quinta-feira, março 10, 2011
MÔNICA BERGAMO
EMPREGO EM ALTA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 10/03/11
A criação de empregos formais em fevereiro baterá recorde no Brasil para o período: dados preliminares mostram que serão pelo menos 208 mil vagas, contra 205 mil abertas no mesmo mês do ano passado, revela o ministro Carlos Lupi, do Trabalho. "É provável que cheguemos a 210 mil. Foi o melhor fevereiro da história."
CALDO
O número definitivo será fechado nos próximos dias. "Às vezes, uma demissão em massa num setor puxa isso para baixo. Ainda não temos os dados do setor sucroalcooleiro, por exemplo", diz o ministro. A diferença, no entanto, não deve alterar muito o que já mostram os dados fechados até agora. "A agricultura do Sul e do Centro-Oeste estão fortes e devem equilibrar qualquer diferença."
LUPINHO
Ainda Lupi, sobre as diferenças de estilo entre o ex-presidente Lula e a sucessora e atual chefe, Dilma Rousseff: "Ele fica íntimo em cinco minutos. Ela é mais fechada, muito formal com quem não conhece". O que não seria o seu caso: "Convivemos há 20 anos. Ela só me chama de Lupinho".
PRATOS LIMPOS
O ministro Orlando Silva, do Esporte, procurou Henrique Meirelles para conversar. A ideia era aparar as arestas em relação à APO (Autoridade Pública Olímpica), que Silva desejaria ocupar, mas para a qual Meirelles foi convidado. O ex-presidente do Banco Central ouviu do ministro que este jamais almejou o cargo.
CORDA BAMBA
Meirelles, por sinal, não tinha dado resposta definitiva ao convite até o Carnaval.
PONTE POPULAR
Adiado por tempo indeterminado por Geraldo Alckmin (PSDB-SP), o projeto de construção de uma ponte ligando Santos ao Guarujá não foi abandonado. Só que a equipe do novo governador defende que sobre a ponte passem ao menos ônibus -no projeto anterior, cuja maquete foi "inaugurada" pelo ex-governador José Serra (PSDB-SP), só carros de passeio poderiam atravessá-la.
CARACÓIS
Um dos temores de Roberto Carlos antes do desfile da Beija-Flor era que uma tempestade desarrumasse seus cabelos. Um boné foi providenciado para alguma emergência. Não foi usado.
Quando o Rei entrou no sambódromo, o sol raiava.
AS CERTINHAS
O publicitário Aaron Sutton, da Mood, que assina a campanha de Sandy na Devassa, provocou consumidores no Facebook brincando que, depois de uma certinha que tem "lado devassa", procura uma devassa que tenha lado certinha para a próxima peça publicitária. "Me sugeriram Rita Cadillac, Geisy Arruda, Gretchen, Ariadna e a Mara Maravilha", diz ele.
SALPICADOS NA FOLIA
Fotos Mônica Bergamo/Folhapress
Mano Menezes
O técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, curtiu o Carnaval no camarote de Roberto Carlos; Roberto D'Avila foi ao Rio, Samba & Carnaval; Gloria Pires e Will.i.am, do Black Eyed Peas, passaram pela Brahma; e Susana Vieira ficou na Grande Rio.
ANA HICKMANN
"NÃO TENHO DO QUE ME CULPAR"
De molho em casa por causa do tombo na Sapucaí, a apresentadora Ana Hickmann falou à coluna:
Folha - Como você está?
Ana Hickmann - Dolorida. Mas tô bem, tô inteira.
Todo mundo se assustou quando te viu cair.
Tinha muita água na avenida quando a Grande Rio [escola pela qual desfilou] entrou. Tanto que meu primeiro tombo foi logo no comecinho da avenida. Pensei: "Quer saber de uma coisa? Vou tirar a bota, não vou me machucar". Aí senti segurança e pulei igual a uma maluca, né? Acabei tomando mais um tombo quase no finalzinho.
No que pensou?
Foi tudo tão rápido! Levantei a perna para fazer o giro e quando tentei botar o pé no chão, acabei caindo. Caramba, parecia que eu estava fazendo flexão no chão, deitei literalmente no chão. O único reflexo foi o de proteger o rosto. Coloquei os dois braços na frente. Por isso bati o cotovelo e acabei batendo com mais força o joelho e a bacia. Doeu bastante.
E o peso da fantasia?
Eu escutei tanta bobagem! "Ah, ela é muito grande, a fantasia é pesada, por isso ela caiu." Não foi nada disso. Sabe que a minha fantasia não era pesada? A gente montou um corset que prendia todas as plumas nas minhas costas. O peso estava distribuído por todo o meu corpo. Foi o que me protegeu ali na hora. Com a quantidade de chuva, infelizmente aconteceu. Foi um acidente. Podia ser com qualquer pessoa. Não tenho do que me culpar. Escorreguei e ponto.
E o susto?
O que mais me assustou foi o rosto de todo mundo na hora em que levantei. "Será que quebrei alguma coisa e não tô percebendo?". Quando vi que não tinha nada rasgado, quebrado, e no que fiquei em pé, pensei: "Vou até o fim". O corpo tá quente, cê vai na adrenalina, cê vai na emoção: "Ah, quero terminar".
E depois?
Foi muito saco de gelo, inflamatório e, no dia seguinte, fiz a ressonância. Tive um estiramento no tendão. Graças a Deus, não vai precisar de cirurgia. Vou ter que andar de muleta alguns dias, tô com uma joelheira superfashion, horrorooosa. Mas vai passar.
Quando volta a gravar?
Só na semana que vem. A sorte foi que tinha folga nesta semana. Mas já estamos fazendo planos, já estão preparando sofá, poltrona, para eu gravar na primeira semaninha. O médico disse que, se cuidar nos primeiros dias, consigo ficar boa logo. Eu disse: "Tudo bem, vou ficar boazinha".
CURTO-CIRCUITO
A cantora Tiê fará show de lançamento do disco "A Coruja e o Coração" no dia 8 de abril, às 19h, no Auditório Ibirapuera. Livre.
O musical "Nara" , sobre a cantora Nara Leão, reestreia hoje no teatro Jaraguá. Classificação: oito anos. Henrique Prata, do Hospital do Câncer de Barretos, convidou Garth Brooks para ser embaixador musical da instituição.
A peça "Menina Nina", de Ziraldo, estreia no dia 19 no Sesc Pinheiros. Classificação: quatro anos.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
A Constituição para alguns, custos para todos
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
O GLOBO - 10/03/11
Vamos imaginar duas situações: 1. Um cidadão mora em uma casa isolada, em cidade ou em um bairro sem internet;
2. O Congresso brasileiro aprova a emenda que inscreve o acesso à internet como mais um direito social relacionado no artigo sexto da Constituição.
Esse cidadão pode, então, ir à Justiça e exigir que o Estado leve até sua casa uma linha de internet, a mais rápida disponível no mercado. Digamos que a região seja inacessível, circunstância que tornará a instalação da linha muitíssimo mais cara. Não tem importância.
Pela proposta de emenda constitucional apresentada pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), o Estado, sendo o responsável pelo atendimento daquele direito social, será também o provedor do serviço. Ou seja, a conta vai para o governo, quer dizer, para todos os demais cidadãos contribuintes.
Absurdo? Pois é assim mesmo que vai funcionar. O exemplo-limite permite exibir a essência da situação. Mas não precisamos ir até a casa isolada em região isolada.
O Brasil ainda hoje tem apenas 20% das residências com acesso à internet. (Não quer dizer que apenas 20% da população sejam internautas. Muitas pessoas se ligam na rede pelas lan houses, por exemplo, ou no trabalho. São cerca de 70 milhões de internautas)
De todo modo, a rede continua sendo limitada. Se aprovada a emenda, imediatamente torna-se dever do Estado prover o serviço para os outros 80% - simplesmente para cumprir a Constituição, que passaria a determinar o direito universal à Rede Mundial de Computadores, como está no texto do projeto.
Sem dúvida nenhuma, um país moderno precisa ter acesso amplo à internet de banda larga. Trata-se de um instrumento de progresso pessoal e nacional.
Mas, eis a questão correta, por que a maior parte das residências ainda não tem o acesso direto à internet? Porque isso é caro para essas famílias. Precisam pagar pelo computador, pelo modem e pela ligação, quando está disponível no bairro.
É caro nos dois sentidos. Pelo lado da oferta, como diriam os economistas, é pesado o investimento necessário para a instalação e a operação das redes de transmissão de sinais (fibras óticas, por exemplo). Para viabilizar o investimento, é preciso contar com a existência de um mercado amplo, ou seja, de um número de consumidores potenciais que "paguem" o investimento a um preço razoável e adequado à renda da região. Não adiantaria nada instalar a rede para cobrar mil reais de mensalidade.
E daí vem o problema pelo lado do consumo: a renda de boa parte das famílias não alcança o preço. Uma questão de mercado.
Como tratar disso?
Uma maneira é a emenda constitucional. A pior maneira. Fazer do acesso à internet um direito constitucional não o torna gratuito. Apenas o torna exigível pelo cidadão e cria uma responsabilidade do Estado. Continua precisando de muito dinheiro para cumprir a Constituição. Como a capacidade de investimento do Estado não é infinita, ao contrário do que pensam os políticos, o direito constitucional simplesmente não é cumprido.
Fica como a saúde, um direito do cidadão, dever do Estado, como está na Constituição. Todo brasileiro deveria ser atendido de graça num hospital de nível internacional, com os melhores medicamentos disponíveis.
Vai lá pegar uma fila de um hospital público para ver como esse direito é cumprido. Por isso, 45 milhões de brasileiros se cuidam com os planos e seguros saúde privados. Assim como milhões de famílias colocam suas crianças em escolas particulares, porque o Estado não cumpre corretamente sua função de atender ao direito universal à educação.
O caso do direito à internet não quebra o país, mesmo porque o governo não vai conseguir mobilizar os recursos para gastar nisso. O que mudará? É que os políticos terão o pretexto para fazer com que o governo leve algumas redes para algumas regiões, aquelas mais interessantes eleitoralmente.
Além disso, as pessoas mais ricas, com acesso a bons escritórios de advocacia, poderão acionar o Estado para instalar fibra ótica gratuita, digamos, numa ilha de Angra dos Reis. Absurdo? Nada disso. Hoje, muitas pessoas acionam o governo e conseguem na Justiça tratamento em hospitais americanos ou a importação de remédios exclusivos, tudo por conta do governo, porque o direito à saúde é constitucional.
Em resumo, e como em outras situações, o direito constitucional à internet crias gastos por conta de todos e serviços para alguns.
E sabem outro jeito de atacar o problema?
Reduzindo os impostos e demais taxas e encargos, que representam cerca de metade da conta de telecomunicações. É isso mesmo, nossos telefones e nossa internet estão entre os mais caros do mundo. E a causa principal é justamente a carga de impostos - que os políticos enfiam na conta para ter dinheiro para distribuir as suas clientelas.
Eliminem os impostos (inclusive sobre computadores), ofereçam mais liberdade de operação às companhias privadas, abram a competição e incluam subsídios apenas para as famílias pobres -- pronto, estará resolvido o problema.
MERVAL PEREIRA
Distorções eleitorais
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 10/03/11
Nada é mais exemplar da pequena esperteza política que prevalece no Congresso, e também das distorções de nosso sistema eleitoral, do que a insistência da presidência da Câmara de não acatar a decisão doSupremo Tribunal Federal (STF) de que os suplentes que eventualmente assumam mandato devem ser os dos partidos, e não os das coligações que disputaram a eleição.
Esse entendimento, que quebrou um hábito de décadas do Congresso, é consequência de uma decisão recente do STF que definiu que a fidelidade partidária é condição para o exercício de mandato eleitoral, e, portanto, a vaga que um eleito ocupa não é um direito pessoal, e pertence à legenda pela qual disputou a eleição.
Em dezembro passado, em decisão colegiada sobre um pedido do PMDB, o Supremo reafirmou esse entendimento e decidiu que os efeitos eleitorais das coligações se encerram após a apuração dos votos, ou seja, que as coligações servem para eleger, não para a substituição dos eleitos.
O artigo 112 do Código Eleitoral se refere exclusivamente aos “suplentes da representação partidária”, e não faz qualquer referência aos suplentes das coligações — algo que, a rigor, não existe expressamente no contexto legal do Direito eleitoral, lembra Lauro Barretto, advogado autor de mais de uma dezena de livros sobre Direito eleitoral e Direito partidário. De acordo com levantamento do site “Congresso em foco”, quase metade dos suplentes (22 dos 46 novos parlamentares) que já assumiram mandato na Câmara dos Deputados correm o risco de perder o cargo devido à decisão do Supremo Tribunal Federal. As mudanças atingiriam as bancadas de 12 estados e do Distrito Federal. A discussão persiste porque na primeira decisão apenas oito dos onze ministros votaram.
Com a posse de Luiz Fux, existe a possibilidade teórica de a determinação mudar, pois além dos ministros Ellen Gracie e Joaquim Barbosa, que não votaram, outros podem mudar de voto. Nada indica, porém, que isso ocorra, pois até agora todas as decisões sobre mandados de segurança para assegurar a posse de suplentes mantiveram a decisão anterior do STF.
O presidente da Câmara, deputado Marco Maia, tem dado declarações sobre o perigo de ficarem 29 cadeiras vagas se a decisão do Supremo for aplicada, e outros “especialistas” falam sobre a necessidade de serem convocadas “eleições para suplentes”, no caso de um partido não ter ninguém para ser convocado como suplente devido aos resultados eleitorais. São argumentos que indicam uma tentativa de tumultuar o ambiente político, pois não é possível imaginar que a presidência da Câmara não tenha assessoria para orientá-la sobre a legislação eleitoral.
O advogado Paulo Barretto dá um exemplo objetivo que aconteceu nas eleições de 2002, quando Enéas, do Prona, foi eleito deputado federal por São Paulo, com mais de 1,5 milhão de votos, votação que daria para eleger mais seis deputados federais do mesmo partido ou coligação pelas “sobras de legendas”.
Como o Prona, que naquele pleito não estava coligado com outro partido, só havia registrado mais cinco candidatos, a outra vaga de deputado federal foi preenchida pela norma definida na legislação eleitoral. Foi feita uma retotalização da distribuição dos votos de cada partido/coligação, e a cadeira não preenchida ficou para o partido/coligação com direito à próxima vaga decorrente de “sobra”. É o próprio Código Eleitoral, em seu artigo 109, que prevê a distribuição das vagas não preenchidas mediante esta contagem das “sobras de legenda”, lembra Barretto.
Como se vê, não há possibilidade de ficarem “cadeiras vazias” na Câmara dos Deputados por falta de suplentes do mesmo partido, nem necessidade de “eleição de suplente”. Essa confusão sobre os suplentes é um efeito colateral de uma distorção fundamental de nosso sistema eleitoral, que são as coligações em pleito proporcional. Coligações feitas apenas para preencher o chamado “quociente eleitoral”, que é o número mínimo de votos para se eleger um deputado ou vereador, quase sempre prescindindo de maiores proximidades ideológicas ou programáticas.
Esse fenômeno faz com que nas eleições de 2010 apenas 86 deputados federais tenham sido eleitos por partidos não coligados. Para combater o que acusam de ser mais um sintoma da “judicialização” da política, os políticos, através do deputado Ronaldo Caiado, providenciaram a apresentação de uma proposta de emenda constitucional para legalizar o direito de os suplentes das coligações assumirem as vagas em aberto nas casas legislativas.
Essa PEC, no entanto, mesmo que venha a ser aprovada, só terá efeito para os suplentes das coligações nas próximas eleições. Ela, ao mesmo tempo, é um reconhecimento de que falta um apoio na legislação para a prática de nomear suplentes de coligações, que só vinha sendo aceita porque o Supremo não havia sido consultado a respeito.
Agora que os partidos passaram a ser legalmente os detentores das vagas, e a mudança de partido está sujeita a normas de fidelidade partidária mais rigorosas, a questão veio à tona. Ela poderia ter uma solução simples com a revogação das coligações nas eleições proporcionais, mas este é um dos pontos de uma eventual reforma política que dificilmente será encarado pelos partidos políticos. A não ser que se aprove o voto distrital puro ou o “distritão”, que acabam com o voto proporcional.
Esse entendimento, que quebrou um hábito de décadas do Congresso, é consequência de uma decisão recente do STF que definiu que a fidelidade partidária é condição para o exercício de mandato eleitoral, e, portanto, a vaga que um eleito ocupa não é um direito pessoal, e pertence à legenda pela qual disputou a eleição.
Em dezembro passado, em decisão colegiada sobre um pedido do PMDB, o Supremo reafirmou esse entendimento e decidiu que os efeitos eleitorais das coligações se encerram após a apuração dos votos, ou seja, que as coligações servem para eleger, não para a substituição dos eleitos.
O artigo 112 do Código Eleitoral se refere exclusivamente aos “suplentes da representação partidária”, e não faz qualquer referência aos suplentes das coligações — algo que, a rigor, não existe expressamente no contexto legal do Direito eleitoral, lembra Lauro Barretto, advogado autor de mais de uma dezena de livros sobre Direito eleitoral e Direito partidário. De acordo com levantamento do site “Congresso em foco”, quase metade dos suplentes (22 dos 46 novos parlamentares) que já assumiram mandato na Câmara dos Deputados correm o risco de perder o cargo devido à decisão do Supremo Tribunal Federal. As mudanças atingiriam as bancadas de 12 estados e do Distrito Federal. A discussão persiste porque na primeira decisão apenas oito dos onze ministros votaram.
Com a posse de Luiz Fux, existe a possibilidade teórica de a determinação mudar, pois além dos ministros Ellen Gracie e Joaquim Barbosa, que não votaram, outros podem mudar de voto. Nada indica, porém, que isso ocorra, pois até agora todas as decisões sobre mandados de segurança para assegurar a posse de suplentes mantiveram a decisão anterior do STF.
O presidente da Câmara, deputado Marco Maia, tem dado declarações sobre o perigo de ficarem 29 cadeiras vagas se a decisão do Supremo for aplicada, e outros “especialistas” falam sobre a necessidade de serem convocadas “eleições para suplentes”, no caso de um partido não ter ninguém para ser convocado como suplente devido aos resultados eleitorais. São argumentos que indicam uma tentativa de tumultuar o ambiente político, pois não é possível imaginar que a presidência da Câmara não tenha assessoria para orientá-la sobre a legislação eleitoral.
O advogado Paulo Barretto dá um exemplo objetivo que aconteceu nas eleições de 2002, quando Enéas, do Prona, foi eleito deputado federal por São Paulo, com mais de 1,5 milhão de votos, votação que daria para eleger mais seis deputados federais do mesmo partido ou coligação pelas “sobras de legendas”.
Como o Prona, que naquele pleito não estava coligado com outro partido, só havia registrado mais cinco candidatos, a outra vaga de deputado federal foi preenchida pela norma definida na legislação eleitoral. Foi feita uma retotalização da distribuição dos votos de cada partido/coligação, e a cadeira não preenchida ficou para o partido/coligação com direito à próxima vaga decorrente de “sobra”. É o próprio Código Eleitoral, em seu artigo 109, que prevê a distribuição das vagas não preenchidas mediante esta contagem das “sobras de legenda”, lembra Barretto.
Como se vê, não há possibilidade de ficarem “cadeiras vazias” na Câmara dos Deputados por falta de suplentes do mesmo partido, nem necessidade de “eleição de suplente”. Essa confusão sobre os suplentes é um efeito colateral de uma distorção fundamental de nosso sistema eleitoral, que são as coligações em pleito proporcional. Coligações feitas apenas para preencher o chamado “quociente eleitoral”, que é o número mínimo de votos para se eleger um deputado ou vereador, quase sempre prescindindo de maiores proximidades ideológicas ou programáticas.
Esse fenômeno faz com que nas eleições de 2010 apenas 86 deputados federais tenham sido eleitos por partidos não coligados. Para combater o que acusam de ser mais um sintoma da “judicialização” da política, os políticos, através do deputado Ronaldo Caiado, providenciaram a apresentação de uma proposta de emenda constitucional para legalizar o direito de os suplentes das coligações assumirem as vagas em aberto nas casas legislativas.
Essa PEC, no entanto, mesmo que venha a ser aprovada, só terá efeito para os suplentes das coligações nas próximas eleições. Ela, ao mesmo tempo, é um reconhecimento de que falta um apoio na legislação para a prática de nomear suplentes de coligações, que só vinha sendo aceita porque o Supremo não havia sido consultado a respeito.
Agora que os partidos passaram a ser legalmente os detentores das vagas, e a mudança de partido está sujeita a normas de fidelidade partidária mais rigorosas, a questão veio à tona. Ela poderia ter uma solução simples com a revogação das coligações nas eleições proporcionais, mas este é um dos pontos de uma eventual reforma política que dificilmente será encarado pelos partidos políticos. A não ser que se aprove o voto distrital puro ou o “distritão”, que acabam com o voto proporcional.
MÍRIAM LEITÃO
Silêncio conveniente
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 10/03/11
É particularmente interessante a expressão “governo chamado de militar”, no documento que as Forças Armadas enviaram ao ministro da Defesa contra a Comissão da Verdade. Quer dizer que um governo que por 21 anos instalou generais na Presidência e julgou seus opositores civis em tribunais militares era então um governo civil? Isso é novidade.
O documento divulgado ontem pelo trabalho do repórter Evandro Éboli, de O GLOBO, revela que os comandantes das três forças consideram que o passado passou, e que qualquer investigação sobre torturas e circunstâncias das mortes dos opositores políticos seria “abrir ferida na amálgama nacional.” Diz ainda que este tipo de investigação “pode provocar tensões e sérias desavenças.” Os militares argumentam que os fatos se passaram há mais de 30 anos, que pessoas envolvidas já morreram e documentos e provas perderam-se no tempo e portanto nada deve ser investigado.
De fato, o Brasil perdeu tempo demais. Logo após o último general sair do Planalto, há 26 anos, era difícil por dois motivos. Primeiro, o medo imposto por eles de que qualquer mexida nessa ferida fosse entendida como uma provocação à qual reagiriam. Depois, o presidente que por fatalidade assumiu, José Sarney, tinha sido um fiel servidor do regime. As ambiguidades desse início adiaram o encontro com a verdade daquele período sombrio; depois, os presidentes que se seguiram vacilaram e aceitaram o mesmo veto que agora as Forças Armadas tentam impor à Comissão da Verdade. Existe algum argumento para que não se tente saber em que circunstâncias morreu o deputado Rubens Paiva? Ou como foi morto o jovem Stuart Angel? Como e de que forma foi morto Vladimir Herzog?
O corpo do operário Manoel Fiel Filho, após ser preso, foi entregue à família com sinais visíveis de tortura e com a ordem de que fosse enterrado rapidamente, sem perguntas, sem divulgação. Tantos outros simplesmente desapareceram sem que se tenha qualquer vestígio. Por que estamos proibidos de perguntar como morreram? Por que isso iria ferir a “amálgama” nacional? Se é verdade que os documentos se perderam, por que então as Forças Armadas querem evitar o anonimato para quem entregar documentos ou der depoimentos esclarecedores? No texto, os comandantes militares consideram que uma das razões para não se olhar para este passado é que “o governo não foi derrubado pelas forças políticas, mas ensejou lenta e gradual transição e devolução do poder aos civis.”
Essa versão parcial faz pouco da longa resistência, anula a luta de bravos como Mário Covas, Ulysses Guimarães, tantos outros que nunca aceitaram o arbítrio, mesmo sob riscos. Isso apaga da História os milhões que foram para as praças na Campanha das Diretas. Elimina a habilidade da oposição de ir no próprio colégio eleitoral, criado pelo governo militar, e lá arrancar a vitória de Tancredo. Esta versão de que a democracia foi apenas uma concessão ofende os fatos e a memória. Sim, os militares fizeram um lento afrouxamento das piores leis, mas até o presidente Ernesto Geisel, que tem boa imagem por ter enfrentado a linha dura, fechou o Congresso e governou com o AI-5 até primeiro de janeiro de 1979, quando faltavam apenas dois meses e meio para terminar seu período de governo. Esse trecho do documento, de que eles entregaram o poder espontaneamente aos civis, não conversa com o outro, em que eles se referem àquele período com a expressão “governo chamado de militar.” Como a parte em que eles dizem que é legítimo “as famílias buscarem seus entes queridos” não conversa com a parte que discorda da criação da Comissão da Verdade.
A quem as famílias perguntarão pelos seus entes queridos se, como diz o documento dos comandantes militares, tudo isso é passado, no qual não se deve mexer para não ferir a paz nacional? Há ruas no Brasil — em São Paulo, por exemplo — que se chamam 31 de março; a termelétrica de Candiota ainda se chama presidente Médici. Ainda se ensina nos 12 colégios militares às crianças e adolescentes que não houve ditadura militar no Brasil, e que as cassações e a censura foram necessárias por causa da intransigência da oposição, como informou a “Folha de S.Paulo” no ano passado. Alguns se perguntam se essas informações resgatadas vão levar ou não a processos contra os responsáveis.
Ouvido, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou que a Anistia apagou os crimes. Este aspecto da polêmica está, portanto, encerrado. Acho que os militares têm razão em dizer que é preciso saber também dos chamados justiçamentos executados por alguns grupos de esquerda. Eles usam o argumento como chantagem, mas é de fato necessário incluir no mesmo rol de fatos a buscar. Inaceitável é ainda hoje haver o veto dos militares a que uma comissão busque informações sobre pontos nebulosos do nosso passado recente. Os comandantes militares de hoje não estão comprometidos com os atos cometidos naquele período, mas ao se empenharem tanto em encobrir o que seus antecessores fizeram comprometem a instituição como um todo. Essa tendência de nada apurar, tudo esquecer, lembra a “astuta amnésia” de que falou no artigo de ontem o jornalista Elio Gaspari, sobre outro pedaço infeliz da nossa história, soterrado para não comprometer a versão de que tudo foi suave no Brasil, da escravidão à ditadura.
O documento divulgado ontem pelo trabalho do repórter Evandro Éboli, de O GLOBO, revela que os comandantes das três forças consideram que o passado passou, e que qualquer investigação sobre torturas e circunstâncias das mortes dos opositores políticos seria “abrir ferida na amálgama nacional.” Diz ainda que este tipo de investigação “pode provocar tensões e sérias desavenças.” Os militares argumentam que os fatos se passaram há mais de 30 anos, que pessoas envolvidas já morreram e documentos e provas perderam-se no tempo e portanto nada deve ser investigado.
De fato, o Brasil perdeu tempo demais. Logo após o último general sair do Planalto, há 26 anos, era difícil por dois motivos. Primeiro, o medo imposto por eles de que qualquer mexida nessa ferida fosse entendida como uma provocação à qual reagiriam. Depois, o presidente que por fatalidade assumiu, José Sarney, tinha sido um fiel servidor do regime. As ambiguidades desse início adiaram o encontro com a verdade daquele período sombrio; depois, os presidentes que se seguiram vacilaram e aceitaram o mesmo veto que agora as Forças Armadas tentam impor à Comissão da Verdade. Existe algum argumento para que não se tente saber em que circunstâncias morreu o deputado Rubens Paiva? Ou como foi morto o jovem Stuart Angel? Como e de que forma foi morto Vladimir Herzog?
O corpo do operário Manoel Fiel Filho, após ser preso, foi entregue à família com sinais visíveis de tortura e com a ordem de que fosse enterrado rapidamente, sem perguntas, sem divulgação. Tantos outros simplesmente desapareceram sem que se tenha qualquer vestígio. Por que estamos proibidos de perguntar como morreram? Por que isso iria ferir a “amálgama” nacional? Se é verdade que os documentos se perderam, por que então as Forças Armadas querem evitar o anonimato para quem entregar documentos ou der depoimentos esclarecedores? No texto, os comandantes militares consideram que uma das razões para não se olhar para este passado é que “o governo não foi derrubado pelas forças políticas, mas ensejou lenta e gradual transição e devolução do poder aos civis.”
Essa versão parcial faz pouco da longa resistência, anula a luta de bravos como Mário Covas, Ulysses Guimarães, tantos outros que nunca aceitaram o arbítrio, mesmo sob riscos. Isso apaga da História os milhões que foram para as praças na Campanha das Diretas. Elimina a habilidade da oposição de ir no próprio colégio eleitoral, criado pelo governo militar, e lá arrancar a vitória de Tancredo. Esta versão de que a democracia foi apenas uma concessão ofende os fatos e a memória. Sim, os militares fizeram um lento afrouxamento das piores leis, mas até o presidente Ernesto Geisel, que tem boa imagem por ter enfrentado a linha dura, fechou o Congresso e governou com o AI-5 até primeiro de janeiro de 1979, quando faltavam apenas dois meses e meio para terminar seu período de governo. Esse trecho do documento, de que eles entregaram o poder espontaneamente aos civis, não conversa com o outro, em que eles se referem àquele período com a expressão “governo chamado de militar.” Como a parte em que eles dizem que é legítimo “as famílias buscarem seus entes queridos” não conversa com a parte que discorda da criação da Comissão da Verdade.
A quem as famílias perguntarão pelos seus entes queridos se, como diz o documento dos comandantes militares, tudo isso é passado, no qual não se deve mexer para não ferir a paz nacional? Há ruas no Brasil — em São Paulo, por exemplo — que se chamam 31 de março; a termelétrica de Candiota ainda se chama presidente Médici. Ainda se ensina nos 12 colégios militares às crianças e adolescentes que não houve ditadura militar no Brasil, e que as cassações e a censura foram necessárias por causa da intransigência da oposição, como informou a “Folha de S.Paulo” no ano passado. Alguns se perguntam se essas informações resgatadas vão levar ou não a processos contra os responsáveis.
Ouvido, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou que a Anistia apagou os crimes. Este aspecto da polêmica está, portanto, encerrado. Acho que os militares têm razão em dizer que é preciso saber também dos chamados justiçamentos executados por alguns grupos de esquerda. Eles usam o argumento como chantagem, mas é de fato necessário incluir no mesmo rol de fatos a buscar. Inaceitável é ainda hoje haver o veto dos militares a que uma comissão busque informações sobre pontos nebulosos do nosso passado recente. Os comandantes militares de hoje não estão comprometidos com os atos cometidos naquele período, mas ao se empenharem tanto em encobrir o que seus antecessores fizeram comprometem a instituição como um todo. Essa tendência de nada apurar, tudo esquecer, lembra a “astuta amnésia” de que falou no artigo de ontem o jornalista Elio Gaspari, sobre outro pedaço infeliz da nossa história, soterrado para não comprometer a versão de que tudo foi suave no Brasil, da escravidão à ditadura.
VERISSIMO
A grande final
VERISSIMO
O GLOBO - 10/03/11
Eu era bom no totó. Ou pebolim, ou como quer que chamem aquele futebol de mesa com os bonequinhos. Aquele que o pessoal dos videogames hoje dá risada só de ouvir falar. E eu era imbatível no totó.
É verdade que jogava muito sozinho. Meu time, o Fluminense, magistralmente manejado, envolvia completamente o estático Flamengo do adversário ausente. Mas de tanto treinar contra ninguém, na infância e na adolescência, acabei melhor do que todos os adversários reais que eventualmente enfrentava. Até aparecer o Iñaki.
O Iñaki era basco. Tinha se casado na Espanha com a minha prima Heloísa e os dois estavam morando em Porto Alegre. Ele ia muito na nossa casa, para ouvir os discos de Mozart do meu pai e jogar totó comigo. Não era apenas um exímio jogador. Também era um teórico do totó. Foi ele que não só decidiu trocar a tradicional bola de ping-pong por uma menor, de madeira, que facilitava o controle, como mandou fazer as bolas de acordo com suas especificações precisas. E me ganhava sempre. Descobriu, inclusive, uma maneira de anular a minha jogada mais mortífera, um passe lateral para o Bigode chutar de longe que nunca falhava. Contra o Iñaki o
Bigode não acertava uma.
Uma vez fizemos um torneio de totó na nossa casa. Apenas um pretexto para reunir os amigos. Depois da comida, a mesa de jantar foi afastada e substituída pela de totó. Jogos eliminatórios, mata-mata. Meu desempenho foi digno. Ajudado pelo fator campo, cheguei a uma semifinal, mas fui eliminado. Pelo Iñaki, claro.
O Iñaki foi para a decisão com o vencedor da outra semifinal. E finalmente encontrou um adversário que o igualava em técnica e vontade de ganhar: Elias Figueroa! O zagueiro chileno que na época era o grande ídolo do Internacional e iria comandar o time na conquista de um bicampeonato brasileiro. E que era o campeão de totó das concentrações do Inter.
Sinto dizer (anti-clímax) que não me lembro quem ganhou a grande final. Sei que durante a batalha os brasileiros se retraíram: era Chile contra País Basco, uma questão de outro sangue, nada a ver conosco.
Só nos restava dar espaço às feras.
CLÁUDIO HUMBERTO
“Se isso for concretizado, não tenho condições de ficar no PSB”
DEPUTADA LUIZA ERUNDINA (SP) E A ANUNCIADA FUSÃO AO PDB, PARTIDO DE GILBERTO KASSAB
CGU MANTÉM ESTACIONAMENTO NA “MÃO GRANDE”
Malandramente, a Controladoria-Geral da União tenta impedir na Justiça que o dono de um terreno em frente à sua sede, em Brasília, construa um prédio. A CGU alega um suposto “risco à segurança”, mas a verdade é outra: abuso de poder. O terreno tem sido usado como estacionamento privativo dos servidores da CGU há mais de cinco anos. Sem pagar um centavo de aluguel. O ministro Ari Pargendler, do Superior Tribunal de Justiça, barrou a malandragem: “não se justifica”.
BASEADO NA LEI
A CGU explica que baseou a ação no Código Civil, e candidamente garante não ter a intenção de impedir a construção do prédio
vizinho.
CONGELADA
Enquanto o processo que analisa a idoneidade e suficiência da caução do proprietário está na 8ª Vara, a obra ao lado da CGU está
parada.
EM FAMÍLIA
A presidente Dilma levou o ex-marido Carlos Araújo e mais cinco familiares para o carnaval ao lado dela e da filha no litoral potiguar.
QUERIA SOSSEGO
A governadora Rosalba Ciarlini e a prefeita Micarla Sousa quiseram visitar Dilma, no carnaval. Ela só falou com Rosalba. E ao telefone.
SP: ALCKMIN AFAGA PETISTAS PARA AGRADAR DILMA
O governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) tenta mudar a relação com os prefeitos petistas, tratados a pão e água por José Serra, para reforçar as boas relações com o governo Dilma. Prometeu o bilhete único, reivindicação das prefeituras da Grande São Paulo, onde o PT tem força, e anunciou a retomada do projeto de trem São Paulo-Guarulhos, maior prefeitura petista no estado, parado há décadas.
NO PAÍS DO CARNAVAL
Momo amoleceu a fama de durona da presidente Dilma: sua agenda ontem só começou às 14 horas, afinal, era Quarta-Feira de Cinzas.
RECRUTA GENOINO
O Diário Oficial deverá publicar nesta quinta-feira a nomeação do ex-deputado José Genoino para a assessoria do ministro da Defesa.
CAI FORA, DEPUTADA
A direção do PMN sinaliza que a deputada Jaqueline Roriz (DF) deve deixar o partido. Até a aconselhou a renunciar ao mandato.
CORREGEDOR NA COLA
Ao contrário do reticente presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), o corregedor, deputado Eduardo da Fonte (PE), não topa usar a gaveta para favorecer Jaqueline Roriz. O clima do País é outro, advertiu ele.
CONDIÇÃO INEGOCIÁVEL
O PMDB topa receber a filiação do deputado Gabriel Chalita (PSB-SP) e assegurar-lhe espaço para disputar a prefeitura paulistana, mas avisou: não aceitará os irmãos Cid e Ciro Gomes (CE) de contrabando.
DEVOLVE, TOP-TOP
O aspone para assuntos internacionais aleatórios, Marco AurélioTop-Top Garcia, passa a semana em Havana às nossas custas. Retorna sábado. Caso que clama por ação civil pública para repor o dinheiro.
SEM NOTÍCIAS
O presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Ari Parlandger, suspendeu a distribuição do clipping de notícias aos ministros. Diz que é para economizar. Quem quiser que leia jornal ou acesse a internet.
PADRÃO SANTANDER
As queixas e ações judiciais de clientes contra o banco Santander se sucedem, e não por acaso. Grande parte, especialmente em Brasília, não consegue usar o internet banking há três semanas. Suspeita-se até de truque para dificultar o movimento de dinheiro em conta. Humm...
DOMÍNIO DO MULHERIO
O Rio Grande do Sul tem 634 magistrados atuando no estado. Desse total, 315 são mulheres, 313 homens. Os seis que faltam nessa conta não têm outra opção sexual. São vagas em aberto mesmo.
DEDO PERIGOSO
Primeiro, o ministro do Supremo, Luiz Fux, virou “Pux”. Ontem, o Diário Oficial da União despachou um servidor da Defesa para o “Institute of Brazilian Business and Pubic (sic) Management”, em Washington.
CAMELÓDROMO
Lula, que com a experiência de um “correspondente de guerra” falará a convite da rede Al Jazeera sobre o Oriente Médio, voa amanhã para Doha, no Qatar, com três seguranças, e volta na segunda (14). A Qatar Airways, a única com voo direito de São Paulo, está nas nuvens.
PENSANDO BEM...
Com inflação e alta do preço do petróleo, começa agora o carnaval da Dilma.
PODER SEM PUDOR
DESPACHO ÚNICO
Hélio Garcia era governador de Minas e tinha um jeito especial de trabalhar. Ou de não trabalhar: delegava tudo. Certa vez, o atual deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG), secretário de Saúde, tomou medidas que se chocavam com a corrente progressista em Saúde Pública. Hélio mandou desfazê-las:
– Nomeei você porque eu não queria um conservador, queria um comunista!
Foi o único despacho de chefe e chefiado em dois anos no cargo.
DEPUTADA LUIZA ERUNDINA (SP) E A ANUNCIADA FUSÃO AO PDB, PARTIDO DE GILBERTO KASSAB
CGU MANTÉM ESTACIONAMENTO NA “MÃO GRANDE”
BASEADO NA LEI
A CGU explica que baseou a ação no Código Civil, e candidamente garante não ter a intenção de impedir a construção do prédio
vizinho.
CONGELADA
Enquanto o processo que analisa a idoneidade e suficiência da caução do proprietário está na 8ª Vara, a obra ao lado da CGU está
parada.
QUERIA SOSSEGO
A governadora Rosalba Ciarlini e a prefeita Micarla Sousa quiseram visitar Dilma, no carnaval. Ela só falou com Rosalba. E ao telefone.
SP: ALCKMIN AFAGA PETISTAS PARA AGRADAR DILMA
O governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) tenta mudar a relação com os prefeitos petistas, tratados a pão e água por José Serra, para reforçar as boas relações com o governo Dilma. Prometeu o bilhete único, reivindicação das prefeituras da Grande São Paulo, onde o PT tem força, e anunciou a retomada do projeto de trem São Paulo-Guarulhos, maior prefeitura petista no estado, parado há décadas.
NO PAÍS DO CARNAVAL
Momo amoleceu a fama de durona da presidente Dilma: sua agenda ontem só começou às 14 horas, afinal, era Quarta-Feira de Cinzas.
RECRUTA GENOINO
CAI FORA, DEPUTADA
A direção do PMN sinaliza que a deputada Jaqueline Roriz (DF) deve deixar o partido. Até a aconselhou a renunciar ao mandato.
CORREGEDOR NA COLA
Ao contrário do reticente presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), o corregedor, deputado Eduardo da Fonte (PE), não topa usar a gaveta para favorecer Jaqueline Roriz. O clima do País é outro, advertiu ele.
CONDIÇÃO INEGOCIÁVEL
O PMDB topa receber a filiação do deputado Gabriel Chalita (PSB-SP) e assegurar-lhe espaço para disputar a prefeitura paulistana, mas avisou: não aceitará os irmãos Cid e Ciro Gomes (CE) de contrabando.
DEVOLVE, TOP-TOP
O aspone para assuntos internacionais aleatórios, Marco AurélioTop-Top Garcia, passa a semana em Havana às nossas custas. Retorna sábado. Caso que clama por ação civil pública para repor o dinheiro.
SEM NOTÍCIAS
O presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Ari Parlandger, suspendeu a distribuição do clipping de notícias aos ministros. Diz que é para economizar. Quem quiser que leia jornal ou acesse a internet.
PADRÃO SANTANDER
As queixas e ações judiciais de clientes contra o banco Santander se sucedem, e não por acaso. Grande parte, especialmente em Brasília, não consegue usar o internet banking há três semanas. Suspeita-se até de truque para dificultar o movimento de dinheiro em conta. Humm...
DOMÍNIO DO MULHERIO
O Rio Grande do Sul tem 634 magistrados atuando no estado. Desse total, 315 são mulheres, 313 homens. Os seis que faltam nessa conta não têm outra opção sexual. São vagas em aberto mesmo.
DEDO PERIGOSO
Primeiro, o ministro do Supremo, Luiz Fux, virou “Pux”. Ontem, o Diário Oficial da União despachou um servidor da Defesa para o “Institute of Brazilian Business and Pubic (sic) Management”, em Washington.
CAMELÓDROMO
Lula, que com a experiência de um “correspondente de guerra” falará a convite da rede Al Jazeera sobre o Oriente Médio, voa amanhã para Doha, no Qatar, com três seguranças, e volta na segunda (14). A Qatar Airways, a única com voo direito de São Paulo, está nas nuvens.
PENSANDO BEM...
Com inflação e alta do preço do petróleo, começa agora o carnaval da Dilma.
PODER SEM PUDOR
DESPACHO ÚNICO
Hélio Garcia era governador de Minas e tinha um jeito especial de trabalhar. Ou de não trabalhar: delegava tudo. Certa vez, o atual deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG), secretário de Saúde, tomou medidas que se chocavam com a corrente progressista em Saúde Pública. Hélio mandou desfazê-las:
– Nomeei você porque eu não queria um conservador, queria um comunista!
Foi o único despacho de chefe e chefiado em dois anos no cargo.
QUINTA NOS JORNAIS
- Globo: Rei dá à Beija-Flor recorde de títulos no Sambódromo
- Folha: USP é preterida por 25% dos alunos selecionados
- Estadão: BNDES já empresta três vezes mais que o Banco Mundial
- Correio: Pressionada, filha de Roriz sai de comissão
- Valor: Custos de Jirau sobem e obra já atinge R$ 13 bi
- Jornal do Commercio: Mortos pela água e pelo fogo
- Zero Hora: SEC estuda selecionar professores pela nota em exame nacional
quarta-feira, março 09, 2011
LU AIKO OTTA
Conta de restos a pagar maquia cortes
LU AIKO OTTA
O ESTADO DE SÃO PAULO - 09/03/11
Para economista, manobra permite ao governo dizer que está contendo as despesas enquanto, de fato, adia os pagamentosA presidente Dilma Rousseff herdou um problema fiscal mais sério do que o desequilíbrio que forçou o governo a programar um corte de R$ 50,1 bilhões nas despesas deste ano. A causa seria a maquiagem das contas de 2010, numa estratégia que vem sendo repetida desde 2003. O alerta é do economista Mansueto Almeida, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A suspeita surgiu porque o bolo de despesas iniciadas em 2010 cujo pagamento ficou para este ano, os chamados restos a pagar, foi muito grande: R$ 128,8 bilhões. Esse valor não aparece no Orçamento. Ou seja, o corte não o afetou, e ele continua exercendo pressão sobre o caixa.
"O governo tem um problema com sua gestão fiscal ainda maior do que aquele que aparece nas análises do orçamento aprovado", diz Mansueto na nota técnica Restos a Pagar e Artifícios Contábeis.
O secretário do Tesouro, Arno Augustin, informou que só pretende quitar R$ 41,1 bilhões em atrasados em 2011. As demais despesas, muitas ainda em fases iniciais de contratação, deverão ser canceladas. A possibilidade de "calote" nos restos a pagar acendeu sinais de alerta no Congresso, pois a maior parte deles se refere a emendas de parlamentares ao Orçamento de 2010.
Desde 2006, o volume de restos a pagar vem crescendo continuamente. Ao mesmo tempo, o montante em pagamentos de atrasados que ocorreu no ano seguinte também cresceu. Para Mansueto, isso sugere a existência de uma espécie de orçamento paralelo, o dos atrasados. "Isso permite ao governo mostrar que está sendo feito um esforço maior de contenção de despesas, quando o que de fato ocorreu foi a postergação de pagamentos", comentou.
Além da maquiagem, outra razão para essa prática seria o Executivo obter maior liberdade para escolher onde alocar os recursos disponíveis: se para pagar os restos ou para executar o orçamento do ano. Este ano, por exemplo, Dilma tem R$ 48,3 bilhões em restos a pagar. Esse volume é o mesmo do que foi investido no ano passado inteiro.
Desconfianças. "Se você me perguntar se eu tenho certeza que há maquiagem, eu vou dizer que não. Mas tenho desconfiança, porque o saldo só cresce e a execução (pagamento) de restos a pagar também", disse o economista. Em 2004, a quitação de restos a pagar foi de R$ 5,67 bilhões. Em 2010, atingiu R$ 44,18 bilhões.
O resultado das contas do governo central em janeiro explicitou o truque. As despesas deram um salto de 24% em comparação com o mesmo mês no ano passado, enquanto em dezembro a taxa de incremento havia sido bem menor: 4,6%. Assim, os números indicam que o governo segurou despesas em dezembro e recuperou o atraso em janeiro.
Pelos cálculos do economista-chefe da corretora Convenção, Fernando Montero, a quitação de atrasados em janeiro pode ter sido da ordem de R$ 5 bilhões.
Além de adiar pagamentos, o governo ainda recorreu a manobras contábeis para melhorar o resultado de 2010, como o aumento das receitas em R$ 31,9 bilhões decorrente da capitalização da Petrobrás.
Ainda assim, o setor público fechou suas contas de 2010 com um resultado equivalente a 2,78% do Produto Interno Bruto (PIB), quando a meta era 3,1% do PIB.
A prática de empurrar despesas para o futuro e assim melhorar o resultado fiscal de um ano vem sendo utilizada desde 2003, quando o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, ganhou prestígio e credibilidade do mercado financeiro ao anunciar a elevação da meta do superávit primário (economia de recursos públicos para pagamento da dívida pública) de 3,75% do PIB para 4,25% do PIB. Naquele ano, o saldo de restos a pagar aumentou de R$ 4,2 bilhões para R$ 7,95 bilhões. Foi um crescimento de R$ 3,7 bilhões, ou 0,25% do PIB do ano.
FERNANDO RODRIGUES
A banalização do mal FERNANDO RODRIGUES FOLHA DE SÃO PAULO - 09/03/11 |
Brasília - O governador do Rio Grande do Sul e um dos principais formuladores do PT, Tarso Genro, reclamou ontem dos mensageiros. Num artigo na Folha, refletiu sobre o pouco prestígio dos políticos:
"É visível que existe, em grande parte da mídia, também uma campanha contra a política e os políticos, o que, no fundo, é, independentemente do objetivo de alguns jornalistas, também uma campanha contra a democracia".
Tarso escolheu um momento ruim para redigir seu texto. No fim de semana, tornou-se público um vídeo no qual a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) aparece recebendo um maço de dinheiro das mãos do delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa. A cena não é inédita na política, embora continue a ser chocante.
É fascinante que esse vídeo tenha nascido no mesmo covil de outros conhecidos há mais de um ano. Mas só surgiu agora, quando Jaqueline Roriz já está eleita.
Deputados mudaram as regras de decoro não faz muito tempo. Ninguém pode ser cassado por crimes cometidos antes da eleição. Eis aí a sutileza: matou alguém, assaltou ou recebeu dinheiro sujo antes da eleição? Sem problemas.
Por fim, o corregedor da Câmara, Eduardo da Fonte (PP-PE), está em viagem de férias no exterior. Volta dia 13. A prática de "emendar um feriado" é levada ao paroxismo no Congresso. Até lá, Fonte acompanhará o episódio. Nada mais.
Nesses escândalos políticos em Brasília, o roteiro é sempre igual. A pressa é inimiga da prescrição. Tudo é acomodado para que o tempo passe, nada seja apurado de fato e ninguém acabe punido. Quando se trata de um político do baixo clero, como é o caso de Jaqueline Roriz, a operação é facilitada.
Diferentemente do que afirma Tarso Genro, quem faz "campanha contra a democracia" não é a mídia, mas os políticos, protagonistas desse enredo cujo objetivo tem sido apenas a banalização do mal.
PATRÍCIA MARRONE
Saltando do trampolim
PATRÍCIA MARRONE
O ESTADO DE SÃO PAULO - 09/03/11
O governo de Obama atribui à perda da competitividade da sua indústria manufatureira a causa do pesado déficit comercial e da enorme dificuldade com que se depara hoje a economia americana para retomar os níveis de emprego da fase anterior à crise.Os democratas têm sinalizado claramente a ênfase que pretendem atribuir a uma política industrial sustentada na inovação. Ela prevê, entre outras iniciativas, a reforma no sistema de patentes e incentivos para que graduados nas melhores universidades permaneçam no país. Além disso, a política estimulará a substituição de importados e a repatriação de investimentos de americanos no exterior, entre tantas outras medidas.
A nossa indústria guarda algumas semelhanças com a dos EUA. Nos dois países, a manufatura é responsável por quase 21% do PIB. O problema é que, comparando o valor adicionado gerado pela indústria dos dois países, a americana adiciona 14,3 vezes mais valor à produção do que a brasileira. Além disso, cada empresa industrial brasileira com mais de cinco empregados gera, em média, sete vezes menos valor que uma americana, e os nossos empregados, cinco vezes menos valor para a nossa indústria por ano do que os deles.
Se os americanos estão preocupados com a falta de competitividade de sua manufatura, imaginem como nós deveríamos estar, com tanta defasagem? Apresentamos, assim, algumas sugestões sobre iniciativas que, se adotadas, poderiam melhorar os mecanismos de estímulo à inovação na indústria.
Para dar mais foco à inovação, sugerimos financiar estudos de mercado acoplados a projetos de investimento, auxiliando a empresa a direcionar a especialidade em que deve promover a inovação. Além disso, as disciplinas nas universidades poderiam ser direcionadas para os focos. O estimulo à integração da indústria com os serviços a ela correlatos a diferenciaria de seus concorrentes em serviços pós-venda e em engenharia de manutenção.
Quanto ao aprimoramento dos instrumentos de apoio, seria importante promover a revisão geral dos incentivos e a simplificação de procedimentos para a análise do mérito das empresas na estruturação dos projetos e na reunião da documentação. Ações poderiam ocorrer no sentido de disseminar informações sobre incentivos fiscais, linhas de financiamento e fundos de capital de risco existentes.
As medidas para o fortalecimento da infraestrutura de pesquisa, desenvolvimento e inovação certamente exigirão aportes para reequipar as escolas técnicas e aliá-las a laboratórios de teste, voltados para atender aos principais setores de cada Estado. A ampliação das dotações para bolsas de mestrado e doutorado no País contribuiriam igualmente.
Aprimoramentos na lei trabalhista fomentariam a aplicação na empresa de conhecimento desenvolvido na academia, permitindo a formalização de contratos de trabalho flexíveis por tempo parcial, sem prejuízo das atividades docentes nem risco para as empresas. A pontuação na carreira acadêmica de docentes que se integrarem em programas de empresas poderia se somar. Do lado da empresa, falta estimular a contratação de programas das universidades e a transferência para o Brasil de centros de pesquisa e desenvolvimento de multinacionais.
Quanto ao apoio à inovação nas pequenas empresas, é urgente mapear instituições como: agências de fomento, instituições científicas e tecnológicas e núcleos de inovação tecnológica de cada Estado. Por isso, sugerimos a obrigatoriedade da adoção de uma metodologia padronizada para a apresentação das informações sobre cada entidade do sistema de ciência e tecnologia.
Assim, apesar de as políticas industriais nacionais atuais pretenderem promover mudanças pela inovação na prática, o salto que o Brasil terá de dar exigirá esforço desproporcional. Temos de começar imediatamente e com medidas de alto impacto e baixo custo.
ECONOMISTA E MESTRE EM ECONOMIA PELA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO.
COORDENA O DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DE VÁRIAS ENTIDADES DE CLASSE PATRONAIS, SENDO SÓCIA
DA CONSULTORIA WEBSETORIAL.
REFÉNS DO CRIME
Reféns do crime
REVISTA VEJA
Juízes que atuam contra o crime organizado, principalmente no interior do Brasil, se dizem intimidados pelas constantes ameaças de morte e seqüestro. Com medo, pedem a criação de uma polícia exclusivamente para protegê-los
Na última quarta-feira, Odilon de Oliveira, 62 anos, deixou o pré¬dio da Justiça Federal de Cam¬po Grande, por volta de 6 horas da tarde, cercado por três homens arma¬dos com metralhadora, que o conduzi¬ram a um carro blindado contra tiros de fuzil. A cena poderia ilustrar o transpor¬te de um perigoso criminoso, mas é par¬te da rotina de um juiz federal que há treze anos não pode andar sozinho pelas ruas da capital sul-mata-grossense. Na magistratura faz 24 anos, Odilon foi res¬ponsável pela prisão de mais de uma centena de criminosos ligados ao tráfico internacional de drogas. Somente nos últimos cinco anos, determinou o seqüestro de 260 imóveis usados pelas quadrilhas. Sua cabeça está a prêmio. Em 1998, quando sofreu a primeira ameaça de morte, ela valia uma fazenda no Paraguai. Hoje, a recompensa gira em tomo de 300000 dólares. Nos últi¬mos anos, a Polícia Federal descobriu oito planos para executá-lo, que varia¬vam de rudimentares tentativas de inva¬são a sua casa a surpreendentes fama de envenenamento. O caso do juiz Odi¬lon não é único e, o mais grave, está se tomando cada vez mais recorrente.
Tentativas de intimidação da Justi¬ça, em que o perigo ultrapassa a simples ameaça e se materializa em atentados, sempre foram frequentes em regiões fronteiriças e nos grotões do país, onde a criminalidade se aproveita da débil presença do estado para atuar com mais desenvoltüra. Por isso, a magistratura longe dos grandes centros já é uma ati¬vidade de extremo risco. "A vida de um juiz que aplica a lei com rigor acaba, de uma forma ou de outra. Ou os bandidos te matam, ou você se transforma em um refém do próprio medo", diz Odilon de Oliveira. Desde 1998, o juiz de Campo
Grande é acompanhado por pelo menos três policiais federais. Ele só sai de casa para trabalhar. "Não tenho mais vida social, conto nos dedos de uma das mãos os amigos' que ainda preservo e não me lembro da última em vez que fui ao cinema", lamenta. Mesmo em casa, a presença de homens armados é uma constante. O primeiro dos três pavimen¬tos da residência foi transformado em alojamento para os seguranças. Apesar disso, Odilon nunca cogitou a hipótese de abandonar sua área de atuação. Mas seu sentimento de vulnerabilidade é ta¬manho que faz uma advertência preocupante: "Não me arrependo, mas também não aconselho os jovens juízes a seguir o meu caminho".
O Brasil tem 2000 juízes federais, 500 deles atuam na esfera criminal, responsável pelos crimes mais graves e, naturalmente, por julgar os crimino¬sos mais perigosos. A. situação das co¬marcas afastadas dos grandes centros é a mais precária. No município de Pon¬ta Porã, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, a juíza Lisa Taubemblatt aguarda há um mês res¬posta a um pedido de proteção. A soli¬citação foi feita depois que se desco¬briu que um traficante condenado por Taubemblatt orquestrava um plano pa¬ra executá-la. Os agentes intercepta¬ram telefonemas e mensagens realiza¬dos de dentro do cárcere, ordenando que "apagassem aquela juíza". Até que a Polícia Federal providencie um des¬tacamento para garantir sua segurança, a juíza está sendo escoltada por um grupo de cinco agentes pagos pelo Tri¬bunal Regional Federal. "Nós somos alvos fáceis", afirma ela. Um detalhe importante para entender a dimensão do problema: o tal traficante não é uma personalidade no mundo do crime.
A juíza Raquel Corniglion sabe o que o nome e a ficha de um criminoso podem significar na hora de tomar uma decisão. Ela atuou na área de execução penal do presídio de segurança máxi¬ma de Campo Grande entre 2007 e 2009, quando a cadeia tinha como de¬tento ilustre o traficante Fernandinho Beira-Mar. Em 2008, Raquel teve de decidir sobre um pedido de transferên¬cia de Beira-Mar para o Rio de Janei¬ro. Durante o andamento do processo, a polícia descobriu que o bandido mais perigoso do país planejou raptar os fi¬lhos da juíza para forçar uma decisão a seu favor. Mesmo diante do perigo, Raquel teve de se virar sozinha. "Pas¬sei quinze dias dormindo em locais di¬ferentes todas as noites. Meu filho mais novo, de 3 anos, me acompanha¬va até o fórum. O mais velho teve de passar um mês com um casal de ami¬gos dos meus pais que eu mal conhe¬cia. Foi horrível", comenta. E desaba¬fa: "S.e eles tivessem conseguido pegar meus filhos, qual seria minha deci¬são?". Hoje, a juíza mora no interior de Mato Grosso do Sul, mas não divulga o nome da cidade, e ainda se consi¬dera refém dos criminosos.
A situação preocupa tanto que a As¬sociação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) defende a criação de uma força de segurança .que se dedicaria exclusi¬vamente à proteção dos magistrados. "Não podemos depender da disponibi¬lidade da PF. Em regiões críticas, co¬mo as fronteiras, o efetivo é pequeno e há problemas logísticos imensos", afir¬ma o presidente da entidade, Gabriel Wedy. A classe defende também mu¬danças na lei para acabar com a perso¬nalização dos processos. Hoje, é co¬mum que o mesmo magistrado - prin-cipalmente em comarcas menores ¬conduza um caso da fase inicial até a condenação do réu. Isso poderia ser feito por um colegiado de juízes. A in¬tenção é diluir a participação pessoal dos juízes no processo, o que dificulta a perseguição aos responsáveis pela in¬vestigação. Tal medida foi adotada na Itália nos anos 90, durante a Operação Mãos Limpas, ofensiva do governo contra a atuação da máfia, que resultou na abertura de mais de I 200 processos e 600 condenações.
O crime organizado sempre teve a intimidação às autoridades como estratégia para o sucesso de suas empreita¬das ilícitas. O papel do estado deveria ser justamente impedir esse tipo de sa¬botagem. Mas o que se percebe hoje é que já existe um considerável desequi¬líbrio de forças. Diz o jurista Luiz Flá¬vio Gomes: "Nosso sistema de prote¬ção é rudimentar. Muitos juízes não aceitam trabalhar em determinadas re¬giões por temer investidas de crimino¬sos". O juiz Pedro Francisco da Silva é um exemplo. Em treze anos de atuação no Acre, ele mandou "para a cadeia mais de cinquenta traficantes e criminosos de colarinho branco, além do ex-depu¬tado Hildebrando Pascoal, o homem que trucidava suas vítimas com uma motosserra. Os tentáculos das organi¬zações que combateu avançaram sobre sua família. Há seis anos, ele convive com o medo. Em 2005, a polícia pren¬deu um grupo de pistoleiros contratados para matá-lo. "Acabei me tornando um prisioneiro. Sempre que queria sair com minha esposa, tinha de comunicar à equipe de escolta com antecedência. Acabou minha privacidade", comenta. Em 2008, o perigo chegou bem perto. Quatro homens armados invadiram sua casa. "Só não morri porque mudava minha rotina diariamente. Naquele dia, saí de casa quinze minutos antes do usual", lembra.
o juiz Adelmar Aires Pimenta da Silva, do Tocantins, trocou a Vara Cri¬minal pelo Juizado de Pequenas Cau¬sas depois que seus filhos se tornaram alvo de criminosos. Em 2009, Pimenta da Silva ordenou a prisão de uma qua¬drilha que utilizava aviões, fazendas e se valia de proteção policial para dis¬tribuir drogas. Logo depois das conde¬nações, foi descoberto um plano para sequestrar o filho de 4 anos do magis¬trado, que deveria. ser trocado pela li¬bertação de um dos integrantes da qua¬drilha. Assustado, Pimenta da Silva solicitou transferência da vara criminal em setembro do ano passado, quando descobriu que um dos réus, que havia saído da cadeia, era seu vizinho. "Esse bandido morava a 100 metros da mi¬nha casa. Não podia ficar tão exposto. Mesmo com a mudança, ainda convivo com o medo de fazerem algo contra meu filho", diz.
Até em capitais onde o estado se faz presente e a visibilidade serve de escudo para o magistrado, os mesmos expedientes de intimidação são utiliza¬dos para constranger a toga. No Rio de Janeiro, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, conhecida pela rigorosa condução de casos polêmicos, como o do ex-banqueiro Salvatore Cacciola e da máfia de jogos ilegais, vive sob ameaça. Em 2009, ela recebeu um DVD com imagens de homens portan¬do malas de dinheiro. O áudio da gra¬vação garantia que os personagens eram policiais recebendo propina para executá-la. "É horrível ter medo de an¬dar na rua. Pior ainda é saber que meu caso talvez nem se compare ao de co¬legas que atuam em áreas onde o esta¬do não é tão forte", comenta. A juíza reforçou os cuidados com a segurança e dirige um carro blindado.
O enfraquecimento da magistratura é um mal comum a democracias pouco desenvolvidas e, mesmo nestas, em si¬tuações-limite, como a que a Itália en¬frentou nos anos 90 quando decidiu dar um basta ao poder da máfia. Para Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) , o estado brasileiro não está dotado de recursos para proteger seus juízes como seria desejável. "É pre¬ciso evitar que a atual realidade seja o embrião de um processo muito mais gra¬ve de enfraquecimento das instituições republicanas", afirma Mendes. Resume o jurista Paulo Brossard: "Em um país onde o juiz tem medo, ninguém pode ficar tranquilo".
Na última quarta-feira, Odilon de Oliveira, 62 anos, deixou o pré¬dio da Justiça Federal de Cam¬po Grande, por volta de 6 horas da tarde, cercado por três homens arma¬dos com metralhadora, que o conduzi¬ram a um carro blindado contra tiros de fuzil. A cena poderia ilustrar o transpor¬te de um perigoso criminoso, mas é par¬te da rotina de um juiz federal que há treze anos não pode andar sozinho pelas ruas da capital sul-mata-grossense. Na magistratura faz 24 anos, Odilon foi res¬ponsável pela prisão de mais de uma centena de criminosos ligados ao tráfico internacional de drogas. Somente nos últimos cinco anos, determinou o seqüestro de 260 imóveis usados pelas quadrilhas. Sua cabeça está a prêmio. Em 1998, quando sofreu a primeira ameaça de morte, ela valia uma fazenda no Paraguai. Hoje, a recompensa gira em tomo de 300000 dólares. Nos últi¬mos anos, a Polícia Federal descobriu oito planos para executá-lo, que varia¬vam de rudimentares tentativas de inva¬são a sua casa a surpreendentes fama de envenenamento. O caso do juiz Odi¬lon não é único e, o mais grave, está se tomando cada vez mais recorrente.
Tentativas de intimidação da Justi¬ça, em que o perigo ultrapassa a simples ameaça e se materializa em atentados, sempre foram frequentes em regiões fronteiriças e nos grotões do país, onde a criminalidade se aproveita da débil presença do estado para atuar com mais desenvoltüra. Por isso, a magistratura longe dos grandes centros já é uma ati¬vidade de extremo risco. "A vida de um juiz que aplica a lei com rigor acaba, de uma forma ou de outra. Ou os bandidos te matam, ou você se transforma em um refém do próprio medo", diz Odilon de Oliveira. Desde 1998, o juiz de Campo
Grande é acompanhado por pelo menos três policiais federais. Ele só sai de casa para trabalhar. "Não tenho mais vida social, conto nos dedos de uma das mãos os amigos' que ainda preservo e não me lembro da última em vez que fui ao cinema", lamenta. Mesmo em casa, a presença de homens armados é uma constante. O primeiro dos três pavimen¬tos da residência foi transformado em alojamento para os seguranças. Apesar disso, Odilon nunca cogitou a hipótese de abandonar sua área de atuação. Mas seu sentimento de vulnerabilidade é ta¬manho que faz uma advertência preocupante: "Não me arrependo, mas também não aconselho os jovens juízes a seguir o meu caminho".
O Brasil tem 2000 juízes federais, 500 deles atuam na esfera criminal, responsável pelos crimes mais graves e, naturalmente, por julgar os crimino¬sos mais perigosos. A. situação das co¬marcas afastadas dos grandes centros é a mais precária. No município de Pon¬ta Porã, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, a juíza Lisa Taubemblatt aguarda há um mês res¬posta a um pedido de proteção. A soli¬citação foi feita depois que se desco¬briu que um traficante condenado por Taubemblatt orquestrava um plano pa¬ra executá-la. Os agentes intercepta¬ram telefonemas e mensagens realiza¬dos de dentro do cárcere, ordenando que "apagassem aquela juíza". Até que a Polícia Federal providencie um des¬tacamento para garantir sua segurança, a juíza está sendo escoltada por um grupo de cinco agentes pagos pelo Tri¬bunal Regional Federal. "Nós somos alvos fáceis", afirma ela. Um detalhe importante para entender a dimensão do problema: o tal traficante não é uma personalidade no mundo do crime.
A juíza Raquel Corniglion sabe o que o nome e a ficha de um criminoso podem significar na hora de tomar uma decisão. Ela atuou na área de execução penal do presídio de segurança máxi¬ma de Campo Grande entre 2007 e 2009, quando a cadeia tinha como de¬tento ilustre o traficante Fernandinho Beira-Mar. Em 2008, Raquel teve de decidir sobre um pedido de transferên¬cia de Beira-Mar para o Rio de Janei¬ro. Durante o andamento do processo, a polícia descobriu que o bandido mais perigoso do país planejou raptar os fi¬lhos da juíza para forçar uma decisão a seu favor. Mesmo diante do perigo, Raquel teve de se virar sozinha. "Pas¬sei quinze dias dormindo em locais di¬ferentes todas as noites. Meu filho mais novo, de 3 anos, me acompanha¬va até o fórum. O mais velho teve de passar um mês com um casal de ami¬gos dos meus pais que eu mal conhe¬cia. Foi horrível", comenta. E desaba¬fa: "S.e eles tivessem conseguido pegar meus filhos, qual seria minha deci¬são?". Hoje, a juíza mora no interior de Mato Grosso do Sul, mas não divulga o nome da cidade, e ainda se consi¬dera refém dos criminosos.
A situação preocupa tanto que a As¬sociação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) defende a criação de uma força de segurança .que se dedicaria exclusi¬vamente à proteção dos magistrados. "Não podemos depender da disponibi¬lidade da PF. Em regiões críticas, co¬mo as fronteiras, o efetivo é pequeno e há problemas logísticos imensos", afir¬ma o presidente da entidade, Gabriel Wedy. A classe defende também mu¬danças na lei para acabar com a perso¬nalização dos processos. Hoje, é co¬mum que o mesmo magistrado - prin-cipalmente em comarcas menores ¬conduza um caso da fase inicial até a condenação do réu. Isso poderia ser feito por um colegiado de juízes. A in¬tenção é diluir a participação pessoal dos juízes no processo, o que dificulta a perseguição aos responsáveis pela in¬vestigação. Tal medida foi adotada na Itália nos anos 90, durante a Operação Mãos Limpas, ofensiva do governo contra a atuação da máfia, que resultou na abertura de mais de I 200 processos e 600 condenações.
O crime organizado sempre teve a intimidação às autoridades como estratégia para o sucesso de suas empreita¬das ilícitas. O papel do estado deveria ser justamente impedir esse tipo de sa¬botagem. Mas o que se percebe hoje é que já existe um considerável desequi¬líbrio de forças. Diz o jurista Luiz Flá¬vio Gomes: "Nosso sistema de prote¬ção é rudimentar. Muitos juízes não aceitam trabalhar em determinadas re¬giões por temer investidas de crimino¬sos". O juiz Pedro Francisco da Silva é um exemplo. Em treze anos de atuação no Acre, ele mandou "para a cadeia mais de cinquenta traficantes e criminosos de colarinho branco, além do ex-depu¬tado Hildebrando Pascoal, o homem que trucidava suas vítimas com uma motosserra. Os tentáculos das organi¬zações que combateu avançaram sobre sua família. Há seis anos, ele convive com o medo. Em 2005, a polícia pren¬deu um grupo de pistoleiros contratados para matá-lo. "Acabei me tornando um prisioneiro. Sempre que queria sair com minha esposa, tinha de comunicar à equipe de escolta com antecedência. Acabou minha privacidade", comenta. Em 2008, o perigo chegou bem perto. Quatro homens armados invadiram sua casa. "Só não morri porque mudava minha rotina diariamente. Naquele dia, saí de casa quinze minutos antes do usual", lembra.
o juiz Adelmar Aires Pimenta da Silva, do Tocantins, trocou a Vara Cri¬minal pelo Juizado de Pequenas Cau¬sas depois que seus filhos se tornaram alvo de criminosos. Em 2009, Pimenta da Silva ordenou a prisão de uma qua¬drilha que utilizava aviões, fazendas e se valia de proteção policial para dis¬tribuir drogas. Logo depois das conde¬nações, foi descoberto um plano para sequestrar o filho de 4 anos do magis¬trado, que deveria. ser trocado pela li¬bertação de um dos integrantes da qua¬drilha. Assustado, Pimenta da Silva solicitou transferência da vara criminal em setembro do ano passado, quando descobriu que um dos réus, que havia saído da cadeia, era seu vizinho. "Esse bandido morava a 100 metros da mi¬nha casa. Não podia ficar tão exposto. Mesmo com a mudança, ainda convivo com o medo de fazerem algo contra meu filho", diz.
Até em capitais onde o estado se faz presente e a visibilidade serve de escudo para o magistrado, os mesmos expedientes de intimidação são utiliza¬dos para constranger a toga. No Rio de Janeiro, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, conhecida pela rigorosa condução de casos polêmicos, como o do ex-banqueiro Salvatore Cacciola e da máfia de jogos ilegais, vive sob ameaça. Em 2009, ela recebeu um DVD com imagens de homens portan¬do malas de dinheiro. O áudio da gra¬vação garantia que os personagens eram policiais recebendo propina para executá-la. "É horrível ter medo de an¬dar na rua. Pior ainda é saber que meu caso talvez nem se compare ao de co¬legas que atuam em áreas onde o esta¬do não é tão forte", comenta. A juíza reforçou os cuidados com a segurança e dirige um carro blindado.
O enfraquecimento da magistratura é um mal comum a democracias pouco desenvolvidas e, mesmo nestas, em si¬tuações-limite, como a que a Itália en¬frentou nos anos 90 quando decidiu dar um basta ao poder da máfia. Para Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) , o estado brasileiro não está dotado de recursos para proteger seus juízes como seria desejável. "É pre¬ciso evitar que a atual realidade seja o embrião de um processo muito mais gra¬ve de enfraquecimento das instituições republicanas", afirma Mendes. Resume o jurista Paulo Brossard: "Em um país onde o juiz tem medo, ninguém pode ficar tranquilo".
VILAS-BÔAS CORRÊA
Ladra por parte de pai e mãe
VILAS-BÔAS CORRÊA
JORNAL DO BRASIL - 09/03/11
Adeputada federal Jaqueline Roriz, filha do ex-governador do Distrito Federal, o notório Joaquim Roriz (PSC), para variar deverá ser alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). Mais um registro no prontuário de uma família que parece seguir à risca, com a devida adaptação, o venerando adágio: a família que vive unida permanece unida. No caso, parece mais uma quadrilha formada por uma família.
A bola da vez, a jovem deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), meteu- se em mais uma enrascada que custou a pipocar na Justiça. Coube à diligência do procurador- geral da República, Roberto Gurgel, a iniciativa de pedir a abertura de investigação. Em entrevista ao jornal Correio Brasiliense, o procurador confessou a sua perplexidade diante do vídeo que corre de mão em mão, em que a única atriz, que é a deputada Jaqueline, que por um passe de mágica da Câmara dos Deputados integra a comissão de reforma política da Câmara, recebe pacotes de dinheiro para financiar a sua campanha a deputada distrital, nas eleições de 2006. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pasma: “As cenas são fortíssimas.
É uma situação extremamente grave. As imagens não deixam dúvida do estado da política em Brasília”. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa. A família Roriz contou com parceiros para compor a quadrilha. E sempre se dá um jeitinho. Outros políticos de Brasília posaram para as fotos recebendo pacotes da corrupção do mensalão do DEM. Durval Barbosa fez um acordo de cavalheiros com o Ministério Público para reduzir a pena nos vários processos a que responde no Ministério Público, mediante a entrega de documentos que comprovam as irregularidades. Documentos, provas, gravações é o que não falta. Numa delas de três minutos gravação, Jaqueline aparece com o marido, Manoel Neto, recebendo maços com R$ 50 mil e ainda pede mais. Candidamente: “Tem possibilidade de você aumentar isso para mim?”, pergunta a Durval.
ANCELMO GÓIS
O Rei e o príncipe
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 09/03/11
Roberto Carlos sapecou Aécio Neves de elogios na Sapucaí e prometeu votar no mineiro para presidente em 2014: — Aliás, na eleição passada, eu já tinha decidido votar em você. Pena que não foi candidato.
Pinto no lixo, bicho
Contente da vida com o desfile na sua escola do coração, Roberto Carlos não deixou a Sapucaí logo depois de passar com a Beija-Flor. Enquanto funcionários já começavam a limpeza da pista, o Rei voltou ao camarote para tomar café da manhã feliz que nem pinto no lixo.
Louboutin e Niemeyer
Christian Louboutin, o badalado designer francês de calçados, vai lançar uma linha de maquiagens e veio ao Brasil contratar Oscar Niemeyer para desenhar as embalagens.
Máfia
O puxador da Vila, Tinga, alterou um pouco seu tradicional grito de guerra. Ao invésde “solta o bicho!”, disse: “Solta o Wilson!!!” Wilson Alves, presidente da escola, está preso, acusado de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis.
Pai liberal
Xororó, o cantor sertanejo que desfilou no carro do caminhoneiro, na Beija-Flor, liberou a filha Sandy para ser garota- propaganda da Devassa: — Todo brasileiro tem cerveja na geladeira. Não faz mal nenhum. Há controvérsias.
Madre Maurina
Morreu, aos 84 anos, a madre franciscana Maurina Borges da Silveira, presa, torturada e banida do país em 1970. Segundo Frei Betto, ela pode ser considerada “uma das mártires (e inocente) da ditadura militar de 1964.”
Mão suja
De Diego Alemão para Rafinha, outro ex-BBB, que foi cumprimentar o ator Paulo Goulart no banheiro de um camarote: — Ele é ator de primeira linha. Não dá para cumprimentar sem lavar a mão, não. Ah, bom!
O negócio do mijo
Antônio Rodrigues, dono da rede carioca de botequins Belmonte, mandou cobrar R$ 5 de cada folião que quisesse ir ao banheiro em seus bares no carnaval. Queria evitar os mijões.
Só que...
Do faturamento de seus bares no Jardim Botânico, em Ipanema e Leblon, 85%, acredite, vieram... dos mijões. Cerca de 70% eram mulheres. Cada pessoa que ia ao banheiro recebia um comprovante fiscal.
Planta na Mente
Uma turma que prega a legalização da maconha põe seu bloco, o Planta na Mente, na rua hoje, às 16h20m, na Lapa. A turma tentou conseguir autorização da prefeitura para desfilar. “Mas ninguém respondeu”, diz Adriano Caldas, um dos fundadores do bloco. “Como é uma manifestação pacífica, estamos respaldados na Constituição.”
Troca de louras
A Suderj do samba informa: no provável desfile da Vila Isabel, no Sábado das Campeãs, sai Gisele Bündchen, que já voltou para os EUA, e entra Cláudia Leitte. A musa do axé confirmou presença no último carro alegórico da escola.
Tomara-que-caia
No Bloco dos Cineastas, que sai hoje, na Gávea, no Rio, uma ala promete desfilar com vestidos tomara-que-caia combinados com máscaras de Ana de Hollanda, a ministra da Cultura. Maldade.
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