnès B", grife francesa clean. Apenas as sandálias, da italiana Varda, eram vermelhas. Chegou alguns minutos atrasada. Recolheu correspondências e foi se maquiar. "Filhinha, precisa de alguma coisa?", perguntou a mãe, Gláucia, que a visitava. Vinte minutos depois, retornou quase que imperceptivelmente retocada. Deu dicas para a fotógrafa.

"Vou abrir a janela, mas como tá nublado, você vai precisar de luz artificial. Se quiser [foto] em movimento, vai precisar mudar a lente da câmera." Pediu para não ser fotografada de perfil. "Não é meu ângulo preferido."

Desde 1995, passa temporadas nos EUA e na Europa. Um investimento "pessoal" que ajudou a alavancar sua carreira internacional. "Me inspira. Você consegue entender o ambiente. Aqui [no Rio], se eu faço uma exposição, estou concorrendo, vamos dizer assim, com os artistas brasileiros. Em NY, eu concorro com os artistas do mundo inteiro", diz, num sotaque meio carioca, meio americano, meio francês.

Agora mesmo está indo a Lisboa, onde abrirá uma exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, em fevereiro. Ficará lá uma semana. Depois do evento, viaja para Paris e fica um mês por lá.

Em suas voltas pelo mundo, acabou conquistando colecionadores como Benedikt Taschen, dono da editora Taschen ("é fiel e tem comprado as obras mais importantes"), e Peter Simon, dono das marcas Monsoon e Accessorize ("tem todas as minhas gravuras"). Está em coleções como as do MoMA (NY), Museu Reina Sofia (Madri) e Museu do Século XXI (Japão).

A crise econômica em 2011, para Beatriz, foi só uma marolinha. Vendeu as seis colagens que produziu no ano, cada uma por 150 mil dólares (R$ 271 mil), além de gravuras. Expôs na Suíça, em Berlim, em Paris e em Miami.

"Mesmo entre europeus e americanos, não são todos que chegam a esse patamar. O meu recorde [do quadro "O Mágico"] foi incrível. Abri porta para os latino-americanos. A Adriana [Varejão] fez isso agora [bateu o recorde nacional], mas não quer dizer que vá manter sempre."

"Interessante é que essa valorização esteja acontecendo. A gente tem como manter esse nível de qualidade. Mas não é questão só de dinheiro, tá? É uma questão de respeitabilidade pelo que você faz." A comparação de preços de obras é "horrível", diz ela. "Mas, ao mesmo tempo, entendo porque infelizmente é através disso que se percebe [o valor do trabalho]."

"Sei que tem artista que se encanta com o outro lado [do sucesso], mas o que eu realmente gosto de fazer é estar no ateliê. Sou uma artista feita à mão."

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

GOSTOSA


Revolução no Carnaval - FERREIRA GULLAR


FOLHA DE SP - 15/01/12


A teoria de que a vida é inventada e que cada um de nós se inventa, vejo-a confirmada a cada momento e nos mais diversos casos. É o exemplo de Joãosinho Trinta, recentemente morto para a tristeza de seus amigos e admiradores, como eu, que, além do mais, sou seu conterrâneo.
Chegamos os dois ao Rio no mesmo ano de 1951 e com propósitos parecidos: realizar a nossa paixão pela arte. Só que, enquanto minhas paixões eram a poesia e as artes plásticas, a dele era o balé, mas não conseguiu inventar-se bailarino, porque lhe faltava o "physique du rôle", isto é, sonhara errado.
E só se inventaria carnavalesco bem mais tarde, quando passou a fazer adereços para a escola de samba Acadêmicos do Salgueiro.
Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues haviam transformado os desfiles do Salgueiro numa revolução que mudou a estética do Carnaval carioca.
Até ali, as fantasias e alegorias das escolas de samba seguiam o gosto acadêmico, que identificava o belo com o luxo da corte imperial.
Pamplona e Arlindo substituíram aquelas fantasias pesadas, cobertas de enfeites, por outras de gosto moderno, valorizando o colorido, o desenho que mostrava o corpo dos figurantes e passistas.
Também as alegorias perderam o caráter do velho Carnaval para ganhar leveza e concepção inovadora. Graças a eles, a Acadêmicos do Salgueiro destacou-se nos desfiles e passou a influir na concepção de outras escolas, à exceção da Mangueira, que mantinha o estilo tradicional.
Foi então que Joãosinho Trinta, que passara a morar no morro do Salgueiro, começou a colaborar com Pamplona e Arlindo, na concepção e realização de adereços, de que já se ocupava em trabalhos de decoração. Como se explica, então, que o moço que sonhara ser um intérprete da dança clássica tornara-se um artesão?
É que -conforme contaria mais tarde- quando menino, nascido em família pobre, fazia ele mesmo seus brinquedos. Ou seja, a habilidade artesanal e a inventividade eram qualidades inatas de Joãosinho Trinta, que ele pusera de lado, quando se deixou fascinar pela dança. Como aquele não era de fato o caminho possível de sua realização artística, um dia o talento inato do menino se fez valer.
E aqui entra o outro lado da vida: o acaso. Por acaso, Joãosinho foi morar no morro do Salgueiro precisamente quando os carnavalescos da escola eram Pamplona e Arlindo, e por acaso eles precisavam de alguém para melhorar os adereços da escola... E assim, Joãosinho Trinta veio a se tornar um dos mais destacados carnavalescos do país. Quando Arlindo e Pamplona deixaram a escola, ele assumiu a função deles e deu vazão a toda a sua capacidade criativa.
Havia aprendido com eles a nova concepção estética dos desfiles de Carnaval, das fantasias, das alegorias. Assimilou aquelas lições e pôs em prática a sua própria concepção, introduzindo no Carnaval carioca a sua vivência de nordestino, nascido na histórica São Luís do Maranhão, cidade cheia de lendas e tradição, presentes em seus túneis subterrâneos, em suas fachadas de azulejo e em suas festas populares.
Graças a tudo isso e especialmente a seu talento, ganhou os carnavais de 1973, 74 e 75, transferindo-se, no ano seguinte, para a Beija-Flor de Nilópolis, onde arrebatou cinco títulos mais.
Foi num desfile dessa escola, que apresentou o seu mais surpreendente enredo -"Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia", no qual exibia a figura do Cristo como mendigo. Tanta audácia provocou a reação da Igreja Católica, que o levou a cobrir essa alegoria com um lençol preto, durante o desfile.
Naquela ocasião, escrevi sobre esse enredo, chamando atenção para o que significava na sua carreira de carnavalesco. É que ele havia dito, meio de gozação, uma frase que se tornou célebre: "Quem gosta de pobreza é intelectual, porque o povo gosta de luxo". Era uma resposta aos que o acusavam de ter voltado ao velho estilo luxuoso, contrário à linha inovadora do Salgueiro.
O enredo "Ratos e Urubus" era o oposto do luxo, uma vez que o próprio Cristo aparecia ali como mendigo. Na verdade, o luxo dos enredos de Joãosinho era aparente, pois o que ele fazia era extrair beleza e esplendor dos materiais mais pobres. Uma alquimia.

"Mulheres Ricas"! Medo! Pânico! - JOSÉ SIMÃO


FOLHA DE SP - 15/01/12
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Notícias da praia! Olha a placa de uma pousada na África do Sul: "Se quiser café na cama, vai dormir na cozinha".
E um amigo foi pra Fortaleza e disse que teve uma vida sexual agitada: comeu quatro caranguejos. E outro resumiu assim suas férias em Ubatuba: "Não comi, mas também não dei! Empate fora de casa é vitória!". E uma amiga querendo alugar casa na praia: "Tem rede?". E o proprietário: "Tem, se a senhora trouxer".
E nas praias do Rio já lançaram a Mulher Miojo: é só jogar na água e comer. Rarará! E tô adorando a minissérie "Dercy de Verdade". Porque o ator que comeu a Dercy é o mesmo que comeu a Bruna Surfistinha. Isso é que é profissional.
E o Castelorama, no Twitter, disse que a Dercy é o Niemeyer do palavrão. E quando a Dercy morreu, o palavrão ficou a meio pau! E diz que o Corinthians é como a Dercy. Cem anos fazendo a gente rir! Rarará!
E aquele SURREALITY show da Band: "Mulheres Ricas"! Ops, "Mulheres Bizarras"! Que champanhe elas tomam pra ficar tão loucas? Champanhe com Gardenal.
Aliás, uma amiga minha tá aprendendo inglês com o "Mulheres Ricas". Já aprendeu a falar "HELLOOO"! E a Narciza? A Narciza parece um fliperama desgovernado! Ri, pisca e grita! TILT! E aquela Brunete Fraccaroli é a Old Series da Barbie, edição de 60 anos!
E aquela Val tá mais pra sidra que pra champanhe. Como diz o site QMerda: elas têm Cocô Chanel na cabeça. "Mulheres Ricas". Cocô Chanel na cabeça! Rarará!
E aquela que diz: "Desculpe, mas eu adoro arma de fogo". Adora arma de fogo porque é um canhão!
E eu tenho medo daquela que atira. Aliás, eu tenho medo de todas. Medo, não. PÂNICO! Rarará! Como disse aquele amigo: "Depois de 'Mulheres Ricas', não acho mais a Susana Vieira estranha". Eu continuo achando. Rarará!
E atenção! Abriram o açougue! Começou o "BBB12". E eu assisti todos! Me rendi à podridão! E os tipos são os mesmos: bundudas de fio dental e rinocerontes de sunga. Carne velha no pedaço.
E a única grande novidade: tem um veterinário na casa. Caso alguém passe mal. Rarará! Vai morar com os pacientes. Tipo médico de família! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Desemprego, o risco esquecido - ALBERTO TAMER


O Estado de S.Paulo - 15/01/12


A indústria paulista não criou um único emprego em 2011. Nada. Ao contrário, cortou cerca de 50 mil vagas. É o que registra estudo divulgado quinta-feira pelo diretor do Departamento de Pesquisa Econômica da Fiesp, Paulo Francini. "O crescimento no ano passado foi nulo. Voltamos a ter um comportamento de crise na indústria, ou seja, zero de aumento de emprego", afirmou Francini.

A previsão para este ano é também desanimadora. O número de empregos na indústria deve crescer apenas entre 0,5% e 1%. A produção industrial também ficará em 1%, prevê a Fiesp.

Ao mesmo tempo, o IBGE divulgou na quinta-feira que o nível de emprego no Brasil em novembro caiu 0,1%, pelo terceiro mês consecutivo, sinalizando uma tendência decrescente.

Piorou muito. Para avaliar o que esse resultado significa, em 2010 o nível de emprego havia crescido 4,72%, teve forte queda (4.5%) em 2009 devido a crise. "Voltamos ao patamar de estagnação parecido com o de 2008, ano em que houve queda de 0,31%", disse Francini.

Brasil na contramão. O diretor da Fiesp não comentou as medidas oficiais para criar empregos na indústria, mas, para os analistas, o governo passa a impressão de que esse não é um assunto prioritário. Talvez esteja confiando muito no último resultado do nível de desemprego, de apenas 5,2%, mas a estagnação do PIB nos últimos dois trimestres e os últimos dados do IBGE não confirmam essa tendência.

Enquanto o emprego industrial emperra e a desoneração não tem efeito, o Brasil segue na direção oposta de outros países onde flexibilização das regras trabalhistas vem aumentando. Para eles, o Brasil erra ao insistir em criar mais e mais regras na relação de trabalho. Desde o início do ano já houve a mudança no aviso prévio; o uso obrigatório do relógio de ponto e, nesta semana, a nova regra do trabalho fora do escritório. Vai ser difícil ao Brasil, que tem juros, carga tributária bem maior, competir com empresas no mercado internacional. Para os críticos, muito ao contrário da política monetária e fiscal, na qual vem acertando plenamente, o Brasil está indo no sentido contrário. E, com isso, deixará de criar empregos no setor industrial onde são mais valiosos.

Desoneração funciona? Não, não reduz significativamente o custo da mão de obra nem cria emprego, afirma à coluna o presidente do Sindicato das Empresas de Contabilidade de São Paulo (Sescon), José Maria Xapina Alcazar, se baseando em estudo técnico divulgado nesta sexta-feira. Para Alcazar, a lei 12.546/2011, de 14 de dezembro, não só não resolve, mas prejudica importantes setores a indústria nacional. (O texto pode ser encontrado a partir de amanhã no site sesconsp.com.br). E vai mais longe, "é um desperdício de energia, dinheiro e de oportunidades, uma grave ameaça de desindustrialização".

Para o Sescon, a lei impõe, neste janeiro para alguns setores e a partir de abril para outros, que empresas substituam a contribuição de 20% sobre a folha de pagamentos, destinada à Previdência Social, por um recolhimento entre 1,5% e 2,5% sobre seu faturamento bruto. Seria, segundo o governo, para desonerar a indústria do couro (calçados e bolas) e confecções, além de empresas de tecnologia de informação e call center.

"Concluímos que ela só beneficiará aquelas em que o valor destinado aos salários e encargos sociais ultrapassasse 10% da sua receita bruta."

Ou seja, pequeno número de organizações que têm como característica contratar elevada massa de mão de obra própria. Não é o caso das empresas com um parque tecnológico moderno e especializado.

Indústria vai sofrer. A maioria das empresas sofrerá aumento de custos, algo, no mínimo, contrário ao que o governo pretendia. E reduzirá ainda mais a baixa competitividade externa da indústria nacional. "O governo precisa revê-la imediatamente", afirma Alcazar.

Na contramão do emprego. Outras fontes ouvidas assinalam que uma série de medidas adotadas nos últimos dias podem prejudicar ainda mais a criação de empregos. Enquanto o emprego industrial está estagnado e a desoneração não tem efeito, afirmam, o Brasil segue na direção oposta ao mundo na flexibilização das regras trabalhistas. A experiência europeia mostrou que países com regras trabalhistas mais flexíveis possibilitam e até estimulam as negociações entre sindicatos e empresas, conseguem preservar empregos e melhorar a economia.

Para os críticos, o Brasil insiste em criar cada vez mais regras na relação de trabalho e citam medidas recentes como regras de aviso prévio; uso obrigatório do relógio de ponto; e a nova regra do trabalho fora do escritório, agora incluindo até o uso de celulares e emails e talvez smartphones corporativos. Tudo isso, advertem, pode aumentar e não diminuir o excepcional custo trabalhista.

O debate está aberto. A coluna, como no caso da desindustrialização, abre espaço para o debate, por e mail ou qualquer outro meio de comunicação. Atenderá a todos. Para nós, o que importa é superar essa fase de estagnação e desemprego industrial que já dura tanto tempo, sem sinais de solução.

Entre quatro paredes - RENATA LO PRETE

FOLHA DE SP - 15/01/12


Dilma Rousseff iniciou o ano determinada a combater o vazamento de informações do governo. Aboliu até as reuniões diárias de "briefing", nas quais discutia com ministros palacianos os temas com reverberação na imprensa. Participavam Giles Azevedo (chefe de gabinete), Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Helena Chagas (Comunicação Social).

Contrariada com a publicidade de assuntos tratados com reserva no Planalto, a presidente sinaliza que as decisões estratégicas ficarão circunscritas a um núcleo ainda menor de colaboradores.

Ai, se eu te pego... Para dar mais sigilo à reforma ministerial, Dilma não só tem conversado com pouquíssimos interlocutores, como tem dado a eles informações contraditórias. Ninguém hoje no governo sabe o que pensa a presidente. E como cada um só conhece parcialmente o mapa, fica fácil identificar eventuais vazadores.

Dominó A exceção é Lula, com quem Dilma conversou demoradamente na quinta-feira sobre o tema. Aliados incomodados com a centralização das conversas em torno do ex-presidente lembram: embora ele tenha faro político afiado, cinco dos sete ministros que caíram estavam na Esplanada por sua interferência direta.

Mundo real Mais do que a reforma ministerial, o assunto a ocupar a presidente no momento é o tamanho do corte no Orçamento, a ser anunciado em fevereiro. Em ano eleitoral, a dimensão do contingenciamento ganha contornos dramáticos para a bancada governista.

Intercontinental Diretor do Banco Mundial para o Brasil, o senegalês Makhtar Diop foi escolhido para a vice-presidência da instituição na África. Pesou na indicação o trânsito com o governo brasileiro. Ligado ao Instituto Lula, ele também é próximo de Eduardo Campos (PSB-PE) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ).

Para depois Dilma frustrou o PT paulistano, que pretendia levar Fernando Haddad ao primeiro teste com pré-candidatos à prefeitura já na quarta-feira. Se deixasse o MEC amanhã, como previsto inicialmente, o petista iria a seminário sobre a qualidade de vida na capital.

Onipresente Quando se desincompatibilizar do governo, Haddad fará périplo por jornais de bairro de maior circulação na periferia. Também irá a entidades de classe -a primeira a ser visitada será a Associação Comercial, ligada a Gilberto Kassab.

A conferir Apesar da incredulidade dos grão-tucanos, aliados de Kassab falam com desenvoltura da aliança com o PT. "O PSDB nos jogou no colo de Haddad, desprezando o potencial da máquina municipal na eleição", diz um dirigente do PSD.

In pectore O maior entusiasta da candidatura de Gabriel Chalita (PMDB) no Bandeirantes é Orlando de Assis Baptista, o Orlandinho, conselheiro de Geraldo Alckmin.

Em tempo real Pela primeira vez será eletrônica a votação para a escolha do novo procurador-geral de Justiça de São Paulo, prevista para 24 de março. O resultado sairá em até cinco minutos após o término do pleito, que envolverá 1.500 promotores e 300 procuradores.

Quem é quem A sucessão de Fernando Grella será disputada por Márcio Elias Rosa, da situação, Felipe Locke e Mário Papaterra Limongi. Na eleição para o Órgão Especial da instituição, o grupo de Grella amealhou 18 das 20 cadeiras disponíveis.

com LETÍCIA SANDER e FLÁVIO FERREIRA

tiroteio
"O governo federal trata as tragédias climáticas com o mesmo ritmo com que combate a corrupção: velocidade zero. Elas são evitáveis, mas nada é feito."

DO DEPUTADO FEDERAL ONYX LORENZONI (DEM-RS), sobre a adoção, no decorrer da semana, de medidas emergenciais contra a seca e as enchentes pelo governo Dilma em meio à encrenca na Integração Nacional.

contraponto
Tradução simultânea
Pouco antes de assumir a Presidência, Dilma Rousseff concedeu longa entrevista ao "The Washington Post". Em determinado momento da conversa, a presidente ficou impaciente com a demora da tradutora em explicar o programa Minha Casa, Minha Vida, de moradias populares. Dilma, que fala inglês, interrompeu e exclamou diretamente à entrevistadora Lally Weymouth:

-É o 'My house, my life'!

Todos os presentes evitaram rir na hora, mas o diálogo até hoje inspira piadas no Planalto.

O aparelho dos Coelho antecedeu o do PT - ELIO GASPARI

O GLOBO - 15/01/12
Não se deve cometer a injustiça de atribuir uma obsessão nepotista ao doutor Fernando Bezerra Coelho. Isso é coisa de pobre que precisa arrumar uma boquinha para familiares. É verdade que seu irmão Clementino ocupou a presidência da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco, e o tio Osvaldo teve uma cadeira no Conselho Consultivo da Economia Irrigada. O tio da mulher de seu filho, deputado e tesoureiro de sua campanha, representava o ministério em Pernambuco. Já o pai da senhora dirigiu o escritório do Departamento Nacional de Obras contra a Seca em Recife. Seu tio, Nilo Coelho, foi governador de Pernambuco e senador. Fez fama em Brasília pela qualidade dos jantares que oferecia. Outro Nilo Coelho governou a Bahia. O sucesso da família está no poder, não nos empregos.

O primeiro Coelho a governar Petrolina assumiu a prefeitura em 1895. Pela medida do coronelismo político, a parentela (com suas dissidências) produziu oito prefeitos e mais de 20 mandatos parlamentares. Pela medida do coronelismo fundiário, em 1996 tinha 120 mil hectares irrigados, produzindo frutas no vale. Pela medida do coronelismo eletrônico, tem nove emissoras de rádio e uma de televisão. Isso tudo e mais 30 empresas industriais e comerciais. O atual ministro da Integração Nacional foi duas vezes deputado e prefeito, dirigiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco e presidiu a estatal do Porto de Suape.

Nada a ver com nepotismo. Tudo a ver com o controle do aparelho do Estado, de verbas, terras e águas. Petrolina tem diversos títulos, e o mais vistoso é "Califórnia Brasileira". Olhada só pela produção de frutas no semiárido, o paralelo procede. No início do século passado, quando os Coelho prosperavam em Petrolina, o Sul da Califórnia estava nas mãos de grandes famílias. Fizeram-se fortunas controlando os programas de irrigação e obras contra a seca, quase sempre com dinheiro federal. A partir da segunda metade do século, quando os Coelho tomaram conta do Vale do São Francisco, as oligarquias endinheiradas da Califórnia viraram nome de museus (Getty) ou de personagens da História (Patton). A última delas foi a dos Chandler, dona do "Los Angeles Times". A sociedade mudou, e durante 20 anos, de 1973 a 1993, Los Angeles foi governada por um negro.

Em 1891, um magnata fundou em Pasadena uma escola técnica com uma doação de US$ 2,5 milhões em dinheiro de hoje. Com mais apoios e muita ajuda oficial, tornou-se o Instituto de Tecnologia da Califórnia. Produziu 31 prêmios Nobel e, no ano passado, foi considerado a melhor universidade do mundo, desbancando Harvard. Até hoje o MEC não conseguiu saber o que a Prefeitura de Petrolina fez com uma verba de R$ 2,5 milhões destinada à educação de jovens que abandonaram as escolas.

Eremildo, o idiota

Eremildo é um idiota e defende o fechamento do Conselho Nacional de Justiça, substituindo-o por uma programa de isonomia para a patuleia.

Justificando os ervanários que sacaram na Bolsa da Viúva, alguns desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo explicaram que apressaram o pagamento por conta de necessidades especiais.

Segundo o presidente da Corte, um desembargador estava deprimido, e outro, doente. Um terceiro recebeu R$ 150 mil porque a chuva inundou sua cobertura. Outro cobrou mais de R$ 500 mil porque tinha dívidas. O desembargador Roberto Bellocchi, que teria recebido R$ 1,5 milhão entre 2008 e 2009, explicou que "há situações pessoais que devem ser compreendidas".

Eremildo, que é capaz de compreender tudo, propõe que sejam listadas as situações pessoais dos doutores, e, em seguida, o critério seja estendido à patuleia que está na fila para receber precatórios. Em São Paulo, essa dívida está em mais de R$ 20 bilhões.

Detalhe

Os dois aparelhos de ar-refrigerado que estão no gabinete do ministro Fernando Pimentel são chineses, mas não foram comprados por ele.

As máquinas foram negociadas em pregões eletrônicos entre 2006 e 2007, quando o ministério era chefiado pelos doutores Luis Fernando Furlan e Miguel Jorge.

Decadência militar

Em 1945, ao atravessar com seus blindados o Rio Reno, o general George Patton deixou-se fotografar urinando nas águas do Reich.

Passados 67 anos, o mundo vê soldados americanos urinando em cadáveres de afegãos.

A grande companheira Marian

Marian Robinson tem 74 anos, sua tataravó foi escrava e, no testamento do dono, valeu 450 dólares. Seu pai foi pintor de paredes, seu marido trabalhou toda a vida como zelador e morreu em 1991, quando mal podia andar. Os dois criaram um casal de filhos num apartamento de quarto e sala. Ambos conseguiram chegar à Universidade de Princeton.

Em novembro de 2008, seu genro acompanhou a apuração da eleição presidencial segurando-lhe a mão. Acaba de sair nos Estados Unidos o livro "The Obamas", contando a vida de Barack e Michelle no palácio-museu-escritório de Washington. (A edição eletrônica está a US$ 17,45.) Nele se aprende que, naquela noite, quando Barack Obama foi para o palco de um parque, de onde falou ao mundo, sua sogra desdenhou os cercadinhos e juntou-se à festa da patuleia. A filha achava que poderia morar em Chicago até o fim do ano escolar das crianças. Ela decidira continuar lá.

A companheira Marian concordou em ir para Washington quando lhe pediram que ajudasse a cuidar das netas. Topou, com ilusão de que ficaria só por três meses. Na Casa Branca, faz a sua própria lavanderia.

(Só os camareiros militares de Obama mexem nas suas roupas. As de Michelle ficam por conta dos serviçais da Casa Branca. Durante uma permanência no seu refúgio do Maine, Barbara Bush, mulher de George I, ofereceu-se para botar na máquina as roupas dos guarda-costas que acompanhavam o casal.)

Marian Anderson nunca deu entrevista, evita fotógrafos e sai para as compras sozinha, a pé. Quando alguém pergunta se ela é a mãe de Michelle Obama, responde: "Muita gente pensa isso". Num supermercado próximo, acreditam que ela trabalha na vizinhança.

"The Obamas" revela que a Casa Branca teve trabalho para obter da presidência da França um desmentido de que Michelle tivesse dito a Carla Bruni-Sarkozy que viver na Casa Branca era um "inferno". O desmentido saiu, mas a história tem um forte cheiro de verdade. Quando o jornalista americano Jonathan Alter escreveu que Carla contou a Michelle que um chefe de Estado estrangeiro tomou um chá de cadeira porque ela e o marido estavam ocupados numa sessão amorosa, o Eliseu não pediu desmentido. Michelle não leu e não gostou de "The Obamas".

Reflexões sobre a USP - CELSO LAFER

O ESTADÃO - 15/01/12

O próximo 25 de janeiro assinalará os 78 anos de existência da Universidade de São Paul o (USP). Cabem, por isso mesmo, algumas reflexões sobre o papel que vem tendo na vida do nosso Estado e do País. Criada em 1934, a USP foi concebida como uma instituição de natureza pública, voltada para promover o desenvolvimento da sociedade paulista e nacional por meio da geração e transmissão de conhecimento e a formação de especialistas e profissionais em todos os ramos do saber.O lema da USP, cientia Vinces, traduz a ideia a realizar do se projeto. Este é o do bem público que objetiva ampliar continuamente a capacidade do País de enfrentar com autonomia crítica os múltiplos desafios da dinâmica do mundo contemporâneo.

Tornar viável esse bem público requer recursos, que, no caso, provêm do contribuinte paulista.

Atualmente a USP administra com autonomia (Decreto n.º 29.588,de 2de fevereiro de 1988) a parcela anual de 5,0295% da quota-parte do Estado na arrecadação do ICMS.Em valores monetários isso significou,em 2011, R$ 3.778.388.716,00. São valores muito expressivos. Por isso cabe a análise - contínua e republicana- da relação entre esses recursos, originários do contribuinte paulista, e o modo como estão sendo cumpridos os objetivos pioneiramente vislumbrados na criação da USP.

A governança da USP é regida pelo seu Estatuto, que data de 1988, e pelo seu Regimento-Geral, de 1990.Esses dois documentos básicos, com alguns ajustes feitos subsequentemente, assim como o decreto de 1988 que consagrou a autonomia na gestão de recursos oriundos de um porcentual do ICMS, foram elaborados no contexto da plena redemocratização do País, que se seguiu ao término do regime autoritário militar implanta do em 1964.

É esse contexto que dá o significado do artigo 3.º do Estatuto: "AUSP, como Universidade pública,sempre aberta a todas as correntes do pensamento, reger-se-á pelos princípios de liberdade de expressão, ensino e pesquisa".É esse artigo que norteia os princípios comuns do Código de Ética da USP de 2001,que,com base na tolerância e no pluralismo (artigo 1.º) e respeitando as opções individuais dos seus servidores docentes e não docentes e de seus alunos, consagra a não adoção de posições partidárias na sua governança, assim como a sua não submissão a pressões de ordem ideológica, política ou econômica que possam desviar a universidade de seus objetivos científicos, culturais e sociais( artigo3.º,II e III).

É tríplice a missão da USP,consolidada em seu Estatuto (artigo 2.º) :promover e desenvolver o conhecimento por meio do ensino eda pesquisa; formar pessoas capacitadas para a investigação, o magistério e o exercício de atividades profissionais; estender à sociedade os serviços que são indissociáveis do ensino e da pesquisa.

Sob a égide do atual regime de governança, são muito expressivos os indicadores do desempenho e os resultados alcançados na sua vigência. No item da formação e qualificação, menciono que a USP, em 2010, manteve 240 cursos de graduação nos seus câmpus da capital e do interior (90,5% de crescimento em relação a 1989), ofereceu 10.622 vagas (crescimento de 57,4% no mesmo período),teve 57.300 alunos matriculados (79,6% de aumento no período).

Observo que em 2010 a USP abriu 3.627 vagas em cursos noturnos,o que representou um aumento de 97% em relação a 1989.

Na pós-graduação, em 2010, 5.830 alunos foram titulados.Destes, 3.492 obtiveram o mestrado- um aumento verificado de 237,1% entre 1989-2010 - e 2.338, o doutorado - um crescimento de 291% no mesmo período.

No item pesquisa, a produção científica da USP atinge 8.417artigos indexados (nas bases Thomson- Reuters-IST) e o crescimento foi de 751,9%.O Estado de São Paulo contribui com cerca de 50% da produção científica brasileira e, destes 50%, metade provém da USP,que é a principal universidade brasileira de pesquisa.

Contribui assim, e muito, a USP para a densidade do conhecimento que singulariza São Paulo na Federação.

Sei,vindo da área de Humanas, que os indicadores não exprimem toda a realidade, mas dela são uma válida aproximação que oferece componentes do objetivo e reduz a subjetividade da avaliação.

oram os indicadores do desempenho da USP que a colocaram em primeiro lugar entre as universidades da América Latina, situando-a entre as 200 melhores universidades do mundo.

Esses resultados,que são o fruto de uma ação coletiva da comunidade uspiana, foram alcançados na vigência do seu regime de governança.

Por isso é uma obrigação dos que questionam esse regime indicar de que maneira outros critérios e aperfeiçoamentos poderiam fazer mais e melhor do que está sendo feito. Como professor da USP durante 40 anos, recém- aposentado pela compulsória, registro minha inconformidade com os recorrentes e minoritários surtos de violência no câmpus da capital, que afetam o patrimônio público, destroem e não criam, como ensina Hannah Arendt; com ineptas alegações de desobediência civil que, num Estado de Direito democrático, nada têm que ver com a resistência à opressão; com minoritárias e raivosas manifestações de professores, alunos e servidores, frontalmente contrários ao Código de Ética da USP, que estipula que entre os membros da universidade o direito à liberdade de expressão deve ser exercido dentro de normas de civilidade e sem nenhuma forma de desrespeito.

Esse raivoso desrespeito, também em relação ao reitor João Grandino Rodas, inclusive da parte de professores da minha Faculdade de Direito, ecoa um verso de Yeats, quando aponta que the worst are full of passionate intensity.

Essa intensidade passional pode ser expressão de um mal-estar em relação ao mundo que nos cerca.Pode ter objetivos político partidários.

Na USP são irresponsáveis palavras e vozes que só levam a um beco sem saída.

UM RATO INCOMUM


Outra carta da Dorinha - LUIS FERNANDO VERISSIMO

O GLOBO - 15/01/12
Recebo outra carta da ravissante Dora Avante. Dorinha, como se sabe, não confessa a idade mas diz que quando passa o cometa de Halley ela nem olha mais. Mas continua ativa à frente do seu grupo de debate e pressão, as Socialaites Socialistas, que pregam a implantação no Brasil do socialismo no seu último estágio, que é a volta ao tzarismo. Elas, inclusive, já descobriram um descendente dos Romanovs que é garçom no Méier e diz que topa ser tzar se puder contar tempo para o INPS. Com a proximidade do carnaval, Dorinha tem se reunido quase que diariamente com o Pitanguy para planejarem sua repaginação, ou o corpo com que desfilará na avenida este ano. “Ainda estamos na fase dos esboços e cálculos estruturais”, conta Dorinha, que... Mas deixemos que ela mesma nos conte. Sua carta veio, como sempre, escrita com tinha púrpura em papel grená e cheirando a “Mange Moi”, o único perfume do mundo que já foi objeto de uma encíclica papal.

“Caríssimo! Beijos centrifugais. Sim, estaremos na avenida, eu e meu grupo. Só não sairei no carnaval quando estiver morta, e assim mesmo terão que sentar no meu túmulo. Este ano tomaremos especial cuidado com nossas próteses mamárias e glúteas, depois que no ano passado as duas nádegas da Julia (“Ju”) Bileu explodiram, uma atrás da outra, ainda na concentração, atrapalhando a marcação. E eu mereço me descontrair neste carnaval. Minha vida econômico/sentimental em 2011 foi estressante. Quel des frustraciones! Depois de me separar do meu marido mais recente, cujo nome me escapa no momento, decidi me dedicar ao primeiro escalão do governo, onde circula o dinheiro de verdade. Meu objetivo era um ministro da Dilma. Com um pé – para não citar outras partes da minha anatomia – num ministério da República, eu estaria feita, pelo menos até o fim do mandato dele. Mas os ministros não paravam no lugar. Era eu mirar um ministro e a Dilma o botava na rua. A instabilidade institucional derrotou meus planos de independência financeira e, quem sabe (meu lado Evita), alguma influência nos destinos da nação. Não consegui ser amante ou sequer auxiliar de gabinete de nenhum deles, nem por dez minutos. Estou, por assim dizer, de volta à planície, caçando animais menores. E à espera que o próximo ministério da Dilma seja mais estável. Por mim, Dilma!

Da tua suspirosa Dorinha”. 

Os sem direitos - MIRIAM LEITÃO


O GLOBO - 15/01/12


O último relatório da Organização Internacional do Trabalho trouxe boas notícias para o Brasil e a América Latina. Aqui, o desemprego está estável, enquanto sobe e ameaça outros países e regiões. Quando o país cresce, os empresários reclamam do "apagão de mão de obra". Quando tudo está bem, é hora de olhar os problemas que têm permanecido conosco, faça chuva ou faça sol.

Ao contrário da tendência geral de só olhar os problemas nas horas de crise, o mais eficiente é avaliar a distorção que permanece quando tudo parece bem. O Brasil está com a mais baixa taxa de desemprego em muitos anos, e o índice caiu mesmo no ano passado, em que o ritmo de crescimento econômico diminuiu. Os empresários continuam reclamando da dificuldade de contratação em determinadas áreas.

Num sinal de que tudo parece resolvido, o governo se dispõe a baixar uma lei regulando o uso do celular funcional e do e-mail, no fim de semana, no pagamento das horas extras. Ninguém desconhece o risco de que os meios digitais acabem ampliando a hora de trabalho e perturbando o necessário descanso do trabalhador, mas isso deveria ficar a cargo do bom senso e das negociações entre empresas e empregados.

Não é por falta de leis trabalhistas - talvez seja por excesso - que o Brasil permanece com os problemas de sempre. Quarenta por cento dos trabalhadores estão no mercado informal, sem a cobertura das garantias essenciais de férias, décimo terceiro, FGTS, seguro-desemprego, previdência. Como isso pode acontecer no momento em que o país tem um cenário tão positivo em termos de demanda de mão de obra? Isso deveria concentrar a atenção das autoridades e o melhor momento para fazê-lo é quando não há crise no mercado.

Entra e sai governo, o problema da enorme fatia dos trabalhadores brasileiros fora do mercado formal continua como uma cicatriz nas estatísticas de trabalho. O Ministério do Trabalho na gestão do antigo ministro - que caiu sob o peso das denúncias de irregularidades - se preocupava apenas em trombetear todos os meses o número do Caged, de criação de empregos pelas empresas formais, mas não parecia ver o percentual exorbitante de trabalhadores fora desse mercado.

Esse problema, evidentemente, não é apenas decorrente da última administração do Ministério. É uma velhíssima distorção na economia brasileira. Em épocas de crise, culpam-se as crises. Em momentos de prosperidade econômica, o problema fica invisível. Fora do mercado formal, esses trabalhadores estão desprotegidos, as desigualdades se eternizam, o governo deixa de arrecadar recursos que ajudariam no equilíbrio de suas contas previdenciárias e contratam-se dilemas futuros. Esta é uma boa hora de se pensar em atacar esse problema com todas as armas. A fiscalização é necessária, mas não suficiente. O país precisa conhecer as causas mais profundas dessa separação dos com e sem carteira, que tem se mantido em momentos de escassez e de abundância no mercado de trabalho.

Outro problema estrutural é o do nível de escolaridade. Os avanços na educação nas últimas décadas foram insuficientes e lentos. Na comparação com o mundo, e até com os países vizinhos, perdemos em anos de estudo da população economicamente ativa. É insensato não enfrentar esse problema com senso de urgência, porque essa é a era do trabalho qualificado, seja em que área for. Envelheceram as velhas divisões que opunham o emprego que exigia cérebro do que exigia apenas a força bruta. Hoje, como se sabe, a busca do conhecimento constante em todas as áreas profissionais é o que aumenta a produtividade da economia como um todo. O acompanhamento das novas tecnologias, o estudo de manuais, a dispersão da cadeia produtiva em diferentes países, tudo exige, por exemplo, a destreza em outros idiomas. O atraso na educação brasileira é um dos mais importantes gargalos ao aumento da competitividade da economia.

As desigualdades salariais, de oportunidades, de ascensão na carreira separam os grupos por gênero, cor da pele e idade. Esse tem sido um tema recorrente neste espaço. As estatísticas de emprego e renda mostram todo mês que continuam presentes as travas artificiais impostas pela discriminação a alguns grupos sociais. É preocupante o alto desemprego de jovens de 18 a 24 anos. Em 2011, as pesquisas mostraram que entre 13% e 14% dos jovens que procuraram emprego não conseguiram vaga. O número caiu um pouco mas continua alto demais para um país que está num bom momento.

O que inquieta no mercado de trabalho brasileiro é que as autoridades de qualquer nível, as lideranças empresariais que gerem recursos do Sistema S, o BNDES, que é em parte financiado pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador, os líderes das centrais sindicais não parecem preocupados com quem está fora das garantias trabalhistas. A preocupação é sempre a de aumentar os direitos para quem já está dentro do mercado formal; e nunca em avaliar os defeitos de um sistema, que em qualquer conjuntura, mantém fora do mercado formal, expostos aos riscos e ao desalento, 50 milhões de brasileiros.

O maior show de Las Vegas - ETHEVALDO SIQUEIRA


O ESTADÃO - 15/01/12
Nunca uma edição do Consumer Electronics Show, o maior evento mundial de eletrônica de consumo, foi tão rica de inovações, de criatividade e avanços quanto a deste ano. Ela marca a estreia dos televisores de LED orgânico (ou Oled) de grandes dimensões, lançados pelas duas coreanas arquirrivais, LG e Samsung. O que esta feira nos mostra, também, é que 2012 poderá ser considerado o ano dos ultrabooks, os computadores portáteis ultraleves, ultrafinos e ultrarrápidos que concorrerão como MacAir, da Apple.
A linha dos portáteis foi a grande estrela deste CES 2012 porque trouxe, além dos ultrabooks, centenas de opções de novos tablets e smartphones com recursos cada vez mais amigáveis e úteis.

Tanto no caso dos PCs e tablets quanto no dos smartphones essa revolução é devida aos recursos das novas gerações de chips avançados, muito mais velozes e que apresentam baixíssimo Consumo deenergia, lançados pela Intel, da Nvidia, ARM, Qualcomm e AMD, entre outros fabricantes.

A maioria dos grandes fabricantes - Lenovo, HP, Dell, Asus, Toshiba e Sony - tem suas versões de ultrabooks, com recursos sempre mais sofisticados, velocidade muito maior de processamento, telas de toque mais sensíveis, imagens de alta qualidade e baixo Consumo de energia.

Comisso, poderemos usar nossos ultrabooks por mais de 12 horas, sem necessidade de recarregar a bateria.

Num mercado altamente competitivo como o de telefones celulares, a Lenovo e a Motorola anunciaram que produzirão smartphones com chips Intel - empresa que, assim, ingressa no mundo da mobilidade com seus microprocessadores, ainda dominado pela ARM. O grande desafio nessa área é o baixoConsumo de energia.

Supertelevisores. O CES 2012 também marca o lançamento da Ultra Definition (UD), com quatro (4K) e oito vezes (8K) o número de pixels da alta definição atual, a HDTV.

É incrível a perfeição de detalhes dessas imagens desses televisores 4K, ou seja, com 2.160 por 3.840 pixels. Com essa definição, as imagens podem ser ampliadas até o tamanho de 8 metros de diagonal, sem que apareçam os pontos luminosos dos pixels.

Com a chegada dos televisores com tela de Oled de grandes dimensões, o mundo passará a contar com equipamentos realmente sofisticados a partir deste CES2012. Nessa linha, Panasonic, LG, Samsung e Toshiba foram os fabricantes que mais surpreenderam, em especial como lançamento de televisores de 55 polegadas.

O primeiro impacto é o da qualidade das imagens de alta definição, que parece não ter limites, num show de beleza e nitidez, com as novas imagens de ultra definição. O contraste com o negro é o mais realista possível. Seu Consumo de energia é menor ainda que o das telas de LCD. Esses avanços, em especial a nova qualidade da TV, deverão ser responsáveis por um novo impulso nos sistemas de home theater, criando um verdadeiro cinema em casa, além de aplicações educacionais ou de entretenimento, como alternativa ao cinema digital.

Smart TV. Numa evolução iniciada a partir da TV digital na última década, as novidades se multiplicam com uma rapidez na área de televisores. O melhor exemplo é da Smart TV, em particular no caso da TV conectada, que está cada dia mais completa e sofisticada. Estamos diante da fusão total da TV com a internet. Tudo aí depende da disponibilidade de internet de banda larga.

Mesmo sem abandonar a tecnologia Neo Plasma, a Panasonic lançou no CES 2012 seus primeiros televisores de LCD de grandes dimensões e óculos passivos para a TV tridimensional (3D) - adotando tecnologia semelhante à da LG (Cinema 3D).

Na sua série ET5, a Panasonic está lançando 15 televisores de LCD1080p, sendo 13 deles com iluminação de fundo em LED e sete deles com capacidade para imagens 3D.

Para provar que ainda aposta na tecnologia de plasma, a empresa está lançandoparaoanode2012, mais17modelos, sendo 16 para imagens 3D.

A LG anunciou no CES 2012 dois televisores especiais. Um de 55 polegadas LCoS (sigla de Liquid Crystal over Silicon), com ultra definição (UD) e outro televisor ainda maior, com 85 polegadas, 240 Hz, LED, luz de fundo, com resoluções de 2K e 4K.

Ambos os modelos só deverão estar no mercado no final deste ano.

Aquilo que se esperava da Apple foi lançado primeiro em Las Vegas pela Samsung: um televisor com comando de voz, tecnologia Oled, de 55 polegadas.

O ponto alto dessa interface de voz é o uso do microfone e câmera que permite até o reconhecimento facial.

Recorde. Mesmo com a crise econômica que afeta a maioria dos países desenvolvidos, esta feira de Las Vegas bateu todos os recursos e superou todas as demais, em área total, em número de expositores, em inovações e em número de visitantes até porque este ano, pela primeira vez, incorporou a maior exposição de fotografia dos Estados Unidos, a PMA - sigla de Photo Marketing Association.

O que mais impressiona nos lançamentos na área de fotografia são as câmeras digitais compactas, já apelidadas de pequenas notáveis, porque oferecem recursos realmente avançados, como a filmagem em vídeo de alta definição e o foco automático até para as fotos e filmagens em alta velocidade em ambientes com pouca luminosidade ou na obscuridade total.

Sem futuro - SUELY CALDAS


O Estado de S.Paulo - 15/01/12


No livro A soma e o resto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ensina que "a política não é a arte do possível. É a arte de criar condições para tornar possível o necessário". Com outras palavras o pensador de esquerda Frei Betto me disse um dia algo parecido: "Vou devagar, porque tenho pressa". Empresto as duas sentenças para argumentar que governar um país não é só agir sobre o momento imediato, é preciso preparar o caminho para construir o futuro. Não é desistir ao confrontar obstáculos, é resistir, desviar, reencontrar o rumo e seguir em frente. Pode demorar um pouco mais, mas na vida às vezes é preciso ir devagar para chegar mais rápido.

O ex-presidente Lula chegou em 2003 com muitos planos e gás para concretizá-los. Queria fazer as reformas previdenciária, sindical, trabalhista, tributária e, se possível, a política. Estava disposto a construir o futuro. E foi um fiasco. Das reformas, só a da Previdência andou um pouco, mas, de tão golpeada por tropeços políticos, saiu anêmica. Das outras ele desistiu logo, foi cuidar de desmanchar os estragos do mensalão, recompor alianças eleitorais nos Estados e construir maioria no Congresso. Para que maioria, se ele havia desistido do que era mais difícil, arrancar votos de deputados e senadores? Passou a concentrar a gestão no dia a dia, caprichar na paisagem do momento, garantir crescimento econômico e - o mais importante - vitórias eleitorais. O futuro e as próximas gerações que esperassem.

Nesse período sua ministra da Casa Civil tratou de tocar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cobrando resultados dos demais ministros numa emperrada e lenta estrutura de Estado e em que o vício da corrupção prosperava com a tolerância do então presidente. O PAC era voltado para o crescimento da economia e, em alguns aspectos, para o progresso social (Programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo). Não era um plano capaz de "criar condições para tornar possível o necessário", como disse FHC, e fincar raízes para fazer aflorar um crescimento seguro, estável, contínuo, sem soluços.

Mas o perfil técnico da ministra Dilma Rousseff e sua recusa em coordenar a ação política do governo - que tanto agradava a seu antecessor José Dirceu - indicavam que ela seguiria um caminho diferente de Lula, quando se tornasse presidente. Sua imagem de mulher corajosa e determinada lhe daria força para enfrentar o que fosse preciso para construir um futuro seguro e promissor.

Um ano depois, o governo Dilma não fixou sua marca, lança um programa aqui, outro ali, mas o que toca mesmo é o feijão com arroz do cotidiano. Não foi tolerante com a corrupção, como Lula, mas, insegura no trato com partidos aliados, tateia, vacila, recua, avança e só decide depois que o suspeito sangra em denúncias públicas. Não cuida de criar regras preventivas contra o malfeito. Não desistiu das reformas porque nem sequer cogitou de tocá-las e com isso vai perdendo a batalha do futuro.

Seu ministro da Fazenda não tem estratégia definida para induzir ao crescimento sem ameaçar a inflação e conduz a economia em zigue-zague: ora restringe o crédito, ora libera, ora aumenta impostos, ora reduz, e essa sistemática mudança de regras gera incertezas e acaba por afastar planos de investimentos. O BNDES despeja dinheiro subsidiado em grandes e escolhidas empresas, em prejuízo da maioria que pena por créditos para financiar projetos. O PAC empacou e os investimentos públicos em logística, transportes, portos, saneamento e água tratada são parcos e insuficientes. Foi preciso recorrer à privatização para tocar aeroportos, mas os editais não saem, ameaçando atrasar e as obras não serem concluídas até a Copa.

E a obsessão de crescer em 2012 a qualquer custo, entre 4% e 5%, tem levado a equipe econômica de Dilma a concentrar crânio, tempo e esforços na ação cotidiana, criando o que o jornalista Celso Ming já chamou de puxadinhos do Produto Interno Bruto (PIB) - medidas de efeito imediato para inflar o PIB deste ano, sem nenhuma conexão com estratégias de médio e de longo prazos. Se forem como os puxadinhos dos aeroportos, nem para isso servirão.

Indústria forte, economia forte - JOSUÉ GOMES DA SILVA

FOLHA DE SP - 15/01/12
A economia brasileira deverá crescer mais neste ano do que em 2011, embora a indústria de transformação precise,

corajosamente, seguir lutando contra a crescente ocupação dos importados do mercado nacional.

Não se pode atribuir o problema apenas à crise internacional, que reduziu nossas exportações e aguçou a cobiça externa sobre o nosso mercado interno. A rigor, essa questão conjuntural, soma-se à progressiva perda de nossa competitividade por razões sistêmicas, levando a resultado quase irônico, pois ocorre no exato momento em que a economia brasileira cresce.

Mas, cabe ressaltar, a indústria brasileira não ficou inerte perante as dificuldades. Além de investir no desenvolvimento de novos produtos, na melhoria de seus processos e no treinamento de seus colaboradores, as entidades de classe e os organismos de pensamento estratégico, entre os quais o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), têm feito sucessivos alertas e proposto concretas soluções.

A tônica sempre foi a busca da competitividade, e o protecionismo jamais entendido como instrumento do desenvolvimento industrial.

As propostas sugeridas pela indústria brasileira, baseadas em responsáveis e aprofundados estudos, contemplam: importância da educação, reforma tributária, financiamento de longo prazo,

investimento em infraestrutura, como o Brasil deveria se inserir na economia mundial, políticas de apoio à exportação, taxa de juros e o câmbio fora de lugar, inovação e sustentabilidade, excessiva indexação e crescimento dos gastos correntes.

A indústria soube, além das críticas, apontar adequadas soluções de interesse do

país, formular uma política industrial e de inovação, trabalhar pelo aumento da produtividade da economia para

restaurar a competitividade do setor produtivo e abrir caminho para uma reindustrialização no país.

Talvez, a principal falha do setor encontre-se na incapacidade de fazer as suas teses serem adotadas tempestivamente no contexto das políticas públicas. Pode ser que isso decorra do pouco eco que os meios de comunicação lhe dedicaram no passado.

Felizmente, entretanto, a indústria vem sendo, no mundo e aqui no Brasil, alvo de preocupação e encontrando novas vozes que a valorizam. Nem poderia ser diferente, pois, além de sua conhecida importância econômica e capacidade de gerar empregos de qualidade, é responsável por inovação, tecnologia de ponta e sustentabilidade.

Sem indústria forte e pujante, é difícil construir e manter uma economia sólida, capaz de distribuir melhor a renda e promover o desenvolvimento.

CLAUDIO HUMBERTO

“Sou católico praticante, mas nunca fui secretário”
Deputado Gabriel Chalita (PMDB), candidato a prefeito paulistano, sobre sua religião

LÍDER DO PMDB CRITICA O ‘JOGO SUJO’ DOS PETISTAS

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), criticou o “jogo sujo” de segmentos do PT que citam sua proximidade com o deputado Eduardo Cunha para queimá-lo na disputa pela presidência da Casa. “Respeito todos os companheiros de bancada, nem mais nem menos”, afirmou Alves. E citou um testemunho petista ilustre: “O líder [Cândido] Vaccarezza (SP) sabe da contribuição de Cunha ao governo Dilma”.

QUEM LIDERA

Pelo sim, pelo não, Vaccarezza (PT-SP) tem sido visto em restaurantes de Brasília “despachando” com Eduardo Cunha, líder, de fato, da turma.

QUEM INFLUENCIA

Cunha também despacha com ministros. Ele jantou terça com Moreira Franco (Assuntos Estratégicos) no prestigiado restaurante Lake’s.

PT QUER O CARGO

Henrique Alves tem suas razões. O presidente da Câmara, Marco Maia, disse a jornalistas que sua sucessão “não é questão fechada”.

ACORDO NA MIRA

O PT busca pretexto para rasgar o acordo com o PMDB para Henrique Alves substituir Marco Maia na presidência da Câmara, em 2013.

AFASTADO DEFENSOR QUE PEDIU ANULAÇÃO DO ENEM

O ministro petista Fernando Haddad (Educação) não terá mais problemas com o defensor público federal Ricardo Salviano, que pediu a anulação das provas do Enem 2010 por irregularidades: ele vai tratar agora de “questões trabalhistas”, para reforçar o “escasso” contingente de defensores no Trabalho após o ofício de tutela coletiva e direitos humanos “descumprir metas”, segundo o Defensor Público Geral.

DOMINGO NO PARQUE

Defensores apontam que a mudança de ofício “viola a independência funcional”. Neste domingo (15), sai o resultado definitivo do Enem.

AUSÊNCIA NOTADA

Diante dos últimos acontecimentos políticos, o vice Michel Temer brilhou pela ausência na sabatina do ministro da Integração Nacional.

AMIGO DO HAITI

Há brasileiros infiltrados entre “coiotes” que atravessam haitianos para o Brasil. Um taxista foi preso há três semanas, na fronteira com o Peru.

TITANIC

Está confirmada a teoria da coluna de que só no Brasil o ratos não são os primeiros a abandonar o navio: um roedor mordeu uma servidora do Senado na quarta (11). A Casa foi desratizada na sexta, 13. Dá azar.

PB: ‘DOSSIÊ’ REJEITADO

O presidente do PPS, Roberto Freire, criticou um dossiê de militantes, contra Bernardino da Silva, ex-presidente do partido na Paraíba, acusado de repassar verbas da sigla para familiares. “Não temos política de dossiê. Que o entreguem ao Ministério Público!”.

COMPANHEIRO BRIGA

Lula batalhou para a Caixa introduzir uma varanda em cada unidade do Minha Casa, Minha Vida. “É para o companheiro esfriar a cabeça quando brigar com a mulher”, justificou. Ganhou: Dilma mandou fazer.

MAU EXEMPLO

Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral gravou para o programa do PMDB, que irá ao ar em rede nacional na quinta (19), sobre o quesito segurança pública, que vai de mal a pior em seu Estado.

MELHOR O CONSENSO

Líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE) tenta costurar acordo para sua sucessão na liderança antes da reunião do partido, em 31 de janeiro. Estão no páreo Wellington Dias (PI) e Walter Pinheiro (BA).

QUASE PARANDO...

Após quase deixar a capital sem decoração de Natal, pela primeira vez em sua história, a Administração de Brasília leva 6 meses para liberar alvarás de funcionamento, excluindo centenas de empreendedores do boom da economia. A assessoria alega falta de pessoal: são só 134.

HORAS, ORA

O tal Relógio do Juízo Final, criado por cientistas internacionais, está a cinco minutos da meia-noite, perto do possível desastre nuclear ou ambiental. O Relógio do Men-

salão no Brasil está sem bateria.

EXCUSEZ-MOI

Na quinta (12), a guia da Câmara dos Deputados passou sufoco com um turista francês, intrigado com uma imagem de Jesus. “Na França, o Estado laico não permite”. Ela disse ser presente de freira. “E religiões sem imagens”?. Um brasileiro salvou-a, citando a tal “maioria católica”.

PENSANDO BEM...

...Do mato do Bezerra só sai Coelho. 

PODER SEM PUDOR

SÓ PODIA DAR NISSO

Logo após o golpe de 1964, Darcy Ribeiro, ex-chefe da Casa Civil de João Goulart, encontrou na casa do poeta Pablo Neruda, no Chile, outros brasileiros exilados, entre os quais Fernando Henrique Cardoso, Fernando Gasparian e Celso Furtado. Darcy lembrou um momento grave, quando, durante o governo deposto, teve de assumir atribuições dos ministros da Guerra, da Casa Militar e da Marinha – respectivamente doente, viajando e demissionário. Furtado brincou, arrancando gargalhadas gerais:

– Então é por isso que estamos aqui...

DOMINGO NOS JORNAIS


Globo: Brasil vai facilitar visto de trabalho para estrangeiro
Folha: Navio de cruzeiro afunda em ilha da Itália e mata 3
Estadão: Custo de vida no Brasil já é mais alto que nos EUA
Correio: Quando a educação faz toda a diferença
Zero Hora: RS busca nos EUA solução para seca
- Estado de Minas: Tire o dragão da sua casa