segunda-feira, abril 27, 2009

O IDIOTA


CONEXÃO BRASÍLIA

Obrigado, Adriane Galisteu


GAZETA - 27/04/09


Adriane Galisteu deu um presente aos eleitores brasileiros. Ao voar com dinheiro público, escancarou uma das maiores aberrações do Congresso Nacional. Traduziu a farra das passagens à linguagem do povo, que enfim entendeu o tamanho da mordomia proporcionada a deputados federais e senadores graças ao suor dele próprio, o povo.

Não, a apresentadora não é mártir. Mas também não tem culpa no cartório, afinal não tinha como saber de onde o ex-namorado parlamentar tirava os bilhetes de avião que ela recebia de presente. A culpa dela é similar à dos brasileiros: elegem maus representantes, mas não podem ser penalizados para sempre por isso.

Pois o presente de Adriane ainda não foi totalmente desembrulhado. Nesta semana, a farra das passagens será colocada em pratos limpos com a votação do projeto de resolução que sugere uma série de restrições ao uso do benefício na Câmara dos Deputados. Será a hora dos que defendem a mordomia mostrarem a cara.

É a verdadeira prova de fogo para que os eleitores tirem as suas conclusões. A 18 meses das eleições de 2010, nada melhor do que testar os parlamentares. Será que eles vão aceitar pagar as viagens de parentes e amigos com dinheiro do próprio salário?

Difícil de acreditar. A criação de novas regras para as passagens, que limitaram a utilização para o próprio deputado e um assessor, gerou um motim na Câmara. Como quase sempre nesses casos, a multidão de revoltosos tem identidade: o baixo clero.

O surpreendente, contudo, foi ver nomes de certa relevância como Ciro Gomes (PSB-CE) defenderem com unhas e dentes a manutenção dos benefícios. A “causa” fez o marido de Patrícia Pillar perder a compostura.

No embalo de Ciro, o baixo clero volta a agir como um sindicato de deputados (nada contra os sindicatos de trabalhadores, por assim dizer, aqueles que trabalham). Os deputados-sindicalistas formam um grupo unido, sempre firme na luta para manter os direitos adquiridos e na busca de novas conquistas para a categoria. Barram, por exemplo, qualquer reforma política que mude as regras eleitorais que os perpetuam no poder.

Todos sabem identificar quem dá as cartas no Congresso (Temer, Gabeira, Mercadante, Sarney), mas ninguém tem na ponta da língua uma personalidade do baixo clero. Entre amanhã e quarta-feira, contudo, eles não terão escapatória.

Por mais invisíveis que sejam, nada foge ao painel eletrônico. O nome deles ficará lá, como a foto de um carro flagrado por um radar. Ao eleitor, cabe guardar na memória quem votou no quê. Afinal, 2010 está logo ali.

Nos corredores

Mãos ao alto

O regimento interno da Câmara prevê que os projetos de resolução, como o das novas regras para uso de passagens aéreas, podem ser apreciados em votação simbólica. Ou seja, há a possibilidade de que os parlamentares apenas levantem a mão para decidir sobre o tema, sem registro de nomes no painel. Para acabar com o “simbolismo”, é só algum parlamentar pedir verificação de quorum, o que força o registro nominal. Ou seja, para evitar os nomes no painel, só um pacto entre todos os presentes.

Código ambiental

A Câmara dos Deputados deve decidir nesta semana se cria uma comissão especial para elaborar um novo Código Florestal ou se coloca em votação o texto elaborado em 2001 pelo paranaense Moacir Micheletto (PMDB). O relatório do peemedebista já foi aprovado em uma comissão mista de deputados e senadores. Na época, o conteúdo gerou polêmica. Ícone da bancada ruralista, Micheletto aumentou no texto a área de desmatamento legal da Amazônia e brigou feio com os parlamentares “verdes”.

Último capítulo?

Barbosa Neto (PDT) deve renunciar nesta semana ao mandato de deputado federal para assumir a prefeitura de Londrina. No lugar dele, assume Wilson Picler (PDT). Será o desfecho de uma disputa que envolveu três congressistas paranaenses: além de Barbosa Neto, André Vargas (PT) e Luiz Carlos Hauly (PSDB). Ainda assim, há possibilidade Antonio Belinati (PP), vencedor do segundo turno, conseguir recorrer da cassação no STF.

GEORGE VIDOR

Parasitismo


O GLOBO  - 27/04/09


Com a queda esperada para as taxas básicas de juros esta semana, a economia brasileira começa a entrar em nova fase, mais por questões estruturais do que conjunturais. A redução dos juros abaixo de um patamar de 10% forçará o sistema financeiro nacional – que, como vimos nesta crise internacional, é o centro nervoso de qualquer economia – a sair do parasitismo.

O sistema financeiro no Brasil não precisava se esforçar muito para buscar rentabilidade na administração de seus próprios recursos e de terceiros porque podia se escorar nos juros anômalos que têm sido pagos pela dívida pública.

É uma receita dita e certa, que estabelece os parâmetros de rendimentos também para os papéis privados. Assim, os bancos atrofiaram os seus departamentos de crédito, que não têm desenvoltura e nem experiência suficientes para emprestar em larga escala. Devido a essa inexperiência, as instituições estão sempre às voltas com o fantasma da inadimplência, e, por isso, acabam exagerando nas exigências de garantia e nos “spreads” cobrados dos clientes.

Dessa forma, o sistema financeiro brasileiro se tornou ineficiente no que se refere ao cumprimento de sua principal função social e econômica, que é a de intermediar a circulação de recursos entre os diferentes e variados setores. O sistema passou a operar essencialmente para financiar o setor público, cuja dívida se tornou um fim em si mesmo, já que muito pouco dos recursos captados no mercado é direcionado para investimentos (essa montanha de dinheiro é usada para rolar o principal e uma parte dos juros). Então, quanto mais rápido nos livrarmos dela, melhor.

Tanto instituições privadas como estatais públicas sofrem hoje do mesmo mal. E desse modo, sem ter para onde correr, o cliente que necessita de crédito se sujeita ao pagamento de juros escorchantes, assumindo, quase sempre, riscos demasiados – não pelo próprio negócio, mas pela asfixia decorrente dos encargos financeiros elevados.

Tal ineficiência que se incrustou no sistema financeiro se refletiu também na prestação de serviços. Os bancos cobram os tubos para prestar serviços rotineiros de atendimento às empresas e aos cidadãos, a ponto de as tarifas recebidas cobrirem totalmente suas folhas de pagamento e despesas administrativas.

A raiz de toda essa “ineficiência estrutural” é o parasitismo alimentado pelas taxas básicas de juros excessivamente altas que o Brasil teve de adotar enquanto não resolvia seus desequilíbrios econômicos crônicos.

Por motivos conjunturais (pressões sobre a inflação causadas pela insuficiência de investimentos na capacidade produtiva do país), os juros básicos aqui não se nivelaram aos padrões do mercado internacional. Somente agora com a crise, depois que o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu, surgiram condições para cortes expressivos nessas taxas, existindo a possibilidade de caírem para menos de 10% em 2009.

Ainda que o Comitê de Política Monetária (Copom) resolva, na quarta-feira, reduzir os juros em 1,5 ponto porcentual – ou em 1 ponto, como espera a maioria dos analistas financeiros – as taxas básicas permanecerão bem acima da média mundial. Mas já em patamar que obrigará o sistema financeiro a buscar eficiência na sua razão de ser, abandonando o parasitismo.

E quando tivermos um sistema financeiro efetivamente eficiente, a economia brasileira como um todo poderá dar grandes saltos de produtividade. Ou seja, a médio prazo, a queda dos juros será muito boa também para os bancos, que colherão os frutos por estarem inseridos em uma economia mais dinâmica.

O Banco Central às vezes vacila e deixa passar algumas oportunidades para pequenos ajustes, mas não é o principal responsável por essa situação. Desequilíbrios crônicos da economia brasileira foram o pano de fundo, e corrigi-los exige tempo. Além de enorme paciência. No entanto, agora a queda dos juros pode acelerar esse processo.

Desta vez sob patrocínio da Bovespa/BMF, sairá do prelo o livro que Ney Carvalho relata A guerra das privatizações. Ney passou grande parte de sua vida profissional na corretora de valores da família dele, mas hoje se dedica inteiramente a estudos históricos sobre a economia do país. Escreveu, por exemplo, um livro interessante sobre a grande especulação financeira ocorrida no início da República, episódio conhecido como “o encilhamento”.

Na introdução do novo livro há uma citação curiosa sobre os primórdios da presença do estado na atividade produtiva: dois meses após chegar ao Brasil, em 1808, o príncipe regente D. João fundou a primeira indústria, como monopólio estatal, para fabricar baralhos. E cinco anos depois já mandava distribuir “privilégios, faculdades e isenções”, ou seja, benefícios, para os empregados da “fábrica de cartas de jogar desta Corte”. Também em 1808, D. João incumbiu o intendente Câmara (cujo nome batiza a principal usina da Usiminas) de instalar uma fábrica de ferro em Minas Gerais. Por causa dos prejuízos acumulados, a fábrica fechou em 1831 e todos seus bens vendidos a particulares, “em estado miserável”.

A leitura de A guerra das privatizações deve ressuscitar polêmicas exatamente nesse momento que o estado volta a surgir como figura salvadora diante da grave crise financeira internacional.

FERNANDO RODRIGUES

Sala vip

FOLHA DE SÃO PAULO - 27/04/09

SÃO PAULO - O Congresso Nacional virou a casa do descalabro. Uma avalanche de escândalos, sucessivos ou simultâneos, escancarou ao país nas últimas semanas uma cultura corporativa orientada para o refestelo dos eleitos, sustentada por uma rotina de abusos, compadrios, privilégios e descaso acintoso no trato das coisas públicas.
Tudo isso já é bem sabido, embora nada, objetivamente, tenha sido feito para ao menos atenuar a sensação de lassidão moral em que mergulhou o Legislativo. Parece até que o Congresso pretende desafiar a capacidade de indignação, ou de tolerância, de um povo brejeiro.
José Sarney deve estar muito entretido com reocupação do Maranhão. E Michel Temer recuou em menos de 24 horas da promessa de limitar a emissão das passagens aéreas, transferindo para o plenário da Câmara uma decisão que poderia ser sua, se vontade tivesse.
Eis a situação: a direção da Câmara se vale da chiadeira do lúmpen da Casa contra qualquer moralização e tenta empurrar a responsabilidade pelo fim dos desmandos para o colo do baixo clero. É esse o artifício que vem ganhando corpo há dias, inclusive com algum respaldo na mídia.
Se os deputados, de fato, não são todos iguais, também é verdade que a crise de credibilidade desta vez diz respeito a todos. A degradação literal da instituição em Casa da Sogra envolve de maneira direta muitos membros da chamada elite parlamentar. Quantos vips pegaram carona na ideia de que a "família é sagrada" para proporcionar aos seus a aventura de ser sacoleiro em Miami à custa da Viúva? Quantos "éticos" pagam suas empregadas com o dinheiro púbico numa boa? A culpa é do "patrimonialismo"?
Diante de tantos disparates e omissões, a expressão "elite parlamentar" talvez já não passe de título de cortesia, sem correspondência com a realidade. O Legislativo está em claro processo de severinização. O que combina com o barateamento da política no governo Lula.

SEGUNDA NOS JORNAIS

Globo: Gripe suína já deixa em estado de alerta 9 países

 

Folha: Gripe suína mata 22 no México e chega a Nova York

 

Estadão: Gastos do governo com custeio crescem 23,5%

 

JB: Epidemia de gripe deixa mundo alerta

 

Correio: Gripe suína avança e assusta o mundo

 

Valor: Política fiscal de SP amplia receita e provoca conflitos

 

Gazeta Mercantil: Soja convencional do PR vira transgênica na hora da colheita

domingo, abril 26, 2009

GOSTOSA


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ROGÉRIO CENI

Canarinho indomável

Perfilado, com a camisa da Seleção, ouvindo o hino nacional.

Já passei por isso 17 vezes, e em todas elas me emocionei. Gosto de pensar que um país continental, o meu país, está em grande parte "mandando" energias positivas para 11 homens defenderem a nação. Não se trata de patriotismo barato, não é a minha cara. Sei que poderia ter escrito uma história mais bonita na Seleção. Mais rica, mais próxima da traçada no clube. Não foi possível, principalmente porque o Rogério do São Paulo é um (não me crucifique pela referência em terceira pessoa), e o da Seleção, obrigatoriamente, tem que ser outro.

No São Paulo, consigo dar tudo de mim. Na Seleção, não. No São Paulo, consigo agilidade na reposição de bola, fruto do perfeito entrosamento com os jogadores de velocidade. Nosso time joga assim há anos. A Seleção não vai jogar assim nem daqui a séculos. Se por acaso jogasse, minha trajetória nela provavelmente seria outra. Não posso afirmar isso, porque o ambiente de Seleção é muito diferente do de um clube, apesar de ter conhecido muita gente legal nela. Comparo o São Paulo à minha casa, e a Seleção, a um hotel. Existem ótimos hotéis que nunca terão o conforto do nosso lar.

O pior hotel, ou a Seleção de convivência mais difícil que encontrei, foi a que disputou e ganhou a Copa das Confederações de 1997, na Arábia Saudita. Ironicamente, o hotel em Riad era espetacular.

A primeira etapa da viagem, em Johannesburgo, até que foi boa. Vencemos a África do Sul por 3 X 2, depois de eles abrirem 2 X 0 (o jogo do aviãozinho do Zagallo). Dividi quarto com um dos sujeitos mais sensacionais que conheci no futebol: César Sampaio.

O volante, já com bastante nome, carreira consolidada, se esforçava para me deixar à vontade. Entre outras gentilezas, sempre me emprestava seu discman.

No meio do torneio em Riad, um grupo de mais ou menos oito jogadores teve a ideia de raspar a cabeça do time todo, titulares e reservas. A primeira vítima foi o Russo, lateral do Vitória, que, iniciante, fazendo qualquer coisa para agradar, adorou ter o cabelo cortado.

No desespero de proteger a "juba", o zagueiro Gonçalves se trancou no quarto. Em vão. Gonçalves só conseguiu ser o último a ficar careca.

Meu quarto estava aberto. Sabia que mais cedo ou mais tarde chegaria a minha vez. E chegou. Júnior Baiano e Flávio Conceição, entre outros, entraram no meu quarto portando máquina e tesoura. Verbalmente, resisti quanto pude:

- Ó, o negócio é o seguinte: não quero raspar. Não tô a fim de brincadeira, não vou brigar, mas comigo, por favor, não!

Alguém, não vi direito quem, passou a máquina e tirou uma faixa do meu cabelo. Esperei os caras saírem do quarto e, sem outra opção, raspei a cabeça. Mas fiquei pê da vida.

Reclamei publicamente do comportamento infantil da Seleção, mais apropriado a um time em viagem de jogos estudantis. Tão bravo quanto eu, só que mais vivido, Leonardo me recomendou ter calma. Tudo bem, mas pra mim a viagem tinha acabado ali.

Havia uma programação de filmes na TV do hotel. Eram dois filmes noturnos, divididos em quatro sessões: às 21h, 23h, 1h e 3h da manhã. O filme das 21h era repetido à 1h, e o das 23h, às 3h da madrugada. Eu assistia a todos, todos os dias. Dormia das cinco (depois da sirene da primeira oração) ao meio-dia. Almoçava em 15 minutos, voltava para dormir mais uns minutinhos, acordava, saía pra treinar às três da tarde, tomava banho, jantava, e quarto. Só conversava o básico necessário e, mesmo assim, apenas com os mais chegados.

Pessoas do time e da comissão técnica não gostaram da minha postura. Acharam que eu deveria ter levado na brincadeira aquela história.

Zagallo não me convocou mais. Um direito dele. E, analisando os demais goleiros da época, bem mais experientes do que eu, acho até que ele tinha razão.

Voltei à Seleção Brasileira após a Copa de 1998, no começo da gestão Vanderlei Luxemburgo. Fui convocado também por Leão, Candinho, além de Scolari e Parreira.

O hino ainda me emociona. Não importa se vestindo a amarelinha ou a tricolor do coração.

TRECHO DO LIVRO MAIORIDADE PENAL ESCRITO POR ROGÉRIO CENI E ANDRÉ PLIHAL

DE BRASÍLIA

Barril de pólvora 


Não dá para crer que o presidente da República não seja informado e advertido pelos órgãos de segurança do governo sobre o barril de pólvora que representa a ação do chamado movimento dos sem-terra, que vem implantando um clima de terror no meio rural, invadindo propriedades, destruindo e agora matando e ferindo fazendeiros. O chamados companheiros sem-terra fizeram com que ser produtor rural no Brasil se tornasse numa atividade de risco. Não mais o risco das secas, das cheias, das geadas, das pragas, mas o risco de morte. Por todo o País, os donos da terra estão se armando, escondendo rifles e outros artefatos de defesa para fazer por desespero aquilo que o Estado não faz por obrigação: repelir as investidas dos sem-terra sobre suas propriedades, na defesa dos seus bens e das vidas de suas famílias contra a ação desses malfeitores. O grave de tudo isso é a indiferença dos governantes diante da desordem. Milhares de mandados de reintegração de posse de terras, invadidas no País expedidos pela Justiça, são ignorados pelas autoridades. No Pará, há centenas, muitos com quatro ou mais anos, sem cumprimento. E pior ainda: toda essa subversão da ordem nacional é custeada pelo dinheiro público, aquele dos impostos que a gente paga, dado aos sem-terra através de entidades subvencionadas largamente pela União. O governo Lula já deu mais de R$ 150 milhões a esses companheiros da desordem. Na verdade, esse pessoal não que saber de trabalho. Prova disso, é que, nos últimos anos, o governo já desapropriou milhões de hectares para a reforma agrária que nunca chega. E eles, ao invés de irem trabalhar essas áreas, ficam por aí, invadindo propriedades prontas, que tem casa boa, piscina, churrasqueira e gado no curral para fazer churrasco. Uma farra, cuja conta a gente paga. Fernando Henrique se gaba de ter desapropriado ´uma Bélgica´ para assentar sem-terras. Lula só, recentemente, desapropriou mais de 200 mil hectares. Por que, então, não bota esses baderneiros para produzir neles e manda a Guarda Nacional e as polícias acabarem com a desordem?

Trabalhando

E dizem que os parlamentares não trabalham. Lula acaba de sancionar três leis importantes para a vida do cidadão brasileiro, emanadas do Congresso: uma declara o 25 de janeiro ´Dia Nacional da Bossa Nova´. As duas outras instituem os dias nacionais do ´Caminhoneiro´ e do Vaqueiro Nordestino´, festejáveis, aquela no terceiro domingo de julho e este em 16 de setembro.

Embrião

Quando os governos resolverem abrir os olhos para a gravidade da epidemia dos chamados ´flanelinhas´ por todo o Pais já será tarde. Eles são o embrião das milícias que hoje cobram caro, sob ameaças, vendendo proteção sob ameaças para ´vigiar´ casas de comércio e residências nos bairros do Rio e São Paulo.

A salvo

O deputado Edmar Moreira, aquele do castelo em Minas, que usava o dinheiro da verba indenizatória para pagar segurança às suas próprias empresas, deve escapar da cassação. Está tudo arrumado para valer a posição do presidente do Conselho de Ética , José Carlos Araújo (PR-BA), que acha que ele não fez nada de grave e merece apenas uma pena branda. Um puxão de orelha.

Companheiros

Nesta semana, o Ministério do Turismo, fiel à política petista de gerar empregos, contratou, de uma tacada, 45 companheiros, sem concurso, para ´prestação de serviços técnicos especializados´. E o Ministério da Cultura emplacou, também sem concurso, mais 23, além dos 38 da semana passada, na base de R$ 8.300,00 por mês, para o IPHAM.

Preparado

O PSB age certo ao lançar a candidatura do deputado Ciro Gomes à sucessão de Lula. O parlamentar cearense é um dos mais bem preparados do País e primeiro turno não é hora de coligações. E Ciro é um dos poucos políticos de ficha limpa no panorama nacional.

A mão

Não acabou a exploração pelos cartórios, que cobravam para registrar os contratos de financiamento de veículos. Só mudou mão ataca o bolso do cidadão, pois agora quem vai cobrar para isso são os Detrans. Que já fazem, sem ônus, há décadas, o registro das alienações, constantes do documento de propriedade de todo veículo financiado.

SUPRESA

Supresa foi a de milhares de prefeitos, reunidos em Brasília, diante da afirmação do ex-deputado Severino Cavalcanti, que renunciou à presidência da Câmara para não ser cassado por corrupção, agora prefeito de João Alfredo (PE), de que ainda restavam R$ 0,10 - dez centavos - no cofre da sua prefeitura.

A CONTA

Já feita a conta aproximada a ser apresentada ao contribuinte se o Congresso aprovar os projetos que criam mais 14 estados na federação. Vamos pagar a mais 42 senadores, uns 120 deputados federais, uns 400 deputados estaduais, 14 governadores e igual número de vices, além de centenas de secretários e milhares de funcionários novos.

Socorro

Enquanto a população de Altamira, no Pará, publica anúncios nos jornais de todo o País pedindo donativos para as vítimas das inundações que atingiram o município, o governo manda o ministro da Pesca, com um magote de assessores, com uma enorme despesa, para o Oriente Médio, levando uma doação de 10 milhões de dólares para os palestinos. Devia pelo menos mandar pela Internet.

NAS ENTRELINHAS

Unidade dos contrários

CORREIO BRAZILIENSE - 26/04/09

Lula acredita que a doença não atrapalhará a ministra-chefe da Casa Civil, cuja candidatura até pode se beneficiar da forma corajosa como ela enfrenta a situação

Há mais coisas entre o céu e a terra do que os aviões de carreira, diria o mais gozador dos gaúchos, Apparício Torelly, o Barão de Itararé (parafraseando o genial dramaturgo inglês William Shakespeare). Enquanto o Congresso chafurda nas mordomias e tropeça nas próprias pernas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva constrói o que considera o cenário ideal para a sucessão presidencial de 2010. Em sua estratégia eleitoral, o adversário ideal é aquele que hoje aparece como favorito na disputa, o governador paulista José Serra (PSDB). A ministra Dilma Rousseff (PT) seria candidata única da base governista, com o apoio do PMDB, do bloco de esquerda (PSB, PDT e PCdoB) e dos partidos do “centrinho” (PTB, PR, PP e PSC). Para quem quiser ouvir, Lula aposta o outro mindinho que Dilma derrotará o tucano se essa for a polarização da disputa. Para o presidente da República, Serra seria um freguês de carteirinha.

Por gravidade

O PMDB saiu das urnas com vontade de comer caviar no segundo mandato de Lula, mas corre o risco de terminar o banquete arrotando mortadela. A cúpula da legenda conquistou com grande habilidade as presidências do Senado e da Câmara e parecia disposta a tutelar o governo. Mas, desde que assumiram o comando das duas Casas, o senador José Sarney (PMDB-AP) e o deputado Michel Temer (PMDB-SP) foram levados às cordas. Porta voz da opinião pública, toda a mídia nacional, inclusive o Correio, cobra a renovação dos costumes parlamentares. Há que se destacar que o site Congresso em Foco, que há anos acompanha diariamente sessões plenárias, comissões e bastidores da Câmara e do Senado, repetiu o feito de seu congênere Contas Abertas em relação ao Executivo e devassou, de forma avassaladora, os gastos com viagens ao exterior de deputados federais, parentes e agregados.

No turbilhão da crise, a potencial candidatura de Temer a vice-presidente da República, na chapa de Dilma, está sendo volatilizada. Lula assiste de camarote o naufrágio peemedebista e se prepara para recolher os sobreviventes. Devido ao rumo dos acontecimentos, acredita que o apoio da legenda à candidatura de Dilma virá por gravidade. Essa é a propensão natural de governadores e prefeitos da legenda. A única alternativa para o PMDB recuperar a iniciativa na sucessão seria a candidatura própria, mas o partido perdeu o rumo, não tem projeto próprio nem unidade para atrair o governador de Minas, Aécio Neves para a legenda. Se o PMDB indicar o vice de Dilma, será aquele que Lula escolher. Mesmo assim, antes terá que disputar a vaga com o bloquinho de esquerda.

O imprevisto

O ex-ministro da Integração Nacional e cacique político cearense Ciro Gomes, candidato do bloquinho, é um fio desencapado no jogo sucessório. Na avaliação do Palácio do Planalto, o destempero verbal já vitimou Ciro em duas eleições presidenciais e está se encarregando de jogar por terra a tese que tanto defende: duas candidaturas da base do governo na sucessão de 2010. Lula nunca descartou a possibilidade de Ciro ser vice de Dilma, contentando o PMDB com o apoio do PT à reeleição de seus governadores, mas essa alternativa começa a ser vista como um risco na campanha eleitoral por causa do temperamento explosivo de Ciro. Ele é uma espécie de terceiro vértice no triângulo de fogo de uma campanha eleitoral (oxigênio, combustível e temperatura de ignição). O mesmo raciocínio começa a ganhar corpo na cúpula do PSB, partido de Ciro, que prefere reeleger o governador Eduardo Campos em Pernambuco, com apoio do PT. Ou seja, a candidatura de Ciro está morrendo na praia.

Curiosamente, Lula aposta que Aécio será o vice de José Serra no PSDB, contra todas as declarações em contrário. Esse é o sonho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas, mesmo assim, Lula seca a candidatura do governador mineiro a presidente da República, sufocando-a como pode, num jogo tacitamente combinado com o governador paulista José Serra. Essa estranha dialética de unidade dos contrários, porém, enfrenta um grave imprevisto: o linfoma de Dilma, que começou delicada quimioterapia. Lula acredita que a doença não atrapalhará a ministra-chefe da Casa Civil, cuja candidatura até pode se beneficiar da forma corajosa como ela enfrenta a situação. O câncer foi diagnosticado em estágio inicial e, segundo seus médicos, tem cura.

JOÃO UBALDO RIBEIRO

Enrolação que não cola mais

O GLOBO - 26/04/09

Meu primeiro emprego foi em redação de jornal e, no dia a dia da imprensa, já fui desde repórter (esforçado, mas ruim) a chefe de redação (não tão esforçado, nem tão bom). Bom mesmo, ou pelo menos mediano, acho que só como copidesque, no legendário tempo dos copidesques e seus desafios himalaicos, tais como botar em meia lauda o essencial de uma conferência de duas horas - não tenho muita saudade. E editorialista, creio que razoável. Mas o pouco brilho de minha carreira não impediu que tenha vivido praticamente todo tipo de situação por que pode passar a imprensa em geral e um seu órgão em particular. Ou seja, assim ou assado, manjo jornal, o mundo jornalístico e seus valores, conheço suas boas qualidades e seus defeitos e acompanho a imprensa brasileira há mais de meio século.

Devia estar acostumado, portanto, a essa perpétua conversa de que o culpado pelo que de mau acontece é a imprensa, um absurdo tão patente que já deveria ter caído em desuso. Mas não caiu. Pelo contrário, rebrota como as cabeças da hidra de Lerna e chego a pensar numa das muitas ironias que todo o tempo nos exibem seu sorriso sarcástico: a imprensa nunca vai deixar de ser essencial aos governantes, notadamente os incompetentes e corruptos, porque sem ela não haveria em quem pôr a culpa dos desmandos, malfeitorias, burrices e simples e puros crimes por eles cometidos e pela imprensa denunciados.

Responsabilizar a imprensa, por si só, já mostra desdém pela inteligência de quem ouve ou lê. ´Explicação´ tão cediça, mentirosa e evasiva já bem que podia ter sido substituída por outra um tantinho mais elaborada. Mas eles capricham. Vejam só o Gabeira, que é também jornalista, mas deve ter tido um pequeno branco na semana passada. Segundo li, ele disse que a imprensa estava agora atacando a Câmara de Deputados porque esta não é grande anunciante. Ou seja, parece ter deixado implícito que, se a Câmara de Deputados fosse grande anunciante, este jornal, por exemplo, não publicaria esta e outras colunas. Tudo bem, a tal acha ele que se resume a filosofia editorial de um jornal sério, tudo bem, cada um pensa o que quer, diz o que quer e esquece o que quer. E cospe no prato, quando manda a feia necessidade.

Mas o que me surpreendeu mesmo, nessa do Gabeira, foi ele ter contado uma história, na qual revela que acha que nós é muitíssimo mais burro do que nós é. Disse que, quando veio à frente e revelou que também era agente de viagens, como tantos de seus colegas, arranhou sua imagem política espontaneamente. Quem engoliu essa deve filiar-se de pronto ao Alimárias Anônimas mais próximo de sua casa. Claro que o verdadeiro arranhão aconteceria se ele não se antecipasse à revelação, que viria mais cedo ou mais tarde. Aí é que seria chato mesmo e ele, astutamente, se antecipou para eludir o constrangimento, mas acha que pode tapear a gente com outra conversa. Quer dizer, esse negócio de ter certeza de que todo mundo aqui é cretino ou fronteiriço deve ser um vírus que dá lá no Congresso e que acabou pegando o Gabeira também.

Essa patologia acabrunhante já se tinha manifestado antes em declarações do presidente da Câmara, tais como a de que meteram a mão nas passagens até para viagens galantes porque ´não havia regras claras´. Seria de esperar que, não havendo regras claras para a utilização de uma vantagem, o homem público escrupuloso se afastasse dessa vantagem. Mas não, aqui isso justifica o uso e o abuso. Talvez, para que haja regras bem claras onde se diz que circulam tantos ladrões, seja melhor colar etiquetas em tudo: ´Não pode levar este microfone para dar à banda de rock de seu filho´; ´não pode pegar as cadeiras para mobiliar o sítio´; ´os talheres são da casa´; ´o papel higiênico é para uso exclusivo no local´; ´tire a mão daí´, etc. etc.

Disse também o presidente da Câmara que nem todos os deputados são responsáveis por irregularidades ou falcatruas, e não se devem misturar alhos com bugalhos. Ninguém discorda, não se devem misturar alhos com bugalhos, mas quando os próprios alhos se misturam mais com os bugalhos do que clara e gema num ovo mexido, como é que se faz? Por que os alhos, a quem compete essa função e não aos governados, não se livram dos bugalhos, por que os protegem e coonestam? A mistura atingiu o ponto de não-retorno?

E chega também desse papo besta, que tem enchido o país de ensaístas políticos que nunca leram o bê-a-bá de teoria política nenhuma, com essa conversa de que é irresponsável falar mal do Congresso, porque sem Congresso não pode haver democracia. Verdade meio discutível (sem imprensa livre, inclusive Internet, é que hoje não acredito em democracia), mas vamos dar de barato, para não bater boca com quem está por fora até dos fundamentos e nem distingue Estado de Governo, como já peguei muitos. Tudo bem, mas Congresso de merda também não é indício nenhum de existência de democracia, pois perguntem se a Coreia do Norte não tem lá o seu Congresso, assim como teve e tem a maioria das ditaduras. Então, em nome da preservação da Democracia, protege-se um congresso inepto, incapaz, omisso e malquisto e fecham-se os olhos a seus escândalos? Óbvio que um Congresso assim é que é o coveiro da democracia representativa e não os que procuram, por meios lícitos, corrigir seu curso desastroso e, a longo prazo, catastrófico. Quem faz o que faz é ele, não a imprensa, e o inimigo dele é ele, não a imprensa.

Aliás, historicamente, a maior parte da imprensa brasileira tem defendido as instituições democráticas, nas circunstâncias e visão de cada época. Grande parte dos políticos hoje estabelecidos, em qualquer nível, esquece o muito que deve à existência de uma imprensa livre. A qual, aliás, não esquenta demais com isso, porque sabe que dor de barriga não dá uma vez só.

O COMEDOR


MERVAL PEREIRA

Retrocesso ou sintonia?

O GLOBO - 26/04/09

A semana política que se inicia terça-feira em Brasília será fundamental para definir se a Câmara dos Deputados acompanha o sentimento da sociedade brasileira e acata a decisão da Mesa Diretora de restringir o uso de passagens aéreas ao parlamentar em serviço, ou se vai se colocar acima dela para defender interesses fisiológicos dos que querem manter privilégios inaceitáveis. A tese de que os meios de comunicação não refletem necessariamente a opinião média do eleitorado, mas apenas o pensamento das elites brasileiras, que já foi usada com êxito como argumento para que a grande maioria dos deputados envolvidos no mensalão fosse absolvida pela corporação, transforma os deputados em parceiros do nivelamento por baixo de nossa política, e em interessados em que a sociedade não avance, para que seus interesses pessoais permaneçam intocáveis.

Para frustração dos que, na Câmara, consideravam vencida a batalha, a medida "cirúrgica" da Mesa Diretora - que nunca abriu mão da prerrogativa de baixar essas normas - se transformou em Projeto de Resolução, a ser votado em plenário.

O próprio presidente da Câmara, Michel Temer, embora eleito por parte dos que agora se insurgem contra a medida, liderou o movimento de necessária renovação dos hábitos, depois de ter tentado uma solução a La Tancredi, do Leopardo: mudar para permanecer tudo na mesma.

Um recomeço sob novas regras de austeridade e transparência, que já defendi aqui nessa coluna, abrigaria até mesmo um "acordo tácito" que já está em vigor na Câmara, onde os pouquíssimos que não fizeram usos irregulares, mesmo os justificáveis pela tradição, ou ofertaram voos internacionais, não esticam a corda com acusações, para criar um ambiente de entendimento (aliás, está na hora de os jornais fazerem uma lista dos que não utilizaram suas cotas de maneira abusiva).

Parece, no entanto, que uma maioria não abre mão do uso das passagens "a critério exclusivo do parlamentar". Por isso tudo, essa votação de uma questão interna, administrativa, ganhou um peso imenso para a vida futura desta Legislatura e para a credibilidade da política institucional, novamente no fundo do poço.

Esse comportamento retrógrado da Câmara dos Deputados, portanto, afasta ainda mais nossos representantes do Estado moderno, surgido em consonância com a "opinião pública" no século XVIII. O que dizer, então, da moderna democracia digital, que permite que a sociedade acompanhe passo a passo a atuação dos funcionários públicos, que é o que são nossos deputados e senadores?

A legislação de acesso à informação, ferramenta indispensável para o exercício de uma democracia moderna na definição de Rosental Calmon Alves, professor da Universidade do Texas em Austin, hoje é um assunto que mobiliza todos os governos.

Há 20 anos, era assunto apenas dos Estados Unidos e dos países escandinavos. Os países europeus demoraram muito, mas em alguns casos os países pós-comunistas da Europa do Leste foram mais rápidos do que os da Europa Ocidental porque estavam instalando uma democracia nova e esses conceitos eram necessários.

Segundo Rosental, o projeto de lei brasileiro, que o governo promete apresentar até o fim do mês, é bom, mas o ponto polêmico será a necessidade de uma agência reguladora. Ao contrário, o projeto prevê que a Controladoria Geral da União vai assumir esse papel o que seria "como colocar a raposa tomando conta do galinheiro", na definição de Rosental.

Em todos os lugares, a hora do conflito é quando um cidadão quer saber quanto um ministro gastou na viagem que fez à Europa, e em que ele gastou, por exemplo. Ou como nossos parlamentares usaram suas verbas .

A base da lei, segundo Rosental, é que "tudo o que tem a ver com dinheiro público a gente tem direito de saber, e aí alguém vai ter que arbitrar quando um funcionário público recusar a informação".

Nos Estados Unidos, é a Corte Federal que decide se a instância administrativa não quiser divulgar uma informação. As leis mais modernas prevêem uma agência independente, como o México, que é o país que tem a melhor legislação.

Na eleição de 2000, com a sociedade empolgada com a possibilidade de ter o primeiro presidente que não era do PRI, todos os candidatos se comprometeram com isso.

Outro problema grave vai ser o custo, pois cada ministério, cada agência, tem que ter pelo menos uma pessoa encarregado da operação, que exige uma estrutura permanente, pois são milhões de pedidos.

O cidadão paga o custo da digitalização, ou da fotocópia, e a lei nos Estados Unidos especifica que não se pode cobrar pelo serviço nada além do custo da cópia.

Rosental Calmon Alves diz que também evoluiu muito o conceito no Brasil, pois há uns anos havia muita relutância, inclusive dos que, embora favoráveis, achavam que não precisaríamos de uma lei específica, pois já havia o preceito constitucional.

Mas não adianta ter a lei se não é regulamentada, ressalta Rosental, lembrando que o mais importante é o prazo. Um funcionário público que receber um pedido de qualquer pessoa sobre uma informação tem que ter um prazo máximo estabelecido por lei e precisa ser responsabilizado se não obedecê-lo na tentativa de não dar a informação.

Mas será esse Congresso que se agarra a mordomias e se irrita com a revelação de suas irregularidades que vai aprovar uma lei de transparência total de informação pública? Vamos começar a ter a resposta a partir desta semana em Brasília.

INFORME JB

Baixo clero desiste de cobrar regalias

Leandro Mazzini

JORNAL DO BRASIL - 26/04/09

O deputado Sílvio Costa (PMN-PE) baixou a guarda. Ele, que ganhou visibilidade ao peitar a Mesa Diretora da Câmara e cobrar que se mantenha regalias sobre passagens aéreas, telefonou ontem para o presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), e avisou que não vai mais entrar com ação na Mesa para questionar a decisão de restrição das viagens. Costa queria que filhos e cônjuges tivessem o direito, amplo e irrestrito. Na conversa, ele disse a Temer que não é hora de briga, e sim de cortes nos gastos. Temer passou o sábado ligando para líderes de partidos e alguns deputados. Está convencido de que as novas regras, que irão a votação esta semana, vão ser aprovadas. Principalmente porque o voto é aberto, e ninguém quer se desgastar mais com a opinião pública.

Rio 2016 Bairro do Lula

Para ajudar o governador Sérgio Cabral (foto), Lula mandou ministros prepararem o que cada pasta tem de projeto para o Rio, a fim de apresentar à equipe do COI, no Copacabana Palace.

O "cara" passa terça-feira por Manaus para inaugurar o Conjunto Habitacional Presidente Lula, com 500 casas. O nome foi ideia do governador Eduardo Braga (PMDB).

Modesto

Em conversa recente com Braga, Lula disse que não queria de jeito nenhum esse nome. Mas o governador bateu pé.

2010 explica

Apesar dos susto com a saúde, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, anda feliz e descontraída, diz um ministro aliado.

Eu fico

Deve ficar no cargo, por ora, o advogado-geral do Senado Luiz Bandeira, alvo de disputa entre senadores por causa da vaga. A amigos, Bandeira diz que não sai.

Padrinhos

O presidente José Sarney quer Shalom Granado para o lugar de Bandeira, indicado pelo antecessor, Garibaldi Alves.

Susto no Leblon

A concordata da americana GGP, citada aqui semana passada, afetou diretamente negócios no Leblon, onde ela tem sócios.

Carbon free

Mas a LGR, dona de shoppings aqui no país, manteve o capital de giro e não se abateu. Investe na construção de mais um, em Rio Branco (AC), o primeiro do país com a qualidade Carbon Free, ecologicamente correto.

Acessibilidade

O deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) apresentou na Câmara Projeto de Lei 5059/09, que cria centrais de intermediação de comunicação telefônica para pessoa com deficiência auditiva e da fala, através do celular.

Novo Fonte

O governo da Bahia vai demolir em parte o Estádio Fonte Nova para reconstruí-lo para a Copa de 2014. "Vamos priorizar o conceito multiuso", explica o secretário de Planejamento, Walter Pinheiro.

Laranja mecânica

O governador da Bahia, Jaques Wagner, vai reunir-se em Amsterdã, na Holanda, com executivos do grupo que administra a bela arena de futebol da cidade. Quer trazer o know-how deles para Salvador.

CARLOS EDUARDO NOVAES

Torcidas unidas jamais...

JORNAL DO BRASIL - 26/04/09

Já reparou que é cada vez maior o numero de casais formados por botafoguenses e flamenguistas que conseguem se amar acima das paixões clubísticas? Os antropólogos atribuem o fato à quantidade de vezes que Botafogo e Flamengo vêm se enfrentando em decisões ao longo dos últimos anos. As torcidas vão ficando íntimas. A partir de 2007 nunca nasceu tanto mênfogo, que é o cruzamento de alvinegros com rubro-negros. Testes de laboratório afirmam ser esta a melhor combinação entre cromossomos para depurar o sangue do torcedor. A pior é a que gera flascos!

Alan, meu sobrinho quarentão saiu nas folhas semana passada com a camisa do Botafogo abraçado à sua namorada rubro-negra, ilustrando uma dessas reportagens sobre a coexistência pacífica entre casais que torcem por times diferentes. Nem sempre, porém, tal convivência foi possível. Ao ver a foto de Alan com a moça – meio encoberta – lembrei-me da decisão entre Flamengo e Botafogo em 1989. Pedi ao meu sobrinho para levar a filha de um amigo, rubro-negra, que estava sem companhia para ir ao estádio.

– Nem pensar! – reagiu ele. – Não vou chegar ao Maraca com uma flamenguista a tiracolo. Que que minha facção vai dizer? Ela que se vire com a urubuzada!

– Ela é linda, Alan! Culta, educada, não diz palavrão, não xinga o juiz. Você vai gostar dela! Periga até se apaixonar!

– Quem? Eu? Ficou maluco, tio? Jamais vou me interessar por uma rubro-negra. É tão impossível quanto um judeu se apaixonar por uma palestina!

Dois anos depois Alan pagou pela língua, casou-se com uma vascaína e logo se separou por incompatibilidade de gênios. Em 1992, às vésperas da partida final, apresentei Alan a Cris, a filha do amigo, em uma festinha de aniversário. Alan tratou-a com absoluta indiferença e quando a moça começou a exaltar a vitória do Flamengo no primeiro jogo ele deixou-a falando sozinha e se afastou sem sequer pedir licença.

O tempo passou, Alan juntou-se a uma botafoguense de sua torcida organizada e um ano depois se separaram por excesso de compatibilidade de gênios. Os dois concordavam em tudo e a relação caiu na vala da monotonia. Em 2007 Alan e Cris se encontraram por acaso nas cercanias do estádio. Ele me telefonou:

– Estive com a Cris, tio! Nos dois jogos da decisão! Foi a maior coincidência!

– Coincidência seria se ela torcesse pelo Vasco!

– Achei-a muito bacana. Ela nem me gozou pelos pênaltis perdidos!

Em 2008 outra decisão e lá estavam os torcedores de sempre, entre eles Alan e Cris, que voltaram a se encontrar graças ao empenho do meu sobrinho que foi procurá-la no meio da galera rubro-negra. Tinham tanta coisa para conversar (sobre o desempenho dos times durante o campeonato) que entraram no estádio com a partida iniciada. Combinaram de assistir ao segundo jogo juntos na zona neutra, mas – por sugestão de Cris – em trajes comuns, sem as camisas dos clubes.

– Estou me sentindo nu! – gemeu Alan contrariado

Ontem ao chegar de viagem liguei para o sobrinho querendo saber se era Cris quem estava com ele na foto de segunda-feira passada.

– Era a Pat, amiga da Cris que conheci numa dessas decisões, não me lembro qual... É uma rubro-negra fanática, mas que não me impede de vestir o manto do Fogão.

– Já decidiram onde vão ficar no jogo de amanhã (hoje)?

– Na torcida do Flamengo!

– E você vai com a camisa do Botafogo? – assustei-me.

– Qual o problema, tio? Esta é a sexta partida decisiva desde 2007. Já conheço todo mundo!