sexta-feira, dezembro 09, 2011

GRÃO DE AREIA - MÔNICA BERGAMO



FOLHA DE SP - 09/12/11



A paralisação da economia no trimestre e a queda no ritmo de venda de imóveis não afetou a comercialização de cimento no país, termômetro importante do setor de construção civil. Ela subiu 6,6 % em novembro em relação ao mesmo mês de 2010. E 1,7% em relação a outubro, mesmo ritmo de meados do ano.

NO MUNDO
Já a exportação de cimento teve salto de 15% em relação a 2010.

DE VOLTA
Fãs de João Gilberto que compraram ingressos para seus shows em novembro, em São Paulo, e desistiram com a mudança de data, estão tendo dificuldade de receber seu dinheiro de volta. A Ingresso.com informa que devolverá a quantia, de até R$ 1.400, em três vezes. Mas não diz quando.

EM PARTE
A empresa também diz que não devolverá taxa de R$ 105 e mais R$ 15, cobrados na entrega. Os funcionários da Ingresso.com que atendem no telefone disponibilizado ao público não informam as razões do parcelamento. Claudia Faissol, mulher e empresária do cantor, não responde a ligações nem a e-mails.

CASA E CARRO
A prefeitura de Araçariguama (a 53 km de SP) está oferecendo terreno e benefícios para que a BMW instale uma fábrica no município.

NOVA ESTAÇÃO
A apresentadora Sarah Oliveira, do GNT, terá uma edição de verão de seu programa, "Viva Voz", em fevereiro. Serão cinco episódios em que anônimos contarão histórias que têm com as canções de um determinado artista. Sarah entrevistará o autor com esse material. O primeiro convidado é Nando Reis. O último, Gilberto Gil.

MENTE SÃ
A atriz Marieta Severo, 65, afirma à revista "Moda" que "queria botox para os neurônios, sabe? Meu sonho seria preservar o meu pensamento"

FESTA PARA FORA
A realização do sorteio da Copa das Confederações-2013, evento-teste para a Copa-14, em SP divide governo e prefeitura. Integrantes do comitê estadual do Mundial criticam o fato de a capital abrigar a definição das chaves mesmo não sendo uma das sedes da competição -e gastar dinheiro com a organização do evento.

A FESTA É NOSSA
Já o secretário municipal Gilmar Tadeu, de articulação para a Copa, não vê problemas. "Por que seria estranho? É a maior cidade do país, com a melhor infraestrutura." Ele afirma que SP ainda pode abrigar jogos do torneio, porque existe a possibilidade de a competição ter mais duas sedes. E que a prefeitura só arcará com a cessão do espaço para o sorteio -provavelmente o Anhembi.

MURICY NO LANCE
Muricy Ramalho doou uniforme que usou na final da Libertadores para um leilão com renda revertida para a Casa da Criança, em Santo Amaro, em SP.

O evento, virtual, é organizado pela Leroy Merlin e os lances podem ser feitos no endereço http://migre.me/71ui6.

EU VOLTAREI
O ex-ministro José Dirceu, que aguarda seu julgamento no caso do mensalão, disse à revista "Poder" que pretende se afastar das atividades de consultor e advogado. "Estou num processo de ir me retirando. Eu vou me concentrar na política a partir de 2013", afirma. A reportagem diz que, se absolvido, Dirceu poderá se candidatar a deputado federal em 2014.

FESTA NO PALÁCIO
O presidente do BC, Alexandre Tombini, o empresário Jorge Gerdau, o vice-presidente Michel Temer, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o chanceler Antonio Patriota foram, anteontem, à festa do Prêmio Líderes do Brasil, organizada por João Doria Jr. no Palácio dos Bandeirantes.

CURTO-CIRCUITO
A ONG Adote um Gatinho lança amanhã o livro "Gatos Sortudos", de Juliana Bussab e Susan Yamamoto. Das 15h às 19h, na Livraria da Vila do shopping Pátio Higienópolis.

O advogado Alexandre Fidalgo está se associando ao escritório Espallargas Gonzalez Sampaio Ciochetti & Fidalgo, com filiais no Rio de Janeiro, Brasília e Ribeirão Preto.

Wagner Tiso e o trio Jogando Tango fecham a temporada 2011 do projeto Conexão Latina com show hoje, às 21h, no Memorial da América Latina. Classificação etária: livre.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

Ueba! Já depenaram o Papai Noel! - JOSÉ SIMÃO


FOLHA DE SP - 09/12/11


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! O Natal chegou! Olha a piada pronta: "Quadrilha rouba casa do Papai Noel e suspeito é preso com urso de pelúcia".

O ladrão devia ser fã do Justin Bieber! Coitado do Papai Noel, só vem uma vez por ano e ainda é roubado?! E sabe como o Papai Noel dá risada em Brasília? HÔ! HÔ! HÔubamos muito! Rarará!

E o site QMerda criou um poema de Natal para ser lido pela Patrícia Poeta: "Não ganho igual ao Messi, o PIB desce, minha barriga cresce, meu pinto amolece e volto pra fila do INSS". Rarará!

E nada como acordar com uma notícia dessa: "Ministro francês diz que euro vai explodir e a Europa desabar". Oba! Quero morrer com euro explodindo na minha mão e a Torre Eiffel desabando na minha cabeça. Rarará!

E já imaginou se a Europa desaba e voce está embaixo da bunda da Angela Merkel!? Rarará! E essa dupla que inventaram agora: Merkel e Sarkozy, Merkozy!

Tem nome de remédio mas não resolve nada. Tosse? Bronquite? Rouquidão? Não tome Merkozy! Senão você fica com a bunda da Angela Merkel e o nariz do Sarkozy! E o pinto do Berlusconi! A zona do euro! A zona do erro!

E o chargista Ed Carlos mostra a versão Disney dos ministros da Dilma: Dilma e os Sete Demitidos! "Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou. BUÁ! BUÁ!"

E diz que o ex-ministro do Trabalho se encontrou com o ex-ministro dos Esportes. "Você roubava por trabalho ou por esporte?". "Por esporte! E você?". "Por trabalho mesmo". Rarará!

E sabe o que a Dilma perguntou quando o PIB caiu? Esse PIB é do PDT também? Rarará! E tem algum brasileiro interessado em PIB? Tem sim, mancheteiro de jornal.

Como diz um amigo meu: "o PIB caiu e no ponto de ônibus só se falava nisso". Rarará!

E uma amiga minha foi transar com um Papai Noel de shopping e voltou muito revoltada: ele não encolheu a barriga e nem tirou as botas! Rarará!

E mais um predestinado. Sabe como se chama o grego campeão 14 vezes de ciclismo? Kanellos Kanellopoulos. Chega de crise, agora é sebo no kanellos kanellopoulos. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

A expropriação da Petrobras - ADRIANO PIRES


O Globo - 09/12/11


Historicamente, o preço dos combustíveis no Brasil sempre foi usado como instrumento de política econômica, tanto com o objetivo de incentivar o desenvolvimento quanto para controlar a inflação. No entanto, em nenhum momento a Petrobras foi tão penalizada como nos últimos oito anos. Neste período, as perdas da estatal podem chegar a R$12 bilhões, resultado da diferença entre o preço que a empresa cobra pelos derivados de petróleo no mercado interno e o preço internacional desses produtos. Essa questão tem se agravado com a necessidade crescente de importação de combustíveis, uma vez que, ao efetivamente comprar gasolina e diesel a um preço mais alto no mercado externo, o prejuízo virtual se materializa.

A história do subsídio aos combustíveis no Brasil remonta à década de 60 com a criação da Conta Petróleo. O objetivo inicial da Conta Petróleo foi equalizar os preços dos derivados de petróleo no território nacional. A conta recebia os créditos de alíquotas estabelecidas pelo Ministério da Fazenda sobre o preço dos combustíveis, e com os recursos pagava ressarcimentos de fretes de derivados e subsídios diversos. Os recursos eram da União e a Petrobras atuava como agente financeiro.

Posteriormente, a Conta Petróleo passou a servir a outros fins, com o principal deles sendo o tabelamento ou subsídio ao preço dos combustíveis no mercado doméstico, com o objetivo de não gerar impacto sobre a inflação.

A Lei no 9.478/1997, conhecida como Lei do Petróleo definiu que após um período de transição os preços dos combustíveis passariam a ser livres em toda a cadeia e isso significaria o fim dos subsídios.

Como parte da transição, em 1998 foi criada a PPE (Parcela de Preço Específica), que gerava créditos para a Conta Petróleo e que serviu para diversos fins, como o financiamento dos subsídios cruzados (entre derivados do petróleo), os subsídios do álcool e os subsídios ao transporte em regiões remotas. Além disso, a parcela passou a ser como "amortecedor" das eventuais flutuações no mercado internacional de petróleo.

Em dezembro de 2001, ocorreu a liberação total dos preços dos combustíveis. Entretanto, permaneceu o controle dos preços dos derivados nas refinarias da Petrobras.

A prática de subsidiar o consumo de combustíveis no Brasil é antiga, mas esta sempre foi contabilizada através de contas gráficas como a Conta Petróleo, na qual se tinha alguma clareza em relação ao montante do subsídio e ao agente concedente, no caso o Tesouro Nacional. Hoje, temos uma situação na qual o preço dos combustíveis é teoricamente livre e a Petrobras alega que possui uma regra de reajuste, que não é transparente e serve de veículo do Governo para a concessão de subsídios aos preços dos combustíveis no mercado de doméstico. Portanto, este processo de "expropriação" da Petrobras exacerbou-se nos últimos anos, pois não se tem de forma clara a quantificação das perdas que são impostas à empresa e, quiçá, uma perspectiva de ressarcimento. O governo, que diz defender a Petrobras mais do que os governos anteriores, na verdade concede subsídios com o dinheiro da empresa, ou seja, de seus acionistas, diminuindo o seu valor de mercado.

O Pará, Plutão, o euro - GUSTAVO PATU


FOLHA DE SP - 09/12/11

BRASÍLIA - No berço da civilização, já deixaram para trás o marco alemão, a lira italiana, o franco francês, a Iugoslávia, a Tchecoslováquia, o Muro de Berlim.

Neste domingo, haverá plebiscito para decidir se o Pará continuará proporcionando simetria ao mapa da região Norte ou se o Amazonas se tornará uma mancha desproporcionalmente grande, cercada de Estados menores. Pelas últimas pesquisas, tudo deverá ficar como está, mas que ninguém se sinta seguro.

Há apenas cinco anos, chegaram ao extremo de reunir 2.500 astrônomos em uma semana de controvérsias para acabar decidindo que Plutão não era mais um planeta, ao contrário do que se acreditava desde 1930 -não sem antes estudar a alternativa de promover corpos celestes como Ceres, Caronte e Xena ao primeiro escalão do Sistema Solar.

Se cientistas batem boca em torno do que se deve ou não chamar de planeta, convém examinar com atenção o chão em que se pisa e avaliar com realismo a capacidade de determinar qual o papel e a extensão adequada de uma unidade da Federação. Ou como alguém consegue calcular o deficit orçamentário do hipotético Estado de Carajás. E o impacto sobre a economia global se a Grécia abandonar o euro e voltar à dracma.

Talvez o incômodo no caso venha da necessidade de fazer escolhas sem clareza quanto aos prós e contras, se uma oportunidade única ou a catástrofe. Deve ser por isso que tantas consultas mantêm a situação vigente. Presidencialismo ou parlamentarismo, proibir ou não o comércio de armas. Os gregos foram inventar moda e deu no que deu.

Talvez seja constatar que divisas e fronteiras, entre as quais se vive e com as quais se procura identificação, são meros arranjos políticos, temporários e casuísticos. Não são diferentes as moedas em que ancoramos nossa riqueza. E ninguém sabe direito o que são essas pedras e gases girando em volta do Sol.

Verdade sem eufemismos - HÉLIO SCHWARTSMAN


FOLHA DE SP - 09/12/11

SÃO PAULO - Com sua transição democrática tutelada pelos militares e modulada pela turma do deixa-disso, o Brasil perdeu várias oportunidades para julgar os crimes cometidos durante a ditadura. A Comissão da Verdade, agora sancionada, chega tão tarde que dificilmente servirá aos propósitos da justiça restaurativa, sendo mais bem descrita como uma missão acadêmica.
Mesmo assim, é melhor tê-la do que não tê-la. Há famílias que ainda não sabem o que ocorreu com seus parentes desaparecidos. E a população não pode ser privada do chamado direito à verdade histórica.
Pelo que pude acompanhar das acaloradas discussões que precederam a criação da comissão, o debate já surge marcado por um vício de origem, que é o de igualar as partes.
Os que se insurgem contra a investigação falam em revanchismo e protestam contra uma suposta parcialidade, pois o comitê só investigará crimes cometidos pelas forças de segurança, deixando de lado os delitos dos grupos de esquerda.
A queixa não procede. Embora os insurgentes tenham pegado em armas, não estávamos numa guerra civil na qual dois lados se enfrentavam em igualdade de condições e de obrigações jurídicas. Ainda que os guerrilheiros se acreditassem legitimados por uma "moral superior" até mesmo a matar, eles eram, sob o prisma da lei, criminosos comuns protegidos pelas garantias fundamentais declaradas nas Cartas de 1946 e, depois, de 1967 -nenhuma das quais autoriza a tortura.
Os agentes da repressão, na qualidade de servidores públicos, tinham o dever de respeitar os direitos dos presos e assegurar-lhes a integridade física. O que se constatou, porém, é que houve uma verdadeira política de Estado, autorizada -senão organizada- pelos mais altos escalões, de violação desses direitos. É essa história que a comissão precisa contar, sem eufemismos ou preocupação em agradar generais.

Bala de prata - RUY CASTRO


FOLHA DE SP - 09/12/11
RIO DE JANEIRO - Começou como uma livraria on-line, com estoque invisível e sede em lugar nenhum, capaz de, em poucos dias, fornecer qualquer livro publicado em qualquer parte do globo, a preços que as livrarias físicas não poderiam praticar. Dos livros, passou aos CDs e DVDs, e, no seu crescimento descontrolado, atropelou e fechou milhares de livrarias e lojas de discos, grandes e pequenas. Estou falando da Amazon, claro.
Das artes, passou ao comércio em geral. De clipes de papel a caminhões-cegonha e iates, não há nada que não se possa comprar pela Amazon, exceto talvez pássaros silvestres e aquele ovo que se usava para cerzir meias. Tornou-se a maior loja virtual do mundo, também deixando em seu rastro os cadáveres de milhões de comerciantes.
Voltando à sua vocação inicial, a Amazon inventou o e-reader Kindle, seu exclusivo leitor de e-books, e está tentando impô-lo ao mundo. As editoras convencionais, algumas com séculos de experiência no livro impresso e responsáveis por um maravilhoso legado de conhecimento humano, aceitaram o desafio. À custa de sacrifícios (até agora, sem retorno financeiro), estão tentando se adaptar à nova ordem. E por que não? Elas continuariam editando seus livros, só que no novo formato digital. A Amazon fabricaria a traquitana que torna possível lê-los. Uma parceria perfeita.
Mas, agora, a Amazon, numa rasteira em seus crédulos parceiros, começa a contratar autores e editar, ela mesma, seus e-books. Como é dona da tecnologia, já sai levando vantagem. Não demorará a atrair autores importantes para suas cores. E quem garante que a Apple, o Google e o Facebook não farão o mesmo?
Espírito de porco, sempre tive para mim que o livro digital era um tiro no próprio ouvido, disparado pelas editoras. Agora começo a desconfiar que a bala será de prata.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 09/12/11


Empresas de cobrança esperam maior inadimplência e elevam contratação

As empresas de cobrança devem empregar cerca de 3.000 novos trabalhadores para o final deste ano, segundo o Igeoc, instituto que reúne associadas do setor.

A aceleração da abertura de vagas é comum no período de Natal, devido ao recebimento do 13º salário.

A estimativa é que mais da metade do dinheiro será destinado ao pagamento de dívidas. Empresas do setor pretendem ampliar o quadro de funcionários antes da segunda parcela do 13º.

Neste Natal, entretanto, as contratações terão função menos provisória.

"Essas vagas são efetivas, não temporárias. Contamos com aumento da carteira de crédito e alavancagem da inadimplência para o início do próximo ano",diz Jair Lantaller, presidente do Igeoc.

Em 2012, as associadas da entidade devem gerar cerca de 8.000 novos postos de trabalho, o que equivale a um incremento de 30% no volume total de empregos, de acordo com o instituto.

"Teremos mais postos de trabalho devido à estimativa de maior número de contratos com inadimplência, principalmente em cartão de crédito e carteiras de veículos."

Endividado

3.000 é o número de vagas abertas por empresas de cobrança neste final de ano

8.000 serão os empregos gerados em todo o próximo ano

30% é o aumento estimado para 2012

TERRENO SEGURO

A Damha Urbanizadora investirá cerca de R$ 300 milhões em 2012 para lançar 15 loteamentos residenciais em cinco Estados do país (MA, RS, ES, SC e SP).

Neste ano, foram apenas cinco condomínios do mesmo porte. "Como o processo de licenciamento é demorado, varia de dois a seis anos, é preciso trabalhar em vários projetos ao mesmo tempo para conseguir lançar mais de um", afirma o diretor-superintendente da empresa, José Paranhos.

A companhia atua hoje no desenvolvimento de outros 15 projetos.

Paranhos diz que a crise não preocupa muito o setor, já que terrenos passam a ser uma alternativa "mais segura" de investimento.

"Na crise de 2008, todos os nossos lotes foram vendidos. No mercado brasileiro, há essa cultura de que a terra é algo quase livre de risco."

NA MURALHA

Quase metade das multinacionais (49%) passou a contar mais com o mercado chinês para aumentar suas vendas após a crise, de acordo com pesquisa da EIU (Economist Intelligence Unit).

Entre as empresas com receita superior a US$ 5 bilhões, esse número sobe para 73%. Apesar disso, nem todas planejam investir mais no país para aumentar o faturamento. A consultoria ouviu 328 executivos para fazer o levantamento.

PIB MAIS GORDO

Os incentivos fiscais concedidos por oito Estados a 12 projetos industriais representaram alta de R$ 35,8 bilhões no PIB (Produto Interno Bruto) nacional em 2010, segundo estudo da FGV Projetos.

O aumento representou o equivalente a 2% do total arrecadado com impostos sobre a produção.

Nos projetos analisados pela fundação, foram criados 793,3 mil empregos.

Os benefícios não ficaram restritos apenas aos Estados que abrigaram os empreendimentos, de acordo com o relatório do levantamento.

Goiás foi o Estado que mais se beneficiou, com aumento do PIB de 1,87%.

Em seguida aparecem Paraná e Bahia, com 1,58% e 0,39%, respectivamente.

São Paulo, por sua vez, teve alta de 0,15%.

`YES!'

Cerca de 51% dos candidatos a vagas de emprego informam em seus currículos ter inglês avançado ou fluente para escrita e leitura, segundo pesquisa da empresa de colocação profissional Vagas.com.br. Após realizar teste semelhante ao adotado em processos seletivos com mais de 37 mil pessoas, no entanto, a empresa constatou que apenas 36% dos que se consideram fluentes ou avançados podem ser avaliados como candidatos com proficiência.

A avaliação não verificou o nível de conversação.

NÚMERO

36% das pessoas que dizem ter inglês avançado ou fluente apresentam esse nível real de conhecimento do idioma

A complicada equação do descanso dos mortos - WASHINGTON NOVAES


O Estado de S. Paulo - 09/12/11


Há poucos dias (23/11) este jornal informou que a verticalização na cidade de São Paulo chegou ao limite legal em 21 distritos - o que pode significar problemas, já que a cidade, com 11,24 milhões de habitantes e 3,9 milhões de domicílios, tem déficit de 712 mil imóveis (apesar de 290 mil sem moradores), que poderá chegar a 740 mil até 2024 (7/12). Ao mesmo tempo, com os múltiplos problemas da megalópole - trânsito, poluição, barulho etc. -, tende a ampliar-se para outras cidades e outros Estados o conceito paulistano de "3 em 1", que reúne na mesma construção a residência, a área de lazer e o shopping (9/11).

Já são muitos os problemas das megaconcentrações, aos quais o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) acrescenta agora, em relatório (13/10), as perdas econômicas que elas podem implicar, com os custos que geram. Na Cidade do México, por exemplo, essas perdas podem significar 2% do produto econômico bruto do país a cada ano (na Europa, 0,5%). Em Buenos Aires e Dacar (Senegal), mais ainda: 3,4%. Diz o Pnuma que esse tema será relevante na Rio+20. Já o jornal Pravda (9/7) menciona estudo de universidade alemã demonstrando que o cérebro do morador da grande cidade sofre mais com o estresse que o do habitante de áreas rurais - aumenta o risco de esquizofrenia e de outras doenças.

Nesse mesmo panorama, têm surgido nos últimos tempos em jornais notícias de que cemitérios nas metrópoles, São Paulo incluída, começam a ser usados como espaços de meditação e silêncio por muitas pessoas. Mas até esses lugares já enfrentam problemas complicados, como os descritos na notícia (Estado, 30/9) sobre a sanção da lei paulistana que prevê a distribuição, em hospitais públicos, serviços funerários e crematórios, de cartilhas sobre as vantagens e a conveniência da cremação - em lugar do sepultamento - de corpos. Porque não há mais lugar nos 22 cemitérios públicos para sepultar 67 mil pessoas que morrem a cada ano - e só 10% são cremadas (100% no Japão, que não tem espaços). Os 238.785 túmulos existentes em São Paulo já ocupam praticamente todo o espaço.

Também no interior o problema está presente. Como em Franca, que está leiloando, a R$ 65 mil cada, 5,2 mil túmulos abandonados (Estado, 2/11). Ou em Araçatuba, que, depois de ocupar com túmulos os espaços de ruas internas do cemitério, está levando para ossuários restos mortais não reivindicados. Ou ainda em Álvares Machado, que constrói gavetas sobre covas para receber novos sepultamentos - em meio a conflitos.

Não é um problema paulista ou brasileiro apenas. Recentemente, a revista New Scientist (13/8) fez um relato interessante do que está acontecendo em várias partes do mundo nessa mesma área. Em Londres, por exemplo, restos mortais estão sendo desenterrados e sepultados, juntos, em túmulos comuns, que recebem, cada um, 80 mortos - apesar de a cremação já ser o caminho majoritário no país. Mas esta também tem seus adversários "científicos", porque consome energia, emite gases poluentes da atmosfera que contribuem para mudanças climáticas e outros gases tóxicos. Em outros países europeus, as concessões para túmulos só valem por 20 anos. Para Hannah Rumble, do Centro para Estudo da Morte e da Vida da Universidade de Durham, o reúso de túmulos "é o caminho mais sustentável".

Há quem proponha caminhos alternativos, inclusive para evitar o embalsamamento antes do enterro, já que os formaldeídos utilizados liberam produtos químicos considerados carcinogênicos. No lugar, seria melhor sepultar logo abaixo do solo, sem embalsamar, em caixas de madeira, para que se decomponham rapidamente. E sobre essas covas, de preferência em zonas rurais, plantar árvores, para que a área se transforme em parque ou pastagem. Já há mais de 200 locais com esse formato na Grã-Bretanha, no Canadá e na Austrália.

No Estado da Geórgia (EUA) já se encapsulam corpos cremados em bolas de concreto, depois colocadas em recifes de corais, para escorá-los, ou em outros lugares da costa. O método custa de US$ 3 mil a US$ 7 mil, ante US$ 1.600 da cremação. Outro caminho, que vai ser usado na Flórida, é o da hidrólise, em que o corpo é liquefeito (não cremado) em câmaras pressurizadas, enchidas com água e hidróxido de potássio e aquecidas por três horas a 180 graus Celsius. Os ossos assim "amaciados" são depois triturados e enterrados, enquanto a "sopa" de aminoácidos e peptídeos pode ser usada como fertilizante ou jogada na rede de esgotos. Os inventores desse método argumentam que ele gera 35% menos carbono que a cremação. Esta consumiria 35 quilowatts-hora de energia - utilizada para o aquecimento de gás natural a 800 graus - e produziria 400 quilos de dióxido de carbono, além de emitir mercúrio tóxico, em geral encontrado nos dentes do cremado.

Na Suécia, no ano que vem começa a ser usado o método de congelamento do corpo em nitrogênio líquido, antes de triturá-lo até virar pó, depois levado a uma câmara escura, a vácuo, para captar o mercúrio. Em seguida, o pó é sepultado durante um ano, ao fim do qual já poderá ser utilizado como fertilizante do solo. "A morte não é o fim, é o começo do processo", dizem os inventores do método.

Tão sério é o problema da destinação dos corpos pós-morte que 15 países europeus assinaram recomendação para reduzir as emissões de gases em 50% na cremação até 2012 e em 100% até 2020. Pode parecer excêntrica, estranha, esquisita, descabida, até desrespeitosa essa mistura de ciências - economia, ecologia, sustentabilidade, urbanismo e muito mais - com o pós-morte. Mas não há como fugir ao tema dos dramas da urbanização, que hoje já atinge mais de metade da população mundial e 87% da população brasileira. O problema por aqui vai ter suas dimensões reduzidas com a queda das taxas de fertilidade e a estabilização populacional dentro de 20 anos. Mas ainda assim estará presente.

A história de uma má ideia - MOISÉS NAÍM


FOLHA DE SP - 09/12/11


Numa crise econômica, a xenofobia floresce lado a lado com conflitos políticos, protecionismo e racismo

Algumas semanas atrás, Detlev Hagler, alemão de 46 anos, fez uma visita a Tuscaloosa, no Alabama. Durante sua estadia, dirigiu um carro alugado Kia ao qual faltava uma placa. Esse fato chamou a atenção de um policial, que o fez parar e, como é de praxe, pediu sua carteira de habilitação.
O único documento que Hagler tinha com ele era sua identidade de cidadão alemão. Ele acabou na cadeia. Um pequeno detalhe: Hagler é executivo da Mercedes-Benz, uma das maiores empregadoras e investidoras estrangeiras no Alabama.
Desde 1º de outubro de 2011, a lei do Alabama prevê que qualquer pessoa que não esteja com documentos de identidade que comprovem seu status legal no país seja posta na cadeia imediatamente. Felizmente para o executivo, seus colegas foram buscar no hotel seu passaporte com o visto apropriado, além de sua carteira de habilitação alemã, e ele foi posto em liberdade.
O objetivo da nova legislação é tornar a vida dos imigrantes ilegais tão difícil que eles optem por ir a outro lugar. Outro pequeno detalhe: os autores da lei não previram que ela também faria a vida menos agradável para gente como "herr" Hagler.
Ou para cidadãos americanos perfeitamente legais: desde que a nova lei entrou em vigor, 66 cidadãos já foram encarcerados por não portar os documentos que comprovem que são residentes em seu próprio país. Metade deles é negra.
Uma grande ironia é que empresas estrangeiras que estão sendo incomodadas pela nova lei vieram ao Alabama devido aos enormes incentivos fiscais oferecidos pelo governo (a Mercedes recebeu US$ 253 milhões para construir sua fábrica no Estado). Obviamente, os incentivos que visam atrair estrangeiros ricos que comandam fábricas entram em choque com o desejo de expulsar estrangeiros pobres que imigram ilegalmente a procura de trabalho.
Nada ameaça a civilidade tanto quanto a escassez. Generosidade, altruísmo e tolerância ficam em falta quando faltam empregos e dinheiro. Em tempos de crise econômica, a xenofobia floresce lado a lado com conflitos políticos, protecionismo e, em alguns lugares, racismo.
E sabemos dos perigos engendrados pela reação a recessões. No passado, exemplos deles foram guerras ou a ascensão de movimentos políticos que defendem ideias repugnantes ou decisões governamentais más, que perduram. Esperemos que a crise atual não provoque reações que mereçam ser incluídas entre os capítulos mais negros da história.
Felizmente, a competição nos EUA às vezes trabalha no sentido de limitar o impacto de más ideias. Não apenas empresas, mas também Estados competem entre si. O Missouri, que é muito mais tolerante a imigrantes que o Alabama e também quer atrair novos investidores, vem sendo promovido ativamente como um lugar onde estrangeiros podem trabalhar sem serem molestados.
"Aqui no Missouri temos muitas vantagens em relação ao Alabama", diz o jornal "St. Louis Post-Dispatch" em editorial. "Somos o Estado 'mostre-me-o-que-você-sabe-fazer', não o Estado 'mostre-me-seus-documentos'." Aposto que, no longo prazo, o Missouri vai superar o Alabama na corrida por bons trabalhadores e investidores estrangeiros.

CLAUDIO HUMBERTO

“É um exagero de denuncismo e pré-julgamento”

Senador Walter Pinheiro (BA), ao defender o ministro Mario Negromonte (Cidades)

LIVRO APONTA CORRUPÇÃO E ESPIONAGEM TUCANAS

O livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., fartamente documentado, está à venda a partir desta sexta-feira em todo o País, revelando fortunas tucanas em paraísos fiscais, após as privatizações do governo FHC, e a rede de espionagem montada pelo ex-governador de São Paulo, José Serra, contra seu adversário interno no PSDB, o também tucano Aécio Neves, que era governador de Minas Gerais.

MONITORAMENTO

O objetivo da espionagem, que não foi alcançado, seria o de flagrar em vídeo Aécio Neves consumindo bebidas alcoólicas ou até cocaína.

ACUSAÇÕES GRAVES

Amaury acusa Verônica e Alexandre Bourgeois, filha e genro de Serra, de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e recebimento de propina.

FIOS DESENCAPADOS

Ricardo Sergio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil, e Gregório Marin Preciado, primo de Serra, também são denunciados no livro.

POLÊMICA

Repórter investigativo muito talentoso, Amaury Ribeiro foi envolvido no suposto esquema de arapongagem a serviço da campanha de Dilma.

EDITOR REVELA QUE JOSÉ SERRA TENTOU INTIMIDÁ-LO

O editor Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial, sentiu-se intimidado ao ser chamado para “uma conversa” com o ex-governador José Serra, que tomou conhecimento do iminente lançamento do livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro. De imediato, Luiz Fernando contou à coluna, que ofereceu seu cartão de visitas ao emissário tucano, sugerindo que, se Serra quisesse falar com ele, que o procurasse na sede da editora.

CAUTELA

Temendo ordem judicial de apreensão do livro, a Geração fez uma operação silenciosa para distribuir 15 mil exemplares em todo o País.

COMPROMISSO

Ao receberem o livro A Privataria Tucana, as livrarias assumiram o compromisso de que a obra não seria exposta nas vitrines antes desta sexta.

NADA A DECLARAR

O ex-governador José Serra informou que, por enquanto, sua decisão é não comentar as acusações contidas no livro de Amaury Ribeiro Jr.

PERDERAM A MODÉSTIA

Pivô do escândalo que atinge o ministro Fernando Pimentel, o dono da HAP Engenheria, Roberto Senna, é irmão da mulher do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim. A advogada Vivienne Senna era da comissão de ética pública da prefeitura de BH quando abriram investigação.

OITAVO PASSAGEIRO

Ministro amigo de Dilma, Fernando Pimentel já está sendo chamado, no serpentário do cafezinho do Senado, de “o Oitavo Passageiro”. Referência aos sete ministros que já caíram por denúncias de corrupção.

CONTRA PRIVILÉGIOS

O deputado Chico Leite (PT), campeão nas avaliações de desempenho no DF, tem lutado para que empresas de políticos com mandato sejam proibidas de assinar contratos com o governo, para evitar privilégios.

CASOS DE FAMÍLIA

Parte do nervosismo do presidente do Senado, José Sarney, que quase se atracou com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) na votação do Código Florestal, se deve ao estado de saúde da filha Roseana.

MARCONI PRESIDENTE

O presidente do PSDB, deputado Sergio Guerra (PE), prefere Aécio Neves a José Serra, na sucessão de Dilma, mas avisa que o bem avaliado governador de Goiás, Marconi Perilo, também está no páreo.

LIBERDADE DE IMPRENSAR

O deputado André Vargas (PT-PR) afirmou “que os grandes jornais não compreendem o tipo de país que se está construindo”. Resumindo: não mostram o país que o PT acha que tem.

FEIRA MODERNA

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) constatou alta contaminação de agrotóxicos, até proibidos, em frutas e hortaliças. Mas somos nós que comemos o pepino envenenado.

CHORO NA FRONTEIRA

O Paraguai se apavora com a estagnação do Brasil. O presidente do Banco Central de lá, segundo o jornal ABC Color, teme queda de 60% nas transações locais e/ou comerciais. Drogas e armas não contam.

PENSANDO BEM...

...Os “cumpanhêro” estariam sem problemas na Justiça, se, em vez de consultorias, dessem palestras à la Lula, fáceis e sem contestação. 


PODER SEM PUDOR

A RAPADURA DE JÂNIO

Transcorria o dia 16 de junho de 1961 quando o presidente Jânio Quadros recebeu o prefeito de Sobral (CE), Padre Palhano, que lhe levou dois presentes típicos: uma garrafa de cachaça e um pedaço de rapadura. Após a audiência, seu secretário particular, José Aparecido, insinuou que adoraria ficar com os presentes. Jânio fez mais um de seus trocadilhos:

– Tome a cachaça, José. A rapadura, porém, eu não entrego.

Só a entregaria 70 dias depois, ao renunciar à presidência da República.

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: Mesmo com inflação maior, governo planeja cortar juro

- Folha: PF acusa policiais de SP de extorsão a traficantes

- Estadão: Brasil e EUA aceitam acordo do clima

- Correio: IPTU e IPVA sobem até 7,39% em 2012

- Valor: Espanhóis compram o controle da Neoenergia

- Estado de Minas: Vingança e covardia

- Jornal do Commercio: Como sair da malha fina

- Zero Hora: Estiagem já reduz a safra em 6,3%

quinta-feira, dezembro 08, 2011

LYA LUFT - Baile de máscaras

REVISTA VEJA


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‘Arrivederci, Brasile’ - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 08/12/11

Com uma taça de prosecco na mão, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola dizia ontem à noite na festa de uma loja no Fashion Mall, no Rio, que só espera autorização da Vara de Execuções Penais para partir para a Itália.

Sobre FH, que lançava um livro no mesmo shopping, àquela hora, disse que nem chegaria perto: “Quero distância.”

Abalou Bangu
Templo de consumo dos bacanas paulistas, a Daslu emplacou no Rio. Abriu loja segunda no Fashion Mall e, nos dois primeiros dias, vendeu R$400 mil.

É quase o que a lojona chique esperava vender no mês de dezembro todo.

País do vento
Do total de energia elétrica que será leiloado dia 20 agora, 82% serão de matriz eólica, 10% de bagaço de cana, 2% de PCh e apenas 6% de hidrelétrica.

Poxa, Romário
Gente do setor fonográfico conseguiu o mapa de votação na Câmara da PEC da Música, que isenta de impostos a venda de CDs e DVDs, aprovada em primeiro turno semana passada.

Nas bancadas do Rio e de São Paulo, só dois deputados votaram contra — o carioca Romário e o paulista Paulinho da Força.

Constrangimento
Ontem, no TJ do Rio, um garçom com 16 anos de casa na empresa terceirizada Nova Rio, foi flagrado quando furtava R$7 mil da bolsa de uma juíza.

Ninguém quis ir à delegacia. O acusado foi demitido, e a magistrada e o TJ preferiram abafar o caso.

Nelson por Carlinhos
A Biscoito Fino põe nas lojas este mês o CD “Carlinhos Vergueiro interpreta Nelson Cavaquinho”, para celebrar o centenário do fabuloso compositor.

Tem participações de Chico e Cristina Buarque, Wilson das Neves e Marcelinho Moreira.

TV Globo

CAROLINDA, PERDÃO, Carolina Dieckmann, 33 anos, formosura que brilha na novela “Fina estampa” no papel de Teodora, grava no Projac a cena de uma guinada na vida da vilã — que pode até ser má por dentro, mas (com todo o respeito) é muito boa por fora. A alpinista social Teodora vai trocar as roupas, digamos, de periguete pelo uniforme de faxineira do mesmo hotel onde se hospedou nos tempos fáceis de namoro com o campeão de vale tudo Wallace Mu (Dudu Azevedo). É que terá de trabalhar para tentar recuperar a guarda do filho. Tadinha. A TV Globo deve pôr no ar dia 15

Hora de Clarice
Depois do Dia D, de Drummond, sábado haverá a Hora de Clarice Lispector, que faria 91 anos. Teresa Montero, biógrafa e organizadora da obra da escritora para a editora Rocco, promove um passeio cultural pelos recantos do Leme relacionados à vida de Clarice.

Sai às 11h do restaurante La Fiorentina.

As Luluzinhas
Dilma e Michelle Bachelet, a chilena que é diretora da ONU Mulheres, vão se encontrar dia 15 agora.

Discutirão políticas de inclusão das mulheres no mercado de trabalho.
A festa continua
A Brahma fez suspense. Mas já reservou um espaço no Sambódromo carioca para seu tradicional camarote no carnaval.

Diário de Justiça
O juiz da 73ª Vara do Trabalho do Rio, José Saba Filho, condenou a companhia de dança de Deborah Colker a indenizar em R$200 mil a bailarina Carolina Amares.

Em 2007, numa apresentação, ela teve amputado um dedo da mão esquerda, ao ser içada por um cabo de aço.

Efeito UPP
Veja como a retomada da Rocinha ajuda a região. A João Fortes lançou ontem, em São Conrado, o projeto de dois prédios com 252 apartamentos e preços a partir de R$600 mil.

Vendeu, acredite, 90% deles.

Não furou a fila
Cabral garante que não furou a fila do livro de Eike. Usou uma espécie de “personal-fila”.

É que o cerimonial do palácio mandou uma funcionária guardar o lugar dele.

Aliás...
A pobrezinha penou duas horas na fila comprida.

Bem que Sempre Ele Batista poderia mandar um livro para Tatiana — este é o nome dela.

Saudade da Amélia
Toda sexta, políticos do PSOL fazem um pequeno comício no Buraco do Lume, no Rio. E o de amanhã promete.

Terá show de Pedro Paulo Malta e Tiago Prata em homenagem a Mário Lago, que, por sinal, é o nome oficial do Buraco.

3 minutos a mais com a mãe - FERNANDO REINACH


O Estado de S.Paulo - 08/12/11


Uma em cada quatro crianças apresenta uma forma branda de anemia na primeira infância. Mesmo na Europa, essa taxa é de 5%. Como a falta de ferro durante os primeiros anos de vida pode prejudicar o desenvolvimento neurológico das crianças, essa alta frequência de anemia infantil preocupa os pediatras.

Agora, um grupo de médicos suecos descobriu uma maneira simples e barata de eliminar o problema. Basta cortar o cordão umbilical três minutos mais tarde.

Toda criança nasce ligada à placenta pelo cordão umbilical. Nos instantes iniciais de sua vida fora do útero, ela ainda recebe o oxigênio necessário por meio do cordão umbilical. Logo em seguida, começa a respirar e, a partir desse momento, seu suprimento de oxigênio deixa de vir da placenta e passa a vir diretamente da atmosfera.

Em seguida, um mecanismo fisiológico contrai o cordão umbilical, interrompendo o fluxo de sangue entre o placenta e o recém-nascido, e ele se torna independente da mãe. Nos hospitais modernos, o médico coloca um clipe e corta o cordão imediatamente após o parto.

Nos outros mamíferos e nos partos fora do ambiente hospitalar (em tribos indígenas, por exemplo), o rompimento do cordão umbilical leva mais tempo. As contrações continuam, a placenta é expelida e somente depois o cordão umbilical se rompe ou é cortado pela mãe.

Faz muitos anos que se sabe que nos primeiros minutos após o parto, antes do fluxo de sangue ser interrompido pela contração natural do cordão, um volume razoável de sangue passa da placenta para o recém-nascido. Nos seres humanos, esse volume chega a ser 100 mililitros, o equivalente ao de uma xícara de leite.

Será que o ato de colocar um clipe e cortar o cordão umbilical imediatamente após o nascimento não estaria privando as crianças dessa xícara extra de sangue? E será que não seria essa a causa para a anemia observada em um número tão grande de crianças?

Espera. Para testar a ideia, os médicos atrasaram o momento em que o médico coloca o clipe e corta o cordão umbilical. Foram estudados 400 partos, divididos em dois grupos. Nas mulheres do primeiro grupo, o cordão foi cortado dez segundos após o nascimento, como é a prática usual. No segundo grupo, os médicos esperavam 180 segundos após o nascimento, antes de colocar o clipe e cortar o cordão umbilical.

As mulheres foram incluídas em cada um dos grupos por sorteio, na hora em que chegavam ao hospital. Após o parto, as crianças de cada grupo foram acompanhadas por quatro meses. No grupo de crianças em que o cordão foi cortado imediatamente após o nascimento, 6,3% apresentavam uma anemia leve dois dias após o parto e 5,7% ainda tinham o quadro quatro meses após o nascimento. No grupo em que os médicos esperaram três minutos antes de cortar o cordão umbilical, somente 1,2% apresentava anemia aos dois dias e, mais impressionante, somente 0,6% tinha aos 4 meses - uma redução de quase dez vezes no número de crianças anêmicas aos 4 meses.

Esse resultado demonstra que manter o recém-nascido ligado ao cordão umbilical por mais três minutos pode resolver grande parte do problema da anemia infantil. Mas isso depende de esse novo procedimento ser adotado nos hospitais. Um experimento simples, baseado em uma ideia também simples, que pode resolver um problema importante. Ciência de primeira.

Mas o mais interessante é compreender por que os médicos decidiram que o procedimento correto seria cortar o cordão imediatamente após o nascimento. Em partos complicados, existem muitas razões para cortar imediatamente o cordão, mas ninguém conseguiu me explicar por que esse procedimento foi adotado como padrão nos partos absolutamente normais.

Durante milhões de anos, os primatas (e todos os outros mamíferos) viveram sem clipes e tesouras, em um ambiente em que o cordão era rompido muito mais tarde. Não seria de se esperar que o processo evolutivo tivesse, ao longo do tempo, ajustado corretamente o momento em que o cordão naturalmente interrompe o fluxo de sangue entre a placenta e o recém-nascido?

Ao decidir que o correto é cortar imediatamente o cordão, os médicos da época não consideraram a possibilidade de existir uma boa razão para o processo de seleção natural ter "escolhido" deixar o recém-nascido passar seus primeiros três minutos ainda ligado à mãe. Darwin deveria ser estudado nas escolas de Medicina.

MAIS INFORMAÇÕES: EFFECT OF, DELAYED VERSUS EARLY UMBILICAL CORD CLAMPING ON NEONATAL, OUTCOMES AND IRON STATUS AT, 4 MONTHS: A RANDOMISED, CONTROLLED TRIAL. BRITISH, MEDICAL JOURNAL, DOI:10.1136/BMJ.D7157, 2011

Deu zero. E agora, José? - ALBERTO TAMER


O Estado de S.Paulo - 08/12/11


E deu PIB de 0%. A economia não cresceu no terceiro trimestre. Não é uma tragédia, mas é um alerta que já soou antes, não foi ouvido e talvez chegue atrasado. Em 12 meses ainda é positivo, 3,7%, mas o mercado não acredita que feche o ano em torno disso. Aumenta o número de previsões de 2,8%. Todos concordam que as medidas prudenciais vieram na hora certa, mas poderiam ter sido revertidas mais cedo quando os indicadores de atividade econômica do Banco Central e todas as análises do mercado já mostravam uma forte desaceleração do consumo. Ele simplesmente estagnou no terceiro trimestre, menos 0,1%, quando havia crescido 5,4% nos quatro trimestres anteriores. O governo acredita em alguma reação nos últimos três meses do ano, de forma a ter um PIB de 3% e uma retomada do crescimento em 2012. Os analistas concordam.

Efeito estático. O economista-chefe para a América Latina do BNP Paribas, Marcelo Carvalho, concorda. "A projeção do BNP para 2012 prevê recuperação da economia e aceleração do crescimento ao longo do ano que vem". Entretanto, diz ele à coluna, "há um efeito estático que não parece estar sendo devidamente levado em conta nas projeções. Como a economia termina 2011 mais fraca do que começou o ano, ela começa o ano de 2012 em um patamar relativamente mais deprimido. Isso puxa para baixo a média de 2012 como um todo, embora na ponta a economia deva se aquecer ao longo do ano que vem. Ou seja, em 2011 a economia começou forte e acabou fraca. Em 2012 deve ser o contrário - a economia começa o ano fraca mas termina forte", diz Carvalho.

Não foi a crise externa! Uma análise do PIB do terceiro trimestre revela um fato surpreendente pouco comentado na mídia. Não foi a crise externa, a retração do mercado mundial, que derrubou o PIB. Ao contrário. Impediu o pior! É. Sem ele, estaríamos em recessão. Quem registra e confirma esse fato é o próprio IBGE. "A economia toda desacelerou com as medidas do governo e juros altos. Foi o comportamento do setor externo que contribuiu para que o setor externo não ficasse negativo. Exportações aumentando 1,8% e importações recuando 0,4%", afirma a gerente de Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis. Então a tal crise externa não só não pesou mas até ajudou? Sim e não. Aqui, de novo, a grande distorção do comércio exterior brasileiro. O saldo comercial está sendo obtido unicamente pelo aumento das exportações de commodities como minério, alimentos e semimanufaturados.

O colega Rolf Kuntz, em artigo no Estado, mostra com extrema riqueza de dados e análise que a receita dessas exportações vem mais do aumento do volume do que dos preços. Desde soja e minérios, passando pelas carnes, até o algodão. E quase tudo para emergentes, principalmente para a China, onde o governo já admite crescimento menor e injeta mais liquidez num mercado interno que não reage. Os reflexos da desaceleração econômica mundial se refletem no mercado brasileiro sob duas formas: reduz as importações dos nossos principais parceiros e aumenta suas exportações que competem não só no mercado interno, mas no externo também.

Urgência atrasada. O comércio exterior salvou de um PIB negativo, sim, mas isso pode não se repetir nos próximos meses se não vierem com urgência medidas mais intensas de estimulo à demanda, à produção, ao consumo, aos investimentos privados e oficiais que praticamente sumiram com as crises ministeriais. O cenário externo pode se deteriorar nos próximos meses com a Europa entrando em recessão, mas o desafio é evitar a recessão no primeiro trimestre de 2012. E que não se conte novamente com o tubinho de ar das exportações. Vai faltar oxigênio lá fora.

Um começo incolor - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 08/12/11


2012 será o ano da verdade, tanto para o PSD de Gilberto Kassab quanto para o governo Dilma Rousseff, que, em termos de desenvolvimento e infraestrutura, ainda deixou a desejar
Nem governo, nem oposição. Nem Corinthians, nem Palmeiras. Nem Vasco, nem Flamengo. Nem branco, nem preto. Assim é o PSD. O primeiro seminário do partido, realizado ontem num hotel em Brasília, mostra que ali cabe de tudo não só no que se refere a campo ideológico na política bem como no mérito de propostas. O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles aponta um Brasil cor-de-rosa em meio à crise econômica europeia. Aposta que nada irá abalar a economia nacional e que a situação atual é passageira. Enquanto isso, nos bastidores, integrantes da legenda preferiam traçar um cenário cinza chumbo, como se o país estivesse coberto de nuvens que indicam fortes tempestades por causa do PIB zero do último trimestre. 
Juntando tudo, o que se tem é um partido com uma pluralidade de pensamento que, de concreto, apresentou uma fidelidade ao governo nas votações importantes. Ajudou inclusive a reduzir o tamanho da oposição. Mas ainda não dá para perceber que cor tem o PSD, se será governo dia e noite, ou ficará no meio-termo, ao sabor dos ventos, adotando a cor que predominar na estação. 
Como a situação é incerta tanto do ponto de vista político quanto econômico, o PSD por enquanto está incolor. Assim como a água, que se adapta aos contornos do copo e preenche espaços vazios. Quando fez o primeiro ato do partido em São Paulo, em março deste ano, Kassab foi claro. Disse que a relação com o ex-governador paulista José Serra era “inquebrável”. E completou: “Onde ele (Serra) estiver, eu estarei ao seu lado”. Ou seja, a porta para alianças com os tucanos continuará aberta até que Kassab possa sentir mais firmeza no governo Dilma ou na oposição.

Por falar em governo...
O “começo incolor”, entretanto, não é privilégio do PSD. No quesito infraestrutura, o mesmo governo Dilma que pisou firme no acelerador da área social lançando uma série de programas, encerra esse primeiro ano deixando a desejar em vários setores, especialmente o de energia, sua especialidade. Chegou a ponto de a Frente Parlamentar de Infraestrutura lançar ontem manifesto cobrando projeto nacional de desenvolvimento, o que, avaliam os integrantes do grupo, ainda não ocorreu. 
Sabe-se que, no Brasil, um dos indutores do crescimento é poder público. Quando os investimentos dos governos despencam, o Produto Interno Bruto não se sustenta. Foi isso que ocorreu no último trimestre em que a economia nacional registrou PIB nulo, segundo a avaliação de muitos comensais sentados à mesa, na sede do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), em Brasília. 
A avaliação da frente é clara. Na área de transportes, os investimentos caíram assim como no setor do petróleo. As chamadas parcerias público-privadas (PPPs) simplesmente não deslancharam. “Temos que trabalhar para que as coisas aconteçam e esse PIB nulo não se repita”, comentava ontem o presidente da frente, Arnaldo Jardim (PPS-SP), que, embora da oposição, não é do tipo que aposta no quanto pior melhor para se dar bem na próxima eleição. Ele fez inclusive questão de bater firme no trabalho suprapartidário que realiza no grupo. 
E, dentro da Frente de Infraestrutura, começa a haver um consenso de que não dá para passar o tempo esperando o governo. Por isso, eles, por conta própria, reuniram especialistas e elaboraram um conjunto de projetos para deslanchar a regulamentação na área de energia. Cobram do governo ainda uma Lei Geral das Agências Reguladoras, que preserve a autonomia das agências na tomada de decisões e fiscalização. 
A intenção da frente é agir, em vez de ficar apenas observando o andar da carruagem, como faz o PSD. O problema, infelizmente, está longe de ser resolvido. É que, por mais que se diga que é preciso isso e aquilo, se o governo não decidir votar, dificilmente esses projetos emplacam. A não ser, é claro, que os presidentes da Câmara, no caso o petista Marco Maia, e o do Senado, José Sarney, do PMDB, decidam que é hora de “mudar de cor”, digamos assim. Por enquanto, a única proposta que Sarney admitiu colocar em votação — chamando o governo para o ringue — foi a regulamentação da Emenda 29, que aumenta os recursos para a saúde, em pauta no Senado. Na Câmara, os temas polêmicos se acumulam. 
2012, entretanto, vai chegar daqui a alguns dias, como o ano da verdade, tanto para o PSD de Gilberto Kassab quanto para o governo Dilma Rousseff, que, em termos de desenvolvimento e infraestrutura, ainda deixou a desejar. Afinal, enquanto o governo Dilma não deixar claro que evitou o ingresso do Brasil no redemoinho da crise, o PSD de Gilberto Kassab continuará no muro: ora aliado, ora oposição. 

GOSTOSA


Enquadrados - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 08/12/11


O Planalto deu uma dura nos líderes institucionais da Câmara, do PT e do PMDB, que querem destinar R$1 bilhão do Orçamento para reajustar salários do Judiciário e do Ministério Público. Os governistas abandonaram a tese do confronto e adotaram o discurso do convencimento. Eles agora tentam ganhar os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento) para o reajuste. A presidente Dilma bateu o pé contra.

Catarse no PMDB
A reunião ontem da bancada do PMDB, que reconduziu o líder Henrique Alves (RN), virou um muro de lamentações. Deputados reclamaram de o partido estar sub-representado no governo, de não serem atendidos por ministros do próprio partido e da não liberação das emendas parlamentares. “O governo nos pede milhões para a DRU e nos dá uma merreca. Ninguém é capacho”, berrou o deputado Newton Cardoso (MG). “Do que adianta ter ministro do PMDB, se não somos atendidos? Eu chego ao final do ano com a paciência esgotada”, afirmou o deputado Marllos Sampaio (PI), candidato à prefeitura de Teresina.

É uma questão de prioridade. Ou paga juros, ou paga para a Saúde” 

— José Agripino, senador e presidente do DEM (RN), em defesa da emenda Tião Viana, que destina 10% da receita do governo federal para a Saúde

André Coelho/21-11-2011

DOMINADO. 
No debate da Emenda 29, ao defender a proposta que destina 10% da receita da União para a Saúde, a oposição cobrou o voto do senador Jorge Viana (PT-AC). Ele é irmão do governador Tião Viana (AC), que quando senador, em 2008, aprovou o aumento da receita da Saúde, depois derrubado na Câmara. Apesar dos apelos, Jorge está alinhado com o governo, que quer manter os atuais 7% da receita para a Saúde.

Ponto final
Numa audiência no Palácio do Planalto, esta semana, um dos presentes perguntou de chofre para a presidente Dilma se ela pretendia acabar com a Secretaria das Mulheres. Consta que ela respondeu: “Não está na minha pauta”.

Fazendo água
A emenda da oposição à DRU tinha na tarde de ontem 26 assinaturas, uma a menos do que o necessário para ser protocolada. O objetivo da oposição é apresentar a emenda para retardar a votação. Os senadores Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e João Durval (PDT-BA) retiraram seus apoios, a pedido do governo. Dessa vez, a oposição não contou com a assinatura dos senadores Ana Amélia (PP-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF).

Resistência
A despeito da comparação com os fatos que levaram à demissão de Antonio Palocci, a presidente Dilma está determinada a manter o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento). Seus assessores dizem que “ele é o ministro dela”.

NUNCA antes na história do PMDB. O deputado Henrique Alves (RN) foi reconduzido, pela sexta vez, para liderar a bancada do partido na Câmara.

A PRESIDENTE Dilma conversou ontem com os senadores Jorge Viana (PT-AC) e Luiz Henrique (PMDB-SC), relatores do Código Florestal no Senado. A presidente elogiou o desempenho de ambos.

O NOME do presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), para o Ministério do Trabalho é o deputado Brizola Neto (PDT-RJ).

ILIMAR FRANCO com Fernanda Krakovics, sucursais e correspondentes

E-mail para esta coluna: panoramapolitico@oglobo.com.br

Novo Código
A bancada do PMDB na Câmara fechou questão ontem a favor da votação do Código Florestal ainda neste ano. Insatisfeito com o texto aprovado no Senado, o deputado ruralista Ronaldo Caiado (DEM-GO) quer adiar para o ano que vem.

Reação
A cobiça dos petistas pelo Ministério das Cidades está gerando uma forte reação no PP. Seus dirigentes chegaram à conclusão que talvez seja melhor se alinhar pela permanência do ministro Mário Negromonte do que perder a pasta.

Novo projeto do Código Florestal é realista - EDITORIAL O GLOBO


O Globo - 08/12/2011


Se a Câmara dos Deputados referendar a decisão do Senado, como se espera, longos dez anos de tramitação do projeto do Código Florestal terão produzido um texto equilibrado sobre um tema estratégico, num terreno minado por paixões e interesses políticos e ideológicos.

A luta entre "ambientalistas" e "ruralistas", transposta para o Congresso, parecia um obstáculo intransponível. Em certa medida, ajudou no desfecho positivo o fato de o decreto 6.514, de 2008, suspenso pelo governo Lula para permitir um entendimento em torno de um novo projeto, voltar a vigorar este mês. Há uma corrida contra o relógio para substituí-lo pelo Código.

O decreto se mostrara inexequível devido às exigências e penas previstas, mas era grande ameaça aos produtores rurais, com reflexos negativos na produção de alimentos. Serviu, ainda, de pressão para um acordo entre as partes o crescimento, na própria agenda mundial, da questão das mudanças climáticas, em que o Brasil tem lugar de destaque.

Um primeiro passo foi dado com a escolha do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para relator do projeto na Câmara. Mas houve desvios. Talvez o maior deles, o risco de autores de crimes ambientais serem anistiados. No entanto, foi com Rebelo que se começou a caminhar numa direção realista, de preservação da produção agrícola, mas com recuperação e proteção do meio ambiente.

O difícil, quase impossível, foi em grande medida alcançado, sob a relatoria dos senadores Luiz Henrique (PMDB-SC) e Jorge Vianna (PT-AC), este com longa história no movimento verde. Vianna teve de assumir posições realistas, porém difíceis para uma pessoa com a militância dele. Se o objetivo era um código factível, teriam de ser contrariados radicais dos dois extremos: ruralistas sem qualquer consciência do valor da biodiversidade e ecologistas manipuladores da luta preservacionista, na tentativa de inviabilizar o modelo de produção capitalista do grande negócio na agricultura brasileira, um dos responsáveis pelo resgate histórico da dívida externa do país. Por este motivo, organizações radicais como o MST aderiram à "luta" pelo Código Florestal.

Foi possível acabar com a anistia generalizada, mas prevendo-se a reconstituição de áreas de reserva legal destruídas até 22 de julho de 2008, data do decreto suspenso. Tudo será feito sem inviabilizar culturas tradicionais de frutas, existentes principalmente no Sul e no Sudeste. Para a terra ser regularizada, precisará deste reflorestamento.

As propriedades terão de ser registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), aberto à consulta pela internet. No Senado, caiu a exigência de averbação das terras, de alto custo para os ruralistas, segundo eles. Outro aspecto de destaque no projeto - desenhado já na Câmara - é a possibilidade de se compensar a falta de reserva legal com florestas de outros donos, mas no mesmo bioma. A reserva tem de ser de no mínimo 20% da área - sem considerar aquela de proteção permanente (APP) -, e varia conforme a região.

A aprovação do novo Código, na terça-feira, por 59 senadores a favor e apenas sete contra, é animadora. Indica que o Senado conseguiu chegar a um equilíbrio entre os interesses da produção e da preservação. Que deveriam estar do mesmo lado.

Pentimentos - CONTARDO CALLIGARIS


Folha de SP - 08/12/11

""Pentimento" é a palavra italiana para arrependimento, mas designa (em muitas línguas) uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro.

Às vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão.

Outras vezes, os raios-x dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.

Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história.

Pensei nisso assistindo a "Um Dia", de Lone Scherfig, que estreou na sexta passada. O filme é a adaptação do romance homônimo de David Nicholls (Intrínseca), que foi uma das leituras que mais me tocaram neste ano e que já comentei brevemente na coluna de 21 de julho.

O livro e o filme (cujo roteiro é do próprio Nicholls) contam a história de Emma e Dexter, que são unidos pelo pentimento: cada um deles é o grande pentimento do outro -ou seja, ao longo dos anos, cada um é, para o outro, a lembrança de que um outro destino teria sido possível.

Reflexões, saindo do cinema:

1) Nossas vidas são abarrotadas de caminhos que deixamos de pegar; são todos pentimentos, mais ou menos encobertos: histórias que não se realizaram. Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou a coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.

Emma e Dexter, por exemplo, ficam cada um como pentimento do outro porque nenhum dos dois consegue renunciar à sua insegurança (que é, aliás, o que os torna tão tocantes e parecidos com a gente): ela morrendo de medo de ser rejeitada, e ele, sedento de aprovação, fama e sucesso.

2) O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa". Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Emma e Dexter, por exemplo, são condenados a fracassos amorosos pela própria importância de seu pentimento.

3) Nem sempre os pentimentos são bons conselheiros -até porque, às vezes, eles são falsos (esse, obviamente, não é o caso de Emma e Dexter). Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Graças às redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado.

No reencontro, um namorico da adolescência, insignificante e esquecido, transforma-se em (falso) pentimento, ou seja, numa aventura que poderia ter aberto para nós as portas do paraíso (onde ainda estaríamos agora, se tivéssemos ousado trilhar esse caminho).

Quando examino as fotos de minhas turmas do colégio, sempre fico com a impressão de que deixei amizades e amores inacabados ou nem começados, mas que teriam revolucionado meu futuro. É como se me perguntasse "Quem era minha Emma? Para quem eu era o Dexter?", fantasiando pentimentos de relações que nunca existiram.

Somos perigosamente nostálgicos de escolhas passadas alternativas, que teriam nos levado a um presente diferente. Se essas escolhas não existiram, somos capazes de inventá-las -e de vivê-las como pentimentos.

Avisos: os pentimentos não são necessariamente recíprocos, e os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.

4) Estreia amanhã "As Canções", de Eduardo Coutinho. Homens e mulheres cantam a música que foi crucial na sua vida (e explicam por que ela foi crucial). Em alguns casos, especialmente tocantes, as músicas são trilhas sonoras de pentimentos.

O futuro já chegou - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 08/12/11

No seu novo livro “A soma e o resto”, — título que “tomou emprestado” de um livro de seu amigo Henri Lefebvre — lançado ontem no Rio com uma conversa entre o ex-presidente Fernando Henrique, a colunista Miriam Leitão e eu na Livraria Cultura, com mediação da editora de O País do GLOBO, Silvia Fonseca, dentro do projeto Prosa na Livraria, surge um retrato mais humanizado, muitas vezes ignorado, do intelectual Fernando Henrique, tido geralmente como um cético.

Como o livro é baseado em conversas com seu assessor, o diplomata Miguel Darcy, o tom coloquial dá margem a revelações de angústias e ansiedades do ex-presidente. Sobretudo, permite que ele se revele um inquieto permanente, que assim se define: “É a curiosidade que me move. O sentido que dei à minha vida foi tentar perceber o que vem de novo por aí. Não me preocupo muito com o que já está. A gente pensa que vai ocorrer o inevitável e vem o inesperado”.

Talvez por isso, tendo chegado aos 80 anos, Fernando Henrique tenha reinventado sua atividade política tratando de um assunto polêmico, mas fundamental: o que fazer diante do aumento do uso de drogas. Ele diz que se interessou pelo tema “pelo ângulo da democracia, do risco da corrosão das instituições pela violência e corrupção associadas ao tráfico”.

A tese central de Fernando Henrique, que tem presidido comissões internacionais sobre o assunto, é que a droga tem de ser vista como questão de saúde pública e não meramente de repressão policial, pois fracassou a política de guerra às drogas levada à frente pelos Estados Unidos, há cerca de 10 anos assumida pela ONU como política oficial.

Ontem ele participou, pela manhã, de uma mesa redonda sobre o assunto, que eu mediei, na comemoração dos 18 anos do Viva Rio, ONG presidida pelo sociólogo Rubem César Fernandes que tem tido presença marcante na recuperação do Rio. Nada mudou nesses anos de repressão, não diminuiu o consumo de drogas em escala internacional, aumentaram as mortes, e o problema continua crescente no mundo todo. Problema como o que vivemos no Brasil, mais especificamente no Rio, agora combatido com a política de retomada de territórios dos traficantes com as UPPs. Problema como no México, onde a situação é calamitosa, com cartéis de drogas atuando violentamente, e em outras partes do mundo.

A ideia é que, a partir do fracasso da repressão, é preciso passar a tratar as drogas como questão de saúde pública, com campanhas de esclarecimentos sobre seus malefícios e restrições ao uso em lugares públicos. Fazer como autoridades no mundo todo, em graus variados, que estão tratando o cigarro, considerado por especialistas, ao lado do álcool, tão pernicioso quanto a maconha. O secretário do Ambiente, Carlos Minc, no debate, fez um paralelo: enquanto o cigarro, droga legalizada, tem seu consumo diminuído pela ação dos governos, o da maconha, droga ilegal, só faz aumentar.

A proposta encaminhada à ONU pela Comissão Latino- Americana, que, além de Fernando Henrique, teve na coordenação os ex-presidentes César Gaviria, da Colômbia, e Ernesto Zedillo, do México, foi pela descriminalização da maconha, por ser a droga majoritária no mundo (80% do consumo mundial) e cujos malefícios podem ser comparados aos do álcool e do tabaco.

Buscar alternativa à guerra para reduzir o consumo de maconha é um caminho para solucionar um problema que tem causado prejuízo aos países, tanto financeiro quanto em vidas. É um tema delicado, especialmente para políticos, mas tem de ser enfrentado. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, enfrentou a questão quando ministro da Justiça no governo Lula e contou que, ao defender essa tese em uma universidade no seu estado, surpreendeu-se no dia seguinte com a manchete de um jornal, que dizia que ele defendia a liberação da maconha.

Outro caso foi uma manifestação de jovens a favor da maconha no Fórum Social Mundial em Belém, cada um com sua plantinha na mão e cantando: “Polícia, maconha é uma delícia”. O ministro da Justiça e os agentes da Polícia Federal que o acompanhavam não puderam fazer nada, mesmo diante de um ato ilegal na época. Hoje, o Supremo Tribunal Federal retirou das manifestações a favor da maconha o caráter de apologia ao crime.

Tarso Genro disse que situações como essa, em que a lei não é eficaz diante da pressão da sociedade, têm de ser consideradas quando se pretende encontrar caminhos para reduzir o uso das drogas de maneira eficiente. A Comissão Global sobre Drogas vai adiante e tende a trabalhar pela legalização e regulamentação do uso da maconha para combater o tráfico e suas consequências.

Fazem parte da Comissão Global políticos como Javier Solana, ex-secretário-geral da Otan e ex-alto representante para a Política Externa e de Segurança Comum da União Europeia; Ruth Dreifuss, ex-presidente da Suíça; George Schultz, ex-secretário do Tesouro dos EUA; empresários como Richard Branson, fundador do grupo Virgin e ativista de causas sociais, e John Whitehead, banqueiro e presidente da fundação que construiu o memorial no lugar do World Trade Center, além dos escritores Carlos Fuentes, do México, e Mario Vargas Llosa, do Peru, prêmio Nobel de Literatura.

A descriminalização da maconha não é o caminho ideal, mas o menos pior. Todas as drogas são prejudiciais, ressaltou Fernando Henrique; o consumo não é problema de polícia, mas de saúde pública. Problema de polícia é o tráfico, que pode ser fragilizado com a liberalização do consumo e campanhas de controle do uso e dos danos à saúde.

A sede do Comitê Olímpico Internacional fica em Lausanne, e não em Genebra, como escrevi em recente coluna.