domingo, maio 30, 2010

GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO

Dunga! Convoca o Já Morreu!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 30/05/10


A Marina parece a mãe do Macunaíma! E a Dilma não é nem Roussef nem RouCHEFE! É HULK CHEFE!



BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Pronta e enlatada: sabe como se chama a empresa de segurança da seleção? PIRANHA SECURITY! Por isso que o Adriano, Ronaldinho, Ganso e Neymar queriam tanto ir! Como é que bota piranha pra tomar conta de time? Segura na Piranha! Rarará!
Entrei no site da empresa. O logotipo é uma piranha com os dentes de fora! E o slogan: "Somos suaves como um rio, mas quando os criminosos transgridem, NÓS MORDEMOS!". Uau! As marias chuteiras que se cuidem. Quem chegar perto do jogador, ataque de piranhas! E sabe o que o Lula falou pro Dunga? Traz o caneco que nóis enche!
E esse classificado que eu vi na Folha: "Bia Loira. Travesti dotado. TRAGA A RÉGUA!". Rarará!
E o novo telecatch internacional: Kim Jong x Hillary Clinton. O ditador da Coreia do Norte é um cruzamento do Chico César com a Marlene Mattos. Cogumelo atômico! O nome dele é: Kim Jongou a Bomba? Rarará! E a Hillary é o pitbull do Obama.
E por que a Hillary tá tão brava, querendo atacar o mundo? Chifre mal curado! Rarará! Telecatch atômico: Kim Jongou a Bomba x Hillary Chifre Mal Curado. Luta no gel!
E adorei a charge do Bira: "Sabe o que a Hillary falou pro Ahmadinejad? "Larga já esse cigarro, senão eu vou te bater"". Bem americana!
E o sucesso do "Pânico": transformou a Gorete na Marcia Goldsmith. Eu entrava no Procon! E agora um novo desafio ao "Pânico": transformar o Serra no Thiago Lacerda! Porque, quando o Serra nasceu, quem chorou foi o médico. E quando foi batizado, o padre começou uma sessão de exorcismo. E a água-benta fez fumaça!
E os novos apelidos de Serra, Dilma e Marina. Nosferatu, Madame Min e a mãe do Macunaíma! A Marina parece a mãe do Macunaíma! E a Dilma não é nem Roussef nem RouCHEFE! É HULK CHEFE! Rasga a blusa e fica verde!
E as seleções dos leitores. Melhores que a do Dunga. Ou seja, qualquer uma. Então fala pro Dunga levar aquele time de Salvador: Adriano Come Lixo, Alex Caganheta, Messias Beiço de Chupar Limão, Neco Louco e Danilo Psicopata. Ou então leva a zaga do Gameleira Esporte Clube: Daniel Empenado, Bosta de Urso e Massa Bruta. E o famoso goleiro: Já Morreu! Hexa garantido! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

PAINEL DA FOLHA

Ataque especulativo
RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 30/05/10

Ciente de que a subida de Dilma Rousseff nas pesquisas desacelerou a aproximação do PP com os tucanos, o PT fixou como prioridade da reta final da pré-campanha abortar essa aliança, que daria a José Serra mais um minuto e meio no horário eleitoral gratuito. No comando da campanha de Dilma, já não se fala apenas em garantir a "neutralidade" do PP, mas em -por que não?- tentar a composição formal.
Pós-Datafolha, vários pepistas que vinham sinalizando preferência por Serra reformaram o discurso. Para dar um empurrãozinho nos indecisos, o PT lembrará que, sem apoio formal, o PP pode rodar na hora da partilha dos ministérios, em caso de vitória.

Assombração Por mais enfáticas que sejam as negativas públicas e privadas de Aécio Neves, o Planalto e o PT ainda não se tranquilizaram de todo. O medo de que o ex-governador de Minas venha a aceitar ser vice na chapa de Serra é real -e supera qualquer outro.

Falei primeiro A ênfase que Dilma passou a dar em sabatinas e outros eventos ao assunto remédios, martelando a tecla da desoneração da indústria farmacêutica como forma de reduzir preços, é tentativa de se antecipar ao discurso de Serra, ex-ministro da área. O petistas juravam que saúde, e não segurança, seria o mote inaugural do tucano na campanha.

Só love O marqueteiro João Santana, que já teve seus momentos de estresse com Dilma e com o PT, vive uma espécie de lula-de-mel com a cúpula da campanha. Tudo devido à avaliação positiva do programa partidário exibido em 13 de maio, ao qual se atribui o avanço de Dilma nas pesquisas.

Fui ali Depois de protagonizar alguns atritos internos, Marcelo Branco, coordenador de internet de Dilma, está percorrendo o país com "caravanas digitais" que têm por objetivo difundir o uso das redes sociais nas campanhas regionais do PT.

Terreno Na pesquisa Datafolha sobre os atributos dos candidatos, apenas 35% dos que declaram renda familiar até dois mínimos identificam Dilma como a que mais defenderá os pobres. Nesse segmento, que corresponde a metade do eleitorado, Lula tem 80% de aprovação, e 37% ainda não sabem que ela é apoiada por ele.

Sei lá Em média, 22% não souberam associar os candidatos aos 24 atributos testados pelo Datafolha. A maior taxa de indecisão (45%) se deu na pergunta sobre qual deles foi mais atuante no combate à ditadura militar.

Eles e elas Dilma é apontada por 49% dos homens como a candidata que defenderá os interesses das mulheres. Já entre as mulheres essa taxa cai para 40%.

Bode... O PT paulista interpretou a indicação do deputado estadual Major Olímpio para compor chapa com Aloizio Mercadante menos como definição de nome e mais como um movimento do PDT para abortar a ideia de uma chapa pura com Eduardo Suplicy na vice.

...na sala Cansado das sucessivas recusas às opções apresentadas pela sigla, o presidente do PDT-SP, Paulinho da Força, resolveu "radicalizar". O mais provável, acredita a direção do PT, é que o vice seja um pedetista, mas não o Major Olímpio.

A ver Cobiçado por Marta Suplicy para ser seu suplente ao Senado e instado pela direção do PT-SP a renovar seu mandato na Câmara, Antonio Palocci ainda pode acabar, na opinião de quem o conhece bem, optando por não ser candidato a nada.

com LETÍCIA SANDER e DANIELA LIMA

tiroteio

"A direção do PTB deu a Serra o tempo de TV. Mas a bancada do partido dará a Dilma os votos de que ela precisa."
DO LÍDER PETEBISTA NA CÂMARA, JOVAIR ARANTES (GO), em resposta ao tucano, segundo quem a aliança firmada com Roberto Jefferson não resultará em loteamento de cargos para a sigla em seu eventual governo.

contraponto

Solidariedade

Convidado especial do evento de 1º de Maio da Força Sindical, Lula aproveitou o tempo de espera antes de entrar no palco para, numa sala reservada, tentar convencer Paulinho (PDT-SP), autor da emenda que elevou o reajuste dos aposentados para 7,7%, a reconsiderar sua posição. Sem interesse em discutir com o presidente, o deputado serviu-se de uma dose de cachaça e ofereceu-lhe outra. A primeira-dama reagiu:
-Lula, ainda não são 11h da manhã...
-Marisa, nunca deixo companheiro beber sozinho!
E não se falou mais em reajuste de aposentados.

SIMPLESMENTE, SIMPLES.

MARCIA POOLE

Falta compromisso com direitos humanos
MARCIA POOLE
FOLHA DE SÃO PAULO - 30/05/10

O Brasil tem desenvoltura cada vez maior em questões econômicas, mas ainda não mostra sua liderança no campo de direitos humanos


"O Brasil decolou", afirmou o influente semanário britânico "The Economist" em novembro do ano passado. Coincidência ou não, o perfil do país só faz crescer.
Se o Brasil age com desenvoltura cada vez maior nas questões econômicas ou de política internacional, existe uma área em que o país ainda está por demonstrar liderança -os direitos humanos.
No relatório anual sobre a situação dos direitos humanos em todo o mundo, publicado no dia 27, a Anistia Internacional ressalta os ganhos em 2009, como o ex-presidente peruano Alberto Fujimori ter sido condenado por crimes contra a humanidade.
Na Argentina, o último presidente militar, Reynaldo Bignone, foi condenado por sequestro e tortura.
No Camboja, um dos mais notórios líderes do Khmer Vermelho, o camarada Duch, enfim respondeu por crimes contra a humanidade, cometidos há mais de 30 anos.
Mas a organização também aponta para um grande vácuo na Justiça mundial, criado pelas manobras políticas dos países mais poderosos.
Por exemplo, os EUA e países europeus usam sua posição no Conselho de Segurança da ONU para proteger Israel das consequências das violações que cometeu em Gaza no ano retrasado (diga-se, por sinal, que o grupo armado palestino Hamas também ainda não respondeu pelos abusos cometidos).
A União Africana se recusa a cooperar com o Tribunal Penal Internacional no caso do presidente sudanês Omar al Bashir, indiciado por supostos crimes contra a humanidade. Milhões de pessoas, principalmente mulheres e crianças, ainda sofrem por causa da pobreza, da fome, da doença e da violência.
A Anistia Internacional convoca o G20 a dar o exemplo, promovendo toda a gama dos direitos humanos e demonstrando que ninguém está acima da lei.
Quando da crise financeira mundial, o presidente Lula disse que o empréstimo ao FMI dava ao país a autoridade moral para pressionar por reformas na instituição.
Do mesmo modo, a voz do Brasil terá maior credibilidade se puder apontar para um quadro positivo com relação aos direitos humanos.
As reformas, ainda que limitadas, na área de segurança pública, são um bom começo. Mas ainda restam muitos problemas graves, como as execuções extrajudiciais, a violência policial, as condições do sistema penitenciário e a impunidade dos que cometeram abusos contra os direitos humanos, inclusive durante a ditadura.
É preciso que os candidatos presidenciais se comprometam a priorizar os direitos humanos, de modo que o Brasil possa usar seu status de potência emergente para avançar com a pauta dos direitos humanos em foros internacionais. Na próxima semana, acontece em Kampala, Uganda, a primeira reunião de revisão do estatuto do Tribunal Penal Internacional. Uma boa oportunidade para o Brasil promover o sistema de Justiça internacional e tentar persuadir, por exemplo, a China e os Estados Unidos a se tornarem membros do tribunal.
Valendo-se do progresso que tem feito com relação aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, sobretudo na redução da pobreza, o Brasil deve propor, durante a reunião de alto nível a realizar-se na ONU em setembro, que os direitos socioeconômicos básicos, como o direito à saúde, à moradia e à educação, não sejam só aspirações políticas, mas tenham força de lei. Essa agenda é, sem dúvida, ambiciosa, mas não está fora do alcance do Brasil. Afinal de contas, quem teria apostado que, em 2009, o Brasil emprestaria dinheiro ao FMI?
MARCIA POOLE é diretora-geral de comunicação da Anistia Internacional, sediada em Londres.

MANOEL CARLOS


Desencontros

Manoel CarlosREVISTA VEJA - RJNão tenho sorte. Saí de São Paulo e fui para o Rio, atrás do Felipe, um garoto que eu conheci no Carnaval, e lá me disseram que ele estava morando aqui. Vim atrás dele e, depois de vários dias procurando em todos os lugares possíveis e impossíveis, fiquei sabendo que ele não suportou a paz de Búzios e voltou para o Rio. Para o agito. Novo endereço e novo número de celular, ninguém soube me informar. Pô, não é uma tremenda falta de sorte?

O desabafo, quase em lágrimas, foi feito pela Ritinha, 21 anos, atriz que ainda corre atrás de uma oportunidade na televisão. Cenário do nosso encontro: Praia de Geribá, em Búzios, onde eu e a minha mulher estamos descansando há alguns dias, inaugurando as férias depois da novela. Aqui, mesmo no outono, o sol nasce, brilha e aquece, o que já tirou de mim a brancura de cal que a reclusão impõe.

E Ritinha continuou, os pés descalços na areia:

— Vejam vocês. O Felipe, que tanto quero encontrar, não encontro. E não é que o Gabriel, que pra mim não significa nada, já encontrei várias vezes aqui em Búzios, desde que cheguei? E olha que ele nem é do Rio, mas de São Paulo, muitos quilômetros longe daqui! Como explicar essa contradição?

E, antes que pudéssemos esboçar uma resposta, ela investiu mais uma vez, sempre interrogativa:

— Já me queixava da falta de sorte para conseguir um papel numa novela. De não ter a estatura que queria. De não emagrecer o tanto que preciso, apesar de severas dietas. De não reencontrar o Felipe. E, agora, de ter de fugir do Gabriel, que a todo instante aparece à minha frente, sorrindo e querendo conversar. Não acham demais?

No último dia 22, consagrado à Rita de Cássia, da nossa devoção, eu e Bety fomos à bela igreja que existe aqui em Búzios, e que leva o nome da santa das causas impossíveis. Fomos lá mais para agradecer do que para pedir, e, quando íamos saindo, encontramos novamente a bela Ritinha, que ia entrando.

— Santa Rita te espera, falou a Bety. Sua xará vai ajudar você a reencontrar o Felipe.

— Ah, eu já estive aqui tantas vezes, que a qualquer momento Santa Rita vai se cansar de mim, descer do altar e sair da igreja.

Esperamos por ela e fomos os três a um café na Rua das Pedras. Claro que, para animar nossa jovem amiga, contestamos sua falta de sorte e contamos alguns casos de desencontro que conhecemos. Lembrei, inclusive, do Samba da Bênção, de Vinícius de Moraes e Baden Powell, em que o poeta declara que “a vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. E que nem por isso as coisas acabam sempre mal.

Ao fim do café com leite e duas porções de pão de queijo, todo o lamento de Ritinha se resumia unicamente ao desencontro com Felipe e ao encontro forçado e constante com Gabriel. Isso a afligia mais do que a falta de oportunidade profissional, a pouca estatura e os quilinhos a mais na balança. Afinal, quase sempre é ao redor dos sentimentos que a tristeza alcança as mulheres.

Já de volta ao hotel, lembrei-me de quatro versinhos que conheço há muitos anos e que resumem todo o desgosto de Ritinha e sua declarada falta de sorte na vida sentimental:

Quem eu quero, não me quer.
Quem me quer, eu não desejo.
Todo dia vejo quem me quer,
quem eu quero nunca vejo!

Pensei em mandar essa quadrinha à Ritinha, mas desisti. Afinal, os versos não explicam os desencontros da vida. Apenas os confirmam. Pelo que pudemos perceber, não é do que Ritinha está precisando. É do Felipe.

GOSTOSA

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Digno de nota
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 30/05/10
Na penúltima vez em que se internou no Sírio-Libanês para tratamento da sua doença, o vice-presidente José de Alencar deu show de cidadania.
Ao tomar conhecimento que a direção do hospital estava mudando um paciente, recém operado, do quarto vizinho ao que iria ocupar, no 11º andar, para que ele pudesse ficar com dois quartos contíguos, reagiu imediatamente.
Deixou claro que em hipótese alguma aceitaria isso. E fez mais. Visitou o vizinho de quarto, a quem pediu mil desculpas pelo quase-incômodo.
Brasília tem muuuiiiito o que aprender com ele.
Tomou Doril
Guido Mantega sumiu faltando exatos cinco minutos para o anúncio do programa do carro elétrico brasileiro, no meio da semana passada.
Na plateia, esperando, Jackson Schneider, da Anfavea, Sérgio Reze, da Fenabrave, e outro punhado de representes da indústria automobilística.
Broadway é aqui
O musical Fame será montado no Brasil. Inspirada no filme e na série de TV dos anos 80, a montagem custará mais de R$ 4 milhões. E contará com o apoio providencial do Ministério da Cultura.
Reinventando
Do Empório Santa Maria, supermercado de luxo, Tânia Piva mergulha agora nos linhos. Criou a Maria e Maria Linens, que começa produzindo artigos para casa sob encomenda.
Piva e as sócias Lucila Elias e Teresa Carparelli também dão consultoria em organização de interiores.
Responsabilidade Social
Com patrocínio da Sygenta, 6 mil estudantes da rede estadual vão assistir ao musical Villa-Lobos - Um Sonho de Menino. Serão 20 apresentações na capital e no interior. Em São Paulo, quarta, no Espaço Cultural Catavento.
Arraiá social. Está aberta a nova temporada de doações para o bazar da tradicional Festa Junina do Lar Escola São Francisco. A entidade beneficente atende crianças e adultos com deficiências.
A Dicico repaginou a Escola Estadual Francisco de Assis Reys. E, de quebra, investiu na qualificação dos professores. Desembolsou R$ 150 mil, ano passado, por meio do projeto Parceiros da Educação.
A Alcoa fez as contas. No primeiro semestre deste ano, destinou mais de R$ 1 milhão para 19 novos projetos sociais espalhados pelo país.
A associação Prato Cheio quer ensinar funcionários do Banco do Brasil de SP a economizar comida. Realiza, nas próximas duas semanas, oficinas para ensinar a combater o desperdício.
A Épiphanie avisa: reverte- rá parte das vendas da série colar Rio, inspirado no Pão de Açúcar, para a Care Brasil. Que, por sua vez, ajudará os desabrigados pelas chuvas que atingiram São Gonçalo.
A Cônsul oferecerá curso de gestão de negócios e doará eletrodomésticos para 500 mulheres de baixa renda.
Ana Cury pilota, hoje, a 3ª edição do Fashion for Humanity. Em prol da Habitat for Humanity, instituição que atua ajudando na construção de casas populares pelo sertão de Pernambuco. 

FRANCISCO CEMBRANELLI

Liberdade de informação e democracia
FRANCISCO CEMBRANELLI
FOLHA DE SÃO PAULO - 30/05/10

Sobre o julgamento do casal Nardoni, o curioso é que a mídia não divulgou nada de muito diferente daquilo que mostramos aos jurados


De tanto ouvir que a mídia é a grande responsável pelas condenações nos julgamentos dos crimes de repercussão, resolvi tecer algumas considerações sobre o tema, um pouco em defesa da liberdade de informação, e também para salvaguardar o trabalho de profissionais sérios, responsáveis pela elaboração das provas, ao menos no rumoroso "caso Isabella".
Os meios de comunicação não criam provas, tampouco fazem as vezes dos peritos e das partes, verdadeiros responsáveis pelo esclarecimento dos fatos.
O que fazem é mostrar, por vezes com indesejável e censurável excesso, as provas que existem no processo, que pretende-se serem produzidas em contraditório, perante um juiz de direito. Os abusos merecem, por óbvio, correção. Não é raro que a defesa ocupe amplo espaço nos noticiários, tanto quanto a acusação.
É desejável que, num Estado democrático de Direito, os meios de comunicação apresentem, da forma mais ampla possível, a tese dos acusados, para mostrar o "outro lado da história", se for a vontade dos envolvidos (a entrevista dos Nardoni ao "Fantástico" é um exemplo).
Por isso, questiono a conclusão simplista de que a sociedade assiste a tudo de forma impassível, acrítica e irrefletida. Sobre o julgamento do casal, o curioso é que, nesses dois anos, os meios de comunicação não divulgaram nada de muito diferente do que foi mostrado aos jurados nos cinco dias de julgamento.
Se havia espaço para dúvidas, passou-se a ter certeza, porque a prova era inapelavelmente comprometedora, tanto que nada foi apresentado pela parte contrária, mesmo após tantos alardes, pela mesma mídia que ora se critica.
A condenação proferida pelo júri, ao contrário do que alguns inocentemente imaginaram, era mais do que esperada. Bastava uma atenta leitura do processo.
Ao se atribuir a culpa pela condenação à imprensa, corre-se o risco de desmerecer o trabalho honesto, sério e dedicado daqueles que atuaram no processo.
A ideia de que o veredito condenatório decorreu da exposição midiática soa como desculpa, deslocando-se a discussão do campo da valoração das provas para a busca de outros responsáveis que não os próprios acusados.
Guardadas a dignidade dos envolvidos e a incomunicabilidade do júri, sou plenamente favorável à ampla publicidade dos atos processuais, inclusive quanto à transmissão das sessões plenárias, de modo a permitir que a sociedade acompanhe a exposição dos fatos e conclua por seu próprio conhecimento.
A imprensa esteve no julgamento do casal Nardoni, ainda que não de forma ampla, e mostrou-se curiosa, séria e imparcial. Não consta que tenha deturpado os fatos ali apresentados. Ou será que mais de cem profissionais teriam se equivocado quanto ao que foi exposto?
É certo que os abusos devem ser coibidos, especialmente quando aviltados os direitos à defesa, à intimidade e, sobretudo, à honra dos réus. Mas, por outro lado, penso que a democracia tem seu preço, que não deve ser pago à custa de limites à liberdade de informação.
FRANCISCO CEMBRANELLI, 49, é promotor de Justiça do 2º Tribunal do Júri da cidade de São Paulo, responsável pela acusação no caso Isabella.

APOSENTADO DO INSS

DORA KRAMER

Aos trancos e barrancos

DORA KRAMER
O ESTADO DE SÃO PAULO - 30/05/10

Não importa quem é quem, fato é que brigam como cão e gato. Andam mais juntos do que nunca, pois firmaram uma aliança e já na campanha eleitoral estão fadados à convivência estreita na mesma chapa de candidatos.
Uma relação cuja falta de sintonia se dá pela própria natureza do par, PT e PMDB, gente de origem, jeito, pensamento, grupos, completamente diferentes.
De repente se veem na contingência de construir uma aliança imensa no País todo, estado por estado, para sustentar a candidatura presidencial de Dilma Rousseff.
Em alguns deu certo, na maioria mais ou menos. Em três mais visivelmente complicados - Pará, Maranhão e Minas Gerais - os acordos podem até vir a ser fechados no final, mas a animosidade reinante entre as partes não indica harmonia adiante.
Por muito menos o PT não conseguiu se adaptar em 1998 à aliança com Leonel Brizola e, diga-se, vice-versa.
Das atuais complicações em tela, a mais importante politicamente para a aliança nacional é a de Minas. Em tese estaria tudo acertado: chapa única com o candidato do PMDB para governador (Hélio Costa), o petista vencedor das prévias do partido Fernando Pimentel em uma das vagas ao Senado e o lugar de vice provavelmente para alguém também do PT.
Tudo pronto para ser oficialmente anunciado no próximo dia 6 de junho.
Eis que senão quando vem um petista do alto comando e diz: nada disso. O partido quer a cabeça da chapa, espera que Hélio Costa desista, seja candidato ao Senado porque, embora esteja na frente nas pesquisas, quando Aécio Neves entrar de fato na campanha estadual em favor do candidato Antonio Anastasia, os índices de Costa se desfazem.
São "inconsistentes". Fernando Pimentel, prefeito de Belo Horizonte até 2008 com 80% de aprovação, teria muito mais identificação com o mineiro que o peemedebista, cuja vida política é feita em Brasília como senador e ministro das Comunicações.
De mais a mais, o PT gostaria de adiar o anúncio oficial para depois de fechada a aliança nacional de apoio do PMDB a Dilma.
Ah, para quê?
Hélio Costa esperou 24 horas e partiu para o rebate começando pelo essencial: "Sou pré-candidato ao governo de Minas, a ponte de retorno ao Senado já não existe para mim e ponto final".
E um acréscimo: "Boatos petistas não me tiram a determinação".
Quais boatos? "É todo dia, toda hora, em todo lugar espalham que não vou ser mais candidato. Nosso pessoal discute isso nas reuniões, eles podem fazer o jogo político, mas não precisam esticar tanto a corda porque isso lá na frente compromete a relação."
Hélio Costa ainda prefere acreditar que as lideranças do PT estejam fazendo jogo de cena para acalmar a militância e não parecer que entregaram o ouro de bandeja com facilidade. "É gênero, porque a briga entre eles é muito séria."
Agora, ele também acha que nem por isso era necessário desqualificar sua posição nas pesquisas ("na última apareço com 52%") dizendo que seus votos são inconsistentes.
"Por quatro vezes tive votações de 3,5 milhões de votos. Quero saber quem é o petista que teve isso." Falta de aproximação cotidiana com o eleitorado?
"Conheço 750 dos 853 municípios de Minas e visito todas as semanas o estado. O Fernando Pimentel saiu da prefeitura de Belo Horizonte há dois anos."
Quanto à data do anúncio do apoio ao nome dele para disputar o governo em chapa única, continua seguro: "Será em 6 de junho." Antes da convenção nacional do PMDB marcada para o dia 12, onde os delegados mineiros têm 16% dos votos. "Para aonde Minas for irá o resultado da convenção."
Não obstante a contundência, Hélio Costa não investe em briga, aposta na aliança. Inclusive porque tem consciência: "Só ganhamos se estivermos juntos, PT e PMDB".
No detalhe, a análise é a seguinte: "No Sul está complicado, São Paulo é caso perdido. É fundamental ganhar em Minas onde Dilma está empatada com Serra e Aécio ainda não entrou na campanha. Em Minas há um partido dificílimo de ser enfrentado: o PL, Palácio da Liberdade". (Sede do governo, atualmente ocupado pelo vice de Aécio, candidato à sucessão). 

MERVAL PEREIRA

Os caminhos do poder
Merval Pereira
O GLOBO - 30/05/10

Para vencer a eleição presidencial, é preciso “discurso e máquina”. A definição é do cientista político Cesar Romero Jacob, professor da PUC do Rio, que está lançando pelas editoras PUC e Vozes o livro “A geografia do voto nas eleições presidenciais do Brasil: 19892006”, um estudo, com uma equipe de pesquisadores brasileiros e franceses, sobre as últimas cinco eleições presidenciais brasileiras e os caminhos que os partidos percorreram para chegar ao poder.

O pragmatismo que tomou conta historicamente da campanha eleitoral para presidente fará, segundo ele, com que tanto Dilma Rousseff, do PT, quanto José Serra, do PSDB, tenham que fazer alianças com políticos mal vistos pela opinião pública.

Até o momento, lembra Romero Jacob, as máquinas partidárias que atuam sobre as “estruturas de poder” existentes — as oligarquias nos grotões, os pastores pentecostais, os políticos populistas na periferia e a classe média urbana escolarizada — não estão em campo, mas fazendo os acordos políticos nos bastidores.

E são acordos que não envolvem ideologia, mas capacidade de ação partidária.

Somente em julho, após “os acordos feitos, dinheiro em caixa, marqueteiros contratados”, é que as máquinas entrarão em ação.

Mas Romero Jacob salienta que trabalhar essas estruturas de poder não é o suficiente para eleger um presidente da República.

“Ter um cabo eleitoral lá no grotão é importante. Em 1994, Fernando Henrique teve 95% dos votos em Mamonas, na divisa de Minas com a Bahia. Mas há os fatores políticos fundamentais, como a conjuntura econômica atual, a popularidade do Lula, que são pontos fortes para a candidatura da Dilma Rousseff”, analisa.

Mas ele também destaca como fraqueza a falta de experiência de disputa eleitoral de Dilma.

Romero Jacob compara o que está acontecendo com a candidata oficial ao que aconteceu com Lula em 2002: “Com Lula houve um ‘reposicionamento de marca’, saiu o operário radical de macacão e entrou o Lulinha Paz e Amor. A Dilma está tendo a imagem reconstruída ao vivo e a cores, física e politicamente.

O que vai prevalecer na percepção do grande público?”, pergunta.

Ao contrário, o candidato tucano José Serra tem a força da experiência política e administrativa, mas tem uma fraqueza de discurso.

Romero Jacob explica: “Ele tentou em 2002 ser o candidato da ‘continuidade sem continuísmo’, uma mensagem ambígua. Hoje, ele continua ambíguo, uma espécie de oposição sem oposicionismo”.

Para Romero Jacob, o candidato do PSDB está testando “o pós-Lula ou o anti-Lula”.

A disputa tende a ser muito acirrada entre os dois, o que provocaria uma redução de votos da senadora Marina Silva, do Partido Verde.

A polarização entre PT e PSDB nas eleições presidenciais a partir de 1994 leva o cientista político Romero Jacob a não acreditar na viabilidade de uma terceira via eleitoral.

Seus estudos demonstram que não há nada em comum entre os terceiros colocados nas cinco eleições presidenciais.

Em 1989 foi Brizola, com 16% — com votos basicamente no Rio e Rio Grande do Sul; em 1994, Enéas, com 7% dos votos.

Segundo os mapas, os votos em Enéas foram conseguidos principalmente na periferia metropolitana, um voto que Romero Jacob define como “de protesto das viúvas do Collor”, parte do eleitorado que, depois de 29 anos sem eleição, teve a decepção com um presidente destituído pelo impeachment e acusado de corrupção.

Um eleitorado de escolaridade mais baixa que encontrou em Enéas a maneira de demonstrar sua insatisfação.

Em 1998, o terceiro colocado foi Ciro Gomes, com 12%; em 2002, foi Garotinho, que é outro fenômeno, ligado aos evangélicos. Em 2006, a senadora Heloisa Helena, representando “as viúvas do Lula”, segundo Romero Jacob. Um eleitorado petista que descobriu que a Carta ao Povo Brasileiro de Lula em 2002 era para valer, e se decepcionou com isso.

Na eleição deste ano, Romero Jacob acha que a senadora Marina Silva, candidata do Partido Verde à sucessão de Lula, corre o risco de reduzir seu eleitorado devido à polarização.

Para ele, a causa ambiental sensibiliza principalmente a classe média urbana escolarizada: “Consumo consciente é para quem já foi incorporado ao mercado de consumo. As classes C, D e E querem mais é consumir, não estão preocupados com os efeitos no meio ambiente”.

Mesmo se Marina, que é evangélica, se transformasse na opção eleitoral desse segmento, Romero Jacob acha que a rejeição a um candidato marcado por essa definição é muito alta.

O livro de Romero Jacob demonstra, com análises da chamada “geografia eleitoral” dos candidatos, que tanto Collor quanto Fernando Henrique e Lula venceram com estratégias semelhantes, e que Lula passou a atuar nos mesmos territórios eleitorais que Fernando Henrique depois de ter perdido três eleições em que colocou a ideologia à frente do pragmatismo.

A mudança do arco de alianças do PT em 2002, que era sempre com PDT, PCdoB, PSB e foi se ampliar para receber o PL com a chegada de José Alencar para compor a chapa como vice de Lula, refletiuse imediatamente na sua “geografia eleitoral”.

A votação de Lula caiu no Rio Grande do Sul, porque Brizola apoiou Ciro Gomes, e no Rio de Janeiro, por causa de Garotinho. Mas cresceu no Tocantins, no oeste da Bahia, no Maranhão, revelando as negociações com setores das oligarquias.

Segundo Romero Jacob, esses números não refletem um crescimento do PT, mas a adesão das oligarquias a Lula. Em 2006, Lula e Alckmin fazem uma campanha pragmática.

A geografia eleitoral de Lula sofre outra mudança. Já se vê a influência dos programas assistencialistas como o Bolsa Família, com o aumento da votação do petista no Nordeste e na Amazônia.

GOSTOSA

ANCELMO GÓIS

Beleza americana
ANCELMO GÓIS

O GLOBO - 30/05/10

Lembra da conta do embaixador dos EUA, Thomas Shannon, de que este ano cerca de l milhão de turistas brasileiros estão sendo esperados nos parques de Orlando? Nova York também está cheia de brazucas, muitos dos quais ricos, ricos de marré deci.

Festa que segue...

Na quarta, das 20 mesas do badalado Per Se, o restaurante bacana nova-iorquino, onde um prato de comida não sai por menos de R$ 500, quatro eram de brasileiros.

Por tudo isso...

As aviadoras americanas American e Delta andam interessadas em abrir pelo menos 14 novas linhas para cá.

Pelas contas da Anac, um de cada quatro voos internacionais que saem do Brasil (o percentual exato é 23%) tem como destino os EUA.

Tensão na fronteira

As relações da Colômbia com a Venezuela, que já são péssimas, podem azedar ainda mais em caso de vitória de Juan Manuel Santos, candidato governista que voltou a liderar as pesquisas, na eleição de hoje.

Como ministro da Defesa de Uribe, ele e Hugo Chávez se odeiam, garante um brasileiro que presenciou um bateboca dos dois.

Lula do pau oco

Há um mês, Lula foi a Recife lançar ao mar o navio João Cândido, do estaleiro Atlântico Sul.

O navio estava oco. Pronto mesmo para entrega só em agosto. Quem sabe o presidente volta lá.

Pós-barra de cereal

A Gol está treinando seus 3.100 comissários.

É que a companhia aérea quer ampliar para cerca de 600 voos diários, até setembro, sua venda de lanches a bordo.

Hoje, o serviço funciona em 42 operações da voadora. Os tripulantes ganharão comissão.

Voo que segue...

A ideia da empresa é fazer com que as receitas auxiliares, como a de venda de lanches a bordo, representem 20% da receita líquida até 2011.

Em 2009, ficaram em 11,9%

A Igreja e os gays

Circula entre alguns membros da Igreja Católica brasileira um manifesto de 12 padres católicos de Córdoba, na Argentina, a favor do casamento gay no país.

Lá, um projeto que prevê o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado na Câmara e segue para o Senado.

Bocejo de Serra

Ao ser fotografado bocejando várias vezes no encontro dos presidenciáveis, na CNI (veja você mesmo, acima), José Serra negou que fosse uma demonstração de sono.

O tucano explicou que era uma técnica de fonoaudiologia para relaxar a garganta.

Ah, bom!

Haja carro

A Secretaria de Ordem Pública de Paes rebocou, só em maio, quatro mil veículos.

E não tem mais onde pôr os carros. Para driblar a falta de espaço, tem usado as áreas dos batalhões.

Educação sexual

O craque Raí comentava outro dia, no Rio, que, desde que a Gol de Letra, há dois anos, incluiu educação sexual na sua grade curricular, diminuiu em 40% o número de adolescentes grávidas na instituição.

Este ano, por exemplo, ainda não há notícia de gravidez no projeto social.

Não é fofo?

De Erasmo Carlos para Charles Gavin em entrevista ao “Som do vinil”, no Canal Brasil: — Antes eu tinha que correr atrás do leitinho das crianças.

Agora, corro atrás do Danoninho dos netinhos.

Erasmo tem quatro netos.

Eu entendo.

ZONA FRANCA

Teixeira Heizer lança “Maracanazo”, terça, na Argumento do Leblon.

Tuninho Galante assina a trilha sonora da exposição “A céu aberto”, na Casa França Brasil.

A secretária Adriana Rattes lança amanhã o portal Cultura.rj cultura.rj.gov.br), na Laura Alvim.

Danielle Frietzen lançou o livro Meu herói da paz", em homenagem ao coronel Marcus Vinicius Macêdo Cysneiros, morto no Haiti.

O presidente da Câmara França Brasil, Françoise Dossa, recebeu o título de Cidadão Carioca.

A Breton Actual lança linha de móveis especiais para a Copa.

O jornalista Camilo Coelho conta a história, no blogdapacificacao.com.br., de uma senhorinha que cuida de crianças no Morro da Babilônia.

O DOMINGO É DE Sophie Charlote, 21 anos de puro charme europeu. E não é por acaso. A bela morena nasceu em Hamburgo, na Alemanha, mas desembarcou no Brasil aos sete anos. Agora será Stefany, uma dissimulada jovem na novela “Tititi”, da TV Globo, adaptação de Maria Adelaide Amaral do folhetim homônimo de Cassiano Gabus Mendes, que fez sucesso nos anos 1980. O primeiro papel de Sophie na emissora foi na temporada 2008 de “Malhação”. Depois, ela interpretou Vanessa, em “Caras e bocas” e agora foi convidada por Jorge Fernando, diretor da novela que estreia no horário das 19h logo depois da Copa

MARCEU NA COPA

Impressões de viagem

Copa da África do Sul só começa em duas semanas, a seleção de Dunga chegou a Johannesburgo há poucos dias, mas já dá para ter uma ideia da cidade onde o coração do Brasil vai pulsar a partir de 11 de junho.

CEARÁ NEGRO: Como no Rio, onde nove de cada dez garçons são cearenses (o décimo é filho de), dez de cada 11 profissionais da bandeja em Johannesburgo são negros. O 11oainda não foi contratado.

O REI É PLEBEU: Joel Santana, simpatia em forma de gente, que treinou a seleção sul-africana até Carlos Alberto Parreira reassumir o posto, é o rei do Rio. Mas, no país da Copa, onde é chamado de Mr. Santana, ninguém gosta dele.

MR. “PEREIRA”: Parreira, na boca do povo, aqui, virou Mr... “Pereira”.

É que a pronúncia do nome do brasileiro que comanda a seleção sul-africana é difícil para os nativos, por causa dos dois “rr”. Aliás, Mr. “Pereira” é amado nestas bandas.

EI, TÁXIIIII: Quase não se vê ônibus nas ruas. O povão da África do Sul só anda de... táxi. É que, no país de Mandela, táxi é van. Já o táxi mesmo, igual aos que há no Brasil, só são chamados de “cab”.

AVE-MARIA NEGRA: As favelas lembram as do Rio nos anos 1960/70.

Os barracões, como os do samba-canção de Herivelto Martins, são “de zinco, sem telhado, sem pintura”. Só não ficam no morro. As favelas, paupérrimas, são planas.

CADÊ RONALDINHO?: A pergunta que os sul-africanos mais fazem quando encontram um brasileiro (não são muitos aqui, são só 900 residentes, segundo a embaixada) é: “Por que Dunga não trouxe Ronaldinho Gaúcho?” Eles amam de paixão o craque do Milan.

CACIQUE LULA: A segunda pergunta que mais fazem aos brasileiros é: “Quantas línguas oficiais há no Brasil?” É que eles têm 11 e pensam que, como a África do Sul, ex-colônia desbravada por europeus, também nos dividimos em tribos.

“DÁ UM RANDE, TIO?”: Como no Brasil, há em quase todos os sinais garotos com garrafas pet cheias de uma mistura de água e detergente para jogar nos vidros dos carros em troca de randes, a moeda local.

TOLERÂNCIA ZERO: Chama a atenção a simpatia dos sul-africanos, só sorrisos com os forasteiros. Mas, talvez por herança inglesa, eles não toleram transgressões e reagem bravos quando, por exemplo, alguém fuma em área proibida.

ALÔ, PAES! ALÔ, CABRAL!: O asfalto de Johannesburgo dá um banho no do Rio. Um tapete.

ALÔ, LULA!: O Aeroporto O. R. Tambo dá de lavada no Galeão-Tom Jobim e em Cumbica. Um brinco.