quarta-feira, janeiro 04, 2012
Metas demais - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 04/01/12
Apesar das explicações e, mais do que isso, apesar do que mostrou, a atuação do Banco Central no primeiro ano do governo Dilma levanta dúvidas sobre quantas metas a política monetária (política de juros) tenta perseguir.
Em janeiro, seu novo presidente, Alexandre Tombini, já avisava que, em 2011, desistira de entregar a meta cheia de inflação (4,5%). Esse objetivo ficaria para depois, mais precisamente para este ano. O argumento, mais implícito do que explícito, foi o de que o choque de oferta das commodities e a forte alta dos alimentos, em final de 2010 e início de 2011, tornavam impraticável o cumprimento do propósito.
O adiamento do cumprimento da meta cheia já pareceu comportamento fora dos padrões - uma vez que a banda de ajuste, de 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo, existe para compensar casos extraordinários de desvios do centro do alvo.
Mais adiante se viu que algo novo vinha sendo engendrado. Além de meta de inflação, o Banco Central se encarregaria de calibrar sua política monetária para cumprir uma meta de juros, em torno de 9,0% e 9,5%, em 2012.
Mesmo com os desmentidos de praxe, entendeu-se que o Banco Central não trabalharia mais com toda autonomia. Passaria a atuar mais afinado com o Ministério da Fazenda e mais focado no aumento da atividade produtiva.
Portanto, na concepção econômica voluntarista do governo Dilma, o Banco Central não se limitaria a enfiar a inflação para dentro da meta, mas, na condição de coexecutor de uma política econômica de viés desenvolvimentista e mais protecionista, ajudaria a perfazer outros três objetivos de governo: (1) assegurar o avanço do PIB da ordem de 4% a 5% ao ano: derrubar juros básicos (Selic) para o patamar de um dígito, entre 9,5% e 9,0% ao ano; e desvalorizar o real em relação ao dólar.
Nessa estratégia, o aprofundamento da crise internacional e o subsequente achatamento dos preços das commodities concorreriam para controlar a inflação. O Ministério da Fazenda intensificaria políticas macroprudenciais cujo efeito colateral seria conter moderadamente o crédito. O compromisso com a obtenção do superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) seria reforçado para abrir caminho para a derrubada dos juros básicos (Selic) e, assim, ajudaria a dar cumprimento à meta dos juros.
O arranjo econômico funcionou somente em parte. O governo Dilma está entregando pouco mais da metade do crescimento econômico prometido (veja o gráfico). O consumo cresce quase o dobro da produção. Aumentou o risco de que 2012 termine com um avanço do PIB não superior a 2,5% e de que a inflação avance para além dos 6,0%. Nessas condições, até mesmo o cumprimento da pretendida meta de juros pode não se concretizar, porque o Banco Central pode vir a ser obrigado a voltar a puxar os juros para cima. Esse quadro mostra que, cedo ou tarde, todo o governo Dilma terá de refazer suas escolhas. Não terá como perseguir tantas metas como as pretendidas ao longo do ano passado.
O comportamento estagnante do cenário internacional, que poderia ajudar a conter a inflação, já trabalha contra a obtenção de um impulso do PIB de 4,5% a 5,0%, tal como pretendido pelo governo Dilma - por conspirar contra a elevação das exportações de produtos industrializados. O Banco Central já avisou não esperar por crescimento da atividade econômica superior a 3,5%.
Menos produção implica certa quebra na arrecadação esperada e ameaça também o superávit desejado das contas públicas, na medida em que o Tesouro enfrentará ainda mais despesas num ano eleitoral.
Justiça fiscal - RENATA LO PRETE
FÁBIO ZAMBELI (interino)
FOLHA DE SP - 04/01/12
No epicentro da crise que envolve o poder de investigação do CNJ e pagamentos irregulares a desembargadores, o TJ-SP lança novo movimento para reforçar seu caixa. Recém-empossado na presidência do colegiado, Ivan Sartori se empenhará pela aprovação de projeto de lei que transfere ao tribunal a arrecadação da taxa judiciária (paga para iniciar processos ou apresentar recursos) e de parte dos rendimentos dos cartórios de registros de imóveis e de notas.
Mesmo proporcionada por serviços prestados ou fiscalizados pelo Judiciário, essa receita, estimada em R$ 2,5 bilhões, entra hoje no cofre do governo paulista.
Pai da matéria A proposta, concebida pelo próprio Sartori em 2008, tramita nas comissões da Assembleia. Se aprovada, engordará o Fundo Especial de Despesas do TJ. A verba extra, equivalente a um terço do orçamento atual do órgão, seria aplicada na modernização de serviços e equipamentos.
Independência O repasse direto das taxas é um pleito histórico da magistratura, que enxerga na medida uma janela para se livrar dos recorrentes cortes impostos pelo Bandeirantes.
Faxina Em reunião com secretários ontem, Geraldo Alckmin ouviu Antonio Ferreira Pinto (Segurança Pública) anunciar que substituirá dez dirigentes da pasta nos próximos dias. A degola atingirá até titulares do Deinter.
Assim não No mesmo encontro, o governador tucano elogiou o sistema de concessão de crédito do Minha Casa, Minha Vida, vitrine de Dilma Rousseff. E cobrou mudanças no modelo da CDHU, estatal paulista que constrói e entrega moradias populares.
Alfândega 1 Além da redução do valor da proposta inicial do consórcio que fará a reforma do terminal de passageiros 1 do Galeão, no Rio, a Infraero baixou o custo da implantação do sistema de transporte e manuseio de bagagens do terminal 2.
Alfândega 2 O preço mais vantajoso da concorrência, feita via RDC, foi o do grupo Tecnenge/Vanderlande, que diminuiu sua oferta dos R$ 93,06 milhões para R$ 59,5 milhões. Se a documentação técnica for aprovada, as empresas tocarão a obra.
Amargo... Além de Gleisi Hoffmann (Casa Civil), que voltou a Brasília para pilotar o QG de emergência das chuvas, outro ministro interrompeu as férias ontem. Antonio Patriota (Relações Exteriores), que descansava na Bahia, participou da missa de sétimo dia da diplomata Milena Medeiros, morta em dezembro na Guiné Equatorial após contrair malária.
...regresso À ocasião, Patriota se manifestou pela primeira vez sobre o documento em que colegas de Milena criticam a orientação e o acompanhamento do Itamaraty a funcionários que viajam para locais de risco. "É uma carta madura e refletida. Vamos trabalhar para melhorar as condições", disse.
Lobby fardado A sequência de greves de policiais pelo país, que desta vez atinge o Ceará, aumenta a pressão pela votação da PEC 300, objeto de preocupação no Planalto e entre os governadores. A elevação do piso da categoria voltará com força ao Congresso em fevereiro.
Patrulha mirim Do rechonchudo deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) em seu Twitter: "Chamei minha filha para entrar comigo na piscina e ela respondeu que não é treinadora do Sea World... Tentei reagir, mas ela lembrou que eu votei a Lei da Palmada."
com LETÍCIA SANDER e FLÁVIO FERREIRA
tiroteio
"É natural que cada ministro queira puxar a sardinha para o seu lado, mas não se pode privilegiar um Estado na distribuição de recursos para prevenção de enchentes."
DO DEPUTADO MARCUS PESTANA (PSDB-MG), sobre o Ministério da Integração Nacional ter destinado 90% de sua verba para prevenção de desastres naturais em 2011 para Pernambuco, Estado de origem de Fernando Bezerra Coelho.
contraponto
Tenho dito
Depois de reconhecido internacionalmente como arquiteto e urbanista, Jaime Lerner foi capturado pela política, se elegeu prefeito de Curitiba e governador do Paraná. Em sua estreia na prefeitura, encontrou reivindicação curiosa: uma comunidade da capital pedia que ele não fizesse nada no bairro em questão para não comprometer um olho d'água que era o orgulho dos moradores.
Lerner mandou um secretário apurar in loco. Confirmada a tese, ele redigiu seu primeiro ato no cargo:
-Não fazer nada! Com urgência!
FOLHA DE SP - 04/01/12
No epicentro da crise que envolve o poder de investigação do CNJ e pagamentos irregulares a desembargadores, o TJ-SP lança novo movimento para reforçar seu caixa. Recém-empossado na presidência do colegiado, Ivan Sartori se empenhará pela aprovação de projeto de lei que transfere ao tribunal a arrecadação da taxa judiciária (paga para iniciar processos ou apresentar recursos) e de parte dos rendimentos dos cartórios de registros de imóveis e de notas.
Mesmo proporcionada por serviços prestados ou fiscalizados pelo Judiciário, essa receita, estimada em R$ 2,5 bilhões, entra hoje no cofre do governo paulista.
Pai da matéria A proposta, concebida pelo próprio Sartori em 2008, tramita nas comissões da Assembleia. Se aprovada, engordará o Fundo Especial de Despesas do TJ. A verba extra, equivalente a um terço do orçamento atual do órgão, seria aplicada na modernização de serviços e equipamentos.
Independência O repasse direto das taxas é um pleito histórico da magistratura, que enxerga na medida uma janela para se livrar dos recorrentes cortes impostos pelo Bandeirantes.
Faxina Em reunião com secretários ontem, Geraldo Alckmin ouviu Antonio Ferreira Pinto (Segurança Pública) anunciar que substituirá dez dirigentes da pasta nos próximos dias. A degola atingirá até titulares do Deinter.
Assim não No mesmo encontro, o governador tucano elogiou o sistema de concessão de crédito do Minha Casa, Minha Vida, vitrine de Dilma Rousseff. E cobrou mudanças no modelo da CDHU, estatal paulista que constrói e entrega moradias populares.
Alfândega 1 Além da redução do valor da proposta inicial do consórcio que fará a reforma do terminal de passageiros 1 do Galeão, no Rio, a Infraero baixou o custo da implantação do sistema de transporte e manuseio de bagagens do terminal 2.
Alfândega 2 O preço mais vantajoso da concorrência, feita via RDC, foi o do grupo Tecnenge/Vanderlande, que diminuiu sua oferta dos R$ 93,06 milhões para R$ 59,5 milhões. Se a documentação técnica for aprovada, as empresas tocarão a obra.
Amargo... Além de Gleisi Hoffmann (Casa Civil), que voltou a Brasília para pilotar o QG de emergência das chuvas, outro ministro interrompeu as férias ontem. Antonio Patriota (Relações Exteriores), que descansava na Bahia, participou da missa de sétimo dia da diplomata Milena Medeiros, morta em dezembro na Guiné Equatorial após contrair malária.
...regresso À ocasião, Patriota se manifestou pela primeira vez sobre o documento em que colegas de Milena criticam a orientação e o acompanhamento do Itamaraty a funcionários que viajam para locais de risco. "É uma carta madura e refletida. Vamos trabalhar para melhorar as condições", disse.
Lobby fardado A sequência de greves de policiais pelo país, que desta vez atinge o Ceará, aumenta a pressão pela votação da PEC 300, objeto de preocupação no Planalto e entre os governadores. A elevação do piso da categoria voltará com força ao Congresso em fevereiro.
Patrulha mirim Do rechonchudo deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) em seu Twitter: "Chamei minha filha para entrar comigo na piscina e ela respondeu que não é treinadora do Sea World... Tentei reagir, mas ela lembrou que eu votei a Lei da Palmada."
com LETÍCIA SANDER e FLÁVIO FERREIRA
tiroteio
"É natural que cada ministro queira puxar a sardinha para o seu lado, mas não se pode privilegiar um Estado na distribuição de recursos para prevenção de enchentes."
DO DEPUTADO MARCUS PESTANA (PSDB-MG), sobre o Ministério da Integração Nacional ter destinado 90% de sua verba para prevenção de desastres naturais em 2011 para Pernambuco, Estado de origem de Fernando Bezerra Coelho.
contraponto
Tenho dito
Depois de reconhecido internacionalmente como arquiteto e urbanista, Jaime Lerner foi capturado pela política, se elegeu prefeito de Curitiba e governador do Paraná. Em sua estreia na prefeitura, encontrou reivindicação curiosa: uma comunidade da capital pedia que ele não fizesse nada no bairro em questão para não comprometer um olho d'água que era o orgulho dos moradores.
Lerner mandou um secretário apurar in loco. Confirmada a tese, ele redigiu seu primeiro ato no cargo:
-Não fazer nada! Com urgência!
Agentes da impunidade nos três Poderes - JOSÉ NÊUMANNE
O Estado de S.Paulo - 04/01/12
Há algo em comum e, da mesma forma, uma grande diferença entre o militante petista Waldomiro Diniz e seu adversário político José Roberto Arruda, desalojado do governo do Distrito Federal e do partido pelo qual fora eleito, o DEM, além do fato de este ser um partido de oposição ao governo do PT.
Em fevereiro de 2004, a revista semanal Época revelou a existência de um vídeo no qual o citado Waldomiro, encarregado do relacionamento entre a chefia da Casa Civil do presidente Luiz Inácio da Silva, que havia celebrado um mês antes um ano em seu primeiro mandato, e o Congresso Nacional, achacava um empresário da jogatina, Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, para financiar campanhas eleitorais de aliados do grupo no poder federal nas eleições estaduais de 2002. Seus beneficiários seriam Rosinha Matheus, que tinha passado pelo PSB e, à época do achaque, estava no PMDB; Benedita da Silva, do PT, ambas no Estado do Rio; e o petista Geraldo Magela, do Distrito Federal. O, digamos, "bingueiro" foi escolhido para a abordagem porque o militante ocupava, à época, a presidência da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) e lhe oferecia em troca da propina favorecimento em concorrências.
O achacado não se fez de rogado, gravou e filmou o encontro, tendo o vídeo chegado às mãos dos jornalistas da revista, que reproduziu seu conteúdo e ainda obteve do denunciado confissão cabal do delito cometido. Waldomiro Diniz foi demitido de seu posto e despejado do gabinete que ocupava no Palácio do Planalto a reduzida distância de seu chefe, o então todo-poderoso titular da Casa Civil José Dirceu, e do superior hierárquico dos dois, Luiz Inácio Lula da Silva. A reportagem está para completar o sexto ano de sua publicação e, embora afastado das prerrogativas e benesses do poder na República, o indigitado continua gozando plena liberdade, numa prova viva e circulante de que o Brasil oficial merece o apodo do título do livro do jornalista paraibano Sebastião Barbosa: "o país da impunidade". Por incrível que pareça, desde então a Polícia Federal (PF), partindo de uma gravação inequívoca e de uma confissão que não deixa dúvidas, não conseguiu produzir um inquérito que pudesse ser aceito como válido pelo Ministério Público Federal (MPF).
Numa dessas circunstâncias que podem até ser assustadoras, mas não são surpreendentes, essa é exatamente a justificativa que o Ministério Público dá para outra efeméride. Quatro anos depois do escândalo na Casa Civil de Lula, caso bastante similar explodiu no gabinete do então governador José Roberto Arruda. Sua Excelência foi filmada e teve sua voz gravada recebendo explicitamente pacotes de dinheiro de seu ex-secretário Durval Barbosa, que fez o vídeo por ele produzido com o flagrante chegar às mãos da mesma PF em troca de delação premiada. Ao contrário de Waldomiro, contudo, e aí está a primeira diferença entre os dois, Arruda não foi pilhado sozinho com a boca na botija. O deputado distrital Leonardo Prudente também o foi e guardou a propina na meia.
Tal como Waldomiro, Arruda perdeu seu valioso emprego público, obtido, no caso dele, por sufrágio universal, secreto e soberano da população do Distrito Federal. Mas, da mesma forma como o adversário e antecessor em recebimento flagrado de suborno, até agora não se viu obrigado a responder pelo delito perante a Justiça. Para tanto, ambos não precisaram de álibis nem padrinhos fortes no Judiciário. Assim como ocorreu no escândalo quatro anos mais velho, a investigação do "mensalão do DEM" foi prejudicada, segundo o MPF, pela falta de "vários documentos" no relatório encaminhado pela PF. De acordo com a Procuradoria, sem esses documentos seria "impossível o oferecimento da denúncia por causa da técnica própria da ação, que obriga o membro do Ministério Público Federal a apresentar as provas dos fatos que afirma". Essa conclusão impediu que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, cumprisse a promessa de que denunciaria o ex-governador e seus cúmplices "sem falta" no ano passado, feita logo após a sabatina a que foi submetido para ser reconduzido ao cargo, em agosto. Agora ele pediu mais tempo para evitar delongas no processo judicial e, assim, apresentar uma denúncia que chamou de "robusta". "Embora seja frustrante a demora, seria ainda mais frustrante a precipitação de oferecer uma denúncia que acabasse por não estar à altura da gravidade daquela situação", disse ele. Em 2006 a Procuradoria levou dez meses para denunciar o esquema do mensalão federal do PT, revelado em 2005.
Mas como a impunidade no Brasil tem muitos agentes nos três Poderes, convém anotar que de pouco serviu a presteza do procurador-geral há cinco anos, que é louvável, já que o esquema que o ex-chefe de Waldomiro, José Dirceu, é acusado de comandar tornou réus do Supremo Tribunal Federal (STF) 38 políticos, doleiros e empresários. Pois desde 2006 e em via de chegar ao sexto ano, só agora o relator do caso, ministro Joaquim Barbosa, entregou a seus pares seu parecer a respeito do episódio, às vésperas da eventual prescrição dos principais crimes de que são acusados os denunciados como chefes do esquema, o de formação de quadrilha. E o revisor do processo, Ricardo Lewandowski, avisou que vai levar um bom tempo para tomar conhecimento de um caso do qual qualquer cidadão brasileiro conhece praticamente tudo o que ocorreu, e isso, por si só, levanta dúvidas quanto à punição dos eventuais culpados.
Waldomiro, Arruda e os mensaleiros, bem como os ditos "aloprados", que produziram um dossiê falso contra o tucano José Serra na eleição paulista de 2006, têm-se beneficiado da impunidade que, pelo visto, depende da incúria da PF, que, assim, não seria tão "republicana" quanto se proclama, ou do MPF, que, então, não seria a palmatória do mundo que garante ser.
Sem desistir do doente - DEMÓSTENES TORRES
FOLHA DE SP - 04/01/12
O projeto anticrack lançado pela presidente Dilma Rousseff foi feito para ser descumprido, até porque as obras e serviços estão em desacordo com os recursos e prazos anunciados pelo governo.
A tradição do governo é não investir sequer as migalhas propagadas. O ex-presidente Lula garantiu R$ 124 milhões ao setor em 2010. Pagou R$ 5,3 milhões. Para este ano, Dilma reservou R$ 33,6 milhões e, até tentar tirar Fernando Pimentel das manchetes com os holofotes contra as drogas, havia investido pouco mais de R$ 4 milhões.
O montante prometido é mil vezes maior, R$ 4 bilhões, valor que reacende a vigilância dos atentos e aguça a ganância dos aliados.
Em um aspecto, no entanto, o plano é plausível, ao tratar da internação sem consentimento do doente. Mas essa foi exatamente a parte criticada pelo colunista Hélio Schwartsman na edição de 13 de dezembro da Folha.
No artigo "Tratamento na Marra", ele discute, já a partir do título, como essa internação representaria um retrocesso de décadas, "perigoso" e inconstitucional.
Na verdade, é o contrário. O dominado pelo vício tem uma única vontade: fumar pedras dia e noite. Para conseguir isso, ele gasta tudo, vende os bens que tem em casa, passa ao furto e ao tráfico. Enquanto definha, família e autoridades nada podem fazer, pois não há pena prevista na Lei de Drogas nem na da reforma psiquiátrica, a 10.216/01, que foi citada por Schwartsman na sua coluna.
Para quem defende a decisão da vítima, o Estado não deve se intrometer se ela vai do tratamento diretamente para a boca de fumo encher o cachimbo. É a política do "se quiser morrer, que morra" ou do "resolveu entrar, resolva parar".
Claro que quanto menor a interferência do Estado no dia a dia das pessoas, melhor. Mas a cracolândia é o oposto de qualquer símbolo de iniciativa própria. O poder público falha ao controlar a entrada das drogas e a sua circulação. Depois, em vez de sanar o erro, usufrui dele dizendo que se omite para assegurar ao craqueiro o direito de se matar.
A existência da cracolândia é uma negação das liberdades, conviver com ela é afirmar a vitória do banditismo, aceitá-la é sinônimo de covardia e incompetência.
Em nome dessa liberdade sociológica, o paciente só fica na clínica se quiser. Mas ele não quer, pois a dependência é avassaladora.
Uma solução está no projeto de lei 111/10, que apresentei por sugestão de debatedores no Twitter. Ele determina detenção de seis meses a um ano para o usuário e manda o juiz "substituí-la" pelos cuidados com a saúde.
Essa redação afasta o temor manifestado por Schwartsman de o médico prender ou abandonar quem não tem parentes. O controle será do Judiciário, depois de ouvir especialistas. O que se deve evitar é a saída mostrada no artigo de Schwartsman: levar o dependente ao hospital apenas na iminência da sua morte (para ele ficar apenas "dois ou três dias") e, depois disso, devolvê-lo à sarjeta.
Tratar exige acompanhamento por tempo indefinido. Deixar o dependente se exaurir nas calçadas ou desistir dele em 72 horas é, sobretudo, desumano.
A vida é o maior bem jurídico tutelado e a única coisa que viciados têm além da ânsia pelo crack -esta, cada vez maior e estimulada pela ausência do Estado; aquela, um fiapo envolto em molambos esquecidos para os quais o mesmo Estado diz "dane-se".
O projeto anticrack lançado pela presidente Dilma Rousseff foi feito para ser descumprido, até porque as obras e serviços estão em desacordo com os recursos e prazos anunciados pelo governo.
A tradição do governo é não investir sequer as migalhas propagadas. O ex-presidente Lula garantiu R$ 124 milhões ao setor em 2010. Pagou R$ 5,3 milhões. Para este ano, Dilma reservou R$ 33,6 milhões e, até tentar tirar Fernando Pimentel das manchetes com os holofotes contra as drogas, havia investido pouco mais de R$ 4 milhões.
O montante prometido é mil vezes maior, R$ 4 bilhões, valor que reacende a vigilância dos atentos e aguça a ganância dos aliados.
Em um aspecto, no entanto, o plano é plausível, ao tratar da internação sem consentimento do doente. Mas essa foi exatamente a parte criticada pelo colunista Hélio Schwartsman na edição de 13 de dezembro da Folha.
No artigo "Tratamento na Marra", ele discute, já a partir do título, como essa internação representaria um retrocesso de décadas, "perigoso" e inconstitucional.
Na verdade, é o contrário. O dominado pelo vício tem uma única vontade: fumar pedras dia e noite. Para conseguir isso, ele gasta tudo, vende os bens que tem em casa, passa ao furto e ao tráfico. Enquanto definha, família e autoridades nada podem fazer, pois não há pena prevista na Lei de Drogas nem na da reforma psiquiátrica, a 10.216/01, que foi citada por Schwartsman na sua coluna.
Para quem defende a decisão da vítima, o Estado não deve se intrometer se ela vai do tratamento diretamente para a boca de fumo encher o cachimbo. É a política do "se quiser morrer, que morra" ou do "resolveu entrar, resolva parar".
Claro que quanto menor a interferência do Estado no dia a dia das pessoas, melhor. Mas a cracolândia é o oposto de qualquer símbolo de iniciativa própria. O poder público falha ao controlar a entrada das drogas e a sua circulação. Depois, em vez de sanar o erro, usufrui dele dizendo que se omite para assegurar ao craqueiro o direito de se matar.
A existência da cracolândia é uma negação das liberdades, conviver com ela é afirmar a vitória do banditismo, aceitá-la é sinônimo de covardia e incompetência.
Em nome dessa liberdade sociológica, o paciente só fica na clínica se quiser. Mas ele não quer, pois a dependência é avassaladora.
Uma solução está no projeto de lei 111/10, que apresentei por sugestão de debatedores no Twitter. Ele determina detenção de seis meses a um ano para o usuário e manda o juiz "substituí-la" pelos cuidados com a saúde.
Essa redação afasta o temor manifestado por Schwartsman de o médico prender ou abandonar quem não tem parentes. O controle será do Judiciário, depois de ouvir especialistas. O que se deve evitar é a saída mostrada no artigo de Schwartsman: levar o dependente ao hospital apenas na iminência da sua morte (para ele ficar apenas "dois ou três dias") e, depois disso, devolvê-lo à sarjeta.
Tratar exige acompanhamento por tempo indefinido. Deixar o dependente se exaurir nas calçadas ou desistir dele em 72 horas é, sobretudo, desumano.
A vida é o maior bem jurídico tutelado e a única coisa que viciados têm além da ânsia pelo crack -esta, cada vez maior e estimulada pela ausência do Estado; aquela, um fiapo envolto em molambos esquecidos para os quais o mesmo Estado diz "dane-se".
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 04/01/12
Mercado interno será prioridade alemã no Brasil
Empresas alemãs pretendem manter investimentos no Brasil e priorizar seus negócios no mercado doméstico, segundo pesquisa realizada pela Câmara Brasil-Alemanha no último trimestre de 2011. Foram ouvidos 1.700 associados, que respondem por 10% do PIB industrial brasileiro, conforme a entidade.
Cerca de 75% dos executivos entrevistados confirmaram a intenção de realizar em 2012 aportes já planejados, ao menos aqueles considerados essenciais para assegurar a expansão da operação brasileira. Exportações perderam importância ante a valorização do real.
"Há a preocupação com investimentos essenciais para que as empresas assegurem seu posicionamento no país e viabilizem o seu crescimento, ao mesmo tempo em que buscam atender às demandas das matrizes neste momento delicado da economia europeia", diz Weber Porto, presidente da Câmara Brasil Alemanha de SP e da empresa alemã Evonik para as Américas do Sul e Central.
Há hoje 1.200 empresas alemãs no país.
Aproximadamente 800 delas estão sediadas na Grande São Paulo, o que a torna a região de maior concentração de companhias alemãs no mundo, segundo o executivo.
Porto tem notado o aumento do interesse no Brasil.
"Em 2011, atendemos a 12 mil pedidos de informações comerciais de empresas alemãs sondando oportunidades e recebemos 83 delegações empresariais da Alemanha", afirma.
Lata de... O setor de tintas espera alcançar 1,44 bilhão de litros vendidos neste ano, alta de 4%, segundo a Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas).
...tinta Deve se manter forte a demanda por tinta imobiliária. A venda de automotivas também crescerá devido à queda na proporção de carros estrangeiros, que já chegam pintados, segundo a entidade.
Valorização de imóveis em SP é de 57% em dois anos, diz estudo
O preço do metro quadrado de imóveis residenciais de cinco regiões de São Paulo aumentou 56,6% nos últimos dois anos, segundo levantamento da Lello Imóveis.
Hoje, a média do metro quadrado na Mooca, no Tatuapé, nos Jardins, em Perdizes e em Santana é de R$ 5 mil. Em 2009, era de R$ 3,1 mil.
Valorizações de até 175% foram registradas na Mooca. A média, porém, ficou em 80%.
Os preços devem se elevar ainda mais nos próximos anos, segundo Roseli Hernandes, diretora da Lello. "Mas de uma forma moderada. As pessoas estão cautelosas por causa da crise internacional", afirma.
Ainda segundo Hernandes, a rentabilidade média na venda nos últimos dois anos foi de 2,35% ao mês. "Chegou a 7,3% em alguns casos."
A empresa levantou os preços de apartamentos de dois quartos, que correspondem a cerca de 60% da demanda. Foram analisados imóveis comercializados em 2009 e revendidos no ano passado.
INGLÊS LATINO
A rede de escolas de idiomas Wise Up, do Ometz Group, pretende abrir 70 unidades nos Estados Unidos nos próximos três anos.
A companhia, voltada para o ensino de adultos, iniciou suas operações no país no ano passado, com três franquias em Orlando.
"Temos um estudo de que há mais de 25 milhões de latinos que moram nos EUA, mas não falam inglês", diz o presidente Flávio Augusto da Silva.
Até março, a rede abrirá mais duas unidades na Flórida, uma delas em Miami.
Outras redes brasileiras também competem pelo mercado de latinos nos EUA. A Yes! abrirá franquia em Boston neste semestre e a Fisk já atua no país.
No primeiro trimestre deste ano, a Wise Up vai inaugurar sua primeira unidade no Panamá. "Também negociamos nossa entrada na China", diz Silva.
A You Move, rede do Ometz Group voltada para as classes C e D, abrirá cem franquias até agosto.
"A maioria delas ficará em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba para otimizar o investimento de R$ 15 milhões em publicidade."
RETORNO
A falta de qualificação, que atinge diversos setores, elevou a contratação de profissionais aposentados em 2011.
Cerca de 20% das empresas trouxeram profissionais de volta ao mercado, segundo a Hays Recruiting.
A contratação ocorre principalmente em cargos técnicos (72%). O índice é menor em diretoria (33%), gerência (28%), conselho (17%) e presidência (6%).
"Ainda é pouco. Tem potencial para crescer com projetos de energia, construção e óleo e gás", diz Alexia Franco, diretora da Hays.
Cerca de 70% das contratações são feitas por empresas com faturamento de R$ 90 milhões a R$ 300 milhões.
Na Michael Page, entre as contratações ligadas a áreas de engenharia em 2011, quase 25% dos contratados têm em torno de 55 anos, segundo o diretor Sergio Sabino.
Cédulas A Casa da Moeda do Brasil teve lucro líquido de cerca de R$ 500 milhões em 2011, alta de 20,5% ante o ano anterior. Mais de 460 milhões de cédulas foram exportadas, o que representou um valor de R$ 55 milhões.
com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ
Mercado interno será prioridade alemã no Brasil
Empresas alemãs pretendem manter investimentos no Brasil e priorizar seus negócios no mercado doméstico, segundo pesquisa realizada pela Câmara Brasil-Alemanha no último trimestre de 2011. Foram ouvidos 1.700 associados, que respondem por 10% do PIB industrial brasileiro, conforme a entidade.
Cerca de 75% dos executivos entrevistados confirmaram a intenção de realizar em 2012 aportes já planejados, ao menos aqueles considerados essenciais para assegurar a expansão da operação brasileira. Exportações perderam importância ante a valorização do real.
"Há a preocupação com investimentos essenciais para que as empresas assegurem seu posicionamento no país e viabilizem o seu crescimento, ao mesmo tempo em que buscam atender às demandas das matrizes neste momento delicado da economia europeia", diz Weber Porto, presidente da Câmara Brasil Alemanha de SP e da empresa alemã Evonik para as Américas do Sul e Central.
Há hoje 1.200 empresas alemãs no país.
Aproximadamente 800 delas estão sediadas na Grande São Paulo, o que a torna a região de maior concentração de companhias alemãs no mundo, segundo o executivo.
Porto tem notado o aumento do interesse no Brasil.
"Em 2011, atendemos a 12 mil pedidos de informações comerciais de empresas alemãs sondando oportunidades e recebemos 83 delegações empresariais da Alemanha", afirma.
Lata de... O setor de tintas espera alcançar 1,44 bilhão de litros vendidos neste ano, alta de 4%, segundo a Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas).
...tinta Deve se manter forte a demanda por tinta imobiliária. A venda de automotivas também crescerá devido à queda na proporção de carros estrangeiros, que já chegam pintados, segundo a entidade.
Valorização de imóveis em SP é de 57% em dois anos, diz estudo
O preço do metro quadrado de imóveis residenciais de cinco regiões de São Paulo aumentou 56,6% nos últimos dois anos, segundo levantamento da Lello Imóveis.
Hoje, a média do metro quadrado na Mooca, no Tatuapé, nos Jardins, em Perdizes e em Santana é de R$ 5 mil. Em 2009, era de R$ 3,1 mil.
Valorizações de até 175% foram registradas na Mooca. A média, porém, ficou em 80%.
Os preços devem se elevar ainda mais nos próximos anos, segundo Roseli Hernandes, diretora da Lello. "Mas de uma forma moderada. As pessoas estão cautelosas por causa da crise internacional", afirma.
Ainda segundo Hernandes, a rentabilidade média na venda nos últimos dois anos foi de 2,35% ao mês. "Chegou a 7,3% em alguns casos."
A empresa levantou os preços de apartamentos de dois quartos, que correspondem a cerca de 60% da demanda. Foram analisados imóveis comercializados em 2009 e revendidos no ano passado.
INGLÊS LATINO
A rede de escolas de idiomas Wise Up, do Ometz Group, pretende abrir 70 unidades nos Estados Unidos nos próximos três anos.
A companhia, voltada para o ensino de adultos, iniciou suas operações no país no ano passado, com três franquias em Orlando.
"Temos um estudo de que há mais de 25 milhões de latinos que moram nos EUA, mas não falam inglês", diz o presidente Flávio Augusto da Silva.
Até março, a rede abrirá mais duas unidades na Flórida, uma delas em Miami.
Outras redes brasileiras também competem pelo mercado de latinos nos EUA. A Yes! abrirá franquia em Boston neste semestre e a Fisk já atua no país.
No primeiro trimestre deste ano, a Wise Up vai inaugurar sua primeira unidade no Panamá. "Também negociamos nossa entrada na China", diz Silva.
A You Move, rede do Ometz Group voltada para as classes C e D, abrirá cem franquias até agosto.
"A maioria delas ficará em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba para otimizar o investimento de R$ 15 milhões em publicidade."
RETORNO
A falta de qualificação, que atinge diversos setores, elevou a contratação de profissionais aposentados em 2011.
Cerca de 20% das empresas trouxeram profissionais de volta ao mercado, segundo a Hays Recruiting.
A contratação ocorre principalmente em cargos técnicos (72%). O índice é menor em diretoria (33%), gerência (28%), conselho (17%) e presidência (6%).
"Ainda é pouco. Tem potencial para crescer com projetos de energia, construção e óleo e gás", diz Alexia Franco, diretora da Hays.
Cerca de 70% das contratações são feitas por empresas com faturamento de R$ 90 milhões a R$ 300 milhões.
Na Michael Page, entre as contratações ligadas a áreas de engenharia em 2011, quase 25% dos contratados têm em torno de 55 anos, segundo o diretor Sergio Sabino.
Cédulas A Casa da Moeda do Brasil teve lucro líquido de cerca de R$ 500 milhões em 2011, alta de 20,5% ante o ano anterior. Mais de 460 milhões de cédulas foram exportadas, o que representou um valor de R$ 55 milhões.
com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ
2012, crescimento sem ilusões - PAULO R.HADDAD
O ESTADÃO - 04/01/12
Terminado o ciclo de prosperidade da economia mundial que se estendeu de 2002 a 2008,o Brasil buscou uma trajetória de crescimento econômico ancorada no fortalecimento do mercado interno e na persistência da vigorosa demanda externa por produtos intensivos direta e indiretamente de recursos naturais (minérios, metais, bioenergia, alimentos, etc.). E, de certa forma, foi possível prolongar aquele ciclo por alguns trimestres com relativo sucesso no nosso país.
Contudo, a experiência histórica mostra que, quando a economia global sofre um processo recessivo que não é transitório,mas é durável e se aprofunda, é muito improvável que possa haver, em escala mundial, alguma economia nacional de maior expressão que venha a se constituir numa ilha de prosperidade.
Ou seja, é muito difícil blindar qualquer país ou região de um colapso econômico global.
Iniciamos o ano de 2012 com a atual crise financeira nos Estados Unidos e na Europa se caracterizando como a mais dramática crise depois dos anos 30. É ilusório pensar que uma crise nas economias dominantes intensa,longa e profunda possa não atingir significativamente as economias periféricas ou emergentes. Os mecanismos de transmissão se manifestam inexoravelmente por meio da queda nos fluxos de comércio internacional de bens e serviços e nos fluxos de financiamento nos mercados de capitais globalizados.
Por outro lado, são limitados os graus de liberdade de que as nossas autoridades econômicas dispõem para conceber e executar políticas de demanda expansionistas. Há um processo de inflação rastejante ou furtiva em andamento que constrange novas e significativas quedas nas taxas de juros.
E o orçamento do setor público consolidado se encontra enrijecido por vinculações constitucionais e por comprometimentos políticos com crescentes despesas correntes - em que se destacam as políticas sociais compensatórias, que se tornarão crescentemente indispensáveis se a atual desaceleração econômica se aprofundar.
É evidente que o Brasil ainda se destaca no cenário mundial como uma economia que dispõe de imensas potencialidades de crescimento econômico por causa, principalmente,da exuberância competitiva de sua base de recursos naturais renováveis e não renováveis.
Assim, mesmo num quadro de economia mundial convalescente, sempre haverá muitos grandes projetos de investimento sendo concebidos, estruturados e implementados na economia brasileira.
Como tenho destacado em artigos no Estadão, são grandes projetos de investimento que se orientam pelo comportamento dos mercados no médio e no longo prazos,em que novos patamares de demanda foram alavancados de forma sustentada pela China e por outros países emergentes como megaconsumidores de produtos intensivos direta e indiretamente de recursos naturais.
Nisso esses investimentos se posicionam competitivamente em nível global, independentemente das turbulências financeiras de curto prazo. Sua implementação tem como fatores limitantes os riscos jurisdicionais e a lentidão das burocracias governamentais que prevalecem hoje no País.O seu financiamento tem como origem principal investimentos liderados pelo setor privado nacional ou internacional, com ou sem suporte do BNDES,seduzidos pela suas elevadas taxas internas de retorno financeiro,capazes de atrair capitais estrangeiros diretamente produtivos.
Esses investimentos certamente poderão garantir alguma taxa de crescimento de nossa economia em 2012, mas nada que possa caracterizar um ciclo de expansão sustentada. É evidente que é muito difícil fazer prognósticos sobre uma economia quando esta passa pela inflexão de um ciclo de prosperidade para um ciclo recessivo. As políticas econômicas ficam a descoberto de redundâncias protetoras, tornando-se menos resistentes acho que sexógenos, a efeitos inesperados e às falhas comuns nas predições condicionais dos economistas.
PROFESSOR DO IBMEC/MG, FOI MINISTRO DO PLANEJAMENTO E DA FAZENDA DO GOVERNO ITAMAR FRANCO
Terminado o ciclo de prosperidade da economia mundial que se estendeu de 2002 a 2008,o Brasil buscou uma trajetória de crescimento econômico ancorada no fortalecimento do mercado interno e na persistência da vigorosa demanda externa por produtos intensivos direta e indiretamente de recursos naturais (minérios, metais, bioenergia, alimentos, etc.). E, de certa forma, foi possível prolongar aquele ciclo por alguns trimestres com relativo sucesso no nosso país.
Contudo, a experiência histórica mostra que, quando a economia global sofre um processo recessivo que não é transitório,mas é durável e se aprofunda, é muito improvável que possa haver, em escala mundial, alguma economia nacional de maior expressão que venha a se constituir numa ilha de prosperidade.
Ou seja, é muito difícil blindar qualquer país ou região de um colapso econômico global.
Iniciamos o ano de 2012 com a atual crise financeira nos Estados Unidos e na Europa se caracterizando como a mais dramática crise depois dos anos 30. É ilusório pensar que uma crise nas economias dominantes intensa,longa e profunda possa não atingir significativamente as economias periféricas ou emergentes. Os mecanismos de transmissão se manifestam inexoravelmente por meio da queda nos fluxos de comércio internacional de bens e serviços e nos fluxos de financiamento nos mercados de capitais globalizados.
Por outro lado, são limitados os graus de liberdade de que as nossas autoridades econômicas dispõem para conceber e executar políticas de demanda expansionistas. Há um processo de inflação rastejante ou furtiva em andamento que constrange novas e significativas quedas nas taxas de juros.
E o orçamento do setor público consolidado se encontra enrijecido por vinculações constitucionais e por comprometimentos políticos com crescentes despesas correntes - em que se destacam as políticas sociais compensatórias, que se tornarão crescentemente indispensáveis se a atual desaceleração econômica se aprofundar.
É evidente que o Brasil ainda se destaca no cenário mundial como uma economia que dispõe de imensas potencialidades de crescimento econômico por causa, principalmente,da exuberância competitiva de sua base de recursos naturais renováveis e não renováveis.
Assim, mesmo num quadro de economia mundial convalescente, sempre haverá muitos grandes projetos de investimento sendo concebidos, estruturados e implementados na economia brasileira.
Como tenho destacado em artigos no Estadão, são grandes projetos de investimento que se orientam pelo comportamento dos mercados no médio e no longo prazos,em que novos patamares de demanda foram alavancados de forma sustentada pela China e por outros países emergentes como megaconsumidores de produtos intensivos direta e indiretamente de recursos naturais.
Nisso esses investimentos se posicionam competitivamente em nível global, independentemente das turbulências financeiras de curto prazo. Sua implementação tem como fatores limitantes os riscos jurisdicionais e a lentidão das burocracias governamentais que prevalecem hoje no País.O seu financiamento tem como origem principal investimentos liderados pelo setor privado nacional ou internacional, com ou sem suporte do BNDES,seduzidos pela suas elevadas taxas internas de retorno financeiro,capazes de atrair capitais estrangeiros diretamente produtivos.
Esses investimentos certamente poderão garantir alguma taxa de crescimento de nossa economia em 2012, mas nada que possa caracterizar um ciclo de expansão sustentada. É evidente que é muito difícil fazer prognósticos sobre uma economia quando esta passa pela inflexão de um ciclo de prosperidade para um ciclo recessivo. As políticas econômicas ficam a descoberto de redundâncias protetoras, tornando-se menos resistentes acho que sexógenos, a efeitos inesperados e às falhas comuns nas predições condicionais dos economistas.
PROFESSOR DO IBMEC/MG, FOI MINISTRO DO PLANEJAMENTO E DA FAZENDA DO GOVERNO ITAMAR FRANCO
Um país defasado - JOÃO GUILHERME SABINO OMETTO
O GLOBO - 04/01/12
Embora seja incontestável o avanço do Brasil em pesquisa e ciência, com a formação de 12 mil doutores por ano e a 13ª posição no ranking de artigos científicos, novíssimo estudo da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi) permite concluir que o país ainda precisa evoluir muito em inovação. Há considerável lacuna entre o desempenho internacional e o doméstico nesse quesito tão decisivo para o crescimento sustentado e a soberania econômica.
O trabalho, intitulado "Relatório mundial da propriedade intelectual 2011 - a face mutante da inovação", ratifica como o domínio sobre os direitos ligados à tecnologia, processos, produtos e conhecimento tornou-se preponderante para se delinearem estratégias vencedoras de empresas em todo o mundo. Os dados também surpreendem, mostrando que nem mesmo as crises internacionais têm arrefecido o ânimo relativo à pesquisa e ao desenvolvimento: entre 1980 e 2009, as requisições de novas patentes cresceram de 800 mil para 1,8 milhão.
Depreende-se, assim, que a competitividade imposta pela globalização torna os investimentos em P&D, ou seja, em inteligência, um imenso diferencial competitivo e uma questão pragmática de sobrevivência e sucesso dos negócios e das próprias nações. O conceito mais contemporâneo de inovação, na qual há companhias que chegam a investir entre 4% e 5% de seu faturamento, refere-se à pesquisa e à ciência voltadas ao foco de agregar valor às empresas, resultando em produtos ou serviços únicos e de absoluta excelência. Por isso, elas primam por deter milhares de patentes e pagam bônus aos seus cientistas quando as suas invenções conquistam o mercado.
É exatamente nesse aspecto que o Brasil parece estar na contramão das tendências, apesar de sua economia ser hoje uma das mais aquecidas e dinâmicas. Dentro dessa incontestável realidade, nosso governo não pode continuar demorando até sete anos para conceder uma patente. No vácuo desse imenso hiato burocrático, os produtos e serviços perdem sua condição inovadora, tornam-se obsoletos e têm competitividade prejudicada.
Tal descompasso fica muito claro nas estatísticas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): nosso país registrou, em 2008, somente 0,3 patente triádica (válida na Europa, Estados Unidos e Japão) por grupo de um milhão de habitantes, muito abaixo dos desenvolvidos e de seus principais competidores dentre os emergentes. No período 2003/2005, apenas 3,6% das empresas brasileiras lançaram produtos novos.
O relatório "Science, tecnology and industry outlook 2010" da OCDE observa que o perfil da ciência e tecnologia no país ainda apresenta vários pontos fracos, como a baixa intensidade de P&D, com investimentos equivalentes a apenas 1,1% do PIB, e carências em termos de qualificação dos recursos humanos em ciência e tecnologia. Tais deficiências são ainda mais preocupantes ante outra informação revelada pelo novo estudo da Ompi: o fomento da tecnologia não é mais prerrogativa exclusiva das economias de alta renda. Nesse item, a lacuna entre as nações desenvolvidas, emergentes e em desenvolvimento está diminuindo. Formas mais elaboradas e locais de inovação contribuem para o desenvolvimento econômico e social.
O Brasil não pode continuar defasado no contexto desse deslocamento do eixo mundial da inovação, pois, conforme afirma o documento da Ompi, o aumento da demanda por direitos de propriedade intelectual reflete a ascensão do mercado do conhecimento, fator exponencial para que as empresas se especializem e se tornem mais eficientes. A rigor, é preciso avançar muito, para não sermos surpreendidos por estudos como esse revelador relatório.
O trabalho, intitulado "Relatório mundial da propriedade intelectual 2011 - a face mutante da inovação", ratifica como o domínio sobre os direitos ligados à tecnologia, processos, produtos e conhecimento tornou-se preponderante para se delinearem estratégias vencedoras de empresas em todo o mundo. Os dados também surpreendem, mostrando que nem mesmo as crises internacionais têm arrefecido o ânimo relativo à pesquisa e ao desenvolvimento: entre 1980 e 2009, as requisições de novas patentes cresceram de 800 mil para 1,8 milhão.
Depreende-se, assim, que a competitividade imposta pela globalização torna os investimentos em P&D, ou seja, em inteligência, um imenso diferencial competitivo e uma questão pragmática de sobrevivência e sucesso dos negócios e das próprias nações. O conceito mais contemporâneo de inovação, na qual há companhias que chegam a investir entre 4% e 5% de seu faturamento, refere-se à pesquisa e à ciência voltadas ao foco de agregar valor às empresas, resultando em produtos ou serviços únicos e de absoluta excelência. Por isso, elas primam por deter milhares de patentes e pagam bônus aos seus cientistas quando as suas invenções conquistam o mercado.
É exatamente nesse aspecto que o Brasil parece estar na contramão das tendências, apesar de sua economia ser hoje uma das mais aquecidas e dinâmicas. Dentro dessa incontestável realidade, nosso governo não pode continuar demorando até sete anos para conceder uma patente. No vácuo desse imenso hiato burocrático, os produtos e serviços perdem sua condição inovadora, tornam-se obsoletos e têm competitividade prejudicada.
Tal descompasso fica muito claro nas estatísticas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): nosso país registrou, em 2008, somente 0,3 patente triádica (válida na Europa, Estados Unidos e Japão) por grupo de um milhão de habitantes, muito abaixo dos desenvolvidos e de seus principais competidores dentre os emergentes. No período 2003/2005, apenas 3,6% das empresas brasileiras lançaram produtos novos.
O relatório "Science, tecnology and industry outlook 2010" da OCDE observa que o perfil da ciência e tecnologia no país ainda apresenta vários pontos fracos, como a baixa intensidade de P&D, com investimentos equivalentes a apenas 1,1% do PIB, e carências em termos de qualificação dos recursos humanos em ciência e tecnologia. Tais deficiências são ainda mais preocupantes ante outra informação revelada pelo novo estudo da Ompi: o fomento da tecnologia não é mais prerrogativa exclusiva das economias de alta renda. Nesse item, a lacuna entre as nações desenvolvidas, emergentes e em desenvolvimento está diminuindo. Formas mais elaboradas e locais de inovação contribuem para o desenvolvimento econômico e social.
O Brasil não pode continuar defasado no contexto desse deslocamento do eixo mundial da inovação, pois, conforme afirma o documento da Ompi, o aumento da demanda por direitos de propriedade intelectual reflete a ascensão do mercado do conhecimento, fator exponencial para que as empresas se especializem e se tornem mais eficientes. A rigor, é preciso avançar muito, para não sermos surpreendidos por estudos como esse revelador relatório.
A Hungria e o fascismo - GILLES LAPOUGE
O Estado de S.Paulo - 04/01/12
Como se não bastassem os muitos problemas enfrentados por causa do desastre da zona do euro, eis que a União Europeia agora está com uma nova batata quente nas mãos. E grande. Um país inteiro. Trata-se da Hungria, que faz parte do bloco europeu e cujo primeiro-ministro, Viktor Orban, tem constantemente provocado Bruxelas.
Primeiro em seus discursos e, há alguns dias, por meio de novas leis, o governo de Orban, que representa a direita dura e autoritária da Hungria, vem manifestando um prazer doentio em violar espetacularmente todos os princípios da União Europeia, os quais todo o país que adere ao bloco deveria respeitar.
Há alguns dias, por exemplo, Orban organizou um controle implacável da mídia, desrespeitando a liberdade de imprensa, um dos dogmas sagrados da União Europeia. E, no primeiro dia do ano, entrou em vigor uma Constituição húngara que acaba com a independência do Judiciário, da Suprema Corte e do Banco Central.
Todos os poderes ficam nas mãos do partido do premiê, o Fidesz. Além disso, dispositivos distorcidos e opacos tornam quase impossível a destituição do primeiro-ministro. Em Bruxelas, reina a fúria. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, se disse "inquieta" com a democracia húngara.
A todos esses alertas, Orban responde com escárnio. Podemos perguntar como essa política antieuropeia e projetada por uma ala fascista é tolerada pela sociedade húngara. Duas respostas: a primeira é que Orban foi um "herói" da libertação do país do jugo da União Soviética. Ainda jovem e eloquente, aos 26 anos, ele teve a audácia de reivindicar a realização de eleições livres na Hungria. Desde então, mostrou-se uma figura talentosa. Seu partido é poderoso. Além do que, Orban é vice-presidente do PPE, o "clube" dos partidos conservadores europeus, que estão majoritariamente no poder na União Europeia.
A segunda resposta é mais inquietante. A Hungria jamais demonstrou uma grande paixão pela democracia. Ela apoiou os governos mais sórdidos da recente história europeia, o regime de Adolf Hitler, por exemplo. Essa tendência autoritária não deve ser esquecida. Prova disso é que, se o partido conservador de Orban detém dois terços das cadeiras do Parlamento, um outro, ainda mais extremista, o Jobbik, obteve 15% dos votos.
Esse partido, fascista para não dizer coisa pior, criou uma milícia paramilitar, a Guarda Húngara, que usa um uniforme inspirado nos fascistas de 1940 e tem multiplicado suas bravatas. Esses "iluminados" do Jobbik seriam responsáveis pelo assassinatos de ciganos. É verdade que Orban condenou essas mortes, mas a polícia acobertou a infâmia. Mesmo que o premiê tenha denunciado os assassinatos, ele humilha sistematicamente os ciganos, com o assentimento entusiasta do povo, tendo chegado a impor o trabalho obrigatório em canteiros de obras públicas, para eles tenham direito a benefícios sociais.
O governo, porém, tem um ponto frágil: a economia húngara está deteriorada. Acaba de ser inserida na categoria de "especulativa" pelas agências de classificação Moody's e Standard & Poor's. A Hungria tem a necessidade urgente de um crédito de 15 a 20 bilhões, que solicitou ao Banco Mundial e ao FMI.
Segundo notícias recentes, as duas instituições internacionais teriam interrompido os contatos com Budapeste em protesto contra a decisão de colocar o Banco Central húngaro sob tutela do Estado. Por quanto tempo? / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
O Brasil precisa frear os EUA - MARK WEISBROT
FOLHA DE SP - 04/01/11
Todos os governos que não querem uma guerra contra o Irã devem agir antes que seja tarde para impedi-la
É como se não tivessem aprendido nada com as mentiras e a sede imperial de poder que nos arrastaram para uma guerra assassina com o Iraque que consumiu trilhões de dólares. Na sexta, o conselho editorial do "New York Times" aplaudiu as ameaças militares dos EUA contra o Irã e pediu "pressão econômica máxima" contra o país.
E esse é o mais influente jornal "progressista" da América. A imprensa de direita, com um discurso de ódio que alcança milhões de pessoas por dia, é ainda pior.
O Irã vem reagindo com ameaças próprias de fechar o estreito de Hormuz -por onde passa um sexto do petróleo do mundo- se os EUA cortarem suas exportações de óleo. Não surpreende, já que o governo americano tenta estrangular economicamente o Irã. O enorme esforço diplomático e de propaganda internacional dos EUA pode não levar imediatamente a uma guerra -como foi o caso com a Guerra do Iraque, o timing de qualquer ataque será sujeito a considerações eleitorais.
O problema é que essas pessoas deitam as bases para uma guerra que ocorrerá quando o presidente decidir que convém. Quando essa hora chegar, é provável que seja tarde demais para impedir a guerra. Foi o que ocorreu no Iraque.
A marcha em direção à guerra acelera-se agora devido às eleições de 2012 nos EUA. A primária presidencial republicana é em sua maior parte um circo, com todos os candidatos, menos o libertário Ron Paul, lançando chamados por guerra e criticando Obama por não ser "suficientemente duro". Como Obama tenta arrebatar votos dos republicanos, sua reação é mostrar-se o mais aguerrido possível sem de fato iniciar uma guerra real.
Enquanto isso, o Congresso, com a Câmara controlada por republicanos e o Legislativo inteiro fortemente pelo lobby de Israel, soma mais pressão em favor da guerra.
Mas que ninguém se engane, imaginando que essa promoção da guerra em um ano eleitoral reflete a vontade dos eleitores americanos.
Os pré-candidatos republicanos estão competindo na primária pelos votos dos eleitores mais de direita, mais extremistas pró-guerra no mundo, e Obama os está seguindo.
E o lobby de Israel está seguindo o governo israelense de direita, pró-guerra. Mas dados de pesquisas indicam que, a despeito da lavagem cerebral diária, a imensa maioria dos americanos não deseja uma guerra com o Irã.
Como a mídia americana não reconhece a vontade da sociedade civil independente no que tange questões de política externa, a voz do povo americano passa sem ser ouvida. E não ajuda o fato de o governo americano ter usado sua influência na ONU para nomear um chefe submisso da Agência Internacional de Energia Atômica. Isso pode explicar a mudança recente de tom da agência, que adotou discurso mais aceitável pelo lado favorável à guerra.
Por isso tudo, apelamos ao Brasil e a outros governos que não querem essa guerra que nos ajudem a impedi-la. Quando, em maio de 2010, o Brasil e a Turquia propuseram um acordo de troca de combustível nuclear do Irã, isso funcionou como freio temporário da máquina de guerra. Precisamos de mais ajuda diplomática desse tipo.
Tradução de CLARA ALLAIN
Desdentados nos EUA - PATRÍCIA CAMPOS MELLO
FOLHA DE SP - 04/01/12
Em maio de 2009, pouco antes de a GM declarar falência, estive em Detroit para escrever sobre a decadência da indústria automobilística e seus efeitos sobre a cidade.
O cenário lembrava Nova Orleans pós-Katrina, embora Detroit não tivesse sido varrida por um furacão. Casas abandonadas por toda a parte. Algumas haviam sido queimadas, para não serem ocupadas por viciados em crack. E muita, muita gente sem dentes. Em todo canto, havia americanos desdentados, na maioria negros. Em plenos EUA, as pessoas não tinham dinheiro para consertar os dentes.
Em 2010, depois de passar quatro anos nos EUA, voltei ao Brasil. Uma das coisas que me espantaram foi a quantidade de anúncios, em revistas e no rádio, de implantes dentários em prestações. Depois do frango, do iogurte e da TV de tela plana, a classe C agora podia ter dentes, em módicas parcelas.
Os papéis se inverteram. Os EUA, a maior sociedade meritocrática do mundo, está cada vez mais desigual. Enquanto isso, o Brasil, país símbolo da imobilidade social, melhora.
Ainda temos uma das maiores desigualdades do mundo. O coeficiente de Gini -em que zero corresponde à igualdade perfeita e um refere-se à desigualdade total- está em 0,539 no Brasil, um dos piores do mundo. Mas, desde 1985, tivemos uma melhora de 10%.
Nos EUA, onde o índice está em 0,468, houve piora de 34% no período. Entre 1979 e 2006, a renda dos americanos de classe média teve aumento real de 21%. Os mais pobres tiveram alta na renda de apenas 11%. Já o 1% mais rico viu seu rendimento crescer 256%.
Mas a piora na distribuição de renda dos EUA não afeta apenas a classe média. A desigualdade está no cerne da crise financeira que eclodiu em 2008, como mostra Raghuram Rajan, ex-economista-chefe do FMI e "cassandra" de plantão, em seu livro "Fault Lines - How Hidden Fractures Still Threaten the World Economy". "A resposta política para o aumento da desigualdade foi expandir o crédito para as famílias", diz Rajan.
Em vez de investir em educação, o que demoraria anos para ter efeitos reais (e eleitorais), sucessivos governos americanos foram pela via mais fácil: compensar a queda de remuneração da classe média com crédito barato, facilitando hipotecas, mantendo taxas de juros baixíssimas, ou seja, possibilitando toda a farra de endividamento que foi combustível para a crise.
Os benefícios eram visíveis a curtíssimo prazo e a conta demorou para chegar. Mas quando chegou, quebrou o país.
Resta ver se a política de expansão de crédito e transferência de renda no Brasil não está também mascarando problemas mais profundos e vai apresentar uma conta salgada daqui a pouco.
CLAUDIO HUMBERTO
“Assim como Cristo foi tentado pelo diabo, um dia também eu fui”
Presidente do Senado, José Sarney, que quase queimou acervo após críticas
GOVERNO BARRA PROJETO QUE DETALHA IMPOSTOS
Está no limbo há quase 15 anos projeto de lei que obriga a divulgação do percentual dos tributos embutidos em cada produto. Os consumidores, segundo o projeto, devem ser informados do valor da carga tributária na nota fiscal do produto ou serviço, que compõe o pacotão de 35,21% em impostos. Existem mais de 20 projetos sobre o mesmo tema e 10 requerimentos solicitando inclusão na ordem do dia para votação.
ENGANAÇÃO
Para o deputado Ronaldo Caiado (DEM/GO), o governo obstrui, pois o projeto vai desmascará-lo: “O povo saberia o quanto paga em impostos”.
PROMESSA
Líder do PSD, Guilherme Campos (SP) promete “acelerar o motor” para votá-lo ainda este ano. “É direito do cidadão saber o que paga”.
PARA BOI DORMIR
Cândido Vaccarezza (SP), líder do governo, alega que só pode aprovar a matéria após consenso sobre a reforma tributária. Ou seja, nunca.
É MUITA COISA
O Brasil atingiu o recorde de R$ 1,5 trilhão de impostos pagos em 2012. É emergente, com a maior carga tributária do planeta.
NOVA RESERVA DE 300 MIL M² ABRIGARÁ 54 ÍNDIOS
A Funai investe em nova reserva em Roraima, depois dos conflitos envolvendo a Raposa do Sol: é a reserva Anaro, na fronteira Norte do Brasil, unindo-a à Raposa e a São Marcos. São 300 mil m² destinados a 54 índios, numa área de grande riqueza mineral. Temem-se conflitos com fazendeiros que habitam a região desde 1943 e contestam a propriedade indígena, oficializada com a Constituição de 1988.
MINA DE OURO
Outra reserva estaria na mira de ONGs internacionais, pressionando a Funai: Marabitanas, Balaio e Cabeça do Cachorro, junto a yanomâmi.
VOLTA ÀS AULAS
A Presidência da República investe no papelório: reservou R$ 361,9 mil para cadernos e papéis variados e 210 etiquetas adesivas “urgente”.
FACHADA
O anunciado plantão durante o recesso na Câmara não funcionou: a assessoria de Comunicação não atende desde segunda (2).
FORTALEZA DERRUBADA
A capital cearense viveu ontem seu dia de Iraque, com arrastões, lojas fechadas e autoridades pedindo reforço da Força Nacional de Segurança, substituindo PMs e bombeiros em greve. O governador Cid Gomes (PSB) teria voltado às pressas de Paris. “Apanhou” no Twitter.
SÓ LULA NA CAUSA
Apesar de ter se saído mal nas últimas pesquisas de intenção de voto, o prefeito João da Costa não entrega os pontos: disputa a tapas com o favorito João Paulo (PT) a prefeitura de Recife (PE). Só Lula daria jeito.
FAÇA O QUE DIGO...
Buscando “adequar-se às restrições orçamentárias” impostas por Dilma, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, proibiu os chefes regionais de viajarem na classe executiva em 2012.
... NÃO O QUE FAÇO
Mas Tombini manteve a regalia para ele e para diretores, secretário-executivo, procurador-geral e titulares comissionados que o acompanharem. Milhas acumuladas em geral pulam para a 1ª. Classe.
VACAS MAGRAS
Lembrando-se dos jantares regados à cachaça e uísque oferecidos pelo ex-presidente Lula, um líder governista soltou essa sobre eventos com a presidente Dilma Rousseff: “Às vezes nem jantar tem. Só coquetel”.
VOANDO ALTO
De olho no novo aeroporto que Lula quer construir em São Paulo, o diretor de Aeroportos da Infraero, Márcio Jordão, procurou o padrinho, senador Romero Jucá (PMDB-RR), para garantir upgrade na carreira.
CASA & DECORAÇÃO
Senadores e altos funcionários terão cortinas novas este ano, mostra o site Contas Abertas: a Casa reservou R$ 125,7 mil para as residências oficiais dos ilustres, incluindo a mansão do presidente José Sarney.
O EIKE BÁLTICO
O empresário estoniano Margus Reinsalu anuncia nos jornais locais que investirá € 700 milhões em resort de luxo na ilha de Cajaíba (BA). Dois sócios desistiram. Espera-se que não recorra ao BNDES.
DE NOVO
Fidel morreu de vírus ontem. Na internet.
PODER SEM PUDOR
RAINHA DO PITI
A cada show de arrogância, a senadora Marta Suplicy (PT) garante lugar no folclore de Brasília.
Outro dia, ela queria-porque-queria embarcar para São Paulo às 11 horas da manhã. A FAB alegou que só poderia atender à senadora em horário antecipadamente combinado, porque já tinha outros compromissos (ou “missões”, como os milicos gostam de dizer). Marta só embarcou no fim da tarde. Esbravejando.
Presidente do Senado, José Sarney, que quase queimou acervo após críticas
GOVERNO BARRA PROJETO QUE DETALHA IMPOSTOS
Está no limbo há quase 15 anos projeto de lei que obriga a divulgação do percentual dos tributos embutidos em cada produto. Os consumidores, segundo o projeto, devem ser informados do valor da carga tributária na nota fiscal do produto ou serviço, que compõe o pacotão de 35,21% em impostos. Existem mais de 20 projetos sobre o mesmo tema e 10 requerimentos solicitando inclusão na ordem do dia para votação.
ENGANAÇÃO
Para o deputado Ronaldo Caiado (DEM/GO), o governo obstrui, pois o projeto vai desmascará-lo: “O povo saberia o quanto paga em impostos”.
PROMESSA
Líder do PSD, Guilherme Campos (SP) promete “acelerar o motor” para votá-lo ainda este ano. “É direito do cidadão saber o que paga”.
PARA BOI DORMIR
Cândido Vaccarezza (SP), líder do governo, alega que só pode aprovar a matéria após consenso sobre a reforma tributária. Ou seja, nunca.
É MUITA COISA
O Brasil atingiu o recorde de R$ 1,5 trilhão de impostos pagos em 2012. É emergente, com a maior carga tributária do planeta.
NOVA RESERVA DE 300 MIL M² ABRIGARÁ 54 ÍNDIOS
A Funai investe em nova reserva em Roraima, depois dos conflitos envolvendo a Raposa do Sol: é a reserva Anaro, na fronteira Norte do Brasil, unindo-a à Raposa e a São Marcos. São 300 mil m² destinados a 54 índios, numa área de grande riqueza mineral. Temem-se conflitos com fazendeiros que habitam a região desde 1943 e contestam a propriedade indígena, oficializada com a Constituição de 1988.
MINA DE OURO
Outra reserva estaria na mira de ONGs internacionais, pressionando a Funai: Marabitanas, Balaio e Cabeça do Cachorro, junto a yanomâmi.
VOLTA ÀS AULAS
A Presidência da República investe no papelório: reservou R$ 361,9 mil para cadernos e papéis variados e 210 etiquetas adesivas “urgente”.
FACHADA
O anunciado plantão durante o recesso na Câmara não funcionou: a assessoria de Comunicação não atende desde segunda (2).
FORTALEZA DERRUBADA
A capital cearense viveu ontem seu dia de Iraque, com arrastões, lojas fechadas e autoridades pedindo reforço da Força Nacional de Segurança, substituindo PMs e bombeiros em greve. O governador Cid Gomes (PSB) teria voltado às pressas de Paris. “Apanhou” no Twitter.
SÓ LULA NA CAUSA
Apesar de ter se saído mal nas últimas pesquisas de intenção de voto, o prefeito João da Costa não entrega os pontos: disputa a tapas com o favorito João Paulo (PT) a prefeitura de Recife (PE). Só Lula daria jeito.
FAÇA O QUE DIGO...
Buscando “adequar-se às restrições orçamentárias” impostas por Dilma, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, proibiu os chefes regionais de viajarem na classe executiva em 2012.
... NÃO O QUE FAÇO
Mas Tombini manteve a regalia para ele e para diretores, secretário-executivo, procurador-geral e titulares comissionados que o acompanharem. Milhas acumuladas em geral pulam para a 1ª. Classe.
VACAS MAGRAS
Lembrando-se dos jantares regados à cachaça e uísque oferecidos pelo ex-presidente Lula, um líder governista soltou essa sobre eventos com a presidente Dilma Rousseff: “Às vezes nem jantar tem. Só coquetel”.
VOANDO ALTO
De olho no novo aeroporto que Lula quer construir em São Paulo, o diretor de Aeroportos da Infraero, Márcio Jordão, procurou o padrinho, senador Romero Jucá (PMDB-RR), para garantir upgrade na carreira.
CASA & DECORAÇÃO
Senadores e altos funcionários terão cortinas novas este ano, mostra o site Contas Abertas: a Casa reservou R$ 125,7 mil para as residências oficiais dos ilustres, incluindo a mansão do presidente José Sarney.
O EIKE BÁLTICO
O empresário estoniano Margus Reinsalu anuncia nos jornais locais que investirá € 700 milhões em resort de luxo na ilha de Cajaíba (BA). Dois sócios desistiram. Espera-se que não recorra ao BNDES.
DE NOVO
Fidel morreu de vírus ontem. Na internet.
PODER SEM PUDOR
RAINHA DO PITI
A cada show de arrogância, a senadora Marta Suplicy (PT) garante lugar no folclore de Brasília.
Outro dia, ela queria-porque-queria embarcar para São Paulo às 11 horas da manhã. A FAB alegou que só poderia atender à senadora em horário antecipadamente combinado, porque já tinha outros compromissos (ou “missões”, como os milicos gostam de dizer). Marta só embarcou no fim da tarde. Esbravejando.
QUARTA NOS JORNAIS
- Globo: Dilma intervém em pasta que faz uso político de verba contra cheia
- Folha: Greve de policiais e bombeiros leva medo a Fortaleza
- Estadão: Dilma reage a ministro que fez uso político de verba antienchente
- Correio: Idosos se libertam da ditadura do INSS
- Valor: Infraestrutura ampliará o investimento da indústria
- Zero Hora: Estiagem põe 39 cidades gaúchas em emergência
terça-feira, janeiro 03, 2012
Ai, se eu te pego - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 03/01/12
Uma irmã da coleguinha Mônica Hauser que vive em Israel é testemunha. Ontem, em Jerusalém, por volta de 14h, uns soldados entraram num ônibus com um som alto no celular, tocando... “Ai, se eu te pego”, do brasileiro Michel Teló. Os jovens de farda, acredite, cantavam a versão em hebraico e até arriscaram a coreografia.
Caravana rolidei
Desembarca semana que vem no Brasil, para um giro por Brasília, Rio e São Paulo, uma missão do Congresso dos EUA, chefiada pelo deputado John Boehner, presidente da Câmara de lá e terceiro homem mais poderoso de Washington. Deve ser terrível viver num país onde político adora viajar.
Deputado Romaric
A Assembleia Nacional do Palais Bourbon, em Paris, pode ter um deputado “brasileiro”. Romaric Büel, o produtor cultural e ex-adido, que vive no Brasil há mais de 20 anos, vai se lançar candidato pela esquerda. Pretende ser um dos 11 deputados que representarão os franceses fora da França.
Eleição municipal
Orlando Silva, o ex-ministro, será candidato a vereador em São Paulo pelo PCdoB.
Eu bebo sim
Pesquisa da agência Frog sobre o perfil do consumidor de cerveja premium no Brasil mostrou que 39% são... jornalistas ou publicitários. Os coleguinhas consomem seis vezes mais a bebida do que arquitetos e designers, por exemplo. A razão é... não sei.
Justiça, ó pá
Paulo Rocha, o galã português que vive Guaracy na novela “Fina estampa”, da TV Globo, será julgado quinta, em Lisboa, acusado de ter espancado o cantor conterrâneo Gonzo, em 2007. Pode ser condenado a três anos de prisão.
ESTE TRIO DE negões, formado pelos craques Lázaro Ramos, nosso ator, Hélio de La Peña, o
humorista boa-praça, e pelo cineasta Jeferson De, juntou-se para produzir um filme sobre futebol,
paixão nacional. O longa é baseado num texto do casseta Hélio. O protagonista será vivido por
Lázaro, sob a direção de Jeferson, também diretor do premiado “Bróder”
Primeira República
A equipe do CPDoc/FGV, coordenada pela socióloga Alzira Abreu, concluiu a redação do “Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro da Primeira República (1889-1930)”, com mais de 3 mil verbetes. A obra complementa seu famoso “irmão” dedicado ao período pós-1930, um dos principais livros já editados no país.
República Velha...
Alzira, depois de anos mergulhada nessa pesquisa, compra briga com quem chama aquele período de “República Velha”: — Não tem nada de velha. Foi um período estruturante da sociedade, marcado por movimentos importantes no sindicalismo e em defesa da mulher, por exemplo.
Mas...
Vai demorar uns meses até que os três volumes do “Dicionário da Primeira República” cheguem às livrarias e à internet.
Ameaça chinesa
Veja como é dura a recuperação econômica da Região Serrana do Rio, que voltou a ser castigada por fortes chuvas. A feirinha de Itaipava vendia, no fim de semana, calcinhas chinesas a R$ 5. Só que uma das bases da economia da área, mais precisamente de Nova Friburgo, é exatamente a moda íntima.
Por ti, Portinari
Elza Soares será uma cabrocha de Portinari no desfile da Mocidade Independente. A cantora virá como destaque do carro que representará as belas negras dos morros.
Turco Abravanel
Tiago Abravanel, que nunca teve destaque na emissora do vovô Sílvio Santos, vai fazer um turco na próxima novela de Glória Perez, na TV Globo.
No andar de cima
Hélio Viana, ex-sócio de Pelé, fez um desabafo no Facebook contra os convidados de uma festa que promoveu. É que pediu a cada um a doação de 5kg de alimentos em troca do convite. Mas só recebeu pouco mais de 100kg. — No próximo ano, não vou dar festa, vou doar o dinheiro direto para as crianças necessitadas e comemorar com elas.
Cabelo afro
Em dezembro, o Instituto Beleza Natural, rede de salões especializada em cabelos afro, tratou das madeixas de 4.000 clientes em suas filiais do Rio, do Espírito Santo e de Salvador. A rede recebeu, acredite, 55 caravanas lotadas de moças de estados em que não há filiais.
Uma irmã da coleguinha Mônica Hauser que vive em Israel é testemunha. Ontem, em Jerusalém, por volta de 14h, uns soldados entraram num ônibus com um som alto no celular, tocando... “Ai, se eu te pego”, do brasileiro Michel Teló. Os jovens de farda, acredite, cantavam a versão em hebraico e até arriscaram a coreografia.
Caravana rolidei
Desembarca semana que vem no Brasil, para um giro por Brasília, Rio e São Paulo, uma missão do Congresso dos EUA, chefiada pelo deputado John Boehner, presidente da Câmara de lá e terceiro homem mais poderoso de Washington. Deve ser terrível viver num país onde político adora viajar.
Deputado Romaric
A Assembleia Nacional do Palais Bourbon, em Paris, pode ter um deputado “brasileiro”. Romaric Büel, o produtor cultural e ex-adido, que vive no Brasil há mais de 20 anos, vai se lançar candidato pela esquerda. Pretende ser um dos 11 deputados que representarão os franceses fora da França.
Eleição municipal
Orlando Silva, o ex-ministro, será candidato a vereador em São Paulo pelo PCdoB.
Eu bebo sim
Pesquisa da agência Frog sobre o perfil do consumidor de cerveja premium no Brasil mostrou que 39% são... jornalistas ou publicitários. Os coleguinhas consomem seis vezes mais a bebida do que arquitetos e designers, por exemplo. A razão é... não sei.
Justiça, ó pá
Paulo Rocha, o galã português que vive Guaracy na novela “Fina estampa”, da TV Globo, será julgado quinta, em Lisboa, acusado de ter espancado o cantor conterrâneo Gonzo, em 2007. Pode ser condenado a três anos de prisão.
ESTE TRIO DE negões, formado pelos craques Lázaro Ramos, nosso ator, Hélio de La Peña, o
humorista boa-praça, e pelo cineasta Jeferson De, juntou-se para produzir um filme sobre futebol,
paixão nacional. O longa é baseado num texto do casseta Hélio. O protagonista será vivido por
Lázaro, sob a direção de Jeferson, também diretor do premiado “Bróder”
Primeira República
A equipe do CPDoc/FGV, coordenada pela socióloga Alzira Abreu, concluiu a redação do “Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro da Primeira República (1889-1930)”, com mais de 3 mil verbetes. A obra complementa seu famoso “irmão” dedicado ao período pós-1930, um dos principais livros já editados no país.
República Velha...
Alzira, depois de anos mergulhada nessa pesquisa, compra briga com quem chama aquele período de “República Velha”: — Não tem nada de velha. Foi um período estruturante da sociedade, marcado por movimentos importantes no sindicalismo e em defesa da mulher, por exemplo.
Mas...
Vai demorar uns meses até que os três volumes do “Dicionário da Primeira República” cheguem às livrarias e à internet.
Ameaça chinesa
Veja como é dura a recuperação econômica da Região Serrana do Rio, que voltou a ser castigada por fortes chuvas. A feirinha de Itaipava vendia, no fim de semana, calcinhas chinesas a R$ 5. Só que uma das bases da economia da área, mais precisamente de Nova Friburgo, é exatamente a moda íntima.
Por ti, Portinari
Elza Soares será uma cabrocha de Portinari no desfile da Mocidade Independente. A cantora virá como destaque do carro que representará as belas negras dos morros.
Turco Abravanel
Tiago Abravanel, que nunca teve destaque na emissora do vovô Sílvio Santos, vai fazer um turco na próxima novela de Glória Perez, na TV Globo.
No andar de cima
Hélio Viana, ex-sócio de Pelé, fez um desabafo no Facebook contra os convidados de uma festa que promoveu. É que pediu a cada um a doação de 5kg de alimentos em troca do convite. Mas só recebeu pouco mais de 100kg. — No próximo ano, não vou dar festa, vou doar o dinheiro direto para as crianças necessitadas e comemorar com elas.
Cabelo afro
Em dezembro, o Instituto Beleza Natural, rede de salões especializada em cabelos afro, tratou das madeixas de 4.000 clientes em suas filiais do Rio, do Espírito Santo e de Salvador. A rede recebeu, acredite, 55 caravanas lotadas de moças de estados em que não há filiais.
Condenado a torcer por Obama - CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SP - 03/01/12
Azar do Itamaraty: Romney será uma verdadeira usina de problemas para a diplomacia brasileira, a julgar por suas posições a respeito de América Latina.
James Bosworth, blogueiro do Latin America Monitor, incrustado no "Christian Science Monitor", levantou alguns dos pontos que Romney já colocou no papel.
Escreveu o blogueiro: "Estrategicamente, Romney vê duas grandes ameaças na região". A primeira: "Venezuela e Cuba estão liderando um movimento 'bolivariano' virulentamente antiamericano na América Latina, que busca minar as instituições de governança democrática e as oportunidades econômicas".
Sabendo-se o tratamento que os Estados Unidos, com governos democratas ou republicanos, dão a Cuba, fica fácil imaginar o problemão que será equiparar a Venezuela de Chávez à ilha caribenha. Chávez nem precisa de ações norte-americanas para sentir-se permanentemente ameaçado pelo "imperialismo". Imagine então se houver de fato alguma ação.
Ele fatalmente pedirá solidariedade a seus pares da Unasul e da recém-lançada Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe), ambas concebidas, pelo menos aos olhos de Chávez, como maneira de afastar a ingerência norte-americana em assuntos do subcontinente.
Segunda ameaça: "A região está também testemunhando uma epidemia de gangues criminosas violentas e de cartéis de droga, que espalharam morte e desgraça por México, América Central e Caribe".
A resposta de Romney, se eleito, seria criar uma Força-Tarefa Conjunta para Crime e Terrorismo no hemisfério, que "coordenará o trabalho de inteligência e de aplicação da lei". A força-tarefa seria o instrumento para "cortar todas as conexões financeiras, logísticas e materias" entre a região e os grupos terroristas externos, como o Hizbollah.
Parece desnecessário lembrar que essa iniciativa é uma revisita ampliada ao plano de usar bases na Colômbia pelos militares norte-americanos, que foi uma fonte de atrito direto com o Brasil. Se aconteceu assim com um projeto menos ambicioso, imagine a confusão que dará a tentativa de colocar todos os países da região em uma ação conjunta, que, fatalmente, teria a liderança dos EUA, dada a formidável disparidade de meios entre Washington e qualquer um dos países latino-americanos/caribenhos.
Por fim, Romney pretende, nos primeiros cem dias no cargo, lançar uma "Campanha para Oportunidade Econômica na América Latina", destinada a "contrastar os benefícios de democracia, livre-comércio e oportunidades econômicas com os males causados pelo modelo autoritário de Venezuela e Cuba".
Tem todo o jeito de ser uma retomada da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), posta em hibernação, aparentemente definitiva, justamente pelos desentendimentos entre Estados Unidos e Brasil.
O potencial de atritos é, portanto, enorme, em forte contraste com a placidez das relações Lula/Bush, Obama/Lula e Dilma/Obama.
Viver sempre também cansa - JOÃO PEREIRA COUTINHO
FOLHA DE SP - 03/01/12
O milenarismo pós-moderno é semelhante ao milenarismo antigo. Vaidade, tudo é vaidade
E PRONTO: aqui estamos nós em 2012, o ano em que o mundo vai acabar. Existem cenários para todos os gostos. O mais conhecido foi fornecido pelos maias, uma encantadora civilização bárbara que marcou encontro com o fim para dia 21 de dezembro próximo. Se o leitor gosta de comprar os seus presentes de Natal com alguma antecedência, o melhor é segurar as rédeas. O gasto pode ser inútil.
Até porque há muito por onde escolher: se o mundo não acabar a 21 de dezembro, pode acabar antes. Sem aviso prévio. Um cometa. Uma explosão solar. Um terremoto. Um maremoto. Uma guerra mundial (e nuclear). O primeiro pensamento inteligente de Hugo Chávez -tudo pode acontecer. Mas a humanidade não chega a 2013.
Deprimido, leitor? Não esteja. Ninguém está: lemos páginas e páginas dessas apocalípticas visões, espalhadas pela internet ou pela imprensa da virada do ano, e o tom é expectante, febril. Quase festivo.
E então concluímos como o milenarismo pós-moderno é bastante semelhante ao milenarismo antigo. Vaidade, tudo é vaidade.
Norman Cohn, um gigante do pensamento político contemporâneo (hoje esquecido), escreveu há mais de meio século uma obra fundamental sobre o assunto. Intitula-se "Na Senda do Milénio: Milenaristas Revolucionários e Anarquistas Místicos da Idade Média" (Editorial Presença, 1981, 334 págs.) e a ambição de Cohn foi, precisamente, mostrar o que havia de soberbo nas seitas revolucionárias e milenaristas da Europa medieval.
Os textos bíblicos anunciam a segunda vinda de Cristo e a instituição de um reino milenar antes do Julgamento Final? Amém.
Mas as seitas milenaristas, recrutadas no lúmpen da sociedade medieval por autointitulados profetas, não estavam dispostas a esperar que a história humana cumprisse o seu curso inexorável.
Tal como os bolcheviques na Rússia de 1917, era preciso "apressar" essa vinda redentora, o que implicava "remover" os obstáculos "impuros" (leia-se: judeus, membros do clero, grupos abastados etc.) que impediam a consumação da escatologia cristã.
Os massacres que se cometeram na Europa do Norte entre os séculos 11 e 16, e que Cohn recria magistralmente no livro, acabariam por ter a sua réplica, com o mesmo espírito utópico, mas uma redobrada violência e apuro técnico, pelos movimentos totalitários do século 20.
Hoje, o homem pós-moderno já não está interessado em precipitar "o paraíso na Terra", talvez por ainda ter presente os resultados pavorosos da última tentativa.
E, verdade seja dita, também não espera que, no termo da sua caminhada mundana, haverá a salvação dos justos e a perdição dos injustos.
Mas persiste ainda, na sua alma rigorosamente descrente, essa fagulha de vaidade milenarista: a vaidade típica de quem se considera um sujeito único na história; e, por isso mesmo, merecedor de assistir ao maior espetáculo do mundo sentado na primeira fila.
Fantasiar o fim do mundo é uma forma de nos fantasiarmos a nós como testemunhas desse fim do mundo.
E, além disso, é também uma forma conveniente de sacudirmos um pouco o tédio existencial da nossa condição pós-moderna, da mesma forma que os nossos antepassados medievais procuravam libertar-se da miséria material que os rodeava pela violência utópica.
Vaidade e tédio, eis a combinação dos nossos namoros apocalíticos. Que, às vezes, divertem.
A esse respeito, lembro-me bem do Réveillon de 1999, quando soaram as doze badaladas. A ansiedade estava ao alto: foram meses e meses com notícias tenebrosas de que um "bug" informático iria paralisar o mundo na chegada do ano 2000.
E, quando 2000 chegou, nada de nada. Ou, melhor dizendo, tudo de tudo: a mesma vida para viver; o mesmo trabalho para fazer; as mesmas contas para pagar; a mesma mulher, ou o mesmo homem, para suportar.
Na festinha onde me encontrava, lembro-me até da pergunta de um colega pasmo: "Era isso o bug?" Pergunta de desânimo, não de alívio.
Razão tinha o poeta. Viver sempre também cansa.
2012: a implosão! - TUTTY VASQUES
O ESTADÃO - 03/01/12
Sempre à frente de seu tempo, o prefeito Gilberto Kassab teve lá seus motivos para ficar feliz da vida com a meia-implosão do antigo Moinho Central de São Paulo logo no alvorecer de 2012. O Rio pode até se gabar dos fogos de véspera em Copacabana, mas nenhuma outra cidade do mundo tem know-how com explosivos para destruir dois andares inteirinhos de um prédio, sem detonar o resto da edificação.
No futuro, imagina-se, todo morador de apartamento vai pensar duas vezes antes de arrumar briga com o vizinho de cima – e vice-versa! –, sob risco de não ter para onde voltar de um feriadão com a família na praia.
A vizinhança do velho moinho do bairro de Campos Elíseos voltou pra casa frustrada no domingo muito provavelmente por causa da sidra do réveillon. De ressaca, convenhamos, nenhuma implosão faz a cabeça de quem é retirado da cama num raio de 500 metros do epicentro da demolição planejada.
Ninguém por lá parou pra pensar que a dor de cabeça teria sido muito pior se a Prefeitura tivesse utilizado a quantidade de dinamite necessária para por abaixo toda a construção.
Coisa de gente que não sabe beber, né não?
Faça humor…! Jader Barbalho deve ter, enfim, desistido de tentar fazer o filho caçula sucedê-lo na política.
Depois da performance hilária do pequeno Daniel na cerimônia de posse do pai no Senado, cá pra nós, tá na cara que ele vai seguir os passos profissionais do tio Lúcio Mauro e do primo Lúcio Mauro Filho.
O garoto é um comediante nato!
Graças a Deus!
O futuro já começou Uma boa notícia para você que ainda não foi apresentado pessoalmente a um tablet:
Já tem orangotango de zoológico americano treinado para operar a engenhoca.
Ou seja, logo chegará sua vez!
Só o que faltava! A que ponto chegamos:
Já tem camelô por aí vendendo prótese de seios de silicone francês dizendo que o produto é do Paraguai.
Elementar A polícia carioca não encontrou dificuldades para esclarecer antes da virada do ano o caso da moça que deu um tiro na própria mão e tentou botar a culpa em Adriano.
O Imperador, como se sabe, só dá tiro no próprio pé.
Sol no ralo Se não faz a menor questão de ir à praia, francamente, Dilma Rousseff devia passar as férias no Rio em vez de ficar desperdiçando Sol na Bahia.
A oposição já fala até em CPI!
Concorrência desleal Propaganda de protetor solar na TV pede aos consumidores moderação com as redes sociais e os videogames durante o verão.
Ou vão acabar quebrando a Sundown!
Rescaldo da festa Quinze minutos de queima de fogos é como filme de três horas de duração: Por melhor que seja, cansa assistir até o final!
Sempre à frente de seu tempo, o prefeito Gilberto Kassab teve lá seus motivos para ficar feliz da vida com a meia-implosão do antigo Moinho Central de São Paulo logo no alvorecer de 2012. O Rio pode até se gabar dos fogos de véspera em Copacabana, mas nenhuma outra cidade do mundo tem know-how com explosivos para destruir dois andares inteirinhos de um prédio, sem detonar o resto da edificação.
No futuro, imagina-se, todo morador de apartamento vai pensar duas vezes antes de arrumar briga com o vizinho de cima – e vice-versa! –, sob risco de não ter para onde voltar de um feriadão com a família na praia.
A vizinhança do velho moinho do bairro de Campos Elíseos voltou pra casa frustrada no domingo muito provavelmente por causa da sidra do réveillon. De ressaca, convenhamos, nenhuma implosão faz a cabeça de quem é retirado da cama num raio de 500 metros do epicentro da demolição planejada.
Ninguém por lá parou pra pensar que a dor de cabeça teria sido muito pior se a Prefeitura tivesse utilizado a quantidade de dinamite necessária para por abaixo toda a construção.
Coisa de gente que não sabe beber, né não?
Faça humor…! Jader Barbalho deve ter, enfim, desistido de tentar fazer o filho caçula sucedê-lo na política.
Depois da performance hilária do pequeno Daniel na cerimônia de posse do pai no Senado, cá pra nós, tá na cara que ele vai seguir os passos profissionais do tio Lúcio Mauro e do primo Lúcio Mauro Filho.
O garoto é um comediante nato!
Graças a Deus!
O futuro já começou Uma boa notícia para você que ainda não foi apresentado pessoalmente a um tablet:
Já tem orangotango de zoológico americano treinado para operar a engenhoca.
Ou seja, logo chegará sua vez!
Só o que faltava! A que ponto chegamos:
Já tem camelô por aí vendendo prótese de seios de silicone francês dizendo que o produto é do Paraguai.
Elementar A polícia carioca não encontrou dificuldades para esclarecer antes da virada do ano o caso da moça que deu um tiro na própria mão e tentou botar a culpa em Adriano.
O Imperador, como se sabe, só dá tiro no próprio pé.
Sol no ralo Se não faz a menor questão de ir à praia, francamente, Dilma Rousseff devia passar as férias no Rio em vez de ficar desperdiçando Sol na Bahia.
A oposição já fala até em CPI!
Concorrência desleal Propaganda de protetor solar na TV pede aos consumidores moderação com as redes sociais e os videogames durante o verão.
Ou vão acabar quebrando a Sundown!
Rescaldo da festa Quinze minutos de queima de fogos é como filme de três horas de duração: Por melhor que seja, cansa assistir até o final!
A dor de cabeça - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 03/01/12
O ex-ministro Ciro Gomes é uma fonte permanente de preocupações no Planalto. A presidente Dilma trabalha com a hipótese de que o aliado pode criar confusão na sucessão de 2014. Mesmo que ele não tenha o apoio do PSB, o fato de ele já ter disputado a Presidência e ser um nome forte o habilita para voltar a concorrer por um outro partido. Para os estrategistas do governo, o ideal é que a confusão fique apenas no campo da oposição.
São Paulo na linha de tiro
Os governadores da maioria dos estados estão cobrando da presidente Dilma o envio, no primeiro semestre, de uma reformulação do processo de arrecadação do ICMS produzido pelo comércio eletrônico. Pelas regras atuais, a parte do Leão fica com o estado de São Paulo, que hospeda a maioria dos sites de venda do país. As mudanças ainda estão em análise, mas esses governadores já receberam a garantia de que uma parcela desse ICMS será repassada para o estado do consumidor. Os paulistas, no governo Dilma e fora dele, petistas ou tucanos, fazem pressão e estão segurando a edição de nova regulação do e-comércio.
"O PSD é um partido feito por pessoas que não têm uma história” — José Agripino, senador e presidente do DEM (RN), partido que perdeu 17 deputados federais, um senador, e um governador para o PSD
PROMOVIDO. O ministro Luiz Sérgio (Pesca) teve um dia de ministro da Aviação Civil. Passageiros irritados com o caos aéreo ontem, no Santos Dumont, reconheceram Luiz Sérgio e passaram a reclamar com ele da situação do aeroporto. Ele até tentou se esconder atrás de um livro, mas não teve jeito. Foi reconhecido. E acabou saindo de fininho. A chuva e o grande movimento da volta do feriado provocaram os atrasos.
Passivo
O governo vê na briga por terras das comunidades quilombolas uma das pautas mais explosivas da área social. Ontem, integrantes de uma comunidade protestaram na entrada da base naval onde a presidente Dilma passa as férias.
Embate adiado
A discussão sobre o reajuste dos aposentados, que quase derrubou a votação do Orçamento, volta à pauta em fevereiro. A negociação será conduzida pelos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) e Garibaldi Alves (Previdência).
Sem chance de poupar Kassab
Apesar de uma corrente do PT paulistano defender um pacto de não agressão com o prefeito Gilberto Kassab (PSD), de olho em uma aliança em eventual segundo turno nas eleições do ano que vem, dirigentes do partido afirmam que é impossível fazer uma campanha para a prefeitura de São Paulo sem bater em sua administração. A cautela também se deve ao fato de o PSD ser aliado do PT Brasil afora.
Carga petista
Uma ala do PT está trabalhando ativamente para fazer do deputado Newton Lima Neto (PT-SP), ex-reitor da Universidade de São Carlos, o ministro da Ciência e Tecnologia. Se isso ocorrer, o ex-deputado José Genoino volta à Câmara.
Enigmático
O secretário de Assistência Social do Rio, Rodrigo Neves, fala das eleições para a prefeitura de Niterói: "Estou focado no trabalho na secretaria. Candidaturas só se definem em junho. Acho que chegaremos a um candidato sem disputa".
FECHADO PARA BALANÇO: Aproveitando as férias da presidente Dilma, os ministros debandaram. Não há vivalma na Esplanada dos Ministérios.
O GOVERNADOR Sérgio Cabral (RJ) escreve dizendo que "não se candidatará ao Senado novamente". Ele diz que cumprirá todo seu mandato com o objetivo de reconstruir o Rio e garantir a pacificação, comandada pela Segurança Pública.
BANDEIRA. De olho nas eleições do ano que vem, o PMDB organiza o lançamento de uma Frente Parlamentar de Fortalecimento da Gestão Pública.
São Paulo na linha de tiro
Os governadores da maioria dos estados estão cobrando da presidente Dilma o envio, no primeiro semestre, de uma reformulação do processo de arrecadação do ICMS produzido pelo comércio eletrônico. Pelas regras atuais, a parte do Leão fica com o estado de São Paulo, que hospeda a maioria dos sites de venda do país. As mudanças ainda estão em análise, mas esses governadores já receberam a garantia de que uma parcela desse ICMS será repassada para o estado do consumidor. Os paulistas, no governo Dilma e fora dele, petistas ou tucanos, fazem pressão e estão segurando a edição de nova regulação do e-comércio.
"O PSD é um partido feito por pessoas que não têm uma história” — José Agripino, senador e presidente do DEM (RN), partido que perdeu 17 deputados federais, um senador, e um governador para o PSD
PROMOVIDO. O ministro Luiz Sérgio (Pesca) teve um dia de ministro da Aviação Civil. Passageiros irritados com o caos aéreo ontem, no Santos Dumont, reconheceram Luiz Sérgio e passaram a reclamar com ele da situação do aeroporto. Ele até tentou se esconder atrás de um livro, mas não teve jeito. Foi reconhecido. E acabou saindo de fininho. A chuva e o grande movimento da volta do feriado provocaram os atrasos.
Passivo
O governo vê na briga por terras das comunidades quilombolas uma das pautas mais explosivas da área social. Ontem, integrantes de uma comunidade protestaram na entrada da base naval onde a presidente Dilma passa as férias.
Embate adiado
A discussão sobre o reajuste dos aposentados, que quase derrubou a votação do Orçamento, volta à pauta em fevereiro. A negociação será conduzida pelos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) e Garibaldi Alves (Previdência).
Sem chance de poupar Kassab
Apesar de uma corrente do PT paulistano defender um pacto de não agressão com o prefeito Gilberto Kassab (PSD), de olho em uma aliança em eventual segundo turno nas eleições do ano que vem, dirigentes do partido afirmam que é impossível fazer uma campanha para a prefeitura de São Paulo sem bater em sua administração. A cautela também se deve ao fato de o PSD ser aliado do PT Brasil afora.
Carga petista
Uma ala do PT está trabalhando ativamente para fazer do deputado Newton Lima Neto (PT-SP), ex-reitor da Universidade de São Carlos, o ministro da Ciência e Tecnologia. Se isso ocorrer, o ex-deputado José Genoino volta à Câmara.
Enigmático
O secretário de Assistência Social do Rio, Rodrigo Neves, fala das eleições para a prefeitura de Niterói: "Estou focado no trabalho na secretaria. Candidaturas só se definem em junho. Acho que chegaremos a um candidato sem disputa".
FECHADO PARA BALANÇO: Aproveitando as férias da presidente Dilma, os ministros debandaram. Não há vivalma na Esplanada dos Ministérios.
O GOVERNADOR Sérgio Cabral (RJ) escreve dizendo que "não se candidatará ao Senado novamente". Ele diz que cumprirá todo seu mandato com o objetivo de reconstruir o Rio e garantir a pacificação, comandada pela Segurança Pública.
BANDEIRA. De olho nas eleições do ano que vem, o PMDB organiza o lançamento de uma Frente Parlamentar de Fortalecimento da Gestão Pública.
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