quinta-feira, julho 15, 2010

ANCELMO GÓIS

O Calazans cubano 
Ancelmo Góis 

O Globo - 15/07/2010

Fidel Castro misturou política e esporte, em sua coluna no “Granma”, o jornal do Partido Comunista cubano. Começou escorregando, ao chamar seu amigo Maradona de “o maior do mundo”. Lula, do país de Pelé, vai achar um gol contra.

Depois, escreveu que a derrota do Brasil para a Holanda, na Copa, foi culpa do... juiz.

Segue...

O barbudo chamou de “desapego ao poder” a decisão de Lula de não se candidatar ao terceiro mandato.

La dolce vita

Ronaldinho Gaúcho está como o diabo gosta nessas férias cariocas.

Escoltado por amigos e seguranças, tem feito um roteiro que inclui praia, pagodes e feijoadas de escolas de samba.

Aliás...

Trata o mulherio à sua volta de “meus brinquedinhos”.

Parece machismo. E é.

Festa garantida

Sérgio Cabral resolveu ajudar a viabilizar a próxima Flip. O governo do Rio vai aportar R$ 1,5 milhão na festa literária de Paraty que começa dia 4 agora.

A Flip contava com dinheiro da Petrobras. Mas a estatal desistiu de apoiar o evento.

Quem vem

Jorge Castañeda, o intelectual e ex-chanceler mexicano que andou criticando o namoro de Lula com o Irã, participa dias 26 e 27, em SP e no Rio, de um simpósio da Souza Cruz sobre liberdade e democracia na América Latina.

Lula e a balança

Lula voltou a fazer dieta.

O presidente ganhou uns quilinhos depois que parou de fumar.

Antes da crise de hipertensão que teve em janeiro deste ano, havia emagrecido oito quilos.

A CAIXA POSTAL da coluna foi invadida por mensagens de leitores atentos, que notaram a falta da batuta na estátua do grande maestro Carlos Gomes, que agora está na Rua Treze de Maio, perto do Theatro Municipal, no Centro.

O motivo é o mesmo que leva os óculos da estátua de Drummond, em Copacabana: furto. O objeto, veja só, já tinha sumido três vezes em seu antigo endereço, na Praça Floriano. Mas ontem, por iniciativa de Carla Camurati, presidente do Theatro, a estátua ganhou uma nova batuta (veja na foto maior). Tomara que dure

Palácio da transição

A Presidência da República volta agora em agosto para o Palácio do Planalto, mas continuará com um pezinho no CCBB até 2011. É que se decidiu já deixar montado o que será o QG do governo de transição.

Ficará no 2oandar do prédio que a Presidência vinha ocupando há mais de um ano, durante as reformas do palácio.

Segue...

Na terça, após o expediente, quando todos achavam que tinha ido para casa, Lula resolveu vistoriar as obras.

Dessa vez, pelo lado de fora.

Junta médica

Jade Barbosa, a medalhista pan-americana de ginástica artística, passará por uma junta médica para avaliar a lesão em seu pulso direito e saber se poderá voltar à seleção brasileira.

A junta, criada pelo COB a pedido da Confederação de Ginástica, terá cinco médicos, dois deles especialistas em cirurgia de mãos escolhidos por César Barbosa, pai da atleta.

ZONA FRANCA

Os ministros Orlando Silva e Luiz Barreto indicaram o nome de Wagner Abrahão (Grupo Águia) para integrar o Conselho Nacional do Turismo.

Hugo Carvana grava entrevista no MIS na quarta que vem, dia 21.

O Far Up lança “Sertanejo na Cobal”, hoje.

O Vale das Estrelas faz no fim de semana seu XV Concurso Hípico.

A Farm lança hoje sua coleção com o AfroReggae, em Ipanema.

O enólogo Paul Hobbs fará degustação hoje na Grand Cru Barra.

Abre hoje a temporada de liquidação no Rio Plaza Shopping.

A Med-Rio Check-up pôs ambulância de plantão na festa C’est si bon, no Forte de Copacabana.

Cadê o azul?

Na internet, chove email contra a “substituição do azul pelo vermelho” nas cores do Brasil na logo da Copa de 14.

A campanha delira, quase sempre, para a teoria conspiratória.

Mas é um hit nas redes sociais.

Agora vai abaixo

Teve gente pensando que tinha subido no telhado a ideia de Eduardo Paes de derrubar o Elevado da Perimetral, no trecho entre a Praça Mauá e a Francisco Bicalho.

Mas o prefeito retoma a picareta agora, graças a estes R$ 3,5 bilhões que o FGTS vai aportar ao projeto Porto Maravilha, a ser formalizado amanhã.

Retratos da vida

Um bebê recém-nascido, branco, foi entregue à Vara da Infância e Juventude do Rio. Assim que chegou, dia 8 de julho, a primeira família cadastrada levou o menino para casa. Devolveu a criança quatro dias depois.

A juíza Ivone Caetano entregou, então, ao próximo da lista.

No dia seguinte, a criança foi devolvida de novo, sob a alegação de que tinha um problema na vista.

Segue

O bebezinho teve de ser levado para o abrigo.

Enquanto isso, a juíza tenta achar um médico que possa operar gratuitamente a criança.

Alguém se habilita?

E AGORA um espetáculo para iluminar nossa quintafeira: Gisele Bündchen, deslumbrante como sempre, posando para a campanha de verão de uma grife brasileira.

Benza Deus!

JORGE MAUTNER, o cantor, capricha no chamego e sapeca um selinho na filha Amora, no seu show, no Sesc Ginástico, no Centro do Rio

PONTO FINAL

Seis dos sete presos políticos, vítimas da ditadura de Fidel, que se asilaram em Madri, são jornalistas. Ou, como diria Tutty Vasques, “ô raça”, essa da imprensa.

GOSTOSA

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Um país longínquo
LUIS FERNANDO VERISSIMO
O GLOBO - 15/07/10


No fim da Copa da Alemanha, em 2006, o Fernando Calazans e eu fizemos um juramento solene: Copas, nunca mais. Não cumprimos nossa promessa. No meu caso, a perspectiva de conhecer um país novo, assistir ao melhor futebol do mundo e ser pago para isso foi, mais uma vez, irresistível. Minha promessa pressupunha falta de condições físicas para enfrentar outra Copa. Não era o caso do Calazans, que é um jovem. Cobrir Copas é muito bom, você vê os jogos dos melhores lugares do estádio, mas chegar nos melhores lugares geralmente envolve lances e lances de escadas e rampas intermináveis. Tudo é compensado pelo futebol, pelo prazer da viagem, pela convivência com os companheiros de cobertura, mas não é para septagenários. Não me arrependo de ter descumprido a promessa, no entanto. Minhas coronárias se portaram muito melhor, na África do Sul, do que 
a seleção.
É claro que as melhores Copas são as que o Brasil ganha, mas esta foi das boas. Jogadores e times de quem se esperava muito fracassaram, como Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney, Inglaterra e Itália, mas surgiram jovens como o alemão Thomas Müeller e times sem tradição jogando um futebol respeitável, e a final foi entre duas das seleções nacionais mais vencedoras dos últimos tempos, quer dizer que não se pode falar em injustiça.
O Brasil resumiu-se numa série de dúvidas em torno da personalidade do Dunga. Nunca se ficou sabendo o que era birra, o que era convicção e o que era apenas o melhor que ele conseguiria fazer com o que tinha, no comportamento do Dunga. Algumas das suas apostas não deram certo, outras deram, na média ele fez um time vencedor que perdeu o jogo que não podia perder. O que surpreendeu na derrota do Brasil para a Holanda foi o que menos se esperava de um time treinado pelo Dunga, a apatia.
A África do Sul foi uma experiência, só não me perguntem de que tipo. O país é lindo, a gente amabilíssima, mas sei lá. Tem-se a impressão de que estão à beira de alguma coisa, só é difícil saber se é uma nova sociedade multirracial feita em cima do ódio de gerações, ou de uma nova convulsão. Basta uma visita ao magnífico Museu do Apartheid para se ter uma ideia do que precisará ser esquecido para o país se reconciliar com seu passado.
As sete Copas que cobri já me levaram do México e dos Estados Unidos ao outro lado do mundo, a Coreia e o Japão. Não sei se vai dar para cobrir a Copa de 2014. Ela se realizará num país que, nos próximos quatro anos, ficará cada vez mais longínquo. Mais longínquo, para mim, do que o Cabo da Boa Esperança. Acho que essa não vai dar mesmo, Calazans.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Se chicotada resolvesse, País não teria tanta corrupção”
PRESIDENTE LULA, QUE AGORA QUER CRIMINALIZAR PALMADAS DE PAIS NOS PRÓPRIOS FILHOS

FICHA LIMPA: LIMINAR PRÓ-HERÁCLITO PODE CAIR 
Pedido liminar de reconsideração que chegou ontem ao Supremo Tribunal Federal, baseado na lei Ficha Limpa, pode impugnar de vez a candidatura à reeleição do senador Heráclito Fortes (DEM-PI). Ele ganhou uma sobrevida do ministro Gilmar Mendes contra a Lei Ficha Limpa, mas há entendimento no STF, inaugurado pelo ministro Carlos Ayres Britto, de que só órgão colegiado pode alterar decisão de órgão colegiado. E Ayres Britto é quem vai decidir sobre a reconsideração.

A CONDENAÇÃO 
Heráclito Fortes foi enquadrado na Lei Ficha Limpa pela condenação no Tribunal Justiça do Piauí por condutas lesivas ao patrimônio público.

AUTOR DA AÇÃO 
O pedido de reconsideração do STF é do deputado Osmar Junior (PCdoB-PI), autor da ação popular que condenou Heráclito Fortes.

NÃO DÓI 
Lula tem razão em apoiar a lei contra palmadas em criança. Ele só as admite em aloprados petistas, quando aprontam estripulias ilegais. 

QUERO SER PARAGUAIO 
O “dinheiroduto” de US$ 8 bilhões (R$ 16 bi) ao Paraguai, durante o governo Lula, é mais generoso do que para qualquer Estado brasileiro. 

BENESSES PARA O PARAGUAI NÃO SAEM ESTE ANO 
O governo do Paraguai divulga que o presidente Lula vai a Assunção, dia 30, anunciar o aumento da “mesada” para aquele país de R$ 120 para R$ 360 milhões anuais, a título de “compensação” sabe-se lá de quê, mas não é verdade. O Ministério das Relações desmentiu a viagem. E, para isso ser anunciado, nosso Congresso precisa, antes, aprovar a alteração do tratado que criou a empresa Itaipu Binacional. 

SEM PRESSA 
O Congresso brasileiro nem mesmo instalou a comissão especial para discutir o tratado com o Paraguai, tampouco há um relator da matéria.

ALTERAR É ILEGAL 
O próprio tratado internacional de Itaipu só prevê qualquer alteração a partir de 2023. E o Brasil tem reputação de honrar tratados.

MÃO NO NOSSO BOLSO 
Lula quer propor outra filantropia ao Paraguai: Itaipu pagará nova linha de transmissão para Assunção, que nos custaria US$ 450 milhões.

O CORREIO CHEGOU 
O Tribunal de Contas da União vai auditar os atrasos e extravios de correspondência e os contratos dos Correios com as empresas aéreas, atendendo a um pedido da Comissão de Fiscalização da Câmara. 

FICHA LIMPA TIRA SONO 
Processado na Justiça Eleitoral por abuso de poder na eleição de 2006, o ex-governador tucano da Paraíba Cássio Cunha Lima manobrou para adiar o desfecho, que se arrasta há quatro anos: terça (13), destituiu de uma só vez os quatro advogados. Postergou o caso por seis sessões.

CARGA PESADA 
Os aeroportos do Brasil estão um lixo, mas a Infraero se preocupa com os “aspectos técnicos das exportações Brasil-República Dominicana”. Um técnico vai domingo (18), tudo pago, discutir o problema lá. 

WAGNER DAS PLACAS 
O governador baiano Jaques Wagner alugou 400 motos para a caótica segurança pública, mas estão paradas: falta emplacamento. Logo Wagner, cujo governo é pródigo em 
inaugurar placas de obras...

A PENSÃO DA BELA 
O governo paulista recorreu da decisão da Justiça, que manteve a pensão de R$ 13 mil que a atriz Maitê Proença, solteira, herdou dos pais e perdeu, ao contar em livro “relação estável” com um empresário. 

SAÚDE PARA QUÊ? 
Não bastassem os escândalos da Saúde no governo Sérgio Cabral, a prefeitura do Rio quer fechar o hospital Rocha Maia, de emergência média, na Zona Sul, “ponte” entre o Miguel Couto e o Souza Aguiar. Daria lugar a uma clínica particular. Haverá protesto na segunda, 19.

UMA ROUBADA 
Um grupo de jovens mineiros foi depenado num hotel em Berlim por “turistas” do Leste Europeu, que aproveitam o forte calor na região. A embaixada ajudou os mineiros e pede a brasileiros atenção redobrada. 

MAIS FÔLEGO 
A Câmara dos Deputados analisa projeto alterando a Lei das Micro e Pequenas Empresas. O teto do faturamento bruto passaria para R$ 3,6 milhões, com alíquota única. O teto dos autônomos subiria a R$ 48 mil anuais. Os valores atuais estariam defasados diante do PIB e inflação. 

DEVAGAR E SEMPRE 
No Japão, trem-bala é “Shinkansen”. Com oito paradas entre Rio e São Paulo, o brasileiro tem tudo para virar “Chicansei”. 

PODER SEM PUDOR
UMA LINDA PRINCESA 
No início dos anos 80, a Áustria doou os restos mortais da princesa Tereza Cristina ao Museu do Ipiranga. Chegada triunfal: banda de música, guarda de honra etc. No alto da escada do avião surgiu Emanuel Masserani, assessor do deputado monarquista Cunha Bueno. Ele desceu devagar, com o cuidado de mordomo: nas mãos, a pequena urna dos restos da princesa. Ao pé da escada, Paulo Maluf, governador, achou aquilo tudo meio ridículo:
– Ô, Masserani, como vai a nossa princesa? – perguntou, irônico.
Ele abriu um sorriso, revirou os olhos para o alto e respondeu, extasiado:
– Linda, senhor governador, lin-da!

SONHO

QUINTA NOS JORNAIS

Globo: Europa reduz exploração de petróleo; Brasil acelera

Estadão: Receita já sabe quem acessou IR de tucano, mas não conta

JB: Violência sexual, o drama da infância

Correio: Servidor inativo ganha isenção da Previdência

Valor: País viveu um boom de lançamentos no varejo

Zero Hora: Estudo avalia a Capital para a Copa de 2014

quarta-feira, julho 14, 2010

ROLF KUNTZ

Investindo em poder

Rolf Kuntz
O Estado de S. Paulo - 14/07/2010
 
 Mais um instrumento de poder e de arbítrio vai reforçar o grande arsenal montado pelo presidente Lula, com a criação da Empresa Brasileira de Seguros (EBS). A companhia poderá realizar contratos no País e no exterior. A seguradora é necessária, segundo o governo, para dar garantia a operações e obras não cobertas pelo setor privado. O setor privado contesta, mas a discussão técnica é irrelevante, porque passa longe da questão real. O assunto é político. Não se trata de mera intervenção estatal no mercado, mas de centralização das decisões. A criação da Pré-Sal Petróleo S. A. é parte do mesmo esquema, assim como a crescente participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), turbinado com recursos do Tesouro, em projetos de interesse do governo.
O governo planejou inicialmente criar a seguradora por meio de Medida Provisória (MP), mas decidiu recorrer a um projeto de lei, segundo anunciou ontem o ministro da Fazenda. A MP dificilmente se enquadraria na regra constitucional. Pela Constituição, MPs são permitidas em casos de "relevância e urgência". O governo poderia alegar relevância, mas só as conveniências políticas do presidente - a menos de seis meses do fim de seu mandato - poderiam dar sentido à palavra urgência.
A experiência desautoriza qualquer outro significado, quando se trata deste governo. Ninguém, no primeiro escalão federal, mostrou pressa quando foi preciso socorrer vítimas de enchentes em Santa Catarina ou até no Nordeste, nem para liberar dinheiro destinado a obras de prevenção, mesmo depois dos desastres de 2008 e 2009. Em 2010, até 22 de maio, o governo desembolsou apenas 14% das verbas previstas para o programa. Nenhum tostão tinha ido para Alagoas. Pernambuco havia recebido menos de 1%.
A urgência, no caso da EBS, só seria explicável pelo fim do mandato. Se o presidente Lula conseguir a eleição de sua candidata, deixará adiantada a criação de mais um instrumento de comando e de barganha. Para isso, não precisa consultar a candidata Dilma Rousseff, nem, de fato, para quaisquer outras iniciativas. O presidente Lula simplesmente ganhará tempo para o exercício de um novo mandato - este informal - até 2014. Se for eleito o oposicionista José Serra, a nova empresa seguradora será um fato consumado e mais um problema para o início de seu governo.
O presidente com certeza não leva a sério a hipótese de uma derrota na eleição deste ano. Mas trabalha para criar fatos consumados, consolidar interesses de grupos e impor sua marca aos próximos quatro anos. Ao usar o Tesouro para reforçar o BNDES com R$ 180 bilhões, ele gera um problema fiscal, porque aumenta a dívida bruta do setor público. Cria, no entanto, condições para um grande envolvimento do banco - e, mais amplamente, do Estado - em custosos projetos de longo prazo.
O noticiário do dia a dia mostra os principais lances desse jogo. O Grupo Eletrobrás e os três maiores fundos de pensão das estatais controlarão a maior parte do capital da Usina de Belo Monte. Além disso, o BNDES poderá financiar até 80% do projeto, segundo se divulgou no começo da semana. Uma estatal terá participação de 33% e poder de veto na sociedade criada para o projeto do trem-bala, informou o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O BNDES deverá envolver-se também no financiamento dessa obra, talvez com juros especiais, segundo o dirigente da ANTT.
Se for eleita a candidata inventada pelo presidente Lula, o esquema de governo - e de poder - continuará funcionando sem problemas de transição. As dificuldades serão aquelas embutidas no próprio esquema construído por Lula. A situação fiscal será bem menos sólida e poderá haver problemas nas contas externas, se as exportações continuarem crescendo menos velozmente que as importações. Mas o governo, até agora, deu pouca atenção a essas questões, porque a prioridade do presidente era avançar no jogo do poder.
Também a Copa do Mundo de 2014 é parte desse jogo. É fator de prestígio e de mobilização de apoio. Mas nenhum investimento progrediu até agora, a Fifa reclama e é preciso correr. De repente, o governo parece ter descoberto mais um entrave. Os municípios-sede poderão ser forçados a estourar seus limites de endividamento na preparação para a Copa. A solução, segundo reportagem do Estado, será suspender esses limites por quatro anos. Será mais um problema fiscal. Certamente valerá a pena, do ponto de vista do governo. Servirá para sustentar, acima de tudo, a ambição de poder de um presidente.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Importações ameaçam indústria têxtil nacional 
Maria Cristina Frias 
Folha de S.Paulo - 14/07/2010

A velocidade do aumento das importações de produtos têxteis já preocupa a indústria brasileira.

No acumulado deste ano até junho, o volume importado de itens têxteis e confeccionados cresceu 60%, de acordo com a Abit (associação da indústria têxtil).

O deficit da balança comercial do setor deve fechar o ano em US$ 3,5 bilhões, segundo a associação.

"O consumo e a produção estão crescendo. Porém, o preocupante é que a expansão está em um ritmo menor que o das importações", diz Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit.

Neste ano, até maio, a produção física do setor têxtil aumentou 12%.

Os investimentos e a criação de postos de trabalho no setor estão maiores. A previsão é fechar o ano com investimento de US$ 1,5 bilhão, ante os US$ 900 milhões de 2009. O setor gerou até maio 45 mil novas vagas, ante 12 mil no ano passado.

Apesar dos bons números para este ano, a indústria nacional está preocupada com a competitividade em 2011.

"O câmbio dos concorrentes, principalmente o da China, está depreciado e os juros brasileiros estão em nível absurdo. Além disso, a taxa de câmbio do Brasil explicita o custo tributário, a burocracia e a deficiência de infraestrutura", afirma Pimentel.
Em Reforma
A Dorchester Collection, de hotéis de alto luxo, adquiriu três novos edifícios ao redor do Plaza Athénée, em Paris, o hotel da rede mais procurado por turistas brasileiros.

O objetivo é comemorar os cem anos do local, em 2013, com uma ampliação, que elevará de 191 para 216 o número de quartos.

A informação é de François Delahaye, diretor de operações da Dorchester, que veio ao Brasil apresentar os novos investimentos do grupo. Além da ampliação na França, foram adquiridos dois hotéis na Inglaterra, o Coworth Plaza e o 45 Park Lane, que receberam 50 milhões de libras (cerca de R$ 133 milhões) em reformas cada um.

A empresa deve adquirir cerca de 20 hotéis até 2015 e negocia na Ásia, no Oriente Médio e na América do Norte. No Brasil, ainda não há projeto definido.

"O Brasil tem um grande público e precisa de um bom hotel no Rio de Janeiro, cidade que reúne lazer e negócios", diz Delahaye.
De volta...Uma comitiva de empresários brasileiros desembarca hoje em Angola para participar da Filda (Feira Internacional de Luanda). Entre eles estão o presidente da ABF (associação de franchising), Ricardo Bomeny, e executivos das redes de franquias Wizard e Vivenda do Camarão.
...à ÁfricaAngola é o terceiro maior destino das franquias brasileiras. Atualmente, 17 marcas nacionais representam o país na região. A ABF, com o apoio da Embaixada Brasileira em Angola, irá realizar visitas técnicas e rodadas de negócios na região.
Desconfiança
O ICC (Índice de Confiança do Consumidor), calculado pela Fecomercio SP, registrou queda de 2,3% em julho na comparação com o mês anterior.

O indicador atingiu 155,2 pontos, ante os 158,9 pontos de junho. O nível de otimismo ainda é considerado positivo, segundo a entidade.

O ICC varia entre zero e 200 pontos. O resultado indica pessimismo abaixo de cem pontos e otimismo acima desse patamar.

Na análise por sexo, as mulheres apresentaram redução de 3,1%, enquanto os homens tiveram queda de apenas 1% no ICC de julho. O índice será divulgado hoje.
Vida real 1O Insper lança em agosto a "Coleção de Casos Insper", que será licenciada para outras instituições de ensino. Serão 15 títulos, baseados em situações do contexto corporativo brasileiro e internacional, de áreas como administração, recursos humanos e marketing. A cada ano, dez novos casos devem ser incorporados à coleção.
Vida real 2O Insper não tem uma previsão de receita com o licenciamento de casos. No ano passado, a receita com licença de casos em Harvard, que possui cerca de 8.000 títulos, superou US$ 8 milhões. Para o lançamento oficial, em agosto, o instituto prepara um evento sobre a importância de estudos de casos como ferramenta pedagógica.
TributaçãoPara ajudar a entender o sistema tributário brasileiro, a editora Saraiva lança o livro "O País dos Impostos" (224 páginas), de Dávio Antonio Prado Zarzana, membro da Câmara Americana de Comércio. A alta carga tributária do país, segundo o autor, se deve à lentidão e à burocracia do sistema de recolhimento, além dos múltiplos impostos existentes.
Âncora
Alguns projetos significativos de investimentos em portos privativos no Brasil foram retomados nos últimos dois meses, segundo o escritório de advocacia Lefosse. "Tinham parado devido a incertezas quanto à regulamentação que restringia a operação nos terminais privativos a cargas pertencentes aos investidores dos projetos, suas controladoras e controladas", diz Eduardo Lima, sócio da banca. "A Antaq editou nova regulamentação, que agora o mercado percebeu, abrindo possibilidade de transitarem cargas de empresas consorciadas no empreendimento", diz. No Lefosse, três projetos, que juntos envolvem US$ 1 bilhão, foram retomados. O mais adiantado prevê um terminal, no Rio, para embarque de aço. Os outros dois são para o embarque de grãos e granéis líquidos.

O ABILOLADO E A MENTIROSA

DORA KRAMER

Manda quem pode 
Dora Kramer 

O Estado de S.Paulo - 14/07/2010

O candidato José Serra recentemente levantou um assunto que suscita discussões e divide opiniões: se Dilma Rousseff for eleita presidente quem mandará no País, ela, Lula ou o PT?
Diz o tucano que será o PT, procurando tirar proveito da polêmica acerca do programa de governo eivado de retrocessos institucionais que a candidata Dilma Rousseff diz que rubricou, mas não assinou.
Essa posição não é unânime, pois muita gente de peso no governo e na oposição compartilha a convicção de que Dilma é um fantoche de Luiz Inácio da Silva que assim continuará se ganhar a eleição.
Fundador do PT que se afastou do partido em 2005, vice-prefeito na gestão de Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo e hoje eleitor de Marina Silva, o professor Hélio Bicudo é taxativo: "Lula quer Dilma no poder para continuar mandando no País."
Já os dois partidos que sustentam a candidatura nutrem cada um a esperança de se sobrepor ao parceiro no comando do espetáculo.
O PT tanto não tem dúvida disso que nem pensou duas vezes em enviar ao Tribunal Superior Eleitoral o programa aprovado pelo partido em fevereiro último, ignorando completamente as propostas entregues solenemente pelo candidato a vice, Michel Temer, à candidata a presidente.
Ademais, dirigentes, parlamentares e governantes (prefeitos, principalmente) petistas falam abertamente sobre a expectativa de dias melhores num governo sem Lula para fazer sombra ao partido.
O PMDB em sua sinuosidade aguarda os acontecimentos razoavelmente em silêncio. Apenas uma vez ousou ser mais explícito falando em ser também "protagonista" no próximo governo.
Prefere posar de disciplinado em público, enquanto se delicia no particular com as confusões em que se envolve o PT, certo de que num eventual governo Dilma elas seriam tantas que o PMDB se destacaria no papel de poder moderador e interlocutor confiável.
Quem entende e tem experiência de poder aposta que, uma vez de posse da cadeira e principalmente da caneta presidencial, a criatura não levaria muito tempo para se distanciar do criador e Dilma Rousseff tenderia a sair da sombra de Lula em função da própria dinâmica do cotidiano da Presidência. Ela, e não mais ele, passaria a ser a referência.


A propósito desse tipo de avaliação um matreiríssimo deputado baiano (do PMDB) costuma dizer o seguinte: "Quando a gente atende à porta não pergunta quem foi, pergunta quem é."

Linha torta. Ficou feio para Dilma e Serra a maneira negligente como ambos apresentaram seus ditos programas de governo à Justiça Eleitoral.

Mas no geral foi bom, pois suscitou debate a respeito dos projetos de País, obrigando os candidatos e as assessorias a dar atenção efetiva a um assunto que raramente ocupa espaço nas campanhas eleitorais.

O que domina ainda são as pesquisas e o bate-boca, mas os programas ganharam um destaque que nunca tiveram.

Nessa seara o PSDB se reorganizou a saiu na frente anunciando a divulgação gradativa do programa, ponto a ponto, a partir de agora.

O PT ainda patina nas desculpas inconsistentes prometendo apresentar um programa conjunto das doutrinas petista e pemedebista.

Cigarra. De 2007, quando foi anunciada a escolha, a 2014 o Brasil teria sete anos para se preparar como país sede da Copa do Mundo. Conforme atesta agora a Fifa ("falta tudo"), perdeu três.

Nesse período muito se festejou, mais ainda se bajulou. Governantes e dirigentes. Nada se fez e, é claro, até a data fatal tudo acabará sendo feito. Mais a que custo e sob quais métodos são questões que os principais candidatos à Presidência da República poderiam se habilitar a debater.

À imagem. Pode ser mera coincidência. O logotipo da Copa 2014 ? criação da agência África de Nizan Guanaes ? apresenta três mãos abraçando a taça, duas com cinco dedos e uma com quatro.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Bola na mão 
Sonia Racy 
O Estado de S.Paulo - 14/07/2010

Luiz Gonzaga Belluzzo tem encontro hoje, em Santiago, com ...Valdívia.
Para selar sua sonhada contratação pelo Palmeiras.

Bola na manga
Por falar em Palmeiras, o patrocínio que o clube conseguiu da Parmalat é exclusivamente para viabilizar a volta de Luiz Felipe Scolari.
Isto é, o logo da marca estará só na camisa do treinador.

Noves fora
Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht negociam a entrada em Belo Monte com o consórcio Norte Energia.
Só no quesito construção.

Lula de mel
Negociações entre Pão de Açúcar e Casas Bahia encerradas, Abilio Diniz se mostra satisfeito. "Há sintonia entre as equipes, em especial na dupla Enéas Pestana e Rafael Klein", conta, ressaltando que o conhecimento de Michael Klein é essencial no que se refere ao varejo.
"Tem coisas que só eles sabem fazer e coisas que só nos sabemos. O casamento perfeito", completa.

Dona de si
A Defensoria Pública está comprando uma briga com os homens da capital paulista. Quer livrar as mulheres - ao fazer laqueadura pelo SUS - de apresentar termo com consentimento do marido.
Procurada pela Defensoria, a Secretaria Municipal de Saúde manifestou-se contrária à retirada da exigência, com base na Lei de Planejamento Familiar.
Providências jurídicas estão sendo estudadas.

Mordaça
Abelardo Bayma Azevedo, do Ibama, assinou memorando proibindo os servidores de dar entrevistas, participarem de workshops e darem palestras sem autorização prévia.
Motivo? Procurados por e-mail e telefone... ninguém respondeu.

Foco, foco
Índio da Costa e José Henrique Reis Lobo se encontraram segunda, no Rio, para montar a estratégia de campanha Serra. Decidiram por menos Copacabana e mais periferia.

Dilema cruel
Não há ainda definição da Fifa sobre a permissão de venda de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros durante a Copa de 2014. E deve ser a Ambev a dona da cota master do torneio.
A comercialização de bebidas está atualmente proibida por aqui, consequência de acordo firmado entre a CBF e o Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais da Justiça em 2007.

Dilema cruel 2
José Antônio Baêta, coordenador da Comissão Permanente de Prevenção e Combate à Violência nos Estádios, é contra. E informa que a própria Fifa, em artigo que faz parte de seu caderno oficial de segurança, recomenda a proibição de álcool nos estádios.
Na África, no entanto, foi liberado.

Na frente
Paulo Stocker, artista plástico, procura seis telas suas. Emprestou os trabalhos para uma exposição itinerante e eles... Sumiram.

María Dueñas, escritora espanhola, vem ao Brasil em setembro para lançar o livro O Tempo entre Costuras.

Apostador de Goiás ganhou, anteontem, a maior bolada acumulada no Páreo da Sorte promovido pelo Jockey de São Paulo. Levou para casa R$ 400 mil.

O rapper 50 Cent faz show, amanhã, no Via Funchal.

Nem só de literatura se faz uma Flip. Heitor Dhalia, Vera Egito e Toniko Melo baixam em Paraty. A passeio.

Correção: o nome certo do presidente da Telefónica é César Alierta.

E a novela do polvo continua: um site se apoderou do animal vidente e está respondendo enquetes diárias no www.pergunteaopolvo.com.br

RUY CASTRO

Último da turma 

Ruy Castro

FOLHA DE SÃO PAULO - 14/07/10


Em maio de 1959, o Jornal do Brasil carregava o peso de seus 68 anos. Era um jornal caótico, feio e ultrapassado  – alguns de seus colaboradores ainda usavam bigode ence-rado. Era, sobretudo, um jornal de classificados – os anúncios ocupavam quase toda a primeira página, e quem fosse visto lendo-o estava procurando emprego ou faxineira. 
E, então, sem aviso nem fanfarra, na manhã de 2 de junho, diante de um quase irreconhecível Jornal do Brasil nas bancas, todos os outros jornais é que pareceram caóticos, feios e ultrapassados. Ele ficara limpo, elegante e moderno, com os títulos parangonados, os textos e fotos dispostos geometricamente, as colunas separadas por espaços, e não fios. Mas o principal seria sua reforma jornalística, capitaneada pelo jovem Janio de Freitas, depois continuada por seus sucessores. 
A partir daí, trabalhar no JB tornou-se a aspiração de todo jornalista. Equivalia a um Ph.D. E mesmo os que, como eu, amavam o Correio da Manhã flertavam com o JB. Bem, deu-se que, muito depois, em 1975, eu fosse levado para lá, para criar uma revista colorida dentro do jornal: Domingo, a primeira do gênero no País. 
Fiquei dois anos no JB, numa redação estrelada por Elio Gaspari, Marcos Sá Corrêa, Zózimo, João Saldanha, João Máximo, Renato Machado, Norma Couri. Deu para sentir a diferença em relação a empregos anteriores: ao telefonar para alguém e me apresentar como ‘fulano de tal’, do Jornal do Brasil, ninguém deixava de vir correndo ao aparelho. 
A mística do JB durou até 1990, quando uma sucessão de erros administrativos, financeiros e editoriais começou a destruir o jornal. Chega agora ao fim, aos 119 anos, com a decisão de limitar-se à versão internet. Parece incrível, acordar e não ter o JB de papel para folhear. Mas há muito eu era o último de minha turma a ainda fazer isto.

GOSTOSA

MÔNICA BERGAMO

"Passione" ao vivo 
Mônica Bergamo 

Folha de S.Paulo - 14/07/2010

O cantor Otto apareceu no estúdio para ver a namorada, Mayana Moura (a Melina da novela "Passione'), que posava para a capa da revista "Joyce Pascowitch'; acabou fazendo parte do ensaio
Fim do Túnel
O Ministério Público vai instaurar inquérito para averiguar a segurança dos túneis de São Paulo. É um desdobramento da investigação, já iniciada, para apurar a não reposição de extintores furtados nesses locais. O MP pretende, agora, questionar a prefeitura sobre sinalização, monitoramento por câmeras, iluminação e patrulhamento.
Em Bloco
E o Piritubão também já está na mira do MP. A Promotoria da Habitação instaurou inquérito para que a prefeitura apresente informações sobre os impactos viário e urbanístico da futura obra. A mesma investigação também será feita em relação à construção da Arena Palestra Itália, outro estádio que se apresenta como opção para a Copa de 2014 em SP.
Só Para Ela
Hebe Camargo vai lançar um novo CD em agosto. "Hebe Mulher" tem no repertório músicas de Rita Lee, Renato Teixeira -e de Roberto Carlos. O Rei inclusive prepara surpresa para a apresentadora: ele colocou sua voz na canção "Você Não Sabe", de sua autoria, que a loira canta no disco. Será a primeira vez que Roberto aparece em dueto num CD que não é seu.
Bandeira...
Flora Gil, mulher de Gilberto Gil, convidou empresários de artistas como Roberto, Caetano Veloso, Zeca Pagodinho, Marisa Monte, Adriana Calcanhotto, Ana Carolina e Paralamas para reunião hoje no Rio com representantes do Ministério da Cultura. O setor está prestes a abrir guerra contra o governo por causa de propostas que alteram as regras do direito autoral -Roberto já se disse disposto até a participar de passeatas em Brasília.
...branca e Amor
O MinC tentará convencer os artistas de que as propostas não mexem com os direitos que os autores detêm hoje sobre suas canções.
Colorida
Houssein Jarouche, sócio da loja Micasa, e Flávia Ceccato, dona da boate Hot Hot, estão cada vez mais próximos depois que ele se separou da estilista Adriana Barra, em maio. "Nos aproximamos em função da música", diz Flávia, que diz ser "só amizade".
Pitangas
A economista Maria da Conceição Tavares diz que já avisou ao ex-aluno José Serra (PSDB): votará em Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial. "Ele me liga, chora as pitangas. Gosto dele, mas não adianta! Com essa candidata que é um luxo eu vou votar naquele "olheirento'?", dizia ela no almoço que Lily Marinho ofereceu à petista, apontando para os próprios olhos para explicar que fala das olheiras do ex-pupilo.
Cavaletes
E, além de se reunir com artistas hoje, no Rio de Janeiro, Serra se encontrará com escritores e designers da cidade na última semana de julho. Leonel Kaz, que foi curador do Museu do Futebol, está organizando um jantar para ele. O artista plástico Vik Muniz, que estará no Brasil no final do mês, é um dos convidados.
Cadeira Cativa
O São Paulo F.C. fechou contrato com a rede Habib's, fast food de comida árabe, e a seguradora Mapfre, que vão explorar dois novos camarotes no estádio do Morumbi. A arena já tem 50 espaços como este. O clube planeja a construção e a concessão de outros dez.
Vida Que Segue
E o São Paulo decidiu dar continuidade ao seu plano de reformas do Morumbi, mesmo depois de ele ter sido vetado por Ricardo Teixeira, presidente da CBF, para sediar a Copa do Mundo de 2014. Dos R$ 240 milhões que já tinha obtido de parceiros que se engajariam nas obras, pretende manter ao menos R$ 120 milhões.
Páginas de Glória
A atriz Glória Pires recebeu amigos e fãs para o lançamento de sua biografia "40 Anos de Glória" (ed. Geração Editorial), escrita por Eduardo Nassife e Fábio Fabrício Fabretti.
Sangue Latino
A quinta edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo foi lançada anteontem, no Memorial da América Latina, na Barra Funda.
Curto-circuito
João Batista de Andrade autografa hoje, às 18h, sua biografia no Memorial da América Latina. A obra faz parte da Coleção Aplauso.

A dançarina e coreógrafa Marta Soares estreia hoje a instalação cenográfica "Vestígios", às 21h, no Sesc Pinheiros. Classificação etária: livre.

O restaurante Le Marais Bistrot comemora hoje seu primeiro aniversário. Haverá um cardápio especial no jantar.

O DJ escocês Chris Lake apresenta seu repertório amanhã na balada Pink Elephant. Classificação etária: 18 anos.

A exposição "Alechinsky: 40 anos de Colaboração com Peter Bramsen" abre amanhã, no Instituto Tomie Ohtake.

MERVAL PEREIRA

Na corda bamba 
Merval Pereira 

O Globo - 14/07/2010

A candidata oficial, Dilma Rousseff, continua tentando se equilibrar entre o agronegócio e o MST, e decididamente não está tendo bons resultados falando o que cada plateia gostaria de ouvir.

Em uma reunião da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), ontem, ela garantiu que vai continuar a reforma agrária “não porque o MST quer a reforma ou outro movimento queira. Nós vamos continuar fazendo reforma porque é bom para o Brasil”.

Dias antes, em uma feira agrícola no interior de São Paulo, ela garantira aos representantes do agronegócio que não toleraria “invasões de terra”, que considerou “atitudes ilegais”.

Entre essas duas declarações, aconteceu uma entrevista do comandante do MST, João Pedro Stédile, prometendo um aumento das ocupações de terra se a petista Dilma Rousseff vencer as eleições, “pelas afinidades históricas entre os dois grupos”.

Com Dilma, disse Stédile, “nossa base social perceberá que vale a pena se mobilizar, que poderemos avançar, fazendo mais ocupações e mais greves”.

Na análise do comandante do MST, “se o Serra (José Serra, candidato do PSDB) ganhar, será a hegemonia total do agronegócio. Será o pior dos mundos. Haverá mais repressão e, por isso, tensão maior no campo”.

A sensação de Stédile é de que a vitória de Dilma pode dar novo fôlego ao movimento, mas ele não está tão seguro assim da vitória, definindo assim sua decisão: “É como se você percebesse que seu time pode cair pra segunda divisão e faz o que for possível para vencer o campeonato.

Não temos alternativa”.

Na Contag, Dilma jactouse das ações governamentais nessa área, afirmando que mais de 60% dos assentamentos existentes foram realizados no governo Lula.

Já Stédile diz que a maior parte do que o governo Lula anuncia ter feito “é propaganda”, sem base na realidade.

A candidata colocou o boné da Contag ao discursar, da mesma maneira que em reunião do PT em Sergipe colocara o boné do MST. Mas ela já dissera anteriormente que “não é cabível vestir o boné do MST.

Governo é governo, movimento é movimento”.

As posições ambíguas da candidata oficial criam momentos de constrangimento como o que ela passou ontem na Contag, quando foi cobrada por pontos que constavam de diversos documentos do PT e do governo e que acabaram desaparecendo por obra e graça dos prejuízos eleitorais que poderiam trazer à sua candidatura: Atualização dos índices de produtividade no campo para permitir mais desapropriações, e o limite de propriedade da terra por pessoas físicas e jurídicas brasileiras e estrangeiras, além da revogação das medidas provisórias editadas pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso “que criminalizam a luta pela terra e suas organizações”.

O alvo prioritário é a medida provisória das invasões de terra, que retira do programa de Reforma Agrária por dois anos qualquer área invadida.

Essa MP não foi revogada formalmente pelo governo Lula, mas na prática está extinta, pois não é utilizada.

Mas os “movimentos sociais” do campo querem a revogação oficial.

Os pontos estavam tanto no Programa Nacional dos Direitos Humanos quanto no programa do PT registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas despareceram em sucessivas versões que foram sendo amainadas.

Dilma ouviu as reivindicações, mas fez “cara de paisagem” sobre esses pontos polêmicos. Também em 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez, o MST intensificou a invasão de terras na suposição de que estava sendo eleito “o Lula de 1989”.

Aquele Lula, que perdeu para Fernando Collor naquela eleição, não estava preparado para governar, na avaliação do próprio Lula presidente, que já admitiu que teria sido “uma tragédia” se tivesse sido eleito.

Stédile, até hoje, lamenta que “aquele Lula de 1989” não exista mais hoje. E pelo jeito está renovando as esperanças de que, eleita, a companheira Dilma se revele mais próxima “daquele Lula” do que hoje se imagina.

Ao contrário, se eleita presidente a candidata oficial Dilma Rousseff não se submeter à política agrária do MST, terá força política, como Lula teve, para conter o movimento ou, como anda dizendo o candidato oposicionista José Serra, “Lula é mais forte do que o PT. Dilma é mais fraca do que o PT. Se ela ganhasse, quem iria estar por cima era o PT, com todas aquelas contradições, todas aquelas dificuldades que sempre enfraquecem um presidente”.

O presidente Lula está diante de uma nova oportunidade para demonstrar na prática que sua política de aproximação de ditadores tem objetivos mais valorosos do que simplesmente se omitir em relação à defesa dos direitos humanos para aumentar nossas exportações.

Lula sempre alega que pode influir mais positivamente junto a ditadores amigos, como Fidel Castro, de Cuba, ou Mahmoud Ahmadinejad, do Irã se trabalhar com discrição.

No caso de Cuba, não se sabe de nenhum movimento que tenha dado certo, como agora mesmo a Espanha e a Igreja Católica conseguiram com a libertação de presos políticos.

Agora, vários países já pediram ao governo do Irã que suspenda a pena de morte por apedrejamento de Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada por adultério.

Existe até mesmo um abaixo-assinado internacional on-line, coordenado pela Anistia Internacional, em http://freesakineh.org.

já assinado por diversos brasileiros ilustres.

Não se tem notícia de algum movimento do governo brasileiro no sentido de influenciar nesse caso.

O ABILOLADO E A MENTIROSA