domingo, outubro 04, 2009

MERVAL PEREIRA

Estados 'mínimos' e 'máximos'

O GLOBO - 04/10/09


A discussão sobre o papel do Estado no desenvolvimento do país — ressuscitada pelo governo Lula como maneira de rebater as críticas ao gasto público crescente e à tendência estatizante do governo, exacerbada neste segundo mandato — é na verdade uma tentativa de impor uma linha ao debate político, e levar a oposição ao córner na campanha eleitoral.

O governo se coloca como “nacionalista” e “patriota”, e os que são contra a maneira como está enfrentando a crise seriam genericamente “entreguistas” defensores do “estado mínimo” e contra os pobres.

Com supostas medidas anticíclicas, o governo fortaleceu o mercado interno e possibilitou que os pobres ajudassem o país a sair da crise econômica internacional mais rapidamente, na definição do próprio presidente Lula.

Para a ministra Dilma Rousseff, candidata oficial à sucessão presidencial, a tese do “estado mínimo” é própria de “tupiniquins”e está “falida”.

Os que acusam o governo de estar colocando em risco o equilíbrio fiscal com seus gastos crescentes, segundo o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, estariam pura e simplesmente fazendo “terrorismo”, com o objetivo de forçar uma subida de juros.

O fato concreto é que o mercado financeiro já está aumentando os juros futuros por conta do desarranjo fiscal que está sendo montado pelo governo, e o próprio Banco Central já fez advertências sobre os riscos do desequilíbrio das contas públicas.

Nada indica, porém, que existam sinais a curto e médio prazo de que a inflação será pressionada. Na opinião de analistas das mais variadas tendências, a “herança maldita” dos gastos públicos excessivos só será cobrada do futuro governo, que terá que assumir uma série de “maldades” para reequilibrar as contas públicas.

A previsão de subida dos juros não estaria acontecendo por conta dessa sinalização de longo prazo, mas teria sido impulsionada agora pela maquiagem que o governo foi obrigado a fazer por conta da queda acentuada da receita.

Além de receber dividendos das estatais em nível muito acima do normal, o governo ainda teve que contabilizar como receita os depósitos judiciais.

Quanto às chamadas “políticas anticíclicas” do governo, e a participação dos mais pobres no fortalecimento do mercado interno “salvando o capitalismo” na definição de Lula, uma análise detalhada dos gastos governamentais mostra que a distância entre o discurso e a prática é grande.

O economista José Roberto Afonso, em recente palestra em seminário promovido pela Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), demonstrou que a maior parte dos gastos do governo acabou favorecendo a classe média ou os mais ricos.

Com base em uma análise da MB consultoria, de José Roberto Mendonça de Barros, constata-se que do incremento de renda familiar estimado para 2009, num total de R$ 56,2 bilhões, equivalente a 1,6% do PIB, 49,7% foram provenientes do governo federal, sendo assim distribuídos: 30% funcionalismo federal; 18% benefícios ligados ao salário-mínimo (pensões, seguros); 1% transferência de renda para pobres (Bolsa Família).

Como, segundo estudo do Ipea, o serviço público é concentrador de rendas, a maior parte dos recursos liberados pelo governo como parte da estratégia de combate à crise foi para os de renda mais alta.

Além do mais, a decisão de aumentar o funcionalismo público fora tomada antes mesmo da crise, o que a descaracteriza como medida anticíclica.

O mesmo fenômeno se verifica quando se analisa a política de renúncia de receita prevista para este ano.

Dos R$ 13,6 bi, equivalentes a 0,4% PIB, cerca de 45% foram dedicados às vendas de automóveis, com a redução a zero do IPI.

De acordo com pesquisas de consumo familiar, o décimo mais pobre da população (com rendimentos até dois salários mínimos) gasta 1,6% em compra de veículos, enquanto o décimo mais rico (mais de 30 salários mínimos) gasta 8,2%.

A política governamental de redução de IPI, que fez bater recordes de venda de automóveis, beneficiou mais, portanto, os de maior renda.

Uma comparação com países que usaram a força do Estado para a recuperação da crise financeira mostra que, apesar de o conceito de atuação estatal ser o mesmo, a estratégia é completamente diferente.

Nos Estados Unidos, os gastos governamentais têm um objetivo claro: estimular mudanças estruturais. O melhor exemplo é a luta do presidente Barack Obama na implantação de um sistema de saúde que atinja toda a população, uma medida tão arrojada como se aqui o governo resolvesse reformar a Previdência Social.

Também a inovação científica está sendo estimulada, especialmente pesquisas sobre combustíveis alternativos, para reduzir a dependência do petróleo.

Na China, uma das principais obras de infraestrutura é a construção de uma rede de metrô que pretende tornar-se maior que a dos Estados Unidos a médio prazo.

É a idéia de oferecer transporte coletivo à imensa população chinesa, para reduzir a dependência do petróleo e a poluição atmosférica.

No Brasil, o governo comemorou a pré-existência do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como um sinal de que já tínhamos um programa de investimentos em obras de infraestrutura para fazer face à crise econômica.

Mas a maior parte do programa, que já foi o carro-chefe da candidatura da ministra Dilma Rousseff, apelidada pelo presidente de “mãe do PAC”, não consegue sair do papel, por problemas burocráticos e de gestão.

Ao mesmo tempo, passamos a priorizar a exploração do petróleo sem uma contrapartida para pesquisas de combustíveis alternativos, que é um dos nossos fortes. É o “estado máximo” mostrando sua ineficiência.

GOSTOSAS

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FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Petróleo novamente

O ESTADO DE SÃO PAULO - 04/10/09


Pela terceira vez escrevo nesta coluna sobre a questão do petróleo. Não é para menos: trata-se de recurso fundamental que de riqueza virtual pode tornar-se uma das molas de nosso desenvolvimento futuro.
A chamada Lei do Petróleo, de 1997, preservou o monopólio da União sobre o subsolo, mas autorizou a concessão da exploração, da distribuição, do refino e do transporte do petróleo e seus derivados a empresas privadas, além da Petrobrás, que antes detinha a exclusividade das operações nessas áreas. Para regular o setor criou-se a Agência Nacional do Petróleo (ANP). No mesmo arcabouço aparece o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão de assessoramento da Presidência da República. Esse marco institucional, o governo determina o ritmo da abertura de novas áreas de exploração. Outro aspecto importante da legislação atual é a existência de critérios que, nos leilões, favorecem as empresas que se comprometem a comprar produtos nacionais para os projetos de exploração.
É muito bem-sucedida a experiência de mais de dez anos de funcionamento desse modelo. Em 1993 produzíamos 693 mil barris de petróleo por dia; em 2002 alcançamos 1,5 milhão de barris; em 2009 atingimos 2 milhões de barris. O maior salto na produção se deu entre 1997 e 2002. Os recursos obtidos pela União foram substanciais e muito maiores do que os dividendos distribuídos aos acionistas privados. A União recebeu em 1999, como pagamento de bônus de assinatura, royalties ou participações especiais, cerca de R$ 2 bilhões. Em 2007 foram mais de R$ 17 bilhões, a maior parte deles decorrente de participações especiais, passíveis de ser aumentadas por um simples decreto.
Então, por que mudar o regime agora? O tema de fato requer discussão, dado o novo balanço de riscos presumíveis (menores) e receitas esperadas (maiores) que o pré-sal apresenta.
Há um ponto a respeito do qual parece haver convergência: sendo vultosa a renda adicional a ser gerada pela exploração do pré-sal, grande parte dela em dólar, é prudente criar-se um Fundo Soberano. Isso para minimizar dois efeitos negativos: um gasto indiscriminado que impedisse as gerações futuras de se beneficiarem dos frutos de uma riqueza natural comum e uma valorização enorme do real, em detrimento da competitividade de nossa economia, em geral, e da indústria e das exportações, afora o petróleo, em particular.
O melhor é fazer no Brasil algo nos moldes do que faz a Noruega, com o seu Fundo Soberano. Aqui, por que não deixar sua gestão em mãos do Tesouro Nacional e do Banco Central, que possuem equipes altamente especializadas, sob a supervisão de um pequeno grupo de pessoas designadas pelo presidente e aprovadas pelo Senado, que prestassem contas anuais ao Congresso e ao Tribunal de Contas da União (TCU)? A legislação relativa ao fundo poderia prever a destinação de suas receitas financeiras à área da educação, em especial a pesquisas para o avanço científico e tecnológico, particularmente em energias limpas e tecnologias poupadoras de gás carbônico.
Não é por aí, porém, que vai o projeto do governo. Para a gestão do fundo a proposta cria um conselho com pessoas nomeadas pelo presidente da República. Submetido ao Executivo, sem regras claras, o fundo poderá aplicar seus recursos em ativos no Brasil ou no exterior, recursos que poderão acabar por alimentar os orçamentos anuais e plurianuais da União, o que abre espaço à ingerência política na sua destinação. Não é esse, seguramente, o modelo norueguês.
O risco maior de politização, todavia, está na criação de uma nova empresa estatal, a Petro-Sal, diretamente subordinada ao Ministério de Minas e Energia. Será o Ministério que indicará ao Conselho Nacional de Política Energética as áreas nas quais se aplicará o regime de partilha (mesmo fora do pré-sal). Será o Ministério também que indicará a direção executiva da nova empresa. À Petro-Sal caberá a presidência do comitê gestor que supervisionará cada projeto de exploração, sob o regime de partilha. Em suma, o novo arranjo reduz ao mínimo o papel da ANP, cria uma outra estatal, sem que se saiba de onde virá a sua competência técnica, e dá muitos poderes ao Ministério de Minas e Energia.
À Petrobrás são reservados 30% de participação mínima obrigatória em qualquer consórcio, bem como o status de operadora única dos campos do pré-sal. Com isso se força a empresa a fazer investimentos que podem não lhe convir (uma das razões pelas quais a União busca tortuosamente capitalizá-la), fecha-se o espaço à maior participação privada e ampliam-se os incentivos a relações privilegiadas entre fornecedores e a estatal.
E a partilha? Como os custos de operação serão ressarcidos pelo governo, não afetando o lucro operacional das empresas, que dependerá exclusivamente do volume da produção e do preço do barril in natura comprado pelo governo, haverá menor incentivo à eficiência nos projetos de exploração. Haverá ainda, na melhor hipótese, uma tensão permanente entre o comitê gestor dos projetos, de um lado, interessado no menor custo de produção possível, e as empresas (inclusive a Petrobrás), de outro, não necessariamente interessadas. Ainda assim, admitindo que a partilha resulte em maior renda para o Tesouro, o que ainda não ficou provado, resta o problema da comercialização dos barris in natura pelo governo, mais um ponto de potenciais imbróglios político-empresariais.
Conclusão: sobram aspectos pouco claros no projeto, sobretudo quanto às suas consequências, e falta ainda debate profundo e prolongado para que possamos aprovar, com convicção e tranquilidade, uma lei que pretende alterar um regime de exploração até hoje vitorioso. É preciso discutir mais e melhor, no Congresso e na sociedade.

ELIO GASPARI

Um calote cruel, vindo da nata da elite

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/10/09



300 maganos receberam US$ 60 milhões da Viúva e decidiram ficar no exterior depois de concluir seus doutorados


ESTÁ SAINDO a preço de custo a malandragem de 300 professores que receberam bolsas do CNPq e da Capes para cursar doutorado no exterior e calotearam o governo. Cada um deles custou US$ 200 mil e viajou com o compromisso de retornar ao Brasil. Não voltaram nem devolveram o dinheiro. Um golpe de US$ 60 milhões.
A cada seis meses o CNPq, a Capes e o Tribunal de Contas chamam a atenção para esses casos, mas o assunto sai da agenda. Trata-se de uma chaga para a comunidade acadêmica brasileira, envolvendo a nata da elite intelectual do país. O grupo de espertalhões não chega a 4% dos beneficiados pelos programas de estímulo à pesquisa e, na maioria dos casos, essas bolsas foram concedidas antes de 1998.
Alguns doutores não retornaram por falta de empregos decentes por cá. Tudo bem. Bastaria ressarcir a Viúva. O CNPq oferece o parcelamento da dívida em até 60 meses, e esse acordo foi aceito por dezenas de ex-bolsistas, menos pelos 300 caloteiros.
Sugestão: o CNPq e a Capes poderiam colocar na internet e lista dos doutores condenados pelo Tribunal de Contas. Mais: abrindo-se um inquérito, a
Polícia Federal poderia mandar um ofício à universidade que hospedou cada um deles, comunicando que está atrás do magano.

A DIPLOMACIA DAS CANHONEIRAS DE 1894

Está nas livrarias "Comércio e Canhoneiras Brasil e Estados Unidos na Era dos Impérios (1889-1897)", do professor americano Steven Topik. É uma obra excepcional. Ele conta uma história de interesses comerciais e picaretagens internacionais que começou com uma rebeldia naval na baía de Guanabara e transformou-se no primeiro êxito do imperialismo das canhoneiras americanas sobre as potências europeias.
Durante a Revolta da Armada (1893-1894), a Marinha dos Estados Unidos manteve nas águas do Rio de Janeiro um terço de sua frota, ou cinco sextos de sua força do Atlântico Sul. Os americanos eram neutros a favor do marechal Floriano Peixoto, o primeiro ditador da República. Os europeus e a banca, neutros contra. Prevaleceu o almirante Andrew Benham, que detonou o bloqueio da baía imposto pelos rebeldes e, com quase toda a certeza, convenceu Floriano a convocar eleições. (Suas mensagens continuam codificadas.)
Topik mostra um cenário surpreendente para quem vive conformado com a teoria da estagnação brasileira ao fim do século 19: Pindorama tinha a nona rede ferroviária do mundo, superada só pela Índia entre os subdesenvolvidos e, dentre eles, só perdia para a Argentina como captador de investimentos estrangeiros. Seus papéis tinham uma taxa de risco inferior às de muitas nações europeias.
Floriano sai do livro tão nacionalista quanto se acredita que foi e menos férreo do que fizeram crer seus áulicos. Em vez de receber a ajuda estrangeira "a bala", aceitou a mão americana e gastou milhões de dólares armando uma frota de mercenários. Seu principal agente embolsou (como de hábito) uma boa comissão na compra dos armamentos. O livro de Topik traz de volta um interessante personagem. É o magnata americano Charles Flint, que organizou a armada governista. Ele era sócio da companhia que controlava o jornal "The New York Times" e da empresa que mais tarde viria a se chamar IBM.
Como acontece com as grandes obras sobre a história do Brasil, "Comércio e Canhoneiras" mostra que ela é bela e rica, desde que seja contada direito.
P.S.: Está solto pelo menos um maluco que sustenta a teoria segundo a qual há na história do Brasil personagens que mudam de nome, mas são a mesma pessoa. Por exemplo: Diogo Feijó, Floriano Peixoto e Ernesto Geisel. (Geisel admitiu essa possibilidade. Feijó e Floriano não puderam ser consultados.)

EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota e alistou-se nas brigadas internacionais de combate ao bolivarianismo. (Ele não sabe o que isso quer dizer, mas também não conhece quem saiba.) O idiota entende que são bolivarianos os presidentes Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa. Todos mexeram na Constituição para prorrogar suas permanências no poder, ad referendum de resultados eleitorais.
Ensinaram-lhe que jamais foram bolivarianos os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem, que também mudaram as Constituições de seus países para buscar a reeleição. Por algum motivo, o colombiano Álvaro Uribe, que, pela segunda vez, está fazendo a mesma coisa, também não é bolivariano.
Eremildo é um idiota feliz, mas teme ser internado por conta da última ideia que lhe passou pela cabeça: o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, seria um bolivariano ao defender a mudança da lei da cidade para buscar o direito de disputar o terceiro mandato.

TRAPALHADAS
O governador José Serra, candidato a presidente da República, classificou de "tremenda trapalhada" a ação do Itamaraty no caso do abrigo concedido ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. Como diz o doutor Marco Aurélio Garcia: uma pessoa bateu à porta da embaixada brasileira e a porta se abriu. Serra deixou de lado as "minúcias" e esqueceu-se da mãe de todas as trapalhadas: o golpe hondurenho. Logo ele, que teve sua integridade física ameaçada por dois golpes e garantida pelos institutos do direito de asilo e da imunidade diplomática, no Brasil, em 1964, e no Chile, em 1973.

LULA E CUBA
Nosso Guia fez muito bem ao encarar os golpistas hondurenhos, mas pode fazer mais. Como em 2007 sua
Polícia Federal deportou dois boxeadores que tentaram fugir de Cuba, bem que ele poderia dar uma palavrinha ao companheiro Raúl Castro para permitir que a escritora Yoani Sánchez venha ao Brasil para o lançamento de seu livro "De Cuba com carinho". O blog da moça, "Generación Y", é uma das poucas luzes livres da ilha. Cuba vive no regime do sambista Moreira da Silva: "Quem está fora não entra, quem está dentro não sai". (Como diria o comissário Tarso Genro, os dois pugilistas voltaram para Cuba porque quiseram. Pois é. Sem a Polícia Federal a aconselhá-los, voltaram a fugir.)

A CRISE
Uma brasileira viu e conta: "Às 20h do último dia 15 um cidadão estacionou seu carro na calçada da praça em frente ao Hotel Plaza, no coração de Nova York, dobrou uma nota e deslizou-a para a palma da mão de um policial devidamente fardado".

SEGURO DESASTROSO
A seguradora ACE, valendo-se de exigências da burocracia de Superintendência de Seguros Privados, está pegando pesado com algumas famílias de vítimas do desastre da Air France, ocorrido em junho. Enquanto várias seguradoras indenizaram os herdeiros de seus clientes antes mesmo do encerramento das buscas, a ACE não paga o que contratou se os familiares não apresentarem cópias do exame necroscópico (o atestado de óbito não basta, apesar do corpo ter sido identificado). Pior: pede também o Boletim de Ocorrência do desastre e uma cópia completa do inquérito policial.

OTIMISMO

CLÓVIS ROSSI

"Down there" e primeira classe

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/10/09



ESTOCOLMO - Um dia de 1997 aportei em Amsterdã para cobrir uma cúpula da União Europeia. Peguei a credencial, pendurei no peito e fui tentar entender o mapa das tendas instaladas em um parque público da cidade, que seriam o QG do encontro.
Aproxima-se um jornalista holandês, vê "Brazilie" escrito na credencial, abre o olhão e diz: "You came all the way from down there just to this?". Tradução livre: "Você veio lá do fundão do mundo para isto?". Interpretação mais livre ainda: "O que um bugre está fazendo no meio dos brancos?".
Nos 12 anos seguintes, o "Brasil" no meu peito, nas credenciais de cúpulas, passou a ser cada vez menos "down there", em Hokkaido, no Japão, e Áquila, na Itália, em Londres como em Pittsburgh.
Sou, portanto, testemunha viva da história da transformação do Brasil de "down there" para "primeira classe", como disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após "o Rio derrotar Obama", segundo a manchete de ontem do "Financial Times".
Mas, olho, nada de perder a perspectiva: os que fizeram a viagem são poucos, pouquíssimos políticos, um bom número de diplomatas e funcionários públicos graduados, um número crescente, mas ainda pequeno de empresários. É uma vanguarda que, se olhar para trás, verá que a grande massa ainda come poeira "down there".
PS - A partir de amanhã, o titular deste espaço passa a ser Fernando de Barros e Silva, que já o ocupava às segundas-feiras e editava o caderno Brasil. Mas não se entusiasme muito porque eu continuarei aparecendo por aqui aos domingos e quintas-feiras, além de inaugurar uma coluna, aos sábados, no caderno Mundo, o meu habitat predileto desde criancinha (literalmente).
Não por acaso, chama-se "Janela para o Mundo" a coluna eletrônica que assino na Folha Online nos demais dias da semana

PAINEL DA FOLHA

Onde pega

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/10/09

Líderes governistas concentram sua preocupação num ponto do projeto que estabelece o sistema de partilha para a exploração do petróleo do pré-sal: a constitucionalidade da norma que garante à Petrobras o status de operadora única dos campos. Mesmo na base aliada não há consenso sobre o assunto. A pressão das empresas petroleiras privadas é enorme.
Na tentativa de dar aos deputados argumentos para votar a favor do texto tal como está, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, irá na terça à comissão especial que discute o marco regulatório acompanhado pela assessoria jurídica da empresa. Na quarta será a vez de a AGU, que ajudou a estudar o tema e formatar o modelo adotado, comparecer à comissão.


Prazo
. O relator do projeto sobre o sistema de partilha, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pretende entregar seu texto no próximo dia 22, para que haja tempo de discuti-lo e levá-lo ao plenário entre 2 e 10 de novembro.

Santo remédio. De um auxiliar de Lula, sobre a escolha do Rio para abrigar a Olimpíada de 2016: "Esse negócio vai acabar com o bico do Sérgio Cabral por causa dos royalties do pré-sal".

A boa filha... Na semana em que Lula enquadrou Ciro Gomes, levando o deputado a transferir o domicílio eleitoral para São Paulo, Dilma lançou ofensiva para cortejar o PDT, que vinha se oferecendo para ocupar o posto de vice numa chapa presidencial ancorada por Ciro. Sexta, em passagem pelo Rio, a pré-candidata do PT aproveitou para tomar café da manhã com a base governista na Assembleia acompanhada do ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

... à casa torna. E nesta semana Dilma, ex-pedetista, jantará com os deputados federais do partido, de novo escoltada por Lupi. O ministro era o nome que vinha sendo cogitado para vice de Ciro.

Time. Em Ribeirão Preto, Gilberto Kassab (DEM) referiu-se a Aloysio Nunes Ferreira como candidato a governador. A vaga é cobiçada tanto pelo chefe da Casa Civil quanto por Geraldo Alckmin, desafeto do prefeito paulistano.

Em aberto. Enquanto uma das vagas do campo demotucano na eleição para o Senado por São Paulo já é de Orestes Quércia (PMDB), a outra ainda será objeto de muito debate. Hoje, um nome que frequenta a bolsa de apostas é o do secretário da Educação, Paulo Renato (PSDB).

Carimbado. Quem acompanha o processo sucessório na Advocacia Geral da União avalia que a cotação de Luís Inácio Adams, atual procurador-geral da Fazenda Nacional, caiu devido à sua proximidade com o ministro Guido Mantega. Lula estaria inclinado a colocar no posto alguém ligado diretamente a ele.

Por fora. Com a dúvida sobre Adams, no entorno do presidente ganha força o nome de Sérgio Renault, o preferido do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.

Atestado. Causou espécie a insistência de deputados enviados a Tegucigalpa em tirar fotos ao lado do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. Na embaixada brasileira, suspeita-se que elas serão usadas na campanha como prova de "compromisso com a democracia".

Rombo 1. Os técnicos do PSDB estimam que deverá custar R$ 800 milhões por ano aos cofres da União a onda de federalização de funcionários dos ex-territórios. Só com os de Rondônia, o gasto mensal será de R$ 40 milhões.

Rombo 2. A federalização dos servidores de Rondônia aguarda votação em segundo turno na Câmara. No primeiro, só três deputados foram contra. Apesar de a ideia arrepiar os caciques tucanos, o líder José Aníbal (SP), rondoniense, votou a favor.
com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Tiroteio

"Ninguém é obrigado a assinar. Mas retirar assinatura é falta de caráter. Vamos mostrar a cara desses sujeitos que têm voto do produtor rural e traíram suas bases."
Do deputado ABELARDO LUPION (DEM-PR), sobre a manobra governista para retirar assinaturas do requerimento da CPI do MST.


Contraponto

Percepções

Senador da base aliada almoçava com jornalista dias atrás em restaurante de Brasília. Frequentador do local, ele foi abordado pelo garçom em tom familiar:
-Ô, senador, nós temos de fazer o novo presidente, hein? O Lula tem de fazer o novo presidente!
-Claro! Vamos eleger a Dilma. Pode deixar.
-Essa Dilma não, senador. Eu acho que o Ciro Gomes é melhor do que ela.
-Mas por quê? A Dilma é muito boa!
-Ah, ela é muito diferente do Lula, senador! Essa Dilma é daquelas que só viram rio cheio na vida. Ela não sabe o que é um rio vazio.

GOSTOSA


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JOÃO UBALDO RIBEIRO

De bem a pior


O GLOBO - 04/10/09


Diante do portão ainda fechado, olho por entre as grades do edifício e avalio a rua. Poucos passantes, alguns porteiros varrendo a calçada, tudo indica que o temido encontro será evitado novamente. Tem dado um pouco de trabalho, mas venho conseguindo driblá-la com eficácia e faz tempos que não a vejo. Bem verdade que, paradoxalmente, tenho uma certa saudade dela, mas sou obrigado a reconhecer que fico aliviado por não vê-la, é melhor assim. Inspeção concluída, tomo coragem e saio andando em direção à banca de jornal, aonde chego sem problemas e da qual volto devagar, espiando distraidamente as manchetes e sem suspeitar do que me espera, depois de dobrar a esquina de minha rua.

– Ah-ha! – soa uma voz feminina enquanto recebo um puxão na manga da camisa e logo concluo que desta vez não consegui escapar, é ela novamente. – Andava se escondendo, hein?

– Me escondendo? Não, claro que não. Por que eu haveria de me esconder?

– Porque não está cumprindo sua obrigação, é por isso! Eu confesso que não esperava isso de você, mas fato é fato, e o fato é que você não está cumprindo sua obrigação.

– Não entendi, não sei de obrigação nenhuma que eu não esteja cumprindo.

– Sua obrigação de descer o cacete nessa corja, é essa a obrigação que você não está cumprindo.

– Bem, eu não acho que tenho essa obrigação. Além disso, o sujeito cansa de dar murro em ponta de faca sozinho. A impressão que eu tenho, pela leitura de jornais, é que está todo mundo satisfeito, com uma exceçãozinha aqui ou ali.

– Está todo mundo o quê? Satisfeito? Satisfeito com quê, com o governo? Eu pergunto a você: qual é a grande realização desse governo, além de uma Legião Brasileira de Assistência turbinada, qual é? O que é que mudou?

– Bem, assim de cabeça é difícil lembrar.

– Então eu ajudo, vamos lá. Mudou a educação? O ensino público está uma beleza, o povo está cada vez mais educado, os professores são bem pagos, fizeram uma grande reforma, não foi?

– Eu sei que não é bem assim, mas...

– Mas nada, não tem “mas” nenhum nessa conversa, é tudo um horror mesmo e, quando acham um colégio melhorzinho, dá reportagem no Fantástico, é caso de comemoração. E saúde, a saúde vai bem, não vai? Todo mundo atendido, não tem mais esse negócio de dormir na fila ou esperar meses por uma consulta, tem?

– Você está sendo irônica, eu...

– Segurança, tem segurança? Onde é que você está seguro? Dentro de casa, não está seguro. Na rua, não está seguro. No ônibus, não está seguro. No restaurante, não está seguro. No hospital, não está seguro. Nem numa delegacia ou num quartel, porque vão lá e jogam uma bomba! Onde é que não assaltam e, se quiserem, torturam e matam, me conte, onde é? A polícia já aconselha a não sair com documentos, fazer o que o assaltante manda e assim por diante. Agora eu estou esperando que também aconselhem a gente a manter em casa um lanchinho para agradar os assaltantes. Melhor ainda, um brunch, que é mais chique e mais moderno. Uns drinquezinhos, uns brioches, tudo para os assaltantes não se aborrecerem. No futuro vão aparecer manuais e matérias de jornal com cardápios especiais para esse caso.

– Taí, você falou em futuro e me lembrou. Tem o pré-sal também.

– Tem, tem. Ninguém sabe direito se vai dar para extrair esse petróleo e, se der, como é que vai estar o petróleo daqui a dez ou quinze anos. O futuro não era o etanol, não eram as fontes de energia renováveis? Agora não é mais, é o petróleo mesmo, não é? Tão certo quanto as eleições que vêm aí.

– Você não está sendo um pouquinho pessimista, não? As próprias eleições são uma esperança.

– São, são. Esperança de que entrem ladrões novos, para substituir os velhos, isso é importante, é sempre interessante observar as gerações mais jovens se firmando. E os métodos de roubar com certeza vão mudar também, nada de saudosismo, vamos aos novos paradigmas da corrupção, o Brasil não pode ficar para trás.

– Olhe aí, você trouxe outra coisa à baila, o Brasil hoje é outro, no panorama internacional.

– É, eu sei, é o país dos barbudinhos exóticos, os gringos gostam muito, se divertem bastante. E ainda nos empurram os bagulhos deles.

– Que é isso, também não é assim.

– Eu sei, é pior. Agora, com a embaixada brasileira em Honduras transformada em quartel-general da cucarachada, com essa cafajestada diplomática toda, está uma beleza, somos alvo do respeito universal, não é, não? E os gringos também acreditam nesse papo de que “não sei de nada”, “não ouvi nada” etc. e tal.

– É, já vi que você hoje está mesmo com toda a corda.

– Ao contrário de certos escritores que eu conheço. E já que, ao que parece, você também está achando tudo ótimo, pelo menos ponha na sua coluna um título que seja fiel à situação do Brasil de hoje. Eu lhe ofereço um de graça. Que tal “de bem a pior”?

LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

A revanche das luas


O GLOBO - 04/10/09

No seu livro Longitude Dava Sobel narra a competição havida no século dezoito para a criação de um método confiável de medir a longitude. A questão era tão importante para a navegação em alto-mar, e portanto para a marinha de guerra e o comércio marítimo da Inglaterra, que o parlamento britânico estabeleceu um grande prêmio em dinheiro para quem encontrasse a solução. Toda a pesquisa nesse sentido foi feita por astrônomos, que buscavam na relação das luas da Terra e de Júpiter com o Sol e com certas estrelas guias as coordenadas que definiriam a longitude, e alguns dos seus métodos tiveram sucesso. Mas quem afinal encontrou a solução definitiva foi um relojoeiro chamado John Harrison, inventor de um mecanismo que, mantendo o horário do porto de partida para ser comparado ao horário de bordo, dava a localização da embarcação, com oscilações mínimas devido ao movimento do mar ou às variações de temperatura. Com a vantagem adicional de continuar funcionando quando o mau tempo encobria as luas, as estrelas e as coordenadas celestes.

Apesar de hoje ser considerado um dos grandes cientistas do seu tempo, Harrison foi boicotado pelos seus pares e sacaneado pela Royal Society, cujos membros, na sua grande maioria, preferiam a astronomia à relojoaria. E no fim, nem lhe deram o prêmio.

O que houve durante a grande competição, portanto, foi uma briga entre o céu e a terra. Entre a engrenagem dos astros e seus divinizadores e um engenho humano que dispensava a ajuda vinda de cima. Durante anos – embora, claro, a medição pelos astros continuasse sendo usada na navegação –, diferentes versões da invenção de Harrison fixaram a longitude e asseguraram a precisão do posicionamento dos barcos no mar.

Aí inventaram o GPS, que, se não me falha o Google, quer dizer Sistema Global de Posicionamento em inglês, e mostra a quem quiser saber exatamente onde está na superfície do planeta, seja na terra ou no mar. Desde que inventaram o controle remoto – ou antes, com a pasta de dente listada –, eu sou um embasbacado pela engenhosidade humana, mas acho que até hoje nada me embasbacou mais do que o GPS. Que não apenas nos mostra como nos diz onde estamos a qualquer momento – na língua que escolhermos! O GPS só é possível pela existência de satélites em órbitas estacionárias sobre nossas cabeças. E os satélites nada mais são do que pequenas luas artificiais.

É o contra-ataque do céu na velha competição. A revanche das luas.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

CLÁUDIO HUMBERTO

“Não houve fragilidade da segurança do Enem”
PRESIDENTE-RESPONSÁVEL PELA PROVA, ITANA SILVA, APÓS VAZAREM AS QUESTÕES DO ENEM

PEDOFILIA: DEPUTADO QUERIA SE CASAR COM MENINA
Cassado quinta-feira, o ex-deputado estadual Wallace Souza (PP), do Amazonas, terá de explicar – além de suspeita de assassinatos – acusações de pedofilia. O senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI da Pedofilia, decidiu convocá-lo para explicar mensagens de MSN (mensagens instantâneas), encontradas pela polícia em seu computador, propondo casamento a uma menina de apenas 13 anos.
CRIME ONLINE
A transcrição da conversa no MSN, em posse desta coluna, do ex-deputado com a menor mostra que ele a conheceu na internet.
CIUMENTO
Quando indagada por um amigo sobre a possibilidade de conhecer Souza, a menor reage com medo e avisa do ciúmes do “namorado”.
SEGURANÇA
Em uma conversa com o mesmo amigo, a menor de idade afirma que saía com o deputado Wallace Souza e seus “seguranças”.
MÃE DOS POBRES
O Brasil deu US$ 50 mil à Fundação para a Infância da república africana de Mali, presidida pela primeira-dama Touré Traoré.
COMBUSTÍVEL ‘LIMPO’ VIRA CASO DE POLÍCIA NO SUL
O engenheiro Thomas Fendel pode ir ao Supremo Tribunal Federal contra a apreensão absurda, em Santa Catarina, esta semana, de um de seus “carros limpos”. Movido a diesel e óleo de canola, o carro OV não pode circular, dizem autoridades, porque o diesel (“sujo”, derivado de petróleo) é proibido em carros pequenos. Barato e não poluente, o combustível, roda clandestinamente em centenas de veículos no País.
TIO PATINHAS
O motor de carro movido a óleo de canola é uma uma das invenções de Thomas Fendel, “tio Patinhas” paranaense de 51 anos.
LUCRO PARA TODOS
A polícia mandou retirar o motor OV e trocar por gasolina. O carro faz 20km com óleo de fritura – pequenos agricultores lucrariam produzindo.
NO PAÍS DO PRÉ-SAL
Fendel banca sozinho há 30 anos o sonho da bioenergia, no País do pré-sal distante. A Alemanha tem cem mil carros movidos a OV.
O EXEMPLO DE REBELO
Quando presidiu a Câmara, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB) trancou a PEC da Picaretagem dos Vereadores, barrando a tramitação. “Comigo, isto não passa”. O sucessor Arlindo Chinaglia (PT) tirou-a da gaveta.
DILMA QUEM?
O mar não está prá peixe para a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na Bahia. O governador Jaques Wagner (PT) já preveniu os caciques petistas que a candidata não entusiasma o eleitorado baiano.
DIFERENÇA
Enquanto a indústria automobilística do Brasil comemora recorde de vendas em setembro, nos EUA as três maiores montadoras amargam queda de até 45% nas vendas em relação ao mesmo mês em 2008.
NAS ASAS DO 51
O presidente Lula vai a Estocolmo, dia 6, para um encontro com o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt. O meio-ambiente e a crise financeira e acordos bilaterais serão discutidos.
O ROMBO DO FAT
Enquanto o governo alardeia queda no desemprego, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) acumula um rombo de R$ 7,8 bilhões. Justamente porque foi convocado a bancar o seguro desemprego.
NA ATIVIDADE
Continua ativa a boate Help, na Av. Atlântica, em Copacabana, onde o governo do Rio anunciou que instalaria um museu. O movimento caiu, mas nem tem data para ser fechada, dizem as moças de fino trato.
CAMPANHA 2010
A ministra Dilma Rousseff estava no programa Arena SporTV, do canal pago, enquanto era anunciada a vitória do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas. Aproveitou a alegria e entusiasmo para enfatizar a necessidade de “dar continuidade” ao bom trabalho do governo Lula.
A BOLSA É A VIDA
Bate a Hermès Birkin, de crocodilo e diamantes (R$ 253,4 mil), a The Urban Satchel Louis Vuitton (R$ 316,7 mil) e a Chanel Diamond Classic (R$ 551,2 mil). É a Bolsa-Família: custa-nos R$ 11 bilhões.
PENSANDO BEM...
...Zelaya não tem cabeça, só chapéu.

PODER SEM PUDOR
PROFESSOR ALOPRADO
Jânio Quadros lecionava Português e Geografia no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Era tão exigente que os cadernos dos alunos precisavam estar sempre em dia e bem cuidados. Certa vez, um estudante apresentou um caderno rabiscado e rasurado. Ele manifestou toda sua intolerância:
– Retire-se!
Embaraçado, o aluno se dirigia à porta quando Jânio foi ainda mais ríspido:
– Pela janela! O senhor não é digno de cruzar essa porta!...

DISPUTA

DOMINGO NOS JORNAIS

- Globo: Brasil já tem projeto para multiplicar ouro em 2016


- Folha: 17 milhões de brasileiros admitem ter vendido voto


- Estadão: MEC vai mudar Enem em 2010 para evitar fraudes


- JB: Jogos dobram investimentos


- Correio: Plano de saúde de 250 mil servidores corre risco

sábado, outubro 03, 2009

DALMO DE ABREU DALLARI

Constituição justifica a deposição de Zelaya

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/10/09


No Estado democrático de Direito, o respeito às normas constitucionais é absolutamente necessário, e não deverá ser tolerada qualquer tentativa de fazer o que elas proíbem, pois, muito mais do que simples aparato formal, a Constituição autêntica é o conjunto das normas fundamentais do sistema político e jurídico, e obedecê-la integralmente é requisito indispensável para que o sistema seja democrático.
Todos, governados e governantes, estão obrigados a respeitar a Constituição, ficando sujeitos à punição legalmente prevista caso pratiquem atos visando, direta ou indiretamente, introduzir emendas que a própria Constituição não admite que sejam propostas. Normalidade constitucional e normalidade democrática são inseparáveis.
Para correta avaliação do caso de Honduras, é importante procurar conhecer com objetividade os fatos que lá ocorreram recentemente, as decisões tomadas e sua conformidade com as disposições da Constituição hondurenha.
Conforme noticiou a imprensa, a Suprema Corte decidiu destituir em 28 de junho o presidente da República, Manuel Zelaya, e, depois disso, solicitou o apoio do Exército para garantir o cumprimento de sua decisão. Agindo com exagerado rigor, os militares foram à residência do presidente destituído e forçaram-no a sair de casa como estava, de pijama, colocando-o num avião que o transportou para a Costa Rica. Em seguida o Congresso Nacional empossou na Presidência da República, na condição de presidente interino, o presidente do Congresso Nacional, Roberto Micheletti.
Para avaliar a significação desses fatos, é necessário ter em conta as disposições constitucionais aplicáveis a todo esse conjunto de circunstâncias. A destituição do presidente pela Suprema Corte e a posse dada ao presidente do Congresso Nacional estão de acordo com a Constituição hondurenha?
O presidente destituído pretendia realizar naquele 28 de junho uma consulta pública sobre sua pretensão de mudar a Constituição, num sentido que abriria a possibilidade de reeleição do presidente da República. Ressalte-se que a Constituição de Honduras estabelece expressamente, no artigo 4º, que a alternância no exercício da Presidência da República é obrigatória. E, pelo disposto no artigo 239, o cidadão que tiver desempenhado a titularidade do Poder Executivo não poderá ser presidente ou vice-presidente no período imediato.
Além disso, a Constituição não se limita a estabelecer a proibição de reeleição, mas no mesmo artigo está expresso que quem contrariar essa disposição ou propuser sua reforma será imediatamente destituído de seu cargo e ficará inabilitado por dez anos para o exercício de qualquer função pública. Reforçando essa proibição, dispõe ainda a Constituição, no artigo 374, que não poderão ser reformados, em caso algum, os artigos constitucionais que se referem à proibição de ser novamente presidente.
Essa é uma cláusula pétrea da Constituição. Ainda mais, para obstar a consulta foi aprovada uma lei pelo Congresso Nacional proibindo consultas populares 180 dias antes e depois das eleições, estando estas já convocadas para o mês de novembro desde o ano passado.

Sucessão legal
Foi com base nesses dispositivos expressos da Constituição que a Suprema Corte considerou inconstitucional a consulta convocada pelo presidente da República e fez a aplicação do disposto no artigo 239, afastando-o do cargo. É importante assinalar que a Constituição de Honduras é omissa quanto ao processo de destituição de quem atentar contra ela. Só se dispõe que são da competência da Corte Superior de Justiça os processos instaurados contra o presidente da República, estando aí compreendida a possibilidade formal de destituição do cargo, prevista no artigo 239.
Quanto à entrega da Presidência ao atual presidente em exercício, Roberto Micheletti, também existe previsão constitucional. De acordo com o disposto no artigo 242, na falta do presidente e do vice-presidente da República, a chefia do Poder Executivo será exercida pelo presidente do Congresso Nacional.
Com a destituição de Zelaya ocorreu essa hipótese, pois o vice-presidente Elvin Santos já havia renunciado ao mandato em dezembro de 2008 para poder candidatar-se à Presidência da República nas eleições de novembro.
Assim, pois, é juridicamente errado qualificar o governo do presidente em exercício Roberto Micheletti como "governo de facto", pois ele assumiu o cargo com rigorosa obediência aos preceitos constitucionais. Em conclusão, foi absurda e ilegal a violência dos militares na retirada forçada de Zelaya do território de Honduras, mas é certo que naquele momento ele já não era o Presidente da República, pois havia sido destituído por decisão da Corte Suprema. E o cargo foi entregue ao sucessor legal.

DALMO DE ABREU DALLARI, 78, é professor emérito da Faculdade de Direito da USP. Foi secretário de Negócios Jurídicos do município de São Paulo (gestão Erundina).

FERNANDO RODRIGUES

Os valores do Supremo

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/10/09

BRASÍLIA - Por 42 dias, o Supremo Tribunal Federal assistiu, impassível, à Câmara dos Deputados desrespeitar uma decisão tomada por um de seus ministros.
Marco Aurélio Mello havia concedido à Folha uma liminar (decisão provisória) franqueando o acesso a notas fiscais entregues por deputados para justificar gastos com verbas indenizatórias no final de 2008. Os detalhes dessas despesas são secretos desde a sua criação, há quase uma década. Enredado em uma de suas crises cíclicas de credibilidade, o Congresso passou a mostrar as notas apenas a partir de abril deste ano. O passado ficou enterrado -junto com todas as possíveis irregularidades.
Na última quarta-feira, o STF derrubou a liminar de Marco Aurélio pelo placar de 6 a 4. A maioria considerou imprópria uma decisão provisória irreversível. Uma vez divulgadas as notas fiscais, seria inútil julgar o mérito da causa.
Foi um bom argumento a favor de um péssimo conceito. Até porque o mérito em questão é decidir se vigora no Brasil o acesso livre a informações públicas -como está expresso na Constituição. Aos olhos do STF, esse direito ainda é algo abstrato. Pior. A maioria dos magistrados não se incomodou com a humilhação de 42 dias imposta pela Câmara ao Supremo.
Coube à ministra Ellen Gracie sintetizar na quarta-feira como o acesso a informações públicas é um valor relativo naquela Corte: "É grande o número de parlamentares, deve ser grande o número de notas [fiscais]. Indago se existe razoabilidade em um pedido que não aponta qual é a investigação".
Pela curiosa lógica da ministra, que prevaleceu no STF, jornalismo no Brasil agora deve seguir duas regras. Primeiro, evitar requerer dados públicos muito numerosos. Segundo, quando pedir informação a um Poder de República, sempre explicar detalhadamente qual é a investigação em curso.

GOSTOSA

BRASÍLIA - DF

Rio-2016, gol de placa

Por Luiz Carlos Azedo
Com Guilherme Queiroz

CORREIO BRAZILIENSE - 03/10/09


A escolha do Rio de Janeiro para sede das Olimpíadas de 2016, ontem, em Copenhague, comemorada com muito choro por toda a delegação brasileira, a começar pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi mesmo um gol de placa. E empatou o contencioso do Palácio do Planalto com a antiga Guanabara por causa do pré-sal. O governador Sérgio Cabral (PMDB)e o prefeito Eduardo Paes (PMDB), que já haviam baixado a bola nas críticas ao governo, estão sinceramente gratos à atuação decisiva de Lula na apresentação da candidatura vitoriosa do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos


O discurso de Lula, aliás, foi um tremendo contraponto ao do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que entrou na disputa no último minuto do segundo tempo e fez uma apresentação burocrática. Obama se mandou do evento muito antes da votação, talvez prevendo a derrota de Chicago. A soberba do presidente dos Estados Unidos realçou o empenho da comitiva brasileira antes e durante o evento.


Dívida

Sérgio Cabral (foto) não arredará pé da posição em relação ao pré-sal, mas agora a sua aliança com Lula está mais firme do que nunca. A escolha do Rio aumentou a dependência do governo estadual e da prefeitura carioca ao Palácio do Planalto, principalmente por causa dos investimentos em transportes de massa (metrô) e segurança pública (ocupação dos morros), considerados os pontos mais críticos do projeto e que somente serão possíveis com recursos da União.


Segurança

Ao falar sobre as condições do Rio de Janeiro para receber as Olimpíadas, o governador Sérgio Cabral, além de prometer investimentos maciços na rede hoteleira, que precisa aumentar sua capacidade de 28 mil para 40 mil leitos, anunciou que pretende implantar um novo modelo de policiamento comunitário nas áreas carentes da cidade. Investirá em segurança pública mais deUS$ 3 bilhões


Valeu

O vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), vibrava, ontem, com a vitória do Rio de Janeiro na disputa pela sede das Olimpíadas de 2016. “Teve gostinho de revanche. Perdemos a disputa com Atlanta para sediar as Olimpíadas de 1996, mas o Comitê Olímpico Brasileiro acumulou experiência com a nossa tentativa de trazer os Jogos Olímpicos para Brasília. A Cidade Maravilhosa merece”, explica.


Passa bem

Governador do estado de Sergipe, Marcelo Déda (foto) foi operado ontem, às pressas, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após exames de rotina que detectaram um nódulo pancreático, retirado com sucesso pelos médicos Marcel Cerqueira César Machado e Roberto Kalil Filho.



Salve Jorge/ O governador baiano Jaques Wagner (PT) quer preservar os objetos e documentos que fazem parte do acervo da Fundação Casa de Jorge Amado. Batizado de Salve Jorge, o projeto receberá R$ 180 mil do Banco do Nordeste (BNB) para digitalizar e disponibilizar na internet documentos e originais do autor de Gabriela, cravo e canela e Tenda dos milagres.

Jornada/ Em clima de paz e amor pré-campanha, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, jantará com a bancada do PDT no Congresso Nacional, na terça-feira. Marcado na casa do deputado sindicalista Paulo Pereira da Silva (SP), o cardápio incluirá um pedido de apoio à aprovação da proposta que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais.

Baixa/ O PTB perdeu o comando da Superintendência de Seguros Privados, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda. O titular, Armando Virgílio, se filiou ao PMN de Goiás, partido da base lulista no plano federal, mas fechado com o senador oposicionista Marconi Perillo (PSDB) no plano estadual. Sem cargos no primeiro escalão, o PTB mantém agora apenas a Casa da Moeda sob sua alçada.

Capital/ O PSDB goiano arregimentou sua cota de empresários de peso para fazer frente à filiação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ao PMDB. A turma de neotucanos inclui José Batista Júnior, dono do Friboi, maior frigorífico do mundo; Carlos Alberto de Oliveira Andrade, do grupo Caoa; José Garrote, da Só Frango; e Alberto Borges, da Caramuru Alimentos.

Casquinha/ O líder do DEM na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (DEM), ontem, no Twitter, beliscava para a oposição uma parte dos louros da conquista dos Jogos Olímpicos de 2016. “O trabalho realizado pelo (ex-prefeito) César Maia possibilitou e muito ao Rio tornar-se sede das Olimpíadas de 2016”, garante.



Na rede

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes assinou acordo de cooperação com o Google Inc. para disponibilizar vídeos das sessões do STF e do Conselho Nacional de Justiça nas páginas do YouTube na internet. Será a primeira Suprema Corte no mundo a ter uma página oficial no portal.

DANUZA LEÃO

As lágrimas de Lula, Serginho e Dudu

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/10/09


A cidade parou, o Rio ganhou, a palavra emoção foi pronunciada à exaustão, e são várias as pessoas que se acham as responsáveis pela nossa vitória para sediar a Olimpíada de 2016. Afinal, quem foi o brasileiro que deu sorte à cidade?
Lula acha que foi ele, claro, mas não é o único. Temos também Serginho, o governador, e Dudu, o prefeito, todos achando que foi a emoção -olha ela aí de novo-, o coração e a garra dos brasileiros (depois das deles, claro) que contribuíram para o resultado em Copenhague. E por falar nisso, será que o prefeito e o governador não poderiam ter comprado duas passagens para não fazer o vexame de pedir o avião de um empresário emprestado? Em Brasília, se uma autoridade pega uma carona num jatinho, já dá CPI.
A comemoração pode e vai durar todo o fim de semana, claro; mas, a partir de segunda- -feira, nossos governantes têm que pensar em outra coisa além da Olimpíada. Não é porque ganhamos que vamos nos esquecer dos problemas que continuam atormentando os cariocas, como bem disseram os espanhóis, apesar de não deverem. E não são os sorrisos de felicidade dos comentaristas de televisão que vão nos fazer esquecer de nossas mazelas.
Pensem bem: a que vão se dedicar nosso governador e nosso prefeito quando chegarem ao Rio, além da Olimpíada? À reeleição, é claro, para estarem nos lugares de honra em 2016 e serem admirados pelo mundo.
Mas é um perigo o excesso de ufanismo, o excesso de nacionalismo; nenhum país foi mais nacionalista do que a Alemanha, nos anos 30.
Vamos amar nosso país, se possível até aprender a letra inteira do Hino Nacional, mas convenhamos: dizer, ao saber do resultado em Copenhague, que poderia morrer naquela hora, de tanta felicidade, foi um certo exagero. Um enorme exagero, eu diria.
E, como logo que nossas autoridades voltarem começarão os preparativos para 2016 -serão vários bilhões de investimento- e o Rio vai virar um canteiro de obras, uma séria e permanente fiscalização será fundamental para que não se repita o que aconteceu com as obras do Pan e da Cidade da Música, isto é: o orçamento triplicar. O prefeito Eduardo Paes, que é cria de Cesar Maia, deve se lembrar disso.
O Rio ganhou, estamos todos felizes, tendo um novo Carnaval em outubro, ano que vem tem Copa do Mundo, eleições, o país não poderia estar mais animado; mas chega de tanta emoção -está aí a emoção de novo- e de tantas lágrimas. É muito bom ganhar, mas é bom lembrar que se trata apenas de uma Olimpíada.
E lembrar que, depois da Olimpíada, a vida continua.

GOSTOSA


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ARI CUNHA

Otimismo e alegria


CORREIO BRAZILIENSE - 03/10/09



Havíamos previsto que dois eventos seriam muito para o Brasil. Mas nosso país, empurrado por Lula da Silva, nos leva para frente. Vamos nos ungir de novos tempos. O Brasil roda o mundo. Fomos os primeiros a sair da crise, e os primeiros no reconhecimento universal. Agora é arregaçar as mangas, e o povo que se una no país. Rio venceu, e era o desejo de todos nós. Navios servirão de hotéis e receberão visitantes com mais acesso aos acontecimentos esportivos. O Brasil está vivendo alegria inusitada. Abracemo-nos para novos dias. O país passa à liderança que sempre almejou . Teremos esportistas com todo ânimo na vitória do país. Aos jovens, a palavra de ânimo. O mundo escolheu o Rio como sede do esporte. O Cristo Redentor abre os braços.


A frase que não foi pronunciada

“A língua resiste porque é mole; os dentes cedem porque são duros.”
» Conversa na coxia política




Alimentação

»
PEC que pode incluir a alimentação como direito social está nas mãos do deputado Marco Maia, que preside a Câmara interinamente. Se aprovada, a proposta de emenda à Constituição vai viabilizar políticas públicas permanentes de combate à fome. Passará a ser obrigação de todos os governos — federal, estaduais e municipais — preservar o preceito básico de sobrevivência humana.

Toffoli no STF

»
Nos argumentos durante a sabatina a que se submeteu no Senado, o advogado Antonio Dias Toffoli defendeu os casais homossexuais (lésbicas e homossexuais). Não foi o assunto em profundidade. Mas disse que os defendia como cidadãos. Partiu do princípio de que o governo não tem opinião a respeito. Impostos recolhidos põem todos em pé de igualdade.

Tsunami

»
Samoa está vivendo horrores. Terremoto de 7.6 da escala Richter a grande profundidade no mar motivou levantamento de ondas enormes. Chegavam à praia como tsunami. Pescadores ficaram ao largo e só chegaram ao porto quando estava tudo calmo e destruído. Número de mortos surpreende.

Deserto

»
Lei autoriza 80% de desmatamento no Pantanal. Ecologistas acham que não deve haver. Ministério da Ciência e Tecnologia culpa os interessados que não sabem se organizar. Em continuando como está, o Pantanal será em breve um deserto, com perda dos principais nutrientes que sustentam os rios e as matas.

Pré-sal

»
Há publicidade nas televisões dizendo que o Brasil colhe óleo do pré-sal. A informação não condiz com a realidade. O ideal é que isso estivesse acontecendo. Ocorre que até lá tem que ser investido muito dinheiro, e é para isso que estão olhando os chineses.

Finalmente

»
Agora, sim. O senador Cristovam Buarque pode preparar o Senado porque a PEC que acaba com a DRU na educação está chegando. O texto do deputado Rogério Marinho foi aprovado na Câmara. A previsão é a de que sejam aplicados, em 2010, mais R$ 7 bilhões na educação e, em 2011, outros R$ 10,5 bilhões.

Carta

»
O leitor Sebastião Lopes Salles diz que a coluna foi infeliz ao dizer que os árabes insultam os judeus. A informação completa desta coluna é a mesma de anos atrás. Árabes e judeus se encontram com presidentes americanos. Dão-se as mãos. Na volta, árabes prometem destruir Israel. Os judeus se preparam e respondem às ofensas. Um simples encontro não vai ser responsável por tudo. Há mais de 5 mil anos ambos não se entendem.

Briga de U$ 22 bilhões

»
Briga de famílias da Arábia Saudita atinge o produto bruto. Maan-Sanea, um dos maiores patrimônios, está sendo atacado na Justiça em três continentes pela família Algosaib. A acusação é de fraude. As duas famílias são da cidade de Al-Khobar, rica em petróleo. A briga nasce de casamento que prospera nos setores imobiliário, de saúde e bancário, e toma novo caminho contra sócios.

Exército

»
O Museu Histórico do Exército está situado no Forte de Copacabana. Está em grande atividade e convida cidadãos do Rio a participar dos 95 anos do Forte de Copacabana. O entalhador Baptista expõe obra de arte que comemora a data.



História de Brasília

Em todas as cidades, é natural, nesta época do ano, os chefes de reportagem dos jornais destacarem pessoas para a cobertura nos aeroportos, estação de ônibus, etc. Sobre o movimento de saída de passageiros. Em Brasília, acontece o contrário. O movimento é de chegada e está intensíssimo. (Publicado em 10/2/1961)