quarta-feira, novembro 25, 2009

FERNANDO RODRIGUES

Serra entra em campo

FOLHA DE SÃO PAULO - 25/11/09

BRASÍLIA - O tucano José Serra continua usando a expressão "se eu vier a ser candidato", mas ontem falou como se já estivesse em campanha pelo Planalto. Analisou pesquisas, criticou adversários e tentou construir um curioso raciocínio sobre a eleição de 2010 e o crescimento econômico.
"Economia não decide eleição", declarou Serra ao conceder longa entrevista à rádio Jovem Pan. É uma inversão da teoria popularizada pelo norte-americano James Carville, marqueteiro de Bill Clinton nos anos 90 -a famosa frase "é a economia, estúpido".
No novo figurino de quase candidato a presidente, Serra até usou uma metáfora. A alegoria poderia ter saído da boca de Lula. Se a economia está em boas condições, afirmou o tucano, a eleição de 2010 será como decidir sobre a substituição do motorista de um ônibus que está andando bem. O eleitor escolherá quem estará mais apto a continuar a conduzir o ônibus.
Mais adiante, Serra defendeu o direito de FHC criticar Lula. Perguntou por que só alguns ex-presidentes poderiam falar, como José Sarney e Fernando Collor, ambos pró-PT. Ofereceu então uma provocação: "Se você pudesse votar no passado [num ex-presidente], você votaria em quem? Fernando Henrique, Collor ou Sarney?".
Para arrematar suas alfinetadas, o governador paulista desdenhou o encontro entre Aécio Neves e Ciro Gomes -este, o maior produtor de diatribes anti-Serra da política brasileira. A possível e anunciada joint-venture Aécio-Ciro não teria "consequência nenhuma", até porque "[Ciro] não vai fazer nada que o Lula não queira".
Tudo considerado, Serra entrou em campo. Mas sua teoria de a economia não decidir eleição soa exótica, para dizer o mínimo. Só se explica pela necessidade de o tucano tentar calibrar o discurso pré-eleitoral. Por enquanto, como fica óbvio para quem escuta, ele está na fase de tentativa e erro.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Drummond sem óculos

FOLHA DE SÃO PAULO - 25/11/09

SÃO PAULO - O mundo está sempre repleto de assuntos graves à espera de um comentário de jornal. Este colunista pede hoje licença para dar de ombros diante da gravidade das coisas. Vamos pegar a ponte aérea para aterrissar nas areias de Copacabana ou, mais precisamente, com a permissão de Ruy Castro e Carlos Heitor Cony, no calçadão de Copacabana, onde, num canto da praia, descansa a figura de bronze de Carlos Drummond de Andrade.
O poeta está ali, sentado de costas para o mar, o corpo levemente curvado, no seu gesto característico de introspecção, não se sabe ao certo se melancólico ou irônico.
Ocorre que Drummond está sem óculos -já arrancados sete vezes do rosto desde que chegou ao local, em 2002, homenagem ao centenário de seu nascimento. Notícias na internet davam conta de que Drummond havia perdido os óculos pela oitava vez. Ao que parece, era alarme falso. Desde janeiro, quando vândalos o atacaram pela última vez, o poeta tem sido condenado a ver tudo embaçado. Um dos seus braços também foi avariado.
A prefeitura desistiu de gastar dinheiro com Drummond. O poeta foi privatizado em praça pública. Uma empresa fabricante de lentes se responsabilizou pela escultura e diz agora que aguarda a instalação de uma câmera de vigilância para então presentear o maior nome da poesia brasileira com sua nova armação -a oitava. Sobreviverá?
No largo do Chiado, em Lisboa, há uma estátua de Fernando Pessoa. O poeta português está lá desde 1988, também centenário de seu nascimento, sentado a uma das mesas do espaço externo do café "A Brasileira", que costumava frequentar. É uma região boêmia, ponto das animadas noites lisboetas. O colunista João Pereira Coutinho, português, diz não ter lembrança de nenhum ato de vandalismo contra a escultura de bronze de Pessoa.
Um mundo em que mais pessoas lessem Drummond seria melhor só por isso. Se, ao menos, sua estátua resistir ao Brasil, já terá sido um avanço. Dorme, meu filho, dorme.

PAULO LUDMER

Gás natural esfola o consumidor

O ESTADO DE SÃO PAULO - 25/11/09


Os consumidores brasileiros de 44,3 milhões de m3 diários de gás natural estão sendo esbulhados pelos preços finais do produto praticados no País, com anuência dos governos estaduais e federal, bem como pelas respectivas agências reguladoras. Ora, este é um momento de medidas anticíclicas para impulsionar a indústria do País. Há espaço justo para uma redução saudável nos preços administrados de serviços de infraestrutura.

Em destaque, o preço interno do gás, antes dos impostos, constitui-se do valor de sua molécula somado ao do transporte até o portão de entrada dos centros de consumo (city gate). Para isso, opera-se uma rede de 6.672 km de dutos da Petrobrás, mais 2.593 km da TBG (gás da Bolívia). Nessa etapa, o órgão regulador é a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sob pressões de políticos, de partidos e da própria Petrobrás.

Do city gate em diante, o poder concedente é o governo estadual, havendo em alguns Estados a sua agência reguladora. Em todos eles, exceto São Paulo e Rio de Janeiro, a Petrobrás conquistou a concessão para distribuir o insumo sob contratos de 50 anos - no mínimo discutíveis.

Apenas para ilustrar, em Alagoas cobrou-se no preço do gás a antecipação de investimentos futuros. E, na Bahia, o contencioso com consumidores se mantém amplo, incluindo aspectos do próprio contrato de concessão da distribuidora.

As margens das distribuidoras são bastante superiores às razoáveis no mundo, e é flagrante a gordura das companhias de gás do Rio de Janeiro. A Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa), nas duas revisões tarifárias impostas periodicamente pelas normas do setor, inchou os preços do combustível, em contraste com as respectivas indicações da Universidade Federal Fluminense. Para ilustrar, há uma diferença de 539 milhões de m3 entre o volume realizado pelo mercado e o aprovado na revisão, referente ao ano de 2008, sempre em desfavor do consumidor.

Na verdade, essa diferença impacta no volume que compõe o denominador no cálculo da margem da distribuidora. Inflando um, camufla-se o outro. E cobra-se mais. Um argumento da Agenersa repousa sobre atrasos no acesso aos dados das companhias distribuidoras, impedindo a conclusão de avaliações em tempo. Em decorrência, a conta vai para a vítima de sempre.

Enquanto o preço médio nacional do gás natural no Brasil gira em torno de US$ 8/milhão de BTU (sem desconto), e a média nacional efetiva está próxima de US$ 7,63/milhão de BTU, as distribuidoras estão conseguindo comprar o excedente nos leilões de sobra a US$ 4,63/milhão de BTU, elevando ainda mais suas margens. Afinal, vendem-no, quando o conseguem, a preço firme.

Urge maior consideração com este mercado, que em 2010 deverá somar 96 milhões de m3 diários no Brasil - 66 milhões nacionais e 30 milhões bolivianos. Na boca do poço, produtores bolivianos estão recebendo US$ 1/milhão de BTU, enquanto, no Brasil, frequentemente se alcançam US$ 4 ou até mais.

Oriento-me pela Consultora Gas Energy, cujos estudos e dados desde logo aqui endosso. Por isso, acrescento que a espoliação começa antes de o gás chegar às cidades ou city gates. É inacreditável o que se paga no País a título de transporte. Veja que, para uma malha com 20 polegadas de diâmetro médio (e, por simulação, 100% não depreciada, com 15% de retorno anual), atinge-se um custo do tubo de US$ 25/m.polegada, ou mesmo de US$ 45/m.polegada, e as tarifas de transporte, respectivamente, de US$ 0,89/milhão de BTU e de US$ 1,61/milhão de BTU. Pois a Petrobrás nos cobra em média nada menos do que US$ 2,50/milhão de BTU (ou US$ 2,80, com o câmbio de setembro).

Nas condições brasileiras, melhor do que exportar o gás natural é vendê-lo no mercado interno, assegura a Gas Energy. Observe que no caso de exportar a US$ 6/milhão de BTU (com resultado líquido de US$ 5), melhor será colocar o insumo no mercado industrial interno, com fator de utilização de 95% do tempo, em que se obtém um ganho de US$ 6,7/milhão de BTU.

No entanto, o primado do desenvolvimento, do interesse coletivo, da criação de empregos e riquezas não se sobrepõe no Brasil às confusões entre Estado e governo, patrimonialismo e agendas eleitorais às quais servem nossos hidrocarbonetos.

Paulo Ludmer, engenheiro, professor de pós-graduação da FEI e do Mackenzie, é jornalista, consultor e escritor

O VERME MENTIROSO

PAINEL DA FOLHA


O tempo de Ciro

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 25/11/09

Enquanto muitos petistas continuam a apostar todas as fichas no transplante de Ciro Gomes (PSB) para a eleição em São Paulo, outros no partido olham os resultados da recém-divulgada pesquisa CNT-Sensus e ponderam que, dada a robustez dos números do deputado, mais o fato de que Dilma Rousseff não é diretamente beneficiada nos cenários que o excluem, fica difícil derrubar o argumento cirista segundo o qual Lula estaria mais bem servido com dois candidatos.

Para completar, lembram esses petistas, o final de março não é data-limite para Ciro, diferentemente do que acontece com José Serra (PSDB) e com Dilma, que têm de se desincompatibilizar. O deputado pode, em tese, arrastar essa novela até junho.

Em aberto - Também a senadora Marina Silva (PV), com desempenho pouco animador na pesquisa, tem até junho para decidir sua vida.


Ele não - De namoro com Marina, o PSOL implica com o ‘verde’ Zequinha Sarney.


Exemplo - Em Estados como Ceará, Rio Grande do Sul e Paraná, o PT deve antecipar a posse dos novos presidentes locais, eleitos com votação muito expressiva. Será mais um fator a pressionar Ricardo Berzoini, que em princípio entregaria o comando nacional do partido a José Eduardo Dutra apenas em fevereiro.


Fôlego - Em Minas, a perspectiva de segundo turno anima os apoiadores de Patrus Ananias, que vinha perdendo terreno para Fernando Pimentel na disputa pela vaga de candidato do PT ao governo. “Independentemente do resultado, minha candidatura está posta”, afirma o ministro. “Se a solução tiver de vir pelas prévias, tudo bem. Elas fazem parte da tradição do partido”.

Argumento - O grupo de Lindberg Farias, pró-candidatura própria ao governo do Rio, pretende usar declaração de Dilma Rousseff prevendo mais de um palanque em alguns Estados como bandeira no segundo turno da eleição interna. Quem faz contas, porém, aposta na vitória de Luiz Sérgio, favorável à aliança com Sérgio Cabral (PMDB), e na candidatura do prefeito de Nova Iguaçu ao Senado.


Carona - No Pará, a corrente Democracia Socialista, de Ana Júlia, desistiu de lançar chapa e apoiou a recondução de João Batista ao comando do PT local. Vencedor com mais de 90% dos votos, ele prometeu dar aval à reeleição da governadora e lançar o deputado Paulo Rocha ao Senado.


Trilho - Em encontro com Paulo Bernardo (Planejamento), Gilberto Kassab (DEM) pediu apoio do governo federal a uma emenda ao Orçamento de 2010 com recursos para metrô de superfície na região da avenida Celso Garcia. O ministro conversou com Lula, que deu sinal verde.


Preventiva - Prevista para entrar em vigor somente em janeiro de 2011, a medida provisória que concede incentivos para empresas automobilísticas no Norte e no Nordeste já chegou ao Congresso.

Microfone - O próprio Carlos Minc (Meio Ambiente) contou: ontem foi a 48a vez que o ministro esteve em audiência pública no Congresso.


Atômico - Em meio aos protestos pela visita do iraniano Mahmoud Ahmadinejad, o ministro Sérgio Resende (Ciência e Tecnologia) informou que Dilma Rousseff passou a cadeira de presidente do conselho que discute questões nucleares brasileiras para o novo ministro e embaixador Samuel Pinheiro Guimarães (Assuntos Estratégicos).

Corpo a corpo - Assessor do Ministério da Cultura, Paulo Brum foi o autor da panfletagem no Senado que gerou polêmica por defender deputados que votaram a favor do ‘Vale-Cultura’. ‘Apoie o parlamentar do seu Estado que vota pela Cultura’, dizia o texto dos 4.500 folhetos.

Tiroteio

Se o Planalto não vê nada de errado em colocar um avião da FAB à disposição dos amigos de Lulinha, deveria ao menos divulgar a agenda desse encontro tão importante para o país.

Do deputado PAULO BORNHAUSEN, sobre carona dada no Sucatinha ao filho do presidente e 15 acompanhantes; segundo o governo, o grupo teve encontro com Lula.

Sem enrolação


Na série de reuniões que o governo tem feito para tratar de investimentos de infraestrutura nas cidades-sede da Copa de 2014, ontem foi a vez de Salvador.

Ministro do Esporte, o baiano Orlando Silva começou por saudar o petista Jaques Wagner:

- O governador do Estado onde começou o Brasil!

Depois afagou o peemedebista João Henrique:

- Prefeito da cidade mais bela do Brasil!

Desconfiado da profusão de belas palavras, Jaques Wagner achou melhor ir direto ao ponto:

- Isso tudo é para não liberar os recursos?

JOSÉ NÊUMANNE

Lula pisoteia nobres ideais, mas quem vai ligar?

O ESTADO DE SÃO PAULO - 25/11/09


Em Roma, poucos dias antes da contestada decisão do
Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar a extradição do sicário Cesare Battisti para sua Itália de origem, mas deixar a palavra final para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, este ouviu do principal líder da oposição de esquerda daquele país, Massimo d"Alema, a afirmação de que o criminoso teve amplo direito de defesa e foi condenado conforme os ritos do Estado Democrático de Direito. Respondeu-lhe que aquele era um assunto do Judiciário, e não do Executivo. Ele não deve ter contado essa conversa a seu ministro da Justiça. Pois Tarso Genro atribuiu, em declaração pública, a pressão da Itália pela devolução do condenado para lá cumprir pena perpétua ao ressurgimento do fascismo naquele país amigo. Não há também nenhuma evidência de que Lula tenha dado satisfações ao interlocutor italiano sobre a transferência, posterior a esse encontro, de responsabilidade da decisão da Justiça para ele próprio.

D"Alema deve ter acreditado piamente no que ouviu, pois não havia motivo algum para que Lula mentisse E naquele momento ele, de fato, falava a verdade, uma vez que não tinha sido ainda criada a jurisprudência que dá sustentação à versão brasileira da República de poder tripartite, por cinco votos a quatro no STF. Como o chefe do governo resolveu em reuniões com parlamentares e assessores de confiança que José Sarney ficaria na presidência do Congresso Nacional e a cúpula do
Judiciário criou uma situação nova em que decidiu sobre um assunto e depois o submeteu à decisão final dele, criou-se uma situação de fato que modifica na essência a teoria da governança compartilhada. No Brasil há um poder que manda, a vontade do presidente, e três subordinados: o Executivo, que a executa; o Legislativo, que lhe obedece; e o Judiciário, que a autoriza. D"Alema foi informado, mas depois foi ludibriado.

E daí? O que estará ao alcance do líder da oposição de esquerda italiana para interferir na decisão a ser tomada por Lula? A Itália poderá reclamar e fazer beicinho, mas dificilmente recorrerá a uma corte internacional de Justiça para discutir o eventual asilo a um criminoso comum que com o aval do Estado brasileiro renega a democracia italiana.

Lula conta com isso. Da mesma forma, comemora, com razão, a notoriedade mundial que conseguiu por ter convidado, reiterado o convite esnobado e recebido o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Americanos e europeus não gostaram disso, porque o cidadão em questão é uma ameaça permanente à paz na Terra. Ao desafiar o Primeiro Mundo com seu gesto aparentemente atrevido de apoiar uma política nuclear execrada por metade do planeta, Lulinha Paz e Amor o Cara da Silva obteve uma fama mundial nunca antes alcançada por outro presidente brasileiro na História deste país. E, do ponto de vista pessoal dele, isso foi obtido a custo zero. Barack Obama não vai mandar a 4ª Frota depô-lo por causa disso. Nicolas Sarkozy não suspenderá a venda dos jatos para a Aeronáutica. Angela Merkel não deixará de comprar produtos brasileiros. A pérfida Albion não espalhará pedras pelo caminho de Dilma Rousseff rumo à rampa do Planalto. As relações do Brasil com a Rússia, a China e a Índia não serão afetadas. Nem o serão sequer com Israel, vítima preferencial do persa.

O pragmatismo domina cada vez mais as relações internacionais e num mundo assim o presidente brasileiro nada de braçadas. Um dos segredos de polichinelo de sua popularidade em alta depois do vexame do apagão é seu senso pragmático. O líder político capaz de vender à Nação, com a maior desfaçatez do mundo, que o esquema montado para comprar governabilidade no Congresso não passou de uma manifestação golpista da oposição incapaz, que em nada o incomoda, se dá muito bem nesse panorama sem nobres princípios nem moral. Fazendo vista grossa para a truculência do gigantesco parceiro comercial chinês, os Estados Unidos têm pouca autoridade para cobrar do favorito declarado de Obama a postura simpática, esperta e apoiada no enorme desconhecimento de causa do petista quanto ao mandachuva persa. Louca para vender seus jatos e garantir empregos na indústria e votos na urna, a autoridade francesa poderá até usar uma hipócrita retórica (que Lula domina como poucos) para reclamar do apoio ao negador do Holocausto judeu sob os nazistas, mas jamais criará problemas incontornáveis nas relações bilaterais. Os britânicos, alemães, russos e outros europeus também não se animarão a transformar o desconforto com a simpatia do presidente brasileiro por um chefe de governo que financia grupos terroristas em algum incômodo ato concreto relevante.

Como aquela personagem de Chico Anysio na televisão, o governo brasileiro se lixa para os dissidentes da tirania cubana, a paz no Oriente Médio e a Constituição de Honduras, porque, no frigir dos ovos, há poucos parceiros no cenário global interessados nos velhos valores do direito à vida, à saúde e à liberdade. "Sou, mas quem não é?", dizia o cafajeste no programa humorístico. A República petista-lulista hoje vislumbra o mundo em redor com idêntico pragmatismo. O sucesso de seu chefe tem a mesma raiz da popularidade de Carlos Imperial, criador da "pilantragem". "Falem de mim, falem mal de mim, mas falem de mim", proclamava o homem que lançou Tim Maia, Roberto e Erasmo Carlos.

Antigo desafeto e aliado de Lula, dependendo da circunstância, Leonel Brizola dizia que ele seria capaz de pisar no pescoço da mãe para subir na vida pública. Com dona Lindu alcançando a condição de Nossa Senhora dos Pobres e Desvalidos do Brasil, graças ao esquema Barretão de construir mitos nas telas, noço guia levita na cena política nacional pisoteando apenas nobres ideais.

ARI CUNHA

Lula, basta de elogios

CORREIO BRAZILIENSE - 25/11/09


Presidente Lula da Silva não para de falar. Faz sinal de apoio a quase tudo o que o presidente do Irã diz. O assunto não é do agrado do povo brasileiro. Mahmud Ahmadinejad se sente em casa. O assunto contraria críticas, já que ele diz o que pensa. Isso é bom para governante. Se Lula se desligasse dos elogios a quem não merece, estaria em boa posição até para disputar o Prêmio Nobel da Paz e se tornar líder da parte democrática do mundo. É o caso também do presidente da Venezuela, que fala por todos os poros. Ninguém adota o pensamento. Hugo Chávez é inimigo da democracia e não se posiciona para integrar o grupo de liderança dos países livres.


A frase que não foi pronunciada

“Rinha de galos é proibida. De estudantes, ainda não.

Dona Dita, pensando enquanto alivia a dor da neta.


Anúncios na TV
Empresas que mostram sua posição em propagandas na TV escondem uma coisa. O pedacinho que aparece ilegível e rápido é burla para o consumidor. Fica longe do assunto principal.

Esclarecimento
Notícia desta coluna lembra nota sobre o que foi licitado na construção do Rodoanel. Secretaria dos Transportes de São Paulo desmente pela assessoria. O assunto morre aí, sem assumir a responsabilidade. Publicamos em respeito aos leitores.

Padre Cícero
Vaticano volta a estudar a figura de Padre Cícero. Suspenso de Ordens, ainda hoje permanece no coração do povo, mesmo depois de morrer em 1934. Juazeiro do Norte continua sendo a capital da visitação religiosa de brasileiros e estrangeiros.

Despreza
Pelo menos 17 mil matriculas a menos na pré-escola de S. Paulo. Desde 2007, a administração Gilberto Kassab vive problema. Faltam vagas e a suspensão é determinada. O secretário de Educação, Alexandre Schneider, acha o impacto residual. É que em algumas regiões há mais vagas, enquanto em outras há mais crianças.

CIL
Se Elefante Branco significa uma construção sem conteúdo, esse não é o caso em Brasília. No antigo Elefante Branco funciona o Centro Interescolar de Línguas. Há o mesmo centro em outras localidades onde alunos da rede pública teem a opção de aprender inglês, espanhol e francês. Os horários são disputados, o ensino é gratuito e os professores são os melhores.

Exemplo
Benedito Pereira dos Santos é o anjo que dá aulas no horário do almoço para os terceirizados do TJDFT que não sabem ler. Uma iniciativa simples que beneficia quase 40 pessoas.

Cura
Um requerimento na Comissão de Agricultura do Senado quer uma audiência pública com a presença de um representante do ministério, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Instituto de Assistência Social e Cidadania (Iasc). O autor é o senador Gilberto Goellner e o assunto será a regulamentação do uso de Aloe Vera.

Em se plantando
Na esquina democrática da terra de Marco Aurélio Garcia, o protesto será grande contra a presença do presidente do Irã. Jair Krischke, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do RS, não esconde a preocupação da aproximação do Brasil com países sem democracia. Parece que a safra de boa imagem é colhida hoje. O que o país planta para o futuro é o que incomoda.

Alô, alô
Sempre criativo, o Greenpeace instalou em pontos movimentados de Manaus orelhões itinerantes. Eles fazem ligação direta com a Embaixada dos EUA no Brasil e com o gabinete do presidente Lula. O assunto sugerido para a ligação é a participação dos dois países na COP 15, na Dinamarca, de preferência com compromissos concretos.


História de Brasília

De mais a mais, hoje é sexta-feira, dia de encruzilhada, e vatapá à meia-noite, no clube dos “esclarecidos”. (Publicado em 17/2/1961)

GOSTOSA


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FERNANDO CALAZANS

O melhor e o pior

O GLOBO


Será o melhor Campeonato Brasileiro da era dos pontos corridos? Parece que sim. Nos quesitos da emoção e do interesse, sem dúvida alguma, porque interesse e emoção permanecerão até a última rodada. Qualquer campeonato, seja o Brasileiro ou o do famoso Aterro do Flamengo, envolvendo uma paixão popular com o futebol, manterá o interesse até que se saiba quem é o campeão.
E manterá a emoção, enorme emoção, se houver mais de um ou dois envolvidos na busca do título, mais de um ou dois envolvidos na luta para não ser rebaixado. Ou seja: tudo o que acontece neste campeonato, repito, neste ótimo campeonato. Eu mesmo me prendo em cada um dos (muitos) jogos que mexem com uma ponta, mexem com outra.
Como crítico, tenho que analisar também a qualidade dos times. O campeonato é bom, os times não são bons. E o resumo do que está acontecendo desde o início é este: o campeonato não é emocionante porque os times vencem; é emocionante porque os times perdem. E o equilíbrio não ocorre pelas vitórias dos times; ocorre por suas derrotas.
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Nesta última rodada, entre os seis primeiros colocados, só um venceu: o Internacional. Dois empataram: Flamengo e Cruzeiro. E, vejam só, três perderam: Palmeiras, São Paulo e Atlético Mineiro. A maior decepção foi causada por um dos que empataram, o Flamengo, justamente por fracassar no momento exato em que tinha de se impor, como já aconteceu, aliás, com todos os outros.
Negar que o campeonato mexe e remexe com a emoção dos torcedores e com o interesse dos críticos é falta de sensibilidade, é hipocrisia. Achar que os times são bons é falta de senso crítico, é falta de bom gosto no futebol.
Como ouvi alguém dizer na tevê, com toda a razão, o campeonato é uma maluquice. Uma agradável maluquice, diria eu.
O time que tem agradado, no momento, aos olhos de quem sabe das coisas é o Fluminense. Este Fluminense que briga não em cima da tabela de classificação, mas na parte de baixo. Pois é.
São 13 jogos invictos. Oito vitórias seguidas: cinco no Campeonato Brasileiro, três na Copa Sul-Americana. Mas deixemos os números de lado, porque os números são pobres na explicação do futebol — e da maioria das coisas.
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Uma querida amiga, tricolor de família e de índole, mas que mal sabe quem é a bola, até porque não vê os jogos, me disse: — Veja a que ponto tinha chegado o Fluminense. Agora, ele vence, vence, vence, vence, e nem assim consegue sair da zona de rebaixamento.
Exatamente o que ela quis dizer: imaginem o que era o Fluminense antes desta série bonita.
E, de certa forma, ela explica também as incertezas e dúvidas do futebol, porque sua interpretação foi a melhor que ouvi, incluindo a dos catedráticos.
Agora, a interpretação é minha. Além da série bonita sem derrota, e com muito mais vitórias do que empates, o Fluminense tem também o melhor jogador deste Campeonato Brasileiro: o argentino Conca.

TOSTÃO

Arruinados pelo sucesso


JORNAL DO BRASIL - 25/11/09



Os times que podem ser campeões lembram al gumas pessoas, descritas pela psicologia, que se sentem tristes, amarguradas e não merecedoras de suas conquistas. Fazem tudo para perder o que obtiveram com esforço e de acordo com a lei. São os arruinados pelo sucesso.

Alguém vai ter de levantar a taça. Os campeões terão ainda o direito de fazer os discursos tradicionais, de que foi a vitória do grupo, de que calaram a boca dos críticos e de que o título foi consequência de planejamento. As qua lidades do campeão serão exaltadas. Nenhuma deficiência será lembrada. Certamente, al gum torcedor vai atravessar o campo de joelhos, tirar as redes e se dependurar nas traves.

A melhor e mais emocionante partida da última rodada foi a vitória do Botafogo sobre o São Paulo, mais pelas viradas e pelos belos gols de Jóbson, que pela atuação coletiva das duas equipes. O líder São Paulo não fez novamente um bom jogo. O veloz e habilidoso Jóbson deve ter errado os dois chutes, já que a sua principal deficiência durante o campeonato foi a finalização.

O pior jogo foi o empate entre Atlético e Cruzeiro. Os dois times precisavam da vitória. Até o co mentarista Raul Plasmann, que costuma ser generoso e procura ver as coisas boas de um jogo, não suportou tanta mediocridade.

Os técnicos sonham em ver seu time jogar e não deixar o adversário jogar. Antônio Lo pes, treinador do Atlético, deve sonhar em ver as duas equipes não jogarem. Ele obriga o outro time a ser tão ruim quanto o seu.

Quando vejo uma partida, tento separar a qualidade e a análise técnica e tática da emoção e da importância do jogo. Não comparo com o futebol do passado e com o atual de outros países. Não sou também um repetidor, um papagaio de pirata. Enxergo e penso. Trabalhei em TV aberta e conheço a preocupação excessiva, doentia, com a audiência. Narrador tenta transformar um jogo bom em espetacular.

Dizer que o nível técnico do Brasileirão é excelente porque existe muita emoção, várias equipes disputando o título e aumento de público é, mais ou menos, dizer que as medíocres partidas entre dois times pequenos ingleses são ótimas porque o estádio é charmoso, está lotado, o gramado é perfeito, os times correm muito, e os árbitros marcam poucas faltas.

No primeiro semestre, o Co rin thians e, logo depois, o Cru zeiro foram os melhores times. Não falo isso porque o Corinthians ganhou o Paulista e a Copa do Bra sil, e o Cruzeiro foi vice na Li ber tadores. Os dois times jogaram o melhor futebol. Nas últimas 13 partidas, o Fluminense é o que joga melhor. Ao contrário do que é mais comum, Conca joga mais que é elogiado, desde quando atuava no Vasco.

Hoje, é um jogo de grande risco para o Fluminense. Risco de perder, o que é mais provável, por causa da altitude e da boa equipe da LDU, e, principalmente, risco de perder o encanto, como lembrou muito bem Juca Kfouri. Mas, se vencer, o Flumi nense vai ficar ainda mais encantado e com mais chance de fugir do rebaixamento, o que todos achavam impossível.

JAPA GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO

Ueba! Serra, filho do Zé do Caixão!

FOLHA DE SÃO PAULO - 25/11/09


Ahmadinejad trouxe a pomba da paz. Mas ninguém viu porque ela tava de burca!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Grafite em Pouso Alegre: "Eu sou o Édipo da mãe dos outros!". E a pesquisa nos presídios de São Paulo: 5% querem a liberdade e 95% querem a Libertadores! Rarará! E o melhor jogador do Brasileirão é o TED. Transferência Eletrônica de Dinheiro!
Milagre! O Lula conseguiu pronunciar o nome do presidente do Irã! Mahmoud virou BARHBOUD! Companheiro BARBUD! E o Lula agora tá fazendo trocadilho? Em vez de urânio, falou IRÂNIO! Gênio! Rarará! E vou divergir da maioria: o Lula tinha que receber o presidente do Irã, SIM! Negócios! Você acha que um vendedor de shopping vai deixar de vender televisão porque o cliente bate na mãe? "Ah, não vou vender essa televisão pro senhor porque o senhor bate na mãe." E o iraniano é tão pacífico que o nome começa com Arma! Ahmanucleardinejad.
E o chargista Dalcio revela que o Ahmadinejad trouxe a pomba da paz. Ninguém viu porque ela tava de burca. A pomba da paz tava de burca! E ele é o Bush do islã! E combo pra assistir "Lula, o Filho do Barril": churrasquinho de gato com uma branquinha. E eu vou ligar pro Zé do Caixão pra encomendar um filme do Serra; "Serra, o Filho das Trevas!" E a ironia do destino, a tragicomédia: recebi uma foto da enchente no Rio Grande do Sul com um único estabelecimento aparecendo: AQUÁRIOS BAR! Dica de lanchonete pra enchente: Bar Aquarius! Pior foi o muro pichado que eu vi numa enchente em São Paulo: "Favor não urinar no muro!". Rarará!
E os buracos de Sampa? Toda vez que aparece um buraco novo, o Kassab (ops, Taxab) vai conhecer: "Muito prazer, seu buraco. Espero que tenhamos uma amizade pacífica e DURADOURA". E reparou que o Lula tá com mania de dar dois abraços nos chefes de Estado? Tipo preto velho. Abraço de macumba. Não bastavam aqueles dois beijinhos cariocas? É mole? É mole, mas sobe. Ou, como disse aquele outro: é mole, mas rela pra ver o que acontece.
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Sampa um camelô estendeu a faixa "Temos Shrek DUBRADO!".
Rima sonora. E é o mesmo que dubrou o Lula? Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Arbítrio": juiz que apita o Brasileirão! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

ANCELMO GÓIS

W.C.

O GLOBO - 25/11/09


Edino Fonseca, aquele deputado estadual do Rio que propôs pagamento de pensão a quem deixasse de ser gay, lembra?, foi à tribuna da Assembleia ontem e fez um discurso indignado contra o... papel higiênico da Casa.
Segundo Sua Excelência, o papel é tão ruim, mas tão ruim, que... “machuca”. Tadinho.
CIRO TEME TRAIÇÃO
Ciro Gomes, candidato a presidente pelo PSB, disse a mais de um amigo temer que, antes de o galo cantar três vezes, seu partido o troque por Dilma, cujo nome cresce nas pesquisas.
A máquina do PSB é controlada pelo governador Eduardo Campos.
FÉ & POLÍTICA
No fim de semana, será realizado na mineira Ipatinga o Encontro Nacional Ecumênico de Fé e Política, evento que todo ano atrai a chamada Igreja progressista.
Estarão lá, entre outros, Frei Betto, Ricardo Kotscho, o deputado Chico Alencar e os ministros Gilberto Carvalho e Patrus Ananias.
AI, QUE CALOR
O calor e a isenção do IPI da linha branca fizeram sumir das lojas no Rio os aparelhos de ar-condicionado.
Algumas redes prometem para 15 dias. Outras, nem isso.
‘FLA ETERNALLY’
Surgiu no Youtube, nestes dias de sonho do Flamengo com o hexa brasileiro, uma versão do hino do clube em inglês.
É muito legal. Vale a pena conferir. Veja só em www.youtube.com/watch?v=weL5SO6i9xI.
PAGE NO RIO
Jimmy Page, 65 anos, o guitarrista inglês da lendária banda Led Zeppelin, vai visitar a Escola Britânica, no Rio, sábado agora.
Haverá um show de alunos com Pepeu Gomes e George Israel, do Kid Abelha, em prol de um projeto social de Page.
DE MÃOS DADAS
Dia 16 de dezembro, Lula e Roger Agnelli vão ao Ceará anunciar a construção da Companhia Siderúrgica do Pecém.
O projeto da Vale e da sul-coreana Dongkuk vai exigir, numa primeira fase, investimentos de US$ 4 bilhões.
NÃO DECOLA 2014
Ontem, o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, José Márcio Mollo, disse em audiência na Câmara que um estudo em elaboração na entidade aponta atrasos nas obras nos 12 aeroportos de Estados onde haverá jogos da Copa.
SEGUE...
Guarulhos, SP, por exemplo, cuja capacidade de passageiros está saturada, só esta semana iniciou o processo de licitação do projeto de seu Terminal 3.
CRIME NAS TREVAS
Traficantes de Porto do Rosa, bairro de São Gonçalo, RJ, têm obrigado equipes da Ampla e da prefeitura a desligarem a iluminação pública nas ruas do lugar para facilitar assaltos e outros crimes.
Os bandidos param os carros na rua e exigem o “serviço”.
APAGÃO DO AÉCIO
De um gaiato, ontem, ao encontrar Aécio Neves, no Rio:
– Foi só o senhor comprar a Light que os apagões voltaram ao Rio...
Aécio explicou que a Cemig ainda não assumiu a Light. Ah, bom!

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

DORA KRAMER

Ação detergente


O ESTADO DE SÃO PAULO - 25/11/09



Não foi preciso mais que uma pequena amostragem. O exame de notas fiscais de apenas quatro meses do ano de 2008 flagrou o uso de empresas fantasmas e endereços comerciais fictícios, além de desvio de dinheiro para campanhas eleitorais, na prestação de contas da verba indenizatória da Câmara, existente há oito anos.

O volume de irregularidades detectadas é suficiente para indicar a prática sistemática de fraude por parte das excelências lotadas naquela Casa. Em mais um exemplo de que o presidente Luiz Inácio da Silva está errado quando diz que o trabalho da imprensa é “informar, não fiscalizar”, a Folha de S. Paulo conseguiu por via judicial a liberação de parte das notas mantidas sob sigilo pela Câmara, que não resistiram à ação detergente de uma pequena dose de transparência.

O outro exemplo recente do equívoco do presidente foi o registro fotográfico feito pelo O Globo em duas manhãs de quintas-feiras, no plenário da Câmara e no Aeroporto de Brasília. Constatou que vários deputados marcavam presença no trabalho e, em seguida, embarcavam para seus estados, configurando gazeta remunerada.

O caso das notas frias descobertas pela Folha produz prejuízos mais graves ao erário, além de levar os parlamentares a incursões pelo mundo da falsidade ideológica, peculato (desvio de dinheiro público) e sonegação fiscal.

O jornal tentava a liberação dos documentos desde 2003 e só conseguiu agora porque o presidente da Câmara, Michel Temer, viu que era inútil lutar, pois o Supremo Tribunal Federal já sinalizara para a obrigatoriedade da entrega. O Senado, também instado a abrir as contas, ainda resiste.

A história é toda ela uma vergonha sem tamanho. A rigor, não seria necessária a interferência da Justiça para o fornecimento das notas fiscais, uma vez que, se o dinheiro dado aos deputados é público, seu uso deveria ser regido pelo princípio da publicidade que rege a administração pública.

A julgar por manifestação anterior do Supremo Tribunal Federal, a transparência é obrigatória. Nota-se agora, só pela amostragem feita pela Folha, a razão do sigilo imposto reiteradamente pelas Mesas Diretoras do Congresso: o acobertamento das fraudes e ausência de controle – ou existência de deliberado descontrole – interno.

As primeiras reações do presidente e do corregedor da Câmara não melhoram as coisas. Michel Temer defende penas brandas e até a modificação das regras, que hoje só preveem a cassação do mandato em casos de quebra de decoro e Antônio Carlos Magalhães Neto já avisa que “não há prazo” para concluir as “investigações”.

Da última vez que ambos defenderam posições semelhantes, no caso da farra com as passagens aéreas, ninguém foi punido. Agora a história segue o mesmo ritmo, não obstante o jornal já tenha fornecido, no mínimo, fortes indícios em relação a diversos deputados, todos obtidos em duas semanas de checagem entre os dados fornecidos e os serviços contratados.

Não bastasse, ontem surgiu nova falcatrua: a distribuição de material promocional do projeto do vale-cultura financiado não se sabe bem se pela Câmara, pelo Ministério da Cultura ou por ambos.

Só é certo que a despesa não saiu do bolso dos deputados dos mais variados partidos, inclusive de oposição, que tiveram seus nomes divulgados na peça como patronos do projeto, configurando propaganda eleitoral com recursos públicos.

Mais um vexame que só consolida o Parlamento na posição de fonte inesgotável – e incorrigível – de escândalos.

Vai ou racha

Se foi sincero quando ficou irritado com a divulgação de uma pesquisa do PSDB mostrando a boa aceitação de uma chapa presidencial “puro-sangue”, o governador de Minas, Aécio Neves, deve ter ficado mais irritado ainda com a pesquisa CNT/Sensus, confirmando a preferência: 35% para José Serra-Aécio contra 23% para Dilma Rousseff-Michel Temer.

Se não foi, esse tipo de pesquisa – que vai se repetir – pode acabar sendo um bom pretexto para Aécio aceitar compor a chapa.

Régua e compasso

Os tucanos pensam seriamente em esconder o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cujos feitos de governo incluem um plano econômico que acabou com a inflação, estabilizou a moeda, ajustou as contas públicas, pôs o Brasil no rol do mundo e, só para citar o mais vistoso efeito das privatizações, universalizou o acesso à telefonia e viabilizou o acesso à internet.

Já os petistas exibem alegremente seus mensaleiros sem que isso cause, nem a eles nem ao público, um pingo de vergonha ou espanto. Ao contrário para o novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, são motivo de orgulho “militantes em pleno gozo de seus direitos políticos que tiveram uma atuação importante para o PT e para a democracia brasileira”.

Política definitivamente não é algo que tenha a ver com Justiça.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Se fosse [decisão pessoal], já estaria caminhando com Marina”
HELOÍSA HELENA (PSOL), SOBRE A PROVÁVEL ALIANÇA COM O PV DA SENADORA MARINA SILVA

TCU JULGA SUPERFATURAMENTO NO PAN DO RIO
O superfaturamento milionário nos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro estará novamente no banco dos réus, nesta quarta, no Tribunal de Contas da União. Respondem pela ação o secretário do Ministério do Esporte Ricardo Gonçalves e a empresa Fast Engenharia. O TCU constatou irregularidades de mais de R$ 20 milhões em três contratos para executar instalações temporárias, como locação de móveis etc.
DUAS VEZES
A empresa Fast Engenharia e Montagem Ltda cobrou duas vezes pelos custos administrativos. Total: R$ 4.163.562,36.
SEM COMPROVANTES
Os organizadores do Pan do Rio gastaram quase R$ 7 milhões e não apresentaram comprovantes.
EXEMPLO Segundo o TCU, dos 1.628 equipamentos de ar-condicionado para o Pan, 813 não foram instalados por falta de necessidade.
SEM LÍNGUA PRESA
Lula disse ontem que emagreceu “com muito trabalho e entrevista”. É a dieta da “língua solta”. Consome cem calorias por frase de palanque.
NAZISTA FEZ EXPERIÊNCIAS GENÉTICAS NO BRASIL
O programa “Explorer”, do canal National Geographic, um dos mais vistos do mundo, vai exibir reportagem domingo (29), sustentando que o médico nazista Joseph Mengele, conhecido como o Anjo da Morte, realizou experiências genéticas no Brasil com irmãos gêmeos. Os experimentos teriam ocorrido na cidade de Cândido Godói (RS), cuja incidência de gêmeos é 1000% maior que a média mundial.
FICÇÃO CONFIRMADA
O programa “Explorer” lembra a ficção: o filme “Meninos do Brasil”, de 1978, mostra Joseph Mengele criando clones de Adolph Hitler.
HISTÓRIA Após fugir no final dos anos 1940, Joseh Mengele, o monstro de Auschwitz, viveu na América do Sul, inclusive no Brasil, por trinta anos.
FEZ-SE A ESCURIDÃO
De apagão em apagão diário, os consumidores da Light, dona da luz no Rio, pensam em denominá-la, de agora em diante, de Trevas.
GARANHÃO BINACIONAL
A imprensa paraguaia revelou uma filha de 22 anos do presidente Lugo, do Paraguai. Três rebentos teriam sido concebidos quando ainda ele era bispo. O homem tem mais energia que a binacional Itaipu...
‘FAMÍLIA REAL’ EM CRISE
Ao contrário das irmãs, que reagiram com certa naturalidade, Paulo Henrique anda muito nervoso desde que o pai, FHC, decidiu reconhecer o filho Tomás. E com a revelação desta coluna sobre seu outro irmão, Leonardo, filho do ex-presidente com a ex-empregada.
MACHO MAN
A falecida primeira-dama Ruth Cardoso teve muitos dissabores com a carreira galante do presidente: num evento em Campos do Jordão (SP) promovido pelo então governador Mário Covas, ela expulsou conhecida atriz – por suspeita de um caso com FHC – que vive hoje no exterior.
SIMPLICIDADE
O ministro Carlos Britto, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, faz opção preferencial pela simplicidade, frequentando as jovens tardes de domingo do shopping, em Brasília, de calça jeans desbotada e tênis.
AMARAL NETO, O RETORNO
O filme babaovo que produziu sobre Lula já rendeu a Luis Carlos Barreto, no Rio, o apelido de “Amaral Neto do PT”. A diferença é que em um só filme “Barretão” faturou o que Amaral Neto levaria anos para arrecadar.
DIGNIDADE DO HOMEM
A ministra Maria Cristina Peduzzi, do Tribunal Superior do Trabalho, lança hoje seu livro “O Princípio da dignidade da pessoa humana – o direito como integridade” (LTr Ed.). Centro Cultural do TST, às 18h30.
EMPRESA INIDÔNEA
O mineiro Carlos H. Custódio, que preside a ECT, explica que a Fiat foi considerada inidônea em processos administrativo de cuja decisão não recorreu. A Fiat entregou carros mais baratos do que vendeu à estatal.
POLÍTICA RADICAL
É um perigo viver nas Filipinas: um grupo adversário decapitou 22 políticos na campanha da eleição a governador, em 2008. Também rolaram cabeças de jornalistas. Dispensou censura ou papo de CPI.
‘CINTO’ MUITO
A miséria dos cubanos é tão grande, mas não tão grande, que se mandarem apertar mais o cinto, só restará o cinto.

PODER SEM PUDOR
MISERÊ SOB CONCURSO
Jânio Quadros era presidente e solicitou ao chefe da Casa Civil, Quintanilha Ribeiro, a lista dos cargos disponíveis, para atender o pedido de um ministro para empregar um sobrinho de 20 anos. Jânio escolheu: tesoureiro dos Correios no Recife, 27 mil cruzeiros por mês. O ministro descartou: “É muito, o menino não pode ganhar quase o meu salário”. Jânio escolheu outro, de tesoureiro auxiliar do IAPC (previdência dos Comerciários), 15 mil por mês. O ministro também achou excessivo. Jânio guardou os papéis e desistiu:
– Ministro, abaixo desse salário, só com concurso público...

VERMES

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Light já tem três versões, mas não explica novo apagão


- Folha: Carro flex terá IPI mais baixo até fim de março


- Estadão: Assessor de Lula critica política externa de Obama


- JB: “Querem roubar o Rio”


- Correio: Crack: A praga que consome o país


- Valor: Cartões regionais crescem com avanço da baixa renda


- Jornal do Commercio: Capitão acusado de farsa e roubo de armas