domingo, março 24, 2019

EU VOTEI CONTRA O PT - OS TRÊS PATETAS E UM JUMENTO!

A Direita não precisa de guru, já temos as idéias. Precisamos de HOMENS para implementa-las e não de twiteiro sem-noção



UM GOVERNO CONTRA AS REFORMAS


Parece não haver aprendizado - SAMUEL PESSOA

FOLHA DE SP - 24;03

O ministro Sergio Moro dá sinais de que se considera ainda um juiz


É natural que uma nova elite política passe por um processo de aprendizado.

A eleição de Jair Bolsonaro representou profunda transição política. Não somente temos uma nova elite política no comando do Executivo nacional como houve troca na direção ideológica. Após um longo domínio de partidos de esquerda ou de centro-esquerda, foi eleito um presidente com claro discurso liberal na economia e conservador nos costumes.

Como escrevi há três semanas, Bolsonaro se meteu em uma armadilha da qual está difícil sair. Na verdade, não é possível saber se ele deseja sair.

Governo de regime político multipartidário, independentemente de ser parlamentarista ou presidencialista, será de coalizão. Esse é um fato da vida. Não é possível lutar contra ele.

No presidencialismo multipartidário brasileiro, há dois tipos de moeda de troca legais. Compartilhar poder em torno de um programa, que envolve negociar cargos e posições no gabinete após a negociação de um programa e projeto de país, e a liberação de emendas em contrapartida ao apoio do parlamentar a projetos de interesse coletivo.

A evidência empírica da ciência política brasileira é que os presidentes que compartilham mais o poder, construindo coalizões mais programáticas, usam menos intensamente a liberação de emendas. (ver capítulo 3 de "Making Brazil Work", de Marcus Melo e Carlos Pereira.)

Possivelmente —e a evidência empírica aqui não é tão clara, em razão da natureza do fenômeno—, o nível de corrupção também será menor.

Na campanha eleitoral, Bolsonaro demonizou a parte mais nobre da política.

O problema maior é que não há sinais de que esteja havendo um processo de aprendizado. Pelo contrário, as declarações do presidente ao desembarcar em Santiago no Chile, na semana passada, sinalizam que ele dobra a aposta na estratégia de governar apartado do Congresso Nacional, isto é, da política.

A dificuldade de Bolsonaro de descer do palanque e governar faz com que a lua de mel seja desperdiçada em temas laterais e, mais recentemente, em discussões públicas muitas vezes internas ao governo.

O governo se recusa a tocar a política da forma tradicional por considerar que perderá sua base popular de apoio. Paradoxalmente está perdendo a sociedade por não o fazer. A forte queda da popularidade noticiada na semana passada ilustra esse fato.

Para piorar a situação, o ministro da Justiça, Sergio Moro, dá sinais de que se considera ainda um juiz. Juiz assina a sentença e cumpre-se. Ministro envia projeto de lei para o Congresso e negocia. Fazer cobrança pública ao presidente da Câmara não parece ser muito efetivo.

A sociedade passou dois anos no governo Temer discutindo a reforma da Previdência. Os políticos estão cientes da gravidade da situação fiscal. Há clima para aprovação.

Por outro lado, o governo está com a faca e o queijo na mão. O presidente Temer deixou a casa bem arrumada e o caminho —a depender de uma solução para o problema fiscal— livre para uma retomada do crescimento, mesmo que pouco brilhante.

Difícil imaginar que as atrapalhadas do governo poderão colocar tudo a perder. Mas é para lá que parece que estamos caminhando.

A política não arrumará a situação fiscal por gravidade. Sem tocar a política, nada será aprovado.

Samuel Pessôa

Pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV) e sócio da consultoria Reliance. É doutor em economia pela USP.

'Parece que o pau está comendo' - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 24/03

Ideólogo do bolsonarismo prega agitação, propaganda e democracia direta tuitada


"O poder no Brasil está em guerras", se escrevia aqui, no domingo passado (17). "Parece que o pau está comendo", disse na sexta-feira (22) o ministro Paulo Guedes (Economia), que fazia troça da semana de confrontos explícitos entre as turmas do poder.

Gente no centro do governo, porém, fazia teoria do conflito e da importância da rebelião das massas para o sucesso do governo de Jair Bolsonaro.

Filipe Martins, assessor da intimidade presidencial, um ideólogo do bolsonarismo e de seu núcleo de agitação e propaganda, pregou no Twitter nove teses sobre a missão da "ala antiestablishment" do governo: derrubar a "oligarquia" atiçando as massas, por meio de pressão popular direta, o que substituiria a "velha política". Leia mais abaixo um resumo desse manifesto bolsonarista, também um grito de guerra dentro e fora do governo.

Nesta semana, ficaram mais graves os atritos entre o Supremo e os procuradores militantes; entre Congresso e Planalto. O líder lava-jatista, o ministro Sergio Moro (Justiça), chocou-se com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que, por sua vez, abdicou do posto de articulador-geral parlamentar de Bolsonaro.

Maia estava sendo flagelado pelas falanges de Bolsonaro nas redes insociáveis, caçado por ser um representante da "velha política" e, em última análise, por tentar reunir uma coalizão parlamentar de apoio ao governo ou, pelo menos, à reforma da Previdência.

Mas os remendos de coordenação política que havia se desmilinguiram na semana passada.

Para piorar, no Chile, Bolsonaro dissera que a governabilidade e acordos políticos baseados em divisão de poder (cargos) criam situações propícias à corrupção.

O presidente e o núcleo ideológico de seu governo estão afinados. Trata-se do grupo comandado por seus filhos Carlos e Eduardo, que puseram Filipe Martins no cargo de assessor de assuntos internacionais de Bolsonaro, todos eles muito ligados ao influenciador digital Olavo de Carvalho.

Essa "ala antiestablishment do governo", apelido dado pelo próprio Martins, disputa o comando do Itamaraty com os militares, procura dominar o Ministério da Educação e tentou controlar a Secretaria de Comunicação, que ocupa oficiosamente por meio de contas nas redes sociais. Acredita que o bolsonarismo é uma revolução nacional e popular; que seu instrumento é a democracia direta tuitada.

"Há uma tentativa" de isolar e difamar a "ala antiestablishment" do governo, tuitou Martins, na sexta-feira. O ataque a esse núcleo puro do bolsonarismo teria como objetivo "quebrar a mobilização popular" que elegeu Bolsonaro e o dispensou da aliança com os "donos do poder".

Esse movimento seria o combustível do sucesso do governo, a "única forma" de fazer reformas liberais, aprovar o pacote anticrime e preservar a Lava Jato, argumenta Martins.

A mobilização popular, por sua vez, depende da "agenda de ideias e valores da ala antiestablishment do governo". A cooperação com os oligarcas e a aceitação da velha política não seriam meios de "romper com o sistema patrimonialista que existe há 500 anos".

É preciso, pois, que as diferentes alas do governo se organizem de modo a reforçar a pressão popular ao ponto de que os integrantes do sistema político temam por sua sobrevivência política. "É necessário, em suma, mostrar que o povo manda", proclama Martins.

É um chamado para um levante virtual das falanges da ultradireita.

Vinicius Torres Freire

Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA).

"Não tem governo" - ELIANE CANTANHÊDE

O Estado de S.Paulo - 24/03


Rodrigo Maia: “É um governo vazio, sem ideia, sem proposta, sem articulação”


Mais uma semana infernal no Congresso, no Executivo, no Judiciário, no mercado e, muito especialmente, no twitter. Começou e terminou com o presidente Jair Bolsonaro ajustando as posições brasileiras às de Donald Trump, enquanto o Brasil pegava fogo. Mais um ex-presidente preso, o presidente da Câmara em pé de guerra e os filhos do presidente desgovernados nas redes sociais.

A maior vítima é a reforma da Previdência, que sofreu vários solavancos: críticas no Congresso à proposta dos militares, considerada mais branda do que para outras categorias; parlamentares do PSL comemorando a prisão de Michel Temer, maior nome do MDB; a queda de 15 pontos na popularidade de Bolsonaro no Ibope; a desarticulação do governo com sua base.

Nada, porém, foi tão nocivo às chances da reforma da Previdência quanto os ataques de bolsonaristas e até do governo ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que é, nada mais, nada menos, a peça principal para a aprovação da proposta no Congresso.

De pavio curto, como se sabe, Maia não gostou quando o ministro Sérgio Moro se reuniu com a “bancada da bala” e disse que iria insistir na tramitação do pacote anticrime o quanto antes. Maia, que tinha acertado com Bolsonaro dar prioridade à Previdência e deixar o pacote Moro para o segundo semestre, deu um pulo. E avisou que não falava com funcionários, só com o chefe. Ou seja, não falava com Moro, só com Bolsonaro.

O clima piorou quando Carlos Bolsonaro, o 02, usou a trincheira da internet para defender Moro e atacar o presidente da Câmara com insinuações. A coisa mudou de figura. E de patamar. Nesse meio tempo, Maia ameaçou não receber o projeto dos militares e abandonar a articulação da reforma, furioso com uns e outros. Inclusive os que usaram a prisão do padrasto da sua mulher, Moreira Franco, para atingi-lo.

Quando liguei para ele, Rodrigo Maia contra-atacou: “Não tem governo. É um governo vazio, que não tem ideia, proposta, articulação”. E continuou: “Para dissimular, criou esse confronto do bem contra o mal, do bonito contra o feio, do quente contra o frio. Eles são o bem, os bonitos, os quentes. E nós, os políticos, somos os maus, os feios. É só para manter a base ultraconservadora na internet”.

Bolsonaro sabe que a reforma da Previdência é questão de vida ou morte para o País e para o governo dele, mas finge que não queria, que não é com ele. “Ele tira o corpo fora e vende a imagem de que nós é que estamos obrigando o governo a fazer a reforma”, diz Maia.

Ainda na sexta-feira, o filho 01, senador Flávio Bolsonaro, tentou consertar o estrago (pelo twitter...) e elogiou o presidente da Câmara: “Assim como nós, ele está engajado em fazer o Brasil dar certo”. Maia devolveu o elogio, mas com ressalva: “O Flávio é bom, mas ele é do Parlamento, não do Executivo”.

É assim que o governo, em vez de aglutinar, vai dividindo, afastando, criando atritos, dificultando não só a reforma da Previdência como a sua própria vida. O 01 tem mais noção política e mais responsabilidade, mas o 02 e 0 03 precisam lembrar que Bolsonaro não governa para seus eleitores, muito menos para os eleitores genuínos (que votaram efetivamente nele, não contra o PT). Governa para todos.

O Planalto não pode correr o risco de perder o apoio de Maia, porque ele abriria uma longa fila de adversários, o DEM, o PSDB, o MDB, parte dos evangélicos do PRB e vai por aí afora. O que sobraria? O PSL, novo inexperiente e dividido?

O pior é que a culpa da guerra de guerrilhas na internet sempre cai sobre os filhos, mas Maia tem uma certeza: “É tudo patrocinado por ele”. Quem é ele? Jair Bolsonaro.

Bolsonaro e sua estranha diplomacia sem Estado - ROLF KUNTZ

O Estado de S.Paulo 24/03

Presidente, no Brasil, é chefe de governo e de Estado. Falta explicar os termos ao presidente



Depois de prestar vassalagem a seu ídolo e modelo Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro foi a Santiago com a anunciada intenção de enterrar a quase esquecida Unasul, uma irrelevante invenção bolivariana, e participar da criação de um bloco proposto pelo colega chileno Sebastián Piñera. Nenhuma das duas visitas tem relação clara com interesses de Estado. As duas foram motivadas por objetivos ideológicos e até religiosos, sem conexão com os atributos essenciais da entidade conhecida como República Federativa do Brasil. Essa entidade é laica e sua Constituição garante, além da “livre manifestação do pensamento”, a “liberdade de consciência e de crença”. É uma aberração, portanto, a ideia de uma diplomacia cristã, proclamada pelo embaixador Ernesto Araújo, ocupante formal do posto de ministro de Relações Exteriores. Na tradição do Itamaraty, violada algumas vezes no passado e simplesmente ignorada no atual governo, a diplomacia se faz em nome do Estado.

O chanceler e seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro, estão muito longe dessa tradição. Isso foi comprovado de forma indisfarçável na visita presidencial a Washington. Na Casa Branca ele falou de um Brasil engajado com os Estados Unidos. Não falou de afinidades ou simplesmente de interesses comuns, mas de engajamento, numa condição de clara subordinação. Além disso, a afinidade, se fosse mencionada, seria entre países ou ente governantes? A hipótese correta, nesse caso, é a segunda.

O presidente brasileiro confunde a relação entre ele e Trump com a relação entre os dois Estados soberanos ou mesmo entre os povos do Brasil e dos Estados Unidos. O presidente Trump nem sequer teve a maioria dos votos populares. Perdedor nesses votos, ele foi escolhido por um colégio eleitoral constituído a partir de resultados obtidos em diferentes Estados, como determina a regra eleitoral americana.

O presidente brasileiro parece desconhecer esses dados ou menosprezá-los. Em sua visão, os valores trumpianos devem representar os da verdadeira cultura americana, embora ele mesmo, Bolsonaro, nem se expresse dessa maneira. Longe dessas e de outras distinções, ele ignorou sua posição de autoridade estrangeira ao defender a construção de um muro na fronteira com o México e as ideias de Trump sobre imigração – temas de disputa entre americanos.

Como se isso fosse pouco, ainda afirmou, depois da reunião na Casa Branca, acreditar “piamente” na reeleição do presidente Trump. Um de seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro, mais poderoso que o chanceler Araújo, havia posado para fotos, alguns meses antes, com um boné de campanha do presidente americano. Acompanhando o pai em Santiago, esse filho profetizou ser necessário o uso da força para afastar o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Em Washington, Bolsonaro pai evitou dizer, depois da conversa com Trump, se apoiará ou deixará de apoiar uma intervenção armada na Venezuela. Quem discordar da palavra vassalagem pode substituí-la por algum termo talvez mais preciso. Mais difícil será mudar os fatos e a história da visita a Washington.

A mesma preocupação essencialmente ideológica e religiosa marcou a ida a Santiago. O próprio Bolsonaro reconheceu estar morta há muito tempo a Unasul (União de Nações Sul-Americanas), símbolo irrelevante do bolivarianismo e da diplomacia chavista, apoiada pelo brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Mas como poderia deixar de mencionar essa experiência fracassada e inócua?

Para Bolsonaro, o Prosul (Foro para o Desenvolvimento e Progresso da América do Sul), associação proposta pelo presidente chileno, Sebastián Piñera, deverá promover “democracia, liberdade e prosperidade”. O próprio Piñera usa linguagem mais cautelosa, nega o objetivo de substituir ideologicamente a Unasul e fala de um “foro de diálogo, de encontro e de colaboração”, desenhado para valorizar “a integração e o desenvolvimento de todos”.

Os objetivos e formas de operação do Prosul ainda são pouco claros. Além disso, a integração sul-americana mal começou. As experiências mais bem-sucedidas, até agora, são as de associação com fins econômicos. A Aladi abriu caminho para a constituição do Mercosul e, mais tarde, da Comunidade Andina e da Aliança do Pacífico, fundada por Chile, Colômbia, Peru e México. O Mercosul começou bem, mas encalhou por causa da aliança desastrosa entre o kirchnerismo e o lulismo.

Os presidentes Mauricio Macri, da Argentina, e Michel Temer, do Brasil, ensaiaram um esforço de reparação e de recuperação do bloco, mas pouco avançaram. O governo Bolsonaro nunca mostrou interesse em continuar esse trabalho. Ao contrário, tem tratado o Mercosul como irrelevante e isso foi comprovado, mais uma vez, pela programação das duas primeiras viagens do presidente brasileiro ao exterior.

Os interesses particulares e ideológicos do kirchnerismo e do lulismo quase liquidaram o Mercosul. Governantes mais pragmáticos, mais competentes e mais comprometidos com interesses de Estado poderiam reanimar esse bloco e iniciar outros esforços de integração regional – entendidos, de preferência, como criação de condições para uma inserção global eficiente e competitiva. Nenhum governo pode esgotar esse tipo de tarefa. Empreendimentos desse tipo envolvem compromissos de Estado, mantidos acima das mudanças de governos e partidos.

No caso do Brasil, o avanço nessa direção dependeria de uma recuperação da tradição diplomática. Seria preciso restabelecer a diplomacia como atividade de Estado. Isso dificilmente será feito enquanto o presidente for incapaz de distinguir os valores e objetivos de grupos e de partidos dos valores e interesses da República.

Num regime como o brasileiro, o chefe de governo é também chefe de Estado. O presidente Bolsonaro tem mostrado escasso conhecimento e quase nenhum preparo para qualquer das duas funções típicas da Presidência. Se essa é a condição do chefe, como esperar uma diplomacia exercida em nome de interesses de Estado?

A janela pode se fechar - MARCOS LISBOA

FOLHA DE SP - 24/03

Planalto parece dar um passo para a frente e dois para trás


Quem sabe o susto imenso da última semana não ajude a evitar o desastre?

A expectativa de que o país conseguiria encaminhar uma agenda de reformas para interromper a degradação das contas públicas e evitar a volta da recessão foi solapada por uma proposta inoportuna e conflitos disfuncionais.

Em meio às negociações sobre a reforma da Previdência, o governo enviou ao Congresso uma proposta para as carreiras dos militares que procura corrigir distorções acumuladas por mais de uma década.

Difícil imaginar momento mais inadequado. Afinal, a Câmara começava a discussão sobre a nova Previdência, que reduz benefícios de servidores públicos e aumenta o tempo de contribuição dos trabalhadores formais do setor privado.

No debate público, as percepções são tão relevantes quanto os fatos. É verdade que os salários dos militares estão defasados em comparação com outras carreiras do setor público. Também é verdade que o atual governo congrega militares nos principais cargos como não se via desde os anos 1980.

Qualquer aprendiz de político poderia antecipar que a proposta seria mal recebida. O governo parece conceder benefícios para as tropas enquanto propõe sacrifícios para os demais. Não é bem assim, mas o protagonismo na política pública cobra seu preço.

Quem lidera um país deve dar o exemplo. Se os militares querem estar à frente da política pública, então deveriam saber que têm de arcar com o ônus de não propor, neste momento, a recomposição de perdas de tantos anos.
Bolsonaro entrega proposta para Previdência dos militares

Como se não fosse suficiente, a nova política parece jogar o bebê fora junto com a água do banho. Certamente a corrupção é inaceitável.

No entanto, tratar o presidencialismo de coalizão como equivalente à corrupção é condenar a vida cotidiana por conta das suas possíveis patologias. Algo como proibir os automóveis pela existência de motoristas psicopatas.

A boa política, a negociação sobre a agenda do governo e a nomeação dos seus gestores, permite à sociedade mediar conflitos e construir soluções. Seu benefício colateral é impedir o desastre das guerras.

O Planalto parece estar em uma estranha dança de um passo para a frente e dois para trás. Faz gestos para negociar a reforma e, ao mesmo tempo, revela-se conivente com o desprezo pela boa política.

Sabemos que o presidente foi omisso sobre as reformas na campanha e tem um histórico de defender interesses corporativos com a virulência dos sindicalistas. Pois bem, agora lidera o governo e há um país que ameaça sangrar. Gestos de boa vontade e diálogo com a oposição são fundamentais para enfrentarmos os nossos graves desafios.

Há uma janela de oportunidade, mas ela pode se fechar.

Marcos Lisboa

Presidente do Insper, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (2003-2005) e doutor em economia.

Certa deterioração - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 24/03

Erros, desatinos e trepidações ameaçam cacife político do presidente e reformas


Sintomas de deterioração política em torno do presidente da República se avolumaram nos últimos dias. Erros e desatinos originados no Planalto e em sua vizinhança se somaram a litígios novos, ou redivivos, espocados em outros núcleos de poder da República, com efeitos secundários na governabilidade.

Enquadra-se nesse caso a prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB), de fundamentação duvidosa. Há coincidências com a operação que, em maio de 2017, expôs a tenebrosa conversa entre o então presidente Temer e o empresário Joesley Batista —gravíssima, sem dúvida, mas tratada com visível açodamento pela Procuradoria.

À época, tal como agora, procuradores, policiais e magistrados —privilegiados por regimes salariais e de aposentadoria sob questionamento no Congresso— produziram um fato capaz de prejudicar o andamento da reforma da Previdência Social.

A diferença, desta vez, é que o corporativismo da elite do funcionalismo pode contar com a ajuda, aparentemente involuntária, do presidente da República.

Foi assinado por ele o projeto que pretende elevar a remuneração dos militares, generoso a ponto de praticamente esterilizar a poupança esperada com as novas regras propostas para as pensões.

A caixa de Pandora dos pedidos de equiparação, da parte de outras categorias que se consideram especiais e merecedoras de aumento salarial ou proteção na aposentadoria, está prestes a ser aberta. Assim começaram a morrer, no Brasil dos últimos 30 anos, muitas iniciativas para sanear as contas públicas e combater desigualdades.

O chamado bolsonarismo, no entanto, vai muito além nas suas atitudes estúpidas, que costumam percorrer um trajeto mais ou menos curto até se voltarem contra os interesses do próprio presidente.

É o caso de provocações baratas contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o mais efetivo defensor das reformas orçamentárias entre os chefes de Poder.

Diante do deserto que se descortina na capacidade de articulação parlamentar do Executivo, alvejar Maia só reduz as chances de sucesso no Legislativo dessa agenda crucial para o futuro do país e para o sucesso político de Bolsonaro.

O custo de colocar panos quentes, como fez o círculo presidencial após perceber o estrago, sempre supera o de controlar a máquina de dizer e fazer bobagens a seu redor.

O presidencialismo brasileiro funciona mal quando o chefe do Executivo é uma fonte de incertezas. As grandes tacadas da administração, como é a Previdência para Bolsonaro, não andam sem grande dedicação pessoal do mandatário.

Isso porque todos sabem que é dele o maior triunfo nas vitórias, assim como é ele quem arca com o preço mais elevado nas derrotas.

FUJA DO FINAL FELIZ - GUILHERME FIÚZA

GAZETA DO POVO - PR - 24/03

"O Brasil despencou no ranking de felicidade da ONU. Encontra-se agora 16 posições abaixo da que estava quando Dilma Rousseff ainda era presidente. A felicidade da ONU é para os fortes.

Deve estar aí a explicação para o fato de que Dilma, a feliz testa de ferro do maior assalto da história, continua solta por aí. Só pode ser a proteção invisível do escudo inexpugnável da felicidade. Desde que ela foi deposta, o bom observador notou a escalada da tristeza nacional refletida nos olhos marejados da ONU – especialmente enquanto a entidade soltava, por meio daqueles seus diligentes subcomitês, os alertas internacionais “Lula livre”.

É muito triste mesmo você usar a sua milionária máquina burocrática em favor de um ladrão simpático – e absolutamente honesto – para, no final das contas, constatar que ele continua vendo o sol nascer quadrado. O novo relatório da ONU deveria trazer na capa uma epígrafe sintetizando a filosofia da esperança que nunca morre: “A chave da felicidade está logo ali, na mão do carcereiro”.

Faltou a epígrafe, mas o Brasil não tem do que se queixar em relação a essa organização amiga dos amigos, companheira dos companheiros. A ONU fez tudo que estava ao seu alcance para ver os brasileiros felizes – particularmente aquele mesmo ladrão simpático, picareta do coração, que quando ainda não estava em situação de xadrez andou se encontrando por aí com uns ovos voadores muito mal-educados.

Foi quando Dilma, a nossa última musa da felicidade, alertou a ONU com uma sagacidade quase profética: o ônibus do Lula ia passar por uma área perigosa do Paraná e ela estava preocupada com o que poderia acontecer… Vejam o que é a intuição de uma mulher sapiens. Não deu outra: em lugar dos ovos, tiros atingiram um ônibus da caravana petista – não o que levava o ex-presidente, por coincidência – e mesmo ninguém sabendo dizer onde, quando, por que ou como aquilo aconteceu, a ONU avisou ao mundo, praticamente em tempo real, que tentaram matar o Lula.

O atentado mais misterioso da história, sem uma única testemunha, virou manchete no mundo inteiro como uma ameaça à democracia brasileira em ano de eleição presidencial. No centro de tudo, a vítima das vítimas, o pobre milionário mais querido do planeta, o filho do Brasil e enteado da ONU que queria ser candidato para não ser preso. Cada um com seu projeto de felicidade.

Durante a eleição, um dos adversários do PT, mais especificamente o candidato que liderava as pesquisas, foi esfaqueado em praça pública. Dessa vez, a testemunha do atentado era todo mundo – dava até para ver a lâmina entrando e saindo da barriga por vários ângulos. Mas a tentativa de assassinato deve ter coincidido com o dia de folga da ONU: ela só foi se manifestar sobre o assunto umas 24 horas depois, dizendo basicamente que aquilo não se faz (poderia pelo menos ter explicado que lugar de faca é na cozinha, mesmo que isso não esteja previsto na Convenção de Genebra).

Estardalhaço em tempo real não é para qualquer um – só com amor de mãe e aviso da Dilma, a musa da felicidade.

Vale dizer, a propósito, que depois do impeachment a ONU virou uma espécie de testemunha ocular da infelicidade brasileira. Reforma trabalhista acabando com a mamata dos sindicatos? Não interessa. Segundo a ONU, um golpe elitista e autoritário nos direitos do trabalhador. Medida de controle fiscal para acabar com a orgia contábil do PT? Nada disso: segundo a ONU, a PEC do Fim do Mundo ia deixar crianças com fome nas escolas da periferia.

Como não amar uma entidade dessas, tão dedicada a cuidar incondicionalmente da felicidade dos seus pilantras de estimação? O que mais pode desejar um povo do que ser roubado por gente com boas conexões em Nova York, onde não se perde a ternura jamais?

O que terminou de azedar a situação do Brasil no ranking foi a retirada do apoio ao ditador gente boa da Venezuela (cujo massacre a ONU nunca viu mais gordo) e a turnê fracassada de um exilado profissional do PSOL – estrela cadente da agência internacional de felicidade.

Se os brasileiros fizerem a reforma da Previdência e tirarem suas contas do buraco, provavelmente serão diagnosticados no ranking da ONU com depressão profunda. O jeito é continuar fugindo do final feliz."

Só ‘vontade de Deus’ não basta - EDITORIAL O ESTADÃO

ESTADÃO - 24/03

Cada dia que passa é um dia a menos que o governo tem para articular sua base com vista a aprovar a reforma da Previdência



Cada dia que passa é um dia a menos que o governo tem para articular sua base com vista a aprovar a reforma da Previdência, mas o Palácio do Planalto e seus operadores políticos parecem longe de compreender a urgência do problema. As advertências de deputados e senadores ao governo deixaram de ser apenas murmuradas e passaram a frequentar discursos e entrevistas em que as queixas são expostas de maneira explícita. Hoje parece haver um consenso segundo o qual o presidente Jair Bolsonaro precisa mudar o modo como negocia o apoio para a reforma, sob o risco, cada vez mais concreto, de ser derrotado.

A questão central é que os parlamentares que apoiam a reforma e se dispõem a liderar o esforço por sua aprovação estão cada vez mais descontentes com o fato de que o próprio Bolsonaro não se apresenta para defender com vigor a proposta. Não são poucos os que temem arcar sozinhos com o ônus político da reforma enquanto o presidente hesita ante a natural impopularidade do tema – quinta-feira passada, por exemplo, Bolsonaro disse que, “no fundo, não gostaria de fazer a reforma da Previdência”, embora reconheça que seja necessária.

O fato é que Bolsonaro parece raciocinar ainda como deputado, condição que o tornaria mais suscetível à pressão de suas bases, e não como presidente, que deve governar para o conjunto da sociedade, com coragem para tomar medidas que podem eventualmente desagradar a seus eleitores.

A julgar pela desorganização de sua articulação política – até mesmo um dos filhos do presidente, o vereador carioca Carlos Bolsonaro, diz ter sido designado para fazer contatos com deputados em nome do pai –, soa otimista a previsão oficial de que a reforma da Previdência possa ser votada ainda no primeiro semestre e de que faltariam pouco menos de 50 votos para aprová-la, como disse o ministro da Economia, Paulo Guedes.

O governo dá a impressão de apostar que Bolsonaro, por ter sido eleito pela “vontade de Deus”, como disse na recente visita aos Estados Unidos, aprovará no Congresso todas as pautas de seu interesse sem necessidade de negociação. Não é o que pensam, contudo, os principais parlamentares empenhados na aprovação da reforma. Para esses políticos, só a “vontade de Deus” não basta quando se trata de convencer três quintos da Câmara a aprovar uma emenda constitucional, especialmente a que endurecerá as regras para a aposentadoria.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, por exemplo, alertou que a Casa “não tem 320 liberais” e que será preciso convencer até 280 deputados que não foram eleitos com a agenda da reforma da Previdência.

Se já não seria tarefa simples mesmo para experimentados articuladores, essa empreitada tende a ser muito mais complicada se o governo não se dispõe a fazer política. Até deputados da chamada bancada evangélica têm reclamado da falta de diálogo. Ademais, quando o presidente da República se reúne com parlamentares para ouvir reivindicações com vista a obter apoio à reforma e em seguida vai às redes sociais se queixar de que “a velha política” está “querendo nos puxar para fazer o que eles faziam antes”, manda uma mensagem ambígua sobre sua disposição para negociar.

Ao dar a entender que todas as demandas dos parlamentares são fisiológicas, o presidente colabora para criar um clima de fricção com o Congresso. Não surpreenderá se alguns dos parlamentares que hoje colaboram abertamente com o governo para costurar apoio à reforma da Previdência passarem a ficar reticentes, à espera de um suporte mais explícito do presidente. O próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ameaça abandonar a articulação se continuar sob ataque das milícias virtuais bolsonaristas e dos filhos de Bolsonaro, sob o olhar complacente do pai.

Não basta a Bolsonaro dizer que a aprovação da reforma da Previdência vai acontecer só porque seu governo adotou “uma maneira diferente de negociar”, em que “o sentimento patriótico e a busca do consenso são fundamentais”, como escreveu em artigo publicado no jornal Valor. Como deveria saber qualquer iniciante na vida política, apelos patrióticos podem até animar eleitores e militantes, mas não costumam ser suficientes para arregimentar apoio no Congresso, ainda mais quando o presidente da República pede votos a favor, mas age como se fosse contra.

sábado, março 23, 2019

Contra a velha política, surge uma nova balbúrdia - JOSIAS DE SOUZA

UOL - 23/03
Há algo de suicida no comportamento de Jair Bolsonaro. O doutor Paulo Guedes, homem forte da Esplanada, informa que, sem a reforma da Previdência, sobrevirá o Apocalipse. O governo só dará certo, portanto, se entregar a reforma. Na Câmara, exigem-se 308 votos. Para obtê-los, é preciso adotar três providências: dialogar, dialogar e dialogar. Mas Bolsonaro prefere fazer cara de nojo. Se continuar agindo assim, Dilma Rousseff vai acusá-lo de plágio.

Bolsonaro escolheu governar no mundo das redes sociais. É muito parecido com o País das Maravilhas. Ali, quem ousa mostrar o mundo real é acusado de conspirador. É isso o que está acontecendo com Rodrigo Maia. Grão-tuiteiro do reino, Carlos Bolsonaro foi ao país do cristal líquido para instruir os navegadores a cortarem a cabeça do presidente da Câmara. Após intensa refrega, Maia aconselhou Bolsonaro, o pai, a dedicar mais tempo à Previdência do que ao Twitter. Foi como se o deputado ecoasse Alice: "Vocês não passam de um baralho de cartas".

No país de Alice, a honestidade de Bolsonaro tornou-se uma virtude negativa. À medida que seu governo vai penetrando o caos legislativo, o presidente vai enumerando os mandamentos de sua honra. Todos começam com não. Coisas assim: Não colocarei bandido no ministério, não farei o toma-lá-dá-cá, não farei concessões à velha política, não isso, não aquilo.

No gogó, tudo soa muito lindo. Entretanto, no mundo das coisas práticas, um presidente que se escora no vocábulo da negação fica muito parecido com o sujeito que leva a família ao restaurante, acomoda-se numa mesa e, na hora de pedir a comida, enumera para o garçom todos os pratos que não deseja experimentar. A família volta para casa com fome e o filho do meio vai às redes para falar mal do estabelecimento.

Não existe velha nem nova política. Existe a boa política e a cleptopolítica. A Lava Jato demonstrou que, nos últimos anos, o índice de corrupção não aumentou no Brasil. Continua nos mesmos 100%. O presidente faz bem em tomar distância do modelo em que a governabilidade é obtida na base do "uma mão suja a outra". Mas é uma tolice negar a evidência de que não há política sem escambo.

É natural que os congressistas sejam portadores de demandas do seu eleitorado. Bolsonaro dispõe de uma vacina capaz de imunizá-lo contra a radioatividade da formação de consórcios partidários. Basta comunicar aos integrantes da sonhada maioria parlamentar: "Não me peçam nada que subverta o interesse público. No meu governo, não se toma e não se dá nada que não possa ser exposto na vitrine."

Fora disso, a retórica do combate à velha política não serve senão para abrir o caminho que conduz a uma nova balbúrdia. Jair Bolsonaro e sua dinastia sempre poderão correr às redes sociais para acusar o Congresso de bloquear as propostas do governo. Mas já ficou entendido que esse tipo de fuga serve para criar crises, não para evitar o Apocalipse de que fala Paulo Guedes.

O Pensamento de Frédéric Bastiat - JOÃO LUIZ MAUAD

O Pensamento de Frédéric Bastiat

INSTITUTO LIBERAL
Claude Frédéric Bastiat (30/06/1801 — 24/12/1850) foi um economista, jornalista e parlamentar francês. A maior parte de sua obra foi escrita durante os anos que antecederam e que imediatamente sucederam a Revolução de 1848. Nessa época, eram grandes as discussões em torno do socialismo, para o qual a França pendia fortemente. Como deputado, teve a oportunidade de se opor vivamente às ideias socialistas, fazendo-o através de seus discursos e panfletos, vazados em estilo cheio de humor e sátira.
“Quando o saque se torna um modo de vida, os homens criam para si um sistema legal que o autoriza e um código moral que o glorifica.”
“Quando a opinião pública equivocada honra o que é desprezível e despreza o que é honroso, pune a virtude e recompensa o vício, encoraja o que é prejudicial e desencoraja o que é útil, aplaude a falsidade e sufoca a verdade sob indiferença ou insulto, uma nação vira as costas para o progresso, que só pode ser restaurado pelas terríveis lições de catástrofe.”
“O socialismo, como as idéias antigas das quais ele brota, confunde governo e sociedade. Como resultado disso, toda vez que nos opomos a uma coisa que está sendo feita pelo governo, os socialistas concluem que nos opomos a que isso seja feito. . . . É como se os socialistas nos acusassem de não querer que as pessoas comam porque não queremos que o estado plante grãos”.
“Se as tendências naturais da humanidade são tão ruins que não é seguro permitir que as pessoas sejam livres, como as tendências desses governantes são sempre boas? Os legisladores e seus agentes nomeados também não pertencem à raça humana? Ou eles acreditam que eles mesmos são feitos de argila mais fina do que o resto da humanidade?”
“A pilhagem legal pode ser cometida de um número infinito de maneiras; portanto, há um número infinito de planos para organizá-lo: tarifas, proteção, bônus, subsídios, incentivos, imposto de renda progressivo, educação gratuita, o direito ao emprego, o direito ao lucro, o direito a salários, o direito ao alívio , o direito às ferramentas de produção, crédito isento de juros, etc., etc. E é o agregado de todos esses planos, em relação ao que eles têm em comum – a pilhagem legal -, que passa sob o nome de socialismo.”
“Esta questão do saque legal deve ser resolvida de uma vez por todas, e existem apenas três maneiras de resolvê-lo: (1) Os poucos saqueiam muitos. (2) Todo mundo rouba todo mundo. (3) Ninguém rouba ninguém.”
“Nada é mais sem sentido do que basear tantas expectativas sobre o estado, isto é, assumir a existência de sabedoria e previsão coletivas, depois de tomar por certo a existência de imbecilidade e imprevidência individuais.”
“Existe em todos uma forte disposição para acreditar que qualquer coisa legal também é legítima. Essa crença é tão difundida que muitas pessoas têm erroneamente sustentado que as coisas são “justas” porque a lei as faz assim.”
“Eu acredito que minha teoria está correta; seja qual for a questão sobre a qual estou argumentando, seja religiosa, filosófica, política ou econômica; se isso afeta o bem-estar, moralidade, igualdade, direito, justiça, progresso, responsabilidade, propriedade, trabalho, troca, capital, salários, impostos, população, crédito ou governo; em qualquer ponto do horizonte científico de onde parti, invariavelmente chego à mesma conclusão – a solução do problema social está na liberdade.”
“O custo real do Estado é a prosperidade que não temos, os empregos que não existem, as tecnologias a que não temos acesso, os negócios que não existem e o futuro brilhante que nos é roubado.”
“Deve-se admitir que a tendência da raça humana para a liberdade é em grande parte frustrada, especialmente na França. Isso se deve em grande parte a um desejo fatal – aprendido com os ensinamentos da antiguidade: desejam se colocar acima da humanidade para organizá-la, governá-la e regulá-la de acordo com sua fantasia.”
“Ou a fraternidade é espontânea ou não existe. Decretá-la é aniquilá-la. A lei pode realmente forçar os homens a permanecerem justos; não pode forçá-los a se sacrificarem.”
“Quando, sob o pretexto de fraternidade, o código legal impõe sacrifícios mútuos aos cidadãos, a natureza humana não é revogada. Todos, então, dirigirão seus esforços para contribuir o mínimo para o fundo comum de sacrifícios e dele retirar o máximo. Agora, é o mais fraco que ganha com essa luta? Certamente não, mas sim o mais influente e calculista.”
"Eles seriam os pastores sobre nós, suas ovelhas. Certamente, tal arranjo pressupõe que eles são naturalmente superiores ao resto de nós. E certamente é plenamente justificado exigir dos legisladores e organizadores prova dessa superioridade natural.”
“E o que é liberdade, cujo nome faz o coração bater mais rápido e sacudir o mundo? Não é a união de todas as liberdades – liberdade de consciência, de educação, de associação, de imprensa, de viagem, de trabalho ou comércio?”
“… a declaração “O propósito da lei é fazer com que a justiça reine” não é uma declaração rigorosamente precisa. Deve-se afirmar que o propósito da lei é impedir que a injustiça reine. De fato, é a injustiça, e não a justiça, que tem existência própria. A justiça só é alcançada quando a injustiça está ausente.”
“Mas como esse saque legal pode ser identificado? Muito simples. Veja se a lei retira de algumas pessoas o que lhes pertence e a dá a outras pessoas a quem não pertence. Veja se a lei beneficia um cidadão em detrimento de outro, fazendo o que o próprio cidadão não pode fazer sem cometer um crime.”
“A necessidade mais urgente não é que o Estado ensine, mas que permita a educação. Todos os monopólios são detestáveis, mas o pior de todos é o monopólio da educação.”
“O estado é uma grande entidade fictícia, pela qual todos buscam viver à custa de todos os outros.”
“Vida, faculdades, produção – em outras palavras, individualidade, liberdade, propriedade -, isto é o homem. E apesar da astúcia de líderes políticos engenhosos, esses três dons de Deus precedem toda a legislação humana e são superiores a ela.”
“Não é verdade que o legislador tenha poder absoluto sobre nossas pessoas e propriedades. A existência de pessoas e bens precedeu a existência do legislador, e sua função é apenas garantir sua segurança.”
“Às vezes a lei defende a pilhagem e participa dela. Às vezes, a lei coloca todo o aparato de juízes, policiais, prisões e gendarmes a serviço dos saqueadores, e trata a vítima, quando esta se defende, como um criminoso.”
“A lei é a organização coletiva do direito do indivíduo à legítima defesa de sua vida, liberdade e propriedade. Quando é usado para qualquer outra coisa, não importa quão nobre seja a causa, ela se torna pervertida e a justiça é enfraquecida.”
“Todo mundo quer viver às custas do estado. O que esquecem é que o estado vive à custa de todos.”
“Aqui eu encontro a falácia mais popular dos nossos tempos. Não é considerado suficiente que a lei garanta a todo cidadão o uso livre e inofensivo de suas faculdades para o auto-aperfeiçoamento físico, intelectual e moral. Em vez disso, exige-se que a lei garanta diretamente o bem-estar, a educação e a moralidade em todo o país. Essa é a atração sedutora do socialismo.”
“Os homens naturalmente se rebelam contra a injustiça de que são vítimas. Assim, quando o saque é organizado por lei para o lucro daqueles que fazem a lei, todas as classes saqueadas tentam de alguma forma entrar, por meios pacíficos ou revolucionários, na elaboração de leis. De acordo com seu grau de esclarecimento, essas classes saqueadas podem propor um de dois propósitos completamente diferentes ao alcançar o poder político: ou podem querer impedir o saque legal, ou talvez desejem compartilhar nele.”
“Nenhuma sociedade pode existir se o respeito pela lei não prevalecer em alguma medida; mas a maneira mais certa de respeitar as leis é torná-las respeitáveis. Quando a lei e a moralidade estão em contradição, o cidadão se vê no cruel dilema de perder seu senso moral ou de perder o respeito pela lei.”
“Trate todas as questões econômicas do ponto de vista do consumidor, pois os interesses do consumidor são os interesses da raça humana.”
“Se a filantropia não é voluntária, ela destrói a liberdade e a justiça. A lei não pode dar nada que não tenha sido primeiro tirado de seu dono.”
“Cada um de nós tem um direito natural, de Deus, de defender sua pessoa, sua liberdade e sua propriedade.”
“Barreiras comerciais constituem isolamento; o isolamento dá origem ao ódio, o ódio à guerra e a guerra à invasão.”
“Se as mercadorias não cruzarem fronteiras, os exércitos o farão.”
“Em virtude da troca, a prosperidade de um homem é benéfica para todos os outros.”
“A solução do problema social está na liberdade.”
“É sempre tentador fazer o bem à custa de outra pessoa”.
“E foi isso que aconteceu. A ilusão do dia é enriquecer todas as classes à custa umas das outras; é generalizar o saque sob pretexto de organizá-lo.”
“Há pessoas que pensam que o saque perde toda a sua imoralidade assim que se torna legal. Pessoalmente, não consigo imaginar uma situação mais alarmante.”
“Propriedade: o direito de desfrutar dos frutos do próprio trabalho, o direito de trabalhar, de desenvolver, de exercer as próprias faculdades, de acordo com o próprio entendimento, sem que o Estado intervenha senão por sua ação protetora; é isso que significa liberdade”.
“Se toda pessoa tem o direito de defender – mesmo pela força – sua pessoa, sua liberdade e sua propriedade, segue-se que um grupo de homens tem o direito de organizar e apoiar uma força comum para proteger esses direitos permanentemente. Assim, uma vez que um indivíduo não pode legitimamente usar a força contra a pessoa, liberdade ou propriedade de outro indivíduo, então a força comum – pela mesma razão – não pode legalmente ser usada para destruir a pessoa, liberdade ou propriedade de indivíduos ou grupos.”
“Quem, então, não gostaria de ver tantos benefícios fluírem para o mundo a partir da lei, como uma fonte inesgotável? Mas isso é possível? De onde o Estado tira os recursos que se exige para dar benefícios aos indivíduos? Não é dos próprios indivíduos? Como, então, esses recursos podem ser aumentados passando pelas mãos de um intermediário parasitário e voraz?”
“Os socialistas alegam que rejeitamos a fraternidade, solidariedade, organização e associação; e eles nos marcam com o nome de individualistas. Podemos assegurar-lhes que o que repudiamos não é organização natural, mas organização forçada. Não é a livre associação, mas as formas de associação que eles nos imporiam. Não é uma fraternidade espontânea, mas uma fraternidade legal. Não é solidariedade providencial, mas solidariedade artificial, que é apenas um deslocamento injusto da responsabilidade.”
“O estado tende a expandir-se proporcionalmente aos seus meios de existência e a viver além de seus meios, e estes são, em última análise, nada mais que a substância do povo. Ai das pessoas que não podem limitar a esfera de ação do estado! Liberdade, iniciativa privada, riqueza, felicidade, independência, dignidade pessoal, tudo desaparece.”
“Se você deseja prosperar, deixe seu cliente prosperar. Quando as pessoas aprenderam essa lição, todos buscarão seu bem-estar individual no bem-estar geral. Então, invejas entre homem e homem, cidade e cidade, província e província, nação e nação, não mais incomodarão o mundo.”
“O tipo de dependência que resulta da troca, isto é, das transações comerciais, é uma dependência recíproca. Não podemos depender de um estrangeiro sem que ele seja dependente de nós. Agora, isso é o que constitui a própria essência da sociedade. Romper as interrelações naturais não é tornar-se independente, mas isolar-se completamente.”
“Acho difícil entender por que aqueles que demandam Educação exclusiva pelo Estado também não exigem uma Imprensa exclusiva do Estado … Ou o Estado é infalível, caso em que não poderíamos fazer melhor do que submeter a ele todo o domínio do pensamento inteligente, ou não é, caso em que não é mais racional entregar a educação a ele do que a imprensa.”
“Ah, suas criaturas miseráveis! Você que pensa que é tão grande! Você que julga a humanidade tão pequena! Você que deseja reformar tudo! Por que vocês não se reformam? Essa tarefa seria suficiente.”
“Escravidão, proteção e monopólio encontram defensores não apenas naqueles que lucram com eles, mas também naqueles que sofrem por eles.”
“Os planos diferem; os planejadores são todos iguais.”
“Numa economia, um ato, um hábito, uma instituição ou uma lei geram não apenas um efeito, mas uma série de efeitos. Destes efeitos, o primeiro apenas é imediato; manifesta-se simultaneamente com sua causa – é visto. Os outros se desdobram em sucessão – eles não são vistos. Agora, essa diferença é enorme, pois muitas vezes é verdade que, quando a conseqüência imediata é favorável, as conseqüências finais são fatais. Há apenas uma diferença entre um economista ruim e um bom: o mau economista se limita ao efeito visível; o bom economista leva em conta tanto o efeito que pode ser visto, como os efeitos que devem ser previstos.”
“Muitas vezes, as massas são saqueadas e nem se dão conta disso.”
“Tente imaginar um sistema de trabalho imposto pela força que não seja uma violação da liberdade; uma transferência de riqueza imposta pela força que não é uma violação dos direitos de propriedade. Se você não pode fazê-lo, então você deve concordar que a lei não pode organizar o trabalho e a indústria sem organizar a injustiça.”
“Não é verdade que o legislador tenha poder absoluto sobre nossas pessoas e propriedades, uma vez que eles preexistem, e seu trabalho é apenas protegê-los de danos. Não é verdade que a missão da lei é regular nossas consciências, nossas idéias, nossa vontade, nossa educação, nossos sentimentos, nossas obras, nossas trocas, nossos dons, nossos prazeres. Sua missão é impedir que os direitos de um interfiram nos de outro, em qualquer uma dessas coisas.”
“E agora, que os legisladores e benfeitores infligiram inutilmente tantos sistemas à sociedade, que eles finalmente terminem por onde deviam ter começado: que rejeitem todos os sistemas e tentem a liberdade; pois a liberdade é um reconhecimento da fé em Deus e em Suas obras”.
“A missão da lei não é oprimir as pessoas e saquear suas propriedades, mesmo que a lei esteja agindo em um espírito filantrópico. Seu propósito é proteger pessoas e propriedades … Se você exceder esse limite – se você tentar tornar a lei religiosa, fraterna, equalizadora, filantrópica, industrial ou artística -, então você se perderá em um território não mapeado, em imprecisão e incerteza, em uma utopia forçada ou, pior ainda, em uma infinidade de utopias, cada uma lutando para assumir a lei e impô-la a você.”
“Agora, uma vez que o homem está naturalmente inclinado a evitar a dor – e visto que o trabalho é uma dor em si -, segue-se que os homens recorrerão à pilhagem sempre que a pilhagem for mais fácil que o trabalho. A história mostra isso claramente. E sob estas condições, nem a religião nem a moralidade podem pará-lo. Quando, então, o saque para? Quando se torna mais doloroso e mais perigoso que o trabalho. É evidente, então, que o propósito apropriado da lei é usar o poder de sua força coletiva para parar essa tendência fatal de saquear em vez de trabalhar. Todas as medidas da lei devem proteger a propriedade e punir a pilhagem.”
“A proteção comercial acumula em um único ponto o bem que ela produz, enquanto o mal infligido é infundido em toda a massa. O primeiro chama a atenção à primeira vista, enquanto o outro torna-se perceptível somente depois de minuciosa investigação.”
“As pessoas que, durante a eleição, eram tão sábias, tão morais, tão perfeitas, agora não têm tendências; ou se tiverem alguma, são tendências que levam à degradação. . . . Se as pessoas são tão incapazes, tão imorais e tão ignorantes quanto os políticos indicam, então por que o direito dessas mesmas pessoas de votar é defendido com tanta insistência apaixonada?”
“Quais países contêm as pessoas mais pacíficas, mais morais e mais felizes? Essas pessoas são encontradas nos países onde a lei menos interfere nos assuntos privados; onde o governo é menos sentido; onde o indivíduo tem o maior escopo e a livre opinião a maior influência; onde os poderes administrativos são menores e mais simples; onde os impostos são mais leves e quase iguais”.
“Mas a vida não pode se manter sozinha. O Criador da vida nos confiou a responsabilidade de preservá-la, desenvolvê-la e aperfeiçoá-la. Para que possamos realizar isso, Ele nos forneceu uma coleção de maravilhosas faculdades. E Ele nos colocou no meio de uma variedade de recursos naturais. Pela aplicação de nossas faculdades a esses recursos naturais, os convertemos em produtos e os utilizamos. O processo é necessário para que a vida possa seguir seu curso indicado.”
“Não podemos duvidar que o interesse próprio é a principal fonte da natureza humana. Deve ser claramente entendido que essa palavra é usada aqui para designar um fato universal e incontestável, resultante da natureza do homem, e não um julgamento adverso, como seria a palavra egoísmo.”
“Se todos desfrutassem do uso irrestrito de suas faculdades e da livre disposição dos frutos de seu trabalho, o progresso social seria incessante, ininterrupto.

O fã e o ídolo - ROBERTO POMPEU DE TOLEDO - REVISTA VEJA

REVISTA VEJA

Na carta em que convidou o barão do Rio Branco para ser seu chanceler, o então presidente eleito Rodrigues Alves argumentou: “A pasta do Exterior não pode estar subordinada a influências partidárias, mas convém que seja prestigiada com um nome de valor, que inspire confiança à opinião pública, impedindo que ela se apaixone ou se desvaire”. “Pasta do Exterior” equivale no caso a “política exterior”. A visita do presidente Jair Bolsonaro a Washington esteve distante do conceito de Rodrigues Alves. Poucas vezes se viu conferência de cúpula tão partidária. Duas facções, não dois Estados, reu­niam-se e, mais do que negociar, confraternizavam.

Releve-se que, nos acordos anunciados, o Brasil tenha trocado concessões concretas por meras promessas. A marca do encontro foram as manifestações de deslumbramento, raiando a sabujice, da parte brasileira. “Sempre fui um grande admirador dos Estados Unidos, e essa admiração aumentou com a chegada de Vossa Excelência à Presidência”, disse Bolsonaro, na Casa Branca. Mais adiante, quando um repórter lhe perguntou como ficaria se o Partido Democrata ganhasse a próxima eleição, respondeu que acreditava “piamente” na vitória de Trump. Nos movimentos corporais ao lado do anfitrião, o presidente brasileiro traía o embevecimento do fã diante do ídolo.

Estreitar a relação com os Estados Unidos é medida oportuna, depois das empreitadas terceiro-mundistas e bolivarianas do PT, mas não se precisava chegar a tanto. O embevecimento desceu a perigosa vassalagem quando Bolsonaro, duas vezes, ao ser confrontado a respeito, deixou no ar que o Brasil poderia acompanhar Trump numa intervenção militar na Venezuela. O modo de fazê-lo foi dizer não dizendo; argumentou que não podia revelar o combinado com Trump porque significaria revelar a “estratégia”.


A marca do encontro com Trump foi o deslumbramento da parte brasileira

Ao barão do Rio Branco é atribuído o início da aliança não escrita que, com intervalos, teria caracterizado a relação Brasil-EUA. Luís Cláudio Villafañe G. Santos, autor da recente biografia Juca Paranhos, o Barão do Rio Branco, explica que o patrono da diplomacia brasileira via nos EUA um fator de dissuasão de eventuais pretensões europeias na América do Sul. Não esquecer que, na época, as Guianas francesa e inglesa assinalavam a presença de duas potências do Velho Mundo em nossa fronteira norte. Em 1906 Rio Branco recebeu no Rio, com honras, o secretário de Estado Elihu Root, para a III Conferência Pan-Americana (foi a primeira missão de um secretário de Estado no exterior). O embaixador brasileiro em Washington, Joaquim Nabuco, instou Rio Branco a, em retribuição, visitar Washington. O barão recusou. “Não penso que tenhamos o dever de retribuir uma visita feita (…) no interesse do desenvolvimento da influência americana, e não por atenção ao Brasil”, respondeu.


O encontro na Casa Branca teve como aperitivo uma recepção na embaixada brasileira a personalidades direitistas de ambos os países. Além de Bolsonaro e ministros, marcaram presença Steve Bannon e Olavo de Carvalho. O primeiro, ex-assessor e formulador-chefe do pensamento trumpista; o segundo, guru e formulador-chefe do bolsonarismo. Esses dois são um perigo. Fazem guerra à China, restringindo-se por enquanto, mas só por enquanto, a incentivá-la no plano comercial. Ao Brasil sobraria renunciar a vendas de mais de 60 bilhões de dólares no ano passado (contra menos de 30 bilhões aos EUA) — risco de que nos salvou (por enquanto) Paulo Guedes. Disse ele a empresários que, na valsa do comércio, quer dançar com os americanos mas também com a China (“E ela dança bem”, acrescentou). Desamparado do ministro da Economia, não há garantias de que Bolsonaro resistiria a um apertão, como nas perguntas sobre a Venezuela.

Falta mencionar os filhos do presidente. Olavo de Carvalho e os filhos, um de longe, no papel do oráculo de Richmond, os outros de perto, na mesa ou no cangote do pai, constituem a faceta mais bizarra do atual governo. Olavo na véspera havia dito que não confia no governo e chamado o vice Hamilton Mourão de “imbecil”. No entanto lá estava, inteiro e festejado, na celebração direitista da embaixada. Os filhos provocaram suas próprias devastações. Eduardo, o mais novo, ao participar da reunião a portas fechadas no Salão Oval, demitiu simbolicamente o chanceler Eduardo Araújo. Carlos, o do meio, ao bandear-se para Brasília quando o pai viajou, com o fim declarado de “desenvolver linhas de produção (sic) solicitadas pelo presidente”, demitiu o general Mourão. E la nave va.

Publicado em VEJA edição nº 2627

Para Paulo entender Olavo - DEMÉTRIO MAGNOLI

FOLHA DE SP - 23/03
A 'revolução' do guru fuzilaria os liberais junto com os comunistas, se pudesse

"Por que o líder dispara contra a revolução que inspirou?", perguntou um inconformado Paulo Guedes a Olavo de Carvalho no jantar em homenagem a Bolsonaro, em Washington. Na véspera, o Bruxo da Virgínia atirara um petardo contra Hamilton Mourão, responsabilizando-o pela virtual dissolução do governo no horizonte de seis meses. Paulo merece resposta. Ofereço-lhe duas, complementares.

A primeira: a "revolução" de Olavo não é a de Paulo, e uma conflita com a outra.

Paulo acalenta a doutrina do liberalismo econômico radical: o Estado Mínimo. Já Olavo interessa-se apenas marginalmente por economia. A "revolução" dele também é um retorno, mas não ao Estado liberal do século 19 e sim a um passado mítico de soberanias estatais absolutas, hierarquias patriarcais fundadas na tradição e respeito às "liberdades naturais" do colono armado. Numa síntese rápida, a fusão do conservadorismo romântico europeu com o nativismo individualista americano.

Olavo não é original. Logo após a Primeira Guerra Mundial, Oswald Spengler anunciou o "declínio do Ocidente", fruto de um longo envenenamento cultural provocado pelas bactérias do Iluminismo. Do nacionalismo conservador e autoritário spengleriano nasceu essa contrafação pós-moderna: o mingau "filosófico" servido pelo Bruxo da Virgínia e, de modo geral, pela alt-right (direita nacionalista) americana. Paulo talvez não se interesse por esse labirinto ideológico, mas deveria prestar atenção à sua implicação.

A alt-right difunde a tese de que os "liberais globalistas" estão associados aos "marxistas" numa conspiração mundial contra os povos. Nessa aliança fantasiosa, Paulo figura no primeiro grupo. A "revolução" de Olavo fuzilaria os liberais junto com os comunistas, se pudesse.

No dia seguinte ao célebre jantar, Bolsonaro prostrou-se aos pés de Trump. Cito, com autorização, a incisão cirúrgica realizada pelo embaixador Marcos Azambuja num debate fechado: "O produto que Bolsonaro tentou vender não tem demanda na Casa Branca. Trump despreza os que o bajulam; ele gosta de Putin e Kim Jong-un, que o confrontam." Acrescento: a "revolução" de Olavo é uma ideia fora de lugar, a importação de um discurso populista estranho aos dilemas brasileiros.

A segunda resposta: a "revolução" de Olavo é uma "revolução permanente", uma guerra sem fim contra moinhos de vento.

O Bruxo da Virgínia precisa conservar seu estatuto de bruxo —ou seja, a condição de guru de uma seita. Para reter a lealdade total de seus seguidores, deve evitar que eles sejam contaminados pelos intercâmbios de interesses e conciliações políticas inerentes a qualquer governo. Por meio da "revolução permanente", o líder impede que seus liderados cedam à tentação de oscilar entre os comandos de dois senhores.

Olavo não é tonto como seus "alunos" que colonizam o Itamaraty e o MEC. Ele sabe que clama por uma utopia: a volta dos ponteiros da História a uma Idade de Ouro imaginária. Sabe, portanto, que qualquer governo está destinado ao fracasso, se a medida do sucesso for a régua maximalista da sua utopia. O líder que não pretende ser desmascarado pela inevitável falência de sua "revolução" precisa identificar e denunciar, previamente, os traidores da causa. Daí, o recurso à "revolução permanente": o líder dispara contra a revolução que inspirou.

A consequência da "revolução permanente" é a perene ingovernabilidade. Sacudido por crônicas guerras intestinas, o governo carece da coesão, da autoridade e da força persuasiva para formar maiorias parlamentares sólidas. O projeto da reforma previdenciária, ato inaugural da "revolução" de Paulo, corre o risco de ser tragado no vórtice da "revolução" de Olavo.

Há algo mais. Entre os "alunos" do Bruxo da Virgínia, contam-se ao menos dois dos filhos do presidente. A "revolução" de Olavo é a de Jair. Anote isso, Paulo.

Bolsonaro sem noção - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 23/03

Para Maia, presidente não tem noção, nem da gravidade da situação, nem da importância de governar com o Congresso


Movem-se as placas tectônicas da política brasileira, e pode vir daí um terremoto de vastas proporções. A reforma está com problemas pela desarticulação do governo, e o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, que é (ou era) o grande aliado para dar andamento à aprovação da reforma da Previdência, acha que essa desarticulação faz parte de uma estratégia do próprio Bolsonaro, que só sabe governar na base da confrontação.

Para o presidente da Câmara, o presidente Jair Bolsonaro “não tem noção, nem da gravidade da situação, nem da importância de governar com o Congresso numa democracia”. Há uma diferença entre governar como o PT fazia e como a Angela Merkel (chanceler alemã) faz, destaca Rodrigo Maia. “Eu vou continuar atuando a favor da reforma da Previdência, mas não em nome do governo”. Maia diz que quem tem que atuar dentro do Congresso é o articulador político do governo, Onyx Lorenzoni. E, especialmente, o próprio presidente Bolsonaro.

“Eu não tenho capacidade para conseguir os votos necessários para aprovar a reforma. Posso até, pelo meu convencimento, arranjar uns 50, 60 votos. Mas faltarão mais cerca de 250, que o governo vai ter que buscar”. Para tanto, ressalta Maia, tem que fazer política, e isso eles não querem fazer. “Querem ficar com o bônus de serem os protetores do povo, e o Congresso assumirá o ônus de ter aprovado uma matéria impopular, embora necessária”. O governo Bolsonaro, desde o início, tenta se desvencilhar da dependência do Congresso, o que é um contrassenso num regime necessariamente de coalizão, em que o presidente nunca tem a maioria parlamentar, mesmo que tenha a maioria popular. Nos Estados Unidos, o candidato, como Trump, pode ser eleito pelo Colégio Eleitoral e perder na votação popular. Em regimes como o nosso, nem sempre acontece que um presidente popular tenha o apoio da maioria no Congresso, mas não consegue governar sem ele. Aconteceu com Collor, com Dilma e está acontecendo com Bolsonaro.

Com a agravante, para Bolsonaro, de que sua popularidade está em decadência muito antes de terminar o período de graça dos governos. Nos cem primeiros dias, o presidente eleito historicamente conseguia tudo no Congresso. Não mais. Além disso, o governo, em campanha permanente, queima suas pontes com potenciais aliados porque só se interessa em cultivar a parte do eleitorado que o elegeu, a que fala mais diretamente a seus valores conservadores. O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, que se dispunha a ajudar na aprovação da reforma da Previdência, está recuando sua defesa para fazer frente a uma série de ataques, uns provocados por inexperiência, como o do ministro Sergio Moro; outros, propositais para incensar os radicais bolsominions nas redes sociais. O vereador Carlos, o filho 02, que se distrai fazendo política no Twitter, publicou no Instagram, no dia da prisão de Moreira Franco, sogro de Rodrigo Maia: “Por que o presidente da Câmara está tão nervoso?”, numa clara insinuação irônica. E retuitou uma mensagem do ministro Sergio Moro com críticas indiretas a Maia.

Moro enviara de Washington uma mensagem pelo WhatsApp reclamando que Rodrigo Maia havia criado uma comissão para analisar o projeto anticrime do governo juntamente com outros projetos já em tramitação na Câmara, inclusive um que foi coordenado pelo atual ministro do Supremo Alexandre de Moraes. Considerou isso o descumprimento de um suposto acordo.

Rodrigo Maia, de fato, deixou o projeto para entrar na pauta no segundo semestre, pois acha que discutir os dois, este e o da Previdência, ao mesmo tempo, vai dispersar os votos. E combinou a estratégia com Bolsonaro. O presidente da Câmara mandou a resposta, exigindo que Moro o respeitasse como presidente do Poder Legislativo.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, retrucou no Twitter, que foi replicado por Carlos Bolsonaro: “Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais.”

Maia desabafa: “Se o filho do presidente me ataca publicamente, e ele não faz nada, quer dizer que pensa como o filho”. O governo não quer a reforma da Previdência, especula Rodrigo Maia. “Ou melhor, quer, mas jogando a responsabilidade para o Congresso. Bolsonaro posa de bonzinho, e nós somos os contra o povo.”


‘O governo é um deserto de ideias’ - ENTREVISTA DE RODRIGO MAIA NO ESTADÃO

ESTADÃO 23/03

‘O governo é um deserto de ideias’, afirma Maia
Presidente da Câmara dos Deputados cobra ‘liderança’ e diz que Jair Bolsonaro precisa ser mais ‘proativo’



Vera Rosa, Naira Trindade e Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ao Estado que o governo não tem projeto para o País além da reforma da Previdência. Um dia após ameaçar deixar a articulação política para a aprovação das mudanças na aposentadoria, por causa dos ataques recebidos nas redes sociais pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), Maia calibrou o discurso e assegurou a continuidade do trabalho. Fez, porém, várias críticas e advertiu que o presidente precisa deixar o Twitter de lado, além da “disputa do mal contra o bem”, e se empenhar para melhorar a vida da população.

“O governo é um deserto de ideias”, declarou Maia. “Se tem propostas, eu não as conheço. Qual é o projeto do governo Bolsonaro fora a Previdência? Não se sabe”. Na avaliação do presidente da Câmara, o ministro da Economia, Paulo Guedes, é “uma ilha” dentro do Executivo.


Ao ser lembrado de que Bolsonaro comparou possíveis dificuldades no relacionamento às brigas de um namoro, Maia disse que, se o presidente ficar sem conversar com ele até o fim do mandato, não haverá problema. "Não preciso falar com ele. O problema é que ele tem de conseguir várias namoradas no Congresso. São os outros 307 votos que ele precisa conseguir. Eu já sou a favor. Ele pode me deixar para o fim da fila", argumentou.

Por que o sr. decidiu abandonar a articulação da reforma da Previdência?

Apenas entendo que o governo eleito não pode terceirizar sua responsabilidade. O presidente precisa assumir a liderança, ser mais proativo. O discurso dele é: sou contra a reforma, mas fui obrigado a mandá-la ou o Brasil quebra. Ele dá sinalização de insegurança ao Parlamento. Ele tem que assumir o discurso que faz o ministro Paulo Guedes. Hoje, o governo não tem base. Não sou eu que vou organizar a base. O presidente da Câmara sozinho, em uma matéria como a reforma da Previdência, não tem capacidade de conseguir 308 votos.

Mas o sr. continua à frente da articulação?

Dentro do meu quadrado, sim. Agora, acho que quanto mais eles tentam trazer para mim a responsabilidade do governo, mais está piorando a relação do governo com o Parlamento. O governo precisa vir a público de forma mais objetiva, com mais clareza, com mais energia na votação da reforma.

O que o presidente Bolsonaro precisa fazer?

Ele precisa construir um diálogo com o Parlamento, com os líderes, com os partidos. Não pode ficar a informação de que o meu diálogo é pelo toma lá, dá cá. A gente tem que parar com essa conversa. Como o presidente vê a política? O que é a nova política para ele? Ele precisa colocar em prática a nova política. Tanto é verdade que ele não colocou que tem (apenas) 50 deputados na base. Faço o alerta: se o governo não organizar sua base, se não construir o diálogo com os deputados, vai ser muito difícil aprovar a reforma da Previdência. O ciclo dos últimos 30 anos acabou e agora se abre um novo ciclo. Ele precisa saber o que colocar no lugar. O Executivo precisa ser um ator ativo nesse processo político.

E não está sendo?

De forma nenhuma. Ele está transferindo para a presidência da Câmara e do Senado uma responsabilidade que é dele. Então, ele fica só com o bônus e eu fico com o ônus de ganhar ou perder. Se ganhar, ganhei com eles. Se perder, perdi sozinho. Isso, para uma matéria como a Previdência, é muito grave. Porque não é qualquer votação. É a votação que vai dizer o que o Brasil quer. Se é reduzir o número de desempregados, reduzir o número de pobres no Brasil. Se o Brasil quer voltar a poder investir em saúde e educação ou se o Brasil vai ter hiperinflação. Não é uma votação qualquer, para você falar "leva que o filho é teu". Não é assim. É uma matéria que será um divisor de águas inclusive para o governo Bolsonaro. Então, ele precisa assumir protagonismo. Foi isso o que eu falei. Não vou deixar de defender as coisas sobre as quais tenho convicção porque brigo com A, B ou C. Meu papel institucional não é usar a presidência da Câmara para ameaçar o governo.

Mas o sr. ficou bastante contrariado com os ataques da rede bolsonarista na internet...

Não é que eu fiquei incomodado. O que acontece é que o Brasil viveu sua maior recessão no governo Dilma, melhorou um pouco no último governo, só que a vida das pessoas continua indo muito mal. Então, na hora em que a gente está trabalhando uma matéria tão importante como a Previdência, e a rede próxima ao presidente é instrumento de ataque a pessoas que estão ajudando nessa reforma, eu posso chegar à conclusão de que, por trás disso, está a vontade do governo de não votar a Previdência. Não fui só eu que fui criticado. Todo mundo que de alguma forma fez alguma crítica ao governo recebe os maiores "elogios" da rede dos Bolsonaro. Isso é ruim porque você não respeitar e não receber com reflexão uma crítica não é um sinal de espírito democrático correto.

O posicionamento do vereador Carlos Bolsonaro nas redes sociais atrapalha o governo?

O Brasil precisa sair do Twitter e ir para a vida real. Ninguém consegue emprego, vaga na escola, creche, hospital por causa do Twitter. Precisamos que o País volte a ter projeto. Qual é o projeto do governo Bolsonaro, fora a Previdência? Fora o projeto do ministro (Sérgio) Moro? Não se sabe. Qual é o projeto de um partido de direita para acabar com a extrema pobreza? Criticaram tanto o Bolsa Família e não propuseram nada até agora no lugar. Criticaram tanto a evasão escolar de jovens e agora a gente não sabe o que o governo pensa para os jovens e para as crianças de zero a três anos. O governo é um deserto de ideias.

O sr. está dizendo que o governo não tem proposta?

Se tem propostas, eu não as conheço.

Há uma nova versão do 'nós contra eles'?

Eles construíram nos últimos anos o 'nós contra eles'. Nós, liberais, contra os comunistas. O discurso de Bolsonaro foi esse. Para eles, essa disputa do mal contra o bem, do sim contra o não, do quente contra o frio é o que alimenta a relação com parte da sociedade. Só que agora eles venceram as eleições. E, em um país democrático, não é essa ruptura proposta que vai resolver o problema. O Brasil não ganha nada trabalhando nos extremos.

Temos um desgoverno?

As pessoas precisam da reforma da Previdência e, também, que o governo volte a funcionar. Nós temos uma ilha de governo com o Paulo Guedes. Tirando ali, você tem pouca coisa. Ou pouca coisa pública. Nós sabemos onde estão os problemas. Um governo de direita deveria estar fazendo não apenas o enfrentamento nas redes sociais sobre se o comunismo acabou ou não, mas deveria dizer: "No lugar do Minha Casa, Minha Vida, para habitação popular nós estamos pensando isso; para saneamento, nós estamos pensando aquilo".

O presidente minimizou a crise dizendo que vai conversar com o sr. e que tudo é como uma briga no namoro. O que achou?

Se o presidente não falar comigo até o fim do mandato, não tem problema. Não preciso falar com ele. O problema é que ele precisa conseguir várias namoradas no Congresso, são os outros 307 votos que ele precisa conseguir. Eu já sou a favor. Ele pode me deixar para o fim da fila.

E por que o sr. entrou em um embate com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, por causa do pacote anticrime?

Certamente, conheço a Câmara muito melhor do que o ministro Moro. E sei como eu posso ajudar o projeto sem atrapalhar a Previdência. O que me incomodou? O ministro passou da fronteira. Até acho que em uma palavra ou outra me excedi, mas, na média, coloquei a posição da Câmara. O governo quer fazer a nova política. Nós queremos participar da nova política.

Há quem diga que a Câmara não quer dar protagonismo a Moro porque ele foi juiz da Lava Jato, algoz de políticos...

Ele foi um ótimo juiz, teve um papel fundamental. Foi um juiz que se preparou para investigar corrupção e lavagem de dinheiro. E fez isso muito bem. Agora, o protagonismo é dos deputados. Isso é óbvio. Nós é que vamos votar.

A prisão do ex- presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco serviu para tumultuar ainda mais o ambiente político para a votação da reforma?

Eu não acho. Agora, quando você tem um problema desse, ele (Bolsonaro) vincula logo à política, ao desgaste do Parlamento. Isso é ruim. As instituições precisam funcionar. Uns gostam da decisão, outros não. Mas ela precisa ser respeitada e aquele que se sentir prejudicado por uma decisão da Justiça tem o poder de recorrer.

Deputados e senadores do PSL, partido do presidente, comemoraram a prisão e atacaram o MDB. Isso também pode ser um problema?

O PSL saiu do zero, foi ao topo muito rápido e acho que ainda falta uma capacidade de articulação interna. Na hora de votar, eles vão ver que precisam do voto do MDB. O problema do ex-presidente é do ex-presidente. É óbvio que contamina o MDB de alguma forma, mas não vamos transformar isso num problema de todos. Vamos deixá-lo responder porque ninguém pode ser pré-condenado. Vamos ter paciência. Não se pode abrir mão de nenhum partido para aprovar a reforma da Previdência. Uma reforma, para ser aprovada, precisa ter uma margem de 350 votos.

E ainda há muita resistência em relação à proposta enviada para os militares...

Os militares têm razão quando falam que foram muitos prejudicados desde os anos 2000. O momento não é simples. Na hora que acalmar essa semana política vai se começar um debate do que é o projeto de lei dos militares. Acho que vai ter mais conflito que a emenda constitucional, mas a gente vai precisar enfrentar porque eles garantem a soberania nacional. Vai ter resistência, mas não podemos jogar no mar a proposta.

Por que o DEM, com três ministérios no governo, até hoje não entrou formalmente na base aliada?

É porque, para o DEM, como para todos os partidos, mais do que essa política que o presidente acha que é prioridade, que são as nomeações, a prioridade é conhecer qual é o projeto do governo. E aí você vai projetar 2022 ou 2032, dizendo "esse projeto para o Brasil vai dar certo, vai reduzir a extrema pobreza de 15 milhões para 5 milhões, o desemprego vai cair de 12 milhões para 5 milhões, a economia vai crescer 5% nos próximos anos". Tirando algumas ilhas, como o Paulo Guedes, a Tereza Cristina(ministra da Agricultura, filiada ao DEM), está faltando, de fato, a gente compreender qual é a política.

O deputado Eduardo Bolsonaro disse que em algum momento será necessário o uso da força para tirar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, do poder. O sr. concorda?

Respeito o deputado Eduardo Bolsonaro, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores, mas acho que a interferência de outros países na Venezuela não é o melhor caminho e que essa não é a posição dos ministros militares do governo. Nós estamos com a estrutura das Forças Armadas desabastecida. Vamos dizer que alguns concordem com isso. O Brasil não tem nem condições de segurar 24 horas de confronto com a Venezuela.

O sr. acha que Bolsonaro deve enquadrar os filhos?

Tenho dificuldade de falar como o presidente deve tratar os filhos dele. Eu sei como tratar os meus.

Bolsonaro usa gasolina para apagar fogo de Maia - JOSIAS DE SOUZA

JOSIAS DE SOUZA - UOL

22/03/2019


Submetido à crise provocada pelas caneladas virtuais de Carlos Bolsonaro em Rodrigo Maia, o presidente da República poderia fazer um telefonema para o presidente da Câmara. Poderia também mandar que seu 'Pitbull', como se refere ao filho, fizesse a ligação. Mas Jair Bolsonaro não quis fazer nem mandar fazer. Preferiu se fingir de desentendido.

"Queria saber o motivo pelo qual o Rodrigo Maia está saindo, estou aberto ao diálogo, qual o motivo?", perguntou o presidente, desde o Chile. "Eu não dei motivo para ele sair." Fazer um filho, como se sabe, é relativamente fácil. O comportamento de Bolsonaro revela que difícil mesmo é ser pai. Mais difícil ainda é ser presidente tendo que administrar um filho expansivo.

No último sábado, Rodrigo Maia convidou Jair Bolsonaro para um churrasco íntimo. Iriam à mesa, além do anfitrião e do inquilino do Planalto, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e do Supremo, Dias Toffoli. Bolsonaro levou a tiracolo 20 ministros. Horas depois, o capitão dedicou-se a malhar no Twitter a "velha política" e sua fome por cargos. Maia levou o pé atrás.

Nos dias seguintes, Carlos Bolsonaro pôs-se a alfinetar a articulação de Maia ao redor da proposta da Previdência. Na quinta-feira, Carlos tomou as dores de Sergio Moro na queda-de-braço que trava com o presidente da Câmara para colocar seu pacote anticrime e anticorrupção na pauta. "Por que o presidente da Câmara anda tão nervoso?", fustigou o 'Zero Dois'.

Rodrigo Maia retirou-se da articulação pró-reforma. Ao responder ao gesto com uma interrogação —"Qual o motivo?"—, Bolsonaro exagera na dissimulação e desrespeita a inteligência alheia. É como se tentasse apagar com gasolina o fogo que consome a paciência do presidente da Câmara. A tática faz sucesso nas redes. Mas não rende um mísero voto na Câmara.

BLOG VOLTA DAS FÉRIAS!

domingo, fevereiro 24, 2019

LUIZ FELIPE PONDÉ

Não, os jovens não estão preparados para fazer um mundo melhor. Nenhum jovem nunca esteve. Essa ideia é um fetiche vagabundo de alguns poucos jovens dos anos 1960 e adjacências. Ou de artistas que fazem desse fetiche seu mercado de consumo.

Os jovens estão com medo, e com razão. Olham para os mais velhos e veem um bando de gente imatura fingindo que tem 25 anos mentais. O culto do retardamento mental como forma de autonomia. Professores que mais parecem mendigos em busca de autoestima.