segunda-feira, setembro 13, 2010
JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO
Quem é o palhaço?
José Roberto Toledo
O Estado de S.Paulo - 13/09/10
Francisco Everardo Oliveira Silva corre o risco de ser o deputado federal mais votado do Brasil em 3 de outubro. Não se espante se você não reconhece o nome, nem seus próprios eleitores reconheceriam. Oliveira Silva é conhecido apenas por seu apelido, Tiririca.
Ele aparece em primeiro lugar no conjunto de pesquisas do Ibope sobre a eleição para a Câmara dos Deputados em São Paulo. Como é o Estado com o maior eleitorado, não será surpresa se Oliveira Silva acabar sendo o campeão nacional de votos de 2010.
Se você não tem visto muita TV nas últimas décadas e passou incólume pela propaganda eleitoral até agora, Tiririca é ator e palhaço profissional. Tem 45 anos, lê e escreve, se autodefine como "abestado" e seu slogan é "pior que tá num fica, vote Tiririca".
Não é uma piada. É um projeto político. Oliveira Silva é candidato pelo PR, em coligação que inclui o PT e o PC do B. Prova da seriedade do projeto é que, até o último dia 3, o partido havia investido R$ 594 mil, oficialmente, na campanha do palhaço. E não deve parar por aí.
Tiririca é o principal puxador de votos do PR, do PT e do PC do B em São Paulo. Se chegar a um milhão de sufrágios, seu excedente de votos elegerá mais quatro ou cinco deputados da coligação. O eleitor vota em Tiririca e pode eleger Valdemar Costa Neto (PR), Ricardo Berzoini (PT) ou o delegado Protógenes (PC do B).
O "projeto Tiririca" é um bom retrato do sistema de coligações que impera nas eleições parlamentares brasileiras - uma salada farta de siglas, conexões improváveis, legendas de aluguel e uma pitada muito pequena de ideologia.
Das 27 legendas que disputam as eleições para a Câmara dos Deputados, apenas os quatro partidos de esquerda (PSTU, PCO, PSOL e PCB) são seletivos nas coligações: não se misturam na grande maioria das vezes. Melhor deixá-los em um prato à parte.
Entre as outras 23 legendas da salada, vale quase tudo. O PP, por exemplo, coligou-se 169 vezes a todos os outros 22 partidos, em 26 das 27 unidades da Federação. O PRB fez igual. Isso significa aliar-se ora ao PT, ora ao seu arqui-inimigo PSDB, conforme a conveniência.
PP e PRB são os campeões das alianças, mas não são exceção. Das 23 legendas da salada coligada, só o PV fez menos de 100 conexões com outros partidos. Mas bateu na trave: 97. A salada é sortida. Tem de PT com DEM (uma vez) a comunista com democrata-cristão (seis vezes). Só não tem petista com tucano.
Se dividirmos a travessa em duas partes, numa ponta está o PT, na outra, o PSDB. O PMDB fica no meio. Perseguidos pelo poder, os peemedebistas aparecem como fortes aliados tanto de tucanos (6 vezes) quanto de petistas (11 vezes).
As conexões mais intensas do PT são com PC do B, PR, PRB, PSB, PDT e PMDB. E as do PSDB são com DEM, PPS, PSC, PMN, PR, PRB e PMDB. Mas as relações são abertas, não pressupõem exclusividade. Vez ou outra uma legenda dá uma escapadinha para o outro lado, sem culpa ou ressentimentos.
Os mais cínicos dirão que a política partidária brasileira continua a mesma. Mudam os nomes, mas não os sobrenomes. No seu "Deputados 2010", o Ibope identificou uma penca de herdeiros do poder (apud Francisco Antonio Doria) entre os favoritos a se elegerem para a Câmara.
São rostos novos para nomes conhecidos. Como os de Ana Arraes (Pernambuco), Ratinho Jr. e Zeca Dirceu (ambos no Paraná), ACM Neto (Bahia), Rodrigo Maia e Leonardo Piciani (ambos no Rio de Janeiro).
Nomes fortes foi justamente o que faltou para o PT paulista. O partido precisou improvisar nova estratégia. Além de se coligar ao PR de Tiririca, ressuscitou a tática de pedir votos para a legenda do partido. Está dando certo: a sigla do PT está em segundo lugar em citações no ranking do Ibope.
A falta de nomes conhecidos está confundindo os paulistas. Instado pelo Ibope a dizer em quem votará para deputado federal, há quem responda "Serra", "Fernando Henrique Cardoso", "Marina Silva", "Alckmin", "Mercadante" ou até quem evoque "Mario Covas".
De todos os Estados onde o Ibope faz seu ranking para a Câmara, São Paulo é onde menos eleitores são capazes de citar um candidato a deputado federal: apenas 12%. Em Pernambuco essa taxa já chegou a 19%, e no Distrito Federal, a 21%.
Não é de espantar, portanto, que Tiririca seja o mais lembrado entre os paulistas. Nem de que alguém tenha pensado em usar um palhaço como puxador de votos. Pensando bem, até faz sentido.
DORA KRAMER
Em feitio de exceção
Dora Kramer
O Estado de S.Paulo - 13/09/10
Posta em xeque no cotidiano, a democracia é discutida como se não fosse valor absoluto
Um quarto de século de retomada da normalidade institucional em tese seria tempo suficiente para a democracia ter sido incorporada à cena nacional com a naturalidade das coisas que simplesmente "são". Como água encanada e luz elétrica.
Na prática, porém, não tem funcionado assim: temos discutido muito a democracia no lugar de exercê-la sem discussão, o que seria muito mais natural. Depois de reconquistada a democracia a impressão que dá é que o País não sabe direito o que fazer com ela. A questão continua em aberto como ainda nos faltasse, fosse uma meta a ser alcançada, uma cidadela em permanente risco.
Comparemos, para efeito de raciocínio, com a estabilidade econômica. Tem dez anos a menos e já saiu da agenda para entrar no campo dos consensos. Daqueles arraigados aos quais não há quem ouse agredir sob pena de perder a batalha na sociedade, de tão consolidado que está o conceito. Não se observa produção robusta e recorrente de pregações sobre os benefícios da estabilidade e a necessidade de preservá-la. Ela "é" e ponto final. Auto-explicável, auto-aplicável, compreendida e absorvida.
Com a democracia não se deu essa incorporação. A despeito da existência de todos os sinais exteriores de pleno funcionamento do regime de liberdades, garantias, direitos, deveres individuais e coletivos a ponto de inibir quaisquer gestos contraditórios, fala-se tanto dela que mais parece exceção. E se assim parece é porque assim acontece na realidade.
A democracia entre nós é adjetivada. É posta em xeque no cotidiano, nos Poderes e segue sendo discutida como se não fosse valor absoluto, mas princípio relativo, mutante, manipulável, adaptável ao sabor das circunstâncias, ao grau de consciência e à qualidade de caráter dos governantes.
Recentemente chamou atenção a criação do Instituto Palavra Aberta. Função? Defender a democracia, a livre iniciativa e a liberdade de expressão. Se há necessidade defendê-la de forma explícita então faz sentido reafirmá-la constantemente.
Essa evidência é em si a confirmação de como pode vir a ser fragilizada, principalmente quando e se à frente de ações que favorecem o enfraquecimento está o Estado. Hoje em dia traduzidas nas deformações dos Poderes Executivo e Legislativo, um hipertrofiado e outro atrofiado em seus respectivos papéis na República.
Dois cientistas políticos, integrantes do topo de linha do pensamento nacional ativo (em contraponto à ala inativa por iniciativa própria), os professores José Augusto Guilhon Albuquerque e Leôncio Martins Rodrigues compartilham a certeza de que nos últimos anos está em curso um processo de ruptura de valores que precisa ser combatido.
A mesma pergunta foi feita para ambos: Por que falamos tanto em democracia?
Guilhón Albuquerque divide a questão em duas. Uma conceitual, "a ideia de democracia e seus valores"; e outra real, "a democracia realmente existente sob um Estado de Direito operante". Sobre a primeira, ele acha que precisa mesmo ser reiterada constantemente de "geração em geração" em toda parte, nos meios de comunicação, nas escolas, nas famílias e nos partidos.
Ressalta, no entanto, que os partidos nem sempre dão bons exemplos. ""Neste período eleitoral, parcialmente por liberalidade com partidos sem expressão e, portanto, sem responsabilidade com o eleitorado, assistimos diariamente a pregações raivosas e desqualificações debochadas contra os valores democráticos.""
Quanto ao que chama de "Estado de Direito realmente existente" - aquele em que "instituições e mecanismos de equilíbrio de poder repõem continuamente a ordem democrática cada vez que a desordem, a opressão e o abuso de poder tentam rompê-la" - Guilhón vê sérios problemas.
"O que estamos vivendo nesses oito anos, muito lentamente no início e com enorme aceleração nos últimos meses é um processo de ruptura das instituições e dos mecanismos de equilíbrio de poder que vêm perdendo pouco a pouco a credibilidade e a própria capacidade de repor a ordem democrática".
Nessa hora, o que fazer? "Em momentos como esse a democracia precisa desesperadamente de democratas com caráter, que não chegam a ser uma legião."
Leôncio Martins esboça várias hipóteses - nenhuma delas excludente - para explicar porque o debate sobre a questão democrática tem se acentuado ultimamente. Primeira hipótese: "O avanço do populismo que menospreza regras do jogo e entende que maiorias, sempre eventuais, podem tudo."
Segunda: "Quem entende democracia como um governo representativo regido por leis tem motivos para temer as consequências de uma concentração excessiva do poder nas mãos de uma nova elite política de classe média assalariada (incluindo a aristocracia operária) que começou a ascender no fim do regime militar. A elite lulista joga pesado para manter o domínio do Estado e os cargos no governo, porque não querem voltar para os antigos empregos, nos sindicatos ou fora deles."
Terceira hipótese: "Para a atual oposição, não se trata apenas do "temos de ficar mais algum tempo fora do governo", mas de ser colocada numa situação semelhante à que viveu no passado a oposição sob Perón, Getúlio e agora sob Chávez e Evo Morales. Ou seja, o fim do rodízio no governo."
Quarta: "Inegavelmente há certos aspectos do comportamento dos ex-plebeus que dá razão à inquietação dos setores liberais: o viés estatizante, o nacionalismo, a reconstrução do aparato sindical getulista, a aproximação entre o capital privado e o aparelho estatal, as tentativas de controle da imprensa, a rejeição da democracia representativa (por parte da esquerda petista), os níveis nunca alcançados de corrupção."
Quinta hipótese: "A existência de um partido de massas disciplinado, dotado de incomparável vocação para o poder, disposto a colonizar o Estado."
No começo do artigo registro quase estranheza com tanta discussão sobre democracia. No fim, constato: há razões de sobra.
RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA
Pegou o título?
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 13/09/10
Ciente de sua penetração nas camadas de menor escolaridade, o PT prepara campanha ostensiva para frisar que neste ano o eleitor terá de comparecer às urnas munido simultaneamente do título de eleitor e de um outro documento com foto. O partido teme que um eventual aumento no percentual de abstenção prejudique seus candidatos e vê na conscientização uma medida preventiva.
A exemplo do que Lula faz em comícios, os petistas esbanjarão didatismo ao lembrar os prazos para emissão de segunda via do título nos cartórios e ensinarão como evitar transtornos em 3 de outubro. A ofensiva terá espaço nobre no horário de TV da legenda.
Irrevogável A direção petista cogitou consultar o TSE sobre a revisão da medida, mas ela consta da lei 12.034, de 2009. Eventual revogação dependeria de ação direta de inconstitucionalidade endereçada ao Supremo Tribunal Federal. "Estamos alertas porque o eleitorado mais simples é uma faixa em que somos muito fortes", diz o presidente do partido, José Eduardo Dutra.
Chicana O receio do PT é que a exigência legal reduza o comparecimento -de 81% em 2006. Lula evidencia o temor em seus discursos. "Vocês sabem que este ano vão precisar de dois documentos pra votar? Sempre querem dificultar a vida das pessoas mais pobres", disse no dia 4 em Guarulhos.
Chapa quente A preocupação dos coordenadores da campanha de Dilma Roussef com as acusações envolvendo a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, é bem maior do que sugerem as declarações públicas de aliados da candidata.
Lobby 1 O diretor de Operações dos Correios, Artur Rodrigues da Silva, que confirmou à Folha que o filho de Erenice Guerra intermediou negócios privados com o governo, foi indicado para a estatal pelo advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula.
Lobby 2 Teixeira foi personagem de outros casos que bateram na Casa Civil, como a venda da Varig. Em 2009, no auge da polêmica sobre a controvertida operação, Dilma Roussef admitiu que Teixeira havia sido recebido pelo menos duas vezes em encontros que não constavam da agenda pública.
Pois não Dilma Rousseff pediu ao amigo Fernando Pimentel (PT), candidato ao Senado, um engajamento maior na campanha de Hélio Costa ao governo de Minas. O primeiro resultado prático é uma gravação, a ser exibida no programa do peemedebista, na qual os dois aparecem juntos numa grande favela de BH onde Pimentel fez obras quando prefeito.
Pelo contrário Costa diz que não é a favor da venda da Cemig, mas crítico à privatização discutida no passado por tucanos. Sua cruzada seria pela mudança da política de tarifas da empresa mineira de energia.
Eu me amo De Lula a aliados, em seu périplo paulista na semana passada: "Todo mundo quer que eu grave, vá a comícios. Eu devia montar uma empresa de eventos e cobrar por isso".
Alfândega Fracassou o projeto de aumentar a renda do PT com a venda de "lulinhas". O partido, por meio de um empresário, negociou a confecção das miniaturas do presidente com uma empresa chinesa, mas as duas partes não se acertaram.
Pulverizado O ato de apoio a Aloizio Mercadante que o PT havia marcado para hoje no Anhembi foi substituído por um "dia de mobilização" em todo o Estado.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI
tiroteio
"Eles morrem de inveja do governo do PSDB, que tem uma eficiência que a companheirada do PT nem em 50 anos vai conseguir."
DO DEPUTADO FEDERAL EDSON APARECIDO (PSDB-SP), sobre declaração de Lula na quinta-feira em Ribeirão Preto. Segundo o presidente, os tucanos já ficaram demais no poder em São Paulo e devem ceder espaço a outro partido.
contraponto
Fronteira eleitoral
Um assessor do deputado estadual Ricardo Montoro (PSDB-SP), que neste ano tentará vaga na Câmara, viajou a Curitiba para ver a família e aproveitou para visitar o comitê do correligionário Beto Richa. De volta a São Paulo, fez um relato entusiasmado ao chefe:
-Fui muito bem recebido!
-E como está a campanha lá?-indagou Montoro.
Aparentemente ignorando o fato de que um candidato ao Legislativo por um Estado não poder ser votado em outro, o assessor respondeu sem titubear:
-Ah, fique tranquilo... Nós teremos muitos votos lá!
RICARDO YOUNG
Injustiça eleitoral
RICARDO YOUNG
FOLHA DE SÃO PAULO - 13/09/10
A crença de que, no Brasil, eleições são democráticas porque têm acesso às mídias de rádio e TV no horário político, principalmente, tem nos levado a alguns equívocos.
Um deles é o tempo a que cada partido tem direito. Hoje, vale o critério do tamanho da bancada no Congresso ou Assembleia Legislativa. Com isso, os pequenos partidos, com menos de um minuto de aparição, não conseguem chamar a atenção do eleitor.
Outro aspecto é que as campanhas eleitorais, tais como são hoje, se tornaram um grande negócio para as agências de publicidade. Política virou propaganda, conta mais o filme benfeito do que a proposta apresentada.
Assim, todos parecem iguais, e o destaque vai para o candidato que conseguir maior "apelo" emocional com as peças publicitárias. Para não falar do custo gigantesco que essas produções implicam. Mas o ponto fundamental, a meu ver, é o acúmulo de "eleições" em um processo só: presidente, governadores, deputados federais e estaduais.
Com isso, o foco recai no presidenciável e, em menor escala, no governo estadual.
Os cargos legislativos, igualmente importantes, ficam relegados às sobras de tempo e o eleitor não tem, mesmo, como separar o joio do trigo. Há uma evidente desqualificação da importância do Legislativo neste processo.
Como fazer diferente?
Em primeiro lugar, cada partido deveria ter direito a um tempo mínimo de divulgação, por exemplo, dois minutos. Os partidos maiores podem ter mais tempo, mas não acima de um teto máximo de, digamos, cinco minutos. Tempos iguais para cargos majoritários, proporcionais para os proporcionais.
As eleições majoritárias e proporcionais deveriam ocorrer em pleitos diferentes, para que o cidadão pudesse conhecer melhor o que pensa cada candidato a parlamentar. Afinal, é ele que faz as leis, promove as mudanças e supervisiona o Executivo. Necessário também que no horário gratuito houvesse um período para debates, organizados pelas entidades da sociedade civil vinculadas a temas como desigualdade, inclusão social e renda.
Os candidatos que são "traço" poderiam discutir suas propostas em igualdade de condições com os líderes das pesquisas. Com isso, a campanha eleitoral cumpriria a função didática de politização.
O atual sistema não contribui para a conscientização cidadã, não promove a renovação de quadros e ideias e ainda sacraliza a continuidade como atributo da estabilidade.
É o contrário da democracia, na qual a política é a atividade imprescindível para a superação dos problemas, pela construção de projetos coletivos e a realização deles, por representantes eleitos e recursos públicos. A reforma política é simplesmente inadiável.
RUY CASTRO
Solteiros e solteiras
RUY CASTRO
FOLHA DE SÃO PAULO - 13/09/10
Uma queixa habitual das mulheres é a de que faltam homens na praça – leia-se homens solteiros e disponíveis. Mas o IBGE, que veio ao mundo para dirimir dúvidas quantitativas, acaba de apurar que há 31,9 milhões de homens solteiros no Brasil contra 30,4 milhões de mulheres idem. Ou seja, com um saldo de 1,5 milhão de homens prontos para o abate, não será por falta de material que tantas mulheres continuarão encalhadas.
O problema, no entanto, não é estatístico, mas comportamental: a tendência do homem, esse sacripanta, a não ter pressa de assumir compromissos sérios e passar anos pesquisando o mercado antes de se decidir a investir. Sempre foi assim.
E, se a querida leitora já estava desanimada, lamento informá-la de que a situação tem tudo para piorar. Com a recente mania dos homens de continuarem morando com a mãe até os 40 anos, a taxa de rapazes casadouros promete diminuir ainda mais.
Mas, supondo que a estatística tenha alguma importância, quanto mais homens na área, maiores serão as probabilidades de as mulheres encontrarem o seu par no baralho. Sabendo-se que, segundo o IBGE, a discrepância quantitativa não é geograficamente uniforme, alguns Estados do Brasil serão mais propícios do que outros para que elas encontrem esse par.
Nesse sentido, nenhum supera Santa Catarina. Lá são 122 solteiros para cada 100 solteiras. Outros Estados em que a oferta masculina é considerável são Tocantins, Mato Grosso e Espírito Santo. Já São Paulo está apenas na média: 108 contra 100. E, em alguns Estados, há tantos homens quanto mulheres.
O Rio, por exemplo, tem pequeno deéficit: são 99,55 homens para cada 100 mulheres –o 0,45 saiu para comprar cigarros e não voltou. Já no Distrito Federal, faltam nove homens para as 100 mulheres. Se o amigo nunca encontrou um motivo para ir até lá, agora já tem um.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
Scopel investe R$ 300 milhões no país em 2010
Maria Cristina Frias
Folha de S.Paulo - 13/09/2010
A Scopel, empresa especializada em loteamentos residenciais, investe neste ano R$ 300 milhões no país.
A incorporadora dobrou de tamanho anualmente a partir de 2007, desde que se associou ao Carlyle, em uma das primeiras aquisições realizadas pelo fundo americano no Brasil.
Com presença já consolidada em São Paulo, a Scopel inicia neste semestre seu plano de expansão para Estados como Minas Gerais, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro, entre outros, segundo seu diretor Ciro Schmeil.
"Os Estados do Nordeste, onde o crescimento do mercado imobiliário está muito acelerado, são um dos principais focos da empresa neste momento", afirma.
Até o final deste ano está previsto o lançamento de 15 loteamentos residenciais, em 10 milhões de m2 urbanizados. O recurso investido será direcionado principalmente a marketing e obras.
A Scopel fechou o primeiro semestre com resultado acima do alcançado durante todo o ano passado.
Entre janeiro e junho, a empresa comercializou cerca de 2.250 terrenos residenciais, que totalizam uma área de 400 mil m2 urbanizados.
O volume corresponde a um VGV (Valor Geral de Vendas) de aproximadamente R$ 100 milhões, número equivalente ao registrado durante o ano passado inteiro.
Para um jovem economista
"Não se deixe enganar com a conversa tola dos políticos e dos economistas marxistas: a profissão de economista não fracassou, muito menos o capitalismo", recomenda Gustavo Franco sobre a crise iniciada em 2008, em seu novo livro, "Cartas a um Jovem Economista" (Campus- Elsevier, 185 págs.)
Ex-presidente do Banco Central, professor da PUC do Rio e sócio da Rio Bravo Investimentos, empresa que fundou depois de deixar o serviço público, Franco dá conselhos a quem tem planos econômicos.
"Ilustro alguns pontos da profissão com o que vivi", diz o autor. O livro, que trata das atividades do profissional da economia na universidade, no governo e na iniciativa privada, tem dois capítulos sobre o nascimento do Real.
"Não consigo escrever sobre o Plano Real sem colocar o coração na ponta da chuteira", reconhece. Outro capítulo cobre o seu início na vida empresarial, também levado pela busca de "conforto material", diz. "Não se deixe patrulhar nisso", recomenda ao leitor. "Lembre-se de Fernando Pessoa: "para ser sonhador, falta-me o dinheiro.'"
O que mais recomenda ao estudante da área é muita leitura. "A prática da economia é mais interdisciplinar do que muitos supõem", diz.
"O economista é sempre questionado em seu conhecimento pela patrulha dos amadores", afirma Franco.
Quando um aluno questiona a longa lista de livros indicados, o autor diz pensar em "uma teoria pessoal, darwinista: você será , como economista, só um pouquinho a mais do que aquilo que ler".
Como espécie de lema da profissão, cita: "não há almoço grátis". O livro será lançado amanhã, em São Paulo, e no dia 21, no Rio.
Abaixo, conhecidos economistas dão suas sugestões a quem começa na profissão.
"As escolhas mais interessantes, que oferecem temas de estudo ao economista, são aquelas em que é preciso decidir entre o almoço e o dinheiro. Não é uma escolha trivial, porque não é possível escolher ambos, não há almoço grátis."
Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco
"Meu conselho é que invistam intelectualmente em: muita matemática e muita cultura", diz Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco a quem quer se dedicar à economia.
Conselho: Muita dedicação ao instrumental quantitativo e à literatura. Parece contraditório, mas não é. Esta é a verdadeira fórmula vencedora. Recomendo que os mais jovens ampliem ao máximo o seu repertório cultural. Nunca pensem que estão perdendo tempo com isso. Leiam muito, muito mesmo, sobretudo os clássicos na literatura, na filosofia e na história.
Sugiro que não se contentem com o óbvio, se provoquem o tempo todo e não deixem que a vaidade comande os seus passos profissionais. Aconselho também que recusem a máxima que diz que "aquilo que não se pode medir não existe".
Livro-chave: Para contribuir para uma boa formação: "Instituições, Mudança Institucional e Desempenho Econômico", de Douglas North.
Fabio Giambiagi, economista do BNDES
O economista Fabio Giambiagi, ex-professor da UFRJ e da PUC-Rio, e, hoje, chefe do Departamento de Risco de Mercado do BNDES, lembra aos iniciantes na carreira que "ser tecnicamente sólido não significa ser hermético".
Conselho: Sempre tentar conciliar o rigor técnico com a capacidade explicativa.
Frase: "Meu maior orgulho aos 80 anos é saber metade do que pensava saber aos 20" (Pablo Picasso). Livro: "A Lanterna na Popa", de Roberto Campos, editora Topbooks.
Eliana Cardoso, economista e professora da Fundação Getúlio Vargas
"Ao aluno em dúvida sobre escolhas que deve fazer, digo que o melhor é tentar enxergar quem ele gostaria de ser dentro de 20 anos ou no fim da vida", relata a professora Eliana Cardoso.
Conselhos: Se o estudante for capaz de se ver no futuro, o próximo passo é descobrir o que fazer para chegar onde deseja. O importante é entender as próprias necessidades e encontrar a forma de viver com elas.
Livro: Sugiro ler muitos autores e comparar perspectivas. Um título ao acaso, que indico por ser dispensável, mas que tem o mérito de colocar em perspectiva inovações que muitos acreditam que são de hoje: " The Origins of Value: The Financial Innovations that Created Modern Capital Markets". Reúne artigos de grandes economistas, da Universidade de Yale.
JOAQUIM FERREIRA DOS SANTOS
| Os faltares |
Joaquim Ferreira dos Santos
O GLOBO - 13/09/10
Pisaram no pé dele, e o homem do metrô sente falta dos xerifes nacionais
Alguém deve ter pisado no pé dele, e foi o gancho para o homem no vagão do metrô começar seu discurso dizendo que por isso o Brasil não ia pra frente.
Falta um Figueiredo, que prende e arrebenta, gritou. Faltava educação, faltava compostura e, vou dizer mais, reiterava o homem do metrô como se em algum momento fosse puxar do santinho para se apresentar em campanha, falta tirocínio e, apontando para a cabeça, falta maxilar. Era um homem dos seus 50 e poucos, de sotaque nordestino e muita indignação por terem pisado seu pé sem pedido de desculpas.
Faltava um Clodovil, mais macho que muitos aí, para dar modos aos cidadãos.
Falta um David Nasser pra por na cadeia os pedófilos da mesma maneira que ele fez com os matadores da Aída Curi. Falta um Rui Barbosa, baiano cabra da peste que colocou na porta de casa em Londres uma tabuleta com o aviso "ensina-se inglês aos ingleses". Aquilo, sim, era autoridade intelectual, vibrava o homem no metrô que tinha tido o calo pisado por alguém e a partir dessa dor faz um exercício de sociologia nostálgica sobre o abandono do brasileiro. Falta o Felipão para entrar duro e dizer aqui não, alemão. Fica esse pessoal da Fifa vindo aqui ensinar como se faz futebol e pororó pão duro e coisa e tal, como se o brasileiro matasse estrangeiro no metrô. Faça-me o favor. Falta alguém que diga comigo não, violão, e mande essa turma pentear macaco, tirar os mineiros lá do fundo da terra, como se a gente é que matasse o Michael Jackson com os psicorotrópicos. Falta tutano, ó, óleo de babosa, e novamente o homem do metrô apontava para a cabeça de cabeleira farta.
O homem do metrô tinha uma lista enorme de faltares nacionais e a Linha Um seria pequena para ele relacionar todos. Faltava elegãncia, um chapéu na cabeça para quem lhe pisara os pés tirar e dizer, desculpe, moço, foi sem querer, e faltava também o Newton Cruz, aquele general maluco que saiu dando com o cassetete nos carros enquanto gritava "está preso, está preso". Falta a vassoura do Jânio pra varrer os corruptos. A culpa é do povo que vota mal e matou Carlos Lacerda com os mendigos do Guandu, continuou o homem do metrô, e nada lhe era obstado. Dizia o que bem queria, tumultuando os fatos e personagens da História com a mesma naturalidade que passavam as estações.
Ninguém sabe mais por que o Largo do Machado tem esse nome, afirmava, fazendo pausa para alguém se apresentar com uma resposta, mas os outros passageiros fingiam não ouvir o homem que soltava o verbo, trancado num vagão do metrô. Todo mundo acha que é por causa do Machado de Assis, mas ele morava lá em cima no Cosme Velho, não tem nada a ver. O Machado do largo não era com letra maiúscula, era um machado mesmo que tinha em cima de um açougue, quatro séculos antes do Assis ter nascido. Pergunta se algum candidato a vereador sabe disso, tentava mais uma vez o homem do metrô provocar a interação com as outras pessoas. Como ninguém se mexia, ele voltou a prantear as faltas no panteão nacional, gente como o policial Mariel Mariscott, o becão Moisés e a jurada Araci de Almeida, personagens que, segundo ele, matavam, entravam de sola e diziam as verdades, atitudes que dariam um jeito nesse estado de coisas frouxo que está por aí. Falta a mão pesada do Ted Boy Marino nos cornos dessa bandidagem.
Lembro dele ter falado da falta que fazia o Haroldo de Andrade e das lições do apresentador toda manhã no seu Debates Populares pela Rádio Globo. Falta taquicardia, ele foi em frente, ali pela estação Cinelândia, falta alguém para sentir o pulso do que quer a população.
Falta um Pedro de Lara pra dizer na lata o que acha do calouro e mandar, meu filho, vai cantar em outra freguesia. As autoridades constituídas não respeitam mais nem o sigilo do contribuinte, e entram-e-saem nas contas dos outros da mesma maneira que pisam no pé da gente no metrô e fica por isso mesmo. Falta o delegado Nelson Duarte pra investigar, falta o inspetor Bellot. Os americanos estão saindo do Iraque e vão acabar invadindo isso aqui porque já notaram, falta macho cabra da peste. Ninguém dá um pio pro descalabro geral com o dinheiro público.
Falta um Amaral Neto para se orgulhar do Brasil e mostrar nossas riquezas. Falta trazer o Projeto Rondon de volta, o Mobral, e falta também o Coronel Fontenele pra furar o pneu do safado que estacionar em lugar não permitido.
Falta consideração com a ordem pública, continuou a desabafar o homem do metrô, indicando às vezes a ponta do pé para ilustrar a indignação cívica que lhe subia para a ponta da língua e movia o desabafo.
Isso virou uma terra de ninguém, e sabe de quem foi a culpa? Do Cabral. Ele achou que a Baía de Guanabara era um rio e tacaram lá, Rio de Janeiro. Pau que nasce torto não tem jeito.
Se o Brasil começou errado, vituperava cada vez mais indignado o homem no metrô, tem que acabar errado, que é como tá isso hoje.
Falta um delegado Padilha, que jogava um limão por dentro da calça do malandro e mandava prender se fosse boca estreita, coisa de playboy energúmeno e sem moral. Ele não deixava essas pulseirinhas do sexo, prendia no primeiro capítulo esse tarado da novela, o Gerson.
Falta o Tenório Cavalcanti, falta o Flávio pra quebrar os discos ruins, gente que colocava respeito, e não essa bagunça. Não se investe mais em educação, como fazia o Álvaro Vale, é só ignorância, só carrinho por trás e pisão no pé de quem não machucou ninguém, afirmou o homem do metrô, saltando na estação Praça Onze quando faltavam 15 minutos para o meio-dia da quinta-feira passada.
DENIS LERRER ROSENFIELD
| A democracia e as oposições |
Denis Lerrer Rosenfield
O Estado de S.Paulo - 13/09/10
Os prognósticos são de uma vitória avassaladora da aliança governamental, capitaneada pelo PT e pelo PMDB. A eleição presidencial está praticamente decidida, salvo se houver algum fato novo que prejudique seriamente a candidatura Dilma. O episódio da Receita Federal, embora grave do ponto de vista da cidadania, não terá efeito eleitoral forte se não atingir um grão-petista diretamente envolvido na campanha presidencial. Não parece ser esse o caso mais provável.
No que diz respeito à representação parlamentar, as oposições certamente perderão posições. O caso mais emblemático é o do Senado, onde lideranças oposicionistas encontram dificuldades para a reeleição, disputando, acirradamente, a segunda posição. Se esses prognósticos se confirmarem, torna-se evidente o enfraquecimento das oposições. Poder-se-ia dizer que elas estariam arrasadas, colocando o problema de uma revisão de suas posições e, mais concretamente, de uma eventual reconfiguração partidária.
O PT e a base aliada, capitaneados por Lula, estão dando um espetáculo de competência. É bem verdade que o atual presidente agiu para lá do que seria recomendável a alguém no exercício de seu mandato, não tendo conseguido representar o papel de estadista. A questão, no entanto, não está aí, mas na incompetência das oposições, que sucumbem a seus próprios erros e concepções.
Uma oposição que procura colocar-se como herdeira da situação exibe sua própria falta de ideias. Serra, em sua propaganda eleitoral, esconde o ex-presidente Fernando Henrique e exibe Lula em imagens televisivas. Se o eleitor prefere Lula, é evidente que votará em Dilma, que é a sua candidata. O ex-presidente Fernando Henrique, por sua vez, é tratado como se tivesse uma doença contagiosa, quando ele é, também, o responsável por vários empreendimentos bem-sucedidos do atual governo, como a política macroeconômica, o Bolsa-Família, a Lei de Responsabilidade Fiscal e o saneamento dos bancos. O PT, sem reconhecê-lo, adotou uma política "neoliberal".
Acontece que o próprio ex-presidente não escondeu sua satisfação quando Lula lhe sucedeu. Para além das questões pessoais, estava em jogo uma questão de cunho, digamos, doutrinário, como se o poder, enfim, estivesse passando de uma esquerda "social-democrata" para uma esquerda "sindical", que, progressivamente, se "social-democratizaria", aliando-se à sua predecessora no poder. A aliança não ocorreu, tendo o PT feito um governo pragmático em várias áreas, apesar de não ter efetuado nenhuma revisão de suas concepções. Com efeito, o atual governo loteou partes do Estado para as tendências mais radicais do partido e os ditos movimentos sociais, que são verdadeiras organizações revolucionárias. É o caso do Ministério do Desenvolvimento Agrário, do Incra, da Funai, do Itamaraty, de partes dos Ministérios da Educação e do Desenvolvimento Social.
Outro resultado desse processo foi o não surgimento de uma direita moderna, defensora do Estado de Direito, da economia de mercado, da livre-iniciativa, do direito de propriedade, dos contribuintes e da democracia representativa. Os democratas (DEM) chegaram a trilhar esse caminho, mas terminaram pondo-se a reboque do PSDB. Para se viabilizarem eleitoralmente deveriam ter tido candidato próprio nesta eleição, uma cara nova, que criaria uma alternativa e teria um recall para as próximas eleições.
Os tucanos não estão em situação muito melhor, apesar de poderem conquistar Estados importantes, como São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Acharam, anteriormente, que deter Estados importantes seria uma sólida alavanca para as eleições presidenciais. O prognóstico não se confirmou, entre outras razões, porque o PSDB segue sendo um partido basicamente paulista, sem visão e inserção nacionais.
Logo, não deveria surpreender que o atual pleito presidencial tenha três candidatos petistas e um tucano, todos se reivindicando da esquerda. Dilma é PT, Marina foi PT até ontem, Plínio de Arruda Sampaio reivindica-se das bandeiras históricas do PT e Serra é, também, fruto desse mesmo imaginário político-social. Ademais, o PT cooptou a direita mais oligárquica, fisiológica, como os grandes caciques do Nordeste e do Norte do País. A "direita" está dentro da aliança governamental de "esquerda". Quem não se espelha nessa concepção não tem em quem votar!
Criou-se, assim, uma grande preocupação no que diz respeito ao projeto hegemônico do PT, como se a democracia estivesse efetivamente ameaçada em nosso país. É bem verdade que existe uma ameaça real quando um partido se apodera de postos-chave do Estado, aparelhando-o e reduzindo as oposições a posição subalterna. Convém, porém, salientar que as próprias oposições são igualmente responsáveis por essa situação.
O PT, por sua vez, não pode ser tratado ideologicamente como um bloco, abrigando tanto tendências reformistas e democráticas quanto revolucionárias e antidemocráticas. É forçoso reconhecer que o partido seguiu todas as regras democrático-representativas, apesar de procurar enfraquecê-las, por exemplo, com o "controle social da mídia", a democracia dita "participativa", os ataques ao direito de propriedade e a leniência com os ditos "movimentos sociais", chegando a financiá-los. O desfecho dessa luta interna em muito dependerá de nossas instituições e do papel que a oposição vier a desempenhar.
Por último, a vitória do PT não é só do PT, mas da aliança governamental, sobretudo do PMDB. Embora este seja uma soma de partidos regionais de nítidos interesses fisiológicos, seu projeto não consiste na abolição da democracia representativa. Mesmo para a conservação do seu pior lado, a democracia representativa deve ser preservada. Quero dizer com isso que o PMDB poderá vir a exercer importante papel de moderação no próximo governo, compondo com o PT e com as oposições. E da renovação destas últimas dependerá a consolidação da democracia no País.
PROFESSOR DE FILOSOFIA NA UFRGS.
SEGUNDA NOS JORNAIS
- Globo: Filho de ex-braço direito de Dilma trabalhou no governo
- Estadão: Irmã de ministra deu aval a contrato sem licitação com governo
- JB: Tiroteio de ‘balas de prata’ na reta final
- Correio: Onde estão os altos salários do setor privado
- Valor: Atraso em linhões afeta geradoras e consumidor
- Estado de Minas: PF teme aliança entre tráfico mineiro e morros cariocas
- Jornal do Commercio: O inferno coral
- Zero Hora: Nova denúncia acirra o confronto entre Dilma e Serra
domingo, setembro 12, 2010
DANUZA LEÃO
Mimetismo
DANUZA LEÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/09/10
Quase todos os homens usam barba, Erenice é a cara de Dilma, Marta e d. Marisa estão parecidas
LULA ESTÁ HISTÉRICO; um recém-chegado ao Brasil que o tenha visto no programa eleitoral acreditaria que o PSDB é que tinha violado o sigilo de altos dirigentes do PT, da filha de Dilma, do seu genro, e não o oposto do que se suspeita.
É muita cara de pau. A maneira como ele se refere aos outros candidatos é baixa, sem nenhum respeito; será que é demais querer para presidente alguém mais educado?
Até agora, Dilma está, segundo as pesquisas, à frente dos outros candidatos, mas a possibilidade de haver um segundo turno tira Lula do sério. Sempre se soube que ele era um mau perdedor, e agora se anuncia também como um (possível) péssimo ganhador. E alguém acredita na investigação da Polícia Federal?
Na quebra do sigilo telefônico da funcionária da Receita? Em alguma coisa que envolva esse governo?
Além de todos os meus medos, agora tenho um novo: de que Lula exploda feito um homem bomba num palco qualquer, com o microfone na mão, tal a raiva e o ódio que não consegue esconder -nem tenta. O presidente não se conforma em ser contrariado, não admite ser derrotado, e sua fúria, quando supõe que isso possa acontecer, é a de um animal com raiva -a doença- em seus piores momentos.
Em suas metáforas, passou da ignorância, até compreensível, à grosseria e à boçalidade.
Já acreditei que o PT fosse o partido da ética, diferente de todos os outros; alguém lembra? E me sinto uma total idiota, por não ter ouvido o que me diziam os mais experientes da política, que um governo Lula se tornaria quase uma ditadura stalinista -e um dos que me disseram isso foi Brizola.
Sou viciada em programa eleitoral, mas na hora do PT, tiro o som. As caras sinistras e os dedos apontando me fazem mal. O mesmo mal que eu sentia quando via Collor (não por acaso, agora aliados).
Para alguns, é mais fácil empunhar uma metralhadora do que um adversário, e Dilma continua se escondendo, não indo aos debates, não falando sobre o assunto. E se ela ganhar?
Lula é bem capaz de dizer, se achando o próprio D. Pedro 1º, "já que é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico".
O PT sofre de mimetismo. Quase todos os homens usam barba, Erenice é a cara de Dilma, Marta Suplicy e d. Marisa estão parecidíssimas, e os estoques de botox estão se acabando. Menos, gente, menos.
Além da eleição, tenho outra grande preocupação: qual será o destino dos oito pitorescos vestidos verde e amarelo que Marisa Letícia usou nos oito desfiles de 7 de Setembro, para comemorar o Dia da Independência e saudar o povo?
Não deixa de ter sido uma bela contribuição à República, mas como esses vestidos nunca poderão ser usados em nenhuma outra ocasião, aí vai a sugestão: como existe um movimento para transformar a casa tombada dos Paula Machado, na rua São Clemente, em Instituto Lula (para imitar Fernando Henrique), um pequeno espaço poderia ser destinado a esses vestidos, para que as futuras gerações entendam o que foram os anos Lula.
Um museu tipo o de Carmem Miranda; sem tanta graça, é verdade, mas também, a seu modo, histórico.
Mas por que logo no Rio? Por que não em São Bernardo?
LULA ESTÁ HISTÉRICO; um recém-chegado ao Brasil que o tenha visto no programa eleitoral acreditaria que o PSDB é que tinha violado o sigilo de altos dirigentes do PT, da filha de Dilma, do seu genro, e não o oposto do que se suspeita.
É muita cara de pau. A maneira como ele se refere aos outros candidatos é baixa, sem nenhum respeito; será que é demais querer para presidente alguém mais educado?
Até agora, Dilma está, segundo as pesquisas, à frente dos outros candidatos, mas a possibilidade de haver um segundo turno tira Lula do sério. Sempre se soube que ele era um mau perdedor, e agora se anuncia também como um (possível) péssimo ganhador. E alguém acredita na investigação da Polícia Federal?
Na quebra do sigilo telefônico da funcionária da Receita? Em alguma coisa que envolva esse governo?
Além de todos os meus medos, agora tenho um novo: de que Lula exploda feito um homem bomba num palco qualquer, com o microfone na mão, tal a raiva e o ódio que não consegue esconder -nem tenta. O presidente não se conforma em ser contrariado, não admite ser derrotado, e sua fúria, quando supõe que isso possa acontecer, é a de um animal com raiva -a doença- em seus piores momentos.
Em suas metáforas, passou da ignorância, até compreensível, à grosseria e à boçalidade.
Já acreditei que o PT fosse o partido da ética, diferente de todos os outros; alguém lembra? E me sinto uma total idiota, por não ter ouvido o que me diziam os mais experientes da política, que um governo Lula se tornaria quase uma ditadura stalinista -e um dos que me disseram isso foi Brizola.
Sou viciada em programa eleitoral, mas na hora do PT, tiro o som. As caras sinistras e os dedos apontando me fazem mal. O mesmo mal que eu sentia quando via Collor (não por acaso, agora aliados).
Para alguns, é mais fácil empunhar uma metralhadora do que um adversário, e Dilma continua se escondendo, não indo aos debates, não falando sobre o assunto. E se ela ganhar?
Lula é bem capaz de dizer, se achando o próprio D. Pedro 1º, "já que é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico".
O PT sofre de mimetismo. Quase todos os homens usam barba, Erenice é a cara de Dilma, Marta Suplicy e d. Marisa estão parecidíssimas, e os estoques de botox estão se acabando. Menos, gente, menos.
Além da eleição, tenho outra grande preocupação: qual será o destino dos oito pitorescos vestidos verde e amarelo que Marisa Letícia usou nos oito desfiles de 7 de Setembro, para comemorar o Dia da Independência e saudar o povo?
Não deixa de ter sido uma bela contribuição à República, mas como esses vestidos nunca poderão ser usados em nenhuma outra ocasião, aí vai a sugestão: como existe um movimento para transformar a casa tombada dos Paula Machado, na rua São Clemente, em Instituto Lula (para imitar Fernando Henrique), um pequeno espaço poderia ser destinado a esses vestidos, para que as futuras gerações entendam o que foram os anos Lula.
Um museu tipo o de Carmem Miranda; sem tanta graça, é verdade, mas também, a seu modo, histórico.
Mas por que logo no Rio? Por que não em São Bernardo?
JOSÉ SIMÃO
Debate! Todo mundo pelado!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/09/10
Debate é tudo igual. Prefiro debater uma! Na hora do debate, me tranco no banheiro e debato uma!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O Esculhambador Geral da República! Ereções 2010! E as pesquisas? O Dragão tá na frente! A Dilma é como massa de pão: quanto mais bate, mais cresce. E o Lula é como o Corinthians: o povo gosta mesmo apanhando! E a Dilma é o novo Zagallo: Vocês vão ter que me engolir. E o conselho do Tiririca pro Serra: pior que tá não fica. Rarará.
E a Dilma não é búlgara como estão dizendo, é pitt búlgara! Rarará. E nova pesquisa em Minas: 60% de Minas Gerais é Serra, o resto é planície mesmo. Rarará!
E a Galera Medonha?! No Paraná tem um candidato chamado Stica. Na hora de votar Stica e puxa. Rarará! E direto do Rio: Maria Chupetinha, Budog e tem um que é bilíngue: JOB TRABALHO! Rarará! E o prêmio sinceridade vai praquele candidato baiano: "Votem em mim! Não aguento mais comer mortadela!". Rarará!
E o novo slogan do PGN, o meu Partido da Genitália Nacional: Chega de hipocrisia! Sexo de noite e sexo de dia!
E eu exijo um novo tipo de debate. Debate em praia de nudismo: Dilma, Serra, Marina e Plínio. Mediador: Boris Casoy! Rarará! E hoje debate Rede TV!/Folha! RedeTV? Com Vesgo, Sabrina Sato, e Christian Pior! Mediação: Lucianta Gimenez. "Como asiiim, gente."
Debate é tudo igual. A única novidade é que a Dilma vai! Rarará. Como me disse um leitor: a Dilma vai ser a primeira presidANTA do Brasil! Debate é tudo igual. Prefiro debate bronha. Prefiro debater uma! Na hora do debate, me tranco no banheiro e debato uma!
E não se diz mais transar. Agora é quebrar o sigilo. Vamos quebrar o sigilo? Na minha ou na sua casa? Rarará. Eu quero quebrar o sigilo da vizinha. Vou quebrar o sigilo da patroa e já volto. Eu quero acessar os dados da Cleo Pires. Eu quero quebrar o sigilo da candidata do 69! A Cameron Brasil, que faz biquinho e diz: meu número é dezenove 69. Vote com prazer!
Atos falhos dos candidatos! Serra no "Globo": "Minha filha não tem nada a ver com política, ela é uma pessoa que trabalha". Reconhece que político não trabalha.
E a Dilma vovó confundiu fraldas com fraudes! Rarará! E fala pro Serra não ficar triste: sempre tem um pedágio no fim do túnel. Rarará! Política é como futebol: quem fica na lanterna, guenta! A situação tá ficando psicodélica. Ainda bem que nóis sofre, mas nóis goza .
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O Esculhambador Geral da República! Ereções 2010! E as pesquisas? O Dragão tá na frente! A Dilma é como massa de pão: quanto mais bate, mais cresce. E o Lula é como o Corinthians: o povo gosta mesmo apanhando! E a Dilma é o novo Zagallo: Vocês vão ter que me engolir. E o conselho do Tiririca pro Serra: pior que tá não fica. Rarará.
E a Dilma não é búlgara como estão dizendo, é pitt búlgara! Rarará. E nova pesquisa em Minas: 60% de Minas Gerais é Serra, o resto é planície mesmo. Rarará!
E a Galera Medonha?! No Paraná tem um candidato chamado Stica. Na hora de votar Stica e puxa. Rarará! E direto do Rio: Maria Chupetinha, Budog e tem um que é bilíngue: JOB TRABALHO! Rarará! E o prêmio sinceridade vai praquele candidato baiano: "Votem em mim! Não aguento mais comer mortadela!". Rarará!
E o novo slogan do PGN, o meu Partido da Genitália Nacional: Chega de hipocrisia! Sexo de noite e sexo de dia!
E eu exijo um novo tipo de debate. Debate em praia de nudismo: Dilma, Serra, Marina e Plínio. Mediador: Boris Casoy! Rarará! E hoje debate Rede TV!/Folha! RedeTV? Com Vesgo, Sabrina Sato, e Christian Pior! Mediação: Lucianta Gimenez. "Como asiiim, gente."
Debate é tudo igual. A única novidade é que a Dilma vai! Rarará. Como me disse um leitor: a Dilma vai ser a primeira presidANTA do Brasil! Debate é tudo igual. Prefiro debate bronha. Prefiro debater uma! Na hora do debate, me tranco no banheiro e debato uma!
E não se diz mais transar. Agora é quebrar o sigilo. Vamos quebrar o sigilo? Na minha ou na sua casa? Rarará. Eu quero quebrar o sigilo da vizinha. Vou quebrar o sigilo da patroa e já volto. Eu quero acessar os dados da Cleo Pires. Eu quero quebrar o sigilo da candidata do 69! A Cameron Brasil, que faz biquinho e diz: meu número é dezenove 69. Vote com prazer!
Atos falhos dos candidatos! Serra no "Globo": "Minha filha não tem nada a ver com política, ela é uma pessoa que trabalha". Reconhece que político não trabalha.
E a Dilma vovó confundiu fraldas com fraudes! Rarará! E fala pro Serra não ficar triste: sempre tem um pedágio no fim do túnel. Rarará! Política é como futebol: quem fica na lanterna, guenta! A situação tá ficando psicodélica. Ainda bem que nóis sofre, mas nóis goza .
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
FERREIRA GULLAR
Quando o fim lembra o começo
FERREIRA GULLAR
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/09/12
Passei a inventar artigos e articulistas que nunca existiram e comentava o conteúdo desses textos
O FIM DO "Jornal do Brasil" -que há duas semanas deixou de circular em papel- nos leva, a nós que nele trabalhamos, a lembrar dos anos passados em sua Redação, a lembrar dos colegas e dos momentos que nos marcaram.
As lembranças são muitas e diversas, porque muitos ali batalharam, e em diferentes momentos. Há os que, como eu, atuaram no JB da avenida Rio Branco, o antigo JB, que renasceu das cinzas para se tornar um jornal moderno e vibrante; outros, pelo contrário, viveram já a fase de declínio, quando a Redação foi transferida para o prédio novo da avenida Brasil.
Transferência que, na opinião de muitos, foi uma rematada maluquice, não apenas pela grana gasta para erguer aquele prédio enorme e feio, como por fazê-lo numa área pouco valorizada da cidade, de difícil acesso e fora de mão.
De minha parte, eu, que trabalhei no prédio antigo, mal me imagino tendo de ir diariamente para aquele ponto da avenida Brasil e sair de lá altas horas da noite. Mas, quando essa transferência se deu, eu já havia sido demitido havia muitos anos.
Fui demitido em 1962, por efeito da greve de jornalistas que marcou o renascimento da consciência reivindicatória de nossa profissão, depois de 50 anos quietinha, sem nada reivindicar.
Mas essa foi a minha segunda demissão, porque houve uma primeira, em 1959, que me pegou de surpresa, já que eu era amigo do editor-chefe e chefiava, eu próprio, o copidesque do jornal, quando, entre outras novidades, introduziu-se nele a técnica do lide e sublide. Fui demitido porque não aderi à conspiração que visava afastar da direção do suplemento literário meu amigo Reynaldo Jardim.
O suplemento, que lançara a poesia concreta, o movimento neoconcreto e esbanjava espaço em branco nas páginas, não contava com a simpatia de alguns poucos, que se valeram de uma atitude impensada do Reynaldo, para acabar com aquela farra. Só que eu disse não ao convite velado e, com isso, me tornei persona non grata. Um mês depois, ao voltar de uma viagem a São Paulo, soube que estava demitido.
Isso implicava em não ter como pagar o aluguel do apartamento e as despesas da família. Reynaldo me chamou e ofereceu-me uma solução: eu passaria a escrever para o suplemento literário, sob pseudônimo, já que a demissão implicava meu afastamento total do jornal, inclusive da página de artes plásticas que mantinha no SDJB. A proposta de Reynaldo, se não me restituía o total da renda mensal, salvaria ao menos o aluguel do apartamento.
Achei melhor não usar pseudônimo e bolei uma seção que se intitulou "Tabela" que consistia em comentar os artigos publicados nos suplementos literários de outros jornais. Era interessante porque, desse modo, ofereceríamos aos nossos leitores o essencial dos demais suplementos. Assim, apresentava sínteses de artigos de Otto Maria Carpeaux, Álvaro Lins, Willy Levin, os comentava, ora discordando, ora concordando com o que afirmavam.
Sucede que eu tinha que encher uma página inteira para justificar o meu pró-labore, mais alto que o dos demais colaboradores, e nem sempre encontrava, nos suplementos, artigos suficientemente interessantes para comentá-los. Foi então que apelei para a imaginação.
Passei a inventar artigos e articulistas que nunca existiram e comentava o conteúdo desses textos inventados. Como era eu quem os inventava, tratei de inventá-los interessantes tanto quanto possível, mais polêmicos que os artigos verdadeiros. Foi um sucesso, choviam cartas à Redação de leitores que desejavam participar das polêmicas que eu propiciava. Assim a "Tabela" tornou-se uma das seções mais lidas do SDJB.
E fui em frente. Certo dia inventei a história de um poeta negro, que escrevia em francês e estava sendo considerado um novo Rimbaud. Escrevi: "Na revista "A Revista", o crítico Forjaz Forjan comenta o livro do poeta Fulano de Tal (não me lembro o nome que pus no vate inexistente), que está sendo considerado pela crítica francesa um gênio da poesia. Nesse artigo, ele cita uma declaração do próprio poeta que diz o seguinte: "Meus poemas são, na verdade, plágios. Agora, que a crítica me consagrou, devo declarar que fiz isso para demonstrar que o que se chama poesia é mais uma sacanagem dos brancos'".
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
Compra do laboratório Teuto pela Pfizer esfria
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/09/12
A aquisição do laboratório Teuto pela americana Pfizer, que estava na iminência de ser fechada, esfriou.
Entre os motivos para que as partes não tenham chegado a um acordo está o valor pedido pelo Teuto, considerado acima das expectativas, de acordo com pessoas próximas às negociações.
Não é o primeiro negócio perdido pela Pfizer recentemente -no fim de 2009, após seis meses de negociação, a Neo Química rejeitou proposta de R$ 1,2 bilhão à vista da multinacional e depois foi comprada pela Hypermarcas, por R$ 1,3 bilhão.
Um fator que pode sinalizar que a Pfizer não conta mais com a possibilidade de ter o Teuto em seus planos foi um anúncio, feito no fim de agosto, de uma parceria com outro laboratório nacional, o Eurofarma, para produzir e distribuir a versão genérica do medicamento Lípitor, cuja patente acaba de expirar.
Empresas europeias têm mais facilidade de fechar negócios nesse setor no Brasil por terem regulamentação mais flexível que as americanas, dizem especialistas.
Outra operação latente no meio farmacêutico é a compra do laboratório Mantecorp, que tem um significativo portfólio de medicamentos livres de prescrição médica. Cobiçada por Aché, Hypermarcas, EMS, Pfizer, Teva, Roche, entre outros, a aquisição envolveria cerca de R$ 1,3 bilhão.
O Aché chegou a contratar a empresa de assessoria financeira Singular para realizar a operação, que não seria amparada por um IPO do laboratório, aguardado há anos. O apoio viria do BNDES, interessado na nacionalização do setor. As empresas não confirmam.
Viagem à China Uma comitiva brasileira chega a Xangai nesta semana com o objetivo de atrair para São Paulo a Exposição Mundial, evento que ocorre a cada cinco anos para intercâmbio econômico, científico, tecnológico e cultural entre países. Integram o grupo membros da Prefeitura de São Paulo e da Abdib.
Cadeira feminina Ana Cláudia Utumi, sócia responsável pela área tributária do TozziniFreire Advogados, é a primeira mulher brasileira a integrar o Comitê Científico Permanente da IFA (International Fiscal Association). A nomeação foi feita no dia 1º deste mês durante o congresso anual, realizado em Roma.
TINTA FRESCA
Os hábitos dos consumidores em relação à compra de tintas e ao modo como veem o mercado mudaram nos últimos quatro anos, segundo pesquisa da Basf, dona da marca Suvinil.
O levantamento revelou uma presença maior da mulher no ponto de venda.
Em 2006, 27% das mulheres faziam as compras sozinhas. Hoje, essa parcela subiu para 63%. Foram ouvidas 8.000 pessoas em 49 cidades brasileiras.
Antes, os consumidores enxergavam o segmento de tintas como parte da construção civil. Hoje, é visto como item de decoração, segundo Antonio Carlos Lacerda, vice-presidente de tintas e vernizes da Basf para a América do Sul.
O aumento do poder de compra tem impulsionado as vendas.
"Quando a renda cresce, a pessoa pensa em decorar a casa e a primeira coisa que vem à cabeça é pintar. É mais barato e rápido."
A empresa investe R$ 100 milhões em uma nova campanha de marketing.
Dentro do plano de expansão, está a ampliação da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) e a construção de outra planta em Guaratinguetá (SP). Esses investimentos somam mais R$ 100 milhões.
FICÇÃO PROTEGIDA
Entre agosto de 2009 e o mesmo mês de 2010, foram localizados 46.344 links na internet para "download" completo de obras literárias de várias editoras sem a autorização dos escritores. Cerca de 90% já foram retirados do ar, totalizando 42.673 links.
O levantamento foi realizado pela ABDR (Associação Brasileira dos Direitos Reprográficos) em parceria com o Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros).
Com 4.546 links, a editora Record foi a mais prejudicada, seguida por GMT (4.447), Objetiva (2.839), Cia. das Letras (2.835) e Saraiva (1.973). LTC, Ediouro, Intrínseca, Iemar e Guanabara Koogan completam a lista das dez mais lesadas.
Gráfico A Corretora SLW investiu em um novo "home broker" com ferramenta de análise gráfica para ajudar o investidor a identificar oportunidades de compra e venda.
Polaco A Vinícola Aurora vai enviar amanhã um lote de vinhos finos para a Polônia, sua estreia nesse mercado. A empresa já exporta seus produtos para mais de 20 países.
Ascensão O número de eventos promovidos pelo São Paulo Convention & Visitors Bureau cresceu 38% no primeiro semestre deste ano. Foram registradas 291 ações.
Sob medida O Personnalisé, curso de aulas particulares da Aliança Francesa, ultrapassou no primeiro semestre o número de matrículas registradas em todo o ano passado.
Grandão Para competir com os chineses, a Magic Toys investe em brinquedos de grande porte com maior valor agregado. A empresa lança caminhões elétricos de 67 cm de altura, vendidos por R$ 819, além de cozinhas e robôs.
TURMA DO BIDU
A Dog's Care, fabricante de fraldas para cachorros, avança no mercado internacional.
A empresa vai embarcar neste mês o segundo carregamento de fraldas para o Panamá e já negocia com outros mercados.
"Em 2011, devemos começar a exportar para México, EUA, Colômbia, Argentina e Peru", diz Ana Carolina Vaz, sócia da companhia.
A empresa deve fechar até o final deste mês uma captação de recursos com investidores indicados pelo Endeavor (instituto que fomenta o empreendedorismo).
O objetivo é aumentar a produção da fábrica. "A nossa capacidade está no limite. Não avançamos mais porque não temos como atender o mercado. O investimento vai aumentar a nossa produção em dez vezes."
Nos planos de expansão, estão a ampliação das instalações e a compra de máquinas.
"O mercado de acessórios para animais cresceu e se profissionaliza. Ainda há, porém, o que evoluir, principalmente na área de higiene."
O aumento do poder de compra da população mudou o mercado. "O nosso produto era elitizado. Hoje, a classe C tem acesso a ele", diz Vaz.
com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e FLÁVIA MARCONDES
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