terça-feira, agosto 17, 2010

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Farmacêuticas questionam prazos de análise da Anvisa 
Maria Cristina Frias

Folha de S.Paulo - 17/08/2010

Os esforços da Anvisa para agilizar a aprovação de medicamentos ainda são questionados por farmacêuticas.
A agência, que desde 2009 tem adotado medidas para acelerar a análise de registros, conseguiu agradar algumas companhias, mas ainda é tratada como "entrave" por executivos do setor.
"Reconhecemos que há medidas em andamento. A Anvisa tem informado", diz Antônio Britto, presidente da associação Interfarma.
Um especialista do mercado, que não quis se identificar, diz que hoje a indústria tem facilidade para conversar com a direção da agência, mas a nova celeridade ainda esbarra na "ditadura dos técnicos, que é a burocracia".
Entre as ações adotadas, a revisão de algumas normas reduziu em 20% a entrada de solicitações de alterações, segundo o órgão. Também foi lançado um edital de previsibilidade, que pediu às farmacêuticas que informassem antes todas as solicitações que submeteriam em 2010.
A análise feita pelos técnicos já supera o número de pedidos de registro, o que permite a queda do estoque de anos anteriores, diz a Anvisa.
Também contribuíram outras medidas, como priorização da análise de genéricos inéditos no mercado -que devem aumentar no curto prazo- e o registro eletrônico -que, segundo estima a Anvisa, permitirá que o tempo de concessão de registro de produto caia para 90 dias.
"Temos aprovações que ocorreram em oito meses quando a média histórica era 24 meses", diz Mariano Janiszewski, da Eli Lilly do Brasil.

LOUÇA EXPRESSA

O aumento da demanda no mercado interno fez a Oxford Porcelanas investir na ampliação de sua área de logística. Para reduzir o prazo médio de entrega, a empresa aumentou a área de expedição da fábrica, em São Bento do Sul (SC), de duas para cinco docas.
"No final do ano passado, o prazo de entrega tinha subido de 5 para 15 dias, o que foi um caos, para nós e para nossos clientes", afirma Volney Domingues, presidente da empresa.
Hoje, o prazo médio de entrega da companhia, que cuida de toda a logística do produto até a casa do cliente, voltou para cinco dias.
A empresa produz atualmente 3,5 milhões de peças por mês, crescimento de 5% em relação a 2009.

São Martinho vai investir R$ 173 milhões em cogeração

O Grupo São Martinho vai investir R$ 173 milhões em projeto de cogeração de energia na usina São Martinho, para a comercialização de 244 mil MWh, a partir da safra 2013/2014.
"O grupo já tem cogeração de energia de 110 mil MWh; no ano que vem, serão 200 mil MWh e, em 2013/2014, 450 mil MWh, no grupo todo", diz Fábio Venturelli, presidente do grupo.
O valor do investimento será utilizado para a compra de uma caldeira de alta pressão, um turbo gerador de condensação e em adequações na planta da Usina São Martinho para viabilizar o projeto de instalação da usina termoelétrica, de acordo com Venturelli.
A empresa anunciou que pretende chegar ao final deste ano com capacidade de moagem de 8,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano.
"O potencial total da usina pode chegar a 600 mil MWh, quando estiver completo", segundo Venturelli.

NÚMEROS DO
BALANÇO

R$ 23 mi
foi o lucro líquido do Grupo São Martinho no primeiro trimestre do ano fiscal iniciado em abril

R$ 118,5 mi
foi o Ebitda no período; a margem foi de 41,5%

8,5 milhões
de toneladas de cana ao ano será a capacidade de moagem no final de 2010

Protestos Em julho foram protestados 66.624 títulos em São Paulo, segundo pesquisa feita pelo Instituto de Estudos de Protesto de Títulos da Seção São Paulo junto aos dez tabeliães de protesto da capital. O aumento foi de 20,9%. Dos títulos protestados, somente 15,2% foram cheques. As duplicatas tiveram recorde de 48.364 ante 39.332 em junho.

Peça rara Na 17ª edição do Salão de Arte, que começa hoje, serão realizados leilões de joias e relógios. Um conjunto de joias assinado por Burle Marx terá lance mínimo de R$ 40 mil. Um relógio Patek Philippe feito em ouro rosa sai por R$ 69,5 mil, no mínimo. O livro "Paris à Vue d'Oeil", de Henri Cartier-Bresson, com dedicatória, custa R$ 4.600.

De ônibus O Rio Quente Resorts investe R$ 10,5 milhões na aquisição de 31 ônibus Chassis Mercedes Benz e carrocerias Caio e Marcopollo. O investimento na frota própria faz parte do plano de expansão do complexo até 2013. O novo sistema de transporte irá dinamizar as operações, segundo Manoel Carlos Cardoso, diretor da empresa.

FÉ E TÉCNICA

O atual foco da editora franciscana Vozes, que já publicou muitas obras religiosas, está nos títulos técnicos e teóricos de ciências humanas, como filosofia, psicologia e pedagogia, que já somam 50% das publicações da empresa.
"Esse nicho atende uma demanda do mercado. Temos best-sellers, mas preferimos livros com baixa tiragem e público cativo, pois têm venda certa todos os anos", diz o diretor-presidente frei Antonio Moser.
No primeiro semestre, a Vozes publicou cerca de 12 livros ao mês, aumento de 15% ante o mesmo período de 2009. A partir deste mês, a média deve subir para 18. Para frei Antonio Moser, o lançamento mais esperado é "O Livro Vermelho" (480 págs.), de Carl G. Jung. A editora cresce 10% ao ano e tem 2.500 títulos ativos.

GOSTOSA

IVES GANDRA DA SILVA MARTINS

2,92% x 2,9% do PIB mundial
IVES GANDRA DA SILVA MARTINS
FOLHA DE SÃO PAULO - 17/08/10 

Fernando Henrique entregou o governo ao presidente Lula com uma participação no PIB global maior do que a que Lula entregará a seu sucessor 



O Fundo Monetário Internacional prevê que, em 2010, o Brasil terá 2,9% de participação na produção de riqueza mundial, vale dizer, 2,9% do PIB (Produto Interno Bruto) do globo, mesmo considerando crescimento previsto, neste ano, de 7,1%, contra 4,6% do planeta.
Todos os economistas mais conscientes do país sabem que este crescimento de 7,1% não é sustentável por falta de infraestrutura e que será menor em 2011.
O governo tem aplicado pouco mais de 1% do PIB em investimentos e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), apesar das disponibilidades financeiras, ficou muito aquém do planejado e previsto, amarrando o desenvolvimento nacional.
O próprio aquecimento do mercado preocupa, pois a inflação pode retornar, sendo o aumento de juros a única arma de que dispõe o governo federal, visto que o peso da máquina estatal cresceu assustadoramente na era Lula. Foram contratados, entre administração direta e indireta, mais de 350 mil servidores públicos, concursados ou não.
Só para se ter ideia do peso burocrático, pouco mais dos 900 mil servidores aposentados da União geram um deficit na Previdência de R$ 47 bilhões, enquanto 27 milhões de aposentados do setor privado geram apenas R$ 3 bilhões!
Por outro lado, no ano de 2010, nas transações correntes, o deficit será de quase US$ 50 bilhões, o que vale dizer: com a queda do saldo previsto da balança comercial, o saldo negativo do balanço de pagamentos será, talvez, o maior da história brasileira.
Acrescente-se que, nas exportações, voltamos aos mesmos índices de produtos de valor agregado da década de 80, ou seja, exportamos em torno de 45% de produtos industrializados contra mais de 50% na década de 90. E começamos a importar de tudo por conta do real supervalorizado.
Estou convencido de que o governo federal nunca desejou uma reforma tributária, pois, detendo 70% do bolo tributário, e quase 60%, após as transferências para Estados e municípios, não pretende correr o risco de perder tal participação na arrecadação global.
O certo é que o quadro para o futuro não é brilhante, havendo pontos de estrangulamento notórios, não passíveis de análise neste curto artigo, o que levará, qualquer que seja o futuro presidente, a ter que colocar a casa em ordem.
O mais curioso, todavia, é que, em 2002, último ano do governo Fernando Henrique, a participação do Brasil no PIB global era de 2,92%, vale dizer, 0,2% a mais do que no último ano do governo Lula.
Isso significa que, apesar de o Brasil ter crescido, o mundo cresceu mais. De rigor, Fernando Henrique entregou o governo ao presidente Lula com uma participação no PIB global maior do que a que Lula entregará a seu sucessor.
É de se lembrar que, em 2000, a China tinha uma participação no PIB global de 7%, e a Índia, de 4%.
Os indianos pularão, em 2010, para 5% e a China para 13%, enquanto o Brasil regredirá para 2,9%.
Em outras palavras, nada obstante o aumento do PIB per capita, o Brasil cresceu apenas pelo "efeito maré" da economia mundial, que, apesar da monumental crise de 2008 e 2009 e da crise europeia de 2010, se comportou melhor que a economia brasileira.
Roberto Campos, ao prefaciar meu livro "Desenvolvimento Econômico e Segurança Nacional -Teoria do Limite Crítico", disse que a melhor forma de "evitar-se a fatalidade é conhecer os fatos". Infelizmente, o mundo da fantasia raramente se coaduna com a realidade do mundo.


IVES GANDRA DA SILVA MARTINS 75, advogado, professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra, é presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio.

MÍRIAM LEITÃO

Voo alto
Miriam Leitão
O GLOBO - 17/08/10 

O mercado brasileiro de transporte aéreo de passageiros cresceu 59% de 2003 para 2008, enquanto o mercado mundial cresceu 35%. No ano passado, cresceu 13%, enquanto o mundo encolheu 2,6%. Isso torna o mercado brasileiro atraente para as empresas em geral. Hoje, a lei impede estrangeiros com mais de 20% das empresas, mas a imprensa internacional está contando que a LAN comprou a TAM.

É uma forma desatualizada de nacionalismo. Por que os brasileiros se sentiriam mais atendidos em seus brios patrióticos apenas pelo fato de a família Amaro e a família Constantino serem as donas da aviação brasileira? O Senado já aprovou uma ampliação de 20% para 49% na participação de capital estrangeiro em empresas aéreas. Foi para a Câmara, está sendo votado com mudanças, portanto, tem que voltar ao Senado. A expectativa é que até o fim do ano esteja aprovado.

O problema é que pelo que conta, por exemplo, a “Business Week”, a LAN pagou US$ 3,7 bi pela TAM, e seus acionistas vão ficar com 70% da empresa. Aqui, a notícia foi dada de forma nebulosa, porque ao mesmo tempo em que se diz que os acionistas da LAN ficarão com 71%, se diz que a empresa não foi comprada, que a gestão será compartilhada e que a LAN ficará com 20% da empresa. Ou seja, os números são deliberadamente confusos.

Muito provavelmente a operação será apresentada de forma mascarada para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), quando chegar lá, porque a lei brasileira ainda limita em 20%.

O que se diz no mercado é que a operação foi feita na expectativa de que o Congresso altere a lei. Algumas empresas tem mostrado interesse em vir para o Brasil, como a Ryanair, uma operadora de baixo custo, e a Virgin. A própria LAN vem tentando entrar no país há tempos.

O Brasil é atraente por ser um dos poucos países do mundo de dimensões continentais, além disso tem crescido muito, e tem perspectiva de continuar crescendo.

O país está atrasado no conceito de organização do mercado de aviação e tem aeroportos que estrangulam o crescimento.

No último dado em que há estatística para a comparação mundial, o ano de 2007, o Brasil era o nono mercado de aviação pelo número de embarques e desembarques, segundo o “World Airport Traffic Report”, do Conselho Internacional de Aeroportos.

Houve naquele ano, 120,4 milhões de embarques e desembarques de passageiros no Brasil; isso é mais do que o triplo do que a África do Sul está tendo em 2010, que é 37 milhões. O oitavo maior mercado é a Itália, mas a aposta dos especialistas é que com o crescimento dos últimos dois anos o Brasil já ultrapassou a Itália. Até 2014, o Brasil deve ter 170 milhões de embarques e desembarques.

Há muita discussão a respeito de o Brasil estar ou não preparado para o aumento do tráfego aéreo de passageiros na Copa do Mundo. Mas a dificuldade não é a Copa. Ela vai acrescentar apenas 3,5% do volume do mercado. Aumentará apenas seis milhões de embarques e desembarques.

O que o Brasil precisa se preparar é para atender ao seu próprio crescimento.

Ontem, a Fitch colocou sob perspectiva negativa o rating da LAN, e sob perspectiva positiva o rating da TAM. Isso aconteceu porque o endividamento da companhia brasileira é quase três vezes maior que o da empresa chilena: US$ 10,8 bi contra US$ 3,7 bi em junho deste ano.

Com o operação, a LAN estará, na prática, absorvendo parte da dívida da TAM. A analista do setor de aviação da SLW corretora, Rosângela Ribeiro, explica que 87% do endividamento do TAM é em moeda estrangeira.

— A TAM teve prejuízo de US$ 120 milhões no primeiro semestre e isso aconteceu não por causa das operações da companhia, mas por causa de resultados financeiros.

Cerca de 87% do endividamento da TAM é em dólar. Agora, com a entrada da LAN, a companhia chilena vai absorver parte da dívida — explicou.

O analista-chefe da Modal Asset, Eduardo Roche, diz que ainda é difícil classificar a operação que uniu as duas empresas: — Falar em aquisição não dá, até porque a legislação não permite. Além disso, há uma divisão de poder com certo equilíbrio na nova divisão societária. É difícil de falar em aquisição disfarçada — afirmou.

Vários outros analistas acham que sim, que é uma compra disfarçada, feita na expectativa de que a lei vai mudar até o momento em que a operação tiver que ser enviada à Anac para ser aprovada

PUTARIA

CLÁUDIO HUMBERTO

“Serra é a direita truculenta e o Lula é a direita malandra”
PLÍNIO DE ARRUDA SAMPAIO, CANDIDATO DO PSOL, DEFININDO O TUCANO E O PETISTA

TO: PAI DE EX-GOVERNADOR SUSPEITO DE DESVIOS 
O Tribunal de Contas do Tocantins descobriu que foram pagos R$ 1 bilhão a mais em contratos de R$ 411 milhões para construir 162 pontes em rodovias. Algumas obras teriam sido pagas a mais e outras nem existem. O ex-secretário de Infraestrutura do Tocantins José Edmar Brito Miranda, pai do então governador Marcelo Miranda (PMDB), está entre os investigados por suposto superfaturamento.

MEU PAPAI 
O pai do ex-governador do Tocantins terá de devolver R$ 458 milhões pagos irregularmente às empreiteiras Construsan, Emsa e Rivoli SPA.

PONTES DE PAPEL
Entre 2003 e 2007, o governo do Tocantins, chefiado por Marcelo Miranda, pagou obras já inauguradas e até que nem saíram do papel.

GOLEADADilma Rousseff (PT) passou José Serra (PSDB) nas pesquisas, mas, no Twitter, perde de goleada: ele tem 363 mil seguidores; ela, 167 mil.

CNN CABLOCA
A Rede Nacional de Televisão Pública Digital Terrestre exibe a galática ambição do governo Lula: vai custar R$ 2,8 bilhões. E a audiência, ó...

UNB: COMANDO DE GREVE-SEM-FIM RECEBE “DIÁRIA” 
Cada integrante do comando de greve dos servidores da Universidade de Brasília recebe uma “diária” de R$ 25 por dia de paralisação. A “diária” será paga enquanto durar a greve, iniciada em 16 de março, no fim das férias. Na UnB, há quem ainda não trabalhou em 2010. A malandragem rende R$ 2.125 para cada um dos 22 integrantes do comando de greve, além do salário integral: o ponto não é cortado.

MAMATA
O sindicato da UnB (Sintfub) acusa a UnB de tentar “criminalizar” a greve e reconhece a mamata, mas a chama de “ajuda de custo”.

O “SANTINHO” 
Assim Deus castiga: no Rio, fiéis ganharam “santinhos” de Sérgio Cabral, à saída da missa, domingo. Ontem, ele torceu o joelho. 

VIRA, VIRA, VIRA... 
O PT vê um clima de virada, no DF: pesquisa do instituto Exata deu empate técnico entre Joaquim Roriz e Agnelo Queiroz: 37,3 x 35,4%. 

DILMA NA FRENTE
A pesquisa Exata, de ontem, indica que Dilma Rousseff abriu oito pontos percentuais no DF em relação a José Serra. Outro instituto do DF, o acreditado Soma, já aponta uma diferença de 17 pontos.

NÚMEROS DIFERENTES 
As pesquisas apontam Cristovam Buarque (PDT) líder para o Senado, no DF, mas divergem quanto ao segundo lugar. Pelo Exata, Rodrigo Rollemberg tem 39% contra 28% de Maria Abadia (PSDB); pelo Soma, 24x26; no Dados, o placar é 25x23, Datafolha, 28x23; e Vox, 28x22%.

A DEMOLIÇÃO DA BANCOOP 
Advogados de vítimas da cooperativa dos bancários, investigada por suposto desvio para o PT, vêm recebendo propostas de acordo, diante do iminente caos imobiliário, com 4,2 mil mutuários sem escritura e outros dois mil esperando os imóveis adquiridos. 

MINHA CASA ERA MINHA VIDA
A Bancoop teria agora só três funcionários e capitularia até o fim do ano, ante o “massacre judicial” de dezenas de sentenças desfavoráveis na Justiça. Vítimas da Bancoop entregam hoje carta de apoio à CPI da Assembleia paulista que investiga as acusações de fraudes.

ESCLARECIMENTO 
O reabilitado embaixador Vinícius de Morais foi proscrito enquanto fazia turnê em Portugal e a ditadura caçava bêbados e bichas no Itamaraty. Ao retornar ao Rio, ele se apressou em esclarecer: “Eu sou bêbado...”

SABOTAGEM OFICIAL 
Saúde pública do DF é uma tragédia, mas a Secretaria de Saúde tenta desconstruir ideologicamente a promissora terceirização do hospital de Santa Maria. Não paga o que deve aos gestores e cria pelo em ovo para dar a impressão de que a experiência não dá certo.

NA RAÇA 
O jornalista gaúcho Vitor Vieira, editor do site Vide Versus, “caiu” no questionário simplificado do censo do IBGE e estranhou a exigência de definir-se sobre raça, em detrimento de escolaridade e outros quesitos.

MAGO DA SONEGAÇÃO 
,As relações entre o fabricante de cosméticos Boticário e sua rede de franqueados são tema do livro O Mago da Sonegação (Ed. Agebook, 196pp), que acaba de ser lançado. É um devastador testemunho de José Antonio Ramalho, muito útil a interessados em comprar franquias.

“BLOCKBUSTER” 
A trama é chinfrim, mas não dá para perder a estreia hoje, em todo o País, de “Eu sei o que vocês disseram na campanha eleitoral passada”. 

PODER SEM PUDOR 
VALE O ESCRITO 
O ex-líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP), aquele que se enrolou no mensalão, certa vez presenteou a filha Sofia, 5 anos, com um cão. Mas o petista fez questão de elaborar um “estatuto” em que listou as obrigações da menina com o animal. Um dia, ao ser repreendida pelo pai por outra razão, Sofia estranhou:
– Mas isso não está no estatuto...

TERÇA NOS JORNAIS

Globo: Transporte: 37 milhões não têm dinheiro da passagem

Estadão: Aumenta chance de Dilma vencer no 1º turno, diz Ibope

JB: PIB chinês rumo ao segundo lugar

Correio: Concursos do DF terão novas regras

Valor: Mercado externo se fecha para as montadoras

Zero Hora: Anulação afeta 78 mil inscritos em concurso

segunda-feira, agosto 16, 2010

SUELY CALDAS

O Estado privatizado na eleição
Suely Caldas 
O Estado de S. Paulo 

"Ministro tem que ser ministro. Se alguém quiser fazer campanha política depois do expediente, faça, em carro particular. Façam o que quiser, mas quero eles trabalhando", avisou o presidente Lula aos seus ministros e à imprensa na segunda-feira. Aí eles obedeceram, não foram às ruas nem a comícios e trabalharam trancados em seus gabinetes... para ajudar na campanha de Dilma Rousseff, em escancarado uso eleitoral da estrutura do Estado e da máquina pública - que pertence aos brasileiros, não a partidos políticos - em defesa de um candidato.
Na terça-feira o ministro Guido Mantega dispensou seu secretário de Política Econômica e decidiu ele próprio divulgar para a imprensa o rotineiro boletim Economia Brasileira em Perspectiva, que desta vez trazia uma empolgante novidade: comparava os desempenhos dos governos FHC e Lula com números (alguns errados) cuidadosamente fisgados para mostrar fracasso e sucesso de um e de outro. Assim, sem sair do gabinete, o militante Mantega socorria Dilma que, em entrevista à TV Globo na noite anterior, culpou o governo FHC pelas baixas taxas de crescimento nos sete anos do governo Lula. Horas depois os números viraram manchete no site da campanha da candidata.
Não foi só Mantega. Atento à entrevista do oposicionista José Serra à TV Globo, na quarta-feira à noite, seu colega José Gomes Temporão ordenou aos funcionários imediata e urgente resposta às críticas feitas pelo tucano na entrevista. Agiu rápido: às 22h30 o Ministério da Saúde disparava e-mails para a imprensa contestando os dados apresentados por Serra e glorificando a atual administração na Saúde. Grudada e dependente de Lula nesta eleição, o maior trunfo de Dilma é a gestão do padrinho. Por isso mesmo Lula orientou os ministros a reagirem imediatamente, menos para exercer o direito de defender seu governo e mais para impedir que críticas da oposição prejudiquem sua candidata. Novamente, a versão do Ministério da Saúde foi parar no site de Dilma.
O ministro dos Transportes, Paulo Sergio Passos, não foi tão rápido. Só no dia seguinte divulgou nota explicando a falta de investimento em estradas e as falhas denunciadas pelo tucano nas rodovias paulistas. Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que traiu sua tradição histórica de órgão técnico para se transformar num apêndice político a serviço do governo Lula, não poderia ficar de fora da campanha eleitoral. Na quinta-feira divulgou estudo sobre a influência dos municípios no PIB, defendendo a ampliação de programas do governo Lula, incluídos nas propostas de Dilma, para reduzir desigualdades regionais. Sob o comando do petista Marcio Pochmann, seus economistas não precisam ir às ruas gritar pelo nome de Dilma. É mais eficaz usar suas horas de trabalho, funcionários de apoio, estrutura e computadores do Ipea.
Com Lula à frente, seguido pelos petistas trazidos para ajudá-lo a governar, há quase oito anos o País passou a ser administrado com o bastão do interesse político-partidário-eleitoral comandando ações e decisões do governo. O PT passou 20 anos na oposição contestando todos os governantes que o antecederam, com o único e obsessivo propósito de derrotá-los. No Congresso não avaliava as propostas pelo interesse da população e do progresso do País. Era contra por pura selvageria, pela oposição "a tudo o que está aí", sem definir o quê. E pronto. Foi contra a política econômica de FHC, que depois adotou; contra o Bolsa-Escola, que preservou e rebatizou de Bolsa-Família; contra até o Plano Real, que derrubou a inflação.
E, quando finalmente chegou ao poder, trouxe para o governo sua prática de 20 anos: o interesse político-partidário-eleitoral passou a comandar as decisões do governo. Para isso aparelhou o Estado com seus militantes e os de partidos aliados loteando milhares de cargos públicos. Nesse jogo de poder, e ainda mais nesta eleição, Lula e o PT misturam público e privado, abusam do uso do Estado, ofendem e desrespeitam os brasileiros. Como já disse o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga: "É preciso reestatizar o Estado."
JORNALISTA, É PROFESSORA DA PUC-RIO

GOSTOSA

GUILHERME FIUZA

A carta que Dilma não escreveu ao Brasil
GUILHERME FIUZA
REVISTA ÉPOCA


Lula não tem culpa do poder político sobre-humano que adquiriu. A culpa é do Brasil. Na virada do milênio, Luiz Inácio da Silva era um problema para o PT. Derrotado em três eleições presidenciais, prisioneiro de um discurso anacrônico contra a política econômica que fundara o real, Lula se tornara um candidato de plantão, quase folclórico. Uma guinada histórica o transformou num Midas eleitoral, capaz de reeditar, com a invenção de Dilma Rousseff, o famigerado plano Celso Pitta - que parecia uma lição devidamente assimilada.

Boa parte do PT não queria Lula candidato à Presidência pela quarta vez, em 2002. Emergiam novas forças no partido, como Cristovam Buarque, que governara o Distrito Federal. Um passo adiante dos slogans genéricos contra o capitalismo ocidental, Cristovam rompera com o modelo do Estado paternal. Foi a primeira voz da esquerda a proclamar que a estabilidade monetária era boa para o povo. Governou com responsabilidade fiscal, resistindo ao bombardeio sindicalista e fisiológico de seus companheiros - que queriam, como sempre, o poder como seio materno.

Cristovam executara com sucesso o inovador programa Bolsa Escola. Apoiara o governo federal - ao qual era oposição - na luta contra a inflação e o descontrole das contas públicas. O PT tinha nele um governante moderno, potencial candidato à Presidência em 2002. Mas Lula, apesar de ultrapassado, ainda era uma lenda no partido. E conseguiu a candidatura após um arrastão comandado pelo deputado José Dirceu.

Esse Lula fraco e desgastado entrou na corrida presidencial com uma novidade. Por sensibilidade do próprio José Dirceu, a campanha dessa vez abandonaria o sectarismo estratosférico. O Brasil ia conhecer um PT mais pragmático, disposto a conversar com todos, e não apenas a rugir seus ideais imaculados - que seriam para sempre perfeitos, desde que não saíssem das assembleias partidárias e reuniões acadêmicas.

Por algum tempo, assistiu-se a um Lula híbrido, que seguia a moderação proposta por Dirceu, mas ainda vocalizava os instintos incendiários do partido: moratórias, xenofobia, ataques ao Banco Central e às metas de inflação, invasão de propriedades produtivas, intervenção na imprensa burguesa e todo aquele guevarismo de grêmio estudantil que o Brasil não queria. Lula foi então salvo por Pedro Malan.



Assistindo ao discurso totalflex do candidato da oposição - que trazia insegurança geral e uma recaída da inflação -, o ministro da Fazenda de Fernando Henrique Cardoso indagou publicamente qual dos dois era o Lula verdadeiro. Daí surgiu o documento - articulado por Dirceu e por Antônio Palocci - que elegeu o candidato do PT: a Carta ao Povo Brasileiro, na qual Lula se comprometia com princípios como a responsabilidade fiscal, o cumprimento dos contratos e as bases da estabilidade monetária. Uma transição saudável no Planalto.

O Brasil deveria estar se preparando agora para mais uma transição saudável, se o sobrenatural não tivesse entrado em cena. Lula era um presidente normal até estourar o mensalão, o maior escândalo de corrupção da história da República. Pela primeira vez, o grupo político de um presidente criava um duto sistemático entre os cofres do Estado e seu partido. O enredo foi descoberto, seus protagonistas denunciados, e o país passou a mão na cabeça de Lula - não apenas preservando-o, mas passando a conferir-lhe taxas históricas de popularidade. Acima do bem e do mal, Lula virou mito.

Um mito com um cheque em branco na mão. Nesse cheque, escreveu o nome de Dilma Rousseff. A menos de dois meses da eleição, o Brasil ainda não averiguou se o cheque tem fundos. A maioria do eleitorado está dizendo que vai descontá-lo na boca do caixa. Se der dor de cabeça, azar. Será tarde demais para pedir a Dilma - a mãe ou a madrasta - que escreva uma bela Carta ao Povo Brasileiro.

MARCO ANTONIO ROCHA

No jogo tolo dos desafios perde-se o foco do País
Marco Antonio Rocha 
O Estado de S.Paulo - 16/08/10





A insistência dos colegas jornalistas em criar animosidades entre os candidatos, ou entre um candidato e um governante, em entrevistas ao vivo pode ser útil para "dar Ibope", mas estou seguro de que não tem qualquer utilidade para o público, para a melhoria do jornalismo ou do processo democrático.

De acordo com pesquisa nada científica, e muito banal, a que me dei o trabalho de proceder com várias pessoas, os únicos que apreciam esse tipo de espetáculo são os marqueteiros das campanhas, que tiram dele rebuscados raciocínios sobre o presumível benefício para o seu contratador (e assim aumentam o preço do serviço), e os "torcedores", fanáticos que se acumulam nas portas dos estúdios da mídia eletrônica para gritar "viva" e exortar o seu preferido a "bater" no oponente.

O restante do eleitorado - ouso dizer, a grande maioria - não só abomina esse tipo de coisa, mesmo quando favorece o seu escolhido, como não toma conhecimento do que os jornais publicam a respeito e, na verdade, nem acompanha os famosos "debates" que a cada eleição as TVs lutam por transmitir. O distinto público pode comprovar isso se se der ao trabalho de examinar os índices de audiência do chorrilho de entrevistas e debates entre candidatos das últimas duas semanas.

Os colegas me dirão que os meios de comunicação têm, afinal, a obrigação de promover essa chatice repetitiva para levar ao público, ao vivo e em cores, a palavra e a imagem dos candidatos, com insistência e frequência, pois isso faz parte não só do processo corrente de afirmação da democracia, como da educação para o exercício futuro da boa democracia.

É verdade. E parece que não há, de fato, outro meio de exercer a tarefa formativa e educativa que a imprensa, além da escola, também tem de assumir, a não ser esse festival de besteiras que as eleições sempre trazem de dois em dois anos. Mas bom seria talvez - já que é uma obrigação da imprensa, é inevitável e os jornalistas, mesmo entediados, a ela têm de se curvar - que se evitasse a tentação de estimular o mero bate-boca, as agressões mútuas e as frases de efeito, mas sem conteúdo.

O candidato José Serra tem sido vítima quase constante desse jogo tolo. Como principal candidato da oposição - no papel de desafiante, digamos, para usar um termo do boxe ou da luta livre -, é sempre instado, direta ou indiretamente, quando entrevistado, a "bater no Lula", o sustentáculo da candidata da situação. Isso até me parece desabonador para a ex-ministra Dilma Rousseff, pois expõe o pensamento generalizado de que ela é carta fora do baralho se o seu patrono for combatido com eficácia.

E não adianta José Serra explicar, todas as vezes, que não quer polemizar com o atual presidente porque este não é candidato e não será presidente no ano que vem e que o importante é falar do futuro, do que pode ser o próximo governo e de por que ele se acha mais qualificado para montá-lo e conduzi-lo do que a sua oponente.

Em menor proporção, mas também com insistência, Dilma Rousseff tem-se visto sob o desafio, proposto por entrevistadores, de "bater no Serra" - ao que cedeu nos primeiros tempos da campanha, com resultados que sem dúvida lhe mostraram que essa tática é boa para aumentar a pífia audiência dos programas eleitorais, mas não produz nenhum efeito, ou cai mal, na maioria do eleitorado.

O problema maior para a democracia brasileira e o seu futuro não é propriamente essa queda de braço enfadonha entre entrevistadores e candidatos, mas sim o que isso deixa de lado no tempo disponível de rádios e TVs ou no espaço da imprensa escrita. O que se está jogando fora é a oportunidade de um balanço realista, mas crítico, por exemplo, do quanto este país já andou no que se refere à suas instituições nestes poucos anos de democracia, desde a Constituição de 1988, e do que é preciso fazer, e como, para aperfeiçoar a nossa vida política.

É preciso também aprofundar a discussão sobre o modelo de desenvolvimento econômico do País, pois o que temos hoje é o improviso, um retrocesso ao pré-planejamento, anterior aos anos 50. Até o primitivo Programa de Metas do ex-presidente Juscelino Kubitschek surge como um portentoso guia para a ação, diante do afogadilho, da descoordenação e da dissipação descontrolada de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O próprio nome já indicava um punhado de ideias descosidas, obras já em andamento, tudo ajuntado em cima do joelho, para o governo dizer que tinha um programa, quando o que o Brasil precisa é de um verdadeiro Plano de Desenvolvimento de Longo Prazo, com metas definidas, coordenado com as forças vivas da Nação. A China tem isso e o está seguindo sistematicamente. Os resultados estão à vista do mundo.

No Brasil, até o BNDES perde o seu foco e se põe a improvisar novas políticas industriais de conteúdo e objetivos discutíveis, mas com custos bastante visíveis para os contribuintes.

Em meio a essa governança do "crioulo doido", a infraestrutura, base de qualquer desenvolvimento, permanece na maior parte decrépita e em deterioração. Mas este não é assunto para os candidatos.

GOSTOSA

BRASIL S/A

Gato por lebre

Márcio Pacelli
Correio Braziliense - 16/08/2010
 
Uma vez não sendo possível a prestação do serviço conforme o contratado, parece óbvia a necessidade de ajustá-lo à realidade.

O debate sobre os obstáculos que impedem o acesso dos brasileiros à internet de alta velocidade chega a ser enfadonho quando colocados, frente a frente, os argumentos dos polos antagônicos: de um lado, a indisposição da iniciativa privada em abrir mão de parte de seus lucros e oferecer um serviço de qualidade e, do outro, a intransigência dos órgãos de defesa da prestação adequada do serviço ao usuário. Mas, por bom senso, é possível concluir que não há divergências de opiniões em relação ao direito absoluto do consumidor de receber em sua casa, ou no seu equipamento portátil, exatamente aquilo por que pagou.

Essa discussão ganhou peso nos últimos meses, quando a Anatel, órgão que regula o assunto, finalmente decidiu colocar sobre a mesa uma proposta com parâmetros mais realistas e obrigatórios — embora ainda insuficientes — de velocidade de acesso e tráfego da conexão contratada pelo cliente. Se vingar, o contrato do que se convencionou chamar de banda larga com determinada operadora de telefonia não poderá mais ser honrado em apenas 10%, com é hoje, mas passará a patamares entre 30% e 50% nos horários de maior uso e de até 70% nos demais.
Longe do padrão
Parece absurdo que a agência de telecomunicações só tenha se mexido agora a respeito do assunto, quando o Brasil já deu passos maiores, em outras áreas das relações de consumo, rumo à preservação dos direitos dos usuários. Mas, a avaliar pelo poder de mobilização das empresas, o tema passará ainda por muitos rounds até que o serviço prestado no país aproxime-se dos padrões oferecidos no exterior, onde o megabit por segundo (Mbps) chega, em média, a custar R$ 8. No Brasil, a mesma velocidade de acesso não sai por menos de R$ 50 e pode chegar a absurdos R$ 250 em regiões como a Amazônia.

Junte-se ao dado a informação de que apenas 8% dos brasileiros consomem internet com rapidez de 1Mbps a 2Mbps, patamar internacionalmente reconhecido como banda larga. A maioria, 66%, consome bem menos, sendo que 44% acessam apenas a velocidade de 256kilobits por segundo (Kbps). Ou seja, é atualíssima a frase cunhada por Cezar Alvarez, coordenador do Programa de Inclusão Digital do governo federal, há um ano, em um importante seminário sobre as telecomunicações: “A banda larga no Brasil só tem três problemas: é para poucos, cara e lenta”.

Na semana passada, durante audiência pública promovida pela Anatel em São Paulo, pôde-se conhecer a justificativa das teles, revestida pela boa reputação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), sobre a questão. Em um trabalho contratado à instituição eminentemente técnico, porém inteligível aos mortais comuns, as operadoras explicam o porquê da resistência em atender o consumidor na totalidade do que ele contratou.
Culpa é da tecnologia
Segundo o estudo, que será anexado às sugestões das empresas como contribuição à Anatel, o problema mora na tecnologia, especialmente na interação entre a telefonia e os códigos do Internet Protocol (IP), a senha de entrada na rede mundial. Indo direto ao ponto, os ruídos surgem no transporte dos pacotes de dados — para usar uma terminologia do ramo — pelos meios de telecomunicações (fio de cobre, fibra óptica, rádio ou celular), operação imprecisa e pouco confiável, segundo o CPqD. O sucesso de uma conexão ou um downlowd, já desconsideradas as eventuais limitações do computador ou do celular, vai depender muito mais do caminho a ser percorrido e do sinal de transmissão de outras operadoras mundo afora do que exatamente da empresa que assinou o contrato com o cliente.

Se o argumento das operadoras está correto, abre-se, então, uma outra frente na discussão. Uma vez não sendo possível a prestação do serviço conforme o contratado, parece óbvia a necessidade de ajustá-lo à realidade. Inadimissível é que as teles sintam-se à vontade para oferecer algo que não têm como garantir na totalidade. “Se a gente assume a premissa das empresas, a variação será a regra e a velocidade máxima, a exceção”, diz Estela Gerrine, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Hoje, da forma como o serviço é prestado, comprar acesso de internet é como pagar por dois litros de refrigerante e ter o direito de tomar apenas um copo.
Cobrança proporcional
O diretor executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telecomunicações (SindiTelebrasil), Eduardo Levy, reconhece as razões dos órgãos de defesa do consumidor e da Anatel sobre a necessidade de atender adequadamente o usuário, mas não hesita em invocar o estudo do CPqD. “Determinadas exigências esbarram na tecnologia”, reforça. A seu ver, seria até possível pensar em mudanças no modelo atual, caso se concluísse ser esse o melhor caminho. Entretanto, as teles ainda não se mostraram dispostas à empreitada.

Para o Idec, enquanto não é possível o mundo ideal — a entrega do que foi efetivamente contratado —, as operadoras teriam ao menos que informar ao cliente a velocidade real que ele recebeu e cobrar proporcionalmente por isso. Estela vai além e sugere que as companhias estabeleçam tetos mínimos e máximos de velocidade de acesso e cobrem por faixas de consumo pré-definidas. “O importante é a informação clara para o consumidor”, defende. Ao deparar-se com a briga infindável, a única certeza que o usuário pode chegar é a de que continuará, por um bom tempo, a comprar banda estreita como larga, ou melhor, continuará levando gato por lebre.
Márcio Pacelli é subeditor de Economia.

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Dia dos Pais, a filha e... o custo Brasil

Carlos Alberto Sardenberg
O Estado de S. Paulo - 16/08/2010
 
Dia desses, num shopping em São Paulo, entrei numa loja de roupas, franquia de marca internacional, à procura de uma malha de lã, tipo cardigã. Tinha uma, bem bacana. O preço, não: quase R$ 500. Desisti.

Pouco depois, no Dia dos Pais, ganho de minha filha exatamente aquele cardigã. Uma alegria, claro, mas, sabe como é, um pai se preocupa se a filha é gastadeira. Saia-justa: não se pode reclamar do preço de um presente que se ganha. Mas que os R$ 500 por um casaco eram um absurdo, disso não havia dúvida.

Conversa daqui, conversa dali, o dilema se resolveu. Ela comprara o cardigã em Santiago, no Chile, na mesma franquia, também num shopping chique. O preço? Na casa dos R$ 200. Agora, sim, o presente ficara melhor.

De quebra, uma lição sobre o custo Brasil. A etiqueta do casaco mostra a origem - fabricado no Uruguai - e dá o endereço dos importadores no Chile, na Argentina e... no Brasil. Ou seja, é a mesmíssima malha, que sai, aqui, pelo dobro do preço chileno.

Como se explica? Basicamente, impostos. Aqui, de cada R$ 100 produzidos, cerca de R$ 35 vão para o governo na forma de impostos, taxas e contribuições. No Chile a carga tributária é de apenas 22% do Produto Interno Bruto (PIB). Lá, uma economia aberta, o imposto de importação, por exemplo, fica em torno dos 6%, o que eleva o grau de competição interna.

Aqui, o setor têxtil é um dos protegidos com alíquotas de importação elevadas. Mas o curioso dessa história é que a etiqueta do tal casaco informa ter sido produzido no Uruguai. Ora, este país pertence ao Mercosul, de modo que pelo menos o imposto de importação não deveria existir.

Ou seja, falta aqui uma apuração melhor desse comércio, que fico devendo ao leitor e à leitora.

Uma hipótese: talvez o produto não seja propriamente uruguaio, mas fabricado em algum país asiático - Vietnã, por exemplo, hoje um grande centro têxtil - e apenas nacionalizado ali no Uruguai.

A ver. Mas fica o registro desse enorme custo Brasil. E mais uma demonstração das consequências do protecionismo e de economias fechadas: exceto no caso de indústrias nascentes, em certas circunstâncias, a proteção à fabricação local leva a produtos de pior qualidade e mais caros. Uma conta para o consumidor.

Os meus lucros. Do presidente Lula, no dia 9 de agosto: "Todo mundo se lembra da quebradeira dos bancos brasileiros e do prejuízo que eles deram aos cofres públicos. Então quero que eles tenham lucro... por isso fico feliz. Fico feliz com a Caixa também, porque 15 ou 20 anos atrás esses bancos (públicos) só apareciam nos jornais como bancos deficitários - e hoje eles estão tendo lucros."

Explicando a história: grandes bancos privados brasileiros quebraram por causa do fim da inflação. Viviam de inflação. Como? Aplicando no overnight, em títulos do governo, o dinheiro que ficava parado nas contas dos clientes, um dia apenas que fosse. Ou, então, pagando juros de 10 na aplicação do cliente e recebendo 20 no mesmo dinheiro aplicado pelo banco. Era tão rentável que os bancos brasileiros nessa época nem cobravam tarifas.

Eliminada a inflação, o truque acabou e muitos bancos não conseguiram se reinventar e sobreviver. Para evitar uma quebradeira generalizada dos clientes, pessoas e empresas, o governo FHC criou dois programas de resgate das instituições: o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), para os bancos privados; e o Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária (Proes), para os estatais.

Os donos perderam seus bancos. O governo os assumiu, liquidou alguns, passou outros para a frente e arcou com um prejuízo para sanear essas contas e impedir um colapso do sistema financeiro.

No caso dos bancos estatais o problema foi ainda maior. Havia o vício da inflação, mas, acima disso, o uso político das instituições - ou seja, o governo de plantão mandando a instituição emprestar, sem cobrar, para os amigos e correligionários. E, também, com os bancos públicos financiando enormes investimentos do próprio governo, que se revelaram inviáveis. Ou pararam pelo caminho ou não deram o retorno para ressarcir o banco.

Assim, por exemplo, quebrou o velho Banespa, que acabou privatizado.

Mas a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil também estavam quebrados. Não apenas davam prejuízo, como disse Lula, mas davam um enorme prejuízo.

Foram salvos pelo governo FHC, que, primeiro, colocou nos dois bancos um monte de dinheiro dos contribuintes para recapitalizar as instituições. E, depois, promoveu uma reforma completa no sistema de administração, preparando os bancos para a fase de expansão e de lucros.

Muita gente na época - inclusive este colunista - achava que o melhor seria privatizar um maior número de bancos estatais, federais e estaduais, ficando o governo com uma ou duas instituições de fomento. A tese: bancos públicos, mais cedo ou mais tarde, acabam sendo usados politicamente.

Mas prevaleceu a tese de manter aqueles gigantes financeiros estatais. É curiosa a história: apesar disso, Lula e, atualmente, Dilma Rousseff acusam o governo FHC de tentar privatizar os bancões. E mais: na época, Lula atacou os programas que sanearam os bancos.

Hoje, sem nenhum constrangimento e sem nenhuma revisão, simplesmente diz que no tempo dos outros os bancos davam prejuízo; na era Lula, olha só, só lucros. Êta nóis!

A TERRORISTA MENTIROSA

PAINEL DA FOLHA

PF para quem precisa
RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 16/08/10 

Delegados estranham a passividade com que a cúpula da Polícia Federal recebeu a ordem do governo para enxugar o orçamento deste ano. Argumentam que a asfixia financeira é, na verdade, um modo de controlar a conta-gotas as operações de inteligência e evitar surpresas incômodas ao Planalto. 
A PF, vale lembrar, teve papel importante na eleição de 2006, ao desbaratar a tentativa dos "aloprados" do PT de comprar e divulgar papéis falsos contra o tucano José Serra. Agora estão bloqueadas, por prazo indefinido, verbas para operações em todo o país. Em São Paulo, falta dinheiro até para gasolina. 


Dosagem 1 Segundo estimativa de quem está envolvido na finalização do programa com o qual Dilma Rousseff (PT) estreará amanhã na propaganda de televisão, a candidata terá algo como 70% do tempo de tela, e Lula, cerca de 30%. 

Dosagem 2 Embora o plano de liquidar a eleição no primeiro turno seja cada vez mais vocalizado pelos petistas, há uma preocupação no QG dilmista de não exagerar na exposição do presidente na TV. "Não é prudente tentar acelerar artificialmente a decisão do eleitor", diz um coordenador. 

Bedrock Comentário no Twitter de Marcelo Déda (PT), candidato à reeleição em Sergipe, a propósito do Datafolha presidencial: "Me perdoem, mas dá vontade de incorporar um Fred Flintstone e gritar: Iabadabaduuuuu, Dilmaaaaaa!". 

Comentarista Marqueteiro de Lula em 2002, Duda Mendonça lançará amanhã um videoblog concebido como "making of" das várias campanhas que trazem sua assinatura neste ano. No mesmo veículo, ele dará opiniões sobre outras campanhas, a começar pela de Dilma. "Mas vou falar apenas do que eu achar bom", avisa. O endereço é www.videloblogdoduda.com.br. 

Bico Veteranos, sobretudo no Senado, reclamam que até hoje a campanha de Serra não convocou nenhuma reunião para engajar as bancadas tucanas. Também é verdade, porém, que o único senador do PSDB a demonstrar no Twitter empenho pela candidatura presidencial do partido é Alvaro Dias (PR). 

Silêncio 1 Desabafo de um candidato a governador alinhado à campanha nacional da oposição e bem posto nas pesquisas em seu Estado: "Consigo falar com todo mundo, menos com o meu candidato à Presidência". 

Silêncio 2 O candidato ouviu o conselho de um tucano acostumado com o fuso horário de Serra: "Por que você não experimenta ligar para ele de madrugada?". 

Vacilo Lula não chegou a puxar a orelha de Fernando Haddad. Mas a decisão de exortar os ministros a não deixar sem resposta nenhum ataque da oposição inspirou-se na hesitação do MEC diante das críticas de Serra ao desamparo das Apaes. 

Amazona Considerada ao mesmo tempo discreta e ponderada, a recém-promovida Izabella Teixeira acumula pontos para seguir no Ministério do Meio Ambiente no eventual governo Dilma. O núcleo da campanha aposta que, se eleita, a petista incrementará a presença feminina na Esplanada. 

Dupla jornada Há uma articulação em curso para que Orlando Silva (PC do B), além de comandar a Autoridade Olímpica, permaneça ministro do Esporte em caso de vitória de Dilma. Se ela vai topar ou não é outra história. 
com LETÍCIA SANDER e ANDREZA MATAIS 

tiroteio 

Só pode ser desespero. Como Serra pode prometer a construção de 400 km de metrô no Brasil se, em quatro anos, conseguiu fazer apenas 5 km em São Paulo? 
DE CÂNDIDO VACCAREZZA (PT-SP), líder do governo na Câmara, criticando promessa feita pelo candidato tucano à Presidência da República. 

contraponto 

Não fui eu 

Na plateia da Band para assistir ao debate entre os candidatos à sucessão paulista, Paulo Maluf (PP) comentava o desempenho do representante de seu partido, Celso Russomanno, que, em dobradinha com Aloizio Mercadante (PT), atacava Geraldo Alckmin (PSDB): 
-O rapaz está indo bem, me elogiando. Isso é bom...- observou ao governador Alberto Goldman (PSDB), sentado à sua frente. 
Diante de olhares curiosos, Maluf completou: 
- Mas não sou eu que estou pagando!