sexta-feira, fevereiro 25, 2011
JOSÉ SIMÃO
Socuerro! Kagadafi na Líbia!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/02/11
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Tensão no Mundo Árabe! Últimas Notícias! Breaking News! Arroto de quibe do Habib's espalha guerra bacteriológica no mundo árabe! Rarará! Isso já é golpe baixo! Arroto de quibe do Habib's derruba até a Muralha da China!
E é tanta grafia pro Gaddafi que vou inventar mais uma: KhaGadaffi! Rarará! E o Gaddafi já lançou até plano de saúde para os líbios: o MORRAMED!
Sabe o que o Tiririca falou do Gaddafi? "Ele quer morrrreeeee!". O Gaddafi vai arder no mármore do inferno!
O Gaddafi vai acabar na Bahia. Olha esta do jornal "A Tarde": "Ditador líbio tem negócios em Juazeiro, Bahia". Ele tem R$ 1,2 bilhão investidos no Vale do Salitre! O Gaddafi vai acabar na Bahia! Com aquele seu traje típico de baiana do quibe! Vão pensar que é um folião!
E diz que o filho de um ditador árabe estudando em Londres escreveu pro pai: "Estou me sentindo envergonhado de andar com a Ferrari 5999GTB enquanto meus amigos andam de trem". Resposta do ditador árabe: "Pare de nos envergonhar! Vá e compre um trem pra você também". Rarará!
E agora direto do País da Piada Pronta: "Vereadores de BH gastam de gasolina uma quantia que daria pra dar 119 voltas na Terra". Qual o nome do vereador mais gastador? Paulinho MOTORISTA! Rarará!
É que tem cidadezinhas em Minas que pra você chegar tem que dar 119 voltas na Terra. Rarará! Eu já viajei muito por Minas. Minas é um monte de montanhas com gente dando adeus!
E aquela minha amiga perua que chama o Aleijadinho de Aleijadérrimo? Eu vou pra Minas comprar obras do Aleijadérrimo! Rarará!
E direto de Minas, o bloco As Virgens do Formigueiro Quente! Com Suzana Vieira, Monique Evans e Angela Bismarck, as virgens do formigueiro quente! E tá certo: o Carnaval é um formigueiro quente!
E dois blocos do Rio só pra preguiçosos: Concentra Mas Não Sai e Bate Pra Mim Que Eu Tô Cansado.
E direto de Olinda: EU ACHO POUCO! Eu também! Rarará!
E já saiu a marchinha do Gaddafi: "Cadê Gaddafi? Cadê Gaddafi? Ói ele ali, foi dançar com o Mubarak/ Cadê Gaddafi? Cadê Gaddafi? Ói lá o ómi, fazendo bunga bunga com o amigo Berluscómi".
Ô marchinha horrível. A cara do Muammar Kadáver! E o gringo bateu no carro dum baiano e desceu falando: "Hello! Hello!". E o baiano: "Relou o cacete! Amassou foi tudo!". Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
MÔNICA BERGAMO
SEGUNDA EDIÇÃO
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/02/11
A atriz Melissa Vettore apareceu, na semana passada, na novela "Insensato Coração". No papel da colunista social Bia Faissal, noticiou o caso extraconjugal de Horácio Cortez (Herson Capri) e sumiu. Ela deixa em aberto seu retorno à trama. "Não sei quando volto. Não posso sair nem viajar, porque posso ser chamada a qualquer momento."
SARNEY DIGITAL
Depois de vários adiamentos por causa do escândalo dos atos secretos, a biografia do senador José Sarney, escrita pela jornalista Regina Echeverria, deve ser lançada neste semestre com uma novidade: sairá também em versão e-book. Será um dos primeiros títulos da nova plataforma digital que a editora LeYa deve anunciar hoje para 250 livreiros.
TROPEÇO
E o tombo de dona Marli Sarney, que tropeçou num fio de telefone em sua casa, em Brasília, resultou em fratura no nariz. Ela quebrou também alguns dentes.
A BELA E A FERA
Carla Bruni, que virá ao Brasil em maio para inaugurar um núcleo de robótica do Hospital do Câncer de Barretos, deve fazer show em São Paulo no dia 6 do mesmo mês, ao lado de Toquinho. Ele já topou. Falta o OK da primeira-dama francesa para a divulgação do espetáculo.
NÃO DEU
Bruni num primeiro momento queria cantar ao lado de Caetano. Mas as agendas de ambos não casaram.
É CADA UMA...
Os seguranças americanos que preparam a visita do presidente dos EUA, Barack Obama, ao Brasil, em março, fizeram exigência que intrigou assessores de Dilma Rousseff: querem que Obama fique bem distante do parlatório do Palácio do Planalto, onde os presidentes brasileiros discursam quando tomam posse. Ele, portanto, deve subir a rampa do prédio pelo lado esquerdo e, dentro dele, fazer trajetória que evite qualquer proximidade com aquela construção.
MISTÉRIO
"Será que eles pensam que alguém estará escondido ali para um atentado?", intriga-se um ministro de Dilma.
AGORA VAI
Marcos Lula, filho do presidente Lula e de Marisa Letícia, pode ser candidato a vereador em 2012 por São Bernardo. "Vou estimulá-lo", diz Luiz Marinho, prefeito da cidade. A candidatura de Marcos foi impugnada em 2008 porque ele era parente do presidente. Com o pai fora do cargo, o filho estaria liberado pela lei eleitoral.
NEUTRO
Marinho, que já viajou para a Suécia para conhecer os caças Saab Gripen, e para a França para ver os Rafale, embarcará também para os EUA para conhecer os aviões Boeing F-18. Se antes ele apoiava a escolha dos suecos, que prometiam instalações em São Bernardo, agora diz estar "neutro". É que os outros dois concorrentes também fizeram propostas de investimento na cidade.
DIA APÓS O OUTRO
E a Prefeitura de São Bernardo, que protestou a mãe do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, por atraso de pagamento do IPTU, agora vai homenageá-la. Karolina Zofia Lewandowska, que morreu em setembro, dará nome a uma escola que será inaugurada amanhã.
ESTREIA NA PASSARELA
A loja de departamentos Marisa realizou, anteontem, seu primeiro desfile de moda, no Museu da Casa Brasileira. A estilista Andrea Clara, a empresária Maythe Birman e Philipe Gil conferiram as peças da coleção de outono-inverno.
TE DEDICO
O dramaturgo Mario Bortolotto lançou o livro "DJ -Canções para Tocar no Inferno", anteontem, na Livraria da Vila da Vila Madalena. E os estilistas Valdemar e Alexandre Iódice autografaram "AMA - Sustentabilidade. Moda. Cultura", na unidade da livraria nos Jardins.
EM CASA
Marcela Temer, a jovem mulher do vice-presidente Michel Temer que roubou a cena na posse de Dilma, não deve morar no Palácio do Jaburu com o marido. O casal concluiu que para o filho, Michelzinho, de dois anos, será melhor estudar em SP.
ENCHENTES
Quem é o responsável pelas tragédias decorrentes das enchentes em SP? Essa pergunta foi feita para mil pessoas em 70 cidades em uma pesquisa do instituto Ipsos. Para 45%, a sociedade é a culpada, por não preservar a natureza. A falta de políticas públicas para conter as enchentes e desmoronamentos é apontada por 38%. Já para 15%, é a própria natureza.
CARNAVAL HOLANDÊS
Marcos Prado embarca no fim de semana para Amsterdã. O diretor ficará duas semanas na cidade filmando o longa "Paraísos Artificiais", junto com os protagonistas Nathalia Dill, Luca Bianchi e Bernardo Mello.
CURTO-CIRCUITO
Vanessa Barbara e Andrés Sandoval autografam o livro "Endrigo, o Escavador de Umbigo", amanhã, às 17h, na Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho.
A top Cintia Dicker assinou contrato com a agência Prime Talents.
João Appolinario lança em abril, no hotel Unique, a Polishop.com.voce, a nova marca da multinacional de vendas Polishop.
A mostra "Tristezas não Pagam Dívidas", com charges de José de Carvalho para o livro homônimo de Mara Luquet, está em cartaz na estação Sé do metrô. Em março, irá para a Vila Madalena e, em abril, para a Corinthians-Itaquera.
O modelo brasileiro Miro Moreira, da Oca Models, acaba de fotografar uma campanha para a grife Cavalli.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY
MERVAL PEREIRA
Tema popular
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 25/02/11
O Movimento Brasil Eficiente, coordenado pelo Instituto Atlântico e pela Associação Comercial e Industrial de Joinville, que reúne confederações do setor produtivo nacional, federações empresariais e de trabalhadores, empresas de vários setores e de todos os portes, entidades de representação da sociedade civil do chamado Terceiro Setor, além de universidades e institutos de pesquisa, pretende traçar um roteiro de ação que leve à redução da carga tributária para 30% do PIB no prazo de dez anos e crie um ambiente econômico que propicie crescimento sustentado de 6% ao ano, com o aumento de investimentos em infraestrutura para 25% do PIB.Não poderia haver melhor momento para lancar uma campanha para redução da carga tributária do que hoje, com a inflação pressionando e o governo tendo que cortar custos para quilibrar suas contas.
O aumento de nossa taxa de investimento total, que continua num nível bem inferior a 20%, enquanto a necessidade do País é chegar a 25%, é ponto fundamental do projeto.
Na época do "milagre brasileiro", nos anos 70, em que crescíamos a taxas asiáticas, o investimento no país chegou próximo a 30% do PIB, sendo que o Estado entrava com cerca de 10%, e o restante era bancado pela iniciativa privada.
Hoje o investimento privado continua na casa dos 18%, mas a capacidade do Estado é cada vez menor, entre 1% e 2% nos últimos anos, a mais baixa taxa de investimento desde o pós-guerra, tendo crescido um pouco no último ano, mas longe do necessário.
O documento propõe que o que falta para o nível de investimentos desejado (cerca de 7 pontos percentuais) venha de uma contribuição extra de 4 pontos do setor privado, que se comprometeria a investir a parcela de economia que fará pela redução da carga fiscal sobre as pessoas jurídicas e físicas, enquanto o governo colaboraria com 3 pontos de PIB, elevando o investimento público de 2 para 5% do PIB.
Segundo o documento que baseia a proposta, no período de 1987 a 2009, a implementação do "modelo de alto gasto público" tem feito explodir certos itens de despesa, com o Orçamento Geral da União se transformando em "uma grande folha de pagamento".
Em 2005 eram cerca de 40 milhões de contracheques em benefícios assistenciais e previdenciários, além dos funcionários ativos, consumindo hoje quase 80% do gasto federal.
O Movimento Brasil Eficiente propõe uma mudança radical para se chegar ao equilíbrio previdenciário: o imposto sobre a renda, de pessoas físicas e jurídicas, passaria a ser a fonte exclusiva da cobertura previdenciária, somada à contribuição patronal ao INSS.
A soma dessas três fontes, incluída e fundida a atual Contribuição Sobre o Lucro Líquido, soma cerca de 10% do PIB, o máximo de gastos com as aposentadorias que os estudos admitem.
O problema é que o peso dos gastos com inativos e pensionistas da União aumentou duas vezes, passando de 6,2%, em 1987, para 12,2% do total da despesa, em 2009, estando, portanto, acima dos 10% que os autores consideram o teto, e cortar 2,2% das despesas é uma tarefa difícil.
Com relação à carga tributária, os autores do projeto ressaltam que no Brasil, além dos impostos diretos, que são cobrados à vista do contribuinte, como o IR, o IPTU e o IPVA, há os impostos indiretos ou escondidos, que estão embutidos nos preços dos produtos, como o ICMS, o ISS, a Cofins e o PIS, "numa brutal carga de contribuições e taxas que incidem sobre praticamente todas as atividades econômicas, em toda a cadeia produtiva, transferindo os preços da indústria para o comércio e, finalmente, para os consumidores".
Para atingir a redução da carga tributária, o Movimento Brasil Eficiente propõe:
- Simplificação e racionalização da estrutura tributária brasileira, mediante conjugação de impostos e contribuições diversas, assim reduzindo a sua quantidade e os custos de sua administração pelo contribuinte;
- Transparência total na cobrança dos tributos incidentes sobre a circulação econômica, mediante adoção de um "Imposto sobre Valor Adicionado" (IVA) que aglutine todos os tributos hoje incidentes de cobrança federal (como Cofins e PIS etc.) e federativos (como ICMS e ISS) de modo que o contribuinte pague uma vez só e saiba que alíquota final está de fato pagando.
Mas o Movimento Brasil Eficiente não quer ser um movimento de elite econômica, e sim ganhar a adesão do cidadão comum para que as mudanças que precisarão ser feitas pelo Congresso tenham o respaldo popular.
Para isso, preparou diversos filmetes que serão divulgados inicialmente pela Rede Globo e vai usar os novos meios de interação social, como o Facebook e o Twitter, para mostrar à população que a carga tributária, que hoje se aproxima de 40% do PIB quando somada ao déficit público, prejudica diretamente a sua vida.
Uma pesquisa mostrou que 80% da população acham que não pagam impostos, sem se dar conta de que há impostos embutidos em tudo o que compram.
Vai haver também uma mobilização para que os projetos que serão enviados ao Congresso sejam de iniciativa popular, com recolhimento de pelo menos um milhão de assinaturas pelo país todo, para garantir uma pressão popular sobre os congressistas, como aconteceu no caso do Ficha Limpa.
O vice-presidente Michel Temer, que esteve ontem num debate promovido pelo Instituto Atlântico e pelo jornal O GLOBO no auditório do jornal, do qual fui o mediador junto com o economista Paulo Rabello de Castro, do Instituto Atlântico, chamou a atenção para a necessidade de sensibilizar os políticos para a causa através da pressão dos eleitores.
Ele considera que há um ambiente favorável no governo à realização de uma reforma tributária, embora não tenha se comprometido com o mérito da proposta.
Esse apoio popular será imprescindível para a aprovação de medidas que incluem até mesmo uma reforma da Previdência e, em alguns casos, terão que ser aprovadas pelas assembleias de todos os estados.
DORA KRAMER
Insuficiência de tutano
DORA KRAMER
O Estado de S.Paulo - 25/02/11
Se tomarmos como verdadeira a anunciada disposição do PSDB de corrigir erros passados, atuando de acordo com a vontade de seus quase 44 milhões de eleitores na última eleição presidencial chega-se à conclusão de que o partido não passou no primeiro teste no debate sobre o novo salário mínimo.
Um parêntese: debate este que terá sido o último se o Supremo Tribunal Federal aceitar como constitucional a instituição do valor anual por decreto.
Voltemos. Enquanto a situação, liderada pela presidente Dilma Rousseff, saiu-se brilhantemente na prova, a oposição entrou vencida no embate por falta de votos e saiu vencida do debate por sua opção preferencial pela tibieza.
Houve algumas e honrosas exceções entre os oposicionistas na Câmara e no Senado: Roberto Freire (PPS), Marinor Brito (PSOL) e o destaque especial para Itamar Franco (PPS).
Nenhum deles isoladamente, porém, consegue fazer um verão. Acabam sendo vistos como inconvenientes e implicantes. Mas graças a perturbadores da "ordem interna" é que o governo terá de se ver com o Supremo.
Mas e os grandes? A delegação maior conferida pelo eleitorado que optou pela oposição no dia 31 de outubro último foi ao PSDB.
Expressa na votação dada ao candidato a presidente José Serra e na vitória conferida a Aécio Neves, que, a despeito do investimento do adversário, arrasou em Minas Gerais: deixou o PT fora do Senado e manteve o poder sobre o governo do Estado.
Itamar fez jus à tarefa a ele entregue pelos mineiros, ao firmar posição em prol do cumprimento do regimento e da observância aos direitos das minorias. Azucrinou o governo com categoria, firmeza, precisão e coberto de razão. O presidente do Senado, José Sarney, cortou um dobrado com ele.
Mas combateria praticamente isolado não fosse a atuação da senadora Marinor Britto exigindo o respeito à representação das minorias.
Na Câmara, Roberto Freire também foi relegado ao isolamento bradando quase sozinho (Silvio Costa, do PTB de Pernambuco, sustentou a posição) contra a inconstitucionalidade embutida no projeto de lei, transferindo do Legislativo para o Executivo a prerrogativa de estabelecer o valor anual do salário mínimo. Os tucanos não lhe deram bola.
No Senado, aquele de quem se esperava atuação de liderança da nação oposicionista, por assim proclamado, Aécio Neves, manteve-se à sombra.
A discussão do salário mínimo começou na terça-feira à tarde, quando foi votada a autorização para votação em regime de urgência para o projeto de lei do governo. Aécio só foi ao microfone às 22h30, para protestar depois de aprovado o projeto de lei.
O processo foi emblemático. No início, o PSDB decidiu-se pela proposta de R$ 600, enquanto Aécio Neves tentava conquistar a simpatia de centrais sindicais sustentadas a verbas públicas e agrados oficiais, alinhando-se à proposição de R$ 560.
Como o valor era o que menos contava, pois o governo tinha maioria de sobra para ganhar, restavam os gestos políticos e a denúncia contundente da inconstitucionalidade.
Na semana transcorrida entre a sessão da Câmara e a do Senado o que fez a oposição a respeito? Nada além de avisar que iria ao Supremo, depois de "acordar" por obra dos cutucões de Roberto Freire.
O que poderia ter feito? Seu trabalho de fiscalização e contraposição, unindo-se em torno dessa importante questão ainda na Câmara e se articulando para impedir o atropelo do regimento.
O PSDB é exímio patrocinador de implicâncias internas. Atua voltado para dentro indiferente ao fato de que oposição não se faz sobre o leite derramado. Nem com excesso de estratégias e carência de atitude.
Os tucanos querem voltar ao poder. Muito justo, mas só poderão disputá-lo com chance de ganhar quando resolverem o problema da insuficiência aguda de tutano.
José Serra protegeu-se de enfrentamentos nos últimos anos e pagou o preço na eleição.
SONIA RACY - DIRETO DA FONTE
Veja bem
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO 25/02/11
Ao que tudo indica, Kassab fez a linha "ouvido de moco" e nada tirou de longa conversa secreta com Alckmin e Serra.
Ambos os tucanos se uniram, semana passada, em uma empreitada que varou a noite: tentaram demover o prefeito paulista de entrar no PSB. Principalmente, pelas mãos de Eduardo Campos. "Ele é charmoso, mas não vale uma nota de três dólares", teria frisado um dos presentes.
Veja 2
Os peessedebistas lembraram a Kassab que ele continua com um bom tempo de televisão pelo DEM, em São Paulo. E que é nisso que estão interessados. E mais: no raciocínio dos tucanos, qualquer movimento partidário feito hoje inevitavelmente o levará em direção ao governo federal.
Em bloco
Eduardo Centolla, CEO do banco de investimento do UBS no Brasil, saiu à caça.
Tenta convencer uma equipe inteira da Goldman Sachs a mudar de endereço.
Argumentos
Deve esquentar hoje, discussão em torno de cobiçado quarteirão do Itaim Bibi. Moradores se reunirão na Assembleia Legislativa em audiência pública para discutir o que chamam de mega especulação imobiliária.
São contra a destruição de espaços culturais e de saúde do local para a construção de prédios.
Caça-talentos
Atrizes e aspirantes que se preparem. Ash Baron-Cohen, diretor inglês, pediu à Brahma convites para conhecer o carnaval carioca.
Procura brasileira para atuar com Lenny Kravitz em The Blind Bastard Club.
Peixeira
No ano do centenário de Lampião, ele e Maria Bonita serão tema de palestras em universidades de Stanford e Califórnia.
Luiz Bernardo Pericás, autor de Os Cangaceiros, apresentará o casal aos americanos.
Entre guardanapos
Jayme Monjardim e Rita Buzzar, a dupla que assinou Olga, jantaram com Tarso Genro, anteontem.
Motivo? Querem apoio do Rio Grande do Sul para o longa baseado em O Tempo e o Vento, do também gaúcho Erico Veríssimo.
Pela memória
Fábio Koff, do Clube dos 13, está perplexo. Em conversa com amigos, lembrou que Patricia Amorim, do Flamengo, havia rasgado elogios ao plano de licitação proposto por Ataíde Guerreiro, diretor-executivo da entidade, em jantar no fim do ano passado. Maurício Assumpção, do Botafogo, tampouco demonstrou insatisfação durante reuniões com o C13.
É, os tempos mudam.
Comandante
Fernando Arruda Botelho acabou de adquirir o 16º avião para integrar o instituto que leva seu sobrenome: o T-28 Trojan. Trata-se de avião americano também usado na Guerra do Vietnã. Mas ele funciona? "Só compro aviões que ainda podem voar", explicou o empresário que pilotou a aeronave desde Chicago, enfrentou pouso de emergência na Geórgia por causa de pane elétrica, e chegou em SP na semana passada. Tudo em 25 horas e 21 paradas.
Preço? US$ 175 mil.
Sucesso na certa
Depois de oito anos sem gravar inéditas, Rita Lee resolveu voltar para o estúdio. Para registrar dois CD"s ao mesmo tempo.
Tudo meu
Fácil para o rei Abdullah, da Arábia Saudita, chegar em Riad anteontem e anunciar "pacote" de ajuda financeira de US$ 36 bilhões para melhorar a vida da população. E assim, tentar conter manifestações contra seu reinado.
O governo é dono da Saudi Aramco, maior exportadora de petróleo do mundo. Uma empresa de capital... fechado. Nada de ações em bolsa para ter de dar explicações aos acionistas.
Na frente
Franz Krajcberg, 91 anos, parte para o Japão, onde recebe o Grand Prix de Enku, concedido pela prefeitura de Gifu. Na sequência, vai a Paris montar exposição.
Flora e Gilberto Gil pilotam o tradicional almoço em Salvador, dia 5. Dando start ao carnaval do Expresso 2222.
Inédito. A Dior monta exposição no Pushkin Museum, em Moscou, a partir de segunda.
A Praça Roosevelt ganhará grito de carnaval às avessas, na semana que vem. Grupos de teatro da região tocarão de tudo, menos marchinhas ou sambas. Quem for fantasiado tem desconto na feijoada.
CELSO MING
Carregamento caro
CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 25/02/11
O Banco Central reconheceu ontem que o custo da formação das reservas internacionais no ano passado foi de R$ 26,6 bilhões. Cálculos preliminares dão conta de que, neste ano, será alguma coisa entre R$ 35 bilhões e R$ 40 bilhões, três vezes o que vai custar o Programa Bolsa Família.
Enquanto isso, o governo promete (e até agora não demonstrou como fará) reduzir as despesas públicas em R$ 50 bilhões. Outros R$ 50 bilhões serão usados na capitalização do BNDES...
Pergunta que não quer calar: vale a pena gastar tanto para manter essas reservas se elas não cumprem mais nem a função de blindar o País contra crises nem ajudam a conter a valorização do real diante do dólar? Convém trocar tudo isso em miúdos.
Quando compra moeda estrangeira para formar reservas, o Banco Central injeta reais no mercado, os mesmos que são dados em pagamento. Para evitar que esses reais provoquem inflação, tem de trazê-los de volta com operações de esterilização. Ou seja, o Banco Central tem de colocar no mercado volume equivalente de títulos públicos. Quem compra esses títulos recolhe reais ao Banco Central.
Esses títulos públicos pagam em torno dos juros básicos (Selic), que hoje são de 11,25% ao ano. O pagamento desses juros é despesa do Tesouro ou do Banco Central. Em compensação, os dólares comprados para a formação de reservas são aplicados em títulos de outros países, a maioria deles do Tesouro americano, que rendem cerca de 1,5% ao ano. A diferença entre o que o Banco Central paga para manter as reservas e o que recebe por elas é o que se chama custo de carregamento.
Ontem, o Banco Central apontou que, em 2010, recebeu 1,88% de juros pelos títulos em que as reservas foram aplicadas e teve de pagar juros de 7,74%. As reservas em 2010 foram de R$ 455 bilhões. O custo de carregamento, de R$ 26,6 bilhões, uma conta que em geral não é desembolsada à vista, mas incorporada à dívida.
As reservas já estão nos US$ 305 bilhões, cerca de R$ 508 bilhões. Se a mesma relação de juros se mantiver, apenas o atual nível de reservas custaria ao País cerca de R$ 30 bilhões em 2011. Mas esse custo deve subir por dois fatores: porque, em consequência da atual política, as reservas vão aumentar; e porque os juros internos devem subir mais do que os externos.
No início desta Coluna se afirmou que mais reservas não melhoram a blindagem da economia. Fácil defender esse ponto de vista. Se reservas de US$ 200 bilhões foram mais do que suficientes para transformar em marolinha a maior crise global desde os anos 30, não será necessário mais para defender o País de novos solavancos, provavelmente menos intensos.
O Banco Central continua empilhando reservas no pressuposto de que a compra de dólares evita ainda maior valorização do real. Esta ideia precisa de mais questionamento. Isso aí é como a gravidade. Quanto maior o volume de matéria (massa), mais matéria estará atraindo. Quanto mais crescerem as reservas, mais moeda estrangeira o Brasil irá atrair e tanto mais o Banco Central seguirá comprando.
Continuará passando a sensação de que está agindo. E, no entanto, mais terá de agir para evitar que a cotação do dólar siga despencando. Mas, outra vez, a que custo? Vale a pena?
CONFIRA
Consulta
Preocupado com as advertências de que a disparada da inflação provocou a perda do controle das expectativas do mercado, o Banco Central fez uma consulta extra entre os mesmos 100 analistas, consultorias e instituições que respondem semanalmente à Pesquisa Focus.
Alinhamento
Uma vez tabuladas as respostas, o Banco Central entendeu que não há grandes discrepâncias entre as projeções que ele próprio faz e as projeções desses analistas.
As avaliações
O mercado avalia que as medidas macroprudenciais que aumentaram o compulsório dos bancos e dificultaram o crédito equivalem a uma elevação de 0,75 ponto porcentual dos juros básicos (Selic). Entendeu, também, que o superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) será de 2,7% do PIB (o Banco Central projeta 2,9% do PIB). E que o crescimento potencial da economia é de 4,4% (o Banco Central imagina 4,5%).
VINICIUS TORRES FREIRE
O governo está incomodado
VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/02/11
Nas internas, governo diz que "não vai ficar parado" diante do risco de mais inflação e tensão mundialO governo começou a cozinhar mais medidas a fim de conter a inflação e a descrença geral de que vai cortar gastos e conter a alta de preços. Não sabe bem o que, nem sabe conversar com o público a respeito. Mas deixou vazar a sua "preocupação", dados os últimos indicadores econômicos e o aumento da tensão na praça econômica global.
Os desconfortos mais recentes derivam da evidente descrença do mercado em relação ao controle rápido da inflação, do risco de choque do petróleo e do esgotamento de medidas heterodoxas de contenção de crédito e de consumo.
Em dezembro, o governo decidira que o Banco Central tomaria medidas a fim de reduzir a oferta de crédito, como se recorda. Recolheu dinheiro dos bancos com o objetivo de reduzir o dinheiro disponível para empréstimos. Induziu os bancos a reduzir os prazos de financiamento e a elevar as taxas de juros.
Eram as "medidas macroprudenciais". Em miúdos, normas que têm como objetivo primário evitar um excesso de empréstimos que acabe em calotes e problemas em bancos, mas que também servem para conter o consumo e a inflação.
As medidas tiveram o efeito mais ou menos esperado. A quantidade de dinheiro que os bancos têm de deixar "estacionada" no BC aumentou uns R$ 80 bilhões, para quase cerca de R$ 404 bilhões. Os prazos de financiamento pararam de aumentar, juros subiram bastante em janeiro. Se isso vai ter algum efeito na inflação, é cedo para saber.
Mas as "medidas macroprudenciais" não fizeram tanto mais efeito neste mês, segundo disse ontem o BC. Não sabemos se o BC esperava mais arrocho. Ainda assim, fica a dúvida a respeito do que farão BC e governo para esfriar a economia.
Haverá mais "medidas macroprudenciais", um tipo de política anti-inflacionária dita "heterodoxa" (a ortodoxa é elevar a taxa básica de juros, a Selic)? Faz duas semanas, os povos do mercado vinham palpitando que em março poderia haver nova rodada "macroprudencial". O pessoal do governo diz apenas que o assunto será "rediscutido" a partir da semana que vem. Março começa na terça-feira que vem.
Haverá mais aumento de juros? No mercado financeiro, a crença que se pode depreender das taxas de juros futuros na praça é a de que haverá aumento adicional de pelo menos dois pontos percentuais.
Haverá novo e grande empréstimo do Tesouro (nós) para o BNDES, que empresta dinheiro a juro baixo, subsidiado para empresas? Faz sentido estimular o crédito via banca pública em momento de contração de gastos e de alta dos juros?
Sim, o ritmo de crescimento do crédito de bancos públicos enfim baixou. Em julho de 2009, o total de crédito dos bancos públicos (afora o BNDES) crescia a 40% sobre o ano anterior; o do BNDES também. No setor privado, a 10%.
Agora, o estoque de crédito dos bancos públicos (sem BNDES) cresce a 18%; mas o do BNDES ainda sobe a 24,5%; o da banca privada, a 20%, próximo da média geral.
Haverá, enfim, o tal corte de R$ 50 bilhões no Orçamento de 2011, que ainda não colou na praça?
Haverá, enfim, reação "prudencial" do governo em relação ao risco de um "extra" na inflação devido à alta do preço do petróleo?
Dúvidas e dúvidas, e o governo conversa mal com a praça.
ILIMAR FRANCO
Estação de trânsito
ILIMAR FRANCO
O G LOBO - 25/02/11
O PDB, partido que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, está para criar, recebeu o apelido de “Partido Janela”. A expectativa é que 20 deputados embarquem no projeto. Mas nem todos participariam da fusão com o PSB. Uma parte quer usar o novo partido só para driblar a lei da fidelidade. São considerados fiéis os que criam um partido novo ou se recusam a participar de uma fusão.
Pressão maior na correção da tabela
As centrais sindicais prometem para a correção da tabela do Imposto de Renda uma mobilização maior do que a feita na votação do salário mínimo. “Vai ser bem maior porque envolve categorias organizadas, como funcionários públicos e metalúrgicos”, disse o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). A proposta do governo é 4,5%, e as centrais querem uma correção de 6,47%. A oposição vai pedir uma correção maior, e seus integrantes avaliam que a pressão do movimento sindical e de funcionários públicos, tradicionais eleitores petistas, terá um efeito maior na hora da votação dos governistas.
"Não importa para onde ele (Gilberto Kassab) vai, pois vai continuar sendo parceiro do (José) Serra” —
Marta Suplicy, senadora (PT-SP)
O VITORIOSO. Ao contrário da Câmara, quem marcou gol na votação do salário mínimo no Senado foi a bancada do PT. O líder Humberto Costa (PE), com uma mãozinha do Planalto, conseguiu que os 15 senadores petistas votassem a favor dos R$ 545. O PMDB desta vez não foi tão eficiente: dois votaram contra, e um se absteve. O placar do embate PT x PMDB agora está 1 x 1. O desempate fica para a próxima votação.
Contrariada
A presidente Dilma Rousseff queria que o Senado tivesse aprovado anteontem, na sessão do mínimo, as indicações de Altamir Lopes e Sidnei Marques para a diretoria do BC. Ela queria ambos na reunião do Copom na semana que vem.
Direitos autorais
O senador Itamar Franco (PPS-MG) fez questão de corrigir Kátia Abreu (DEMTO), em plena discussão do novo salário mínimo, dizendo que o Plano Real foi criado em seu governo, e não no do tucano Fernando Henrique Cardoso.
Planalto pede calma aos aliados
A nomeação para os cargos de segundo escalão começará a andar de forma lenta na segunda quinzena de março. Um ministro explicou que, além de acertar com os partidos o quinhão de cada um, ainda será necessário conversar com quem vai ter de deixar esses cargos. Ele argumentou que o time que está aí ganhou a eleição, e, portanto, o governo é novo mas também de continuidade. Os aliados esperam resignados.
Herdeira?
Ofendida com a observação de José Sarney (PMDBAP) de que ela está chegando agora e não domina o regimento da Casa, a senadora Marinor Brito (PSOL-PA) encheu a boca para proclamar: “Estou aqui substituindo Jader Barbalho”.
Niterói no PAC
O governador Sérgio Cabral (RJ) escalou Sergio Zveiter (PDT-RJ) para pressionar a presidente Dilma a incluir Niterói no PAC da
Mobilidade Urbana. É preciso habilitar o município no programa que tem orçamento de R$ 16 bilhões.
REFORMA. O PSDB criou uma comissão, presidida pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), para unificar a posição do partido na Câmara e no Senado a respeito da reforma política.
OS PETISTAS estão reagindo à intenção do ministro Moreira Franco (SAE) de nomear o acadêmico Roger Stiefmann Leal para a Secretaria-Executiva da pasta. Alegam que Roger tem vínculos com o DEM.
● CARNAVAL. A presidente Dilma Rousseff vai passar o carnaval numa praia com parentes. Apesar dos convites, não vai assistir aos desfiles na Sapucaí.
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
O medo está de volta
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/02/11
Em momentos como este, é melhor dar prioridade à preservação do capital, e não em sua multiplicação.
Os mercados financeiros voltaram a viver dias de grande insegurança e ansiedade. Há três anos, em janeiro de 2008, teve início um longo período em que a volatilidade dos preços dos principais ativos financeiros fugiu dos padrões históricos anteriores.
Como sempre ocorre em eventos como esse, foi um drama pessoal que gerou a faísca que acabou incendiando um ambiente dominado pela especulação sem controle.
A descoberta de uma perda gigante - mais de US$ 4 bilhões - no banco francês Société Générale gerou uma crise de confiança no sistema bancário dos países desenvolvidos que culminou com a quebra do banco Lehman Brothers nos EUA.
A crise bancária que se seguiu fez com que as economias de todo o mundo mergulhassem no vazio de uma recessão econômica só vista nos anos 30 do século passado.
Graças a uma ação coordenada dos governos de vários países - inclusive o brasileiro - ao longo dos últimos dois anos, o pior cenário previsto pelos apocalípticos de plantão não ocorreu.
Pouco a pouco, a atividade econômica recuperou-se sob a ação de estímulos fiscais e monetários. Sempre seguindo os conselhos, que andavam meio esquecidos, do brilhante John Maynard Keynes.
Primeiro foram os países emergentes, que, suportados pelos gastos dos consumidores, retomaram o caminho do crescimento. Um prêmio merecido por não terem participado da verdadeira farra do boi da especulação imobiliária e de crédito da maioria dos países ricos. Estavam nesse grupo países como Brasil, Austrália, China e Índia.
Nos últimos meses de 2010, mesmo as economias que mais sofreram com a ruptura da bolha de crédito, como a dos EUA, começaram a dar sinais de uma recuperação sólida e duradoura.
O encolhimento do crédito bancário terminou, o medo do desemprego foi sendo substituído por um moderado otimismo dos consumidores e os investimentos privados em algumas áreas voltaram ao normal. Tanto isso é verdade que as estimativas feitas ao fim do ano apontavam crescimento do PIB mundial superior ao dos anos anteriores à quebra do Lehman Brothers.
Mas as economias mais avançadas ainda precisam, para perenizar essa nova fase, da manutenção por mais algum tempo de condições financeiras favoráveis. Por isso, os bancos centrais na área do G7 continuam a manter os juros muito baixos e a liquidez bastante abundante. Talvez apenas em 2012 é que tenhamos as primeiras decisões de aumento dos juros.
Por tudo isso é que a disparada dos preços do petróleo, gerada pela crise política no Oriente Médio, trouxe de volta a insegurança às Bolsas de Valores e aos mercados de juros e câmbio em todo o mundo.
De um lado, ela afeta a renda do consumidor dos países do mundo desenvolvido, tanto pelo aumento desses gastos como pelas incertezas em relação ao futuro. De outro, ela chega aos países emergentes pelo impacto dos preços dos derivados de petróleo na inflação já bastante elevada.
De qualquer forma, tanto em economia como no caso de doenças humanas, sabemos que uma recidiva sempre ocorre com maior vigor e perigo que no caso da doença original.
Esse cenário alternativo faz com que a maioria das apostas que os investidores vinham fazendo em relação ao futuro seja posta em xeque. Se antes era esperada uma elevação gradual dos juros nos Estados Unidos por conta da volta do crescimento, agora pode ocorrer o contrário caso a crise do petróleo se agrave ainda mais.
Da mesma forma, o movimento de valorização das ações das empresas americanas em função de uma retomada dos lucros pode ser substituído por uma queda das cotações devido a uma nova recessão mundial.
Em momentos como este que estamos vivendo, quando cenários antagônicos podem ocorrer devido a eventos impossíveis de se prever, o melhor conselho que posso dar ao leitor é o de pôr as barbas de molho.
Isso quer dizer: dê prioridade à preservação de seu capital _e não a sua multiplicação.
Economista-chefe da Quest, ex-presidente do Bndes e ex-ministro das Comunicações
JOÃO MELLÃO NETO
O ocaso das certezas
JOÃO MELLÃO NETO
O Estado de S.Paulo - 25/02/11
"Democracia liberal", "direitos humanos", "economia de mercado", esses são os nossos três principais valores. São eles que compõem o ethos da nossa civilização. Estamos de tal forma imbuídos deles que acreditamos não poder haver nenhum outro modelo político-econômico melhor do que esse. É a sociedade aberta, tão almejada e proclamada por todas as nações ocidentais.
Ocidentais, como assim? Esse sapato não caberia em todos os pés? Não seria essa fórmula a única adequada para o desenvolvimento dos povos?
Não. E basta prestar atenção na China para entender a complexidade do problema. Não existe, por lá, nada de democrático ou liberal, não se respeitam os mais elementares direitos individuais e, ao menos internamente, não se obedece no campo econômico nada parecido com a lei de oferta e procura. Só mesmo o Lula para acreditar que os chineses praticam uma "economia de mercado".
E, no entanto, a China está dando certo. Já é a segunda maior economia do mundo e é respeitada por todas as outras nações.
Não seria o caso de levar a cultura chinesa mais a sério? Eles são diferentes dos ocidentais em quase tudo. Os valores do confucionismo desconcertam todos os nossos ousados e irreverentes homens de empresa. Todo mundo vai até lá acreditando que poderá fazer um "negócio da China" e a grande maioria se decepciona. Negociar com chineses é diferente. Eles prezam menos o negócio em si do que o relacionamento advindo dele. Os ocidentais cultivam o individualismo; os chineses buscam o coletivo. A tão difundida cultura da impessoalidade nos negócios dos ocidentais não funciona na China.
Nenhum executivo chinês fecha um negócio se não tiver previamente estabelecido uma relação de amizade com a outra parte. E conseguir isso não é fácil. Implica dar bons presentes, jantares e - o mais importante - ter sido apresentado por alguém de confiança. Obviamente preços e prazos são levados em conta. Mas não são esses os fatores decisivos.
A nossa cultura ocidental é contratualista. Até mesmo na religião, Deus fez uma aliança com Abraão. Os seus descendentes o teriam como único deus e, em troca, Deus faria de seu povo o "eleito". E Cristo, manifestamente, teria vindo ao mundo para celebrar conosco uma nova aliança.
Para os chineses, o que está escrito nos contratos não é o mais importante. Haja vista que até hoje, na China, ninguém tem título de propriedade de nada. O que conta, realmente, é o relacionamento.
A China vem demonstrando que sabe praticar, com habilidade, o jogo capitalista. E - o que para nós é chocante - sem ter de assimilar os nossos valores. Sem democracia, sem respeito aos direitos humanos e sem liberdade econômica.
Nós acreditávamos que tudo isso era um todo indissociável. E de repente surge a China para desmentir as nossas crenças.
E não é apenas a China. Há a Índia, também. E a cultura dos indianos é outra que não tem nada em comum com a nossa. E, não se pode esquecer, há diversos outros países asiáticos - como a Indonésia e a Malásia - que estão se saindo bem no capitalismo sem ter de adquirir, no pacote, os nossos valores.
O que nos falta aqui, no Ocidente, é um pouco de humildade. As culturas que chamamos de "orientais" e "exóticas" são, em geral, muito mais ricas, antigas e complexas do que a nossa. Nós, no nosso íntimo, acreditamos que o mundo começou na Grécia antiga e no Império Romano; passou pela Idade Média, pela Renascença, pela Idade Moderna e chegou à Idade Contemporânea. Ocorre que, para outras civilizações, nada disso faz sentido.
O cristianismo só é importante para nós. Os judeus ainda esperam a vinda do Messias e os muçulmanos veem em Jesus apenas mais um profeta. Os hindus acreditam em vários deuses e os chineses e os budistas não creem em deus nenhum.
O que nós chamamos de História Universal só existe para nós. É a história do Ocidente.
Enquanto isso, no Oriente, as civilizações que se sucederam eram todas muito mais exuberantes e opulentas do que as nossas. Nós nada sabíamos sobre eles e eles tampouco sobre nós. Quando Marco Polo, ainda na Idade Média, visitou a China e voltou maravilhado para contar o que vira, ninguém em Veneza o levou muito a sério.
É comum, dentro da nossa empáfia, dizer que os muçulmanos são povos primitivos. Pois enquanto nós, por aqui, amargávamos a Idade das Trevas, o Islã florescia. O nosso "Renascimento" nada mais foi do que a retomada da arte e da ciência da Grécia antiga. E quem era depositário dessa herança? O Islã.
Até mesmo no que diz respeito à contagem do tempo há grandes divergências. O conceito de "flecha do tempo" - ou seja, a ideia de passado, presente e futuro - só existe para nós. Tanto para os hindus como para os taoistas e os budistas o tempo é cíclico, ou seja, nada progride ou evolui, tudo se repete. O único pensador ocidental a intuir tudo isso foi Nietzsche, com a sua ideia de "eterno regresso". E foi muito mal compreendido por pensar assim.
Aqui, no Ocidente, há agora uma imensa crise no que tange às convicções. Nós tínhamos valores e crenças que julgávamos universais e indubitáveis. Agora, depois que todas as nossas ideologias fracassaram, nós nos tornamos todos relativistas. Estamos aceitando a noção de que não existem verdades absolutas. E também a de que, mesmo que essas verdades existissem, não seria por meio da razão - do raciocínio - que elas poderiam ser alcançadas. Dá-se a este desânimo o pomposo nome de "desilusão pós-moderna".
Nós, de nossa parte, continuaremos a pregar, incansavelmente, a democracia, os direitos humanos e a economia de mercado.
Não porque essas verdades são únicas, mas sim - e principalmente - porque essas verdades são "nossas".
WASHINGTON NOVAES
Os alertas que vêm da área de seguros
WASHINGTON NOVAES
O Estado de S.Paulo - 25/02/11
O eventual leitor compreenderá - e relevará - que o autor destas linhas trate com tanta frequência e insistência do tema das mudanças climáticas e de suas desastrosas consequências no mundo e no Brasil. O artigo de duas semanas atrás - sobre problemas em represas e a necessidade de rever os seus padrões de implantação, diante do volume, peso e velocidade das águas nestes novos tempos, inclusive em São Paulo - provocou várias manifestações de leitores.
Um deles, o engenheiro Michael L. Pinkuss, chama a atenção para a necessidade de avaliar também o acúmulo de sedimentos nos reservatórios e sua influência no nível das águas. É tema que tem preocupado muito, entre outros cientistas, Philip Fearnside, que foi de várias instituições internacionais e hoje está no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Fearnside estudou esse acúmulo em várias barragens da Amazônia - Balbina, Samuel, Curuá-Una, Tucuruí e no projeto de Belo Monte - e alerta também para as emissões de gases que intensificam o efeito estufa emanadas de sedimentos orgânicos que, carreados pelos rios, após os desmatamentos, se acumulam nos reservatórios.
Talvez o tema da revisão de padrões de construção urbanos, rodoviários, hidrelétricos, etc. ganhe mais destaque e leve a modificações, na legislação e na prática, com as notícias que chegam de estudos que estão sendo desenvolvidos na Carolina do Sul, nos EUA, por instituições contratadas pelas maiores empresas de seguros na construção em todo o mundo, que só na área de edificações residenciais têm US$ 500 bilhões segurados e no ano passado perderam US$ 36 bilhões com danos provocados por inundações, vendavais, ciclones, deslizamentos de terras, etc.
No condado de Chester County, a Building House Safety (BHS) está terminando de construir um túnel com 150 superventiladores, capazes de provocar uma corrente de ar a 300 km/h, para poder observar as consequências em casas com os atuais padrões de construção e em outras mais resistentes. "Nós não estamos construindo observando os padrões de hoje nos lugares onde vivemos", diz Julie Rochman, da BHS. "Construímos da forma em que queremos viver, esquecendo as lições do passado." E isso tem tido consequências graves com chuvas, ventos, elevações do nível do mar - inclusive na perda de safras agrícolas.
"É muito difícil negar o aquecimento global", diz Rochman. "Mas as seguradoras estão aí para mostrar." Tanto assim que elas estão revendo o padrão internacional para seguros nesta área. E providenciando também simuladores de incêndios florestais, para poder criar um sistema de alertas. Porque a cada dia chegam notícias mais complicadas. Uma delas, publicada pela revista Time, é de um estudo do Instituto do Meio Ambiente de Estocolmo, segundo o qual se pode agravar muito nos próximos 100 anos, com o aquecimento global, a situação já preocupante de falta de água no sudoeste norte-americano, incluindo Califórnia, Nevada, Novo México e Utah. O déficit nessas regiões, que já é alto, poderá quadruplicar. E os custos para remediá-lo poderiam chegar a US$ 2 trilhões.
Não é só ali que aumentam as aflições. No sul dos EUA o problema é, ao contrário, o "excesso" de chuvas. Nessa região, logo depois do Natal, choveu em volume não visto desde 1880. Em Los Angeles, em três semanas, choveu o que costumava cair em um semestre. A Austrália ainda está às voltas com os dramas da inundação em Queensland. Nas Filipinas, desde dezembro do ano passado, 2 milhões de pessoas foram atingidas por inundações. Na África do Sul, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) está alertando para o alto risco de inundações nas próximas semanas, continuando as que já arrasaram dezenas de milhares de hectares de cultivos - e comprometendo a alimentação dos mais pobres. Botswana, Lesotho, Moçambique, Namíbia e Zimbábue enfrentam os mesmos problemas. A África do Sul já decretou "estado nacional de desastre".
Estranhamente, entretanto, o Partido Republicano dos EUA tenta bloquear na Câmara dos Deputados proposta que mantém poderes da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) para fixar padrões de emissões de gases nos vários setores econômicos e até exigir a redução. Esses poderes vêm sendo reconhecidos pela Corte Suprema do país desde 2007.
Também por aqui temos muito com que nos preocupar. Balanço publicado por este jornal (11/2) mostra que transportamos por rodovias nada menos do que 58% das cargas, ante 25% no sucateado setor ferroviário e 17% em hidrovias. Nada a estranhar, portanto, que o poluente diesel do petróleo responda por 53% das emissões no setor de transporte. Na Rússia, 81% das cargas vão por ferrovias; no Canadá, 46%; na Austrália e nos EUA, 43%. Para os problemas brasileiros contribuem também as emissões de automóveis, fabricados em quantidade cada vez maior e até com redução de impostos.
É preciso mudar essa matriz. Como é preciso atuar também em outros setores. Ainda agora, o Ministério Público Federal está recomendado ao Ibama (Estado, 10/2) que suspenda as operações das fases A e B, assim como anule a licença da fase C, no complexo termoelétrico de Candiota (RS) - movido a carvão -, que "viola desde 2005 os padrões de emissão máximos fixados pelo próprio Ibama". As duas primeiras fases, juntas, têm 446 MW e a terceira, 350 MW. Mas, na prática, o que está ocorrendo é que o setor de energia recorre cada vez mais a usinas termoelétricas - de energia muito mais cara e altamente poluidoras.
Estudos publicados pela revista Nature (BBC News, 17/2) mostram que chuvas mais intensas têm hoje probabilidade 20% maior de acontecer por causa do aumento das emissões de gases. Já passou, portanto, da hora de mudar nossa postura interna e colocar a política do clima no centro de nossas estratégias, influenciando todas as áreas.
CLÁUDIO HUMBERTO
DUDA MENDONÇA, O MARQUETEIRO, CITANDO PESQUISA SEGUNDO ELE REALIZADA HÁ DOIS ANOS
LÍBIA: DEMORA PARA RESGATE DESGASTOU PATRIOTA
A reação lenta no socorro a brasileiros que se encontravam em situação de perigo, na Líbia, foi o primeiro desgaste do ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores) junto à presidente Dilma. Rápido na decisão de visitar e levar mais ajuda ao Haiti, Patriota foi hesitante na montagem de uma operação para resgatar os brasileiros – enquanto Portugal, no mesmo período, repatriou mais de três mil pessoas.
ELEMENTAR
SABE O CAMINHO
O chanceler Patriota só não esqueceu de requisitar um jato Legacy, da FAB, que o levou a Washington, esta semana, a 7.800 km de Trípoli.
ASPONE OMISSO
MICO NO PEITO
DF: AGENTES RECEBIAM PROPINA PARA LIVRAR PRESOS
Investigação sigilosa da Corregedoria da Polícia Civil do DF desmontou um esquema de corrupção no presídio da Papuda. Os agentes penitenciários Sérgio Vieira Campos, Antônio Amilton Marinho Crema e Luiz Pereira de Souza foram presos nesta quinta, acusados de abonar, mediante pagamento de propina, o “retorno” de presos beneficiados pelo regime semiaberto (trabalhavam ou saíam para visitas de fim de semana a familiares), que ficavam fora dos presídios por vários dias.
ESQUEMA AZEITADO
Um grupo de oitenta detentos da Papuda pagava propina de R$ 300 por “abono” dos agentes. O esquema funcionava há mais de um ano.
PATERNIDADE
Após aceitar o mínimo de R$ 545 do Planalto, o senador Paulo Paim (PT-RS), “paladino” dos aposentados, virou Paulo “Padrastim”.
FAROESTE CABOCLO
Assessores da presidente Dilma se referem ironicamente ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como “aquele que persegue a diligência”.
CAVALARIA ESTÁ CHEGANDO
O governo dos Estados Unidos reservou todo o hotel Golden Tulip, em Brasília, de 1º a 25 de março, mas o presidente Barack Obama e família permanecerão na cidade apenas um dia, na segunda quinzena.
JABUTIS ILUMINADOS
O presidente da Codeplan (órgão de planejamento do governo do DF), Miguel Lucena, cancelou licitação de R$ 1,2 bilhão para iluminar Brasília em Parceria Público Privada. O edital estava cheio de jabutis.
MESMA FARINHA
Craque no embate político, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) não perdeu a piada, quando ouviu o novato Lindberg Farias (PT-RJ) defendendo o salário mínimo de R$ 545: “Pensei que você era um cara-pintada, mas vejo que no fundo é um cara-pálida”.
PAPAGAIO DE PIRATA
Após o vexame de ter anulado o contrato sob suspeita de R$ 297,3 milhões de sua empresa Sangari com o governo do DF, o argentino Jorge Werthein produziu um factoide e apareceu ontem de papagaio de pirata do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).
ECONOMIA NO SENADO
O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) pretende digitalizar projetos e Processos, na Comissão de Constituição e Justiça, deixando-os acessíveis na internet. E eliminar o gasto anual de toneladas de papel.
DICA DE LEITURA PARA TUCANOS
Sentindo-se injustiçado pelo PSDB (foi acusado de fugir com dinheiro de doações para campanha), Paulo Vieira de Souza, o “Paulo Preto”, disse a esta coluna que lê e recomenda O Gladiador, sobre a história do homem que vai à forra após ter a vida destruída pelos poderosos.
BANDALHEIRA NO ACRE
Laudo da Polícia Federal indica que o chefe político do Acre, senador Jorge Viana (PT), foi beneficiado pelo direcionamento de edital e pelos preços inflados na compra de um helicóptero da Helibrás. O contrato foi negociado pelo próprio Jorge Viana, que era do conselho da empresa.
PEDRA NO CAMINHO
Há construtoras insatisfeitas com a nova regra da Caixa de só financiar obras do Minha Casa, Minha Vida em ruas pavimentadas. Alegam que as prestações subirão. Logo agora que o mínimo também “subiu”...
VÍCIO MALDITO
O ditador líbio Muammar Gaddafi “diagnosticou” que os manifestantes estão sob uso de drogas. Pudera: 42 anos consumindo um doido...
PODER SEM PUDOR
LÍNGUA FERINA E LETAL
É muito temida a língua do atual vice-governador de Alagoas, José Thomaz Nonô (DEM). Ele era deputado federal nos anos 90 quando, certa vez, em aparte devastador, liquidou o projeto do deputado tucano Fábio Feldmann (SP) para implantar “processamento químico e elétrico” em abate de animais, nos frigoríficos:
– Vamos ter cadeira elétrica para boi? – perguntou Nonô, debochado – Como faremos com o peru? Será crueldade matar a vítima embriagada?
As gargalhadas do plenário sepultaram o projeto do ambientalista tucano.
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: Forças rebeldes já controlam poços de petróleo na Líbia
- Folha: Governo já discute idade mínima de aposentadoria
- Estadão: Rebeldes se aproximam de Trípoli; mortos já seriam 2 mil
- Correio: Kadafi denuncia Bin Laden e crise chega ao Brasil
- Estado de Minas: O mistério do corpo 134
- Jornal do Commercio: Galo gigante só fecha ponte na quinta-feira
- Zero Hora: População foge da Líbia conflagrada
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
CLÓVIS ROSSI
O louco, o sangue e o petróleo
CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SÃO PAULO - 24/02/11
A islamofobia que assola o planeta, especialmente Estados Unidos e Europa, faz com que tudo e todos que estejam relacionados ao islamismo sejam vistos como loucos de turbante a ponto de detonar uma bomba.
Pois saiu exatamente de uma liderança islâmica a mais sábia avaliação sobre a realidade na Líbia.
Youssef al-Qaradhawi, presidente da União Internacional dos Sábios Muçulmanos, disse o seguinte, em entrevista à Al Jazeera: "A verdade é que eu não tenho nada a dizer a Gaddafi, porque nós devemos nos dirigir apenas às pessoas razoáveis. As pessoas não razoáveis não devem ser abordadas. Ora, ele não é razoável. Faz tempo que ele é louco".
Simples, curto e grosso. Torna inócuos os apelos de lideranças ocidentais para que cesse o banho de sangue na Líbia. O Ocidente sabe, há muito tempo, que Gaddafi é louco. Prova-o o fato de ter dado respaldo ao atentado contra um avião da PanAm sobre Lockerbie na Escócia (270 mortos).
Adianta fazer apelos a um louco? É louvável o francês Nicolas Sarkozy pedir a imposição de sanções à Líbia e a suspensão de todos os laços econômicos com o reino de Gaddafi. Mas é tarde. Até que sanções façam efeito -se fizerem- o banho de sangue terá sido ainda mais impressionante.
O fato é que o mundo ainda não desenvolveu mecanismos de brecar barbáries. Ações unilaterais (Estados Unidos no Iraque) não puseram fim à violência. Ações das Nações Unidas não impediram massacres nem em Ruanda nem em Srebrenica, na Bósnia.
Talvez porque as forças de pacificação chegam tarde quando muito sangue já correu e muito ódio já se acumulou.
Quem sabe agora que o petróleo passou dos US$ 110 o barril, o Ocidente resolva lidar com um déspota louco com a força, única linguagem que eles entendem.
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