sexta-feira, setembro 14, 2012

A HERANÇA DE QUÉRCIA - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 14/09

A família de Orestes Quércia, morto em 2010, está em conflito por causa de seu inventário. Os dois filhos mais velhos dele, Sidney e Fernando, pediram na Justiça prestação de contas sobre as empresas do pai. Do outro lado está a inventariante, Alaíde Quércia, mulher e mãe de outros quatro filhos do político.

HERANÇA 2
Quércia deixou uma fortuna oficial de R$ 150 milhões, de acordo com documentações entregues à Justiça depois de sua morte. Entre os próprios herdeiros existe a certeza de que uma perícia poderá fazer o valor ser multiplicado por três depois que os bens forem atualizados.

HERANÇA 3
Quércia deixou 26 empresas, como shoppings, fazendas de café, TVs e rádios espalhadas por todo o Brasil.

NADA A DECLARAR
Fernando Quércia confirma que ele e o irmão entraram com ação pedindo a prestação de contas. Mas afirma que nada pode comentar pois o processo corre em segredo de Justiça. Sérgio Marques da Cruz, advogado de Alaíde, afirma que "até o presente momento, não houve acordo" entre os herdeiros. E também se diz impedido de comentar processos relacionados ao inventário.

CESTO ALHEIO
A pancadaria da campanha de José Serra (PSDB-SP) sobre Fernando Haddad (PT-SP) pode beneficiar o líder nas pesquisas: 45% dos eleitores do petista que ainda podem mudar de voto optariam por Celso Russomanno (PRB-SP), segundo o Datafolha. Só 12% migrariam para o tucano.

PATRIMÔNIO
E Gabriel Chalita (PMDB-SP) diz que não concorda com a avaliação de seus assessores, feita à coluna, de que a aparição de Fernando Henrique Cardoso na campanha do PSDB ajudou a aumentar a rejeição de Serra, de 42% para 46%. "A rejeição do Serra é dele mesmo."

PLANO C
Chalita, por sinal, está bem posicionado entre os eleitores de Serra que ainda podem mudar de voto: 16% migrariam para ele, contra 13% que iriam para Haddad. A maioria, 42%, iria para Celso Russomanno.

VOO LIVRE
Já entre os eleitores de Russomanno que podem migrar, 27% optariam por Haddad, 20% por Serra e 17% por Gabriel Chalita.

SÓ ENTRE NÓS
Russomanno diz que nunca pensou em usar, em sua campanha, as imagens que o padre Marcelo Rossi lhe cedeu da missa que celebraram juntos, em agosto. O próprio religioso já tinha desautorizado publicamente o uso de sua imagem nos programas.

A fita que o padre deu a ele é só uma "lembrança" e está "bem guardada" em sua casa, diz o candidato.

BANCO IMOBILIÁRIO
O vice-presidente Michel Temer e a atriz Maria Fernanda Cândido foram anteontem ao prêmio Master Imobiliário. Heitor Bergamini, diretor da Gerdau, a arquiteta Patricia Anastassiadis e Octavio de Lazari Junior, presidente da Abecip, também estiveram no clube Atlético Monte Líbano.

JANTAR TURBINADO
Emerson Fittipaldi pilotou jantar no começo da semana para comemorar a etapa brasileira do campeonato FIA World Endurance. Foram à sede da Fiesp, na av. Paulista, empresários como Jonas Calson e celebridades como Bruna Lombardi e Hortência.

NEIL, O VELHO JOVEM
A autobiografia de Neil Young, que será publicada nos EUA em 25 de setembro, sai no Brasil até três dias depois, pela Globo Livros.

No livro, o roqueiro canadense escreve: "Estou sem [usar] drogas há sete meses. Ainda sinto fissura. Talvez eu queira uma cerveja, talvez eu queira um baseado. Sempre compus quando estava chapado".

O REGIME DE RONALDO
Ronaldo deve começar o seu regime para participar do quadro "Medida Certa", no "Fantástico", da Globo, na próxima semana. Além de se exercitar, mudará seus hábitos alimentares. A última vez em que ele revelou oficialmente seu peso foi em março de 2011: 105 kg. A emissora não confirma a participação do ex-jogador no quadro do programa.

VINIL
Leo Cavalcanti lança às 21h de hoje o LP do álbum "Religar" com show grátis no auditório Ibirapuera; "Comecei a pensar a música com lado A e lado B", diz ele, que posa com cabeça de leão que usou em videoclipe

CURTO-CIRCUITO
R. Pitta lança o videoclipe de "Metrô" no clube D.Edge, à 0h. 18 anos.

A ceramista Hideko Honma promove amanhã o evento "Sopa na Caneca", em prol da associação Travessia. A partir das 19h.

Karol Conká toca hoje no projeto Cidade Sonora. Na Funarte, às 19h30.

O arquiteto espanhol Fermín Vazquez mostra projeto de um bairro sustentável em Brasília. Hoje, às 16h30, no Fórum Urbanístico Internacional, em SP.

João Brasil, Helen Sancho e Cleycianne serão os DJs na festa do prêmio Multishow, na terça, no Rio. O Sambô fará show no dia.

Lilly e Renata Sarti lançam coleção de verão em sua nova loja no JK Iguatemi. Hoje, das 17h às 22h.

Reféns do fanatismo - MILTON HATOUM


O Estado de S.Paulo - 14/09


É invejável o fervor religioso dos principais candidatos a prefeito de São Paulo. Esses homens pios, indulgentes e generosos causam boa impressão. Juntos, formam uma seleta santidade nesta pecaminosa e desregrada terra Brasilis.

Haja santidade, caros leitores. Haja beija-mão a bispos, pastores, ao clérigo em geral. Um dos candidatos é católico fervoroso e autor de dezenas de livros de autoajuda. Outro tem laços estreitos com uma poderosa igreja neopentecostal. E tudo leva a crer que esse candidato usa o templo e a estrutura dessa igreja. O ideal seria agradar a todos os fiéis num espetacular ato ecumênico. Deus lhes agradeceria, indistintamente. Mas não é bem assim: as disputas inter-religiosas tornam-se cada vez mais acirradas no período pré-eleitoral. Além disso, não há apenas fiéis sob o vasto céu poluído de São Paulo. O que esses candidatos têm a dizer para um número nada desprezível de agnósticos, homens e mulheres que não praticam a fé das três religiões monoteístas nem as dos demais fiéis? O que eles vão dizer aos pecadores sem culpa, que fazem parte de um amplo arco ideológico? Aos libertários e anarquistas radicais, que não são poucos? Como agradar ao mesmo tempo aos milhões de participantes da parada GBTL e aos milhões da Marcha com Jesus? Eis aí um dilema moral. Ou um dilema dos pregadores da moral.

No dia das eleições, será que a maioria do povo vai pensar na devoção religiosa ou nos projetos sociais de cada candidato? Vai pensar em Jesus ou nos princípios éticos e na capacidade administrativa de fulano ou sicrano?

Deus, que em sua infinita piedade é onipresente e onipotente, sabe muito bem como sofrem as paulistanas que moram longe do lugar onde trabalham. São essas mulheres, crentes ou agnósticas, que votam; são elas que não têm onde deixar suas crianças numa creche. Elas e milhões de trabalhadores que, de manhã cedo e no começo da noite, passam horas dentro de um ônibus e de um vagão lotado da CPTM ou do metrô.

A crença ou o sentimento religioso faz parte da esfera íntima de cada pessoa e nada tem a ver com o proselitismo histérico contra o Demônio e suas tentações, ou com curas milagrosas em nome de Jesus. Os candidatos deviam parar com essa romaria bajuladora em busca de votos de fiéis e lembrar que o Estado brasileiro é laico. Deviam esclarecer seus programas e metas, dizer o que é factível em quatro anos de governo municipal, explicar se há recursos para construir creches, escolas, moradias e postos de saúde, melhorar o transporte público e o saneamento básico. Devem expor com clareza um programa de ação para enfrentar os problemas mais sérios da cidade, mas sem demagogia e proselitismo, sem recorrer a promessas delirantes. Prometer o impraticável é golpe baixo. E já se sabe que a promessa vã é a morte do político.

Suaves prestações - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 14/09


Além de uma secretaria no Ministério das Cidades, o pacote de apoio do PP de Paulo Maluf a Fernando Haddad (PT) em São Paulo incluiu a nomeação de Paulo Paiva Gomes da Silva como diretor-executivo da Geap, fundação responsável pelo plano de saúde dos servidores públicos. O PR, que herdará a vaga de Marta Suplicy no Senado, foi agraciado com a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, que será ocupada por um aliado do senador Blairo Maggi (MT).

DNA O nome de Gomes da Silva foi avalizado pelo ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades) e pelo PP. A Geap é uma fundação multipatrocinada. Ministérios e órgãos federais compõem o conselho deliberativo, responsável por indicar a diretoria-executiva.

Outro lado 1 A ntes da nomeação, o diretor da Geap ocupou a gerência regional da Paraíba, base eleitoral do ministro. Sua assessoria afirmou que ele conhece Ribeiro do ministério e do Estado.

Outro lado 2 O senador Blairo Maggi nega que a escolha de um aliado para posto na Agricultura tenha relação com a eleição paulistana. Afirma que o nome será técnico e que o cargo é uma "homenagem" a Mato Grosso.

Câmera... Cinegrafistas da campanha de Geraldo Júlio (PSB), de Recife, se credenciaram para registrar o almoço do governador Eduardo Campos (PE) com Lula. A ideia é utilizar as imagens no horário eleitoral de TV.

...indiscreta Campos, padrinho de Júlio, pretende usar as gravações como antídoto às acusações de que teria "traído" o ex-presidente, rompendo a aliança com o PT na capital pernambucana.

Indigestão O presidente nacional do PT, Rui Falcão, principal crítico de Campos, avisou aos organizadores do evento que não deverá comparecer. Paulo Frateschi, secretário de organização, representará a cúpula petista.

Prozac A defesa de João Paulo Cunha comemorou o voto da ministra Rosa Weber ontem, absolvendo o petista do crime de lavagem de dinheiro. "Foi auspicioso", disse o advogado Alberto Toron, para quem o placar de 6 a 5 indica chance de êxito em embargos infringentes para tornar a pena mais branda.

Calculadora Caso prospere o cálculo proposto por Cezar Peluso e, no recurso, algum ministro reveja seu voto, o ex-presidente da Câmara cumprirá seis anos em regime semi-aberto por peculato e corrupção passiva. Se punido por lavagem, seriam nove anos, em regime fechado.

Novos... A entrada de Lula na campanha de Nelson Pelegrino, hoje, deve coincidir com a primeira aparição do ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB) ao lado de ACM Neto (DEM), que lidera as pesquisas em Salvador.

... baianos A adesão de Imbassahy, que relutou em apoiar Neto porque pretendia ser candidato, foi intermediada pelo senador Aécio Neves, que chancelou o apoio ao DEM na Bahia de olho num acordo para 2014.

Laranja... Assessores do nanico Alfredo Flister (PHS), candidato em Belo Horizonte, foram à reunião sobre o debate da Globo num carro lotado de adesivos de apoio a Márcio Lacerda (PSB).

... mecânica Flister, que apoiaria o prefeito, lançou sua candidatura na última hora e concentra ataques no petista Patrus Ananias.

Piquete Cinco centrais sindicais entregarão a Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) proposta de mesa de negociação coletiva com o governo para discutir a regulamentação das greves de servidores públicos.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Isso equivale a quebrar o sigilo bancário de alguém e mentir o saldo, dizendo que ele tem R$ 1 milhão em conta quando tem R$ 1 mil."

DE FERNANDO HADDAD (PT), sobre exame que atestou que homem entrevistado em seu programa tem de fato catarata, diagnóstico que a prefeitura negou.

contraponto

YouTube

Ausente do show promovido por Caetano Veloso e Chico Buarque para arrecadar fundos para sua campanha, Marcelo Freixo (PSOL-RJ) reclamava da restrição imposta pela Justiça Eleitoral, que enviou funcionários para filmar o espetáculo para evitar propaganda política.

Mesmo morando no bairro do Teatro Casa Grande, o candidato à Prefeitura do Rio manteve distância estratégica. Ante as queixas de Freixo, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) perguntou:

-Quem sabe o TRE, que filmou tudo, não cede a fita para você assistir? Vale a pena tentar o melhor ângulo.

O outro lado do balcão - WILSON FIGUEIREDO

O GLOBO - 14/09


No momento em que o eminente ministro do STF Joaquim Barbosa é citado na imprensa ao expressar dúvidas sobre a utilidade da contratação de empresas de comunicação corporativa e assessoria de imprensa por órgãos públicos, uma análise detalhada das experiências de utilização desse modelo mostra que os governos ganharam agilidade e capacidade de resposta. Principalmente nesta etapa em que a Lei de Acesso à Informação gerou desafios e demandas ao gestor público.

Vale lembrar que a profissão de jornalista passou por muitas transformações. Até os anos 50, editores e repórteres ainda precisavam manter um segundo emprego, normalmente público, para sobreviver. Vieram em seguida a profissionalização, a exigência do diploma, a proliferação dos cursos de Comunicação Social. A partir da década de 90, as empresas de comunicação surgem como uma nova alternativa de trabalho para os profissionais da área.

Depois de meio século de carreira em jornais, também segui essa trajetória. Já aposentado do jornalismo diário, reencontrei numa das maiores empresas do setor o vício renovado da comunicação. Descobri que “do outro do lado do balcão”, como se diz no jargão da profissão, existem múltiplas aplicações para as técnicas jornalísticas.

Ali também se trabalha com informação, a base da atividade do jornalista. As empresas empregam profissionais com formação em comunicação e tornaram-se agências de notícias sobre seus clientes, permanentemente municiando os veículos. A novidade passa agora pelo mesmo tipo de trabalho para as redes sociais, nas quais as consultorias ajudam seus clientes a se relacionar com os internautas.

Iniciei esta nova fase da vida aos 80 anos. Hoje, sete anos depois, arrisco dizer que o trabalho das agências faz diferença no desenvolvimento da comunicação e na construção e proteção da reputação das organizações. Sempre com base no entendimento de que toda instituição tem o direito de avaliar sua imagem pública e de se comunicar com a sociedade para zelar por ela.

O primeiro impulso veio do setor privado. As empresas entenderam a importância de estruturar sua comunicação e fortalecer suas áreas de relacionamento com a imprensa, um dos principais vetores da formação da imagem pública na sociedade contemporânea. Além disso, passaram a usar o apoio de agências para questões como design, publicações, comunicação interna, gestão de redes sociais etc.

O movimento chegou também ao setor público, pressionado pelas demandas de transparência por parte da sociedade. Da mesma forma como ocorreu com a publicidade, os órgãos de governo perceberam a vantagem de complementar o trabalho realizado por suas áreas internas com a contratação de agências de comunicação corporativa.

A tendência já está consolidada aqui e no exterior. E o que era há alguns anos apenas uma boa novidade para um velho homem de imprensa tornou-se um mercado extremamente relevante para as organizações e para os profissionais da área de comunicação.

Os políticos e as "roupas de missa" - VIVIAN WHITEMAN

FOLHA DE S. PAULO - 14/09


UMA IMAGEM de campanha bem-sucedida se apoia sobretudo na harmonia entre cenário e figurino. Nas últimas semanas, candidatos à Prefeitura de São Paulo fizeram o mesmo programa -foram assistir às missas do padre Marcelo Rossi.

O cenário, uma igreja católica, tem seus códigos de vestimenta. Interessante começar com o figurino do anfitrião -não Deus em si, mas o anfitrião humano, neste caso, o padre-, que oscilou entre uma e outra extravagância, na tendência Vaticano.

Para receber José Serra (PSDB), padre Marcelo optou por uma veste branca com capa preta. No peito, uma cruz de malta (símbolo cristão usado na primeira Cruzada) estilizada.

Já Serra lançou mão da camisa social azul -o pretinho básico de qualquer político- e de uma jaqueta casual, estilo pai de família. Por baixo do colarinho, a ponta de uma camiseta branca, sinal de recato, como um vovô.

Já na vez de Gabriel Chalita (PMDB), o padre escolheu uma capa verde.

A decoração é um Jesus carnavalesco, tirando um dos pés do chão e emanando cores. Chalita segue seu uniforme despojado, com jeans, camisa branca e cinto. Combinação funcional que passa uma certa imagem de humildade.

Quando recebeu Celso Russomanno (PRB), o padre inverteu a lógica.

Botou uma veste preta e uma capa acetinada branca, com uma imagem de Jesus típica dos quadros populares. Russomanno foi o mais arrumadinho, o que mais se esforçou para fazer jus à expressão "roupa de missa": usou camisa social e paletó.

Na vez de Fernando Haddad (PT), padre Marcelo faltou e deixou no ar a curiosidade sobre o look que escolheria.

Estava com o dente quebrado, culpa de uma torrada (talvez diet, o padre anda bochechudo), e foi atrás de um implante imediatamente. Um sorriso furado, afinal, estraga mesmo qualquer foto.

Governo pensa em PDV - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 14/09

O governo estuda fazer programa de demissão voluntária para enxugar ao máximo o número de funcionários das sete companhias de docas. Uma das premissas do plano de concessão dos portos é modernizar essas estruturas federais, mas que se tornaram feudos de governadores. O Planalto quer extingui-las ao longo do tempo, substituindo-as por órgãos mais ágeis.

A questão é a dose
Cresce entre os advogados dos réus do mensalão a preocupação com a dosimetria das penas após indicação de que ministros do STF que votaram pela absolvição não irão participar do cálculo das penas. Com essas abstenções, a média de anos de condenação deverá ser alta. Ministros mais rigorosos sinalizam que usarão metodologia severa para o cálculo, como tirar a média entre o tempo mínimo e o tempo máximo da pena, e somar a esse resultado os anos referentes ao tempo mínimo. Advogados citam o caso de João Paulo Cunha, cuja pena pode ir de regime semiaberto a fechado, conforme a dosimetria.

"A legislação não obriga ninguém a fazer o que não quer. As empresas (de energia) têm opção: ou se adequam a ela ou devolvem o patrimônio à União. 
Edison Lobão
Ministro de Minas e Energia

Atualizado
Apesar da discrição e dos 82 anos, José Sarney (PMDB-AP) acompanha com lupa o julgamento do mensalão. Telefona com frequência a advogados dos réus para conversar sobre o tema, com interesse especial no amigo José Dirceu.

Reestruturação
O ministro do Trabalho, Brizola Neto, reivindica para sua pasta reestruturação no plano de carreira dos funcionários. Diz que, assim como na Previdência, na Saúde e na Cultura, a taxa de evasão de servidores chega a 30% devido à falta de perspectiva de crescimento. Brizola Neto afirma que o Planejamento recebeu bem a proposta.

"Approach"
Passada a ressaca das greves, o Planalto vai realizar reuniões com os movimentos sociais que saíram magoados das negociações salariais. De olho em 2014, setores do PT e o ex-presidente Lula defendem uma aproximação.

Advogados em alta
Advogados dos réus do mensalão comemoram efeitos positivos do julgamento: a turbinada nos honorários e a procura de seus serviços pelo empresariado. Subiram instantaneamente os preços para a clientela de Minas Gerais, onde os advogados são mal remunerados. Empresários, tensos com as decisões do STF sobre lavagem de dinheiro, contrataram escritórios por precaução.

O que é isso, companheiro?
Assessores do MEC censuraram matéria da Agência Brasil. Foram advertidos pela ouvidoria da estatal: "Uma das armas não letais de que o Estado pode dispor para controlar a imprensa é a censura. Acusações têm que ser levadas a sério".

O convite
Marta Suplicy teve audiência com a presidente Dilma dia 23 de agosto. Da reunião, saiu apenas que iria entrar na campanha de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo. Já naquele dia, foi convidada para ministra da Cultura.

GABRIEL CHALITA mandou avisar que está focado na eleição. O PT sinaliza que ele não será ministro mas, se quiser, secretário em eventual governo Haddad.

O que se há de fazer - DORA KRAMER

O ESTADÃO 14/09

Convenhamos, é duro um partido chegar ao auge de sua trajetória política, ocupar a Presidência da República em condições de popularidade nunca antes vistas neste País e, de repente, se deparar com a possibilidade de ver companheiros de jornada na cadeia.

Não como presos políticos, mas como prisioneiros comuns, condenados com base no Código Penal por Corte autônoma em vigência plena das regras democráticas e sistema de transparência total.

Reconheçamos, não é fácil para o PT ver a situação mudar tão radicalmente, indo de dono absoluto da situação, agente de mandos e desmandos, para o canto das cordas.

Fala-se que o ex-presidente Lula está inconformado. Relatam-se encontros para discutir uma forma de sair da enrascada que se desenha cada vez mais enroscada.

De um deles saiu Rui Falcão, presidente do PT, em sua notória falta de sutileza a denunciar o Supremo Tribunal como instrumento da “elite suja” e da “imprensa reacionária”.

Resultado prático nenhum, fora a exposição da medida do pânico e da surpresa com o fato de o Judiciário se empenhar em fazerjustiça. O PT, Lula e companhia estão atarantados, mas assim como aconteceu quando explodiu o escândalo do mensalão, vencido o momento da defensiva, haverá o tempo da ofensiva.

Na época, o talento de Lula aliado à carência de pudor em adotar a tese do caixa 2 propiciou uma volta por cima. No campo político deu certo.

Manipularam-se os fatos, gente com poder de influência na sociedade (não só na esfera da oposição partidária) silenciou e tudo parecia arranjado.

Agora, porém, é diferente. Abola está com os ministros do Supremo, que têm decidido por larga maioria e mediante acompanhamento do público nas sessões transmitidas pela televisão. Resultados, portanto, incontestáveis.

Como será, então, que o PT pensa reagir, se nada de eficaz há para fazer?
Denunciar o “golpe” a cortes internacionais? Sair pelo mundo acusando a Corte Suprema do Brasil de ter condenado corruptos? É de se ver quem estará disposto a aderir a tal combate.

Melhor assim.

Tal como há quem veja retrocesso judicial na condução que o Supremo dá ao julgamento do mensalão, houve quem visse riscos ao Estado de Direito na Lei da Ficha Limpa.

O raciocínio era o mesmo adotado agora por Márcio Thomaz Bastos: o perigo de se instalar uma anarquia institucional da qual amanhã ou depois poderia se servir o “guarda da esquina” para ferir direitos e garantias de qualquer cidadão.

Mas o que se vê nessa primeira eleição em que se aplica a exigência da ficha limpa é todo dia algum candidato renunciar ou ser impugnado pela Justiça Eleitoral.

Sem nenhum abuso e nos conformes da legalidade.

Vários são os casos e diferentes os partidos. João Paulo Cunha, do PT, renunciou à candidatura em Osasco por que mesmo se eleito não tomaria posse devido à condenação por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção.

Severino Cavalcanti, do PP, está impedido de concorrer à reeleição em João Alfredo (PE) porque em 2005 renunciou à presidência da Câmara e ao mandato de deputado para não ser cassado por corrupção.

Celso Giglio, do PSDB, não poderá disputar em Osasco por ter tido suas contas rejeitadas pela Câmara Municipal quando prefeito (2001-2004).

Valdinei Medina e Rosemberg Alves, ambos do PSOL, saíram do páreo para vereador no Rio. O primeiro porque já foi condenado por roubo e o segundo por suspeita de ligação com milícias.

Sem o filtro da ficha limpa esse pessoal poderia tranquilamente concorrer. E pior: se eleger.

Coadjuvante. A ministra Marta Suplicy lista três razões pelas quais a candidatura de Fernando Haddad será vitoriosa: “Lula é Deus, Dilma é bem avaliada e eu tenho o apelo de quem faz”.

Sobre as credenciais do pretendente a prefeito, nem remota menção.

Contra-ataque de Lula e Dilma - ELIANE CANTANHÊDE


FOLHA DE S. PAULO - 14/09


BRASÍLIA - Lula, o PT, os réus e os advogados, perplexos, vinham aceitando o julgamento do mensalão como quem vai para o matadouro. Isso mudou. Lula convocou a general Dilma Rousseff, rearticulou as tropas e partiu para o contra-ataque no STF e na campanha.

Bastou uma reunião de Lula com José Dirceu, o advogado Márcio Thomaz Bastos e o petista Sigmaringa Seixas para tudo ganhar nova dinâmica -e a "apolítica" Dilma perder velhos pudores e entrar em ação.

De repente, Dilma deu de ombros para as inevitáveis críticas e nomeou Marta Suplicy para a Cultura, dias depois de a senadora rebelde subir nos palanques e reforçar os programas de Fernando Haddad.

A própria presidente desistiu de esperar o segundo turno e mergulhou na campanha de Haddad, mesmo sabendo que os aliados -como o PRB de Russomanno- iriam gritar. E usou o cargo e o governo para avisar ao eleitor paulistano: olhe bem, com Haddad, creches e moradias vão sair... Só com ele?

No Supremo, o revisor Lewandowski absolve os mequetrefes (abrindo caminho para absolver os poderosos?), enquanto Dias Toffoli rasga a fantasia e assume ostensivamente o discurso do PT: o valerioduto foi provado, mas já existia em Minas (com o PSDB) e é diferente do mensalão, "cena de um outro capítulo". Qual?

Dilma indicou para o STF um nome acima de qualquer suspeita (e de qualquer partido): Teori Zavascki, maduro (64), experiente (do STJ) e preferido de Gilmar Mendes e de Nelson Jobim, que, de petistas, não têm nada. No dia seguinte, Zavascki já estava no Senado, articulando a sabatina. No segundo dia, em pleno recesso branco, Renan Calheiros (PMDB) apresentava parecer acolhendo a indicação. Sangria desatada.

Zavascki tornou-se uma incógnita. Ele já disse que não conhece os autos. Para não votar? Ou para pedir vistas? Se pedir, rompe-se o que Lula mais teme: o entrelaçamento eleição-condenação de Dirceu.

Caçadas a Pedrinho- EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 14/09


Talvez seja até um bom sinal, em país acostumado a dizer que "tudo termina em pizza", a circunstância de que tanta coisa, agora, alcance o Supremo Tribunal Federal.

Constitui evidente exagero, todavia, que a polêmica sobre o livro "Caçadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, necessite da intervenção do STF para ser dirimida.

Ainda não se chegou a acordo definitivo sobre o tema, na audiência de conciliação promovida nesta semana pelo ministro Luiz Fux. De um lado, o Ministério da Educação não concorda em sustar a distribuição da obra nas escolas públicas. De outro, representantes do movimento negro veem racismo em expressões usadas pelo autor quando se refere a Tia Nastácia.

Parece faltar equilíbrio em muitas dessas manifestações. Em primeiro lugar, não se trata propriamente de "censura" ao clássico infantil. "Caçadas de Pedrinho" continua a circular livremente.

Em segundo lugar, há sinais de racismo em vários escritos de Monteiro Lobato. Num trecho de sua obra adulta chegou a referir-se à presença de uma "pretalhada inextinguível" no país. Comparando Nastácia a uma "macaca de carvão", no momento em que a cozinheira sobe às pressas numa árvore, sem dúvida o livro "Caçadas de Pedrinho" desperta conotações racistas -ainda que o mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoides), notável pela agilidade, tenha pelagem aloirada.

O recurso a notas explicativas e materiais auxiliares poderia perfeitamente evitar, se é que existe tal risco, o reforço de uma mentalidade racista entre os alunos. Mais que isso, seria estímulo interessante à discussão do tema.

Para alguns setores do movimento negro, não é suficiente. Com parcela de razão, argumentam que nem sempre os professores da rede pública estão preparados para desenvolver esclarecimentos satisfatórios sobre o assunto.

E sobre vários outros, cabe acrescentar. A lembrança não exclui, entretanto, a comichão censória que tantas vezes acompanha o espírito politicamente correto. Julga-se eliminar o racismo recalcando, e não dissecando, suas manifestações.

A audiência de conciliação registrou, ao que se noticia, alguns avanços, mas ainda se reivindicam "medidas concretas" para que os professores da rede pública sejam devidamente preparados para tratar de "Caçadas de Pedrinho".

Há algo de ridículo nessa insistência, e não há conciliação possível quando uma das partes está mais interessada em manter a discussão para além do que seu âmbito, restrito e pontual, permite.

CLAUDIO HUMBERTO

“O dinheiro é para o crime o que o sangue é para a veia”
Ministra Carmen Lúcia (STF) durante novo voto marcante, no julgamento do mensalão

CULTURA FOI ‘PAGAMENTO À VISTA’ POR APOIO DE MARTA

A posse da senadora Marta Suplicy no cargo de ministra da Cultura representou uma espécie de “pagamento à vista” ou “antecipado” pelo apoio dela ao candidato petista à prefeitura paulistana, Fernando Haddad. É dessa maneira que sua posse tem sido mencionada nos altos escalões do PT. Ela não aceitou negociar espaço na prefeitura somente no caso de Haddad vencer a disputa.

DÁ CÁ, TOMA LÁ

Marta se recusou a negociar cargo no governo Dilma após a eleição municipal. Ou seu ministério saía logo ou não haveria apoio explícito.

CONDIÇÃO

Sob pressão, inclusive de Lula, que vetara sua candidatura a prefeita, Marta impôs a condição do ministério para se engajar na campanha.

À ESPERA

Em conversas com Lula e Dilma, Marta lembrou que virou senadora, em 2010, na perspectiva de disputar a prefeitura ou virar ministra.

CONTA OUTRA...

“Aos 66 anos não posso acreditar em Papai Noel”, disse o ministro Marco Aurélio, sobre Geiza Dias não saber a origem do dinheiro sujo.

VERGONHA: TC-DF AGORA DEFENDE DONOS DE ÔNIBUS

O Tribunal de Contas do DF suspendeu, outra vez, a licitação destinada a mudar o sistema de transporte coletivo de Brasília, um dos mais ordinários do País. O TC-DF exige que o governo “indenize” os “investimentos” dos donos dos ônibus, que há décadas circulam clandestinamente, em vez de fazê-los indenizar o DF pelo histórico de péssimos serviços e tarifas extorsivas. Ganharam tanto que compraram uma empresa aérea (Vasp) e criaram outra (Gol).

PODER ECONÔMICO

Generosos financiadores de campanhas eleitorais, os empresários de transporte coletivo exercem grande poder e influência no DF.

EXIGÊNCIAS DEMAIS...

O procurador do Trabalho Alessandro Miranda recorreu à Justiça contra a licitação para novos ônibus no DF alegando razões curiosas.

...O CIDADÃO DESCONFIA

Miranda quer obrigar o DF a exigir ônibus com equipamentos como ar, câmbio automático e motor traseiro, que só a Volvo pode fornecer.

MINISTRO SIGMARINGA

Admiradores do ex-deputado e jurista Sigmaringa Seixas se mobilizam para que ele venha a ser o ministro do STF na vaga de Carlos Ayres Britto, que se aposentará em novembro.

MINERAÇÃO EM PAUTA

José Fernando Coura, presidente do Ibram, instituto que representa as mineradoras, mobilizou apoio do governo, CNI e Vale na disputa contra o Cazaquistão para sediar, no Brasil, o 24º Congresso Mundial de Mineração. As mineradoras investirão US$ 75 bilhões no Brasil, até 2016.

FALTA CHAMAR PELO NOME

Em comerciais na televisão, o Tribunal Superior Eleitoral ensina que ganha dinheiro sujo quem vende o voto. Deveria avisar também, como autoridade executora da lei, que é crime vender ou comprar voto.

NÃO METE A COLHER

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se recusou a gravar vídeos de apoio ou participar de campanhas no Maranhão. O cacique prefere deixar a tarefa para sua filha, a governadora Roseana Sarney.

QUEDA ESPERADA

Segundo o senador Sérgio de Souza, o PMDB já espera queda de um terço no número de prefeituras comandadas pelo partido no Paraná. A sigla, hoje à frente de 120 prefeituras, lançou apenas 140 candidatos.

CELEIRO DE MINISTROS

Ministros nomeados por Dilma para o Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber e Teori Zavascki estudaram Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, assim como os aposentados Pedro Munoz (falecido em 1991), Paulo Brossard, Nelson Jobim e Ellen Gracie.

UM “ÇÁBIO”

O “soçiólogo” petista Emir Sader mostra o nível de sua “soçiologia” no Twitter: “De procer (sic) do Lula a paladino da moralidade pública, o (ministro) Joaquim Barbosa vai acabar ariano”. Nem pediu desculpas.

DEFINIÇÃO

O senador Benedito de Lira (PP) acredita que “a eleição está definida” a favor de Rui Palmeira em Maceió, mesmo que Ronaldo Lessa tenha a candidatura substituída: “Queremos acabar a festa no primeiro turno”.

NINGUÉM MERECE

Tem verbo novo no Twitter, que para bom entendedor basta: “toffolar”. 

PODER SEM PUDOR

SIMON E SEU ACENTO

Quando chegou ao Senado, em 1974, o senador gaúcho Pedro Simon estreou sob o signo da dúvida: como se deveria pronunciar corretamente o seu sobrenome? A pergunta interessava até às taquígrafas. Logo no primeiro dia, Simon fez um discurso, sublinhando frases com gestos marcantes, teatrais. Atacava duramente a ditadura. Jarbas Passarinho, governista, com ar grave, pediu um aparte.

- Ouço o nobre senador Passarinho - aquiesceu o gaúcho.

- Gostaria que V. Exa. esclarecesse de uma vez por todas: afinal, como devemos chamá-lo? Símon ou Simón? Seu acento é na frente ou atrás?

O plenário caiu na gargalhada. E Simon não respondeu.

SEXTA NOS JORNAIS


- Globo: Governo reduz encargo em folha para mais 25 setores

- Folha: Protestos anti-EUA se espalham

- Estadão: Imposto de 25 setores é reduzido e governo estuda mais medidas

- Valor: Fed banca maior liquidez e dá novo ânimo a mercados

- Estado de Minas: Ninguém aguenta mais….

- Brasil econômico: Governo vai mudar Infraero para atrair investimento em aeroporto

quinta-feira, setembro 13, 2012

Procura-se - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 13/09

O consórcio Invepar, que vai operar Guarulhos, está procurando um sócio estrangeiro que tenha grande experiência de gestão de aeroportos.
Embora integre o consórcio a ACSA, que administra aeroportos na África do Sul, o governo lamentou a ausência de empresas mais experientes nos consórcios que ganharam, em fevereiro, a concessão dos aeroportos de Brasília, Guarulhos e Campinas.

Mortalidade infantil
Relatório que o Unicef divulga hoje é só elogios ao Brasil. Diz que o país teve um dos melhores desempenhos na queda da mortalidade infantil em todo o mundo.
Hoje, segundo números da ONU, a cada mil crianças brasileiras que nascem, 16 morrem antes mesmo de completar 5 anos de idade. Para se ter uma ideia, em 1990, o número era acima de 30.

Ou seja...

A mortalidade na infância no Brasil caiu 73% desde 1990.

Bye, bye Brasil
Ricardo Teixeira, que mora na Flórida desde que deixou a CBF, ainda não pisou no Brasil.

Última forma
A boa gente Regina Casé não adotou um menino.
A atriz, que é inscrita no Cadastro Nacional da Adoção, diz que é uma linda ideia, mas, por enquanto, só tem uma filha, a querida Benedita.

Mão grande
Juliana Paes estava fotografando na Praia de São Conrado, ontem, quando passou um surfista gatuno e, vupt!, roubou o seu iPhone.
A atriz ficou arrasada. Ali estão todos os seus contatos.

PATRIMÔNIO ESQUECIDO
A Zona Oeste do Rio guarda tesouros históricos, que foram protegidos, mas necessitam de atenção do poder público. Um deles é a Fazenda do Viegas, em Senador Camará, tombada pelo Iphan em 1938. Construída em 1725 para ser a sede de uma fazenda de cana-de-açúcar, tornou-se pioneira no cultivo do café em todo o Estado do Rio. A casa rural tem ampla varanda com colunas toscanas de alvenaria, além de uma capela. Consta que D. Pedro II se hospedou lá em suas andanças pela região. Em 1996, a prefeitura do Rio implantou ali o Parque Municipal do Viegas, com acesso pela Rua Marmiari 221. Mas o leitor Ivo Korytowski, autor de um guia sobre o Rio e um apaixonado pelos sítios históricos da cidade, foi lá e descobriu que o local está sujo, malconservado e pichado. Aliás, há anos os moradores reclamam do abandono. O bosque no entorno, que justificou a criação do parque, é impossível ser aproveitado: o clima de insegurança com a favelização da área assusta os frequentadores. A prefeitura bem que poderia retomar a conservação da área e fazer dela mais uma joia carioca.

Melhorar a raça

O historiador carioca Fábio Koifman teve acesso ao arquivo do antigo "Serviço de Visto’,’ que funcionou discretamente entre 1941 e 1945, no antigo Palácio Monroe, no Rio.
O resultado é o livro "Imigrante ideal’,’ a ser lançado pela Editora Civilização Brasileira.

Veja só...
O governo Getúlio Vargas instituiu uma política imigratória seletiva para "melhorar’ a população brasileira.
Segundo Fábio, além de rejeitar judeus, negros, deficientes, o Serviço elegeu portugueses e suecos como "bons imigrantes”

Viva os imigrantes!
Aliás, Dilma Rousseff, filha de búlgaro, indicou um descendente de poloneses, Teori Zavascki, para a vaga de um descendente de italianos, Cezar Peluso, no STF.

Não viu
De Maradona, o ex-craque e ex-técnico da seleção argentina, sobre o empate entre Argentina e Peru, pelas eliminatórias da Copa de 2014:
— Não vejo filme de horror.

Fogueira da vaidade
A quadra da Portela chamava-se Natalino José do Nascimento, o Natal, lendário bicheiro que dirigiu a escola em seus anos dourados. Não se chama mais.
No fim de semana, o Conselho Deliberativo decidiu trocar o nome para... Nilo Figueiredo, o atual presidente da azul e branco.

Só que...
A imensa torcida portelense odiou.

No escuro

A Light cortou ontem a luz da RedeTV no Rio, por falta de pagamento.

Tal pai, tal filha
João Bosco, o grande artista, prepara uma surpresa para o público do Festival Tudo é Jazz, em Ouro Preto, a cidade mineira onde, há 40 anos, iniciou a carreira.
Amanhã, vai chamar ao palco a cantora Julia Bosco, sua filha, que este ano lançou seu primeiro álbum, "Tempo”

Cobrança ilegal
A juíza Márcia Cunha Silva Araújo de Carvalho, da 2? Vara Empresarial do Rio, concedeu liminar proibindo a Fetranspor de cobrar R$ 1 pelo cartão do bilhete único.
Se descumprir, terá que pagar multa diária de R$ 5 mil.

Espaço cultural
O restaurante Albamar, que funciona no que restou do antigo Mercado Municipal da Praça Quinze, foi autorizado a captar cerca de R$ 1,8 milhão pela Lei Rouanet para se transformar num espaço cultural.

Por falar em Lei Rouanet...
A produtora Bons Tempos prepara o CD e DVD "O mundo de Aldir Blanc” Será gravado com show ao vivo e a preços populares, no Rio. Terá a participação de 18 intérpretes. O MinC a autorizou a arrecadar R$ 1.541.200.

De guerra e de paz - DENISE ROTHENBURG


CORREIO BRAZILIENSE - 13/09

A confirmação da presença de Eduardo Campos em São Paulo neste fim de semana num evento de campanha de Fernando Haddad nada mais é do que uma cerimônia para que a cúpula dos dois partidos fumem o cachimbo da paz. Afinal, a presença dos governadores nordestinos, praticamente desconhecidos dos eleitores paulistanos, não tem muito efeito prático em termos de influência eleitoral. Mas, em termos de simbologia política, a mesa é farta.

Do jeito que as coisas caminhavam entre os dois partidos, com presidente do PT, Rui Falcão, chamando o presidente do PSB de traidor, a sensação era a de que os socialistas seriam enxotados da aliança da presidente Dilma Rousseff tão logo se conhecesse o resultado dessas eleições. Bastou os candidatos do PT no Nordeste encolherem para que o clima mudasse e os petistas chamassem o PSB a partilhar do convescote em São Paulo, onde o PT joga todo o seu peso.

Como parte desse script de ajudar Haddad, Campos recebeu há dois dias um telefonema do candidato petista, reforçando o convite para a foto com os governadores do Nordeste, região de onde saíram muitos moradores da metrópole paulista. Campos confirmou presença. Lá estarão também os governadores do Ceará, Cid Gomes; da Paraíba, Ricardo Coutinho; e do Piauí, Wilson Martins, todos do PSB, num ato programado para demonstrar uma unidade entre antigos aliados.

Enquanto isso, no Recife…

As praças do Recife antigo não terão a mesma sorte. Poderão reunir os governadores socialistas, mas tudo sem a presença do grande mestre, Lula. A colocação de todo o arsenal a serviço de São Paulo e a queda livre de Humberto Costa na disputa pelo comando da capital pernambucana praticamente tiraram Lula do palanque na cidade. Os problemas de garganta da semana passada — motivo do cancelamento da viagem do ex-presidente ao Nordeste no feriado de 7 de setembro — foram providenciais no sentido de tirar o cheiro de derrota dos petistas dos ombros do maior líder político do PT. Entre eles, Humberto Costa. Assim, o ex-presidente, mantida essa posição tirada há alguns dias, sempre poderá, se for o caso, se colocar como sócio na vitória de seus aliados de hoje e tentar amarrá-los para amanhã.

O amanhã é 2014

A tarefa de recolocar o PSB terá neste fim de semana apenas a primeira fase de uma série que precisa ocorrer para reforçar os laços entre os dois partidos. Nessa eleição municipal, por exemplo, talvez com a vista turvada por ver a antiga cúpula do partido envolvida no processo do mensalão, o PT tomou várias decisões que demonstraram descontrole e atropelos. A operação para fortalecer Haddad e a confusão em Recife desarticularam todo o jogo preparado em 2010, quando a prioridade era segurar o Senado. Lá atrás, dizia-se que partido precisava de Marta na vice-presidência do Senado. Agora, de repente, não precisa mais e ela assume hoje o Ministério da Cultura. E, para completar, jogaram o senador Humberto Costa numa eleição sem estrutura ou aliados. O resultado foi o enfraquecimento demonstrado nas pesquisas.

A tirar pelo que foi feito ao longo dos últimos meses para fortalecer o PT nas prefeituras, a maioria dos políticos deve se preparar para o que virá mais à frente. Tudo indica que 2014 será uma guerra sem precedentes com o PT usando e abusando da estrutura do governo federal para fortalecer seus candidatos a governador nos estados. Agora, entretanto, o momento de armistício que vivem PT e PMDB chega ao PSB. Bem… Pelo menos até a próxima briga!

Enquanto isso, na sala de café…

Teori Zavascki, indicado para ministro do Supremo Tribunal Federal no lugar de Cezar Peluso, esteve ontem no Senado para se apresentar aos parlamentares que precisam chancelar a escolha da presidente Dilma. Nas conversas, seguiu à risca o que pediu a presidente: nenhuma palavra sobre o mensalão.

O irrealismo das cotas - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 13/09


As políticas de ação afirmativa começaram a ser adotadas no País após a entrada em vigor da Constituição de 88. Nas duas últimas décadas, essas políticas favoreceram diversos grupos sociais. Mas, a partir do momento em que passaram a ser usadas com objetivos demagógicos, sendo convertidas em leis e levando à proliferação dos sistemas de cotas, elas se desfiguraram e passaram a acarretar os mais variados problemas.

O caso da Lei n.º 8.213/91, que obrigou as empresas a terem um contingente de pessoas "portadoras de necessidades especiais" em seu quadro de funcionários, é exemplar. A lei determina que as empresas que têm de 100 a 200 empregados são obrigadas a reservar 2% das vagas para pessoas com deficiência visual, auditiva, física ou mental. Para as empresas que têm de 201 a 500 empregados, a cota é de 3%. Para as que têm de 501 a 1.000 funcionários, a cota sobe para 4%. E para as empresas com mais de 1.001 empregados, a cota é de 5%.

Pela Lei as empresas só podem dispensar um trabalhador portador de necessidades especiais, depois de contratar outro deficiente para seu lugar, sob pena de ter de readmitir o demitido e de pagar a ele todos os salários relativos ao período em que não houve a contratação de outro empregado em condições semelhantes.

Quando a Lei entrou em vigor, seus defensores alegaram que a imposição de cota de trabalhadores deficientes, além de promover justiça social, traria vantagens corporativas para as empresas, e melhoraria a sua imagem perante o mercado. A ideia é que os portadores de deficiência ajudariam a melhorar o ambiente de trabalho, levando os consumidores a ver as empresas como organizações que não visam apenas ao lucro, mas que atuam com responsabilidade social.

Os fatos, contudo, não aconteceram como os defensores da Lei previam. Em várias cidades não há no mercado de trabalho local e regional portadores de deficiência em número suficiente para que as empresas possam preencher suas cotas.

Em muitas cidades surgiram intermediários de mão de obra de deficientes, que cobravam dos empregadores comissão para cada portador de necessidade especial contratado, convertendo a política de ação afirmativa em negócio.

Em algumas atividades econômicas, não há trabalhadores deficientes qualificados para atender às necessidades de todas as empresas do País. Nas atividades-fim de empresas de metalurgia, transportes, saúde e vigilância, não há como empregar deficientes. "Como uma empresa de transportes pode colocar um deficiente dirigindo um caminhão", pergunta Sylvio de Barros, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Como vamos preencher as vagas se não há enfermeiros portadores de deficiência disponíveis?", indaga, em nota, a diretoria do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo.

Apesar disso, muitas empresas continuam sendo multadas por fiscais trabalhistas e acionadas judicialmente pelo Ministério Público do Trabalho, por não preencherem as cotas impostas pela Lei n.º 8.213. Isso as tem obrigado a gastar com advogados, a financiar programas especiais de treinamento no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e até a fazer doações, o que encarece seus custos de produção. "Quando se verifica a incapacidade de preencher a cota podemos converter a obrigação de contratar em benefícios a pessoas com deficiências, como criar escolas para esse público ou realizar doações", diz a procuradora trabalhista Renata Coelho Vieira.

Enquanto a iniciativa privada enfrenta problemas para atender às exigências de uma lei irrealista, a Câmara analisa o Projeto de Lei n.º 2.973, do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que amplia ainda mais as cotas de deficientes a serem contratados, impondo-as, inclusive, para as empresas com 30 empregados.

O objetivo do projeto, segundo seu autor, é reduzir o "preconceito" contra portadores de deficiência. Iniciativas como essas desmoralizam as políticas de ação afirmativa no País.

Dilma Fashion Week - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 13/09


Modelo econômico dilmiano ficou mais evidente nesta semana com o pacote de energia


OS ECONOMISTAS ainda mastigam a redução da conta de luz prometida por Dilma Rousseff, mas a opinião entre os profissionais mais ponderados da praça é de que o gosto da coisa é bom e, menos óbvio, deve ter efeitos colaterais positivos. Ponto para o "modelo Dilma".

Sim, seria difícil, quase doido, alguém reclamar das reduções de preços, de custos para empresas e de impostos embutidas no pacote dilmiano. O que está em discussão é o alcance da providência de baratear o custo da eletricidade.

O governo considera que rearranjar preços é um método de combater a inflação. Parece óbvio, mas não é, nem é essa a opinião da maioria dos economistas-padrão, "do mercado". Isso ficou ainda mais evidente nesta semana, com as entrevistas e discursos que embalaram o pacote de energia.

Inflação, para o economista duro e puro, controla-se com política monetária, mexidas na taxa básica de juros -que acabam por ajustar o nível de atividade econômica adequado à estabilidade de preços -e, também, com expectativas dos atores econômicos. Ajustar o nível de gasto do governo e, ainda mais impreciso, outras torneiras de crédito (como compulsórios dos bancos) seriam instrumentos adicionais.

Dilma e seus economistas, porém, são de outra escola, dita "heterodoxa", mais "à esquerda". Seja lá qual for o apelido, acreditam que podem usar outros ingredientes a fim de cozinhar uma boa política econômica. Mexem em preços, rendas, "manipulam" variáveis econômicas.

Os economistas dilmianos toleram uma inflação mais alta, especialmente se o custo de reduzi-la rapidamente for alto para o governo (mais despesa com juros) e para a atividade econômica (desaceleração forte). Ao mesmo tempo, procuram meios alternativos.

Juros menores, mesmo com inflação desagradável, tendem a reduzir a despesa do governo. Assim, o governo precisa poupar menos da sua receita de impostos a fim de reservar dinheiro para continuar a reduzir a dívida pública. Desse modo, pode reduzir impostos.

Custos menores tendem a estimular a produção nas empresas e, claro, a ter efeito no preço final dos produtos, reduzindo a inflação. Pelo menos, é esse o plano.

Obviamente, tais economistas não desprezam a política monetária pura e dura, ajustes nos juros. Mas ficou óbvio que usariam muito mais armas para atirar na inflação desde quase o início do governo Dilma. O Banco Central optou por abrir e fechar várias torneiras de crédito, e não só a taxa de juros, a fim de controlar a atividade econômica.

Essa foi a primeira grande mudança de Dilma. A segunda foi a decisão firme de influenciar a taxa de câmbio a fim de proteger a indústria nacional. Mais adiante, aproveitando-se do fato de que a dívida pública continua caindo, passou a reduzir impostos mais sistematicamente para empresas, ainda setores escolhidos como "prioritários" (como a dívida cai, "sobra" algum para reduzir impostos).

Há mais. O governo controla preços de combustível de modo "disfarçado". Subsidia empresas via BNDES. Influencia a política de crédito dos bancos públicos. Barra alguma importação via impostos ou outros recursos. Etc.

Dilma Rousseff, enfim, tem um modelo econômico para chamar de seu.

Semelhantes na escuridão - CÉSAR FELÍCIO


Valor Econômico - 13/09


Um caudilho do século 19 foi o responsável por uma das principais marcas que cavaram um fosso entre a Argentina e o Brasil. Nascido muito longe de Buenos Aires, nas encostas da Cordilheira dos Andes, Domingos Faustino Sarmiento foi um estadista cruel, eugenista e oligárquico como mandava o espírito da época, mas imbuiu-se de uma missão que faz com que até hoje seja discutido: transformou a educação pública, laica, gratuita e universal como indutor do desenvolvimento.

Sarmiento ridicularizava a aristocracia agropecuária que controlava o país. "As vacas dirigem o país. A criação de gado, tal como se pratica hoje, produz governos que degolam quadrúpedes ou bípedes indistintamente", disse, segundo relatou o historiador Felipe Pigna. O antídoto estava no que chamava de missão civilizadora do Estado. Uma tarefa que se centrava em incorporar maciçamente no meio letrado " a maioria dotada com a liberdade de ser ignorante e miserável".

Na estratégia de Sarmiento, a prioridade quase exclusiva era a educação de base. "A educação acima da instrução primária é desprezível como forma de civilização. Todos os povos tiveram sempre doutores e sábios, sem ser civilizados por isso".

Brasil e Argentina, enfim, convergem na educação

Sarmiento já estava fora do governo quando em 1884, quatro anos antes da lei áurea no Brasil, o país instituiu a obrigatoriedade de se implantar escolas públicas em todas as cidades com mais de mil habitantes. À época, 70% das pessoas entre 5 e 14 anos do país estavam fora da rede escolar. Eram na época cerca de 2 milhões de habitantes. Menos de cinquenta anos depois, em 1931, esta porcentagem havia baixado para 25%, em uma Argentina com 12 milhões de habitantes. No Brasil, este patamar só foi atingido nos anos 70.

Foi esta a base que colaborou para argentinos ganharem dois prêmios Nobel na área científica e chegarem a estar entre os dez maiores consumidores de papel jornal do mundo, em um tempo já distante. A fotografia atual mostra que o panorama da educação na Argentina e no Brasil se superpõe, conforme deixou evidente o relatório da OCDE divulgado ontem.

Em 2009, de acordo com a instituição, o percentual da população que não chegou a terminar o ensino médio na Argentina era de 58%. No Brasil, de 59%. A educação na Argentina ainda é tratada como mais relevante pelo poder público: o país gasta o equivalente a 6% do PIB na educação. No Brasil, o percentual era 5, 7%.

Mas o Brasil foi o país que mais elevou os gastos públicos no sistema entre 2000 e 2009, entre os membros do G-20 e os integrantes da OCDE. A população entre 15 e 19 anos que está estudando é de 76% nesta faixa etária, no Brasil. Na Argentina, o percentual cai para 70%. No Brasil, a lei determina um ciclo letivo de 200 dias. Na Argentina, 170.

A pior notícia para as autoridades de educação da Argentina ainda deve estar por vir. A OCDE divulga até o final do ano o resultado de matemática do teste PISA, que mede trienalmente a qualidade do assunto em um conjunto de escolas e alunos de 60 países. Em 2009, pela primeira vez, os alunos brasileiros tiveram um desempenho melhor que os argentinos, na prova de leitura.

Não se trata de nenhuma proeza nacional. A educação brasileira está entre as piores avaliadas pelo PISA e o resultado obtido pelos alunos do Brasil é tão fraco que o governo da presidente Dilma Rousseff resolveu se associar ao de Cristina Kirchner em numa articulação para desacreditar a avaliação. No próximo mês, um seminário deve se realizar em Buenos Aires para que técnicos dos dois ministérios apontem as falhas no sistema.

O que é patente, e não é de hoje, é que os caminhos do Brasil e da Argentina na educação se encontraram porque a curva dos dois países é convergente. Um estudo feito pelo BID em 2008 constatou que a qualidade da educação no Brasil de forma contínua em avaliações internacionais entre 1950 e 2006 porque aumentou - e muito - a escolarização da população e o ensino deixou de ser um atributo de uma elite. Na Argentina, a única explicação possível para o declínio é a queda da qualidade na prestação do serviço.

A qualidade do ensino na Argentina pode ter começado a se perder em 1978, quando 6 mil escolas federais foram transferidas para os governos locais pelo general Jorge Videla, sem que tenha havido repasse de recursos. Ou a data inicial pode ser contada da reforma educacional de 1993, no governo de Carlos Menem, em que a descentralização foi levada a tal extremo que se perdeu quase toda regulação nacional. Outro marco zero pode ser a catástrofe econômica do governo De La Rúa, em 2001, que liquidou financeiramente todo o poder público.

"O fato é que a população que entrou na rede escolar no período de maior escassez de recursos públicos está sendo avaliada agora. A Argentina está colhendo o que plantou alguns anos antes", afirmou a educadora Annie Mulcahy, que coordenou um programa de escolas integrais no governo da província de Buenos Aires no ano passado.

Nos últimos anos, segundo Mulcahy relatou, o kirchnerismo tomou uma série de medidas não muito diferentes das adotadas no Brasil, como a criação de um fundo para a recuperação salarial de docentes, a padronização da formação do professorado e o estímulo à educação integral, entre outras medidas. Mas as escolas públicas argentinas chamaram a atenção nos últimos meses pelo aparelhamento político.

Há alguns meses, um grupo de deputados da oposição revelou que o movimento "La Campora", uma facção governista liderada pelo filho da presidente, estava promovendo oficinas com alunos de escolas públicas em que se promovia jogos de mesa em que se só avançava casas no tabuleiro se dessem respostas que promovessem o governo. O nome da brincadeira era "o herói coletivo".

Na Argentina, o culto a Evita Perón é o precedente célebre de manipulação política nas escolas. "Minha mamãe me ama. Eu vejo mamãe. Eva ama mamãe. Eva me ama" era a frase que ensinava a ler a todas as crianças argentinas na década de 50 em escolas públicas.

Luzes pensadas - SONIA RACY


O ESTADÃO - 13/09

A Fiesp ameaçou entrar na Justiça contra o governo federal caso Dilma decidisse pela renovação das concessões de energia elétrica. Paulo Skaf defendeu, com unhas e dentes, a promoção de novas licitações. A presidente optou pela renovação, e o que fez a Fiesp? Recuou, garantindo que vai estudar as medidas.

Skaf não foi ao evento. Estava em Roma com Michel Temer. Empresários ligados à Fiesp desconfiam que a data da viagem foi planejada para evitar a presença de Skaf. Afinal, o presidente da federação articula, junto a Temer (cardeal do PMDB em SP), sua candidatura ao governo paulista em 2014.

Outros tempos
Minutos antes da cerimônia no Palácio do Planalto para formalizar o corte no preço da energia elétrica, anteontem, Brizola Neto e Moreira Franco conversavam sobre os primeiros meses do ministro do Trabalho, que assumiu em maio. “Conte conosco para o que precisar”, disse Franco.

Curiosidade: nos anos 1980, o maior adversário político de Leonel Brizola foi justamente… Moreira Franco.

Assustador
O rombo no Banco Cruzeiro do Sul, inicialmente estimado em R$ 1,5 bilhão, passa da casa dos R$ 4,5 bilhões, segundo um executivo que chegou a se interessar pela instituição.

Berço
Lula não descuida do quintal. Reservou três dias para maratona na região do ABC, a partir do dia 22. Estará, primeiro, com Luiz Marinho (em São Bernardo do Campo). Depois, comMário Reali (Diadema), Donisete Braga (Mauá) e Carlos Grana (Santo André)

Sem crise?
O ritmo das obras na arena do Palmeiras deu algum alento a César Sampaio. Mantida a data de inauguração (outubro de 2013), o time poderá jogar as últimas rodadas do Brasileirão na nova casa.

Segundo se apurou, o gerente de futebol só gostaria que fosse na primeira divisão…

Do Rei

Roberto Carlos definiu a temporada de shows no Brasil. Apresenta-se, de 7 a 11 de novembro, no Ginásio Ibirapuera.

Do Rei 2
E mais. A Emoções Incorporadora, pertencente ao cantor (mantendo a meta de investir R$ 1 bilhão em cinco anos), vai colocar o primeiro pé no Nordeste. Em Aracaju.

Dúvida cruel
Os réus do mensalão estão em polvorosa – especialmente os já condenados. Disparam telefonemas para saber se o novo ministro do STF, Teori Zavascki, participará do julgamento. “Se ele quiser, o regimento o autoriza a votar – desde que não seja tema já decidido pelo ministro Peluso”, afirmou à coluna advogado de um dos acusados.

Dúvida 2
Mesmo que não entre em campo agora, Teori analisará os recursos que serão apresentados – como os chamados embargos infringentes, que pedem novo julgamento quando há quatro votos pela absolvição.

É aí que mora a esperança dos advogados de defesa.

À mercê
No dia em que sua amiga Ana de Hollanda deixava o MinC, Antonio Grassi, artista-político que preside a Funarte, estava em reunião com executivos da Camargo Corrêa, em SP.

Trabalhava normalmente, captando recursos que serão destinados ao Ano Brasil-Portugal. Embarcou ontem para Brasília, para definir seu futuro.
Roda viva

Juntos no palco pela primeira vez desde 1990, quando se apresentaram na Itália, Caetano e Chico cantaram quatro músicas anteontem, no teatro Oi Casa Grande, no Rio. Em prol da candidatura de Marcelo Freixo, que concorre à prefeitura carioca. Chico apareceu às 19h30 para a passagem de som. Participaria de apenas duas canções. Mas a empolgação no ensaio o fez ficar: “Se me prender um pouquinho mais no palco eu fico”, disse, recusando-se a comentar a saída da irmã, Ana de Hollanda, do Ministério da Cultura.

Preciosistas, falaram sobre detalhes das letras que iam cantar, de Vinicius e Noel Rosa. Depois, combinaram: não mencionariam Freixo, para não caracterizar o show como campanha, ação proibida pela Justiça Eleitoral. Quatro fiscais do TRE do Rio, aliás, estavam na plateia.

Se Freixo não compareceu, sua mulher, Renata Stuart, estava lá.

No camarim com a namorada, Thais Gulin, Chico recordou “showmícios” que fez na carreira. Em 1982, para Leonel Brizola, no Rio, e em 1989, para Lula. Depois do bis, no backstage, deu um forte abraço em Caetano.

Chico quis sair feito um raio. Mas o carro de seu empresário, Vinicius França, ficou preso em uma vaga defronte à casa de shows por causa de um veículo parado em fila dupla. Sorte os vidros terem insulfilm – os fãs não enxergaram o músico.

Ausência sentida? Wagner Moura, maior entusiasta de Freixo. Leandra Leal chegou com o namorado, Alexandre Youssef. Indagados sobre Marta Suplicy no MinC, foram enfáticos: “Ela fez a melhor gestão cultural de SP. Criou a lei do fomento e estava na hora de trocar”.

E Bia Antony, mesmo sem Ronaldo, teve de falar sobre o peso do ex-jogador: “Ele é supermusculoso. É questão de inchaço e postura”. /MARILIA NEUSTEIN

"Brazuca", a bola da Copa - PASQUALE CIPRO NETO

FOLHA DE SP - 13/09

Impossível não pensar na genial canção "Querelas do Brasil": "O Brazil não conhece o Brasil"

SEI QUE estou um pouco atrasado, mas nas últimas semanas tive de fazer mais de uma escolha de Sofia. No fim da última coluna, prometi trocar duas palavras sobre o nome da bola da Copa-2014 e sobre o barulho causado pelo "porque" do bilhete que a presidente Dilma Rousseff mandou a duas ministras.
O "porque" do bilhete da presidente Dilma vai ficar para outro dia. Hoje haverá espaço apenas para a bola da Copa, cujo nome "oficial" ("Brazuca") causou alguma polêmica nas últimas semanas. O nome vitorioso passou por cima de "gorduchinha" (palavra que, dizem os papas do processo, os gringos não conseguiriam pronunciar), "samba", "carnavalesca", "bossa nova", "caramuri" e sabe Deus mais o quê.
O fato é que muita gente ficou indignada com o "z" de "brazuca", termo que, obviamente, vem de Brasil, que, ao menos por aqui, ainda se escreve com "s"... Impossível não pensar na genial canção "Querelas do Brasil" (melodia do saudoso Maurício Tapajós; letra genial do genial Aldir Blanc): "O Brazil não conhece o Brasil / o Brazil nunca foi ao Brasil...". Em sua magistral interpretação, Elis Regina pronunciava "Brazil" à moda gringa, para que ficasse clara a contundente mensagem de Aldir, infelizmente ainda tão atual.
Segundo informações da multinacional que vai fabricar a tal bola, "a grafia com 'z' simplificou o processo de registro oficial do nome no exterior, pois baseia-se no nome internacional do país (Brazil)". Então tá! Papai Noel existe, a cegonha traz os bebês, a cidade de São Paulo é organizada e muito bem administrada, o transporte público no Brasil é uma maravilha etc. Haja paciência!
Onde se lê "nome internacional", leia-se "nome em inglês". Em italiano, é "Brasile" (lê-se "brazile"); em espanhol, "Brasil" (lê-se "brassíl"); em francês, "Brésil" (lê-se "brezíl"); em alemão, "Brasilien" (bem, não me atrevo a dizer como se lê) etc.
É fato que nós já grafamos "Brazil", mas isso foi há muito tempo... Também é fato que, como bem me lembra a amiga e colega Thaís Nicoleti e como atestam alguns dicionários, o uso de "brasuca" (que, em português, assim se escreve) nasceu em Portugal e pode ser jocoso, pejorativo. Salvo engano, "brasuca" parece estar para "brasileiro" assim como "portuga" está para "português". Mesmo por aqui, o termo "brasuca" foi usado durante um bom tempo com tom negativo e não sei não se ainda não é assim.
Estranhamente, a última edição do "Houaiss" não registra o termo (a penúltima o registra), mas, no sufixo "-uca", afirma o seguinte: "Pejorativo, empregado em...". Sabe qual é o primeiro exemplo? É justamente "brasuca" (outro dos inúmeros exemplos é "mixuruca").
Como se vê, não bastou a escolha de um nome de gosto duvidoso; foi preciso acrescentar-lhe um "z", para dar-lhe tempero que agrade ao paladar da matriz... Quem sabe com a difusão de "brazuca" os gringos se convençam de vez de que a capital do Brazil é Buenos Aires...
E assim ficamos: brazuca, paralímpicos etc. Acordos, conchavos, patentes y otras cositas más norteando a nossa grafia... É bom que se diga que a ortografia, nem de longe, é a parte mais importante dos estudos linguísticos, mas devagar com o andor. Tudo tem limite. É isso.

Conversas para mestres inseguros - CONTARDO CALLIGARIS

FOLHA DE SP - 13/09


Pode desejar fora dos trilhos, mas só se seu desejo for consequência de um trauma infantil

Ao longo do século 20, a melhor literatura erótica foi escrita por mulheres -de Anaïs Nin a Régine Deforges e Mara. "Emmanuelle", o elo fraco do conjunto, foi, de fato, escrito por um homem. A obra-prima da série é "História de O", de Pauline Réage (eternamente esgotado na Ediouro).
Juntando "História de O" com, por exemplo, "A Vida Sexual de Catherine M.", de Catherine Millet (Pocket Ouro), seria tentador chegar à conclusão de que as mulheres sejam especialistas em fantasias de submissão.
Esse "achado" seria confirmado pela nova onda de literatura erótica escrita por mulheres, nos EUA.
Já mencionei, nesta coluna, os romances de E. L. James (http://migre.me/aE4KL). E acaba de sair o primeiro da série "Crossfire", de Sylvia Day: "Toda Sua" (Paralela).
A heroína de E. L. James lida com um homem que lhe propõe amarras e chicotes. Eva, a heroína de Sylvia Day, lida com um parceiro mais interessado no controle mental e sexual do que no domínio físico. Mesmo assim, alguns homens correrão para a padaria para anunciar aos amigos, entre piadas e tragos, que as mulheres "gostam de apanhar".
Essa roda de padaria sobre a suposta submissão feminina revela uma dupla fraqueza dos homens.
1) Em qualquer encontro da comunidade sadomasoquista (real ou virtual), constata-se que sempre faltam mestres (dominadores), enquanto sobram submissos e submissas. Uma anedota explica por quê.
Uma mulher, que conheci muito tempo atrás, estava radiante por ter encontrado, enfim, um mestre rigoroso como ela queria. Um dia, o mestre, ao deixar o apartamento da escrava, descobriu que seu carro tinha sido levado pela polícia e só podia ser resgatado pagando multa na hora. O mestre voltou para o apartamento da escrava e pediu um dinheiro emprestado. Foi o fim. A escrava aceitaria e adoraria ser explorada, mas achou intolerável o pedido de um dinheiro "emprestado", porque esse pedido diminuía o mestre.
Conclusão. O que leva alguns homens até a padaria mais próxima para fazer piadas entre amigos sobre as mulheres supostamente submissas? É o medo de sua insuficiência como mestres. Mas é também o medo de suas próprias fantasias de submissão, como explico a seguir.
2) Se faltam mestres e sobram submissos, não é só porque é difícil ser mestre; é também porque a fantasia de submissão é comum a todos -isso, aliás, explica o sucesso da literatura erótica de submissão: todos, homens e mulheres, gozam com fantasias de submissão. Para explicar por que a submissão é uma fantasia básica universal, baste isto: 1) vivemos com a ideia de que o protótipo do prazer é o do bebê pendurado no seio materno, 2) você acha que tem muita diferença entre, sei lá, ser possuído/a de mãos presas, sem poder reagir, e a condição do bebê entregue, indefeso, aos cuidados de quem troca sua fralda?
Em outras palavras, um ideal nostálgico define para nós o prazer ao qual parecemos mais aspirar: é o ideal de estar literalmente nas mãos de outro que nos ama. Quem estranha que a submissão seja uma fantasia fundamental?
Enfim, uma comparação entre a literatura erótica do século 20 e a onda de hoje revela uma diferença significativa.
Na literatura erótica do século 20, cujos melhores exemplos são, em grande parte, franceses, não me lembro que as fantasias de um protagonista ou de um personagem, por mais que fossem bizarras, fossem "justificadas" pelo relato de sua infância difícil.
Ou seja, na literatura erótica (francesa e feminina) do século 20, alguém pode se excitar com fantasias sádicas, masoquistas ou outras e pode praticá-las, simplesmente, porque gosta. Não é necessário que o protagonista ou o personagem tenha sido abusado quando criança.
Na recente literatura erótica feminina do século 21, que, até agora, parece vir sobretudo dos EUA, acontece o contrário. É possível desejar (um pouco ou muito) fora dos trilhos, mas à condição que esse desejo seja apresentado como o destino patológico de quem foi "traumatizado" na infância.
Em outras palavras, podemos admitir que homens e mulheres transem de maneiras aventurosas, mas o bom costume será salvo se eles transam assim porque foram maltratados quando pequenininhos.
É uma diferença cultural entre Europa e EUA, ou seja, é caretice norte-americana? Ou é o sinal de um novo passo na longa luta da cultura ocidental (a nossa) para disciplinar o prazer? Algo assim: se não basta mais ele ser pecaminoso, que seja, ao menos, doentio...