sexta-feira, setembro 02, 2011

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Caminho das pedras
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 02/09/11


Na véspera da abertura do congresso do PT, o ministro Gilberto Carvalho fez, em reunião com deputados da sigla, uma análise comparativa dos estilos Dilma e Lula de governar. "Vocês têm de compreender que ela é muito mais centralizadora. Tem que ter paciência", ensinou. O secretário-geral da Presidência disse que Lula "tem feito grande esforço" para não eclipsar o novo governo, mas que também não se pode esperar que o ex-presidente "vá para o exílio".
Carvalho tratou ainda do assunto "faxina", em resposta à preocupação de seus correligionários com a série de degolas no primeiro escalão do governo.
Reengenharia Sobre Antonio Palocci, Carvalho afirmou: "Todo mundo sentiu muito a saída dele, mas, com a chegada das meninas superpoderosas, o governo corrigiu o problema que vitimou o Luiz Sérgio". Trata-se do coordenador político que não tinha função, entre outros motivos porque tudo passava por Palocci.

Fatura O congresso do PT está orçado em R$ 2 milhões. Representantes de legendas aliadas foram chamados para a abertura.

Para depois Segundo líderes de diferentes partidos, a emenda 29 será aprovada em 28 de setembro, tal como agendado, sem que seja indicada uma nova fonte de financiamento para a saúde. Esse "detalhe" ficará para o Senado resolver.

Em outra Dilma não gostou nem um pouco de ver o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), defender a legalização dos bingos como fonte alternativa de recursos para a saúde. A presidente é contra.

Corpo a corpo A campanha do governador Eduardo Campos (PSB-PE) para emplacar a mãe, Ana Arraes (PSB-PE), como ministra do Tribunal de Contas da União incluiu jantar, anteontem, para mais de cem deputados.

Os cunhados Entre as encrencas a envolver os irmãos da primeira-dama paulista, a que mais aborreceu Geraldo Alckmin foi a protagonizada por Adhemar Ribeiro. Ao contrário de Paulo Ribeiro, investigado na máfia da merenda em Pindamonhangaba e de quem o governador nunca foi próximo, Adhemar, cuja empresa é acusada de fraude imobiliária na capital, sempre desfrutou da confiança do tucano.

A explicar A corregedora do CNJ, Eliana Calmon, instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta do desembargador Luiz Zveiter, que, quando presidente do TJ-RJ, teria ignorado pedido de escolta da juíza Patrícia Acioli, assassinada em 11 de agosto. Zveiter, que nega ter rejeitado o apelo, hoje dirige o TRE.

Disparos Em reunião ontem sobre estratégias de internet do DEM, Cesar Maia criticou FHC e outros oposicionistas pelos elogios à "faxina" de Dilma. O ex-prefeito disse dispor de pesquisas segundo as quais a popularidade da presidente teria sido abalada pelos escândalos.

Misturão Em desacordo com Alckmin sobre a corregedoria da polícia, Campos Machado (PTB) negocia com o PSB a formação de bloco eleitoral para 2012 que pode atrair ainda o PC do B. Além da corrida pelas prefeituras, os partidos atuariam em conjunto na Assembleia.

Visita à Folha Andrea Matarazzo, secretário da Cultura do Estado de São Paulo, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Ciro Bonilha, assessor de imprensa.
com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

contraponto

"O DEM tem mais cargos no governo federal do que o PMDB do Rio de Janeiro."
DO DEPUTADO EDUARDO CUNHA, peemedebista insatisfeito, lembrando que "o secretário-executivo do ministro Moreira Franco (Assuntos Estratégicos) era advogado do DEM. Trata-se de Roger Stiefelmann Leal.

contraponto

Conversão recente


Em reunião de ministros e parlamentares, anteontem, para tratar da divisão dos royalties, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) fazia sua explanação:
-O dinheiro para os Estados não produtores sairá ou dos Estados produtores, ou da União ou das petroleiras. E o Brasil pouco taxa as petroleiras...
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) brincou:
-O senhor está indo para a esquerda...
-Isso é verdade! Eu até já pedi ao Lindberg Farias a ficha para me filiar ao PT!

FERNANDO GABEIRA - Alguma coisa acontecendo, Mr. Jones


Alguma coisa acontecendo, Mr. Jones
FERNANDO GABEIRA
O Estado de S.Paulo - 02/09/11

De Sana a Londres, de Tel-Aviv a Santiago, de Trípoli a Madri, os jovens estão em movimento no mundo. Uma armadilha perigosa seria estabelecer paralelos com 1968. O próprio Daniel Cohn-Bendit se recusa a isso, afirmando que são momentos diferentes na História e se quisermos entender o que se passa melhor é esquecer 68. No entanto, um verso de Bob Dylan, composto na época, ainda tem alguma validade: alguma coisa está acontecendo, Mr. Jones, e você não sabe o que é.

A maioria dos processos ainda não foi concluída. Por maior que seja o esforço analítico, é preciso uma dose mínima de humildade para tentar entender tudo o que se passa e estabelecer conexões entre lugares tão distantes e sociedades tão singulares. Até agora, um único denominador comum tem sido enfatizado: o uso de instrumentos de comunicação fora do controle dos governos, como é o caso da internet. Mas mesmo esse dado é relativo, porque no Egito e em outros países do Oriente Médio a repressão conseguiu bloquear a internet.

Na Inglaterra talvez tenha acontecido algo realmente especial. Cohn-Bendit, ironicamente, afirma que ali ocorreu a primeira revolta liberal da juventude planetária. Alguns políticos ingleses chegaram a pedir aos produtores de BlackBerry que bloqueassem as mensagens no interior do país. O que, a julgar pela iniciativa, define a revolta inglesa como também a primeira realizada por usuários de BlackBerry.

Os jovens ingleses atacaram lojas e supermercados sempre com a preocupação de obter objetos de consumo, de preferência das marcas mais famosas. O que levou o Daily Telegraph a concluir que sua revolta era para consumir o mesmo que os dirigentes ingleses.

Já tive a oportunidade discutir esse tema durante os saques no início da década de 1990 no Rio. Muitos saqueadores levaram iogurte e bacalhau, escolha que levou a uma condenação mais severa da imprensa. Era uma prova de que não estavam apenas famintos. Mas a perplexidade tem a mesma origem do choque dos ingleses com as características dos saques do verão londrino.

Nem todos os bens de consumo estão ao alcance de todos. Mas a propaganda, sim.

Tangidos pelo desemprego, pela alta dos alimentos e revoltados com a ditadura em seus países, os jovens dos países árabes iniciaram uma nova fase histórica na região. Ditadores balançaram, ditadores conciliaram, foram presos e exilados.

A implantação da democracia em alguns países já abre uma enorme perspectiva para a juventude árabe. Mas o que dizer dos espanhóis, também pressionados pelo desemprego? Sua luta é para aprofundar a democracia, mudar o modo de fazer política. É uma demanda nova, difícil de ser entendida claramente pela população e até por alguns manifestantes. O que significa aprofundar a democracia, que novos hábitos políticos devem ser inaugurados?

Todos nós temos alguma ideia sobre isso. Mas não há consenso nem clareza. O movimento dos indignados em Madri ganhou grande atenção na Espanha e no mundo também por ter surgido perto das eleições municipais. Seu grande teste será sobreviver e crescer no período pós-eleitoral, quando grande parte dos eleitores desloca sua atenção da política para a vida cotidiana.

Em Israel, o movimento dos jovens talvez seja o que mais tem crescido numericamente, a ponto de projetar um encontro de 1 milhão de pessoas, algo que não é de todo impossível na China ou na Índia, mas um feito extraordinário para um país de 8 milhões de habitantes.

O modelo do movimento em Israel e mesmo o da Espanha se inspiraram na Islândia. Em Tel-Aviv, revoltado com o aumento do preço de seu aluguel, Daphni Leef decidiu acampar como protesto. Na Islândia, a inspiração dos espanhóis, o banco Kaupthing acabara de quebrar. O cantor Hordur Torfason pegou sua guitarra e foi para a porta do Congresso. É um cantor conhecido, atraiu gente e abriu o microfone para as pessoas que se aproximaram. Daí nasceu um movimento chamado Vozes ao Vento, que levou a Islândia, via plebiscito, à recusa de pagar uma dívida de 4 bilhões cobrada pela Inglaterra e pela Holanda.

É ilusão, entretanto, achar que com uma guitarra na mão e uma revolta na cabeça milhares de pessoas se vão aglutinar em torno de um líder ocasional. Pesquisa do Pew Global Attitudes Project revelou que 27% dos egípcios estavam satisfeitos com seu país, bem abaixo dos 47% registrados em pesquisas anteriores. Na China, 87% estavam satisfeitos.

Isso não explica o fracasso dos protestos de Jasmin.

A China aprendeu com as manifestações da Praça Tiananmen. Um longo relato na revista Atlantic de agosto, feito por James Fallows, revela que as autoridades chineses agora temem tudo e tomam providências com antecipação, às vezes até desproporcionais ao perigo. A China começa prendendo os advogados de direitos humanos - Fallows sublinha que, embora pareça impossível, eles existem lá. Só depois passa a prender os possíveis manifestantes. Por isso os protestos chamados para a esquina de Wangfujing, defronte ao McDonald"s, tinham mais jornalistas estrangeiros do que chineses.

O caso chileno, que tenho acompanhado esta semana, também é particular. O sistema educacional formulado na época de Pinochet continua em vigor. Estudantes saíram às ruas contra um modelo de mercado, pedindo educação gratuita e de qualidade. Independentemente do que se acha da proposta, é inevitável constatar que num país com grande tradição de luta ela subiu ao topo da agenda. E a maioria dos chilenos, cerca de 77%, apoia a tese dos estudantes, sem, contudo, apoiar os distúrbios que extremistas provocam ao fim das manifestações.

O jornal chileno El Mercurio destacou, esta semana, Índia e Brasil às voltas com a corrupção. Ambos os países em processo de se tornarem potências mundiais. Todos se olham em busca do movimento fora de suas fronteiras, porque sabem que vivemos uma história sem fim.

GOSTOSA



WASHINGTON NOVAES - Um poeta que mudou a televisão brasileira


Um poeta que mudou a televisão brasileira
WASHINGTON NOVAES
O Estado de S.Paulo - 02/09/11

Poucas pessoas têm hoje ideia da importância, na história da televisão brasileira, de Homero Icaza Sánchez (com acento agudo no a), que morreu no último dia 30. Mas ela foi fundamental, transformadora.

Panamenho de nascimento, poeta, Homero tornou-se amigo de Manuel Bandeira, que chegou a traduzir alguns de seus poemas. Antológicos, como os do livro Las Arras del Amor, que ele mesmo conhecia desde 1966, mas só foram publicados na década de 80 em edição restrita de 210 exemplares, ilustrados por serigrafias de Carlos Scliar. São 15 sonetos impecáveis, em que o último verso do primeiro ("en este corazón desamparado") passa a ser o primeiro verso do seguinte - e assim em todos os poemas, até que o 15.º é feito dos primeiros versos dos 14 anteriores.

Homero tinha muitas aptidões. Foi dos primeiros a construir modelos para pesquisas de opinião pública. E essa capacidade acabou levando-o em 1973 para a ainda incipiente TV Globo. Homero tornou-se diretor de pesquisa e fez uma revolução. Naquele tempo, as novelas tinham em grande parte temas estranhos à realidade brasileira (O Sheik de Agadir, por exemplo). Com suas pesquisas, Homero mostrou que temas próximos da nossa realidade seriam bem aceitos pelo público - até desejados. E ocorreu a inflexão. Mas a principal inovação estava nas pesquisas que não se limitavam a perguntar se o espectador estava gostando ou não da novela - e sim em pesquisas específicas sobre cada personagem e as relações do espectador com ela. De tudo tomavam conhecimento os autores.

No primeiro contato profissional de Homero com o autor destas linhas (que passou em 1975 a ser editor-chefe do Globo Repórter), uma lição inesquecível: "Você não pode esquecer que, na televisão, fala com todos os públicos ao mesmo tempo - doutor e analfabeto, velho e criança, rico e pobre, homem e mulher, morador da cidade ou do campo, do sul ou do norte. E tem de ser entendido por todos, ser interessante para todos - sem ser chato, banal. Porque, se a pessoa não entender algo do seu texto e deixar de prestar atenção para perguntar a alguém "o que é que ele disse?", já terá perdido a sequência e poderá mudar de canal". E perder audiência na TV era e é pecado mortal.

Algum tempo depois, no governo Geisel, o programa deixou de ter censura prévia da Polícia Federal. Aproveitou-se, então, para abrir mais a temática do programa, que passou a tratar também de questões sociais brasileiras, como boias-frias, mortalidade infantil e outras. E, para surpresa de todos, a audiência começou a diminuir, cair abaixo de 50 pontos de Ibope, enquanto subia a de seu concorrente principal no horário, o programa do Chacrinha. Solicitou-se uma pesquisa específica ao Homero. E ele foi claro: o público das classes A e B, de maior renda e instrução, considerava "impróprio" ou "desagradável" que a TV lhe levasse temas tão incômodos "na hora do jantar". Já o público das classes D e E, de menor renda e instrução, dizia que, se o programa era apenas para mostrar a realidade da pobreza e da vida dura das pessoas, não precisava vê-lo: sentia na carne todos os dias; se o programa não trouxesse propostas de mudanças, alternativas úteis, preferia ver o Chacrinha.

Algum tempo depois, nova consulta ao Homero: o Globo Repórter havia sido procurado por uma delegação de cegos; eles gostavam muito do programa, acompanhavam-no pela narrativa do locutor; mas sempre que o narrador cedia a palavra a algum entrevistado, eles, cegos, não sabiam de quem se tratava, porque a identificação do entrevistado aparecia apenas escrita na tela; e eles pediam que houvesse identificação especificada pela voz do narrador - o que foi atendido, mas suscitava uma questão mais ampla: como atender a todos os públicos, principalmente o dos surdos-mudos, que, juntamente com os cegos, formavam mais de 10% da audiência e também reclamavam? Homero chegou a sugerir que um oitavo da tela fosse ocupado por um intérprete na Língua Brasileira de Sinais (libras). Mas a proposta enfrentou resistências em outras áreas.

Em muitas ocasiões se discutiam a temática do programa, sua linguagem, acertos e desacertos. Em certos momentos, muito complicados. Como no dia em que uma professora universitária foi, na quarta-feira, queixar-se de que o filho de 8 anos, que era vegetariano e só comia saladas e legumes, desde a véspera se recusava a comer qualquer coisa, porque vira no programa a documentação do teor inaceitável de agrotóxicos perigosos nos produtos vendidos no maior mercado paulista. "Vocês é que criaram o problema, agora me deem a solução", dizia ela. A única recomendação possível foi a de levá-lo a um psicólogo. Mas as pesquisas do Homero mostravam que o público desejava que lhe fossem feitas advertências sobre o teor dos programas e cuidados a tomar.

Nessa mesma ocasião veio à baila episódio semelhante, em que o diretor de Jornalismo, Armando Nogueira, ao voltar do almoço encontrou uma senhora que lhe contou haver o filho adolescente sofrido uma parada cardíaca ao ver na TV, poucas horas antes, cenas de uma pessoa que se atirara do terraço superior do Edifício Joelma, em São Paulo, que estava em chamas. O cinegrafista acompanhara toda a sequência, desde o momento em que a pessoa subira ao parapeito e se atirara até estatelar-se na rua, mais de 20 pavimentos abaixo. A espectadora dizia que, socorrido, o filho já estava bem; mas recomendava cuidado com as imagens. No Jornal Nacional, horas depois, a cena foi exibida apenas com "quadros parados": o homem sobre o parapeito, depois já morto no chão. E o episódio criou regras.

Homero estava sempre atento. Não por acaso escreveu: "Ni esclavo del amor, ni desterrado,/ he de vivir, Amor, humanamente/ este morir al cual fuí condenado".

Num momento como este, tão difícil para a comunicação brasileira, fazem muita falta discussões como as mencionadas. E faz falta o Homero.

MARCIA PELTIER - Palco comunitário


Palco comunitário 
MARCIA PELTIER
JORNAL DO COMMÉRCIO - 02/09/11

A Unidade de Polícia Pacificadora do Pavão/ Pavãozinho e Cantagalo irá ganhar, nesta sexta, um prédio de cinco andares para sua sede definitiva. Será a primeira UPP a contar com um auditório para 80 pessoas, onde serão ministrados palestras e cursos. Além desse espaço, haverá uma sala de mediação de conflitos mantida pelo TJ, serviço idêntico ao que já é prestado nas UPPs da Cidade de Deus, Complexo do Alemão, Vila Cruzeiro e Batan.

Precursora 

O chanceler Antonio Patriota encontra-se, nesta sexta, na Bulgária, com o ministro dos Negócios Estrangeiros Nikolay Mladenov, com o vice-presidente da Assembleia Nacional Anastas Atanassov e com o presidente da República Georgi Parvanov. Em pauta, a visita que a presidente Dilma fará, em outubro, ao país, terra dos ancestrais dos Rousseff.

Beleza nacional 
A amazona paulista Luiza Tavares de Almeida — uma das herdeiras do banco Luso-Brasileiro, do Casa Grande Hotel (no Guarujá) e da cachaça Velho Barreiro — já está sendo considerada a musa do Athina Onassis International Horse Show, na Hípica carioca. Ela, que completa 20 anos na próxima semana, está com participação acertada na equipe brasileira dos Jogos Panamericanos de Guadalajara. Quem ainda está em fase de avaliação é seu irmão caçula, Manoel Neto, de 17 anos. O jovem é forte candidato à quinta vaga. Se for aprovado, será a primeira vez que o Brasil contará com irmãos defendendo títulos para o hipismo nacional.

Aposta 
Depois que deixou o comando da Ambev, em 2004, o executivo Magim Rodriguez Junior resolveu se dedicar totalmente ao agronegócio. Não demorou muito para se tornar uma das referências nacionais quando o assunto é produção de carne premium de cordeiro. "O Brasil ainda importa 70% da carne que consome. Por isso, a ovinocultura é um pote de ouro a ser encontrado", explica o empresário, que conta com a ajuda do filho Fábio Cotrim Rodriguez. Neste fim de semana, Magim promove em sua Fazenda Sesmaria, em Amparo (SP), a segunda edição do Borrega de Ouro, evento que reúne criadores de todo o Brasil.

Remuneração adulta 

O mercado das babás está inflacionado na Zona Sul. Enquanto no Flamengo e em Botafogo elas ganham, em média, de R$ 900 a R$1, 5 mil, no Jardim Botânico, Gávea e Leblon os salário chegam a R$3 mil. Amiga da coluna, que começou uma romaria atrás da babá perfeita, sentencia: “Para pagar R$ 3 mil para uma babá, ela tem que fazer mágica como a Mary Poppins”.

‘Tax free’ à brasileira 

As lojas da marca Cavalera, localizadas na Oscar Freire, em São Paulo, e no Rio Sul e Barra Shopping estão de olho nos turistas estrangeiros. Para atrair esse público devolverão o valor simbólico (10%) do ICMS aos que apresentarem passaporte internacional na hora de efetuar a compra. A iniciativa de Alberto Hiar, dono da grife, é implantar o mesmo formato dos países da Europa e dos EUA, onde estrangeiros de passagem pela cidade são reembolsados do imposto.

Festas cult 

Várias recepções na próxima semana vão girar em torno da ArtRio, a grande feira de artes plásticas que vai de quinta a domingo nos armazéns do Pier Mauá. A festa de abertura, dos organizadores Brenda Valansi Osorio, Elisangela Valadares, Alexandre Accioly e Luís Calainho será na quarta, no Hotel Santa Teresa, para 450 pessoas, com menu do chef Damien Montecer e som do DJ Marcelo Paes. A galerista Juliana Cintra está enviando um convite que já é uma obra de arte: um colar especialmente criado por Nelson Leirner para a festa na sua casa, terça.

Às origens 

Por falar no artista, a mostra Nelson Leirner 2011-1961=50 anos abre na terça, na galeria de arte do Sesi-SP, com mais de 40 obras que colocaram o paulistano em posição de destaque na história da arte brasileira. A retrospectiva contará com a instalação inédita Um, nenhum e cem mil.

‘Pocket books’ 
De olho nos novos leitores que querem adquirir livros clássicos e contemporâneos a um preço acessível, a livraria Saraiva e a editora Nova Fronteira lançam neste fim de semana, na Bienal do Livro, uma coleção de bolso. Para Marcílio Pousada, diretor-presidente da livraria Saraiva, a ideia é ampliar a difusão da cultura tanto no meio físico como no digital: "Mais de 90% do catálogo estarão disponíveis também para e-books e com preço 30% menor em relação ao livro em papel, que custará entre R$ 9,90 e R$ 22,90". A primeira edição traz 40 títulos de autores como Machado de Assis, William Shakespeare, Agatha Christie, Fernando Pessoa, Nelson Rodrigues, Friedrich Nietzsche e Jane Austen.

Livre Acesso

O alpinista Rodrigo Raineri, que já atingiu o cume do Everest três vezes, lança neste domingo às 15h, na XV Bienal do Livro, em co-autoria com Diogo Schelp, a obra No Topo do Mundo. A editora Leya instalou uma parede de escalada em seu estande para os leitores mais atléticos que quiserem se exercitar.

Também no domingo, na Bienal, às 19h, no estande Mulher e Ponto, os cirurgiões plásticos Charles Sá e Natale Gontijo de Amorim participam de debate sobre os benefícios e limites pela busca da beleza. O casal é adepto da linha cirurgia para correção e, por conta disso, já perdeu alguns clientes que tentam resolver problemas não-estéticos com plástica. Eles são autores do livro Os mistérios da vaidade humana, que será relançado durante o evento, com prefácio do cirurgião plástico Ivo Pitanguy e de Murilo Melo Filho.

Paraty reforça seu calendário de eventos este mês. Entre os dias 9 e 11 a cidade recebe encontro de publicitários. E de 21 a 25 acontece o encontro de fotografia Paraty em Foco.

Depois do sucesso no Teatro dos Quatro, o espetáculo A Olho Nu, dirigido pela cineasta Duda Gorter, reestreia este sábado no Teatro Leblon, na sala Marília Pêra, trazendo no elenco os atores Rose Abdallah e Marcello Melo.

Diretora, professora e coreógrafa no Centro de Arte Nós da Dança e da Cia. Nós da Dança, Regina Sauer, faz um aulão de modern jazz, esta sexta, no Conservatório de Dança (CODA), na Barra da Tijuca.

A Mongeral Aegon lança nesta sexta a 37ª edição do Galo de Ouro, campanha direcionada para os corretores campeões de vendas em todo o país, que vai premiar 14 deles com viagem à África do Sul, com acompanhante, e R$ 9 mil em dinheiro.

Com Marcia Bahia (interina), Cristiane Rodrigues, Marcia Arbache e Gabriela Brito

VINICIUS TORRES FREIRE - Certo ou errado, foi esquisito

 Certo ou errado, foi esquisito
VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 02/09/11

Mesmo que se considerem novas ideias a respeito de juros e controle de preços, decisão do BC é estranha


O MAIS ESQUISITO nessa decisão do Banco Central de talhar a taxa de juros em meio ponto percentual foi o momento: anteontem. Isto é, mês e meio depois de tê-la aumentado; pelo menos mês e meio antes de ser possível saber algo sobre a rapidez do naufrágio da economia mundial.

Mais importante ainda: com ou sem naufrágio, cortar meio ponto agora ou na próxima reunião do BC, em 19 de outubro, não faz grande diferença para a economia. Aliás, nem pequena diferença.

Mesmo que, como se alardeava histericamente ontem, o BC tenha feito picadinho do sistema de metas de inflação, que tenha agora uma meta de crescimento acertada com o governo, que tenha vendido sua autonomia por um prato de lentilhas decimais de crescimento do PIB, a decisão de ontem continua a não fazer muito sentido.

Com a lambuja do meio ponto talhado ontem, quanto crescimento extra, mesmo de curto prazo, o BC poderia entregar para sua suposta nova soberana, Dilma Rousseff, mãe de todas as Rússias, Bulgárias e políticas monetárias? Décimos, se tanto, a depender dos humores do Imponderável de Almeida. Logo, tal motivo não parece muito crível.

Deve-se então acreditar na exposição de motivos de anteontem, a que justificou a decisão do BC? Isto é, que o Copom passou o facão na Selic por acreditar em colapso iminente do crescimento mundial, com impactos imediatos no Brasil?

Tal justificativa parece meio doida também, pois: 1) É preciso haver o colapso mundial (ainda incerto); 2) O choque deve ser iminente (incerteza ao quadrado); 3) O colapso precisa contaminar o Brasil de pronto (incerteza ao cubo); 4) Enfim, seria preciso verificar se, em caso de contágio mortal, a ação preventiva deveria ser mesmo o corte imediato dos juros. Pode não ser o caso.

Pode ser que o BC acredite que a inflação murche abruptamente a partir de, digamos, outubro. Não haveria colapso, mas influência decisiva da estagnação mundial, da contenção de gastos federais e de medidas monetárias do primeiro semestre na baixa da inflação.

Não é a opinião dos economistas mais certeiros e ponderados do mercado. Mas, como o mercado também diz e faz besteiras enormes, a gente pode dar o benefício da dúvida ao BC. Um benefício cedido assim a contragosto. Por quê?

Ainda que o nível de emprego levasse um tombo tal como na crise de 2008 (hipótese ainda bem remota), hoje no Brasil há muito mais colchão para amortecer a queda da atividade econômica. Por exemplo, há gastos mais altos com salário mínimo, mais crédito oficial subsidiado (do que em 2008) e mais dinheiro de benefícios sociais.

Ainda que o governo tenha dito que vá ajudar a reduzir a pressão inflacionária contendo gastos, o Orçamento de 2012 prevê pé no acelerador da despesa. O gasto federal neste ano cresceu até agora uns 4% (sobre 2010). Para 2012, a alta prevista pela lei orçamentária é de 9%.

Suponha-se, enfim, que o pessoal do BC acredite que, em caso de recidiva da inflação, o pessoal da Fazenda e do Planejamento pudesse dar uma mãozinha de urgência, reduzindo os gastos públicos rapidamente. Dilma Rousseff não vai encrencar com um crescimento de menos de 4% em 2011 ou em 2012?

COMANDO DA QUADRILHA ALIADA

COMANDO DA QUADRILHA ALIADA



MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Quase 180 operadoras de saúde sofrem intervenção por dificuldade econômica
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 02/09/11

No mercado de saúde suplementar brasileiro existem hoje 176 operadoras em regime de direção fiscal, em que a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) entra com acompanhamento para ajudar a sanar as dificuldades econômicas.
Neste ano, 72 estão em liquidação, segundo números da ANS. O grande volume ocorre principalmente entre as de menor porte, segundo Luiz Augusto Carneiro, superintendente do instituto de estudos Iess.
Além da regulamentação, que afeta mais as pequenas, este é um setor que atinge melhores resultados quando trabalha com grandes escalas, segundo Carneiro.
"Algumas precisam mais de reajuste, outras menos. Mas o percentual é o mesmo para todas. É um mercado que depende de escala. Além da competição, não há resseguro para operadoras pequenas no Brasil", diz.
Cerca de 23% das empresas que entram em direção fiscal acabam sendo liquidadas. "A chance de recuperação é alta", afirma.
A orientação ao consumidor é buscar informações sobre empresas no site da ANS.
"Mas em cidades pequenas há poucas opções", diz.
Em caso de liquidação e extinção da operadora, a carteira é geralmente absorvida por outra operadora, segundo José Cechin, da FenaSaúde (federação nacional).
"Quando não há uma interessada em comprar a carteira, o beneficiário tem o direito de migrar sem carência."

RESISTÊNCIA
A empresa austríaca RHI AG, de produtos refratários (usados na indústria de aço por serem resistentes ao calor), construirá sua primeira fábrica no Brasil, em Queimados (RJ). O investimento será de € 110 milhões (cerca de R$ 255 milhões).
A previsão é que a fábrica comece a operar em 2013, com capacidade de produção de 120 mil toneladas por ano.
A RHI AG tem hoje 33 fábricas no mundo. Com a construção da unidade brasileira, a chilena deve ser fechada.
Em 15 de setembro, o CEO, Henning Jensen estará no RJ para anunciar a fábrica.

INGLESES EM CAMPO
A companhia britânica Chime Communications investirá US$ 30 milhões (cerca de R$ 48 milhões) para entrar no mercado brasileiro.
O objetivo das operações, que serão realizadas por meio da Golden Goal, empresa de gestão esportiva comprada pela britânica no primeiro semestre deste ano, é aproveitar as oportunidades decorrentes da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.
A aquisição de outras companhias e a montagem de novos negócios e escritórios no país estão entre as principais prioridades do investimento, de acordo com Carlos Eduardo Caruso Ferreira, sócio e diretor-executivo da Golden Goal.
"A Copa do Mundo vai gerar uma série de oportunidades em mercados que ninguém esperava e onde não há estrutura adequada, como nas cidades-sedes de Cuiabá (MT) e Manaus (AM)", afirma Ferreira.

NUNCA ANTES TÃO NAVEGADOS
O número de visitas que altos executivos de bancos portugueses têm feito a seus pares no Brasil "não tem precedentes".
Bem antes de o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, usar essa expressão para anunciar ontem o que considerou o maior ajuste nas contas públicas na história recente de Portugal, banqueiros e diretores de instituições financeiras brasileiras já vinham se surpreendendo com uma verdadeira romaria portuguesa.
Na pauta das reuniões está a venda de 20% de companhias estatais, anunciadas recentemente pelo governo daquele país.

Monitor... A consultoria LCA lança hoje uma nova linha de produtos para monitorar atividades de setores econômicos como varejo, indústria de alimentos e petróleo.

...econômico A linha, chamada LCA Setorial, reunirá também informações dos mercados de commodities. Será possível contratar estudos de setores específicos.

Vagas... A Globex, que abriga as marcas Casas Bahia e Ponto Frio, deve gerar 600 postos de trabalho até o fim do ano em São Paulo, Rio, Mato Grosso do Sul e Bahia.

...abertas Os trabalhadores serão absorvidos na CB Contact Center, empresa de relacionamento com clientes da companhia, além das novas lojas da bandeira Casas Bahia.

Em obras A construtora Hoga lançará cinco empreendimentos em dois anos, com mais de mil unidades para classes emergentes. O investimento será de R$ 20 milhões.

BDR Com o cancelamento dos BDRs da Telefonica, acionistas poderão vender ações ligadas a BDRs ou ficar acionistas na Espanha. A assessoria foi do Machado Meyer.

DÓLARES NO BRASIL
Os turistas estrangeiros gastaram US$ 2,1 bilhões no Brasil em 2010 com cartões Visa -aumento de 12% em relação ao ano anterior, segundo estudo da empresa que será divulgado hoje.
Visitantes da Coreia do Sul, de Angola e da China foram os que mais aumentaram seus gastos no país.
Os americanos, porém, continuam na liderança no ranking dos que mais deixam recursos no Brasil (US$ 480 milhões), seguidos dos franceses (US$ 165 milhões) e dos britânicos (US$ 152 milhões).
Na direção contrária, os brasileiros ficaram em quarto lugar na lista dos que mais gastaram nos EUA, atrás dos canadenses, britânicos e mexicanos. Cerca de US$ 1,9 bilhão foram deixados no país pelos brasileiros, incremento de 63% ante 2009.

com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

GUSTAVO PATU - Ousadias e desatinos

GUSTAVO PATU
Ousadias e desatinos
FOLHA DE SP - 02/09/11


BRASÍLIA - Quando uma decisão inesperada ou não convencional produz bons resultados, foi uma ousadia. Se dá errado e é preciso recuar, uma imprudência. Em caso de dano irreversível, um desatino.

O governo foi ousado ao enfrentar a crise de 2009 com uma guinada na política econômica e medidas que fugiam ao figurino tradicional.

Aquele sucesso em minorar a recessão e retomar o crescimento da renda ajuda a explicar a decisão de anteontem, inesperada e não convencional, de reduzir os juros antes de uma previsão consistente de queda dos índices de preços.

A combinação de metas para a inflação e para os resultados fiscais foi adotada em um momento de humildade tecnocrática -depois que a ousadia de lançar o Plano Real sem um ajuste dos gastos públicos havia se tornado um desatino, no final da década passada, com a explosão do endividamento.

Dali em diante, o governo limitou sua autonomia decisória, impôs a si próprio uma lista de procedimentos formais e criou uma rotina de satisfações públicas sobre suas condutas e razões.

Essa previsibilidade vem sendo subvertida pelo aumento da autoconfiança entre as autoridades econômicas, com a ajuda da derrocada dos países ricos que costumavam pregar regras de bom comportamento aos emergentes.

A ousadia de 2009 deu lugar à imprudência de 2010, quando o excesso de gastos do ano eleitoral contou com a cumplicidade do Banco Central e as metas foram tratadas à base de brechas, margens e outras liberdades.

Pudores de antes vão sendo deixados de lado. Na divulgação do Orçamento, mal se disfarçou que os números não eram compatíveis com a promessa de aperto fiscal de dias antes. Tampouco a presidente e o ministro da Fazenda disfarçaram a pressão pela queda dos juros -quando muito, apresentou-se o tal aperto fiscal para ajudar a medida a não parecer um desatino.

CLAUDIO HUMBERTO



“Decidimos não emprestar mais jatos a políticos”
EMPRESÁRIO EIKE BATISTA, QUE ANDOU EMPRESTANDO JATOS AO GOVERNADOR SÉRGIO CABRAL

BIRRA JURÍDICA SEGURA POSSE DE SENADORES ELEITOS 
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e João Capiberibe (PSB-AP) fazem uma via-crúcis para assumir seus mandatos no Senado. Eles foram os mais votados em 2010, em seus Estados, mas não puderam assumir porque haviam sido enquadrados na Lei da Ficha Limpa. Com a derrubada da lei, ganharam o direito à posse nos lugares de Wilson Santiago (PMDB-PB) e Gilvam Borges (PMDB-AP), respectivamente. 

EMBROMATION 
As sentenças em favor de Cássio e Capiberibe, no Supremo Tribunal Federal, estão suspensas pela indústria das manobras protelatórias. 

DATA VENIA 
As decisões autorizando as posses saíram no Diário da Justiça em 5 de maio (Cássio) e 17 de agosto (Capiberibe). Mas não têm eficácia.

PONTE AÉREA 
Cássio visitou ministros do STF para acompanhar sua situação. No Senado, Wilson Santiago nem se preocupa em limpar as gavetas. 

CELERIDADE 
Por coincidência, o ministro Luiz Fux, que idealizou o novo Código de Processo Civil, defende um basta na farra dos recursos protelatórios.

CARAVANA DE LULA FAZ LOBBY POR EMPREITEIRA OAS 
O lobby é escancarado: após visitar a Bolívia do cocaleiro Evo Morales, cujo governo surrupiou refinarias da Petrobras e “regularizou” milhares de carros roubados no Brasil, o ex-presidente Lula foi à Costa Rica, patrocinado pela empreiteira OAS, que está de olho em uma obra de US$ 52 milhões para construir uma rodovia naquele país. É a caravana da “ONG do cumpanhêro” rodando a bolsinha para a campanha de 2014.

ALÔ, DOUTOR 
Finalmente o Senado terá sua Ouvidoria, cujo sistema foi cedido pela Câmara. Agora, talvez os senadores escutem o que não queriam.

O ENREDO DO SAMBA 
Entra de novo na avenida Planalto, inspirado no tema “mensalão”, a liberação dos bingos para ajudar a Saúde. Olha o Waldomiro aí, gente!

FRAUDE-SE 
O Itaú guarda ruidoso silêncio sobre a fraude contra ex-cliente: sequer checou os dados desatualizados há 11 anos para financiar um 
carro. 

MORTE NO BONDINHO 
A família do francês que morreu ao cair do bondinho em Santa Teresa (RJ), há três meses, vai processar o governo do Rio por falta de segurança, diz um jornal de Nice. O condutor do bonde morreu em outro acidente há dias, que matou cinco pessoas, diz o pai do rapaz. 

HIGH SOCIETY 
O ex-presidente FHC abriu mão de homenagem na Assembleia de Minas ou na Câmara de BH. Escolheu o Automóvel Clube, reduto da elite, para o título de cidadão honorário. Sem o povão nas galerias.

COMENDA DEMAGOGIA
Pegando carona na fama da campeã, a ministra Iriny Lopes (Mulheres) quer criar a Comenda Fabiana Murer para mulheres de destaque. Mas continua ignorando o brutal assassinato da juíza Patrícia Acioli, no Rio.

OUTRA DO PAGOT 
O Tribunal de Contas da União determinou que o Dnit cancele a licitação das obras de parte da BR-230, no Pará, por sobrepreço de R$ 34,6 milhões. O “novo” DNIT quer manter e depois fazer os “ajustes”. 

BETUMINOSA 
Dilma ficou uma arara: o presidente da Infraero, Gustavo Vale, mandou uma pedagoga, e não um engenheiro, ao seminário de pavimentação de aeroportos em Buenos Aires. O odor dele na estatal é de betume.

SOBRE RODAS 
A montadora Renault será instalada no norte fluminense em terreno de Eike Batista, que exige sociedade com os franceses. A Nissan também ofereceu a ele um naco da fábrica para facilitar a escolha pelo Rio.

VENDE-SE 
Um ricaço chinês quer comprar parte da Islândia por US$ 8,8 milhões, “ajudando” o país na crise financeira. Por bem menos, compraria um pedaço do Brasil no balcão de negócios da Esplanada dos Ministérios.

À VONTADE 
Político experiente, ex-governador do Rio de Janeiro, o ministro Moreira Franco, chefe da secretaria de Assuntos Estratégicos, está empolgado com o trabalho atual, propondo diretrizes para o futuro do País.

PERGUNTA NO ARRAIÁ 
O Turismo também fez convênio para formação de quadrilha? 

PODER SEM PUDOR
HÓSPEDE INDIGESTO 
Mocidade era figura folclórica na Paraíba dos anos 60. Não tinha emprego, mas andava bem vestido graças à generosidade de pessoas como o governador João Agripino, que até permitiu que ele morasse no palácio. Mas Mocidade adorava atacar o governador e pregava a invasão do palácio para “derrubar o governo!”. Agripino soube e o chamou para almoçar: 
– Mocidade, quem lhe dá quarto e comida?
– O senhor.
– Como, então, você convoca uma multidão para derrubar o governador?
Mocidade respondeu com o garfo suspenso na altura do queixo:
– Governo tem que se lascar, existe para ser derrubado...

SEXTA NOS JORNAIS


- Globo: Dilma defende "CPMF sem desvios" para financiar Saúde

- Folha: Orçamento ignora aumento de juízes e STF se revolta

- Estadão: Texto do PT critica "faxina" de Dilma e pede reforma política

- Correio: Governo recua e dá aumento a Judiciário

- Valor: Queda de juros muda todo o cenário para investimentos

- Estado de Minas: Enfim!

- Jornal do Commercio: Obra vai complicar trânsito da Zona Sul

- Zero Hora: Dilma admite rever dívidas dos Estados

quinta-feira, setembro 01, 2011

SANDY E O SEXO ANAL. LIÇÃO EM CASA


SANDY E O SEXO ANAL


RICARDO GALUPPO - Intenção e gesto


Intenção e gesto
RICARDO GALUPPO
BRASIL ECONÔMICO - 01/09/11

A julgar pela proposta de aumento do salário mínimo contida no Orçamento de 2012, entregue ontem ao Congresso, a impressão que se tem é a de que a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, servem a governos diferentes. Na segunda-feira passada, a Fazenda havia anunciado um aumento de R$ 10 bilhões na meta do superávit primário — com o objetivo manifestado por Mantega de “impedir aumentos de gastos correntes que poderiam ser aprovados no Congresso”. Antes, porém, que os nobres parlamentares se mobilizassem em torno daquilo que fazem com mais entusiasmo — ou seja, criar despesas sem se preocupar com a origem do dinheiro —, vem a turma do Planejamento e pimba! Propõe um salário mínimo de R$ 619,21. Ou seja, um reajuste de 13,6% sobre o ordenado atual, que é de R$ 545. Isso num ano em que a inflação deverá ficar pouco abaixo de 5% e a expansão do PIB deve patinar em torno desse número. O novo mínimo custará ao Erário gastos correntes superiores a R$ 13,3 bilhões. A intenção é conter despesas. O gesto é de gastar mais.

O anúncio trouxe junto, como não poderia deixar de ser, a explicação de que uma coisa não tem nada a ver com a outra e que a proposta do Planejamento está perfeitamente sintonizada com a da Fazenda. Ótimo! O problema é que a própria necessidade de uma explicação como essa já demonstra que existe algo esquisito nessa história. O aspecto mais interessante, porém menos observado, é que a maior parte desses R$ 13,3 bilhões seria gasta de uma forma ou de outra. Afinal, pelo sistema de reajuste do mínimo aprovado no primeiro semestre deste ano, era esperado que o valor chegasse a R$ 616,34 em 2012. O problema, portanto, não está nos R$ 74,41 que separam os R$ 619,21 prometidos ontem dos R$ 545 pagos hoje em dia. O problema real está no valor aparentemente irrisório de R$ 2,87 que separa o salário mínimo que já estava previsto do valor que consta do Orçamento. Isso significa, num cálculo apressado, uma elevação nas despesas de R$ 1 bilhão além do necessário.

Em meio às cifras gigantescas do Orçamento, R$ 1 bilhão é uma ninharia, uma gota em meio aos R$ 2,1 trilhões que serão gastos pela União em 2012. O problema, de fato, está no que essa liberalidade sinaliza para a sociedade e, principalmente, para um Congresso que está com as atenções completamente voltadas para as eleições municipais do próximo ano. E o sinal não poderia ser mais claro: o governo pode gastar muito mais do que admite, e só não faz isso porque não quer. A pressão aumentará, o governo terá que ceder aqui e ali e, de bilhão em bilhão, logo se ultrapassará os R$ 10 bilhões que Mantega queria proteger do apetite dos políticos pelo “aumento dos gastos correntes”. Não vamos nos esquecer de que 2012 é ano eleitoral — e que a pressão dos parlamentares da “base aliada” sobre o cofre do governo será intensa. O problema não é o valor do salário, mas a pressão que ele exerce sobre as contas públicas e, portanto, sobre os bolsos dos brasileiros que pagam impostos. Que, mais uma vez, serão os patos da história.

GILLES LAPOUGE - De novo o ouro negro


De novo o ouro negro
GILLES LAPOUGE
O Estado de S.Paulo - 01/09/11

É muito comum atribuir ao petróleo os conflitos, as guerras, as iniciativas diplomáticas. No passado, o que foi dito é que a expedição americana no Iraque tinha por finalidade o controle das gigantescas reservas petrolíferas do país.

A mesma análise tem sido feita hoje no caso da operação na Líbia empreendida por França, Grã-Bretanha, Otan e alguns outros países para destituir o tirano Muamar Kadafi. Mas o chanceler da Itália, Franco Frattini, procurou esclarecer as coisas: "Itália e França não estão engajadas numa guerra colonial para se apossar do petróleo da Líbia".

A Líbia possui vastas reservas de petróleo. Antes da guerra, sua produção era de 1,5 milhão de barris por dia (2% da produção mundial), mas sua capacidade real é de 4 milhões de barris diários. A guerra certamente danificou toda a aparelhagem petrolífera, mas a expectativa é que, dentro de seis meses, os poços devem estar de novo a pleno vapor. E não nos esqueçamos de que o petróleo líbio é de qualidade superior.

Mas a Itália não está na guerra de olho no petróleo líbia. Na verdade, os italianos foram arrastados para o conflito. A França, pelo contrário, entrou de cabeça. Foi Nicolas Sarkozy, com o britânico David Cameron, que mobilizou os aliados. Evidentemente, não foi para aumentar sua parte no tesouro petrolífero líbio. A gigante francesa Total espera agora ampliar sua presença na Líbia.

Até o momento, a empresa tem uma presença discreta no país: apenas dois campos de petróleo, com 55 mil barris por dia, o que a coloca bem distante da ENI italiana e da Repsol espanhola.

A situação pode mudar. Sarkozy, que foi o mentor da intervenção da Otan, é uma das figuras mais populares da Líbia libertada. Esse provável avanço da Total na Líbia completa uma ofensiva geral lançada pela companhia francesa em todo o continente africano. E a partir de agora, ela deve consagrar US$ 5 bilhões ao ano a seus investimentos no continente. Total está presente no Sudão do Sul, Uganda, Tanzânia, Nigéria e, sobretudo, em Angola.

Aliás, em Angola, onde a companhia francesa já opera, a Total deve abrir nos próximos anos dois novos campos de exploração "off shore". Além disso, tem um projeto espetacular: a exploração em águas profundas da Bacia de Kwanza. Os engenheiros estão convencidos de que essa bacia encerra reservas gigantescas sob as camadas do pré-sal.

Suas esperanças têm como base o Brasil. A Petrobrás localizou imensos campos submarinos profundos em 2007 na Bacia de Santos. E, segundo os geólogos, essas duas zonas - a bacia brasileira e a de Kwanza - formavam um bloco único há 150 milhões de anos, antes de o continente americano separar-se da África. Assim, a Total segue com grande interesse as atividades da Petrobrás e está otimista. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

ILIMAR FRANCO - Está feito: Pimentel



Está feito: Pimentel
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 01/09/11
 
A presidente Dilma pediu ontem a seu vice, Michel Temer, que contornasse eventuais dificuldades no PMDB para fazer o senador José Pimentel (PT-CE) o novo líder do governo no Congresso. A presidente argumentou que sua escolha era natural, pois Pimentel era o primeiro vice do ex-líder, o ministro Mendes Ribeiro (Agricultura). Temer já explicou a situação para o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), que decidiu não criar caso. O anúncio pode ser feito a qualquer momento.

Os estados e suas bancadas

O governo Dilma não vai fazer cavalo de batalha caso a Câmara decida votar a Emenda 29, que regulamenta os gastos com Saúde. O governo federal já gasta com o setor o percentual previsto na proposta. A presidente Dilma fez um alerta, na segunda-feira, pedindo o adiamento da votação por causa dos estados, pois a maioria deles não cumpre o percentual fixado no projeto. Emissários da presidente já
avisaram aos governadores que eles precisam entrar em campo para evitar a votação. Pois, a única coisa que o governo federal não quer é a ampliação dos recursos para a Saúde dos atuais 7% para 10% da receita bruta da União. 

"A presidente Dilma capitulou, submeteu-se à chantagem de sua base aliada. Sua famosa faxina limitou-se a jogar sujeira para debaixo do tapete e esconder a vassoura atrás da porta” — Jarbas Vasconcelos, senador (PMDB-PE)

CABO DE GUERRA. A direção nacional do PSDB entrou em campo para assegurar a permanência da deputada federal Andreia Zito (PSDB-RJ) no partido. Com o prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito, de malas prontas para o PP, o presidente do diretório regional, Luiz Paulo Corrêa da Rocha, teria dado um prazo de dez dias para que ele e seu grupo deixem o PSDB, sob pena de expulsão por infidelidade partidária. 

Turbinado
 
O embaixador no Egito, Cesário Melantonio Neto, representante do Brasil na Conferência de Paris, que vai tratar da Líbia, é o novo embaixador extraordinário para o Oriente Médio. Affonso Celso de Ouro- Preto está se aposentando.

Na pressão
O presidente do PR, senador Alfredo Nascimento (AM), disse ontem ao ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) que, se o partido continuar sob suspeição, não terá outra alternativa a não ser assinar a CPI da Corrupção.

PSD de vento em popa
A expectativa da direção do PSD é que o partido obtenha hoje o registro em 11 estados. Ontem, eram sete estados. Com isso, o novo partido terá cumprido exigência legal para que o TSE lhe dê registro definitivo. Um de seus dirigentes, Saulo Queiroz, informa que o PSD vai nascer com 47 deputados e dois senadores. Mas o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, avalia que até que saia o registro
do TSE a bancada poderá chegar a 55 deputados. 

Cota para mulheres
O PT votará nova cota para mulheres em seus diretórios, no seu 4o- Congresso, no final de semana. Hoje 30% das vagas são das mulheres. A comissão de estatuto quer a paridade, mas com uma transição de 40%. Elas querem paridade já.

Referência
A ministra Iriny Lopes (Mulheres) vai propor à Casa Civil a criação da comenda Fabiana Murer, dedicada a mulheres que fazem diferença no esporte. Fabiana conquistou o primeiro ouro feminino do Brasil num mundial de atletismo.

OS SENADORES governistas vão propor que as empresas petrolíferas paguem royalties de 20%. Na proposta original do governo, a taxação ia para 15%. 
REPRESENTATIVIDADE. São tantos os candidatos que o próximo representante da Câmara no TCU poderá ser escolhido com uma votação inferior a 100 votos.
NOVO PARTIDO. Sobrinho do senador Clésio Andrade (PR-MG), o deputado Diego Andrade (PR-MG) diz já ter o número suficiente de assinaturas em dez estados para criar o PDN (Partido do Desenvolvimento Nacional).

ANCELMO GÓIS - BORBOLETA DE VOLTA

BORBOLETA DE VOLTA 
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 01/09/11

Com palestra do sociólogo Emir Sader, será lançado hoje, em Brasília, o grupo Inaugurar Um Novo Período, mais recente tendência esquerdista do PT.
Disposto a resgatar valores da época da fundação do partido, em 1980, o grupo, inclusive, terá como marca uma borboleta vermelha (foto), primeiro símbolo do PT antes da estrela.

NA CABEÇA... 
Aliás, no jogo do bicho, a borboleta é 13, número do PT.

LIVRO COM DESCONTO 
A editora Rocco vai estender a todos os visitantes da Bienal do Rio o desconto de 20% dado a professores na compra de seus livros.

RETRATOS DA VIDA 
Um taxista surdo e mudo que faz ponto em frente ao Shopping Tijuca, no Rio, tem chamado a atenção.
Quando o cliente entra no carro, saca sua lousa para que seja escrito o endereço da corrida. Que seja feliz.

MEIRELLES SEM PRESSA 
Vai demorar umas duas semanas, no mínimo, para Henrique Meirelles responder a Ricardo Teixeira se aceita ser o principal executivo do Comitê da Copa de 2014.
Os dois ainda não conversaram tête-à-tête e ambos têm viagens para o exterior estes dias.

SÓ QUE... 
Meirelles não embarca na Copa sem saber direitinho a parte que lhe cabe neste latifúndio.

MARQUISE POLÊMICA 
Ontem, a reunião do Conselho do Iphan sobre a autorização de obras do Maracanã foi muito tumultuada.
O relator do processo, arquiteto Nestor Goulart Reis Filho, acha que a marquise do estádio, por exemplo, não deveria ser derrubada, só adaptada. Mas o superintendente do Iphan, Carlos Fernando de Andrade, autorizou a obra.

SOBROU PARA A BR 
A Petrobras espera que o Ministério da Fazenda diminua a cobrança da Cide, como fez ano passado, para compensar a estatal nessa nova redução da mistura de álcool na gasolina.
Pelas contas do mercado, a BR deve importar uns 550 mil barris a mais por mês, com prejuízo adicional de R$ 27 milhões mensais.

FANTASMA DE WILDE 
A LeYa lança em outubro “O fantasma de Canterville”, de Oscar Wilde, escrito em 1887.
Sai pela coleção Eternamente Clássicos, que já reeditou O mágico de Oz (L. Frank Baum) e A lenda do cavaleiro sem cabeça (Washington Irving).

SOIS REI 
Sábado, o Diretório Monárquico do Brasil, que reúne adeptos do regime dos reis, promove um encontro no South-American Copacabana Hotel, 
no Rio.
O evento terá palestrantes defensores do parlamentarismo monárquico e também republicano, como Cesar Maia.

MÁFIA CARIOCA 
Repercutiu mal na cúpula do Judiciário a carta aberta ao juiz Alexandre Abrahão, publicada como anúncio pelo advogado do bicheiro Rogério Andrade.
Diante da nova ofensiva, o presidente do TJ, Manoel Alberto, prometeu dar ao juiz “todo apoio e segurança necessários”.

CLÓVIS ROSSI - Próxima estação, a Síria?

Próxima estação, a Síria?
CLOVIS ROSSI 
FOLHA DE SP - 01/09/11

O Irã, único apoio a Bashar Assad no mundo islâmico, estaria iniciando diálogo com a oposição síria


Se verdadeira a informação do jornal francês "Le Figaro", o regime de Bashar Assad, na Síria, pode estar em contagem regressiva. Segundo o jornal, funcionários iranianos encontraram-se com representantes da oposição síria em uma capital europeia. Queriam saber o que o Ocidente também gostaria muito de ter claro: conhecer os líderes de uma oposição que esteve condenada à clandestinidade durante 40 anos de ditadura; determinar qual o peso dos islamitas no conglomerado oposicionista; e se um acordo com o regime ainda é possível.
Um quarto ponto, de interesse específico do Irã, também teria sido tratado: como a oposição, uma vez instalada no poder, se relacionaria com o Hizbollah, o partido-milícia xiita do Líbano. "A Síria é o país que permite ao Irã suprir a sua joia da coroa no Oriente Médio, o Hizbollah", comenta Karim Sadjadpour, especialista do Carnegie Endowment for International Peace.
A importância do Irã na crise síria se dá por ser a rigor o único país do mundo muçulmano que ainda apoia o regime, com o qual de resto tem vínculos históricos.
É pela Síria que passam as armas que o Irã fornece ao Hizbollah ("Partido de Deus"), uma das pontas-de-lança do combate iraniano a Israel. A outra ponta é o Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), que controla a faixa de Gaza. Se o Irã de fato busca uma aproximação com a oposição síria, o isolamento de Assad seria tão formidável que, para manter-se no poder, precisaria dobrar a aposta na violência, já insuportável.
O "Figaro" informa ainda que também o Hizbollah fez contatos com a oposição síria, que, sempre de acordo com o matutino francês, estaria disposta, uma vez no poder, a reequilibrar as relações com Teerã, hoje de intimidade absoluta, mas sem adotar posições anti-iranianas.
Se for de fato assim, o Irã acaba se beneficiando da chamada "Primavera Árabe": não perderia a "nova" Síria e já ganhou um Egito menos refratário ao regime dos aiatolás. Hosni Mubarak, o deposto ditador egípcio, era um dos principais, talvez o principal baluarte da resistência a Teerã.
Seus sucessores até já permitiram a passagem de navios iranianos pelo Canal de Suez, o que não acontecia há cerca de 40 anos. Mas, atenção, não quer dizer que o Irã ganha com as revoltas no mundo muçulmano. Simplesmente deixa de perder, como parecia inevitável no início da turbulência, quando se acreditava que seriam varridos os governos autoritários.
Não está sendo assim, mas é prudente não avançar prognósticos porque as rebeliões estão desafiando todos eles. No caso da Líbia, por exemplo, pensou-se que Gaddafi cairia, como Mubarak, poucos dias após iniciado o levante.
Depois, passou-se a especular com o contrário, ou seja, que a repressão por ele promovida criaria um impasse de longa duração, que Trípoli era inexpugnável e que Assad teria longa vida por seguir a tônica repressiva adotada na Líbia.
Agora, Tripoli caiu e até o Irã, cujas práticas violentas são conhecidas, começa a desconfiar de que nem a repressão basta para segurar o ditador sírio.

EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO - Assalto em nome da saúde


Assalto em nome da saúde
EDITORIAL
O Estado de S. Paulo - 01/09/2011

Mais um assalto ao bolso do contribuinte é planejado em Brasília, com a tolerância, e até com algum estímulo, da presidente Dilma Rousseff. O pretexto é conseguir dinheiro para financiar os programas de saúde. Segundo o discurso oficial, faltam recursos para o governo cumprir as determinações da Emenda Constitucional n.º 29 - ou, mais precisamente, da regulamentação em exame na Câmara dos Deputados. Parlamentares aliados já decidiram votar esse projeto no fim de setembro. A presidente recomenda: se quiserem mesmo votar, arranjem uma fonte de financiamento. Sem isso, qualquer elevação da despesa será, segundo ela, um presente de grego.

A Emenda n.º 29, aprovada em setembro de 2000, estabeleceu uma despesa mínima anual com ações e serviços públicos de saúde. Em cada exercício, até 2004, a União deveria destinar a essa área o montante do ano anterior corrigido pela variação nominal do PIB. Na ausência de regulamentação, a regra inicial continuaria em vigor a partir de 2005. Um projeto foi apresentado em 2008 no Senado. A proposta foi alterada na Câmara. Uma das mudanças mais importantes foi a inclusão, num substitutivo do deputado Pepe Vargas (PT-RS), de uma Contribuição Social para a Saúde (CSS), com as mesmas características da extinta Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), também conhecida como imposto do cheque. A alíquota seria bem menor, 0,1%, mas isso não eliminaria os principais defeitos desse tributo. É uma aberração ter de pagar uma contribuição sobre o valor do cheque (ou do saque) depois de ser onerado com os impostos já cobrados na compra de qualquer bem ou serviço. Além do mais, essa contribuição é cumulativa ao longo de toda a cadeia de circulação. A isso deve acrescentar-se um detalhe nada desprezível: instituído o tributo, sempre haverá o risco de aumentos da alíquota por meio de novas leis aprovadas facilmente por parlamentares empenhados em gastar.

Alguns parlamentares fizeram declarações contrárias ao estabelecimento de qualquer novo tributo. Mas o governo, se quiser, saberá como conseguir apoio suficiente para instituir mais um tributo. Mas a campanha pela criação da CSS começa com força. O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), tomou a dianteira. "Precisamos", disse, " de uma fonte extra para a saúde. A CSS não está fora da mesa." Mas o governo e seus aliados poderão negociar um novo projeto até dia 28, data prevista para votação. De qualquer forma, a ideia de um novo tributo dificilmente será descartada, embora se discutam algumas alternativas, como a destinação obrigatória de uma parte da renda do pré-sal para a política de saúde.

De fato, o governo não precisa de recursos adicionais para o setor de saúde. A União já arrecada cerca de 24% do PIB. Descontadas as transferências a Estados e municípios, fica com cerca de 20%. A carga tributária total, incluídas as contas estaduais e municipais, fica em torno de 35% do PIB. É uma tributação muito maior que a de outras economias emergentes e superior à de vários países desenvolvidos. Em vez de recolher mais dinheiro, é preciso mudar as práticas orçamentárias e os padrões administrativos em todos os níveis de governo. Além do mais, a arrecadação federal, nos últimos anos, cresceu mais que o PIB e nunca faltou dinheiro para programas e projetos. Qualquer novo imposto só favorecerá a gastança.

A gestão orçamentária é prejudicada por excesso de vinculações - a própria Emenda n.º 29 é um exemplo disso - e pelo desperdício, gerado pela ineficiência administrativa e pela corrupção. "Acho uma temeridade alguém achar que, aprovando um porcentual de gastos, vai resolver o problema da saúde", disse a presidente na terça-feira.

Ela está certa. Só falta agir de acordo com essa opinião e trabalhar por novos critérios de eficiência e de seriedade. Se tiver sucesso, vai realizar muito mais com o mesmo dinheiro. O mais difícil será conseguir apoio para isso. O primeiro obstáculo será a fome de poder e de dinheiro de seu partido.

ALON FEUERWERKER - Ex-presidentes


Ex-presidentes
ALON FEUERWERKER
Correio Braziliense - 01/09/2011

Se um ex-presidente deseja continuar na refrega, deve continuar para valer. Submeter-se ao escrutínio popular. O Brasil construiu um modelo intermediário entre o caudilhismo e a democracia de rotação de poder


Sobre ex-presidentes do Brasil, há pelo menos uma certeza: quanto mais eles prometem pairar acima das questiúnculas político-partidárias, mais cresce a certeza de estarem metidos nelas até o pescoço.

Dos ex-presidentes desde a redemocratização, consequentes têm sido José Sarney e Fernando Collor. Assim como foi Itamar Franco, enquanto viveu. Assim como talvez será Luiz Inácio Lula da Silva em eleições vindouras.

Se um ex-presidente deseja continuar na refrega, deve continuar para valer. Submeter-se ao escrutínio popular. Sarney e Collor vêm — e Itamar vinha — disputando seguidas eleições desde que deixaram a cadeira.

Para ganhar ou perder. Encaram o risco da urna, o humor do eleitor. Collor mais dramaticamente, pelo longo desterro percorrido até um novo mandato.

Já Fernando Henrique Cardoso prefere trilha diversa. Apresenta-se como líder perene da oposição — o que é legítimo —, mas não se vê amarrado pelas contingências da política prática.

Ora fala como sociólogo, ora como líder partidário, ora como militante de causas suprapartidárias.

Está no direito dele, mas seria interessante medir o efeito disso na atividade oposicionista.

Na surpreendente iniciativa para liberalizar a legislação antidrogas, por exemplo, seria útil se o ex-presidente tucano conferisse, na luta por um cargo majoritário, o que os eleitores acham disso.

Para a democrática aferição popular.

Quando estava na Presidência, Lula repetia que seria um bom ex-presidente. Até agora não tem derrapado no cumprimento da promessa. Não tem lutado pela função de consciência crítica do governo Dilma Rousseff.

Vem absorvendo o prejuízo decorrente das guinadas da sucessora, das coisas que ela faz exatamente ao contrário do que ele fazia. Como agora ao enfrentar a nova onda planetária de crise econômico-financeira.

Verdade que Lula está dia sim outro também na ribalta, operando o fortalecimento da sua corrente política. Mas que ex-presidente não está?

E se o jornalismo decide cobrir o que Lula faz e diz, é decisão jornalística.

Seria injusto pedir a Lula que se aposente da política partidária e não pedir o mesmo aos demais.

O Brasil construiu um modelo intermediário entre o caudilhismo e a democracia de rotação de poder. O primeiro tem vários exemplos. Alguns deles cobram hoje sua conta em sangue no mundo árabe.

A segunda cristalizou-se nos Estados Unidos.

Há um debate sobre se Lula não quis ou não pôde lutar pelo terceiro mandato consecutivo. É uma discussão para os historiadores. Preto no branco, o petista não chegou a mover um músculo para continuar na cadeira além do prazo previamente regulamentado.

Por boniteza ou precisão, tanto faz.

Diz a respeito
A votação que livrou Jaqueline Roriz da cassação na Câmara dos Deputados reacendeu o debate sobre a conveniência do voto secreto no parlamento em algumas situações.

O reflexo em ocasiões assim é defender o fim do voto secreto. Com o objetivo de suprimir a independência dos parlamentares diante da opinião pública.

Mas, como dizia o Conselheiro Acácio, as consequências virão depois. O planejado para permitir a ascendência absoluta da opinião pública sobre o Legislativo irá resultar em outra ascendência absoluta do Executivo sobre o Congresso.

É um trade-off, e o país precisa decidir o que prefere.

Isso, independente do juízo sobre a votação da terça-feira. Um problema foi a Câmara dos Deputados desconsiderar a intensidade da prova contra a acusada.

Outro problema, tão grave quanto, é alguém, na situação da acusada, não se sentir compelido a renunciar.

Se a contagem dos votos no painel eletrônico disse algo a respeito do Parlamento brasileiro, o segundo fato diz bastante a respeito da sociedade brasileira.