quinta-feira, dezembro 20, 2012

Bateção de cabeças - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 20/12

A presidente Dilma e seus líderes no Senado não falam a mesma língua. Dilma ligou duas vezes para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), anteontem, pedindo para não votar o veto dos royalties. Sarney disse que não o faria, mas que Dilma tinha que segurar seus líderes. A presidente não conseguiu controlar todos os seus aliados, que pressionaram para convocar a sessão.

O papel do líder do PT
O novo líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), foi decisivo para detonar a votação dos 3.060 vetos que abririam caminho para a derrubada do veto do royalties do petróleo. Na reunião, no gabinete da presidência da Câmara, ele foi taxativo: "É um absurdo votarmos três mil vetos desta forma. Há temas com grande repercussão para os movimentos sociais e para o país. Temos que votar criteriosamente". Sua explicação: "A oposição estava surfando. A arapuca estava armada, inclusive, pelas bancadas setoriais. Queriam derrubar os vetos ao Código Florestal, ao Fator Previdenciário e à Emenda 29. Era preciso interditar qualquer votação".

“Eu não imaginava que pudéssemos agir com tamanha improvisação”
João Capiberibe
Senador (PSB-AP), sobre a convocação de sessão do Congresso para apreciar uma cédula com 3.060 vetos

No lugar errado
São grandes o desconforto e a irritação no PSDB com o governador Teotônio Vilela (AL). Os tucanos consideram que Teotônio não deveria ter participado da manifestação de anteontem, em solidariedade ao ex-presidente Lula. O apoio de Teotônio a Lula fez os tucanos virarem alvo de chacota nos outros dois partidos de oposição.

Guerra é guerra
A Frente Parlamentar do Agronegócio agarrou, com unhas e dentes, a chance de mudar o Código Florestal. Foram enviadas mensagens de celular aos 320 deputados do bloco, sustentando a necessidade de derrubar o veto na íntegra.

Operação esconde-esconde
Os líderes do governo tentaram negar a ação do Planalto buscando impedir a votação do veto dos royalties do petróleo. Estavam todos preocupados com a repercussão em suas bases eleitorais, pois são de estados que não recebem royalties.

O recado dos tucanos
O Instituto Teotônio Vilela, do PSDB, distribuiu o texto "O alto preço da energia barata". Nele, diz que "autoridades federais passaram a admitir que o efeito imediato da energia baratinha será a incômoda convivência com apagões". O texto ignora que os apagões são anteriores. São do tempo da energia cara. Os tucanos administram companhias de energia em SP, MG e PR.

O Planalto em campo
A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) ligou para a vice da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES), que presidiu a sessão do Congresso, para pedir que ela derrubasse a sessão, que fora convocada para analisar três mil vetos.

O PSOL quer Reguffe candidato
O PSOL convidou o deputado José Antônio Reguffe (PDT-DF) para concorrer a presidente da Câmara. Ele decidirá só em janeiro. Já o líder do PMDB, Henrique Alves (RN), fechou ontem o apoio oficial do PDT (25) e do PSC (16).

O BANCO MUNDIAL aprovou o Projeto RN Sustentável, da governadora Rosalba Ciarlini, que destina US$ 540 milhões para a agricultura familiar.

Portal do inferno - DENISE ROTHENBURG


CORREIO BRAZILIENSE - 20/12


Há tempos o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) não circulava tão alegremente pelos corredores do Congresso Nacional. “Vou logo ali, inaugurar a estátua em homenagem ao ministro Luiz Fux”, dizia ele, elegendo a necessidade de análise dos 3.060 vetos como o melhor dos mundos para a oposição, leia-se a abertura do portal dos pesadelos da presidente Dilma Rousseff. Ela e seu governo são, em última instância, os maiores prejudicados com esse imbróglio.

Ao longo dos últimos anos, tem sido comum o governo sancionar uma lei aprovada pelo Congresso, com alguns vetos e, em seguida, editar uma medida provisória para fazer valer a própria posição a respeito da parte vetada. Essa medida provisória, por sua vez, segue para o Congresso, é modificada e, depois de aprovada, o processo se repete: o Poder Executivo veta essa nova parcela modificada e edita uma segunda MP. Os vetos, que jamais eram apreciados no prazo de 30 dias determinado pela Constituição, iam para o tal “arquivo morto”, e esse processo de aprovação pelo Congresso, veto, MP, modificação pelo Congresso, veto, MP, continuava indefinidamente. Foi assim, por exemplo, com o Código Florestal.

Fux, sob esse aspecto, merece mesmo uma estátua. Até aqui ninguém tinha cessado esse processo de desrespeito ao texto constitucional ou o recurso que o Poder Executivo utilizava para fazer valer a sua posição, vetando e editando medidas provisórias para substituir o texto vetado.

Ele está certo, mas, venhamos e convenhamos: não é possível avaliar 3.060 vetos numa tacada só. Para completar, havia uma operação em curso entre os deputados para derrubar todos os vetos presidenciais, criando uma armadilha para o Poder Executivo e uma insegurança jurídica sem precedentes no país. Portanto, deixar essa confusão toda para o ano que vem parece ser a saída mais apropriada, mas nada indica que, em 2013, tudo será resolvido a contento, especialmente, para o Poder Executivo.

A presidente Dilma tem agora um problemão nas mãos. Com a necessidade de o Congresso analisar os vetos, a tendência é a de que o próximo presidente do Senado, possivelmente Renan Calheiros (PMDB-AL), marque pelo menos uma sessão por semana para deflagrar essas votações. Seguida a fila de vetos, virão à tona temas como o fator previdenciário, a vinculação de recursos para a saúde, os vetos ao Código Florestal e um elenco de benefícios e incentivos fiscais a uma gama de setores.

Esse holofote sobre os vetos significa reacender em breve todas as fogueiras que a presidente Dilma e os antecessores pularam nos últimos 12 anos. Com um detalhe: há data e hora marcadas para esquentar o ambiente. Caiado, por exemplo, já fala em levar para a porta do Congresso 100 mil pessoas, pressionando para a derrubada do veto ao fator previdenciário.

Para uma oposição que até agora tinha apenas os escândalos sobre o presidente Lula e o mensalão para tentar desgastar a turma da situação, leia-se o PT, realmente, a apreciação dos vetos vem sob encomenda para desgastar a presidente Dilma Rousseff. Diante desse quadro, Dilma estará mais exposta do que nunca em 2013. E terá agora que se dedicar pessoalmente ao trabalho congressual, tarefa que ela não gosta. Sendo assim, não haverá tanto tempo para que ela dedique 2013 a viajar o país apresentando os projetos do governo e reforçando a imagem positiva perante o eleitorado. A pré-campanha certamente será mais modesta do que o esperado. Vamos acompanhar.

Enquanto isso, no Senado...

Os senadores peemedebistas praticamente bateram martelo: Renan Calheiros será candidato a presidente do Senado, Eunício Oliveira (CE) ficará com o cargo de líder do PMDB na Casa e o senador Vital do Rêgo (PB), presidente da Comissão de Constituição e Justiça. Valdemir Moka (MS) permanece na Mesa Diretora na outra vaga que couber ao PMDB. Sobrou Romero Jucá (RR), ex-líder do governo, que ainda não tem uma posição definida, mas, pelo que se ouve entre os senadores, atender Renan e Jucá não dá. Portanto, um dos dois teria que ter um pouco mais de paciência. Faz parte do jogo.

Tabelinha - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 20/12


A decisão de Roberto Gurgel de pedir ontem a prisão imediata dos 25 condenados no mensalão contrariou ministros do STF. Eles lembram que, dois dias antes, o procurador-geral da República rejeitou apelo de Celso de Mello para que o plenário deliberasse sobre o tema antes do recesso. "É sintomático, para dizer o mínimo", afirma Marco Aurélio Mello. A avaliação na corte é que Gurgel postergou o pedido para obter decisão monocrática favorável do presidente Joaquim Barbosa.

Placar Pela contabilidade interna, se tivessem sido analisadas pelo colegiado, as prisões seriam negadas por pelo menos 6 dos 9 ministros.

Tema único Ainda que decida apenas amanhã, Joaquim Barbosa será bombardeado com perguntas sobre o caso na entrevista que já havia convocado para hoje. O presidente-relator pretendia fazer balanço do julgamento.

Risco Ministros argumentam que seria prudente esperar a proclamação do resultado para arbitrar sobre as prisões. Se algum condenado a regime fechado tiver a pena revista para o semi-aberto na análise dos embargos, poderá pedir reparação do Estado por suposta prisão indevida.

O bicho... O vídeo em que Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) conclama a militância do PT a reagir aos "ataques sem limites" contra Lula preocupa petistas por ter sido gravado no Palácio do Planalto.

... vai pegar Sem mencionar o Rosegate nem o novo depoimento de Marcos Valério, o ministro foi filmado em sua mesa, em frente ao retrato oficial de Dilma Rousseff, o que pode ensejar contestação judicial por campanha antecipada, além de trazer a crise para o colo do governo.

Papai... Antes e depois do discurso de 42 minutos que fez ontem na posse da nova direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Lula exibia bom humor. Encerrado o evento, saboreou churrasco com os líderes sindicais da entidade e da CUT.

... Noel O ex-presidente tirou fotos com a equipe de limpeza e do bufê. Aos que se aproximavam com o telefone celular para registrar sua presença, avisava: "Aproveitem, vou deixar a barba crescer".

Fera ferida Paulo Vieira estuda trocar de advogado pela segunda vez em uma semana. Para interlocutores, o ex-diretor da ANA tem "rompantes'' e contraria a defesa ao insistir na delação premiada ao Ministério Público. Ele negocia com Leônidas Scholz, próximo do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos.

Saldo A Justiça Federal desbloqueou parcialmente as contas da Facic, faculdade controlada pela família de Vieira em Cruzeiro (SP).

Inimigos... O PSDB decidiu ontem apoiar José Américo (PT) à presidência da Câmara paulistana. Tucanos indicaram Claudinho Souza para a primeira secretaria e Andrea Matarazzo para a Comissão de Política Urbana.

...íntimos A oficialização do acordo PT-PSDB é uma resposta à articulação de Roberto Trípoli (PV), que ensaia candidatura "avulsa" ao comando do Legislativo.

Anticlímax Ao diplomar o vereador Marco Aurélio Cunha (PSD), o juiz Marco Antonio Vargas quis se contrapor à euforia dos torcedores do Corinthians após o título mundial: "Saudações tricolores", disse o magistrado ao ex-cartola do Morumbi.

Pluviômetro Preocupa o QG de Fernando Haddad a limpeza de 200 pontos de alagamentos em São Paulo. O petista monitora a migração dos funcionários da Limpurb para a nova autarquia responsável pelo serviço.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Gurgel desrespeita o STF ao buscar decisão monocrática sobre as prisões. Celso de Mello disse que o plenário estava apto a deliberar."

DO ADVOGADO ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, sobre o procurador pedir a Joaquim Barbosa prisões dos condenados no mensalão em pleno recesso.

contraponto

Elixir da felicidade

Ao deixar, anteontem, a Secretaria da Casa Civil de São Paulo, Sidney Beraldo advertiu o sucessor, Edson Aparecido, que acabara de ser empossado no Palácio dos Bandeirantes, sobre o acúmulo de tarefas da pasta:

-O Emanuel Fernandes, ex-secretário de Planejamento, me dizia após aquelas longas reuniões que era impossível ser feliz e chefe da Casa Civil ao mesmo tempo.

Ao discursar, em seguida, Geraldo Alckmin tentou tranquilizar o novo articulador político de seu governo:

-Espero sinceramente que o Edson não dê ouvidos ao Emanuel. Ele é um brincalhão.

O temor da volta do ‘modelo Geisel’ - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 20/12


A política econômica que se esboça nos últimos anos é de cunho intervencionista, não prevê reformas, e já não funcionou durante a ditadura militar



Uma fase do primeiro governo Lula foi grata surpresa, por ele ter mantido princípios da Era FH, lançados na crise de 1999. Àquela época, ao explodir o regime de câmbio rígido, o Brasil passou a ter meta de superávit primário, portanto, tratou de assumir uma postura de responsabilidade fiscal, e deixou o dólar flutuar. Estava lançada a política do tripé, com sensatez preservada por Lula, por trás do biombo do discurso da “herança maldita”.

A economia acelerou o desaquecimento em 2003, primeiro ano do mandato, devido ao correto aperto fiscal e monetário feito com o objetivo de debelar as pressões inflacionárias deflagradas pela disparada do dólar na campanha de 2002, impulsionado pelo medo diante do PT. A condução da política econômica começa, porém, a mudar no final do primeiro mandato e consolida novo rumo no segundo e com Dilma.

Artigo de Armínio Fraga e Edward Amadeo, presidente do BC e ministro do Trabalho na Era FH, publicado no GLOBO de domingo, registra este movimento, no qual reformas iniciadas ainda no governo Collor são descartadas. Engavetam-se aperfeiçoamentos no mercado de trabalho, melhorias em regulações para atrair investimentos em infraestrutura etc. Abandona-se o que os dois economistas chamam de “modelo pró-mercado”, substituído por um modelo “pró-negócio”, em que se passa a privilegiar o microgerenciamento da atividade econômica. Vêm daí o novo modelo para o pré-sal (a Petrobras obrigada a funcionar como agente de substituição de importações), o acionamento de bancos públicos e estatais como indutores de investimentos e consumo, protecionismo, a mão pesada nas tarifas de energia elétrica.

Um dos pilares do novo modelo é a política perigosa de, por meio do BNDES, se criarem “campeões nacionais”, com o uso de dinheiro público. A ideia visa a gerar grandes oligopólios, “com altos lucros para financiar investimentos e inovações”, explicam os economistas. Há em tudo isto uma volta à década de 70, ao projeto do “Brasil Grande” da ditadura militar, de que o governo Ernesto Geisel é símbolo. É típica a criação de um “orçamento paralelo”, à margem do Congresso, para o Tesouro bombear bilhões rumo ao BNDES, a fim de o banco induzir o surgimento dos tais oligopólios. No período Geisel, o BNDES criou subsidiárias (Fibase, Embramec e Ibrasa) com o mesmo objetivo. Não deu certo, as contas públicas e a inflação explodiram.

E o erro se repete. A economia está anêmica e a taxa de investimentos, idem (pouco menos de 19% do PIB, quando o necessário são 25%). Fraga e Amadeo temem que, como há quatro décadas, o intervencionismo frustre os planos de desenvolvimento da sociedade. Com o agravamento de que, alertam os autores, os efeitos da “herança bendita” de FH — reformas que sustentaram ciclos de crescimento nos últimos dez anos — podem estar se esgotando. E a política que se esboça agora já não funcionou no passado.

O STF faz história - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 20/12


O julgamento da Ação Penal 470 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) constitui-se, desde já, num marco histórico que abre para o Brasil a perspectiva de um significativo avanço institucional, representado pela consolidação do estado de direito, muito particularmente no que diz respeito ao princípio de que todos são iguais perante a lei. Esta é a pedra de toque, a razão principal da impressionante mobilização da opinião pública em torno do STF nesses quatro meses e meio em que, com absoluta transparência e respeito à lei penal e aos preceitos constitucionais, os ministros se dedicaram ao exaustivo escrutínio disso que se confirmou como o maior escândalo político da história do País. Ao final, mesmo levando em conta que do ponto de vista processual há ainda um caminho a percorrer antes da publicação do acórdão que produzirá os efeitos penais do julgamento, todos nós brasileiros podemos nos sentir orgulhosos: foi dado um passo importante para resgatar o Brasil do histórico atraso institucional representado pelo estigma da impunidade dos poderosos.

A construção da democracia é um processo permanente, complexo e tortuoso porque deve perseguir a unidade do bem comum na diversidade dos interesses conflitantes que caracterizam qualquer corpo social. A evolução desse processo, no modelo preconizado por Montesquieu e adotado pela maioria dos Estados ocidentais modernos, está condicionada à observância de fundamentos como o da separação dos poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e o de que todos são iguais perante a lei. No Brasil, é triste mas necessário convir, tais fundamentos nunca foram levados muito a sério. E as consequências disso são particularmente graves no que diz respeito à igualdade perante a lei - o que tem tudo a ver com o desempenho do Judiciário, mas também, quando se trata de investigação criminal, de instituições subordinadas ao Executivo, como a polícia e o Ministério Público.

O fato de a investigação criminal do mensalão merecer elogios gerais pela eficiência indica que essa qualidade nunca foi exatamente a regra. Por outro lado, o próprio julgamento da Ação Penal 470 demonstra que a legislação brasileira, em particular a processual penal, abre brechas que permitem a procrastinação indefinida dos feitos. Tudo isso tem contribuído para que a opinião que a sociedade brasileira tem da Justiça seja impregnada por alta dose de desconfiança: a Justiça tenderia a proteger os interesses dos poderosos, aqueles que se colocam no topo da pirâmide social, deixando a dura lex para ser aplicada aos cidadãos comuns. Em certa medida, é uma verdade que não se explica necessariamente pela eventual má-fé de legisladores, investigadores e juízes, mas pela complexidade do ordenamento jurídico penal, cujos meandros são geralmente acessíveis apenas a bancas advocatícias muito bem remuneradas.

Foi, portanto, o compreensível sentimento de desconfiança na ação da Justiça que o já histórico julgamento do mensalão conseguiu abalar, provocando o despertar de uma consciência cívica que nos últimos anos vinha sendo mantida em estado ciclotímico graças a uma hábil e deliberada manipulação do sentimento popular - ora excitado com as conquistas econômicas, ora passivo ante as transgressões aos princípios republicanos -, tudo ao sabor dos interesses dos detentores do poder político. Desprezando o sentimento nacional de regozijo com a condenação dos mensaleiros, Lula, o Grande Manipulador, revelou com muita clareza exatamente o que pensa sobre consciência cívica ao declarar sobre o julgamento, então a meio caminho, que "o povo não está preocupado com isso, mas em saber se o Palmeiras vai cair para a segunda divisão e se o Haddad vai ganhar a eleição". O Palmeiras caiu e Haddad ganhou, mas Lula não percebeu quais eram as preocupações do povo.

Hoje, diante das evidências que o contrariam, Lula mantém as barbas de molho, certamente por saber que a sociedade brasileira já tem posição formada em relação ao destino que merecem os poderosos que se julgam "mais iguais" perante a lei. Esse é o primeiro passo a ser comemorado no sentido da moralização dos costumes políticos que os ministros do STF balizaram com o julgamento da Ação Penal 470.

A última negociata - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 20/12


CPI que investigou ligações de políticos com Cachoeira foge de pedir indiciamento de suspeitos, desfecho lamentável, mas previsível


Quem acompanha o noticiário da política brasileira não poderá se dizer surpreendido pelo final vergonhoso da CPI do caso Cachoeira. Havia meses que ninguém mais esperava que a comissão parlamentar pudesse produzir alguma investigação proveitosa.

Nem por isso deixa de ser consternador que o relatório que encerra oito meses de trabalho da CPI não chegue a preencher duas páginas. O documento, elaborado pelo deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF) e aprovado por 21 a 7, não pede nenhum indiciamento.

Produzida como relatório alternativo, a peça de Pitiman foi a opção dos parlamentares diante do texto de Odair Cunha (PT-MG), que pecava pelo desequilíbrio, mas sugeria o indiciamento de 29 pessoas e a responsabilização penal de 12 políticos com foro privilegiado.

Na lista de Cunha estavam, por exemplo, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), o ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e o empresário Fernando Cavendish, dono da construtora Delta.

Ficava de fora pelo menos um personagem que mereceria mais averiguações: o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Apesar de ter sido investigado pelo Superior Tribunal de Justiça, terminou blindado na CPI.

Cunha procurava, assim, manter a comissão dentro do plano traçado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que via no inquérito uma oportunidade de apurar ligações de membros da oposição com Carlos Augusto Ramos, o famigerado Carlinhos Cachoeira.

A ideia era fustigar oposicionistas e desviar a atenção do julgamento do mensalão. Entretanto, não deram certo as maquinações de Lula, já que os tentáculos de Cachoeira, revelados por operações da Polícia Federal, também alcançavam aliados do governo.

Dado esse caráter eclético, não estranha que os deputados tenham não só esterilizado os instrumentos de investigação como também interrompido os trabalhos da comissão por mais de um mês. Vê-se, ainda, por que um relatório desequilibrado estava fadado a ser substituído por um documento inócuo.

PMDB e PSDB ainda se entregaram a uma derradeira negociata. Em troca do apoio tucano à eleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência do Senado no ano que vem, uniram votos contra o relatório de Cunha e livraram Marconi Perillo e Fernando Cavendish.

Após ter seu texto rejeitado, Cunha vociferou: "[A CPI] se nega a fazer aquilo que é a sua missão essencial. Levantar provas, identificar indícios e apresentar conclusões. As conclusões aqui são nada, um vazio, uma pizza geral".

Cunha tem razão. Mas ele não pode dizer que não tenha contribuído para esse desfecho lamentável.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“É chegado o momento de descanso. Eu mesmo vou ficar por aqui”
Ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, que definirá a prisão dos mensaleiros


PMDB GANHA CIÊNCIA E PR FICARÁ COM TURISMO

A minirreforma ministerial do começo do ano terá duas novidades, que ainda estão sendo “costuradas” pela presidente Dilma: ela planeja entregar ao PMDB o Ministério de Ciência e Tecnologia, convidando para o cargo o deputado Gabriel Chalita (SP), indicado pelo vice-presidente Michel Temer, enquanto ao PR “pacificado” caberá a pasta do Turismo, hoje entregue ao deputado Gastão Vieira (PMDB-MA).

MINISTRO EDUARDO

Para compensar o PMDB pela perda do Turismo, Dilma pode entregar o Ministério dos Transportes ao senador Eduardo Braga (AM).

PAZ E AMOR

Dilma anda numa fase “paz e amor”. Até já aceita a ideia, pela qual sentia horror, de ver Eduardo Cunha (RJ) líder do PMDB na Câmara.

LAMPIÃO

Já em campanha, Lula 1.0 diz que não será derrotado por “vagabundo no ar condicionado falando mal de mim”. Se não faltar luz...

IDADE DA PEDRA

Um leitor do Rio pagou por caixa e Sedex o que custou uma camiseta enviada de presente. Na americana DHL, embalagem plástica é grátis.

ELEIÇÃO DE HENRIQUE ESTÁ CONSOLIDADA, NA CÂMARA

O líder do PT, José Guimarães (CE), não hesita em reconhecer: “A eleição de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) à presidência da Câmara dos Deputados está consolidada”. Com idêntica ênfase, o vice-presidente Michel Temer desestimulou a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) a disputar com Alves a eleição de 4 de fevereiro. Uma eventual candidatura da deputada sofreria derrota acachapante.

FAVORITO

O PDT fechou apoio a Henrique Alves para presidir a Câmara. Também estão com ele PT, PR, PP, PCdoB, PSDB...

META PARA 2014

Parlamentares capixabas acham que Rose de Freitas pretende se filiar ao PSD, e seria candidata ao Senado, em 2014.

TUDO ACERTADO

Com Netinho de Paula no secretariado de Fernando Haddad, o ex-ministro Orlando Silva será vereador e presidente do PCdoB-SP.

ELE JÁ NÃO DECIDE

Há quinze dias, Guido Mantega fez pose de valentão, ao ser indagado na GloboNews sobre o aumento no preço da gasolina pretendido por Graça Foster (Petrobras): “Ela quer, mas não terá”. Ela terá. E ele não participou da decisão e ainda se submeteu à humilhação de anunciá-la.

SAITO PODE CAIR

O brigadeiro João Manoel Sandim de Rezende poderá substituir Junito Saito no comando da Aeronáutica. Dilma se irritou ao ler reportagens envolvendo filhos de milicos com lobbies para aquisição de aeronaves.

A LICENÇA PRIMEIRO

O senador Renan Calheiros (PMDB) barrou a segunda tentativa de se criar 7.000 cargos no ICMBio e 400 no Ibama. Diz que irá analisar e espera liberar os projetos tão logo o Ibama aprove a licença ambiental para o Estaleiro Eisa em Coruripe (AL), que surrupia dos alagoanos.

MULTIPARTIDÁRIO

A festa de fim de ano do PMDB, realizada na casa do deputado Luiz Pitiman (DF), contou com a presença de ministros e do vice Michel Temer, além de integrantes do PT, DEM, PSDB, PSD e PCdoB.

CHEGOU PRIMEIRO

O novo líder do PT, deputado José Guimarães (CE), foi eleito com 40 dias de antecipação para o lugar de Jilmar Tatto (SP), que se licenciará para ser secretário do prefeito Fernando Haddad. Mas petistas de São Paulo já articulavam mandato-tampão, com o maior fedor de golpe.

BABAQUICE

Convidado para a noite de autógrafos do livro de um jornalista gaúcho em Brasília, o deslumbrado presidente da Câmara, Marco Maia (PT), avisou: “Quem vai não é o deputado, é o presidente!”. Sua chegada foi espalhafatosa, com 4 carrões oficiais cheios de seguranças.

DISPERSÃO

Na tentativa de poupar o presidente José Sarney (PMDB-AP) da confusão sobre a votação dos 3.060 vetos, colegas espalharam que ele tinha viajado ao Rio para evento com imortais da Academia de Letras.

REFERÊNCIA

O Banco Mundial definiu como “referência para o Brasil” o Projeto RN Sustentável, com investimentos de US$ 540 milhões no Rio Grande do Norte. A decisão notificada pela gerente do banco, Fátima Amazonas, foi tomada como “presente de Natal” pela governadora Rosalba Ciarlini.

BANCO DA ROSE

Nem Bebê nem Bebum de Rosemary. Com a influência da amiga de Lula no Banco do Brasil, o mais apropriado é “BB de Rosemary”.


PODER SEM PUDOR

TIMES DO CORAÇÃO

Nas conversas inusitadas sobre futebol, durante a inauguração do estádio Castelão, em Fortaleza, a presidente Dilma gostou do nome de um dos times mais antigos do Ceará: Calouros do Ar. E disse que o adotaria como o seu. Nesse momento da conversa com o governador Cid Gomes, chegou o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, também do PSB. E Dilma foi logo perguntando:

- E você, Eduardo?

O pernambucano arregalou os olhos verdes e jurou, assustado:

- Vou terminar no prazo, presidente!

Dilma sorriu e esclareceu que não perguntou sobre o estádio Arena Pernambuco, o mais atrasado de todos, mas pelo seu time do coração. Eduardo Campos revelou: Náutico.

QUINTA NOS JORNAIS


Globo: Um julgamento para a história – Mensaleiros podem ser presos amanhã
Folha: Procurador pede prisão de condenados no mensalão
Estadão: Procurador diz que Valério entregou documentos
Correio: Na capital onde uns poucos têm quase tudo…
Valor: Pacote procura estimular consumo e competitividade
Estado de Minas: Peritos e câmeras na lei seca em Minas
Jornal do Commercio: IPVA 8,33% mais barato
Zero Hora: Tensão pré-natal – Barbosa decide amanhã se prende réus do mensalão

quarta-feira, dezembro 19, 2012

O mundo está encolhendo - MARTHA MEDEIROS

ZERO HORA - 19/12


O mundo não vai acabar, mas certamente está diminuindo de tamanho.

Antes, cada país preservava sua cultura e seus costumes. Hoje, todos possuem vários McDonald’s, Starbucks, Outback, Subway – nenhum viajante se sente longe de casa, o fast food da esquina impede a sensação de estrangeirismo. O mundo encolheu.

Antes, levávamos dias para chegar a um local, semanas para atravessar um país. Hoje, para estar em qualquer lugar basta uma teclada, uma câmera virtual, e assim economizamos tempo, dinheiro e romantismo. Eliminou-se o trajeto. O mundo encolheu.

Antes, cada lar era sagrado, a intimidade era assunto de poucos, havia uma sacralidade que, mesmo informal, preservava os pecados internos. Hoje, o que nosso pai diz está no Twitter, nossa mãe tem perfil no Face, nossa casa não tem mais paredes. O mundo encolheu.

Antes, o que se escrevia era de autoria particular, indevassável. Hoje, há vários autores caçando palavras alheias, várias fontes a quem é atribuído o mesmo texto, não há mais o dono da ideia, tudo o que se diz e escreve é de quem viu primeiro, basta adotar como seu. O mundo encolheu.

Antes, os amores eram secretos, as dores eram particulares, chorava-se em silêncio e em privacidade, ninguém sabia o que você sentia, a não ser que você fosse poeta. Hoje a dor de amor é produto externo bruto, fatura-se com o coração ferido. O mundo encolheu.

Antes, a amizade era confeccionada com o tempo, era preciso meses para confiar, anos para decretar que o vínculo seria eterno, havia uma trajetória a cumprir antes do abraço indissolúvel, os padrinhos de casamento eram escolhidos entre os irmãos. Hoje, o melhor amigo é aquele de segunda-feira, que te deu uma carona. O mundo encolheu.

Antes, o conteúdo dignificava, estabelecia uma triagem natural entre quem era consistente e quem não tinha substância para fazer diferença. Sabedoria e conhecimento tinham valor. Hoje, se o sujeito concorda contigo, basta para ser teu ídolo. O mundo encolheu.

Antes, a polidez não era um fricote, e sim uma atitude honrada. Ser respeitoso não merecia escárnio, e sim retribuição equivalente: bons tratos eram recorrentes entre cavalheiros e damas. Ampliava-se a civilidade. Hoje, respeitar está fora de moda, moderno é ser cruel. O mundo encolheu.

Antes, o prazer não tinha valor diante do desprazer do outro, nada valia ser feliz à custa das infelicidades alheias, havia uma corrente silenciosa e íntegra que avisava: ou todos, ou nenhum. Hoje, restritos em nossas individualidades, é comum passarmos por cima até dos nossos afetos. O mundo encolheu.

Estamos promiscuamente embolados, sem espaço para ampliar nossa existência. O mundo encolheu e alguns vão sobrar. Já estou com meio corpo pra fora.

Linda quarta-feira pra você - Aproveite

Joelho no milho - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 19/12


Acredite. Dias atrás, no Palácio da Cidade, numa reunião com seus secretários, Paes, meio à brinca, meio sério, abriu a porta de um cubículo nos fundos do salão e mostrou o chão. Estava repleto de grãos de milho:
— Estão vendo isso?! É para pôr secretário de castigo, com os joelhos no milho, se fizer coisa errada!!!
Há testemunhas.

Viaduto Armando Nogueira
Paes vai dar a um viaduto que inaugura amanhã perto do Engenhão o nome de Armando Nogueira (1927-2010), o grande coleguinha, que era torcedor do Botafogo. Merece.

Fator Chico Pinto
Um advogado e constituinte de 1988 discorda da decisão do STF de que é da Suprema Corte e não da Câmara o papel final de cassar mandatos.
Diz que o tema foi debatido na elaboração da atual Constituição, e a intenção era evitar, no futuro, que o STF repetisse “outro caso Chico Pinto”.

É que...
Em 1974, o STF fez um papelão, a serviço da ditadura, e condenou o deputado baiano Francisco Pinto (1930-2008) a seis meses de prisão. Tudo porque Pinto atacara Pinochet numa rádio. É. Pode ser.

Minha terra
Jorge Henrique, o jogador, cometeu, como se sabe, uma gafe na festa do título mundial do Corinthians.
Pegou a bandeira de um torcedor e se enrolou (foto). Só depois soube que não era a do Brasil, mas a de... Sergipe! Ontem, explicou no Facebook: “Sou de Resende(RJ). Mas tá valendo. Meu abraço a todos os corintianos, e um especial aos sergipanos!” Um fofo. 

Companheiro Setúbal
Não foi só uma caravana de governadores (oito) que visitou Lula, ontem, para defender o ex-presidente das acusações de Marcos Valério.
O banqueiro Roberto Setúbal também foi abraçá-lo.

Grande hotel
O grupo Sheraton, em parceria com a GJP Hotéis & Resorts, anuncia hoje o sétimo hotel de sua bandeira no Brasil.
O histórico Hotel da Bahia, em Salvador, será reaberto como Sheraton da Bahia Hotel, em fevereiro de 2013.

Memórias de Adriana
A Intrínseca fechou contrato para publicar um livro de Adriana Falcão.
É a história de amor, real e trágica, dos pais da roteirista e escritora (o pai se suicidou, e a mãe morreu de overdose).

Paz
A ONG Rio de Paz vai homenagear hoje três pessoas “fundamentais” para a extinção das carceragens no estado, anunciada aqui.
Martha Rocha, a chefe de Polícia, vai ganhar rosas; o delegado Orlando Zacone, uma camisa do Fluminense; o deputado Marcelo Freixo, uma do Flamengo.

Zona Franca
Glória Perez será homenageada sexta, na Suíça, com a Medalha de Honra ao Mérito da ONG Prevenção Madalena’s por seu trabalho em “Salve Jorge” de prevenção do tráfico de pessoas. 
Amana Mattos lança “Liberdade, um problema do nosso tempo”, hoje, na livraria FGV. CRC recuperadora festeja hoje no Barthodomeu. Joana e Aloysito Teixeira promoverão jantar de Natal para os amigos, dia 24.
Pró-Cardíaco promove o projeto Saiba Mais com palestras educativas gratuitas para o público. Amanhã, o tema será hipertensão arterial.
É hoje, no Ateliê Cortiço, o lançamento de “Extra-textos 1, Clarice Lispector, personagens reescritos”. 
O fotógrafo Marco Terranova lança seu livro “Rio em movimento”, hoje, na Argumento do Leblon. 
A designer Nelusha Araújo lança coleção de joias.

Pais e filhos
A revista “Quem” que chega hoje às bancas traz reportagem com Michelle Santos, suposta filha de Marcos Paulo.
A moça conta que vai pedir reconhecimento de paternidade. O pai do saudoso ator e diretor, Vicente Sesso, também ouvido, desconfia de Michelle: “Não é possível que a pessoa espere 30 anos para falar que é filha dele.”

Crime e castigo
O promotor Rogério Nascimento concluiu denúncia criminal contra Demerval Barbosa, prefeito afastado de Nova Friburgo, RJ, e mais 19 pessoas.
São acusados de desviar verbas federais das vítimas das enchentes na Região Serrana do Rio, de fraudar licitações, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e corrupção.

Boletim médico
Athina Onassis, a bilionária casada com nosso cavaleiro Doda Miranda, foi vista ontem no consultório do ortopedista Luiz Cláudio Schetino, na Clínica São Vicente, na Gávea, no Rio.
Como se sabe, mês passado, a ricaça caiu de um cavalo na Holanda e teria fraturado duas vértebras.

Rieu no Rio
André Rieu, o popstar da música clássica que já vendeu mais de 35 milhões de CDs mundo afora, fechou ontem três apresentações no Rio, de 12 a 14 de abril de 2013.
O violinista, maestro e compositor holandês estará no palco do HSBC Arena com coro, solistas e a Johann Strauss Orchestra.

Comichão da lua
Acredite. Semana passada, na UPA de Madureira, no Rio, um paciente chegou com reclamação de desconforto no... ânus. Disse que, volta e meia, vermes picam o seu... você sabe. A médica perguntou com que frequência isso acontece. E ele: “Só na lua cheia, doutora.”
Lá em Morro Agudo... deixa pra lá.

Mulheres desesperadas - MIRIAN GOLDENBERG

FOLHA DE SP - 18/12


Alunas competem para ver quem faz sexo com mais professores; são 'Marias-Apostilas' ou 'Marias-Lattes'

É recorrente, no discurso dos homens que tenho pesquisado, a afirmação de que o sexo está fácil demais. Eles dizem que estão se sentindo intimidados com a agressividade feminina na abordagem sexual.

Um arquiteto de 40 anos diz: "Não existe mais sedução, é tudo muito agressivo. Tenho até medo de dizer que não quero transar e ser xingado. São tão oferecidas que não dá o menor tesão".

Segundo ele, está faltando mulher elegante e interessante no mercado. "A oferta de periguetes está demais, elas abusam de roupas muito curtas e justas, parecem garotas de programa, são muito vulgares."

Um engenheiro de 35 anos conta: "Estava em um restaurante com minha namorada e duas amigas dela. De repente, senti a mão de uma delas me alisando, você sabe onde, sob a mesa. Se eu fizesse isso com qualquer mulher seria preso. As mulheres estão desesperadas".

Depois das "Marias-Gasolinas" e das "Marias-Chuteiras", eles afirmam que estão sendo assediados por outras "Marias".

Um professor de cursinho de 32 anos diz receber cantadas explícitas das alunas. "Elas escrevem nas apostilas: 'Que tal um sexo gostoso, sem qualquer compromisso?' São verdadeiras 'Marias-Apostilas'", afirma.

Um professor universitário de 42 anos conta que ele recebeu a seguinte mensagem de uma aluna, pelo Facebook: "Você vai ao barzinho? Se você for, eu vou sem calcinha".

Esse professor comenta: "Elas competem para saber quem faz sexo com mais professores. São apelidadas de Marias-Lattes, em função do currículo Lattes que temos como pesquisadores".

As periguetes estão na moda: onipresentes nas telenovelas, na performance da cantora Madonna no Rio de Janeiro e nos discursos de homens e de mulheres.

No entanto, a maioria das brasileiras continua dependendo da iniciativa masculina, aguardando ansiosamente o telefonema no dia seguinte e sonhando com o marido fiel.

Algumas mulheres estão invertendo os papéis de gênero e causando muito desconforto por tomarem a iniciativa sexual.

Elas recusam o papel de objetos passivos na conquista amorosa. São chamadas de periguetes, de garotas de programa e de "Marias".

Essas acusações revelam que muitos homens não estão preparados para aceitar o fato de que eles não são mais os únicos caçadores no jogo da sedução.

E você, caro leitor, também acha que as mulheres estão desesperadas?

Fale com elas - DIANA CORSO

ZERO HORA - 19/12


Já viveu mais de meio século, mas meu marido ainda lembra do cuidado que tinha na hora de pendurar a lancheira para não se enganar. No jardim de infância, antes de conhecer as letras, cada criança tinha uma figura no cabide, a dele era um elefante, aquele era seu lugar.

A creche é o primeiro espaço de existência pública, onde se pode ser alguém fora da família. Os adultos da família nos nomeiam, definem, rotulam, e com isso vão nos modulando, mas quando saímos “por conta”, quanto se tem um cabide de elefante para chamar de seu, é que passamos a ser alguém.

A Casa dos Cataventos, nome emprestado da poesia de Quintana, não é creche nem escola, é um lugar para brincar e conversar. Lá também cada criança marca sua chegada de um jeito. Em vez do cabide, pois muitas não trazem uma mochila, ao chegar seu nome é registrado no quadro, num livro de presenças, no copinho que vai usar para tomar água.

Ela é anunciada por escrito, mesmo que ainda não saiba ler. Os adultos desse lugar estranho estão lá para falar com ela e não sobre ela. Eles se interessam sinceramente por suas fantasias, que ali são grande coisa. É bom que seja assim, a infância é incompatível com a hipocrisia. Crianças farejam a mentira, brincam de faz de conta, nunca fazem de conta que brincam.

Situada na Vila São Pedro, a casa é um projeto comum de psicanalistas e universitários, mas ali os pequenos membros da comunidade é que são as estrelas. Inspirado na Casa Verde, criada na França por Françoise Dolto, e nas Casas da Árvore, instaladas nas favelas cariocas, esse trabalho provou-se uma importante ferramenta de saúde mental.

Os profissionais se alternam: eles também devem colocar seu nome, brincar e conversar. As crianças entram e saem quando querem, seguem as regras combinadas entre todos, e brincam com dedicação. Por que adultos fazem das tripas coração para criar e manter um lugar aparentemente tão despretensioso?

A maior parte das crianças em situação de extrema pobreza cresce órfã de atenção. Em geral, passam a vida sem jamais ter conversado com um adulto sobre seus sonhos e pesadelos. Ninguém fica sabendo do que cada uma tinha medo e raiva, e isso tudo elas compreendem e expressam brincando!

O que não vira brincadeira tende a entrar em confronto com a sociedade. Dar espaço à fantasia evita a marginalização de sentimentos, pensamentos e atos, simples assim. Por isso, no Natal que se aproxima, convém lembrar que o importante não é o brinquedo, o presente. Brinque, converse com seu filho, seu neto, seu sobrinho. Acolha sua imaginação, e ele lhe dirá quem é!

NA PONTA DO LÁPIS - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 19/12


O prefeito eleito Fernando Haddad (PT-SP) já tem a primeira bomba de efeito retardado para desarmar: a falta de material escolar e de uniforme para alunos da rede municipal. E também um previsível atraso em parte dos kits que deveriam ser entregues aos estudantes na primeira semana de aula, em fevereiro.

ESQUADRO
A previsão da equipe do prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP) é que só 60% dos alunos receberão o material no dia certo. Ainda assim, sem esquadro ou transferidor, que precisarão ser encomendados em licitação. Outros 40%, só em meados de março. Uniformes de inverno só serão entregues em abril.

AMPULHETA
O problema ocorre porque fornecedores da prefeitura não querem mais vender para a administração municipal. Novas licitações já deveriam estar encaminhadas, mas só agora estão sendo discutidas. As equipes de Kassab e Haddad estudam soluções emergenciais para minimizar o fato.

SOLA DO PÉ
Os tênis que são entregues às crianças, por exemplo, não foram ainda encomendados. Uma pesquisa de mercado feita pela prefeitura mostrou que os fornecedores credenciados pela administração cobrariam R$ 6 a mais por unidade do que os calçados à venda em lojas de SP. Multiplicado por 700 mil alunos, o prejuízo chegaria a R$ 4,2 milhões.

EM CASA
Ao contrário do divulgado, a ex-primeira-dama Marisa Letícia não acompanhou Lula no giro dele à Europa na semana passada.

EM CASA 2
Amigos do casal dizem que a anunciada integração de Marisa Letícia à comitiva de Lula seria excepcional.

Ela não costuma acompanhar o marido nas viagens que ele tem feito depois que deixou a Presidência da República, em 2010.

COM QUE ROUPA
Para a diplomação de Haddad a prefeito, hoje, a primeira-dama Ana Estela contou com a consultoria de Marisa Carrião. "Ela vai optar entre três vestidos que já tinha no armário", explica a empresária, dona de uma multimarcas da qual a mulher do petista é cliente há vários anos. Entre as opções para a solenidade na Sala São Paulo estão um modelo da grife Linha Pura, outro da Controvento e um terceiro da Coven.

CONEXÃO CHINESA
Criador do espetáculo pirotécnico das cerimônias de abertura e encerramento da Olimpíada de Pequim, o chinês Cai Guo-Qiang inaugura em fevereiro, em Brasília, uma mostra individual. A exposição "Da Vincis do Povo" reúne robôs, aviões, submarinos e discos voadores artesanais criados por inventores do país asiático. Ela chega em São Paulo em abril.

REPOUSO
O artista plástico Gustavo Rosa passará seu aniversário, amanhã, em recuperação no hospital Albert Einstein, no Morumbi. Ele será operado pela equipe do cirurgião Antonio Luiz de Vasconcellos Macedo para retirar um pequeno tumor no pâncreas. Rosa teve de cancelar suas férias programadas para Miami, onde passaria o fim do ano.

NATAL SERTANEJO
A apresentadora Xuxa participou do evento beneficente Natal do Bem, anteontem, no hotel Hyatt. A noite contou com shows de Paula Fernandes e de Leo, da dupla com Victor. A atriz Luiza Tomé, os empresários Marina Mantega, Daniela Zurita e Sérgio de Nadai circularam pela festa paulistana.

CURTO-CIRCUITO
O livro "Entre o Céu e a Água", com projeto do arquiteto Marcos Boldarini para a região Cantinho do Céu, será lançado hoje, no Museu da Casa Brasileira.

Alexandra Farah lança seu novo site em almoço na casa de Patrícia Cavalcanti, no Morumbi, hoje.

A banda Calypso lança loja virtual com promoções para o Natal: www.lojadacalypso.com.br.

Corte de gastos - SONIA RACY


O ESTADÃO - 19/12


Alckmin fechou a compra do prédio do Itaú-Unibanco na Praça Patriarca, centro de SP. É lá que instalará, até o final de 2013, o Tribunal de Justiça. Valor? Cerca de R$ 50 milhões.

O objetivo é livrar o governo do pagamento de aluguéis.

Corte 2
Também na mira do governador, o prédio da CEF, na Praça da Sé – onde funciona o governo de transição de Haddad.

Alckmin até já pediu ajuda do petista para tanto.

Merecido descanso
Descoberto onde Haddad passará o Natal com a família.

Embarca, amanhã, para Trancoso, e se hospedará na pousada Estrela D’Água. Volta a São Paulo no dia 26.

Última cartada
Conforme antecipado ontem no blog da coluna, Alberto Toron– defensor de João Paulo Cunha no mensalão – protocolou petição no Supremo, pedindo que a discussão sobre a prisão imediata dos réus entre em pauta hoje – última sessão do STF neste ano. Márcio Thomaz Bastos, advogado de José Roberto Salgado, também.

Tudo para evitar que Joaquim Barbosa julgue sozinho.

Torcendo…
E Barbosa não quer saber de descanso no CNJ. Determinou que os gabinetes dos conselheiros reabram em 2 de janeiro. Teve quem não gostasse.

…o nariz?
O ministro, aliás, decidirá se vai manter os quase 70 programas do órgão – criados, em sua maioria, nas gestões de Gilmar Mendes e Cezar Peluso. Os mutirões carcerários devem continuar.

Suspense no ar
Amanha é o dia D para Germán Efromovich. O governo português decide se a TAP será da Avianca. “Somos finalistas e aguardamos positivamente”, disse o dono da empresa colombiana à coluna, ontem.

Efromovich não revela números, mas fala-se em operação de 1,5 bilhão de euros.

Aspirina
Dilma está “em busca de uma equação que lhe dê menos dor de cabeça”, segundo fontes do Planalto, para resolver o imbróglio da PEC 37.

Na prática, a proposta tira do MP o poder da investigação criminal – que fica a cargo somente das polícias civil e federal.

Caminhar é preciso
Andrés Sanchez tem conversado com cartolas e dirigentes de federações pelo Brasil – de olho no comando da CBF, em 2014.

Inclusive com Juvenal Juvêncio.

Pedalada
O Grupo DIS, que detém 40% do passe de Neymar, está contrariado. A Justiça negou à empresa acesso ao contrato de renovação do atacante com o Santos – alega que as cláusulas são de interesse do clube e do jogador.

Pelo andar da carruagem, essa briga vai looooonge.

Grandes detalhes
Marcel Telles, da Inbev e Burger King, casa-se, sábado pela manhã, com Fabrizia Gouvea. No Hotel Fasano da Fazenda Boavista, em Porto Feliz.

Festa para 600 pessoas e show de Roberto Carlos.

Na frente
O viaduto que liga a Av. JK à marginal Pinheiros está pronto. Por que não inaugura? Pelo que se apurou, sua abertura está atrelada ao habite-se dos prédios em torno do shopping, a ser dado pela Prefeitura.

Bárbara Kramer recebe, hoje, no Estúdio Emme.

Alvaro de Souza, da WWF, entrega hoje o Prêmio Personalidade Ambiental do Ano para Sebastião Salgado. Pelo projeto verde que o fotógrafo mantém em Minas Gerais. No Bar des Arts.

José Ermírio de Moraes Neto, do Instituto Votorantim, também concede prêmio hoje. O de Líder Social 2012, no Hyatt.

O São Paulo apresenta Lúcio. Hoje, no Morumbi.

E a fila no terminal de embarque do aeroporto de Brasília – ontem de manhã, na única lanchonete – chegava às escadas rolantes. É, a Copa está aí…

A um passo da eternidade - RUY CASTRO

FOLHA DE SP - 19/12


RIO DE JANEIRO - Por vários motivos, não estou preocupado com o fim do mundo, prometido pelos extintos maias para esta sexta-feira em hora ainda não sabida (A hora é importante, para que as pessoas possam se programar. Imagine o vexame de passar o fim do mundo num engarrafamento!). Um desses motivos é o de que ninguém está falando do Juízo Final. E como é possível o fim do mundo sem um empolgante Juízo Final, para o qual a humanidade se prepara há séculos?

Digo isso sabendo que, se houver o Juízo, não escaparei da reprovação. Ao longo da vida, cometi boa parte dos sete pecados capitais e ainda transgrido regularmente pelo menos metade dos dez mandamentos -embora possa afirmar, a meu favor, que nunca cobicei o boi ou o jumento do próximo, mesmo quando ele me foi oferecido pela mulher do próximo.

O que me fascina é tentar prever como o Juízo será aplicado. Ele se dará em todos os países e cidades, com o povo saindo à rua ao mesmo tempo? Se for assim, será preciso um mínimo de organização. Uma voz se ouvirá das nuvens e chamará cada pessoa em ordem alfabética? Nesse caso, isso se dará pela ordem dos sobrenomes, como em quase toda parte, ou pelos prenomes, como preferimos aqui? E os homônimos, que são milhões? E se o gajo for mais conhecido como Quincas ou Janjão?

A acusação será pública, com todo mundo escutando? Será permitida a defesa? E, se vier a condenação, caberá recurso? Se sim, isso não atrasará o Juízo? E a dosimetria, como vai ser? Além da temporada no inferno ou no purgatório, também se cobrarão dias-multa?

Pensando bem, nada disso me diz respeito. À zero hora de sexta-feira, estarei na festa de aniversário do site "Bafafá", na sede do Bola Preta, em plena Lapa. Mesmo porque minha astróloga favorita, Leiloca, ex-estrela das Frenéticas, já enxergou 2026 e disse que, até lá, tudo bem.

2013 - os ventos dominantes - PAULO R. HADDAD


O Estado de S.Paulo - 19/12


Os ventos dominantes da economia nacional e internacional sinalizam que 2013 tende a ser um ano de economia com crescimento baixo, com maior taxa de desemprego e um certo grau de desalento entre os agentes econômicos. Não se pode, apenas por mero ato voluntarista dos governantes, estabelecer uma meta de crescimento futuro da economia, ainda que justifiquem este ato como uma técnica de marketing para ordenar as expectativas de investidores e consumidores.

Como se sabe, toda experiência bem-sucedida de planejamento é permeada, destacadamente, por duas instâncias formais. Uma, teleológica, onde se delimitam finalidades, objetivos e metas a serem perseguidos. E outra, processual, onde se definem os procedimentos ou o conjunto de etapas, de estágios e de módulos, de métodos a serem mobilizados tanto para tornar real ou efetiva a instância teleológica quanto para retificá-la, levando em consideração as próprias vicissitudes de sua implementação.

Ocorre que, no nível da instância processual, a eficácia dos instrumentos e mecanismos usados para concretizar as metas desejadas depende profundamente das restrições e condicionalidades a que eles estão subjugados. Neste ponto do processo de projeção dos "limites do possível" é que se diferencia uma meta de crescimento realista de uma meta de fantasia desorganizada.

É evidente que não há fatores objetivos que possam determinar esse grau de realismo. Tudo o que se propuser terá recorrentemente uma forte dose de inteligência intuitiva e de experiência informada. Em defesa de nosso ponto de vista de um cenário menos otimista para a economia brasileira, destaco três restrições e condicionalidades que impõem limites a qualquer sonho de maior prosperidade em 2013.

Iniciaremos o ano de 2013 com a atual crise econômico-financeira nos EUA, na Europa e no Sudeste da Ásia consolidando-se como a mais dramática crise depois dos anos 1930 e sinalizando que a sua superação somente ocorrerá num período muito longo. É ilusório pensar que uma crise nas economias dominantes intensa, longa e profunda possa não atingir significativamente as economias periféricas ou emergentes. Os mecanismos de transmissão se manifestam inexoravelmente por meio da queda nos fluxos de comércio internacional de bens e serviços, nos fluxos de financiamento nos mercados de capitais globalizados e numa histerese socioeconômica do espírito empreendedor.

Por outro lado, são limitados os graus de liberdade que as nossas autoridades econômicas têm para conceber e executar políticas expansionistas. Há um processo de inflação rastejante ou furtiva em andamento que constrange novas e significativas quedas nas taxas de juros. E o orçamento do setor público consolidado se encontra enrijecido por vinculações constitucionais e por comprometimentos políticos com crescentes despesas correntes, em que se destacam as políticas sociais compensatórias, que se tornarão crescentemente indispensáveis se a atual desaceleração econômica se aprofundar.

Finalmente, pesa na definição das perspectivas de uma economia o próprio estilo das políticas econômicas que o governo adota para lidar com as crises. Sabe-se que a atual administração do governo federal ainda não conseguiu estruturar e pôr em marcha um sistema de planejamento de médio e de longo prazos. O atual sistema de planejamento no Brasil tornou-se apenas o braço orçamentário do sistema fazendário, que tem preferência por ações incrementais e não estruturantes de curto prazo. De curto em curto prazo, corre o risco de se adotarem estratégias equivocadas para encaminhar soluções adequadas para a desaceleração da economia. Duas estratégias equivocadas que são altamente comprometedoras para a formação de um novo ciclo de expansão da economia: o aprofundamento do protecionismo econômico de indústrias não competitivas globalmente e a elevação da carga tributária de setores produtivos mais dinâmicos e mais bem-sucedidos no cenário mundial.

Um ato jurídico perfeito - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 19/12


Em algum momento de 2013, o Supremo Tribunal Federal (STF) oficiará à Mesa da Câmara dos Deputados para que dê curso à decisão da Corte, tomada na segunda-feira, ao término do julgamento do mensalão, de cassar os mandatos dos parlamentares João Paulo Cunha (PT), Pedro Henry (PP) e Valdemar Costa Neto (PR). A decisão alcançará o suplente José Genoino, também do PT, quando assumir. Todos foram condenados por sua participação no escândalo. Àquela altura, depois da publicação do acórdão, resumindo o caso que consumiu 53 sessões plenárias e do exame, em seguida, dos embargos que vierem a ser apresentados pelos defensores dos 25 réus inculpados, o histórico processo chegará efetivamente ao fim, iniciando-se o cumprimento das sentenças.

Bem antes, o atual presidente da Câmara, o petista Marco Maia, terá sido sucedido, ao que tudo indica, pelo peemedebista Eduardo Alves, conforme o revezamento acertado entre os respectivos partidos, os principais da Casa. É de esperar que este não imite o antecessor na contestação politicamente motivada de um ato de incontestável legitimidade do mais alto tribunal do País ao qual a Constituição atribuiu a prerrogativa e o dever de dar a última palavra sobre a aplicação do seu texto. Numa interpretação no mínimo equivocada do mandamento constitucional, ele acusa o Supremo de "interferir" na autonomia do Legislativo, ao determinar que os citados parlamentares sejam destituídos de seus mandatos em consequência das penas recebidas, que acarretam a suspensão automática dos direitos políticos dos condenados.

Maia entende que a cassação, para se consumar, dependeria da concordância da maioria absoluta do plenário, em escrutínio secreto. Não é verdade. Como explicou o ministro Celso de Mello, decano do STF, no seu voto decisivo, a condenação de um parlamentar a mais de quatro anos de prisão produz efeitos incontornáveis. "Não se pode vislumbrar o exercício de mandato parlamentar", sustentou, "por aquele cujos direitos políticos estão suspensos." É fato que, em certas circunstâncias, a Constituição confere à Câmara ou ao Senado a prerrogativa de decidir o destino daquele de seus membros passível de perder a cadeira. Por exemplo, quando sofre condenação criminal, conservando porém os seus direitos políticos - o que faz todo sentido. A Carta deliberadamente deixou de incluir entre as hipóteses de votação casos de perda ou suspensão desses direitos. A omissão, além de lógica, é eloquente.

Bastaria o mero bom senso para caracterizar a situação aberrante de um político preso com o mandato preservado. Em regime fechado, simplesmente não poderia exercê-lo. Em regime prisional semiaberto, como o que tocará ao ex-presidente do PT José Genoino, seria surrealista - e desmoralizante para o Congresso - ele ter de deixar o recinto, a cada sessão, para se recolher ao estabelecimento penal em que deverá pernoitar. Argumenta-se que, apaziguada com a ratificação de sua autonomia, a Câmara acabaria cassando ela própria os mensaleiros. Mas a questão de fundo é outra - a da inviolabilidade do poder decisório do Supremo em matéria constitucional, base do Estado Democrático de Direito brasileiro. Tampouco se pode invocar que as cassações foram aprovadas por um único voto de diferença (5 a 4). Aliás, não tivesse o então ministro Cezar Peluso que se aposentar, a margem seria de 2 votos, a julgar pela única sentença que proferiu, condenando o deputado João Paulo Cunha e privando-o do mandato.

Enquanto a decisão não for revista, se é que isso ocorrerá, no exame dos chamados embargos infringentes que serão interpostos pelos advogados dos réus, ela representa a voz do Supremo - de todo coerente com os veredictos que devolveram a confiança da população na capacidade do Judiciário de punir exemplarmente a corrupção nos círculos dirigentes do País. E isso no âmbito da mais complexa ação penal que o STF já teve de destrinchar ao longo de sua existência. É inconcebível que a Câmara dos Deputados deixe de fazer a sua parte na consolidação institucional da República. O respeito pela Casa não virá de arroubos corporativos de confrontação. E sim do acatamento limpo e sereno de um ato jurídico perfeito.

Ueba! Rodízio de corintianos! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 19/12


E em homenagem ao Guerrero, neste Natal os corintianos não vão matar peru. Só porco!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta: "Corinthians chega a São Paulo e é recepcionado no quartel da Rota". No quartel da Rota? Isso é emboscada!

E trio elétrico é para os fracos! O Corinthians devia desfilar de Caveirão do Bope! Aliás, o Corinthians devia desfilar em carro semiaberto! Rarará! A gente tenta ser politicamente correto, mas as piadinhas ficam aí quicando na área, não dá pra evitar! Rarará!

E ontem foi o Dia do Atestado 2! Os manos pediram atestado médico de novo! Nunca estiveram tão doentes na vida! Rarará! E o Marin, com aqueles óculos Ambervision, parecia motorista da Cometa!

E a manchete do Piauí Herald: "Governo de São Paulo implementa rodízio de corintianos". Funciona assim: "Torcedores da Fiel cujos nomes começam com A, B e C devem ficar em casa na segunda. E, no resto da semana, todos os torcedores chamados Wesley". Rarará!

E com medo do apocalipse corintiano, o Alckmin mandou construir 666 abrigos nucleares na Oscar Freire! E reparou que corintiano adora mandar os outros chupar? Venderam tudo, pediram demissão, foram até o outro lado do mundo no Japão só pra estender a faixa "Chupa, porco". E o Emerson em cima do trio elétrico, em vez de gritar "Vai, Corinthians", ficava gritando "Chupa, Leo!". Rarará!

E em homenagem ao Guerrero, neste Natal os corintianos não vão matar peru. Só porco! Leitão à pururuca! Os perus são pros bambis caírem de boca! Corintiano neste Natal só vai comer Chester! Aliás, corintiano quando tá com fome come até vaca de presépio! Rarará!

E adorei a charge do Duke: "Principais assuntos do dia! Política: Corinthians é campeão mundial! Economia: Corinthians é campeão mundial. Cultura: Corinthians é campeão mundial!". Polícia: "Corinthians é campeão mundial!". Não aguento mais o Corinthians. Vou ter um calipso cardaico! Agora só falo no Timão em 2013! É mole? É mole, mas sobe!

O Brasileiro é Cordial! Olha a placa na porta da garagem: "Esqueça o Cão! Dona Feroz! Murcho os quatro pneus! Chamo a polícia e guincho. Entendeu ou preciso desenhar?". E eu que fui escrever torcida corintiana e escrevi "trocida". Rarará! Trocida corintiana. Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje só amanhã!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Sem chuvas, o risco de apagão se transformará em certeza - RICARDO GALUPPO

BRASIL ECONÔMICO - 19/12


Um espectro ronda o Brasil - o espectro da falta de energia. Quem reconhece o perigo é o presidente do Operador Nacional do Sistema, Hermes Chipp.

Ontem, em Brasília, ele disse que o país precisa conviver com as falhas no sistema de transmissão de eletricidade. Ou seja, com a possibilidade de apagões como os que já vêm acontecendo dia sim, dia não em alguma parte do país.

E, o que é pior, se não chover o suficiente para manter os reservatórios das hidrelétricas com água suficiente para girar as turbinas, o risco de falhas eventuais se transformará na certeza absoluta de racionamento.

O país já viu esse filme (ou, se não viu foi porque faltou luz no momento da exibição) no final do governo de Fernando Henrique Cardoso - e, ali, todo mundo se deu conta do estrago que um apagão pode causar na imagem de um político.

A crise de energia que escureceu o país em meados de 2001 foi uma das responsáveis pela erosão acelerada do prestígio eleitoral do PSDB. Até porque, o PT teve, nas eleições de 2002, a competência de se apoiar no problema e transformá-lo numa eficiente escada eleitoral.

A questão é mais séria do que parece. Em seus dez anos no governo, o PT adotou a estratégia de manter nas alturas o tom das críticas ao problema de energia que houve no final do governo do antecessor de Luiz Inácio Lula da Silva.

E fez questão de atribuir ineficiência a um problema causado, principalmente, pela incompetência tucana, não por escassez de chuva. Só que de suas mãos não saiu a solução prometida.

No poder, o PT deu início à construção das usinas de Santo Antônio, Jirau e Belo Monte - mas os cronogramas dessas obras sofrem atrasos sucessivos. E ninguém é capaz de dizer com segurança quando elas entrarão em funcionamento.

Mesmo se essas três usinas já estivessem em operação, o problema não estaria totalmente resolvido. As necessidades de investimentos em geração, transmissão e distribuição de energia se acumularam de tal maneira ao longo dos últimos dez anos que, se todos as obras necessárias para resolver o problema fossem contratadas, o preço da energia iria parar na estratosfera.

O autor desse raciocínio é o próprio presidente do ONS.

Como se vê, o cenário é complexo. Sua solução pode gerar um problema que caminha na direção oposta às necessidades atuais da economia. A solução seria a aceleração dos investimentos. O problema gerado por ela seria a elevação das tarifas. E as necessidades atuais exigem a redução dos preços da conta de luz.

Como se vê, estamos diante de questões que só se resolverão com muita negociação, muito dinheiro para investir, respeito aos contratos, muita seriedade política e pouca tentativa de ser o dono da verdade. Muita chuva nos lugares certos também ajudaria.

Mas isso, como já ficou provado em épocas passadas, não depende do governo.

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 19/12


Boa nota
A Moody’s confirmou ontem o rating “Baa2” do Rio. O município é o único do país a ter a mesma classificação de risco da União. A agência mudou de estável para positiva a perspectiva de nota. Significa que pode haver elevação em 18 meses. O Rio também é grau de investimento (baixo risco de calote) para S&P e Fitch.

Imagina na Copa
A Apolo Higiene e Beleza, fabricante de algodão hidrófilo, investiu R$ 20 milhões em fábrica na cidade de Barra do Piraí (RJ). Inaugura a unidade nesta sexta, com previsão de gerar 300 empregos. Quer atender ao Sudeste e, em particular, ao Estado do Rio. Está de olho nas oportunidades com os eventos esportivos.

Emperrou 1
Falta estrutura às prefeituras da Região Metropolitana do Rio para fazer decolar os projetos do Minha Casa Minha Vida, de habitação popular. Cláudio Martins, homem da Caixa na Baixada, diz que faltam até quadros técnicos para elaborar as ações. Ele esteve na reunião na Ademi, com prefeitos do entorno da capital, ontem.

Emperrou 2
Desde o lançamento do programa federal, em 2009, foram construídas 55 mil moradias na cidade do Rio. Em São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, não foram erguidas nem 1.500. A intenção é montar um plano para destravar as ações.

ESGOTO TRATADO VAI IRRIGAR LAVOURAS NO ESTADO
Fecam aprovou projeto piloto de uso dos efluentes de estações de tratamento da Região dos Lagos em áreas rurais

O conselho do Fundo Estadual de Conservação Ambiental do Rio (Fecam) aprovou, na semana passada, a implantação de projeto piloto para irrigar propriedades rurais da Região dos Lagos com a água que sai das estações locais de tratamento de esgoto (ETEs). Se vingar, a iniciativa reduzirá o despejo de efluentes das ETEs na Lagoa de Araruama e, ao mesmo tempo, oferecerá solução barata de fertilização agrícola. “É um projeto inédito, que pode aumentar a produtividade das lavouras e despoluir as águas”, diz Carlos Minc, secretário estadual do Ambiente. O governo fluminense, as prefeituras locais e as concessionárias Pró-Lagos e Águas de Juturnaíba são parceiros no projeto, que começa por São Pedro D’Aldeia e Iguaba. Hoje, os resíduos do esgoto tratado na Região dos Lagos são lançados na Lagoa de Araruama. Estima-se que 80% dos dejetos são retirados. Mas os efluentes, além de reduzirem a salinidade das águas, têm grande concentração de fósforo e nitrogênio. Na Lagoa, são substâncias indesejáveis, por ajudarem na proliferação de algas. Mas são a base dos fertilizantes, que custam caro para os produtores rurais e podem sair de graça, se o projeto decolar.

MILHÕES
É o valor que o Fecam vai destinar ao projeto de irrigação em propriedades rurais de São Pedro D’Aldeia e Iguaba. A água das estações de esgoto, hoje despejada na lagoa, será levada por canais.

CENTRO DE COMPRAS
O grupo europeu Design Resorts fará aporte de R$ 40 milhões no polo comercial Uptown, na área do Vetor Norte da Região Metropolitana de BH. O projeto, dentro da Reserva Real, tem valor de vendas de R$ 3,5 bilhões. Serão dez mil metros quadrados de área, estacionamento para 296 carros e até 30 lojas. Projeto do arquiteto Gustavo Penna, deve gerar 300 postos de trabalho. A entrega está prevista para dezembro de 2014.

DE VENTO EM POPA
O estaleiro italiano Sessa Marine investiu em fábrica própria em Palhoça, em Santa Catarina. Quer atender a demanda por barcos com até 50 pés, que chegam a custar R$ 2,8 milhões. O parque industrial será inaugurado em janeiro, com área total de 9.500 m2. A empresa fecha o segundo ano no Brasil com lucro de R$ 23 milhões. É alta de 43,7% ante 2011.

R$1 bilhão
A Labes Melo lançará condomínio com 1.600 unidades no Recreio, ano que vem. Vai ocupar terreno de 52 mil metros quadrados e deve bater R$1 bilhão em vendas. Um 2º projeto da construtora, no mesmo bairro, terá mil apartamentos de quarto e sala e cerca de R$ 450 milhões de valor geral de vendas. Ainda não tem data de lançamento.

Vezes quatro
A Leduca fecha o ano com 467 unidades lançadas. Somam R$ 140 milhões em vendas. É quatro vezes mais que em 2011. A previsão para o ano que vem é chegar a R$ 435 milhões, o triplo de 2012. Semana passada, abriu nova sede, na Barra.

Livre Mercado
A Brahma renovou a parceria com o Esporte Interativo na gestão da marca nas redes sociais. Hoje, as ações incluem a seleção e 17 times de RJ, SP, MG, BA e PE. Em 2013, entram mais quatro de CE e RS. 

O Café Pilão lança cappuccino em versão sachê. Deve somar 10% das vendas de Pilão Senseo em um ano.

O Vita Check-Up Center investiu R$ 200 mil em novos equipamentos. A demanda por exames cresceu 50% entre clientes executivos este ano.

A Ampeb, de microempresários da Baixada, terá plano de qualificação profissional de jovens em 2013. Quer formar 300 em eletricidade predial e segurança eletrônica.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso será homenageado hoje, na ACRJ. O almoço está com lotação esgotada: 350 convidados.

SUPERLATIVA
A Odara, grife de joias das designers Isabela Drummond e Rachel Sabbagh, põe no ar o catálogo virtual da coleção “Superlativá nesta sexta-feira. A modelo Marcella Bruno posou para Isabel Becker. É a primeira linha lançada após a mudança da marca de Ipanema para Leblon. Prevê crescimento de 50% nas vendas.

‘Honre care’
A Amil fez acordo com o MP do Trabalho do Rio este mês. A empresa de planos de saúde se comprometeu a não contratar cooperativas de honre care com situação trabalhista irregular. Até junho de 2013, todas as que não formalizarem os funcionários serão afastadas.

É Natal
A temporada natalina dobra a venda de embalagens para presentes no Walmart Brasil no último bimestre do ano. Em 2012, a rede quer vender 30% mais que em 2011.

É réveillon
A dez dias da virada do ano, o Ipanema Plaza está com 80% de ocupação. Sete em dez hóspedes virão de fora.

É carnaval
A Amebras bateu 200 mil visitantes no estande do Sambódromo. A entidade vende obras das artesãs da oficina de carnaval.

Ineficiência
As empresas brasileiras são pouco produtivas, segundo pesquisa da Symantec. Pelo levantamento, mais de 50% dos dados estão duplicados. A ineficiência faz quase 60% das companhias gastarem, a mais, US$ 100 mil em armazenamento a cada ano.

Tecnologia 1
A CN Management, australiana de sistemas informatizados, investirá US$ 10 milhões no Brasil. Trará ao país o CVRS, plataforma que permite acompanhar projetos em tempo real. A empresa detém US$ 46 bilhões em negócios em Austrália, Reino Unido, EUA e Chile.

Tecnologia 2
A Sonda IT, de TI, está levando práticas do seu núcleo de business intelligence às regionais de Rio de Janeiro, Minas e Rio Grande do Sul. As soluções vêm da matriz em São Paulo. Investe R$ 2,5 milhões.