O Estado de S.Paulo - 16/05
Vamos ao fato: não foi a oposição, mas o principal parceiro do PT no governo, partido do vice-presidente da República, quem realmente impediu a conclusão da votação da MP dos Portos na madrugada de quarta-feira a tempo de seguir no mesmo dia para o Senado.
Enquanto os oposicionistas com seus 90 soldados - insignificantes ante o exército de 423 deputados governistas - faziam obstrução regimental, o PMDB sob comando do líder Eduardo Cunha obstruía de forma dissimulada.
Por expedientes da Mesa, que aceitou emendas de conteúdo repetido, ou pela negativa de registro de presença em plenário. Pouco antes das 5 da manhã a sessão foi suspensa por falta de quorum. Seria necessária a presença de 257 parlamentares, coisa pouca diante do tamanho da base aliada. O PT assistiu à cena ensaiando queixa, mas sem poder abrir confronto.
Tudo muito bem urdido, disfarçado em disposição de votar, de esgotar todos os recursos na celebração do ato de estarem ali como representantes do povo desde as 11 horas do dia anterior no trabalho árduo de tentar aprovar medida "necessária à modernização" do sistema portuário do País.
Discursavam como heróis de uma jornada que de heroica não teve nada. Foi, antes, o retrato da desorganização das forças governistas que tinham 72 horas para aprovar na Câmara e no Senado a regulamentação de um setor estratégico na infraestrutura do Brasil.
A certa altura da madrugada estabeleceu-se um debate sobre os 114 anos de existência de clube de futebol da Bahia, enquanto se anunciava no plenário que ministros estavam sendo acordados para telefonar a deputados pedindo-lhes para voltarem à Câmara a fim de garantir quorum para validar votações de cujas discussões não haviam participado.
Patético. Todo o conjunto da obra: a obscuridade do conflito de interesses, a pressa, a falta de compromisso com o conteúdo de uma medida editada com o intuito de atrair investimentos e incrementar o comércio exterior do País.
Um assunto dessa complexidade e alcance sob qualquer ângulo que se examine com um mínimo de seriedade não poderia ser tratado na base do improviso. Sob a espada da premência do tempo, contaminado por suspeições mal explicadas, troca de insultos, tendo como pano de fundo uma queda de braço entre a Presidência da República e o líder da bancada do PMDB.
O deputado Eduardo Cunha não é bicho que se crie em casa, disso o governo estava cansado de saber. A cúpula do partido também. Ainda assim a bancada o escolheu para líder, o que leva à conclusão de que não está sozinho na briga.
São 80 deputados. Se a totalidade não o segue cegamente, a maior parte o vê como uma solução. Tanto que atenderam à orientação de negar quorum na fase de votação das emendas ao texto principal. Comentou-se logo ao fim da sessão que o vice-presidente Michel Temer estaria acompanhando tudo do Palácio do Jaburu, furioso com Eduardo Cunha.
Ora, Temer é presidente de fato do PMDB. Sabe, assim como se imagina que esteja ciente a presidente da República, que o líder foi escolhido justamente pela capacidade de manter um clima de tensão permanente com o Planalto. Esse seu principal atributo, junto com a habilidade de dissimular como fez em discurso defensivo na tarde de ontem.
Portanto, nesse aspecto a cigana não enganou ninguém. Talvez tenham subestimado sua ousadia e/ou não avaliado direito o tamanho do descontentamento em gestação há tempos na bancada pemedebista. Agora fazer o que, destituí-lo? Difícil. Desmoralizá-lo? Provável que tentem.
Mas o embate dos portos não foi o último. Haverá outros e se o governo não organizar suas forças acabará se fragilizando como nenhum outro no Congresso.
quinta-feira, maio 16, 2013
Verdades e esculachos - ROGÉRIO GENTILE
FOLHA DE SP - 16/05
SÃO PAULO - A Comissão da Verdade, instalada há um ano com a finalidade de investigar e esclarecer graves violações de direitos humanos na ditadura militar, dá a impressão de que resolveu afastar-se dos seus propósitos.
Qual outra explicação haverá para o fato de ter decidido ouvir militares como o coronel Ustra, chefe do DOI-Codi de São Paulo de 1970 a 1974, período mais violento da repressão, em sessões abertas ao público?
Afinal, ninguém da comissão é ingênuo a ponto de imaginar que uma pessoa com o histórico e a importância de Ustra na ditadura estaria disposta a se imolar publicamente, revelando, diante de uma plateia lotada e de câmeras de televisão, a sua participação e a de colegas em assassinatos e torturas.
Se a intenção "é resgatar a nossa história para que isso nunca mais volte a acontecer no país", como disse a presidente Dilma Rousseff após a aprovação do comitê de investigação, conversas reservadas tendem a ser mais eficazes. Para que servem, então, as tais audiências abertas da Comissão da Verdade?
A mudança de estratégia de funcionamento do grupo, que até então havia interrogado 11 agentes da repressão em eventos fechados, ocorreu após muita pressão nos bastidores. E atende a dois desejos inconfessos de pessoas importantes do governo federal.
O primeiro objetivo seria tentar criar no país um clima que, de algum modo, pressionasse o Supremo Tribunal Federal a mudar o entendimento da Lei da Anistia (1979), permitindo a punição de militares e policiais que cometeram atos de violência contra opositores políticos.
O outro desejo por trás desse novo modo de atuação da Comissão da Verdade é bem mais fácil de alcançar: promover grandes sessões de esculachos para, de certa forma, vingar publicamente as vítimas da ditadura, a exemplo das manifestações feitas nos últimos meses na porta da casa de torturadores.
SÃO PAULO - A Comissão da Verdade, instalada há um ano com a finalidade de investigar e esclarecer graves violações de direitos humanos na ditadura militar, dá a impressão de que resolveu afastar-se dos seus propósitos.
Qual outra explicação haverá para o fato de ter decidido ouvir militares como o coronel Ustra, chefe do DOI-Codi de São Paulo de 1970 a 1974, período mais violento da repressão, em sessões abertas ao público?
Afinal, ninguém da comissão é ingênuo a ponto de imaginar que uma pessoa com o histórico e a importância de Ustra na ditadura estaria disposta a se imolar publicamente, revelando, diante de uma plateia lotada e de câmeras de televisão, a sua participação e a de colegas em assassinatos e torturas.
Se a intenção "é resgatar a nossa história para que isso nunca mais volte a acontecer no país", como disse a presidente Dilma Rousseff após a aprovação do comitê de investigação, conversas reservadas tendem a ser mais eficazes. Para que servem, então, as tais audiências abertas da Comissão da Verdade?
A mudança de estratégia de funcionamento do grupo, que até então havia interrogado 11 agentes da repressão em eventos fechados, ocorreu após muita pressão nos bastidores. E atende a dois desejos inconfessos de pessoas importantes do governo federal.
O primeiro objetivo seria tentar criar no país um clima que, de algum modo, pressionasse o Supremo Tribunal Federal a mudar o entendimento da Lei da Anistia (1979), permitindo a punição de militares e policiais que cometeram atos de violência contra opositores políticos.
O outro desejo por trás desse novo modo de atuação da Comissão da Verdade é bem mais fácil de alcançar: promover grandes sessões de esculachos para, de certa forma, vingar publicamente as vítimas da ditadura, a exemplo das manifestações feitas nos últimos meses na porta da casa de torturadores.
Teoria e prática - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 16/05
Aconteça o que acontecer com a Medida Provisória dos Portos, o que fica patente é que o governo não tem uma interlocução competente com sua base aliada. Com a adesão envergonhada do PSD, apesar da aceitação desavergonhada de um ministério, o governo tem, em tese, praticamente 80% do Congresso em suas mãos, seja de que maneira for: ou por meio da adesão ideológica ou do pragmatismo puro e simples.
Mas, na prática, a teoria é outra, e foi o PMDB, nada menos que o sustentáculo da coalizão governista, que demonstrou isso na votação da MP dos Portos. Deixar para a última hora a aprovação de matéria tão importante como maneira de pressionar os recalcitrantes não é a melhor maneira de vencer um embate como este. Corre-se o risco inútil de uma derrota.
Se o governo realmente considera que a MP dos Portos é fundamental para destravar a economia brasileira e dar a nossas exportações competitividade, por que não tratou o assunto com a prioridade que merecia, deixando que as negociações corressem soltas no Congresso como se a aprovação fosse automática?
Não é a intenção neste momento analisar os benefícios para a economia do país contidos na medida provisória, nem seus pontos negativos. O que é mais importante registrar nesta crise política é que o governo não tem uma linha lógica de atuação e, em consequência, não consegue guiar seus seguidores por um caminho que leve a bom porto, abrindo condições para disputas mais variadas de interesses contraditórios.
A falta de gosto pela negociação política, que já é uma marca da "presidenta", e a certeza de que essas questões se resolvem com a distribuição de benesses fizeram com que o Planalto se habituasse com a edição de medidas provisórias, acatadas submissamente por um Congresso subjugado. A coordenação política do governo e a própria presidente Dilma demonstraram não ter noção do ambiente no Congresso, ávido por se mostrar autônomo, especialmente diante da enxurrada de medidas provisórias que retira de seus membros a prerrogativa de legislar.
Exemplo disso é a exigência no Senado de duas sessões para a análise de medidas provisórias, rejeitando assim as decisões de afogadilho, que só fazem humilhar seus membros. Esse sentimento foi captado pelo líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, que se aproveitou dele para defender interesses que estavam em jogo na disputa pelos portos, em direção oposta à visão do governo.
A derrota que, ao final, o Palácio do Planalto impôs a Cunha não compensa o desgaste a que o governo foi submetido nesse episódio, com as consequências eleitorais que deve provocar. A oposição se aproveitou da desorganização da base aliada para obstruir seguidas sessões, impondo uma derrota política tão importante quanto a importância que o governo dava à aprovação da MP dos Portos.
O desgaste sofrido pelo governo federal deixou evidente que seu prestígio junto à base aliada no Congresso está afetado seriamente, e mais ainda porque o próprio governo antecipou a disputa eleitoral, elevando o cacife de cada um dos partidos da base aliada, que venderão mais caro do que nunca os seus minutos de televisão.
Além de explicitar um esquema falho de relacionamento com o Congresso, a MP dos Portos evidencia também a incoerência do petismo no poder. Tratar a privatização dos portos como fundamental para o desenvolvimento do país, depois de passar tanto tempo criticando medidas nesse sentido tomadas pelos governos tucanos, é revelar que uma postura ideológica obsoleta fez o país perder um tempo inestimável em seu desenvolvimento.
Da mesma maneira que comemorar o sucesso do leilão de áreas de exploração de petróleo, utilizando o mesmo método de concessões do governo FH, processo que o próprio governo petista havia paralisado há cinco anos por questões ideológicas, é uma confissão de ineficiência na gestão pública que prejudica o país.
Mas, na prática, a teoria é outra, e foi o PMDB, nada menos que o sustentáculo da coalizão governista, que demonstrou isso na votação da MP dos Portos. Deixar para a última hora a aprovação de matéria tão importante como maneira de pressionar os recalcitrantes não é a melhor maneira de vencer um embate como este. Corre-se o risco inútil de uma derrota.
Se o governo realmente considera que a MP dos Portos é fundamental para destravar a economia brasileira e dar a nossas exportações competitividade, por que não tratou o assunto com a prioridade que merecia, deixando que as negociações corressem soltas no Congresso como se a aprovação fosse automática?
Não é a intenção neste momento analisar os benefícios para a economia do país contidos na medida provisória, nem seus pontos negativos. O que é mais importante registrar nesta crise política é que o governo não tem uma linha lógica de atuação e, em consequência, não consegue guiar seus seguidores por um caminho que leve a bom porto, abrindo condições para disputas mais variadas de interesses contraditórios.
A falta de gosto pela negociação política, que já é uma marca da "presidenta", e a certeza de que essas questões se resolvem com a distribuição de benesses fizeram com que o Planalto se habituasse com a edição de medidas provisórias, acatadas submissamente por um Congresso subjugado. A coordenação política do governo e a própria presidente Dilma demonstraram não ter noção do ambiente no Congresso, ávido por se mostrar autônomo, especialmente diante da enxurrada de medidas provisórias que retira de seus membros a prerrogativa de legislar.
Exemplo disso é a exigência no Senado de duas sessões para a análise de medidas provisórias, rejeitando assim as decisões de afogadilho, que só fazem humilhar seus membros. Esse sentimento foi captado pelo líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, que se aproveitou dele para defender interesses que estavam em jogo na disputa pelos portos, em direção oposta à visão do governo.
A derrota que, ao final, o Palácio do Planalto impôs a Cunha não compensa o desgaste a que o governo foi submetido nesse episódio, com as consequências eleitorais que deve provocar. A oposição se aproveitou da desorganização da base aliada para obstruir seguidas sessões, impondo uma derrota política tão importante quanto a importância que o governo dava à aprovação da MP dos Portos.
O desgaste sofrido pelo governo federal deixou evidente que seu prestígio junto à base aliada no Congresso está afetado seriamente, e mais ainda porque o próprio governo antecipou a disputa eleitoral, elevando o cacife de cada um dos partidos da base aliada, que venderão mais caro do que nunca os seus minutos de televisão.
Além de explicitar um esquema falho de relacionamento com o Congresso, a MP dos Portos evidencia também a incoerência do petismo no poder. Tratar a privatização dos portos como fundamental para o desenvolvimento do país, depois de passar tanto tempo criticando medidas nesse sentido tomadas pelos governos tucanos, é revelar que uma postura ideológica obsoleta fez o país perder um tempo inestimável em seu desenvolvimento.
Da mesma maneira que comemorar o sucesso do leilão de áreas de exploração de petróleo, utilizando o mesmo método de concessões do governo FH, processo que o próprio governo petista havia paralisado há cinco anos por questões ideológicas, é uma confissão de ineficiência na gestão pública que prejudica o país.
Duelo - VALDO CRUZ
FOLHA DE SP - 16/05
BRASÍLIA - O governo Dilma começou o dia celebrando, reservadamente, a derrota do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, na votação da MP dos Portos. Terminou pedindo ajuda daquele que havia derrotado na tentativa de destravar a votação da medida.
A própria presidente havia festejado o infortúnio do pretenso aliado, que fracassou em sua tentativa de alterar a MP do governo. O que, na avaliação palaciana, mostrou que o "temido" Eduardo Cunha pode ser "enfrentado e derrotado".
O estado de espírito da presidente Dilma indica como havia uma disputa paralela entre os dois, que não se bicam desde o governo Lula, na apreciação da proposta que busca modernizar os portos brasileiros.
Dilma estava determinada a derrotar o líder peemedebista. Conseguiu seu objetivo, mas acabou vítima do pretenso aliado, que passou a obstruir as votações pedindo verificação de quórum e deixando o barco rolar solto. Deu o troco.
Duelo à parte, a vitória dilmista tem sua importância no xadrez palaciano, mas também evidenciou como errou a articulação política do governo ao longo do processo.
Afinal, votos para aprovar a medida, pelo visto, o Palácio do Planalto tinha, caso contrário não teria derrotado o líder do PMDB. Derrotou pois fez, na reta final, algo que só empurrou com a barriga: negociar e fazer promessas a seus aliados.
Tivesse atuado com mais competência, a votação não estaria sendo feita às pressas, com o governo buscando fazer em apenas três dias tudo o que não fez em quatro meses desde a edição da medida.
Resultado: mesmo com a ajuda de última hora do líder peemedebista, aquele que foi dado como derrotado, o governo corria o risco de não conseguir terminar a votação.
Aí, o Planalto partirá para seu Plano B. Fará a reforma dos portos por medidas administrativas --com o recado de que não irá incluir as concessões feitas nos últimos dias.
BRASÍLIA - O governo Dilma começou o dia celebrando, reservadamente, a derrota do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, na votação da MP dos Portos. Terminou pedindo ajuda daquele que havia derrotado na tentativa de destravar a votação da medida.
A própria presidente havia festejado o infortúnio do pretenso aliado, que fracassou em sua tentativa de alterar a MP do governo. O que, na avaliação palaciana, mostrou que o "temido" Eduardo Cunha pode ser "enfrentado e derrotado".
O estado de espírito da presidente Dilma indica como havia uma disputa paralela entre os dois, que não se bicam desde o governo Lula, na apreciação da proposta que busca modernizar os portos brasileiros.
Dilma estava determinada a derrotar o líder peemedebista. Conseguiu seu objetivo, mas acabou vítima do pretenso aliado, que passou a obstruir as votações pedindo verificação de quórum e deixando o barco rolar solto. Deu o troco.
Duelo à parte, a vitória dilmista tem sua importância no xadrez palaciano, mas também evidenciou como errou a articulação política do governo ao longo do processo.
Afinal, votos para aprovar a medida, pelo visto, o Palácio do Planalto tinha, caso contrário não teria derrotado o líder do PMDB. Derrotou pois fez, na reta final, algo que só empurrou com a barriga: negociar e fazer promessas a seus aliados.
Tivesse atuado com mais competência, a votação não estaria sendo feita às pressas, com o governo buscando fazer em apenas três dias tudo o que não fez em quatro meses desde a edição da medida.
Resultado: mesmo com a ajuda de última hora do líder peemedebista, aquele que foi dado como derrotado, o governo corria o risco de não conseguir terminar a votação.
Aí, o Planalto partirá para seu Plano B. Fará a reforma dos portos por medidas administrativas --com o recado de que não irá incluir as concessões feitas nos últimos dias.
Quebra de confiança - DENISE ROTHENBURG
CORREIO BRAZILIENSE - 16/05
O governo Dilma é visto entre os parlamentares como aquele que fecha acordos de manhã e joga tudo por terra horas depois. Se não mudar de atitude, a crise da MP dos Portos se repetirá em todos os demais temas importantes
Se depender das excelências parlamentares, a presidente Dilma Rousseff não terá mais um dia de paz no Congresso Nacional, caso mantenha a atitude cada vez mais corriqueira de desrespeitar acordos fechados no plenário por seus representantes, leia-se ministros e líderes. O crédito do governo, em relação a esses acertos de mérito hoje é nulo. Já estava esgotado e ficou pior depois de fechado um acordo com o PMDB para votar a MP dos Portos, e romper esse mesmo acordo tão logo aprovado o texto-base da proposta, sem os trechos destacados para votação em separado. A longa sessão de ontem para concluir a apreciação da MP dos Portos é a maior prova de que a base desandou. E, se nada for feito, o “ponto de liga” desse bolo não será alcançado.
Dilma, apesar dos apelos pela votação, quebrou algo que é considerado ponto de honra entre os políticos, os acordos firmados para apreciação de matérias. Ali, acordo que não é para cumprir, não se faz. Nos tempos de Luiz Eduardo Magalhães como líder do governo Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, o deputado podia até brigar com o Planalto, mas não deixava de cumprir os acordos fechados com a oposição, onde estava o então guerrilheiro de plenário, José Genoino. Hoje, esse tempo de acordos acabou. E essa quebra de confiança não ocorreu apenas na madrugada de quarta-feira.
O governo Dilma Rousseff é visto hoje entre os parlamentares como aquele que fecha acordos de manhã e joga tudo por terra horas depois. O episódio anterior ao da Medida Provisória dos portos ocorreu há três semanas, quando o líder do PP, Arthur Lira, fez um esforço danado para garantir R$ 10 de subvenção a pequenos produtores de cana de açúcar. Num acordo avalizado pelo líder do governo, Arlindo Chinaglia, a subvenção foi aprovada. A alegria do pepista, no entanto, durou pouco. Na semana seguinte, a proposta de Lyra - crucial para garantir a aprovação da medida - terminou vetada pelo Planalto. Daí, uma das razões que levou o PP na semana passada a fazer corpo mole para votar a MP dos Portos.
No Senado, recentemente, Ana Amélia Lemos (PP-RS) relatava um projeto do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que institui a obrigatoriedade de pós-graduação ou mestrado para professores universitários. Na véspera de relatar o projeto, ela recebeu um telefonema do Ministério da Educação. Assessores do ministro Aloizio Mercadante queriam que ela não levasse a proposta a voto. Ana Amélia se recusou e a proposta do líder do PSDB foi aprovada na comissão de Educação. Agora, o governo quer segurar a tramitação do texto no plenário do Senado porque o ministro Mercadante prepara uma MP a respeito. Assim, em vez do líder tucano, quem ficará com o mérito sobre o texto será o governo Dilma.
Essa forma de fazer política, quebrando acordos fechados e desconhecendo a generosidade de acolher um projeto parlamentar, ainda que seja de oposição, é novidade para deputados e senadores experientes. E deixa mal todos os aqueles que se envolveram nos acordos. Na MP dos Portos, por exemplo, até o vice-presidente Michel Temer, saiu chamuscado. Afinal, ele chancelou um acordo que o governo quebrou para não caracterizar a aprovação do marco regulatório dos portos como uma vitória de Eduardo Cunha.
A estratégia de enquadrar o líder do PMDB teria funcionado se a votação estivesse sido concluída ontem. Mas, ao tirar o sabor de vitória da boca da bancada do PMDB, o governo perdeu. O partido fez corpo mole no plenário e, em vez de Dilma ter os peemedebistas ao seu lado, no esforço para encerrar a votação ainda na terça-feira na Câmara, ela teve os deputados do partido engrossando a fileira daqueles com cara de fastio para o governo. Na última votação, por exemplo, lá pelas 5 da matina, faltavam 60 votos do PMDB. Nenhum partido da base estava de corpo e alma no plenário. Assim, tudo ficou mais difícil para a MP Titanic, que ontem à tarde já era chamada de MP Cinderela. Se não for votada até a meia-noite de hoje, vira abóbora, na verdade “um abacaxi”.
Enquanto isso, entre os ministros...
Os parlamentares não gostaram muito de ver os ministros do governo cabalando votos, embora essa atitude seja comum há tempos na casa. O ministro da Agricultura, Antonio Andrade, por exemplo, ao responder aos deputados que estava ali para ajudar a buscar votos em favor do governo, ouviu a seguinte resposta de um antigo colega de bancada: “Estamos com um único problema. O Leonardo Quintão (PMDB-MG). Liga para ele!”. Toninho Andrade murchou: “Esse não fala comigo”. O ministro, então, recolheu os flaps. Para quem não se lembra, Quintão é aquele deputado a quem foi prometido um cargo no governo e quase rompeu quando Andrade assumiu a pasta da Agricultura.
O governo Dilma é visto entre os parlamentares como aquele que fecha acordos de manhã e joga tudo por terra horas depois. Se não mudar de atitude, a crise da MP dos Portos se repetirá em todos os demais temas importantes
Se depender das excelências parlamentares, a presidente Dilma Rousseff não terá mais um dia de paz no Congresso Nacional, caso mantenha a atitude cada vez mais corriqueira de desrespeitar acordos fechados no plenário por seus representantes, leia-se ministros e líderes. O crédito do governo, em relação a esses acertos de mérito hoje é nulo. Já estava esgotado e ficou pior depois de fechado um acordo com o PMDB para votar a MP dos Portos, e romper esse mesmo acordo tão logo aprovado o texto-base da proposta, sem os trechos destacados para votação em separado. A longa sessão de ontem para concluir a apreciação da MP dos Portos é a maior prova de que a base desandou. E, se nada for feito, o “ponto de liga” desse bolo não será alcançado.
Dilma, apesar dos apelos pela votação, quebrou algo que é considerado ponto de honra entre os políticos, os acordos firmados para apreciação de matérias. Ali, acordo que não é para cumprir, não se faz. Nos tempos de Luiz Eduardo Magalhães como líder do governo Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, o deputado podia até brigar com o Planalto, mas não deixava de cumprir os acordos fechados com a oposição, onde estava o então guerrilheiro de plenário, José Genoino. Hoje, esse tempo de acordos acabou. E essa quebra de confiança não ocorreu apenas na madrugada de quarta-feira.
O governo Dilma Rousseff é visto hoje entre os parlamentares como aquele que fecha acordos de manhã e joga tudo por terra horas depois. O episódio anterior ao da Medida Provisória dos portos ocorreu há três semanas, quando o líder do PP, Arthur Lira, fez um esforço danado para garantir R$ 10 de subvenção a pequenos produtores de cana de açúcar. Num acordo avalizado pelo líder do governo, Arlindo Chinaglia, a subvenção foi aprovada. A alegria do pepista, no entanto, durou pouco. Na semana seguinte, a proposta de Lyra - crucial para garantir a aprovação da medida - terminou vetada pelo Planalto. Daí, uma das razões que levou o PP na semana passada a fazer corpo mole para votar a MP dos Portos.
No Senado, recentemente, Ana Amélia Lemos (PP-RS) relatava um projeto do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que institui a obrigatoriedade de pós-graduação ou mestrado para professores universitários. Na véspera de relatar o projeto, ela recebeu um telefonema do Ministério da Educação. Assessores do ministro Aloizio Mercadante queriam que ela não levasse a proposta a voto. Ana Amélia se recusou e a proposta do líder do PSDB foi aprovada na comissão de Educação. Agora, o governo quer segurar a tramitação do texto no plenário do Senado porque o ministro Mercadante prepara uma MP a respeito. Assim, em vez do líder tucano, quem ficará com o mérito sobre o texto será o governo Dilma.
Essa forma de fazer política, quebrando acordos fechados e desconhecendo a generosidade de acolher um projeto parlamentar, ainda que seja de oposição, é novidade para deputados e senadores experientes. E deixa mal todos os aqueles que se envolveram nos acordos. Na MP dos Portos, por exemplo, até o vice-presidente Michel Temer, saiu chamuscado. Afinal, ele chancelou um acordo que o governo quebrou para não caracterizar a aprovação do marco regulatório dos portos como uma vitória de Eduardo Cunha.
A estratégia de enquadrar o líder do PMDB teria funcionado se a votação estivesse sido concluída ontem. Mas, ao tirar o sabor de vitória da boca da bancada do PMDB, o governo perdeu. O partido fez corpo mole no plenário e, em vez de Dilma ter os peemedebistas ao seu lado, no esforço para encerrar a votação ainda na terça-feira na Câmara, ela teve os deputados do partido engrossando a fileira daqueles com cara de fastio para o governo. Na última votação, por exemplo, lá pelas 5 da matina, faltavam 60 votos do PMDB. Nenhum partido da base estava de corpo e alma no plenário. Assim, tudo ficou mais difícil para a MP Titanic, que ontem à tarde já era chamada de MP Cinderela. Se não for votada até a meia-noite de hoje, vira abóbora, na verdade “um abacaxi”.
Enquanto isso, entre os ministros...
Os parlamentares não gostaram muito de ver os ministros do governo cabalando votos, embora essa atitude seja comum há tempos na casa. O ministro da Agricultura, Antonio Andrade, por exemplo, ao responder aos deputados que estava ali para ajudar a buscar votos em favor do governo, ouviu a seguinte resposta de um antigo colega de bancada: “Estamos com um único problema. O Leonardo Quintão (PMDB-MG). Liga para ele!”. Toninho Andrade murchou: “Esse não fala comigo”. O ministro, então, recolheu os flaps. Para quem não se lembra, Quintão é aquele deputado a quem foi prometido um cargo no governo e quase rompeu quando Andrade assumiu a pasta da Agricultura.
Fisiologismo cobra seu preço na MP dos Portos - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 16/05
Há incontáveis exemplos do estrago causado nas finanças públicas — seja em desvios de dinheiro ou gastos feitos de forma incompetente — pelo método fisiológico de montagem de equipes de governo.
Vários casos surgiram na fase de “faxina” do início do governo Dilma, quando ministros foram defenestrados por má conduta ética. O exemplo mais recente vem do Ministério da Pesca, doado a Marcelo Crivella e partido, PRB. E administrado, revelou O GLOBO, como se fosse uma extensão dos interesses exclusivos do ministro, sem faltar evidências de mau uso — para usar um termo elegante — do orçamento da Pasta.
A quase rocambolesca votação da MP dos Portos dá uma outra dimensão à metástase que o fisiologismo deflagra na condução dos negócios públicos. O sinal mais gritante de muita coisa fora do lugar é a demonstração de quase absoluta falta de liderança do governo sobre a sua base parlamentar.
Se na ponta do lápis o Planalto tem no Congresso maioria para governar sem susto, a depender do tema em pauta este apoio vira fumaça. Isso é resultado de uma costura, por meio do toma lá dá cá fisiológico, de uma eclética frente partidário-ideológica, onde convivem da esquerda a talibãs.
Como nenhum projeto de governo os une, apenas o compartilhamento do poder e respectivas benesses, em momentos-chave em que o apoio ao Planalto precisa se transformar em votos no Congresso, pesam mais os interesses de grupos, de lobbies. (No início do governo Lula, arquitetaram o mensalão, para tentar resolver o problema. Não deu certo, terminou em condenações à prisão.)
Os termos do tiroteio verbal entre Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Anthony Garotinho (PP-RJ) são exemplares dos obscuros interesses que se movem no subsolo da tramitação da MP. Idem para os xingamentos trocados por Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Garotinho. Até o líder do PMDB, segundo partido da "base", Eduardo Cunha, tem bancada própria e se movimenta contra o Planalto de forma mais efetiva que a oposição.
O governo não tem maioria real. Trata-se, em boa medida, de um bando que se move em função de vantagens, hoje voltado apenas ao projeto da reeleição da presidente Dilma, quando espera continuar alojado nas tetas do Tesouro que lhe couberam. Nada surpreende, porém, o Palácio, pois a própria presidente já admitiu que se faz “o diabo” em período eleitoral.
Mas o preço pago pelo país é elevado. Grupos sindicais e de empresários se mobilizam preocupados apenas em defender seus interesses e buscam no Congresso políticos para ajudá-los. Enquanto isso, falta autoridade ao governo para convencer a base de que é crucial ampliar a estrutura portuária em novas bases. Porém, não há espaço no fisiologismo para este tipo de preocupação.
Há incontáveis exemplos do estrago causado nas finanças públicas — seja em desvios de dinheiro ou gastos feitos de forma incompetente — pelo método fisiológico de montagem de equipes de governo.
Vários casos surgiram na fase de “faxina” do início do governo Dilma, quando ministros foram defenestrados por má conduta ética. O exemplo mais recente vem do Ministério da Pesca, doado a Marcelo Crivella e partido, PRB. E administrado, revelou O GLOBO, como se fosse uma extensão dos interesses exclusivos do ministro, sem faltar evidências de mau uso — para usar um termo elegante — do orçamento da Pasta.
A quase rocambolesca votação da MP dos Portos dá uma outra dimensão à metástase que o fisiologismo deflagra na condução dos negócios públicos. O sinal mais gritante de muita coisa fora do lugar é a demonstração de quase absoluta falta de liderança do governo sobre a sua base parlamentar.
Se na ponta do lápis o Planalto tem no Congresso maioria para governar sem susto, a depender do tema em pauta este apoio vira fumaça. Isso é resultado de uma costura, por meio do toma lá dá cá fisiológico, de uma eclética frente partidário-ideológica, onde convivem da esquerda a talibãs.
Como nenhum projeto de governo os une, apenas o compartilhamento do poder e respectivas benesses, em momentos-chave em que o apoio ao Planalto precisa se transformar em votos no Congresso, pesam mais os interesses de grupos, de lobbies. (No início do governo Lula, arquitetaram o mensalão, para tentar resolver o problema. Não deu certo, terminou em condenações à prisão.)
Os termos do tiroteio verbal entre Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Anthony Garotinho (PP-RJ) são exemplares dos obscuros interesses que se movem no subsolo da tramitação da MP. Idem para os xingamentos trocados por Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Garotinho. Até o líder do PMDB, segundo partido da "base", Eduardo Cunha, tem bancada própria e se movimenta contra o Planalto de forma mais efetiva que a oposição.
O governo não tem maioria real. Trata-se, em boa medida, de um bando que se move em função de vantagens, hoje voltado apenas ao projeto da reeleição da presidente Dilma, quando espera continuar alojado nas tetas do Tesouro que lhe couberam. Nada surpreende, porém, o Palácio, pois a própria presidente já admitiu que se faz “o diabo” em período eleitoral.
Mas o preço pago pelo país é elevado. Grupos sindicais e de empresários se mobilizam preocupados apenas em defender seus interesses e buscam no Congresso políticos para ajudá-los. Enquanto isso, falta autoridade ao governo para convencer a base de que é crucial ampliar a estrutura portuária em novas bases. Porém, não há espaço no fisiologismo para este tipo de preocupação.
Cinco anos perdidos - EDITORIAL ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 16/05
O governo pode celebrar o bom resultado obtido no leilão de blocos para exploração de petróleo e gás, um sucesso de público e de renda, mas os brasileiros têm motivos ainda mais fortes para lamentar a perda de cinco anos desde a última licitação. Com arrecadação de R$ 2,82 bilhões - recorde em termos nominais - e participação de 12 empresas nacionais e 18 estrangeiras, a rodada comprovou a disposição de grandes empresas multinacionais, como a Exxon Mobil, a BP e a Total, de investir no Brasil.
Foram arrematados em dois dias 142 dos 289 blocos licitados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Com enorme atraso, o governo acabou reconhecendo, na prática, o erro cometido quando resolveu, a partir de 2009, condicionar a participação estrangeira no setor de petróleo a critérios tão míopes quanto ineficazes.
Guiado por uma desastrosa mistura de nacionalismo, estatismo e centralismo administrativo, o governo tentou atribuir à Petrobrás um papel superior às suas possibilidades na estratégia de exploração e produção de petróleo e gás. Errou de forma infantil, ao subestimar os custos desse programa. Bastaria levar em conta as dificuldades excepcionais da exploração do pré-sal para renunciar àquela pretensão.
Além disso, o Palácio do Planalto, o centro real de comando da Petrobrás, tentou impor à empresa um conjunto absurdo de obrigações. A estatal teria de contribuir para o controle da inflação, operando com preços contidos. Teria de servir às fantasias geopolíticas do presidente Luiz Inácio da Silva, participando de empreendimentos com a PDVSA do caudilho bolivariano Hugo Chávez. Deveria operar como instrumento de uma política industrial anacrônica, suportando custos excessivos para beneficiar fornecedores nacionais de insumos e equipamentos. Nenhuma dessas políticas funcionou.
Uma das consequências foi a estagnação da produção. Em 2009 a empresa produziu por dia, em média, 2,29 milhões de barris equivalentes de petróleo. Em 2011 o resultado foi apenas 3,85% maior, 2,38 milhões. Em 2012 diminuiu 2%, recuando para 2,35 milhões.
Neste ano, segundo projeção apresentada em relatório oficial, a produção dificilmente será maior que a do ano passado. No caso da extração de óleo e LGN, o retrocesso foi de 2 milhões de barris/dia em 2010 para 1,98 milhão no ano passado, número quase igual ao de 2009, 1,97 milhão.
Enquanto isso, a demanda de combustíveis e lubrificantes cresceu no mercado interno. O desequilíbrio entre oferta e procura foi acentuado pelos problemas da produção de etanol, prejudicada pela contenção dos preços da gasolina.
A Petrobrás converteu-se rapidamente em grande importadora, passando a pressionar perigosamente a balança comercial. Com a máxima discrição, o governo enrolou e escondeu a bandeira da autossuficiência, agitada com entusiasmo pela cúpula petista durante um breve período.
O plano de negócios da Petrobrás, apresentado em março deste ano, prevê investimentos de US$ 236,7 bilhões entre 2013 e 2017. O documento inclui - para repetir sua linguagem - alguns dos pressupostos da "financiabilidade" do plano: manutenção do grau de investimento da empresa, convergência com os preços internacionais de derivados e desinvestimentos no Brasil e, principalmente, no exterior.
Dirigentes da estatal comemoraram nos últimos dias a captação de US$ 11 bilhões no mercado financeiro internacional. Foi uma operação de proporções respeitáveis, mas falta muito, sem dúvida, para a cobertura das necessidades da empresa.
Enquanto a Petrobrás derrapava na execução de seus planos e perdia dinheiro para atender às fantasias, tolices ideológicas e objetivos políticos do grupo no poder, o cenário internacional mudava.
Uma das novidades mais notáveis ocorreu nos Estados Unidos, com a drástica redução dos custos de exploração do gás de xisto. Segundo alguns especialistas, pode-se falar de uma revolução no setor energético, iniciada há cerca de cinco anos. Nesse período, a política brasileira de petróleo hibernou, como se o "resto" do mundo pudesse ficar parado à espera do Brasil.
O governo pode celebrar o bom resultado obtido no leilão de blocos para exploração de petróleo e gás, um sucesso de público e de renda, mas os brasileiros têm motivos ainda mais fortes para lamentar a perda de cinco anos desde a última licitação. Com arrecadação de R$ 2,82 bilhões - recorde em termos nominais - e participação de 12 empresas nacionais e 18 estrangeiras, a rodada comprovou a disposição de grandes empresas multinacionais, como a Exxon Mobil, a BP e a Total, de investir no Brasil.
Foram arrematados em dois dias 142 dos 289 blocos licitados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Com enorme atraso, o governo acabou reconhecendo, na prática, o erro cometido quando resolveu, a partir de 2009, condicionar a participação estrangeira no setor de petróleo a critérios tão míopes quanto ineficazes.
Guiado por uma desastrosa mistura de nacionalismo, estatismo e centralismo administrativo, o governo tentou atribuir à Petrobrás um papel superior às suas possibilidades na estratégia de exploração e produção de petróleo e gás. Errou de forma infantil, ao subestimar os custos desse programa. Bastaria levar em conta as dificuldades excepcionais da exploração do pré-sal para renunciar àquela pretensão.
Além disso, o Palácio do Planalto, o centro real de comando da Petrobrás, tentou impor à empresa um conjunto absurdo de obrigações. A estatal teria de contribuir para o controle da inflação, operando com preços contidos. Teria de servir às fantasias geopolíticas do presidente Luiz Inácio da Silva, participando de empreendimentos com a PDVSA do caudilho bolivariano Hugo Chávez. Deveria operar como instrumento de uma política industrial anacrônica, suportando custos excessivos para beneficiar fornecedores nacionais de insumos e equipamentos. Nenhuma dessas políticas funcionou.
Uma das consequências foi a estagnação da produção. Em 2009 a empresa produziu por dia, em média, 2,29 milhões de barris equivalentes de petróleo. Em 2011 o resultado foi apenas 3,85% maior, 2,38 milhões. Em 2012 diminuiu 2%, recuando para 2,35 milhões.
Neste ano, segundo projeção apresentada em relatório oficial, a produção dificilmente será maior que a do ano passado. No caso da extração de óleo e LGN, o retrocesso foi de 2 milhões de barris/dia em 2010 para 1,98 milhão no ano passado, número quase igual ao de 2009, 1,97 milhão.
Enquanto isso, a demanda de combustíveis e lubrificantes cresceu no mercado interno. O desequilíbrio entre oferta e procura foi acentuado pelos problemas da produção de etanol, prejudicada pela contenção dos preços da gasolina.
A Petrobrás converteu-se rapidamente em grande importadora, passando a pressionar perigosamente a balança comercial. Com a máxima discrição, o governo enrolou e escondeu a bandeira da autossuficiência, agitada com entusiasmo pela cúpula petista durante um breve período.
O plano de negócios da Petrobrás, apresentado em março deste ano, prevê investimentos de US$ 236,7 bilhões entre 2013 e 2017. O documento inclui - para repetir sua linguagem - alguns dos pressupostos da "financiabilidade" do plano: manutenção do grau de investimento da empresa, convergência com os preços internacionais de derivados e desinvestimentos no Brasil e, principalmente, no exterior.
Dirigentes da estatal comemoraram nos últimos dias a captação de US$ 11 bilhões no mercado financeiro internacional. Foi uma operação de proporções respeitáveis, mas falta muito, sem dúvida, para a cobertura das necessidades da empresa.
Enquanto a Petrobrás derrapava na execução de seus planos e perdia dinheiro para atender às fantasias, tolices ideológicas e objetivos políticos do grupo no poder, o cenário internacional mudava.
Uma das novidades mais notáveis ocorreu nos Estados Unidos, com a drástica redução dos custos de exploração do gás de xisto. Segundo alguns especialistas, pode-se falar de uma revolução no setor energético, iniciada há cerca de cinco anos. Nesse período, a política brasileira de petróleo hibernou, como se o "resto" do mundo pudesse ficar parado à espera do Brasil.
Contra o tempo - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 16/05
Manobras obscuras do Congresso ameaçam a MP dos Portos, uma tentativa de pôr o setor no compasso da acirrada competição global
A corrida do governo federal para impedir de caducar a medida provisória nº 595 --a famigerada MP dos Portos-- termina hoje, prazo final para o Congresso votá-la. Falta pouco para o público constatar se o Legislativo terá dado o passo à frente de que o país precisa ou se optará pelo arcaísmo que tão bem tem representado.
A julgar pelas últimas sessões sobre o tema na Câmara, caberia esperar pelo pior. Quem ainda não se resignou a desviar os olhos do desfile de inanidades presenciou espetáculo surreal em plenário.
"MP dos Porcos" e "chefe de quadrilha" foram alguns dos termos que os deputados Anthony Garotinho (PP-RJ) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) se permitiram dirigir um ao outro. Surpreende que segmento tão particular da infraestrutura --ainda que vital para a competitividade nacional-- produza tanto ardor e tão pouca luz.
Por certo há interesses beneficiados e prejudicados com a mudança do status quo pretendida pela MP --basta mencionar que terminaram envolvidos na discussão negócios e projetos de empresários proeminentes como Daniel Dantas, Eike Batista e Emílio Odebrecht. O controle da alocação de mão de obra nos portos também mobiliza entidades trabalhistas de peso, como a Força Sindical.
É de supor que os afetados estejam a exercer pressão sobre aliados no Congresso, atividade que nada teria de questionável se exercida com mais clareza. O baixo nível atingido, entretanto, parece decorrer mais da confluência desses interesses contrariados ou favorecidos com demandas comezinhas da massa parlamentar, que se acredita desatendida e espezinhada pela presidente Dilma Rousseff.
Não por acaso, a deficiente articulação política do governo teve de recorrer às burras do Planalto e liberar coisa de R$ 1 bilhão em emendas individuais represadas. Sai muito caro, como de hábito, tanger o Congresso na direção necessária --ainda assim, muito mais barato que tolerar o atraso feudal dos portos nacionais.
O Brasil ocupa o 45º lugar, entre 155 países, no índice de desempenho logístico (LPI, em inglês) compilado pelo Banco Mundial em 2012. No ranking de competitividade global de 2013 do Fórum Econômico Mundial, o país subiu da 53ª para a 48ª posição, mas amarga uma 107ª colocação no quesito infraestrutura e despenca para a 135ª em matéria de portos.
Dito de outra maneira, o sistema portuário precisa de uma reviravolta, que não virá sem a competição entre terminais. É uma questão de sobrevivência para a economia brasileira. E o Congresso precisa decidir se vai ficar a favor da necessidade histórica --ou contra ela.
Manobras obscuras do Congresso ameaçam a MP dos Portos, uma tentativa de pôr o setor no compasso da acirrada competição global
A corrida do governo federal para impedir de caducar a medida provisória nº 595 --a famigerada MP dos Portos-- termina hoje, prazo final para o Congresso votá-la. Falta pouco para o público constatar se o Legislativo terá dado o passo à frente de que o país precisa ou se optará pelo arcaísmo que tão bem tem representado.
A julgar pelas últimas sessões sobre o tema na Câmara, caberia esperar pelo pior. Quem ainda não se resignou a desviar os olhos do desfile de inanidades presenciou espetáculo surreal em plenário.
"MP dos Porcos" e "chefe de quadrilha" foram alguns dos termos que os deputados Anthony Garotinho (PP-RJ) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) se permitiram dirigir um ao outro. Surpreende que segmento tão particular da infraestrutura --ainda que vital para a competitividade nacional-- produza tanto ardor e tão pouca luz.
Por certo há interesses beneficiados e prejudicados com a mudança do status quo pretendida pela MP --basta mencionar que terminaram envolvidos na discussão negócios e projetos de empresários proeminentes como Daniel Dantas, Eike Batista e Emílio Odebrecht. O controle da alocação de mão de obra nos portos também mobiliza entidades trabalhistas de peso, como a Força Sindical.
É de supor que os afetados estejam a exercer pressão sobre aliados no Congresso, atividade que nada teria de questionável se exercida com mais clareza. O baixo nível atingido, entretanto, parece decorrer mais da confluência desses interesses contrariados ou favorecidos com demandas comezinhas da massa parlamentar, que se acredita desatendida e espezinhada pela presidente Dilma Rousseff.
Não por acaso, a deficiente articulação política do governo teve de recorrer às burras do Planalto e liberar coisa de R$ 1 bilhão em emendas individuais represadas. Sai muito caro, como de hábito, tanger o Congresso na direção necessária --ainda assim, muito mais barato que tolerar o atraso feudal dos portos nacionais.
O Brasil ocupa o 45º lugar, entre 155 países, no índice de desempenho logístico (LPI, em inglês) compilado pelo Banco Mundial em 2012. No ranking de competitividade global de 2013 do Fórum Econômico Mundial, o país subiu da 53ª para a 48ª posição, mas amarga uma 107ª colocação no quesito infraestrutura e despenca para a 135ª em matéria de portos.
Dito de outra maneira, o sistema portuário precisa de uma reviravolta, que não virá sem a competição entre terminais. É uma questão de sobrevivência para a economia brasileira. E o Congresso precisa decidir se vai ficar a favor da necessidade histórica --ou contra ela.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“Colocar adolescentes presos com adultos só agrava o problema”
Ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) distorcendo o clamor pela punição ao crime
CARTÃO CORPORATIVO PAGOU VINHO E CERVEJA DE LULA
A ação popular que resultou na condenação de onze servidores, oito deles da Presidência da República, produziu flagrantes do uso abusivo de cartão de crédito corporativo, como a compra de dez garrafas de vinho e três caixas de cerveja para consumo do então presidente Lula, na viagem de junho de 2003 ao “Bumbódromo”, em Parintins (AM). A Justiça decidiu que a farra não se enquadra como “recepção oficial”.
FARRA A BORDO
Foi no navio Pedro Teixeira, da Marinha, a viagem de Lula a Parintins, que virou farra regada a vinhos e cerveja Skol pagos pelo contribuinte.
EI, GARÇOM
Somente no item “bares e restaurantes”, em 2003, a Presidência da República torrou R$ 111.632,46 utilizando cartões corporativos.
POR NOSSA CONTA
Outras despesas da Presidência da República pagas pelo contribuinte envolvem caixas de chocolate, DVDs e flores, muitas flores.
DEVOLUÇÃO
Onze servidores foram condenados a devolver mais de R$ 2 milhões aos cofres públicos, gastos em compras ilegais com cartão corporativo.
COMANDO DA CAMPANHA DE DILMA ANIMA OPOSIÇÃO
Animou a oposição a notícia de que o comando da campanha de reeleição da presidenta Dilma será confiado ao
ministro Aloizio Mercadante (Educação) e ao presidente do PT, Rui Falcão, aquele que tem o hábito de dar tiros contra aliados e companheiros. A dupla é responsável por grandes desastres e aloprações eleitorais. E não é de agora: conduziram a candidatura Lula, em 2004, a ficar radicalmente contra o Plano Real, ajudando a eleger FHC no primeiro no turno.
CANDIDATO ALOPRADO
Na sua derrota para José Serra, ao governo paulista, em 2006, Aloizio Mercadante estava no centro do desastrado “dossiê dos aloprados”.
BAIXO NÍVEL
Em 2008, Rui Falcão comandou derrota de Marta Suplicy à reeleição para prefeita, após os golpes de baixo nível contra Gilberto Kassab.
DIA DO BOTAFOGO
Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol, completa 88 anos nesta quinta (16). Não por coincidência, comemora-se o Dia do Botafogo.
COMO PINTO NO LIXO
O deputado Rubens Bueno (PPS-PR) está espantado, mas não surpreso, com o que se viu na votação da MP dos Portos: “Criaram um balcão de negócios em Brasília, do jeito que o PT gosta”.
LÁ E CÁ
Durante sua filiação ao PMDB em Goiânia, ontem, o empresário José Batista Jr, o Júnior Friboi, saudou o governador Agnelo Queiroz (PT) e sinalizou que sua saída do PSB mexe no cenário nacional: “Espero que no ano que vem sejamos eu aqui e você no DF”.
APARÊNCIAS
O ex-governador José Serra sinalizou que participará no sábado da convenção que elegerá Aécio Neves (MG) presidente nacional do PSDB. Difícil é acreditar que, até lá, não surgirá um “imprevisto”.
TROCANDO BICADAS
Deputados do PSDB indicaram Bruno Araújo (PE) para secretária-geral do partido; já a bancada paulista reivindica o cargo para contemplar José Serra e o governador Geraldo Alckmin na executiva nacional.
ARENA DE EVENTOS
Para quem achava que o estádio Mané Garrincha seria um “elefante branco”, já há negociações em curso para shows, ainda este ano, do grupo Aerosmith e de Justin Bieber.
PAGOU A LÍNGUA
O líder da oposição, Nilson Leitão (PSDB-MT), provocou o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), durante votação da MP dos Portos: “Sua lição de casa hoje é escrever cem vezes a palavra privatização”.
CARA PESQUISA
Os deputados do DF Celina Leão (PSD) e Robério Negreiros (PMDB) passearam uma semana por nossa conta “pesquisando políticas para juventude existentes na Inglaterra”. Era só perguntar ao Google.
DEIXA COMIGO
Na tentativa de mostrar serviço, o ministro da Agricultura, Antônio Andrade (PMDB), fez questão de anunciar aos quatro cantos ontem no Congresso que o Plano Safra 2013/2014 está praticamente concluído.
PERGUNTA NA BOCA DO CAIXA
Eram para d. Marisa ou Rose as 14 caixas de chocolate compradas pelo Planalto com cartão corporativo, quando Lula era presidente?
PODER SEM PUDOR
FURA FILA SAFADO
O ex-deputado Paulo Heslander (PTB-MG) enfrentava, certa vez, uma enorme fila de embarque no Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, quando um passageiro bem vestido, atrás dele, foi solicitado a fazer o check-in antes de todos. Uma passageira reagiu indignada:
- Veja só que safado. Vai ver, é deputado.
Heslander se voltou para a mulher e rebateu:
- Desculpe, minha senhora. Safado ele pode ser, mas deputado não é. Deputado sou eu e estou na fila, como todo mundo.
Ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) distorcendo o clamor pela punição ao crime
CARTÃO CORPORATIVO PAGOU VINHO E CERVEJA DE LULA
A ação popular que resultou na condenação de onze servidores, oito deles da Presidência da República, produziu flagrantes do uso abusivo de cartão de crédito corporativo, como a compra de dez garrafas de vinho e três caixas de cerveja para consumo do então presidente Lula, na viagem de junho de 2003 ao “Bumbódromo”, em Parintins (AM). A Justiça decidiu que a farra não se enquadra como “recepção oficial”.
FARRA A BORDO
Foi no navio Pedro Teixeira, da Marinha, a viagem de Lula a Parintins, que virou farra regada a vinhos e cerveja Skol pagos pelo contribuinte.
EI, GARÇOM
Somente no item “bares e restaurantes”, em 2003, a Presidência da República torrou R$ 111.632,46 utilizando cartões corporativos.
POR NOSSA CONTA
Outras despesas da Presidência da República pagas pelo contribuinte envolvem caixas de chocolate, DVDs e flores, muitas flores.
DEVOLUÇÃO
Onze servidores foram condenados a devolver mais de R$ 2 milhões aos cofres públicos, gastos em compras ilegais com cartão corporativo.
COMANDO DA CAMPANHA DE DILMA ANIMA OPOSIÇÃO
Animou a oposição a notícia de que o comando da campanha de reeleição da presidenta Dilma será confiado ao
ministro Aloizio Mercadante (Educação) e ao presidente do PT, Rui Falcão, aquele que tem o hábito de dar tiros contra aliados e companheiros. A dupla é responsável por grandes desastres e aloprações eleitorais. E não é de agora: conduziram a candidatura Lula, em 2004, a ficar radicalmente contra o Plano Real, ajudando a eleger FHC no primeiro no turno.
CANDIDATO ALOPRADO
Na sua derrota para José Serra, ao governo paulista, em 2006, Aloizio Mercadante estava no centro do desastrado “dossiê dos aloprados”.
BAIXO NÍVEL
Em 2008, Rui Falcão comandou derrota de Marta Suplicy à reeleição para prefeita, após os golpes de baixo nível contra Gilberto Kassab.
DIA DO BOTAFOGO
Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol, completa 88 anos nesta quinta (16). Não por coincidência, comemora-se o Dia do Botafogo.
COMO PINTO NO LIXO
O deputado Rubens Bueno (PPS-PR) está espantado, mas não surpreso, com o que se viu na votação da MP dos Portos: “Criaram um balcão de negócios em Brasília, do jeito que o PT gosta”.
LÁ E CÁ
Durante sua filiação ao PMDB em Goiânia, ontem, o empresário José Batista Jr, o Júnior Friboi, saudou o governador Agnelo Queiroz (PT) e sinalizou que sua saída do PSB mexe no cenário nacional: “Espero que no ano que vem sejamos eu aqui e você no DF”.
APARÊNCIAS
O ex-governador José Serra sinalizou que participará no sábado da convenção que elegerá Aécio Neves (MG) presidente nacional do PSDB. Difícil é acreditar que, até lá, não surgirá um “imprevisto”.
TROCANDO BICADAS
Deputados do PSDB indicaram Bruno Araújo (PE) para secretária-geral do partido; já a bancada paulista reivindica o cargo para contemplar José Serra e o governador Geraldo Alckmin na executiva nacional.
ARENA DE EVENTOS
Para quem achava que o estádio Mané Garrincha seria um “elefante branco”, já há negociações em curso para shows, ainda este ano, do grupo Aerosmith e de Justin Bieber.
PAGOU A LÍNGUA
O líder da oposição, Nilson Leitão (PSDB-MT), provocou o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), durante votação da MP dos Portos: “Sua lição de casa hoje é escrever cem vezes a palavra privatização”.
CARA PESQUISA
Os deputados do DF Celina Leão (PSD) e Robério Negreiros (PMDB) passearam uma semana por nossa conta “pesquisando políticas para juventude existentes na Inglaterra”. Era só perguntar ao Google.
DEIXA COMIGO
Na tentativa de mostrar serviço, o ministro da Agricultura, Antônio Andrade (PMDB), fez questão de anunciar aos quatro cantos ontem no Congresso que o Plano Safra 2013/2014 está praticamente concluído.
PERGUNTA NA BOCA DO CAIXA
Eram para d. Marisa ou Rose as 14 caixas de chocolate compradas pelo Planalto com cartão corporativo, quando Lula era presidente?
PODER SEM PUDOR
FURA FILA SAFADO
O ex-deputado Paulo Heslander (PTB-MG) enfrentava, certa vez, uma enorme fila de embarque no Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, quando um passageiro bem vestido, atrás dele, foi solicitado a fazer o check-in antes de todos. Uma passageira reagiu indignada:
- Veja só que safado. Vai ver, é deputado.
Heslander se voltou para a mulher e rebateu:
- Desculpe, minha senhora. Safado ele pode ser, mas deputado não é. Deputado sou eu e estou na fila, como todo mundo.
QUINTA NOS JORNAIS
- Globo: Revolução na medicina – Cientistas americanos clonam embrião humano
- Folha: Zona do euro enfrenta sua mais longa recessão
- Estadão: Governo já prepara vetos a mudanças na MP dos Portos
- Valor: Minoritários ganham força nas decisões das empresas
- Zero Hora: TJ divulga salários e nomes de servidores
- Correio Braziliense: Quadrilha explorava asiáticos em regime escravo
quarta-feira, maio 15, 2013
Sociedade ilimitada - MARTHA MEDEIROS
ZERO HORA - 15/05
Tenho um amigo que é inteligente, mas nunca desenvolveu o hábito de ler. Fui a primeira escritora que ele conheceu pessoalmente, então aproveitei para, devagarzinho, introduzi-lo nesse novo mundo, primeiro dando a ele livros meus (ora, ora), e depois sugerindo outros melhores.
Ele foi bastante receptivo, mas eu percebia sua dificuldade em se fixar na leitura, em realmente embarcar na história – lia três páginas num sábado, mais três na quinta-feira, e assim, nesse pinga-pinga, levava meses até chegar à última. Semana passada, conversamos e ele me contou, orgulhoso, que já havia lido seis livros desde o início de 2013.
Parece pouco para quem lê 40, 50, 60 livros por ano, mas se compararmos com a média nacional anual (quatro, sendo que apenas dois são lidos até o fim e estão incluídos a Bíblia e os didáticos), seis livros de ficção entre janeiro e maio é uma façanha. Meu amigo está lendo mais, e com mais voracidade. Ele até brincou comigo: “Pareço aqueles fumantes viciados que quando estão no finalzinho da carteira já precisam ter outra fechada aguardando”. Ele fuma apenas três carteiras por dia, ainda bem que não é um fumante viciado.
Seis livros e mais ampliação de horizonte. Seis livros e a mágica de começar a escrever melhor, a se desamarrar de ideias prontas, a descobrir como vivem e sentem outras pessoas. Seis livros e menos televisão, seis livros e menos conversa fiada, seis livros e mais autoestima, seis livros e emoções nunca antes experimentadas, seis livros e outros seis na sequência, e mais 10, mais 17, quantos forem necessários até criar em cada leitor a sensação de pertencer a uma sociedade aberta, culta e evoluída.
Escrevi agora sobre a sensação de pertencer e isso me remeteu ao Clube Social Pertence, conduzido por Sarita Zinger e Victor Freiberg, que há 13 anos trabalham com deficientes. É um projeto de socialização de jovens que possuem poucas oportunidades de deixar o convívio familiar, devido a suas necessidades especiais.
O clube programa saídas, em pequenos grupos, para cinemas, teatros, restaurantes, churrascos, jogos esportivos e outros eventos, a fim de que aqueles que possuem restrições físicas e mentais possam desenvolver múltiplas vivências e se sentir integrados. A experiência tem sido um sucesso, mas falta mais divulgação, então eis os contatos: www.clubesocialpertence.com.br e www.facebook/clubesocialpertence.com.br.
Nem todo vício é ruim. Nem toda dependência é danosa. Um livro emendado no outro. Uma pessoa contando com outra. O que parece prisão, é justamente o contrário.
Tenho um amigo que é inteligente, mas nunca desenvolveu o hábito de ler. Fui a primeira escritora que ele conheceu pessoalmente, então aproveitei para, devagarzinho, introduzi-lo nesse novo mundo, primeiro dando a ele livros meus (ora, ora), e depois sugerindo outros melhores.
Ele foi bastante receptivo, mas eu percebia sua dificuldade em se fixar na leitura, em realmente embarcar na história – lia três páginas num sábado, mais três na quinta-feira, e assim, nesse pinga-pinga, levava meses até chegar à última. Semana passada, conversamos e ele me contou, orgulhoso, que já havia lido seis livros desde o início de 2013.
Parece pouco para quem lê 40, 50, 60 livros por ano, mas se compararmos com a média nacional anual (quatro, sendo que apenas dois são lidos até o fim e estão incluídos a Bíblia e os didáticos), seis livros de ficção entre janeiro e maio é uma façanha. Meu amigo está lendo mais, e com mais voracidade. Ele até brincou comigo: “Pareço aqueles fumantes viciados que quando estão no finalzinho da carteira já precisam ter outra fechada aguardando”. Ele fuma apenas três carteiras por dia, ainda bem que não é um fumante viciado.
Seis livros e mais ampliação de horizonte. Seis livros e a mágica de começar a escrever melhor, a se desamarrar de ideias prontas, a descobrir como vivem e sentem outras pessoas. Seis livros e menos televisão, seis livros e menos conversa fiada, seis livros e mais autoestima, seis livros e emoções nunca antes experimentadas, seis livros e outros seis na sequência, e mais 10, mais 17, quantos forem necessários até criar em cada leitor a sensação de pertencer a uma sociedade aberta, culta e evoluída.
Escrevi agora sobre a sensação de pertencer e isso me remeteu ao Clube Social Pertence, conduzido por Sarita Zinger e Victor Freiberg, que há 13 anos trabalham com deficientes. É um projeto de socialização de jovens que possuem poucas oportunidades de deixar o convívio familiar, devido a suas necessidades especiais.
O clube programa saídas, em pequenos grupos, para cinemas, teatros, restaurantes, churrascos, jogos esportivos e outros eventos, a fim de que aqueles que possuem restrições físicas e mentais possam desenvolver múltiplas vivências e se sentir integrados. A experiência tem sido um sucesso, mas falta mais divulgação, então eis os contatos: www.clubesocialpertence.com.br e www.facebook/clubesocialpertence.com.br.
Nem todo vício é ruim. Nem toda dependência é danosa. Um livro emendado no outro. Uma pessoa contando com outra. O que parece prisão, é justamente o contrário.
O Juízo Universal - RUY CASTRO
FOLHA DE SP - 15/05
RIO DE JANEIRO - No ótimo "O Juízo Universal" (1961), filme do italiano Vittorio de Sica, recém-lançado em DVD no Brasil, uma voz vinda das nuvens anuncia: "Hoje, às 18h, começa o Juízo Universal!". Como todos têm pecados a pagar, o alvoroço é geral. Uma grã-fina, interpretada por Silvana Mangano, sente-se responsável pelo Juízo, por causa das trampolinagens que seu marido, um empresário vivido por Jack Palance, cometeu para lhe dar casacos de peles, joias, iates e até um arranha-céu -e, histérica, passa a denunciá-lo na frente das visitas.
"Por mim", ela grita, enquanto ele tenta fechar-lhe a boca, "você se manchou, traiu, pecou, extorquiu, perverteu, corrompeu, roubou, fraudou, furtou, copiou, assaltou, usurpou, deturpou, especulou, falsificou, desfalcou, difamou, degenerou, depravou, prevaricou, transviou, aviltou, pilhou, subornou e se apropriou!"
Deve ter sido isso que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), quis dizer outro dia ao denunciar o grau de roubalheira e de impunidade no país. "Os grandes casos de corrupção no Brasil foram descobertos por acidente", disse ele. "O controle é zero. O sujeito fica rico, bilionário, com fazenda, indústria, patrimônio, e não acontece nada. O povo não sabe de um décimo do que se passa contra ele. Se não, ia faltar guilhotina para a Bastilha, para cortar a cabeça de tanta gente que explora esse sofrido povo brasileiro".
A queda da Bastilha aconteceu em 1789, e a guilhotina só foi instituída três anos depois -porque o carrasco não estava dando conta de cortar tantas cabeças com o machado. Bem, não importa. Alckmin completa: "[Para a] corrupção, o paraíso é o Judiciário" e, se dependermos da Justiça, as coisas "ainda vão levar 20 anos para mudar".
Alckmin é otimista. O problema é se tivermos de esperar pelo Juízo Universal.
RIO DE JANEIRO - No ótimo "O Juízo Universal" (1961), filme do italiano Vittorio de Sica, recém-lançado em DVD no Brasil, uma voz vinda das nuvens anuncia: "Hoje, às 18h, começa o Juízo Universal!". Como todos têm pecados a pagar, o alvoroço é geral. Uma grã-fina, interpretada por Silvana Mangano, sente-se responsável pelo Juízo, por causa das trampolinagens que seu marido, um empresário vivido por Jack Palance, cometeu para lhe dar casacos de peles, joias, iates e até um arranha-céu -e, histérica, passa a denunciá-lo na frente das visitas.
"Por mim", ela grita, enquanto ele tenta fechar-lhe a boca, "você se manchou, traiu, pecou, extorquiu, perverteu, corrompeu, roubou, fraudou, furtou, copiou, assaltou, usurpou, deturpou, especulou, falsificou, desfalcou, difamou, degenerou, depravou, prevaricou, transviou, aviltou, pilhou, subornou e se apropriou!"
Deve ter sido isso que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), quis dizer outro dia ao denunciar o grau de roubalheira e de impunidade no país. "Os grandes casos de corrupção no Brasil foram descobertos por acidente", disse ele. "O controle é zero. O sujeito fica rico, bilionário, com fazenda, indústria, patrimônio, e não acontece nada. O povo não sabe de um décimo do que se passa contra ele. Se não, ia faltar guilhotina para a Bastilha, para cortar a cabeça de tanta gente que explora esse sofrido povo brasileiro".
A queda da Bastilha aconteceu em 1789, e a guilhotina só foi instituída três anos depois -porque o carrasco não estava dando conta de cortar tantas cabeças com o machado. Bem, não importa. Alckmin completa: "[Para a] corrupção, o paraíso é o Judiciário" e, se dependermos da Justiça, as coisas "ainda vão levar 20 anos para mudar".
Alckmin é otimista. O problema é se tivermos de esperar pelo Juízo Universal.
Olívia IPA - ANTONIO PRATA
FOLHA DE SP - 15/05
Fiz um curso para aprender a produzir cerveja em casa; a primeira leva deve chegar junto de Olívia, em junho
Acabo de receber o e-mail da "Sinnatrah Cervejaria-Escola" e tremo de felicidade: agora mesmo, enquanto derramo sobre o teclado estas maltraçadas linhas, aguarda-me num pequeno galpão em Perdizes o tão desejado kit; dois panelões de alumínio, um moedor de cereais, uma serpentina resfriadora, um termômetro, um galão de plástico, um afixador de tampinhas e outras quinquilharias que, daqui em diante, me permitirão produzir e beber minha própria cerveja -se isso não for a mais perfeita tradução de "sustentabilidade", não sei o que poderia ser.
Sábado passado, fiz o curso. Um dia inteiro no qual eu e uns outros 15 empolgados neófitos ajudamos o professor a preparar 20 litros de uma "American Pale Ale" -desde a moagem da cevada, passando pelo cozimento, adição do lúpulo, até a armazenagem no galão fermentador. Agora mesmo, enquanto derramo sobre o teclado estas maltraçadas linhas, nosso mosto está lá, repousando no pequeno galpão em Perdizes, aguardando que as leveduras, essas belas criaturas de Deus, levem a cabo sua nobre missão: transformar o açúcar do malte em álcool e CO2.
O mais legal de produzir cerveja em casa é que, ao contrário do vinho, do ketchup ou dos cortes de cabelo "homemade" -iniciativas louváveis, certamente, mas de resultados sempre discutíveis-, a versão amadora desta simples mistura de água, malte, lúpulo e levedura, se preparada no capricho, fica melhor do que as opções disponíveis no mercado. Pelo menos, no nosso mercado, em que, tirando as ousadias de algumas bravas microcervejarias, o que vemos são diversos rótulos oferecendo as mesmas idênticas e insossas bebidas.
Embora o "homebrewing" tenha existido desde sempre, a moda explodiu mesmo a partir dos anos 70, nos EUA, quando o presidente Jimmy Carter derrubou um resquício da Lei Seca que proibia os americanos de se aventurarem em suas cozinhas pelo fascinante mundo da cevada. Dali pra frente, muitos se profissionalizaram e hoje há por lá 15 mil microcervejarias criando receitas próprias, reavivando estilos europeus esquecidos havia séculos e levando a adição de lúpulo a níveis deliciosamente intoleráveis.
O lúpulo é uma trepadeira cuja flor dá o amargor e parte do aroma à cerveja. Com qualidades antibióticas, ajuda também a preservar a bebida. Daí que, para proteger as cervejas destinadas às colônias, aonde chegavam após longas viagens de navio, os ingleses as preparassem com mais álcool e mais lúpulo. Assim nasceu a Indian Pale Ale (mais conhecida como IPA), estilo bem amargo e preferido de nove entre dez cervejeiros caseiros.
Não fujo à regra: minha receita inaugural será uma IPA. Se tudo der certo, a primeira leva virá à luz no fim de junho, ao mesmo tempo em que outra produção, na qual minha mulher vem trabalhando com afinco há oito meses, der o ar de sua graça. Agora mesmo, enquanto derramo sobre o teclado estas maltraçadas linhas, Olívia recebe os últimos retoques e ganha peso, no conforto de uma barriga rotunda e bela, aguardando a hora de lançar ao mundo o seu brado retumbante. Será recebida com amor, carinho e 20 litros da "Olívia IPA". Peço aos amigos que tragam charutos, fraldas -e venham de táxi.
Fiz um curso para aprender a produzir cerveja em casa; a primeira leva deve chegar junto de Olívia, em junho
Acabo de receber o e-mail da "Sinnatrah Cervejaria-Escola" e tremo de felicidade: agora mesmo, enquanto derramo sobre o teclado estas maltraçadas linhas, aguarda-me num pequeno galpão em Perdizes o tão desejado kit; dois panelões de alumínio, um moedor de cereais, uma serpentina resfriadora, um termômetro, um galão de plástico, um afixador de tampinhas e outras quinquilharias que, daqui em diante, me permitirão produzir e beber minha própria cerveja -se isso não for a mais perfeita tradução de "sustentabilidade", não sei o que poderia ser.
Sábado passado, fiz o curso. Um dia inteiro no qual eu e uns outros 15 empolgados neófitos ajudamos o professor a preparar 20 litros de uma "American Pale Ale" -desde a moagem da cevada, passando pelo cozimento, adição do lúpulo, até a armazenagem no galão fermentador. Agora mesmo, enquanto derramo sobre o teclado estas maltraçadas linhas, nosso mosto está lá, repousando no pequeno galpão em Perdizes, aguardando que as leveduras, essas belas criaturas de Deus, levem a cabo sua nobre missão: transformar o açúcar do malte em álcool e CO2.
O mais legal de produzir cerveja em casa é que, ao contrário do vinho, do ketchup ou dos cortes de cabelo "homemade" -iniciativas louváveis, certamente, mas de resultados sempre discutíveis-, a versão amadora desta simples mistura de água, malte, lúpulo e levedura, se preparada no capricho, fica melhor do que as opções disponíveis no mercado. Pelo menos, no nosso mercado, em que, tirando as ousadias de algumas bravas microcervejarias, o que vemos são diversos rótulos oferecendo as mesmas idênticas e insossas bebidas.
Embora o "homebrewing" tenha existido desde sempre, a moda explodiu mesmo a partir dos anos 70, nos EUA, quando o presidente Jimmy Carter derrubou um resquício da Lei Seca que proibia os americanos de se aventurarem em suas cozinhas pelo fascinante mundo da cevada. Dali pra frente, muitos se profissionalizaram e hoje há por lá 15 mil microcervejarias criando receitas próprias, reavivando estilos europeus esquecidos havia séculos e levando a adição de lúpulo a níveis deliciosamente intoleráveis.
O lúpulo é uma trepadeira cuja flor dá o amargor e parte do aroma à cerveja. Com qualidades antibióticas, ajuda também a preservar a bebida. Daí que, para proteger as cervejas destinadas às colônias, aonde chegavam após longas viagens de navio, os ingleses as preparassem com mais álcool e mais lúpulo. Assim nasceu a Indian Pale Ale (mais conhecida como IPA), estilo bem amargo e preferido de nove entre dez cervejeiros caseiros.
Não fujo à regra: minha receita inaugural será uma IPA. Se tudo der certo, a primeira leva virá à luz no fim de junho, ao mesmo tempo em que outra produção, na qual minha mulher vem trabalhando com afinco há oito meses, der o ar de sua graça. Agora mesmo, enquanto derramo sobre o teclado estas maltraçadas linhas, Olívia recebe os últimos retoques e ganha peso, no conforto de uma barriga rotunda e bela, aguardando a hora de lançar ao mundo o seu brado retumbante. Será recebida com amor, carinho e 20 litros da "Olívia IPA". Peço aos amigos que tragam charutos, fraldas -e venham de táxi.
Mamãe - ROBERTO DaMATTA
O GLOBO - 15/05
O Dia das Mães passa e as mães ficam. Na boa ou má memória, como seres ausentes ou presentes. As provetas podem produzir bebês, mas só a maternidade constrói seres humanos dotados de capacidade para transitar entre afetos, angústias e amor — essa coisa propositadamente desmedida.
Não há mãe sem classificação porque todos têm mãe, como se diz aqui no Brasil. E quem tem mãe tem um mínimo de humanidade porque, conforme aprendi na escola, antes de ter lido Câmara Cascudo e de ser um estudante de sistemas de parentesco, a "mãe" é uma entidade interditada. Trata-se de termo sagrado que não pode ser invocado por qualquer pessoa ou em qualquer lugar sob pena de reação imprevisível.
Sonhei com um encontro com mamãe, confidenciou-me nesse último domingo, Dia das Mães, o meu lado mais problemático para o meu lado sem nenhum problema. Essas direitas e esquerdas que alguns ainda carregam dentro de si. E como foi? Um lado perguntou ao outro.
— No sonho, ela surgia bonita e com a fragrância de Leite de Rosas, seu perfume favorito. Abraçou-me com a intensidade do tempo que nos separava desde a sua morte e me beijou no rosto. A mão que tocava o piano deslizou pelo meu rosto aparando minhas lágrimas. Então nós nos olhamos como dois velhos. A idade subtraía a distância que nos fez filho e mãe, mãe e filho.
— Mamãe, mamãe, mamãe...
Eu soluçava com o alvoroço alegre dos que sabem que o milagre é veloz. E mamãe me confortava com o sereno carinho das mães — com aquele afago que prenuncia todos os afetos a serem posteriormente vividos ou suprimidos.
— Que luta essa sua, não?
— Verdade, mas todas as portas têm dois lados — respondi.
Ela me deu um abraço concluído. Abraço de regaço e colo que nós, homens, estamos sempre à procura.
— Eu vejo todos vocês mesmo neste mundo sem tempo ou espaço onde estou. Mas foi o seu chamado que me ressuscitou. Foi o poder da narrativa nascida no seu coração que me deu vida.
“Palavras, palavras, palavras...”, repetia o meu lado que havia lido Shakespeare.
Não me lembro de minha mãe comendo. Tenho a memória de papai sendo servido em primeiro lugar e apreciando a nossa boa e farta comida. De mamãe só tenho a recordação da mulher em volta da mesa, servindo a cada um de nós com precisão, cuidado e carinho
A mais grata memória de minha mãe surge com a música do seu piano. Vejo meu pai mudo e feliz, sentado na velha cadeira de balanço e vejo as mãos certeiras de mamãe atacando as teclas do piano e produzindo o milagre dessa arte que se faz se fazendo a si mesma no momento em que é feita. A melodia enchendo a sala modesta e renovando o encantamento pelo mundo que tem muito de péssimo mas é sempre redimido pela música. Essa música que se concretiza de modo diferente cada vez que é "tocada" ou "cantada".
Minha mãe, Maria de Lourdes Perdigão da Matta (Lulita), era filha de uma viúva cujo marido, Carlos da Silva Perdigão, foi assassinado no bar A Phenix de uma Manaus de teatro e sorvetes, numa trágica tarde de 24 de setembro de 1908. Morto por dois tiros de um revólver Galand, deixou minha avó, Emerentina de Azevedo Perdigão, com dois meninos e uma menina. Emerentina superou a desgraça ao encontrar numa outra tarde um magistrado baiano chamado Raul Augusto da Matta, pai de um menino e de uma menina.
Esse encontro acabou num casamento de viúvos com filhos que logo confirmaram sua felicidade tendo outros filhos. Seis filhos desse novo casamento dos quais a morte levou a metade — dois quando crianças, os outros, um jovem e dois adultos. Vovó dizia que sua sina era enterrar filhos e eu mesmo a acompanhei quando ela perdeu seu filho mais velho em nossa casa aqui em Niterói.
Mas para Raul e Emerentina o mais difícil de lidar não foram essas mortes todas (afinal todos morremos), mas o amor inesperado nascido entre Renato, o filho mais velho do viúvo, e de Lulita, a filha mais nova da viúva Emerentina, esses que foram meus amados pais.
— Como foi esse casamento entre vocês, irmãos de criação? — tive a liberdade de perguntar no sonho.
— Maravilhoso — disse mamãe, receosa de ser invejada pelos anjos. — Era um paraíso essa intimidade com um meio-irmão que virou namorado e marido. Nessa relação, o "impossível" e o "proibido" se entenderam e eu recebia o máximo da endogamia cujo limite é o incesto, ao lado daquele percentual mínimo de risco da exogamia que, levada ao extremo, como vocês antropologistas sabem muito bem, conduz à guerra. No meu caso feliz — continuou mamãe — quem deu minha mão a seu pai foi o meu amado padrasto, o pai do seu pai; e quem abençoava meu matrimônio foi a sogra postiça que era, ao mesmo tempo, minha mãe, sua amada avô Emerentina. Essa fusão de afinidade com consanguinidade era a felicidade plena: meus cunhados foram meus irmãos. Foi o dia mais feliz da minha vida! Só tive dias iguais quando você, seus quatro irmãos e sua irmã nasceram — terminou ela, desaparecendo depois de me abraçar longamente e exorcizar as minhas angústias.
Quando esse meu lado terminou a fantasia do sonho, o outro lado, aquele sem nenhum problema, acordou e, incontido, falou alto quase aos berros: mãe é mãe!
O Dia das Mães passa e as mães ficam. Na boa ou má memória, como seres ausentes ou presentes. As provetas podem produzir bebês, mas só a maternidade constrói seres humanos dotados de capacidade para transitar entre afetos, angústias e amor — essa coisa propositadamente desmedida.
Não há mãe sem classificação porque todos têm mãe, como se diz aqui no Brasil. E quem tem mãe tem um mínimo de humanidade porque, conforme aprendi na escola, antes de ter lido Câmara Cascudo e de ser um estudante de sistemas de parentesco, a "mãe" é uma entidade interditada. Trata-se de termo sagrado que não pode ser invocado por qualquer pessoa ou em qualquer lugar sob pena de reação imprevisível.
Sonhei com um encontro com mamãe, confidenciou-me nesse último domingo, Dia das Mães, o meu lado mais problemático para o meu lado sem nenhum problema. Essas direitas e esquerdas que alguns ainda carregam dentro de si. E como foi? Um lado perguntou ao outro.
— No sonho, ela surgia bonita e com a fragrância de Leite de Rosas, seu perfume favorito. Abraçou-me com a intensidade do tempo que nos separava desde a sua morte e me beijou no rosto. A mão que tocava o piano deslizou pelo meu rosto aparando minhas lágrimas. Então nós nos olhamos como dois velhos. A idade subtraía a distância que nos fez filho e mãe, mãe e filho.
— Mamãe, mamãe, mamãe...
Eu soluçava com o alvoroço alegre dos que sabem que o milagre é veloz. E mamãe me confortava com o sereno carinho das mães — com aquele afago que prenuncia todos os afetos a serem posteriormente vividos ou suprimidos.
— Que luta essa sua, não?
— Verdade, mas todas as portas têm dois lados — respondi.
Ela me deu um abraço concluído. Abraço de regaço e colo que nós, homens, estamos sempre à procura.
— Eu vejo todos vocês mesmo neste mundo sem tempo ou espaço onde estou. Mas foi o seu chamado que me ressuscitou. Foi o poder da narrativa nascida no seu coração que me deu vida.
“Palavras, palavras, palavras...”, repetia o meu lado que havia lido Shakespeare.
Não me lembro de minha mãe comendo. Tenho a memória de papai sendo servido em primeiro lugar e apreciando a nossa boa e farta comida. De mamãe só tenho a recordação da mulher em volta da mesa, servindo a cada um de nós com precisão, cuidado e carinho
A mais grata memória de minha mãe surge com a música do seu piano. Vejo meu pai mudo e feliz, sentado na velha cadeira de balanço e vejo as mãos certeiras de mamãe atacando as teclas do piano e produzindo o milagre dessa arte que se faz se fazendo a si mesma no momento em que é feita. A melodia enchendo a sala modesta e renovando o encantamento pelo mundo que tem muito de péssimo mas é sempre redimido pela música. Essa música que se concretiza de modo diferente cada vez que é "tocada" ou "cantada".
Minha mãe, Maria de Lourdes Perdigão da Matta (Lulita), era filha de uma viúva cujo marido, Carlos da Silva Perdigão, foi assassinado no bar A Phenix de uma Manaus de teatro e sorvetes, numa trágica tarde de 24 de setembro de 1908. Morto por dois tiros de um revólver Galand, deixou minha avó, Emerentina de Azevedo Perdigão, com dois meninos e uma menina. Emerentina superou a desgraça ao encontrar numa outra tarde um magistrado baiano chamado Raul Augusto da Matta, pai de um menino e de uma menina.
Esse encontro acabou num casamento de viúvos com filhos que logo confirmaram sua felicidade tendo outros filhos. Seis filhos desse novo casamento dos quais a morte levou a metade — dois quando crianças, os outros, um jovem e dois adultos. Vovó dizia que sua sina era enterrar filhos e eu mesmo a acompanhei quando ela perdeu seu filho mais velho em nossa casa aqui em Niterói.
Mas para Raul e Emerentina o mais difícil de lidar não foram essas mortes todas (afinal todos morremos), mas o amor inesperado nascido entre Renato, o filho mais velho do viúvo, e de Lulita, a filha mais nova da viúva Emerentina, esses que foram meus amados pais.
— Como foi esse casamento entre vocês, irmãos de criação? — tive a liberdade de perguntar no sonho.
— Maravilhoso — disse mamãe, receosa de ser invejada pelos anjos. — Era um paraíso essa intimidade com um meio-irmão que virou namorado e marido. Nessa relação, o "impossível" e o "proibido" se entenderam e eu recebia o máximo da endogamia cujo limite é o incesto, ao lado daquele percentual mínimo de risco da exogamia que, levada ao extremo, como vocês antropologistas sabem muito bem, conduz à guerra. No meu caso feliz — continuou mamãe — quem deu minha mão a seu pai foi o meu amado padrasto, o pai do seu pai; e quem abençoava meu matrimônio foi a sogra postiça que era, ao mesmo tempo, minha mãe, sua amada avô Emerentina. Essa fusão de afinidade com consanguinidade era a felicidade plena: meus cunhados foram meus irmãos. Foi o dia mais feliz da minha vida! Só tive dias iguais quando você, seus quatro irmãos e sua irmã nasceram — terminou ela, desaparecendo depois de me abraçar longamente e exorcizar as minhas angústias.
Quando esse meu lado terminou a fantasia do sonho, o outro lado, aquele sem nenhum problema, acordou e, incontido, falou alto quase aos berros: mãe é mãe!
Tarado é quem reprime - MARCELO COELHO
FOLHA DE SP - 15/05
Engana-se quem achar que o mundo de Nelson Rodrigues ficou restrito à década de 1950
Obeso, bundudo, de terno e colete, um senhor de certa idade dá ordens peremptórias ao garçom. "Menino! Aqui. Mais gelo! Mais ge-lo!"
A palavra se repete sempre em maior volume, crescendo em precisão, em clareza, em especificidade. "Ge-lo! GE-LÔ!"
Trata-se do Doutor Camarinha, o ginecologista alcoólatra de "O Casamento", adaptação teatral do romance de Nelson Rodrigues em cartaz no Tuca.
Difícil dar ideia por escrito da variedade de sugestões que, na voz do ator Élcio Nogueira Seixas, transparecem nesse simples pedido por mais gelo.
Há, naturalmente, a bebedeira do doutor. Tudo é motivo de comemoração, e ele quer mais gelo como alguém poderia querer mais de tudo -mais música, mais mulheres, mais barulho.
Ao mesmo tempo, sente o prazer do mando, da ordem, da dominação. Repete a palavra "gelo" como se o garçom fosse incapaz de entendê-la. Ou quem sabe porque há muito ruído no salão de festas.
Por ser alcoólatra, talvez o Doutor Camarinha quisesse frisar que está pedindo apenas gelo, e não mais uma dose da bebida. Ou o contrário: tudo não passa de um código entre ele e o garçom, que sabe perfeitamente como encher o copo.
Tudo isso seria o bastante se o universo de Nelson Rodrigues fosse puramente realista. Mas sabemos, como diz o anúncio para desligar os celulares no início da peça, que na imaginação de Nelson Rodrigues "tudo pode acontecer".
O Doutor Camarinha pede gelo de um modo diferente. Ele tem aquele tipo de exigência obsessiva, de fixação no detalhe, de relação com o objeto, que é típica do perverso, do fetichista sexual.
Ele diz "gelo, ge-lo, GE-LO" como alguém poderia dizer "velas!" ou "chicotes!". É implicante, detalhista, cri-cri, absurdo, no que tange a seu pedido.
Esse ambiente de perversão generalizada, de sexualização do que não é sexualizável, marca sem dúvida toda a obra de Nelson Rodrigues. O outro burguês da peça, vivido memoravelmente por Renato Borghi, é o doutor Sabino Uchoa Maranhão ("nome límpido e nostálgico de defunto", segundo o próprio).
O doutor Sabino implica com a secretária, que disca o telefone antigo com a ponta do lápis. "Por que não usa o dedo? O dedo, doutora Noêmia", e ele mostra o dedo, "o dedo!" Ele grita. "O dedo serve para discar!"
E o verbo "discar", ainda mais quando usado no infinitivo, ganha obscuras conotações. Roland Barthes dizia que os atos da perversão sempre se declinam de forma intransitiva. "Você escreve?" -a pergunta já é suspeita, reflete Barthes. Do mesmo modo, uma das mocinhas da peça pergunta à amiga: "E com ele, você fez? Fez tudo?".
Tudo, e mais do que tudo, de fato acontece nessa peça; é o que se espera de Nelson Rodrigues: incesto, assassinato, estupro, arremessando cada personagem contra o outro na satisfação mais bestial e triste dos instintos. O ato sexual, desculpa-se um padre, "o ato sexual é só uma mijada".
Mais pecaminoso, evidentemente, é ter esse pensamento.
Esses pais de família, essas mocinhas casadoiras, não se revelam apenas quando se entregam ao desejo.
O que "O Casamento" ajuda a entender é precisamente o contrário. A repressão aos instintos sexuais é tão pornográfica, tão bestial, tão sombria quanto o ato de libertá-los.
Quando o Doutor Camarinha pede gelo ao garçom, ou faz um discurso contra o homossexualismo ("nem os ratos escapam dessa desgraça!"), ele está tomado por instintos tão irracionais e grotescos quanto os que julga ver nas pessoas que critica.
Situada, como não podia deixar de ser, no Rio de Janeiro dos anos 1950, a encenação de "O Casamento" traz muitos toques estilísticos, no figurino por exemplo, da década de 1970.
Engano pensar, contudo, que aquele mundo repressivo desapareceu junto com as lambretas, a revista "Manchete" e o iê-iê-iê. Basta ver o pastor Feliciano e seus adeptos.
O chefe de igreja pentecostalista que se esfrega em cédulas de dinheiro, o padre pedófilo, o evangélico que abusa de meninos estão todos os dias nos jornais. São perfeitos personagens de Nelson Rodrigues.
"Uma bichinha", diz Renato Borghi já no fim da peça, "não pode desprezar cinco milhões de patacas!". Era um ato de desapego ao dinheiro incompatível com seu comportamento sexual. Deve ser por isso que tantos líderes evangélicos são contra os gays.
Pensando bem, o melhor que posso esperar desses deputados é que sejam completos corruptos. A corrupção não é de todo ruim; suponho que seja a melhor arma contra o fanatismo.
Engana-se quem achar que o mundo de Nelson Rodrigues ficou restrito à década de 1950
Obeso, bundudo, de terno e colete, um senhor de certa idade dá ordens peremptórias ao garçom. "Menino! Aqui. Mais gelo! Mais ge-lo!"
A palavra se repete sempre em maior volume, crescendo em precisão, em clareza, em especificidade. "Ge-lo! GE-LÔ!"
Trata-se do Doutor Camarinha, o ginecologista alcoólatra de "O Casamento", adaptação teatral do romance de Nelson Rodrigues em cartaz no Tuca.
Difícil dar ideia por escrito da variedade de sugestões que, na voz do ator Élcio Nogueira Seixas, transparecem nesse simples pedido por mais gelo.
Há, naturalmente, a bebedeira do doutor. Tudo é motivo de comemoração, e ele quer mais gelo como alguém poderia querer mais de tudo -mais música, mais mulheres, mais barulho.
Ao mesmo tempo, sente o prazer do mando, da ordem, da dominação. Repete a palavra "gelo" como se o garçom fosse incapaz de entendê-la. Ou quem sabe porque há muito ruído no salão de festas.
Por ser alcoólatra, talvez o Doutor Camarinha quisesse frisar que está pedindo apenas gelo, e não mais uma dose da bebida. Ou o contrário: tudo não passa de um código entre ele e o garçom, que sabe perfeitamente como encher o copo.
Tudo isso seria o bastante se o universo de Nelson Rodrigues fosse puramente realista. Mas sabemos, como diz o anúncio para desligar os celulares no início da peça, que na imaginação de Nelson Rodrigues "tudo pode acontecer".
O Doutor Camarinha pede gelo de um modo diferente. Ele tem aquele tipo de exigência obsessiva, de fixação no detalhe, de relação com o objeto, que é típica do perverso, do fetichista sexual.
Ele diz "gelo, ge-lo, GE-LO" como alguém poderia dizer "velas!" ou "chicotes!". É implicante, detalhista, cri-cri, absurdo, no que tange a seu pedido.
Esse ambiente de perversão generalizada, de sexualização do que não é sexualizável, marca sem dúvida toda a obra de Nelson Rodrigues. O outro burguês da peça, vivido memoravelmente por Renato Borghi, é o doutor Sabino Uchoa Maranhão ("nome límpido e nostálgico de defunto", segundo o próprio).
O doutor Sabino implica com a secretária, que disca o telefone antigo com a ponta do lápis. "Por que não usa o dedo? O dedo, doutora Noêmia", e ele mostra o dedo, "o dedo!" Ele grita. "O dedo serve para discar!"
E o verbo "discar", ainda mais quando usado no infinitivo, ganha obscuras conotações. Roland Barthes dizia que os atos da perversão sempre se declinam de forma intransitiva. "Você escreve?" -a pergunta já é suspeita, reflete Barthes. Do mesmo modo, uma das mocinhas da peça pergunta à amiga: "E com ele, você fez? Fez tudo?".
Tudo, e mais do que tudo, de fato acontece nessa peça; é o que se espera de Nelson Rodrigues: incesto, assassinato, estupro, arremessando cada personagem contra o outro na satisfação mais bestial e triste dos instintos. O ato sexual, desculpa-se um padre, "o ato sexual é só uma mijada".
Mais pecaminoso, evidentemente, é ter esse pensamento.
Esses pais de família, essas mocinhas casadoiras, não se revelam apenas quando se entregam ao desejo.
O que "O Casamento" ajuda a entender é precisamente o contrário. A repressão aos instintos sexuais é tão pornográfica, tão bestial, tão sombria quanto o ato de libertá-los.
Quando o Doutor Camarinha pede gelo ao garçom, ou faz um discurso contra o homossexualismo ("nem os ratos escapam dessa desgraça!"), ele está tomado por instintos tão irracionais e grotescos quanto os que julga ver nas pessoas que critica.
Situada, como não podia deixar de ser, no Rio de Janeiro dos anos 1950, a encenação de "O Casamento" traz muitos toques estilísticos, no figurino por exemplo, da década de 1970.
Engano pensar, contudo, que aquele mundo repressivo desapareceu junto com as lambretas, a revista "Manchete" e o iê-iê-iê. Basta ver o pastor Feliciano e seus adeptos.
O chefe de igreja pentecostalista que se esfrega em cédulas de dinheiro, o padre pedófilo, o evangélico que abusa de meninos estão todos os dias nos jornais. São perfeitos personagens de Nelson Rodrigues.
"Uma bichinha", diz Renato Borghi já no fim da peça, "não pode desprezar cinco milhões de patacas!". Era um ato de desapego ao dinheiro incompatível com seu comportamento sexual. Deve ser por isso que tantos líderes evangélicos são contra os gays.
Pensando bem, o melhor que posso esperar desses deputados é que sejam completos corruptos. A corrupção não é de todo ruim; suponho que seja a melhor arma contra o fanatismo.
Genebra não é Brasília - MARCELO DE PAIVA ABREU
ESTADÃO - 15/05
A vitória de Roberto Azevêdo na disputa pela posição de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) provocou grande alívio em Brasília. Depois que a União Europeia decidiu votar em bloco na candidatura do rival mexicano, houve o temor de que o brasileiro fosse derrotado. Uma derrota para o México resultaria em grandes estragos na postulação brasileira pela liderança política na América Latina, baseada, embora com claros exageros, em manter posição menos alinhada em relação a Washington.
Com base nas simétricas reações mexicanas à derrota de Herminio Blanco, é possível imaginar a reação brasileira a uma eventual derrota de Azevêdo. O ex-presidente do país Ernesto Zedillo, no Wall Street Journal, foi menos elegante do que sugeriria sua biografia e, confundindo pessoa com país, lamentou a escolha com o discutível argumento de que "o Brasil não foi o parceiro mais positivo da OMC". Já Jorge Castañeda foi inusitadamente comedido, limitando-se a sugerir que Azevêdo foi escolhido por ser da "confraria" de Genebra.
Não cabe dúvida de que a vitória decorreu do reconhecimento das virtudes do candidato, que teve envolvimento estreito em panels nos quais o Brasil contestou as políticas protecionistas de países desenvolvidos. As vitórias nos panels do açúcar e do algodão, contra a União Europeia e os EUA, respectivamente, foram marcos na consolidação do sistema de solução de controvérsias da OMC. Depois disso, o embaixador viu-se obrigado a defender posições menos sólidas quanto ao protecionismo no Brasil e à inclusão de mecanismo de ajuste de tarifas para levar em conta flutuações cambiais.
A vitória brasileira foi a vitória do multilateralismo. Herminio Blanco foi o principal negociador do Nafta, marco da abertura mexicana. A política comercial mexicana baseia-se na celebração de acordos regionais, em contraste com negociações multilaterais. Assim, após o Nafta, o México celebrou muitos outros acordos de livre comércio. É estratégia cuja generalização tem limites, especialmente para países com comércio menos concentrado geograficamente.
Na contabilidade dos votos, a vitória de Azevêdo dependeu crucialmente dos votos africanos. O México teria vencido se tivesse repartido os votos dos africanos que votaram no Brasil. Não é só na América Latina que o México é visto, nas palavras de Castañeda, "com suspicácia" por sua proximidade com os EUA. O apoio ao Brasil na África decorreu, também, da política de abertura de novas embaixadas e do uso menos intenso, pelos europeus, das tradicionais pressões sobre ex-colônias.
A derrota dos países desenvolvidos, que apoiaram a candidatura Blanco a despeito das "parcerias estratégicas" celebradas pela diplomacia brasileira, revela o aumento do peso das economias em desenvolvimento na economia mundial. E também falta de compromisso dos desenvolvidos com o multilateralismo, quando ganham proeminência as futuras negociações entre União Europeia e EUA e a do Trans-Pacific Trade Agreement.
A combinação da assimetria do peso de diferentes países no comércio mundial com a regra de que a cada país corresponde um voto gera problemas de governança que têm levado muitos organismos multilaterais à paralisia. Evitar que isso ocorra na OMC é tarefa espinhosa que exigirá todos os talentos de Azevêdo.
Ontem fui a uma agência dos Correios e retirei a encomenda de um DVD sobre a obra de Joseph Haydn. Paguei imposto equivalente a 72% do preço de face no Reino Unido. Ao pagar me veio à mente a declaração recente do ministro Fernando Pimentel, ao negar o protecionismo brasileiro: "Protecionismo é um conceito utilizado pelos países desenvolvidos quando querem entrar no mercado de outros países". Vamos torcer para que Roberto Azevêdo se distancie das posições de Brasília.
A vitória de Roberto Azevêdo na disputa pela posição de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) provocou grande alívio em Brasília. Depois que a União Europeia decidiu votar em bloco na candidatura do rival mexicano, houve o temor de que o brasileiro fosse derrotado. Uma derrota para o México resultaria em grandes estragos na postulação brasileira pela liderança política na América Latina, baseada, embora com claros exageros, em manter posição menos alinhada em relação a Washington.
Com base nas simétricas reações mexicanas à derrota de Herminio Blanco, é possível imaginar a reação brasileira a uma eventual derrota de Azevêdo. O ex-presidente do país Ernesto Zedillo, no Wall Street Journal, foi menos elegante do que sugeriria sua biografia e, confundindo pessoa com país, lamentou a escolha com o discutível argumento de que "o Brasil não foi o parceiro mais positivo da OMC". Já Jorge Castañeda foi inusitadamente comedido, limitando-se a sugerir que Azevêdo foi escolhido por ser da "confraria" de Genebra.
Não cabe dúvida de que a vitória decorreu do reconhecimento das virtudes do candidato, que teve envolvimento estreito em panels nos quais o Brasil contestou as políticas protecionistas de países desenvolvidos. As vitórias nos panels do açúcar e do algodão, contra a União Europeia e os EUA, respectivamente, foram marcos na consolidação do sistema de solução de controvérsias da OMC. Depois disso, o embaixador viu-se obrigado a defender posições menos sólidas quanto ao protecionismo no Brasil e à inclusão de mecanismo de ajuste de tarifas para levar em conta flutuações cambiais.
A vitória brasileira foi a vitória do multilateralismo. Herminio Blanco foi o principal negociador do Nafta, marco da abertura mexicana. A política comercial mexicana baseia-se na celebração de acordos regionais, em contraste com negociações multilaterais. Assim, após o Nafta, o México celebrou muitos outros acordos de livre comércio. É estratégia cuja generalização tem limites, especialmente para países com comércio menos concentrado geograficamente.
Na contabilidade dos votos, a vitória de Azevêdo dependeu crucialmente dos votos africanos. O México teria vencido se tivesse repartido os votos dos africanos que votaram no Brasil. Não é só na América Latina que o México é visto, nas palavras de Castañeda, "com suspicácia" por sua proximidade com os EUA. O apoio ao Brasil na África decorreu, também, da política de abertura de novas embaixadas e do uso menos intenso, pelos europeus, das tradicionais pressões sobre ex-colônias.
A derrota dos países desenvolvidos, que apoiaram a candidatura Blanco a despeito das "parcerias estratégicas" celebradas pela diplomacia brasileira, revela o aumento do peso das economias em desenvolvimento na economia mundial. E também falta de compromisso dos desenvolvidos com o multilateralismo, quando ganham proeminência as futuras negociações entre União Europeia e EUA e a do Trans-Pacific Trade Agreement.
A combinação da assimetria do peso de diferentes países no comércio mundial com a regra de que a cada país corresponde um voto gera problemas de governança que têm levado muitos organismos multilaterais à paralisia. Evitar que isso ocorra na OMC é tarefa espinhosa que exigirá todos os talentos de Azevêdo.
Ontem fui a uma agência dos Correios e retirei a encomenda de um DVD sobre a obra de Joseph Haydn. Paguei imposto equivalente a 72% do preço de face no Reino Unido. Ao pagar me veio à mente a declaração recente do ministro Fernando Pimentel, ao negar o protecionismo brasileiro: "Protecionismo é um conceito utilizado pelos países desenvolvidos quando querem entrar no mercado de outros países". Vamos torcer para que Roberto Azevêdo se distancie das posições de Brasília.
Ueba! Felipão tomou Activia! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 15/05
O Felipão solta a lista dos jogadores e eu solto a lista do torcedor: Lexotan, Rivotril, Apraz, Lorax
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Adorei esta: "Passageira é expulsa do voo Nova York/Los Angeles após não parar de cantar hit de Whitney Houston".
Na ponte aérea Rio/São Paulo seria o "Lek Lek Lek"! Cinquenta minutos de "Lek Lek Lek"! Rarará!
E esta: "Governo negocia liberar R$ 1 bilhão para aprovar MP dos Portos". Ou seja, mensalão. Congresso movido a mensalão.
E PMDB quer dizer Partido do Mensalão Disfarçado do Brasil! Rarará!
E atenção! Felipão tomou Activia e convocou a seleção pra Copa das Confederações. Activia vencido há oito meses! E com aquele sorriso das mulheres da propaganda!
O Felipão solta a lista dos jogadores e eu solto a lista do torcedor: Lexotan, Rivotril, Apraz, Lorax, Valium, Diazepam e Maracujina!
E sabe por que o Felipão não toma Viagra? Porque ele já é cabeça-dura.
Convoca os peladeiros do Brasil! Convoca o zagueiro da Gameleira Esporte Clube: o Bosta de Urso. Esse eu botava no gol. Não passava nada nem ninguém!
Escala o time do Vianas de São Bernardo: Icterícia, Frango do Carrefour e Barrichello. Bin Laden, Datena e Bundinha. Arrombado e Gogoboy.
O apelido Frango do Carrefour é porque ele solta gases em campo e bota a culpa no frango do Carrefour. "Ah, foi o frango do Carrefour que eu comi ontem."
Ou então o zagueiro do Itororó: Geladeira de Pobre. O apelido Geladeira de Pobre é porque a caxumba desceu pro saco e ele ficou com o ovo enorme. Por isso, Geladeira de Pobre: só tem ovo! Rarará!
E no banco: Paçoca e Comi o Paçoca! Ueba! Com esse time a gente derrubava até a Muralha da China! Rarará!
É mole? É mole, mas sobe!
Os Predestinados! Mais quatro para a minha série Os Predestinados! Presidente da Doca de Santos: Renato BARCO! Se privatizar, o Barco afunda.
E esta advogada na Bahia: Anna Rita Malandra. E o coordenador de odontologia de Ceilândia: Risomar Souza. Rarará!
E, para terminar, o presidente do sindicato dos aeronautas de Pernambuco: Aerovaldo. Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
O Felipão solta a lista dos jogadores e eu solto a lista do torcedor: Lexotan, Rivotril, Apraz, Lorax
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Adorei esta: "Passageira é expulsa do voo Nova York/Los Angeles após não parar de cantar hit de Whitney Houston".
Na ponte aérea Rio/São Paulo seria o "Lek Lek Lek"! Cinquenta minutos de "Lek Lek Lek"! Rarará!
E esta: "Governo negocia liberar R$ 1 bilhão para aprovar MP dos Portos". Ou seja, mensalão. Congresso movido a mensalão.
E PMDB quer dizer Partido do Mensalão Disfarçado do Brasil! Rarará!
E atenção! Felipão tomou Activia e convocou a seleção pra Copa das Confederações. Activia vencido há oito meses! E com aquele sorriso das mulheres da propaganda!
O Felipão solta a lista dos jogadores e eu solto a lista do torcedor: Lexotan, Rivotril, Apraz, Lorax, Valium, Diazepam e Maracujina!
E sabe por que o Felipão não toma Viagra? Porque ele já é cabeça-dura.
Convoca os peladeiros do Brasil! Convoca o zagueiro da Gameleira Esporte Clube: o Bosta de Urso. Esse eu botava no gol. Não passava nada nem ninguém!
Escala o time do Vianas de São Bernardo: Icterícia, Frango do Carrefour e Barrichello. Bin Laden, Datena e Bundinha. Arrombado e Gogoboy.
O apelido Frango do Carrefour é porque ele solta gases em campo e bota a culpa no frango do Carrefour. "Ah, foi o frango do Carrefour que eu comi ontem."
Ou então o zagueiro do Itororó: Geladeira de Pobre. O apelido Geladeira de Pobre é porque a caxumba desceu pro saco e ele ficou com o ovo enorme. Por isso, Geladeira de Pobre: só tem ovo! Rarará!
E no banco: Paçoca e Comi o Paçoca! Ueba! Com esse time a gente derrubava até a Muralha da China! Rarará!
É mole? É mole, mas sobe!
Os Predestinados! Mais quatro para a minha série Os Predestinados! Presidente da Doca de Santos: Renato BARCO! Se privatizar, o Barco afunda.
E esta advogada na Bahia: Anna Rita Malandra. E o coordenador de odontologia de Ceilândia: Risomar Souza. Rarará!
E, para terminar, o presidente do sindicato dos aeronautas de Pernambuco: Aerovaldo. Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Novo Cebrade - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 15/05
Carlos Lessa, Fernando Morais, João Pedro Stédile e outros 200 intelectuais e políticos se reuniram para fundar o Instituto de Estudos Políticos e Sociais, dedicado à “defesa da democracia e dos interesses nacionais e da paz”.
A assembleia será segunda, no Rio.
Esquerda volver...
Entre os criadores, o editor Renato Guimarães, que fundou, nos anos 1970, o Centro Brasil Democrático.
Foi este centro que fez o show em 30 de abril de 1981 no Riocentro, alvo da ação terrorista de militares.
Primeiro emprego...
Aliás, o governador Sérgio Cabral trabalhou, quando jovem, no Cebrade.
Rádio do aço
Ontem, na usina da CSA em Santa Cruz, no Rio, dava-se como certo que a Thyssenkrupp havia fechado com Benjamin Steinbruch. Pelo acordo, a CSN ficaria com um terço do negócio. E um outro terço, com os alemães.
A Vale permaneceria com os atuais 27% e também continuaria sendo a fornecedora do minério, embora a CSN tenha minas próprias.
Ouro negro
Com o TCU do Brasil à frente, já está em curso uma auditoria para descobrir para onde vai o dinheiro do petróleo no Brasil, na Argentina, na Colômbia e no Peru.
O TCU atua na nova Organização Latino-Americana e do Caribe de Entidades Fiscalizadoras Superiores.
Será que ele é?
A ex- mulher de um craque carioca que joga em São Paulo, após uma união de 15 anos, entrou com processo no Rio para reparação de perdas e danos morais e emocionais.
Descobriu que foi trocada há um ano não por outra... mas por outro.
No estaleiro
O pianista Nelson Freire vai parar de tocar por pelo menos três meses para se tratar de problemas de saúde.
Um recital, marcado recentemente na Sala Pleyel, em Paris, foi cancelado. Sua temporada no Brasil, como solista em concertos da Osesp, da Petrobras Sinfônica e da OSB, está ameaçada.
Duelo de irmãos
Maria Bethânia vai concorrer pela primeira vez como compositora no Prêmio da Música Brasileira, em junho.
Ela é coautora de “Carta de amor”, ao lado de Paulo César Pinheiro, indicada a melhor canção. E terá como concorrente o irmão Caetano Veloso, compositor de “Estou triste”.
Mestre do jogo
Com 11 mandatos, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, brincava ontem com quem comentava sobre o fato de ele convocar uma sessão para segunda-feira, dia dedicado pelos parlamentares a se recuperarem do fim de semana.
— Convoquei para segunda de olho na terça. Se chamasse para terça, corria o risco de só aparecerem aqui na quarta à noite.
Faz sentido.
Sustentabilidade
O Salgueiro terá patrocínio da Nissan. O enredo da escola para 2014, como se sabe, fala sobre sustentabilidade.
A montadora, em parceria com a Renault, é líder mundial na produção de veículos com emissão zero.
Oi, oi, oi
Alunos da Escola de Arquitetura da Universidade Columbia, em Nova York, fizeram um estudo sobre a... Avenida Brasil, a via que liga o Centro à Zona Oeste do Rio.
Elaboraram projetos de ciclovias e passagens de pedestres, inspiradas nas curvas do Rio, e parques integrados às estações da futura Transbrasil.
Caso bondinho
O MP Federal arquivou investigação contra Júlio Lopes, secretário estadual de Transportes, no caso do acidente do bondinho de Santa Teresa, em 2011, que deixou cinco mortos.
A acusação, segundo o advogado Ary Bergher, foi julgada improcedente.
Ópera do gato
O barítono americano Gregory Reinhart, que se apresenta amanhã com a OSB Ópera & Repertório no Teatro Municipal, viaja o mundo levando seu gato persa Biscuit.
Mas o gatinho, coitado, não pôde vir ao Rio. Ele pesa oito quilos, e o limite de peso estabelecido pela companhia aérea é de sete quilos. O gato até fez dieta. Mas não alcançou a meta.
A assembleia será segunda, no Rio.
Esquerda volver...
Entre os criadores, o editor Renato Guimarães, que fundou, nos anos 1970, o Centro Brasil Democrático.
Foi este centro que fez o show em 30 de abril de 1981 no Riocentro, alvo da ação terrorista de militares.
Primeiro emprego...
Aliás, o governador Sérgio Cabral trabalhou, quando jovem, no Cebrade.
Rádio do aço
Ontem, na usina da CSA em Santa Cruz, no Rio, dava-se como certo que a Thyssenkrupp havia fechado com Benjamin Steinbruch. Pelo acordo, a CSN ficaria com um terço do negócio. E um outro terço, com os alemães.
A Vale permaneceria com os atuais 27% e também continuaria sendo a fornecedora do minério, embora a CSN tenha minas próprias.
Ouro negro
Com o TCU do Brasil à frente, já está em curso uma auditoria para descobrir para onde vai o dinheiro do petróleo no Brasil, na Argentina, na Colômbia e no Peru.
O TCU atua na nova Organização Latino-Americana e do Caribe de Entidades Fiscalizadoras Superiores.
Será que ele é?
A ex- mulher de um craque carioca que joga em São Paulo, após uma união de 15 anos, entrou com processo no Rio para reparação de perdas e danos morais e emocionais.
Descobriu que foi trocada há um ano não por outra... mas por outro.
No estaleiro
O pianista Nelson Freire vai parar de tocar por pelo menos três meses para se tratar de problemas de saúde.
Um recital, marcado recentemente na Sala Pleyel, em Paris, foi cancelado. Sua temporada no Brasil, como solista em concertos da Osesp, da Petrobras Sinfônica e da OSB, está ameaçada.
Duelo de irmãos
Maria Bethânia vai concorrer pela primeira vez como compositora no Prêmio da Música Brasileira, em junho.
Ela é coautora de “Carta de amor”, ao lado de Paulo César Pinheiro, indicada a melhor canção. E terá como concorrente o irmão Caetano Veloso, compositor de “Estou triste”.
Mestre do jogo
Com 11 mandatos, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, brincava ontem com quem comentava sobre o fato de ele convocar uma sessão para segunda-feira, dia dedicado pelos parlamentares a se recuperarem do fim de semana.
— Convoquei para segunda de olho na terça. Se chamasse para terça, corria o risco de só aparecerem aqui na quarta à noite.
Faz sentido.
Sustentabilidade
O Salgueiro terá patrocínio da Nissan. O enredo da escola para 2014, como se sabe, fala sobre sustentabilidade.
A montadora, em parceria com a Renault, é líder mundial na produção de veículos com emissão zero.
Oi, oi, oi
Alunos da Escola de Arquitetura da Universidade Columbia, em Nova York, fizeram um estudo sobre a... Avenida Brasil, a via que liga o Centro à Zona Oeste do Rio.
Elaboraram projetos de ciclovias e passagens de pedestres, inspiradas nas curvas do Rio, e parques integrados às estações da futura Transbrasil.
Caso bondinho
O MP Federal arquivou investigação contra Júlio Lopes, secretário estadual de Transportes, no caso do acidente do bondinho de Santa Teresa, em 2011, que deixou cinco mortos.
A acusação, segundo o advogado Ary Bergher, foi julgada improcedente.
Ópera do gato
O barítono americano Gregory Reinhart, que se apresenta amanhã com a OSB Ópera & Repertório no Teatro Municipal, viaja o mundo levando seu gato persa Biscuit.
Mas o gatinho, coitado, não pôde vir ao Rio. Ele pesa oito quilos, e o limite de peso estabelecido pela companhia aérea é de sete quilos. O gato até fez dieta. Mas não alcançou a meta.
Cloro na piscina - SONIA RACY
ESTADÃO - 15/05
Menos de 50% dos órgãos públicos respeitam a Lei de Acesso à Informação. É o que revela levantamento inédito da Article 19, ONG sediada em Londres. Dos 141 pedidos feitos por cidadãos e ONGs entre junho de 2012 e abril deste ano, apenas 62 (44%)tiveram resposta adequada.
A pesquisa será divulgada dia 22, em São Paulo.
Elas por elas
O mercado de ações sequer piscou com a saída de Nelson Barbosa da Fazenda. Não acredita que Mantega preencherá a vaga com alguém que não esteja absolutamente alinhado ao seu pensamento.
Portanto, a política econômica continuará a mesma, bem diferente do que o setor deseja.
Para o alto…
Na mesma operação em que o avião de Gusttavo Lima foi detido pela Anac por irregularidades e mais de 90 ficaram impedidas de voar, foram vistoriadas também as aeronaves de… Roberto Carlos e Claudia Leitte.
…e avante!
A notícia foi boa: estavam regulares. E o rei fez até um agradecimento aos fiscais.
Questão de classe
Embora tivesse jurado que seria mero espectador, Lula não se conteve e roubou a cena durante debate sobre os dez anos do governo do PT, anteontem, em São Paulo. Falou por 40 minutos.
De classe 2
O ex-presidente evitou atrito com Marilena Chaui, que atacou a classe média. “Odeio a classe média. É um atraso de vida, a estupidez, o que tem de mais reacionário, conservador, arrogante e terrorista”, bradou a filósofa.
Lula respondeu em tom de brincadeira: “Depois de tantos anos que lutei para ser classe média, você vem e avacalha”.
Dia de festa
Em parceria com André Rubini, Fred Lengyel e José Lopes, Marcus Buaiz inaugura hoje o novo Royal Club, na Vila Olímpia, em São Paulo.
A festa contará com apresentação da funkeira Anitta.
Festa 2
Curiosidade: a casa, onde foram investidos quase R$ 2 milhões, terá terraço-fumódromo e palco para shows. “Nossas pesquisas indicaram desejos dos clientes neste sentido”, explica Buaiz.
A antiga Royal, mãe desta nova unidade, foi fechada.
Canguru feelings
Nem bem começou o ano da Alemanha no Brasil (segunda-feira), e já está sendo costurada parceria para 2016. O mensageiro da boa notícia é Danilo Miranda, que acaba de chegar de uma viagem a Austrália com o recado do Australian for the Arts.
O Tom de Vik
Após recriar a imagem de personalidades como Liz Taylor e Marilyn Monroe, Vik Muniz se debruçará na imagem de Tom Jobim. A obra será feita para a homenagem do Prêmio da Música Brasileira, dia 12 de junho, no Municipal do Rio.
Um vídeo sobre o material será projetado enquanto Caetano Veloso lê um texto de Francisco Bosco dedicado ao maestro.
Suspense
Entra na pauta do Condephaat, segunda-feira, o julgamento do projeto da XYZ no Jockey Club paulista. Isto é, 24 conselheiros darão seu veredito sobre a casa de eventos já em construção.
Suspense 2
E por falar em Condephaat, corre que o grupo Allard pediu ao órgão para alterar a resolução de tombamento que preserva hoje as características básicas do Hospital e Maternidade Matarazzo – construção do século 19.
Querem erguer espigão de vinte andares. O permitido é dez.
Na frente
Jorge Gerdau afirma: não convidou Eduardo Campos para participar de qualquer evento empresarial em Santa Catarina. Ele vai participar de seminário por lá – daqui a duas semanas.
Acontece hoje leilão do Projeto Dog Art – renda revertida para a ONG Ampara Animal. No MuBE.
Eduardo Moreira lança novo livro. Hoje, na Saraiva do Shopping Ibirapuera.
Na plateia do evento sobre os dez anos do PT, anteontem, um espectador queria saber a que horas seria servido o coquetel. “Todo lançamento de livro tem coquetel, né?”, indagou. Só que não.
A pesquisa será divulgada dia 22, em São Paulo.
Elas por elas
O mercado de ações sequer piscou com a saída de Nelson Barbosa da Fazenda. Não acredita que Mantega preencherá a vaga com alguém que não esteja absolutamente alinhado ao seu pensamento.
Portanto, a política econômica continuará a mesma, bem diferente do que o setor deseja.
Para o alto…
Na mesma operação em que o avião de Gusttavo Lima foi detido pela Anac por irregularidades e mais de 90 ficaram impedidas de voar, foram vistoriadas também as aeronaves de… Roberto Carlos e Claudia Leitte.
…e avante!
A notícia foi boa: estavam regulares. E o rei fez até um agradecimento aos fiscais.
Questão de classe
Embora tivesse jurado que seria mero espectador, Lula não se conteve e roubou a cena durante debate sobre os dez anos do governo do PT, anteontem, em São Paulo. Falou por 40 minutos.
De classe 2
O ex-presidente evitou atrito com Marilena Chaui, que atacou a classe média. “Odeio a classe média. É um atraso de vida, a estupidez, o que tem de mais reacionário, conservador, arrogante e terrorista”, bradou a filósofa.
Lula respondeu em tom de brincadeira: “Depois de tantos anos que lutei para ser classe média, você vem e avacalha”.
Dia de festa
Em parceria com André Rubini, Fred Lengyel e José Lopes, Marcus Buaiz inaugura hoje o novo Royal Club, na Vila Olímpia, em São Paulo.
A festa contará com apresentação da funkeira Anitta.
Festa 2
Curiosidade: a casa, onde foram investidos quase R$ 2 milhões, terá terraço-fumódromo e palco para shows. “Nossas pesquisas indicaram desejos dos clientes neste sentido”, explica Buaiz.
A antiga Royal, mãe desta nova unidade, foi fechada.
Canguru feelings
Nem bem começou o ano da Alemanha no Brasil (segunda-feira), e já está sendo costurada parceria para 2016. O mensageiro da boa notícia é Danilo Miranda, que acaba de chegar de uma viagem a Austrália com o recado do Australian for the Arts.
O Tom de Vik
Após recriar a imagem de personalidades como Liz Taylor e Marilyn Monroe, Vik Muniz se debruçará na imagem de Tom Jobim. A obra será feita para a homenagem do Prêmio da Música Brasileira, dia 12 de junho, no Municipal do Rio.
Um vídeo sobre o material será projetado enquanto Caetano Veloso lê um texto de Francisco Bosco dedicado ao maestro.
Suspense
Entra na pauta do Condephaat, segunda-feira, o julgamento do projeto da XYZ no Jockey Club paulista. Isto é, 24 conselheiros darão seu veredito sobre a casa de eventos já em construção.
Suspense 2
E por falar em Condephaat, corre que o grupo Allard pediu ao órgão para alterar a resolução de tombamento que preserva hoje as características básicas do Hospital e Maternidade Matarazzo – construção do século 19.
Querem erguer espigão de vinte andares. O permitido é dez.
Na frente
Jorge Gerdau afirma: não convidou Eduardo Campos para participar de qualquer evento empresarial em Santa Catarina. Ele vai participar de seminário por lá – daqui a duas semanas.
Acontece hoje leilão do Projeto Dog Art – renda revertida para a ONG Ampara Animal. No MuBE.
Eduardo Moreira lança novo livro. Hoje, na Saraiva do Shopping Ibirapuera.
Na plateia do evento sobre os dez anos do PT, anteontem, um espectador queria saber a que horas seria servido o coquetel. “Todo lançamento de livro tem coquetel, né?”, indagou. Só que não.
ACREDITE SE QUISER - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 15/05
A Prefeitura de São Paulo vai lançar uma campanha para tentar recuperar a credibilidade da coleta seletiva de lixo na cidade. A operação caiu em descrédito depois da revelação de que, embora moradores separassem corretamente os resíduos em suas casas e apartamentos, em recipientes para vidro, plástico, papel e orgânicos, eles eram novamente misturados e despejados num lixão.
LIXO NO LIXO
A campanha será feita quando duas novas centrais estiverem funcionando, com capacidade para reciclar, cada uma delas, 250 toneladas de material por dia. A construção deve ser anunciada na próxima semana, quando o prefeito Fernando Haddad (PT-SP) selará acordo com as concessionárias de lixo para que, em vez de construir 17 pequenas centrais, como previsto, elas façam quatro, maiores -as duas primeiras para 2014.
VASSOURA
A prefeitura anunciou no começo do ano em seu programa de metas que pretende reciclar 10% do lixo da cidade nos próximos anos.
É o equivalente a cinco vezes a capacidade atualmente instalada, de 249 toneladas por dia.
POSTE PESADO
O ex-presidente Lula voltou a ter sérias dúvidas sobre a viabilidade de Alexandre Padilha, ministro da Saúde, para o governo de SP. E a manifestar preferência por Guido Mantega -para desgosto de dirigentes do PT paulista, que consideram o ministro da Fazenda um poste difícil de carregar.
SOMOS MUITOS
Nas sondagens que o PT tem feito para buscar o perfil do candidato ideal, em todo o caso, constam ainda os nomes de Padilha, de Mantega, do prefeito Luiz Marinho, do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) e até de Aloizio Mercadante (Educação), que pediu para ser desconsiderado na disputa.
A BROADWAY É AQUI
Um projeto de formação de atores em teatro musical será lançado no segundo semestre pelo Sesi-SP. O investimento inicial do programa é de R$ 12 milhões.
As primeiras oficinas começam em agosto para 90 alunos do Sesi. E no início de 2014 serão abertas 90 vagas para cursos de formação de atores, com duração de três anos. A seleção terá prova escrita e audições.
CHECK IN
Depois de um hospital público e de autorização para serem enterrados nos cemitérios ao lado de seus donos, os animais de estimação podem ganhar também um hotel gratuito em SP. A proposta, do vereador David Soares (PSD), será discutida hoje em uma comissão da Câmara. Ele diz que muitas famílias deixam os bichos sozinhos em casa quando viajam ou os transportam de modo errado. O serviço ajudaria a "preservar a integridade física e psíquica desses seres".
QUEM VÊ CARA
Rodrigo Veronese recebeu um aviso em sua página do Facebook, anteontem: um francês estava usando fotos do ator brasileiro para seduzir e extorquir mulheres. "Quando entrei na página do cara, levei um susto: era minha foto. E nos álbuns dele havia várias imagens minhas que ele roubou da internet", diz Veronese. Ele e outros usuários comunicaram a administração da rede social e conseguiram bloquear o perfil do homem.
DE REPENTE, 30
E Veronese integra o elenco de um projeto de série nova para o GNT, "Aos 30". Ele faz o papel do amigo gay de três mulheres de 30 anos.
"BABALUUUUU"
A cantora Angela Maria comemorou 60 anos de carreira com um show no Clube Piratininga. O jogador do Santos Neymar, os cantores Cauby Peixoto, Agnaldo Timóteo, Roberta Miranda e Wanderléa, as duplas sertanejas Chitãozinho & Xororó e Rick & Renner e o ator Moacyr Franco estiveram no evento, anteontem.
AQUARELA DO BRASIL
Tomie Ohtake, 99, foi ao lançamento da Coleção Folha Grandes Pintores Brasileiros, anteontem, no Itaú Cultural. Ela e Paulo Pasta são alguns dos que estão retratados na série de livros. O arquiteto Rodrigo Ohtake, neto de Tomie, com a namorada, a estilista Fernanda Yamamoto, a artista Lygia Eluf e a curadora Maria Carolina Duprat Roggeri foram ao coquetel.
CURTO-CIRCUITO
Gringo Cardia é o diretor artístico do show que animará a festa de 50 anos de Xuxa, em SP. Afonso Nigro faz a produção musical.
Jorge Drexler se apresenta hoje e amanhã, às 22h, no Bourbon Street, em Moema. 18 anos.
O advogado Marcelo Knopfelmacher, presidente do Movimento de Defesa da Advocacia, recebe outros quatro líderes da classe em jantar hoje em sua casa.
Rodrigo Santoro é o novo garoto-propaganda da Kopenhagen.
LIXO NO LIXO
A campanha será feita quando duas novas centrais estiverem funcionando, com capacidade para reciclar, cada uma delas, 250 toneladas de material por dia. A construção deve ser anunciada na próxima semana, quando o prefeito Fernando Haddad (PT-SP) selará acordo com as concessionárias de lixo para que, em vez de construir 17 pequenas centrais, como previsto, elas façam quatro, maiores -as duas primeiras para 2014.
VASSOURA
A prefeitura anunciou no começo do ano em seu programa de metas que pretende reciclar 10% do lixo da cidade nos próximos anos.
É o equivalente a cinco vezes a capacidade atualmente instalada, de 249 toneladas por dia.
POSTE PESADO
O ex-presidente Lula voltou a ter sérias dúvidas sobre a viabilidade de Alexandre Padilha, ministro da Saúde, para o governo de SP. E a manifestar preferência por Guido Mantega -para desgosto de dirigentes do PT paulista, que consideram o ministro da Fazenda um poste difícil de carregar.
SOMOS MUITOS
Nas sondagens que o PT tem feito para buscar o perfil do candidato ideal, em todo o caso, constam ainda os nomes de Padilha, de Mantega, do prefeito Luiz Marinho, do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) e até de Aloizio Mercadante (Educação), que pediu para ser desconsiderado na disputa.
A BROADWAY É AQUI
Um projeto de formação de atores em teatro musical será lançado no segundo semestre pelo Sesi-SP. O investimento inicial do programa é de R$ 12 milhões.
As primeiras oficinas começam em agosto para 90 alunos do Sesi. E no início de 2014 serão abertas 90 vagas para cursos de formação de atores, com duração de três anos. A seleção terá prova escrita e audições.
CHECK IN
Depois de um hospital público e de autorização para serem enterrados nos cemitérios ao lado de seus donos, os animais de estimação podem ganhar também um hotel gratuito em SP. A proposta, do vereador David Soares (PSD), será discutida hoje em uma comissão da Câmara. Ele diz que muitas famílias deixam os bichos sozinhos em casa quando viajam ou os transportam de modo errado. O serviço ajudaria a "preservar a integridade física e psíquica desses seres".
QUEM VÊ CARA
Rodrigo Veronese recebeu um aviso em sua página do Facebook, anteontem: um francês estava usando fotos do ator brasileiro para seduzir e extorquir mulheres. "Quando entrei na página do cara, levei um susto: era minha foto. E nos álbuns dele havia várias imagens minhas que ele roubou da internet", diz Veronese. Ele e outros usuários comunicaram a administração da rede social e conseguiram bloquear o perfil do homem.
DE REPENTE, 30
E Veronese integra o elenco de um projeto de série nova para o GNT, "Aos 30". Ele faz o papel do amigo gay de três mulheres de 30 anos.
"BABALUUUUU"
A cantora Angela Maria comemorou 60 anos de carreira com um show no Clube Piratininga. O jogador do Santos Neymar, os cantores Cauby Peixoto, Agnaldo Timóteo, Roberta Miranda e Wanderléa, as duplas sertanejas Chitãozinho & Xororó e Rick & Renner e o ator Moacyr Franco estiveram no evento, anteontem.
AQUARELA DO BRASIL
Tomie Ohtake, 99, foi ao lançamento da Coleção Folha Grandes Pintores Brasileiros, anteontem, no Itaú Cultural. Ela e Paulo Pasta são alguns dos que estão retratados na série de livros. O arquiteto Rodrigo Ohtake, neto de Tomie, com a namorada, a estilista Fernanda Yamamoto, a artista Lygia Eluf e a curadora Maria Carolina Duprat Roggeri foram ao coquetel.
CURTO-CIRCUITO
Gringo Cardia é o diretor artístico do show que animará a festa de 50 anos de Xuxa, em SP. Afonso Nigro faz a produção musical.
Jorge Drexler se apresenta hoje e amanhã, às 22h, no Bourbon Street, em Moema. 18 anos.
O advogado Marcelo Knopfelmacher, presidente do Movimento de Defesa da Advocacia, recebe outros quatro líderes da classe em jantar hoje em sua casa.
Rodrigo Santoro é o novo garoto-propaganda da Kopenhagen.
Tiroteio no escuro - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 15/05
Perplexidade na votação da MP dos Portos. O PT não colocou a cara para defender a proposta do Planalto. Seus líderes não atuaram em conjunto. O PMDB adotou posição própria. Seu líder, Eduardo Cunha (RJ), não bancou sozinho a emenda da discórdia. Outros dirigentes do partido lhe deram apoio velado. Mas, para o governo Dilma, o mais conveniente é demonizá-lo.
CUT x Força Sindical
As duas maiores centrais sindicais adotaram posturas diferentes no processo de votação da MP dos Portos. A Força, cujos sindicatos representam os estivadores dos portos de Santos (SP), Rio de Janeiro e Paranaguá (PR), defendeu que também nos portos privados seja adotado o modelo de contratação pelo Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO). A CUT lavou as mãos. Não é a primeira vez que ela adota essa linha. No primeiro governo Lula, a CUT só foi a campo contra a emenda 3, que legalizava os trabalhadores pessoa jurídica, depois que a Força fez barulho. Na bancada sindical, existe a convicção que a CUT só se movimenta para neutralizar a Força Sindical.
Sem acordo
Os lobistas das entidades sindicais esperam pelo pior na MP dos Portos. Avaliam que a presidente Dilma vai vetar tudo o que não estiver na proposta original. Inclusive o que tiver sido incluído no acordo firmado no Senado.
Transparência
O ministro Jorge Hage (CGU) faz amanhã balanço da primeiro aniversário da Lei de Acesso à Informação. Foram respondidos 95,8% dos pedidos de informação. E destes, 79,2% atendidos. A Superintendência de Seguros Privados (8.477), o INSS (7.407), a Petrobras (5.322) e o Banco Central (3.403) foram os mais demandados.
O favorito
O PSDB paulista fará o secretário-geral da Executiva do partido, na convenção de sábado. Por sua ligação com o governador Geraldo Alckmin, o deputado federal Emanuel Fernandes é apontado como provável ocupante da posição.
Uma pedra em cima da divisão
A expectativa dos aecistas é colocar um ponto final na divisão interna com a convenção do PSDB, no sábado. Acreditam que ficará claro para a opinião pública que o partido tem um líder e um candidato, não havendo espaço para a ambiguidade. Dizem que eleito o novo comando, os tucanos vão parar de olhar para o umbigo e se voltar para fora, à sociedade e aos aliados.
Definido relator da LDO
O PMDB ganhou a briga na Comissão de Orçamento (CMO), e o deputado Danilo Forte (PMDB-CE) será o relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014. O PT bancou sua indicação a despeito de reivindicação do PR.
Orçamento impositivo
O novo relator, Danilo Forte, quer aprovar, na LDO, mecanismo que garanta a efetiva execução das emendas parlamentares. Em 2013, são R$ 8,9 bilhões em emendas individuais, com cota de R$ 15 milhões para cada deputado ou senador.
O presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), perdeu a votação que aprovou convite para Gilberto Carvalho depor na Comissão de Fiscalização.
CUT x Força Sindical
As duas maiores centrais sindicais adotaram posturas diferentes no processo de votação da MP dos Portos. A Força, cujos sindicatos representam os estivadores dos portos de Santos (SP), Rio de Janeiro e Paranaguá (PR), defendeu que também nos portos privados seja adotado o modelo de contratação pelo Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO). A CUT lavou as mãos. Não é a primeira vez que ela adota essa linha. No primeiro governo Lula, a CUT só foi a campo contra a emenda 3, que legalizava os trabalhadores pessoa jurídica, depois que a Força fez barulho. Na bancada sindical, existe a convicção que a CUT só se movimenta para neutralizar a Força Sindical.
"As obras nos estádios para a Copa são peças de marketing. As empresas brasileiras estão de olho é no Catar 2022"
Aldo Rebelo
Ministro do Esporte, minimizando o temor de atraso nas obras dos estádios, manifestado pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke
Sem acordo
Os lobistas das entidades sindicais esperam pelo pior na MP dos Portos. Avaliam que a presidente Dilma vai vetar tudo o que não estiver na proposta original. Inclusive o que tiver sido incluído no acordo firmado no Senado.
Transparência
O ministro Jorge Hage (CGU) faz amanhã balanço da primeiro aniversário da Lei de Acesso à Informação. Foram respondidos 95,8% dos pedidos de informação. E destes, 79,2% atendidos. A Superintendência de Seguros Privados (8.477), o INSS (7.407), a Petrobras (5.322) e o Banco Central (3.403) foram os mais demandados.
O favorito
O PSDB paulista fará o secretário-geral da Executiva do partido, na convenção de sábado. Por sua ligação com o governador Geraldo Alckmin, o deputado federal Emanuel Fernandes é apontado como provável ocupante da posição.
Uma pedra em cima da divisão
A expectativa dos aecistas é colocar um ponto final na divisão interna com a convenção do PSDB, no sábado. Acreditam que ficará claro para a opinião pública que o partido tem um líder e um candidato, não havendo espaço para a ambiguidade. Dizem que eleito o novo comando, os tucanos vão parar de olhar para o umbigo e se voltar para fora, à sociedade e aos aliados.
Definido relator da LDO
O PMDB ganhou a briga na Comissão de Orçamento (CMO), e o deputado Danilo Forte (PMDB-CE) será o relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014. O PT bancou sua indicação a despeito de reivindicação do PR.
Orçamento impositivo
O novo relator, Danilo Forte, quer aprovar, na LDO, mecanismo que garanta a efetiva execução das emendas parlamentares. Em 2013, são R$ 8,9 bilhões em emendas individuais, com cota de R$ 15 milhões para cada deputado ou senador.
O presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), perdeu a votação que aprovou convite para Gilberto Carvalho depor na Comissão de Fiscalização.
Todos os santos - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 15/05
Ideli Salvatti (Relações Institucionais) acionou até Roberto Jefferson em busca de ajuda para garantir o apoio do PTB na votação da medida provisória dos portos, ontem, na Câmara. O delator do mensalão, maior escândalo do governo Lula, concordou em ajudar o Planalto. O ex-deputado Benito Gama, presidente da sigla, também foi procurado para conter Silvio Costa (PE), que estava "incendiando" o plenário da Casa com posicionamento contrário à MP.
Articulação Diante do pedido, a dupla acionou Jovair Arantes (PTB-GO), líder do partido, que ficou de conversar com sua bancada.
Jogando a toalha Luiz Sérgio (PT-RJ) retirou emendas polêmicas da MP após pressão do Planalto e do PT: "Gleisi Hoffmann e José Guimarães me pediram", diz ele.
Show do bilhão Em tom de brincadeira, Eudes Xavier (PT-CE) disse a Amaury Teixeira (PT-BA) logo após registrar presença: "Vamos embora que eu quero meu R$ 1 bilhão!". O valor foi o prometido pelo governo em emendas em troca da aprovação da MP.
Taxímetro Diante das sucessivas obstruções na votação da MP dos Portos ontem, um deputado brincava: "O PMDB inaugurou a obstrução por hora nesta Casa".
Calendário Guido Mantega (Fazenda) acertou com o secretário-executivo, Nelson Barbosa, que ele entra em férias hoje. Sua exoneração será efetivada em 1º de junho.
Para depois 1 Setores do governo defendem que Alessandro Teixeira, que deixará o Ministério de Desenvolvimento e Indústria depois de pedido de Fernando Pimentel, seja realocado na Casa Civil após temporada de férias.
Para depois 2 Beto Vasconcelos, secretário-executivo de Glesi Hoffmann, deve deixar o posto no período. Outra opção é alocar Teixeira em um órgão internacional.
Mediação Joaquim Barbosa receberá Márcio Thomaz Bastos, advogado de José Roberto Salgado, do Banco Rural, no caso do mensalão. O presidente do STF convidou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para participar da audiência, na próxima segunda-feira.
Flashmob Barbosa tem dito que não precisa pautar a análise dos embargos de declaração do mensalão antes de levá-los ao plenário do Supremo. Ele pode surpreender os demais ministros e propor a análise dos recursos a qualquer momento.
QI A bancada federal do PSDB levará ao senador Aécio Neves (MG) o nome de Bruno Araújo (PE) como indicação para a secretaria-geral da sigla. A despeito da decisão, o posto segue como o preferido para acomodar a seção paulista na Executiva.
Tiro n'água De um sindicalista que participou da conversa com o Planalto ontem: "Foi uma reunião que levou do nada para lugar nenhum".
Sinergia Empenhado em derrubar a mudança no ICMS discutida no Senado, Geraldo Alckmin (PSDB) telefonou para Luiz Marinho (PT). O petista prometeu ajuda e levou o tema à reunião da Frente Nacional de Prefeitos.
Uni-vos Com apoio de setores do empresariado de Estados contrários às alterações no imposto, sindicatos da Força e da CGTB querem levar hoje 30 mil pessoas para protestar na Esplanada.
Visita à Folha Marina Grossi, presidente do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), visitou ontem a Folha. Estava com Eduardo Nunes, coordenador de comunicação, e Renato Nassar, assessor de imprensa.
com ANDRÉIA SADI e PAULO GAMA
tiroteio
"Com o discurso de ontem, Anthony Garotinho deixa de ser o Garotinho do PR para ser apenas um garotinho da Ideli."
DO DEPUTADO NILSON LEITÃO (PSDB-MT), líder da minoria na Câmara, sobre fala de Anthony Garotinho (PR-RJ) em defesa da votação da MP dos Portos.
contraponto
O que é isso, companheira?
A filósofa Marilena Chauí participou na segunda-feira de debate sobre o lançamento do livro "10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma'', organizado pelo sociólogo Emir Sader. Fez uma longa fala e terminou com um brado:
-Odeio a classe média -disse, para em seguida chamá-la de ''fascista'' e ''reacionária''.
Lula, que falou logo depois da acadêmica, tratou de aliviar o clima, para êxtase da plateia:
-Depois de anos que lutei para chegar à classe média, vem essa mulher e esculhamba com a classe média...
Ideli Salvatti (Relações Institucionais) acionou até Roberto Jefferson em busca de ajuda para garantir o apoio do PTB na votação da medida provisória dos portos, ontem, na Câmara. O delator do mensalão, maior escândalo do governo Lula, concordou em ajudar o Planalto. O ex-deputado Benito Gama, presidente da sigla, também foi procurado para conter Silvio Costa (PE), que estava "incendiando" o plenário da Casa com posicionamento contrário à MP.
Articulação Diante do pedido, a dupla acionou Jovair Arantes (PTB-GO), líder do partido, que ficou de conversar com sua bancada.
Jogando a toalha Luiz Sérgio (PT-RJ) retirou emendas polêmicas da MP após pressão do Planalto e do PT: "Gleisi Hoffmann e José Guimarães me pediram", diz ele.
Show do bilhão Em tom de brincadeira, Eudes Xavier (PT-CE) disse a Amaury Teixeira (PT-BA) logo após registrar presença: "Vamos embora que eu quero meu R$ 1 bilhão!". O valor foi o prometido pelo governo em emendas em troca da aprovação da MP.
Taxímetro Diante das sucessivas obstruções na votação da MP dos Portos ontem, um deputado brincava: "O PMDB inaugurou a obstrução por hora nesta Casa".
Calendário Guido Mantega (Fazenda) acertou com o secretário-executivo, Nelson Barbosa, que ele entra em férias hoje. Sua exoneração será efetivada em 1º de junho.
Para depois 1 Setores do governo defendem que Alessandro Teixeira, que deixará o Ministério de Desenvolvimento e Indústria depois de pedido de Fernando Pimentel, seja realocado na Casa Civil após temporada de férias.
Para depois 2 Beto Vasconcelos, secretário-executivo de Glesi Hoffmann, deve deixar o posto no período. Outra opção é alocar Teixeira em um órgão internacional.
Mediação Joaquim Barbosa receberá Márcio Thomaz Bastos, advogado de José Roberto Salgado, do Banco Rural, no caso do mensalão. O presidente do STF convidou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para participar da audiência, na próxima segunda-feira.
Flashmob Barbosa tem dito que não precisa pautar a análise dos embargos de declaração do mensalão antes de levá-los ao plenário do Supremo. Ele pode surpreender os demais ministros e propor a análise dos recursos a qualquer momento.
QI A bancada federal do PSDB levará ao senador Aécio Neves (MG) o nome de Bruno Araújo (PE) como indicação para a secretaria-geral da sigla. A despeito da decisão, o posto segue como o preferido para acomodar a seção paulista na Executiva.
Tiro n'água De um sindicalista que participou da conversa com o Planalto ontem: "Foi uma reunião que levou do nada para lugar nenhum".
Sinergia Empenhado em derrubar a mudança no ICMS discutida no Senado, Geraldo Alckmin (PSDB) telefonou para Luiz Marinho (PT). O petista prometeu ajuda e levou o tema à reunião da Frente Nacional de Prefeitos.
Uni-vos Com apoio de setores do empresariado de Estados contrários às alterações no imposto, sindicatos da Força e da CGTB querem levar hoje 30 mil pessoas para protestar na Esplanada.
Visita à Folha Marina Grossi, presidente do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), visitou ontem a Folha. Estava com Eduardo Nunes, coordenador de comunicação, e Renato Nassar, assessor de imprensa.
com ANDRÉIA SADI e PAULO GAMA
tiroteio
"Com o discurso de ontem, Anthony Garotinho deixa de ser o Garotinho do PR para ser apenas um garotinho da Ideli."
DO DEPUTADO NILSON LEITÃO (PSDB-MT), líder da minoria na Câmara, sobre fala de Anthony Garotinho (PR-RJ) em defesa da votação da MP dos Portos.
contraponto
O que é isso, companheira?
A filósofa Marilena Chauí participou na segunda-feira de debate sobre o lançamento do livro "10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma'', organizado pelo sociólogo Emir Sader. Fez uma longa fala e terminou com um brado:
-Odeio a classe média -disse, para em seguida chamá-la de ''fascista'' e ''reacionária''.
Lula, que falou logo depois da acadêmica, tratou de aliviar o clima, para êxtase da plateia:
-Depois de anos que lutei para chegar à classe média, vem essa mulher e esculhamba com a classe média...
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