quarta-feira, abril 04, 2012

Ueba! Eu quero as Malvinas! - JOSÉ SIMÃO


FOLHA DE SP - 04/04/12


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Eu sei como resolver o problema das Malvinas. No par ou ímpar! Se a Argentina ganhar, ganha as Malvinas de volta. E, se a Inglaterra ganhar, fica com a Argentina inteira! Rarará! E a Guerra das Malvinas faz 30 anos e a Margaret Thatcher, 130! E a palavra que a Margaret Thatcher mais usava na Guerra das Malvinas: "Sink it!" ("Afundem!"). Bem fofa!
E um cara no meu Twitter disse que o ACM Neto é tão pequeno que devia se chamar ACMeio Neto! O DEM só vai ficar com meio deputado. Meio Neto!
E será que esse ano o Sarney vai escrever aquela coluna: "Meditação na Páscoa"? Só o Sarney com aquela cara de coruja empalhada pra achar que alguém ainda medita na Páscoa. Aliás, com o dinheiro dele, eu meditava o ano inteiro!
E começou a Semana Santa. Hoje é Trevas! Antigamente a semana santa era assim: Trevas, Endoenças, Paixão, Aleluia e Páscoa. Hoje é ovo, ovo, ovo! E o preço do ovo de Pascoa? Tá caro até os ovos!
Uma amiga entrou numa doceira fina e perguntou: "Quanto é esse ovo aqui?". "R$2.800!". "Vem com personal trainer dentro?". Compre um ovo e ganhe uma semana de
personal! E eu não vou comprar ovo pra ninguém. Porque tô devendo até os ovos! Tá caro até os ovos!
E a Ideli Salvatti? Enxerto de Cruz-Credo com a Mãe do Sarampo! Tá enrolada com lancha! "Empresa de lancha doou grana pro PT de SC!" Pra deslanchar a campanha dela. Só não vale misturar o caso Demóstenes com o caso Ideli porque lancha não desce Cachoeira. Rarará!
E sabe por que a Ideli foi Ministra da Pesca? Porque ela é uma sereia! Rarará!
E atenção! Crise na Europa: pela primeira vez foi visto um italiano vendendo picolé na praia da Costa, Vila Velha. Vada a picolé, cazzo!
É mole? É mole, mas sobe!
Predestinados! Funcionário da Mongeral, Seguros e Previdência: Luis VIDINHA! Rarará! E na empresa dum amigo meu em Curitiba tem um técnico de segurança: KILLER dos Santos! E, direto de BH, professora de arquitetura: Laura LAJE. A Laura Laje dá aula de arquitetura, pagode e churrasco. Rarará!
E eu quero as Malvinas! Diz que é um excelente lugar. Pra morrer de tédio! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

O real - ANTONIO DELFIM NETTO

FOLHA DE SP - 04/04/12


É fato intuitivo que o "futuro" é influenciado pela visão que hoje temos dele.

Há poucas semanas todos presenciamos isso. Bastou que os transportadores de combustíveis fizessem uma greve-que, com toda probabilidade, não duraria mais do que dois ou três dias- para que os estoques de álcool e gasolina nos postos, que normalmente são suficientes para o suprimento de uma semana, esgotassem imediatamente.
Esse fenômeno é uma manifestação da "profecia ou, talvez melhor, da 'previsão' que se autorrealiza", de Robert Merton (1948), uma aplicação do aforismo de W. I. Thomas (1928): "quando as pessoas definem uma situação como real, ela é real em suas consequências". A profecia (ou "previsão") autorrealizável é a que induz a comportamentos que tendem a validá-la.
A "previsão autorrealizável" se aplica, obviamente, só ao comportamento humano. Se todos os agentes econômicos acreditassem nas "expectativas racionais" e agissem segundo tal hipótese, suas previsões se autorrealizariam...
Quando a prevalência do pensamento único torna-se, por meio da comunicação, uma espécie de "oráculo" e tem a capacidade para "definir o que é a situação real, ela será real em suas consequências". Quando, por motivos político-ideológicos, explora-se, na busca pelo poder, a complexidade da situação com argumentos de pessimismo infundado, de derrotismo oportunista e de eventual ingovernabilidade do "presidencialismo de coalizão", isso pode ter consequências reais.
É natural, pois, que a presidente Dilma tente cooptar o setor privado mostrando:
1º) Que os estímulos até agora dados à demanda terão de contemplar mais a oferta;
2º) Aos sindicatos e ao funcionalismo público que há um limite: os aumentos dos salários reais não podem ser permanentemente maiores do que os aumentos reais da produtividade do trabalho e que isso não impedirá o avanço cuidadoso da inclusão social com programas bem focados;
3º) Aos empresários (especialmente ao setor manufatureiro) que as ações do governo e a deles mesmos ajudarão a criar a demanda e a oferta para produzir um crescimento de 4% ao ano;
4º) Ao setor financeiro que a expansão cuidadosa do crédito e a redução dos "spreads" podem ser feitas, pois o BC tem musculatura para sustentar eventuais problemas externos.
O governo necessita continuar a tomar medidas pontuais no curto prazo, apoiadas no programa de aumento da produtividade geral, que deve dar frutos em dois ou três anos. Por que não dar ao Congresso o que fazer, propondo-lhe as reformas macro e microeconômicas que o Brasil tanto precisa?

Hora de julgar - MERVAL PEREIRA


O Globo - 04/04/12


A crise política em que se envolveu o senador Demóstenes Torres, agora sem partido, depois de se desfiliar do DEM para não ser expulso, está excitando a imaginação de uma ala dos governistas, que vê, na desgraça do oposicionista antigo paladino da ética na política, a negação de qualquer tipo de crítica aos famosos "malfeitos" dos aliados do governo, mesmo os mais antigos como o mensalão, que está para ser julgado pelo Supremo.

A coincidência dos dois fatos - a derrocada de Demóstenes e o julgamento do STF - seria uma boa notícia para os mensaleiros e leva a que esses governistas considerem que o enfraquecimento da oposição os fortalece no tribunal.

Nada mais absurdo. A tese geral de que um político que fazia o papel de ético se revelando um corrupto enfraquece as críticas oposicionistas à corrupção no governo só serve para os que querem igualar os contrários.

Se todos são ladrões, ninguém é ladrão, parecem raciocinar. Nada mais falso.

Os padrões éticos de fazer política continuarão valendo, e é por isso que o senador Demóstenes Torres corre o sério risco de perder seu mandato no Conselho de Ética do Senado.

É certo que o perderá apenas porque colecionou inimizades no papel de justiceiro que desempenhava com raro brilho, e agora receberá o troco dos adversários que um dia combateu, como os senadores Renan Calheiros e José Sarney.

Mas a base para a sua punição continuará sendo a conduta fora dos padrões considerados éticos e a quebra do decoro parlamentar ao mentir da Tribuna do Senado dizendo que não sabia o que todo mundo sabia, que Carlinhos Cachoeira era um contraventor.

Não importa que muitos outros, que quebraram o decoro ou mentiram, continuem incólumes no Congresso.

As gravações da Polícia Federal demonstram que Demóstenes tanto sabia o que seu amigo Carlinhos Cachoeira era que o flagraram aconselhando o bicheiro a não apoiar o projeto que criminalizava o jogo do bicho. " E aí pega você".

Cachoeira, que via mais longe, tranquilizou seu amigo: "Mas aí legaliza também, né?"

As circunstâncias estão levando o senador Demóstenes Torres para a cassação de seu mandato por caminhos tortos, mas razões corretas.

A tese específica de que foi o bicheiro Carlinhos Cachoeira quem armou a gravação que provocou a ira do então deputado federal Roberto Jefferson, originando sua denúncia sobre o mensalão, não justifica, como querem alguns, o enfraquecimento das denúncias contra os mensaleiros, em especial contra o ex-ministro José Dirceu, acusado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de ser o chefe da quadrilha.

As imagens conseguidas pela revista "Veja" em que um diretor dos Correios, Maurício Marinho, recebe um suborno de R$ 3 mil, divulgadas no "Jornal Nacional" e que se tornaram um ícone do combate à corrupção, teriam sido gravadas, segundo a nova versão divulgada pelo jornalismo oficial, a mando do bicheiro Carlinhos Cachoeira para vingar seu amigo Demóstenes Torres.

Nessa versão novinha em folha, que surge agora às vésperas do julgamento do mensalão, para tentar misturar alhos com bugalhos, o senador goiano teria pleiteado ser nomeado secretário nacional de Justiça e foi vetado pelo então todo-poderoso chefe da Casa Civil José Dirceu.

A represália teria como objetivo criar um problema para o PTB, que indicara o diretor dos Correios, e provocar uma crise na base aliada.

Mas o que essa intrigalhada toda tem a ver com o mensalão?

Já se sabia há muito tempo que o vídeo da propina provocou a reação do presidente do PTB contra José Dirceu porque Jefferson considerou que ele havia sido feito a mando do PT para tirar do PTB uma fatia de poder dos Correios, a mesma disputa de bastidores, aliás, que se desenrola hoje entre o PT e partidos da base.

Se o vídeo foi feito por um empresário ligado ao Partido dos Trabalhadores, como se acreditava até recentemente, ou a mando do bicheiro Carlinhos Cachoeira, não importa.

O fato é que, sentindo-se traído por Dirceu, o então deputado Roberto Jefferson disparou sua metralhadora giratória, revelando o maior escândalo de corrupção política registrado no país nos anos recentes.

Não existisse o esquema, a reação de Roberto Jefferson seria outra, mas como existia - de acordo com o procurador-geral da República e o relator do processo no Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa - ele se vingou revelando o plano que fora concebido dentro da Casa Civil da Presidência da República.

Aliás, a existência desse mensalão já fora denunciada ao próprio presidente Lula pelo então governador de Goiás, Marconi Perillo.

Portanto, a nova versão em nada muda a essência da questão: o mensalão existiu e estará sendo julgado em breve pelo Supremo Tribunal Federal com base no que foi apurado em mais de sete anos de tramitação do processo.

Já é hora de uma decisão final da Justiça.

Comando paralelo - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 04/04/12

A criação do bloco PTB-PR, com 14 senadores, foi vendida primeiramente ao Palácio do Planalto como a volta do PR à base aliada, mas, no final do dia, a avaliação era de que a iniciativa tem o objetivo de emparedar o governo. A costura foi feita diretamente com a titular da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que levou Blairo Maggi (PR-MT) e Gim Argello (PTB-DF) até Dilma Rousseff.

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), e a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) foram excluídos da negociação. O grande mentor da manobra foi o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), que terá ascendência sobre o novo bloco.

Atalho Surpreso com a ideia do bloco, Eduardo Braga telefonou para Gim Argello e sugeriu que fossem avisar o Planalto. Gim recusou, dizendo que tinha "interlocução direta" com o Planalto, pouco antes de ser recebido pela presidente.

Vem cá Para se recuperar da bola nas costas, Ideli chamou o líder do PTB para uma conversa hoje no Planalto, no início da tarde. Os integrantes do novo bloco comemoravam ontem o fato de terem deixado de ser "senadores de segunda linha".

Barata voa Dilma foi pega de surpresa com o vaivém da investigação contra Guido Mantega (Fazenda). O ministro ligou para o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, quando soube da decisão da Procuradoria da República no DF, depois sustada, para saber o que se passava.

Xeque-mate Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, vai defender a partir de hoje a saída do PDT da base do governo. O partido reclama da demora de Dilma na escolha do novo ministro do Trabalho.

Mãozinha Antes de sua situação se tornar insustentável, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) procurou congressistas tucanos para pedir um voto de confiança e emendou: "O Marconi Perillo vai ligar para vocês".

Limonada Desgastado com mais um escândalo nacional, o DEM resolveu adotar o discurso de que não hesitou em punir Demóstenes e que os demais partidos com filiados envolvidos com o esquema de Carlinhos Cachoeira deveriam fazer o mesmo.

Bancada da farda Álvaro Camilo, que deixou o comando da PM paulista, filiou-se ao PSD. Gilberto Kassab, que já levou mais de 50 coronéis ao seu governo, planeja inscrevê-lo para liderar chapa de candidatos a vereador ligada à segurança na capital.

Piloto de crises Indicado ontem por Geraldo Alckmin à chefia da corporação, Roberval França foi ajudante de ordens de Ayrton Senna. Na região do ABC, onde coordenava o policiamento, notabilizou-se pelo combate aos "pancadões", bailes funk regados a álcool e drogas.

Censura etílica O tucano Orlando Morando enviou projeto à Assembleia paulista que, além de manter o veto à comercialização e ao consumo de bebidas alcoólicas, proíbe publicidade dos fabricantes nos estádios da Copa.

Visitas à Folha Oscar Vilhena Vieira, diretor da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava com Mario Gomes Schapiro, professor, e Rui Santos, assessor de imprensa.

Francisco Valim, presidente da Oi, visitou ontem a Folha. Estava com Suzana Santos, diretora de Comunicação Institucional, e Gabriela Wolthers, diretora-executiva da FSB Comunicações.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"O pacote tem coisas importantes, mas senti falta de um recorte regional. Faltam medidas para o Nordeste, onde a presidente Dilma teve 11 milhões de votos a mais que Serra."

DO GOVERNADOR DE PERNAMBUCO, EDUARDO CAMPOS (PSB), sobre o plano de estímulos à atividade industrial, com valor total de recursos estimado em R$ 60,4 bilhões, anunciado ontem pelo governo federal.

contraponto

Missão: impossível

O vice-presidente Michel Temer costuma reclamar do aparato de segurança que o acompanha em seus deslocamentos, principalmente em São Paulo. Ao sair para um tradicional almoço com amigos, o peemedebista deu um jeito de despistar os agentes do GSI.

Ele almoçava descontraidamente no restaurante de hábito quando um dos amigos cochichou:

-Michel, acho que você está sendo seguido.

Temer olhou na direção apontada e disse, desolado:

-São os seguranças. Fui descoberto...

A competitividade da indústria brasileira - ANTONIO C. DE LACERDA


O Estado de S.Paulo - 04/04/12


A questão da competitividade da indústria brasileira tem gerado intenso debate. O próprio governo federal tem reconhecido a prioridade do assunto, o que ficou especialmente claro na recente reunião da presidente com ministros e representantes do empresariado do País e no anúncio de ontem de medidas para incentivar o setor. Também se nota uma crescente mobilização incluindo os sindicatos dos trabalhadores, que corretamente têm encarado a deterioração do setor como uma ameaça.

A questão é que nos tornamos um enorme mercado consumidor, o sexto maior PIB do mundo, mas, por condições desfavoráveis de competitividade sistêmica, grande parte da demanda doméstica vem sendo atendida com o aumento das importações. Embora seja uma saída confortável no curto prazo, desperdiçamos divisas, empregos, renda e impostos, que poderiam agregar valor localmente. Isso é especialmente importante num quadro internacional de menor crescimento das economias.

A participação da indústria de transformação no PIB foi reduzida a menos de 15%, num claro processo precoce de desindustrialização. Enquanto isso, o coeficiente de importações cresceu em todos os segmentos, especialmente naqueles que exigem maior sofisticação, como o de máquinas e equipamentos, por exemplo, em que chega a 40% do total. O déficit comercial de produtos de elevada tecnologia atingiu US$ 80 bilhões em 2011 e continua se ampliando.

Mas alguns dos aspectos importantes sobre a questão ainda estão longe de um consenso. Sempre há quem busque desqualificar qualquer iniciativa, seja de política industrial, por parte do governo, ou de mobilização, pelos empresários e trabalhadores. A maioria dessas análises desconhece a estrutura industrial, assim como a lógica das decisões empresariais. Vale lembrar que o País se abriu ao mercado externo desde o início dos anos 90, mas não oferece, até hoje, decorridos mais de 20 anos, um ambiente competitivo em condições isonômicas com os nossos países concorrentes.

Uma visão ingênua do processo está em circunscrever os graves problemas enfrentados pela indústria do País como se fossem apenas demandas setoriais, corporativas. Engana-se quem imagina se tratar de um problema localizado. As empresas têm como se adaptar, aumentando o seu conteúdo importado. No limite, podem se transformar em meros representantes locais de indústrias oriundas de outros países. Embora sob o ponto de vista individual, microeconômico, a estratégia possa prolongar a viabilidade do negócio, é obvio que se trata de uma prática insustentável no longo prazo e danosa ao País.

No que se refere à desoneração tributária, financiamento e outros itens cruciais para as decisões empresariais, embora bem-vindas, as medidas anunciadas ontem não trazem novas vantagens competitivas. Os nossos concorrentes, como os chineses e coreanos, por exemplo, contam há muitos anos com condições melhores que as oferecidas no Brasil. Quanto ao financiamento, por exemplo, para citar um item importante, os produtores de bens de capital naqueles países têm acesso a linhas cujo juro cobrado é zero. Isso significa que tudo o que fizermos representa um avanço, mas não nos torna mais competitivos diante dos concorrentes externos.

O Brasil não pode abrir mão da sua indústria. Ao contrário de países como o Chile, cuja população total é inferior à da área metropolitana da cidade de São Paulo, ou mesmo a Austrália, não podemos nos dar ao luxo de viver da produção e exportação de commodities. Além disso, não há por que abdicar da indústria de transformação, justamente o diferencial que nos proporcionou o grande salto dado pela economia brasileira no século passado. O desafio do Brasil é, em vez de retroceder, avançar no processo, agregando mais valor em todas as cadeias produtivas, e incorporar novas tecnologias para diminuir a dependência de importados, assim como ampliar e diversificar nossas exportações.

Nova velha política - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 04/04/12

O governo anunciou ontem um novo plano - mais um da série - para beneficiar a indústria. A medida com alcance mais estrutural é a mudança da forma de cobrança da contribuição das empresas para a Previdência. A possibilidade de pagar 1% sobre o faturamento bruto agora está aberta a um número maior de setores. O pacote reduz ainda mais os juros do BNDES e amplia ou renova as renúncias fiscais.

A presidente Dilma Rousseff disse que a desoneração da folha salarial, com a mudança da forma de recolhimento ao INSS, não provocará aumento do déficit da Previdência. "O Tesouro Nacional compensará toda a queda de arrecadação causada por isso." Isso tem efeito meramente contábil porque de qualquer maneira se entrasse na conta como déficit da Previdência ele seria coberto pelo Tesouro.

Aliás, o Tesouro é o pagador de todas as promessas. É o que vai transferir mais dinheiro ao BNDES. É o que vai cobrir o subsídio dos juros, a equalização de taxas, as renúncias fiscais. O Tesouro é o caixa forte do seu, do meu e do nosso dinheiro. O que aconteceu ontem foi mais uma distribuição dos recursos públicos.

A presidente Dilma criticou os juros altos e os spreads altíssimos no país, dizendo que "tecnicamente é difícil explicar os spreads do Brasil". É mesmo difícil. Sobre o regime automotivo, o novíssimo, que incluiu mais vantagens para quem fica e barreiras para os de fora, Dilma disse que isso é devido ao "aumento estarrecedor das importações de carros" que estariam "canibalizando o nosso mercado, que é o quarto do mundo". Na verdade, a maior parte das importações é feita pelas próprias montadoras. É difícil imaginar que elas estejam canibalizando elas mesmas. O mais provável é que tenham exibido ao governo um número de aumento das compras - incluindo as delas - e depois pedido barreira contra os concorrentes externos.

Foram criados 19 conselhos de competitividade. Eles nada mais são do que os conselhos setoriais que já existiram em vários governos. Organizarão os pedidos de benefícios para cada setor. O ministro Fernando Pimentel disse que responderia de antemão aos "críticos desavisados" que estariam "saudosistas do modelo autoritário". Para o ministro, os conselhos são mais democráticos do que as decisões tomadas por meia dúzia de tecnocratas.

A memória não é mesmo o forte do atual governo. Os militares criaram um sem número de conselhos setoriais e nomearam representantes empresariais para diversos deles, como o Conselho de Desenvolvimento Industrial, que administrava, com os empresários, o conceito de "similar nacional". Havia empresários até no que cuidava da moeda: o Conselho Monetário Nacional. Foi a grande farra do lobby. Assim o país concentrou renda, abriu o balcão de negócios que beneficiou escolhidos do regime, fechou a economia, criou reservas de mercado e produziu inflação. Não foi nada democrático. Para atender aos interesses coletivos é preciso bem mais do que criar conselho setorial e nomear empresários.

O ministro Pimentel promete que desta vez os conselhos defenderão a inovação, e o país fará um esforço realmente forte de aumento da competitividade. Tomara.

Há medidas que vão de adiamento de pagamento de impostos, aumento de controle da importação para evitar fraude, vantagens fiscais para as empresas "preponderantemente exportadoras". Mudanças em diversas linhas de crédito do BNDES para dar mais prazo, juros menores e um percentual maior do investimento coberto pelo empréstimo. Reedição de programas como o de Banda Larga, de um computador por aluno. Aprovação de medida que acaba com a diferença de ICMS na importação. Essa última, a resolução 72, foi aplaudida. Criará um enorme problema para o Espírito Santo, que tem um programa de diferenciação do imposto desde 1970.

Tudo é tão igual a outros planos que se o jornal repetisse textos antigos ninguém perceberia. Há oito meses, o governo divulgou o programa Brasil Maior. Era o quarto ou quinto programa grande. O primeiro foi antes da crise, em 12 de junho de 2007 e chamava-se Revitaliza. Em maio de 2008, foi a vez do Plano de Desenvolvimento Produtivo. Em 2009, foram tantos pacotes que o governo prometeu não fazer novos em 2010. Mas fez.

Se eu republicasse a coluna "Band-Aid cambial", de 13 de junho de 2007, ninguém notaria a diferença. Bastava trocar presidente Lula por presidente Dilma. Pode conferir no meu blog que as medidas e os objetivos eram os mesmos. Também nada de estranho seria notado se o jornal desse folga a alguns repórteres e republicasse a matéria "Pacote de bondades - um empurrãozinho na indústria: Governo anuncia crédito especial e alívio em impostos para setores afetados pela queda do dólar", do mesmo dia de 2007.

Aqui na coluna, relemos as matérias sobre pacotes dos últimos cinco anos. Troca o nome, algum percentual, há uma ou outra medida nova. O que não muda é a ideia de que se for distribuído mais dinheiro do BNDES, forem reduzidos alguns impostos para os setores mais ágeis no voo para Brasília, houver mais barreira ao produto importado estará resolvido o problema estrutural da indústria brasileira. Ainda não foi desta vez.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 04/04/12



BRASIL NA PRATELEIRA

O Citibank Brasil, que já tem um executivo brasileiro no escritório do banco americano na China, estuda a possibilidade de ter também um profissional na Índia.

"Mandamos banqueiros nossos regularmente para a Índia para trabalhar em nossa agência e atender clientes. Mas ainda estamos avaliando a ideia [de deslocar alguém para o país]", diz Gustavo Marin, presidente do banco no Brasil.

Para a China, é feito um rodízio. Cada profissional da unidade brasileira fica no país entre seis meses e um ano. Esse executivo tem dupla função: acompanha os negócios de empresas brasileiras na China e apresenta as possibilidades no Brasil a companhias chinesas.

"Por intermédio dele, garantimos que o produto Brasil esteja na prateleira [global] dos nossos banqueiros chineses", afirma Marin.

Com relação à economia norte-americana, o presidente da unidade brasileira observa os sinais de retomada da crise iniciada em 2008, mas lembra que há incertezas no panorama.

"A recuperação ainda pode ser interrompida", diz.

Marin estima que o crescimento do PIB do Brasil neste ano fique entre 3,3% e 3,5%.

Na unidade brasileira, de acordo com Marin, o banco deve crescer em todas as áreas. As primeiras citadas são: o banco de investimentos; a área de pequenas e médias empresas e a de crédito no varejo.

Amanhã, o banco comemora 97 anos no Brasil, onde entrou com uma agência em Santos. Em maio, o Citi completa 200 anos da fundação nos Estados Unidos.

SEM SACOLA NEM CAIXA

Após o fim da distribuição de sacolas plásticas nos supermercados, que acabou ontem, o consumidor de São Paulo pode ter que enfrentar uma nova restrição.

A Assembleia Legislativa do Estado começa a discutir a proibição do uso de caixas de papelão para o transporte de compras de varejo.

A justificativa é a disseminação de fungos e bactérias, que encontram ambiente mais favorável ao seu desenvolvimento do que nas sacolas plásticas.

"Antes de serem usadas pelo consumidor, as caixas podem ter transportado substâncias contaminantes", diz o deputado José Bittencourt (PSD), autor do projeto, que pode entrar em vigor no segundo semestre deste ano.

A Associação Paulista de Supermercados, por sua vez, recomenda aos associados a continuidade da distribuição gratuita de caixas de papelão.

TEORIA DA EVOLUÇÃO

Empresas cujas equipes se adaptam com facilidade a novas situações têm maiores ganhos financeiros, aponta levantamento feito pela consultoria BCG (The Boston Consulting Group).

O estudo mostra que as companhias que se adaptam mais rapidamente têm funcionários capazes de sintetizar ideias complexas e alinhá-las com as estratégias da empresa, além de sentir quando a mudança é necessária.

Nessas empresas, as informações e os debates costumam fluir de forma aberta.

Também é comum que elas filtrem notícias e as usem para questionar como os assuntos externos podem afetar seus negócios.

O índice de vantagem adaptativa foi calculado para 2.217 companhias abertas dos EUA.

RUMO AOS EUA

Os EUA lideraram a saída de investimento brasileiro direto em 2011 e devem permanecer neste ano, segundo a Deloitte. O país é destino de 16% dos recursos brasileiros em aquisições de empresas, construções ou expansões. A presença de intermediários, como Panamá e Bermudas, dificulta o conhecimento dos reais receptores, mas a Europa não deve se destacar. "Talvez haja algum movimento para lá em busca de preços", diz José Rocha, sócio da Deloitte.

UE proíbe voos de estatal venezuelana em seu território

A União Europeia proibiu a companhia aérea estatal venezuelana Conviasa de voar em seu espaço aéreo.

A decisão foi tomada devido a "graves problemas de segurança", segundo comunicado da Comissão Europeia.

A proibição à companhia foi unanimidade no Comitê de Segurança Aérea, entidade que reúne representantes dos 27 países do bloco.

Outras duas companhias venezuelanas do setor, Estellar Latinoamerica e Aerotuy, também foram avaliadas, mas ainda podem continuar suas operações na Europa.

A Conviasa negocia com a Embraer a compra de 20 aeronaves. O negócio deve ser de cerca de R$ 1,5 bilhão.

Além da estatal venezuelana, a UE proíbe as operações de outras 279 companhias aéreas de 21 países, como Filipinas, Honduras e Sudão.

O cartório eleitoral do tempo de TV - ROSÂNGELA BITTAR


VALOR ECONÔMICO - 04/04/12

Há um momento em que, não se trata nem de tentar a volta por cima vez que condições para isso inexistem, mas é preciso levantar-se e avaliar se há mesmo luz suficiente para um recomeço planejado. Esses dois estágios básicos do revigoramento são exigidos de qualquer partido que se encontre na situação do Democratas. Abatida de forma múltipla e por todos os lados, no mínimo a sociedade política que atende pela sigla de DEM tem que extrair de si rasgos de humildade para pensar em emergir. A soberba, em contraponto e ao contrário dos partidos que estão dominando o processo político, deve hibernar.

Humildade para reconstruir a legenda, abalada por tantas e tão revigora mento vicissitudes. Humildade para buscar uma lógica para suas decisões. Humildade para admitir que o Democratas foi sangrado até a alma. Humildade para fazer a autocrítica necessária e refazer seu processo político.

Em vez disso, o que faz o DEM, novamente no epicentro do terremoto de novo escândalo de corrupção, no Congresso? Acuado, encostado às cordas, tentando salvar a pele do que lhe restou, o partido ataca e exige. Protagoniza uma pantomima. Leva à Justiça os que não quiseram mais a sua companhia e saíram em busca do poder que não quis dividir. Faz de conta que é grande, e exige. Postos, comandos, primazias.

Liquidação do capital indica mudança de rumo

Seus movimentos são, porém, erráticos. Se é oposição, deveria se entender com o PSDB, por mais restrições que tenha ao partido. Se não for por aí, por onde irá? Regionalmente está fraco, mas ainda lhe resta espaço de barganha no jogo nacional. O partido, porém, se mostra sem condições de pensar o futuro, de ver adiante da agonia do momento. São dois ou três que comandam desde as decisões sobre expulsão de quem ainda pode contaminá-los eleitoralmente, até a quem entregarão o cacife que lhe restou.

O DEM reagiu com o fígado à aliança com o PSDB, em 2010, na campanha presidencial, quando já estava abalado em seus alicerces com o mensalão do governo de Brasília mas ainda não tão reduzido pela criação do PSD. O então presidente, Rodrigo Maia, do Rio de Janeiro, onde o partido ainda tinha uma presença notada, quis influir na escolha do candidato a presidente do PSDB, lutou contra José Serra mas acabou batido.

Depois de uma superação difícil na última campanha, a legenda está novamente agora, na disputa municipal, às voltas com decisões do PSDB que lhe desagradam, como novamente a candidatura Serra à prefeitura de São Paulo.

O DEM tem menos vantagens a oferecer do que tinha há dois anos, mas ainda lhe resta algo fundamental às campanhas: o tempo de TV para propaganda eleitoral gratuita. É com isso que negocia, agora, especialmente em São Paulo. Exige, por exemplo, que o PSDB detenha a candidatura de Antonio Imbassahy a prefeito de Salvador, deixando caminho livre ao líder demista ACM Neto. O PSDB reluta, marca o passo, porque tem duas necessidades claras para continuar existindo em dois dos maiores colégios eleitorais do país: lançar candidatos e abrir perspectivas eleitorais no Rio e na Bahia. Em nome de uma circunstância que pode durar pouco, pois não se sabe até quando o DEM existirá como tal, o PSDB congela seus planos e atrasa sua própria recuperação?

O DEM exige também o cargo de vice na chapa de São Paulo, ameaçando, se não levar, conceder seu tempo de TV para a campanha de Gabriel Chalita, do PMDB. Partido que, como o PSDB, constitui opção futura ao DEM, até pela fusão cogitada já tantas vezes depois de sua drástica redução política.

Enquanto ameaça optar pelo adversário, o partido negocia claramente com o prefeito Gilberto Kassab, com quem estava rompido, e com o próprio governador Geraldo Alckmin, de quem voltou a ser aliado, o lugar de vice do Serra para Rodrigo Garcia.

Quer definições antes que a Justiça Eleitoral reconheça ao PSD o direito a tempo de TV e verba partidária. Claro, pode perder toda a sua bagagem.

O que chama a atenção é a forma como o DEM se apresenta, a brandir o único argumento que possui para pedir ou impedir. O partido, com menos truculência, e se tivesse mesmo decisão de permanecer no quadro político, não estaria agora jogando um mata-mata. Poderia promover um acordo de segundo turno na Bahia, tal como o PT e PMDB fizeram em São Paulo. Poderia aguardar a Justiça eleitoral para discutir São Paulo.

Ao contrário, seu negócio é negociar o cartório do tempo de TV. As primeiras estimativas feitas sobre o caso da eleição municipal de São Paulo, considerando que a Justiça Eleitoral vai decidir contra o PSD e a favor do DEM, o Democratas teria 1min40seg; para o PSDB, que tem apenas 2min04seg, é uma preciosidade. O PT tem 3min25seg e o PMDB 3min04seg. Levando-se em conta que o PSB, com 1min19seg, deve, no fim das tratativas de Lula com Eduardo Campos, apoiar o PT, tem-se que são muitos minutos para o ataque ao PSDB e poucos para a defesa. Não chega a ser um equilíbrio o que representa o DEM, mas faz o PSDB chegar mais perto de seus contendores. Quem vê o DEM gastar seu capital de maneira perdulária, no tudo ou nada, avalia que é uma liquidação para mudança de ramo após as eleições municipais.

P; olíticos aliados ao governo que acompanharam o lançamento do pacote de estímulo à indústria, ontem, lamentaram a ausência do senso marqueteiro do ex-presidente Lula no comando das plataformas de lançamento do Palácio do Planalto.

Pelo menos para três das dezenas de medidas divulgadas, haveria um carnaval particular e intenso em dias e públicos diferentes: o pacote de oncologia, uma espécie de lei Rouanet para associações de combate ao câncer; o pacote da banda larga e o regime automotivo. Com direito à bolsa-carro compensatória à bolsa-montadora.

Mas os mesmos analistas não deixaram de reconhecer que, depois de um primeiro ano desastroso, a presidente quis demonstrar que 2012 começou e está governando.

Perigo no coração da África - GILLES LAPOUGE


O Estado de S.Paulo - 04/04/12


A França aconselhou seus cidadãos no Mali a deixar o país. Antiga colônia francesa que se tornou independente em 1960, o Mali ocupa o sul do mais vasto deserto do mundo, o Saara. Faz fronteira ao norte com a Argélia, e ao sul com o Senegal. É um dos países mais miseráveis do planeta. Como seria diferente? O Mali não tem saída para o mar e toda sua parte norte, habitada pela mítica população dos tuaregues (os homens azuis) é constituída de areia e pedra.

Há alguns dias, um golpe de Estado derrubou o governo em Bamako. Uma junta de capitães do Exército tomou o poder. Em seguida, sob a égide do Movimento Nacional de Libertação do Azawad (MNLA), os tuaregues atacaram essa região ao norte - que consideram o berço da sua importante civilização.

Em poucos dias, os rebeldes libertaram todo o norte, ou seja, a parte saariana do país. O Mali, portanto, ficou dividido em dois. As duas cidades no deserto caíram: Gao e a fabulosa Timbuctu, onde nenhum europeu conseguiu penetrar até 1828.

Simples conflito local? Não. Os tuaregues são um povo selvagem, arisco. Sempre gostaram de se revoltar contra o governo de Bamako. Até há pouco, a paz sempre era rapidamente restabelecida graças aos "bons ofícios" do ex-presidente da Líbia, o coronel Muamar Kadafi, que se vangloriava de ser o regente dos espaços saarianos. Kadafi, aliás, treinava na Líbia "legiões" de soldados tuaregues.

Quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) atacou a Líbia, a pedido de França e Grã-Bretanha, matando de passagem o coronel Kadafi, os soldados tuaregues do ex-ditador, bem organizados e fortemente armados, retiraram-se para o norte do Mali. E lá decidiram que estava na hora de reconquistar sua independência e recriar a antiga Azawad. Foram esses soldados aguerridos que tomaram Timbuctu esta semana.

Mas eles não foram os únicos a aproveitar o desaparecimento do governo legal do Mali. Uma outra facção de guerreiros tuaregues também entrou em ação. São homens bem diferentes. Os tuaregues de Azawad, que tomaram Timbuctu, dizem-se seculares, ao passo que os outros são islâmicos e formaram o Ansar Din (Exército da Religião) e pretendem instituir no norte do Mali a sharia, a sangrenta justiça islâmica.

Essa região norte do Mali está povoada de guerreiros: de um lado aqueles que não professam nenhuma crença, e de outro os "barbudos" do movimento Allahu Akbar (Deus é Grande). Esses homens formam uma nova geração de tuaregues seduzidos pela ideologia islâmica, em contato com a Al-Qaeda do Magreb Islâmico, responsável por sequestros e, depois de alguns meses, massacres de ocidentais.

A junta que derrubou o governo de Bamako tenta acalmar a comunidade internacional. Esta semana, prometeu que vai restabelecer a ordem constitucional, enviando emissários para conversar com os insurgentes.

Que insurgentes? Os seculares de Azawad ou os fanáticos do Ansar Din? / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Mais do mesmo - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 04/04/12


A primeira observação que se pode fazer a respeito do novo pacote para a indústria apresentado ontem é que o governo Dilma parece aflito.

Foi surpreendido pelo forte esvaziamento da indústria e não sabe como reverter esse processo. E tomou medidas que, além de protecionistas, criam novas distorções.

O simples espalhafato já é, por si só, sinal de fraqueza. O governo quis compensar com mais show a falta de substância. Chamou a Brasília 200 empresários e sindicalistas e fez do anúncio uma grande produção, mas o conteúdo não promete o anúncio insistente de que a economia crescerá a 4,0% em 2012 nem a recuperação da indústria.

O governo do PT imaginava que bastaria criar grande mercado interno de consumo para o resto vir por acréscimo. Não passa um dia sequer sem que o governo Dilma alardeie que, desde 2003, foram incluídos 13 milhões de brasileiros no mercado de trabalho e de consumo. Mas a indústria definha a olhos vistos, prostrada pela disparada do custo Brasil.

A principal decisão estende, a partir de julho, a desoneração previdenciária para 15 setores - antes eram quatro. A contribuição patronal de 20% da folha de pagamentos é substituída por porcentagem sobre faturamento bruto. Ajuda a manter o emprego, porque o empresário não precisa demitir para cortar custos com contribuição previdenciária. Mas, do ponto de vista da redução do custo Brasil, tende a ser pouco significativa.

Afora isso, o governo consagra o princípio da taxação sobre o faturamento bruto. Não está claro como serão evitadas práticas de subfaturamento. É outra distorção.

Como mercadoria produzida no exterior não vem com esse imposto destinado a compensar a eliminação da contribuição previdenciária, o governo decidiu cobrar a mesma alíquota do PIS e da Cofins também sobre o importado. É novo truque que sobretaxa importações. Só não usa o Imposto de Importação (taxa alfandegária) por crer que possa impunemente fazer esse tipo de compensação.

Assim, vão sendo atropeladas regras da OMC e tratados do Mercosul (que pressupõem uma Tarifa Externa Comum). Mais cedo ou mais tarde, o governo poderia usar o mesmo princípio para impor novas sobretaxas ao produto importado: se é desembarcado por aqui sem o altíssimo custo Brasil, por que não onerá-lo com uma taxa apropriada, para criar a pretendida isonomia entre o nacional e o importado?

Ademais, defesa comercial, quando eficaz, pode desestimular a importação de certo volume de mercadorias. No entanto, não garante encomenda externa.

Para alvejar o câmbio não está previsto nenhum disparo de Exocet. O próprio ministro Mantega já disse que a R$ 1,80 o dólar está razoável. Não foi anunciada a derrubada do quilowatt/hora cobrado no Brasil, o quarto maior do mundo; nem da supercarga de impostos, de 37% do PIB; nem dos altos custos da infraestrutura e da logística; nem dos juros escorchantes dos financiamentos de capital de giro. Quer dizer, no que tinha de mexer para recuperar a competitividade da indústria o governo não mexeu.

A primeira edição do chamado Plano Brasil Maior, destinada a fortalecer a indústria, foi considerada inócua pela própria indústria. E a de ontem, que anunciou mais do mesmo, não parece melhor.

BRAÇOS DADOS - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 04/04/12
O chanceler Antonio Patriota pretende reunir no segundo semestre intelectuais e líderes das comunidades árabe e judaica para discutir os problemas do Oriente Médio sob coordenação do Itamaraty. Ele acha que o Brasil deve fortalecer sua liderança mundial pelo exemplo de que no país todos convivem bem e pacificamente.

BRAÇOS 2

Patriota esteve anteontem em jantar na casa do médico Claudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita Brasileira. Entre os convidados estavam David Feffer, do grupo Suzano, Jayme Blay, da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria, e Jack Terpins, entre outros.

BRAÇOS 3

No jantar, o chanceler defendeu o diálogo com o Irã e reafirmou que o Brasil fará "tudo" para evitar um conflito armado entre o país persa e Israel. Em viagem recente, a presidente Dilma Rousseff defendeu o direito do Irã de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos e criticou a "retórica agressiva" das potências contra o país.

AMIGO

Lula telefonou para Eike Batista para se solidarizar com ele pelo acidente que envolveu Thor, filho do empresário, e um ciclista que morreu depois do choque.

AMIGO 2

Lula aconselhou Eike a amparar a família da vítima. E a não mais discutir o caso pelo Twitter, como o empresário vinha fazendo dias depois da tragédia.

ÁRVORE GENeALÓGICA

O novo secretário estadual da Cultura, Marcelo Araújo, descobriu recentemente um parentesco distante com Orlando de Assis Baptista, o Orlandinho, conselheiro do governador Geraldo Alckmin. Eles têm o mesmo tataravô.

ACORDA, MENINA

Entrevistada por Pedro Bial para o número de estreia de sua revista "A", Ana Maria Braga diz que descobriu o que era lesbianismo aos dez anos, "porque existiam meninas lésbicas" no internato onde estudava. E que, ao chegar a São Paulo vinda de São José do Rio Preto, uma amiga a levou para trabalhar em uma boate, onde um homem ofereceu US$ 100 para que ficasse perto dele. Ela fugiu chorando.

TÁ LÁ O CORPO

João Bosco, homenageado do próximo Prêmio da Música Brasileira, em junho, convidou o rapper Criolo para participar da cerimônia no Theatro Municipal do Rio. Ele interpretará "De Frente pro Crime".

E LA NAVE VA

Um desenho de 11 metros de altura com uma cena do filme "E La Nave Va", do cineasta italiano Federico Fellini, será colocado na fachada do centro cultural Oi Futuro, no Rio, em maio. Ele mostra um rinoceronte em um barco. A obra é do artista plástico Chico Cunha.

ENGAJADO
O ator Reynaldo Gianecchini gravou comerciais com crianças do Graac (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer); na campanha, da Ogilvy, divulga corrida e caminhada de combate ao câncer infantil e pede que as pessoas revertam parte do imposto de renda à ONG

O SEDUTOR BRASILEIRO

Os atores Eva Wilma, Giulia Gam e Genézio de Barros foram à estreia da peça "Dom Juan", no teatro Raul Cortez. Estrela do espetáculo, Rodrigo Lombardi estava acompanhado da mulher, Betty Baumgarten.

CASA E COMIDA
As arquitetas Patricia Anastassiadis e Zize Zink estiveram, anteontem, no jantar de lançamento da revista "Casa Vogue" deste mês, no restaurante Chez MIS. Chris Phillips, da Missoni Home, também circulou pelo evento.

JAZZ NA BAHIA

O instrumentista americano Troy Andrews, que se apresenta com o nome artístico Trombone Shorty, deve fazer show em Salvador durante sua passagem pelo Brasil. Ele é uma das atrações do BMW Jazz Festival, de 8 a 10 de junho, em SP, e de 11 a 13 de junho, no Rio.

PRETA SAMURAI

A banda brega Uó, que lançará CD pela Deckdisc no segundo semestre, terá a participação de Preta Gil na faixa "Nega Samurai".

OLHO GRANDE

A presidente da Petrobras, Graça Foster, recebe hoje o secretário de Energia de SP, José Anibal. Vão discutir a construção de um centro de monitoramento por satélite para observar a área do pré-sal na Baixada Santista.

CURTO-CIRCUITO

O pianista Felipe Scagliusi fará recital no dia 15, às 11h30, na Fundação Maria Luiza e Oscar Americano. Classificação: seis anos.

Marina Lima apresenta o show "Clímax", no Tom Jazz, de 27 a 29 de abril. Classificação: 18 anos.

O cantor Odair José vai se apresentar com a banda Mombojó neste sábado e domingo, no Sesc Pinheiros. Classificação etária: 16 anos.

A exposição "O Interruptor", do fotógrafo Bruno Veiga, será inaugurada hoje, na Fauna Galeria. 19h.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

Ativismo e efeitos colaterais - MARIO MESQUITA

FOLHA DE SP - 04/04/12


O protecionismo proporcionará ganhos a alguns setores industriais e perdas aos demais


Há algumas semanas esta Folha publicou manchete reportando que ao final de 2011 a parcela da indústria no PIB havia recuado para 14,6%, ante um máximo de 27,2% em 1985.

A leitura dominante da reportagem parece ter sido bastante negativa, como se a redução da parcela da indústria no PIB seja evidência de certa involução na estrutura econômica do país.

É verdade que, em 1985, em uma economia forçada à autarquia pela crise do balanço de pagamentos e a carência de reservas internacionais, o desempenho comercial da indústria brasileira era aparentemente mais forte do que o atual.

É verdade, também, que o Brasil era então uma espécie de Grécia tropical, estava virtualmente insolvente, vivia recorrendo ao FMI e falhando em cumprir seus compromissos internacionais.

Mais que isso: em 1985, a economia tinha uma taxa de inflação de 10,8% ao mês. O total do ano chegou a 242%, com viés de alta.

Não obstante o saudosismo inapropriado, as cobranças de ações "decisivas" na defesa da indústria têm se intensificado.

A resposta do governo aos problemas do setor industrial tem sido uma combinação de maior ativismo no mercado cambial e reforço na defesa comercial.

Se for efetivo, o protecionismo proporcionará ganhos a alguns setores industriais protegidos e às regiões nas quais estes estão instalados e perdas aos demais setores, bem como aos consumidores em todas as outras regiões do país, que terão escolhas mais restritas e, muito provavelmente, preços maiores.

Mas esses efeitos podem tardar a ficar evidentes e podem, em princípio, ser compensados porpolíticas de transferências de recursos públicos, caso haja folga para tanto.

Outros impactos podem ser mais imediatos, em especial sobre a dinâmica dos preços e a inflação.

A inflação do componente da indústria do IPCA nos 12 meses findos em fevereiro foi de 2,83%, ante 5,97% para os preços livres em geral e 8,10% para os preços de serviços.

Cabe notar também a contribuição do bom comportamento dos preços industriais para o recuo dos índices gerais de preços, o que, como destacado em apresentações recentes de autoridades monetárias, tende a ajudar a conter também a inflação para os consumidores.

Os observadores da conjuntura econômica devem lembrar que, em 2004, uma reforma tributária que se esperava neutra do ponto de vista de arrecadação e inflação -e que incluiu introdução da cobrança de PIS e Cofins sobre importados, medida que deveria ter sido compensada por reduções nas tarifas de importação que acabaram não ocorrendo- teve impacto inflacionário relevante.

Isso deve ter contribuído para a decisão do Banco Central de elevar a taxa de juros a partir de setembro daquele ano.

Diante do exemplo de 2004, não seria de surpreender se a preocupação com o impacto inflacionário do crescente ativismo na defesa comercial tenha sido um dos elementos que levaram o Banco Central a se comprometer, tanto quanto as autoridades monetárias o fazem, com um cenário no qual "se contempla a taxa Selic se deslocando para patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos e, nesses patamares, se estabilizando", em vez de avançar no processo de flexibilização, como em um certo momento chegou a acreditar boa parte do mercado financeiro.

Sinal amarelo no comércio - ROLF KUNTZ


O Estado de S.Paulo - 04/04/12


Há um enorme sinal amarelo nas contas externas, aceso pela redução de preços e de volumes de commodities embarcadas em portos brasileiros. Até a relação semicolonial com o mercado chinês pode ficar menos confortável. De janeiro a março, o déficit comercial com a China, US$ 292 milhões, foi 484% maior que o do primeiro trimestre de 2011, US$ 50 milhões. O superávit comercial do Brasil com todos os parceiros ficou em modestíssimos US$ 2,4 bilhões, valor 23,6% menor que o de janeiro a março do ano passado, pela comparação das médias diárias. A rápida erosão da conta de mercadorias torna urgente a adoção de medidas para destravar a indústria - de preferência, mudanças permanentes e de maior alcance que o novo pacote anunciado ontem.

Em março, 14 das 23 principais commodities comercializadas pelo Brasil foram vendidas por preços inferiores aos de um ano antes. Em nove casos, houve redução combinada de cotações e de volumes. Algumas das quedas mais desastrosas: farelo de soja, com perda de 11,8% na quantidade e de 9,5% no preço; açúcar em bruto, com 43,7% e 3,6%; alumínio, com 17,6% e 11,9%.

Apesar disso, houve um pequeno aumento da receita desse conjunto, proporcionado pelas vendas de alguns poucos produtos, como a soja em grão, com preço 3,8% menor e quantidade 47,9% maior que a de março de 2011. No caso do suco de laranja, a tonelagem foi 8,3% menor, mas o preço médio foi 35,8% superior.

O Banco Central reduziu de US$ 23 bilhões para US$ 22 bilhões o superávit comercial projetado para o ano. O resultado de 2011 foi US$ 29,7 bilhões. A mediana das previsões do mercado financeiro e das consultorias ficou em US$ 19 bilhões, na última sexta-feira, segundo a pesquisa semanal do BC. Mas há estimativas bem mais inquietantes, como aquelas elaboradas pelo Iedi, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial.

Os cálculos foram baseados em três cenários. No básico, levam-se em conta as quedas de preços estimadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), de 14% para as commodities não energéticas e de 4,9% para as energéticas. No segundo, classificado como favorável, os preços médios do ano repetem os de dezembro de 2011. No terceiro, as cotações voltam aos níveis de janeiro de 2009. Para simplificar o trabalho, os autores do estudo mantiveram os volumes de commodities embarcados em 2011 e a receita dos demais produtos.

No cenário básico (FMI), o superávit comercial cairá para US$ 13,2 bilhões. No quadro favorável, o saldo diminuirá para US$ 23,7 bilhões. No terceiro, o resultado será um buraco de US$ 41,3 bilhões. Nos dois últimos casos, as estimativas são até otimistas, segundo os autores do trabalho, porque as quantidades exportadas também devem ser afetadas pela desaceleração da economia global. Preços de janeiro de 2009 correspondem às condições de um mundo em recessão. Na projeção do FMI, o volume do comércio mundial cresce 3,8%, variação ainda positiva, mas bem pior que a de 2011, estimada em 6,8%.

Todas as projeções, até as mais sofisticadas, envolvem alguma simplificação, mas nem por isso deixam de ser instrutivas. Esses três cenários são úteis porque realçam a enorme e perigosa dependência do Brasil, neste momento, das condições de comércio de matérias-primas e bens intermediários padronizados e produzidos em massa. Durante anos, a receita comercial brasileira foi reforçada pela valorização desses produtos, em grande parte resultante do rápido e prolongado crescimento econômico chinês.

No primeiro trimestre, a China proporcionou 14,3% da receita comercial do Brasil e se manteve como principal país importador de produtos brasileiros - mas quase exclusivamente de commodities. De certa forma, o Brasil se tornou refém do crescimento da China. Os responsáveis pela política econômica e pela diplomacia comercial negligenciaram a abertura de espaços nos grandes mercados desenvolvidos e, ao mesmo tempo, deixaram deteriorar-se o poder de competição da indústria de transformação.

A sucessão de pacotes e pacotinhos circunstanciais é um reconhecimento implícito, mas incompleto, dos problemas de um setor manufatureiro enfraquecido no mercado externo e acuado no mercado interno pelos produtores de fora. O governo insiste na política de incentivos restritos e de alcance conjuntural, combinados com medidas protecionistas. Age como se os principais problemas do produtor nacional viessem de fora, quando obviamente são made in Brazil e refletem deficiências internas muito bem conhecidas. A presidente Dilma Rousseff as enumerou amplamente, na reunião da semana passada com empresários de vários setores. Mas continua incapaz de traduzir esse conhecimento em política de gente grande e país sério.

O último refúgio da especulação - ABRAM SZAJMAN

FOLHA DE SP - 04/04/12


As regras atuais da poupança garantem no mínimo 6,17% ao ano. Se elas não mudarem, os juros nunca irão abaixo disso no país. Algo tem de ser feito

A presidente Dilma Roussef tem alertado, corretamente, sobres os perigos que o tsunami monetário promovido pelos países desenvolvidos acarreta ao Brasil.

Não adianta, porém, esperar que fechem as comportas, porque eles não vão fazer isso. Como em tempo de murici cada um cuida de si, melhor será obstruir o canal pelo qual passa a enchente. O canal, no caso, é a taxa de juros brasileira, que é a mais alta taxa do mundo. Ela é um poderoso ímã de atração do capital especulativo.

É verdade que o Banco Central está fazendo sua parte ao trazer a taxa Selic para o patamar de um dígito (9,75%). Ocorre, entretanto, que esse movimento tem limites, expressos tanto no recrudescimento da inflação como na transformação da caderneta de poupança, que pode deixar de ser a pacífica aplicação dos pequenos poupadores para se ver invadida por grandes especuladores, insatisfeitos com os ganhos cada vez menores das demais aplicações.

Em ambos os casos, esbarramos com um problema tão nosso quanto a jabuticaba: a indexação da economia. O Plano Real desmantelou a maior parte do sistema pelo qual a inflação se perpetuava, mas deixou resquícios que fazem recordar as "torneirinhas" e "gatilhos" responsáveis pelos fracassos dos planos anteriores.

Permanecem indexados os contratos de serviços públicos e mais: tarifas de empresas privatizadas, pedágios, aluguéis, planos de saúde e mensalidades escolares, com reajustes são atrelados a índices como o IGP-M, ultrapassado em sua concepção. Os financiamentos de longo prazo se vinculam a juros mais inflação por algum indicador, ao contrário do que ocorre no resto do mundo.

A este quadro se agrega a regra de correção do salário mínimo pela inflação do ano anterior mais a variação do PIB, compondo um reajuste automático que impacta, além dos demais salários, as contas a ele vinculadas: Previdência Social, serviços de contabilidade e de profissionais liberais, empregados domésticos.

A herança da memória inflacionária repousa sobre a caderneta de poupança e se torna mais visível na medida em que a redução da Selic torna menos atrativos os investimentos em renda fixa.

As regras atuais de remuneração da poupança garantem no mínimo 6,17% ao ano, mesmo se a Taxa de Referência (TR) for igual a 0%. Como a caderneta é isenta do Imposto de Renda, se não houver uma alteração de seus dispositivos o Brasil ficará com esse patamar mínimo de juros (6,17%), inviabilizando o anseio da sociedade e do próprio governo de aproximá-lo da média mundial, que é muito inferior.

Assim, é premente a necessidade de se promover a desindexação ampla da economia.

Contratos de financiamento devem ter taxa de juros fixa, vedada a correção monetária durante sua vigência. O Tesouro não pode lançar títulos indexados ao IPCA ou a qualquer outro indicador de inflação. As taxas não podem ser flutuantes em nenhuma hipótese e toda a dívida deve ser prefixada, para aumentar o poder da política monetária.

Em resumo, a sociedade precisa aprender a negociar salários e contratos. A livre negociação, ao atuar na linha da conjuntura e não nas amarras da lei, será sempre um instrumento mais justo para aferir o ganho ou a produtividade a serem contemplados no momento da correção ou do reajuste.

Sem isso, não haverá como reduzir os juros estratosféricos que fazem do nosso país o último refúgio do planeta para quem quer ganhar sem produzir.

CLAUDIO HUMBERTO

“Diante do prejulgamento do partido, comunico minha desfiliação”
Senador Demóstenes Torres (GO), ao comunicar sua desfiliação ao Democratas (DEM)

ATÉ O MÉDICO ‘SURTOU’COM OS DESAFOROS DE DILMA

Ministros, presidentes de estatais, governadores: ninguém escapa da fúria da presidente, nem mesmo quem cuida do bem mais precioso – a saúde. Cansado das humilhações diante de assessores, um médico que acompanha Dilma teve um esgotamento nervoso e pediu “baixa” do cargo na Presidência. Militar, ele também teria pedido baixa da Marinha, temendo “perseguição”, e não quer seu nome divulgado.

LULUZINHAS

Ao contrário da era Lula, Dilma tem um staff feminino até no avião presidencial. Agora, duas médicas a acompanham full time.

QUEM MANDA

O ex-ministro José Dirceu e José Maria Marin (CBF) voltaram juntos de Paris, segunda, após um tour na Europa, discutindo a Copa do Mundo de 2014.

EM DÚVIDA

A bancada do PMDB se reunirá esta semana para decidir se indicará o presidente do Conselho de Ética do Senado. PT, o ético, pediu a vaga.

CRISES E CRIMES

Para o deputado Fábio Ramalho (PV-MG), há grande distância entre as duas Casas: “Enquanto a Câmara tem crise, o Senado tem crime”.

DF: PT DESAFIA AGNELO CONSTRANGENDO ASSESSOR

Quem tem aliados petistas não precisa de inimigos. O presidente da Câmara Legislativa do DF, Cabo Patrício (PT), que há muito tenta colocar o governador Agnelo Queiroz (PT) de joelhos, convocou seu chefe de gabinete Cláudio Monteiro para “esclarecer” seu suposto envolvimento no caso Cachoeira. A intenção de Patrício não é esclarecer, mas, sim, constranger o governo no qual tenta mandar.

BAIXARIA

Na briga entre Cabo Patrício e Cláudio Monteiro tem outro ingrediente ainda menor: o primeiro é ligado à PM e seu rival, à Polícia Civil.

CARA BOQUINHA

Patrício exige do governador aval à sua intenção de modificar a Lei para permitir sua reeleição à presidência da Câmara Legislativa do DF.

PIZZA NO DF

O deputado Benedito Domingos (PP) é réu 22 vezes, de corrupção a formação de quadrilha, mas a Câmara do DF decidiu não processá-lo.

BREVE ‘REBELDIA’

O PR não conseguiu ficar muito tempo longe do regaço do governo. Voltou à base, no Senado, pelas mãos do líder petebista Gim Argello (DF), no bloco PTB-PR. Tudo abençoado pela presidente Dilma.

DESCORTESIA

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM) consolida entre colegas a fama de quem se acha. Dia desses, ele agendou visita à senadora Ana Amélia (PP-RS) e não apareceu. Nem deu satisfação.

DEMOROU

Antes do escândalo Cachoeira, o líder Renan Calheiros (AL) convidou Demóstenes Torres (GO) a se filiar ao PMDB, mas a resposta positiva somente ocorreu quando ele já estava sob tiroteio. Era tarde demais.

QUEM COMANDA?

O coronel Sebastião Gouveia pode perder o comando da PM do DF sob a suspeita exatamente de não comandar a corporação. Em e-mails a jornais e emissoras de Brasília, líderes da “operação tartaruga” da PM celebram os 88 assassinatos em março, 14 só no fim de semana.

SAÍDA PARA O CÓDIGO...

Com a votação do novo Código Florestal marcada já para este mês, governo e ruralistas correm contra o tempo para remover o impasse sobre preservação ambiental às margens dos rios.

...TEM ACORDO À VISTA

A proposta de definir faixa mínima e máxima de preservação em áreas consolidadas nas encostas, com Estado e União decidindo cada caso, é a saída para o Código Florestal, diz o relator Paulo Piau (PT-MG). 

ESTAMOS AÍ

Relator da CPMI do mensalão, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) dirá “não”: certo de que será absolvido no Supremo, o deputado e pré-candidato João Paulo Cunha (PT-SP) convidou-o para gravar depoimento para sua campanha a prefeito de Osasco (SP).

ÚLTIMO A SABER

O secretário do Meio Ambiente do DF, Eduardo Brandão (PV), não foi consultado sobre a escolha do novo diretor dos Serviços de Limpeza Urbana (SLU). “O SLU é igual a cunhado: é parente, mas não é família”, desabafou.

PENSANDO BEM...

...Agora temos o puxadinho tributário de Mantega. 

PODER SEM PUDOR

CROQUI VOADOR

Estudantes de engenharia curitibanos, do Projeto Rondon, mudaram a face de João Câmara (RN). Reformaram o coreto, a praça, até construíram um chafariz. Deixaram saudades. Meses depois, o prefeito Chico Bomba recebeu um recado: os estudantes precisavam de um croqui das obras que ajudaram a realizar, para um trabalho de conclusão de curso. O prefeito não entendeu direito, mas, solícito, foi aos Correios e ditou um telegrama:

– Impossível encontrar croqui, mas segue a melhor graúna da região.

Em Curitiba, estudantes perplexos receberam do prefeito um pássaro preto.

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Indústria ganha 6º pacote de incentivos para sair da crise
Folha: Ajuda de Dilma à indústria terá pouco efeito imediato
Estadão: Governo anuncia pacote de R$ 60,4 bi para produção
Correio: Bondade com indústria vai para a conta da cerveja …
Valor: Pacote amplia crédito subsidiado
Zero Hora: Pacote de R$ 60 bi agrada, mas não ataca os nós da economia
Estado de Minas: BH na rota do botox ilegal

terça-feira, abril 03, 2012

Também quero proteção - MÁRIO SANTAROSA

ZERO HORA 03/04/12


Todos os setores econômicos com alguma dificuldade estão pedindo e ganhando alguma facilidade ou proteção estatal. Menos o consumidor final, que é quem paga a conta das benesses mal explicadas. Também quero um programa compensatório para mim e todos os brasileiros que têm que pagar mais caro que um americano ou europeu por uma série de produtos do dia a dia, fora a diferença de qualidade. As “desamparadas” montadoras nacionais precisam ser protegidas, na versão oficial e lobista, com altas taxas de importação. Por que, então, ao mesmo tempo ganham vantagem para trazer modelos de veículos de suas fábricas no mundo e remetem lucros recordes às matrizes?

Querem, agora, me obrigar a só beber vinho nacional, colocando barreiras e novas taxas na importação do produto estrangeiro. Inclusive sobre os tipos e variedades que nunca conseguiremos produzir aqui por questões de solo e clima, na mesma qualidade e preço. Quem olha os investimentos e a prosperidade das nossas vinícolas fica em dúvida sobre os argumentos de que estão sendo ameaçadas. Mas tenho certeza quando meu gosto ou meu bolso estão sendo agredidos por bebida daqui ou de fora.

Automóveis e vinhos são dois exemplos mais recentes de que o cidadão comum merece um programa especial, quem sabe uma dessas MPs que o governo despeja a toda hora. E não adianta esperar pela concorrência do capitalismo à brasileira, pelo qual é mais fácil conseguir um benefício governamental do que conquistar o consumidor para obter lucro. O que a maioria dos setores que agora choram fez durante todo o tempo em que o Brasil foi uma das economias mais fechadas? Qual foi o esforço tecnológico na melhoria dos produtos, em retribuição ao que pagamos a mais por mercadorias inferiores? Não se cobrou, como não se exige agora, que o consumidor, a quem é entregue a fatura do benefício, seja compensado, mais adiante, através de preço ou qualidade. O cidadão, na realidade, funcionou como sócio capitalista da empresa, porque entrou com dinheiro, através de imposto, ou comprando mais caro. Se não for possível a participação acionária, há outra forma: penalize-se pesadamente quem fizer reajustes abusivos pela falta de concorrência externa e se refestela embaixo da saia governamental.

Apesar do apelo por proteção, resta pouca esperança, no momento, de sermos atendidos. Não deixemos, entretanto, de gritar por socorro. Se outros já ganharam benefícios, com argumentos duvidosos, por que não eu e tu, que temos certeza de estar sendo lesados?

A taça está na CBF - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 03/04/12
Final feliz. A CBF já incorporou à sua coleção esta Taça Fair Play, que a seleção de Parreira ganhou na Copa de 2006.
A entidade comprou de um particular que tinha arrematado, como se sabe, a peça num leilão da Receita Federal. O Leão alegou que a taça ficou em seu depósito porque ninguém da CBF tinha ido buscar.

Calma, gente!
O presidente do TJ, Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, disse ontem, durante sessão do Órgão Especial, que havia recebido uma representação do CNJ, contra o TJ, assinada pelo procurador-geral de Justiça do Rio, Cláudio Lopes.
Só que o procurador, segundo o desembargador Manoel Alberto, havia enviado um ofício avisando que a assinatura dele no documento era... falsa.

Caras-pintadas
Hoje, alunos da faculdade de Letras da UFRJ vão fazer um ato às 7h30m contra... os mosquitos.
No protesto pacífico, os estudantes usarão raquetes, inseticidas e repelentes. A manifestação está sendo organizada pelo Coletivo Ao Pé da Letra, que faz oposição ao centro acadêmico da faculdade.

Festa dos Silva
Lula vai receber a família sábado, em São Bernardo do Campo, SP, para festejar o aniversário de dona Marisa, que completa 62 anos.

A História de Mora
A série de reportagens do nosso Jorge Bastos Moreno sobre Ulysses Guimarães deve sair em livro pela Rocco.
O acordo foi conduzido pela agente literária Luciana Villas-Boas, ex-diretora da editora Record.

Encantadores de vida
O banqueiro Eduardo Moreira, ex-Pactual, vai estrear na literatura com “Encantadores de vida” (Record). Conta sua história de superação após duas quedas graves: de um cavalo e correndo para pegar um táxi.
Narra ainda sua experiência com dois mestres —- o americano Monty Roberts, treinador e autor do best-seller “O homem que ouve cavalos” e o brasileiro Nuno Cobra, treinador de Ayrton Senna e autor do sucesso “A semente da vitória”.

Aliás...
Roberts e Cobra assinam o prefácio do livro.

Joãosinho, o filme
Paola Oliveira será Zeni, mulher de Fernando Pamplona, no filme “Trinta”, sobre Joãosinho Trinta (1933-2011). Pamplona foi mestre de Joãosinho.


Matheus Nachtergaele, que fará o papel principal, está tendo aulas de dança, no Rio.

UMA BARRACA da Feira Hippie de Ipanema vende estas lindas bonecas de pano. Elas são praticamente iguais, mas não no preço. As brancas custam R$ 85, e as negras, R$ 65. A simpática senhora que estava à frente da barraca domingo não conseguiu produzir um argumento convincente para explicar a diferença de preços. Uma pista, talvez, esteja em outra nota da coluna, publicada no Natal de 2006. O gerente da loja Amigão, de Madureira, não escondeu que vendia bonecas brancas, do mesmo modelo e fabricante, pelo dobro do preço porque a procura de bonecas negras era pequena

Novela no samba
“Horário nobre” é o nome do enredo da São Clemente para o carnaval de 2013.
A escola da Zona Sul vai festejar as novelas da TV Globo e seus personagens mais famosos, como Viúva Porcina, Dona Redonda, Odorico Paraguassu e Sinhozinho Malta.

Coelhinha saliente
A loja de, digamos, artigos de saliência A2 Ella, em Ipanema, renovou às pressas seu estoque de “kit coelhinha” com a proximidade da Páscoa.
O kit que faz sucesso custa R$ 314 e vem com fantasia de coelhinha, venda para os olhos e um ovo, que não é de chocolate. É um vibrador.

Au, au, au
Lembra a história do cachorrão american staffordshire terrier que atacou uma vovozinha de 81 anos e um fox paulistinha, no Barra Bali, na Barra, no Rio, como saiu aqui dia 5 de março? Voltou a atacar na noite do último domingo. Sem focinheira, avançou em uma menina de 6 anos e em um shitsu, dentro do condomínio.

Virou nome de sala
Sidney Miller (1945-1980), compositor morto aos 35 anos, será lembrado em 17 de abril pelo Instituto Moreira Salles, no Rio, com um show em que Joyce Moreno cantará músicas do seu repertório.
Ele, que chegou a ser comparado a Chico Buarque, tinha Nara Leão como sua principal intérprete.

Maltratados sim, discriminados nunca! - TUTTY VASQUES

O ESTADÃO - 03/04/12

O Brasil pode até ter bons motivos para submeter visitantes espanhóis a regras mais severas de controle de imigração, mas, a despeito da justificativa de reciprocidade entre países soberanos, maus tratos a passageiros em nossos aeroportos nunca foi – e nem será – exclusividade de qualquer nacionalidade em trânsito. O próprio turista brasileiro sofre sem nenhum privilégio toda vez que viaja de avião.
O espanhol que a partir de agora visitar o Brasil não deve pensar na chegada a Cumbica ou ao Galeão que está penando no aeroporto só porque veio do país ibérico. Nada disso!
Ingleses, portugueses, norte-americanos, alemães ou soteropolitanos, não importa a procedência, basta ser passageiro para passar por poucas e boas no calvário entre o avião e o táxi.
Nossas autoridades aeroportuárias podem ser tudo – incompetentes, relapsas, negligentes e mal preparadas –, mas não há notícias de ações discriminatórias para maltratar mais a uns que a outros em solo.
Não é porque um em cada quatro turistas espanhóis está à procura de emprego que as coisas vão piorar pro lado deles.
Podem chegar sem susto, desde já advertidos de que aeroporto aqui no Brasil é complicado mesmo!

Até tu, companheiro?E o Stepan Nercessian, hein?! Para parte da esquerda de Ipanema, o deputado estadual pelo PPS no Rio é, mal comparando, uma decepção tão grande quanto o Demóstenes Torres no meio conservador. Banhavam- se na mesma Cachoeira!

Los hermanosRaúl Castro foi se queixar ao irmão Fidel:
Não aguenta mais recepcionar Hugo Chávez no aeroporto de Havana.
"No seu tempo, presidente da República tinha mais o que fazer!"

IrreconhecívelAmigos de Felipão estão preocupados.
Também, pudera!
O técnico do Palmeiras deu agora para achar que a arbitragem e a vitória do adversário foram “justas”.
Só falta chamar a imprensa para um churrasco.

Pode?Articula-se na Câmara dos Deputados um projeto de lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas a menos de 100 metros das escolas e faculdades. Precisa ver se a Fifa concorda, né?

Devagar com o andorOu os assaltantes de caixas eletrônicos aprendem a mexer com dinamite ou vão acabar implodindo São Paulo, caramba!

Trem da alegriaO governador, o prefeito, o secretário de Segurança e o arcebispo do Rio foram a Roma neste fim de semana para entregar uma réplica do Cristo Redentor ao papa. Segundo Sérgio Cabral, foi “uma demonstração de que o povo do Rio de Janeiro está ansioso para recebê-lo em 2013”.O carioca deve estar orgulhoso de seus líderes políticos, né não?! 

Substituto à alturaChama-se Wilder o primeiro - suplente de Demóstenes no Senado. Wilder Pedro de Morais, dizem, não fica nada a desejar ao titular!