domingo, abril 25, 2010

SÓ FALTAVA ESSA


PENSEM NUMA MULHER SEM VERGONHA

Ela diz que é ela

Está  no site da terrorista




NÃO É ELA 

É MUITA CARA DE PAU...


É A NORMA BENGELL
Ô MULÉZINHA MENTIROSA...

ELIANE CANTANHÊDE

O nosso Eyjafjallajoekull
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/04/10

BRASÍLIA - Lula deu aquele sorriso encantador de serpentes, e Ciro Gomes manteve a candidatura a presidente e trocou o domicílio eleitoral do Ceará, onde foi governador e prefeito da capital, para São Paulo, onde não é nada. O PSB blefou, estimulando seu sonho presidencial enquanto negociava suas boquinhas com Lula e o PT nos Estados. E o PT e o eleitor paulista não lhe deram legenda nem opção.
Mas o grande vilão do complô contra Ciro foi... Ciro. Política é a arte de somar, articular, manipular, e ele só divide, confronta, se isola.
Depois de anos inativo no Ministério da Integração e na Câmara, nosso vulcão Eyjafjallajoekull entrou em erupção. Era questão de tempo.
Sua coleção de lavas é espetacular. Não mais aquelas de 2002, contra mulheres, radialistas, repórteres, mas a atual. Ele passou anos xingando a suposta arrogância de São Paulo, mas transferiu o título para lá. Chamou Serra de "figura detestável", e agora diz que o tucano "é mais preparado, mais legítimo, mais capaz" do que Dilma. Foi fiel amiguinho de Lula todos esses anos, mas acha que o presidente "está navegando na maionese".
Sem disputar a Presidência nem o governo de São Paulo (o PT não deixou, e Mercadante vai hoje para o sacrifício), será que Ciro vai ter a pachorra de disputar a reeleição para a Câmara?!
Vejamos o que ele disse sobre seu mandato: "Nunca mais vou ser deputado na vida. Não tenho mais paciência de passar nove horas conversando fiado e não fazendo nada pela vida de ninguém". Se for para a reeleição, estará naturalmente se candidatando a não fazer nada.
O importante, porém, é avaliar o efeito Eyjafjallajoekull na eleição, como todos estão fazendo. O PSB fica mais livre para acordos estaduais. PT e o PSDB avaliam perdas e ganhos e como atrair os 10% de eleitores que estão soltos no ar. Quanto a Ciro? A erupção logo perde a graça e passa. Os voos de Serra e Dilma continuam normalíssimos.

PAINEL DA FOLHA

Valor de mercado
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/04/10

Dono de pouco mais de um minuto e meio de tempo de televisão cobiçado tanto pelo PSDB quanto pelo PT, o PP consultou seus diretórios a respeito do alinhamento na disputa presidencial. Na aritmética, deu Dilma (21 dos 27 Estados se manifestaram a favor da candidata de Lula). O partido está com os tucanos em praças de peso, como Minas e Rio Grande do Sul.
Mais importante do que essas contas, porém, será o destino do presidente da sigla, Francisco Dornelles, senador pelo Rio de Janeiro. "Se ele virar vice na chapa de Serra, não há palanque regional que impeça a nossa aliança com o PSDB", resume um dirigente.


Cronômetro. Com o atual esboço de alianças, Dilma teria hoje uma vantagem de pouco mais de dois minutos sobre o tempo de TV de Serra. Com o PP, o tucano ficaria perto de equilibrar o jogo.
Deixa solto. Em situação privilegiada, a campanha de Dilma vê menos importância em se aliar formalmente ao PP e mais em evitar que Serra o faça. O objetivo é o mesmo em relação ao PTB.
Na real 1. Consideradas as circunstâncias do PP e da campanha de Serra, a chance de Francisco Dornelles vir a ser vice do tucano está hoje na casa dos 20%. Não é muito, mas, descontada a opção dos sonhos Aécio Neves, nenhum dos nomes até agora cogitados reúne probabilidade maior do que essa. No caso de Itamar Franco (PPS-MG), a possibilidade é quase nula.
Na real 2. Itamar, que respirara aliviado com a retirada de José Alencar (PRB) do mercado eleitoral, voltou a se preocupar com sua candidatura ao Senado. Quem conhece o mapa dos votos em Minas acha que, se o PT lançar Fernando Pimentel, é grande o risco de o ex-presidente perder a cadeira para o ex-prefeito de BH. A outra, se Aécio quiser, é dele e ninguém tasca.
Amistoso. FHC promoverá um encontro entre seu vizinho e "chapa" Ronaldo Fenômeno, estrela do Corinthians, e o palmeirense Serra.
Xis da questão. Quem acompanhou de perto o tormento de Ciro Gomes até o completo naufrágio de sua candidatura presidencial explica: revolta o deputado do PSB a ideia de que ele esteve com Lula na hora mais difícil, enquanto o chamado PMDB da Câmara surfava na crise do mensalão, e que agora esse mesmo PMDB indicará o vice de Dilma e mandará ainda mais do que hoje no eventual governo da petista.
Sem rumo. Amigos acham que Ciro realmente não está bem, apresentando rápidas e frequentes oscilações de humor. Nesse quadro, dizem os mais próximos, ele tanto pode continuar atirando quanto atender a um "apelo emocionado" de Lula e se recolher.
De cima. A esta altura, os aliados de Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, não acreditam mais que a manutenção da candidatura ao Senado do petista José Pimentel, contrária aos interesses eleitorais do governador, seja coisa do PT do Ceará. Estão certos de que Lula patrocina a iniciativa.
Sei lá. E segue o mistério sobre a pauta da reunião Dilma-Marisa Letícia, ocorrida quinta-feira na sede provisória do governo, onde na mesma hora Lula discutia com os caciques do PSB o destino de Ciro. "Elas conversaram sobre o encontro das mulheres do PT", diz um dirigente do partido. Lembrado de que a primeira-dama não foi ao evento, emendou: "Ihhhh..."
Ao volante. A ministra do Supremo Cármem Lúcia, que assumiu a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral, costuma ir para o trabalho dirigindo o próprio carro, dispensando o veículo oficial.

com SILVIO NAVARRO e ANDREZA MATAIS
Tiroteio 
"Há momentos em que o Serra elogia o governo e outros em que fala claramente como oposição. Em breve ele cairá desse muro." 

Do deputado JOSÉ EDUARDO CARDOZO, secretário-geral do PT, apontando oscilações no discurso do candidato tucano.
Contraponto 
É uma vergonha! Em "Chatô - O Rei do Brasil", Fernando Morais narra episódio ocorrido no início da década de 50, quando o empresário Assis Chateaubriand ocupava cadeira no Senado.
Certo dia, o jornalista Otto Lara Resende encontrou o senador pela Paraíba no corredor e comentou que era vergonhoso ver a imundície dos banheiros da Casa.
Chatô foi conferir a queixa in loco, e Otto maliciosamente lhe sugeriu tratar publicamente do assunto -"sem jamais imaginar que seria levado a sério", escreve Morais.
Qual não foi sua surpresa ao ver Chateaubriand subir à tribuna, tão logo iniciado o expediente, e fazer um discurso inflamado sobre a situação dos banheiros, que terminou por reivindicar "um governo autoritário, que limpe a latrina em que se transformou o Brasil".

GOSTOSA

GAUDÊNCIO TORQUATO

O olho da nova classe média

Gaudêncio Torquato 

O Estado de S.Paulo 25/04/10

As planilhas de viabilidade eleitoral, organizadas para balizar o planejamento das campanhas, costumam levar em conta pontos fortes e pontos fracos dos candidatos, características das classes sociais, influência das estruturas de poder nas regiões, propostas e promessas, arrematando esse acervo com doses adequadas de emoção e razão.
Os proponentes, cada um com seu estilo, se esforçarão para impactar os agrupamentos eleitorais, por classe e região, maximizando habilidades comunicativas e minimizando deficiências. Trabalharão com a ideia de aproximar identidade (personalidade, escopo) à imagem (projeção da identidade). Nem sempre serão eficientes na tarefa, ou porque, ao encapsularem as orientações dos assessores, não conseguirão transmiti-las de modo natural, parecendo ventríloquos, ou porque rechaçarão conselhos e acabarão dando com os burros n"água.
Comparado a outros pleitos, o deste ano ganhará esquadrinhamento apurado. A razão é que o ciclo Lula, perto do fim, incitará o eleitorado a examinar de perto o desempenho dos postulantes, avaliando potenciais, comparando ideias e medindo a proposta que melhor se encaixa na aposta do futuro.
O caleidoscópio eleitoral contará com atentos observadores. O principal olheiro será o eleitor de classe média, o qual, historicamente, tem tido visão aguda sobre o desenrolar das disputas. Nos próximos meses, a luneta será requisitada por um contingente recém-chegado que se incrustou no meio da pirâmide social por conta do braço distributivista do governo Lula. Esse numeroso exército subiu a ladeira, saindo da classe D, iniciando uma trajetória carregada de símbolos. Trata-se da nova classe média brasileira, que ganhou status de maior aglomerado nacional. Portanto, o pleito ocorrerá sob o signo da mudança do perfil econômico e geográfico do País.
A alteração na fisionomia social implica reavaliação do comportamento de todos os segmentos. Como se sabe, a classe média é quem mais sofre com as obrigações impostas pelos governos, como a alta carga tributária, e ainda com a má qualidade dos serviços públicos. Também é a mais atenta às promessas não cumpridas por nossa democracia representativa. Por isso, pode ser chamada de termômetro mais sensível da vida social. Por estar no meio, onde se cruzam as pressões de baixo e os interesses de cima.
Classe média insatisfeita sinaliza perigo para qualquer governo. E como ela se apresenta nesse instante em que os tambores da guerra começam a rufar? Os dados indicam que ela atravessa uma situação, se não de todo confortável, pelo menos não tão incômoda. Hoje, ela é responsável por 52% da população economicamente ativa, juntando 92,8 milhões de pessoas que ganham um salário entre R$ 1.115 e R$ 4.807 e detêm 46% da renda nacional. A pergunta que inquieta o entorno dos candidatos é esta: Qual seu peso no processo eleitoral? É grande. Outra questão: Por onde trilhará este ano? Vejamos as pistas.
O petismo dará vazão à recorrência de que, na era Lula, cerca de 30 milhões de brasileiros saíram da classe D para ingressar na classe C. Dirá, ainda, que tal inclusão não resulta de transferência direta de renda por meio de ações assistencialistas. Dados do IBGE atestam ter havido, entre 2003 e 2008, um ganho real médio de renda do trabalho per capita de 7,3%. Ou seja, a classe média teve crescimento real de renda. Sob essa crença, o governismo aposta que os integrantes da nova classe média despejarão o voto em Dilma Rousseff, identificando-a como a pessoa que ajudou a plasmar sua ascensão. Certo?
Em termos. Dilma deverá receber, por gratidão a Lula, boa parcela dos votos dos novos habitantes do meio da pirâmide, principalmente de eleitores de regiões tocadas pelo braço assistencial, como Norte e Nordeste. Mas é preciso enxergar que no seio dessa nova classe emerge um eleitor pragmático, racional, que enxerga o todo e as partes, candidatos, competências e circunstâncias. E a indagação que preocupa esse perfil é: quem tem melhores condições de garantir as conquistas alcançadas?
O fato é que o País avança na direção de uma comunidade política mais sensível aos valores republicanos. Doses morais e éticas são exigidas dos laboratórios da política. Benefícios e programas de cunho social são identificados com todos os governos, não sendo exclusividade de A, B ou C. Esse é o outro lado da moeda. O sufrágio de agradecimento locupletará apenas parte das urnas. Ainda mais quando se sabe que a classe C (média baixa) é a mais plural de todas, dividindo-se entre categorias, profissões, setores, áreas e nichos. Como arremate, é razoável imaginar que alguns núcleos sejam influenciados pelas entidades que os abrigam. Nesse caso, vale conferir o poder das entidades organizadas. E lembrar que o governo fortaleceu cadeias produtivas, contempladas por programas de acesso ao crédito e de isenções de tributos. Aliás, esses fatores são frequentemente pinçados para demonstrar que o Brasil foi um dos últimos a entrar e um dos primeiros a sair da crise.
Por último, a radiografia mostrará a policromia regional, cujo pincel é a cultura. O eleitor não é um ente apartado do hábitat. Daí a importância da cor local no processo de decisão. Os quatro cantos do território possuem costumes, tradições e linguagens. Confundir o nome de uma cidade com o de outra, por semelhança fonética, ou mesmo citar o Estado errado, são gafes que poderão criar embaraços a qualquer candidato. Imagine-se ele num Estado de orgulhosas tradições, como o Rio Grande do Sul, ignorando o significado da Revolução Farroupilha.
É evidente que candidatos não serão instados a percorrer as sinuosas veredas da história regional, mas quando desafiados a fazê-lo, sairiam bem na fita se desfiassem um fio de conhecimento. O caleidoscópio eleitoral será cheio de surpresas.

ELIO GASPARI

Cidade de Deus, nunca mais
ELIO GASPARI
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/04/10


Prefeito do Rio promete transferir favelados sem colocá-los em guetos que desmoralizam a cidade


O PREFEITO Eduardo Paes anunciou a construção de 170 prédios com 3.400 apartamentos de 42,6 metros quadrados no bairro de Triagem. Neles serão instaladas cerca de 13,5 mil pessoas que vivem em favelas da cidade. Há muito tempo não saía do Rio de Janeiro uma notícia tão boa. A área fica a 15 minutos do centro, próxima às linhas de trens, e Paes promete um projeto urbanístico que integre os prédios ao bairro, livrando-os da maldição dos conjuntos habitacionais. Se fizer isso abrindo um concurso público, o Rio poderá ganhar mais um marco arquitetônico.
A transferência desses cariocas para um bairro vivo, com comércio, serviços e transportes próximos, desdenha a demofobia que há um século se esconde na discussão do futuro das favelas. Não se trata de tirar cidadãos de um lugar, mas de saber para onde eles irão. Afinal, a maioria dos moradores da avenida Vieira Souto aceitaria ser removida para a Park Avenue, em Nova York.
O economista Sérgio Besserman, presidente do IBGE durante o tucanato, deu uma entrevista ao repórter Oscar Cabral defendendo as remoções de favelas e exemplificou suas virtudes: "A lagoa Rodrigo de Freitas, cartão-postal da zona sul carioca, é um caso emblemático dos aspectos positivos que podem se seguir a uma remoção. Quando a favela foi retirada dali, em 1970, os imóveis da região, cujos valores vinham sendo depreciados, inverteram a curva e passaram a se valorizar".
Certo, mas faltou dizer onde terminou a curva dos moradores da favela da praia do Pinto. Eles foram mandados para Cidade de Deus, símbolo internacional da depreciação do Rio de Janeiro, produto emblemático do urbanismo demófobo. A favela não foi removida de acordo com uma política pública. Numa noite, a comunidade foi incendiada, provavelmente por Nero, o imperador que limpou Roma.
A VIÚVA FAZ PAPEL DE BOBA DESDE 1792 

Chegará na próxima semana às livrarias "A Fortuna dos Inconfidentes - Caminhos e Descaminhos dos Bens dos Conjurados Mineiros (1760-1850)", do professor André Figueiredo Rodrigues. É uma daquelas obras que demonstram a grandeza da pesquisa documental.
Aprende-se no colégio que os 24 inconfidentes condenados em 1792 tiveram seus bens confiscados pela Coroa portuguesa. Chegou-se mesmo a uma estimativa segundo a qual os confiscos renderam o equivalente a 643 quilos de ouro. Tratando-se de uma conspiração descoberta no andar de cima da Colônia, podia-se pensar que o alferes Tiradentes perdeu o pescoço, mas seus companheiros teriam perdido os anéis. Figueiredo Rodrigues prova que isso é lenda. De recurso em recurso e de mutreta em mutreta, se a Viúva conseguiu 10% do que cobiçou, foi muito.
O professor seguiu a grande regra da pesquisa histórica: foi atrás do passo seguinte. Houve o sequestro, mas o que aconteceu depois? Ele acompanhou o movimento dos patrimônios de sete conjurados que viviam na comarca do Rio das Mortes. Um deles, Francisco Antônio de Oliveira Lopes, ensinara que "o dinheiro vencia tudo". Burocratas levaram propinas, fazendas não foram inventariadas, joias sumiram e, dos 529 escravos sequestrados, 87 sumiram.
"A Fortuna dos Inconfidentes" mostra como as mulheres dos presos transformaram os patrimônios dos maridos num enorme laranjal, com a ajuda de administradores, artifícios contábeis e laços de parentesco. Ao fim das contas, a Coroa "pouco lucrou (...) e as famílias pouco perderam".
A pesquisa minuciosa faz do livro uma leitura pesada, porém seu mérito está em recuperar, dois séculos depois, a voz dos documentos.
BILHETE ÚNICO
Se ninguém atrapalhar, em agosto o Bilhete Único começará a vigorar na rede de ônibus da cidade do Rio. A tarifa poderá ficar em R$ 2,40, e o novo sistema permitirá aos cariocas fazer um transbordo ao longo de duas horas. A tarifa dos ônibus do Rio é de R$ 2,35. Portanto, quem sai de Bangu com destino a Copacabana e sobe em dois ônibus economizará R$ 2,30 a cada percurso. Em 25 dias, serão R$ 115. Em São Paulo, o Bilhete Único custa R$ 2,70, permite três transbordos e vale por três horas.
BOA NOTÍCIA
O jornalista José Augusto Ribeiro trabalha numa biografia de Tancredo Neves. Ele já produziu três bons volumes sobre Getúlio Vargas. Em 1985, José Augusto era o assessor de imprensa de Tancredo, às vésperas da posse que não aconteceu.
EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo, que é um idiota, não sabia que a doutora Rejane Andersen era "uma desembargadora do Tribunal de Justiça" de Santa Catarina. Depois de ter visto em vídeo a valentia da meritíssima na batalha pela tentativa de liberação do carro de seu querido filho, o idiota acredita que doutora Rejane poderia passar a fazer a mesma coisa pelos filhos dos outros. Por cretino, Eremildo tem memória inconveniente. Em 2008, a doutora Rejane concedeu uma liminar proibindo a circulação do livro "A Descentralização no Banco dos Réus". Proibido até hoje, o texto está na internet. Seu autor foi preso em flagrante numa tentativa de extorsão. Seria melhor se o livro circulasse e ele fosse responsabilizado pelo conteúdo, todo dedicado ao que o autor apresenta como relações promíscuas da imprensa com o governo de Santa Catarina.
HILLARY ROUSSEFF?
O comissariado da campanha de Dilma Rousseff conseguiu superar os tucanos, pois se briga mais por lá do que na tropa de José Serra. A candidata petista talvez devesse passar os olhos em alguns necrológios da candidatura de Hillary Clinton.
Guardadas as diferenças, restam duas fortes semelhanças:
1) A equipe de Hillary estava tão convencida da vitória que passou um bom tempo brigando entre si. Quando acordaram para o perigo Obama, continuaram brigando entre si.
2) Tanto Hillary como Bill Clinton custaram a perceber que o discurso de Obama tinha um conteúdo de mudança. "Yes, we can" não era um slogan, era um desejo.
PESADELO PAPAL
Bento 16 conseguiu algo que não passou pela cabeça do cardeal Joseph Ratzinger nem nos seus piores pesadelos de guardião da fé. A crise da pedofilia acordou, reagrupou e devolveu um estandarte moral à raquítica esquerda católica. Prova disso está na repercussão obtida pela carta do teólogo suíço Hans Kung ao episcopado mundial, na qual sustenta que "a obediência incondicional só é devida a Deus". Kung e Ratzinger foram colegas na Universidade de Tubingen e nas sessões do Concílio Vaticano 2º. Bento 16 e Kung aproximaram-se, jantando juntos em 2005, mas afastaram-se para sempre quando o papa suspendeu a excomunhão dos padres cismáticos da Sociedade de São Pio 10º, um dos quais negava a extensão do Holocausto.
10 X 1
É previsível que os ministros do Supremo se adaptarão ao estilo reservado do novo presidente, Cezar Peluso. Há uma só dúvida: a capacidade de adaptação de Gilmar Mendes à simples condição de ministro.

IVAN ÂNGELO


REVISTA VEJA SP

Que mês!

Ivan Ângelo | 28/04/2010
Abril é o mais cruel dos meses. Com esse verso, o poeta T.S. Eliot iniciou o célebre poema The Waste Land (Terra De vastada): “April is the cruellest month”. O verso brotou das minhas lembranças enquanto eu anotava que até o fim do mês teria de apresentar a declaração anual para o imposto de renda, chateação que assalta os brasileiros em abril.
O título do poema, o imposto de renda que em boa parte será rapinado pelos políticos, a chuva desastrosa que matou e continua a matar ao longo do mês, os deslizamentos nos morros do Rio, desastres nas estradas, o início das baixarias da campanha política e um caso dramático de doença na família juntaram-se na minha cabeça e então o verso de Eliot começou a articular dentro dela várias coincidências de datas.
Sempre se disse, no Brasil, que o mês de agosto é de desgosto, mas isso é mais pelo gosto da rima do que pelos desastres. Abril já começa com mentiras, no dia 1º, e termina com a chateação obrigatória da Receita Federal.
Quando os portugueses da armada de Cabral que se dirigiam para as Índias fizeram um pit stop na costa da futura Bahia, marco do futuro Brasil, o mês era abril. Começava a desgraça dos primeiros brasileiros, chamados de índios e gentios, e logo escravizados, massacrados. As matas foram devastadas. The waste land.
Em abril, quase três séculos depois, os conquistadores mataram na forca um libertário, Tiradentes, e o esquartejaram, e distribuíram partes de seu corpo pelas estradas e caminhos, “para terror e exemplo”.
Quando os militares brasileiros derrotaram a raquítica oposição ao golpe de estado, era 1º de abril de 1964. Em um dia eles acabaram com a resistência, em vinte anos acabaram com a ilusão de um modo de ser brasileiro. A crueldade, a exclusão, a corrupção e o oportunismo tornaram-se explícitos, passaram a fazer parte da regra do jogo.
Era 9 de abril quando saiu o ato institucional que depôs o presidente Goulart, iniciou as cassações de direitos políticos, suspendeu a estabilidade de funcionários. Foi o primeiro de muitos atos traumáticos.
Foi em abril de 1977 que Ernesto Geisel, o quarto ditador militar, fechou o Congresso para aprovar a reforma do Judiciário. Deu no que deu.
No meio desse mesmo mês, o mesmo general baixou o Pacote de Abril, para evitar que candidatos da oposição se elegessem governadores pelo voto direto; também um terço dos senadores seria eleito por voto indireto, e estes ganharam o apelido de senadores biônicos; na televisão, os candidatos a qualquer cargo eletivo só poderiam mostrar foto, número e currículo. Nada de ideias.
Em abril de 1981, dois militares pretenderam explodir bombas no Riocentro, onde se realizava um show de cantores e bandas que não simpatizavam com o regime militar. Uma das bombas explodiu no colo de um deles, antes de ser plantada e acionada.
As coisas deveriam mudar em 1985, mas o homem escolhido para mudá-las, o político mineiro Tancredo Neves, morreu no dia 21 do cruel abril.
No dia 11 de abril de 1990, o Congresso Nacional, o único poder que poderia impedir as loucuras do Plano Collor, que confiscara na marra os depósitos bancários e a poupança de todos os brasileiros, aprovou-as e deixou o povo com uma mão na frente e a outra atrás.
Em outro 11 de abril, em 2006, o procurador-geral da República fechou um ano de denúncias que chocaram o país ao apresentar finalmente ao Superior Tribunal Federal as acusações contra quarenta réus por corrupção, apontando como cabeça do esquema que ficou conhecido como mensalão, de pagamento mensal para a compra de deputados federais com dinheiro de caixa dois, o então poderoso ministro da Casa Civil, José Dirceu.
Veja, caro Eliot, onde seu verso de 1922 foi encontrar ressonâncias.

JANIO DE FREITAS

A lei da farsa
JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/04/10


A campanha está aí, à vista de todos, mas não é campanha; só ganha o ar da legalidade com o segundo semestre


ELEIÇÕES NO BRASIL começam pela hipocrisia, por tapeação exigida pela lei. Os candidatos óbvios não podem dizer que são candidatos, sob risco de punição significativamente financeira, por este grandioso motivo: ainda não é a hora. A campanha está aí, à vista de todo o país, mas não é campanha. As denominações "campanha" e "candidato" só ganham o carimbo da legalidade com a chegada do segundo semestre.
A lei impinge ao eleitorado o papel de contraparte da falsificação de uma realidade que todos sabem qual é e, menos ou mais, vivem de um lado ou de outro. Como complemento, a lei facilita desigualdades de tratamento aos candidatos: leva a aplicação da própria lei a praticar diferentes maneiras de discriminação e injustiça, tanto de boa como de má-fé. Ou porque os incumbidos de aplicá-la não podem a tudo acompanhar pelo país todo, ou por desvio de conduta.
A representação da Procuradoria-Geral da República contra o sindicato de professores de São Paulo, para o qual pede a punição máxima, ilustra bem como a lei pode distribuir-se mal, mesmo que não por má-fé. O sindicato é acusado de "promover e financiar" manifestações que fizeram "propaganda eleitoral antecipada", ao pregarem a recusa de voto em José Serra. "O não voto em época pré-eleitoral viola (...) a Lei das Eleições tanto quanto o pedido de voto", argumenta a representação.
Quantas vezes, de um ano para cá, aglomerados de eleitores ouviram Lula discursar a ideia de que, para manter o Bolsa Família e outros programas, o povo precisa votar em quem dê continuidade ao seu governo? A seu lado, Dilma Rousseff, a quem, por inúmeras vezes, definiu como sua candidata. Lula pedia o quê, senão voto, para quem, senão Dilma?
Em relação só às manifestações (havidas, sim) do sindicato, a representação expõe seus fundamentos: "A propaganda se caracteriza por levar ao conhecimento geral, ainda que de forma dissimulada, a candidatura, mesmo que apenas postulada, ou a ação política que se pretende desenvolver ou as razões que induzam a concluir que o beneficiário é o mais apto ao exercício da função pública".
Parece texto feito para aplicação a Lula e Dilma a cada dia dos últimos 12 meses, no mínimo. Mas não o foi em dia algum. As duas multinhas há pouco aplicadas a Lula (atenção: com possibilidade de recurso) decorreram de explicitude excessiva dos comícios, não de algum dos recursos que a representação da Procuradoria-Geral descreve já como propaganda eleitoral.
O atraso em relação à campanha antecipada de Dilma Rousseff não diferencia a conduta de José Serra, capaz de ser tão claro quanto em seu discurso para empresários do Rio Grande do Norte: "O meu governo será o período da produção". É a fala, como deve ser, do que Serra é: candidato. Como seus concorrentes atuais. Negar essa realidade é exigir a farsa.
No caso das manifestações de professores de São Paulo há um brasileirismo a mais: diante do conflito entre a Lei Eleitoral e a realidade eleitoral, 
a punição não é pedida para candidato ou patrono, mas para meros eleitores. Muito coerente.

KÁTIA ABREU

REVISTA VEJA
Entrevista: Kátia Abreu


Contra os preconceitos

A senadora e presidente da entidade que representa os produtores rurais diz que o sucessor de Lula precisa assumir um compromisso com a propriedade privada


Diogo Schelp
Lailson Santos
"A norma usada pelo governo para definir trabalho escravo é uma punição à existência da propriedade privada no campo"


Sobre a mesa da presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), em Brasília, há um grande coelho azul igual ao que a Mônica, personagem do cartunista Mauricio de Sousa, utiliza para bater naqueles que a provocam. O bicho de pelúcia foi um presente que a equipe da CNA deu à presidente da entidade, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), de 48 anos, como brincadeira em referência à sua fama de briguenta. No Senado ou no comando da confederação, ela tem procurado provar que muitas das medidas do governo que atrapalham o desenvolvimento do agronegócio e aumentam a insegurança jurídica no país são orientadas por preconceito ideológico. Agropecuarista desde os 25 anos de idade, quando, grávida do terceiro filho, ficou viúva e teve de assumir a fazenda do marido, a senadora concedeu a seguinte entrevista a VEJA.
Qual é a imagem que os brasileiros têm dos produtores rurais? 
A ideia prevalente, e errada, é que o agronegócio exporta tudo o que produz, cabendo aos pequenos produtores abastecer o mercado interno. Pequenos, médios e grandes produtores destinam ao mercado interno 70% de tudo o que colhem ou criam. Também é muito forte e igualmente errada a noção de que fazendeiro vive de destruir a natureza e escravizar trabalhadores. Obviamente, como em qualquer atividade, ocorrem alguns abusos no campo. Mas o jogo duro de nossos adversários isolou os produtores do debate e espalhou essa ideia terrorista sobre a nossa atividade. Esses preconceitos precisam ser desfeitos.
Como? 
Mostrando na prática que não somos escravocratas e que não destruímos o meio ambiente. Nós temos um projeto em parceria com a Embrapa dedicado a pesquisar e difundir boas práticas que permitam unir produção rural e proteção do ambiente. Essa história de trabalho escravo também precisa ser abordada com ações que produzam respostas práticas. Nós treinamos 200 instrutores para inspecionar fazendas pelo Brasil e avaliar as condições de vida dos empregados. Já visitamos mais de 1 000 fazendas. O que se vê é uma imensa boa vontade da maioria dos proprietários de cumprir tudo o que a lei manda e seguir direito as normas reguladoras. Ocorre que a norma que rege o trabalho no campo, a NR-31, tem 252 itens. Em qualquer atividade, cumprir 252 critérios é muito difícil. Nas fazendas, isso é uma exorbitância. Até em uma fazenda-modelo um fiscal vai encontrar pelo menos um item dos 252 que não está de acordo com a norma.
Por que nas fazendas isso seria uma exorbitância? 
Imagine que um determinado trabalhador seja responsável por tirar leite das vacas da fazenda. Um belo dia, o dono acha que o mais adequado é mudar a função do empregado e ele passa a, digamos, ser encarregado de roçar o pasto. Parece simples, mas não é. A norma legal determina que, para mudar de função, o trabalhador precisa antes de mais nada se submeter a um exame médico, que é apenas o primeiro passo de um complexo processo de transferência de uma vaga para outra. Bem, essa exigência seria burocrática e custosa até mesmo em um escritório de contabilidade na cidade. Nas pequenas e médias fazendas, que são 80% das propriedades rurais brasileiras, ela é um absurdo. Quem não sabe que, nessas fazendas, o mesmo trabalhador costuma exercer diversas funções no decorrer do dia? Ele tira leite de manhã cedo, trata das galinhas às 10 horas, às 4 da tarde cuida dos porcos e depois vai roçar o pasto. Outras regras abusivas e difíceis de ser cumpridas à risca por todos os fazendeiros são as que determinam as dimensões exatas dos beliches, a espessura dos colchões ou a altura das mesas nos refeitórios.
"Quero fazer um desafio aos ministros: administrar uma fazenda de qualquer tamanho em uma nova fronteira agrícola e aplicar as leis trabalhistas, ambientais e agrárias completas na propriedade"
Um produtor pode ser acusado de manter trabalho escravo apenas por descumprir detalhes como esses?
Sim. A Organização Internacional do Trabalho define o trabalho forçado como aquele feito sob armas, com proibição de ir e vir ou sem salário. Isso, sim, é trabalho escravo, e quem o pratica deve ir para a cadeia. O problema é que, pelas normas em vigor no Brasil, um beliche fora do padrão exigido pode levar o fazendeiro a responder por maus-tratos aos empregados. A NR-31 é uma punição à existência em si da propriedade privada no campo. Não estou fazendo a defesa dos que maltratam funcionários ou dos que lançam mão de trabalho infantil. Essa gente tem de ser punida mesmo. Ponto. Estou chamando atenção para o absurdo. Imagine a seguinte situação: é hora do almoço, o trabalhador desce do trator, pega a marmita e decide comer sob uma árvore. Um fiscal pode enquadrar o fazendeiro por manter trabalho escravo simplesmente porque não providenciou uma tenda para o almoço do tratorista. Isso é bem diferente de chegar a uma fazenda e encontrar o pessoal todo comendo sob o sol inclemente. São duas situações diferentes. Mas elas provocam as mesmas punições. Isso confunde o pessoal do campo, que passa a se sentir sempre um fora da lei. Meu ponto de vista é que deveria prevalecer o bom senso. Nas minhas palestras, eu recomendo aos produtores rurais que avaliem a comida, o banheiro e o alojamento dos empregados por um critério simples: se eles forem bons o bastante para seus próprios filhos e netos, então eles são adequados também para os empregados.
Qual o interesse do governo em punir o produtor rural?
Isso é um componente ideológico da esquerda fundamentalista que conseguiu se manifestar no atual governo. Essa parcela atrasada da esquerda acredita apenas no coletivo e não admite a produção individual, privada. O que está sendo feito neste país me deixa indignada e triste, pois não é fácil de desmanchar: estão jogando os pequenos contra os grandes produtores. Isso está acontecendo no IBGE, cujo Censo Agropecuário está cheio de informações falsas, desonestas, distorcidas por razões puramente ideológicas.
O que há de errado no censo? 
A melhor definição de agricultura familiar, utilizada até pelo Banco Central, é baseada em três princípios. Primeiro, o tamanho da terra, que deve ser de, no máximo, quatro módulos rurais. Segundo, que utilize mão de obra predominantemente familiar. Terceiro, que a maior parte do faturamento da família venha dessa propriedade. O que o IBGE fez neste governo? Matou os critérios de mão de obra e de renda da propriedade. Com isso, todos os proprietários com até quatro módulos entraram na categoria agricultura familiar. Qual o objetivo disso? Desmoralizar o agronegócio, a grande empresa e a propriedade privada.
Por que isso desmoraliza o agronegócio? 
Para dar a ideia de que os pequenos produtores sustentam a produção nacional, mas recebem menos crédito agrícola que os médios e grandes, que exportam tudo. Esse argumento, baseado em estatísticas distorcidas, não traz ganhos ao país. Concordo que precisamos encontrar as diferenças entre os agricultores, mas elas devem se basear em produção e renda, para amparar toda a cadeia e não provocar um conflito entre pequenos e grandes. Afinal, existe propriedade pequena no Paraná que é muito mais produtiva e rica do que uma grande fazenda no Centro-Oeste. Além disso, as informações equivocadas do IBGE dão prejuízo ao setor, porque não se pode fazer planejamento estratégico de investimento em cima de previsões falsas. Em todos os países desenvolvidos, a pesquisa pública é um santuário. Nem a ditadura militar interferiu nos institutos de pesquisa. O IBGE e o Ipea foram aparelhados pelos ideólogos dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente.
"Temos uma lei que garante o investimento em portos e um decreto que o cerceia. Só encontro duas explicações: o preconceito contra a empresa privada ou a proteção a um cartel existente"
Essa é uma postura do governo Lula em geral ou apenas de uma minoria no poder? 
Há pessoas no governo que não são xiitas. O ministro do Desenvolvimento 
Agrário (Guilherme Cassel) e o ex-titular da Pasta de Meio Ambiente (Carlos Minc), contudo, em vez de encontrar soluções para os problemas, passaram os últimos anos dividindo o país para aumentar a sua torcida. Eles não tinham o direito de fazer isso. Um ministro de estado deve proteger o Brasil, não apenas alguns brasileiros. Quero fazer um desafio aos ministros do Trabalho, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário: que eles administrem uma fazenda de qualquer tamanho em uma região de nova fronteira agrícola e tentem aplicar as legislações trabalhistas, ambientais e agrárias completas na propriedade. Mas não podem fazer milagre, porque nós vamos acompanhar. Se, depois de três anos, eles conseguirem manter o emprego e a renda nessa propriedade, fazemos uma vaquinha, compramos a terra para eles e damos o braço a torcer, reconhecendo que estavam certos.
O que mais atrapalha os negócios no campo? 
A insegurança jurídica. Se não há estabilidade nem confiança, as plantas e a produção de carne recusam-se a prosperar. Nas empresas urbanas é a mesma coisa. Não se podem utilizar bandeiras sociais ou ambientais para ferir a segurança jurídica. Não vejo problema em dar terras aos índios, aos quilombolas ou aos sem-terra. Mas tudo isso precisa ser feito em concordância com o direito de propriedade. Neste mês, apresentei uma proposta ao Ministério da Justiça para estabelecer um Plano Nacional de Combate às Invasões. Existem planos do governo para coibir o tráfico de drogas, a venda ilegal de animais silvestres e a pirataria. Por que não combater também o crime organizado no campo?
A senhora é contra a reforma agrária? 
Não. Sou contra a invasão. Sou contra tomar a terra com um índice de produtividade imbecil, que não é compatível com a atualidade da gestão do empresariado brasileiro. Hoje, os saudosistas de esquerda destroem pé de laranja e invadem órgãos de pesquisa porque o latifúndio improdutivo não existe mais. Os radicais não se conformam com isso. Há quarenta anos, éramos um dos maiores importadores de comida do mundo. Atualmente, não só somos autossuficientes como nos tornamos o segundo maior exportador de alimentos.
O que o produtor rural quer do próximo presidente? 
Precisamos que o próximo presidente entenda que dividir o país entre pequenos e grandes é uma visão simplista e ruinosa. É necessário que ele saiba que existe uma classe média rural que não tem a escala das grandes empresas agrícolas, mas que também não se enquadra na agricultura familiar. Essa classe média rural é vulnerável às oscilações de preços e de clima, mas não tem condições de se proteger sozinha disso. Nesse ponto, o estado pode ajudar. Mas a primeira pergunta que faremos aos candidatos será: o que eles pensam a respeito da propriedade privada?
Que medidas podem servir a todos esses três estratos sociais da agricultura? 
A medida universal é investir na infraestrutura. Se a movimentação nos portos continuar crescendo à taxa atual, de 12% ao ano, em oito anos nós precisaremos de um outro Brasil portuário. A ironia é que o Brasil tem uma das leis de portos mais avançadas do mundo. Mas, em 2008, o governo aprovou um decreto que vem impedindo novos investimentos privados na construção de portos. O decreto interessa basicamente a empresários que participaram da privatização dos portos públicos, sendo Daniel Dantas o maior deles, e que não querem a abertura da concorrência. Isso faria cair as tarifas, e os portos ficariam mais eficientes. Para resumir, temos uma lei que garante o investimento e um decreto que o cerceia. Só encontro duas explicações possíveis: o preconceito contra a empresa privada ou a proteção a um cartel existente.
A senhora sonha em ser candidata a vice-presidente na chapa de José Serra?
Preciso deixar que a decisão partidária prevaleça. Ninguém pode querer ser vice de alguém. As pessoas querem ser o personagem principal, aquele que terá a caneta na mão para implementar as suas decisões, ideais e planos. O vice é apenas um coadjuvante. Mas fico orgulhosa quando meu nome é citado por eu ser de um estado novo, o Tocantins, por ser mulher e por representar o setor agropecuário, que nunca teve muito espaço nas chapas majoritárias e na política nacional.