segunda-feira, fevereiro 28, 2011

HÉLIO ZYLBERSTAJ

  Dois mundos nas relações de trabalho
HÉLIO ZYLBERSTAJ

O Estado de S.Paulo 28/02/11
Dois fatos recentes, aparentemente desconectados, revelam a enorme distância que separa o Estado brasileiro da realidade concreta das relações de trabalho no País. Um deles é a Portaria 1.510/09 do Ministério do Trabalho e Emprego que pretende regulamentar o uso do ponto eletrônico. O outro é o recente acordo firmado entre os sindicatos dos bancários e a Febraban, que criou um procedimento interno de reclamação para os bancários. Os próximos parágrafos apresentam os detalhes dos dois fatos, para que o leitor avalie a distância entre os dois mundos.


O Ministério do Trabalho e Emprego justificou a Portaria 1.510/09 alegando que muitas empresas fraudariam os sistemas de ponto eletrônico, eliminando os registros das horas extras e prejudicando seus empregados. Para corrigir a situação, instituiu um modelo único de ponto eletrônico, supostamente imune a fraudes. Centenas de milhares de equipamentos teriam de ser substituídos por novas máquinas, gerando custos apreciáveis para as empresas. Todas terão de trocar, não importando se não são fraudadoras. A portaria cria exigências curiosas como, por exemplo, a obrigatoriedade de emissão de comprovantes. As novas máquinas teriam de emitir papeletas e cada trabalhador receberia pelo menos quatro delas por dia (na entrada, na saída para o almoço, na volta do almoço e na saída ao fim do dia). Os trabalhadores poderiam se defender das fraudes das empresas, mas teriam de guardar mais ou menos mil comprovantes por ano! Esse é um detalhe. Há muitos outros, que o reduzido espaço não permite abordar.

O mais importante é que a portaria demonstra mais uma vez a visão paternalista das nossas autoridades. No seu mundo, o trabalhador é um ser incapaz e indefeso, e só o Estado pode protegê-lo da sanha dos patrões. Essa visão, que prevalece desde os anos 30, produziu a CLT, a Justiça do Trabalho e muitas outras instituições que até hoje tutelam detalhadamente todos os aspectos da relação empresa/empregado - e a sufocam.

Agora, o outro mundo. A Febraban e os sindicatos de bancários de todo o País acabam de firmar um acordo histórico que cria um procedimento interno de reclamação. O acordo é uma inovação importante para a gestão do conflito trabalhista. No Brasil, em geral, há pouco diálogo dentro das empresas e, se o empregado manifestar algum descontentamento, muito provavelmente, será demitido. Não se aceitam manifestações individuais de descontentamento no dia a dia das relações de trabalho. Essa é uma das razões para a enorme quantidade de reclamações na Justiça do Trabalho (cerca de 1,5 milhão por ano). A falta de diálogo impede que os empregados vocalizem suas queixas e os impele a sair. Uma vez fora, reclamam nos tribunais. Certamente, se fossem ouvidos, ficariam mais tempo no emprego e não teriam tanto a reclamar na Justiça do Trabalho.

O acordo Febraban/bancários rompe com essa tradição. Agora o bancário que tiver alguma reclamação pode apresentar sua queixa e o banco terá um prazo de 60 dias para examiná-la e apresentar a resposta. O mais importante é a garantia de não retaliação: ninguém será punido nem demitido por reclamar de algum problema que esteja lhe incomodando no trabalho.

Haverá muitos benefícios para os dois lados. O acordo contribuirá para melhorar o clima de trabalho, porque os empregados poderão se manifestar e serão ouvidos pelas chefias. As empresas identificarão os aspectos mais críticos das relações de trabalho, que agora serão revelados pelas queixas de seus empregados, e poderão adotar medidas de correção. A rotatividade da mão de obra diminuirá, pois com diálogo haverá menos razões para sair. Isso tudo certamente redundará em crescimento da produtividade. Mas o mais importante é o crescimento da transparência e da confiança mútua entre a empresa e seus empregados e o aprimoramento da relação entre todos os envolvidos.

O leitor pode agora comparar os dois mundos. De um lado, normas inventadas em Brasília para empregados supostamente desprotegidos e incapazes. Nesse, os burocratas do Estado consideram-se os únicos capazes de proteger os trabalhadores. Talvez tenham a melhor das intenções, mas, por estarem distantes da realidade, produzem normas descoladas das necessidades concretas das empresas e dos trabalhadores e inibem o amadurecimento das relações de trabalho no País.

Já no mundo das relações de trabalho concretas, há trabalhadores representados por sindicatos, tratando de igual para igual com suas empresas e avançando na autorregulação de suas relações. Para esse mundo, não faz nenhum sentido, por exemplo, impor desde Brasília um sistema de registro de ponto.

O paternalismo e o intervencionismo talvez tenham sido necessários no Estado Novo, quando os trabalhadores brasileiros não estavam organizados. Talvez ainda sejam necessários em alguns segmentos ainda pouco avançados. Mas, hoje, há também um outro Brasil, com empresas e trabalhadores perfeitamente capazes de cuidar de seus problemas sem o controle estatal. Nossas autoridades teriam de levar em conta esse mundo e, em vez de enfatizar a regulamentação do atraso, deveriam ajudar a construir o futuro.


PROFESSOR DA FEA/USP E PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE RELAÇÕES
DE EMPREGO E TRABALHO (IBRET)

GOSTOSA

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Partido da Educação
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/02/11

A temporada de criação de partidos poderá trazer novidades além da legenda-dormitório do prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP). Políticos como os deputados Antonio Reguffe (PDT-DF), Gabriel Chalita (PSB-SP) e Luiza Erundina (PSB-SP) estudam se aglutinar numa nova sigla de nomenclatura e ideário associados à pauta da educação. Campeão de votos pelo Distrito Federal, Reguffe ganhou visibilidade ao declinar das benesses do mandato na Câmara. Assim como Erundina, o ex-tucano Chalita pretende deixar o PSB por uma porta tão logo Kassab, depois de fazer pitstop em seu novo partido, entre pela outra.

Vai nessa 

Principal conselheiro de Chalita no petismo, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, teria manifestado simpatia pela ideia do novo partido.

Na retaguarda 

O PMDB acompanha atento a possibilidade de o DEM ingressar na Justiça para tentar melar a legenda-dormitório de Kassab. Tudo o que os peemedebistas querem evitar é o fortalecimento do PSB.

Sacrifício
Do líder peemedebista Henrique Eduardo Alves (RN), sobre Kassab: "Respeito a posição do PMDB em São Paulo. Mas do ponto de vista nacional, é muito importante a vinda do prefeito para o partido. A tal ponto que eu estou disposto a dar o meu espaço na executiva nacional para ele".

Mais uma 

Depois dos reveses sofridos pela ala peemedebista da Câmara no setor elétrico, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) e o senador José Sarney (AP) não conseguiram emplacar José Antônio Muniz na presidência da Eletronorte. Hoje, Muniz deve ser oficializado na diretoria de Transmissão da Eletrobras, estatal que até então ele presidia.

Cordão sanitário 
Não bastasse o "gelo" a que foi submetido o deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA), excluído da reunião que Dilma terá nesta semana com líderes aliados, o Planalto buscará isolar o deputado Paulo Pereira da Silva tanto no PDT como na Força Sindical. Paulinho foi o principal detrator do salário mínimo de R$ 545.

Cinzas 

Além das centrais sindicais, Dilma deve receber em breve entidades como a Contag e o MST.

Vigilantes 
Um tema é recorrente nas conversas de Dilma Rousseff com os mais diversos interlocutores: dieta. A presidente já conseguiu perder alguns dos quilos acumulados na campanha eleitoral, e está determinada a obter resultados ainda mais visíveis nessa área.

Crachá 
Autor do Mapa da Violência recém-divulgado pelo Ministério da Justiça, o instituto Sangari é investigado no escândalo do mensalão do DEM-DF.

O que fazer 
Deputados estaduais levarão ao Congresso uma emenda constitucional, até agora subscrita por 13 Estados, que lhes garante a prerrogativa de legislar sobre temas como trânsito, transporte, direito agrário, licitações e contratações.

Raízes 
Em movimento de reaproximação com o ABC, Miriam Belchior (Planejamento) abrirá amanhã as atividades da Semana da Mulher em São Bernardo do Campo. Com domicílio eleitoral na vizinha Santo André, a ministra é cotada para disputar a prefeitura em 2012.

Na avenida
 
A Secretaria de Justiça de SP preparou uma campanha para combater o tráfico de mulheres durante o Carnaval. A mobilização abrange distribuição de material na passarela do samba do Anhembi.

com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio


"Os tucanos têm memória mais curta que os reajustes salariais aplicados em seus governos. Eles, sim, fazem generosidade com o chapéu alheio e não pagam o piso regional aos servidores públicos."
DO LÍDER DO PT NA ASSEMBLEIA PAULISTA, ANTONIO MENTOR, sobre as críticas dos deputados do PSDB às emendas petistas que elevam o mínimo para R$ 660 no Estado.

contraponto


Em sessão da Câmara paulistana, Aurélio Miguel (PR), da bancada de oposição a Gilberto Kassab (DEM), criticava a atuação da Polícia Militar na resposta à manifestação, engrossada por vereadores petistas, contra o aumento da tarifa de ônibus, realizada dias atrás em frente à sede da prefeitura. Da tribuna, o ex-campeão olímpico de judô ameaçou:
-Da próxima vez, eu irei ao protesto. Aí quero ver quem é que vai bater em quem.

LOST

ANDRÉ MACHADO

Vale-tudo na internet
ANDRÉ MACHADO
O GLOBO - 28/02/11
A briga pela rede é protagonizada por Google, Apple, Facebook, Microsoft e Nokia


Cinco gigantes da tecnologia travam hoje um embate por nossas almas. De um lado, Google e Facebook, destinos certos de quem leva uma vida on-line. Do outro, Apple e o novo duo Nokia/Microsoft, em busca da dominação nas tecnologias móveis. Mas mesmo essa definição de lados é relativa, já que todos os cinco adversários estão se metendo nas searas uns dos outros, tentando abocanhar um mercado que mistura hardware, software, redes sem fio, aplicativos, informação, comunicação e entretenimento. É uma era de feroz convergência, e talvez por isso mesmo haja divergências não menos ferozes. Como define bem o pesquisador Luiz Felipe de Moraes, professor de Sistemas e Computação da Coppe/UFRJ:

- A Google invadiu a área da Microsoft. O Google Docs já lê até o formato .docx, que algumas versões do próprio visualizador do Word não abrem... A Apple tirou a primazia dos smartphones da Nokia com o iPhone e incrementou a mobilidade dos aplicativos com o iPad - comenta. - E, enquanto o Google lançava o Android, sistema móvel aberto, embolando tudo, o Facebook provocou a gigante das buscas concorrendo com o Orkut. E o advento do Facebook se mistura com o do Twitter, pois a chave de ambos é a comunicação rápida, o que seduz a conectada geração Y.

As últimas do tecnorringue são a remoção pela Google da sincronização de contatos do Facebook no Android. A gigante acusa Mark Zuckerberg, diretor-executivo da rede social, de fazer um casamento de mentirinha dos contatos do Facebook com os do telefone. Zuckerberg, por sua vez, vai tirar os anúncios on-line do Google do Facebook, alegando que eles desrespeitam as regras da rede. E o duelo se estende ao Brasil, com a saída de Alexandre Hohagen da direção do Google para o Facebook. A rede social, aliás, ultrapassou o Google em número de acessos em 2010 - 8,9% contra 7,2%. E o próprio Google vive uma pequena tensão interna, já que em abril sai da presidência-executiva mundial a raposa Eric Schmidt para a entrada de Larry Page, um dos fundadores, tido pelo mercado como mais interessado em tecnologia do que administração.

A Apple, embora tenha se reinventado ao revolucionar o mundo da computação, das tecnologias móveis e dos aplicativos com iPod, iPhone e iPad, vive uma crise bem mais dramática. Steve Jobs, presidente-executivo e grande guru da empresa, saiu em licença médica (suspeita-se que seu câncer de outrora tenha voltado, já que ele foi flagrado entrando numa clínica especializada este mês), e os executivos não chegam a um acordo sobre a sua sucessão. Eles devem se lembrar de que a empresa comeu o pão que o diabo amassou nos anos 90, quando Jobs esteve ausente e Gil Amelio a presidia.

O bonde perdido por Microsoft e Nokia

Mesmo com a crise interna, o sucesso que a Apple obteve com o iPad e o iPhone levou a Nokia a se unir à Microsoft no começo do ano, num acordo muito criticado por especialistas. Aliás, não só por eles, mas pelos empregados da finlandesa que trabalhavam com o sistema Symbian.

- A Nokia foi vanguarda durante bom tempo, com aparelhos robustos e baratos - diz o Paulo César Diniz, professor de Engenharia Elétrica da Coppe/UFRJ, que já colaborou com o Instituto Nokia. - Eles não perceberam que poderiam sofrer concorrência de outros players do mercado além dos fabricantes de celulares. E se atrasaram na questão dos aplicativos, primeiro em relação à RIM (Blackberry) e depois em relação à Apple. Finalmente, a Google apareceu com o Android e atropelou o mercado.

Para Diniz, o acordo Nokia/Microsoft é fruto de um certo desespero, pois ambos estão com dificuldade de competir e resolveram tomar o atalho de seu duplo conhecimento adquirido para ver se conseguem inovar.

- A Microsoft ficou meio perdida após o iPad, porque ela nunca se interessou em desenvolver hardware, só o sistema operacional e programas - opina Diniz. - Daí o acordo, em busca de novas estratégias.

Segundo o professor Renato Cerqueira, do CTC/Departamento de Informática da PUC-Rio, a Apple demonstrou maestria ao reinventar a ideia do tablet. Sim, porque ela já existia antes, mas não dava certo.

- Durante anos a Microsoft mostrou seu conceito de tablet, que não pegou - diz Cerqueira. - Mas o problema com o Windows Mobile (antecessor do Windows Phone) é que ele sempre teve o DNA do Windows do PC por baixo, enquanto a Apple reorganizou a interface do seu sistema para fazer o iPhone e o iPad. Eles são muito bem adaptados para o usuário móvel conectado. E outro segredo é seu sistema fechado, com seus aplicativos rodando só em seus gadgets.

Já a Google dominou o mundo de TI ao longo da década passada, bolando novos serviços e levando os programas outrora locais em nossas máquinas de casa para a internet. Hoje é possível fazer tudo na rede, como bem apontou Luiz Felipe de Moraes com o exemplo do Google Docs. E, depois do Android, que já é o sistema móvel mais popular (levando-se em conta que o iOS só roda no iPhone), a gigante das buscas cutucou a Microsoft ao anunciar um filtro para abrir e editar em esquema colaborativo na rede qualquer documento Word, Excel ou Powerpoint, marcos da Microsoft. O recurso foi batizado como Google Cloud Connect para Microsoft Office.

- Enquanto a Apple representa a inovação, a Google se foca nas aplicações - reflete Moraes. - E a Nokia se aliou à Microsoft porque foi o que sobrou para ela.

Mas a Google tem um calcanhar de Aquiles. Ela lançou o Android e tem muitos aplicativos populares on-line: Blogger, YouTube, Picasa, Docs, Gmail... entretanto, não conseguiu criar uma rede social de sucesso. O Orkut deu certo no Brasil, mas o Facebook é a maior rede social do mundo, com 600 milhões de usuários. E incomoda.

- O segredo do Facebook é que a geração Y se comunica de uma forma totalmente diferente, interage de forma nova, e ele se integra a isso perfeitamente - diz Renato Cerqueira. - Vejo pelos meus alunos. O modo de se relacionar, de se estudar, muda.

Para Karin Breitman, professora de Engenharia da Computação do CTC/Departamento de Informática da PUC-Rio, que acabou de chegar de dois meses como pesquisadora convidada da Microsoft Research, nos EUA, a dona do Windows está muito longe de ter perdido sua pegada em tecnologia.

- O Windows Phone 7 é muito bem feito, com uma interface redonda, reformulada e que não entope o usuário de aplicativos como o iPhone já está entupindo - diz Karin, que tem e usa um Blackberry, um iPhone, um smartphone Samsung com Android e outro Samsung com Windows Phone. - A era dos computadores acabou, agora a vez é dos celulares inteligentes.

Para os experts, não é possível dizer quem vai ganhar essa briga de titãs. A única certeza é que nada será como antes em nossas vidas digitais.

- A universidade Georgia Tech, nos EUA, tem uma casa-laboratório em que se testa como a computação ubíqua afeta o dia a dia de uma família - diz Cerqueira. - Esse impacto é estudado por engenheiros, psicólogos, antropólogos. E essa multidisciplinaridade é necessária, porque, embora estejamos cercados de facilidades ao alcance da mão, nunca parece haver tempo suficiente para nada, e as pessoas vivem uma correria infindável.

CRISTIANE JUNGBLUT E MARTHA BECK


Uma tesoura e duas medidas

CRISTIANE JUNGBLUT  E MARTHA BECK
O GLOBO - 28/02/11
Governo promete detalhar hoje corte de R$50 bilhões, mas guarda verbas para benesses
Ocorte recorde de R$50 bilhões no Orçamento da União de 2011 atingirá em cheio os ministérios que concentram investimentos, como Transportes e Cidades, mas não impedirá que o governo amplie gastos que dão popularidade: os sociais. A previsão é que amanhã - um dia depois de a área econômica apresentar o detalhamento da redução das despesas de cada pasta - seja anunciado um reajuste do programa Bolsa Família. A intenção do Palácio do Planalto é que o aumento seja divulgado durante a viagem da presidente Dilma Rousseff à Bahia.
O governo tem na manga outras benesses, como favorecer aliados que apoiaram a aprovação do mínimo de R$545 com cargos e enviar ao Congresso projetos que montem uma agenda positiva junto à sociedade.
Os chamados "ministérios campeões de emendas parlamentares" serão os mais atingidos pelos cortes. Lideram a lista os ministérios do Turismo, do Esporte, da Cultura e das Cidades - este o que concentra obras de saneamento e habitação. A redução virá da suspensão de R$18 bilhões de emendas parlamentares e de gastos de custeio.
No caso do Bolsa Família, o Congresso aprovou em dezembro, dentro do Orçamento da União, reserva de R$1 bilhão para o caso de o governo desejar aumentar o programa. Para 2011, a verba disponível para o benefício está fixada em R$13,4 bilhões. O governo já fez várias simulações sobre o novo valor a ser pago. Os cenários incluíam diferentes índices de inflação, o que poderia fazer a despesa variar de R$700 milhões a R$1 bilhão.
O detalhamento dos cortes será anunciado hoje pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior. A intenção é demonstrar ao mercado que o ajuste é para valer e tem como objetivo ajudar no controle da inflação. Será divulgado às vésperas da reunião do Comitê de Política Econômica (Copom), que decidirá a nova taxa de juros.
Dentro dos R$50 bilhões, o governo já havia cortado de forma definitiva R$1,87 bilhão por meio de vetos feitos ao Orçamento quando a lei foi sancionada pela presidente. Os vetos já indicavam que nenhuma área seria poupada. O Ministério dos Transportes, por exemplo, já perdeu R$333,2 milhões.
Redução no ritmo dos investimentos
Integrantes da área econômica admitem redução no ritmo dos investimentos. A ideia em análise é postergar novos gastos. Despesas com obras que não começaram, por exemplo, deverão ser deixadas para depois.
O movimento de retardar novos gastos já começou, com o governo concentrando as despesas de janeiro e fevereiro nos chamados "restos a pagar" (pagamentos que ficaram de um ano para outro). Só em investimentos, foram pagos R$4 bilhões relativos a compromissos do governo anterior.
Dos R$40,06 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) previstos para 2011, R$590 mil tinham sido pagos até o último dia 22. Por enquanto, o governo vai se concentrar em pagamentos antigos, de obras em andamento. Na prática, o PAC já foi "cortado" no Congresso e não foi anunciada a recomposição do valor original. A verba ficou em R$40,06 bilhões, contra os R$43,5 bi originais.
A área social também será afetada pela tesoura da equipe econômica. O Ministério da Educação deverá ter corte de R$1 bilhão. O do Turismo, corte de 80%. A ordem foi cortar todas as emendas da área, que somaram R$2,8 bilhões, além de 30% da verba original prevista pelo governo, cerca de R$260 milhões. Ciência e Tecnologia terá redução de gastos de R$1,7 bilhão.
Representante do governo na Comissão Mista de Orçamento, o deputado Gilmar Machado (PT-MG) acredita que o corte é necessário e ressalta que obras atrasadas serão adiadas:
- Agora há aperto fiscal. Mas, mantido o ritmo de arrecadação de janeiro e primeira metade deste mês (melhor que a esperada), pode haver abrandamento no segundo semestre.

GOSTOSA

FERNANDO F. COSTA

 Nova forma de ingresso e educação na universidade
FERNANDO F. COSTA

O Estado de S.Paulo
Baseado no mérito e no esforço pessoal, o vestibular tem e teve um papel importante na seleção dos alunos nas universidades públicas. Atualmente, porém, não há dúvida de que esse modelo padece de problemas sérios. Grande número de estudantes, principalmente aqueles oriundos das escolas públicas, potencialmente aptos para o curso superior em boas universidades, são excluídos de uma competição equitativa, ou nem mesmo se candidatam, porque os mecanismos de preparação para esses exames competitivos são claramente determinados pelas condições socioeconômicas.


Neste ano, paralelamente ao vestibular tradicional, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) dá início a uma nova forma de selecionar alunos que hoje são excluídos ou têm chance reduzida no sistema tradicional de seleção, sem abdicar do mérito acadêmico: o Programa de Formação Interdisciplinar Superior (ProFIS), que, sem prejuízo da forma tradicional de seleção de alunos da Unicamp - que é o vestibular -, cria 120 novas vagas, destinadas exclusivamente aos alunos que mais se destacaram na sua formação escolar nas escolas públicas de Campinas.

Nessa primeira experiência, o critério utilizado foi a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No futuro, outras formas de avaliar a formação continuada do estudante poderão ser adotadas. Por exemplo, a nota obtida ao longo dos três anos do ensino médio, que vários dados apontam como talvez o melhor fator preditivo do desempenho do estudante na universidade.

É importante ressaltar que somente o primeiro ou os dois primeiros alunos de cada escola são classificados, assegurando que todas as escolas públicas de Campinas sejam representadas. Trata-se de um programa-piloto e, conforme os resultados que apresentar, o número de vagas do ProFIS poderá ser ampliado nos próximos anos. Dados recentes indicam que mais da metade das escolas públicas de ensino médio da cidade não tem nenhum de seus alunos entre os matriculados na Unicamp.

Além de testar uma nova forma de ingresso na universidade pública de qualidade, o ProFIS visa a oferecer aos estudantes uma visão geral do conhecimento universitário, antes de eles se decidirem por uma carreira específica. Assim, o programa prevê que, durante dois anos, os estudantes cursarão disciplinas de caráter amplo, em todas as áreas do conhecimento: cursos especialmente organizados para que, além da formação cultural e científica, se preparem para escolher a sua área específica de formação acadêmica e profissional. Após esses dois anos iniciais, eles escolherão um dos cursos já existentes na Unicamp, e o preenchimento das vagas será realizado com base no seu desempenho nas disciplinas obrigatórias que compõem o programa.

Não se trata, portanto, de uma mera proposta de aumento de vagas, tampouco de uma forma de reduzir a competitividade, mas sim de criar um novo modelo de seleção para alunos de graduação e de experimentar uma nova resposta a um dos principais desafios apresentados à universidade contemporânea: formar jovens dotados de cultura ampla e espírito científico, capazes de realizar julgamentos críticos e independentes e preparados para o exercício da cidadania e para o mundo do trabalho.

A formação geral na universidade é um tópico cada vez mais reconhecido em todo o mundo e também no Brasil como extremamente importante em nosso tempo, em que as principais riquezas dos países são a extensão do conhecimento e a capacidade de inovação tecnológica. Oferecer formação geral no nível universitário não é uma necessidade decorrente apenas das alterações no perfil das escolas de ensino médio, mas também do fato de que o conteúdo crescente das diversas áreas do conhecimento não pode ser acomodado dentro de um programa tradicional de graduação profissionalizante de quatro ou cinco anos.

Da forma como se estrutura o ensino superior hoje em nosso país, a escolha definitiva do curso é feita, muitas vezes, sem uma visão mais ampla dos vários campos do conhecimento e até mesmo daquele selecionado. O resultado é que os formandos das universidades terminam por se verem imersos no competitivo mercado de trabalho com 21 ou 22 anos, sem possibilidade de ampliar seus conhecimentos para além de disciplinas técnicas de seu curso.

Não surpreende, portanto, que muitos utilizem os conhecimentos adquiridos na universidade para exercer uma profissão outra, diferente da sua área de formação técnica: vários dados disponíveis mostram que aproximadamente metade dos profissionais regulamentados não atua em sua área de formação. Ou seja, a exigência de uma precoce definição profissional produz um efeito curioso: a universidade termina por ser, sob esse ponto de vista, uma maneira pouco eficiente de oferecer formação não especializada para mais de metade dos egressos.

É certo que a resolução dos problemas do ensino superior no País depende da implantação de eficientes políticas públicas, que devem incluir, além do incremento na qualidade do ensino médio, a expansão e a diversificação do ensino superior público. Também é certo, no entanto, que cabe à universidade apresentar soluções conceituais para o enfrentamento das graves questões da educação pública no Brasil.

Esse é o escopo do ProFIS. Por meio dele, a Unicamp, sem abrir mão do critério de mérito acadêmico, acaba de criar um curso inovador, que explora novos métodos de acesso à universidade e busca proporcionar a formação geral e qualificada indispensável para a atuação de profissionais capazes de raciocínio independente e crítico, dotados de responsabilidade técnica, ética e social e com conhecimentos adequados para contribuir para o progresso da sociedade brasileira neste século.

REITOR DA UNICAMP

CLÁUDIO HUMBERTO


Dilma enquadra ministro do Esporte
Após a última bronca que tomou no Planalto, advertido por Antonio Palocci (Casa Civil) que deveria cessar a hostilidade contra Henrique Meirelles, o ministro Orlando Silva (Esporte) desistiu da Autoridade Pública Olímpica. Caiu a ficha: é melhor tentar preservar o cargo de ministro, com seus encantos e mordomias, do que continuar irritando a presidente Dilma. Ela ainda o considera "atravessado na garganta".

Neutralizados

O PCdoB, de Orlando Silva, ajuda o ministro a tentar ficar no emprego: jurou que não se rebelará contra a MP da Autoridade Pública Olímpica.

Boquinha

O ex-senador José Nery virou assistente parlamentar da senadora Marinor Brito (PA), que é do seu partido, o PSOL.

Mamata

O ex-senador Cesar Borges (DEM-BA) ganhou aposentadoria de R$ 11.452,77 depois de apenas oito anos de mandato.

Vai entender...

A RioFilme, da prefeitura do Rio, investiu R$ 1 milhão na produção do filme "Bruna Surfistinha", que se passa em São Paulo...

Briga de egos

Começou a briga na cúpula dos Correios. Do jeito que falam mal uns dos outros, já deu para perceber um choque de egos entre o presidente da estatal, Wagner Pinheiro, que é ligado aos ex-ministros Luiz Gushiken (Secom) e Ricardo Berzoini (Previdência), e o vice-presidente e diretor de Administração, Nelson Luiz Azevedo de Freitas, homem de confiança do ministro Paulo Bernardo (Comunicações).

Teste no morro

O grande teste de Obama no Rio será a "ginga". O ex-presidente Bill Clinton "sambou" em visita à Mangueira, mas Obama é contido.

Contra o povo

Policiais militares de Pernambuco ameaçam uma greve malandra na semana do Carnaval. Os bandidos devem estar comemorando.

Sem pressão

Brasília está mais perto de sediar a abertura da Copa: seu estádio fica pronto em dezembro de 2012; o do Corinthians nem começou.

Nó em pingo

Dilma executou lances de enxadrismo político com Sergio Cabral e Eduardo Paes, na Autoridade Pública Olímpica. Ao final, deu-lhes xeque-mate: Henrique Meirelles no comando e no conselho, ou nada.

Vale em risco

O governo abriu o processo de caducidade da Mina Carajás, a maior mina de ferro do mundo, em Parauapebas (PA). Com isso, a Vale corre o risco de perder o direito de exploração.

Inferno astral

A Vale não vive um bom momento. Alem de responder a denúncia-crime do Ministério Público em Carajás (PA), foi inscrita há meses no Cadastro de Inadimplentes (Cadin).

Despedida

Hora de abrir paraquedas: Solange Vieira vai se despedir da Agência Nacional de Aviação Civil com um pente-fino nas empresas de transporte aéreo de cargas, sobretudo as que receberam concessões nos últimos anos. A Anac vai revirar aviões, hangares, tripulações etc.

Fecha-portas?

O ex-secretário nacional antidrogas Pedro Abramovay, aquele que queria pegar leve com "pequenos traficantes, é o novo homem forte de Joaquim Falcão na Fundação Getúlio Vargas. Pesou suas "conexões políticas" - insuficientes, aliás, para manter seu cargo no governo.

FRASE DO DIA

"Não votei com a Dilma, eu votei com o Brasil"

Senadora Kátia Abreu (DEM-TO), para quem o mínimo de R$ 545 é contra a inflação

PODER SEM PUDOR

Questão de temperamento
O ex-presidente José Sarney contou certa vez que divergia dos métodos do seu ex-ministro e amigo Antônio Carlos Magalhães, o Toninho Malvadeza, quando o babalaô baiano advertiu:
- Mas eu tenho o meu temperamento!
Sarney não perdeu a chance:
- Mas o meu é melhor que o seu, porque cheguei a presidente da República...

BRAZIU: O PUTEIRO

SEGUNDA NOS JORNAIS

- Globo: Comunidade internacional se une para isolar Kadafi
- Folha: Oposição na Líbia decide criar conselho de transição
- Estadão: Rebeldes fecham cerco a Trípoli
- Correio: Rebeldes avançam na Líbia e ganham o apoio dos EUA
- Valor: Desaceleração começa, mas dimensão é incerta
- Estado de Minas: Tragédia com trio elétrico mata 16 foliões em Minas
- Jornal do Commercio: Timbu e Leão felizes
- Zero Hora: Justiça fará mutirão para aliviar cadeias

domingo, fevereiro 27, 2011

ENTRADA PROIBIDA - REVISTA VEJA

Entrada proibida
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J. R. GUZZO

Dois Países
J. R. GUZZO
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BETTY MILAN

O desafio da fidelidade
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Revista Veja

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LYA LUFT

Como seremos amanhã?
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CARTA AO LEITOR - REVISTA VEJA

Carta ao leitor
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GOSTOSA

JOÃO UBALDO RIBEIRO

Entrevista de Sua Excelência
JOÃO UBALDO RIBEIRO 
O Estado de S.Paulo - 27/02/11

- É para o Fantástico? Me disseram que era para o Fantástico.

- Não, deputado, é para um especial que está sendo preparado.

- Mas não dá para passar no Fantástico? Assim um trecho, melhores momentos, uma coisa dessas? O Fantástico para mim é a melhor coisa da televisão, tem grande penetração, não perco um. Você tem certeza de que não dá para encaixar pelo menos um trechinho da entrevista no Fantástico? Não comente isso, não, mas, se for necessário dar um agrado a alguém, sabe como é, alguém lá na televisão, uma conversa, um agradozinho no bolso... Eu conheço essas coisas, sempre dá para resolver, com boa vontade se resolve tudo.

- Bem, infelizmente isso não é comigo. Eu acho que não é bem assim que funciona, mas, de qualquer forma, o senhor teria que falar com o pessoal da programação da emissora.

- Ah, está certo. Gostei de ver sua honestidade. Podia perfeitamente pegar a gratificação e depois dizer que não deu para fazer nada, você foi honesto, continue assim, só a honestidade salva este país. Já está gravando?

- Não, ainda não, mas já estamos prontos.

- É que acabei de bolar essa frase "só a honestidade salva este país" e achei que seria muito boa para marcar minha primeira entrevista. Só a honestidade salva este país. Curto, direto e verdadeiro, olhe aqui, fico até arrepiado quando digo isso, eu sou um homem emotivo.

- Podemos começar?

- Se eu errar alguma coisa, você me adverte?

- Como assim? Eu não posso ficar corrigindo o senhor.

- Não é corrigir, é me fazer um sinal, ou então regravar alguma coisa que eu faça errado. É minha primeira entrevista em rede nacional, a família toda vai assistir, o pessoal todo de minha terra vai assistir, é uma coisa de muita responsabilidade. Eu vou ser muito franco com você, eu estou nervoso, é natural. Você é profissional, eu não peço nada, apenas uma orientação.

- Mas minha pauta não tem nenhuma pergunta complicada, é para ser tudo espontâneo, como, por exemplo, suas primeiras experiências depois de empossado.

- Ah, eu ainda estou muito verde. Ainda não conheço nem meus direitos, todo dia eu descubro uma coisa nova que todo mundo já tem e eu por fora. Devia haver uma assessoria especial para o deputado novato. Do jeito que é, eu acho que o sujeito pode passar anos sem aproveitar seus direitos. Saia perguntando por aí e você vai ver que muitos outros deputados ainda não conhecem seus direitos todos, é muito direito, tem que administrar isso com responsabilidade. Se a verba está aí e o sujeito não usa a verba, ela não serve para nada, cai em exercício findo e não beneficia ninguém, isso é imobilismo, é preciso acabar com o imobilismo na Câmara. Já decidi que vou montar um programa de conscientização entre os parlamentares, essa área precisa de maior controle, é uma garantia para o equilíbrio do parlamentar. Quantos não estão pagando por coisas que podiam ter de graça?

- O senhor acha que seu partido encamparia essa iniciativa?

- Meu partido? Não, isso não é um problema partidário. O P... O P... O P... O P...

- O senhor está tentando lembrar o nome de seu partido?

- É, é o nervosismo, porque eu fiz questão de decorar com todo o cuidado, repetia o dia todo, até dirigindo o carro. E anotei, minha senhora anotou e botou no meu bolso, só que de outro paletó. Isso, aliás, é outra coisa que tem que ser revista: se a Câmara exige paletó e gravata, nada mais justo que um auxílio-vestuário, uns 15 ternos por ano, as pessoas não fazem ideia de como um deputado gasta roupa, é um absurdo. Eu mesmo só tinha um terno e tive de mandar fazer uma porção, sem o menor auxílio do governo, não é justo. É do interesse da sociedade que o deputado se apresente condignamente trajado, preserva a instituição. Esse é outro ponto...

- Desculpe, mas o senhor estava falando do seu partido.

- Ah, é verdade, é que essa questão do traje me empolga, você não faz ideia de quanto um bom alfaiate está cobrando por um terno. E a gente tem de morrer nessa grana, só para manter o decoro parlamentar. Mas, sim, o partido. Às vezes dá um branco, não há meio de eu lembrar. É o PTSB! Isso mesmo, PTSB! Não é?

- Assim de cabeça, não estou reconhecendo. São as iniciais de quê?

- Ah, aí você me pegou. Se eu tive dificuldade em decorar as iniciais, imagine o nome todo. É muito partido, é como os ministros, são tantos que ninguém toma pé. E, como eu lhe disse, o partido não vem ao caso, quando se trata desse programa de conscientização que eu estou planejando. Evidentemente que é uma questão suprapartidária. Não se trata de uma medida que vá beneficiar somente os deputados de alguns partidos, em detrimento de outros. Vai beneficiar todos, indistintamente, é um movimento de interesse da nação.

- Da nação?

- O que é do interesse dos deputados é do interesse do Brasil, são os deputados que representam o povo brasileiro. Nós ainda não estamos inteiramente acostumados à democracia. Na democracia, quem manda é o povo e, como quem representa o povo somos nós, o que é do povo é nosso. Já está gravando? Vamos começar, está na hora de trabalhar. É como eu já disse lá em casa, não fiquem pensando que o sujeito se elege somente para se fazer, tem trabalho também! Meu cabelo está despenteado?

ANCELMO GÓIS

Eike da folia 
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 27/02/11

O empresário Bell Marques, do grupo Chiclete com Banana, é uma espécie de Eike Batista da folia baiana. Seu faturamento no carnaval beira uns R$ 10 milhões. 

Eike do morro 
Zé do Carmo está cobrando R$ 500 para dar entrevistas de, no máximo, duas horas. É aquele que tem vários negócios no Dona Marta, no Rio. 

Alerta em terra 
Há algum ruído na nomeação de Rossano Maranhão, expresidente do Banco do Brasil, para a nova Secretaria da Aviação Civil, ligada à Presidência. Enquanto isso, os aeroportos estão ao deus-dará. 

Pernas do sucesso 
“De pernas pro ar”, novo sucesso do nosso cinema, já foi visto por 3,5 milhões de pessoas. 

Garota de programa 

Do historiador Marco Villa, diante do apoio unânime do PMDB ao governo na votação do salário mínimo: — A fidelidade do PMDB é igual à de garota de programa: tem tempo de duração e depende do serviço. É. Pode ser. 

Beija, Ronaldinho 
Se fizer gol hoje, na final entre Flamengo e Boavista, Ronaldinho Gaúcho deve comemorar com uma coreografia inédita do pagode “Beija, beija”. A música será gravada em estúdio esta semana pelo grupo Swing Simpatia, pelo funkeiro MC Ombrinho, autor do samba, e... pelo próprio Ronaldinho!

Merquior, 70 anos

A ABL vai fazer uma exposição para marcar os 70 anos de José Guilherme Merquior, falecido em 1991. A organização do evento está a cargo do editor José Mário Pereira, que foi amigo do grande pensador liberal.

Não deu sorte

Duas novelas com Antônio Fagundes (“Vale tudo” e “Rei do gado”) estão sendo reprisadas. Na primeira, o grande ator, de 61 anos, faz merchandising da construtora Encol. Na segunda, recomenda investir na empresa Boi Gordo.

Em comum...
Encol e Boi Gordo faliram depois, causando prejuízos a compradores e investidores. Homem com h Lindberg Farias, o senador, pôs um “h” no fim do nome e, agora, assina “Lindbergh”. Diz que não é superstição, numerologia nem nada, mas só desejo de voltar a ter o nome igual ao do pai. É que Lindinho foi batizado Luiz Lindbergh Farias Filho. É. Pode ser.

Michelle in Rio

Michelle Obama terá agenda diferente do marido no Rio, dia 20 de março. No roteiro, um museu. 

Crime e castigo

Sai amanhã no DO a demissão do delegado Ricardo Hallak dos quadros da polícia do Rio. Acusado de formação de quadrilha, corrupção e lavagem de bens, Hallak chegou a ser secretário de Polícia Civil no governo Garotinho. 

Viva o gordo!

Uma loja de material de construção, com oito filiais no Rio, não contrata gordinhos. Parece discriminação. E é. 

Chega de assaltos
Pelo menos duas empresas de ônibus estão blindando seus guichês de venda de passagens na Rodoviária Novo Rio. A Cometa e a 1001. 

Fiofó careca
Um profissional do ramo de clínicas de depilação definitiva voltadas para a clientela vip conta que, neste carnaval, 70% dos que têm procurado o serviço são... homens. E acredite: as depilações mais requisitadas por eles são as de... glúteo, perianal e anal. Na minha terra... deixa pra lá.

No mais
De nada adianta o BNDES disponibilizar milhões para ajudar pequenos empresários vítimas das chuvas na Região Serrana do Rio se os bancos não repassam os recursos. No Banco do Brasil em Itaipava, os comerciantes têm batido com a cara na porta.

ZONA FRANCA
 Antonio Marinho, Roberta Jansen e Simone Marinho lançam amanhã, às 19h, no Centro Cultural da Marinha, o livro “Nos limites da Amazônia azul”. 
 Acaba hoje, no Pepê, a Arena Claro Rock, com ação do Rock in Rio.
 Dia 1o-, o CEBDS debate agenda de sustentabilidade no Sebrae-RJ.
 O bazar da Novamente vai até amanhã, no Centro do Rio.
 A Origens traz para o país esculturas do português Francisco Pereira.
 O Flamengo terá sua equipe na Fórmula Truck em 2011.
● O Senac-Rio nas UPPs chega ao Tabajaras com cursos gratuitos.
 Carlos Fernando Andrade, superintendente do Iphan-Rio, faz show amanhã no Salsa e Cebolinha.
 No menu executivo do Colher de Pau Ipanema, o brigadeiro é grátis. 
 A Comissão do Direito do Consumidor, da OAB, presidida pelo vereador Roberto Monteiro, vai dar cartilhas no Largo da Carioca, dia 15 de março.

FERREIRA GULLAR

O povo desorganizado
FERREIRA GULLAR 
FOLHA DE SÃO PAULO - 27/02/11

A fagulha que incendiou a nação egípcia foi o suicídio de um jovem, em resposta à repressão policial


O FIM da ditadura de Hosni Mubarak, no Egito, pode suscitar indagações acerca das consequências que podem advir dela, mas num ponto todas as opiniões parecem coincidir: foi o povo desorganizado que pôs abaixo o regime autoritário que durara 30 anos.
No Egito havia -e ainda há- numerosos partidos e organizações sociais que, de uma maneira ou de outra, vinham atuando na vida do país. Mas não partiu de nenhuma delas a mobilização popular que, concentrada na praça Tahrir, durante 18 dias, obrigou o ditador, obsessivamente apegado ao poder, a abrir mão dele. A fagulha que incendiou a nação egípcia foi o suicídio de um jovem, em resposta ao abuso da repressão policial.
Esse gesto desesperado despertou a revolta inicialmente de algumas dezenas de jovens, depois de centenas, de milhares e finalmente de milhões de cidadãos. Ignorando o poder repressivo do regime, foram para a rua, ocuparam a praça e receberam o apoio do povo egípcio. O povo desorganizado se mobilizou e através da internet passou a coordenar suas ações e seus objetivos. Parece um milagre? Pode parecer, mas não é. A razão disso é que o povo é, de fato, o detentor do poder, esteja ele organizado ou não.
Essa rebelião popular espontânea leva-me a refletir sobre o que chamo de "povo desorganizado". O que é, então, o povo organizado? Certamente aquelas parcelas da população que atuariam nos sindicatos e em outras entidades profissionais, estudantis e culturais. O objetivo de tais organizações, ao serem criadas, é defender os interesses das categorias e classes sociais que representam. A verdade, porém, é que isso nem sempre acontece e pode até mesmo ocorrer que tais organizações passem a se valer de sua suposta representatividade para atuar contra os interesses que deveriam defender.
Isso pode acontecer de várias maneiras, especialmente nos regimes autoritários. Por exemplo, no Brasil, quando os militares tomaram o poder, prenderam as lideranças sindicais e as substituíram por agentes do regime. A partir de então, essas entidades, que deveriam representar o povo organizado, agiam em sentido oposto, isto é, impedindo toda e qualquer manifestação contrária ao governo. Por isso que a primeira grande manifestação popular contrária à ditadura -a passeata dos Cem Mil- nasceu da mobilização espontânea de intelectuais e artistas que, em face da repressão policial, se concentraram num teatro e dali apelaram para a solidariedade da população, que aderiu a eles.
Mas essa noção da potencialidade política do povo desorganizado deveria ser acionada também no estado democrático, quando as entidades, que deveriam lutar pelos direitos da população, são cooptadas pelos que exercem o poder.
No Brasil, temos um péssimo exemplo: o de Getúlio Vargas, que, ao criar o imposto sindical, anulou a combatividade dos sindicatos de trabalhadores. Foi uma medida maquiavélica. Enquanto em outros países os sindicatos nascem da conscientização dos trabalhadores, que neles se organizam e os mantêm com sua contribuição mensal, os nossos, sustentados pelo imposto que é cobrado de todos os assalariados e controlado pelo governo, dispensam a participação efetiva dos assalariados.
Noutras palavras, são entidades-fantasmas, que não nasceram da necessidade dos empregados de se organizarem em entidades que defendam seus direitos. Por isso mesmo, poucos são os trabalhadores que delas participam, enquanto os oportunistas, com o apoio de minorais organizadas, passam a dirigi-las, impondo-se como lideranças fajutas.
Através delas, vinculam-se a partidos políticos, elegem-se deputados, tornam-se ministros e passam a atuar na vida política. Como a maioria dos trabalhadores ignora tudo ou quase tudo do que estou dizendo aqui, esses impostores passam por ser líderes de verdade e servem de "pelegos" para manter os trabalhadores submissos aos jogos de interesses.
Agora, mesmo esses falsos líderes apresentaram-se como defensores de um aumento do salário mínimo maior que o oferecido pelo governo, num jogo de cartas marcadas, demagógico, cujo resultado estava previsto.
E assim as coisas irão até que, um dia, o povo desorganizado perca a paciência e acabe com essas lideranças de araque e esses sindicatos de mentira.

FABIANO MAISONNAVE

O táxi chinês
FABIANO MAISONNAVE 
FOLHA DE SÃO PAULO - 27/02/11

Imagine-se desembarcando pela primeira vez em Guangzhou (Cantão). É madrugada.
Você toma um táxi a um preço razoável. No meio do caminho, o motorista para e diz que a corrida sairá mais cara. Há três alternativas: pagar o aumento, descer ou dizer que aceita, mas não dar a diferença na chegada.
De uma forma ou de outra, você perde, adverte o consultor americano Paul Midler, autor da parábola. Escaldado por anos trabalhando com fábricas chinesas, diz que a desagradável surpresa do viajante estava cuidadosamente calculada pelo taxista. É resignar-se, ficar sozinho no meio da rua ou discutir na delegacia em condições desfavoráveis.
Ressalvadas as proporções, o desafio do chanceler Antonio Patriota é parecido na viagem de dois dias que fará a Pequim a partir de quarta, com a missão de preparar o terreno para a visita de Dilma Rousseff, em meados de abril.
O novo governo estreia na China em meio a sinais de que ainda tateia em temas cruciais como a política cambial, limite de investimentos em mineração, aumento das barreiras contra a invasão de produtos baratos e se de fato o tema dos direitos humanos terá mais peso na política externa.
Não se trata apenas de reformulação, é também um problema de "herança maldita". O próprio ex-chanceler Celso Amorim admitiu em novembro que, mesmo após oito anos no cargo, não construiu um "conceito pleno de como será a relação com a China".
Já a China tem claro o que quer do Brasil: uma fonte confiável de minério de ferro, petróleo e soja, mercado para seus produtos industrializados e uma aliança em temas ligados ao aumento da participação de emergentes em organismos como o FMI e o Bird.
Sem uma agenda clara, Patriota encontrará ainda um regime mais arrogante e agressivo, ciente de que resgatou a economia mundial da crise financeira de 2008.
Internamente, reprime qualquer indício de oposição, como a onda de prisões de mais de cem ativistas nos últimos dias para minar uma inexpressiva tentativa de repetir na China a revolta no mundo árabe.
Fora, a China transformou o poder econômico em arma, caso do boicote à exportação de terras raras ao Japão durante crise diplomática por disputa territorial, no ano passado.
Num ambiente assim, Patriota certamente vai se cuidar para não melindrar o principal parceiro comercial do Brasil, com quem o país conseguiu um expressivo superavit de US$ 5,2 bilhões em 2010.
É justo registrar que o Brasil não é o único que hesita diante do desafio chinês. Numa frase já histórica revelada pelo WikiLeaks, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pergunta ao então premiê australiano, Kevin Rudd, 11 meses atrás: "Como lidar de forma dura com o seu banqueiro?".