quinta-feira, maio 13, 2010

LUIS FERNANDO VERISSIMO

O medo do fantasma
LUIS FERNANDO VERISSIMO
O GLOBO - 13/05/10

Um espectro rondava a Europa na semana passada – o espectro da Europa de antigamente. O espectro de interesses em conflito e nacionalismos irreconciliáveis que a nova comunidade europeia tinha vindo exorcizar. Ainda não se sabe se o pacote amarrado para ajudar a Grécia e os outros países agonizantes vai dar certo mas pelo menos não se fala mais – por enquanto – dos terrores da semana passada: o fim do euro, o fim 
da união europeia, o ressurgimento da velha Europa do seu túmulo.
A discussão sobre o ajuda-não-ajuda à Grécia e os outros de certa forma reeditou a discussão que precedeu a criação da união, entre os políticos, que defendiam a nobre ideia de comunidade e de superação do passado, e os economistas, que tinham dúvidas. Agora como antes, ganharam os políticos, para salvar a ideia, mas o ceticismo dos economistas se justificava. Nenhum político se lembrou que uma moeda única impediria países em dificuldade de jogar com o câmbio e a desvalorização ou valorização da sua moeda nacional para resolver suas crises. Hoje os economistas podem se dar o pequeno prazer da frase triunfal “Eu não disse?” – enquanto são mais uma vez forçados a apoiar uma ação que contraria a sua ortodoxia. O medo do fantasma superou o medo da inortodoxia.
Há outro confronto por trás da hesitação em salvar os países em crise, esse tão antigo quanto a Europa: o sóbrio, frugal, luterano e ligeiramente bárbaro Norte contra o frívolo Mediterrâneo e seus arredores católicos, mais dados a irresponsabilidades financeiras. Este contraste agora tem um complicador novo. O remorso por tudo que tinha aprontado na história da Europa fazia da Alemanha um parceiro relativamente dócil, mesmo que dominante, na aventura do euro. Mas a frau Merkel e sua geração não têm idade nem para ter sido da juventude hitlerista. É uma geração sem culpa, para a qual “nacionalismo” é uma palavra sem outra conotação além do seu apelo eleitoral. Mas este confronto também foi superado pela emergência que ameaçava a união, e até a frau Merkel concordou em ajudar.
A comunidade está salva. Por enquanto.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Não vou dar pitaco no novo governo”
PRESIDENTE LULA, QUE DIZ QUERER SER UM EX-PRESIDENTE “DE VERDADE”

ESTADO POLICIAL: “GRAMPO” CRIA POLÊMICA NA ECT
A direção da Empresa de Correios e Telégrafos colocou na conta da locadora a responsabilidade pelo monitoramento descoberto em recente varredura nos veículos usados por sua diretoria. Equipamentos de GPS e até de escuta teriam sido instalados em três dos quatro carros da diretoria, incluindo o automóvel utilizado pelo presidente, Carlos Henrique Custodio. A ECT entregou o caso à Polícia Federal.

EXCESSO ESTRANHO 
Intriga a ECT o fato de o contrato de locação dos carros da diretoria não prever a instalação nem sequer de rastreadores.

ESPIONAGEM?
Os três primeiros carros monitorados eram dos diretores “de fora”, ou seja, aqueles que não pertencem aos quadros da própria ECT.
OTIMISMO 
O presidente do PSDB, senador Sergio Guerra (PE), define assim o entusiasmo de José Serra na campanha: “Parece pinto no lixo”.

PCdoB COM AGNELO
O PCdoB anunciou ontem a retirada da candidatura de Messias de Souza ao governo do DF e o apoio ao petista Agnelo Queiroz.

SIGILO VIOLADO: OPOSIÇÃO TEME SUMIÇO DE PROVAS
A oposição teme que o governo apague os vestígios da investigação – sem decisão judicial – sobre vida fiscal de seis oficiais do Exército. A ordem foi assinada eletronicamente, em 18 de janeiro passado, pelo coronel Fernando Lima Santos, chefe de gabinete do general Jorge Félix, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, atingindo quatro generais, três da ativa, e dois coronéis.

EXPLICAÇÕES 
Os deputados José Carlos Aleluia (DEM-BA) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) querem interrogar o ministro-chefe do GSI sobre a violação.

BOCA DE SIRI 
Esta coluna solicitou ontem, de novo, mas a Receita Federal faz silêncio sobre investigação fiscal contra militares do Exército. 

PMDB INSEGURO
Na terça (18), a executiva do PMDB vai “pré-oficializar” a indicação de Michel Temer para vice de Dilma, na tentativa de criar fato consumado. É que está por um fio a presença peemedebista na chapa
petista. 

AMEAÇA REAL
Se o PT não se entender com o PMDB em Minas, apoiando Helio Costa para o governo, e também no Ceará, só os votos desses Estados na convenção serão suficientes para retirar o apoio do partido a Dilma.

QUASE EQUILÍBRIO 
As próximas pesquisas devem indicar que Dilma Rousseff (PT) passou José Serra (PSDB) na Bahia e abriu vantagem, mas a petista quase empata em Pernambuco e perde em Alagoas e Rio Grande do Norte.

SIMPATIA É QUASE AMOR
Como Tarso Genro não gosta mesmo de Dilma Rousseff, o tucano José Serra alimenta a esperança de ter o voto do ex-ministro da Justiça. Quando Lula insistia em Ciro Gomes como candidato a presidente, Genro mandou o recado ao PSDB: “Se for Ciro, eu voto em Serra”. 

MEDO DE ÁGUA FRIA
O governador do DF, Rogério Rosso (PMDB), decidiu que nada mais será pago, em seu governo, sem outras quatro assinaturas, além da sua: as da vice-governadora Ivelise Longhi e de três secretários.

COSTA FORA DA ANVISA
Indicado para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e rechaçado por políticos e servidores, o carioca Eduardo Costa foi nomeado para a Fundacentro, ligada ao Ministério do Trabalho, controlado pelo PDT, seu partido. Isso abre espaço para nova indicação do presidente Lula.

INGRATIDÃO
José Genoino (PT-SP) bajulava repórteres até se enrolar no escândalo do mensalão. Agora, é um crítico dos jornalistas brasileiros, como mostrou na 5ª Conferência Legislativa sobre Liberdade de Imprensa.

POLO EM ALTA
Apesar da sabotagem da Infraero, que retém suas mercadorias, o polo industrial de Manaus fechou o primeiro trimestre do ano em alta, faturando US$ 7,4 bilhões. Segundo a Suframa, cresceu
63,7%.

É UMA DROGA 
Deu no Twitter de Sergio Lima, de Brasília, sobre os convocados: “Dunga entrou de vez na campanha nacional contra o
crack!!!” 

PODER SEM PUDOR
LEITE, SÓ “BATIZADO” 
Em campanha presidencial, Jânio Quadros encontrou udenistas como Cid Sampaio na casa de um amigo, no bairro de Boa Viagem, no Recife, e aceitou prontamente o oferecimento de uísque. O mordomo providenciava gelo e o uísque quando chegaram repórteres e fotógrafos. Jânio ficou esperando o retorno do mordomo, com a bebida, para reagir indignado:
– O que é isso, meu filho? Eu disse “leite”! L-e-i-te, ouviu bem?
Os jornalistas fingiram acreditar.

CHEGANDO AO FIM

QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: Governo diz que Ficha Limpa é prioridade 'só para sociedade'

- Folha: Governo vê crescimento elevado no 1º trimestre

- Estadão: Bernardo fala em corte de gastos e avisa: 'Vai doer'

- JB: Brasil vai à OMC na guerra dos genéricos

- Correio: Eles gastam

- Valor: Parcela importada de bens industriais bate recorde

- Estado de Minas: O perigo ronda a saído do banco

- Jornal do Commercio: A dengue avança

quarta-feira, maio 12, 2010

SOU MAIS A ARGENTINA

ZUENIR VENTURA

Colarinhos engomados
Zuenir Ventura
O Globo - 12/05/2010
Anteontem em Sampa, no cruzamento da Ipiranga com a Avenida São João, não se falava de outra coisa: ou o Tuma Jr. é muito forte ou o governo, muito fraco. Ou as duas coisas. Diante do que foi revelado contra o secretário nacional de Justiça, era para ele ter caído logo. Em vez disso, como mostrou Luiz Garcia, ele lançou o desafio: Tirem o cavalo da chuva. Não vou sair. Falou como se o cargo fosse seu e não de quem o nomeou, e como se servidor público não devesse satisfação à sociedade. Enquanto isso, continuavam pipocando transcrições de escutas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal.

Os diálogos mostram as ligações perigosas de Tuma com o chefe da máfia chinesa paulista. Foram vários telefonemas.

Em um, o coordenador das ações de combate à lavagem de dinheiro aparece tentando relaxar o flagrante da apreensão de US$ 160 mil que estavam sendo levados ilegalmente na bagagem de uma deputada, do Aeroporto de Guarulhos para Dubai.

Apesar dos indícios, Tuma recebeu palavras de confiança até do presidente Lula, e prosseguiu falando grosso. Quando o ministro da Justiça pediu que ele deixasse o cargo, ele não atendeu. Só depois, numa segunda reunião e após muito desgaste político para o governo, o secretário concordou em tirar alguns dias de férias, como alegou. Pode ter sido uma saída honrosa, se coubesse o adjetivo. Antigamente, os de colarinho branco que se viam às voltas com a polícia eram menos arrogantes. Hoje, são engomados e afrontam.

Vejam outro exemplo, esse, hediondo, o da procuradora denunciada por torturar uma menina de 2 anos. Foragida, mandou recado desaforado para a Justiça: só vai se entregar quando for julgado o mérito do habeas corpus. Só faltou dizer: Tirem o cavalo da chuva.

Eu estava entre os milhares de velhinhos que se vacinaram contra a gripe no sábado passado. Pena que no meu posto, em Ipanema, tenha reinado a maior bagunça. Na fila de duas horas na calçada, um sol de 50°. Lá dentro um ar mais fresco, mas não havia senha, tinham acabado. Vocês não podem imaginar a confusão. Um dos voluntários, nervoso, tentava impor a ordem, alegando que estava ali sem café da manhã, sem almoço e faltou dizer sem paciência. No desespero, passou a gritar: A senha acabou, agora a senha sou eu! Como era um só, quis lhe perguntar se ia se sortear. Mas calei porque ele não estava pra brincadeira: Não quero perguntas! Quando eu saía, aliviado, uma senhora disparou: Tá com a crônica pronta, né?

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Os soldados de Dunga

Fernando de Barros e Silva
Folha de S. Paulo - 12/05/2010
 
SÃO PAULO - No lugar da aposta, o previsível; no lugar do talento, a disciplina; no lugar da alegria, o trabalho; no lugar das estrelas, os esforçados. Essa é a cara da seleção de Dunga -ele próprio previsível, disciplinado, esforçado e... aborrecido.
A convocação traduz a opção por uma equipe obreira e comportada.
Uma equipe em que não há solistas, mas carregadores de piano submetidos à batuta do maestro. Kaká, o "astro", parece menos um solista do que um músico exemplar, cuja dedicação obstinada, apesar do talento, serve de referência para os demais. Kaká representa o limite tolerável para o brilho individual num ambiente que está concebido para que ninguém brilhe, a não ser, se tudo der certo, o próprio condutor.
Essa concepção tarefeira e um tanto sisuda e triste do futebol vem acompanhada pelo discurso, muito enfatizado por Dunga, do amor à pátria, da doação ilimitada, da superação, do resgate do orgulho e da paixão de vestir a camisa da seleção.
É um discurso construído a partir da ideia de que a geração de 2006 foi derrotada porque não havia compromisso real com a seleção -muitos ali seriam "mercenários" ocupados com a própria fama.
O clamor patriótico de Dunga parece ser sincero (o que não o torna melhor), mas também soa oportunista e marqueteiro quando se sabe que ele próprio o utiliza para vender cerveja a preço de ouro numa campanha de TV em que aparece berrando bordões do tipo "eu quero raça!". Vender a alma não é isso?
Há um jeito esclarecido, cosmopolita, de gostar do Brasil. E há um patriotismo tosco, burrinho, que costuma servir de válvula de escape para pendores autoritários e fanatismos afins. Em seus piores momentos, é esse o sentimento que o futebol mobiliza e atrai.
Há algo profundamente regressivo no espírito cívico-militar que Dunga confere à sua seleção de "soldados da pátria". Nessa guerra lúdica e imaginária, deixamos em casa algumas das nossas melhores armas: talento, alegria, genialidade. Que vençam os artistas da bola!

GOSTOSA

ALEXANDRE SCHWARTSMAN

Timeo Danaos et dona ferentes*
Alexandre Schwartsman
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/05/10

É impossível não falar da atual crise grega (europeia), seja para discutir suas causas, seja para, como pretendo hoje, pensar nas suas possíveis consequências, em particular para a economia brasileira. Será que, como em 2008, a crise externa pode descarrilar a retomada do crescimento vista nos últimos cinco trimestres? Para responder a essa pergunta, temos antes que saber quais são seus potenciais canais de transmissão para o Brasil.
O primeiro é o fenômeno conhecido como "fuga para a qualidade". Em que pese o epicentro da crise de crédito de 2008 ter sido a economia dos EUA, tanto naquela época como agora observamos que investidores, num cenário de turbulência, preferem manter seus recursos sob a forma de ativos americanos. Não se trata apenas da percepção que eles embutem um baixo risco de não pagamento; também o mercado desses papéis é muito líquido, o que permite a investidores montar e desmontar rapidamente suas posições, sem os custos proibitivos que costumam aparecer em tempos de crise em mercados menos profundos.
Não por acaso, portanto, na semana passada, todas as principais moedas flutuantes (exceto o iene) se desvalorizaram ante o dólar, assim como o real. Isto é, uma das formas de transmissão da crise é o fortalecimento global do dólar, que implica, é claro, o enfraquecimento do real.
Além desse efeito, é possível mapear outro, relacionado ao primeiro, mas que atua de forma indireta. Como expliquei no artigo de 31 de março ("Síndrome da China"), há uma clara relação negativa entre o valor do dólar e o preço das commodities: o fortalecimento do primeiro costuma ter repercussões negativas para as últimas. Por outro lado, o real tende a andar em linha com as commodities, de modo que o dólar mais forte traz uma razão adicional para a desvalorização do real (bem como das demais moedas-commodities).
Resta saber se o presumível aprofundamento da crise teria, como em 2008, efeitos nefastos sobre a atividade econômica, provavelmente por uma depressão adicional do crédito.
É uma possibilidade, mas hoje acredito ser muito difícil a repetição, mesmo em escala menor, dos eventos do último trimestre daquele ano.
Estima-se que as perdas associadas à crise de crédito tenham atingido cerca de US$ 1,8 trilhão e possam chegar, ao final do processo, a US$ 2,5 trilhões. Ao mesmo tempo, havia forte incerteza sobre a distribuição das perdas naquele momento, pois tanto os títulos lastreados em hipotecas como os derivativos a eles associados eram transacionados em mercados de balcão, o que manteve todas as instituições financeiras na defensiva por não saberem exatamente a saúde das suas contrapartes, levando à paralisia nos fluxos interbancários e no crédito em geral e, portanto, ao colapso do comércio mundial e da atividade econômica.
Em contraste, pelo menos no caso da Grécia, falamos de valores consideravelmente menores e de um conhecimento bem mais claro da exposição de cada instituição, vale dizer, sem a mesma incerteza quanto às contrapartes. Daí meu ceticismo quanto à reprise do episódio Lehman Brothers e da parada súbita de fluxos financeiros que se seguiu.
Por fim, ao contrário daquele período, não parece haver uma exposição das empresas brasileiras aos derivativos cambiais que exacerbaram a desvalorização da moeda e, também por conta da incerteza, travaram a concessão de crédito no país. Assim, o impacto mais provável da crise parece ser no sentido de enfraquecimento do real, mas sem a queda abrupta de atividade sofrida há um ano e meio.


*Frase da "Eneida", de Virgílio, que significa "Eu temo os gregos, mesmo que tragam presentes".

ALEXANDRE SCHWARTSMAN , 47, é economista-chefe do Grupo Santander Brasil, doutor em economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley) e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central.

JOSÉ SIMÃO

Socuerro! O Dunga tomou Activia!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/05/10

E diz que, depois da passagem do Dunga, a África vai incluir Mula sem Cabeça em safári!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Nem Pato nem Ganso. Queremos o coelhinho da "Playboy"!
E o Dunga não é um anão? Então olha o Dunga convocando a "Seleção do Anão": Júlio Cesar! AH, NÃO! Felipe Melo! AH NÃO! Luisão! AH NÃO! Dunga e seus AH NÃOS! E como diz o Twitter da Nair Bello: "Misturei Activia com o Dunga e fiz a maior cagada na seleção!". Rarará!
O Dunga tomou Activia! E diz que, depois da passagem do Dunga, a África vai incluir Mula sem Cabeça em safári! Com direito a atirar! Rarará! E eu não falei que o Dunga ia afogar o Ganso? E como dizia Nelson Rodrigues: todo técnico é burro. Isso é um clássico!
E sabe por que o Dunga não toma Viagra? Porque já é cabeça dura! E eu tenho uma "dúvida Disney": quem dorme é a Branca de Neve ou o Dunga? E, para os insatisfeitos com a convocação, estou lançando um boneco de pano de vodu com a cara do Dunga: VODUNGA! Pra ficar espetando agulha! De pensar, morreu um Dunga! Rarará!
E sabe o que tá escrito no ônibus da seleção da Grécia?: "Me empresta 10 real pra pagar o pedágio"! Rarará! Crise na Grécia! Todo mundo protestando e brigando! Acabou a carne para fazer churrasco grego!
Ninguém mandou eles ficarem quebrando prato! E a Acrópole é a maior obra pública inacabada! E corre na internet a placa que penduraram na Acrópole: "Alugo quarto"! E o novo Cavalo de Troia: FMI. E sabe qual a sigla do FMI em inglês? IMF. Tradução: International Mother Fuckers! E o Ronaldo explodiu o Twitter!
Sentou em cima? Rarará! "Twitter registra bug na estreia de Ronaldo." O Ronalducho Gordômeno estreou no Twitter no mesmo dia em que deu pau. Zerou tudo. Foi só ele entrar que deu bug! Avisa pro Ronaldo que Twitter é com 140 caracteres e não 140 quilos. Rarará!
Pior, sabe o que aparece na tela quando dá bug no Twitter? Uma baleinha! Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Boa Esperança, Minas Gerais, tem um bar chamado CUTUCA A POMBA! Ueba! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção. Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Teseu": deus do Tesão! Que vai salvar a Grécia! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

GOSTOSA

MÔNICA BERGAMO

Embaixadinhas 
Mônica Bergamo 

Folha de S.Paulo - 12/05/2010

Já está praticamente definida a negociação entre o Corinthians e Ronaldo para que o jogador vire embaixador do time depois que encerrar a carreira, em 2011. O empresário dele, Fabiano Farah, trata dos detalhes com o presidente do time, Andres Sanchez, e com o vice-presidente de marketing, Luis Paulo Rosenberg. Ronaldo trabalhará pela "marca" Corinthians dentro e fora do país -e também para os patrocinadores do Timão, prestigiando, por exemplo, iniciativas sociais deles em outras áreas de atuação.

FOGUEIRA
Num almoço no hotel Emiliano, na segunda, Ronaldo tentava postar mensagens em sua página no Twitter -o microblog, no entanto, estava fora do ar. Incensado pelos amigos que estavam com ele à mesa, o craque chegou a pensar que o site teve problemas por causa da movimentação de sua estreia.

O CHEFE VAI
O presidente do Santos, Luis Alvaro de Oliveira, não acompanhou a convocação da seleção para a Copa, em que Neymar e Ganso ficaram de fora, porque estava tomando vacina contra febre amarela -justamente para viajar para a África do Sul durante o Mundial. Sobre os meninos, diz: "Espero que o Brasil possa prescindir desses dois talentos".

TRAPO
O governo de SP vai fazer propaganda para que as pessoas doem roupas em bom estado na Campanha do Agasalho. Num jantar com empresários do Lide, anteontem, em SP, a primeira-dama, Deuzeni Goldman, afirmou que o Fundo Social de Solidariedade tem "um depósito de lixo", tal a quantidade de roupas imprestáveis doadas nesta época. São meias furadas, camisas rasgadas -e até coisa pior. "Já teve gente que doou até calça com absorvente sujo!", revolta-se Bia Doria, mulher do empresário João Doria, que acompanhou algumas campanhas.

CORAÇÃO ABERTO
As roupas acabam tendo que passar por reciclagem antes de chegarem a quem tem frio. "Abram os armários. Doem coisas boas", disse Deuza.

RICKY QUEM?
Hebe Camargo apoiou a ideia da primeira-dama, mas não perdeu a piada. "Gostei, Deuza, dessa coisa de abrir o armário. Porque de repente a gente abre e sai o Ricky Martin [cantor que assumiu a homossexualidade] de lá!". O governador Alberto Goldman não entendeu. "Quem é Ricky Martin?", perguntou ele à mulher.

VERDINHAS
O presidente do Partido Verde, José Luiz Penna, vereador em São Paulo e patrocinador da candidatura de Marina Silva (PV-AC) à Presidência, está em alta na administração demo-tucana de Gilberto Kassab. A prefeitura acaba de liberar verbas para três emendas do parlamentar: R$ 362 mil para um hospital e R$ 418 mil para secretarias controladas pelo PV.

PITO
A iniciativa de Linamara Battistella, secretária da Pessoa com Deficiência, de lançar novamente o nome de seu colega no governo, Carlos Vogt (Ensino Superior), para concorrer à presidência do conselho da Fundação Padre Anchieta apanhou o governador Goldman de surpresa. Luiz Marrey, chefe da Casa Civil, chegou a interpelá-la, já que a eleição, que parecia definida em favor de Moacyr Expedito Guimarães, chegou a um impasse. A conversa foi tensa. Linamara não foi localizada para comentar.

ELEIÇÕES

O voto supersecreto dos artistas globais

O pós-Lula está unindo a classe artística -ou ao menos o elenco da novela "Passione", que se reuniu anteontem em SP na festa de lançamento da nova trama das oito da TV Globo, que estreia na segunda. Tão engajados em eleições presidenciais passadas, ora na campanha de Lula, ora com Fernando Collor, FHC ou José Serra, os artistas agora escondem o voto. A exceção é Marcello Antony.

Nem Dilma Rousseff (PT-RS), nem José Serra (PSDB-SP), nem Marina Silva (PV-AC). "A minha tendência é anular o voto", diz ele. "Tô bem sem esperança." Antony acha que "a máquina tá feita. A corrupção vai continuar existindo. Lá dentro, o time é o mesmo."

"Neeem pensar que vou falar sobre isso!", diz Carolina Dieckmann, uma das estrelas da próxima novela. Reynaldo Gianecchini desconversa. "Tô pesquisando... Tô atento. Tô atento." Ao contrário da mãe, Regina Duarte, símbolo de campanhas do PSDB, a atriz Gabriela Duarte explica que nunca revela o voto. "Obviamente, eu não iria para a TV fazer o que ela [Regina] fez.

Mas ela sempre brigou. Cada um com sua coerência." Depois de um longo silêncio, Vera Holtz desconversa: "Mas a campanha já começou?". Já. "Ainda estou... escutando. Sentido a pulsação. Eu vivo mais no mundo da ficção do que no mundo real." E Daniel de Oliveira: "Olha, estou analisando todos os candidatos, calmamente". Marcelo Médici explica: "Ah, não posso falar. Essa é a política da casa [TV Globo], de não se posicionar."

Fernanda Montenegro não vê muita diferença entre os três principais candidatos. "São personalidades, cada uma a seu modo, com uma história extremamente rica, mas, no fundo, com os mesmos propósitos. Um pouco mais, um pouco menos, temos três candidatos de esquerda. Isso é um passo adiante dentro da nossa história política. Só isso que vou falar. Não tô fazendo resposta mineira. Não declaro voto, porque não acho que isso contribua com coisa alguma."

CURTO-CIRCUITO
WALTER SALLES E ISMAIL XAVIER participam hoje, às 20h30, do "Seminários de Cinefilia", com mediação de Alcino Leite Neto, no Espaço Unibanco.

AMIR LABAKI, diretor do festival É Tudo Verdade, é um dos convidados de honra do "The Documentary Brunch" no Festival de Cannes, na França, no dia 18.

CAROLINE MARGONE, diretora de documentários e curtas, prepara seu primeiro longa baseado no livro "Estou Viva, Não Uso Mais Drogas - O Inferno de Bell" (editora Semente, 2006), de Bell Marcondes.

GILMAR MENDES participa hoje, às 8h, da comemoração de nove anos do Instituto Pro Bono, na sede do Mattos Filho, Veiga Filho, Quiroga e Marrey Jr. Advogados.

SILVANA TINELLI lança o livro "Primeira Chance" hoje, a partir das 19h30, no Museu da Casa Brasileira.

BETTY GERVITZ promove no sábado, das 11h às 13h, workshop de dança de roda dos Bálcãs, com participação do grupo musical Mutrib, no Espaço 10x21, na Pompeia.

DORA KRAMER

Caminho suave 
Dora Kramer 

O Estado de S.Paulo - 12/05/2010

De tudo o que se vê no noticiário sobre o caso do secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, flagrado em gravações da Polícia Federal em conversas que caracterizam relações de amizade entre ele e um acusado de integrar a cúpula da máfia chinesa em São Paulo, chama atenção a quantidade de malabarismos feitos pelo governo para não melindrar o secretário.


Ontem, o Ministério da Justiça anunciou seu licenciamento pelo período de 30 dias, para em seguida ser desmentido por Tuma Júnior que, no comando das operações, optou por férias de 15 dias.

Fosse qual fosse o modelo, pela natureza do cargo e dos variados fatos surgidos após a divulgação das primeiras gravações (tentativa de relaxamento de um flagrante de apreensão de dólares no aeroporto de Guarulhos, suspeita de intervenção de Tuma Júnior na emissão de vistos ilegais e liberação de mercadorias de pessoas investigadas pela PF) o afastamento deveria ter sido imediato.

Por precaução no tocante às investigações ou para preservar o governo federal como um todo, independentemente do que venha a ser revelado sobre a extensão da amizade dele com o acusado Li Kwok Kwen.

Por iniciativa por superiores teria denotado apreço à compostura.

Passaram-se dias sem que ninguém soubesse o que fazer simplesmente porque, argumentava-se, o secretário era uma indicação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em atendimento ao senador Romeu Tuma, do PTB de São Paulo.

Caberia, seria de se supor, ao presidente demiti-lo. Mas, não era seu subordinado direto. Esperava-se, então, uma decisão do ministro da Justiça. Mas passou-se a contar com a iniciativa de Tuma Júnior que, mirando-se em exemplos anteriores vindos de cima e segundo os quais quanto mais largas as costas mais quentes os panos, não se mexeu.

No Palácio do Planalto engendrou-se então uma solução desenhada para ser interpretada como "pressão" para Tuma Júnior pedir para sair: foi dado a ele prazo de cinco dias de prazo para se explicar à Comissão de Ética Pública da Presidência.

Logo a tão desgastada comissão, desautorizada por Lula numa queda de braço em 2008, com o então ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e que em todas as batalhas em que se envolveu a ética saiu vencida.

Não será agora que contabilizará sua primeira vitória. Apenas servirá como aval decorativo na construção de um caminho suave à retirada do secretário.

Conto "das bases". Ainda hoje, 50 anos depois de instalada a capital da República no Planalto Central, deputados e senadores insistem em ignorar que o mandato de representação federal é exercido em Brasília.

O trabalho "nas bases" diz respeito às respectivas sobrevivências políticas, que deveriam financiar com outras fontes que não o dinheiro do contribuinte que lhes paga salários e benefícios para um expediente de segunda a sexta-feira na capital.

Mesmo assim surgem propostas, como a do líder do governo Cândido Vaccarezza, em boa hora negada pelo presidente da Câmara, Michel Temer, de antecipar o recesso do meio do ano para antes da Copa do Mundo, a fim de liberar mais cedo suas excelências para as férias e a campanha eleitoral.

Note-se, período em que se afastam no atendimento a interesse unilateral, pois o contrato das urnas prevê quatro e não três anos e meio de mandato com direito a licença-campanha e bolsa Copa do Mundo.

Vaccarezza já avisou que vai insistir.

Conto da desfaçatez. Pode ser chamado de gratuito o horário eleitoral que custa R$ 851 milhões ao Estado? Isso só com a renúncia fiscal decorrente da compensação às emissoras de rádio e televisão pelas perdas com a publicidade comercial que deixam de exibir, sem contar a parcela do Orçamento destinada anualmente ao Fundo Partidário.

O horário é gratuito para os partidos que ainda se dão ao desfrute de dizer que enquanto não for instituído o financiamento público as campanhas eleitorais continuarão "reféns" do caixa 2.

COPA

RONALDO LEMOS

Marco Civil é lei a favor da internet
RONALDO LEMOS
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/05/10

O Marco Civil é necessário porque, mesmo com 15 anos de acesso público à internet no país, ainda convivemos com a ausência de regras



ESTÁ EM curso a segunda fase do debate que está construindo um Marco Civil para a internet no Brasil. Trata-se de um processo inovador, aberto a toda sociedade. A iniciativa é do Ministério da Justiça, em parceria com o Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getulio Vargas (CTS-FGV).
Seu objetivo é estabelecer as regras fundamentais para a rede no país.
Não através da criminalização, nem da restrição a direitos, mas, sim, pela concretização na rede dos direitos fundamentais estabelecidos pela Constituição. Seus pilares são a defesa da privacidade, da liberdade de expressão, a criação de salvaguardas para sites e blogs, a garantia de direitos básicos de acesso à rede e a ampliação do acesso a dados governamentais.
Em síntese, ele propõe que o acesso à internet é requisito para o exercício da cidadania no mundo de hoje.
Contrapõe-se a uma tendência brasileira e global de criminalização e restrição a direitos na rede e é produto da intensa mobilização da sociedade civil contra projetos de lei que radicalizam a regulamentação da rede.
Dentre eles, o polêmico projeto de lei nº 84/89, que, na redação atual, estabelece crimes excessivamente amplos, que levam à restrição de direitos dos usuários. É equivocado estabelecer que os conflitos na rede devam ser decididos essencialmente pela esfera criminal, como quer esse projeto.
O Marco Civil é necessário porque hoje, depois de mais de 15 anos de acesso público à internet no país, ainda convivemos com a ausência de regras. Apesar disso, o Judiciário é chamado constantemente para decidir conflitos. Mas, como não há legislação específica, as decisões acabam sendo contraditórias.
Um exemplo é a ordem judicial que mandou bloquear o acesso ao YouTube em todo o Brasil por conta de vídeo da modelo Daniella Cicarelli em situação íntima em praia da Espanha.
Filtrar um site na raiz da conexão de um país é medida extrema, adotada em geral só por regimes autoritários, como China ou Coreia do Norte.
Com a ausência de regras, são comuns também os casos de blogueiros, sites e provedores condenados automaticamente por conteúdos de terceiros. Um exemplo é o autor de um blog no Ceará que foi condenado em R$16 mil por conta de um comentário postado no site.
O objetivo do Marco Civil é reduzir essa atual situação de imprevisibilidade e desenhar os limites da responsabilidade na internet, de forma que blogs, sites e provedores não sejam responsabilizados automaticamente por qualquer conteúdo de terceiros.
Com isso, estimula-se o amadurecimento da "websfera", criando melhores condições para quem quer inovar e empreender na rede brasileira.
A proposta do marco é de ponderação, de equilíbrio entre interesses diversos. Nesse sentido, seu texto inicial apresentou uma solução intermediária para a questão, baseada nas contribuições recebidas e nos modelos adotados na Europa e nos EUA.
Por ele, sites e blogs somente seriam responsáveis por conteúdos de terceiros se, notificados pelo ofendido, não agissem para removê-lo.
No entanto, o autor seria informado da notificação e teria a chance de contranotificar, mantendo o conteúdo no ar e assumindo a responsabilidade por ele. Qualquer terceiro poderia fazer o mesmo, protegendo conteúdos na rede. Esse sistema privilegia as próprias partes, que se tornam protagonistas da solução do conflito, sendo o Judiciário chamado apenas quando necessário.
Após três semanas de amplo debate, essa solução não pareceu ser a mais adequada. As contribuições enviadas individualmente e por instituições apontaram em outro sentido: o de que provedores, sites e blogs só devem remover conteúdos de terceiros a partir de uma ordem judicial, e não quando notificados pelo ofendido.
Com isso, a nova proposta foi incorporada e passa a ser objeto do debate.
Qual deles é o melhor caminho?
Não cabe nem ao Ministério da Justiça nem ao CTS-FGV decidir. A solução final será construída através da participação ampla de indivíduos, organizações e entidades de classe, que podem contribuir pelo site www.culturadigital.br/marcocivil até o dia 23 de maio. O texto do Marco Civil é o ponto de partida.
O compromisso de todo o processo é com o debate. E já existe um consenso importante: qualquer regulação da internet no Brasil deve ser necessariamente precedida de ampla discussão, valendo-se para isso das possibilidades de participação do nosso tempo.
RONALDO LEMOS, mestre em direito pela Universidade Harvard e doutor em direito pela USP, é diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV e colunista da Folha.

PAINEL DA FOLHA

A garantia sou eu
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/05/10

No programa de dez minutos que o PT exibirá amanhã em rede nacional, o último do partido antes do início oficial da campanha, Lula não se limita a exaltar as qualidades de Dilma Rousseff e os serviços por ela prestados ao governo. Em sua fala, o presidente enfatiza que "confia" na candidata que escolheu.
No mais, o programa se divide entre a comparação presente x passado e a apresentação de Dilma. No primeiro caso, a tônica são as realizações da era Lula, com a ressalva final de que "nem sempre foi assim". No quesito biográfico, mesclam-se fotos de infância com a trajetória pública da candidata, sem esquecer de sua condição de mãe e, logo mais, de avó.


CEP 1. O PT pretende realizar em Brasília a convenção, marcada para 13 de junho, que oficializará a candidatura de Dilma. Chegou-se a discutir a possibilidade de fazer o evento em São Paulo, mas prevaleceu a ideia de que, com o partido no governo, a capital federal é o melhor palco.
CEP 2. Seguro de que tem os votos necessários para aprovar a aliança com o PSDB de José Serra, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, decidiu realizar a convenção nacional em São Paulo, onde o partido tem uma parceria histórica com os tucanos. Brasília foi descartada para evitar atrito com o senador Gim Argello, pró-Dilma. O evento será em 19 ou 26 de junho.
Estilo BC. Comentário ouvido no governo logo após o anúncio da escalação da seleção brasileira que irá à Copa: "O Dunga deu uma de Meirelles. Preferiu a retranca".
Na foto. Embora resistentes à aliança com o PSDB em Goiás, os "demos" colaram em Serra ontem em Goiânia. A relação com o candidato tucano ao governo, Marconi Perillo, é péssima, mas os aliados afirmam que o apoio a Serra está acima da disputa local. "Não podemos confundir as coisas", resume o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).
Dobradinha. Tudo caminha para que o palanque de Serra no Maranhão, encabeçado pelo candidato ao governo Jackson Lago (PDT), tenha o deputado tucano Roberto Rocha em uma das vagas para o Senado.
Ver pra crer 1. O Tribunal de Justiça do Maranhão indicou quatro desembargadores para vaga no Superior Tribunal de Justiça aberta com a aposentadoria da ministra Denise Arruda. Um deles é o de Nelma Sarney, cunhada do presidente do Senado, José Sarney. Outros dois indicados pelo Maranhão também são ligados ao clã.
Ver pra crer 2. Amanhã, o STJ tirará, de um total de 48 nomes, a lista tríplice a ser encaminhada a Lula, que escolherá o novo ministro.
Eu não sabia. Por meio da assessoria, Sarney afirmou que a decisão de apresentar o nome ao STJ foi exclusiva de sua cunhada Nelma, e que ele não foi consultado. Disse ainda que não se envolveu nem se envolverá na questão.
Fatos reais. Do deputado Alberto Fraga (DEM-DF), anunciando em tom de brincadeira que pretende entrar com ação na Justiça em razão de o filme "Tropa de Elite 2", do diretor José Padilha, apresentar um deputado vilão igualmente chamado Fraga: "No mínimo, vou querer participação na bilheteria".
Visitas à Folha. Britaldo P. Soares, diretor-presidente da AES Brasil, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Márcia Ferreira Carlos Magno, diretora de Comunicação e Responsabilidade Social, Roberto Di Nardo, diretor-executivo Comercial, e Marcelo Burgos, gerente de Relacionamento com a Imprensa.
Gabriel Chalita, vereador da cidade de São Paulo e pré-candidato ao Senado pelo PSB, visitou ontem a 
Folha. 

com LETÍCIA SANDER e GABRIELA GUERREIRO
Tiroteio 
Imagine se todo trabalhador que acorda às 5h e encara o metrô para ir trabalhar tivesse um surto de mau humor. As empresas do país quebrariam. 

De HENRIQUE EDUARDO ALVES (RN), líder do PMDB na Câmara, sobre o fato de José Serra ter atribuído à falta de sono sua irritação em determinados momentos da entrevista à rádio CBN, realizada às 8h. O deputado peemedebista quase foi vice do tucano na eleição de 2002.
Contraponto 
Questão de tempo Cotado para ser vice de José Serra, Francisco Dornelles (PP-RJ) protestou ontem, durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, quando Flexa Ribeiro (PSDB-PA) apontou a ausência de governistas no local:
-Eu represento a base, estou ativo para seguir rigorosamente as diretrizes estabelecidas pelo governo. Eu ainda estou na base do governo!- disse Dornelles.
O tucano não se deu por vencido:
-Vossa Excelência disse bem: "ainda" está na base...
Dornelles tentou insistir, mas foi interrompido por Garibaldi Alves (PMDB-RN), que presidia a sessão:
-Vamos à votação do requerimento, mesmo porque daqui a pouco é hora de ouvir o Dunga anunciar a seleção!

GOSTOSA

RUY CASTRO

País sem pianos
RUY CASTRO
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/05/10


RIO DE JANEIRO - Notícia desta semana alerta para um fato preocupante: a queda a quase zero no interesse pelo piano entre os jovens brasileiros. Em vários Estados, concursos importantes, destinados a formar futuros solistas, deparam com um número insignificante de inscrições. E não se trata de desinteresse pela música -porque outros instrumentos, talvez mais imediatos, continuam prestigiados.
O Brasil e o piano têm uma bela história juntos. Os dois conquistaram seu espaço quase ao mesmo tempo no século 19: o piano, sobre o cravo; o Brasil, sobre a sua condição de colônia. O próprio príncipe dom Pedro era pianista. Em pouco tempo, o piano tornou-se um móvel obrigatório nas nossas casas, tanto quanto o toucador e a escarradeira. Permitiu também que muitos escravos, que o aprenderam, levassem vida melhor.
Desde então, num país em que o violão sempre pareceu onipresente, a grande música, do ponto de vista do compositor, passou decisivamente pelo piano. É só citar Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Freire Junior, Zequinha de Abreu, Sinhô, Ary Barroso, Custodio Mesquita, Alcyr Pires Vermelho, Vadico, Johnny Alf, Tom Jobim, Marcos Valle, Francis Hime, Edu Lobo, João Donato. E os arranjadores, os solistas, os acompanhadores?
Um motivo para o declínio do piano nas casas brasileiras pode ter sido a verticalização das cidades -não é fácil transportar um piano para o 10º andar. Outro pode estar no fato de que leva mais tempo para formar um pianista do que um médico ou engenheiro, sem nenhuma garantia de que um dia ele possa viver das pretinhas. Mas todo estudante de piano precisa chegar a profissional? A educação musical, por si, não deveria ser suficiente?
Tom Jobim me disse que o piano fez o homem acabar de descer da árvore. Mas talvez a árvore seja o nosso destino.

MERVAL PEREIRA

A pátria de chuteiras
Merval Pereira
O GLOBO - 12/05/12

O futebol no Brasil tem tanta importância que acaba se misturando com a política, explorado pelos governantes independentemente de sua inclinação esportiva. Cada vez mais jogadores de futebol são candidatos a cargos eletivos, como Romário este ano. E não é de hoje. Em 1927, o então presidente Washington Luís tentou se meter em uma partida de futebol e acabou desautorizado por Feitiço, um atacante do Santos.

Na final do Campeonato Brasileiro de seleções estaduais, entre Rio de Janeiro e São Paulo, no estádio de São Januário, um pênalti marcado contra o São Paulo, quando o jogo estava empatado em 1 a 1, provocou a ira dos paulistas, que se recusaram a continuar a jogar.

Presente ao estádio, Washington Luís ordenou que a partida fosse reiniciada, no que foi contestado por Feitiço de dentro do campo: “Diga ao presidente que ele manda no país. Na seleção paulista mandamos nós”. E o jogo não recomeçou.

Vários presidentes entraram em disputa com técnicos da seleção brasileira, até mesmo Fernando Henrique, que não é dos mais fanáticos torcedores.

Pois, em 2002, ele engrossou o coro dos que queriam Romário na seleção e levou uma resposta de Felipão mais ou menos no mesmo teor da de Feitiço.

Lula certamente é o presidente mais ligado ao esporte, podendo seu gosto pelo futebol ser comparado com o do general Médici, que comparecia aos estádios de radinho de pilha no ouvido, fato muito explorado pela equipe de marketing da época.

Lula também explora essa ligação do brasileiro com o futebol, mas não chega ao ponto de tentar escalar um jogador, como fez Médici com Dario, provocando uma crise na seleção de 1970, que levou à demissão do técnico João Saldanha.

Agora mesmo está fazendo uma grossa demagogia, criando a Bolsa Copa para dar pensão a jogadores campeões do mundo em 1958, 1962 e 1970.

Até agora só o grande Tostão recusou a prebenda.

Torcer por um time popular como o Corinthians, como faz Lula, é sempre bom, mas o feitiço pode virar contra o feiticeiro quando a torcida liga a proximidade do presidente com seus jogadores a fracassos nos campeonatos.

Na Copa de 2006, Lula foi fazer uma gracinha com Ronaldo, perguntando se ele estava mesmo gordo, e teve que ouvir comentários sobre seu hábito de beber. Hoje já fizeram as pazes.

E quando Lula resolveu elogiar o argentino Messi, provocou a reação do goleiro Julio Cesar, que o aconselhou a se mudar para a Argentina e ainda arrematou: “Quem sabe o Brasil não melhora um pouco com a saída dele?”.

O candidato tucano à Presidência, José Serra, que também é um torcedor fanático do Palmeiras, já recebeu uma dura do técnico Felipão quando fez uma crítica ao técnico, que dirigia o Palmeiras.

Felipão mandou Serra, que era ministro da Saúde na época, tomar conta da “precária saúde” nacional.

É sinal de amadurecimento da nossa democracia, portanto, o fato de que ser campeão do mundo não influi na escolha do presidente.

Em 98, Fernando Henrique Cardoso foi reeleito mesmo com o Brasil perdendo a Copa, e, em 2002, tendo o país se sagrado pentacampeão, o oposicionista Lula foi eleito.

Misturar política e futebol não dá bom resultado. “O patriotismo é o último refúgio do canalha”, definiu Samuel Johnson, escritor e pensador inglês do século XVII.

Eu me lembrei da frase ontem, ao ver a entrevista do técnico Dunga na convocação dos 23 jogadores que vão disputar a Copa do Mundo na África do Sul.

Não tenho nenhum motivo para considerar Dunga um canalha, coisa que tudo indica ele não é. Mas não digeri bem aquele discurso patrioteiro que ele e seu auxiliar Jorginho fizeram.

Fiquei com receio de que uma certa politicagem equivocada esteja tomando conta da seleção, e que os jogadores estejam levando ao pé da letra a máxima rodrigueana de que a seleção é a pátria de chuteiras.

Mas o que me chamou mais a atenção foi a exagerada dedicação de Dunga ao “sofrido povo brasileiro” e à exortação ao sacrifício no altar da pátria.

Ele chegou a se referir às lições de patriotismo que recebeu de sua mãe, professora de geografia e história.

Quando começou a falar de “apartheid” e da ditadura militar no Brasil, não sei exatamente por que, Dunga demonstrou que não é um indivíduo politizado e, portanto, ainda bem, seu apego ao patriotismo não é um escape político. É apenas um equívoco de quem mistura conceitos e tem uma visão deturpada da função de um jogador de futebol numa sociedade como a brasileira.

Achei Dunga rancoroso demais, mesmo considerando que algumas perguntas vinham com distorções descabidas — como a tentativa de comparar Neymar a Pelé ou Maradona — ou tivessem o objetivo explícito de provocar o técnico.

Mas mesmo quem considerou razoável a explicação oficial de falta de experiência para que Neymar e Paulo Henrique Ganso não estivessem na relação ficou sem argumento ao saber que Ganso está na lista de sete reservas enviada à Fifa.

A tão decantada coerência de Dunga não combina com essa decisão, pois potencialmente ele considera que o apoiador do Santos pode estar na seleção em caso de contusão de um jogador da relação oficial, apesar da inexperiência.

Já que é assim, não precisa de contusão.

Tudo somado, Dunga vive uma experiência única na vida de um esportista — ser técnico da seleção brasileira depois de ter sido jogador campeão do mundo —, mas não está tranquilo.

O técnico, que visivelmente não se dá muito bem com as críticas, deixou transparecer durante toda a entrevista que tem um sentimento de vingança guardado no peito prestes a explodir.

Se o Brasil for campeão do mundo, quase certamente veremos um Dunga exultante e raivoso, considerando-se um herói nacional, se vingando dos seus críticos com gestos e palavreados que estão sendo contidos a duras penas.