domingo, junho 12, 2011
RUBENS RICUPERO - Desaniversário
Desaniversário
RUBENS RICUPERO
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/06/11
O Brasil deve se impor por meio dos méritos de uma diplomacia que seja força de moderação, sem excessos que gerem reações hostis
“Não se fica grande por dar pulos [...] O Japão não precisou pedir que o reconhecessem grande potência, desde que mostrou sê-lo.” Foi em agosto de 1907 que Joaquim Nabuco confiou ao diário essa anotação. Vinha ela a propósito da decepção brasileira na Conferência da Haia apesar do brilho da participação de Rui Barbosa.
Quase 20 anos depois, o comentário poderia ter sido repetido em 1926, data de hoje, desaniversário (parafraseando Alice no País das Maravilhas) da retirada do Brasil da Sociedade das Nações.
O discurso de Afrânio de Melo Franco em Genebra foi impecável na força dos argumentos jurídicos e políticos. Praticamente sem retoques poderia ser repetido agora na defesa de composição mais equilibrada do Conselho de Segurança da ONU. De nada serviu, contudo, a razão do discurso confrontada às realidades do poder.
O interesse das grandes potências europeias era, na época, de reconciliar a Alemanha de Weimar à nova ordem criada após o fim da Primeira Guerra Mundial, integrando-a como membro permanente ao Conselho da Liga. O Brasil, que, exceto uma vez, havia sido sempre eleito com grandes votações como membro temporário, decidiu reclamar também ingresso definitivo.
Outros países se animaram igualmente – Polônia, Espanha, China – criando-se o impasse. Foi então que o governo brasileiro cometeu erro tático irremediável: vetou a aprovação da Alemanha, presumindo demais de suas forças. A situação não havia sido prevista na Carta e gerou crise sem precedentes.
O desafio soava como um “estraga-festa” no momento em que os delegados alemães eram recebidos em triunfo na estação de Genebra. A reação dos poderosos não se fez esperar: o país recalcitrante deveria ser excluído do Conselho. Ameaçado dessa pública humilhação, o Brasil se antecipou e retirou-se do Conselho e da Liga.
Como foi possível que a diplomacia herdeira da moderação e sábio calculismo do barão do Rio Branco tivesse se aprisionado numa posição da qual não existia saída respeitável? A culpa não era da diplomacia, mas da política interna. Vendido à opinião pública como inseparável do prestígio nacional pelo governo impopular de Artur Bernardes, o posto permanente no Conselho passava a ser um absoluto inegociável. Trocava-se o realismo de um pleito razoável, a ser conquistado de modo gradual, por aventura na qual o destino de uma política seria decidido na base do tudo ou nada.
O episódio serve não para enfraquecer a firmeza com que se deve continuar a reclamar para o Brasil o lugar representativo que lhe cabe na direção dos assuntos mundiais. A lição a tirar desse aniversário frustrado é a de que nossa legítima aspiração há de se conquistar não pela vazia busca de prestígio e protagonismo, com intenções políticas internas.
“Não é dando pulos” que seremos reconhecidos. O Brasil deve se impor por meio dos méritos de uma diplomacia que seja força de moderação, sem excessos que gerem reações hostis. A chave do nosso êxito está em demonstrar que somos um país capaz de construir consensos por não possuirmos veleidades hegemônicas nem aspirações de domínio.
FERREIRA GULLAR - Instituição e rebeldia
Instituição e rebeldia
FERREIRA GULLAR
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/06/11
Todos concordam que é muito difícil definir o que é arte. Não obstante, se refletimos sobre o que conhecemos e consideramos expressão artística, verificamos que, em que pese a enorme variedade de estilos e concepções, há ali um traço comum que nos permite englobá-la numa mesma definição: é arte.
Houve épocas em que era quase impossível fazê-lo de modo amplo, uma vez que a conceituação estreita reduzia a expressão artística a princípios e normas, fora das quais a arte seria impossível.
Foi precisamente o abandono dessas regras que tornou possível a visão abrangente que caracterizou a crítica de arte do século 20, capaz de compreender as mais diversas manifestações artísticas, desde as pinturas parietais do paleolítico até a limpidez da estatuária grega, o delírio barroco e a poética revolucionária do cubismo, do expressionismo, do dadaísmo.
Um dos traços mais característicos dessa visão nova da arte era a valorização do fator expressivo e autônomo das formas em detrimento da representação do real: compreendeu-se que, mais que copiar a realidade, a arte a recria e a inventa.
Mas o impulso irreverente, que movia os artistas do começo do século 20, ultrapassou não apenas a concepção acadêmica como pôs em questão o próprio conceito de arte.
Quem levou essa atitude a seu ponto extremo foi Marcel Duchamp, ao afirmar: "Será arte tudo o que eu disser que é arte". Essa afirmação, tomada ao pé da letra, significa que nada é arte, ou seja, que o fazer artístico não tem qualquer sentido.
Mas nem ele próprio acreditava nisso, tanto que suas obras mais importantes - "O Grande Vidro" (1915-1923) e "Étant donnés" (1946-1966) - demandaram-lhe muitos anos de trabalho e criatividade.
De qualquer modo, não foi esse lado de sua personalidade que influiu sobre futuras gerações de artísticas e, sim, aquele outro lado, o da antiarte. De uma maneira ou de outra, o que se chama hoje de arte conceitual ou arte contemporânea parte do princípio duchampiano de que tudo é arte ou pode ser dado como tal. Noutras palavras, todos os valores - sejam teóricos, artesanais ou estéticos - que serviam para esse tipo de expressão, tornaram-se dispensáveis.
Isso não é uma crítica, apenas uma constatação. Qualquer que seja a importância que se atribua a esta ou aquela obra dita "contemporânea" - casais nus no MoMA, por exemplo - não possui aquelas referidas qualidades que constituem as obras de arte: casais nus que se exponham num museu não foram feitos por nenhum artista nem por ninguém. São apenas algo que se mostra como uma expressão, um conceito, qualquer que seja ele - enfim uma "boa ideia". Em face dessa constatação é inevitável concluir que tais manifestações estão fora do campo da arte.
No entanto, esses casais nus foram mostrados no Museu de Arte Moderna de Nova York, um dos mais conceituados museus do mundo. Como se explica isso?
A primeira resposta que me ocorre é que, no campo das artes plásticas, o conceito de obra de arte, como produto do trabalho e fruto de uma linguagem elaborada pelo artista, já não vale.
Entre os que conceituam, gerem ou decidem sobre o que merece ou não ser exibido e destacado, o que vale é, em vez da obra, o questionamento do que se chama de arte e do próprio museu ou certames nacionais e internacionais, criados para expor obras de arte. Agora, esses espaços tornaram-se locais onde se "nega" a arte.
A palavra "nega" está aí entre aspas porque não é agora uma negação contestadora de fato. Já foi, quando Duchamp expôs o seu famoso urinol, intitulado "Fontaine". Agora, instituição e rebeldia se identificam e uma redime a outra. O museu, as bienais, são hoje locais onde a não arte - seja urinol ou casais nus - vira arte.
Trata-se, de fato, de um impasse: a rebeldia que necessita da instituição para ser rebelde é a negação da rebeldia. Não por acaso, o artista escolhido para representar o Brasil na Bienal de Veneza, este ano, se declara contra salões, premiações e a própria Bienal onde vai expor.
Claro, porque, se se mostrar contente de expor ali, deixará de ser rebelde e, como sua obra é a não obra, tudo o que lhe resta é o espaço institucional, onde ela é aceita como rebeldia. Fora de lá, não é.
DORA KRAMER - Não vale o escrito
Não vale o escrito
DORA KRAMER
O Estado de S.Paulo
Enquanto a sociedade, o governo e o Congresso brasileiros continuarem a enxergar a Constituição como um pormenor, não há o menor risco de o País funcionar a contento, dentro das balizas de razoável modernidade e civilidade.
Isso sob diversos aspectos a respeito dos quais se estabelecem discussões prolongadas, improdutivas e cansativas.
Um desses temas intermináveis é o uso das medidas provisórias, sempre abusivo por parte de todos os governos desde a sua criação, na Constituinte de 1988, para dar ao Poder Executivo um instrumento rápido de decisão que permitisse lidar com situações urgentes e resolver questões relevantes.
Não por outro motivo estão descritos na Constituição os casos em que o presidente da República pode recorrer às medidas. Quaisquer que sejam, o texto é claro ao exigir que se observe se há urgência e relevância no propósito do governante ao tomar uma decisão com força de lei e eficácia jurídica imediata.
Justamente para respeitar o princípio do equilíbrio entre os Poderes é que a Constituição confere ao Congresso a prerrogativa de aceitar ou não que as MPs possam prosperar.
O Executivo manda, mas se o Legislativo não achar que sejam adequadas, elas podem ser devolvidas.
Do contrário, a Constituinte teria conferido ao presidente poderes autocráticos não condizentes com a cláusula pétrea que faz do Brasil uma República.
Parece bastante simples, mas tornou-se extremamente complicado por causa do raquitismo do Legislativo frente ao gigantismo do Executivo.
No começo o abuso era só na quantidade. Agora a exorbitância inclui medidas sobre temas vedados pela Constituição, como créditos complementares, e o enxerto de assuntos desconexos. Uma das últimas chegou ao Congresso com 13 assuntos diferentes e depois das emendas ficou com 26.
O Supremo Tribunal Federal, embora já provocado a respeito, hesita em dar uma palavra definitiva para alegadamente não interferir na relação entre Executivo e Legislativo.
O Congresso de vez em quando propõe mudanças no rito de tramitação das MPs, como agora em proposta de José Sarney e substitutivo negociado pelo relator Aécio Neves.
Anos atrás, quando Aécio era presidente da Câmara, foi feita uma modificação obrigando o Congresso a examinar as medidas sob pena do trancamento da pauta de votações.
Não resolveu o problema do abuso. De um lado, porque o então governo Fernando Henrique Cardoso usou sua maioria para assegurar a ação quase ilimitada do Executivo.
De outro, porque essa mesma maioria impedia que se fizessem as coisas corretamente: exame uma a uma das medidas em comissão especial de admissibilidade e aceitação apenas daquelas realmente urgentes e relevantes.
O tempo passou e a deformação só fez aumentar. A ponto de a atual proposta sugerir como "modificação" a criação de uma comissão especial de admissibilidade.
Pior: o governo se recusa a aceitar, os senadores concordam e ainda celebram a hipótese de conseguirem aprovar alterações de prazo para exame das MPs na Câmara e no Senado.
Vai se falar em "mais um passo", mas não é passo algum na direção do enfrentamento sem disfarces da questão crucial.
E qual seria ela? A existência de um conluio de inconstitucionalidade que só será rompido quando o governo, o Congresso e a sociedade compreenderem que não há nada mais relevante que a Constituição e nada mais urgente que o imperativo de cumpri-la à risca.
Fora disso não há solução: melhora-se daqui, remenda-se dali e o resultado será a inutilidade de sempre.
Parece mentira. A presidente conseguiu deixar a oposição perplexa e a situação indignada com a nomeação de Ideli Salvatti para cuidar da articulação política.
Resta saber aonde Dilma quer chegar com isso. O PMDB, evidente, elogia. Quanto mais desarticulado estiver o Planalto no Congresso, mais a Presidência precisará recorrer ou aos préstimos do vice Michel Temer ou à influência de Lula.
Nas duas hipóteses, Dilma é quem mais perde capital de confiança na sua capacidade de conduzir um governo de coalizão.
ELIO GASPARI - Dilma evitou que o PT virasse PMDB
Dilma evitou que o PT virasse PMDB
ELIO GASPARI
O GLOBO - 12/06/11
Com Palocci sangrando na Casa Civil, a República ficaria na mão do triunvirato Temer, Jucá e Eduardo Cunha
DILMA ROUSSEFF impediu que seu governo e o PT ficassem ainda mais parecidos com a bancada do PMDB. Na terça-feira, a senadora Marta Suplicy propôs a 11 dos 15 colegas da bancada uma nota de apoio a Antonio Palocci. Seria uma repetição da tática petista de ""partir para cima".
Como já se acertara à noite, o chefe da Casa Civil iria ao Congresso, "a convite". O senador Romero Jucá (PMDB-RR) já considerava o episódio Palocci como uma "página virada". Os senadores petistas recusaram-se a endossar a ideia da senadora.
Com um chefe da Casa Civil hemorrágico, a base política do governo ficaria nas mãos de um triunvirato do PMDB, com Michel Temer no Planalto, Jucá no Senado e Eduardo Cunha na Câmara. Ninguém definiu melhor a situação do que o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ): "Temos uma pedra preciosa, um diamante que custa R$ 20 milhões, que se chama Antonio Palocci". (Seria mais adequado dizer "presunto", pois é trabalhoso fatiar diamantes.)
Desde maio, quando os repórteres Andreza Matais e José Ernesto Credendio expuseram a bonança patrimonial de Palocci, o PT dava estranhos sinais. O governador da Bahia, Jaques Wagner, admitira que a fortuna do doutor "chama a atenção". Treze presidentes de Diretórios Estaduais, protegidos pelo anonimato, evitaram defender o ministro.
Raul Pont, do PT gaúcho, pôs a cara na vitrine: "Entendo que ele tem que se afastar. (...) A situação do Palocci não pode contaminar o governo". Mais tarde, Reginaldo Lopes, presidente do PT mineiro, foi na mesma linha. Durante um almoço com Lula, a senadora Gleisi Hoffmann expusera a ruína que ameaçava o PT e o governo: o mensalão foi um erro, mas era parte de um projeto coletivo, partidário. Não era esse o caso de Palocci.
Se houve uma rebelião no PT, faz tempo que não lhe acontecia coisa tão boa. Um pedaço da nação petista, como Palocci, já se parece com o PMDB e está feliz assim.
Para quem segue um guia que se intitula "metamorfose ambulante", isso não é defeito. O problema estaria em outro lugar. No seu papel, o PMDB é mais articulado, desembaraçado e profissional que o PT. Não tem telhado de vidro porque telhado não tem. Até bem pouco tempo, ele garantia ao governo as maiorias parlamentares, mas o roteiro vinha do Planalto. É essa iniciativa que o PT arrisca perder.
Oito anos depois da sua chegada ao poder, a máquina petista controla fundos de pensão, grandes amizades e clientes em busca de bons conselhos. Seus candidatos têm acesso às bolsas de grandes doadores nas campanhas eleitorais.
Na campanha presidencial de 1994, Lula arrecadou R$ 4,2 milhões, contra R$ 32,1 milhões de Fernando Henrique Cardoso.
Na última eleição, Gleisi Hoffmann, ex-diretora-financeira da Itaipu Binacional, arrecadou R$ 8 milhões para sua campanha (vitoriosa) ao Senado pelo Paraná. Quatro empreiteiras clarividentes pingaram R$ 2,3 milhões.
Gleisi Hoffmann teve doadores para sua eleição, mas não tem patrimônio pessoal. Seus bens somaram R$ 660 mil, um décimo do valor do apartamento comprado por Antonio Palocci. Esse tipo de parlamentar ainda existe no PT. Na lista das dez maiores fortunas do Congresso, o PMDB é majoritário, com dois deputados e um senador. Nela ainda não há petista.
Ainda não há, mas, pelo andar da carruagem, falta pouco. A 10ª fortuna do Congresso, de acordo com os patrimônios declarados à Justiça Eleitoral, é do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), com R$ 16,5 milhões. Essa lista é um indicador precário, pois basta colocar uma fazenda em nome da patroa para tirar alguns milhões da conta. Mesmo assim, admitindo-se que Palocci tenha incorporado boa parte dos R$ 20 milhões que sua empresa faturou em 2009, estaria por perto. Nada mal para quem declarava um patrimônio de R$ 375 mil em 2006.
O PT pode ter deixado de ser o que dizia, pode até mesmo não saber direito o que é. Se um pedaço dele decidiu não ser PMDB, já é alguma coisa, mesmo que não seja muito.
PIADA VELHA
No tempo em que a nação petista tinha senso de humor, apelidou o procurador-geral Geraldo Brindeiro de "engavetador-geral da República". Nessa época os petistas eram tão malcriados que, em 2001, atribuíram a recondução de Brindeiro ao cargo à sua qualificação engavetante.
O SEGREDO DE DENG
De um curioso, depois de ver inúmeros filmes a respeito de Deng Xiaoping (1904-1997), o mandarim da Nova China:
"Mao Zedong queixava-se de que Deng sempre sentava longe dele e os burocratas impressionavam-se com o silêncio com que os ouvia. Esse era seu segredo. Deng era surdo. Como ele mesmo dizia: "Marx está no céu e é muito poderoso. Ele vê o que estamos fazendo e não gosta. Por isso ele me puniu com a surdez".""
Nos seus últimos anos de atividade, Deng tinha sempre uma filha por perto, para repetir o que talvez devesse ouvir. Ele usava aparelho num ouvido. No outro, nem isso.
Yang Yang, sua neta, fundou uma organização que ajuda crianças pobres. Em 2009, socorreu 1.200 jovens com deficiências auditivas.
BOA NOTÍCIA
O Banco Central atarrachou o parafuso solto. Acabou a maluquice demófoba que dificultava a vida do cidadão que recebia uma nota manchada ao sacar dinheiro num caixa eletrônico de banco.
Com a cédula na mão e a prova de que é correntista do banco, o cliente pode trocá-la, sem maiores complicações. Como a transação feita no caixa eletrônico está sempre registrada na memória do banco, não há porque se duvidar da honestidade do freguês.
Se não há registro do saque, é muito provável que seja um laranja dos bandidos que explodem caixas. Nesse caso, a polícia cuidará dele.
FALTA DE AGENDA
A doutora Dilma deveria reunir os sábios do Planalto para discutir o rumo de um governo que passou as últimas semanas acorrentado à seguinte agenda:
1) A discussão do kit-homofobia;
2) O debate da norma culta do idioma;
3) A importância do ministro da articulação política.
AVISO AMIGO
Se ninguém se mexer, o movimento dos bombeiros e PMs do Rio transbordará para outros Estados.
PRIVATARIA
Passados 13 anos da festa da privataria com a venda da Eletropaulo numa operação para lá de esquisita, as coisas estão assim:
Seis cidades e 1 milhão de pessoas ficaram sem energia até por 30 horas na Grande São Paulo.
O governador Geraldo Alckmin disse que a concessionária não tem "condições mínimas" para operar com segurança em dias de chuva.
Rebecca Mark, a tenaz e encantadora vice-presidente da empresa americana Enron, que negociava com os príncipes tucanos, deixou a empresa antes que ela quebrasse, em 2001. A doutora vendeu suas ações por US$ 83 milhões e hoje tem um rancho no Novo México, onde não falta luz .
Jeffrey Skilling, o presidente da empresa, foi condenado a 24 anos de cadeia e a devolver US$ 45 milhões. Usa uniforme esverdeado.
Do jeito que vão as coisas, em breve vai-se começar a falar em compra da empresa. Por quem? Pela Viúva.
EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota e concorda: Gleisi Hoffmann será a Dilma da Dilma. O que o cretino não entende é o que será a Dilma.
JANIO DE FREITAS - Nós, os extraditados
Nós, os extraditados
JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/06/11
No caso de Cesare Battisti, ficamos sem saber se os poderes presidenciais foram aumentados ou se já eram incontestáveis, como em ditadura disfarçada de democracia
O CASO CESARE BATTISTI caiu no ridículo. A atitude oficial do Brasil resulta da mistura de inverdades factuais, argumentos falsos, balbúrdia jurídica e malandragem. Não por favorecer Battisti, ao negar sua extradição, mas pelas maneiras adotadas em instâncias oficiais para chegar a isso, sem necessidade de tanto.
Vimos ressurgir, na última interferência do Supremo Tribunal Federalno caso, na semana passada, o argumento em que o então ministro da Justiça, Tarso Genro, baseou a recusa inicial à extradição: entregar Battisti ao cumprimento de sua pena na Itália seria expô-lo ao risco de perseguições políticas e violências na cadeia. Ou seja, fazê-lo vítima de violações aos direitos humanos.
Desde que preso no Brasil em 2007 até a sessão do STF, também se ouviram, em resposta aos aliados de Tarso, muitas referências à respeitabilidade dos altos tribunais italianos, às condições civilizadas das cadeias italianas, às garantias do governo italiano. Verdades possíveis, mas passíveis de inversão fácil no futuro.
Jamais, de um lado ou do outro, ouviu-se, a respeito, o questionamento fundamental: em algum momento houve o fato, este, sim, considerável, de denúncia de perseguição ou violência contra companheiros de Battisti presos pelos mesmos quatro assassinatos? Ou por mais façanhas de morte e roubo com referências a quem nos honrou com sua preferência fugitiva pelo Brasil?
A presunção do risco a Battisti não partiu de indício algum. Foi menos do que uma hipótese. Foi apelação desprovida de seriedade e desnecessária. Ou, se necessária, uma comprovação de que adotá-la equivalia à falta de argumentos respeitáveis.
Cesare Battisti é o de menos nesta historiada. Somos nós, e nossa vidinha institucional e política, o centro da questão. Eis, por exemplo, o ensinamento de um ilustre jurista, para entendermos os seis ministros do STF que consideraram intocável (mas não os outros três) a decisão pessoal de Lula contra a extradição:
"O STF entendeu que o presidente da República é o titular exclusivo do exercício da soberania nacional, e reconhecida [tal] qualidade, não há fundamento legal para que o STF altere deliberação decorrente desta prerrogativa" presidencial.
Se o Supremo, por sua maioria, consagra no presidente o poder "exclusivo" da soberania nacional, o que explicaria a exigência da Constituição de que deliberações suas, com envolvimento da soberania nacional, precisem submeter-se à aprovação do Congresso?
Casos de tratados internacionais e declaração de guerra, por exemplo? E que o próprio Supremo tenha o poder de anular atos assim do presidente da República, se os considerar contrários à Constituição?
Ficamos sem saber se os poderes presidenciais foram ainda mais aumentados ou, em se tratando da soberania que deve pertencer-nos a todos, já eram exclusivamente seus e incontestáveis, como em uma ditadura disfarçada de democracia política. Até parece que vamos sendo, nós outros, extraditados da Constituição.
Tudo esteve e continua à altura da miúda esperteza de Lula ao reservar a recusa da extradição para seu último dia como presidente. Fez o agrado aos companheiros e, mais importante, fugiu da explicação devida à opinião pública sobre seus motivos.
RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA
Operação Senhora do Destino
RENATA LO PRETE
O GLOBO - 12/06/11
A necessidade de afirmar a autoridade presidencial, traduzida nas nomeações de Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais), não nasceu de simples avaliação de conjuntura. Pesquisa qualitativa à disposição do Planalto indica que a percepção da capacidade de comando de Dilma Rousseff sofreu abalo, exatamente quando começava a se firmar, na esteira da reentrada de Lula em cena para apagar o primeiro incêndio do governo. A oposição viu levantamento de resultado semelhante.
Combater o sentimento de tutela passou a ser a prioridade zero. Em palavras e gestos, a presidente se esforçará para demonstrar que apenas ela manda.
Anote aí No círculo próximo de Dilma, ouve-se que perderá feio quem apostar no declínio do governo em razão da crise que derrubou Antonio Palocci. O exemplo citado é o de Lula depois da queda de José Dirceu.
Dois lados
Resumo de um velho observador da política: "Os acertos daqui para a frente serão somente de Dilma. E os erros também".
Garçom-lambari
Comentário de um otimista sobre a ida de Luiz Sérgio da Secretaria de Relações Institucionais para o Ministério da Pesca: "Pelo menos agora ele terá o que pôr na mesa!".
Equação
Aliados um tanto receosos do desempenho de Ideli Salvatti vaticinam que só há uma maneira de a escolhida deslanchar no cargo: se, logo de cara, conseguir destravar alguns dos principais nós dos congressistas com o Planalto. Mais precisamente a liberação de verbas das emendas parlamentares e o preenchimento dos cargos federais do segundo escalão.
Brindeirização
Durante o calvário de Palocci, os partidos de oposição avaliaram a hipótese de questionar mais abertamente o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Foi o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, quem abortou a ideia.
Para ontem 1
O governo concluirá no dia 20 balanço das obras de mobilidade urbana da Copa do Mundo. Dilma está mais do que disposta a cumprir ameaça feita a governadores e prefeitos segundo a qual os empreendimentos que não tiverem sido licitados até o fim do ano sairão do guarda chuva da Copa, perdendo financiamentos e benefícios fiscais.
Para ontem 2
O ultimato foi dado com o objetivo de agilizar as obras. E também porque a presidente quer tirar do projeto da Copa empreendimentos que são candidatos a engordar a parte negativa do balanço, a ser feito ao fim da competição. Segundo um aliado, Dilma não vai "segurar cadáver".
Validade
A aliados a quem demonstrou apetite pela ideia de sair candidato a prefeito de São Paulo em 2012 Fernando Haddad (PT) disse considerar que seu ciclo no Ministério da Educação está chegando ao fim.
Vida real
Em guia distribuído a jornalistas na quinta-feira, a Câmara praticamente institucionaliza o chamado "recesso branco", que é a debandada de deputados de Brasília em época eleitoral. "Em países de todo o mundo, os parlamentos entram em recesso formal ou informal nesse período", justifica o texto.
Hereditário
Outra informação do guia lembra que um dos critérios de distribuição dos gabinetes aos deputados é o parentesco. Além de idosos, ex-congressistas e ex-presidentes da Casa, têm preferência na escolha o cônjuge, pai, filho ou irmão de deputado não reeleito.
com LETÍCIA SANDER e RANIER BRAGON
tiroteio
"O Ahmadinejad não veio, mas a presença dele foi sentida por todos nessa recusa da Dilma em receber a ativista iraniana."
DO DEPUTADO EDUARDO GOMES (PSDB-TO), sobre a malsucedida tentativa da militante de direitos humanos Shirin Ebadi, Nobel da Paz de 2003, de ser recebida pela presidente Dilma Rousseff.
contraponto
Questão de estatura
No auge da crise Palocci, os deputados Fernando Ferro (PT-PE) e ACM Neto (DEM-BA) se estranharam em plenário. Neto alegava que, segundo o combinado, só líderes partidários, como ele, falariam na sessão.
-Indago se ele esqueceu de que seu período na liderança acabou no ano passado- protestou o "demo".
Ferro então acusou a oposição de encolhimento, resvalando para o campo pessoal:
-Você não cresce, nem física nem politicamente!
Registro: Neto diz ter 1m68cm; Ferro, 1m63cm. Mas os dois aparentam mais ou menos a mesma altura.
HUMBERTO WERNECK - Teoria (e prática) de motel
Teoria (e prática) de motel
HUMBERTO WERNECK
O Estado de S.Paulo - 12/06/11
Já contei a história do Niltão, o camarada que, subitamente chocado com seu porte hipopotâmico, entrou num regime de emagrecimento tão radical que em pouco tempo desembarcou parte considerável da banha acumulada em sua rotunda pessoa. Nesse processo, a contragosto, acabou desembarcando também os 60 e poucos quilos da mulher, pois ela se mandou, inconformada talvez com o fato de ter agora muito menos marido do que tinha antes. Devolvido à solteirice, o Niltão se lançou com tudo ao que ele, em sua linguagem crua, chama de "mercado da carne humana". O que, entre outros efeitos, o levou a se tornar habitué de motéis e assemelhados, com tanta assiduidade que hoje se diz em condições elaborar uma Teoria Geral do Motel. Sou capaz de jurar que neste Dia dos Namorados ele está entregue de corpo e de alma - aquele mais do que esta - a pesquisas de campo em algum "transódromo".
A teoria ainda está na engorda, mas o Niltão já tem o que mostrar, e me fala de duas categorias bem delineadas. Uma é o "motel-para-casar". Aquele cujas suítes não têm cara de motel, ele explica. Nada de cama redonda nem de espelho no teto, e muito menos daquela caranguejola de tubos esmaltados onde pares mais animados se encaixam para peripécias sexuais quase circenses. Bonita, charmosa, aconchegante, numa suíte de motel-para-casar você se sente em casa - e é aí, alerta o Niltão, que reside o perigo: "Se você bobear e se deixar levar pelo clima, corre o risco de sair noivo".
Ele se deu conta disso faz uns meses, quando, excepcionalmente, esteve num motel desses, para os lados do Morumbi. Entre o primeiro e o segundo tempo, subiu, pelado, ao terraço da suíte dúplex, fabuloso mirante do qual, sem ser visto, pôde contemplar um belo naco da metrópole. Balangandãs ao vento e a cidade aos pés, o Niltão experimentou momentos de apoteose mental. "Eu cheguei lá!", pegou-se a pensar. Mais um pouco, conta, e estaria dizendo "sim" aos pés do altar.
Para não correr o risco, ainda mais depois que sua conta bancária também emagreceu, ele trata de escolher estabelecimentos menos exaltantes. Até mesmo aqueles que em sua teoria levam o nome provisório de "motéis de chuveiro elétrico". Mofo nas paredes, frigobar inoperante e sabonetinho já em andamento. O conjunto é anafrodisíaco, diz o Niltão, capaz às vezes de sacar palavras finas. Ainda bem que não vai ali com intuitos eróticos. Vai para dormir, acredite, e mais: dormir sozinho.
Explica-se: o Niltão tem pesadas madrugadas de trabalho, e, para aguentar o tranco, precisa às vezes dar uma parada, tirar uma soneca. Como mora longe, o jeito é recorrer aos motéis de chuveiro elétrico que pululam nas imediações. Ali encontra sossego - sossego que não teve naquela noite em que, em pandarecos, foi dar com os costados num motel chique das redondezas. O funcionário estranhou que tivesse chegado sozinho, e, talvez condoído, meia hora depois o acordou com um telefonema: amigo, a casa pode disponibilizar uma boneca inflável. Inflado ficou o Niltão, de ódio.
Quando o objetivo não é exatamente dormir, entre o motel-para-casar e o de chuveiro elétrico ele dá preferência a outro tipo de estabelecimento, que talvez venha a constituir uma subcategoria em seu estudo: o drive-in. Pena que a instituição esteja em decadência, lamenta o Niltão, saudoso dos tempos em que a Marginal do Tietê era "um colar de drive-ins". No auge da juventude e ainda esbelto, perdeu a conta dos filmes que não viu naqueles lúbricos estacionamentos, mais ocupado que estava com o que se passava ao vivo.
Chegou a frequentar um drive-in para pombinhos pedestres. Apeavam do ônibus, ele e alguma namorada, e entre carcaças de automóveis iam escolher a que mais lhes convinha para a urgência carnal. Em dia comum, a mesma sambada Brasília ou o idoso Chevette em que, felizes, já haviam sacolejado. Em dia especial, quando bolsos mais fornidos bancariam o romantismo cinematográfico de uma carruagem, seus corações momentaneamente perdulários balançavam entre dois luxos outrora movidos a numerosos cavalos: o Galaxie ou Dodge Dart? Cê que sabe, ronronava benhê, já aninhada no peito de mô.
JOSÉ SIMÃO - Ueba! Alugam-se Namorados!
Ueba! Alugam-se Namorados!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/06/11
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Hoje é Dia dos Namorados. Vai dar overbooking em motel. Por isso que eu recomendo o drive-thru do McDonald's: entra, pede um hambúrguer, dá uma rapidinha e sai! E olha essa placa em Ceilândia: "Alugo-me para o Dia dos Namorados. Beijo na Boca. Tiro Foto. E digo que amo". Só isso? Minha amiga diz que faz muito mais e de graça. E olha essa placa da felicidade: "Amigos, 5 km. Cerveja. 2 km. Putaria 200 metros. Namoro: 999 quilômetros".
E corre na internet a frase da revoltada: "E daí se eu passar o Dia dos Namorados sem namorado? Eu não passo o Dia do Índio com um índio. Não passo a Dia da Árvore com uma árvore. Nem passo Finados com um defunto".
E lembre-se que amor começa em motel e termina em pensão. E você quer que sua namorada continue gritando depois da transa? Limpa o pingolim na cortina. Rarará!
E um leitor me mandou a foto da namorada com a legenda embaixo: "Tá explicado por que eu bebo?" Rarará! E eu tenho uma ótima dica pra presente pro Dia dos Namorados. Uma loja em Campos do Jordão chamada Flores & Pinto. Nessa ordem. Rarará!
E uma leitora quer passar o Dia dos Namorados em estado de coma. COMA-ME PELO AMOR DE DEUS! E o melhor namorado do mundo é o saci. Porque quando ele te der um pé na bunda, quem cai é ele. Aliás, sabe o que o saci falou pra sacia? FICA DE TRÊS! Rarará!
Dia dos Namorados. Dedicado, como diz uma amiga minha, a essa doença mental chamada amor. Rarará! E Dia dos Namorados tem que ser cafona. Como dizia Fernando Pessoa: todas as cartas de amor são ridículas! Duas pessoas apaixonadas é a coisa mais chata. Pros outros!
E aqui em Sampa tem uma boate perfeita para o Dia dos Namorados: Bakanal. Perfeita para um momento romântico a dois. Dois de cada lado. Dois por minuto. Rarará!
E uma amiga deu pro namorado uma camisinha branca leitosa. E o pingolim dele ficou parecendo o do Gasparzinho! Ele ficou correndo atrás dela com aquele fantasma em pé! Rarará!
E uma outra quer passar o Dia dos Namorados tendo orgasmos múltiplos. Com eco. Pro prédio inteiro ouvir. Senão não tem graça! Rarará! Nóis sofre mas nóis goza.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
Quem são?
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/06/11
Eles decidem o destino de empresas bilionárias. O futuro da fusão da BRF Brasil Foods, de cerca de R$ 25 bilhões, está nas mãos de conselheiros jovens e de perfil bastante técnico do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
O voto de Carlos Ragazzo, relator do julgamento da compra da Sadia pela Perdigão, fez a companhia perder R$ 2,26 bilhões em valor de mercado em dois dias.
Ragazzo reprovou a união, entre outras razões, por considerar que ela pode levar a alta significativa de preços.
Profissionais que defendem a operação alegam que, com as sinergias, haveria corte de custos e ganho de margem, o que possibilitaria cobrar menos para ampliar a base de consumidores.
Advogados da área e profissionais que atuam a favor e contra no caso concordam que a atual configuração do Cade tem perfil competente e pouco ideológico. E que outros conselheiros podem dialogar, mas de forma dura.
É notável a predominante formação jurídica. São quase todos advogados, três da USP, menos Ricardo Ruiz. Os conselheiros Fernando Furlan e Elvino Mendonça não votam no julgamento, que deve ser retomado na quarta.
RICARDO MACHADO RUIZ
Único economista, muito técnico, foi considerado confuso por afirmar que não tinha "dúvidas sobre a conclusão do relator", mas pedir vista do processo. Especula-se que tenda a seguir mais o voto de Ragazzo, mas com alguma negociação.
Idade: 45 anos
Formação: economia, mestrado (Unicamp, orientador: Luciano Coutinho, do BNDES) e doutorado (The New School for Social Research)
Experiência profissional: professor da UFMG
Tempo de Cade: um ano e quatro meses
Casos de destaque sob sua relatoria: Amil e Dasa, Sara Lee e Café Maracanã, Hypermarcas e Mantecorp
OLAVO ZAGO CHINAGLIA
Considerado de perfil ponderado. Filho do deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), procura guardar distância política do pai, e, segundo especialistas em defesa da concorrência, foi indicado por ter competência na área. Com perfil de liderança, deve se mostrar aberto ao diálogo, mas com firmeza.
Idade: 36 anos
Formação: direito (USP) e doutorado (USP)
Experiência profissional: professor na FAAP e na FMU
Tempo de Cade: dois anos e dez meses (está no segundo mandato)
Casos de destaque sob sua relatoria: TAM e LAN, aquisição da TVA pela Telefônica
CARLOS RAGAZZO
RELATOR DO PROCESSO O autor do veto ao negócio é considerado de perfil técnico, muito duro e de poucas palavras. Forma sua convicção sem muito ouvir. Difícil mudar, depois que adotou uma posição. Tende a ser líder, mas não é liderança inconteste pela fama de radical.
Idade: 34 anos
Formação: direito (PUC-RJ), mestrado (UERJ e Universidade de Nova York), doutorado (UERJ)
Experiência profissional: consultor do governo de Angola em defesa da concorrência; Pinheiro Neto Advogados; trainee na FTC (o Cade americano); coordenador da Defesa da Concorrência na Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda; professor na UERJ e na PUC-RJ
Tempo de Cade: dois anos e dez meses (está no segundo mandato)
Casos de destaque sob sua relatoria: Cosan e Shell, Insinuante e Ricardo Eletro, Citrosuco e Citrovita (do grupo Votorantim), compra do Banco Schahin pelo BMG
ALESSANDRO OCTAVIANI
Muito estudioso, ligado à academia, gosta da matéria há tempos. Único a se envolver com política estudantil, era bem ativo e de esquerda. Últimos a chegar, Octaviani e Marcos Paulo Veríssimo, podem ser mais suscetíveis à mudança de status que o cargo confere, opinam advogados do caso.
Idade: 35 anos
Formação: graduação em direito, mestrado em ciência política e doutorado em direito econômico, todos pela USP
Experiência profissional: Instituto Brasileiro de Direito do Seguro; Octaviani & Massonetto Advocacia; Ernesto Tzirulnik Advocacia; professor na USP, no Mackenzie e na FGV
Tempo de Cade: dois meses
Casos de destaque sob sua relatoria: aquisição de participações da Cimpor Portugal pela Votorantim e pela Camargo Corrêa
MARCOS PAULO
VERÍSSIMO
Último a chegar, impressionou bem: muito preparado, bom interlocutor, identificou pontos problemáticos, fez as perguntas pertinentes. Foi do BNDES, mas pode não concordar em criar um "campeão nacional".
Idade: 37 anos
Formação: graduado, mestre e doutor em direito (USP)
Experiência profissional: professor da FGV e da USP, chefe do gabinete da presidência do BNDES
Tempo de Cade: um mês
Casos de destaque sob sua relatoria: Pão de Açúcar e Casas Bahia, Pão de Açúcar e Ponto Frio, Marfrig e Seara, JBS e Bertin
SANDÁLIA ANIMADA
A Alpargatas fechou uma parceria com a Disney para a venda de sandálias com desenhos dos conhecidos personagens.
Os 20 novos modelos chegam às lojas em julho. A expectativa é incrementar em 30% as vendas para crianças que, com o segmento Baby, faturou cerca de R$ 150 milhões em 2010.
Em quatro anos, a empresa projeta aumento do número de pares de sandálias para crianças de 3 milhões para 19 milhões.
"Produzimos 250 milhões de unidades de Havaianas por ano. A importância da parceria ainda é mais o valor que agrega à nossa imagem do que o volume ou o preço, mas é claro que isso pode mudar", diz Márcio Utsch, presidente da Alpargatas.
Forno e...
A Whirlpool Latin America, das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, prevê aumentar em 30% os seus investimentos nas operações brasileiras neste ano. No ano passado, a companhia aplicou aproximadamente US$ 180 milhões.
...fogão
Os recursos serão destinados para a área de pesquisa e desenvolvimento. No ano passado, 25% da receita da companhia foi oriunda de produtos classificados como inovadores -resultado oito vezes maior do que o registrado há três anos.
Moda executiva
A Carmim inaugurou sua primeira franquia há 20 dias. A estratégia adotada pela marca é atender o público que trabalha e que frequenta os restaurantes da região da rua Amauri com a Faria Lima, em São Paulo. A nova loja só trabalha com bolsas, sapatos e acessórios.
Residencial
A OAS Empreendimentos lançará mais três condomínios em São Paulo nos próximos meses. O VGV (valor geral de vendas) da empresa na cidade neste ano deverá ser de R$ 300 milhões, aumento de 60% ante 2010.
com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ
ETHEVALDO SIQUEIRA - A desindustrialização
A desindustrialização
ETHEVALDO SIQUEIRA
O Estado de S.Paulo - 12/06/11
A indústria brasileira de telecomunicações vive uma crise profunda. É um caso típico de desindustrialização. Mais do que isso: é um retrato dos problemas e deficiências estruturais do País. Confira, leitor. Em quase todas as áreas da economia, o Brasil perde competitividade. O real supervalorizado derruba as exportações e aumenta continuamente as importações. A defasagem cambial em relação ao dólar e ao euro já beira os 20%. E, em relação à moeda chinesa (yuan) é de quase 60%.
Raul Del Fiol, diretor da Trópico e ex-diretor da Promon Engenharia, depois de ter passado pela Telebrás até os anos 1990, sintetiza o teatro de horrores em que vivemos: "Nossas taxas de juros são as maiores do mundo. O País tem uma das maiores cargas tributárias do planeta. Os custos trabalhistas e a burocracia elevam os salários da indústria brasileira a níveis equivalentes a seis ou sete vezes os salários chineses. As carências em setores vitais da infraestrutura - como estradas, portos e energia elétrica - encarecem brutalmente a produção nacional de bens e serviços."
Diante desse quadro, outro empresário, Gilberto Garbi, ex-presidente da NEC do Brasil e ex-diretor da Telebrás, pergunta: "Como esperar que nossa indústria de telecomunicações pudesse sobreviver nesse cenário?" E relembra o que tem ocorrido no País nessa área: "Há muito, o Brasil sepultou a velha política industrial delineada a partir dos anos 1970 para o setor de telecomunicações. E, vale lembrar que, na definição do novo modelo setorial pós-privatização do Sistema Telebrás, faltou um capítulo dedicado à indústria nacional de equipamentos de telecomunicações".
Omissão. A rigor, o que destruiu a indústria nacional não foi a privatização ocorrida em 1998 - até porque ela era mais do que necessária para a modernização do País. A verdadeira causa foi a omissão dos governos que, nos últimos 13 anos, permitiram que a indústria brasileira fosse triturada como foi. O Brasil não tinha outro caminho senão privatizar, já que, sem a nova infraestrutura de telecomunicações implantada, o Brasil jamais conseguiria uma fração sequer do desenvolvimento econômico obtido nos últimos anos.
"Para a sociedade como um todo, os benefícios advindos dos R$ 200 bilhões investidos após a privatização na infraestrutura de telecomunicações foram muito maiores do que os prejuízos sofridos pela indústria. Mesmo assim, a questão da indústria brasileira precisa ser resolvida adequadamente", argumenta Gilberto Garbi.
E pergunta: "Que seria deste País em telecomunicações se ainda sobrevivesse o Sistema Telebrás, com suas 27 subsidiárias abertas à sanha voraz do comissariado petista e dos partidos da base de sustentação do governo no Congresso, a negociarem quase 200 cargos de direção daquelas operadoras?"
"Na falta de regras preestabelecidas, diz Garbi, as operadoras privadas sentiram-se livres para cancelar contratos, refazê-los conforme melhor lhes convinha, impor truculentamente preços e outras condições."
É claro que a indústria brasileira produzia muita coisa boa, para sua época. Só não tinha competitividade. Enquanto protegida pela Telebrás, tudo ia muito bem. Até que, de repente, totalmente órfã, desmoronou.
Tsunami IP. Somando-se a tudo isso, em escala mundial, a indústria de telecomunicações tem vivido nos últimos dez anos a mais profunda mudança de paradigmas tecnológicos de sua história, em especial na área de centrais telefônicas digitais por comutação de circuitos, substituídas por sistemas de comutação de pacotes, com o protocolo IP.
À medida que a internet se dissemina mundialmente, o protocolo IP se torna padrão dominante em toda a eletrônica, profissional e de entretenimento, bem como nas telecomunicações. Com essa mudança tecnológica, comutadores e roteadores passaram a substituir as imensas centrais digitais, por preços inferiores a 2% do que cobrava a indústria tradicional.
Assim, antes da bolha da internet, explodiu no ano 2000 a bolha das telecomunicações - que levou de roldão gigantes como a antiga AT&T e a Nortel, entre outras. A AT&T foi reduzida a apenas uma marca famosa, que foi adquirida pela Southwestern Bell Corp. (SBC). A Lucent só foi salva pela incorporação à Alcatel. A NEC japonesa encolheu e diversificou suas atividades.
Imagine, leitor, o impacto desses terremotos sobre nossa frágil indústria de telecomunicações. O mais triste é que ninguém acredita que este ou o próximo governo estejam sensibilizados ou dispostos a formular uma nova política industrial capaz de resgatar essa indústria.
Primeiro porque, para os políticos, e em especial os governantes, as telecomunicações nada significam, já que não dão voto. Em segundo lugar, porque a grande reforma de que necessita o País vai muito além da indústria de telecomunicações.
Para Raul Del Fiol, em lugar de uma simples política industrial para as telecomunicações ou de medidas pontuais para atender a um ou outro segmento de sua economia, o Brasil precisa de uma reforma muito mais ampla e profunda em suas instituições.
Ou melhor, de um conjunto de reformas estruturais que tornem o país mais competitivo, mais ágil, mais moderno e mais justo.
Que governo estará à altura desse desafio, leitor?
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