sábado, outubro 08, 2011

MÔNICA BERGAMO - SACOLA CHEIA


SACOLA CHEIA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 08/10/11

O free shop Duty Free Dufry do aeroporto de Guarulhos está com falta de produtos em estoque, principalmente perfumes e cosméticos, e filas que chegam ao lado de fora da loja, durando 30 minutos em horários de pico.

SACOLA 2
O Dufry, grupo mundial que controla a operação dos free shops nos aeroportos do Brasil, diz que "os espaços nas lojas ficaram pequenos para atender a maior demanda, principalmente quando há uma grande concentração de voos no mesmo horário, podendo então ocorrer formação de filas" e que o tempo médio de espera na fila é de "15 minutos". E completa: "Com o número maior de pessoas viajando, é afetada a reposição de produtos nas prateleiras. Nesses horários de pico, ocasionalmente, ocorre a falta de alguns itens de maior consumo".

BASE ALIADA
Recém-filiada ao PMDB para se lançar candidata a vereadora em 2012, a socialite Ana Paula Junqueira, ex-PV, consolou o tucano José Henrique Reis Lobo, que disse no Twitter "lamentar muito" sua desistência do PSDB. "@jhreislobo mas estaremos sempre próximos", respondeu a pré-candidata.

PROMESSAS
Além de Ana Paula Junqueira, o professor de educação física Fabio Saba e a apresentadora Maria João passam a integrar os quadros do PMDB paulistano. Marianne Pinotti, ex-candidata a vice-governadora de Paulo Skaf pelo PSB, também migrou para a legenda.

SORRISO
Vik Muniz fará uma obra de arte junto com os 400 dentistas da Turma do Bem utilizando mais de uma tonelada de tubos vazios de pasta e escovas de dente. "O trabalho será usado em camisetas, postais e outros materiais", diz Fábio Bibancos, presidente da ONG que presta atendimento odontológico a crianças carentes.
E na segunda acontece o Sorriso do Bem, no Teatro Bradesco, que premia os profissionais da entidade que se destacaram no último ano.

NOVOS GARÇONS
O chef Daniel Boulud, dono de seis restaurantes em Nova York, leiloou na quarta, no Rio, 12 jantares para duas pessoas em cada uma de suas casas na cidade americana, em prol do Garçom Carioca, de Clarisse Sette Troisgros e Tatiana Roza. Camila Pitanga e Zeca Camargo arremataram uma das refeições -no total, foram arrecadados R$ 40 mil. O projeto tem como objetivo profissionalizar moradores de áreas carentes para trabalhar como garçons em restaurantes e bares cariocas.

APRENDIZ DE MASCATE
Roberto Justus será vendedor por algumas horas no dia 18, na loja Pop Up Store, de sua filha Fabiana. Todo o lucro alcançado com as vendas feitas por ele e outras personalidades será revertido para a ONG Casa do Zezinho.

'NÃO TENHO LÍNGUA'
Ronaldo chegou cedo à inauguração da Luri Club, festa semanal de Lucas Sanchez, 18, anteontem, na Vila Olímpia. O jovem é filho do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez.

O Fenômeno ficou o tempo todo no camarote VIP, uma sala fechada com vidros cobertos por cortinas. A coluna perguntou o que ele achava da suspensão de Rafinha Bastos do "CQC", que fez piada considerada ofensiva sobre a gravidez da cantora Wanessa Camargo, amiga do craque e mulher de seu sócio Marcus Buaiz. Ronaldo preferiu ignorar a polêmica. "Não falo. Eu não tenho língua", brincou.

Andrés se dizia orgulhoso. "É bom ver um filho fazer coisas por iniciativa própria. Não ajudei em nada. A única coisa que fiz foi trazer o Ronaldo hoje."

A balada, segundo Lucas, será voltada para os estilos musicais black e house. "Eu e meu sócio queríamos fazer algo diferente na noite paulistana, voltado ao público AA e AB."

ESTRELA
Na abertura do Festival do Rio, no Cine Odeon, anteontem, a espanhola Marisa Paredes, 65, estrela do filme "A Pele que Habito", de Pedro Almodóvar, foi abraçada de surpresa por Caetano Veloso, que correu assim que a viu no tapete vermelho, sem nem largar o saco de pipocas que carregava.

ESTRELA 2
O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB-RJ), foi vaiado no tapete vermelho. Não atendeu aos fotógrafos e jornalistas e apressou o passo para dentro do cinema.

LONGE DA ZONA SUL
As filmagens de "O Lobo Atrás da Porta", com Leandra Leal, Milhem Cortaz e Fabíula Nascimento, começaram no sábado passado.

As locações do primeiro longa de Fernando Coimbra serão no subúrbio carioca, principalmente em Marechal Hermes. Estão previstas cenas na igreja da Penha.

CURTO-CIRCUITO

O Museu da Casa Brasileira realiza de hoje a 6 de novembro a mostra "Design Italiano para Sustentabilidade".

José Aníbal lança pré-candidatura à Prefeitura de SP na segunda, na sede do PSDB estadual.

Marcinho Eiras faz show hoje, às 22h, no Dona Flor. 18 anos.

O médico Daniel Magnoni é o coordenador do novo núcleo de gestão em estudos de saúde da pós-graduação da faculdade ESPM.

Os restaurantes Tenkai, Nam Thai e Fasano Al Mare foram visitados respectivamente por Coldplay, Joss Stone e Maroon 5 durante o Rock in Rio.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY; colaborou MARCO AURÉLIO CANÔNICO

ISAIAS CUSTÓDIO - A legislação brasileira para todos


A legislação brasileira para todos
ISAIAS CUSTÓDIO
FOLHA DE SP - 08/10/11

A polêmica sobre a venda de bebidas alcoólicas e sobre a aplicação do direito a ingressos com valor menor para idosos e estudantes nos estádios durante a Copa de 2014 estabelece um confronto entre as exigências da Fifa e a legislação brasileira. Em caso de dúvidas, fico com a nossa legislação.

Por ser evento de expressão mundial, a Copa do Mundo direcionará os olhos de milhões e milhões de pessoas para a "marca Brasil". Diante disso, creio que foi um acerto nos candidatarmos e aceitarmos a incumbência de realizá-la no país em 2014 (o mesmo diria das Olimpíadas de 2016, no Rio).

É certo que há investimentos de grande magnitude que terão que ser feitos em infraestrutura de transporte, de turismo, de segurança pública e equipamentos esportivos, entre outros. Contudo, boa parte deles já é necessária; teremos simplesmente um argumento a mais (com prazo determinado) para efetuá-los. Nessas circunstâncias, viva a Copa do Mundo de 2014 no Brasil!

Isso não significa que tenhamos que nos dobrar às exigências da Fifa ou de qualquer outra organização de eventos supranacionais.

Estudos científicos mostram que o uso exagerado de bebidas alcoólicas tende a exacerbar comportamentos antissociais e mesmo criminosos. O seu consumo é um dos grandes problemas a serem atacados pela sociedade para a redução da violência -tanto sob a forma dolosa (intencional) quanto sob a culposa, em que normalmente se enquadram os acidentes de trânsito.

O consumo de bebidas alcoólicas em locais fechados com grande concentração de pessoas, como estádios do futebol, gera riscos muito grandes. Infelizmente, brigas e quebra-quebras são cenas comuns nesses cenários de aglomeração -para elas, contribui de forma decisiva o álcool. O Estatuto do Torcedor, em boa hora, estabeleceu a proibição desse consumo, conquista da qual não devemos abrir mão, ainda mais durante a Copa de 2014.

Quanto aos ingressos, o Estatuto do Idoso (uma lei federal) estabelece, para os que têm mais de 60 anos, o direito ao acesso preferencial a eventos artísticos, culturais, esportivos e de lazer, com redução de preço nos ingressos. Legislações estaduais e municipais concedem o mesmo direito a estudantes regularmente matriculados.

Ainda que haja bons argumentos para tratar a questão no âmbito exclusivo de uma relação entre fornecedor e consumidor -da qual o Estado, portanto, deveria ficar à margem, a menos que subsidiasse a diferença entre o preço do bem ou serviço e o valor pago pelo consumidor-, a discussão deve ser realizada em outro contexto, um pouco menos simplista.

O que o Estatuto do Idoso visou preservar foi a possibilidade de esses cidadãos continuarem a ter acesso a determinados bens ou serviços mesmo depois de terem sua capacidade laboral e de renda reduzida. Tal tratamento é conferido ao idoso em inúmeros outros países.

E quanto aos estudantes? A redução dos preços, nesse caso, não seria um privilégio. É uma questão mercadológica: os próprios organizadores desses eventos deveriam ter interesse em oferecer abatimentos como forma de criação e manutenção do mercado desses bens. Ou seja, com vistas à fidelização mercadológica do adulto no qual o jovem se transformará quando estiver inserido no mercado de trabalho e com renda suficiente para ampliar o seu leque de acesso ao mercado de consumo.

Os produtores de shows artísticos, os vendedores de obras de arte e os agentes de turismo sabem bem do que estou falando. Creio que os dirigentes de futebol também...

ISAIAS CUSTÓDIO é professor do departamento de administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP.

CRISTOVAM BUARQUE - O ouro do futuro


O ouro do futuro
CRISTOVAM BUARQUE
o globo - 08/10/11

Nos séculos XVIII e XIX os reis portugueses usaram o ouro do Brasil para financiar o consumo de suas Cortes, industrializando a Inglaterra. Nenhum deles merece ser responsabilizado pelo desperdício de mais de mil toneladas de ouro, porque não tinham conhecimento da revolução industrial em marcha na Inglaterra, não sabiam que o ouro se esgotaria, não tinham noções de economia, nem tinham técnica para projetar o futuro.

Dois séculos depois, o Brasil ganha na loteria outra vez: a natureza nos presenteia com reservas de um novo ouro. Desta vez, sabemos que o petróleo se esgotará, ou ficará obsoleto, ou proibido por razões ecológicas. Sabemos também que o conhecimento é a base para a Nova Revolução Tecnológica em andamento e sabemos que, se não usarmos corretamente os recursos desse novo ouro, o Brasil perderá, mais uma vez, a chance de transformar os recursos naturais em desenvolvimento social, cultural e econômico.

Desta vez, nossa história não perdoará os responsáveis: em primeiro lugar, a presidente, depois, governadores, senadores e deputados federais.

Foi pensando nessa situação que o senador Aloysio Nunes e eu apresentamos o projeto de lei ao Senado, o PLS 594/2011, com a proposta de que o fluxo de renda dos recursos do Pré-Sal seja transformado em capital permanente e que sua rentabilidade, e só ela, seja usada para financiar o capital do futuro: o conhecimento.

Se os reis de Portugal tivessem utilizado as mil toneladas de ouro para criar um fundo como esse, o ouro poderia até hoje estar em mãos de portugueses. E se tivessem aplicado o rendimento na educação de base e na infraestrutura científica e tecnológica, Brasil e Portugal teriam uma posição completamente diferente no mundo.

A maneira como o petróleo do Pré-Sal será usado, para gastos correntes ou para investimento na transformação radical da economia e da sociedade brasileiras, vai depender das decisões que tomarmos nos próximos dias. Nós não seremos perdoados se queimarmos o petróleo para fazer energia e queimarmos, a cada ano, a renda que ele gera para o consumo imediato.

O nosso projeto (que tem por base emenda não acatada, apresentada ao PL 16/10, com o senador Tasso Jereissati) é uma contribuição ao futuro do Brasil. Contribui também para que os nomes de nossos dirigentes, começando pelo seu, fiquem na história do Brasil de uma maneira completamente diferente daquela dos reis de Portugal, que, então, não tinham as informações de que hoje dispomos.

Este PLS 594/2011 está ancorado em dois pilares. Primeiro, o dinheiro dos royalties e da participação especial formariam o Funpei - Fundo do Petróleo para Formação de Poupança para Educação Básica e Inovação. O Funpei não criará perda para os entes federativos, em relação à arrecadação que eles tiveram em 2010. Caso as projeções da exploração do Pré-Sal se concretizem, a capitalização acumulada do Fundo deve chegar aproximadamente a R$115 bilhões em 2020, sendo R$40 bilhões só de aporte novo, no mesmo ano. O segundo pilar sustentará a Educação de Base e a Inovação Tecnológica, fazendo do Brasil um país com elevada qualificação educacional e capacidade de competição no mundo da economia do conhecimento.

Para isso, os gastos originados do Fundo serão complementares - não substituem os gastos em Educação Básica determinados pela Constituição Federal - e criam um comitê gestor específico formado pelos ministérios da Educação, da Fazenda, do Planejamento e da Ciência e Tecnologia.

A lei 12.351/10 que cria o Fundo Social não evita a exaustão que virá com o fim das reservas de petróleo e pulveriza os recursos, uma vez que são destinados a vários setores. Pode-se prever que os resultados não serão mais expressivos do que aqueles deixados pelo ouro no passado. Sobretudo, depois do veto ao parágrafo segundo do artigo 47, da lei 12.351/10, que destinava 50% dos recursos do Fundo Social para a "educação pública, básica e superior, sendo o mínimo de 80% (oitenta por cento) destinado à educação básica e infantil".

Este novo PLS, que estamos apresentando, é a alternativa capaz de transformar o petróleo em conhecimento. Temos a chance de evitar o erro dos dirigentes portugueses e promover a transformação do petróleo em inteligência e capacidade inovativa.

RENATA LO PRETE - PAINEL


Um para o outro
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 08/10/11

De Gilberto Kassab e do PSD Henrique Meirelles espera um pouco da atenção que lhe foi negada por Dilma Rousseff e, em certa medida, pelo PMDB. Também espera ser, eventualmente, candidato à Prefeitura de São Paulo -mas isso não lhe foi prometido.
De Meirelles Kassab quer a grife, a folha de serviços prestados ao PT e a capacidade de atrair financiadores -atributo do ex-presidente do BC muito admirado pelos políticos. Quer ainda manter uma "reserva técnica" para o caso de não vingar aquele que hoje é seu plano A, B e C: um acordo com Geraldo Alckmin (PSDB) em torno da candidatura de Guilherme Afif.

Portador Foi o ex-governador Alberto Goldman, próximo de José Serra, quem levou a Geraldo Alckmin a proposta de aliança PSDB-PSD para a eleição municipal. "A definição pela cabeça de chapa é para o futuro, mas é importante que exista sinalização clara de manutenção da parceria. E ele [Alckmin] fez esse gesto", diz o tucano.

Premissa O acordo com Kassab implicaria ainda apoio da bancada tucana à sua gestão, tema que é objeto de controvérsia no PSDB. A direção municipal do partido deve se manifestar nos próximos dias sobre a conduta na Câmara paulistana, a partir de questionamento formal do vereador Tião Farias.

É assim? Minutos após ameaçar Alckmin no Conselho de Ética da Assembleia, anteontem, Campos Machado (PTB) agiu para travar a votação de dois projetos sobre reajuste salarial dos policiais, ambos de interesse do Bandeirantes. O petebista, padrinho do pivô do escândalo das emendas, Roque Barbiere, desmobilizou aliados para impedir quórum.

Pólvora Comentário de um tucano preocupado com o estrago da crise, que levará o secretário Bruno Covas (Meio Ambiente) a se explicar aos deputados estaduais: "Ele liberou o Center Norte, mas transferiu o risco de explosão para a Assembleia".

Emissário O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, vai à sede da Fifa na próxima semana sentir se há disposição da entidade em acolher, ao menos parcialmente, a demanda brasileira pela meia-entrada nas partidas do Mundial de 2014, inclusive para estudantes.

Bilheteria "O evento será tão lucrativo que os organizadores poderão abrir mão de alguns reais", diz o deputado Vicente Cândido (PT-SP), relator da Lei Geral da Copa. O petista, que esteve com Teixeira nesta semana, defende um acordo nacional que ajude o comitê local a delimitar os critérios de acesso aos estádios nos jogos.

Quem avisa... Embora o governo federal insista no discurso de que está oficialmente fora desse debate, já que a meia-entrada é regulada por leis estaduais, é certo que o lobby dos estudantes baterá à porta do Palácio do Planalto. "Prevejo um bom samba do crioulo doido nessa questão. Acho que a estudantada vai brigar", adverte o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Visitas à Folha Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Otávio Ribeiro Damaso, chefe de gabinete, Gustavo Paul e Heloíza Quadros Canassa, assessores de imprensa.

Renato Casagrande (PSB), governador do Espírito Santo, visitou ontem a Folha, a convite do jornal. Estava acompanhado de Handerson Siqueira, superintendente-adjunto de Imprensa, e Kao Martins, jornalista.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"No Rio teve seis dias de rock. Já em São Paulo nunca vai ser dia de Roque, o Barbiere, da meia-denúncia, que 'não é dedo-duro' para dizer quais colegas vendem emendas."
DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre o recuo do deputado estadual, que apontou em entrevista um suposto comércio paralelo de emendas na Assembleia. Ao Conselho de Ética o petebista elogiou os colegas.

contraponto

Não vai faltar


Sob 40ºC, em Presidente Prudente, o governo paulista entregava 43 carros novos para o Instituto de Terras do Estado. Quando o bispo local abençoava as viaturas, o deputado Mauro Bragato (PSDB), com base eleitoral na região, sugeriu ao religioso um milagre que fizesse os carros rodarem movidos a energia solar.
A secretária estadual de Justiça, Eloísa Arruda, entusiasmou-se com a ideia:
-Com este sol e a temperatura da cidade, vamos ter combustível em abundância o ano todo!

MIRIAM LEITÃO - Lados da moeda


Lados da moeda
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 08/10/11

A desvalorização do real ajuda a indústria a exportar, mas encarece a importação de matérias-primas, componentes e bens de capital da própria indústria. Torna mais caros ao consumidor produtos de consumo diário, como pão francês, café e carne. Empresas que pegaram empréstimo em dólar viram a dívida disparar em um mês. Hospitais terão mais dificuldade de comprar equipamentos de ponta.


A visão binária que às vezes aparece em declarações de autoridades e líderes empresariais - como a de que se o dólar subir é bom para a indústria e o emprego; se cair, é ruim - é simplória. Há outros problemas que precisam ser enfrentados, como impostos altos, infraestrutura deficiente, mão de obra pouco qualificada, pouco investimento das empresas em inovação.

Culpar o câmbio é mais fácil do que lidar com problemas crônicos. A moeda americana subiu 18% em setembro, caiu 5,1% este mês, mas o que a indústria viu mesmo aumentar foram custos e dívidas. Durante o período do real forte, as empresas se acostumaram a importar equipamentos e insumos baratos e tomaram empréstimos em dólares. Pelos cálculos da Economática - já divulgados nesta coluna - a dívida subiu pelo menos R$ 15 bilhões no terceiro trimestre entre companhias que possuem capital aberto e divulgam balanços.

José Augusto de Castro, da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), calcula que o dólar teria de ir R$ 2,20 para compensar o alto custo de se produzir no Brasil. "Na faixa de R$ 2,00, a moeda beneficia cerca de 70% dos exportadores. A R$ 1,80, beneficia no máximo 30%. Os custos em reais têm subido internamente, esse é o grande problemas de setores como calçados e confecções, então a ajuda no câmbio precisa ser muito forte para compensar isso", disse Castro.

O problema é se o câmbio deve "compensar" tudo. Nem mesmo em outros momentos de desvalorização mais intensa a indústria exportadora reagiu de forma rápida. Em 2001, por exemplo, o dólar começou valendo R$ 1,94, passou a maior parte do ano acima de R$ 2,00, bateu em R$ 2,93 em setembro e ainda fechou em R$ 2,34. As exportações naquele ano cresceram 5,7% sobre o ano anterior, mas não puxadas pela indústria de manufaturados, que exportou 1,1% a mais, mas sim pelos produtos básicos, que subiram 22,1%.

Luis Afonso Lima, presidente da Sobeet, lembra também do ano de 1999, quando o real passou a flutuar livremente. As exportações precisaram de pelo menos um ano para reagir. Ele acha que agora o benefício será mais lento porque os países ricos estão em crise: "O contexto hoje é pior do que 1999. Naquele ano, o real se desvalorizou em um mundo pujante. Hoje, é o contrário. Se naquela época demorou um ano, a tendência é que agora demore mais porque os grandes compradores como Estados Unidos e Europa estão em crise. Com o real fraco, o empresário terá insumos e investimentos mais caros e encontrará demanda exterior fraca."

O economista Alex Agostini, da Austin Ratings, acha que a queda do real favorece uma pequena parte da sociedade, os exportadores, em detrimento da ampla maioria, em especial os mais pobres que não conseguem se defender da alta dos preços: "Para a economia como um todo, a desvalorização cambial tem um ônus muito maior que o bônus, certamente. Com a desvalorização, há aumento muito forte de alimentos que estão no café da manhã do brasileiro, que são trigo e café. Há também influência nos preços da soja, óleo de soja, milho, que fazem parte da ração para a carne animal. O preço da carne tende a subir. Nessa hora, a população de baixa renda é a mais afetada, e ela é a maior parcela da sociedade."

A crise internacional derrubou os preços das commodities, mas a desvalorização do real foi mais intensa. Isso vai dificultar a tarefa do Banco Central de deixar o IPCA abaixo do teto da meta este ano. Esta semana, o BC divulgou o índice IC-Br, que mede os preços das matérias-primas aqui dentro, e ele subiu 7,83% em setembro. A elevação foi puxada pelas commodities agropecuárias (carne de boi, algodão, óleo de soja, trigo, açúcar, milho, café e carne de porco), que tiveram alta de 8,80%.

A área de saúde sofrerá porque muitos remédios, insumos e equipamentos para exames são importados. A tendência é que os hospitais façam menos investimentos e se modernizem menos, com um câmbio mais fraco. O superintendente da Federação Brasileira de Hospitais (FBH), Luiz Fernando Silva, diz que os hospitais não estão preparados para lidar com a mudança. Ele diz que setores como de neurologia, ortopedia e cardiologia usam muitos equipamentos modernos e importados: "A alta do dólar com certeza afeta a rede de saúde brasileira. Se o real se desvaloriza, há estagnação dos investimentos. O custo não poderá ser repassado, então a atitude mais natural será deixar de investir. O período do real forte foi aproveitado para comprar equipamentos. Para a rede hospitalar o real desvalorizado é prejuízo. Muitos aparelhos usam tecnologia importada e não há para onde fugir porque não são fabricados no Brasil."

É sempre múltiplo o efeito do câmbio, seja para onde ele for. Nunca foi panaceia. Com Álvaro Gribel

ROBERTO RODRIGUES - Steve Jobs e o Brasil

Steve Jobs e o Brasil
 ROBERTO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 08/10/11

Steve Jobs morreu e tudo o que poderia ser dito sobre ele já o foi. Macmaníaco convicto, ouso escrever algo mais sobre o empreendedorismo do criador da Apple e como seu exemplo pode (e deve) servir de reflexão ao Brasil.

Para começar, quantos Steve Jobs o Brasil tem produzido? Se serve de consolo, poucos países no planeta produzem gênios em série. Não por acaso, grandes inovadores do século 20 surgiram nos Estados Unidos, um país que tem muitos defeitos, mas menos o de inibir quem deseja criar algo novo e ganhar dinheiro com essa invenção.

Quem usa produtos da Apple no Brasil sabe como tudo aqui é mais difícil.

Quer comprar uma música via iTunes? O caminho é tortuoso. A loja virtual idealizada por Steve Jobs não funciona de maneira integral no webespaço brasileiro.
Agora acabou de sair um novo iPhone. Deseja adquiri-lo? Terá de esperar. O Brasil não está na lista de países escolhidos para ter o lançamento com o do mercado norte-americano.

À primeira vista, essas parecem observações só de cunho consumista. Não são. O acesso a tecnologias é vital para milhares de brasileiros interessados em criar algo novo.

O Brasil avançou na consolidação da democracia e na abertura de seu mercado, mas persistem bolsões isolacionistas que remetem à mentalidade da reserva de mercado de informática criada durante a ditadura militar – sistema que condenou uma geração ao mundo analógico e atrasado.

Se Jobs e seu colega Steve Wozniak vivessem no Brasil em 1976, jamais teriam tido acesso aos componentes eletrônicos usados na montagem dos primeiros computadores Apple em uma garagem. De lá para cá, houve alguma melhora. Um avanço tímido. O Brasil ainda está longe de oferecer um ambiente amigável para quem tem ideias e deseja ganhar dinheiro com elas.

KÁTIA ABREU - Disparate antropológico


Disparate antropológico
KÁTIA ABREU
O GLOBO - 08/10/11

Imaginem a seguinte situação. Em uma cidade qualquer de nosso país, há um terreiro de umbanda, em que a mãe de santo é branca, assim como vários membros desse culto religioso. Seguem certos ritos que os irmana em uma mesma crença, herdada de antepassados negros. Vivem entre outras casas, em harmoniosa relação de vizinhança. Nada nesta descrição é inusitado, considerando o algo grau de interação racial e cultural de nosso país.

Se perguntássemos a qualquer pessoa que congregação é essa, a resposta seria simples. Trata-se de um culto, herdeiro de uma tradição cultural africana, que abriga pessoas das mais distintas procedências raciais, sociais e sexuais. A ninguém ocorreria, porém, dizer que se trata de um "quilombo". Seria disparatado.

No entanto, é o que está acontecendo no país. Já não se trata de uma descrição da realidade, mas de uma construção fictícia fruto do que certos antropólogos e a Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, encarregada da certificação de quilombos, consideram como "ressemantização".

Segundo essa nova doutrina, de forte conotação ideológica, quilombo, e por extensão quilombola, veio a significar uma comunidade de tipo cultural, mais precisamente dita etnográfica. O que passa a contar é a identidade cultural em questão, relegando, mesmo, a uma posição secundária a identidade propriamente racial.

Quilombo passa a ser uma comunidade cultural que tem práticas que se exerceriam em um determinado território, que deveria, ainda segundo essa doutrina, possuir uma ampla área em que suas práticas culturais poderiam ser reproduzidas. Quilombo passa a ser um terreiro de umbanda, uma escola de candomblé, uma reunião de famílias negras em um território qualquer.

Quilombo não é mais um lugarejo distante dos centros urbanos, fortificado, que servia de lugar de vida para escravos fugidios e, inclusive, indígenas. A ficção tomou o lugar da realidade. O que a Constituição de 1988 considerou quilombo cessa de ter validade, segundo uma "interpretação" do texto constitucional que subverte completamente o significado das palavras.

Imaginem, agora, tal exemplo ampliado para todo o país, tanto em zona urbana como rural. O que era uma propriedade, o exercício do direito de uma família com títulos de propriedade de décadas, desaparece porque um grupo de pessoas resolve se autointitular quilombola, faz um processo verbal na Fundação Cultural Palmares e um grupo de antropólogos referenda essa demanda. A insegurança jurídica se torna geral.

O texto constitucional é subvertido graças à colaboração de antropólogos, promotores e funcionários da Fundação Cultural Palmares que aderiram a uma nova ideologia. Colocaram-se na função de novos constituintes e passaram a ditar uma nova política que torna a letra e o espírito da lei algo que pode ser simplesmente desconsiderado.

Qualquer coisa pode caber nessa palavra: quilombola. Como foi bem dito na coluna de Opinião desse importante jornal, em 12/09: "Caberá à Corte, blindada contra a ação de grupos de pressão e ao largo de interesses ideológicos, analisar o tema e dar-lhe o mais acertado encaminhamento."

ROBERTO RODRIGUES - Calor


Calor 
ROBERTO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 08/10/11

Os agricultores já estão com as sementes compradas, bem como os fertilizantes, somente esperando chover


A agricultura tem seus tempos certos: a semente só pode ser plantada quando a terra estiver úmida e quente o suficiente para que o milagre da germinação se realize.

Aí, a descomunal força da natureza faz com que da minúscula semente saia um conjunto de raízes que buscarão a água e os nutrientes que garantirão o crescimento da parte aérea, que, por sua vez, sobe, atravessa a camada de terra e emerge para a luz e para todos os desafios: calor, frio, seca, enchente, geada, granizo, formigas e outros insetos, fungos e outros agentes patogênicos.

E, em vencendo tudo isso, a plantinha nascida produzirá os frutos que alimentarão animais e pessoas, fazendo com que a vida prossiga e a humanidade fique em paz.

Mas, atenção, tudo tem seu tempo: o fenômeno fisiológico da germinação só acontece se as condições naturais todas se associarem a seu favor.

Não adianta, por exemplo, plantar uma semente de milho em julho: faltará água, faltará calor, e, mesmo que a planta nasça, não terá forças para crescer -e acabará perecendo. E os gastos com insumos, crédito, máquinas e serviço terão sido inúteis, e o prejuízo será certo.

É por isso que tudo tem de ser feito na hora certa, não só do lado do produtor rural , mas também do lado das políticas públicas que fomentam e apoiam a atividade produtiva, como a liberação do crédito.

Não adianta o recurso chegar depois que passar o tempo do plantio, assim como é inútil um seguro rural ser liberado depois de o problema ser identificado.

Pois bem, estamos em outubro, principal mês de plantio de grãos no Centro-Oeste, no Sul e no Sudeste brasileiro. Os agricultores já estão com as sementes compradas e guardadas, bem como os fertilizantes e os defensivos, só esperando chover de verdade. Já começaram as primeiras águas, mas ainda insuficientes.

As máquinas estão reformadas, o pessoal contratado, há uma expectativa no ar, uma ansiedade geral, todo mundo consultando as previsões oficiais de tempo, os mais velhos olhando e interpretando os sinais da natureza.

É aquela mesma apreensão de cada ano, de cada verão, de plantar de novo para, mais uma vez, preservar a vida.

Todo mundo esperando, esperando, esperando... E ele, veterano agricultor, também espera. As rugas cortam o seu rosto queimado pelo sol e, com os cabelos brancos, contam os anos passados na permanente labuta do campo. Ele também espera.

Mas ele não consegue esquecer aquele ano, lá atrás. Tinha sido muito seco, desde abril não caíra uma gota de chuva. É verdade que nesta época não é mesmo de chover, mas daquele jeito nunca vira.

Quando setembro chegara, tudo estava seco, cinzento. Nada verde, nenhuma flor colorida. Havia uma bruma espessa e cinzenta resultante de mil incêndios em toda a região. Um cheiro de morte rondava a natureza.

Mesmo assim ele estivera pronto, como sempre: os insumos comprados, as máquinas engraxadas, a turma concentrada. E esperara...

Mas setembro passara, e nada. Outubro também passara, um calor desesperador, sol causticante, 31 dias sem uma nuvem no céu. Entrara novembro, Finados passara, e nada -só o calor brutal. Chegara o feriado da Proclamação da República, e nada.

O tempo passara e ele pensando nos prejuízos: acabaria plantando tarde, o ciclo seria curto, a plantação não se desenvolveria, a produção seria baixa com custo alto. Conseguiria pagar as contas?

Dia 21 de novembro dera um chuvisqueiro; pouco, mas molhara a terra e ele mandara ver: os tratores roncaram e, por três dias de muito trabalho, plantara quase tudo. Parara, porque não chovera mais nada e a terra secara, o calor voltara infernal. E a seca seguira inclemente.

As primeiras sementes germinaram, soltaram folhinhas tímidas que esperaram mais chuva. Estiolaram, morreram, tudo acabara. Ano trágico, fizera quase tudo certo, quase quebrara, quase perdera tudo.

Agora, anos depois, estava ele de novo, esperando. Outro outubro, pensando, quem sabe, que tudo vai correr bem desta vez.

CLAUDIO HUMBERTO

“Não temos de criar facilidade para vagabundo, sem-vergonha”
SENADOR REDIARIO CASSOL (PP-RO), QUE DEFENDE O FIM DE BENESSES PARA PRESIDIÁRIOS 

META Da FIFA É FATURAR US$ 3 BILHÕES NA COPA 
Vai além da preocupação com as obras lentas a má relação entre a presidente do Brasil e o presidente da Fifa, Joseph Blatter. Dilma avisou a ele que não abre mão do Estatuto do Idoso que dará meia-entrada nos estádios da Copa. Blatter foi pego de surpresa. Ele avisou a amigos brasileiros que a meta da Fifa é faturar US$ 3 bilhões com o evento aqui. A meia-entrada geraria impacto nas contas da entidade.

DA ARQUIBANCADA 
O ministro Orlando Silva (Esporte) fez as contas e mandou recado para a Fifa. Eles só perderão US$ 100 milhões com a meia-entrada.

PORTÃO ABERTO 
A situação para a Fifa pode se complicar, se o Congresso aprovar o Estatuto da Juventude, que avança na pauta da Câmara.

O RESERVA 
Joseph Blatter pediu audiência a Dilma na Europa, mas cometeu a indelicadeza de mandar o secretário-geral Jerome Walker no lugar.

CONTRA-ATAQUE 
Jerome Walker levou um recado malcriado de Blatter para Dilma: foi o Brasil quem pediu para fazer a Copa. A entidade tinha outras opções. 

GREVISTAS CRIAM IMPASSE PARA SABOTAR DISSÍDIO 
Os representantes dos funcionários em greve dos Correios resolveram radicalizar ainda mais: avisaram ontem ao presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro João Oreste Dalazen, que apresentarão preliminar, na audiência de terça (11), divergindo do dissídio. Como o TST somente pode julgar dissídio se esta for a vontade consensual das partes, o impasse estará criado e a greve continuará indefinidamente.

SEM DISSÍDIO 
A reunião para instaurar o dissídio foi marcada para às 16 horas de terça-feira, mas servirá apenas para o TST declarar-se fora do caso.

NOVOS VALORES? 
A multa-merreca de R$ 50 mil para os carteiros poderá ser aumentada pelo ministro Maurício Godinho Delgado, relator do caso no TST.

TIRO NO PÉ 
A greve enfraquece os Correios cada vez mais: clientes corporativos, que garantem o faturamento da estatal, migram para o setor privado.

ORÁCULO 
O ex-ministro da Previdência Carlos Eduardo Gabas foi consultado sobre uma solução decente para a secretaria-executiva do Ministério do Turismo. O último ocupante acabou no xilindró. Gabas sugeriu para o cargo o amigo Valdir Moysés Simão, secretário da Fazenda do DF.

GASTANDO SERÕES 
Familiares do ministro Gastão Vieira estão preocupados. Ele chega em casa muito tarde, todos os dias. Quer impressionar Dilma, mas quem sofre mais são os assessores do gabinete, garçons e motoristas.

CORAÇÃO VAGABUNDO 
Se o ministro Fernando Haddad (Educação) não sair do cargo na semana que vem, pode ser substituído no coração de Lula por outra opção à prefeitura paulistana. O ministro está no último bonde.

VOO ACADÊMICO 
O delegado Célio Jacinto, da PF, fará mestrado no Instituto Superior de Ciências Policiais, em Lisboa. Diretor da Associação de Delegados (ADPF), sem explicações, foi “convidado” a deixar a coordenação de Altos Estudos de Segurança, da Academia Nacional de Polícia.

METRÔ SEM FREIO 
Disposta a engordar os salários (de R$ 20 mil), a diretoria do Metrô-DF deve equipará-los aos da Terracap (R$ 32 mil). O dinheiro sairá de uma reforma administrativa que vai cortar gratificações de comissionados).

LITORAL, NÃO 
Os 75 comunicadores da Infraero que fariam seminário em Natal foram brecados pelo presidente da estatal, Gustavo Vale, ao ler nota desta coluna: “Litoral, não!”. Agora, irão para São Paulo, onde não há praia, mas vão torrar R$ 200 mil do erário. Até as secretárias vão.

TERRA DE NINGUÉM 
A AGU recebeu do Palácio do Planalto um levantamento preocupante: há 1.700 comunidades quilombolas no País prestes a entrar com recursos judiciais para a posse de terras.

SETOR HOTELEIRO 
O secretário de Habitação do DF, Geraldo Magela, reafirma: o megaterreno na quadra 901 Norte, ao lado do Estádio Nacional de Brasília, será destinado a hotéis. Urbanistas temem um shopping.

SORRIA... 
...Você será filmado: a Agência Brasileira de Inteligência foi às compras e pagou R$ 31,9 mil por câmeras digitais à empresa SBM Comércio. 

PODER SEM PUDOR
O TRADUTOR DE LULA 
O presidente Lula fala apenas a própria língua, e mal, mas também não finge “arranhar” outros idiomas. Durante a cerimônia de sepultamento do Papa João Paulo II, ele se viu em meio a personalidades políticas mundiais, incluindo o presidente francês Jacques Chirac, que lhe dirigiu algumas palavras. Sem qualquer diplomata brasileiro nas proximidades a quem pedir socorro, Lula não hesitou. Cutucou o antecessor Fernando Henrique Cardoso, que estava ao lado, e pediu com toda a humildade:
– Traduz aí, Fernando...

SABADO NOS JORNAIS


Globo: Máfias internacionais se aliaram ao bicho no Rio

Folha: Inflação chega a 7,3% ao ano e é a maior desde 2005

Estadão: Meirelles entra no PSD e pode disputar a Prefeitura de SP

Correio: Saúde investiga mortes e tenta conter bactéria

Zero Hora: Burocracia amplia a frota de carros sem uso no Estado

- Estado de Minas: Não é brinquedo, não!

- Jornal do Commercio: Inflação se afasta da meta


sexta-feira, outubro 07, 2011

ANCELMO GOIS - Resende, o novo ABC



Resende, o novo ABC
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 07/10/11

A alemã MAN, que comprou a fábrica de caminhões e ônibus da Volkswagen em Resende, RJ, vai ampliar a produção de 70.000 para 150.000 veículos/ano.
O investimento será de R$ 2 bilhões.

ALIÁS... 
A região de Resende/Porto Real está se transformando numa espécie de ABC fluminense, pela concentração de indústrias automobilísticas.
Além da Peugeot/Citroën e da MAN, a região vai abrigar, como se sabe, nova fábrica da Nissan.

VIVE LA FRANCE! 
O que se diz é que a Tokio Marine chegou tarde, e a parte da ING na seguradora SulAmérica ficará com a francesa Axa.

MORTE DO GÊNIO 
A LeYa vai imprimir  mais 40 mil exemplares do livro Inovação, a arte de Steve Jobs, de Carmine Gallo.
Lançado aqui em junho, já vendeu mais de 35 mil cópias no país.

ILEGAL? E DAÍ? 
A prefeitura do Rio embargou obras irregulares em três grandes shoppings da cidade.
A saber: Rio Sul, Shopping da Gávea e Tijuca Shopping.

DONA INFLAÇÃO VOLTOU 
No Sorvete Itália, o preço do picolé pulou R$ 1,50 para R$ 2.

NO MAIS 
É como dizia Steve Jobs:
– Para se ter sucesso, é necessário amar de verdade o que se faz.

NEIL YOUNG EM LIVRO 
A Globo Livros comprou os direitos de publicação no Brasil da autobiografia do “rockstar” canadense Neil Young.
O livro, Waging heavy peace, ainda sem título em português, será lançado mundialmente em 2012.

PETROBRAS: US$ 1 BI 
Parece que a novela acabou, e a Venezuela será sócia na refinaria em Pernambuco. À Petrobras, que era contra, resta o consolo de embolsar US$ 1 bi da PDVSA até 30 de novembro.
É que, até agora, só a estatal brasileira tinha coçado o bolso.

GUEDES, O EDITOR 
O mercado editorial brasileiro ganhará uma nova graúda.
HSM Educação (leia-se Paulo Guedes) e Grupo RBS lançam este mês uma editora de livros voltados para executivos. Quer ser a maior do segmento no País.

MIRIAM LEITÃO - Fonte da ruptura


Fonte da ruptura
 MIRIAM LEITÃO
 O Globo - 07/10/2011

Com Steve Jobs o mundo teve sua chance de reencontro com o verdadeiro sentido da economia: alguém que, do nada, cria riqueza, empregos, inovações, produtos. Jobs mudou o cotidiano, anteviu necessidades ainda não sentidas, produziu criaturas sobre as quais nos perguntamos como foi possível a vida sem elas. É difícil imaginar uma área não afetada por esse furacão chamado Steve.

Jobs é daquelas pessoas que aparecem raramente. Sua capacidade de inovação, genialidade e intensidade estão sendo objeto de reflexão neste momento de perda. Ao pensar nele a gente vai se dando conta do quanto ele comandou as mudanças pelas quais passamos.

Steve Jobs criou conceitos novos, ampliou o existente. O smartphone não foi invenção dele, mas o iPhone levou adiante as possibilidades do telefone inteligente; o tablet não foi criatura da sua empresa, mas o iPad redefiniu e ampliou o conceito. Ele não ficou só nos artefatos, porque o iTunes e o iPod redefiniram a indústria da música. A Pixar, de laboratório de efeitos especiais de George Lucas, virou o centro do novo cinema gráfico.

A imprensa está hoje repleta de reflexões inteligentes sobre a inteligência de Jobs e como isso alterou cada atividade econômica. É impossível separar, por exemplo, Steve Jobs do jornalismo como nós o conhecemos hoje. O especialista em mídia digital Jeff Sonderman publicou, na época da renúncia de Jobs, um artigo republicado agora no "Poynter." Na sua visão, nos últimos anos, a Apple de Jobs conseguiu ao mesmo tempo ajudar, transformar e criar uma ruptura na mídia. O título é um bom resumo da tese: "Como Steve Jobs mudou (mas não salvou) o jornalismo."

O jornalismo vive o desconforto das revoluções que ao mesmo tempo destroem conceitos, criam novos, e ampliam incertezas. A travessia nos últimos anos foi pontuada pela presença das infernais e geniais criaturas de Jobs. "O iPhone e o iPad criaram tendências inescapáveis. Eles não são apenas artefatos, mas toda uma nova categoria de produtos da economia do conteúdo", escreveu o especialista.

É avassaladora a presença dele em inúmeras áreas, sem dúvida, mas o interessante é também o fato de que ele incorpora uma figura indispensável à economia e ao capitalismo: o criador de eventos, produtos, necessidades e transformações. Sua ausência vem no meio de uma profunda crise econômica e num momento em que os Estados Unidos precisam reencontrar sua capacidade de criar inovadores. Em décadas passadas a economia americana permitiu o aparecimento de gênios que encubaram revoluções em garagens. Essa é a parte mais brilhante do país.

Hoje a economia mundial vive os danos causados pelas criaturas perigosas e tóxicas nascidas no mercado financeiro. Faz pouco sentido demonizar o mercado; as inovações e produtos financeiros permitiram geração de poupança, sustentaram negócios da economia real, protegeram iniciativas em todas as áreas produtivas. Mas é inegável que a crise está drenando as forças da economia americana e mundial. É lá que riquezas desaparecem e os bancos são salvos com dinheiro público em nome do bem coletivo.

A Apple afundou no período "jobless": quando seu fundador se afastou da empresa. Prejuízo, perda de capacidade inovadora, queda de valor de mercado foram o final daqueles anos sem Steve Jobs. Sua volta produziu o melhor momento da companhia. Curioso é que a Apple não foi ao governo americano pedir para ser socorrida alegando ser um símbolo nacional. Fez o mais racional: chamou seu mago de volta. Steve Jobs voltou melhor do que saiu. É como se no período em que esteve ocupado com efeitos especiais, toy stories da Pixar e os softwares da NeXT uma parte do seu cérebro estivesse voltada para a Apple, vendo-a de fora. E assim, ao voltar, ele soube entender melhor a natureza da empresa que criou, e ela, como nunca, passou a oferecer complexidades simples para o usuário. O que era sofisticado tecnologicamente tinha que virar algo capaz de ser entendido por uma criança. Meu neto Daniel, de um ano e meio, está convencido de que o melhor brinquedo do mundo é o iPad de seu pai. Os adultos descobrem todas as outras dimensões do brinquedo.

As lições do evento da queda e ascensão da Apple, do período com e sem Jobs, ensinam um pouco sobre a economia de mercado, como ela deve ser. A teia protetora do Estado, que no Brasil - mas não só aqui - salva empresas quando elas se enfraquecem, impede a saída encontrada pela Apple. Se a empresa sobreviverá ao desaparecimento da sua figura central é menos importante. O relevante é entender que será vitoriosa no futuro a economia que permitir inovações que promovam rupturas. O capitalismo mostrou mais capacidade de fazer isso ao longo da história dos saltos tecnológicos recentes, mas até nisso é preciso cuidado. "Não se deixe cair na armadilha dos dogmas, o que pode significar viver com o resultado do pensamento do outro", disse Steve Jobs, certa vez.

A história de Jobs mostra que é preciso liberar a força criativa na economia. E que o medo do fracasso - como o que rondou a Apple - pode ser o melhor impulso para o salto. Saber, como os bancos sabem hoje, que todos serão salvos ao final pelo Fed ou pelos Fundos de Estabilização não faz bem à economia.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Bieber e confusão
SONIA RACY
 O Estado de S.Paulo - 07/10/2011

Justin Bieber e Selena Gomez ficaram decepcionados, segunda à noite, com a “falta de profissionalismo” no Galeão. Kenny Hamilton, segurança nº 1 e amigo do cantor, classificou a experiência como“ a pior já vivida em um aeroporto”. A queixa foi parar no gabinete de Eduardo Cardozo, da Justiça. O relato descreve cerca de 50 crianças, em área restrita da imigração, que o fotografavam sem serem incomodadas pelos agentes. No guichê, funcionários nas cabines prosseguiram com o assédio digital. Ao reclamar, Hamilton teria sido ameaçado de deportação e/ ou prisão.

Outro lado
A PF reconhece a tietagem das crianças, mas informa que elas desembarcaram no mesmo horário do ídolo. Por isso estavam na área restrita. Mas não confirma o assédio por parte dos funcionários.

Indiscreto 
Cesare Battisti foi assunto vetado, anteontem em Roma, durante almoço oferecido por Gianfranco Fini, presidente da câmara italiana, a um pequeno grupo de políticos italianos e brasileiros. Entre os comensais,Marco Maia, presidente da Câmara, e Ricardo Tripoli, líder do Grupo Parlamentar Brasil/Itália. A certa altura, um assessor de Fini entregou-lhe papéis com um menu de assuntos. Num deles lia-se “Battisti”. O italiano retrucou: “Questo no”. E, assim, preservou o bom clima da conversa.

Butim da Mônica 
A revista Alfa, que chega hoje às bancas, traz trecho inédito do livro O Cofre do Dr. Rui, de Tom Cardoso. Sobre o assalto ao ex-governador paulista Adhemar de B arros,em1969, revela que Dilma organizou a partilha do butim, cuidando da distribuição de armas, munição, documento se dinheiro.

Butim 2 
O estilo “gerentona” da moça de 22 anos agradou o capitão Carlos Lamarca, líder do VAR-Palmares. Ele logo a apelidou de... Mônica, personagem então recém-criada por Mauricio de Sousa.

Pela causa
Plínio de Arruda Sampaio mostrou-se resistente na estreia do Théâtre du Soleil, no Sesc Belenzinho, anteontem. Enfrentou fila para pegar ingresso e quatro horas de peça. Tudo para assistir ao espetáculo comunista Os Náufragos da Louca Esperança.

Numa só 
As prévias tucanas na cidade de São Paulo devem ser decididas em turno único. O diretório municipal do partido não vai acatar resolução do PSDB estadual, que prevê segundo turno.

Água de coco 
Embora os ministros do STF pleiteiem salários de Suprema Corte americana, o ritmo de trabalho em Brasília está light. Nada de palpitante deve ser incluído na pauta até quinta-feira, em razão de viagem de Gilmar Mendes e da licença médica de Joaquim Barbosa. Sem falar na vaga de Ellen Gracie, aposentada, que continua aberta.

Moviola 
João Daniel Tikhomiroff saiu satisfeito da Mipcom, em Cannes. Apresentou projetos de sua Mixer a diversos produtores, que gostaram das séries Julie e os Fantasmas e Escola para Cachorros.

GOSTOSA


ILIMAR FRANCO - Expondo Dilma


Expondo Dilma
ILIMAR FRANCO 
O GLOBO - 07/10/11

O governador Sérgio Cabral e os parlamentares do Rio vão continuar puxando a presidente Dilma para o centro do debate dos royalties. É tudo o que ela não quer. A presidente gostaria de atravessar a polêmica como se nada tivesse com isso. Não quer comprometer os 60% de votos que teve no estado em 2010. Os políticos do Rio dizem que elegeram Dilma pensando que o governo Lula ia continuar, mas que agora a realidade é outra.

A Fazenda dá a palavra final Os senadores do Rio relatam que já teriam chegado a um acordo sobre a divisão dos royalties entre produtores e não produtores, não fosse a interferência do Ministério da Fazenda. Os senadores Francisco Dornelles (PP-RJ) e Wellington Dias (PT-PI) fizeram uma proposta que tinha como base o aumento dos royalties de 10% para 20%. O secretário-executivo da Fazenda,Nelson Barbosa, vetou,dizendo que o governo não aceitava nada que atingisse a Petrobras. Desde então, a equipe do ministro Guido Mantega, único autorizado pela presidente Dilma a negociar, monitora os passos do relator, senador Vital do Rego (PMDB-PB).


O Sérgio Cabral não é um bom interlocutor. A Dilma tem ciúme dele com o Lula. Além disso, o Lula convidou o Cabral para ser vice da Dilma e ele não aceitou" - Marcelo Crivella, senador (PRB-RJ)

COMEÇOU BEM. Pré-candidato oposicionista à Presidência da Venezuela, Leopoldo López, na foto, ao centro, veio ao Brasil pedir o apoio do DEM à sua empreitada. O partido sobrevive a duras penas, depois de perder quadros para o novo PSD, criado pelo prefeito Gilberto Kassab (SP). Na foto, López aparece com o presidente do DEM, senador José Agripino (RN), e a única governadora demista, Rosalba Ciarlini (RN).

Expondo DilmaO governador Sérgio Cabral e os parlamentares do Rio vão continuar puxando a presidente Dilma para o centro do debate dos royalties. É tudo o que ela não quer. A presidente gostaria de atravessar a polêmica como se nada tivesse com isso. Não quer comprometer os 60% de votos que teve no estado em 2010. Os políticos do Rio dizem que elegeram Dilma pensando que o governo Lula ia continuar, mas que agora a realidade é outra.

A Fazenda dá a palavra finalOs senadores do Rio relatam que já teriam chegado a um acordo sobre a divisão dos royalties entre produtores e não produtores, não fosse a interferência do Ministério da Fazenda. Os senadores Francisco Dornelles (PP-RJ) e Wellington Dias (PT-PI) fizeram uma proposta que tinha como base o aumento dos royalties de 10% para 20%. O secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, vetou, dizendo que o governo não aceitava nada que atingisse a Petrobras. Desde então, a equipe do ministro Guido Mantega, único autorizado pela presidente Dilma a negociar, monitora os passos do relator, senador Vital do Rego (PMDB-PB).

Não colouAs mudanças admitidas ontem pelo relator da reforma política, deputado Henrique Fontana (PT-RS), não resolvem o impasse. "Não tem a menor condição. Não sai do canto", disse o líder do PMDB, deputado Henrique Alves (RN).

No scriptAliados da senadora Marta Suplicy (PT-SP) reconhecem que a candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo "ganhou corpo". Isso enfraquece Marta e o deputado Carlos Zarattini. Mas alertam: "O jogo não está jogado".

O PMDB COMEMORA. Os senadores emplacaram Fernando Passos na diretoria Financeira do Banco do Nordeste e o deputado Isidro Moraes de Siqueira na diretoria de Controle e Risco.

PARLAMENTARES mineiros estiveram ontem com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), reforçando a indicação da desembargadora Assusete Magalhães para o STJ.

O PT vai transformar a comemoração de seu aniversário, em fevereiro, em uma conferência eleitoral com vistas às eleições municipais. Reunirá os pré-candidatos e atuais prefeitos.

Suando a camisaEm obstrução para tentar impedir a votação da redistribuição dos royalties do petróleo, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu verificação de quorum da votação de uma Medida Provisória. O presidente do Senado, JOSÉ SARNEY (PMDB-AP), disse que não, porque não havia o intervalo mínimo de uma hora desde a verificação anterior, o que é exigido pelo regimento. "Tinha visto a votação às 17h45m. São 18h46m", contestou Lindbergh. E Sarney: "O computador nosso dá 17h47m57".

Apoio da oposiçãoO líder da Minoria no Congresso, deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), sai em defesa da proposta Dornelles para a redistribuição dos royalties do petróleo: "Ela tira mais da União e distribui melhor os recursos entre os estados".

A Fazenda é contraO PT quer aumentar de 7,5% para 9% a contribuição da União para o Fundo de Previdência Complementar do Servidor Público.
E que a União entre com até 3% no caso de servidor que ganha menos do que o teto do INSS.

MARIA CRISTINA FERNANDES - Pela grelha de alumínio do Ibirapuera

Pela grelha de alumínio do Ibirapuera
MARIA CRISTINA FERNANDES
VALOR ECONÔMICO - 0710

Os paulistas escolheram a principal data da política regional para nomear o prédio da Assembleia Legislativa. Concebido em 1961, é o projeto de um Brasil que se modernizava que acabou sendo inaugurado - e batizado - sete anos depois sob a regência do AI-5.
O Palácio Nove de Julho abriga os presidentes estaduais de quatro partidos, PT (Edinho Silva), PSDB (Pedro Tobias), PMDB (Baleia Rossi), PTB (Campos Machado) e o nacional dos petistas, Rui Falcão.
Esta elite política estadual foi forjada na tradição, celebrada na revolução constitucionalista de 1932, de que São Paulo, por ter se desenvolvido em contraposição à tutela colonial, é o berço da democracia liberal tupiniquim.

Crise na Assembleia revela cisma na base política de Alckmin
Do bloco envidraçado recoberto por uma grelha de alumínio, avista-se o Ibirapuera, mas o parque não tem qualquer integração com a Casa. Poucos lembram que passaram pela chancela da Assembleia políticas que afetam diretamente o dia a dia dos paulistas.
Foi lá que, nos anos 1990, se autorizou a venda das energéticas paulistas, dando início à política nacional de privatização do setor elétrico, e do maior banco estatal até hoje posto à venda no país (Banespa). Sem as estatais, São Paulo passou a falar mais fino na Federação.
O PSDB fez esta transição sem largar o osso. Do vozerio que se ouve na Assembleia Legislativa, reporta-se um ativo comércio de emendas parlamentares, mas é da permanência do PSDB no poder que se trata.
O mensalão petista prosperou em meio à luta interna do partido com a ampliação da base lulista.
As denúncias em curso no Legislativo paulista têm menos chance de prosperar porque em duas décadas de tucanos no poder nunca houve CPI digna desse nome. A maioria governista e o regimento interno da Casa da democracia liberal paulista favorecem a que CPIs fictícias bloqueiem investigações propostas pela oposição.
Ainda que frustrada a CPI, as denúncias revelam mal-estar crescente que ameaça a base do governador Geraldo Alckmin e pode acabar engordando as hostes do prefeito Gilberto Kassab.
Não é uma ameaça desconhecida para Alckmin. Em 2005, quando governava o Estado pela segunda vez, enfrentou uma grande derrota na eleição para a Presidência da mesa diretora da Assembleia. Perdeu para o DEM que, no ano anterior, havia colocado Kassab na chapa de José Serra à Prefeitura de São Paulo.
O confronto prosseguiu na sucessão municipal seguinte quando Alckmin se apresentou contra a reeleição de Kassab que havia sido deixado no posto de prefeito por Serra.
Ao se apresentar para voltar, pela terceira vez, ao governo do Estado, Alckmin tratou de costurar com o DEM, dando ao partido a vaga de vice (Guilherme Afif) na chapa e convidando estrelas do partido, como o deputado que o havia derrotado na mesa da Assembleia, Rodrigo Garcia, para seu secretariado.
O que não parecia estar no roteiro era a força adquirida por Kassab com o novo partido. Talvez não seja uma coincidência que o PTB, partido mais ativo na contestação judicial do PSD, também seja a filiação de Roque Barbiere, o deputado que, contratado para assar o leitão, ameaça atear fogo à Casa.
Aliado de primeira hora de Alckmin, o PTB alveja os poderes do presidente da Assembleia, Barros Munhoz, um tucano que continua a defender a competitividade de José Serra na eleição presidencial de 2014.
Se tem algo que Alckmin já deixou claro nessa sua volta ao Bandeirantes é que não haverá colisão entre seu projeto e o da presidente da República.
No final do mês, Dilma Rousseff deve voltar pela terceira vez ao Palácio dos Bandeirantes - onde Luiz Inácio Lula da Silva não pisou enquanto Alckmin foi governador- para lançar uma parceria na área de habitação.
Foi-se o tempo em que o presidente da República ouvia gritos de "Alckmin presidente" em eventos com o empresariado paulista como aconteceu com Lula. Centenas de canteiros de obras de conjuntos habitacionais terão, lado a lado, as placas do "Minha Casa Minha Vida" e do "Casa Paulista", programa lançado por Alckmin para selar parceria com Dilma no setor.
Por isso, não parece haver dúvidas no seu entorno de que o governador pretende ficar onde está em 2014.
Enquanto o adversário é o PT, as disputas têm sido mornas. O único segundo turno paulista de que o PT participou foi em 2002 com José Genoino.
O momento mais delicado da renovação das duas décadas dos tucanos em São Paulo se deu justamente contra o bloco de forças que hoje se reagrega em torno de Kassab.
Foi em 1998 que Paulo Maluf pôs mais de um milhão de votos à frente de Mário Covas, que só reverteu a disputa no segundo turno porque Marta Suplicy despejou 3 milhões de votos no seu palanque.
O xadrez de Alckmin também tem petistas e os herdeiros do malufismo que se abrigam no PSD.
PT e PMDB já fizeram um acordo de apoio mútuo no segundo turno que recebeu publicidade inversamente proporcional à sua importância para 2012.
O prefeito é o eleitor potencialmente mais forte de sua sucessão, mesmo com uma popularidade arranhada como a de Kassab.
Se o PSDB não conseguir convencer Serra a disputar, Kassab deverá optar por Guilherme Afif, que, além do peso da máquina municipal, tem competitividade testada na eleição ao Senado.
Como vai disputar o mesmo eleitorado dos tucanos na capital, é improvável que PSD e PSDB se confrontem no segundo turno. Dado que os quatro pré-candidatos tucanos não impressionam pelo histórico eleitoral, não se deve desprezar as chances de Afif.
Alckmin pode vir a ter que escolher entre o palanque de Haddad/Chalita de um lado, e o do PSD, ameaça potencial a seus planos de 2014, no outro. Não é difícil imaginar por qual optaria.
Esse xadrez não facilita a coesão da base do governador que assiste à fratura do campo político em que colhe votos.
Não deixa de ser uma ironia que o PSD, partido que está amplificando o vozerio do escândalo das emendas parlamentares na Casa do nativismo paulista, se filie às hostes federais. É isso que se avista pela grelha de alumínio do Ibirapuera.

RAYMUNDO COSTA - Fux entra na lista de padrinhos que disputam indicação ao STF


Fux entra na lista de padrinhos que disputam indicação ao STF
RAYMUNDO COSTA
VALOR ECONÔMICO - 07/10/11


A presidente Dilma Rousseff deve indicar nos próximos dias o nome do substituto da ministra Ellen Gracie no Supremo Tribunal Federal (STF), que pediu aposentadoria em agosto. Dilma quer uma mulher para a vaga. A definição do nome do novo ministro e sua recomendação ao Senado era esperada para o fim de setembro, mas a presidente decidiu esperar por ainda não ter segurança sobre o nome a ser escolhido, segundo informação que circula no PT e nos meios jurídicos de Brasília.
Há muitas candidatas ao cargo, mas também muitos padrinhos atuando nos bastidores. Entre os mais conhecidos, tentam influenciar a decisão da presidente o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, o ministro do STF Luiz Fux e o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. Advogados que atuam nos tribunais superiores avaliam que o Supremo se ressente de um ministro mais especializado em matéria penal.
Duas ministras do Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma do Superior Tribunal Militar (STM) e uma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) frequentam todas as listas e seguramente estão sendo consideradas por Dilma: Fátima Nancy Andrighi e Maria Thereza de Assis Moura, do STJ, Maria Cristina Peduzzi, vice-presidente do TST, e Maria Elizabeth Rocha, do STM.
Nos últimos dias, um novo nome passou a circular no Judiciário: Heloisa Helena Barbosa, professora de Direito Civil na Universidade do Rio de Janeiro, colega de turma e coautora de trabalhos com o ministro do STF Luiz Fux. O ministro do Supremo é um dos principais defensores da indicação da colega para a cadeira de Ellen Gracie, vaga desde agosto.
Outra ministra do TST, Rosa Maria Weber, gaúcha - Ellen Gracie, apesar de ser carioca fez carreira jurídica no Rio Grande do Sul - também passou a ser mencionada como candidata à vaga, com o apoio do governador do Estado, Tarso Genro.
O ex-marido da presidente Dilma Rousseff, Carlos Araújo, também teria aderido à candidatura da ministra trabalhista. A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho também divulgou nota de apoio à gaúcha.
No governo, a informação é que a presidente Dilma pretende indicar um nome de reconhecida formação jurídica, de sólidos conhecimentos técnicos. Isso ocorreu em fevereiro passado, quando foi indicado Luiz Fux. Ou seja, um juiz de formação técnica e não política. Esse fato, no entanto, não diminui as chances da ministra Maria Elizabeth Rocha, do STM, que trabalhou com a presidente na Casa Civil da Presidência da República, pois também é considerado um nome técnico e de boa formação jurídica.
Ellen Gracie foi a primeira mulher no Supremo Tribunal Federal, indicada em 2000 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ela também presidiu o STF, em 2006. Em agosto deste ano, Ellen Gracie decidiu antecipar sua aposentadoria, prevista para ocorrer somente em 2018, deixando a Corte com apenas 10 ministros.

RAQUEL ULHÔA - Senador capixaba compara guerra dos royalties ao nazismo



Senador capixaba compara guerra dos royalties ao nazismo
RAQUEL ULHÔA
VALOR ECONÔMICO - 07/10/11


Em discurso da tribuna, o Senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) disse que os Estados produtores de petróleo estão sendo "esmagados" no embate em torno dos royalties. Comparou a articulação dos não produtores para mexer na distribuição atual da receita, hoje concentrada no Rio de Janeiro e Espírito Santo, a uma ditadura da maioria e ao nazismo. Ele vê um "clima perverso" de guerra federativa.
"Quando a maioria se arvora ao direito de esmagar a minoria, saímos, então, do terreno da democracia para o terreno da ditadura, da simples tirania. Tomemos como exemplo extremo o caso da Alemanha nazista, onde a maioria apoiou a perseguição, o massacre de judeus, negros e homossexuais", disse.
Segundo ele, a minoria não pode ser "atropelada e esmagada pelo rolo compressor de uma maioria que, circunstancialmente, está ignorando direitos previamente pactuados". O capixaba referiu-se à proposta, em negociação no Senado, de alterar a distribuição dos royalties e participação especial dos campos já licitados, cuja arrecadação hoje faz parte da receita dos Estados produtores.
O Senador criticou a concentração de poderes e de recursos tributários no governo federal, que, na sua opinião, distorce o pacto federativo, por comprometer a receita e a autonomia dos Estados. Disse que desigualdades regionais não serão combatidas "desorganizando a economia dos Estados produtores".
Ferraço lembrou que a Constituição estabelece compensação financeira para Estados e municípios, pela exploração de petróleo ou gás natural, recursos naturais, recursos hídricos para fins de geração de energia no seu respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva. Compensação, segundo ele, pelos impactos sociais, econômicos e ambientais provocados pela operação.
Para o Senador, "a ambição da maioria" faz com que os não produtores esqueçam que o artigo 155 da Constituição determina que o ICM sobre energia elétrica, petróleo e derivados seja cobrado no Estado de destino e não no de origem, como é regra. Ou seja, Estados produtores ficam com a maior fatia de royalties, mas abrem mão da receita do ICMS do petróleo e derivados.
Ferraço afirmou que qualquer mudança isolada e "casuística" na partilha de receitas tributárias geraria desequilíbrio sistêmico e quebra do princípio federativo, além de causar insegurança jurídica. "O que a maioria quer impor à minoria é a mudança das regras do jogo em pleno jogo. É rasgar contratos juridicamente perfeitos, que estão em pleno vigor, o que compromete de maneira assustadora e perversa o equilíbrio fiscal e os programas de investimento já em curso de Estados e municípios produtores."
Ferraço disse que o Senado, como "guardião da unidade nacional", tem que buscar um caminho equilibrado nas negociações até dia 19 de outubro, data prevista para a votação do projeto no Senado.