segunda-feira, abril 04, 2011

GUSTAVO LOYOLA - Desafios de Basileia 3 não são triviais


Desafios de Basileia 3 não são triviais
GUSTAVO LOYOLA

VALOR ECONÔMICO - 04/04/11

Em fevereiro último, o Banco Central divulgou as orientações preliminares e o cronograma de implementação no Brasil das novas regras de capital estabelecidas pelo Comitê de Supervisão Bancária da Basileia, incorporando as lições da crise financeira de 2007-2009 (Basileia 3). Pelo que se observa no Comunicado do BC, a intenção do supervisor bancário brasileiro é a de antecipar, no que possível, a adoção de modo gradual das novas regras em nosso país, não esperando necessariamente pelos prazos limites sugeridos pelo Comitê.
A implementação desse novo arcabouço regulatório no Brasil, sob alguns aspectos, será mais fácil do que nos países cujos bancos foram mais fortemente atingidos pela crise financeira. A regulação financeira brasileira já é mais rígida quando se trata da definição de capital regulatório, assim como é maior a exigência de capital como proporção dos ativos ponderados pelo risco (11% contra 8% da exigência das normas atuais de Basileia 2).
Não obstante, como veremos a seguir, há certas peculiaridades do ambiente legal-institucional brasileiro que complicarão a tarefa do Banco Central na introdução dos conceitos de Basileia 3 em nosso país. Em razão disso, o BC enfrentará o desafio nada trivial de compatibilizar os princípios acordados no Comitê com a realidade do país, sem que isso signifique abrir mão do objetivo maior de assegurar a estabilidade financeira e o alinhamento da regulação brasileira aos princípios internacionais.
Como sabido, um dos princípios mais caros ao novo acordo de capital é o da criação de mecanismos contracíclicos, com o intuito de evitar a excessiva expansão do crédito nos períodos de crescimento econômico, como também sua excessiva contração nos momentos de enfraquecimento da atividade. O capital "de conservação" e, principalmente, o capital "contracíclico" previstos nas regras de Basileia 3 exercerão esse papel, com o que se pretende evitar a eclosão de crises sistêmicas como a verificada recentemente.
Ocorre que, no Brasil, a existência de bancos oficiais como o BNDES, cuja política de crédito responde pouco às exigências de capital regulatório e à variação do custo de capital na economia, além de regulação que direciona compulsoriamente parte do crédito dos bancos comerciais (créditos rural e habitacional), pode amortecer ou até mesmo anular totalmente os efeitos moderadores pretendidos pelas normas de cunho contracíclico previstas por Basileia 3. Apenas o crédito "livre"- mas não o crédito "direcionado"- responderá plenamente aos incentivos inerentes ao novo arcabouço regulatório, o que gerará enfraquecimento da norma prudencial e o aumento das distorções na alocação do crédito na economia.
Uma das questões mais controversas é o impacto dessas regras sobre o crescimento econômico e o emprego
Uma segunda característica peculiar do sistema bancário brasileiro que deve ser considerada na implantação das regras de Basileia 3 é o elevado nível de recolhimentos compulsórios sobre os passivos dos bancos. Os compulsórios representam um formidável colchão de liquidez - e a crise de setembro de 2008 mostrou cabalmente sua utilidade - e, nesse sentido, o Brasil mostrou-se melhor na foto do que a maioria das economias desenvolvidas. Ocorre que, no quadro de maiores exigências de Basileia 3, a manutenção de elevada liquidez pelos bancos sob forma de recolhimentos compulsórios agravaria ainda mais a questão do amplo "spread" bancário que distingue o Brasil da maioria das economias relevantes do mundo. Nesse sentido, o BC brasileiro, sem abrir mão desse importante instrumento monetário e macroprudencial, deve reavaliar a estrutura e nível dos recolhimentos compulsórios, bem como, por óbvio, sua utilização num contexto em que as regras de Basileia 3 já estejam plenamente implantadas.
A propósito, uma das questões mais controversas nas discussões nos fóruns internacionais sobre Basileia 3 tem sido justamente o impacto das novas regras sobre o custo do crédito e, em consequência, sobre o crescimento econômico e o emprego. Os estragos causados pela crise financeira recente indicam que, sob o ponto de vista de uma análise custo-benefício, a adoção de regulação financeira mais rígida é desejável, desde que evitados os exageros. Mas, num país como o Brasil, onde os "spreads" são elevados em decorrência principalmente da intervenção estatal (taxação, compulsórios) e de falhas de mercado (assimetrias informacionais, por exemplo), a introdução de regulação financeira mais rígida pode piorar ainda mais este problema, caso não sejam consideradas políticas adequadas que favoreçam a redução dos "spreads" ao longo do tempo.
Por fim, uma terceira dificuldade a ser enfrentada pelo BC refere-se à heterogeneidade das instituições bancárias no Brasil, em termos de porte e de composição de ativos e passivos. Embora tal problema exista também em vários outros países, no caso brasileiro parece-nos particularmente importante que o BC leve em conta os possíveis impactos diferenciados dessas novas regras de capital e de gestão de risco sobre os bancos, de forma a conciliar o objetivo da estabilidade financeira com o da neutralidade regulatória sob o ângulo concorrencial. 

GOSTOSA

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Dilemas do mensalão
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/04/11

Apesar de servir para confirmar o uso de dinheiro público no mensalão, o novo relatório da PF, revelado pela revista ""Época", dificilmente terá condições de ser incorporado aos autos da ação penal que corre no STF sob a relatoria do ministro Joaquim Barbosa.
Na hipótese de fatos novos com relação aos atuais réus não descritos na denúncia recebida pelo Supremo, o Ministério Público Federal faz um aditamento na peça de acusação. Se isso vier a ocorrer, todos os réus estarão, em princípio, aptos a se manifestar sobre as novas investigações. Haveria, portanto, o risco de reiniciar todo o jogo.

E além! Do presidente do PTB, Roberto Jefferson, denunciante e réu do mensalão: "Se o ministro Joaquim Barbosa juntar esse relatório ao processo, criará uma imensa celeuma. Dará um passo rumo ao infinito".

Em cena 1 
Acompanhada de Jaques Wagner (PT-BA) e de Fátima, mulher do governador, Dilma Rousseff assistiu anteontem à noite, no CCBB, à peça "A Lua Vem da Ásia". A presidente chegou com 15 minutos de atraso, e só então o espetáculo começou. Ela foi aplaudida ao entrar e ao sair do teatro.

Em cena 2 
Ao final do monólogo, o ator Chico Diaz se disse honrado por encenar para a convidada ilustre e feliz pelo incentivo dado à cultura pela presidente.

Minha casa... 

O quarto-secretário Júlio Delgado (PSB-MG) apresentará à Mesa da Câmara proposta para eliminar um gasto milionário com auxílio-moradia. Não há como oferecer apartamento funcional aos 513 deputados. A Casa tem 32 imóveis utilizados por funcionários. Um apartamento, na Asa Sul, vale mais de R$ 1,5 milhão.

...minha vida 
Delgado propõe que a União venda esses imóveis e construa ou compre novos apartamentos. Até o fim de 2011, a Câmara deve gastar cerca de R$ 7 milhões com auxílio-moradia.

Secou 
O gasto com publicidade do governo Geraldo Alckmin no primeiro trimestre despencou 83% em relação ao mesmo período de 2010, durante a administração de José Serra. Foram R$ 6,4 milhões contra R$ 38,7 milhões de janeiro a março do ano passado. Os números serão divulgados amanhã.

Diagnóstico fechado 

A cada jura de fidelidade pronunciada por Guilherme Afif, sócio-fundador do PSD de Gilberto Kassab, aumenta a desconfiança no entorno de Alckmin. Não há como despachar o vice, mas tampouco alguém vislumbra como normalizar a relação.

#fail 
Na tentativa de vender à praça a ideia de que a hemorragia no DEM não será tão grande, a direção do partido chegou a assegurar a aliados que a senadora Kátia Abreu (TO) não sairia. Ela já está na canoa de Kassab.

Protocolo 
Preocupados com o carimbo do oportunismo, grudado na testa do PSD antes de seu nascimento, Kassab & cia. preparam uma espécie de "manual de princípios" para a nova sigla.

Amassando... 
Alckmin dará a largada em seu governo itinerante nesta sexta-feira, em Registro. Pela manhã, secretários despacharão com os 23 prefeitos do Vale do Ribeira. À tarde, o governador anuncia pacote de obras nas áreas de saúde, assistência social e empregabilidade.

... barro 
Denominado "Governo Presente", o sistema privilegiará os bolsões de pobreza. Com IDHs mais baixos, as regiões de Presidente Prudente, Itapeva e cidades históricas do Vale do Paraíba serão as próximas escalas.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Depois deste novo relatório da PF, o Lula dizer que o mensalão não existiu é o mesmo que seu bom amigo Ahmadinejad negar o holocausto."
DO DEPUTADO DUARTE NOGUEIRA (PSDB-SP), líder da bancada tucana, sobre o documento que confirma o esquema de desvio de dinheiro público para políticos do PT e de partidos aliados ao governo.

contraponto

Prata da casa

Homenageado na sexta-feira pela Faculdade de Medicina da Unicamp, na qual estudou, Alexandre Padilha falava sobre sua atuação no centro acadêmico e no jornal "Patológico". Para surpresa do ministro da Saúde, um dos alunos emergiu da plateia com um antigo e amarelado exemplar da publicação do qual constava um texto de sua autoria. Na sequência, apresentaram-lhe também um "livro de ouro" e um pedido de ajuda financeira aos estudantes. Padilha brincou:
-A gente vira ministro e logo aparece um pedido...

GEORGE VIDOR - É cedo


É cedo 
GEORGE VIDOR

O GLOBO - 04/04/11

Os objetivos de política econômica quase sempre são contraditórios, ou até antagônicos em alguns momentos. Crescimento acelerado com inflação em queda - e contas externas equilibradas, ainda por cima - só é possível em raras ocasiões. Depois do Plano Real, o Brasil trocou inflação por dívida pública, e agora está trocando investimento por inflação acima do centro da meta (4,5%).

Menos mal, embora tal troca tenha necessariamente vida curta. Diante do comportamento dos preços internacionais, a inflação em 2011 somente recuaria para 4,5% com freada brusca da economia, que paralisasse os investimentos e elevasse a taxa de desemprego de 6% para 9%, por exemplo. Mesmo assim, isso não resolveria o problema, pois qualquer retomada posterior da economia traria de volta a inflação.

Nesse ambiente de cobertor curto, o jeito é moderar o crescimento da economia. Com o ajuste em andamento, o Banco Central espera que o Produto Interno Bruto (PIB) evolua 4% em 2011 (comparado aos 7,5% de 2010, é algo relevante). Se esse esforço se mostrar insuficiente para empurrar a inflação para o centro da meta (e uma parte considerável do mercado financeiro acha que esse risco existe), a estratégia terá de ser mudada. Mas a hora dessa decisão ainda não chegou.

O advogado (é uma tradição da família dele: o pai, João Pedro, sempre se apresentava assim) Jorge Hilário Gouvêa Vieira assumiu há um ano a presidência da Confederação Nacional das Empresas de Seguros (CNSeg) com missão definida. Qual seja, traçar uma estratégia para aproximar o setor - de natureza sisuda, conservadora - dos consumidores. Durante muito tempo, especialmente no período da inflação aguda, o mercado esteve concentrado no seguro de automóveis, mas, à medida que a economia brasileira evolui, multiplicam-se os espaços para outros ramos (vida, acidentes, proteção ao patrimônio, saúde, riscos de negócios, etc.). O mercado segurador representa hoje cerca de 5% do Produto Interno Bruto, faturando aproximadamente R$180 bilhões por ano. Embora cresça a um ritmo anual de 12%, pode se expandir bem mais se caminhar para a massificação de produtos. O seguro de vida, por exemplo, é fundamental para as famílias mais pobres, que não têm capacidade de poupar. O governo até cogita criar uma modalidade de seguro no programa Bolsa Família, pois a morte de um dos integrantes do núcleo de beneficiários quase sempre agrava as dificuldades financeiras dessas pessoas mais necessitadas.

Após o primeiro ano de trabalho, dividindo suas atividades profissionais com a presidência da CNSeg, Jorge Hilário se sente frustrado. É que surgiram tantos problemas institucionais no meio do caminho (o governo quase criou uma "Segurobrás" e restringiu novamente o mercado ressegurador, após uma suave abertura) que seus planos iniciais tiveram de ser adiados. Mas ainda não jogou a toalha e espera ver a importância do seguro devidamente reconhecida. "Não pode ser um projeto de longo prazo, pois não tenho mais idade para estender meu mandato", diz ele, bem-humorado.

A Usina de Estreito, no Rio Tocantins, está pronta para entrar em operação comercial. A primeira turbina, com capacidade para gerar 135 megawatts, passou nos testes. Quando tiver todas suas máquinas instaladas, a hidrelétrica de Estreito poderá gerar mais de 1.000 megawatts. A inauguração oficial depende agora da agenda da presidente Dilma. Estreito é quase vizinha à ponte da ferrovia Norte-Sul que liga as duas margens do Tocantins (uma delas, no Maranhão).

Com apenas 40 anos (tinha 20, quando montou a empresa, prestando serviços na área de telecomunicações), Carlos Ramos, dono da Telmart, não quer ser mais "empresário-empregado". Para manter um crescimento de 35% ao ano, com retorno na faixa de 20% a 25% do capital, Ramos contratou recentemente dois diretores executivos, Adriana Lima (ex-Intelig, ex-TIM) e André Ceciliano (ex-IBM, ex-Avaya), que terão a tarefa de tornar a Telmart uma das principais integradoras de tecnologia nas empresas que se apoiam em sistemas de telecomunicações no atendimento ao público. A carteira da Telmart tem mil clientes, muitos deles empresas grandes.

Como industrial bem-sucedido, líder de classe, e, a seguir, na vida política (senador e vice-presidente da República), José Alencar fez um contraponto decisivo na discussão sobre as taxas de juros de equilíbrio na economia brasileira.

Desajustes estruturais e conjunturais explicam a necessidade de juros altos no Brasil, porém, não os excessivos que, por sua longa duração, produziram sérios efeitos colaterais, a ponto de neutralizar parte dos objetivos da política monetária.

Ao insistir nesse contraponto, Alencar no mínimo constrangeu os defensores dos juros excessivos e, de certa forma, ajudou as autoridades monetárias a aproveitarem janelas de oportunidade que se abriram para a redução das taxas básicas de juros.

Levará tempo até que o país tenha taxas de juros próximas da média internacional. Mas a dose excessiva, o exagero, ficou para trás.

Fundos de pensão de estatais eram geralmente estruturados com o sistema de benefício definido. A maioria deles, projetando seus compromissos futuros, ficou desequilibrado. O fundo dos funcionários da Cedae (com cerca de 12 mil participantes, sendo mais da metade aposentados) tinha um déficit atuarial projetado de R$719 milhões. Para resolver essa situação, os funcionáios da Cedae, na ativa, estão sendo estimulados a trocar seus planos de benefício definido por contribuição definida.

Saio de férias.Volto a ocupar esse espaço no início de maio, se tudo correr bem. 

DILMA CAGANDO PELA BOCA

RICARDO YOUNG - Licitação e transparência


Licitação e transparência
RICARDO YOUNG

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/04/11

Exatamente quando o Planalto analisa a possibilidade de flexibilizar a Lei das Licitações para acelerar as obras relacionadas à Copa de 2014 e à Olimpíada de 2016, surge sinais de que a sociedade brasileira não assistirá passivamente a desmandos como os cometidos na ocasião dos Jogos Pan-Americanos de 2007.
Se a nomeação de Henrique Meirelles para a Autoridade Pública Olímpica sinaliza uma preocupação do governo com a coordenação e com a lisura de 2016, não parece que a situação para a Copa de 2014 seja a mesma. E esta medida de flexibilização é preocupante.
Não se trata de incensar a Lei 8.666. Mesmo reconhecendo seus avanços, suas limitações são sobejamente conhecidas. Flexibilizá-la para acelerar processos licitatórios de 2014 e 2016 é um gesto cínico travestido de eficiência administrativa. Se a Lei 8.666 deve ser revista, são nas brechas em que facilita fraudes e nos artigos que deveriam qualificar o compromisso das empresas com a responsabilidade sócio-ambiental.
É uma pena que a Autoridade Olímpica não esteja envolvida com a Copa. Mas Meirelles passou a contar com uma forte linha auxiliar para ajudá-lo a fazer da Olimpíada um exemplo de civilidade.
Trata-se da iniciativa dos "Jogos Limpos", lançada na semana passada por várias entidades. Dentre os parceiros do projeto, figuram empresas e entidades signatárias do Pacto pela Integridade e Contra a Corrupção, organizações ligadas à Rede Brasileira de Cidades Sustentáveis e associações de classe cruciais para o processo de sustentação dos dois megaeventos -caso do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia.
Todas elas unidas em torno de quatro objetivos: desenvolver indicadores de transparência para as cidades-sedes; fazer quatro grandes acordos setoriais de autorregulação (nos setores de construção, transporte, energia e equipamentos de saúde); construir um pacto de transparência com governantes; oferecer ferramentas para que a sociedade civil possa acompanhar e monitorar a contratação e o andamento das obras.
Com o projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios, com o apoio do Siemens Integrity Initiative e do Banco Mundial, fica demonstrada que a escolha do Brasil para sediar estes eventos emblemáticos implica na assunção de pesadas responsabilidades pelo conjunto da sociedade e não só dos governos.
Fazer com que os processos de licitação sejam éticos e transparentes é obrigação indiscutível. Agora, fazer com que as megaobras sejam motores de inclusão social, beneficiadoras de fato daqueles municípios que as receberão e, sobretudo, tenham a coragem de incluir os princípios da sustentabilidade em sua execução... bom, esse é o verdadeiro desafio.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Agência de fomento de SP lança linha para franquias
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/04/11

A Nossa Caixa Desenvolvimento vai lançar nos próximos dias uma linha de crédito para atender negócios no modelo de franquias.
Com taxa de 0,65% ao mês, além do IPC-Fipe, serão atendidos projetos de desenvolvimento da primeira franquia, expansões e reformas.
Os financiamentos poderão cobrir até 70% do projeto, com prazo máximo de 60 meses, a depender de cada caso.
Os detalhes finais devem ser acertados em reunião da diretoria nesta semana.
A linha não terá um limite definido de dotação. Será estendida até o valor do capital que a instituição possui para fazer empréstimos, que é de R$ 1 bilhão.
A agência, que iniciou suas atividades em 2009, registrou em março cerca de R$ 300 milhões de desembolso em financiamentos para pequenas e médias empresas do Estado de São Paulo.
Com a entrada da nova linha, a estimativa é chegar a R$ 750 milhões de desembolso neste ano, segundo Milton de Melo Santos, presidente da entidade.
"Nós temos de lidar com o fato de sermos ainda pouco conhecidos no mercado e também com algum receio do empresário de tomar empréstimos", diz Santos.
O setor de petróleo e gás é outro que deve impulsionar o avanço dos empréstimos.
"Na cadeia de fornecimento deste setor há um número muito grande de empresas que começaram a se posicionar em São Paulo para fornecer seus produtos e serviços", afirma.

GUARDA-ROUPA GLOBALIZADO
O presidente mundial da Gant, grife de moda multinacional que fatura US$ 1 bilhão ao ano, chegou ao Brasil na última semana para fechar a aquisição de 50% de sua operação brasileira, que atua no país por meio de um franqueado europeu.
Com uma loja em Curitiba e duas em São Paulo atualmente, a marca deve abrir mais sete pontos até 2015, de acordo com o sueco Dirk-Jan Stoppelenburg, presidente mundial.
"Também vamos começar a vender nossos produtos em lojas multimarcas, canal que ainda não trabalhamos aqui", afirma.
A marca, que já investiu R$ 20 milhões no país, tem planos de injetar mais R$ 30 milhões na expansão.
O Brasil ocupa a 24ª posição mundial da Gant. A grife está em 70 países.

Negócios... 
Um grupo de cerca 220 empresários acompanhará nesta mês a presidente Dilma em viagem à China. O setor de brinquedos pretende discutir com os chineses o cumprimento de acordos para respeitar a Norma Brasileira de Segurança em testes de laboratórios.

...da China 
O objetivo é promover a adesão dos chineses à norma mundial de fabricação de brinquedos. De acordo com o presidente da Abrinq, Synesio Batista da Costa, a ideia é que os chineses empreguem os mesmos procedimentos usados para testar e aprovar como seguros os brinquedos no Brasil.

Lente... 
A grife de óculos de sol carioca Lupalupa abre neste semestre duas filiais na Flórida, nos Estados Unidos. Neste mês, a marca inaugura sua primeira loja em Campo Grande (MS). Com essa unidade, a empresa terá 64 pontos de venda em 15 Estados.

... de aumento 
Até junho, mais duas lojas da rede começam a funcionar no Espírito Santo e uma no Rio de Janeiro. No segundo semestre, a empresa quer alcançar mais um Estado brasileiro, seguir para a Bolívia e encerrar o ano com receita 20% maior.

Sob nova direção 
A BFFC (Brazil Fast Food Corporation) abrirá 28 lojas das redes KFC e Doggis no Brasil até o final deste ano. A expansão da rede é parte da estratégia do novo diretor das duas marcas, Flávio Maia, que assume o cargo nesta semana.

GALOPE
O JRF (Jaguariúna Rodeo Festival), que promove em maio sua 23ª edição, vai dar origem a franquias.
A partir deste ano, serão realizados os eventos JRF Goiânia (GO) e JRF Palmas (TO).
A empresa W/Eller, nova responsável pela organização dos rodeios, assumiu também os direitos de exploração da marca por cinco anos.
Com a expansão, a estimativa é faturar R$ 100 milhões até 2013. Estão previstos outros destinos.
"Nós queremos chegar a dez eventos por ano. O rodeio é uma atividade cultural que reverbera bem em vários Estados, no Rio Grande do Sul, no Maranhão, no Acre e em outros", afirma Paulo Bellotti, sócio da empresa.

AULAS A DISTÂNCIA
O principal público dos cursos de ensino a distância são os jovens de até 30 anos, de acordo com pesquisa da companhia iPED.
Mais da metade (53%) dos alunos dessa modalidade pertence a essa faixa etária, segundo o estudo.
O Estado de São Paulo é aquele que concentra a maior quantidade de compradores dos cursos a distância, com 28,5%. Em seguida, aparecem Rio de Janeiro e Minas Gerais, com 11% e 8,6%, respectivamente.
Os homens solteiros são os que mais têm planos de estudar sem sair de casa, também de acordo com a pesquisa da rede iPED.
Alunos que concluíram o ensino médio (30%) ou estão na faculdade (26%) são os maiores interessados nos cursos a distância.
A pesquisa levou em conta mais de 530 mil pessoas que se qualificaram dessa forma.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK , VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

GOSTOSA

MARCELO DE PAIVA ABREU - Jabuticabal econômico


Jabuticabal econômico
MARCELO DE PAIVA ABREU

 O Estado de S.Paulo - 04/04/11

Nas últimas semanas ganhou força a avaliação de que o governo vem adotando políticas que comprometem o controle da inflação, não hesitando, inclusive, em invocar teses sem fundamento econômico respeitável, tais como a ideia de que gastos de capital não pressionam a demanda.

Trata-se de inflexão importante. Afinal, faz parte da interpretação consagrada da evolução do lulismo a conversão do ex-presidente, em 2002-2003, à defesa da estabilização como peça central da estratégia de governo. Na verdade, tal inflexão pode já ter tido início no segundo mandato, quando as ações do governo começaram a sugerir que a conversão havia sido subordinada ao oportunismo político e que o entusiasmo pela estabilização poderia ser, como foi, submerso por conveniências eleitorais.

Tudo indica que a difusão do que os críticos mais ferozes do governo têm chamado de "miolomolismo" econômico infelizmente não se limita à esfera macroeconômica. As bases microeconômicas que fundamentam muitas das políticas públicas são tão equivocadas quanto os fundamentos da sua macroeconomia. O governo é fértil em produzir ideias "inovadoras" e pretensamente adequadas ao caso brasileiro, verdadeiras jabuticabas econômicas.

A recente crise relacionada à substituição do presidente da Vale ilustra, de forma exemplar, as deficiências da microeconomia do Planalto. O problema não é a sua substituição, embora o formato tenha sido deplorável. Não seria difícil apresentar argumentos respeitáveis que justificassem a mudança. O problema é que diversas das razões alegadas não fazem sentido, em particular a insistência de que a companhia deveria levar em conta a necessidade de "agregar valor" ao minério de ferro. Segundo a crítica governamental, o objetivo da empresa deveria ser tornar-se produtora siderúrgica significativa em escala global. Passaria a processar no Brasil parte de sua produção de minério de ferro.

Essas ideias equivocadas têm raízes históricas profundas. Foram responsáveis por atrasar por pelo menos três décadas a emergência do Brasil como exportador de minério de ferro. A mina de Itabira, que na era pré-Carajás era a principal fonte de minério da Vale, era controlada na década de 1910 por Percival Farquhar, financista norte-americano envolvido em diversos empreendimentos no Brasil, em particular a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Farquhar, que não era flor que se cheirasse, pretendia exportar minério de ferro. Mas Arthur Bernardes, presidente da província de Minas Gerais e depois presidente da República, era contrário à exportação de minério sem processamento. Disso resultou um impasse só rompido com a criação da Vale, em 1942. Ironicamente, e ao contrário do que sugere a vã filosofia, a Vale foi criada à raiz das preocupações estratégicas britânicas com a disponibilidade de fontes globais de minério de ferro com baixo teor de fósforo. A partir dessa decisão e da remoção dos obstáculos à exploração de Itabira os EUA se dispuseram a financiar a modernização da mina e da Estrada de Ferro Vitória a Minas. As críticas do Planalto à estratégia da Vale estão em perfeita sintonia com as ideias de Bernardes sobre agregação de valor. Noventa anos depois...

A política de "adensamento das cadeias produtivas" é também expressa de forma espetacular na política de compras das empresas estatais, com a Petrobrás em posição preeminente. O Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) estabelece porcentuais mínimos de conteúdo local. O lema do programa, segundo a imprensa, é "agora é assim - tudo que pode ser feito no Brasil tem de ser feito no Brasil". É difícil imaginar diretriz mais primitiva. É a ressurreição da velha ideia de "similar nacional" que governou por muitos anos a política de importações no País. Qualquer noção sobre custos parece ter sido novamente perdida. Aprendeu-se pouco desde as primitivas metas de conteúdo local do governo JK há mais de meio século. A proteção à produção nacional de bens e serviços poderia ser justificada em muitos casos, desde que houvesse um período de aprendizado claramente definido. O que no jargão da Organização Mundial do Comércio se chama cláusula de caducidade. Deveria haver gradativa exposição à competição internacional e minimização do risco de perpetuar atividades ineficientes.

Em vista dos enormes desafios a enfrentar no futuro, é necessário repensar e reformar profundamente a ação estatal relativa à política industrial. Para isso é essencial que se abandonem ideias toscas sobre adensamento das cadeias produtivas.

No caso da Vale não há razão para questionar a estratégia adotada pela empresa desde a sua privatização. É só olhar em volta e constatar que as suas grandes rivais - Rio Tinto, BHP - não se verticalizaram e também buscaram minimizar o risco empresarial via diversificação do mix da produção mineral.

No rescaldo fica o gosto amargo da impropriedade da forma de interferência do governo nos assuntos de uma empresa que não é estatal. E, no futuro, ganham corpo as dúvidas quanto à possível aplicação das ideias tortas sobre adensamento das cadeias produtivas na esteira do pré-sal.

MARIA INÊS DOLCI - Lei para parques de diversão


Lei para parques de diversão
MARIA INÊS DOLCI

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/04/11

AUTORREGULAMENTAÇÃO, selos de qualidade e certificados que comprovem a qualidade de produtos e de serviços são boas práticas.
Temos casos bem-sucedidos na indústria do café e da propaganda, de maneira geral. Em outras situações, funcionam na tentativa de inibir a fiscalização, sob a alegação de que referido segmento já se regulamentou.
No dia 16 de março, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e a Adibra (Associação das Empresas de Parques de Diversões no Brasil) lançaram normas para parques voltados para o entretenimento de crianças, jovens e adultos.
Uma iniciativa louvável, que pode poupar vidas e evitar ferimentos, pois os focos das normas são conteúdo, fabricação, operação, quesitos de segurança, restrições ergonômicas e médicas e documentos de inspeções pelas quais um parque deva passar para operar.
Ainda mais que as regras também valem para bufês infantis com brinquedos motorizados.
A ideia é que os consumidores escolham parques e bufês certificados, o que estimularia os demais a se adequar.
Por que, então, não transformar as normas voluntárias em lei? Isso daria ainda mais força ao trabalho desenvolvido pelas entidades e protegeria mais crianças e adolescentes, os principais clientes das diversões abrangidas pelas normas.
Segundo reportagem da Folha, 6 pessoas morreram e 45 ficaram feridas em acidentes ocorridos em parques de diversão nos últimos dois anos. Essas mortes deveriam ser contabilizadas com as dos demais acidentes de consumo, na maioria das vezes subnotificados.
Esses acidentes não podem ser negligenciados. Ocorrem quando um produto ou um serviço, ainda que utilizado corretamente, causa danos à saúde ou à segurança do consumidor. Falta, contudo, um cadastro nacional desses acidentes.
Ontem, houve mais um acidente, desta vez no Playcenter, em São Paulo, com oito feridos, que se divertiam no Double Shock, brinquedo com um giro de 360 a uma altura de 12 metros. Com esse acidente, são 53 feridos em parques de diversão em dois anos. Um típico e grave acidente de consumo.
Às vezes, as consequências são menos trágicas, como quando falha o freio de uma bicicleta, provocando escoriações leves em uma criança.
Os brinquedos que atraem crianças (acompanhadas dos pais) e jovens são justamente os mais perigosos.
O certificado para os que cumprirem as normas da ABNT não evitará, por exemplo, que pequenos parquinhos, comuns em cidades brasileiras de menor porte, voltados à população de mais baixa renda, enquadrem-se em padrões de segurança, ergonomia e restrições médicas.
Não é provável também que populações de comunidades distantes dos grandes centros saibam claramente que devam exigir os certificados desses parquinhos.
Com uma lei, contudo, a situação seria diferente. As autoridades municipais, por menor que fossem as cidades ou os vilarejos, só permitiriam a instalação desses locais de lazer se houvesse documentos comprovando o cumprimento da lei.
Em caso de acidentes, seria mais fácil punir eventuais responsáveis, após as investigações que os identificassem. Fica, então, a sugestão para as entidades que se uniram para prestar um serviço tão relevante ao estabelecer normas de segurança para diversões em brinquedos eletrônicos.
Já há iniciativa no Congresso Nacional para criar uma lei de acidentes de consumo. Ela poderia e deveria ter um capítulo exclusivo para parques e bufês.
Isso evitaria que, no futuro, pessoas só interessadas em se divertir fossem vítimas de equipamentos com defeitos.
E poderia até aumentar a clientela desses estabelecimentos, à medida que os pais e os responsáveis soubessem que haveria mais segurança para seus filhos.
Sem contar os adultos que também gostem de diversão com muita adrenalina.

BRAZIU: O PUTEIRO

MELCHIADES FILHO - Aperte os cintos


Aperte os cintos
MELCHIADES FILHO

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/04/11

BRASÍLIA - Ciosa da imagem de boa gestora, Dilma poderia explicar por que há duas semanas assinou a criação de um ministério para cuidar da aviação civil e até hoje não se importou em nomear o ministro.
Há um descompasso de velocidades em tudo o que diz respeito à reformulação do setor aéreo. A urgência no discurso do Planalto contrasta com a lentidão das ações.
Sabe-se desde janeiro, por exemplo, que a presidente decidiu transferir à iniciativa privada o direito de explorar os aeroportos -inequívoca guinada em relação à política de Lula. Mas nada de definir e divulgar os detalhes do novo modelo.
Assim como nada acontece na Anac. O órgão regulador, deslocado para o guarda-chuva do novo ministério, está acéfalo desde fevereiro. Sem interesse de permanecer, a presidente Solange Vieira saiu de férias e não voltou a Brasília.
Responsável pela administração dos aeroportos, a Infraero vive dias de impasse também. Não se falou mais no plano de abrir o capital da estatal. Nem no destino dos terminais de menor porte, deficitários.
Enquanto isso, os principais aeroportos continuam saturados. Resultado de anos de negligência nos serviços, da decadência da infraestrutura e do fato de que, pela primeira vez, mais brasileiros viajam de avião do que de ônibus -o número de passageiros de avião cresceu 115% de 2002 a 2010.
Ou o governo Dilma hesita em enfrentar essa situação porque sofre dos mesmos males dos anteriores: a dificuldade paquidérmica de se mexer e a incompetência para lidar com problemas complexos.
Ou hesita porque lhe falta sinceridade. Anuncia agora "forte intervenção" no setor apenas para justificar a criação de cargos (já são 130 novos), o aparelhamento do Estado e a possibilidade de fazer negócios com a iniciativa privada no futuro.
A primeira declaração do novo presidente da Infraero, Gustavo Vale, dá uma pista: "Se a Copa fosse hoje, não teria problema". Não?!

ANTONIO PENTEADO MENDONÇA - Menos ruim não é bom


Menos ruim não é bom
ANTONIO PENTEADO MENDONÇA
O ESTADO DE SÃO PAULO - 04/04/11
Cada vez que um governo muda as regras no meio do jogo, as empresas são obrigadas a se adaptarem e nem sempre esta adaptação se insere no contexto esperado

O Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) acaba de baixar a Resolução 232 de 25 de março de 2011, alterando a Resolução CNSP 168, de dezembro de 2007, e revogando a Resolução CNSP 224, de dezembro de 2010.

Todo este movimento afeta as regras para a operação de resseguro, cujo monopólio foi quebrado pela Lei Complementar 126/07, regulamentada pela Resolução CNSP 168, que tem particularidades que fazem do Brasil um mercado atípico para as resseguradoras interessadas em operar com os riscos nacionais.

Numa série de três artigos publicados após a entrada em vigor das Resoluções CNSP 224 e 225, mostrei de forma simplificada o que é, para que serve e como funciona o resseguro. E mais que isso, mostrei que as duas Resoluções, além de ilegais, o que já seria suficiente para afastar novas resseguradoras interessadas em operar no País, ainda por cima criavam um clima de forte insegurança jurídica, colocando o Brasil entre as nações vistas com reservas para investimentos pelas grandes empresas de todos os setores econômicos.

Conhecer as regras do jogo e saber que elas serão mantidas, ainda que longe de serem as mais adequadas, é fundamental para uma empresa desenvolver seu plano de ação para uma determinada região. Cada vez que um governo muda as regras no meio do jogo, as empresas são obrigadas a se adaptarem a elas e nem sempre esta adaptação, seja lá pela razão que for, se insere no contexto empresarial desenhado pela companhia.

Os conteúdos das Resoluções CNSP 224 e 225 poderiam ter sido baixados numa única Resolução, aliás, o que seria o lógico. Como as duas afrontam a lei, na medida em que modificam disposição de Lei Complementar, são peças antijurídicas, ou seja, são atos administrativos nulos ou anuláveis através da competente medida judicial.

Pelo desenrolar do drama, não me parece que o governo não soubesse disto. Pelo contrário, o fato de terem sido baixadas duas Resoluções dá a entender que ele estava pronto para negociar, porque a chiadeira seria forte. E esta certeza se consolidou quando outra Resolução, do começo do ano, prorrogou a entrada em vigor da Resolução CNSP 224.

Ocorre que tanto as seguradoras como as resseguradoras não fizeram o barulho que seria de se esperar. A entidade que desde o princípio se posicionou publicamente de forma contundente contra as mudanças embutidas nas Resoluções 224 e 225 foi a ABGR (Associação Brasileira de Gerência de Riscos), que congrega os grandes segurados e que percebeu rapidamente que na melhor das hipóteses o seguro brasileiro custaria mais caro e que, na pior, poderia acontecer de o País ficar sem determinados tipos de cobertura de seguros, duas situações extremamente negativas para empresas que pelo porte e pelas atividades não podem prescindir destes produtos, e tampouco pagar por eles mais caro que a concorrência.

Não quer dizer que os representantes dos outros setores envolvidos não se movimentaram, eles o fizeram, mas com o passar do tempo o governo se sentiu forte o suficiente para peitar os anseios do mercado e praticamente manter intacta a ideia original contida nas Resoluções 224 e 225. Assim, nasceu a Resolução 232, que somada a Resolução 225, preservada na íntegra, mantém a cessão de 40% dos resseguros gerados no País para resseguradoras locais, e libera 20% das cessões de resseguros para serem feitas dentro do mesmo grupo empresarial.

Alguém poderia dizer que a Argentina fez muito pior, ou que as restrições originais das Resoluções 224 e 225 eram mais severas. É verdade. Mas o que é menos ruim não é bom, é apenas menos ruim. O Brasil precisará de resseguros vultosos para garantir a realização das obras públicas previstas para os próximos anos. O cataclismo japonês vai diminuir a capacidade do mercado e encarecer as apólices no mundo inteiro. Num cenário como este não é hora de fazer graça. Se não acontecesse mais nada, o seguro brasileiro já custaria mais caro. Cutucar a onça com vara curta só vai fazê-lo mais caro ainda.

GOSTOSA

RICARDO NOBLAT - O "fascismo do bem"


O "fascismo do bem"
RICARDO NOBLAT
O GLOBO - 04/04/11

 Imaginem a seguinte cena: em campanha eleitoral, o deputado Jair Bolsonaro está no estúdio de uma emissora de televisão na cidade de Pelotas. Enquanto espera a vez de entrar no ar, ajeita a gravata de um amigo. Eles não sabem que estão sendo filmados. Bolsonaro diz: “Pelotas é um polo exportador, não é? Polo exportador de veados...” E ri.

A cena existiu, mas com outros personagens. O autor da piada boçal foi Lula, e o amigo da gravata torta, Fernando Marroni, ex-prefeito de Pelotas. Agora, imaginem a gritaria dos linchadores “do bem”, da patrulha dos “progressistas”, da turma dos que recortam a liberdade em nome de outro mundo possível... Mas era Lula!

Então muita gente o defendeu para negar munição à direita. Assim estamos: não importa o que se pensa, o que se diz e o que se faz,
mas quem pensa, quem diz e quem faz. Décadas de ditaduras e governos autoritários atrasaram o enraizamento de uma genuína cultura de liberdade e democracia entre nós.

Nosso apego à liberdade e à democracia e nosso entendimento sobre o que significam liberdade e democracia são duramente postos à prova quando nos deparamos com a intolerância. Nossa capacidade de tolerar os intolerantes é que dá a medida do nosso comprometimento para valer com a liberdade e a democracia.

Linchar Bolsonaro é fácil. Ele é um símbolo, uma síntese do mal e do feio. É um Judas para ser malhado. Difícil é, discordando radicalmente de cada palavra dele, defender seu direito de pensar e de dizer as maiores barbaridades.

A patrulha estridente do politicamente correto é opressiva, autoritária, antidemocrática. Em nome da liberdade, da igualdade e da tolerância, recorta a liberdade, afirma a desigualdade e incita à intolerância. Bolsonaro é contra cotas raciais, o projeto de lei da homofobia, a união civil de homossexuais e a adoção de crianças por casais gays.

Ora, sou a favor de tudo isso — e para defender meu direito de ser a favor é que ser contra. Porque se o direito de ser contra for negado a Bolsonaro hoje, o direito de ser a favor pode ser negado a mim amanhã, de acordo com a ideologia dos que estiverem no poder. 

Se minha reação a Bolsonaro for igual e contrária à dele, me torno igual a ele — eu , um intolerante “ do bem”; ele, um intolerante
“do mal”. Dois intolerantes, no fim das contas. Quanto mais intolerante for Bolsonaro, mais tolerante devo ser, porque penso o contrário
dele, mas também quero ser o contrário dele.

O mais curioso é que muitos dos líderes do “Cassa e cala Bolsonaro” se insurgiram contra a censura, a falta de liberdade e de democracia durante o regime militar. Nós que sentimos na pele a mão pesadada opressão não deveríamos ser os mais convictamente
libertários? Ou processar, cassar, calar em nome do “bem” pode?

Quando Lula apontou os “louros de olhos azuis” como responsáveis pela crise econômica mundial não estava manifestando um preconceito? Sempre que se associam malfeitorias a um grupo a partir de suas características físicas, de cor ou de origem, é claro que se está disseminando preconceito, racismo, xenofobia.

Bolsonaro deve ser criticado tanto quanto qualquer um que pense e diga o contrário dele. Se alguém ou algum grupo sentir-se ofendido, que o processe por injúria, calúnia, difamação. E que peça na justiça indenização por danos morais. Foi o que fizeram contra
mim o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas daí a querer cassar o mandato de
Bolsonaro vai uma grande distância. 

Se a questão for de falta de decoro, sugiro revermos nossa capacidade seletiva de tolerância. Falta de decoro maior é roubar, corromper ou dilapidar o patrimônio público. No entanto, somos um dos povos mais tolerantes com ladrões e corruptos. Preferimos exercitar nossa intolerância contra quem pensa e diz coisas execráveis.

E tudo em nome da liberdade e da democracia...

FERNANDO DE BARROS E SILVA - Fala tudo, Bolsonaro!


Fala tudo, Bolsonaro!
FERNANDO DE BARROS E SILVA

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/-4/11

SÃO PAULO - O deputado Jair Bolsonaro é um tipo fascistão. Truculento, homofóbico, lida mal com as diferenças e os valores democráticos. Os gays, em particular, parecem deixá-lo "maluca" de raiva.
Sabe-se que indivíduos muito hostis ou agressivos, que se sentem ameaçados pela existência de homossexuais, costumam ser enrustidos. O ódio projetado no outro é apenas um sintoma, uma defesa contra si mesmo. Mas quem seria eu para suspeitar que existe uma "Jairzona" enjaulada na alma do capitão? O ser humano é complexo.
A polêmica envolvendo esse personagem de almanaque tomou, no entanto, outro rumo. Discute-se se ele, com suas palavras, praticou o crime de racismo e os limites da liberdade de expressão no país.
Preta Gil lhe perguntou: qual seria sua reação se um de seus filhos namorasse uma negra? E ele: "Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Meus filhos foram muito bem educados. Não viveram em ambiente como lamentavelmente é o seu".
Digo logo: um país em que Bolsonaro não fosse eleito deputado tenderia a ser um lugar melhor. Mas pretender cassá-lo ou condená-lo por racismo em função dessa fala me parece um grande equívoco. Não só porque seria a melhor maneira de transformá-lo em vítima.
Mas, sobretudo, porque o que ele fez foi apenas manifestar a sua opinião. Grosseira, retrógrada, mas que representa uma parcela da sociedade. A liberdade de expressão nos garante a possibilidade de falar o que quisermos (nos limites da lei), mas também nos obriga a ouvir o que nos desagrada.
Bolsonaro incitou o racismo? E se ele fosse um negro e dissesse que não gostaria de ver sua filha casada com um branco? Seria racista?
Devemos ser bastante restritivos em relação a atos racistas. Mas seria bom que fôssemos também mais elásticos e liberais em relação às palavras. Temos deficit de cultura democrática. Deixem Bolsonaro falar. Ele é o seu maior inimigo.

GOSTOSA

RUY CASTRO - Royalty do perigo


Royalty do perigo
RUY CASTRO

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/04/11

RIO DE JANEIRO - Em "Interlúdio", filme de Hitchcock, de 1946, Cary Grant e Ingrid Bergman vivem agentes americanos infiltrados numa célula alemã no Rio, pouco antes do fim da Segunda Guerra. Numa sequência-chave, Cary e Ingrid penetram na adega do chefe nazista, interpretado por Claude Rains, e descobrem que algumas garrafas contêm, não vinho, mas um pó escuro -urânio, elemento com que a Alemanha pretendia fazer sua bomba atômica.
"Interlúdio" teve produção complicada. Seu roteiro, por Ben Hecht, foi escrito em fins de 1944, quando a bomba era segredo de Estado nos EUA e não se sabia que levava urânio. Hitch e Hecht também não sabiam. Só puseram o urânio na história para justificar que ela se passasse no Brasil. Mas, numa consulta a um Nobel de Física, Robert Millikan, este deixou escapar que o urânio era um componente da bomba e, sim, cabia numa garrafa.
Segundo Hitchcock, assim que o roteiro de "Interlúdio" foi submetido à censura do Código de Produção, o FBI rondou-o por algum tempo. Mas, sete ou oito meses depois, em agosto de 1945, houve Hiroshima, com o que a bomba e o urânio deixaram de ser segredo. E "Interlúdio", lançado dali a pouco, saiu, sem querer, atualíssimo.
O urânio volta agora a assustar. Por causa do desastre no Japão, descobriu-se que é perigoso ser vizinho de usinas nucleares, e que os Estados e municípios na sua área devem receber um percentual da fortuna que elas geram -para compensar pelo impacto ambiental provocado por despejo do lixo atômico e para prevenir que, em caso de acidente, os moradores tenham para onde correr.
É o "royalty do urânio", como está sendo chamado. Quem o reivindica são o Estado do Rio e os municípios de Angra, Paraty, Mangaratiba e Rio Claro -deslumbrantes paraísos naturais em que, nos anos 70, os trêfegos militares brasileiros resolveram plantar o perigo.

CLÁUDIO HUMBERTO - Lula distribui R$ 61 bi para 27 países em 2 anos



Lula distribui R$ 61 bi para 27 países em 2 anos 
Somente nos dois últimos anos de seu governo, o ex-presidente Lula distribuiu mais de R$ 61 bilhões do contribuinte brasileiro para 27 países, a maioria na America Latina, sendo oito na África, para além de algumas das mais tenebrosas ditaduras, como Líbia, Síria e Irã. Parte expressiva dos recursos saiu do Brasil por meio de financiamento do BNDES para obras tocadas por empreiteiras favoritas do governo.

Perplexidade 
A lista dos 27 países que Lula deu dinheiro causou perplexidade nos senadores, até os governistas, da Comissão de Assuntos Econômicos.

Mão grande 
A indignação dos senadores também decorre do fato de que os R$ 61 bilhões terem deixado os cofres públicos sem autorização do Senado.

"Desembolsos" 
Oficialmente, o BNDES admite ""desembolsos"" de US$ 1,2 bilhão na América Latina e de US$ 906 milhões na África. Ou R$ 3,38 bilhões.

Primeiro eles 
Os R$ 61 bilhões destinados por Lula aos 27 países em dois anos é um valor superior à soma das transferências para os Estados, no período.

Trem-tosse 
O trem-bala foi inviabilizado pelos políticos, sobretudo fluminenses: com aval do governador Sergio Cabral, impuseram tantas paradas, no percurso, que impossibilitam o desenvolvimento da alta velocidade.

Tá feia a coisa 
Henrique Meirelles deve estar arrancando seus ralos cabelos: Olimpíadas sem energia de Jirau e Belo Monte, atrasadas; trem-bala agonizando; e aeroportos da Infraero com ""puxadinhos"" vexatórios.

Alimentando brasas 
A Infraero não liga para aeroportos, mas torrou R$ 236,5 mil com uma revistinha que virou lixo por criticar o governo que a financiou. Ganhou mesmo, e muito, o pseudo-intelectual que a produziu, amigo da chefa de comunicação da estatal. Os 300 mil exemplares serão incinerados.

Ciúmes petistas 
Petistas reclamam que o líder do governo no Senado, Romero Jucá, tem mais prestígio que o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza. Acham que a presidente Dilma dá mais confiança a Jucá.

Senado quer a vaga... 
Marcelo Neves foi indicado pelo Senado para o Conselho Nacional de Justiça, em 2009, mas sem recondução. Oito partidos agora querem que ele cumpra o acordo porque têm outro nome para a vaga.

...para outro, no CNJ 
Os maiores partidos do Senado querem no CNJ o advogado Bruno Dantas, do Conselho Nacional do Ministério Público e da comissão, presidida por Luís Fux que fez o novo Código de Processo Civil.

Brasília na frente 
O ministro Orlando Silva (Esporte) é entusiasta do jogo de abertura da Copa de 2014 em São Paulo, seu domicílio eleitoral, cujo projeto nem sequer foi concluído. Brasília está à frente na corrida: seu estádio ficará pronto até dezembro de 2012, a 6 meses da Copa das Confederações.

Enquadramento 
A bancada do PSDB no Senado quer enquadrar a tucana Lúcia Vânia (GO) na presidência da Comissão de Infraestrutura. Acusam-na de ser condescendente com o governo e dura demais com a oposição.

Pensando bem... 
...o ex-presidente Lula só fica de quarentena na segunda de manhã.

PODER SEM PUDOR 
Amigo debaixo da cama
Uma repórter telefonou para o advogado mineiro Maurício Chagas Bicalho, diretor do Banco do Brasil no governo de JK, para colher sua opinião sobre o livro de João Pinheiro Neto relatando os muitos amores do ex-presidente. Fazendo jus à discrição mineira, Bicalho se esquivou. A jornalista insistiu:
- Mas o senhor, que era íntimo de JK, deve ter alguma coisa a dizer...
- Íntimo, não - corrigiu Bicalho - Era amigo. Íntimo deve ter sido o Pinheiro, para ficar debaixo da cama e saber tudo o que conta no livro...

BRAZIU: O PUTEIRO

SEGUNDA NOS JORNAIS

Globo: Licença para obra de Angra 3 reduz exigências ambientais
Folha: Salários do Rio ultrapassam os de SP
Estadão: PIB mostra aceleração no primeiro trimestre
Correio: Agredidos dentro de casa
Valor: Inflação já 'engordou' em R$ 7 bi o caixa do governo
Jornal do Commercio: Festa tricolor na Ilha
Zero Hora: Descoberta reanima a investigação sobre desastre da Air France

domingo, abril 03, 2011