segunda-feira, janeiro 09, 2012

A grande vedete - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 09/01/12


A atriz e escritora Heloisa Perissé, 45, viverá a partir de amanhã Dercy Gonçalves em sua fase adulta na microssérie "Dercy de Verdade" (TV Globo). "O sonho da minha vida era interpretar uma personalidade que já tivesse existido", diz. A baiana radicada no Rio conta que quando fez a peça "TV Sátira - A Sua Televisão Privada" (1995), dirigida pelo ex-sogro, Chico Anysio, a crítica teatral a chamou de "a nova Dercy". "E o Chico só me chamava de Dercyzinha", lembra. Ela, que estará na próxima novela das nove da emissora, espera poder repetir um dia uma frase de Dercy: "Não passei pela vida, eu vivi a vida". "Não tô no mundo a passeio. Ninguém tá. Tudo tem um porquê."

ESTADOS UNIDOS
O governador do Texas, Rick Perry, um dos pré-candidatos do Partido Republicano à Presidência dos EUA, deve visitar SP nos próximos meses, em meio à disputa das primárias. Discutirá com Geraldo Alckmin (PSDB) parcerias entre os dois Estados. Em abril, quem desembarca no Palácio dos Bandeirantes é Sonny Perdue, governador da Georgia.

A CASA É SUA
E a assessoria internacional do Bandeirantes fez levantamento segundo o qual Alckmin, em 2011, superou alguns presidentes em número de recepções a chefes de Estado ou de governo. Foram dez, contra nove de Felipe Calderón, do México, seis de Fredrik Reinfeldt, primeiro-ministro da Suécia, e cinco de Cristina Kirchner, da Argentina.

PAPO FINAL
A ministra Iriny Lopes, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, deve conversar com a presidente Dilma Rousseff nesta semana.

Ela pode deixar o cargo para disputar a Prefeitura de Vitória, no Espírito Santo, pelo PT.

CONVERSA
Um dos nomes que circulam entre movimentos de mulheres para eventualmente substituir Iriny é o de Inês Pandeló, deputada estadual do PT do Rio.

ENSAIO
Carlinhos Brown pretende gravar um "disco de Copa" para o Mundial de 2014. "Estamos com oito músicas prontas. Vamos lançar um ano antes, em 2013, senão ninguém vai saber as músicas quando a Copa chegar."

PINTURA ÍNTIMA
E o músico faz planos ambiciosos para a Limousine Brownz, loja virtual de produtos com sua marca, que foi lançada recentemente. O site oferecerá em breve roupas desenhadas por novos estilistas, mas ele já pensa em oferecer, mais para a frente, peças de "meus amigos [Carlos] Miele, [Alexandre] Herchcovitch, Ronaldo Fraga e Isabela Capeto". Brown, que pinta há quatro anos, também quer vender quadros de sua autoria.

ESTAÇÃO CULTURA
O Centro Cultural São Paulo fará campanha para que seu nome seja incluído ao da estação Vergueiro do metrô, sua vizinha de calçada. Buscará apoio de políticos e fará um abaixo-assinado em prol da proposta.

SALADA DE FRUTA
O ator Robert Downey Jr. pediu frutas orgânicas como figo, banana e kiwi para ter em seu quarto no hotel Fasano, onde ficará hospedado no Rio. O americano, que desembarcaria ontem na cidade em voo privado, vem ao Brasil divulgar o filme "Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras". Integram sua comitiva: assistente, assessor de imprensa, maquiador/cabeleireiro e estilista.

AÇAÍ GUARDIÃ
Djavan grava seu novo disco em um estúdio em sua casa, no Rio de Janeiro. O álbum será lançado no segundo semestre.

O trabalho do cantor está sendo documentado por uma equipe da produtora Samba Filmes, para ser exibido quando o CD sair.

OLHO CÓSMICO
O artista plástico Antonio Peticov entregou o quadro "Cosmic Eye", criado sobre foto de Vania Toledo, para a poetisa Leide Moreira. A obra será capa do próximo livro de Leide, que tem esclerose lateral amiotrófica e se comunica com os olhos.

CURTO-CIRCUITO
O stand-up musical "Caetano Canta Tudo" acontece hoje, às 21h30, no bar Madeleine. 18 anos.

A banda Zabomba lança o disco "Vivendo de Truque" com shows nos dias 13 e 27 no clube Sarajevo. 18 anos.

O salão de negócios de moda Rio-à-Porter começa amanhã e vai até sábado na capital fluminense.

Onze alunos da Trevisan Escola de Negócios participam de hoje até o dia 20 do programa de extensão "Experiência Olímpica", em Barcelona.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

Ministério da Verdade - MARCO ANTONIO VILLA

FOLHA DE SP - 09/01/12

O governo federal organizou um bloco que vai da direita conservadora aos sindicatos, mas a oposição, por temer o enfrentamento, fica reduzida



Estamos vivendo um tempo no qual os donos do poder exigem obediência absoluta.

No Congresso, a oposição representa apenas 17,5% das cadeiras. O governo tem uma maioria digna da Arena. Em 1970, no auge do regime militar, o MDB, partido de oposição, chegou a examinar a proposta de autoextinção. Quatro anos depois, o mesmo MDB venceu a eleição para o Senado em 16 dos 22 Estados existentes (no Maranhão, o MDB nem lançou candidato).

Ou seja, a esmagadora maioria de hoje pode não ser a de amanhã. Mas, para que isso aconteça, é necessário fazer algo básico, conhecido desde a antiga Grécia: política.

É nesse terreno que travo o meu combate. Sei que as condições são adversas, mas isso não significa que eu tenha de aceitar o rolo compressor do poder. Não significa também que eu vá, pior ainda, ficar emparedado pelos adversários que agem como verdadeiros policiais do Ministério da Verdade.

Faço essas ressalvas não para responder aos dois comentários agressivos, gratuitos e sem sentido do jornalista Janio de Freitas, publicados nesta Folha nos textos "Nada mais que o Impossível" (1º de janeiro) e "Meia Novidade" (3 de janeiro). Não tenho qualquer divergência ou convergência com o jornalista. Daí a minha estranheza pelos ataques perpetrados sem nenhuma razão (aparente, ao menos).

A minha questão é com a forma como o governo federal montou uma política de poder para asfixiar os opositores. Ela é muito mais eficiente que as suas homólogas na Venezuela, no Equador ou, agora, na Argentina.

Primeiro, o governo organizou um bloco que vai da direita mais conservadora aos apoiadores do MST. Dessa forma, aprova tudo o que quiser, com um custo político baixo. Garantindo uma maioria avassaladora no Congresso, teve as mãos livres para, no campo da economia, distribuir benesses ao grande capital e concessões aos setores corporativos. Calou também os movimentos sociais e sindicatos com generosas dotações orçamentárias, sem qualquer controle público.

Mas tudo isso não basta. É necessário controlar a imprensa, único espaço onde o governo ainda encontra alguma forma de discordância. No primeiro governo Lula, especialmente em 2005, com a crise do mensalão, a imprensa teve um importante papel ao revelar as falcatruas -e foram muitas.

No Brasil, os meios de comunicação têm uma importância muito maior do que em outras democracias ocidentais. Isso porque a nossa sociedade civil é extremamente frágil. A imprensa acaba assumindo um papel de enorme relevância.

Calar essa voz é fechar o único meio que a sociedade encontra para manifestar a sua insatisfação, mesmo que ela seja inorgânica, com os poderosos.

Já em 2006, quando constatou que poderia vencer a eleição, Lula passou a atacar a imprensa. E ganhou aliados rapidamente. Eram desde os jornalistas fracassados até os políticos corruptos -que apoiavam o governo e odiavam a imprensa, que tinha denunciado suas ações "pouco republicanas".

Esse bloco deseja o poder absoluto. Daí a tentativa de eliminar os adversários, de triturar reputações, de ameaçar os opositores com a máquina estatal.

É um processo com tinturas fascistas, que deixaria ruborizado Benito Mussolini, graças à eficiência repressiva, sem que se necessite de esquadrões para atacar sedes de partidos ou sindicatos. Nem é preciso impor uma ditadura: o sufrágio universal (sem política) deverá permitir a reprodução, por muitos anos, dessa forma de domínio.

Os eventuais conflitos políticos são banais. Por temer o enfrentamento, a oposição no Brasil tenderá a ficar ainda mais reduzida e restrita às questões municipais e, no máximo, estaduais.

Falta para enchentes, sobra para política - PAULO GUEDES


O GLOBO - 09/01/12


O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, é acusado de ter privilegiado o estado de Pernambuco na distribuição de suas verbas orçamentárias. A prioridade no uso de recursos públicos não teria sido o alívio aos desabrigados pelas enchentes, mas sim o atendimento de seus próprios interesses, partidários e regionais. Verbas públicas para fazer política. Aliás, com eleições a cada dois anos, haja dinheiro para se fazer política. E esse dinheiro que sobra lá em cima é o dinheiro que falta aqui embaixo, pois, como diria Milton Nascimento, "o dinheiro tem de ir aonde o povo está".
A verdade é que, mais de um quarto de século após a redemocratização, persistem ainda enormes vícios herdados do antigo regime militar. Desperdiçamos uma crise colossal com direito a hiperinflação, moratória externa e sequestro de poupança interna, sem ousar um ataque frontal à hipertrofia do aparelho de Estado. A concentração de poder político e de recursos públicos no governo federal contrasta com a necessidade de descentralização administrativa e a diástole representativa dos sistemas políticos abertos. Essa concentração é a principal causa da degeneração de nossas práticas políticas.
Mesmo governantes eleitos que se dizem "progressistas" têm resistido à descentralização de recursos para o melhor atendimento das pressões sociais por gastos públicos inerentes a uma democracia emergente. Para aumentar sua arrecadação e sua influência política, o governo federal recorre com frequência a contribuições não compartilhadas com estados e municípios. Recusa-se também a reduzir a participação da União nos projetos sob exame para a redistribuição dos royalties do petróleo. Mas não se acanha em enfiar a mão no bolso de estados e municípios cada vez que estimula o consumo com reduções do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Prefeitos, governadores e suas bancadas exercem pressões legítimas pela descentralização administrativa da ação social do Estado. Esse princípio exigiria a descentralização de recursos e atribuições para estados e municípios, ampliando a interlocução política da presidente. Daria também legitimidade à necessária reforma administrativa no governo federal, permitindo combater a corrupção e a ineficiência com os gastos públicos. Com quase 40 ministérios, vai continuar sobrando dinheiro para a política e faltando para as enchentes.

JAPA GOSTOSA


Volta ao mar - RUBENS RICUPERO

FOLHA DE SP - 09/01/12

É significativo que não se tenha tocado nos porta-aviões, núcleo da superioridade americana


O corte no orçamento militar anunciado por Obama é mais expressão de reajuste nas prioridades estratégicas do que prova adicional da decadência do poder americano.
Depois de dez anos de desvio ocasionado pelos atentados de setembro de 2001, o esforço principal volta a apontar para o verdadeiro rival estratégico, a China.
Um século atrás, as guerras balcânicas antecipavam a Primeira Guerra Mundial, início do declínio da hegemonia europeia e de sua substituição pela dos EUA.
Sete anos antes, o barão do Rio Branco já adivinhara o deslocamento do eixo do poder de Londres para Washington, criando na capital americana a primeira de nossas embaixadas e para ela nomeando Joaquim Nabuco.
O século 20 seria dominado por guerras no coração da Europa, mobilizando gigantescos exércitos terrestres de milhões de combatentes.
O deslocamento do eixo econômico e político para a Ásia altera a natureza dos desafios estratégicos, que passam a ser marítimos.
O desengajamento do Iraque e do Afeganistão, juntamente com a transferência da prioridade do Oriente Médio para a Ásia do Leste, significam que o exército suportará o peso primordial dos cortes.
É significativo que não se tenha tocado nos porta-aviões que constituem o núcleo da indiscutível superioridade americana.
A meta dessa "segunda Guerra Fria" não é provocar um conflito armado com a China, e sim organizar sua contenção dentro de um cordão sanitário formado pelos aliados declarados ou tácitos dos EUA.
Partindo ao norte do Japão e da Coreia do Sul, a barreira de contenção prossegue por Taiwan, Cingapura, Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã (que teve curta guerra contra a China em 1979), Filipinas, Índia, Austrália e Nova Zelândia.
Trata-se de formidável arco de penínsulas, ilhas, arquipélagos, países que, na maioria, disputam com a China a soberania sobre ilhas e zonas marinhas de exploração petrolífera. Nessa, área estão os maiores portos do mundo, as grandes frotas mercantes de contêineres, uma economia costeira e um comércio em grande parte marítimo.
Pelo estreito de Málaca, que domina a entrada do mar do Sul da China, passa seis vezes mais petróleo que por Suez e 17 vezes mais que pelo canal do Panamá. Oitenta por cento das importações chinesas de petróleo trafegam por essa rota.
O interesse comum que une americanos e aliados é impedir que a China faça desse mar um lago interior, como os EUA fizeram com o Caribe no século 19. Para tanto, a Marinha em sentido lato, abrangendo a Força Aérea, é arma decisiva.
Desse ponto de vista, a superioridade americana é esmagadora. Sua Marinha desloca quase 2,9 milhões de toneladas ante pouco mais de 3 milhões do resto do mundo, inclusive as 280 mil toneladas da China!
Afonso de Albuquerque, o "Albuquerque terríbil" de Camões, já havia concebido plano para controlar o comércio asiático de especiarias mediante a dominação de quatro pontos cruciais: Goa, Málaca, Hormuz (entrada do golfo Pérsico) e Áden, no mar Vermelho. Chegou perto, fracassando apenas na última.
Meio milênio depois, mudam as armas e os países. A estratégia, porém, até que não mudou tanto.

Francesca - LUIZ FELIPE PONDÉ

FOLHA DE SP - 09/01/12


Lia eu o livro do marxista Terry Eagleton, "O Debate sobre Deus" (ed. Nova Fronteira, 232 págs., R$ 39,90), recém-publicado entre nós, quando topei com sua crítica ao cineasta Clint Eastwood.
Eagleton é um bom pensador, mas ninguém é perfeito. Seu livro é muito bom e merece ser lido, mas o que ele diz sobre Eastwood é uma grande bobagem.
Bobagem, aliás, comumente repetida por gente de bem, mas contaminada pelo que há de pior nos maus hábitos da esquerda: falar mal de algo que não conhece.
Eastwood não é um cineasta machão (como supõem Eagleton e quase toda a esquerda, que nada entende de ser humano, porque pensa o tempo todo na bobagem de luta de classes e oprimido x opressor). Pelo contrário, talvez ele seja um dos artistas que melhor entendem o desespero humano (masculino ou feminino), assim como suas virtudes mais sagradas, como a coragem, o autossacrifício e a generosidade.
Recentemente, revi seu maravilhoso filme "As Pontes de Madison" (1995), um longa feito para as mulheres, como muitos dizem.
Provavelmente ele pegou muita mulher por conta desse filme. Mulheres comumente não resistem a homens que parecem entendê-las. Uma das coisas mais lindas na mulher é a sua capacidade de erotizar o intelecto masculino.
Concordo que "As Pontes de Madison" seja um filme sobre o desejo feminino atado à rotina esmagadora de um casamento sem amor, mas nem tanto. Ele vai muito além de um drama especificamente feminino.
Sua personagem feminina principal, Francesca, vivida por Meryl Streep, não representa apenas as mulheres entediadas de casamentos conservadores (apesar de que sim, também as representa), mas sim todos os homens e mulheres que abrem mão de suas vidas afetivas em nome da família sem reclamar.
Se é verdade que Gustave Flaubert (1821-80), autor do clássico "Madame Bovary" (1857), disse um dia a famosa frase "Emma Bovary sou eu" (referindo-se à personagem principal de seu romance como representante universal da infelicidade humana), acho que muitos homens poderiam dizer, parafraseando esse grande romancista francês do século 19, "Francesca sou eu".
É um erro comum pensarmos que as angústias femininas não são universais. Tal erro é comum principalmente nas feministas, que, na realidade, não entendem nada de mulher nem de homem. Essa tendência a achar que os fantasmas femininos são "coisa de mulher", assim como menstruação e menopausa, é comum mesmo em gente capaz.
Vejamos. No filme em questão, ao final, Francesca (casada e mãe de dois filhos) abre mão de ir embora com Kinkaid, fotógrafo da "National Geographic", vivido pelo próprio Eastwood, e que se tornará seu amante por alguns dias, mas de quem ela jamais se esquecerá (nem ele se esquecerá dela).
No marasmo de uma vida interiorana americana, Francesca vive por poucos dias o pecado do adultério. Não se faz de vítima, mas sabe que peca. Peço aos inteligentinhos que nada entendem do conceito de pecado que vão brincar no parque.
O adultério é um pecado, principalmente quando há amor envolvido; talvez, somente quando há amor envolvido. E pecado aqui significa a consciência de que você não é dono de si mesmo. Suas reações, pensamentos e esquemas rotineiros de enfrentamento da vida entram em colapso. E dói.
E mais: é pecado porque o adultério faz você ver que existe alguém dentro de você que é despertado do sono por outra pessoa que não aquela que divide honestamente e cotidianamente o dia a dia da sua vida.
Aquela pessoa que envelhece com você ao longo de uma vida de "pequenos detalhes" (como diz nossa heroína Francesca) que, ao serem somados, representam uma parceria de confiança, retribuição e generosidade. A grandeza da pecadora Francesca só pode ser medida contra seu sacrifício em nome dos filhos e do fiel e dedicado marido.
A alma de um pecador é a sua consciência de que faz algo contra alguém que não merece. A pior tragédia do adultério se dá quando o traído é inocente.
Ao contrário do que muitas mulheres casadas pensam, muitos homens sacrificam suas vidas afetivas em nome delas e dos filhos, em silêncio. A virtude é sempre discreta.

Chapa fria - MELCHIADES FILHO


FOLHA DE SP - 09/01/12


Mesmo ocupando no governo Dilma mais espaços do que na era Lula, o PT tem dificuldades para converter a dominância no plano federal em resultado semelhante nas eleições municipais.

O partido larga o ano em posição pouco confortável nas 26 capitais.

Não detém favoritismo absoluto nem nas sete que administra hoje.

A falta de nomes fortes é uma das razões.

A mobilização dos aliados é outra. Eles sabem que as prefeituras são vitais para eleger deputados e se manter no jogo em Brasília.
Por isso o PMDB prepara candidaturas próprias em 22 capitais -os confrontos diretos com o PT devem dobrar em relação a 2008. Por isso também o PSD, embora louco para aderir, ficará no campo oposto ao do PT em boa parte dessas cidades.

A preocupação em preservar a coalizão de Dilma freia o ímpeto dos petistas. Em Curitiba, podem selar apoio a Gustavo Fruet (PDT); em Vitória, a Paulo Hartung (PMDB).

Em Porto Alegre, apesar de terem lançado candidato, sofrem pressão para recuar e endossar José Fortunati (PDT) ou Manuela D"Ávila (PC do B).

No Rio, já decidiram ceder ao PMDB: pela primeira vez não terão cabeça de chapa à prefeitura.

Em prol do PSB, que perigosamente namora os tucanos, o PT cogita não só ceder a vez novamente em Belo Horizonte, mas também intervir nos diretórios de Recife e Fortaleza para indicar nomes mais palatáveis.

Para piorar, os voos solo da legenda -Nelson Pelegrino (Salvador), Fátima Cleide (Porto Velho) e até Fernando Haddad (São Paulo)- por enquanto não empolgam.

Em muitas dessas praças, a arrancada é possível, senão provável.

O empenho de Lula, a caneta de Dilma e o know-how petista em campanhas farão diferença em outubro.

Mas haverá outro "fator X", este adverso: o julgamento do mensalão ameaça pegar embalo justamente na reta final da eleição, drenando energias do comando do PT.

A droga da preguiça - VINICIUS MOTA


FOLHA DE SP - 09/01/12

SÃO PAULO - O crack é somente um sintoma da exclusão social, e não adianta tratar o efeito sem antes atacar a causa. A "criminalização" e a repressão são inúteis no combate às drogas.

Felizmente, a sociedade brasileira passou a desconfiar dessas sentenças derrotistas. Cobra de autoridades, de especialistas e da imprensa modos de ação e raciocínio que possam equacionar questões prementes e circunscritas.

Tática contumaz do especialista preguiçoso é fazer-nos supor que todo problema é muito mais amplo do que parece. Depois, faz firula até mostrar que não há solução -quando não deixa implícito que a solução requer uma nova ordem social ou um novo partido no poder.

A internação involuntária de viciados não dá certo, dizem alguns desses doutores. Pesquisas mostram que o tratamento tem mais chance de sucesso com a adesão do paciente.

Mas o expediente é efetivo em situações corriqueiras na cracolândia, em que a pessoa perdeu o senso da realidade. É mais humano levá-la à força e correr o risco de o tratamento falhar do que deixá-la definhar.

Outra crítica macunaímica ("ai, que preguiça!") diz que, se a PM reprimir o tráfico na cracolândia, usuários e fornecedores migrarão para outras regiões. Note o leitor que o raciocínio vale para todo tipo de crime. Reprimiu-se aqui, ele pode mudar-se para lá.

E o que a polícia faz diante disso? Cruza os braços -como tem feito na cracolândia há 20 anos? Deixa correr solto o fornecimento da droga que flagela, mata e produz cenas de desastre humanitário africano no centro da capital paulista?

Não é preciso acabar com a exclusão social nem ter solução nacional para o crack a fim de melhorar bastante a situação calamitosa, mas específica, da cracolândia em São Paulo. O passo inicial é ajustar o foco e recusar a droga da preguiça, oferecida em qualquer esquina.

Arrancada - MARCIA PELTIER

JORNAL DO COMMÉRCIO - 09/01/12
Executivos das maiores empresas automobilísticas do mundo acreditam que os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) detenham, em 2016, mais de 40% de participação no mercado mundial de veículos. É o que revela a pesquisa Global Automotive Executive Survey 2012, da KPMG International. O Brasil chegará em 2016 disputando com a Índia a terceira posição, e a China estará na liderança do ranking. Atualmente, o Brasil ocupa a quinta posição entre os grandes mercados para os veículos. Foram ouvidos 200 dirigentes em várias partes do mundo.

Agressões continuam

As ações de violência contra a mulher foram as que predominaram nos plantões do Tribunal de Justiça do Rio no final do ano. De um total de 1.704 processos que deram entrada durante os dias do recesso, 503 são dessa natureza. No mesmo período, em 2010, de um total de 1.715 processos, 618 foram de crimes contra o gênero feminino. Ou seja, os números diminuíram, mas a mulher ainda é a grande vítima.

Verão precavido 

O grupo calçadista gaúcho Grendene escolheu o Rio para promover suas festas de verão. Batizado de Rider Weekends, o evento acontecerá de sexta a domingo no Jockey Club, do dia 20 de janeiro a 5 de fevereiro. No repertório, música brasileira e samba dos blocos de carnaval mais tradicionais. Para completar o clima de férias, haverá um lounge com espreguiçadeiras. Todas as pistas serão cobertas, já levando em conta as noites de chuva que o fenômeno La Niña pode provocar.

Programação 
Os atores Caio Blat e Maria Flor começaram a gravar a comédia familiar Espertices e Valenturas, baseado na obra Corpo Fechado, de João Guimarães Rosa. O longa-metragem é uma aposta da Globo Filmes e da Diler & Associados, que também investirá em novos seriados para a TV. Depois do carnaval, entra em produção o programa Nossos Heróis Olímpicos, que contará a trajetória, drama e vitórias dos maiores campeões do Brasil. No elenco, já estão confirmados o iatista Torben Grael e o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima.

Público ávido 
A cantora Adele está de olho nos fãs brasileiros. Recentemente seus produtores disponibilizaram duas canções no iTunes Brasil e já planejam liberar outras faixas devido ao bom resultado. Uma nova remessa de seus CDs e DVDs, esgotados nas lojas daqui há meses, também deve desembarcar nas próximas semanas. A Editora LeYa vai lançar até o fim deste mês a biografia da jovem inglesinha.

A granel 

A abertura de uma filial, em dezembro, na área nobre da Barra, com investimento de R$ 1,8 milhão, animou os proprietários da octogenária Casas Pedro. Felipe Mussalem, um dos sócios, afirma que a ideia é expandir a rede para toda a cidade e também para a Baixada Fluminense. A nova loja foi responsável por um aumento de 18% no faturamento da rede.

À risca 

O 12ª Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida, em outubro de 2012, trará ao Brasil Michael O'Donnell, editor do American Journal of Health Promotion, o primeiro jornal científico dedicado ao assunto. Fundada em 1986, a publicação tem assinantes em mais de 50 países. Vegetariano há mais de 30 anos, O’Donnell é também nadador e alpinista. Vai falar sobre como as empresas podem manter e gerir programas de promoção de saúde e bem-estar no ambiente corporativo.

Até lá 

Os postos diplomáticos britânicos no Brasil começam, hoje, a marcar a contagem regressiva dos 200 dias para os Jogos Olímpicos de Londres, que começam dia 27 de julho. Em Brasília, o embaixador Alan Charlton vai anunciar grandes eventos de lançamento da campanha mundial Great, com a vinda para o país de personalidades britânicas de destaque. O objetivo é mostrar o que o Reino Unido tem de melhor em dez áreas: música, esporte, criatividade, paisagens, herança, empreendedorismo, compras, inovação, sustentabilidade e conhecimento. Além das Olimpíadas, o país festeja o Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth II.

Destinos 

O ex-ministro Carlos Lupi reassume hoje, em reunião da Executiva do PDT no Rio, a presidência do partido. Ele irá se candidatar a vereador pelo Rio nas próximas eleições. O PDT, aliás, não terá candidato a prefeito: vai apoiar Eduardo Paes na sua campanha para reeleição. O prefeito pedetista Jorge Roberto Silveira, de Niterói, também tentará a recondução ao cargo.

Livre Acesso

Patrícia Viera, que abre, hoje, o Senac Rio Fashion Business com desfile à tarde na cobertura da Vieira Souto de Vera Andrade, irá oferecer um mimo às suas poucas convidadas. O make-up artist internacional da Guerlain, Cristian Testori, irá maquiá-las com os produtos que serão os must have da próxima temporada. “O look é levemente dourado nos olhos e, no rosto, um bronzeado chique e uniforme,” conta o expert. Registrando tudo estarão por lá as blogueiras Carol Buffara (Carol Nag Nag), Carla Lemos (Modices), Fernanda Palhares e Lola Kessler (Pop In), Dandynha Barbosa (For Friends), Lala Noleto (Blog da Lala), Helo Gomes (Sanduíche de Algodão) e Camila Coutinho (Garotas Estúpidas).

O chef Gabriel Montero, da vinícola Torres, do Chile, estará no Rio na quinta-feira para lançar o menu harmonizado de frutos do mar e vinhos brancos e rosés que o restaurante Garden começa a servir na véspera e manterá até o dia 12 de fevereiro, no almoço e jantar.

A Estácio acaba de fechar uma parceria com o Centro de Treinamento Berkeley, instituição que oferece os mais avançados simuladores na área da medicina. A universidade se tornará a primeira no país a investir no conceito de simulação realística para seus alunos.

A pedido da Defesa Civil Nacional, o Ministério do Desenvolvimento Social doou seis mil cestas de alimentos para atender famílias afetadas pelas enchentes no Estado do Rio de Janeiro.

O atelier Marcella Maia, localizado no Palm Beach, na Dias Ferreira, acaba de completar um ano. A marca trabalha com as linhas casual, beach wear, chic e specialle e lançou para esse verão mais de 15 modelos de biquínis exclusivos. Com o aumento das vendas, a estilista Marcella Maia pretende dar um novo passo: levar o atelier para um shopping até o meio do ano. 

A Casa Cavé, doceria mais antiga da cidade, bateu recorde de vendas do seu delicioso Bolo de Reis. O aumento foi de 200%.

GOSTOSA


Ano imprevisível? - GEORGE VIDOR


O Globo - 09/01/12


O ano de 2011 contrariou as expectativas em relação ao desempenho das exportações. Ninguém previu um saldo de quase US$30 bilhões na balança comercial. As projeções para o comércio exterior em 2012 também andam desencontradas, variando de um superávit de US$20 bilhões a um minguado saldo de US$3 bilhões, sem que se descarte até mesmo a possibilidade de déficit.

A razão desse desencontro é o comportamento do mercado de matérias-primas e outros produtos básicos. Em 2011, a maioria das cotações das chamadas commodities atingiu patamares recordes. O agravamento da crise na Europa fez com que a Ásia tirasse o pé do acelerador e os preços recuaram, com exceção do petróleo. Mas ainda assim encontram-se em níveis jamais sonhados por agricultores, pecuaristas, industriais do agronegócio e mineradores.

Por causa dos acontecimentos de 2011, as previsões sobre o que poderá ocorrer na Europa em 2012 são sombrias. No entanto, a recuperação na Alemanha e na Grã-Bretanha começa a surpreender. Ambas já podem estar sentindo algum efeito positivo do sopro de vida nos Estados Unidos.

A economia britânica é altamente dependente dos EUA. Como está fora do euro, o centro financeiro de Londres sentiu menos a crise europeia que seus congêneres no Velho Continente. A Alemanha, por sua vez, parece estar se recuperando da concorrência dos asiáticos na produção de máquinas e equipamentos.

O comportamento das commodities será fundamental para a trajetória de economias emergentes em 2012, o que tem alimentado uma certa visão pessimista em relação ao que poderá acontecer no Brasil este ano. Mas há no horizonte fatores positivos também. Talvez seja uma precipitação sentir, desde já, saudades de 2011.

O pré-sal começa a transformar uma região do município do Rio, no fundo da Baía de Guanabara, por onde passa a Linha Vermelha, quase na confluência com a BR-040 (rodovia Washington Luiz) e a Avenida Brasil. A Petrobras arrendou parte dessa área para servir de armazenagem a equipamentos que serão utilizados tanto na exploração como na produção dos campos de petróleo. Nas áreas ao ar livre, poderão ser armazenados vários tipos de tubos, por exemplo.

Esses equipamentos deverão ser embarcados em navios de apoio no Porto do Rio, onde em determinado trecho o cais avançará cinco metros para ficar com o calado necessário à atracação das embarcações. Em cinco anos, o Porto do Rio poderá receber, simultaneamente, 12 navios de apoio. Para se ter ideia do que isso representa, em Macaé o terminal marítimo permite a atracação simultânea de seis navios de apoio.

Todo o acesso ao Porto do Rio está sendo repensado para que caminhões (em 2015 poderão ser 320 por dia só para atendimento das empresas de petróleo) transitem por ali com facilidade, prevendo-se até mesmo a construção de um pequeno túnel que evite o cruzamento dos veículos pelas atuais vias que o circundam.

Enquanto os novos acessos por terra não se concretizam, os equipamentos deverão sair da área de armazenagem arrendada pela Petrobras, embarcarão em um atracadouro no Rio Irajá e seguirão por chatas e barcaças pela Baía de Guanabara até o porto. O Irajá, hoje assoreado, o que contribui para inundações em áreas vizinhas na época de chuvas fortes, precisará de alguma dragagem.

Como o movimento de caminhões tende a crescer na Região Metropolitana do Rio, várias soluções estão em fase adiantada de estudos. Uma delas prevê a criação de um centro de redistribuição de cargas rodoviárias no quilômetro zero da Via Dutra, em local hoje ocupado em parte pelo Dnit e que em breve abrigará também um parque olímpico. Nesse centro de redistribuição, as cargas poderão ser transferidas de caminhões grandes para pequenos e vice-versa, racionalizando-se os fretes entre Rio e São Paulo (não são poucos os casos em que os veículos retornam a seus destinos quase vazios). Uma segunda rodoviária da cidade também seria vizinha a esse centro, assim como uma variante da linha 2 do metrô, partindo da atual estação de Colégio.

Nos próximos dias serão cravadas as primeiras estacas de uma ponte de concreto que acompanhará uma das margens do canal das Flexas, na Barra do Furado, entre os municípios de Quissamã e Campos, no Norte Fluminense. Sob essa ponte ficará parte de um sistema, concebido na Austrália, que reproduz um movimento similar ao que a natureza faria sem a existência do canal. Esse movimento promove uma espécie de dragagem natural e nesse caso o canal não corre risco de assoreamento. É o que falta para lá se instalarem empresas de apoio marítimo a plataformas de petróleo e estaleiros de reparo naval, que atenderão, principalmente, embarcações que navegam pela Bacia de Campos (e que, hoje, para serem reparadas, precisam se deslocar até a Baía de Guanabara).

O professor Carlos Alberto Cosenza, de quem tive a honra de ser aluno em breve curso de extensão na UFRJ no fim dos anos 70, aproveita a mensagem de Ano Novo para fazer algumas observações sobre o uso inadequado da renda média por habitante em economias de países continentais, como os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Ele considera mais útil, para efeito de análise, o uso da renda média por faixa orçamentária. No caso das classes A e B no Brasil, por exemplo, a renda média pode se equiparar a de muitos países europeus. O tamanho do país faz com que a economia brasileira tenha vários pólos de desenvolvimento em contraste com muitas regiões deprimidas.

As observações do professor foram motivadas por discussões que ocorreram a partir da previsão que a economia brasileira teria ultrapassado a da Grã-Bretanha no ranking mundial, ocupando o sexto lugar, embora a renda per capita aqui fique muito abaixo da britânica.

Segundo ele, se a média fosse um bom indicador, o clima no deserto do Saara apareceria como agradável, embora a temperatura possa variar de zero grau à noite para 50 graus durante o dia.

Trincheira estatista - MARIO CESAR FLORES


O ESTADÃO - 09/01/12
A presença impregnante do Estado induz nos que vivem ou atuam em Brasília o sentimento de relevância coerente com o intervencionismo do Estado nacional na vida do País, por sua vez, coerente com a concentração (70%) da receita tributária na União - o que explica ser a capital federal o paraíso de consultorias a serviço de interesses diversos (lícitos ou não tanto) e a meca do lobismo privado e público - este praticado por políticos e servidores estaduais e municipais compelidos à deprimente via-sacra brasiliense, caminho do cofre federal. A boa rede hoteleira da cidade reflete essa situação: o lobismo explica-a mais que o turismo, pequeno em Brasília.

A par do sentimento de relevância, crescem nos que vivem ou atuam em Brasília manifestações típicas da tradicional cultura brasileira estatista e patrimonialista-clientelista. À época do Rio de Janeiro, essas manifestações eram atenuadas pela diversidade socioeconômica, de entretenimento e cultural da velha capital, frágil em Brasília. Nos anos de consolidação da cidade (1960-1970) elas viveram, então justificadamente, o impulso do tsunami de vantagens conferidas aos transferidos para a nova capital (gratificações, transporte casa-trabalho, a pletora de carros oficiais, residências de padrão acima das usadas no Rio de Janeiro, excelentes clubes corporativos do sistema público, boa assistência à saúde, escolas de qualidade...), cujos resíduos culturais resistem até hoje. Impulso renovado em 1990 pela venda das residências funcionais aos servidores, sob condições favorecidas. Embora com aspectos lógicos e positivos, em última análise uma privatização privilegiada, compatível com o ânimo patrimonialista do brasileiro em geral e, é claro, do servidor público em particular.

Apesar de existir em Brasília extensa periferia favelada e marginalizada - conforme censo do IBGE de 2010, é do Distrito Federal (DF) a segunda maior favela do País -, decorrente da migração sobretudo do Nordeste, estimulada com vista à formação de vassalagem eleitoral, em 2010 o DF ocupava o primeiro lugar no ranking brasileiro do income médio per capita, duas vezes e meia o nacional, quase o dobro de São Paulo. E isso só pode ter uma explicação: o Estado - já que não existem no DF empreendimentos autenticamente econômicos que justificassem aquele ranking. Trata-se, no fundo, de income médio decorrente do income da parte da população cujos proventos (negócios públicos, remuneração pública, comércio e serviços de que o setor público e seus apêndices são os grandes clientes) têm como fonte primária o cofre do Estado.

Contrariando a sua ideia original, o quadro de Brasília - segmentos satisfeitos, outros marginalizados - confere à cidade nuanças um tanto similares às de muitas capitais do Terceiro Mundo, onde a parte influente da sociedade local - em realce, o serviço público de regimes geralmente incisivos na vida nacional - é objeto de atenções nem sempre de inequívoca ética social, mas sempre entendidas como naturais e legais. Por vezes legais mesmo, porque amparadas em leis abertas a interpretações que atendem à cultura do estatismo vicioso, de longa tradição no Brasil. É compreensível, portanto, que Brasília seja atraente para os servidores públicos.

Esse clima indulgente se estende a práticas da área pública de qualidade, no mínimo, discutível. Práticas que passam pelo Executivo, com suas diárias, seus cartões corporativos e gastos confidenciais, seu imenso quadro de cargos comissionados, cujos postulantes apadrinhados são supostamente habilitados para quaisquer atividades; pelo Legislativo, com seus milhares de funcionários bem remunerados, seus gabinetes cevados no clientelismo, suas verbas indenizatórias e de gabinete, seu regime de trabalho anual e semanal, suas passagens aéreas para "ouvir as bases" (eram elas tão frequentes como hoje, ao tempo da capital no então aprazível Rio de Janeiro...?); pelo Judiciário, com suas instalações suntuosas, seus níveis de remuneração dissonantes da realidade nacional, sua lentidão, seu corporativismo, hoje em instigante conflito interno, suas férias e seus recessos diferentes dos do povo e do serviço público em geral; e pelo poder público do DF, que viveu em 2009-2010 triste espetáculo protagonizado por político eleito governador após ter renunciado ao mandato de senador para evitar ser cassado.

Na moldura da tolerância metastaseada viceja o mercado das transações nem sempre virtuosas, no qual se insere a corrupção. No mundo e em qualquer época sempre proporcional à presença interferente do Estado na vida nacional, a corrupção está sendo epidêmica no Brasil, onde a ação do Estado se estende do atacado ao varejo, das grandes obras públicas, dos benefícios e do protecionismo ao simples carimbo burocrático. E é evidenciada em Brasília por força da concentração da receita tributária nacional na União. Evidência apoiada também na imprecisão, já tendente a parâmetro cultural, sobre o certo e o errado: não é fácil definir limites entre o certo e o errado e tende a aumentar a leniência com esses limites quando se convive no cotidiano com um abrangente caldo de cultura matizado por ética questionável, se não por escândalos que, mesmo quando sensacionalizados pela mídia, logo são esquecidos e assimilados no clima complacente que permeia o poder público lato sensu e está disseminado no povo, por vezes ao amparo de flexível combinação imoral/legal.

Nossa cultura clientelista e de usufruto patrimonialista do Estado vem de longa data colonial, nada do comentado neste artigo nasceu do zero em Brasília. Mas tudo foi nela ao menos um pouco inflado. Não deve causar perplexidade, portanto, que Brasília, uma ideia realmente sadia aventada ainda no Império, se tenha transformado em trincheira da resistência de nossa psicologia patrimonial-clientelista e estatista, que, presente em todo o País, é exuberante nela.

Genes politizados - JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO


ESTADÃO - 09/01/12

E se a opção ideológica de cada um não for fruto apenas do livre arbítrio, mas uma tendência impressa em nossos genes? E se estivéssemos biologicamente programados a sermos conservadores ou liberais? A questão soa absurda e pode ser revoltante para os mais engajados, mas contém uma dose de fundamentação científica. Ao menos é o que sugere um estudo a ser publicado na próxima edição da centenária revista inglesa Philosophical Transactions of the Royal Society B.

Um grupo de biólogos, psicólogos e cientistas políticos norte-americanos submeteu suas cobaias humanas a uma bateria de testes para achar respostas a tais perguntas. Basicamente, os pesquisadores lhes mostraram uma combinação de cenas agradáveis e desagradáveis e mediram suas reações emocionais e cognitivas. Para isso, usaram múltiplos sensores, capazes de captar mudanças na atividade cerebral e até rastrear o mais sutil movimento dos olhos das pessoas pesquisadas.

O que eles descobriram é que as pessoas politicamente conservadoras reagiram com mais intensidade às imagens desagradáveis: seu olhar era mais fixo e demorado em fotos de feridas abertas ou de um banheiro sujo. Os politicamente liberais, ao contrário, dedicaram muito mais atenção e tempo às cenas aprazíveis, como gente brincando na praia.

“Literalmente, conservadores e liberais não enxergam as coisas da mesma maneira”, resume o principal autor da pesquisa, Mike Dodd, professor de psicologia da Universidade de Nebraska-Lincoln. E isso tem impacto, no mínimo parcial, sobre as inclinações político-partidárias de cada grupo -afirma um dos co-autores do estudo, o cientista político Kevin Smith.

Liberais e conservadores foram expostos a imagens de políticos dos partidos Democrata e Republicano, dos EUA. Consistentemente com a hipótese de que os conservadores reagem principalmente a estímulos negativos, eles tiveram uma reação fisiológica mais forte às fotos de conhecidos políticos democratas -supostamente seus adversários políticos- do que às dos rivais republicanos.

Previsivelmente, os integrantes do grupo liberal mostraram sinais fisiológicos mais intensos em resposta às imagens dos líderes democratas que -também supostamente- defendem pontos-de-vista semelhantes aos seus. Essa reação está de acordo com a observação de que os liberais reagem mais a estímulos positivos, ao contrário dos conservadores.

A conclusão seria que as pessoas com natureza conservadora são mais sensíveis aos problemas e tendem a confrontá-los com maior intensidade do que os naturalmente liberais. Na vida real, isso se traduziria em apoio a políticas que pretendem proteger a sociedade do que os conservadores percebem como ameaças, internas e externas. Daí defenderam intervenções policiais e militares mais duras, ou apoiarem restrições a imigrantes -enquanto os liberais advogam exatamente o oposto.

Se os autores estiverem corretos, a polarização política não seria consequência (apenas) da desinformação ou da má intenção, como os adversários partidários costumam se acusar uns aos outros. Ela seria um mecanismo biológico, desenvolvido durante o processo evolutivo dos humanos, para temperar reações exageradas de ambos os lados.

O medo pode ser evolutivamente útil em situações de risco real, aumentando as chances de sobrevivência dos tementes por forçá-los a se exporem menos ao perigo. Mas em situações normais, o excesso de temor pode ser paralisante e impedir um grupo de experimentar novos hábitos, de se adaptar a lugares diferentes, de mudar. Em suma, o medo pode tanto garantir a existência quanto retardar o seu desenvolvimento.

Se a seleção natural fez os humanos se dividirem em dois grupos biologicamente antagônicos, a política seria a resposta cultural para equilibrar esse antagonismo. E a alternância no poder, uma necessidade para evitar o atraso ou a auto-aniquilação pelo excesso de experimentalismo.

A teoria de Mike Dodd, John Hibbing e Kevin Smith se encaixa bem à política norte-americana, há mais de um século bipartida entre conservadores republicanos e liberais democratas. Nesse cenário preto e branco, os “cinzas” (eleitorado independente, que oscila de um lado a outro conforme as circunstâncias) costumam decidir a parada, definindo as eleições ora para cá, ora para lá.

Ela também ajuda a entender porque os republicanos fritam seus pré-candidatos durante as primárias. Os conservadores parecem mais preocupados em achar um anti-Obama, ou seja, o mais capaz de derrotar o que eles identificam como o mal (ou o problema), do que de eleger o que seria o seu líder ideal. É uma política pragmática, menos de auto-afirmação e mais de anulação do adversário.

O modelo político-biológico proposto pelos cientistas não funciona tão automaticamente assim no cenário partidário brasileiro. Nos últimos 18 anos, a polarização PSDB-PT reflete uma briga pelo poder entre duas alas que, ao menos na origem, estavam do mesmo lado que derrotou o que seria o grupo conservador, representado pela ditadura militar e seus apoiadores.

É provável que nem tucanos nem petistas concordem com essa descrição e atribuam uns ao outros a pecha de conservador e liberal (no jargão político brasileiro, são quase sinônimos). Mas ambos, PSDB e PT, foram, a seu tempo, vitais para promover mudanças na sociedade brasileira -o que é a antítese da definição de conservadorismo usada pelos autores do estudo.

Errada ou certa, simplista ou não, a hipótese do determinismo biológico na política evidencia ao menos que o problema está nos olhos de quem vê.

Imprensa argentina intimidada - ROBERTO MUYLAERT

FOLHA DE SP - 09/01/12

Práticas contra a liberdade de expressão estão se tornando comuns na América Latina; no Brasil, é a velha burocracia quem cria restrições à imprensa


O Senado argentino votou o projeto de lei da presidente Cristina Kirchner que declara de "interesse público" a produção, a comercialização e a distribuição de papel-jornal.
O projeto atinge os dois principais jornais de lá, "Clarín" e "La Nación", que criticam o governo e detinham a maioria das ações da Papel Prensa, única fábrica do gênero na Argentina.
Cristina passa a comandar o abastecimento de papel para os jornais em um país com 94 exemplares vendidos por mil habitantes, contra 57 no Brasil.
O projeto de lei também acaba com os subsídios ao papel-jornal e fixa a cobrança de impostos, cuja imunidade é garantida pelos códigos fiscais de cada província.
As práticas atentatórias à liberdade de expressão estão se tornando comuns na América Latina, em menor ou maior grau.
Nesse sentido, o governo argentino ocupou com truculência, no estilo Hugo Chávez, a TV a cabo Cablevision, invadindo e revistando a sede da empresa.
Pensando no Brasil, a primeira sensação é de alívio, por estarmos livres desse tipo de medidas.
Mas não é bem assim: por aqui é a velha burocracia quem cria restrições aos veículos, fazendo intervenções e exigências contínuas.
As receitas estaduais querem exigir o faturamento de publicidade pela nota fiscal modelo 21. Ela autua retroativamente por cinco anos quem não cumprir a determinação, sem levar em conta a imunidade fiscal que é reconhecida pela nossa Constituição.
É uma interpretação válida apenas quando se trata de um serviço de comunicação entre um emissor e um receptor da mensagem, ambos determinados. Na imprensa, como veículo de comunicação social, não há um receptor definido.
Enquanto isso, a única fabricante nacional de papel tipo LWC -usado pelas semanais e revistas populares- requereu a abertura de processo de investigação por prática de dumping por fornecedores estrangeiros. A partir daí, a Receita Federal criou uma licença de importação, mas os prazos estabelecidos trazem o risco de as editoras ficarem sem papel.
Isso porque o prazo da licença, de 15 dias, é contado a partir da licença de importação substitutiva. Essa, por sua vez, tem origem na variação do peso do papel importado, durante a viagem até o Brasil. Uma portaria prevê que a variação máxima desse peso deve ser de 5%.
A Aner (Associação Nacional dos Editores de Revistas) solicitou à Receita a ampliação dessa margem de tolerância para 10%.
A Aner defende o combate ao desvio de papel imune (que não paga alguns impostos e é destinado a livros e periódicos), mas a burocracia implantada se volta contra seus legítimos usuários, com o surgimento de cada vez mais entraves impostos aos editores de publicações.
Alguns desses entraves são a Declaração Especial de Informações Fiscais Relativas ao Controle do Papel Imune (o DIF - Papel Imune), o Recopi/Sefaz-SP, a Licença Prévia de Importação e o Certificado de Origem do Papel Importado.
O Brasil está realizando, via burocracia, uma intervenção nas editoras, que, embora branda, vai na mesma direção das medidas tomadas com diferentes níveis de intensidade, em outros países.

Corporativismo do Judiciário - CARLOS ALBERTO DI FRANCO


O GLOBO - 09/01/12

Tenho grande respeito pelo Poder Judiciário. Ele é, sem dúvida, um dos pilares da democracia. Mas quando integrantes do Judiciário, independentemente de suas motivações subjetivas, começam a trafegar pelos desvios do corporativismo, as instituições entram em perigosa turbulência.

Como lembrou recente editorial do jornal “O Estado de S. Paulo”, tão grave quanto a suspensão do poder do Conselho Nacional de Justiça(CNJ) de investigar juízes acusados de irregularidades, tomada em caráter liminar pelo ministro Marco Aurélio Mello, foi a liminar concedida pelo ministro Lewandowski proibindo a Corregedoria Nacional deJustiça de quebrar o sigilo fiscal e bancário de juízes. Tomadas no mesmo dia, as duas decisões obrigam o órgão responsável pelo controle externo do Judiciário a interromper as investigações sobre movimentações financeiras suspeitas em várias cortes — inclusive a maior, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), onde 17 desembargadores teriam recebido irregularmente R$ 17 milhões por conta de antigos passivos.

Tais decisões provocam crescente corrosão na imagem do PoderJudiciário. A sociedade assiste, atônita, aos movimentos que caminham na contramão da urgente necessidade de saneamento das instituições públicas.

Recentemente, essa percepção aumentou com surpreendentes declarações do ministro Ricardo Lewandowski à“Folha de S.Paulo”. Em entrevista ao jornal, ele informou que só pretende concluir seu voto no processo do mensalão em 2013. O próprio ministro admite que, com o adiamento, poderá haver prescrição de boa parte dos crimes imputados aos responsáveis pelo maior escândalo da República. Lewandowski, revisor do processo, justificou a possibilidade de adiamento com um argumento que desabou em menos de uma semana: só leria todos os volumes do processo depois de receber um resumo do caso elaborado pelo relator do processo, ministro Joaquim Barbosa.

Acontece que Joaquim Barbosa não só divulgou a íntegra do seu relatório, mas foi ainda mais contundente. Acusou o presidentedoSupremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, de ter cometido um “lamentável equívoco” ao cobrar a liberação do conteúdo do processo do mensalão. “Tomo a liberdade de dizer que o mencionado ofício encerra um lamentável equívoco”, reagiu o ministro em resposta à cobrança do presidente da Corte. A explicação de Barbosa foi que as informações já estavam disponíveis a todos os ministros há mais de quatro anos na internet — mais exatamente na Base de Dados do Supremo Tribunal Federal — e que ele não pode ser acusado de retardar o andamento do processo.

Resumo da ópera: os ministros têm todas as informações há mais de quatro anos. Além disso, dispõem agora da íntegra do relatório do ministro Joaquim Barbosa. Como escrevi neste espaço opinativo, julgar o mensalão não é uma questão de prazos processuais. É um dever indeclinável. Se o STF carimbar o mensalão com a prescrição, hipótese gravíssima, concederá, na prática, um passaporte para a institucionalização da impunidade.

A corrupção é um câncer que deve ser enfrentado por todos: jornalistas, magistrados e cidadãos. Chegou a hora do Supremo Tribunal Federal.

GOSTOSA


Adivinhe quem não vem para jantar - SERGIO LEO

VALOR ECONÔMICO - 09/01/12



Dessa vez não houve carta, telex, e-mail ou telefonema: o presidente Mahmoud Ahmadinejad planejou sua viagem à América Latina, nesta semana, sem sequer consultar o Palácio do Planalto ou o Itamaraty sobre a possibilidade de uma escala em Brasília.

A viagem inclui Venezuela, Equador, Cuba e Nicarágua e se presta a mostrar apoio em tempos de crescente isolamento iraniano. É palpável o alívio no governo brasileiro por escapar do constrangimento de uma eventual sondagem. O Brasil tem uma agenda mais modesta a tratar com Teerã.

Por um breve momento, em setembro do ano passado, o Irã chegou a ultrapassar a Rússia como o maior comprador da carne bovina brasileira. Ao fim do ano, porém, manteve a segunda posição, com compras pouco inferiores a US$ 700 milhões, uma queda de 15% em relação às vendas do ano passado.

Dessa vez não houve carta, telex, e-mail ou telefonema

Curiosamente, porém, quem tem se queixado ao governo brasileiro são os exportadores de frango. Eles terminaram o ano com vendas 9,5% maiores que em 2010, mas afirmam, em conversas reservadas, estarem enfrentando sérias dificuldades para obter licenças de importação no Irã.

O ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, aproveitou a reunião da Organização Mundial do Comércio, há um mês, em Genebra, para pedir à delegação iraniana explicações sobre o bloqueio ao frango brasileiro, iniciado por volta de setembro. Os iranianos disseram desconhecer o caso e prometeram atender às preocupações brasileiras.

O Irã segue como segundo maior comprador de carne bovina e o maior mercado para o milho do Brasil, produtos teoricamente a salvo das sanções contra o país. No caso do milho, pode se revelar mercado essencial em 2012, com o fim do subsídio nos EUA ao ETANOL, que traz a ameaça de um derrame do cereal americano no mercado.

A tese de que o veto ao frango seria uma retaliação à atuação menos favorável ao Irã adotada pelo Brasil nas Nações Unidas é levantada no setor privado, mas diplomatas brasileiros dizem ser mais plausível crer que as sanções econômicas contra o Irã têm criado dificuldades cambiais que se refletem nas compras externas do país.

Na importação de produtos iranianos pelo Brasil, esse reflexo é evidente, e é também explicado pela dificuldade em se encontrar bancos dispostos a fazer a operação de crédito, especialmente envolvendo remessas de dinheiro aos iranianos: o Irã caiu vinte posições, para o 85º lugar entre os fornecedores mundiais do Brasil, em 2011.

Em valor, a queda foi de 71%, para apenas US$ 35 milhões, US$ 31,5 milhões dos quais em polímeros para a indústria de plásticos. O segundo item na pauta, que teve queda de 82% nas compras pelo Brasil, são as uvas e passas, das quais o país importou US$ 1,3 milhão no ano passado.

Curiosamente, os iranianos acuados pelas sanções internacionais se revelaram em 2011 um bom mercado para certos produtos industriais brasileiros: as compras de manufaturados do Brasil pelo Irã cresceram quase 150%, puxadas, sem exagero, a trator: foram vendidos US$ 143 milhões em tratores e US$ 31 milhões em chassis para veículos, no ano passado. Milho, açúcar e produtos de soja ainda respondem, porém, pela maior parte das vendas brasileiras ao país.

O Irã passou de 23º a 25º maior mercado para as vendas brasileiras e o detalhamento da pauta de comércio com o país em 2011 mostra que o modesto crescimento de 10% nas exportações esconde oportunidades bem aproveitadas pelas empresas brasileiras.

Como o Irã desperta no mundo emoções bem mais intensas, e problemas bem mais profundos, do que os provocadas por carnes, milho e tratores, o drible de Ahmadinejad no Brasil levanta a curiosidade sobre que fim terá levado a agenda política entre os dois países, que teve seu ponto alto nas negociações promovidas por Brasil e Turquia, de um acordo com Teerã para monitoramento externo de seu programa nuclear.

O acordo, que seguiu fielmente as linhas de um esforço anterior, tentado pelas potências ocidentais e rechaçado em Teerã, hoje é visto por analistas sérios como uma oportunidade perdida para comprometer os iranianos em negociações diplomáticas.

Autoridades em Brasília dizem que essa agenda política poderia ser ressuscitada, ainda que com bem menos entusiasmo do que no governo Lula, caso houvesse algum pedido para participação do Brasil em novas negociações. De Teerã, há dias, saiu um apelo à intermediação da Turquia, mas os tempos de engajamento com o Brasil parecem realmente passados.

Resta a questão dos direitos humanos, que, pelo jeito, também entraram no ritmo dos despachos cotidianos. Recente recusa da presidente Dilma Rousseff de receber oposicionista iraniana para falar de direitos humanos passou sem reação notável. Mesmo as almas aflitas com o destino das vítimas da teocracia iraniana, tão ativas por aqui no ano passado, perderam o ímpeto, agora, tão longe do calor das disputas eleitorais no Brasil.

Recursos hídricos - RENATA LO PRETE

FOLHA DE SP - 09/01/12




FÁBIO ZAMBELI (interino) 


Arrastada para o centro da crise na Integração Nacional, a Codevasf tem convênios na mira da Polícia Federal. Em Brasília correm pelo menos cinco inquéritos contra a estatal, presidida por Clementino Coelho, irmão de Fernando Bezerra. Perícia concluída em um deles detectou desvio de R$ 4,5 milhões.

Os contratos da empresa, responsável pelas obras de irrigação nos vales do São Francisco e do Parnaíba, engrossam o rol de problemas à mesa do ministro do PSB, que inicia a semana disposto a explicar no Planalto e no Congresso Nacional os polêmicos critérios de remessa de verbas antienchentes.

Preliminar Dilma e Bezerra conversaram por telefone na sexta para quebrar o gelo antes do encontro previsto para hoje no Planalto.

Colegiado As intervenções do Planejamento e da Casa Civil em defesa do ministro acalmaram o PSB. Dirigentes da sigla se queixavam das explicações solitárias do correligionário sobre repasses para prevenção a desastres naturais, atribuição que não é exclusiva de sua pasta.

Plano B Para limpar sua barra no Planalto, Bezerra, pré-candidato à Prefeitura de Recife, passou a dizer a aliados que ambiciona, na verdade, a sucessão do governador Eduardo Campos em 2014.

Ordem dos fatores Em defesa de José Guimarães (CE), cotado para assumir a liderança do PT na Câmara este ano, petistas da corrente majoritária CNB protestam contra Paulo Teixeira. O atual líder teria ido a Lula pedir apoio a Jilmar Tatto, que desistiu da prefeitura em prol de Fernando Haddad.

Cegonha Militantes feministas do PT se insurgiram contra MP baixada pelo Ministério de Saúde no apagar das luzes de 2011. O texto amplia o alcance do cadastro de gestantes de risco e exige publicidade à lista de beneficiadas com bolsa de R$ 50 para realização de pré-natal.

Oremos Para ala da esquerda petista, a medida abre brecha para que mulheres que interrompam a gravidez sejam monitoradas por entidades ligadas à Igreja Católica. O governo federal refuta tal possibilidade e nega ter recebido pressões de associações religiosas pró-vida.

É assim? Tucanos interpretaram como declaração de guerra o aceno do PSD à chapa do petista Haddad, feito por Gilberto Kassab a Lula na semana passada. Dirigentes do PSDB avaliam que o gesto serve sobretudo para pressionar José Serra a decidir o quanto antes seu ingresso na corrida pela prefeitura.

Gente fina Andrea Matarazzo, um dos pré-candidatos do PSDB, mandou distribuir a grupo seleto de mulheres filiadas ao partido uma caixa de lenços acompanhada de um estojo com cartões de visita personalizados.

Videoteipe Geraldo Alckmin se irritou com as críticas de Ramais Silveira, número dois da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, à operação policial na Cracolândia. Ele acionou o governo paulista alegando dispor de 32 denúncias de maus-tratos no centro de SP. Questionado pelo Bandeirantes, enviou vídeo que remetia a ação da PM no local em 2007.

Alfândega As denúncias de favorecimento à Truestar, da família do ex-premiê italiano Silvio Berlusconi, em contratos da Infraero chegarão ao Ministério Público pelas mãos do ex-presidente nacional da OAB Cézar Britto. Contratado pela Protec Bag, empresa que se julga prejudicada pela estatal, o advogado também levará o caso à PF.

com LETÍCIA SANDER e FLÁVIO FERREIRA

tiroteio

"Sabe por que o tumor da presidente Cristina Kirchner deu benigno? Hugo Chávez chiou, e Obama logo mandou desligar a máquina de espalhar câncer."

DO TUCANO EDUARDO GRAEFF, ex-secretário-geral da Presidência, ironizando a insinuação do presidente venezuelano de que os EUA teriam desenvolvido "tecnologia secreta" para induzir a doença em líderes da América Latina.

contraponto

Nota vermelha

Ao perceber a presença de José Sergio Gabrielli na plateia de sua posse como chefe da Casa Civil de Jaques Wagner, na quinta passada, o deputado licenciado Rui Costa (PT) contou que o conhecia desde a década de 70, quando o hoje presidente da Petrobras lecionava macroeconomia na Universidade Federal da Bahia.

-Todos temiam o professor, que reprovava muito. Fizeram até abaixo-assinado contra ele, mas eu não assinei!

Alguém quis saber se isso o havia ajudado. Costa disse:

-Mesmo assim fiquei de exame e quase levei bomba...

Flor do recesso - RICARDO NOBLAT


O GLOBO - 09/01/12

Sempre que o Congresso entra de férias no meio e no fim do ano, desabrocham o que o ex-deputado Thales Ramalho, secretário-geral do antigo MDB, chamava de “flores do recesso”. São assuntos destinados a ocupar largo espaço nos meios de comunicação até que o Congresso volte a funcionar. Irrompem de uma hora para a outra. Fenecem de repente.

De longe, a mais viçosa flor do atual recesso é a história do ministro Fernando Bezerra Coelho, da Integração Nacional, que usou quase 90% da verba do programa federal de prevenção de desastres naturais para socorrer Pernambuco, seu estado, vítima de duas inundações em 2010 e de uma no ano passado.

Cara de pau
 esse ministro... No ano passado, e novamente neste, fortes chuvas castigam meia dúzia de estados, fazendo transbordar rios, destruindo casas e estradas, matando e desabrigando gente. E o ministro só se preocupa com a terra onde mercadeja seus votos. Um abuso! É ou não é?

Inclua-me fora
 dessa! Em junho de 2010, duas inundações varreram parte de Pernambuco. Outra parte foi varrida em maio último. No total, cerca de 80 mil pessoas ficaram desalojadas e desabrigadas. Tombaram 16 mil casas, 600 escolas, seis hospitais de médio porte e 26 pontes de grande porte.

Em meio 
à terceira inundaç ã o , Dilma telefonou a Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, oferecendo ajuda. Ele pediu R$ 500 milhões para construir um sistema de cinco barragens capaz de evitar a repetição do flagelo. Dilma topou dar a metade. O estado daria o restante. Negócio fechado.

Há R$ 6 bilhões 
alocados em ministérios para uso em prevenção e combate a desastres naturais. O da Integração Nacional dispunha apenas de R$ 31 milhões. Com o conhecimento de Dilma, remeteu R$ 25 milhões para Pernambuco — o que significa 10% do que foi garantido por ela. Ou 5% do preço das cinco barragens.

Minas Gerais
 recebeu no ano passado R$ 50 milhões para aplicar nas 80 cidades atingidas pelas chuvas de janeiro. Os reparos só foram concluídos em 15 delas. Há poucos dias, tiveram início em mais dez. Sumiu gorda parcela do dinheiro reservado para recuperar a semidestruída Região Serrana do Rio de Janeiro.

São 251
 as cidades com risco elevado de desastres naturais. A tragédia carioca que no ano passado custou a vida de mais de mil pessoas acelerou a montagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. Precariamente, 56 cidades vêm sendo monitoradas há dois meses — nenhuma fora de Sul e Sudeste. Ó paí, ó!

Eduardo lamenta
 a conduta do governo Dilma quando a imprensa, à falta de escândalos de verdade, imaginou estar diante de um — o primeiro de 2012. O governo poderia ter respondido à denúncia inaugural e abortado o barulho — mas não. Custou a reagir. Só o fez ao perceber com quem entrava em rota de colisão.

Lula trata
 Eduardo como se fosse um filho adotivo. Eduardo reelegeu-se vencendo o atual senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) em todos os 184 municípios de Pernambuco — em 102 deles com mais de 90% dos votos, em 47 com mais de 95% e em 23 com mais de 98%. Nenhum outro estado registrou vitória tão acachapante.

Coube à
 ministra do Planejamento repetir de público o que Eduardo havia dito sobre o acordo para a construção das barragens. Coube também à ministra avalizar tudo o que fez seu colega da Integração Nacional. Por fim, coube ao presidente do PT incensar as virtudes do PSB, precioso aliado.

Entre outras
 coisas notáveis, os pernambucanos se gabam de ter a maior avenida em linha reta das Américas e o maior shopping center do país. Já tiveram uma inesquecível casa em forma de navio. Debocham deles mesmos ao dizerem que os rios Capibaribe e Beberibe se juntam no Recife para formar o Oceano Atlântico.

Eduardo é
 o governador mais popular do Brasil com 90% de aprovação. A levarse em conta a mania de grandeza dos seus conterrâneos, agora corre o risco de virar unanimidade.

A hora da infraestrutura - RAUL VELLOSO


O GLOBO - 09/01/12




Olhando para o futuro, deve-se destacar que o Brasil vem implementando com sucesso um modelo de forte expansão dos gastos públicos correntes não financeiros, no qual são consideradas as áreas de previdência, assistência social, pessoal, entre outras. Isso garante um crescimento relativamente elevado da demanda agregada a curto prazo, mas provoca, em contrapartida, uma acentuada redução da parcela da poupança nacional gerada pelas administrações públicas, além de desestimular a gerada pelo setor privado. Em consequência, leva à queda dos investimentos públicos, onde se destaca a infraestrutura de transportes.

Deve-se considerar, além do mais, o impacto expansionista do rápido processo de envelhecimento em curso no Brasil sobre os gastos com previdência, saúde e assistência social. Nesses termos, se nada for feito em contrário, os investimentos públicos em transportes tenderão novamente a declinar ao longo do tempo, revertendo a tímida recuperação que começou a se esboçar no segundo mandato do governo anterior.

Diante da dificuldade política de mudar o modelo, mas como não se pode viver sem infraestrutura, a solução natural de mercado se dá via transferência de recursos do resto da economia - ou do mundo - para esse setor, onde for possível o setor privado obter rentabilidade adequada.

A maior demanda por bens não comercializáveis (serviços, infraestrutura, alguns segmentos da construção civil etc.) gera aumento de preços, devido à impossibilidade de se complementar a oferta nacional com importações, e porque a implementação do modelo de gastos correntes implicou a desabada dos investimentos em infraestrutura. Já na indústria de transformação, onde o comércio internacional é intenso, o crescimento da demanda nos últimos tempos foi atendido basicamente por importações.

Desde 2003 o consumo agregado tem sido também impulsionado pela retomada do crédito bancário, cujo montante tem subido muito acima do PIB. Paralelamente, o Brasil vinha, aos poucos, atingindo alta competitividade na produção e exportação de commodities, quando se deu a persistente alta de preços no mercado internacional, que vigora desde o início dos anos 2000, puxada especialmente pela China. Juntamente com a subida da demanda por commodities, veio, do leste asiático, uma verdadeira invasão de produtos industrializados mais baratos. A forte vantagem comparativa da China na produção desses bens derrubou seus preços e os transformou em duros concorrentes da produção nacional.

Dados os preços de commodities, o significado de preços internos em ascensão no setor de não comercializáveis e preços externos em queda na indústria de transformação é, basicamente, se ter uma apreciação real da taxa de câmbio. Ou seja, a moeda nacional passa a comprar "poucos" bens não comercializáveis produzidos internamente e "muitos" bens comercializáveis ofertados no mercado internacional.

Esse processo parece de improvável reversão. Além das causas citadas, há a exploração do pré-sal, que deve agregar mais uma commodity competitiva, e o excesso de liquidez internacional, ainda sem data para refluir.

Assim, ao aumentar a rentabilidade relativa do setor de não comercializáveis, abre-se espaço para a solução natural de mercado. Com um único senão: ela implica também o forte encolhimento da indústria de transformação, que já é mostrado em dados divulgados pela Fiesp. Dos anos 80 para cá, o peso da indústria de transformação no PIB caiu pela metade.

A curto prazo, o encolhimento da indústria de transformação só não é maior pela reação de suas lideranças, que pressionam as autoridades pela imposição de maiores barreiras às importações e pela compra de grandes volumes de moeda internacional, o que acaba freando o ingresso de poupança externa e adicionando outro fator de pressão sobre os gastos correntes. Além de diminuir o grau de eficiência da economia, essas medidas travam o processo de expansão da infraestrutura (e, portanto, da economia), que passa a depender bem mais da reduzida oferta de poupança privada interna.

É difícil imaginar uma solução do problema da indústria de transformação sem alguma revisão do modelo de gastos correntes, ainda que de difícil digestão política. Afora isso, a chave para obter ganhos de produtividade na indústria seria a própria expansão do investimento em infraestrutura, dados os recursos disponíveis.

Para tanto, seria preciso, por um lado, que as regras para a realização de concessões para investimentos privados em infraestrutura e para a criação de Parcerias Público-Privadas dessem segurança e rentabilidade aos investidores privados e tarifas adequadas aos usuários. Com isso, haveria interesse das empresas em carrear recursos para esse setor.

Por outro lado, para que os escassos recursos públicos destinados ao investimento do governo em infraestrutura tivessem o melhor aproveitamento possível, seria necessário reduzir a burocracia, aperfeiçoar e agilizar as regras de licitação, e melhorar a capacidade de fazer e analisar projetos.


Vento favorável - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 09/01/12

O governo brasileiro obteve, na semana passada, um empréstimo internacional a uma das menores taxas de juros da história. Trata-se de uma indicação de que o país goza de bom crédito num momento de turbulência internacional.

É verdade que as baixas taxas de juros no mundo desenvolvido ajudam a reduzir os custos para o Brasil. Ainda assim, dadas as incertezas generalizadas, a captação brasileira foi bem-sucedida.

Essas operações governamentais servem como uma espécie de piso ou referência para captações do setor privado. O sucesso do governo brasileiro foi, portanto, uma boa notícia para grandes empresas e bancos, que, na sequência, foram ao mercado e obtiveram bons resultados.

Note-se, ademais, que o país, por ora, não tem enfrentado dificuldades para financiar suas contas externas. As exportações de matérias-primas, com cotações em alta, resultaram num surpreendente saldo da balança comercial.

E o deficit nas demais operações externas tem sido coberto com folga pela entrada de investimentos estrangeiros.

É uma nova realidade para o país, acostumado aos sobressaltos causados por crises cambiais e pesados deficit nas contas externas.

No entanto é forçoso observar que essa tranquilidade pode ser tão excepcional ou transitória quanto as condições econômicas internacionais que propiciam a bonança.

O grande mercado brasileiro é, sem dúvida, atraente, e o país cresce mais que o estagnado mundo desenvolvido. A economia brasileira, entretanto, mostra-se dependente em demasia da demanda chinesa por matérias-primas. A situação das contas públicas é de equilíbrio precário e o modelo de crescimento atual baseia-se mais em consumo do que em investimento -o que é insustentável no médio prazo.

Um desarranjo maior na economia mundial, em especial na China, ou os efeitos colaterais do excesso de consumo podem tirar a economia dos trilhos por muitos anos. Sem reformas institucionais, produtivas e educacionais, o Brasil precisará contar com a sorte de ser bafejado por bons ventos internacionais.

CLAUDIO HUMBERTO

Dilma discute com Temer novo espaço do PMDB

Em recuperação após cirurgia de retirada da vesícula, o vice-presidente Michel Temer não demonstra a menor preocupação com o espaço do PMDB após a reforma ministerial. Acontece que a presidenta Dilma Rousseff o recebeu em seu gabinete, antes de seguir de férias para a Bahia; segundo caciques peemedebistas, os dois tiveram uma conversa "muito positiva". Leia-se: o partido ganhará espaço na Esplanada.


Upgrade

Uma das mudanças que a presidente Dilma deverá fazer é a promoção do ministro de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco, para a Agricultura.


Torcida

A reforma reacendeu as esperanças do suplente José Genoino (SP) de voltar à Câmara, se o PT colocar Newton Lima na Ciência e Tecnologia.

Em pânico

Já o petista Sérgio Carneiro (BA), também suplente, está em pânico: se Mário Negromonte (Cidades) for à degola, foi-se a vaga na Câmara!


Sem chance

Foi logo descartada no PP a indicação de Benedito de Lira (AL) para Cidades. É que assumiria seu lugar no Senado o suplente, do PSDB.

Governo demora anos

Um ano e meio após enchente que matou dezenas de pessoas e tirou mais de 40 mil de suas casas, só agora Alagoas recebeu a primeira parte dos recursos prometidos pelo Ministério da Integração. Pior: do convênio de R$ 8 milhões com a pasta, Alagoas recebeu apenas R$ 1 milhão em dezembro de 2011. O valor foi liberado para "a realização de estudos e projetos" de reconstrução das bacias de Mundaú e Paraíba.


Se andar

Segundo o Ministério da Integração, o restante do valor será liberado em 2012 "conforme o andamento do projeto apresentado por Alagoas".


Só agora?

O governo de Alagoas promete elaborar em 2012 um megaprojeto para a contenção de enchentes. A estimativa da prevenção é de R$ 600 mi.

Antes tarde

O governo do Distrito Federal resolveu priorizar a educação em 2012. Pretende investir R$ 105 milhões na "total recuperação" de 38 escolas.


Pelo ralo

Em Nova Friburgo, aparentemente a contragosto, o governador Sergio Cabral fez cara feia quando anunciou tardiamente casas populares, e citara verba de R$ 300 milhões. A impressão que se teve, pela cara rabugenta, é que o dinheiro é dele e está indo embora pelo ralo...


Vai passar

O governador Teotônio Vilela (PSDB-AL) fez bonito ao ser entrevistado na tevê sobre o prazo das obras de casas populares para os desabrigados em Alagoas. "Passe aqui em julho", sugeriu ao repórter.


Lágrimas

Dilma segue a cartilha de Lula, que fugia de tragédias. Ele não deu a mínima para os parentes das vítimas do Airbus da TAM que matou duzentas pessoas em Congonhas, e apenas sobrevoou Santa Catarina inundada, mesmo assim duas semanas depois da tragédia.


Me chama, me chama

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) sabe que estará na lista dos "indispensáveis" de Dilma se for chamado a interromper as férias para voltar a Brasília. Ele está doidinho para ser convocado pela chefe.


Suframa

O ministro interino Alessandro Teixeira (Desenvolvimento) empossa nesta terça, em Manaus, o novo superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira. A nomeação foi antecipada nesta coluna.


Com os dedos

Em Brasília, o grupo de maiores influências junto do governador Agnelo Queiroz (PT-DF) passou de cinco, inicialmente, para quatro e agora três super-secretários. Do tipo: tampando o silêncio com os dedos..

PODER SEM PUDOR

Defunto não reclama
Moura Cavalcanti era governador de Pernambuco quando um jovem parente de quem não gostava concluiu Medicina. Ele comentou com o secretário de Planejamento, Luiz Otávio:
- Já sei o que vai acontecer. Este garoto não tem consultório e vou ter que acabar nomeando-o para algum lugar no governo do Estado.
- Há um jeito de amenizar o problema...
- Qual? - animou-se Cavalcanti.
- O senhor pode nomeá-lo médico legista. Pelo menos os pacientes não vão reclamar.

SEGUNDA NOS JORNAIS


Globo: Águas de janeiro – De 75 pontes previstas para a Serra, só uma foi construída
Folha: Crescem acidentes rumo ao trabalho
Estadão: Escassez de imóveis para alugar é a maior em 10 anos
Correio: Megassalários dividem o governo
Valor: Fusões batem recorde no setor de educação
Estado de Minas: O pesadelo continua
Jornal do Commercio: Lixo e desordem na praia
Zero Hora: Dilma convoca emergência para tratar da seca no Sul