FOLHA DE SP - 09/11
Para derrotar o lulismo, a frente oposicionista precisaria dialogar com os cidadãos comuns
"Não existe essa coisa de sociedade" --a frase célebre, de Margaret Thatcher, era a exposição da crença ultraliberal no individualismo. Situado no polo oposto aparente do thatcherismo, o lulismo compartilha a descrença nessa "coisa de sociedade": no lugar da coleção de indivíduos atomizados da ex-premiê britânica, nosso presidente honorífico enxerga uma coleção de corporações reivindicantes. É essa leitura da política que explica a reação indignada do Planalto às críticas sobre a deterioração da situação fiscal do país. Na visão do governo, os "empresários" --os beneficiários da concessão de desonerações tributárias-- comportam-se como traidores quando atiram pedras nas autoridades que protegeram seus lucros. Trata-se de uma forma de auto-engano: o recurso habitual para conservar a ilusão num encanto que já desapareceu.
A inteligência política de Lula, cantada em prosa e verso, é uma qualidade real, mas circunscrita às conjunturas favoráveis. Formado no sindicalismo, o presidente honorífico montou seu sistema de poder como uma mesa ampliada de negociação sindical. Trajando o manto do Bonaparte, o governo opera como Grande Negociador, distribuindo benesses aos "setores organizados" em grupos empresariais, máfias políticas, corporações sindicais e movimentos sociais. A estratégia funcionou, do ponto de vista da reprodução do poder lulista, enquanto o cenário econômico proporcionou recursos para atender às "reivindicações" dos parceiros negociadores. Mas o ciclo da abundância encerrou-se, explodindo a casca frágil do consenso político.
Na "era Lula", o Brasil esculpiu um modelo econômico impulsionado pelos motores do crédito público e privado e da explosão do consumo. A "etapa chinesa" da globalização proporcionou os combustíveis do modelo: investimentos externos fartos, derivados da elevada liquidez internacional, e altas rendas de exportação, oriundas da valorização das commodities. A poção mágica diluiu-se com o colapso das finanças mundiais, mas as reservas no tanque permitiram ao governo servir um simulacro aditivado na hora das eleições de 2010. O tanque, agora, está quase vazio: o governo reduz a bolsa-empresário enquanto pressiona o Congresso para fechar a torneira que irriga as corporações sindicais. Sem acesso à substância estimulante, os negociadores se dispersam --e até os fiéis petroleiros ensaiaram uma "traição".
As "Jornadas de Junho" foram o primeiro sintoma do encerramento do ciclo. Desconcertando o governo, centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas para dizer que a sociedade existe --e exige serviços públicos dignos. O segundo sintoma foi o rearranjo do tabuleiro eleitoral deflagrado pela unificação entre PSB e Rede, uma operação celebrada pelo PSDB. O radar dos analistas ainda não detectou o alcance dos eventos, mas o Planalto entendeu o que se passa. Eduardo Campos e Marina Silva saltaram da condição de alternativas dissidentes à de candidatos oposicionistas, enquanto Aécio Neves admitiu que os tucanos perderam o estatuto de núcleo dirigente da oposição. Na prática, configurou-se uma frente de oposição tricéfala --e os três aspirantes decidiram que o primeiro turno de 2014 será tratado como uma eleição primária para a escolha do desafiante da oposição unida.
O giro da política monetária americana, previsto para os próximos meses, ameaça provocar uma tempestade perfeita no Brasil, desvalorizando o real e pressionando o botão da inflação. Mesmo assim, Dilma Rousseff (ou Lula da Silva) conserva o favoritismo. O fim de ciclo, por si mesmo, não conduz automaticamente à reversão da fortuna eleitoral. Para derrotar o lulismo, a frente oposicionista precisaria dialogar com os cidadãos comuns: os manifestantes de junho e o país que os apoiou. Os três aspirantes teriam que dizer que "essa coisa de sociedade" existe.
sábado, novembro 09, 2013
Guerra sem fim - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 09/11
A reforma tributária fatiada que o governo federal havia se disposto a fazer para dar fim à guerra fiscal, começando com a harmonização do ICMS, trazendo gradativamente a alíquota interestadual de um máximo de 12% para 4%, chega ao fim do ano em regime de urgência, mas aparentemente sem a possibilidade de uma decisão satisfatória.
Da parte dos estados, houve surpreendente aproximação da maioria deles, mas com a persistente dissidência de Ceará, Goiás e Santa Catarina, que querem continuar podendo dar incentivos fiscais. Da parte do governo, há uma percepção de que as compensações financeiras oferecidas inicialmente para um acordo passaram a ser onerosas demais para a situação fiscal atual, e, por isso, agora estaria incentivando as dissidências para que não se chegue a um acordo.
Um componente que surpreendeu favoravelmente nas negociações foi a postura de São Paulo, cedendo tudo para acabar com a guerra fiscal logo e reformar o ICMS. Seus representantes aceitaram perdoar o passado, revogar as multas que aplicaram, dar crédito para empresas, até mesmo no caso do comércio eletrônico, último ponto em que resistiam, negociam uma solução intermediária. Essa postura levou a acordos surpreendentes, permitindo que São Paulo e Amazonas, que sempre brigaram pela Zona Franca, chegassem a um meio-termo, e que São Paulo e Mato Grosso do Sul, que sempre brigaram pelo gás da Bolívia, fizessem o mesmo.
O mais intransigente mesmo é o Ceará - e a leitura geral é que o faz a pedido da presidente Dilma, como uma das contas do acordo com os irmãos Gomes na ida ao PROS.
Quem pressiona para que se encontre uma saída são as empresas que receberam incentivos fiscais que o STF decidiu serem inconstitucionais, já que foram dados sem autorização do Confaz, conselho que reúne os secretários estaduais de Fazenda e cujas decisões têm de ser unânimes. O grande empresariado tem urgência em regularizar os incentivos passados. Se não sair a reforma, terão de lançar nos seus balanços as multas que tomaram por receber incentivos ilegais.
Outro componente dessa equação é o ex-presidente Lula, que também está em campo, conversando com o empresariado. Em posição radicalmente oposta à de Dilma, ele costura um acordo para a reforma, entendendo que essa insegurança jurídica tem poder de interferir nos investimentos estrangeiros no país.
Para resolver o problema dos estados que vão perder o direito de dar incentivos fiscais, o governo propôs - e agora se arrependeu - criar um Fundo de Compensação de Receitas, constituído com recursos da União postos no Orçamento, num montante calculado entre 250 bilhões e 500 bilhões de reais em 20 anos.
Uma demonstração de que o governo recuou foi a última reunião virtual do Confaz, quando o Ministério da Fazenda tentou dar um golpe e, em vez de pôr em votação o texto do pré-acordo dos 24 estados, apresentou outro de sua lavra.
No fim, levou um contragolpe, pois a maioria dos estados apresentou um substitutivo, e a Fazenda, para não sofrer a primeira derrota na história do conselho, suspendeu a reunião com uma alegação formal qualquer.
Nada disso estava no radar do governo federal. E agora ele está em sinuca de bico - foi ele que propôs a reforma e ofereceu bilhões de reais como compensação aos estados em troca de aprovarem a reforma. Como o governo federal vai negar o que já ofereceu por escrito? Se o Congresso aprovar o que ele propôs, Dilma vetará? Um último componente-chave que foge do controle do governo é que, embora essa reforma exija três ou quatro mudanças legislativas diferentes, a mais importante é a resolução do Senado que mudará as alíquotas. Há maioria para aprovar se houver acordo entre os estados, e resolução não vai a veto presidencial. Se o Senado baixar as alíquotas, o governo federal vai negar, especialmente aos estados aliados, a compensação pelas perdas e um Fundo de Desenvolvimento Regional que levou anos oferecendo como compensação? Se vetar, será que tal veto se sustenta no Congresso? O fim do ano como prazo não existe em lei ou em tese, mas foi imposto pela necessidade: as empresas precisam de uma solução, e todos sabem que não se aprova reforma dessa envergadura em ano de eleição. (Amanhã, uma proposta do Movimento do Brasil Eficiente para evitar novos tributos).
Da parte dos estados, houve surpreendente aproximação da maioria deles, mas com a persistente dissidência de Ceará, Goiás e Santa Catarina, que querem continuar podendo dar incentivos fiscais. Da parte do governo, há uma percepção de que as compensações financeiras oferecidas inicialmente para um acordo passaram a ser onerosas demais para a situação fiscal atual, e, por isso, agora estaria incentivando as dissidências para que não se chegue a um acordo.
Um componente que surpreendeu favoravelmente nas negociações foi a postura de São Paulo, cedendo tudo para acabar com a guerra fiscal logo e reformar o ICMS. Seus representantes aceitaram perdoar o passado, revogar as multas que aplicaram, dar crédito para empresas, até mesmo no caso do comércio eletrônico, último ponto em que resistiam, negociam uma solução intermediária. Essa postura levou a acordos surpreendentes, permitindo que São Paulo e Amazonas, que sempre brigaram pela Zona Franca, chegassem a um meio-termo, e que São Paulo e Mato Grosso do Sul, que sempre brigaram pelo gás da Bolívia, fizessem o mesmo.
O mais intransigente mesmo é o Ceará - e a leitura geral é que o faz a pedido da presidente Dilma, como uma das contas do acordo com os irmãos Gomes na ida ao PROS.
Quem pressiona para que se encontre uma saída são as empresas que receberam incentivos fiscais que o STF decidiu serem inconstitucionais, já que foram dados sem autorização do Confaz, conselho que reúne os secretários estaduais de Fazenda e cujas decisões têm de ser unânimes. O grande empresariado tem urgência em regularizar os incentivos passados. Se não sair a reforma, terão de lançar nos seus balanços as multas que tomaram por receber incentivos ilegais.
Outro componente dessa equação é o ex-presidente Lula, que também está em campo, conversando com o empresariado. Em posição radicalmente oposta à de Dilma, ele costura um acordo para a reforma, entendendo que essa insegurança jurídica tem poder de interferir nos investimentos estrangeiros no país.
Para resolver o problema dos estados que vão perder o direito de dar incentivos fiscais, o governo propôs - e agora se arrependeu - criar um Fundo de Compensação de Receitas, constituído com recursos da União postos no Orçamento, num montante calculado entre 250 bilhões e 500 bilhões de reais em 20 anos.
Uma demonstração de que o governo recuou foi a última reunião virtual do Confaz, quando o Ministério da Fazenda tentou dar um golpe e, em vez de pôr em votação o texto do pré-acordo dos 24 estados, apresentou outro de sua lavra.
No fim, levou um contragolpe, pois a maioria dos estados apresentou um substitutivo, e a Fazenda, para não sofrer a primeira derrota na história do conselho, suspendeu a reunião com uma alegação formal qualquer.
Nada disso estava no radar do governo federal. E agora ele está em sinuca de bico - foi ele que propôs a reforma e ofereceu bilhões de reais como compensação aos estados em troca de aprovarem a reforma. Como o governo federal vai negar o que já ofereceu por escrito? Se o Congresso aprovar o que ele propôs, Dilma vetará? Um último componente-chave que foge do controle do governo é que, embora essa reforma exija três ou quatro mudanças legislativas diferentes, a mais importante é a resolução do Senado que mudará as alíquotas. Há maioria para aprovar se houver acordo entre os estados, e resolução não vai a veto presidencial. Se o Senado baixar as alíquotas, o governo federal vai negar, especialmente aos estados aliados, a compensação pelas perdas e um Fundo de Desenvolvimento Regional que levou anos oferecendo como compensação? Se vetar, será que tal veto se sustenta no Congresso? O fim do ano como prazo não existe em lei ou em tese, mas foi imposto pela necessidade: as empresas precisam de uma solução, e todos sabem que não se aprova reforma dessa envergadura em ano de eleição. (Amanhã, uma proposta do Movimento do Brasil Eficiente para evitar novos tributos).
Desastre no manejo político - FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 09/11
BRASÍLIA - É um desastre gerencial a emenda constitucional que cria o chamado "Orçamento impositivo".
É impositivo porque obriga o governo a liberar cerca de R$ 14 milhões por ano para cada deputado e senador. É o dinheiro das emendas ao Orçamento propostas por esses congressistas.
Nas campanhas eleitorais, os candidatos poderão zanzar pelas ruas com uma plaquinha pendurada no pescoço: "Valor: R$ 14 milhões". Alguns negociarão antecipadamente como usar o dinheiro. É fácil imaginar o nível das traficâncias daí derivadas. Já na saída, um deputado valerá R$ 56 milhões ao longo dos quatro anos de mandato.
Nessas horas muitos malham o Congresso Nacional. Penso diferente. A culpa por mais essa decisão tresloucada deve ser compartilhada com o Palácio do Planalto. Afinal, se há um fato na política brasileira nunca desmentido, é a genuflexão quase eterna do Legislativo em relação à Presidência da República.
Quando um Poder submisso como o Congresso começa a aprovar bobagens, não é porque está se tornando mais independente --até porque ali ainda vale a triste máxima segundo a qual, toda vez que um deputado (ou senador) tem uma ideia, o Brasil piora. O que se passa é um vácuo de liderança por parte do Planalto.
Um desastre na política é como a queda de um avião. Não ocorre por um motivo isolado. O desfecho trágico se dá após uma sucessão de equívocos. Foi o que se passou na administração Dilma Rousseff, desde o início, no manejo das relações entre Executivo e Legislativo.
A presidente vem tentando reparar seus erros por omissão. Parece ser tarde. Faz reuniões inócuas com gente que sai do Planalto e já liga para jornalistas falando mal do governo.
A menos de 14 meses do fim de seu mandato, a petista tem pouco a fazer. Já o Brasil só pode lamentar. E torcer para o Congresso ter menos ideias até o fim do ano que vem.
BRASÍLIA - É um desastre gerencial a emenda constitucional que cria o chamado "Orçamento impositivo".
É impositivo porque obriga o governo a liberar cerca de R$ 14 milhões por ano para cada deputado e senador. É o dinheiro das emendas ao Orçamento propostas por esses congressistas.
Nas campanhas eleitorais, os candidatos poderão zanzar pelas ruas com uma plaquinha pendurada no pescoço: "Valor: R$ 14 milhões". Alguns negociarão antecipadamente como usar o dinheiro. É fácil imaginar o nível das traficâncias daí derivadas. Já na saída, um deputado valerá R$ 56 milhões ao longo dos quatro anos de mandato.
Nessas horas muitos malham o Congresso Nacional. Penso diferente. A culpa por mais essa decisão tresloucada deve ser compartilhada com o Palácio do Planalto. Afinal, se há um fato na política brasileira nunca desmentido, é a genuflexão quase eterna do Legislativo em relação à Presidência da República.
Quando um Poder submisso como o Congresso começa a aprovar bobagens, não é porque está se tornando mais independente --até porque ali ainda vale a triste máxima segundo a qual, toda vez que um deputado (ou senador) tem uma ideia, o Brasil piora. O que se passa é um vácuo de liderança por parte do Planalto.
Um desastre na política é como a queda de um avião. Não ocorre por um motivo isolado. O desfecho trágico se dá após uma sucessão de equívocos. Foi o que se passou na administração Dilma Rousseff, desde o início, no manejo das relações entre Executivo e Legislativo.
A presidente vem tentando reparar seus erros por omissão. Parece ser tarde. Faz reuniões inócuas com gente que sai do Planalto e já liga para jornalistas falando mal do governo.
A menos de 14 meses do fim de seu mandato, a petista tem pouco a fazer. Já o Brasil só pode lamentar. E torcer para o Congresso ter menos ideias até o fim do ano que vem.
Ideli, a missão - LEONARDO CAVALCANTI
CORREIO BRAZILIENSE - 09/11
Reportagens deste Correio deram o mote para o cruzamento de informações feito pelo Ministério Público Federal sobre o uso de um helicóptero-ambulância pela ministra de Relações Institucionais. Descobriu-se o inevitável: 73 feridos, sem chances de resgate aéreo, caso precisassem
A 1,7 mil km de distância do gabinete da ministra Ideli Salvatti no Planalto, o procurador da República Mário Sérgio Barbosa e mais dois colegas do Ministério Público Federal fizeram um cruzamento de dados e apontaram para um resultado que deveria constranger ainda mais a chefe da Secretaria de Relações Institucionais. A partir de reportagens deste Correio - sobre o uso pela petista de um helicóptero conveniado do Samu para visitar, em três dias distintos, bases eleitorais de Santa Catarina - e de comunicados da Polícia Rodoviária Federal sobre acidentes nos períodos em que ela utilizou a aeronave, os investigadores viram o número inevitável de 73 pessoas feridas e duas mortas nas estradas do estado.
Ao usar um helicóptero preparado para salvar vidas, era inexorável que a aeronave - a única da PRF na região - deixaria de atender vítimas de trânsito, afinal, estava à disposição da ministra. Tal operação, a de atender a petista, não é uma das tarefas mais fáceis. Quando a "missão" passa a ser Ideli, os equipamentos de socorro são retirados da aeronave e a escala de atendimento de urgência é suspensa. Isso ocorreu, por exemplo, em 25 de janeiro.
Ideli, naquele dia, usou o helicóptero para ir até a cidade de Laguna, a 130km da capital de Santa Catarina. A tarefa da ministra era "acompanhar a assinatura de uma ordem de serviço" e "verificar" trabalhos de transposição do Túnel do Morro do Formigão. A revelação foi feita pelo repórter João Valadares, deste Correio. Antes de voltar para Florianópolis, ela ainda foi a Timbé do Sul para outro compromisso imperdível: o anúncio da publicação do edital de licitação de obras de pavimentação. Enquanto tudo isso acontecia, 40 acidentes foram registrados, com 21 feridos.
É mais do que razoável aceitar que o helicóptero cedido a Ideli não socorreria todos os 75 feridos, caso estivesse sendo usado na principal e nobre missão de salvar vidas. É possível que até mesmo não conseguisse ou precisasse buscar nenhuma daquelas pessoas envolvidas nos 52 acidentes, por questões técnicas e operacionais. Refiro-me à distância dos acidentes ou mesmo a opção dos envolvidos nos regastes em levar os feridos por terra, numa ambulância. Tudo isso poderia, de fato, ter ocorrido.
O problema para Ideli - pré-candidata ao Senado por Santa Catarina - é que tal cálculo nunca poderá ser feito. O que conta é que ela não deveria usar um helicóptero designado para socorrer vítimas graves de acidente de trânsito, por mais que estivesse com uma agenda oficial. Aliás, o cargo atual de Ideli Salvatti praticamente não diz respeito aos compromissos daqueles três dias em que ocorreram os acidentes no estado. É o pior exemplo dado por uma autoridade, principalmente de alto escalão.
Por mais que ela, ou pelo menos a assessoria da pasta, insista em lembrar um decreto presidencial que estabelece o uso de aeronaves multifunção, podendo ser "utilizado para transporte de autoridades, policiamento e missão de resgate", está tudo errado. O decreto pode até livrar Ideli de ações na Justiça ou mesmo mantê-la firme no Planalto até a saída para a campanha. Mas é impossível não confrontar a letra fria da lei quando sabe-se que a aeronave, tal qual uma ambulância, é única e usada para resgatar acidentados. E que, durante as agendas oficiais da ministra, 77 pessoas ficaram feridas e duas morreram. Talvez o Palácio do Planalto nunca faça tal confronto. Quanto a Ideli, ela parece não se constranger.
Outra coisa
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou o que já deveria não valer há muito, caso o Congresso Nacional tivesse um pouco mais de amor ao dinheiro do contribuinte. Na última terça-feira, o projeto que acaba com o 14º e o 15º salários para parlamentares reeleitos finalmente passou. É que o texto que tinha sido votado no último mês de fevereiro encerrou a regalia dos pagamentos anuais, mas não acabou com duas parcelas do benefício, as referentes ao início e ao fim do mandato, a título de ajuda de custos como a mudança de deputados e de senadores dos estados de origem para Brasília. Até aí, tudo certo. O detalhe é que os políticos reeleitos, mesmo sem precisar de uma nova transferência de endereço, embolsam a regalia. Agora, o Congresso tem mais uma chance de derrubar o escárnio.
Ao usar um helicóptero preparado para salvar vidas, era inexorável que a aeronave - a única da PRF na região - deixaria de atender vítimas de trânsito, afinal, estava à disposição da ministra. Tal operação, a de atender a petista, não é uma das tarefas mais fáceis. Quando a "missão" passa a ser Ideli, os equipamentos de socorro são retirados da aeronave e a escala de atendimento de urgência é suspensa. Isso ocorreu, por exemplo, em 25 de janeiro.
Ideli, naquele dia, usou o helicóptero para ir até a cidade de Laguna, a 130km da capital de Santa Catarina. A tarefa da ministra era "acompanhar a assinatura de uma ordem de serviço" e "verificar" trabalhos de transposição do Túnel do Morro do Formigão. A revelação foi feita pelo repórter João Valadares, deste Correio. Antes de voltar para Florianópolis, ela ainda foi a Timbé do Sul para outro compromisso imperdível: o anúncio da publicação do edital de licitação de obras de pavimentação. Enquanto tudo isso acontecia, 40 acidentes foram registrados, com 21 feridos.
É mais do que razoável aceitar que o helicóptero cedido a Ideli não socorreria todos os 75 feridos, caso estivesse sendo usado na principal e nobre missão de salvar vidas. É possível que até mesmo não conseguisse ou precisasse buscar nenhuma daquelas pessoas envolvidas nos 52 acidentes, por questões técnicas e operacionais. Refiro-me à distância dos acidentes ou mesmo a opção dos envolvidos nos regastes em levar os feridos por terra, numa ambulância. Tudo isso poderia, de fato, ter ocorrido.
O problema para Ideli - pré-candidata ao Senado por Santa Catarina - é que tal cálculo nunca poderá ser feito. O que conta é que ela não deveria usar um helicóptero designado para socorrer vítimas graves de acidente de trânsito, por mais que estivesse com uma agenda oficial. Aliás, o cargo atual de Ideli Salvatti praticamente não diz respeito aos compromissos daqueles três dias em que ocorreram os acidentes no estado. É o pior exemplo dado por uma autoridade, principalmente de alto escalão.
Por mais que ela, ou pelo menos a assessoria da pasta, insista em lembrar um decreto presidencial que estabelece o uso de aeronaves multifunção, podendo ser "utilizado para transporte de autoridades, policiamento e missão de resgate", está tudo errado. O decreto pode até livrar Ideli de ações na Justiça ou mesmo mantê-la firme no Planalto até a saída para a campanha. Mas é impossível não confrontar a letra fria da lei quando sabe-se que a aeronave, tal qual uma ambulância, é única e usada para resgatar acidentados. E que, durante as agendas oficiais da ministra, 77 pessoas ficaram feridas e duas morreram. Talvez o Palácio do Planalto nunca faça tal confronto. Quanto a Ideli, ela parece não se constranger.
Outra coisa
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou o que já deveria não valer há muito, caso o Congresso Nacional tivesse um pouco mais de amor ao dinheiro do contribuinte. Na última terça-feira, o projeto que acaba com o 14º e o 15º salários para parlamentares reeleitos finalmente passou. É que o texto que tinha sido votado no último mês de fevereiro encerrou a regalia dos pagamentos anuais, mas não acabou com duas parcelas do benefício, as referentes ao início e ao fim do mandato, a título de ajuda de custos como a mudança de deputados e de senadores dos estados de origem para Brasília. Até aí, tudo certo. O detalhe é que os políticos reeleitos, mesmo sem precisar de uma nova transferência de endereço, embolsam a regalia. Agora, o Congresso tem mais uma chance de derrubar o escárnio.
Tráfico de pessoas - vergonha - DOM ODILO P. SCHERER
O ESTADO DE S. PAULO - 09/11
Poucas semanas antes de sua vinda ao Brasil, em julho, o papa Francisco esteve na Ilha de Lampedusa, no sul da Itália, já próxima da África. Ali aportam numerosos prófugos da miséria e da violência, procedentes do continente africano e de outras partes do mundo, sonhando com a vida na Europa.
Muitos, de fato, nem conseguem chegar à terra firme e naufragam, ou são abandonados pelos modernos mercadores de escravos no meio do Mediterrâneo em barcos abarrotados e sem o mínimo respeito à sua dignidade. Isso depois de terem pago caro a alguma organização criminosa pelo transporte e pela promessa de visto e emprego no lugar de destino. Milhares acabam morrendo e jogados ao mar, nada diferente do que ocorria durante séculos com os navios negreiros no período colonial.
O papa jogou flores ao mar para lembrá-los; ao mesmo tempo rezou pelos que pereceram, confortou sobreviventes; e denunciou o tráfico de pessoas como uma atividade ignóbil, uma vergonha para sociedades que se dizem civilizadas. Diante dessa questão os governos muitas vezes ficam indiferentes ou sem ação. Francisco conclamou todos à superação da "globalização da indiferença".
Desde tempos imemoriais, o tráfico de pessoas era praticado amplamente e até aceito, geralmente, em vista do trabalho escravo. O Brasil conviveu por séculos com a escravidão de índios e africanos; estes últimos eram adquiridos, traficados e comercializados como "coisa" num mercado vergonhoso, mas florescente. Foram necessários séculos para que a escravidão fosse formalmente proibida e abolida. Um progresso civilizatório!
Mas o problema voltou, se é que já havia sido erradicado de maneira completa. A forma contemporânea de escravidão é bem mais difundida e grave do que se poderia imaginar e está sendo favorecida pela globalização das atividades econômicas ilegais e clandestinas. Hoje, como no passado, essa atividade criminosa envolve organizações e redes nacionais e internacionais, com altos ganhos a custos e riscos baixos para os traficantes.
O tráfico de pessoas é praticado em vista de vários âmbitos da economia, legais e ilegais, como a construção civil, a agricultura, o trabalho doméstico, o entretenimento, a exploração sexual e, mesmo, a adoção ou a comercialização de órgãos. As vítimas, geralmente, são atraídas por promessas de trabalho e emprego, boas condições de vida em outras cidades ou outros países. Com frequência o tráfico de pessoas está ligado ao fenômeno das migrações e à permanência ilegal e precária em algum país.
Capítulo especialmente doloroso representa o tráfico de crianças e adolescentes, praticado por redes que envolvem pequenas vítimas do mundo inteiro. Entidades não governamentais que acompanham essa questão estimam que na década de 1980 quase 20 mil crianças brasileiras foram levadas para adoção no exterior; constataram-se numerosos processos fraudulentos nessas adoções. No Brasil há denúncias de tráfico de crianças e adolescentes destinados à exploração sexual; e continua grande o contingente de crianças de 7 a 14 anos de idade exploradas no trabalho infantil.
Apesar da gravidade do problema, a sociedade só veio a enfrentá-lo com seriedade recentemente.
Algumas características do tráfico humano já foram estudadas. Antes de tudo, ele envolve o crime organizado, com uma complexa estrutura que relaciona meios e fins para facilitar suas atividades; há aliciadores, fornecedores de documentos falsos e de assistência jurídica, transportadores, lavagem de dinheiro... Existem rotas nacionais e transnacionais do tráfico de mulheres para a exploração sexual, de trabalhadores ilegais, de crianças, de órgãos. No Brasil, a região amazônica é a que apresenta o maior número dessas rotas, seguida pelo Nordeste.
O tráfico de pessoas é abastecido por hábeis e convincentes aliciadores, que induzem suas vítimas e as envolvem numa rede que lhes tira a autonomia e da qual dificilmente conseguem libertar-se. Em geral, há uma boa proposta de emprego e renda no aliciamento. Por ser um crime invisível e silencioso, seu enfrentamento é difícil; as vítimas normalmente não o denunciam, uma vez que passam a viver em situação de risco e de constrangimento. Além da vulnerabilidade social e econômica, elas têm sua dignidade degradada.
Como enfrentar essa chaga social, que representa um verdadeiro retrocesso cultural e civilizatório? Apesar da gravidade do problema, apenas recentemente ele começou a ser enfrentado seriamente pela sociedade. A partir da segunda metade do século 20, a escravidão no âmbito do trabalho forçado imposto pelas guerras começou a ser debatida em fóruns internacionais, de modo especial na Organização Internacional do Trabalho e na ONU. Com o avanço da globalização, alastrou-se ainda mais o tráfico de pessoas, mas também a consciência sobre a necessidade de normas adequadas e eficazes para combater esse tipo de crime.
Em 1999 a ONU realizou a Convenção de Palermo, contra o crime organizado transnacional, e seus protocolos estão em vigor desde 2003. O Brasil adotou essa convenção em 2006 e desde 2008 tem o seu próprio Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Há numerosas iniciativas de organizações da sociedade civil que se dedicam a enfrentar o tráfico de pessoas. A Igreja Católica também tem suas pastorais voltadas para essa problemática.
Em 2014 a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promoverá, no período que precede a celebração da Páscoa, a Campanha da Fraternidade sobre o tema do tráfico de seres humanos. Será uma boa ocasião para uma tomada de consciência mais ampla sobre as dimensões e a gravidade do problema e para suscitar iniciativas e decisões para enfrentar essa vergonhosa chaga social em nosso país.
Lambanças no Congresso - EDITORIAL O ESTADÃO
O ESTADO DE S. PAULO - 09/11
O Ministério Público Federal (MPF) em Brasília abriu inquérito para investigar a enxurrada de funcionários comissionados, ou seja, admitidos não mediante concurso, mas por apadrinhamento, no Senado. Nove meses depois da posse do alagoano Renan Calheiros na sua presidência - e do anúncio de cortes de custos e na folha de pessoal - eles já são maioria na Casa. Somam 3.241 servidores, ou 52% de um total de 6.232. É a primeira vez que isso acontece em 11 anos. Conforme orientação do MPF, os sem-concurso deveriam representar menos da metade do contingente empregado.
O trem da alegria conduzido pelo mesmo Renan que prometeu fazer uma ampla reforma administrativa na instituição, para economizar R$ 300 milhões até o ano que vem, recebe cada vez mais passageiros especiais - um "número exacerbado", dizem os procuradores. Desde fevereiro, pelas contas do Portal da Transparência, foram admitidos apenas 3 concursados e 542 cujas credenciais se prestam mais ao loteamento político da Câmara Alta. Esse dado é maior que o do ano 2000 inteiro, quando a turma beneficiada pelo QI (Quem Indica) tinha só 370 membros.
O próprio Renan abriga em seu gabinete 12 filiados e ex-filiados do seu partido, o PMDB. A lista incluía um ficha-suja, de nome Nerigleikson Paiva de Melo, o Nery, que foi cassado sob a acusação de compra de votos nas eleições de 2008 para a Câmara de Vereadores de Maceió. (Dias atrás ele foi, afinal, exonerado.) Sabem, portanto, o que fazem os procuradores ao demandar acesso aos dados pessoais dos comissionados, incluindo a sua eventual filiação partidária. Querem saber também quem pediu ao diretor-geral da Casa que os nomeasse e quantos deles ocupam cargos de direção, chefia e assessoramento.
O ingresso risonho e franco de apaniguados daqueles que, com a indiferença de sempre pela ética pública, lhes abrem as portas para tê-los ao seu lado, segundo critérios de "estrita confiança", como se lê na nota do Senado sobre a iniciativa do MPF, é objeto legítimo de averiguação. Mas a lambança não pode obscurecer outra situação injustificável: entre protegidos e concursados, a Casa tem o equivalente a 77 funcionários para cada 1 dos seus 81 mandatários eleitos. E nem todas as vagas estão preenchidas. Até o fim do ano, por exemplo, 294 desses cargos deverão ser ocupados.
Eis por que a folha de pagamento do Senado consome R$ 3 bilhões por ano - sem falar no gasto com terceirizados. Há uma década, as despesas com pessoal somavam pouco mais de R$ 1 bilhão, ou R$ 1,83 bilhão em valores corrigidos. Em termos reais, portanto, o desembolso da Casa com os seus funcionários deu um salto da ordem de 60% - e não é que o número de senadores tenha aumentado. O mundo encantado dos benefícios que os parlamentares distribuem com incontida desenvoltura, repassando a fatura para o contribuinte, não se limita ao Senado. A Câmara também se mostra ágil e atuante quando se trata da distribuição de vantagens para a sua gente.
A mais nova extravagância incompreensível para os cidadãos comuns é o acréscimo de R$ 19 milhões, a partir do próximo ano, na sua folha de pagamento para cobrir os gastos com 89 funcionários adicionais e os 30 efetivos que passarão a ganhar um extra pelo exercício de cargos de confiança. Eles vão trabalhar para as lideranças das bancadas dos recém-criados partidos PROS e Solidariedade, um com 19 deputados, o outro com 22, que migraram de outras siglas. Mas - eis o escândalo - os partidos abandonados não perderão as suas cotas de funcionários. Estes não serão transferidos para os gabinetes dos líderes das novas legendas nem haverá um remanejamento de servidores para atender às mudanças na composição da Casa.
Se assim é, e se continuam sendo 513 os integrantes da Casa que já emprega mais de 15 mil pessoas, os 119 servidores, entre atuais e futuros, receberão dos cofres públicos para prestar serviços a duas entidades privadas, como são, juridicamente, as agremiações políticas. Só falta o Congresso voltar a acomodar nas suas dependências as sedes partidárias, como se fazia em tempos idos nesse Brasil patrimonialista.
O trem da alegria conduzido pelo mesmo Renan que prometeu fazer uma ampla reforma administrativa na instituição, para economizar R$ 300 milhões até o ano que vem, recebe cada vez mais passageiros especiais - um "número exacerbado", dizem os procuradores. Desde fevereiro, pelas contas do Portal da Transparência, foram admitidos apenas 3 concursados e 542 cujas credenciais se prestam mais ao loteamento político da Câmara Alta. Esse dado é maior que o do ano 2000 inteiro, quando a turma beneficiada pelo QI (Quem Indica) tinha só 370 membros.
O próprio Renan abriga em seu gabinete 12 filiados e ex-filiados do seu partido, o PMDB. A lista incluía um ficha-suja, de nome Nerigleikson Paiva de Melo, o Nery, que foi cassado sob a acusação de compra de votos nas eleições de 2008 para a Câmara de Vereadores de Maceió. (Dias atrás ele foi, afinal, exonerado.) Sabem, portanto, o que fazem os procuradores ao demandar acesso aos dados pessoais dos comissionados, incluindo a sua eventual filiação partidária. Querem saber também quem pediu ao diretor-geral da Casa que os nomeasse e quantos deles ocupam cargos de direção, chefia e assessoramento.
O ingresso risonho e franco de apaniguados daqueles que, com a indiferença de sempre pela ética pública, lhes abrem as portas para tê-los ao seu lado, segundo critérios de "estrita confiança", como se lê na nota do Senado sobre a iniciativa do MPF, é objeto legítimo de averiguação. Mas a lambança não pode obscurecer outra situação injustificável: entre protegidos e concursados, a Casa tem o equivalente a 77 funcionários para cada 1 dos seus 81 mandatários eleitos. E nem todas as vagas estão preenchidas. Até o fim do ano, por exemplo, 294 desses cargos deverão ser ocupados.
Eis por que a folha de pagamento do Senado consome R$ 3 bilhões por ano - sem falar no gasto com terceirizados. Há uma década, as despesas com pessoal somavam pouco mais de R$ 1 bilhão, ou R$ 1,83 bilhão em valores corrigidos. Em termos reais, portanto, o desembolso da Casa com os seus funcionários deu um salto da ordem de 60% - e não é que o número de senadores tenha aumentado. O mundo encantado dos benefícios que os parlamentares distribuem com incontida desenvoltura, repassando a fatura para o contribuinte, não se limita ao Senado. A Câmara também se mostra ágil e atuante quando se trata da distribuição de vantagens para a sua gente.
A mais nova extravagância incompreensível para os cidadãos comuns é o acréscimo de R$ 19 milhões, a partir do próximo ano, na sua folha de pagamento para cobrir os gastos com 89 funcionários adicionais e os 30 efetivos que passarão a ganhar um extra pelo exercício de cargos de confiança. Eles vão trabalhar para as lideranças das bancadas dos recém-criados partidos PROS e Solidariedade, um com 19 deputados, o outro com 22, que migraram de outras siglas. Mas - eis o escândalo - os partidos abandonados não perderão as suas cotas de funcionários. Estes não serão transferidos para os gabinetes dos líderes das novas legendas nem haverá um remanejamento de servidores para atender às mudanças na composição da Casa.
Se assim é, e se continuam sendo 513 os integrantes da Casa que já emprega mais de 15 mil pessoas, os 119 servidores, entre atuais e futuros, receberão dos cofres públicos para prestar serviços a duas entidades privadas, como são, juridicamente, as agremiações políticas. Só falta o Congresso voltar a acomodar nas suas dependências as sedes partidárias, como se fazia em tempos idos nesse Brasil patrimonialista.
Recuperação nos EUA apressa governo Dilma - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 09/11
O real volta a se desvalorizar, tendência que deve se firmar quando o Fed começar a atenuar política expansionista. Planalto precisa estar preparado
Ainda em maio, em uma das periódicas prestações de contas do presidente do banco central americano, Fed, ao Senado, Ben Bernanke admitiu que estava próximo o momento em que a instituição começaria a atenuar a política de "relaxamento monetário", pela qual mensalmente são injetados US$ 85 bilhões na economia, por meio da recompra de títulos do Tesouro e hipotecas.
Dado o sinal de que os juros, praticamente zerados nos Estados Unidos, voltariam a subir, houve uma rápida mudança nos fluxos globais de divisas, e muito dinheiro voltou ao mercado americano. Em decorrência, o dólar se valorizou, no Brasil e em todo o lugar. Mais em países com os "fundamentos" menos preparados para resistir a choques externos - contas fiscais, inflação, crescimento. O Brasil entre eles.
O Fed, em setembro, deixou claro o adiamento do recuo na política expansionista. Veio a suspensão de várias atividades na máquina burocrática americana, por falta de dinheiro no orçamento, devido à briga entre democratas e republicanos, além da chegada à beira do precipício do teto de endividamento do Tesouro. Mas quando se esperava que todo aquele imbróglio havia reduzido em alguma medida o ímpeto da recuperação americana, aconteceu o oposto: a economia cresceu 2,8% no terceiro trimestre, acima das expectativas (deve ter se expandido mais que o Brasil). E ontem, para confirmar a tendência, informou-se que em outubro foram criados mais 200 mil empregos, acima da mais otimista das estimativas.
Volta-se, ainda com mais força, a se admitir o início do fim da política de estímulo à economia.
E o real novamente se desvaloriza (o dólar encerrou a semana em R$ 2,318). Entenda-se: mais pressão sobre a já elevada inflação brasileira.
O problema é mais amplo, como apontou o ex-ministro Delfim Netto, em entrevista ao "Valor Econômico", ele, aliado de primeira hora dos governos do PT, desde a posse de Lula em 2003.
Alerta Delfim que a coincidência da retirada do pé no acelerador da economia dos EUA com o previsto rebaixamento da nota de risco de crédito do Brasil provocará uma "tempestade perfeita".
Afinal, se acavalarão duas pressões pela fuga de divisas do país, e numa conjuntura em que a credibilidade na política econômica brasileira como um todo, a fiscal em particular, está em queda vertiginosa.
Na entrevista, Delfim Netto lembrou 1979, 1983, 1998 e 2002, quando houve outras "tempestades perfeitas", com enorme stress no câmbio: dólar nas alturas, necessidade de elevação rápida nos juros, e, por decorrência, recessão.
Os sinais fortes de recuperação americana pressionam o governo Dilma a reagir de forma rápida às desconfianças em relação ao seu governo. Na imprensa americana já se especula sobre a possibilidade de o Fed anunciar o freio na política expansionista na sua reunião do mês que vem. O tempo, para o Planalto, ganhou velocidade.
Dado o sinal de que os juros, praticamente zerados nos Estados Unidos, voltariam a subir, houve uma rápida mudança nos fluxos globais de divisas, e muito dinheiro voltou ao mercado americano. Em decorrência, o dólar se valorizou, no Brasil e em todo o lugar. Mais em países com os "fundamentos" menos preparados para resistir a choques externos - contas fiscais, inflação, crescimento. O Brasil entre eles.
O Fed, em setembro, deixou claro o adiamento do recuo na política expansionista. Veio a suspensão de várias atividades na máquina burocrática americana, por falta de dinheiro no orçamento, devido à briga entre democratas e republicanos, além da chegada à beira do precipício do teto de endividamento do Tesouro. Mas quando se esperava que todo aquele imbróglio havia reduzido em alguma medida o ímpeto da recuperação americana, aconteceu o oposto: a economia cresceu 2,8% no terceiro trimestre, acima das expectativas (deve ter se expandido mais que o Brasil). E ontem, para confirmar a tendência, informou-se que em outubro foram criados mais 200 mil empregos, acima da mais otimista das estimativas.
Volta-se, ainda com mais força, a se admitir o início do fim da política de estímulo à economia.
E o real novamente se desvaloriza (o dólar encerrou a semana em R$ 2,318). Entenda-se: mais pressão sobre a já elevada inflação brasileira.
O problema é mais amplo, como apontou o ex-ministro Delfim Netto, em entrevista ao "Valor Econômico", ele, aliado de primeira hora dos governos do PT, desde a posse de Lula em 2003.
Alerta Delfim que a coincidência da retirada do pé no acelerador da economia dos EUA com o previsto rebaixamento da nota de risco de crédito do Brasil provocará uma "tempestade perfeita".
Afinal, se acavalarão duas pressões pela fuga de divisas do país, e numa conjuntura em que a credibilidade na política econômica brasileira como um todo, a fiscal em particular, está em queda vertiginosa.
Na entrevista, Delfim Netto lembrou 1979, 1983, 1998 e 2002, quando houve outras "tempestades perfeitas", com enorme stress no câmbio: dólar nas alturas, necessidade de elevação rápida nos juros, e, por decorrência, recessão.
Os sinais fortes de recuperação americana pressionam o governo Dilma a reagir de forma rápida às desconfianças em relação ao seu governo. Na imprensa americana já se especula sobre a possibilidade de o Fed anunciar o freio na política expansionista na sua reunião do mês que vem. O tempo, para o Planalto, ganhou velocidade.
Como conter os vândalos? - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR
GAZETA DO POVO - PR - 09/11
Algumas propostas saídas de um grupo que reúne o Ministério da Justiça, secretarias de Segurança, OAB, MP e CNJ são precipitadas e colocam em pé de igualdade black blocs e instituições democráticas
Uma reunião entre o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; os secretários de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, e de São Paulo, Fernando Grella Vieira; e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, na quinta-feira, analisou algumas propostas para conter as ondas de vandalismo que as metrópoles brasileiras presenciam com certa frequência. Que o poder público esteja finalmente se empenhando para tratar da brutalidade mascarada é louvável. As ideias que vêm surgindo, no entanto, parecem guiadas mais pela precipitação que pela reflexão ponderada a respeito do que é necessário fazer.
Uma das ideias, à primeira vista, parece interessante: a criação de uma espécie de “pronto atendimento” judicial para as manifestações. Um magistrado estaria “de plantão” para julgar rapidamente casos de abusos cometidos tanto pelos vândalos quanto por policiais. A inspiração vem dos tribunais previstos pelo Estatuto do Torcedor e que funcionam durante certos jogos de futebol, com jurisdição para ocorrências verificadas nas imediações do estádio, incluindo brigas entre torcedores e a atuação de cambistas. No caso dos eventos esportivos, além dos juízes, também participam membros da Defensoria Pública e do Ministério Público. A mesma lógica seria aplicada aos crimes cometidos durante manifestações. Até o fim do mês essa proposta deve ser oficializada e encaminhada aos TJs dos dois estados.
Todos sabemos o quanto a violência é alimentada pela impunidade, e por isso a ideia de um “tribunal expresso” tem seu apelo entre os cidadãos cansados de depredações e que reprovam quase que unanimemente os métodos dos black blocs. No entanto, a solução apresentada equivale a admitir a incapacidade das instituições já existentes de lidar com o vandalismo. O problema, nesses casos, não é tanto a demora nos julgamentos. O problema é que as polícias não têm agido com a devida força, limitando-se a impedir maiores danos enquanto deveriam estar prendendo todos os vândalos; e que membros do Judiciário estejam flertando com a tolerância ao vandalismo como meio de expressão política, como demonstramos em editorial no fim de outubro. De nada adianta um tribunal itinerante para julgamentos rápidos se não houver ninguém para ser julgado, ou se o magistrado encarregado acreditar que “nenhuma luta social que não cause qualquer transtorno, alteração da normalidade, não tem força de pressão e, portanto, sequer poderia se caracterizar como tal” (como escreveu o juiz paulista Adriano Laroca, ao negar a reintegração de posse da Reitoria da USP, invadida em 1.º de outubro) ou que “a criminalização dos manifestantes, dos movimentos sociais, é uma expressão da violência ilegítima do Estado, da truculência contra a democracia” (como afirmou em vídeo o juiz João Damasceno, do TJ fluminense).
A segunda ideia, ao contrário da primeira, não parece razoável por nenhum ângulo: o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, quer criar um fórum que inclua a sociedade e o poder público para solucionar conflitos entre policiais e manifestantes. É o desenvolvimento da ideia lançada pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, de buscar interlocutores entre os black blocs. Chamar os vândalos à mesa de negociação sem que eles abram mão de seus métodos equivaleria a considerá-los válidos e a apagar uma diferença básica que existe entre mascarados e a polícia, pois esta representa o Estado, que tem o monopólio legal do uso da força, enquanto aqueles são apenas criminosos.
Temos de elogiar a disposição do governo federal e dos governos estaduais em buscar, juntos, saídas para coibir a violência mascarada. O grupo ainda estuda outras alternativas, como aumentar a pena para o crime de dano e a criar uma agravante jurídica nos casos de agressão a policiais. O que é necessário, ao analisar as soluções propostas, é encontrar meios de fortalecer as instituições já existentes, e não de enfraquecê-las ou colocá-las em pé de igualdade com os vândalos.
Algumas propostas saídas de um grupo que reúne o Ministério da Justiça, secretarias de Segurança, OAB, MP e CNJ são precipitadas e colocam em pé de igualdade black blocs e instituições democráticas
Uma reunião entre o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; os secretários de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, e de São Paulo, Fernando Grella Vieira; e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, na quinta-feira, analisou algumas propostas para conter as ondas de vandalismo que as metrópoles brasileiras presenciam com certa frequência. Que o poder público esteja finalmente se empenhando para tratar da brutalidade mascarada é louvável. As ideias que vêm surgindo, no entanto, parecem guiadas mais pela precipitação que pela reflexão ponderada a respeito do que é necessário fazer.
Uma das ideias, à primeira vista, parece interessante: a criação de uma espécie de “pronto atendimento” judicial para as manifestações. Um magistrado estaria “de plantão” para julgar rapidamente casos de abusos cometidos tanto pelos vândalos quanto por policiais. A inspiração vem dos tribunais previstos pelo Estatuto do Torcedor e que funcionam durante certos jogos de futebol, com jurisdição para ocorrências verificadas nas imediações do estádio, incluindo brigas entre torcedores e a atuação de cambistas. No caso dos eventos esportivos, além dos juízes, também participam membros da Defensoria Pública e do Ministério Público. A mesma lógica seria aplicada aos crimes cometidos durante manifestações. Até o fim do mês essa proposta deve ser oficializada e encaminhada aos TJs dos dois estados.
Todos sabemos o quanto a violência é alimentada pela impunidade, e por isso a ideia de um “tribunal expresso” tem seu apelo entre os cidadãos cansados de depredações e que reprovam quase que unanimemente os métodos dos black blocs. No entanto, a solução apresentada equivale a admitir a incapacidade das instituições já existentes de lidar com o vandalismo. O problema, nesses casos, não é tanto a demora nos julgamentos. O problema é que as polícias não têm agido com a devida força, limitando-se a impedir maiores danos enquanto deveriam estar prendendo todos os vândalos; e que membros do Judiciário estejam flertando com a tolerância ao vandalismo como meio de expressão política, como demonstramos em editorial no fim de outubro. De nada adianta um tribunal itinerante para julgamentos rápidos se não houver ninguém para ser julgado, ou se o magistrado encarregado acreditar que “nenhuma luta social que não cause qualquer transtorno, alteração da normalidade, não tem força de pressão e, portanto, sequer poderia se caracterizar como tal” (como escreveu o juiz paulista Adriano Laroca, ao negar a reintegração de posse da Reitoria da USP, invadida em 1.º de outubro) ou que “a criminalização dos manifestantes, dos movimentos sociais, é uma expressão da violência ilegítima do Estado, da truculência contra a democracia” (como afirmou em vídeo o juiz João Damasceno, do TJ fluminense).
A segunda ideia, ao contrário da primeira, não parece razoável por nenhum ângulo: o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, quer criar um fórum que inclua a sociedade e o poder público para solucionar conflitos entre policiais e manifestantes. É o desenvolvimento da ideia lançada pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, de buscar interlocutores entre os black blocs. Chamar os vândalos à mesa de negociação sem que eles abram mão de seus métodos equivaleria a considerá-los válidos e a apagar uma diferença básica que existe entre mascarados e a polícia, pois esta representa o Estado, que tem o monopólio legal do uso da força, enquanto aqueles são apenas criminosos.
Temos de elogiar a disposição do governo federal e dos governos estaduais em buscar, juntos, saídas para coibir a violência mascarada. O grupo ainda estuda outras alternativas, como aumentar a pena para o crime de dano e a criar uma agravante jurídica nos casos de agressão a policiais. O que é necessário, ao analisar as soluções propostas, é encontrar meios de fortalecer as instituições já existentes, e não de enfraquecê-las ou colocá-las em pé de igualdade com os vândalos.
Obras controversas - EDITORIAL ZERO HORA
ZERO HORA - 09/11
As divergências entre a presidente Dilma Rousseff e o Tribunal de Contas da União (TCU) em relação à paralisação de uma série de projetos do setor público por indícios de irregularidades chamam a atenção para um problema comum: a falta de preparo do país para planejar obras e fiscalizar seu andamento de forma criteriosa. Próximo do último ano de mandato e às vésperas do início da campanha à reeleição, é natural que a presidente se preocupe em inaugurar, dentro do prazo, obras com as quais se comprometeu perante os brasileiros. Da mesma forma, é atribuição do TCU agir sempre que ocorrem excessos. A palavra final será do Congresso, pois cabe à Comissão Mista de Orçamento decidir o cronograma de liberação de verbas para 2014. Ainda assim, é importante que o alerta reforce a necessidade de ações preventivas, começando pelos editais e estendendo-se até a efetiva conclusão dos empreendimentos.
Em manifestação feita ontem, em Rio Grande, a presidente da República considerou “um absurdo” ressalvas como as do órgão fiscalizador, classificando-as como “algo extremamente perigoso, porque depois ninguém repara o custo”. De fato, na maioria das vezes, a descontinuidade de projetos em andamento implica prejuízos imensuráveis à população. O problema ocorre tanto em consequência do atraso na sua conclusão _ e a maioria delas é aguardada com expectativa pela sociedade _, quanto pelo fato de, nesses casos, a conta final se tornar maior, onerando ainda mais os contribuintes. É inadmissível, porém, que, além de serem entregues com atraso, muitos empreendimentos públicos acabem com um custo final bem superior ao orçado. É o que vem sendo constatado, por exemplo, em projetos ligados à Copa do Mundo e ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Obras públicas não podem se prestar apenas para cerimônias de lançamento de pedra fundamental, de inauguração oficial, de mote para a atração de eleitores em período eleitoral. É preciso, acima de tudo, que sejam concebidas adequadamente para os objetivos aos quais se propõem, desde a fase de licitação até a de execução, com ênfase permanente na fiscalização em todas as etapas. Um pressuposto para isso é assegurar sempre o máximo de transparência em todas as etapas. E é importante que o poder público possa recorrer cada vez mais à digitalização dos processos, com o objetivo de facilitar o acompanhamento com um mínimo de custos.
Infelizmente, ainda falta muito para que o país se mostre em condições de fazer o máximo possível para a sociedade com um mínimo de desperdício no setor público. Enquanto isso não ocorre, o jeito será conciliar a intenção de empreender por parte de quem está no comando do Executivo com o máximo de eficiência em todas as etapas dos projetos.
As divergências entre a presidente Dilma Rousseff e o Tribunal de Contas da União (TCU) em relação à paralisação de uma série de projetos do setor público por indícios de irregularidades chamam a atenção para um problema comum: a falta de preparo do país para planejar obras e fiscalizar seu andamento de forma criteriosa. Próximo do último ano de mandato e às vésperas do início da campanha à reeleição, é natural que a presidente se preocupe em inaugurar, dentro do prazo, obras com as quais se comprometeu perante os brasileiros. Da mesma forma, é atribuição do TCU agir sempre que ocorrem excessos. A palavra final será do Congresso, pois cabe à Comissão Mista de Orçamento decidir o cronograma de liberação de verbas para 2014. Ainda assim, é importante que o alerta reforce a necessidade de ações preventivas, começando pelos editais e estendendo-se até a efetiva conclusão dos empreendimentos.
Em manifestação feita ontem, em Rio Grande, a presidente da República considerou “um absurdo” ressalvas como as do órgão fiscalizador, classificando-as como “algo extremamente perigoso, porque depois ninguém repara o custo”. De fato, na maioria das vezes, a descontinuidade de projetos em andamento implica prejuízos imensuráveis à população. O problema ocorre tanto em consequência do atraso na sua conclusão _ e a maioria delas é aguardada com expectativa pela sociedade _, quanto pelo fato de, nesses casos, a conta final se tornar maior, onerando ainda mais os contribuintes. É inadmissível, porém, que, além de serem entregues com atraso, muitos empreendimentos públicos acabem com um custo final bem superior ao orçado. É o que vem sendo constatado, por exemplo, em projetos ligados à Copa do Mundo e ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Obras públicas não podem se prestar apenas para cerimônias de lançamento de pedra fundamental, de inauguração oficial, de mote para a atração de eleitores em período eleitoral. É preciso, acima de tudo, que sejam concebidas adequadamente para os objetivos aos quais se propõem, desde a fase de licitação até a de execução, com ênfase permanente na fiscalização em todas as etapas. Um pressuposto para isso é assegurar sempre o máximo de transparência em todas as etapas. E é importante que o poder público possa recorrer cada vez mais à digitalização dos processos, com o objetivo de facilitar o acompanhamento com um mínimo de custos.
Infelizmente, ainda falta muito para que o país se mostre em condições de fazer o máximo possível para a sociedade com um mínimo de desperdício no setor público. Enquanto isso não ocorre, o jeito será conciliar a intenção de empreender por parte de quem está no comando do Executivo com o máximo de eficiência em todas as etapas dos projetos.
Negócio da China - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 09/11
Foi pouco proveitosa a reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível, principal fórum bilateral para negociações, sobretudo comerciais, entre Brasil e China.
A comitiva encabeçada pelo vice-presidente Michel Temer fracassou em reabrir o mercado chinês à carne bovina --fechado desde o ano passado, após um caso do mal da vaca louca no Paraná--, não conseguiu promover a exportação de manufaturados brasileiros e ouviu pouco mais que promessas vagas sobre os demais temas.
Verdade que um protocolo fitossanitário abrirá caminhos para o milho brasileiro. As vendas desse produto para a China poderiam saltar de US$ 19 milhões (vendas do ano passado) para R$ 4 bilhões, segundo o Ministério da Fazenda.
A projeção, contudo, dificilmente se concretizaria em menos de cinco anos. Depende, além disso, da demanda chinesa --e nada sugere que o Brasil oferecerá atrativos maiores que os dos americanos em termos de preço e logística.
No mais, a comitiva brasileira repetiu inócuas reclamações sobre o desequilíbrio no comércio bilateral, em que o Brasil praticamente só vende soja, minério de ferro e petróleo (mais de 80% no ano passado) e compra quase tudo em manufaturados (95%).
A concentração das exportações em poucos produtos deixa o Brasil vulnerável a variações bruscas. Será grande o revés se a China, desde 2009 o principal parceiro comercial do país, conseguir diversificar seus fornecedores.
Por enquanto, o comércio bilateral continua crescendo. Até setembro, alcançou US$ 63,7 bilhões, aumento de 11% em relação ao mesmo período do ano passado, com um superavit de US$ 8,1 bilhões.
É enorme a importância dessa relação. Basta ver que o comércio com os EUA, segundo parceiro do Brasil, movimentou até setembro deste ano US$ 45,2 bilhões, com deficit de US$ 8,5 bilhões.
No próximo ano, o líder máximo da China, Xi Jinping, deverá visitar o Brasil. Será uma boa oportunidade para fazer as relações bilaterais superarem o atual estágio.
Atrair investimentos e diversificar a pauta de exportação, porém, demandará mais preparo e ousadia dos interlocutores brasileiros --no governo e no setor privado. Não é por acaso que observadores dessa parceria costumam dizer que não é o Brasil que está vendendo; é a China que está comprando.
Foi pouco proveitosa a reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível, principal fórum bilateral para negociações, sobretudo comerciais, entre Brasil e China.
A comitiva encabeçada pelo vice-presidente Michel Temer fracassou em reabrir o mercado chinês à carne bovina --fechado desde o ano passado, após um caso do mal da vaca louca no Paraná--, não conseguiu promover a exportação de manufaturados brasileiros e ouviu pouco mais que promessas vagas sobre os demais temas.
Verdade que um protocolo fitossanitário abrirá caminhos para o milho brasileiro. As vendas desse produto para a China poderiam saltar de US$ 19 milhões (vendas do ano passado) para R$ 4 bilhões, segundo o Ministério da Fazenda.
A projeção, contudo, dificilmente se concretizaria em menos de cinco anos. Depende, além disso, da demanda chinesa --e nada sugere que o Brasil oferecerá atrativos maiores que os dos americanos em termos de preço e logística.
No mais, a comitiva brasileira repetiu inócuas reclamações sobre o desequilíbrio no comércio bilateral, em que o Brasil praticamente só vende soja, minério de ferro e petróleo (mais de 80% no ano passado) e compra quase tudo em manufaturados (95%).
A concentração das exportações em poucos produtos deixa o Brasil vulnerável a variações bruscas. Será grande o revés se a China, desde 2009 o principal parceiro comercial do país, conseguir diversificar seus fornecedores.
Por enquanto, o comércio bilateral continua crescendo. Até setembro, alcançou US$ 63,7 bilhões, aumento de 11% em relação ao mesmo período do ano passado, com um superavit de US$ 8,1 bilhões.
É enorme a importância dessa relação. Basta ver que o comércio com os EUA, segundo parceiro do Brasil, movimentou até setembro deste ano US$ 45,2 bilhões, com deficit de US$ 8,5 bilhões.
No próximo ano, o líder máximo da China, Xi Jinping, deverá visitar o Brasil. Será uma boa oportunidade para fazer as relações bilaterais superarem o atual estágio.
Atrair investimentos e diversificar a pauta de exportação, porém, demandará mais preparo e ousadia dos interlocutores brasileiros --no governo e no setor privado. Não é por acaso que observadores dessa parceria costumam dizer que não é o Brasil que está vendendo; é a China que está comprando.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“José Genoino não merece a pecha de bandoleiro”
Luiz Fernando Pacheco, advogado do deputado, ao pedir sua absolvição
CHEFE DO EXÉRCITO TORRA R$ 660 MIL EM GABINETE
Ao contrário da tropa, o comandante do Exército Brasileiro, general Enzo Peri, não tem do que se queixar: vai gastar sem dó nem piedade R$660 mil do dinheiro do contribuinte na reforma, pintura e conserto hidráulico de seu gabinete em Brasília, que ficará novo em folha em 2014. Serão R$ 404 mil na troca de vidros e reparo de janelas, e R$160 mil na renovação de estofados, incluindo a manutenção das peças.
PINDAÍBA
O Exército Brasileiro encerra mais cedo o expediente às quartas-feiras, racionando também o “rancho” por alegada “falta de verbas”.
MOLEZA
A Aeronáutica também só trabalha quatro em cada sete dias: a semana começa segunda-feira à tarde e termina ao meio-dia de sexta.
CIÚME DE VOCÊ
Lulistas do PT ficaram irritados com a recente rasgação de seda entre Dilma e o prefeito de Salvador, ACM Neto. Andam falando mal dela.
MOITA
Tio do tucano Aécio Neves (MG), o senador governista Francisco Dornelles (PP-RJ) foge de comentar as eleições presidenciais de 2014.
ANP ADMITE FALHAS NA FISCALIZAÇÃO DE EMPRESAS
Responsável por regular a produção de etanol, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) admitiu falhas na fiscalização de empresas do ramo no País. Em ofício enviado à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, a agência confirmou que 25 empresas de etanol, apontadas como atuantes pelo Ministério da Agricultura, não têm autorização para operar. Segundo a ANP, algumas sequer enviaram documentação.
QUEM SE IMPORTA?
De 25 empresas, nove ignoraram autorização para funcionar. Elas atuam em Alagoas, Minas, Goiás, Paraíba, Pernambuco, RN e SP.
GOVERNO DE PAPEL
A Presidência da República reservou quase R$ 700 mil para renovar o almoxarifado com papéis diversos, inclusive cadernos e cartolina.
JÁ VAI TARDE
O deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), que deseja submeter decisões do Supremo ao Congresso, ameaça desistir da reeleição em 2014.
PAUTA ELEITORAL
A pesquisa CNT/MDA deu uma pista de campanha para candidatos à Presidência, revelando que a violência preocupa mais que o custo de vida: são 91,5% contra 73,4% “muito preocupados” com ambos.
TUDO É DESCULPA
O PMDB usa a divisão entre Câmara e Senado para reivindicar que o partido mantenha o comando do Ministério do Turismo, indicado pelos deputados, e fature a pasta da Integração, que contemplará senadores.
EM BAIXA
Vice-líder do Solidariedade, Arthur Maia fracassou na promessa de filiar no partido dez prefeitos, dos 45 do PMDB na Bahia. Não conseguiu um só prefeito ou vereadores de seu pretenso curral, Bom Jesus da Lapa.
MÃOS À OBRA
O governador Anchieta Júnior (PSDB-RR) articulou viagem de uma delegação grande de tucanos na visita de Aécio Neves (MG), ontem, a Manaus, onde Arthur Virgílio comemora 25 anos de vida pública.
DILMINHA PAZ E AMOR
Em campanha pela reeleição, a presidente Dilma surpreendeu o ex-governador Paulo Hartung e o senador Ricardo Ferraço, do PMDB-ES, pela conversa “tranquila e suave” que tiveram com ela na quarta (6).
MOLEZA PARA BANDIDO
A PF não registra armas em Itajaí (SC) há dez meses, alegando proteção à caça local, prejudicando comerciantes legalizados, que se preparam para formalizar denúncia ao Ministério Público Federal.
NANICOS
Já tem rival a ex-diretora da Anac Denise Abreu, candidata à Presidência pelo nanico Partido Ecológico Nacional (PEN). O mineiro Bertolino Ricardo, empresário peso-pesado da antiga Rede, de Marina Silva, filiou-se ao PEN. E já quer ser candidato a presidente.
PMDB SAIU UNIDO
O representante das teles, Eduardo Levy, participou de reunião com a bancada do PMDB na quarta (6), na qual criticou projeto de Marco Civil da Internet, que restringiria acesso de usuários, a depender do pacote.
PENSANDO BEM...
...imagine se estivesse “descançado” o auditor Amilcar José Cançado, enrolado em falcatruas de meio bilhão de reais na prefeitura paulistana.
PODER SEM PUDOR
A CUÍCA DE VALADARES
Interventor de Minas, Benedito Valadares contratou um escritor de talento, Mário Mattos, para redigir seus discursos. Já na estreia, ele leu que as reservas de minério do estado eram as maiores do Brasil, "cuíca do mundo". Cuíca? Ninguém entendeu. Era "quiçá", soube-se depois. E inspirou uma marcha de Carnaval do compositor Rômulo Paes:
- Benedito/branco da alma preta/deixou de tocar corneta/e aprendeu a tocar cuíca...
Luiz Fernando Pacheco, advogado do deputado, ao pedir sua absolvição
CHEFE DO EXÉRCITO TORRA R$ 660 MIL EM GABINETE
Ao contrário da tropa, o comandante do Exército Brasileiro, general Enzo Peri, não tem do que se queixar: vai gastar sem dó nem piedade R$660 mil do dinheiro do contribuinte na reforma, pintura e conserto hidráulico de seu gabinete em Brasília, que ficará novo em folha em 2014. Serão R$ 404 mil na troca de vidros e reparo de janelas, e R$160 mil na renovação de estofados, incluindo a manutenção das peças.
PINDAÍBA
O Exército Brasileiro encerra mais cedo o expediente às quartas-feiras, racionando também o “rancho” por alegada “falta de verbas”.
MOLEZA
A Aeronáutica também só trabalha quatro em cada sete dias: a semana começa segunda-feira à tarde e termina ao meio-dia de sexta.
CIÚME DE VOCÊ
Lulistas do PT ficaram irritados com a recente rasgação de seda entre Dilma e o prefeito de Salvador, ACM Neto. Andam falando mal dela.
MOITA
Tio do tucano Aécio Neves (MG), o senador governista Francisco Dornelles (PP-RJ) foge de comentar as eleições presidenciais de 2014.
ANP ADMITE FALHAS NA FISCALIZAÇÃO DE EMPRESAS
Responsável por regular a produção de etanol, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) admitiu falhas na fiscalização de empresas do ramo no País. Em ofício enviado à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, a agência confirmou que 25 empresas de etanol, apontadas como atuantes pelo Ministério da Agricultura, não têm autorização para operar. Segundo a ANP, algumas sequer enviaram documentação.
QUEM SE IMPORTA?
De 25 empresas, nove ignoraram autorização para funcionar. Elas atuam em Alagoas, Minas, Goiás, Paraíba, Pernambuco, RN e SP.
GOVERNO DE PAPEL
A Presidência da República reservou quase R$ 700 mil para renovar o almoxarifado com papéis diversos, inclusive cadernos e cartolina.
JÁ VAI TARDE
O deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), que deseja submeter decisões do Supremo ao Congresso, ameaça desistir da reeleição em 2014.
PAUTA ELEITORAL
A pesquisa CNT/MDA deu uma pista de campanha para candidatos à Presidência, revelando que a violência preocupa mais que o custo de vida: são 91,5% contra 73,4% “muito preocupados” com ambos.
TUDO É DESCULPA
O PMDB usa a divisão entre Câmara e Senado para reivindicar que o partido mantenha o comando do Ministério do Turismo, indicado pelos deputados, e fature a pasta da Integração, que contemplará senadores.
EM BAIXA
Vice-líder do Solidariedade, Arthur Maia fracassou na promessa de filiar no partido dez prefeitos, dos 45 do PMDB na Bahia. Não conseguiu um só prefeito ou vereadores de seu pretenso curral, Bom Jesus da Lapa.
MÃOS À OBRA
O governador Anchieta Júnior (PSDB-RR) articulou viagem de uma delegação grande de tucanos na visita de Aécio Neves (MG), ontem, a Manaus, onde Arthur Virgílio comemora 25 anos de vida pública.
DILMINHA PAZ E AMOR
Em campanha pela reeleição, a presidente Dilma surpreendeu o ex-governador Paulo Hartung e o senador Ricardo Ferraço, do PMDB-ES, pela conversa “tranquila e suave” que tiveram com ela na quarta (6).
MOLEZA PARA BANDIDO
A PF não registra armas em Itajaí (SC) há dez meses, alegando proteção à caça local, prejudicando comerciantes legalizados, que se preparam para formalizar denúncia ao Ministério Público Federal.
NANICOS
Já tem rival a ex-diretora da Anac Denise Abreu, candidata à Presidência pelo nanico Partido Ecológico Nacional (PEN). O mineiro Bertolino Ricardo, empresário peso-pesado da antiga Rede, de Marina Silva, filiou-se ao PEN. E já quer ser candidato a presidente.
PMDB SAIU UNIDO
O representante das teles, Eduardo Levy, participou de reunião com a bancada do PMDB na quarta (6), na qual criticou projeto de Marco Civil da Internet, que restringiria acesso de usuários, a depender do pacote.
PENSANDO BEM...
...imagine se estivesse “descançado” o auditor Amilcar José Cançado, enrolado em falcatruas de meio bilhão de reais na prefeitura paulistana.
PODER SEM PUDOR
A CUÍCA DE VALADARES
Interventor de Minas, Benedito Valadares contratou um escritor de talento, Mário Mattos, para redigir seus discursos. Já na estreia, ele leu que as reservas de minério do estado eram as maiores do Brasil, "cuíca do mundo". Cuíca? Ninguém entendeu. Era "quiçá", soube-se depois. E inspirou uma marcha de Carnaval do compositor Rômulo Paes:
- Benedito/branco da alma preta/deixou de tocar corneta/e aprendeu a tocar cuíca...
SÁBADO NOS JORNAIS
- Globo: Dilma critica TCU por parar obra suspeita
- Folha: Kassab arquivou investigaçãoo contra mim, diz fiscal
- Estadão: Contrato da Petrobras com Odebrecht é investigado
- Zero Hora: Dilma assegura vagas em polo
- Correio Braziliense: Quadrilha dos alvarás tem ligações com senador
- Estado de Minas: Mais 183 carros por dia em BH
sexta-feira, novembro 08, 2013
Ele foi o rei da pamonha --ups, errei! - BARBARA GANCIA
FOLHA DE SP - 08/11
Rei do W.C. --ups, errei de novo!--, Alexander foi um Papai Noel fora de hora para paulistanos nesta semana
O primeiro mandamento do "rei do camarote" é ser uma florzinha enrustida com sorriso de porcelanato da C&C.
Não! Não! Não! Que zona é essa? Peço mil desculpas, tenho andado esquisita, há algo errado com meu segundo chacra, vamos começar tudo de novo.
Alô, prefeito Haddad! Queria sugerir que São Paulo entregasse uma comenda a um cidadão que nesta semana proporcionou alegrias à cidade como há muito não se via.
Refiro-me, é evidente, ao singelo Alexander Augusto de Almeida, ocupação: não importa, denominado pela revista "Veja São Paulo" de "rei do camarote" e indivíduo que usa a mesma régua para medir longo prazo que a liderança do grupo Procure Saber.
Alexander irrompeu a semana fazendo a felicidade da própria revista que o perfilou. Acelerando sua Ferrari lá da zona leste em direção à fama, ele fez com que o site da publicação, que andava meio na sombra, ganhasse 2 milhões de acessos em apenas quatro dias.
Ele capturou o coraçãozinho do paulistano sem fazer nenhum esforço extra, além daquele de que já se empenha cotidianamente, que é garantir o pão de cada dia na mesa das profissionais a quem contrata, digo, seduz, com seu charme trabalhado no plástico do cartão de crédito.
Alô, prefeito Haddad? O Senhor continua me ouvindo? É que a ligação do meu celular da Cielo parece estar falhando. Deve ser o meu Visa que está dando pau. Melhorou?
Então, para quem viu o vídeo, uma das trocentas paródias feitas a seu respeito ou leu a capa da tão comentada "Vejinha" do último domingo, o Alexander conseguiu um feito inacreditável.
Ele fez com que cada um de nós, comuns mortais, nos sentíssemos lindos, gostosos, satisfeitos com o que temos e, sobretudo, super bem-comidos. O cara funcionou como um Papai Noel que chegou antecipado. O senhor não entenderia nada sobre esse assunto, prefeito Haddad, porque já nasceu bonitão, mauricinho e abençoado e nunca precisou camelar para pegar ninguém. Mas posso lhe dar dois exemplos para esclarecer melhor o que estou tentando dizer.
Conversei sobre o Alexander nesta semana com o rapaz que conserta meu computador, um garoto de 22 anos que não é exatamente um Cauã Reymond ou ganha salário de executivo. Ele disse o seguinte: "Ué? Eu vivo pegando mulher no banheiro da balada e só preciso pagar o preço da entrada".
Em outra conversa, no percurso entre Interlagos e os Jardins no congestionamento monstro da última quarta, o motorista do táxi raciocinou comigo: "Dos R$ 50 mil que o Alexander gasta numa noite, eu guardaria R$ 49 mil para trocar meu carro, daí fecharia minha rua, gastaria R$ 1 mil comprando muita cerveja e carne para churrasco, faria uma festança que duraria um fim de semana inteiro e ainda aproveitaria para pegar quatro vizinhas que eu acho que são a fim de dar para mim".
Sentiu a parada, prefeito? Nosso Alexander merece uma medalha. Camarada ainda por cima é humilde à beça. Consegue ir na Armani, Gucci e Burberry's do shopping e sair de lá vestido como se tivesse passado por um outlet de Kansas City. É um verdadeiro São Francisco em matéria de despojamento. Quem de nós não gasta bem menos e se veste mil vezes melhor?
Só falta agora o pessoal da Receita "instagramar" o momento do pente fino na declaração de renda dele, né, prefeito? Hashtag glamour.
Rei do W.C. --ups, errei de novo!--, Alexander foi um Papai Noel fora de hora para paulistanos nesta semana
O primeiro mandamento do "rei do camarote" é ser uma florzinha enrustida com sorriso de porcelanato da C&C.
Não! Não! Não! Que zona é essa? Peço mil desculpas, tenho andado esquisita, há algo errado com meu segundo chacra, vamos começar tudo de novo.
Alô, prefeito Haddad! Queria sugerir que São Paulo entregasse uma comenda a um cidadão que nesta semana proporcionou alegrias à cidade como há muito não se via.
Refiro-me, é evidente, ao singelo Alexander Augusto de Almeida, ocupação: não importa, denominado pela revista "Veja São Paulo" de "rei do camarote" e indivíduo que usa a mesma régua para medir longo prazo que a liderança do grupo Procure Saber.
Alexander irrompeu a semana fazendo a felicidade da própria revista que o perfilou. Acelerando sua Ferrari lá da zona leste em direção à fama, ele fez com que o site da publicação, que andava meio na sombra, ganhasse 2 milhões de acessos em apenas quatro dias.
Ele capturou o coraçãozinho do paulistano sem fazer nenhum esforço extra, além daquele de que já se empenha cotidianamente, que é garantir o pão de cada dia na mesa das profissionais a quem contrata, digo, seduz, com seu charme trabalhado no plástico do cartão de crédito.
Alô, prefeito Haddad? O Senhor continua me ouvindo? É que a ligação do meu celular da Cielo parece estar falhando. Deve ser o meu Visa que está dando pau. Melhorou?
Então, para quem viu o vídeo, uma das trocentas paródias feitas a seu respeito ou leu a capa da tão comentada "Vejinha" do último domingo, o Alexander conseguiu um feito inacreditável.
Ele fez com que cada um de nós, comuns mortais, nos sentíssemos lindos, gostosos, satisfeitos com o que temos e, sobretudo, super bem-comidos. O cara funcionou como um Papai Noel que chegou antecipado. O senhor não entenderia nada sobre esse assunto, prefeito Haddad, porque já nasceu bonitão, mauricinho e abençoado e nunca precisou camelar para pegar ninguém. Mas posso lhe dar dois exemplos para esclarecer melhor o que estou tentando dizer.
Conversei sobre o Alexander nesta semana com o rapaz que conserta meu computador, um garoto de 22 anos que não é exatamente um Cauã Reymond ou ganha salário de executivo. Ele disse o seguinte: "Ué? Eu vivo pegando mulher no banheiro da balada e só preciso pagar o preço da entrada".
Em outra conversa, no percurso entre Interlagos e os Jardins no congestionamento monstro da última quarta, o motorista do táxi raciocinou comigo: "Dos R$ 50 mil que o Alexander gasta numa noite, eu guardaria R$ 49 mil para trocar meu carro, daí fecharia minha rua, gastaria R$ 1 mil comprando muita cerveja e carne para churrasco, faria uma festança que duraria um fim de semana inteiro e ainda aproveitaria para pegar quatro vizinhas que eu acho que são a fim de dar para mim".
Sentiu a parada, prefeito? Nosso Alexander merece uma medalha. Camarada ainda por cima é humilde à beça. Consegue ir na Armani, Gucci e Burberry's do shopping e sair de lá vestido como se tivesse passado por um outlet de Kansas City. É um verdadeiro São Francisco em matéria de despojamento. Quem de nós não gasta bem menos e se veste mil vezes melhor?
Só falta agora o pessoal da Receita "instagramar" o momento do pente fino na declaração de renda dele, né, prefeito? Hashtag glamour.
Vale o escrito? - NELSON MOTTA
O GLOBO - 08/11
Novo formato de fraude digital une a desonestidade à covardia: postam o seu texto original assinado, mas acrescentam por conta própria mais um parágrafo
Quanto ainda vale o escrito? Só no jogo do bicho. Na selva da internet, seus textos circulam com outras assinaturas e escritos alheios, quase sempre toscos e constrangedores, são atribuídos a você. Agora um novo formato de fraude digital une a desonestidade à covardia: postam o seu texto original assinado, mas acrescentam por conta própria mais um parágrafo no final, distorcendo o seu sentido — e comprometendo o seu autor.
No auge do mensalão, escrevi uma crônica sobre o caso de amor e ódio que mudou a História do Brasil, entre José Dirceu e Roberto Jefferson, fazendo um paralelo com Nina e Carminha de “Avenida Brasil”, em que o texto encaminhava o leitor à conclusão final: “Feitos um para o outro.” A crônica continua circulando até hoje, mas fraudada por uma anta que lhe acrescentou um novo final com frases grossas e ignorantes sobre Dirceu e Lula, que nem é citado no texto, e botou no ar, como se fosse minha.
Vai dizer que não é? Ou é, mas até certo ponto? Que ponto? Tarde demais, o estrago já está feito. É uma sensação desconcertante receber elogios ou ser criticado, ser amado ou odiado, pelo que você não escreveu. Ou pior, por um trabalho seu que foi adulterado, às vezes de forma sutil, às vezes grosseira, por um usurpador anônimo que quer propagandear as suas paixões políticas. E alguns são tão estúpidos que pensam que estão “reforçando” o texto, mas o estão enfraquecendo e desmoralizando, pelo excesso.
Em breve só poderá ser considerado autêntico o que for dito de viva voz em vídeo, mas com todos os atuais recursos de edição, manipulação e animação digital, nem isso será totalmente confiável, como é cada vez menos. Os biógrafos do futuro, que ironia, vão confiar mais na imprensa de papel e nos livros do que em textos da internet quando pesquisarem sobre o nosso tempo.
Quando se discute o direito à informação, o fim da privacidade, as ameaças à identidade e a defesa da intimidade na era digital, ainda ressoam as palavras de Nelson Rodrigues sobre seus limites e consequências: “Se todo mundo soubesse da vida sexual de todo mundo ninguém falaria com ninguém.”
Novo formato de fraude digital une a desonestidade à covardia: postam o seu texto original assinado, mas acrescentam por conta própria mais um parágrafo
Quanto ainda vale o escrito? Só no jogo do bicho. Na selva da internet, seus textos circulam com outras assinaturas e escritos alheios, quase sempre toscos e constrangedores, são atribuídos a você. Agora um novo formato de fraude digital une a desonestidade à covardia: postam o seu texto original assinado, mas acrescentam por conta própria mais um parágrafo no final, distorcendo o seu sentido — e comprometendo o seu autor.
No auge do mensalão, escrevi uma crônica sobre o caso de amor e ódio que mudou a História do Brasil, entre José Dirceu e Roberto Jefferson, fazendo um paralelo com Nina e Carminha de “Avenida Brasil”, em que o texto encaminhava o leitor à conclusão final: “Feitos um para o outro.” A crônica continua circulando até hoje, mas fraudada por uma anta que lhe acrescentou um novo final com frases grossas e ignorantes sobre Dirceu e Lula, que nem é citado no texto, e botou no ar, como se fosse minha.
Vai dizer que não é? Ou é, mas até certo ponto? Que ponto? Tarde demais, o estrago já está feito. É uma sensação desconcertante receber elogios ou ser criticado, ser amado ou odiado, pelo que você não escreveu. Ou pior, por um trabalho seu que foi adulterado, às vezes de forma sutil, às vezes grosseira, por um usurpador anônimo que quer propagandear as suas paixões políticas. E alguns são tão estúpidos que pensam que estão “reforçando” o texto, mas o estão enfraquecendo e desmoralizando, pelo excesso.
Em breve só poderá ser considerado autêntico o que for dito de viva voz em vídeo, mas com todos os atuais recursos de edição, manipulação e animação digital, nem isso será totalmente confiável, como é cada vez menos. Os biógrafos do futuro, que ironia, vão confiar mais na imprensa de papel e nos livros do que em textos da internet quando pesquisarem sobre o nosso tempo.
Quando se discute o direito à informação, o fim da privacidade, as ameaças à identidade e a defesa da intimidade na era digital, ainda ressoam as palavras de Nelson Rodrigues sobre seus limites e consequências: “Se todo mundo soubesse da vida sexual de todo mundo ninguém falaria com ninguém.”
E a Rádio MEC, hein? - ARTHUR DAPIEVE
O GLOBO - 08/11
É desanimador que burocratas possam considerar a música clássica ‘impopular’
“Por acaso a rádio MEC está acabando?”, perguntava o leitor. “Se isso for verdade, acho que ficarei órfão de boa música.” Ele reagia à nota enxertada ao pé da coluna passada: “Não ao desmonte final das rádios MEC AM e FM.” Respondi que temo que as rádios que conhecemos e apreciamos venham a acabar, ao menos como as conhecemos, dedicadas à boa música popular brasileira e ao melhor da música clássica.
O processo não vem de hoje, daí “desmonte final”. Em 1998, Fernando Henrique tirou a Rádio MEC da alçada do Ministério da Educação, ao qual a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro havia sido doada em 1935 por seu fundador, o visionário Edgar Roquette Pinto. Ela passou à Empresa Brasileira de Comunicação, a Radiobrás, por sua vez subordinada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
Em 2007, Lula criou a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) ao fundir a Radiobrás e a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), que cuidava da Rádio MEC e da antiga TVE. Não, não se tratam de meras mudanças de denominação e organograma. Do ponto de vista de Fernando Henrique e de Lula, as emissoras seriam instrumento de propaganda institucional do governo, não de educação.
Porém, só agora, com Dilma Rousseff, as consequências disso se fazem sentir de forma mais pesada. Com a absorção da Acerp pela EBC, os antigos funcionários da MEC se viram diante da proposta de ou se demitirem voluntariamente e se tornarem pessoas jurídicas (perdendo direitos trabalhistas) para talvez serem recontratados por projeto (talvez) ou simplesmente serem dispensados. Como resultado, eles estão sendo demitidos às dezenas, substituídos por concursados sem o devido preparo.
Não bastasse esse imbróglio, o prédio da rádio foi interditado em março, após vistoria do Ministério Público. Desde então, a MEC “mora de favor” nas instalações da Rede Brasil de Televisão (a antiga TVE) na Rua Gomes Freire e assiste, impotente, à deterioração de seu acervo e de suas instalações na antiga sede da Praça da República. Apesar de estarem fora do lar, tanto a AM quanto a FM continuam no ar.
Tudo somado, há uma dúvida razoável: perdendo muitos bons profissionais, entre eles Lauro Gomes, apresentador havia 13 anos do programa “Sala de concerto” na FM, as rádios terão condições — ou vontade política — de conservar a linha e o alto padrão? Esta é uma história em andamento, talvez esteja longe de acabar, mas há sinais preocupantes de que a resposta à questão seja “não”.
Em nota oficial, emitida na quarta-feira da semana passada em resposta a um questionamento do presidente da Academia Brasileira de Música, o violonista Turíbio Santos, a direção da EBC negou que a MEC FM vá ser extinta e garantiu que “não poupará esforços para continuar levando uma programação de qualidade aos ouvintes”. No dia seguinte, uma assembleia da Sociedade de Amigos e Ouvintes da Rádio MEC — que reuniu, entre outros, Edino Krieger, Jocy de Oliveira, Guilherme Bauer, Manoel Corrêa do Lago, Ricardo Cravo Albin, Aloysio Fagerlande e Rosana Lanzelotte — concluiu que a nota não corresponde ao que dizem velhos e novos funcionários. Um encontro para esclarecimentos entre o Sindicato dos Músicos e a EBC estava marcado para a noite de ontem, na sala de ensaios da Petrobras Sinfônica, na Fundição.
Insinua-se na “rádio corredor” que a EBC, de acordo com a missão institucional da Secretaria de Comunicação, gostaria de ouvir uma AM “mais popular” e ter uma FM “menos elitista”. Ora, para tocar artistas muito populares, como Anitta, MC Marcelly, Naldo e Thiaguinho, há uma profusão de emissoras comerciais. Mais uma, pública? Para tocar música clássica, o quadro é pior: não há no Rio nenhuma outra emissora.
É desanimador que burocratas possam considerar a música clássica “impopular” apenas por ela não ser “popular”, expressão que diz respeito a origens e características, não à capacidade de tocar e mobilizar massas. Eles poderiam ao menos se familiarizar com a história da música na URSS ou com o bem-sucedido El Sistema venezuelano, criado por José Antonio Abreu em 1975, ou seja, antes de Chávez — e que a ele sobreviveu. Centenas de orquestras abriram horizontes para milhares de jovens pobres. Aqui, por exemplo, há o êxito da Sinfônica Heliópolis, regida por Isaac Karabtchevsky.
O fato de hoje a música clássica ter um público menor que a popular tão somente ressalta a necessidade da existência de emissoras públicas que façam o trabalho que as comerciais não têm, pela própria natureza, interesse em fazer. Uma das propostas para preservar a Rádio MEC FM é que ela retorne ao ministério que a nomeia. Faz sentido. Escutar boa música é, além de curtir as maiores criações do espírito humano, aprender História. Isto é particularmente verdadeiro se ela tiver sido produzida séculos atrás.
Tenho esperança de que a MEC AM e a MEC FM não sofram ainda mais, mesmo sabendo que, como escreveu o sábio francês Edgar Morin, exatamente numa obra sobre cultura de massa, “a esperança é sempre o improvável”.
É desanimador que burocratas possam considerar a música clássica ‘impopular’
“Por acaso a rádio MEC está acabando?”, perguntava o leitor. “Se isso for verdade, acho que ficarei órfão de boa música.” Ele reagia à nota enxertada ao pé da coluna passada: “Não ao desmonte final das rádios MEC AM e FM.” Respondi que temo que as rádios que conhecemos e apreciamos venham a acabar, ao menos como as conhecemos, dedicadas à boa música popular brasileira e ao melhor da música clássica.
O processo não vem de hoje, daí “desmonte final”. Em 1998, Fernando Henrique tirou a Rádio MEC da alçada do Ministério da Educação, ao qual a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro havia sido doada em 1935 por seu fundador, o visionário Edgar Roquette Pinto. Ela passou à Empresa Brasileira de Comunicação, a Radiobrás, por sua vez subordinada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
Em 2007, Lula criou a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) ao fundir a Radiobrás e a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), que cuidava da Rádio MEC e da antiga TVE. Não, não se tratam de meras mudanças de denominação e organograma. Do ponto de vista de Fernando Henrique e de Lula, as emissoras seriam instrumento de propaganda institucional do governo, não de educação.
Porém, só agora, com Dilma Rousseff, as consequências disso se fazem sentir de forma mais pesada. Com a absorção da Acerp pela EBC, os antigos funcionários da MEC se viram diante da proposta de ou se demitirem voluntariamente e se tornarem pessoas jurídicas (perdendo direitos trabalhistas) para talvez serem recontratados por projeto (talvez) ou simplesmente serem dispensados. Como resultado, eles estão sendo demitidos às dezenas, substituídos por concursados sem o devido preparo.
Não bastasse esse imbróglio, o prédio da rádio foi interditado em março, após vistoria do Ministério Público. Desde então, a MEC “mora de favor” nas instalações da Rede Brasil de Televisão (a antiga TVE) na Rua Gomes Freire e assiste, impotente, à deterioração de seu acervo e de suas instalações na antiga sede da Praça da República. Apesar de estarem fora do lar, tanto a AM quanto a FM continuam no ar.
Tudo somado, há uma dúvida razoável: perdendo muitos bons profissionais, entre eles Lauro Gomes, apresentador havia 13 anos do programa “Sala de concerto” na FM, as rádios terão condições — ou vontade política — de conservar a linha e o alto padrão? Esta é uma história em andamento, talvez esteja longe de acabar, mas há sinais preocupantes de que a resposta à questão seja “não”.
Em nota oficial, emitida na quarta-feira da semana passada em resposta a um questionamento do presidente da Academia Brasileira de Música, o violonista Turíbio Santos, a direção da EBC negou que a MEC FM vá ser extinta e garantiu que “não poupará esforços para continuar levando uma programação de qualidade aos ouvintes”. No dia seguinte, uma assembleia da Sociedade de Amigos e Ouvintes da Rádio MEC — que reuniu, entre outros, Edino Krieger, Jocy de Oliveira, Guilherme Bauer, Manoel Corrêa do Lago, Ricardo Cravo Albin, Aloysio Fagerlande e Rosana Lanzelotte — concluiu que a nota não corresponde ao que dizem velhos e novos funcionários. Um encontro para esclarecimentos entre o Sindicato dos Músicos e a EBC estava marcado para a noite de ontem, na sala de ensaios da Petrobras Sinfônica, na Fundição.
Insinua-se na “rádio corredor” que a EBC, de acordo com a missão institucional da Secretaria de Comunicação, gostaria de ouvir uma AM “mais popular” e ter uma FM “menos elitista”. Ora, para tocar artistas muito populares, como Anitta, MC Marcelly, Naldo e Thiaguinho, há uma profusão de emissoras comerciais. Mais uma, pública? Para tocar música clássica, o quadro é pior: não há no Rio nenhuma outra emissora.
É desanimador que burocratas possam considerar a música clássica “impopular” apenas por ela não ser “popular”, expressão que diz respeito a origens e características, não à capacidade de tocar e mobilizar massas. Eles poderiam ao menos se familiarizar com a história da música na URSS ou com o bem-sucedido El Sistema venezuelano, criado por José Antonio Abreu em 1975, ou seja, antes de Chávez — e que a ele sobreviveu. Centenas de orquestras abriram horizontes para milhares de jovens pobres. Aqui, por exemplo, há o êxito da Sinfônica Heliópolis, regida por Isaac Karabtchevsky.
O fato de hoje a música clássica ter um público menor que a popular tão somente ressalta a necessidade da existência de emissoras públicas que façam o trabalho que as comerciais não têm, pela própria natureza, interesse em fazer. Uma das propostas para preservar a Rádio MEC FM é que ela retorne ao ministério que a nomeia. Faz sentido. Escutar boa música é, além de curtir as maiores criações do espírito humano, aprender História. Isto é particularmente verdadeiro se ela tiver sido produzida séculos atrás.
Tenho esperança de que a MEC AM e a MEC FM não sofram ainda mais, mesmo sabendo que, como escreveu o sábio francês Edgar Morin, exatamente numa obra sobre cultura de massa, “a esperança é sempre o improvável”.
Ueba! O Bieber é blackbunda! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 08/11
'Prostitutas de BH inovam e podem aceitar cartão de débito e crédito.' É o Xotacard! Ou Trepcard!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Boa notícia! Tiririca fica na política. Com o slogan: "Sem o Tiririca, Brasília mica". Rarará!
E essa: "Justin Bieber autuado por pichar muro de hotel". Cercado de seguranças. Bem mimado! Só transgride cercado de seguranças. BLACKBUNDA! Rarará.
Mas ele tá muito levado: vai pras termas e picha muro. E corre na internet a agenda do Bieber no Rio: "10h, impede o fechamento da porta do trem no ramal Deodoro. Cercado por dez seguranças! 12h, joga lixo no chão em plena Cinelândia em frente à Guarda Municipal. Cercado por oito seguranças. 14h30, mija em uma árvore em Ipanema. Cercado por sete seguranças. 22h15, depreda uma agência bancária no Leblon. Cercado por 89 seguranças! Todas as atividades terão apoio da Policia Militar". A agenda do blackbunda. E ele tá com a cara da larva da dengue! Rarará!
E atenção! Minas sempre na vanguarda! "Prostitutas de BH inovam e podem aceitar cartão de débito e crédito." É o Xotacard! Ou Trepcard! Rarará.
E mais uma categoria pra atormentar: débito ou crédito? CPF na nota? Gelo e limão? Comum ou aditivada? Luz acesa ou luz apagada? Serve Pepsi? Rarará!
Vantagens do Xotacard: ganha milhagem e brinde por fidelidade. Desvantagens: beijo na boca só no débito! Rarará!
E o duro vai ser explicar a fatura pra patroa. Mas essas faturas vêm sempre com outro nome, bem esquisito: "Hortifruti São Petersburgo". "Funilaria do Baitola." E um amigo meu foi numa casa de massagens e a fatura veio no nome da empresa: Coma Bem! Rarará!
E agora só falta o programa "Minha Piranha! Minha Vida!". E um leitor tem uma dúvida cruel e shakespeariana: "Se brochar, estorna?". Estorna, não. Entorna! Rarará!
Adorei essas quengas mineiras! Bem modernas! Tudo no cartão!
É mole? É mole, mas sobe!
Os Predestinados! Proprietário da Isotec Controle de Pragas Urbanas: Fernando Cupim. Aí uma amiga ligou: "É do Controle de Pragas Urbanas?". "Sim." "Com quem eu falo?" "Fernando CUPIM." Rarará!
E eu tenho um monte de praga urbana pra ele controlar: Alckmin, Haddad, Kassab, Maluf etc. Praga urbana é o que não falta! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Hoje, só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
'Prostitutas de BH inovam e podem aceitar cartão de débito e crédito.' É o Xotacard! Ou Trepcard!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Boa notícia! Tiririca fica na política. Com o slogan: "Sem o Tiririca, Brasília mica". Rarará!
E essa: "Justin Bieber autuado por pichar muro de hotel". Cercado de seguranças. Bem mimado! Só transgride cercado de seguranças. BLACKBUNDA! Rarará.
Mas ele tá muito levado: vai pras termas e picha muro. E corre na internet a agenda do Bieber no Rio: "10h, impede o fechamento da porta do trem no ramal Deodoro. Cercado por dez seguranças! 12h, joga lixo no chão em plena Cinelândia em frente à Guarda Municipal. Cercado por oito seguranças. 14h30, mija em uma árvore em Ipanema. Cercado por sete seguranças. 22h15, depreda uma agência bancária no Leblon. Cercado por 89 seguranças! Todas as atividades terão apoio da Policia Militar". A agenda do blackbunda. E ele tá com a cara da larva da dengue! Rarará!
E atenção! Minas sempre na vanguarda! "Prostitutas de BH inovam e podem aceitar cartão de débito e crédito." É o Xotacard! Ou Trepcard! Rarará.
E mais uma categoria pra atormentar: débito ou crédito? CPF na nota? Gelo e limão? Comum ou aditivada? Luz acesa ou luz apagada? Serve Pepsi? Rarará!
Vantagens do Xotacard: ganha milhagem e brinde por fidelidade. Desvantagens: beijo na boca só no débito! Rarará!
E o duro vai ser explicar a fatura pra patroa. Mas essas faturas vêm sempre com outro nome, bem esquisito: "Hortifruti São Petersburgo". "Funilaria do Baitola." E um amigo meu foi numa casa de massagens e a fatura veio no nome da empresa: Coma Bem! Rarará!
E agora só falta o programa "Minha Piranha! Minha Vida!". E um leitor tem uma dúvida cruel e shakespeariana: "Se brochar, estorna?". Estorna, não. Entorna! Rarará!
Adorei essas quengas mineiras! Bem modernas! Tudo no cartão!
É mole? É mole, mas sobe!
Os Predestinados! Proprietário da Isotec Controle de Pragas Urbanas: Fernando Cupim. Aí uma amiga ligou: "É do Controle de Pragas Urbanas?". "Sim." "Com quem eu falo?" "Fernando CUPIM." Rarará!
E eu tenho um monte de praga urbana pra ele controlar: Alckmin, Haddad, Kassab, Maluf etc. Praga urbana é o que não falta! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Hoje, só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Suspeitos de sempre - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 08/11
SÃO PAULO - O "stop and frisk" (parar e revistar) foi um dos destaques da eleição para prefeito de Nova York. A discussão é boa mesmo.
Baseada na filosofia da tolerância zero, a polícia de Nova York mantém um programa agressivo de "stop and frisk". Entre 2004 e 2012, abordou 4,4 milhões de pessoas nas ruas, revistando-as em busca de armas e drogas. O problema é que 80% dos suspeitos eram negros e latinos, o que levou associações de direitos civis a contestar a prática na Justiça.
Seus defensores afirmam que ela é fundamental para reduzir o crime. Trata-se de um argumento consequencialista: ainda que inocentes arbitrariamente parados sofram uma injustiça, isso seria plenamente compensado pelo benefício geral.
Pode ser. O ponto fraco aqui é que não existem estudos de qualidade a demonstrar o nexo entre as revistas e a diminuição da delinquência.
Já seu detratores dizem que a política é francamente racista e fomenta a desconfiança entre policiais e a população dos bairros pobres, o que é contraproducente no médio prazo.
Faz sentido, mas me pergunto se um programa dessa natureza poderia não envolver estereótipos. Pulemos da polícia de Nova York para o agente antidrogas no aeroporto. Se ele quer fazer uma apreensão de maconha, deve revistar o hippie cabeludo ou a senhora de meia idade com tailleur? Se ele optar pela mulher, amplia a probabilidade de estar desperdiçando dinheiro público.
Como resolver a celeuma? O problema está na matemática das revistas. Mesmo que funcionem, geram um número muito alto de falsos positivos, isto é, os 90% de abordados com as quais não se encontram armas ou drogas, mas que são submetidos a constrangimento. É um dano concreto. Já o bônus é só uma possibilidade teórica. Se a polícia quer continuar com o "stop and frisk", deveria mostrar, com um experimento prospectivo e bem controlado, que ele produz os resultados alegados.
SÃO PAULO - O "stop and frisk" (parar e revistar) foi um dos destaques da eleição para prefeito de Nova York. A discussão é boa mesmo.
Baseada na filosofia da tolerância zero, a polícia de Nova York mantém um programa agressivo de "stop and frisk". Entre 2004 e 2012, abordou 4,4 milhões de pessoas nas ruas, revistando-as em busca de armas e drogas. O problema é que 80% dos suspeitos eram negros e latinos, o que levou associações de direitos civis a contestar a prática na Justiça.
Seus defensores afirmam que ela é fundamental para reduzir o crime. Trata-se de um argumento consequencialista: ainda que inocentes arbitrariamente parados sofram uma injustiça, isso seria plenamente compensado pelo benefício geral.
Pode ser. O ponto fraco aqui é que não existem estudos de qualidade a demonstrar o nexo entre as revistas e a diminuição da delinquência.
Já seu detratores dizem que a política é francamente racista e fomenta a desconfiança entre policiais e a população dos bairros pobres, o que é contraproducente no médio prazo.
Faz sentido, mas me pergunto se um programa dessa natureza poderia não envolver estereótipos. Pulemos da polícia de Nova York para o agente antidrogas no aeroporto. Se ele quer fazer uma apreensão de maconha, deve revistar o hippie cabeludo ou a senhora de meia idade com tailleur? Se ele optar pela mulher, amplia a probabilidade de estar desperdiçando dinheiro público.
Como resolver a celeuma? O problema está na matemática das revistas. Mesmo que funcionem, geram um número muito alto de falsos positivos, isto é, os 90% de abordados com as quais não se encontram armas ou drogas, mas que são submetidos a constrangimento. É um dano concreto. Já o bônus é só uma possibilidade teórica. Se a polícia quer continuar com o "stop and frisk", deveria mostrar, com um experimento prospectivo e bem controlado, que ele produz os resultados alegados.
O progresso que engana - MILTON HATOUM
O Estado de S.Paulo - 08/11
Há poucos dias visitei uma casa na rua Saldanha Marinho, no centro de Manaus, que é também o centro da minha infância e, portanto, da minha memória.
Vi a mesma biblioteca com livros brasileiros, portugueses e franceses, a escrivaninha de cedro, os lustres antigos, os vitrais coloridos em forma de ogiva. Atravessei o longo corredor lateral que dá acesso aos quartos e à cozinha e termina num pátio cheio de vasos com avencas e tajás. No fim desse corredor, sentada numa austríaca, vi dona Maria Luiza Freitas Pinto, a professora que me alfabetizou.
Aos 97 anos, com uma lucidez invejável, ela relembrou cenas de um passado remoto. Disse que eu sentava num banquinho feito por índios da Colômbia e conversava com Anna Telles, mãe de dona Maria Luiza.
"Tu também gostavas de ver meu pai limpar discos com o rabo de um macaco barrigudo."
Olhou para mim, viajando no tempo, e prosseguiu, orgulhosa:
"O grupo escolar Barão do Rio Branco ainda está de pé".
De fato, o edifício antigo resistiu à barbárie que usurpou a memória urbana de Manaus. Comparado com a atual arquitetura da cidade, o estilo neoclássico do grupo escolar esbanja refinamento. Parece que os arquitetos se esqueceram do clima do equador. Mais fácil é projetar caixotes vedados, banindo varandas e janelões.
Disse à professora que o jambeiro ainda sombreia o pátio do grupo escolar, que, hoje, é uma escola estadual; nos meses de inverno, o chão ficará coberto de flores vermelhas, os leões de pedra da entrada vão perder sua cor de açafrão, os pilares serão manchados de limo.
"Naquela época", ela disse, folheando o livro de crônicas que lhe ofereci, "havia respeito mútuo... E uma boa biblioteca em cada escola".
Ela mencionou o prestígio do corpo docente, os exercícios em sala de aula - ditados, leituras, tabuadas e redações -, o mapa colorido do Brasil, com seus Estados e capitais, que os alunos deviam nomear.
Mas ao lado desse mapa pendurado na parede, havia uma palmatória, eu disse.
"Sim", ela concordou. "Quando eu olhava para a palmatória, os alunos mais endiabrados se acalmavam. E tu não eras um santo. Naquele tempo, a disciplina... Mas havia educação doméstica, a disciplina começava em casa. Tudo isso acabou. E já não há mais amor na aprendizagem."
Recordei alguns amigos do Barão do Rio Branco: os mais pobres moravam em palafitas na beira dos Igarapés de Manaus e dos Educandos; arregalavam os olhos quando viam a merenda dos que moravam em terra firme: banana frita, tapioquinha, queijo-coalho, suco de graviola, guaraná Tuchaua. Eu invejava a caligrafia caprichosa de Paulo Tarso, e imaginava que ele tinha uma maquininha na mão direita.
"A caligrafia era um exercício necessário", disse a professora. "Hoje em dia, poucos jovens usam um lápis ou uma caneta... O mais importante é saber ler e escrever. Saber pensar..."
Foi uma visita breve: não queria interromper a sesta da professora. Antes de sair da casa verde, prometi a dona Maria Luiza que voltaria a Manaus sem muita demora.
"Guardaste a redação?"
Claro, eu disse.
A professora referia-se à primeira redação que escrevi no Barão do Rio Branco. Ela me entregara a folha amarelada em 1989, quando lancei em Manaus meu primeiro romance. O texto descreve uma viagem ao Careiro e é ilustrado por um desenho de uma fazendola.
Numa viagem recente a uma comunidade rural do Amazonas, visitei uma escola pública, cujo estado era lamentável. Parecia um chiqueiro.
Pensei nas crianças humildes dessas comunidades ribeirinhas, crianças e jovens sem qualquer futuro, ou proibidas de sonhar com o futuro. Mais de 10% da população do Amazonas é analfabeta. Enquanto me distanciava da casa da professora, pensava nas armadilhas do "progresso", nas contradições entre a economia dinâmica da zona franca de Manaus e as desastrosas e ineficientes políticas públicas. Pensava nesse impasse, andando na rua sem sombra, porque na cidade equatorial, tão briosa de seu crescimento exuberante, não há calçadas nem árvores.
Há poucos dias visitei uma casa na rua Saldanha Marinho, no centro de Manaus, que é também o centro da minha infância e, portanto, da minha memória.
Vi a mesma biblioteca com livros brasileiros, portugueses e franceses, a escrivaninha de cedro, os lustres antigos, os vitrais coloridos em forma de ogiva. Atravessei o longo corredor lateral que dá acesso aos quartos e à cozinha e termina num pátio cheio de vasos com avencas e tajás. No fim desse corredor, sentada numa austríaca, vi dona Maria Luiza Freitas Pinto, a professora que me alfabetizou.
Aos 97 anos, com uma lucidez invejável, ela relembrou cenas de um passado remoto. Disse que eu sentava num banquinho feito por índios da Colômbia e conversava com Anna Telles, mãe de dona Maria Luiza.
"Tu também gostavas de ver meu pai limpar discos com o rabo de um macaco barrigudo."
Olhou para mim, viajando no tempo, e prosseguiu, orgulhosa:
"O grupo escolar Barão do Rio Branco ainda está de pé".
De fato, o edifício antigo resistiu à barbárie que usurpou a memória urbana de Manaus. Comparado com a atual arquitetura da cidade, o estilo neoclássico do grupo escolar esbanja refinamento. Parece que os arquitetos se esqueceram do clima do equador. Mais fácil é projetar caixotes vedados, banindo varandas e janelões.
Disse à professora que o jambeiro ainda sombreia o pátio do grupo escolar, que, hoje, é uma escola estadual; nos meses de inverno, o chão ficará coberto de flores vermelhas, os leões de pedra da entrada vão perder sua cor de açafrão, os pilares serão manchados de limo.
"Naquela época", ela disse, folheando o livro de crônicas que lhe ofereci, "havia respeito mútuo... E uma boa biblioteca em cada escola".
Ela mencionou o prestígio do corpo docente, os exercícios em sala de aula - ditados, leituras, tabuadas e redações -, o mapa colorido do Brasil, com seus Estados e capitais, que os alunos deviam nomear.
Mas ao lado desse mapa pendurado na parede, havia uma palmatória, eu disse.
"Sim", ela concordou. "Quando eu olhava para a palmatória, os alunos mais endiabrados se acalmavam. E tu não eras um santo. Naquele tempo, a disciplina... Mas havia educação doméstica, a disciplina começava em casa. Tudo isso acabou. E já não há mais amor na aprendizagem."
Recordei alguns amigos do Barão do Rio Branco: os mais pobres moravam em palafitas na beira dos Igarapés de Manaus e dos Educandos; arregalavam os olhos quando viam a merenda dos que moravam em terra firme: banana frita, tapioquinha, queijo-coalho, suco de graviola, guaraná Tuchaua. Eu invejava a caligrafia caprichosa de Paulo Tarso, e imaginava que ele tinha uma maquininha na mão direita.
"A caligrafia era um exercício necessário", disse a professora. "Hoje em dia, poucos jovens usam um lápis ou uma caneta... O mais importante é saber ler e escrever. Saber pensar..."
Foi uma visita breve: não queria interromper a sesta da professora. Antes de sair da casa verde, prometi a dona Maria Luiza que voltaria a Manaus sem muita demora.
"Guardaste a redação?"
Claro, eu disse.
A professora referia-se à primeira redação que escrevi no Barão do Rio Branco. Ela me entregara a folha amarelada em 1989, quando lancei em Manaus meu primeiro romance. O texto descreve uma viagem ao Careiro e é ilustrado por um desenho de uma fazendola.
Numa viagem recente a uma comunidade rural do Amazonas, visitei uma escola pública, cujo estado era lamentável. Parecia um chiqueiro.
Pensei nas crianças humildes dessas comunidades ribeirinhas, crianças e jovens sem qualquer futuro, ou proibidas de sonhar com o futuro. Mais de 10% da população do Amazonas é analfabeta. Enquanto me distanciava da casa da professora, pensava nas armadilhas do "progresso", nas contradições entre a economia dinâmica da zona franca de Manaus e as desastrosas e ineficientes políticas públicas. Pensava nesse impasse, andando na rua sem sombra, porque na cidade equatorial, tão briosa de seu crescimento exuberante, não há calçadas nem árvores.
Cubanos no Rio - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 08/11
Setenta médicos do Mais Médicos começam a trabalhar no Rio dia 1º agora. Desses, 68 são estrangeiros — 65 cubanos, um argentino, uma peruana e uma espanhola.
Com isso, a prefeitura calcula que a cobertura da atenção básica no Rio passará de 41% para 45% da população.
Democracia é melhor
A Comissão Estadual da Verdade do Rio recuperou nos arquivos do Dops este registro de ocorrência (reprodução acima) da prisão da atriz Elke Maravilha em 26 de fevereiro de 1972.
No Aeroporto Santos Dumont, ela, aos gritos de “ditadura assassina”, rasgou um cartaz de “terroristas procurados”. É que num deles havia uma foto de Stuart Angel. A divulgação do tal cartaz foi uma maneira de o regime não assumir que ele já tinha sido assassinado, no ano anterior, no Galeão.
Aliás...
O caso foi retratado no filme “Zuzu Angel”, de Sérgio Rezende, de 2006, com Luana Piovani no papel de Elke.
Revolução de 1930
Numa cerimônia, ontem, na embaixada brasileira em Paris, a ministra francesa de Esportes, Valérie Fourneyron, na presença de ministros brasileiros, chamou o ex-jogador Ronaldo, que estava ao seu lado, de... Cristiano Ronaldo.
Segue...
O ministro Aldo Rebelo para mostrar que os preços no Brasil, às vésperas do Mundial, não estão aumentando mais do que em outros países, disse que o hotel em que sempre se hospeda em Paris duplicou o preço da diária nos últimos dez anos:
— Eu sempre fico no Hotel Galileo. Foi lá que brasileiros ficaram quando vieram comprar armas para a Revolução de 30.
Aldo, na outra encarnação, foi historiador. Ah, bom!
Calma, gente!
Deborah Secco, a talentosa atriz, está sofrendo represálias no Instagram, a rede social de compartilhamento de fotos.
Vários de seus seguidores a criticam por estar envolvida — por causa do pai dela — em um caso de desvio de dinheiro público.
Um deles diz: “Desviando dinheiro público e ainda sorri.”
Clássico brasileiro
“Crônica da casa assassinada”, de Lúcio Cardoso, um dos grandes clássicos da literatura brasileira do século XX, vai finalmente ser traduzido para o inglês.
A agência VBM, que representa a obra, escrita em 1959, vendeu os direitos para o editor Chad Posto, da americana Open Letters.
Casa nova
A Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), finalmente, está de malas prontas e vai se mudar para a Cidade das Artes, na Barra. As salas já estão liberadas. O primeiro concerto será em 14 de dezembro, nos jardins da Cidade das Artes, com o Projeto Aquarius.
Em 2002, a ideia era construir a então Cidade da Música para que o lugar se tornasse a sede da OSB.
O rei do camarote
Veja na foto.
A TV Globo vai tirar uma casquinha no sucesso deste personagem ridículo Alexander de Almeida, o rei do camarote. Num vídeo da “Vejinha São Paulo”, já visto, acredite, por mais de quatro milhões de pessoas, ele aparece esbanjando fortunas em noitadas.
O ex-prefeito de Pitanguá Reinaldo Rangel, personagem de Tony Ramos no seriado “A mulher do prefeito”, vai aparecer assim hoje, na versão websérie: bebendo champanhe que nem o deslumbrado paulista.
Mãos ao alto!
Pela segunda vez este ano, uma joalheria na Rua Garcia d’Ávila, em Ipanema, foi assaltada.
Às 9h, motoqueiros renderam os funcionários e levaram todos os relógios Rolex da loja.
Em tempo...
A loja roubada fica perto do prédio onde mora o secretário de Segurança José Mariano Beltrame.
Com isso, a prefeitura calcula que a cobertura da atenção básica no Rio passará de 41% para 45% da população.
Democracia é melhor
A Comissão Estadual da Verdade do Rio recuperou nos arquivos do Dops este registro de ocorrência (reprodução acima) da prisão da atriz Elke Maravilha em 26 de fevereiro de 1972.
No Aeroporto Santos Dumont, ela, aos gritos de “ditadura assassina”, rasgou um cartaz de “terroristas procurados”. É que num deles havia uma foto de Stuart Angel. A divulgação do tal cartaz foi uma maneira de o regime não assumir que ele já tinha sido assassinado, no ano anterior, no Galeão.
Aliás...
O caso foi retratado no filme “Zuzu Angel”, de Sérgio Rezende, de 2006, com Luana Piovani no papel de Elke.
Revolução de 1930
Numa cerimônia, ontem, na embaixada brasileira em Paris, a ministra francesa de Esportes, Valérie Fourneyron, na presença de ministros brasileiros, chamou o ex-jogador Ronaldo, que estava ao seu lado, de... Cristiano Ronaldo.
Segue...
O ministro Aldo Rebelo para mostrar que os preços no Brasil, às vésperas do Mundial, não estão aumentando mais do que em outros países, disse que o hotel em que sempre se hospeda em Paris duplicou o preço da diária nos últimos dez anos:
— Eu sempre fico no Hotel Galileo. Foi lá que brasileiros ficaram quando vieram comprar armas para a Revolução de 30.
Aldo, na outra encarnação, foi historiador. Ah, bom!
Calma, gente!
Deborah Secco, a talentosa atriz, está sofrendo represálias no Instagram, a rede social de compartilhamento de fotos.
Vários de seus seguidores a criticam por estar envolvida — por causa do pai dela — em um caso de desvio de dinheiro público.
Um deles diz: “Desviando dinheiro público e ainda sorri.”
Clássico brasileiro
“Crônica da casa assassinada”, de Lúcio Cardoso, um dos grandes clássicos da literatura brasileira do século XX, vai finalmente ser traduzido para o inglês.
A agência VBM, que representa a obra, escrita em 1959, vendeu os direitos para o editor Chad Posto, da americana Open Letters.
Casa nova
A Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), finalmente, está de malas prontas e vai se mudar para a Cidade das Artes, na Barra. As salas já estão liberadas. O primeiro concerto será em 14 de dezembro, nos jardins da Cidade das Artes, com o Projeto Aquarius.
Em 2002, a ideia era construir a então Cidade da Música para que o lugar se tornasse a sede da OSB.
O rei do camarote
Veja na foto.
A TV Globo vai tirar uma casquinha no sucesso deste personagem ridículo Alexander de Almeida, o rei do camarote. Num vídeo da “Vejinha São Paulo”, já visto, acredite, por mais de quatro milhões de pessoas, ele aparece esbanjando fortunas em noitadas.
O ex-prefeito de Pitanguá Reinaldo Rangel, personagem de Tony Ramos no seriado “A mulher do prefeito”, vai aparecer assim hoje, na versão websérie: bebendo champanhe que nem o deslumbrado paulista.
Mãos ao alto!
Pela segunda vez este ano, uma joalheria na Rua Garcia d’Ávila, em Ipanema, foi assaltada.
Às 9h, motoqueiros renderam os funcionários e levaram todos os relógios Rolex da loja.
Em tempo...
A loja roubada fica perto do prédio onde mora o secretário de Segurança José Mariano Beltrame.
UM CANTO PARA GIL - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 08/11
Eduardo Campos (PSB-PE) convidou Gilberto Gil para ser candidato ao governo do Rio de Janeiro no próximo ano em aliança com seu partido, o PSB.
VAMOS NESSA
A sondagem foi feita na semana passada, quando Gil estava no Recife para um show. Pré-candidato a presidente, o governador de Pernambuco procurou o cantor para falar do assunto.
FICO AQUI
A assessoria de Gil afirma que desconhece o fato. E informa que ele não pretende se candidatar a nenhum cargo. O cantor é filiado ao PV (Partido Verde).
EU TAMBÉM
O ator Marcos Palmeira, recém-filiado ao PSB, também foi sondado ("por artistas", segundo diz) para disputar o governo do RJ. Disse que não tem interesse.
TODO OUVIDOS
Apesar da defesa de Fernando Haddad a seu secretário de Governo, Antonio Donato, os radares da equipe mais próxima ao prefeito já estavam ontem ligados na potência máxima. Temiam ser surpreendidos com novas notícias sobre algum tipo de proximidade dele com os auditores presos na semana passada por corrupção.
TEMPO AO TEMPO
E já ontem circulava também na prefeitura a possibilidade de Donato se licenciar do cargo. O temor era o de que, ainda que sem base nos fatos, os acusados de corrupção tentassem envolvê-lo para atingir Haddad, que criou a controladoria que fez o cerco final à suposta máfia.
SILÊNCIO
Até a manhã de ontem, nenhuma das empresas suspeitas de pagar propina para os fiscais tinha procurado a controladoria para prestar esclarecimentos. Só a Brookfield, citada desde o início.
BARULHO
A controladoria e o Ministério Público devem considerar que as empresas que não se oferecerem para esclarecimentos espontâneos não podem depois pleitear o tratamento de vítimas de extorsão. Passam a ser suspeitas de corrupção.
GUERRA...
A exibição de uma foto de Bárbara Paz em peça do Teatro Oficina não foi uma crítica à atriz, mas "à ditadura do mercado", segundo o diretor Zé Celso Martinez Corrêa. A imagem --parte de um ensaio com o tema "black bloc" protagonizado por ela-- apareceu em cena de "Cacilda!!! Glória no TBC - Capítulo 1" que atribui ao endurecimento da ditadura a migração de artistas dos palcos para a TV.
...E PAZ
Bárbara já fez trabalhos com o Oficina. "Para sobreviver, temos de pagar algum dízimo. Até eu já fiz pontinha numa novela na Globo", diz o diretor. "Amo o Zé Celso", afirma a atriz. "Exerço o meu ofício. Na TV e no teatro. Não sou uma vendida." A foto será tirada das próximas sessões, segundo Martinez, por razões estéticas.
NA GÔNDOLA
A maior parte dos idosos (51%) não consegue compreender os rótulos das embalagens de alimentos, por causa de "palavras difíceis" e informações escondidas. Desses, 88% dizem que as letras são ilegíveis.
NA GÔNDOLA 2
"Isso é muito grave, pois eles são um grupo com alto percentual de restrições alimentares", afirma Marianna Magnoni, coordenadora de um estudo inédito sobre consumo de alimentos na terceira idade. A pesquisa da ESPM, com apoio do Hcor e do Instituto Dante Pazzanese, acompanhou hábitos de 102 idosos cardiopatas.
LACRE
A abertura das embalagens também é um problema para 52,9% dos entrevistados. Para 80% deles, as propagandas de alimentos não são feitas para a terceira idade. Quase 90% dos que foram ouvidos não conseguem citar um anúncio que tenha um idoso. Os dados serão divulgados no dia 22, em evento na ESPM sobre o marketing de alimentos.
UMA LONGA ESTRADA
Helena Carvalhosa, 75, começou sua carreira nas artes plásticas em 1963. E diz que nunca mais parou. "O caminho pra se chegar a uma identidade própria é sempre longo", afirma.
Prestes a inaugurar uma exposição com pinturas, cerâmicas e desenhos, a artista --que, entre outros trabalhos, publicou um livro com fotos de objetos criados por ela e trechos da obra do poeta Manoel de Barros (com cartinha de autorização escrita por ele)-- diz que se inspira no conceito de liberdade para criar.
"Continuarei na arte até morrer. É o que me interessa", afirma Helena. A abertura da mostra está marcada para o próximo dia 13.
MANIFESTO MODERNISTA
O arquiteto Michel Safatle ofereceu jantar de aniversário à empresária Tarsila do Amaral, sobrinha-neta e homônima da pintora, anteontem, na Vila Nova Conceição. Os artistas plásticos Gustavo von Ha e Maria Bonomi, com a galerista Maria Helena Peres de Oliveira, e o empresário Álvaro Coelho da Fonseca estiveram na festa.
VERSÃO PAULISTA
A cantora Juçara Marçal e os músicos Kiko Dinucci, Criolo e Décio 7 se apresentaram no projeto Afrosampa - Releitura Urbana, anteontem, no Sesc Vila Mariana. O show homenageou os 47 anos do disco "Os Afro Sambas", de Vinicius de Moraes e Baden Powell.
CURTO-CIRCUITO
Mais de 15 mil pessoas já visitaram a mostra de Mira Schendel, artista suíça radicada no Brasil, no primeiro mês em cartaz na galeria inglesa Tate Modern.
O livro "Sobre Bolas e Outros Projetos: Eduardo Longo Arquiteto", de Fernando Serapião, será lançado hoje, no Museu da Casa Brasileira, às 19h30.
O escritório Franco Montoro e Peixoto Advogados, de Paulo Peixoto e Rodrigo Montoro, comemora dez anos, amanhã, na Estação São Paulo, às 20h.
A Repetto promove aula de balé para crianças, amanhã, às 10h30, na loja do shopping Cidade Jardim.
VAMOS NESSA
A sondagem foi feita na semana passada, quando Gil estava no Recife para um show. Pré-candidato a presidente, o governador de Pernambuco procurou o cantor para falar do assunto.
FICO AQUI
A assessoria de Gil afirma que desconhece o fato. E informa que ele não pretende se candidatar a nenhum cargo. O cantor é filiado ao PV (Partido Verde).
EU TAMBÉM
O ator Marcos Palmeira, recém-filiado ao PSB, também foi sondado ("por artistas", segundo diz) para disputar o governo do RJ. Disse que não tem interesse.
TODO OUVIDOS
Apesar da defesa de Fernando Haddad a seu secretário de Governo, Antonio Donato, os radares da equipe mais próxima ao prefeito já estavam ontem ligados na potência máxima. Temiam ser surpreendidos com novas notícias sobre algum tipo de proximidade dele com os auditores presos na semana passada por corrupção.
TEMPO AO TEMPO
E já ontem circulava também na prefeitura a possibilidade de Donato se licenciar do cargo. O temor era o de que, ainda que sem base nos fatos, os acusados de corrupção tentassem envolvê-lo para atingir Haddad, que criou a controladoria que fez o cerco final à suposta máfia.
SILÊNCIO
Até a manhã de ontem, nenhuma das empresas suspeitas de pagar propina para os fiscais tinha procurado a controladoria para prestar esclarecimentos. Só a Brookfield, citada desde o início.
BARULHO
A controladoria e o Ministério Público devem considerar que as empresas que não se oferecerem para esclarecimentos espontâneos não podem depois pleitear o tratamento de vítimas de extorsão. Passam a ser suspeitas de corrupção.
GUERRA...
A exibição de uma foto de Bárbara Paz em peça do Teatro Oficina não foi uma crítica à atriz, mas "à ditadura do mercado", segundo o diretor Zé Celso Martinez Corrêa. A imagem --parte de um ensaio com o tema "black bloc" protagonizado por ela-- apareceu em cena de "Cacilda!!! Glória no TBC - Capítulo 1" que atribui ao endurecimento da ditadura a migração de artistas dos palcos para a TV.
...E PAZ
Bárbara já fez trabalhos com o Oficina. "Para sobreviver, temos de pagar algum dízimo. Até eu já fiz pontinha numa novela na Globo", diz o diretor. "Amo o Zé Celso", afirma a atriz. "Exerço o meu ofício. Na TV e no teatro. Não sou uma vendida." A foto será tirada das próximas sessões, segundo Martinez, por razões estéticas.
NA GÔNDOLA
A maior parte dos idosos (51%) não consegue compreender os rótulos das embalagens de alimentos, por causa de "palavras difíceis" e informações escondidas. Desses, 88% dizem que as letras são ilegíveis.
NA GÔNDOLA 2
"Isso é muito grave, pois eles são um grupo com alto percentual de restrições alimentares", afirma Marianna Magnoni, coordenadora de um estudo inédito sobre consumo de alimentos na terceira idade. A pesquisa da ESPM, com apoio do Hcor e do Instituto Dante Pazzanese, acompanhou hábitos de 102 idosos cardiopatas.
LACRE
A abertura das embalagens também é um problema para 52,9% dos entrevistados. Para 80% deles, as propagandas de alimentos não são feitas para a terceira idade. Quase 90% dos que foram ouvidos não conseguem citar um anúncio que tenha um idoso. Os dados serão divulgados no dia 22, em evento na ESPM sobre o marketing de alimentos.
UMA LONGA ESTRADA
Helena Carvalhosa, 75, começou sua carreira nas artes plásticas em 1963. E diz que nunca mais parou. "O caminho pra se chegar a uma identidade própria é sempre longo", afirma.
Prestes a inaugurar uma exposição com pinturas, cerâmicas e desenhos, a artista --que, entre outros trabalhos, publicou um livro com fotos de objetos criados por ela e trechos da obra do poeta Manoel de Barros (com cartinha de autorização escrita por ele)-- diz que se inspira no conceito de liberdade para criar.
"Continuarei na arte até morrer. É o que me interessa", afirma Helena. A abertura da mostra está marcada para o próximo dia 13.
MANIFESTO MODERNISTA
O arquiteto Michel Safatle ofereceu jantar de aniversário à empresária Tarsila do Amaral, sobrinha-neta e homônima da pintora, anteontem, na Vila Nova Conceição. Os artistas plásticos Gustavo von Ha e Maria Bonomi, com a galerista Maria Helena Peres de Oliveira, e o empresário Álvaro Coelho da Fonseca estiveram na festa.
VERSÃO PAULISTA
A cantora Juçara Marçal e os músicos Kiko Dinucci, Criolo e Décio 7 se apresentaram no projeto Afrosampa - Releitura Urbana, anteontem, no Sesc Vila Mariana. O show homenageou os 47 anos do disco "Os Afro Sambas", de Vinicius de Moraes e Baden Powell.
CURTO-CIRCUITO
Mais de 15 mil pessoas já visitaram a mostra de Mira Schendel, artista suíça radicada no Brasil, no primeiro mês em cartaz na galeria inglesa Tate Modern.
O livro "Sobre Bolas e Outros Projetos: Eduardo Longo Arquiteto", de Fernando Serapião, será lançado hoje, no Museu da Casa Brasileira, às 19h30.
O escritório Franco Montoro e Peixoto Advogados, de Paulo Peixoto e Rodrigo Montoro, comemora dez anos, amanhã, na Estação São Paulo, às 20h.
A Repetto promove aula de balé para crianças, amanhã, às 10h30, na loja do shopping Cidade Jardim.
Aécio x Eduardo - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 08/11
O acordo de Aécio Neves e Eduardo Campos foi para o espaço. Tucanos e socialistas não passam um dia sem cantar, em prosa e verso, os limites da candidatura do outro. O apoio de Marina Silva a Eduardo mudou a relação entre eles. Agora, os tucanos avaliam que Marina criará muitos dramas para o PSB. Os socialistas dizem que Aécio é a volta ao passado e apostam no conflito com José Serra.
Relação de desconfiança
As rusgas entre o PMDB e o PT são conhecidas. Mas também não anda bem a relação do PSDB com o DEM. O prefeito de Salvador, ACM Neto, ouviu muitas queixas ontem no Congresso. O partido teme a traição dos tucanos nos estados. Em 2010, mesmo após acordo, o PSDB tirou o tapete de João Alves (DEM), que perdeu o pleito para o governador Marcelo Déda (PT). O mesmo ocorreu no Pará. O governador Simão Jatene ( PSDB) ignorou acordo e puxou a escada da candidata do DEM ao Senado Valéria Pires. Será que o governador Teotônio Vilela (PSDB) vai apoiar o único nome viável do DEM para um governo estadual, Thomaz Nonô, nas Alagoas?
“Estou com um pé lá e outro cá. Se o PT e o governador Cid Gomes não me apoiarem, concorro ao governo ao lado do PSDB e do Tasso Jereissati” Eunício Oliveira
Líder do PMDB no Senado (CE)
No ‘caldeirão’ cearense
O ex-presidente do PSDB Tasso Jereissati deve mesmo concorrer ao Senado. Ele é a estrela de inserções regionais dos tucanos que estão no ar. Nelas, o tucano faz pesadas críticas à gestão do governador Cid Gomes (PROS).
Bola cheia
A presidente Dilma está na “fase” mobilidade. Por isso, o ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades) é visto várias vezes por semana no gabinete presidencial. Lá, tratam do andamento das obras, das “entregas” e das viagens da presidente. A pasta, muito cobiçada, concentra os investimentos em mobilidade, saneamento e no Minha Casa Minha Vida.
Fim da festa
As companhias aéreas viraram alvo do presidente do Senado, Renan Calheiros. Ele acha um abuso a casa pagar tarifas cheias pelas passagens aéreas. Dia desses, a instituição pagou R$ 3 mil para um palestrante fazer o trecho São Paulo-Brasília.
Acertando o passo
O Planalto monitora os debates dos candidatos à presidência do PT e não gostou das críticas pesadas à gestão da presidente Dilma. Depois da eleição, ela determinou a auxiliares que façam uma “autópsia” do processo eleitoral para saber o tamanho real da bronca no PT. Essa análise vai pesar na formação da nova Executiva, que será dominada pela CNB, e das direções nos estados.
Fim da queda de braço
A “neutralidade” que impede a cobrança pela transmissão de conteúdos vai prevalecer no marco civil da internet. Estão fechados com ela o ministro Paulo Bernardo (Comunicações), as emissoras de TV, o Google e o Facebook.
Às escuras
O Alvorada ficou sem luz na madrugada de quarta-feira. O Palácio tem dois geradores, mas um está estragado, e a Companhia de Energia de Brasília não conserta. Naquela noite, a presidente Dilma dormia, e o outro gerador também pifou.
O SENADOR AÉCIO NEVES (PSD) cantarolando: “Domingo vou ao Mineirão/Ver meu Cruzeiro ser campeão’ O time pode ser campeão antecipado do Brasileiro.
Relação de desconfiança
As rusgas entre o PMDB e o PT são conhecidas. Mas também não anda bem a relação do PSDB com o DEM. O prefeito de Salvador, ACM Neto, ouviu muitas queixas ontem no Congresso. O partido teme a traição dos tucanos nos estados. Em 2010, mesmo após acordo, o PSDB tirou o tapete de João Alves (DEM), que perdeu o pleito para o governador Marcelo Déda (PT). O mesmo ocorreu no Pará. O governador Simão Jatene ( PSDB) ignorou acordo e puxou a escada da candidata do DEM ao Senado Valéria Pires. Será que o governador Teotônio Vilela (PSDB) vai apoiar o único nome viável do DEM para um governo estadual, Thomaz Nonô, nas Alagoas?
“Estou com um pé lá e outro cá. Se o PT e o governador Cid Gomes não me apoiarem, concorro ao governo ao lado do PSDB e do Tasso Jereissati” Eunício Oliveira
Líder do PMDB no Senado (CE)
No ‘caldeirão’ cearense
O ex-presidente do PSDB Tasso Jereissati deve mesmo concorrer ao Senado. Ele é a estrela de inserções regionais dos tucanos que estão no ar. Nelas, o tucano faz pesadas críticas à gestão do governador Cid Gomes (PROS).
Bola cheia
A presidente Dilma está na “fase” mobilidade. Por isso, o ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades) é visto várias vezes por semana no gabinete presidencial. Lá, tratam do andamento das obras, das “entregas” e das viagens da presidente. A pasta, muito cobiçada, concentra os investimentos em mobilidade, saneamento e no Minha Casa Minha Vida.
Fim da festa
As companhias aéreas viraram alvo do presidente do Senado, Renan Calheiros. Ele acha um abuso a casa pagar tarifas cheias pelas passagens aéreas. Dia desses, a instituição pagou R$ 3 mil para um palestrante fazer o trecho São Paulo-Brasília.
Acertando o passo
O Planalto monitora os debates dos candidatos à presidência do PT e não gostou das críticas pesadas à gestão da presidente Dilma. Depois da eleição, ela determinou a auxiliares que façam uma “autópsia” do processo eleitoral para saber o tamanho real da bronca no PT. Essa análise vai pesar na formação da nova Executiva, que será dominada pela CNB, e das direções nos estados.
Fim da queda de braço
A “neutralidade” que impede a cobrança pela transmissão de conteúdos vai prevalecer no marco civil da internet. Estão fechados com ela o ministro Paulo Bernardo (Comunicações), as emissoras de TV, o Google e o Facebook.
Às escuras
O Alvorada ficou sem luz na madrugada de quarta-feira. O Palácio tem dois geradores, mas um está estragado, e a Companhia de Energia de Brasília não conserta. Naquela noite, a presidente Dilma dormia, e o outro gerador também pifou.
O SENADOR AÉCIO NEVES (PSD) cantarolando: “Domingo vou ao Mineirão/Ver meu Cruzeiro ser campeão’ O time pode ser campeão antecipado do Brasileiro.
Esquadrão antibomba - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 08/11
O Palácio do Planalto teme que o Congresso ceda à pressão de trabalhadores que aguardam a aprovação de reajustes salariais e decidiu reforçar a articulação para tirar esses projetos da pauta. A presidente Dilma Rousseff deve se reunir com líderes da Câmara e do Senado na próxima semana para desarmar as "bombas fiscais", que ampliam despesas do governo. A avaliação é que a tentativa de convencimento conduzida pelas ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann não surtiu efeito.
Buzinaço O governo calcula que o Congresso não vai suportar a pressão de 10 mil agentes de saúde que devem ir a Brasília reivindicar reajuste na próxima semana e expor nas redes sociais quem votar contra o projeto.
Barril Dilma estará hoje com a presidente da Petrobras, Graça Foster, no lançamento de uma plataforma no estaleiro de Rio Grande (RS). É o primeiro encontro das duas desde que a presidente afirmou que não foi consultada sobre proposta de reajuste do preço da gasolina.
No bolso O governo de São Paulo resiste em incluir outras empresas na ação de ressarcimento contra a Siemens, como quer a Justiça. Tem receio de que, caso o Cade não formalize a existência do cartel, ele seja obrigado a arcar com as custas da causa.
Vaquinha O Palácio dos Bandeirantes já considerava que a ação poderia ser rejeitada, mas achou necessário dar uma resposta às acusações. Na estratégia do governo, caso a ação seja aceita, caberá à Siemens acionar as demais empresas do cartel para que dividam o prejuízo.
Inferno astral Aniversariante de ontem, o governador Geraldo Alckmin ganhou de presente uma pilha de livros, entre eles títulos de política, religião e autoajuda. Queixou-se apenas de não ter recebido nada dos deputados estaduais da base: "Estão em crise porque perderam o auxílio-paletó na Assembleia".
Teste... Líderes do PT apontam semelhança entre o projeto de Aécio Neves (PSDB-MG) de integrar o Bolsa Família à legislação de assistência social e outro, apresentado em 2008 pela ex-deputada Rita Camata (ES).
... de DNA Os dois textos recebem a mesma crítica do governo: reduzem o programa ao assistencialismo, sem levar em conta seu impacto na educação e na saúde.
Vem cá 1 A ala majoritária do PPS, que quer apoiar Eduardo Campos, quer fazer do congresso do partido, em dezembro, o primeiro gesto público em direção à aliança com o socialista. O governador será convidado e terá papel de destaque no encontro.
Vem cá 2 Aécio também será convidado. Com isso, a sigla tenta não melindrar o PSDB e aproximar os dois rivais de Dilma, de olho num eventual segundo turno.
Quem avisa... José Sérgio Gabrielli disse anteontem a Lula que a candidatura de Lídice da Mata (PSB) ao governo baiano reforça o palanque de Campos no Nordeste.
... candidato é Em causa própria, o ex-presidente da Petrobras opinou que o PT precisará de um candidato com bom trânsito entre empresários e movimentos sociais. Lula disse para Gabrielli manter o bloco na rua.
Na foto O ex-presidente vai votar na eleição interna do PT ao meio-dia de domingo, em São Bernardo do Campo. Vai levar a tiracolo o ministro e pré-candidato Alexandre Padilha (Saúde).
Visita à Folha Eduardo Cunha, deputado federal pelo Rio e líder do PMDB na Câmara, visitou ontem a Folha. Estava com Flávia Morais, assessora de imprensa.
com BRUNO BOGHOSSIAN e PAULO GAMA
tiroteio
"O governo tucano confundiu ação jurídica e ação de marketing. Esqueceu que a Justiça não age embalada por pesquisas eleitorais."
DE EMIDIO DE SOUZA, ex-prefeito de Osasco e candidato a presidente do PT-SP, sobre rejeição de pedido de ressarcimento feito por Geraldo Alckmin à Siemens.
contraponto
Dinâmica de grupo
Logo após a eleição de Lula em 2002, a cúpula da campanha petista viveu dias de expectativa sobre a montagem do novo ministério. Todos os aliados acreditavam que poderiam receber a qualquer momento um telefonema do chefe do cerimonial, Marcos Laguna, que tinha a incumbência de contatar os futuros ministros.
--O Laguna já ligou?! --, perguntavam-se a toda hora.
A tensão era tão grande que, durante um evento, o então prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, fez uma brincadeira para testar os ânimos e, ao se aproximar de uma roda de petistas, gritou: "Ministro!". Todos se viraram.
O Palácio do Planalto teme que o Congresso ceda à pressão de trabalhadores que aguardam a aprovação de reajustes salariais e decidiu reforçar a articulação para tirar esses projetos da pauta. A presidente Dilma Rousseff deve se reunir com líderes da Câmara e do Senado na próxima semana para desarmar as "bombas fiscais", que ampliam despesas do governo. A avaliação é que a tentativa de convencimento conduzida pelas ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann não surtiu efeito.
Buzinaço O governo calcula que o Congresso não vai suportar a pressão de 10 mil agentes de saúde que devem ir a Brasília reivindicar reajuste na próxima semana e expor nas redes sociais quem votar contra o projeto.
Barril Dilma estará hoje com a presidente da Petrobras, Graça Foster, no lançamento de uma plataforma no estaleiro de Rio Grande (RS). É o primeiro encontro das duas desde que a presidente afirmou que não foi consultada sobre proposta de reajuste do preço da gasolina.
No bolso O governo de São Paulo resiste em incluir outras empresas na ação de ressarcimento contra a Siemens, como quer a Justiça. Tem receio de que, caso o Cade não formalize a existência do cartel, ele seja obrigado a arcar com as custas da causa.
Vaquinha O Palácio dos Bandeirantes já considerava que a ação poderia ser rejeitada, mas achou necessário dar uma resposta às acusações. Na estratégia do governo, caso a ação seja aceita, caberá à Siemens acionar as demais empresas do cartel para que dividam o prejuízo.
Inferno astral Aniversariante de ontem, o governador Geraldo Alckmin ganhou de presente uma pilha de livros, entre eles títulos de política, religião e autoajuda. Queixou-se apenas de não ter recebido nada dos deputados estaduais da base: "Estão em crise porque perderam o auxílio-paletó na Assembleia".
Teste... Líderes do PT apontam semelhança entre o projeto de Aécio Neves (PSDB-MG) de integrar o Bolsa Família à legislação de assistência social e outro, apresentado em 2008 pela ex-deputada Rita Camata (ES).
... de DNA Os dois textos recebem a mesma crítica do governo: reduzem o programa ao assistencialismo, sem levar em conta seu impacto na educação e na saúde.
Vem cá 1 A ala majoritária do PPS, que quer apoiar Eduardo Campos, quer fazer do congresso do partido, em dezembro, o primeiro gesto público em direção à aliança com o socialista. O governador será convidado e terá papel de destaque no encontro.
Vem cá 2 Aécio também será convidado. Com isso, a sigla tenta não melindrar o PSDB e aproximar os dois rivais de Dilma, de olho num eventual segundo turno.
Quem avisa... José Sérgio Gabrielli disse anteontem a Lula que a candidatura de Lídice da Mata (PSB) ao governo baiano reforça o palanque de Campos no Nordeste.
... candidato é Em causa própria, o ex-presidente da Petrobras opinou que o PT precisará de um candidato com bom trânsito entre empresários e movimentos sociais. Lula disse para Gabrielli manter o bloco na rua.
Na foto O ex-presidente vai votar na eleição interna do PT ao meio-dia de domingo, em São Bernardo do Campo. Vai levar a tiracolo o ministro e pré-candidato Alexandre Padilha (Saúde).
Visita à Folha Eduardo Cunha, deputado federal pelo Rio e líder do PMDB na Câmara, visitou ontem a Folha. Estava com Flávia Morais, assessora de imprensa.
com BRUNO BOGHOSSIAN e PAULO GAMA
tiroteio
"O governo tucano confundiu ação jurídica e ação de marketing. Esqueceu que a Justiça não age embalada por pesquisas eleitorais."
DE EMIDIO DE SOUZA, ex-prefeito de Osasco e candidato a presidente do PT-SP, sobre rejeição de pedido de ressarcimento feito por Geraldo Alckmin à Siemens.
contraponto
Dinâmica de grupo
Logo após a eleição de Lula em 2002, a cúpula da campanha petista viveu dias de expectativa sobre a montagem do novo ministério. Todos os aliados acreditavam que poderiam receber a qualquer momento um telefonema do chefe do cerimonial, Marcos Laguna, que tinha a incumbência de contatar os futuros ministros.
--O Laguna já ligou?! --, perguntavam-se a toda hora.
A tensão era tão grande que, durante um evento, o então prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, fez uma brincadeira para testar os ânimos e, ao se aproximar de uma roda de petistas, gritou: "Ministro!". Todos se viraram.
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