sexta-feira, maio 29, 2009

SEPARADOS AO NASCER


MELCHIADES FILHO

Em defesa das CPIs

FOLHA DE SÃO PAULO - 29/05/09

BRASÍLIA - O bombardeio que procura desqualificar as CPIs acaba por ajudar um governo que desdenha do Legislativo e, entre outros vícios, peca pela soberba -confia que será situação para sempre.
As CPIs são um importante fórum de debate, talvez o único de que hoje dispõem o Congresso e a oposição para se contrapor ao arsenal propagandístico do Executivo.
Fossem as comissões tão inúteis, despropositadas ou mero palanque para políticos decadentes -versões que aquela mesma máquina de propaganda difunde-, não seriam feitas tantas reuniões de emergência com o intuito de barrá-las nem manobras tão acintosas para garantir integrantes de confiança. Elas murchariam sozinhas, não?
Erra, também, quem afirma que as CPIs sempre acabam em pizza. Mesmo as mais contestadas ou folclóricas têm dado contribuições.
Instalada por causa da crise nervosa de Ronaldo Fenômeno na Copa de 1998 (!!!), a CPI da Nike acuou os cartolas a tal ponto que galvanizou o fim do passe, a criação de um estatuto de direitos do torcedor e a adoção de uma fórmula justa (e permanente) para o principal campeonato nacional. Incipiente? Só para quem não vive o futebol.
Sem a CPI do Apagão, a Anac estaria ainda mais à mercê do duopólio aéreo. O recente e tão aplaudido "rapa" de apaniguados políticos na Infraero não teria sido possível.
A CPI dos Grampos? Revelou o mercado paralelo de escutas, expôs a falta de rigor técnico e de controle institucional de trabalhos da PF e colocou o Judiciário na berlinda.
Quanto à Petrobras, a CPI prestará um enorme favor, inclusive ao governo federal, caso jogue luz sobre os grandes contratos e o modelo de negócios do petróleo -o Planalto está entre os que se queixam da falta de transparência da estatal.
E, ainda que sucumba ao sabido despreparo (ou à inapetência) dos senadores, a comissão já diminuiu a chance de uso eleitoral da empresa no ano que vem. Não é pouco.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


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INFORME JB

PAC do Conselhão investe no social

Leandro Mazzini

JORNAL DO BRASIL - 29/05/09

O governo, a pedido do presidente Lula, prepara para dia 4 a mais chamativa das reuniões do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o chamado Conselhão. Com a participação do economista Marcelo Neri (D), o craque em pesquisas da FGV, e a coordenação do ministro das Relações Institucionais, José Múcio, os ministros vão bradar que os programas sociais do governo ajudaram, e muito, a manter o país no rumo diante da crise internacional. O discurso está pronto. O Conselhão vai divulgar números, pesquisas e reforçar a ordem do presidente de mostrar otimismo. Lula não é bobo. O barulho é um ensaio. Em julho, o presidente recebe na Unesco o Prêmio Houphouët-Boigny, justo por conta do sucesso do Bolsa Família – uma prévia do que ele considera ser o caminho para o Nobel da Paz, tão almejado.

Dilma lá Decola, MP

Dilma Rousseff voltou ao pique. Vai participar do evento.

A discussão sobre a situação do Aeroporto Santos Dumont, no Rio, é prato cheio para os promotores investigarem. "Cadê o Ministério Público?", provoca um empresário que conhece gente do setor. Fica a sugestão da coluna.

Lupa

O deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ) conseguiu o aval do plenário, na Câmara, para ter acesso aos relatórios do TCU sobre as obras do PAC no estado do Rio.

Lupa 2

A luta é antiga. Há meses, o pedido foi indeferido pelo próprio TCU, alegando sigilo das contas das empresas e verbas repassadas.

Decreto animal

O prefeito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, José Camilo Zito, decretou o fim da venda de animais silvestres na tradicional Feira de Caxias, no Centro da cidade.

Cerco...

A partir deste fim de semana, operações com agentes da prefeitura, e dos governos estadual e federal, vão reprimir o tráfico de animais que corre solto ali.

... e festa

O anúncio das operações caiu como um presente para o secretário municipal de Meio Ambiente, Samuel Maia, que aniversariou anteontem.

Casa do PAC

A multinacional britânica Ultra Green inaugura hoje, em Manguinhos, pelo PAC, um protótipo de sua casa popular, desenvolvida com tecnologia ambiental e testada em vários países.

Ao mestre

Mestre Darcy Ribeiro é homenageado no livro Branco sobre branco, que Guilherme Zarvos lança hoje, na Gentil carioca, Praça Tiradentes. Doutor em literatura e economista, Zarvos trabalhou com Darcy no projeto de criação e execução dos Cieps.

Em campo

Sessenta CEOs do Grupo de Líderes Empresariais entram em campo hoje, literalmente, para disputar o 3º Torneio Futebol Empresarial, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo.

Todos bem

A Eletrobrás informa que os seis trabalhadores que estavam próximos à sala onde houve vazamento radioativo de baixo teor, em Angra 2, foram minuciosamente monitorados e passam bem.

DORA KRAMER

Uma política das arábias

O ESTADO DE SÃO PAULO - 29/05/09

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, discorda da avaliação de que o Brasil só tem colecionado derrotas em disputas por representações em organismos internacionais – “tivemos vitórias importantes, como a escolha do professor Cançado Trindade para a Corte Internacional de Justiça (Haia)” – e rechaça particularmente as análises que atribuem os fracassos a erros de estratégia do Itamaraty.

No último caso, o da perda da vaga na Organização Mundial do Comércio para o México, o chanceler acha que o Brasil não apostou numa causa perdida. Para ele, a candidatura da ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal, foi uma “opção razoável”.

No próximo e mais polêmico episódio, a eleição do diretor-geral da Unesco, Celso Amorim não só confirma o apoio do Brasil ao ministro da Cultura do Egito, Farouk Hosny, como acha esta a melhor opção para o Brasil.

A justificativa é conhecida: aproximação com os árabes. “Nos últimos anos mais que triplicamos o volume de negócios comerciais com esses países. Além disso, formam o único grupo que nunca ocupou a diretoria-geral da Unesco.”

E a declaração do egípcio dizendo que queimaria livros em hebraico, que provocam repúdio internacional? “Foi uma declaração infeliz da qual já se retratou e que certamente não significa uma posição antissemita, muito menos pode ser vista como um impedimento. Até porque, se eleito, ele terá uma condução pautada pela moderação”, avalia Celso Amorim.

Na opinião dele, o apoio do Brasil ao nome de Hosny não prejudica as relações com Israel. “Ao contrário, acho até que nos credencia ao diálogo”. O ministro não concorda que seja uma derrota anunciada nem que o Itamaraty tenha feito a escolha errada ao ignorar as candidaturas dos brasileiros Márcio Barbosa, atual diretor adjunto da Unesco, e do senador Cristovam Buarque. “Quem tem dois candidatos não tem nenhum.”

Celso Amorim é inflexível diante do argumento de que Márcio Barbosa teria mais chance de ganhar que o egípcio: “Uma coisa é o que o candidato diz, outra é o que os países que votam dizem.” Com base nessa prospecção, o ministro continua apostando na eleição de Farouk Hosny. “Fizemos uma escolha, está feita, não tem volta.”

Por via das dúvidas, registra: “Se perder, não será uma derrota do Brasil.” Como também, na visão do ministro, não pode ser vista assim a recente perda na OMC, que ensejou uma série de críticas ao Itamaraty.

“Já fiz parte comitê de seleção da OMC e sei que o processo não prima pela exatidão de critérios. Há subjetividades envolvidas, que se alteram conforme o momento e o objetivo do comitê. Por isso, as variáveis todas não podem ser previstas.”

O embaixador levanta a possibilidade de o Brasil ter perdido pelo destaque que vem ocupando no cenário internacional e na própria OMC, por posições e vitórias anteriores em contenciosos comerciais e admite até que a decisão tenha levado em conta o fato de um brasileiro (Luís Olavo Baptista) ter ocupado o mesmo posto por oito anos.

Não corrobora, porém, as alegações de que faltou à ministra Ellen Gracie conhecimento específico para se credenciar ao cargo. “Como disse, já fiz parte do comitê de seleção e já fui embaixador em Genebra duas vezes. Já vi serem escolhidos candidatos com perfil jurídico, como o da ministra. Ademais, as informações que me chegavam mostravam boas chances.”

Finalmente, vamos ao ponto que, de fato, desconforta e move o ministro Celso Amorim a se manifestar: a interpretação de que sua conduta à frente do Itamaraty não é a de um diplomata a serviço do Estado, mas a de um servidor do governo Lula, obediente aos ditames do grupo ocupante do poder em curso.

O chanceler começa por divergir do conceito. Não vê diferença entre o governo e o Estado. “Sirvo ao Estado quando sirvo ao governo do Brasil, que tem mandato para fazer as transformações importantes que o presidente Lula tem feito em todas as áreas, inclusive na política externa.”

A indicação de uma integrante do Supremo Tribunal Federal para a OMC não foi feita para “agradar ao presidente”. A referência é ao fato de que com isso Lula teria uma vaga aberta no tribunal para indicar o advogado-geral da União, José Toffoli.

“A sugestão não foi minha, foi do antecessor no posto.” Celso Amorim não vê termo de comparação possível entre as funções do Itamaraty e das Forças Armadas no que tange a carreiras tipicamente de Estado. “A política externa não é uma repetição sempre igual dos mesmos princípios, independentemente de qual seja o governo. É uma política e, como tal, requer adaptação ao tempo, às circunstâncias e às necessidades dos governos.”

As críticas, o ministro as vê como infundadas. Na opinião dele, a atual política externa tem rendido ganhos até inesperados. “Diziam que nossas posições prejudicariam as relações com os Estados Unidos, que nunca foram tão boas como agora.”

O RATO SARNEY


AMARILDO

ANCELMO GÓIS

OBRIGADO, MAS... 

O GLOBO - 29/05/09

O ex-deputado Sigmaringa Seixas, amigo do peito de Lula desde os tempos em que atuava como advogado de presos políticos, foi convidado para ser ministro do STF.
Agradeceu. Mas recusou.
A TRILHA DE LULA
Será de Antônio Pinto, o talentoso filho de Ziraldo que compõe para cinema, a trilha do filme “Lula, o filho do Brasil”, de Bruno Barreto.
O acerto foi ontem. O músico, como se sabe, é autor, entre outras, da bela trilha de “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles.
TREM E BARCO 
O Metrô Rio, que negocia a compra da SuperVia (Central do Brasil), também foi sondado para adquirir a concessionária Barcas S.A.
Se isto viesse a ocorrer, a empresa, controlada pela OAS e por alguns fundos, dominaria todo o transporte coletivo sobre trilhos e na Baía de Guanabara.
APOIO A BARBOSA
Uma lista no Congresso de apoio à candidatura do brasileiro Márcio Barbosa à direção-geral da Unesco já reunia ontem mais de 100 parlamentares.
O governo apoia o egípcio Farouk Hosni, acusado de mandar queimar livros israelenses.
NO MAIS
Henrique Meirelles, no congresso da Anbid, quarta, alfinetou aqueles que “acreditavam na tese do descolamento do Brasil da crise no resto do mundo”.
O presidente do BC não deu nomes aos bois. Até porque, se desse, respingaria dentro do governo em... deixa prá lá.
AMAZÔNIA ETERNA 
Christiane Torloni e Victor Fasano, os atores em cruzada pela preservação da Amazônia, serão recebidos por Lula, dia 4 agora.
Vão entregar 1 milhão de assinaturas colhidas pelo movimento que fundaram, o Amazônia para Sempre.
VAI DE TÁXI 
O presidente do Senado da Bolívia, Óscar Ortiz, esteve em Brasília, terça e quarta, em visita a autoridades brasileiras.
Só que, como faz oposição a Evo Morales, não recebeu apoio da embaixada boliviana. Circulou de táxi para ir ao encontro, por exemplo, de José Sarney.
COM QUEM SERÁ?... 
Um fato inédito não foi lembrado na nomeação da juíza Sonia Sotomayor para a Suprema Corte dos EUA, a primeira de origem hispânica e a terceira mulher a ocupar o cargo.
É que Sonia também é a primeira solteira no tribunal. Não é nada, não é nada... não é nada.
EU BEBO, SIM 
Lula, no almoço ontem com o presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, fez um brinde peculiar. Bebeu vodca do país do visitante, enquanto Karimov tomou... pinga brasileira.
NINGUÉM TASCA 
O governador José Roberto Arruda, no Rio para escolher a escola que fará o enredo dos 50 anos de Brasília, talvez não saiba. Mas a parada está decidida.
Dia 14, o patrono da Beija-Flor, dom Anísio Abraão David, avisou aos outros presidentes das escolas competidoras que quer o tema. A Beija-Flor deve levar o patrocínio de R$ 5 milhões.
GAROTA DE PROGRAMA 
Quarta, um ex-funcionário da Alerj entrou na Casa com duas garotas de programa. Foram oferecidas a alguns deputados por R$ 250.

CLÓVIS ROSSI

O crime, o cinema, a política

FOLA DE SÃO PAULO - 29/05/09

SÃO PAULO - A mídia brasileira tratou pouco da crise na Guatemala desatada por um vídeo que mais parece coisa de cinema. O trecho principal do vídeo é assim: "Boa tarde, me chamo Rodrigo Rosenberg Manzano; se você está vendo ou ouvindo esta mensagem é porque fui assassinado".
Foi mesmo, mas esse respeitado advogado deixou registrado no vídeo o nome dos assassinos: o presidente da República, Álvaro Colom, sua mulher e um de seus ministros, tudo, segundo Rosenberg, para encobrir irregularidades em um banco público e ligações com o crime organizado.
Colom, como fazem quase todos os governantes, disse que o vídeo era parte de uma conspiração para desestabilizar seu governo.
Seja qual for a verdade, parece evidente que o crime organizado estendeu seus tentáculos à política e ao aparelho de Estado, como já o havia feito antes na Colômbia e, agora, no México.
Anteontem, em uma operação inédita do Exército e da Polícia Federal, foram presos, só no Estado mexicano de Michoacán, 11 prefeitos e mais 17 altos funcionários, inclusive o diretor da academia de polícia local, todos envolvidos com o narcotráfico, que aliás tomou conta do Estado: controla não só o tráfico mas também caça-níqueis, prostituição e pirataria.
O que enlaça os casos da Guatemala e do México é que a entrada do Exército na guerra ao narcotráfico há dois anos está levando os cartéis a deslocarem operações para a América Central -o que mostra que essa polêmica alternativa de repente funciona e, por isso, tem que ser analisada, também no Brasil, sem um rechaço apriorístico.
Afinal, seria supina ingenuidade imaginar que o crime organizado por estas bandas desprezaria a possibilidade de invadir a política, ainda que o faça de maneira menos cinematográfica do que no México, na Guatemala ou na Colômbia.

GOSTOSA


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CLÁUDIO HUMBERTO


“Estou com o presidente Lula, que não cogita haver 3º mandato”

PRESIDENTE DA CÂMARA MICHEL TEMER (PMDB-SP) QUE É CONTRÁRIO À PEC DO 3º MANDATO...

PREFEITO PEDÓFILO CHAMA SEU BARCO DE ‘PUTANIC’ 
A CPI da Pedofilia do Senado vai ao Amapá investigar e interrogar o prefeito de Laranjal do Jarí, Barbudo Sarraf (PR), que é acusado de abusar sexualmente de crianças. Segundo o presidente da CPI, senador Magno Malta (PR-ES), Sarraf utilizaria nessa prática um barco de sua propriedade que batizou de “Putanic”. Ex-garimpeiro exibicionista, Sarraf anda sempre coberto de dezenas de correntes e pulseiras de ouro.
OLHA O NÍVEL 
Barbudo Sarraf assumiu a prefeitura após a titular, Euricélia Cardoso (PP), ser cassada pelo TRE-AP por abuso de poder econômico.
DEPOIMENTO
O senador Magno Malta vai convocar o DJ Malboro para depor na CPI da Pedofilia do Senado. Ele é suspeito de abusar de uma menina de 4 anos.
LUCIFER
No Pará, o ex-deputado Luiz Sefer, acusado de pedofilia, vem sendo chamado nas ruas de “Lucifer”, vocábulo que lembra seu próprio nome.
VOA, LULA, VOA 
O Air Force 51 não para: Lula agora vai a El Salvador, à posse do amigo Maurício Funes, a quem emprestou até o marqueteiro João Santana.
REGISTRO PICARETA DE CONTRATOS CONTINUA
NO DF O poderoso lobby dos cartórios não desistiu: adquirentes de veículos continuam sendo coagidos pelo Detran-DF e de outros Estados a pagar pelo registro ilegal dos contratos de financiamento, apesar da proibição da lei 11.882, sancionada por Lula em dezembro. O Tribunal de Contas do DF, há um mês, anulou convênio com um “instituto de registro” ligado aos cartórios, mas os lobistas resolveram enganar também o TC-DF.
IMPORTANTE É FATURAR 
O Detran-DF contratará “emergencialmente”, sem licitação, a empresa Planet Business, ligada aos cartórios, para continuar a cobrança proibida.
MUDANÇA DE OBJETO
A empresa Planet Business, que apenas fez o software da cobrança picareta dos cartórios, agora fará o próprio registro ilegal dos contratos.
ACABOU NO IRAJÁ
Após notável trajetória, o senador Inácio Arruda (PCdoB) virou coveiro de CPI. Primeiro tentou aniquilar a das ONGs; agora, será a da Petrobras.
CARA-DE-PAU
Espantoso não foi Jackson Barreto (PMDB-SE) protocolar o projeto de emenda que estabelece o terceiro mandato. Espantosa foi a expressão de orgulho do deputado participando dessa tentativa de golpe.
TÁ FEIA A COISA
Pelas 22h de quarta (27), o ministro Guido Mantega (Fazenda) mandou o motorista parar o carro oficial em uma farmácia próxima à Península dos Ministros, onde mora. Ele próprio comprou uma penca de remédios. Ou o ministro é hipocondríaco ou a crise está dando muita dor de cabeça.
INOCÊNCIO X, A MISSÃO
Recusando candidatura a cargo majoritário, Inocêncio Oliveira (PR-PE) vai lutar pelo décimo mandato de deputado federal. Sua meta conquistar 200 mil votos e se cacifar para presidir a Câmara na próxima legislatura. 
MELHOR ASSIM
Quando soube da derrota para a Corte de Apelações da Organização Mundial do Comércio, a ministra Ellen Gracie jantou com o namorado, jornalista Roberto D’Ávila, no “Alice”, em Brasília. Não pareciam infelizes.
FUNDO DO POÇO 
Instituição de história respeitável, os cartórios flertam com o que há de pior: sua associação recorreu ao Supremo Tribunal Federal para tentar retardar o concurso público em Santa Catarina para seleção de notários.
SÓ PODIA DAR NISSO
Nepotismo e corrupção podem andar de mãos dadas no Tocantins: o pai do governador Marcelo Miranda (PMDB), José Edmar Brito Miranda, secretário de Infraestrutura, é acusado de comandar desvio de verbas.
CORRIDA PARA BAIXO
Após o Banco do Brasil anunciar a queda de 1,31% para 1,22% ao mês nas taxas para financiamento de automóveis, o Bradesco dilatou o prazo de 72 para 80 meses e também reduziu o juro de 1,52% para 1,20%.
A LEI DO MERCADO
Enquanto o governo não decide se taxa ou não a poupança, o mercado se antecipa e faz a opção pelo mercado acionário. O investimento estrangeiro em ações, este ano, já está na casa dos US$ 2,3 bilhões. 
NOSSA GRANA
O Ministério das Cidades fechou contrato de quase R$ 14,6 milhões para alugar computadores e servidores para a sede do órgão. 

PODER SEM PUDOR
TELEFONE TEM OUVIDOS 
Quando articulava a disputa no Colégio Eleitoral, em 1984, Tancredo Neves pediu ao hoje senador tucano Arthur Virgílio para marcar um encontro com o general Euler Bentes Monteiro. Missão cumprida, Arthur telefonou para acertar data e local. Não conseguiu. Tentava falar, mas Tancredo interrompia, pedindo para que ele fosse ao seu encontro. A explicação do líder mineiro só foi dada pessoalmente, e continua válida até hoje:
– Meu filho, telefone é só para coisas sem importância ou então para marcar encontro em lugar errado, para despistar...

MÍRIAM LEITÃO

A trilha da volta

O GLOBO - 29/05/09

Há sete meses, a bolsa brasileira bateu no ponto mais baixo dos últimos anos. De lá para cá, já subiu 80%. Só este ano, subiu 41%. Ainda está longe do ponto máximo que aconteceu em maio do ano passado, quando o Brasil parecia estar longe da crise. Há contradições entre o brilho da bolsa e a vida real. Ele é um sintoma de volta à realidade, mas não estão afastados os riscos de novos sustos.

Em maio de 2008, o índice Ibovespa disparou para 73 mil pontos. Naquela época, o país crescia a taxas acima de 6%, o desemprego estava em queda, a renda e o crédito estavam crescendo, o tão sonhado grau de investimento havia sido conquistado. A previsão dos economistas de mercado para o PIB brasileiro em 2009 era de 4,6%. Hoje, a estimativa é de -0,53%. E no começo do mês que vem o Brasil saberá o tamanho do tombo do primeiro trimestre. O Bradesco calcula que o PIB tenha caído 3,1% em relação ao primeiro trimestre de 2008, e 2,2% em relação ao último trimestre do ano passado.

O grau de investimento veio no dia 30 de abril. Naquele pregão, o Ibovespa disparou 6,3%. Até o dia 20 de maio, subiu mais 15,2%, batendo no pico de 73 mil. A melhora na classificação de risco adicionou 10 mil pontos à bolsa.

De acordo com o economista Álvaro Bandeira, da Ágora Corretora, depois de maio, os sinais da crise financeira começaram a ficar evidentes. A crise atingiu também bancos ingleses e japoneses. Isso provocou uma redução de cerca de 20 mil pontos no Ibovespa, que caiu para a casa dos 50 mil.

“No início de 2008, o mercado calculava que o tamanho do rombo dos ativos ligados ao subprime era de US$ 150 bilhões. Em maio, essa estimativa já havia saltado para US$ 500 bilhões, com as suspeitas se espalhando por vários bancos do mundo”, explicou.

Em setembro, houve o pânico. O marco foi dia 15, quando quebrou o banco de investimentos americano Lehman Brothers. A bolsa brasileira afundou nos meses seguintes até bater em 29 mil pontos.

Descobriu-se então que o rombo não era de US$ 500 bilhões, como sonhava o mercado. Mais de US$ 4 trilhões foram despejados no sistema financeiro em ações coordenadas por vários bancos centrais. Tudo para impedir que os bancos quebrassem. Do ponto mais baixo, em outubro, até o fechamento de ontem, o índice Ibovespa ganhou cerca de 23 mil pontos, voltando aos 53 mil. Isso significa que a bolsa levou sete meses para recuperar a metade do que perdeu.

Segundo o economista Bruno Marinho, da Prosper Corretora, o que mudou do final do ano passado para o início deste ano é que o sistema financeiro não quebrou. Isso fez com que as expectativas dos economistas para 2009 fossem refeitas para melhor.

“Olhando para frente, são duas as principais variáveis que vão definir o futuro da bolsa: a própria crise financeira mundial, que ainda não está resolvida, e os efeitos que ela terá sobre a rentabilidade das empresas, ou seja, como a demanda menor e o crédito menor vão afetar a lucratividade de cada uma”, explicou Marinho.

Parte dessa retomada também é fruto da volta dos investidores estrangeiros. Para se ter uma ideia, em janeiro, entraram R$ 544 milhões na bolsa. Em fevereiro, esse montante subiu para R$ 1,44 bilhão, saltando para R$ 3,77 bilhões, em março.

“Quando veio a crise, esses investidores correram para comprar títulos do Tesouro americano. Agora, eles estão voltando ao mercado de renda variável. O Brasil se beneficia porque está melhor que outros países em desenvolvimento e também porque tem juros muito altos”, explicou o economista-chefe da Ativa Corretora, Arthur Carvalho.

Álvaro Bandeira acha que as ações subiram agora porque as previsões para as empresas em 2009 foram feitas no final do ano passado, quando o pessimismo era maior. Mas, o fato é que, olhando para a economia real, as luzes amarelas ainda estão acesas no painel. O setor imobiliário, por exemplo, sofreu um baque em plena temporada de lançamentos. Inúmeros lançamentos continuam suspensos, mas Rogério Chor, da Ademi, dá um bom sinal da melhora recente: “Neste segundo trimestre, por exemplo, minha empresa voltou a conseguir antecipação de recebíveis, que tinham secado no final do ano passado e no início deste ano”, explicou Chor.

O setor siderúrgico acumula fortes altas em 2009. A CSN disparou 65%; a Usiminas, 37,85%; a Gerdau, 29,1%. Mas o setor enfrenta dois problemas: a concorrência com o aço chinês, que está chegando ao país mais barato que o produzido aqui, e os estoques elevados, que mantêm altos-fornos parados.

“A tonelada do aço laminado importado, por exemplo, custa aqui no Brasil cerca de R$ 1,2 mil. Já o aço produzido aqui dentro sai por R$ 1,7 mil. Podemos dizer que temos uma liquidação de aço chinês e croata chegando”, afirmou Marinho.

A ação da Vale, no pico, era vendida por R$ 55, chegou a R$ 19 e ontem estava em R$ 32. Melhorou, mas está longe do que já foi. A Bovespa como um todo ainda está longe do que foi. A alta dos últimos meses e a volta do investidor estrangeiro são bons sinais, só não podem ser vistos como o fim da crise.

Com Leonardo Zanelli e Alvaro Gribel

BUNDA ATÔMICA


SEXTA NOS JORNAIS

Globo: Polícia prende 15 da maior e mais violenta milícia do Rio

 

Folha: Barragem se rompe no PI; 4 morrem e 11 desaparecem

 

Estadão: Campanha de 2010 pode ter R$1 bi de verba oficial

 

JB: Dólar reduz em R$ 22 bi a dívida de 71 empresas

 

Correio: Aluguéis disparam em Brasília...

 

Valor: Investidor estrangeiro deve voltar a pagar IOF

 

Gazeta Mercantil: Importações ameaçam a indústria nacional

 

Estado de Minas: Formação de professor será mais rigorosa

 

Jornal do Commercio: Crise no Sport

quinta-feira, maio 28, 2009

AUGUSTO NUNES

VEJA ON-LINE
SEÇÃO » Direto ao Ponto

A volta de Renan prova que o Brasil esquece a cada dois anos o que aconteceu nos dois anos anteriores

28 de maio de 2009

O Brasil que esquece a cada 15 anos o que ocorreu nos 15 anos anteriores, como constatou o escritor Ivan Lessa, é coisa do século passado. O país reconstruído pelo presidente Lula tem pressa — e encurtou para dois anos o intervalo entre as lobotomias malandras. No fim de maio de 2007, por exemplo, uma reportagem de VEJA  escancarou a face horrível de Renan Calheiros, então presidente do Senado. Os homens de bem se estarreceram com o que viram, os colegas não viram nada de novo, Renan deixou o comando da mesa, foi para as coxias e esperou exatamente 24 meses para reaparecer na ribalta, neste fim de maio, no papel de parceiro preferido do presidente Lula.

Por decisão do chefe de governo, cabe ao companheiro Renan, líder da bancada do PMDB e amigo de infância do presidente José Sarney, impedir que a CPI da Petrobrás consiga provar que a estatal praticou, permitiu ou patrocionou delinquências bilionárias. As nuvens que se avolumam sobre a empresa são formadas por denúncias, suspeitas, indícios e evidências. Quem melhor para enfrentá-las do que o alagoano que sobreviveu a um tsunami de provas tangíveis e pilantragens visíveis a olho nu? É o homem certo no lugar certo: para assassinar os fatos no nascedouro, foi convocado um serial killer especializado no extermínio de verdades inconvenientes.  

Fosse o Brasil um país sério e Renan não conseguiria pronunciar sequer uma vírgula sobre a CPI. Primeiro teria de providenciar respostas verossímeis para questões que seguem pendentes. O que tem a dizer sobre as relações mais que promíscuas envolvendo as empreiteiras Gautama e Mendes Junior?, apartearia um jornalista. E sobre as mesadas de R$ 16,5 mil entregues pelo amigo lobista a Mônica Veloso?,  perguntaria outro. Um terceiro se interessaria pelas notas fiscais fraudadas por Renan na tentativa de explicar o inexplicável. E todos exigiriam em coro que o senador ensinasse o truque da multiplicação de imaginários, que transformou um fazendeiro de araque em imperador do gado. Mas o Brasil não é sério.

Como não é, ficou tacitamente estabelecido que os crimes não existiram ou prescreveram ─ e Renan é tratado com o respeito e as reverências que  jamais mereceu. Com incontáveis acertos a fazer com a Justiça dos homens e o Juízo Final, pastoreia a base alugada com a arrogância sem remorsos do pecador vocacional. Craque em extorsões políticas, fixou preços salgados para o serviço que o presidente encomendou. Com exigências públicas e intrigas só murmuradas, vem enquadrando exemplarmente o PT em geral e o senador Aloísio Mercadante em particular. Bem feito para todos.

Eles se merecem. O Brasil que presta é que não merece essa gente.

DEMÉTRIO MAGNOLI

Joana d?Arc e Petrobrás

O Estado de S. Paulo - 28/05/2009
 
Ernest Lavisse escreveu o Petit Lavisse, a coleção clássica de manuais de História para o ensino básico francês do final do século 19. Numa das edições de suas cartilhas patrióticas, ele evoca Joana d?Arc falando ao rei Carlos VII de São Luís e Carlos Magno: "Aquela moça do povo sabia que a França existia há muito tempo e que seu passado estava repleto de grandes lembranças." O lugar da mítica camponesa guerreira na articulação do nacionalismo francês é ocupado no Brasil pela Petrobrás.

"Num momento de crise internacional, levantar uma CPI contra a Petrobrás é ser pouco patriota." Lula deu o tom da reação oficial à CPI instalada no Senado com uma frase curta que contém três elementos cruciais: o perigo externo ("crise internacional"), o ataque à estatal criada por Getúlio Vargas ("contra a Petrobrás") e a traição à pátria ("pouco patriota"). Sob a batuta do maestro, ministros tocaram a melodia ensaiada. Guido Mantega acusou a oposição de "atrapalhar a empresa e provocar volatilidade no mercado". 
Paulo Bernardo afirmou que o objetivo seria "desmoralizar a Petrobrás" para privatizá-la no futuro. Carlos Lupi concluiu que a CPI é "contra o Brasil".

No Brasil de Lula, o governo estende-se muito além dos Ministérios. A CUT e a UNE, como tantas outras entidades, tornaram-se tentáculos de um aparelho político oficial e recebem verbas do Estado e de empresas estatais, especialmente da própria Petrobrás. Seguindo um comando do Planalto, as duas entidades, ao lado do Sindicato dos Petroleiros, promoveram um ato público contra a CPI. O manifesto sindical de convocação conclamava à defesa da "soberania nacional" e ao repúdio a "essa manobra antinacionalista dos tucanos".

O jogo político tem suas regras. CPIs são instrumentos das minorias. Governos não gostam de inquéritos parlamentares, mesmo se não temem investigações. O furor retórico em curso é um indício óbvio do temor suscitado pela hipótese do desvendamento da teia de relações que conecta a bilionária estatal à rede política do presidente e de sua base de sustentação. Mas, no caso, há algo mais que isso. Em todos os tempos e países, o crime de traição à pátria constitui a abominação extrema, punida com as penas mais severas: a prisão perpétua, o degredo, o fuzilamento. A acusação lançada contra a oposição implode as regras do jogo político normal da democracia. A sua fonte profunda não é uma estratégia voltada para as próximas eleições presidenciais, mas a degradação nacionalista do pensamento de esquerda.

Originalmente, tanto os liberais quanto os socialistas ignoraram o nacionalismo. Karl Marx interpretou o nacionalismo como uma falsa consciência, que ofuscava os interesses de classe do proletariado. Os nacionalistas cunharam um dístico clássico: "Certo ou errado, é o meu país." Os marxistas substituíram-no por outro, que exprimia o sentido de sua lealdade incondicional: "Certo ou errado, é o meu partido." Na crise geral que se estendeu desde a eclosão da Guerra de 1914 até o encerramento da 2ª Guerra Mundial, o nacionalismo converteu-se na marca política da extrema direita. Hoje, apropriadamente, o estandarte de Joana d?Arc abre as manifestações da Frente Nacional francesa, do fascista tardio Jean-Marie Le Pen.

O conceito de imperialismo conectou a esquerda ao nacionalismo. Lenin tomou-o emprestado de John A. Hobson e tentou adaptá-lo ao marxismo, preservando a noção de luta de classes. Não obteve sucesso. O conceito, teimosamente, refluiu para o seu significado original, de dominação de uma nação sobre outra, sedimentando-se como pretexto para as alianças entre a esquerda e frações da classe dirigente nacional contra o "inimigo estrangeiro". Na era da globalização, a deriva teórica atingiu o zênite e, sob o nome de imperialismo, uma esquerda sem rumo abraçou a rejeição ao cosmopolitismo que tipifica o pensamento de direita. Não é outra a razão por que o antiamericanismo de Hugo Chávez convive tão bem com o antissemitismo de Mahmoud Ahmadinejad.

Capitalismo de Estado é a alternativa imaginada por Hitler e Mussolini ao capitalismo liberal, que odiavam por associá-lo à dominação anglo-saxônica e à conspiração judaica mundial. O "socialismo do século 21", pregado pelo sociólogo Heinz Dieterich, um dos gurus de Chávez, representa uma restauração explícita da ideia de capitalismo de Estado. No lugar do socialismo clássico, ou como longa transição até aquela meta, o Estado dirigiria uma economia capitalista nucleada por empresas estatais e grandes conglomerados nacionais privados. De acordo com essa lógica, a Petrobrás não é apenas uma empresa estatal, que deve ser avaliada pela sua eficiência e está obrigada a prestar contas aos cidadãos e a seus acionistas, mas uma ferramenta privilegiada de um programa político. Eis o motivo pelo qual seus segredos precisam permanecer submersos.

No Petit Lavisse, como assinalou Pierre Nora, a verdade histórica confunde-se com um imperativo moral: a unidade. Este é o imperativo do nacionalismo, que está sempre a um passo da rejeição da democracia, o regime da diversidade política e da discórdia organizada. No discurso dos nacionalistas, pende sobre a oposição a acusação permanente de representar a quinta-coluna: os elementos infiltrados que veiculam interesses estrangeiros. Lula não compartilha o credo nacionalista de seu partido, mas não se curva a limites éticos e conhece as vantagens práticas de empregar o ardil maniqueísta nas horas decisivas.

Em 2006, Geraldo Alckmin rendeu-se à chantagem quando, confrontado com a falsa acusação de pretender privatizar a Petrobrás, apresentou-se para o segundo turno como um patético cabide de broches de empresas estatais. Se a oposição nada aprendeu daquele episódio humilhante, entrará em falência. Uma coisa é perder nas urnas. Outra, bem distinta, é renunciar à defesa dos princípios democráticos.

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Só pode o ilegal


O Globo - 28/05/2009
 

Deu nos jornais: a usina hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, pode ficar sem licença ambiental; aumentou no Brasil a quantidade de energia gerada por usinas movidas a carvão e diesel, poluidoras; há 2.100 quilômetros de rodovias no país com obras paradas por falta de licença ambiental; o desmatamento da Mata Atlântica segue no ritmo de 34 mil hectares/ano, no período 2000-08. 

Eis uma pequena amostra do que ocorre no Brasil: projetos formais, desenvolvidos à luz do dia, dentro da lei, param na legislação ambiental e nos órgãos encarregados de aplicá-la; já esses mesmos órgãos são incapazes de barrar o desmatamento ilegal e as emissões ilegais de carbono.

É claro: é mais fácil ficar nos gabinetes de Brasília analisando projetos no computador do que entrar nos confins da Amazônia. Mas entrar mesmo, colocando pessoal do Ibama e da Polícia Federal em ação permanente e não em operações isoladas para marketing. 

É evidente que está errado. A começar pela legislação. Estão em vigor no Brasil nada menos que 16 mil normas ambientais. O Código Florestal é de 1965, desatualizado, claro. Mas a proposta de reforma dorme no Congresso há dez anos, tendo a companhia, no momento, de outros 130 projetos de lei tratando do mesmo assunto. E mais um: a Frente Parlamentar Agropecuária está apresentando um projeto abrangente para substituir tudo por um novo Código Ambiental. 

Não é de estranhar que cresçam as disputas internas no governo Lula. O pessoal do Dnit, órgão do Ministério dos Transportes encarregado das rodovias, diz que o Ibama atrasa as licenças; o Ibama diz que os projetos do Dnit estão errados ou nem foram apresentados, mas reconhece que faltam funcionários para dar conta da quantidade de processos. 

O ministro Minc, do Meio Ambiente, está em disputa aberta com o ministro Stephanes, da Agricultura. 

O resultado é desalentador. Essas disputas revelam uma falta de orientação que começa no governo. O presidente Lula coloca no ministério um ambientalista e um representante do agronegócio - e que se virem. Pede as estradas do PAC ao ministro dos Transportes e dá força ao Ibama. Ou seja, reforça a confusão, inclusive quando reclama publicamente do Ibama e não faz nada para mudar o sistema. 

E, se o governo não tem uma orientação, como poderia organizar o debate no Congresso e na sociedade? 

Além disso, o governo, que adota uma legislação interna tão rigorosa quanto complexa, no quadro internacional se recusa a adotar metas de redução de emissão de carbono, afirmando que esse é um problema dos ricos, pela poluição que causaram. E assim fica o Brasil ao lado da China, a grande poluidora, que sustenta a mesma tese (e que é bem capaz de estar produzindo e exportando móveis com madeira ilegal tirada da Amazônia). 

A desorientação geral e mais a complexidade da legislação e a burocracia infernal dos procedimentos criam disputas infindáveis e abrem espaço para negociações na versão do puro quebra-galho. 

Tome-se um dos problemas da usina de Jirau. O governador de Rondônia, Ivo Cassol, se recusa a dar a licença, necessária porque a obra atinge parques estaduais. Mas ele topa conceder a licença se o Minc desistir da retirada de cinco mil famílias que ocuparam uma reserva federal no estado e a estão desmatando. (O que, aliás, demonstra que pequenos agricultores, assentados da reforma agrária e invasores desmatam e poluem, ao contrário do que dizem os ambientalistas que põem toda a culpa no "grande agronegócio".) 

Mas reparem no caso de Rondônia: se a usina de fato causa prejuízo aos parques estaduais, então não há o que negociar. Igualmente, se as famílias estão de fato desmatando a reserva federal, também não há o que negociar. 

Entretanto, rola a negociação porque essas legislações complexas permitem qualquer interpretação, tudo dependendo de força política. 

Resumo da ópera: país com enormes carências de infraestrutura, o Brasil conseguiu bolar um jeito de paralisar estradas, portos, usinas limpas, aeroportos, ferrovias e fábricas diversas, enquanto deixa rolar o desmatamento ilegal e a emissão de carbono. 

O inimigo não faria melhor.