domingo, abril 04, 2010

ELIO GASPARI

José Serra não é Carlos Lacerda
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/04/10

A agressividade destruidora afogou a biografia do maior governante da história do Rio



COMO ERA previsível, uma única palavra -"roubalheira"- deu o tom do discurso de despedida de José Serra. Pena. Foi uma fala tediosa, mas uma só palavra desviou o curso de uma reflexão em torno de ideias, honradez e sobriedade administrativas. Ela não caiu como cabelo na sopa. Foi um flerte com "a busca da notícia fácil" que o próprio Serra criticaria no mesmo discurso.
Com suas pressões e ansiedades, as campanhas moldam os candidatos. Quando entrou na disputa pela Presidência, Barack Obama não tinha proposta para a reforma dos planos de saúde. Juscelino Kubitschek nunca pensara em construir Brasília até que, meses antes da eleição, um estudante chamado Toniquinho perguntou-lhe se cumpriria o dispositivo constitucional que previa a transferência da capital para o Planalto.
Na atual campanha há uma energia interna no mandarinato oposicionista que procura um foco na denúncia da amoralidade do governo de Lula. Foi essa força que levou o "roubalheira" para o discurso de Serra.
Se essa tática prevalecer, acarretará vários riscos, todos lesivos ao nível político do país e à biografia do candidato. O combate à corrupção não deve ser plataforma de governo, mas pressuposto. O país sofre com o desembaraço dos mensaleiros e com a proteção paternal que Lula lhes dá, assim como padece com o silêncio tucano diante da cassação do mandato, pela Justiça, de seu governador da Paraíba. O mais ilustre detento do sistema carcerário nacional é o ex-governador José Roberto Arruda, o queridinho do DEM, que chegou a aspirar à Vice-Presidência na chapa de Serra.
Dois presidentes chegaram ao Planalto montados na bandeira da moralidade: Jânio Quadros (seu símbolo de campanha era uma vassoura) e Fernando Collor. Nenhum dos dois concluiu o mandato, e Jânio tornou-se o único governante nacional com conta secreta no exterior disputada em juízo. Esses exemplos não devem estimular complacência, apenas ilustram que o moralismo é um refúgio habitual do corrupto.
Serra nada tem a ver com Jânio e Collor. Faltam-lhe até mesmo a teatralidade, o oportunismo e a mediocridade administrativa. Pelas obsessões, pelo estilo e pela visão de governo, ele se parece com Carlos Lacerda, seu adversário juvenil. Lacerda foi o maior governante da história do Rio de Janeiro (1960-1965). Fez a adutora do Guandu e resolveu o problema secular do abastecimento de água da cidade. Urbanizou o Aterro do Flamengo, abriu o túnel Rebouças e remendou a rede escolar pública. Desse Lacerda, o "Carlos" dos amigos, pouco se fala. O personagem da história foi outro, o "Corvo" dos inimigos, que carimbava "roubalheira" nos adversários. Demolidor audaz, escondia em ímpetos de calculada agressividade um temperamento egocêntrico e depressivo. Carregava nas costas o suicídio de Getúlio Vargas (cujos capangas tentaram matá-lo em 1954), assim como carregou a deposição de João Goulart e um pedaço da ditadura que se instalou em 1964. Vale ouvi-lo:
Sobre Vargas: "Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar".
Sobre Juscelino Kubitschek: "Um político notoriamente desonesto, cujo enriquecimento, seu e de seus amigos, constitui uma afronta ao país".
Sobre João Goulart: "Eu agarro o touro pelos chifres". Diante dos risos da plateia, fez um adendo infame: "E ele os tem".
Sobre o presidente Castello Branco: "O marechal é um anjo da rua Conde Lages". (Numa referência aos santos colocados nas salas de estar dos bordeis da Lapa.)
Nada a ver com Serra. Numa trapaça do tempo, ele recorreu ao "roubalheira" no dia 31 de março, exatos 46 anos depois do levante militar que o levou ao exílio e deu a Lacerda um breve período de esplendor.
Uma campanha desqualificadora, que fecha seu foco na denúncia da corrupção alheia, precisa que o candidato puxe o samba. Para aprender esse papel, Serra tem idade demais e treino de menos.
MADAME NATASHA
Madame Natasha sabe que terá muito trabalho durante a campanha eleitoral e já concedeu uma de sua bolsas de estudo a José Serra por um trecho de seu discurso de despedida do governo de São Paulo: "Repudiamos protagonismo sem substância que alimenta mitologias". Ele quis dizer o seguinte: "Dilma é um pastel de vento vendido à sombra do culto à personalidade de Lula".
DEDO DISCRETO
A costura do deputado Antonio Palocci foi um fator importante para assegurar a permanência de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central.
MANGABAMA
A recente biografia do companheiro Obama, escrita pelo jornalista David Remnick, editor da "The New Yorker", lista duas grandes influências sobre Barack Obama durante o seu curso de direito em Harvard. A maior delas foi a do constitucionalista Laurence Tribe, de quem o companheiro foi assistente de pesquisas em três projetos, entre eles no magnífico livro "Aborto: Um Choque de Absolutos". A outra influência foi a de Roberto Mangabeira Unger, cujos cursos são evitados pelos alunos mais conservadores. Obama frequentou dois: "Jurisprudência" e "Reinventando a democracia". Remnick entrevistou Obama e trocou e-mails com Mangabeira.
Num deles, Mangabeira, defensor do impedimento de Lula e, posteriormente, seu ministro, disse o seguinte: "Eu sou um esquerdista e, por convicção e por temperamento, um revolucionário..." Em 2005, quando Obama era apenas uma promessa, Mangabeira tinha poucas palavras para ele.
HORA DO BISPO
O praga da pedofilia que corrói o pontificado de Bento 16 (82 anos) tem menos a ver com ele do que com a máquina da Cúria Romana. Pode-se esperar que seu substituto será um cardeal com longa experiência numa arquidiocese, função na qual sujam-se os pés no barro. Essa tendência manifestou-se em 1978, quando foi escolhido Albino Luciani, bispo desde 1958. O pontificado de João Paulo 1º durou 33 dias e seu sucessor, Karol Wojtyla, assumiu depois de 16 anos de dureza como arcebispo de Cracóvia. A experiência episcopal de Joseph Ratzinger durou apenas quatro anos, durante os quais, na melhor das hipóteses, ele se ocupava pouco dos assuntos da Arquidiocese de Munique.
MEGALOLULISMO
Nosso Guia disse outro dia que "eu fiquei 27 anos dentro de uma fábrica". Lula teve seu primeiro emprego industrial em 1959 e em 1977 trocou o torno da Villares por uma mesa no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Faltam nove anos para fechar a conta.
PRIVATARIA 2.0
No mesmo mês em que penou um quebra-quebra por conta de maus serviços e foi multada porque seus funcionários chicotearam passageiros em abril do ano passado, a SuperVia, concessionária de trens do Rio de Janeiro, teve seu contrato prorrogado por mais 25 anos pelo governo do Estado.
Não passa pela cabeça de ninguém que a prorrogação tenha sido um reconhecimento à qualidade de sua operação. Pode ter ocorrido uma nova modalidade de privataria: espicha-se a concessão para segurar o valor da empresa caso ela seja vendida. O governo do Rio adoraria vê-la na mão da OAS ou da Odebrecht.

UM PUTEIRO CHAMADO BRASIL

CLÓVIS ROSSI

Quando a inocência mata
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/04/10


SÃO PAULO - Caro leitor, volte, por favor, à foto no alto da capa de ontem desta Folha. Mostra a menina Dzhennet Abdurakhmanova, de 17 anos, suspeita de ter sido uma das mulheres-bomba que se explodiram segunda-feira no metrô de Moscou, matando ao menos 40 pessoas, inclusive elas próprias.
Ouso dizer que foi a foto que, nos últimos muitos meses, mais me chocou, mais até do que as dos terremotos no Haiti e no Chile. Explico: explosões da natureza são incontroláveis; aos humanos, só resta lamentá-las.
Explosões humanas é que pedem entendimento para tentar evitá-las, o que me parece cada vez mais improvável.
A foto de Dzhennet é a própria contradição: o rosto da perfeita inocência cercado pela personificação do seu oposto, duas armas, uma na mão da própria menina, a outra na do noivo, morto pelas tropas russas na Tchechênia.
Qualquer pintor de talento transformaria o rosto da menina em um quadro imortal. Mas a inocência preferiu matar-se -e a dezenas de outros- antes mesmo de ter tido tempo para viver a vida, seus gozos e suas dores.
Que argumentos são usados para convencer uma Dzhennet, na Tchechênia, nos morros do Rio, nas selvas da Colômbia, nas profundezas de Darfour, onde quer que seja, que vale mais matar e morrer do que viver os sonhos que só a inocência permite ter?
Fanatismo? Claro. Fanáticos sempre houve, de todas as cores e crenças. Maldade? Também, idem, idem, idem.
Mas suspeito que, para convencê-las, é preciso que os olhos das Dzhennets, ao olhar para a frente, ao procurar o horizonte, como parece acontecer na foto da capa, não vejam nada, não vejam ao menos um lampejo de esperança.
Se é assim, chegamos a um estágio em que a desesperança venceu o medo. De matar e de morrer.

MERVAL PEREIRA

Continuidade e mudança
O GLOBO - 04/04/10
O grande mistério dessa eleição presidencial que se avizinha é saber qual a estratégia eficiente para derrotar um governo tão popular quanto o do presidente Lula. Enquanto o presidente joga todo o seu prestígio na continuidade, que estaria assegurada com a eleição de Dilma, a oposição tem que passar a sensação ao eleitor de que tem melhores condições de garantir essa continuidade, o que é insólito em política, pois o papel da oposição seria o de promover a mudança.

O cientista político Alberto Carlos de Almeida, especialista em análise da opinião pública, autor do best seller “A cabeça do brasileiro”, acha que uma das maneiras de desconstruir a imagem da candidata oficial Dilma Rousseff é incutir na cabeça do eleitor que Lula não sabe escolher seus assessores.

Seria uma maneira de voltar a tocar no escândalo do mensalão, para atingir também a candidata oficial no que ela tem de mais vulnerável: a falta de experiência política.

O economista político Alexandre Marinis, da consultoria Mosaico, tem uma análise que pega os resultados das quatro últimas eleições presidenciais — que mostra uma forte correlação entre o índice de popularidade do presidente e o de votos válidos conseguidos por seu candidato — e vai muito mais fundo, até as eleições municipais e estaduais.

Pegando duas vertentes de análises diferentes, ele cruza o resultado concreto de eleição, seja a nível nacional, estadual ou municipal, com as pesquisas de opinião, e avalia como elas caminham ao longo das campanhas. “Dá para constatar que as oscilações dos candidatos acompanham muito de perto a taxa de aprovação dos governantes”, garante.

A principal consequência disso, na opinião de Marinis, é que seria insuficiente a estratégia da oposição de não confrontação com o governo.

“Se você quiser desconstruir a Dilma, mas o governo permanecer extremamente forte, você pode afetar a taxa de transferência de popularidade mas ainda assim garantir a vitória da candidata oficial”, analisa Marinis.

Ele exemplifica: se a popularidade de Lula se mantiver tão alta, ainda que você reduza a efetividade dessa transferência, digamos para 60%, ainda assim sua candidata terá quase metade dos votos. “Isso implica que não basta trabalhar na desconstrução da imagem da Dilma, tem que também encarar as deficiências do governo Lula. Não adianta você fugir desse debate”.

Alexandre Marinis acha que “na cabeça do eleitor típico do Lula, que também é eleitor típico da Dilma, se eu desejo continuidade e não quero mudar nada, por que vou arriscar e votar num candidato de oposição?”.

Para vencer a eleição, o candidato oposicionista precisa encarar as deficiências do governo Lula. “Você pode desconstruir a imagem da Dilma, mas tem que reduzir também a popularidade do Lula. O fato concreto é que a popularidade de Lula é o principal ativo que a candidatura da Dilma tem”.

Até mesmo Ciro Gomes, do PSB, que luta para manter sua candidatura à Presidência, está cometendo o que seria um erro, na opinião de Marinis: critica Dilma, dizendo-se mais preparado que ela, critica a aliança entre o PT e o PMDB, mas poupa Lula e seu governo.

O cientista político Alberto Carlos de Almeida, especialista em análise do eleitor brasileiro e da opinião pública, acha que a luta de José Serra vai ter que ser para manter o eleitorado que, apesar de considerar o g o v e r n o L u l a ó t i m o o u bom, vota nele.

A mais recente pesquisa de opinião do Datafolha informou que 33% desses eleitores de Lula estão com Serra, o mesmo contingente que apoia Dilma.

Para o candidato da oposição atingir os pobres, ele terá que falar sobre redução de imposto sobre consumo, diz Alberto Carlos de Almeida.

Os cidadãos da classe baixa já teriam entendido que pagam imposto indireto sobre os bens de consumo, como alimentação.

E como a sociedade é muito desigual, a população acha que só pobre paga imposto. A percepção é de que há uma exploração na cobrança de impostos, que prejudica a vida dos mais pobres. E como a nova classe C quer cada vez consumir mais, a alta carga tributária é um flanco do governo que pode ser atacado.

Nesse sentido, o Democratas está mais afinado com o sentimento popular, pois comanda uma campanha em São Paulo, com Afif Domingues, para denunciar quanto de imposto está embutido nos preços, e foi devido a uma campanha do deputado Paulo Bornhausen que a oposição conseguiu derrubar a CPMF.

Nas entrevistas qualitativas, Alberto Carlos de Almeida diz que o que aparece quando se discute o fim da CPMF é que ela é uma prova de que o imposto não melhorava a vida das pessoas: “Tinha a CPMF e a saúde era muito ruim. Acabou o imposto e a saúde continuou igual”, resumem os entrevistados.

Mas Alberto Carlos de Almeida considera que as iniciativas oposicionistas nesse campo ainda são tímidas, faltaria-lhes a ousadia que sobra em Lula: “Uma atuação mais decidida nesse campo embaralharia o jogo eleitoral”, analisa.

Ele considera as campanhas realizadas até agora pouco populares. “Quando o outro lado está muito forte, como é o caso do governo atual, você tem que inovar na sua mensagem”, adverte o cientista político.

Ele adverte, também, que o combate à corrupção não pode ser levado para um lado moralista, pois o cidadão brasileiro, ao contrário do americano, não é moralista.

“Ele já entendeu que a corrupção ajuda a piorar a vida das pessoas, e acha que, se houver menos impostos, haverá menos corrupção.”

PAINEL DA FOLHA

Assim não rola
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/04/10

Está em curso na Câmara dos Deputados uma articulação para tentar convencer o presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), a tirar de pauta o projeto de iniciativa popular que exige "ficha limpa" dos candidatos, em tese previsto para ir a voto no plenário na próxima quarta-feira.
Na aposta de líderes dos mais diversos partidos, se mantida a versão atual do texto, que torna inelegíveis os condenados por decisão colegiada, a derrota será líquida e certa. Os parlamentares alegam que a expressão "condenação por um colegiado" é caracterização vaga demais e que a proposta precisa de alguns "ajustes" para conseguir maioria na Casa.


Com... Esteio da candidatura do pedetista Osmar Dias no Paraná, a aliança PT-PDT ainda não tem avaliação consensual sobre o papel a ser desempenhado por Orlando Pessuti (PMDB) na disputa. Alguns acham que ele pode ser útil para forçar um segundo turno entre Dias e Beto Richa (PSDB), hoje com liderança discreta nas pesquisas.
...ou sem? Outros, porém, avaliam que seria melhor ter o PMDB na aliança e partir logo para o mano a mano contra Richa. De todo modo, com Pessutti instalado no governo após a saída de Roberto Requião (PMDB) para disputar o Senado, é provável que ele evolua do atual patamar de intenção de voto.
Freio. A direção do PSDB, que havia avalizado a candidatura da senadora Marisa Serrano (PSDB) ao governo de Mato Grosso do Sul, recuou. Nesta semana haverá encontro com o governador André Puccinelli (PMDB), que tentará a reeleição contra um candidato do PT.
Chance. Tucanos do DF tentarão aproveitar a passagem de José Serra, dia 10, para conversar sobre o conturbado cenário eleitoral local.
Carona. O PT-DF adotou, na campanha de Agnelo Queiroz ao governo, o bordão do personagem Jackson Five, motoboy interpretado pelo humorista Marco Luque no rádio: "É "nóis", Queiroz!".
Versão 2.0. O texto que chega a plenário já foi flexibilizado. A proposta original, apresentada no ano passado com o apoio de 1,5 milhão de assinaturas, previa a inelegibilidade para condenados em primeira instância ou para aqueles que tenham contra si denúncia recebida por órgão judicial colegiado.
Currículo. Cotado para vice na chapa de Dilma Rousseff (PT), Temer enxerga no projeto da "ficha limpa", seja lá em que forma puder ser aprovado, um veículo de exposição positiva no noticiário.
Redução de danos. Enquanto aguarda a retirada de Ciro Gomes (PSB) da disputa presidencial, o Planalto discute a melhor maneira de engajá-lo na campanha de Dilma. A avaliação geral é que deixá-lo solto seria um perigo.
Cartilha. Noviça no trato com a imprensa, a nova ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, fez "media training" antes de tomar posse.
Tudo menos isso. Ex-governador do Rio, ex-deputado, vice-presidente da Caixa Econômica Federal e nome influente na cúpula do PMDB, Moreira Franco se surpreendeu quando um jornalista lhe perguntou, dias atrás, se concorreria a algum cargo nas eleições deste ano. Refeito do susto, respondeu com bom humor: "Eu não! E se eu ganho?".
Itinerário. Depois do tour pelo Nordeste, o PV pretende fazer Marina Silva circular por Rio, Bahia e Minas. Além da densidade eleitoral dos três Estados, o roteiro se justifica pela necessidade de firmar palanques e, no caso do Rio, aproximá-la de Fernando Gabeira, cercado de tucanos. A senadora também vai participar da inauguração de comitê no descolado bairro paulistano da Vila Madalena.

com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER
Tiroteio 
É lamentável que a Marina, hoje filiada a um partido de centro-direita aliado ao PSDB, tenha descoberto o Nordeste só agora, quando começou a fazer campanha. 
Do deputado FERNANDO FERRO (PE), líder do PT, sobre a candidata do PV à Presidência, que, em visita a Pernambuco, classificou o governo Lula como "refém do PMDB".
Contraponto 
Cada um na sua
Nas eleições municipais de 1988, o prefeito de Recife, Jarbas Vasconcelos (PMDB), escolheu o correligionário Marcos Cunha para disputar contra Joaquim Francisco (então PFL, hoje PSB). A indicação não empolgou Miguel Arraes, à época também peemedebista. Como a falta de entusiasmo do governador de Pernambuco era visível, um repórter lhe perguntou se não estava fazendo corpo mole no apoio a Cunha, e Arraes saiu-se com esta:
-Eu disputei dez eleições e nunca me empolguei nem com a minha candidatura, imagine com a dos outros!
Em tempo: Cunha perdeu para Joaquim Francisco.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Hora de união

O GLOBO - 04/04/10

A visão de futuro mostra quem é verdadeiramente líder. No auge das lutas pela volta às eleições diretas e pelo fim do autoritarismo, três personagens, cada qual à sua maneira, foram decisivos para que conseguíssemos mudar o rumo do país. Não foram os únicos. Muita gente se empenhou desde a campanha das Diretas Já com o mesmo propósito. Nem se deve esquecer o papel desempenhado pelas grandes greves do ABC e por seus líderes. Mas, a partir da derrota da emenda Dante de Oliveira, quando se colocou a possibilidade de derrotar o candidato do Sistema utilizando-se o próprio Colégio Eleitoral, a condução do processo passou a depender de Ulysses Guimarães, Franco Montoro e Tancredo Neves.

Houve hesitação sobre o que fazer. Fiz um discurso no Senado trocando o lema Diretas Já por Mudanças Já, com a convicção de que poderíamos derrotar os donos do poder. Foi difícil para Ulysses Guimarães tragar a dose e aceitar as eleições indiretas, ele que fora o anticandidato em 1974 e cujo nome se identificava com as eleições diretas. Foi mais difícil ainda, uma vez deslanchado o processo de conquista de votos no Congresso, unir a oposição em torno de um nome.

Ulysses até aquele momento fora o condutor indiscutido das oposições democráticas. Entretanto, pela dureza das posições que assumira na crítica ao regime autoritário, teria dificuldades em granjear votos entre os que, diante do desgaste do poder, da crítica de uma imprensa mais livre, dos movimentos de protesto em massa e das dificuldades econômicas, se predispunham a mudar de posição. Sem o apoio destes, a derrota era garantida. Na época, presidente do MDB de São Paulo e muito próximo a Ulysses Guimarães, disse-lhe com muito pesar, pela enorme admiração e respeito que nutria por ele, que a vez seria de outro.

Roberto Gusmão, chefe da Casa Civil do governo Montoro, havia declarado nas páginas amarelas da Veja que São Paulo se uniria a Tancredo Neves para a conquista da Presidência. Ulysses fez questão de ouvir a decisão da voz do governador de São Paulo. Acompanhei-o ao Palácio dos Bandeirantes em um encontro com o governador Montoro e com Roberto Gusmão. Montoro poderia pretender legitimamente a candidatura à Presidência: ganhara as eleições diretas em São Paulo com votação consagradora. Percebeu, entretanto, que no caso das eleições indiretas Tancredo teria melhores oportunidades. Reafirmou este ponto de vista a Ulysses. Mais do que os méritos e as ambições de cada um, contava o momento histórico. Ou nos uníamos e ampliávamos a frente contra o autoritarismo ou este permaneceria por mais tempo, esmaecido que fosse, com a eleição de Paulo Maluf, candidato da Arena. A visão de futuro e o interesse nacional contavam mais do que as biografias. Tiveram grandeza. São Paulo se uniu a Minas para que o Brasil avançasse e Ulysses chefiou a campanha pela eleição de Tancredo.

Passados 25 anos, nos encontramos frente a circunstâncias históricas que novamente requerem grandeza dos líderes e unidade de todos. Não está em jogo o admirar ou não o presidente Lula, nem mesmo as qualidades de liderança (ou a falta delas) de sua candidata Dilma Rousseff. Por trás das duas candidaturas polares há um embate maior. A tendência que vem marcando os últimos 18 meses do atual governo nos levará, pouco a pouco, para um modelo de sociedade que se baseia na predominância de uma forma de capitalismo na qual governo e algumas grandes corporações, especialmente públicas, unem-se sob a tutela de uma burocracia permeada por interesses corporativos e partidários. Especialmente de um partido cujo programa recente se descola da tradição democrática brasileira, para dizer o mínimo. Cada vez mais nos aproximamos de uma forma de organização política inspirada em um capitalismo com forte influência burocrática e predomínio de um partido. Tudo sob uma liderança habilidosa que ajeita interesses contraditórios e camufla a reorganização política que se está esboçando.

Agora, com as eleições presidenciais se aproximando, as alianças são feitas sem preocupação com a coerência político-ideológica: o que conta é ganhar as eleições. Depois, a força do Executivo se encarregará de diluir eventuais resistências de governadores e parlamentares que se opuserem à marcha do processo em curso, e transformará os aliados em vassalos. Mais recentemente, tem surgido a dúvida: será que a candidata petista, sem ser Lula, terá força para arbitrar entre os interesses do partido, os dos aliados e os da sociedade? Não sei avaliar, mas o resultado será o mesmo: pouco a pouco, o “pensamento único”, agora sim, esmagará os anseios dos que sustentam uma visão aberta da sociedade e se opõem ao capitalismo de Estado controlado por forças partidárias quase únicas infiltradas na burocracia do Estado.

Os líderes oposicionistas atuais terão a visão de grandeza dos que os antecederam e perceberão que está em jogo a própria concepção do que seja democracia? Há quem defenda um outro estilo de sociedade. Há quem acredite que certo autoritarismo burocrático com poder econômico-financeiro pode favorecer o crescimento econômico. A China está aí para demonstrar que isso é possível. Mas é isso o que queremos para nós? A força governista ignora os limites da lei e tudo que decorre dessa atitude, desde a leniência com a corrupção até a arrogância do poder e o abuso publicitário antes do início legal das campanhas. É imperativo, pois, que as oposições se unam. A aliança entre Minas e São Paulo – que se pode dar de forma variada – salvou-nos do autoritarismo no passado. Uma candidatura que fale a todo o país, que represente a união das oposições e busque o consenso na sociedade é o melhor caminho para assegurar a vitória. José Serra e Aécio Neves estiveram ao lado dos que permitiram derrotar o regime autoritário. Cabe-lhes agora conduzir-nos para uma vitória que nos dê esperança de dias melhores. Tenho certeza de que não nos decepcionarão.

JOÃO UBALDO RIBEIRO

Política de alto nível

O GLOBO - 04/04/10

Itaparica sempre foi subestimada, para infortúnio daqueles que caíram nessa armadilha, levados pela natural afabilidade e aparente indolência dos nativos. Foi assim com o temível invasor holandês em 1649, posto para fora debaixo de cacete, tendo se pirulitado tão às pressas que deixou vários representantes seus para trás, sem dúvida ancestrais do nosso vasto suprimento de mulato(a)s de olhos verdes ou azuis (zoio grin ou zoio bru, no inglês inconfundível de Picolêichon, nosso famoso vendedor de picolés). Foi igualmente assim que se passou com os portugueses em 1823 e com inúmeros outros que se atreveram a facilitar com a ilha. E não se trata apenas de feitos perdidos na poeira da História, mas de proezas recentes, como no tempo do finado Chupeta, que, convidado a compor um time contra o qual o então grande Bahia treinaria, fez três gols em quatro minutos de jogo e desmoralizou uns oito marcadores - era um canhotinha que só se vendo para acreditar, melhor que vários Maradonas juntos.

Não facilitem, pois, aqueles que julgam que, na sua placidez que engana apenas os que se guiam por exterioridades ilusórias, a Denodada Vila de Itaparica está alheia à febre eleitoral que já começa a esquentar em todo o país. Na realidade, estamos na vanguarda, como acaba de demonstrar Zecamunista, que, numa decisão surpreendente até para os que acompanham de perto sua movimentada biografia, anunciou que vai concorrer a uma vaga de deputado estadual nas eleições deste ano e todo mundo sabe que já está em campanha.

- Assim que o presidente começou a de d. Dilma, eu comecei a minha - me disse ele. - Nesse ponto, eu tenho de reconhecer que ele deu uma boa puxada. Mas, se ele é esperto, eu também sou. No mundo da política, não há lugar para os otários. Está em Lenine, se você for ler bem.

- Mas o presidente nega que está em campanha.

- É isso mesmo, eu também nego. O negócio é esse, vai fazendo e vai negando, vai fazendo e vai negando. Como diz o poeta popular, enquanto vocês filosofa, nós atocha. Pergunte a ele se não é isso. Ele não vai concordar falando, mas vai confirmar com uma risadinha, ele não vai resistir. Quer apostar?

- Eu não, todo mundo sabe que você nunca perdeu uma aposta e, além do mais, não tenho como fazer essa pergunta. E isso é outra conversa, vamos ficar na sua candidatura mesmo. Você está em campanha, mas nega, tudo bem. Só que podem fazer uma denúncia e aí o TRE multa você, você vai ter que pagar multa.

- Multa não, isso aí não é multa.

- Como não é multa? Claro que é multa, todos os jornais deram.

- Vocês da imprensa também são uns otários. Otários metidos, mas otários, se acostumam a escrever as mesmas besteiras e nem pensam mais nelas. Qual é multa, rapaz? Está certo que você seja oposição, mas deixar de reconhecer no homem as qualidades dele é burrice, tem de ver que o bicho é esperto. Não tem nada de multa, veja a genialidade dele, com um toque já desmanchou tudo. Pense aí, vá. Não lhe ocorreu nada, não viu a lição?

- É, desculpe a cegueira, não vi nada.

- Ele já mostrou claramente, de fato é cegueira sua. Mas tem que ver, o que ele não pode é dizer isso com todas as letras, tem que ficar somente na demonstração.

- Zeca, eu não estou entendendo nada dessa sua explicação.

- Então eu explico a explicação. Lula deu o corte epistemológico nessa multa, entendeu?

- Não.

- É o seguinte, não é multa nada, é despesa de campanha. Entendeu agora? Você vai lá, faz campanha, a justiça multa, você vai ao caixa e diz "pague essa multa aí". Pronto, quites com a justiça, tudo zerado. O que foi isso, foi multa? Só na cabeça empedrada de quem não quer desafiar conceitos preestabelecidos e superados, para ver a realidade objetiva. Oposição não é deixar de reconhecer o talento do oponente, é o contrário, esse corte epistemológico é um toque de gênio, vai para o trono.

- É verdade, eu não tinha pensado nisso. Mas, multa ou taxa, você vai ter de pagar de qualquer jeito.

- Eu mesmo não vou pagar nada. Você parece que não me ouviu, isso é despesa de campanha, é tudo coberto pela minha verba de campanha.

- Tudo bem, mas então você vai levantar dinheiro.

- Já estou levantando, já tenho até uma provisão para compra de votos.

- Compra de votos? Você, comprando votos?

- Com preleção. Eu compro o voto, mas, na hora do pagamento, faço uma preleção ao eleitor, mostrando a ele como aquilo está errado e exijo que ele prometa que nunca mais venderá voto. Não se pode esquecer o pragmatismo, o pessoal está acostumado a vender o voto, não se pode mudar tudo assim de repente, tem que ser uma coisa gradual, dentro de uma estratégia.

- Zeca, você está me saindo um político veterano, já estou até acreditando que você vai ser eleito. E de onde é que está saindo esse dinheiro?

- Ah, isso é com o tesoureiro da campanha. Acho que esse dinheiro vem do caixa dois, não se sabe de onde entra, não se sabe para onde sai.

- Você acha, não sabe direito?

- Aliás, nem sequer acho, pensando bem. Não sei de nada, não vi nada, ninguém me falou nada. Eu já lhe disse que aprendo com os mestres.

JANIO DE FREITAS

De paz e amor
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/04/10


A Dilma que vai surgir das enganações marqueteiras é um mistério; Serra já arquitetou o Serrinha Paz e Amor



O melhor a esperar da campanha que em breve começa, não mais de fato, mas enfim de direito, são duas revelações: Dilma Rousseff tal qual é e José Serra tal qual não é.
Ainda é difícil saber qual das duas, eficácia eleitoral à parte, será mais divertida aos nossos olhos e ouvidos de espectadores compulsórios. Na longa primeira etapa de sua campanha, Dilma teve a sua inexperiência de palanque remediada pelo rumo que a simples presença de Lula já insinuava, para os discursos. E, pode-se supor, havia as sugestões sopradas mesmo. Mas já vimos o bastante para a certeza de que Dilma não tem a vocação do que outrora se chamaria de mitingueira, de fazer "meeting", aquele tipo a quem bastava um caixotinho para atrair um comício - Carlos Lacerda, Jânio Quadros, Vladimir Palmeira (vivo e esgotado), o depois psicanalista Hélio Pellegrino, uma espécie extinta de oradores.
A Dilma que vai surgir das enganações marqueteiras ainda é um mistério, e, pelo que se vê, terá de ser construída de ponta a ponta. Até agora candidata sempre maquiada como se fosse para o casamento de um herdeiro paulista, até o tipo físico está por ser redesenhado. E o vocabulário também. E o gestual, idem. E ainda a medida da simpatia, para não parecer apenas obrigatória, nem, como tem sido, negada pelo excesso.
José Serra já se mostra como parte de um jogo de inversões. A inflexão de suas falas públicas não é mais a mesma, o tom e o volume da voz não são mais os mesmos. Vem aí, em vez do candidato que em 2006 explorou os temores do eleitorado, o Serrinha Paz e Amor. Produto direto da derrota didática para Lulinha Paz e Amor. Agora o ex-Lulinha do qual, como sua parte da inversão, prevê-se que se torne o Serra da campanha de 2006, para explorar os temores de extinção dos programas assistenciais, de retrocesso no prestígio internacional do país e de freio na política econômica de crescimento.
Serra já arquitetou o Serrinha Paz e Amor para conhecimento geral. Nas palavras finais de governante, citou cada um dos defeitos que lhe são reconhecidos ou atribuídos e se disse portador das características exatamente opostas, citando cada uma dessas qualidades que, se não existirem no Serra, devem compor o Serrinha Paz e Amor. Mais do que o manequim de um candidato à Presidência, surgiu ali um candidato a santo.
Mas a transubstanciação - capaz, nos casos de ambos, de causar inveja nos mais puros brâmanes - será tão difícil para Serra quanto foi fácil para Lula. Falta-lhe o traquejo do sindicalista íntimo dos truques espertos para tirar vantagem. E, em cima disso, virão as provocações do ex-Lulinha posto de volta na sua personalidade, desde 2003. Às quais o Serra mais conhecido não tende a suportar.
Não se sabe o que será da candidatura Ciro Gomes. Cabe então a Marina Silva a solidão de depositária, na campanha que se vislumbra, da sinceridade pessoal e política, e da autenticidade de propósitos. Inclusive os de paz e amor. Qualidades pessoais e políticas que valem cada vez menos nas disputas de sucessão presidencial.

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Outro você
O GLOBO - 04/04/10


Me dizem que rola um texto na Internet com minha assinatura baixando o pau no Big Brother Brasil. Não fui eu que escrevi. Não poderia escrever nada sobre o Big Brother Brasil, a favor ou contra, porque sou um dos três ou quatro brasileiros que nunca o acompanharam. O pouco que vi do programa, de passagem, zapeando entre canais, só me deixou perplexo: o que, afinal, atraía tanto as pessoas – além do voyeurismo natural da espécie – numa jaula de gente em exibição? Falha minha, sem dúvida. Se prestasse mais atenção talvez descobrisse o valor sociológico que, como já ouvi dizerem, redime o programa e explica seu fascínio. Pode ser. Os “Big Brothers” e similares fazem sucesso no mundo todo. Provavelmente eu e os outros três ou quatro resistentes apenas não pegamos o espírito 
da coisa.
Também me dizem que, além de textos meus que nunca escrevi (como textos igualmente apócrifos do Jabor, da Martha Medeiros e até do Jorge Luis Borges) agora também frequento a Internet com um “tweeter”. Aviso: não tenho tuiter, não recebo tuiter, não sei o que é tuiter. E desautorizo qualquer frase de tuiter atribuída a mim a não ser que ela seja absolutamente genial. Brincadeira, mas já fui obrigado a aceitar a autoria de mais de um texto apócrifo (e agradecer o elogio) para não causar desgosto, ou até revolta. Como a daquela senhora que reagiu com indignação quando eu inventei de dizer que um texto que ela lera não era meu:

– É sim.
– Não, eu acho que...
– É sim senhor!

Concordei que era, para não apanhar. O curioso, e o assustador, é que, em textos de outros com sua assinatura e em tuiters falsos, você passa a ter uma vida paralela dentro das fronteiras infinitas da Internet. É outro você, um fantasma eletrônico com opiniões próprias, muitas vezes antagônicas, sobre o qual você não tem nenhum controle.

– Olha, adorei o que você escreveu sobre o Big Brother. É isso aí!
– Não fui eu que...
– Foi sim! 

CLÁUDIO HUMBERTO

“Eu fiquei triste porque não ganhei do Alckmin no primeiro turno”
PRESIDENTE LULA, QUE APÓS SETE ANOS DE GOVERNO ENCONTROU A HUMILDADE

SAÚDE INDÍGENA: NEGÓCIO MILIONÁRIO PARA ONGS
A medida provisória, do presidente Lula, que transfere da Funasa para uma nova secretaria do Ministério da Saúde o atendimento à saúde dos indígenas, foi uma exigência de um grupo de 61 ONGs (organizações não-governamentais) controladas por petistas. Essas ONGs foram excluídas da Funasa após aplicarem um “tombo” de R$ 45 milhões de recursos públicos de cuja aplicação não prestaram contas.

OLHO NA GRANA
As ONGs petistas, que perseguem dinheiro público, estão de olho no orçamento anual de R$ 400 milhões para atenção à saúde indígena.

ONGS NO CÉU
Além do gordo orçamento, as ONGs receberão uma grande estrutura, com 690 veículos, aviões, 26 casas de apoio e muitos cargos.

TERRITÓRIO OCUPADO
As ONGs “indigenistas” queriam a nova secretaria para o PT porque tanto o Ministério da Saúde quanto a Funasa são territórios do PMDB. 

OLHO, TEMPORÃO 
O médico Antonio Alves, que não tira da cabeça o sonho de ser ministro da Saúde, foi escolhido pelo PT para chefiar a nova secretaria.

TESTEMUNHO DE LULA PODE RESULTAR EM PERJÚRIO
No processo do mensalão do PT, ex-ministro José Dirceu arrolou Lula como testemunha de defesa e elaborou um questionário, que, respondido como ele deseja, pode resultar em acusação de perjúrio para o próprio presidente ou o vice José Alencar. É sobre uma reunião, com presença dos dois, segundo testemunho de Alencar, para discutir a partilha de dinheiro entre PT e PL (na época, o partido do 
vice).

SINUCA DE BICO
Se Lula negar que ele e Dirceu se reuniram com o PL, Alencar pode ser acusado de mentir à Justiça. Se confirmar, Lula corre risco de perjúrio.

ESTE É O PMDB
A deputada distrital Eurides Brito, filmada metendo maços de dinheiro na bolsa, agora preside o PMDB Mulher, no Distrito Federal.

DEZ DE CADA
Tem gente propondo, na FAB, uma solução salomônica para a compra dos aviões-caça: doze Rafale, doze Gripen e outros doze F-18 dos EUA. 

NEGÓCIO SECRETO 
Os helicópteros russos de combate Mi-35, que estão parados porque ninguém sabe operá-los, foram adquiridos quase secretamente pelo Ministério da Defesa. Ninguém deu palpite, nem mesmo a FAB. Hum...

OB PROTEÇÃO 
Seu nome os investigadores não revelam, mas o pernambucano que andou fazendo gravações no Rio, ao estilo de Durval Barbosa, está sob escolta no interior de São Paulo após receber ameaças de morte.

HORA DO RUSH
A diretora da Anac, Solange Vieira, e três assessores viajam terça-feira para dez dias na China e Coréia do Sul, “conhecendo a infraestrutura aeroportuária”. A nossa está muito mais perto. E sai mais barato. 

BENEFÍCIOS PARA JUÍZES
O ministro Carlos Ayres Brito transferiu para o pleno do Supremo Tribunal Federal a decisão de suspender a Lei 5.535, do governo do Rio, beneficiando juízes com auxílio-moradia, saúde, diárias, etc.

DOIS VOTOS CONTRA
Dois desembargadores do órgão especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro votaram contra o projeto beneficiando juízes, aprovado pelos deputados estaduais: Marcus Faver e Bernardo Garcez Neto. 

IMPASSE NO LARGO DO PARI
A Procuradoria da República faz corpo mole no caso do Largo do Pari, comércio popular de 4.500 bancas em São Paulo. O local é da Rede Ferroviária e há 13 anos era controlado pela GSA Serviços, acusada de improbidade e má gestão. O contrato acabou, e a GSA não arreda pé.

CABEÇA VAZIA
O presidente da Infraero, Murilo Marques, reduziu o vocabulário à expressão “vou cortar cabeças”. Ele ameaça servidores que criticam a paralisia da estatal, em vez de visitar aeroportos e ver quem tem razão.

MINHA CASA HI-TECH 
Depois da desculpa de Lula dos “azulejos a gosto”, o programa Minha Casa, Minha Vida ainda vai entregar casa sem teto. O “feliz comprador” terá vantagem: afinal, esse teto espanta o calor e dispensa lâmpada. 

MÚSICA DO PAC 
Com licença do autor, o poeta Vinícius de Moraes, eis a nova versão: “Era uma casa muito engraçada, não tinha azulejo, não tinha nada”. 

PODER SEM PUDOR
OPS, FOI ENGANO 
Deputado, José Serra visitava Washington, em 1991, e foi jantar na casa do embaixador Marcílio Marques Moreira. Uma empregada o atendeu, colocou-o na sala de espera, mas avisou: o embaixador estava fora e a embaixatriz jogava tênis. Ele estranhou, mas resolveu esperar. Fez alguns telefonemas por conta da casa e ficou um tempão apreciando livros sobre a América Latina. Só depois de muito tempo caiu a ficha: ele estava na casa errada, da embaixada da Bolívia, vizinha à do Brasil. Saiu de fininho, na ponta dos pés.