sexta-feira, outubro 23, 2009

DIRETO DA FONTE

Olhos nos olhos

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO - 23/10/09


Um dia antes de reafirmar, na Britcham, no Rio, que "gostaria de ver a Vale mais bem administrada", Eike Batista recebeu para jantar, em sua casa, uma pessoa diretamente ligada à administração da quase-estatal: Roger Agnelli.
Teve "pax" no cardápio?

Sidernauta

A siderurgia brasileira tem capacidade de produzir hoje mais que 100% da sua demanda interna. "Mesmo assim, encontramos nicho na laminação de chapa grossa", observou ontem Jorge Gerdau, justificando o anuncio de investimento de US$ 1,7 bilhão.
E a pressão para a Vale entrar na siderurgia? "Sobre isto, não falo", desconversa.

Duas patas

Amantes do tênis, vem aí a moça do "Úúúú..." Maria Sharapova faz jogo-demonstração dias 6 e 7 de dezembro, trazida pela Maior. O lugar? Fazenda Boavista, empreendimento da JHSF.
Eleita pela People uma das 10 mulheres mais bonitas do mundo, calcula-se que já faturou US$ 12,5 milhões.

Quatro patas

Álvaro Coelho da Fonseca inaugura amanhã, com festão e concurso hípico, o Centro Eqüestre Geraldo Bordon, no Haras Larissa.
Coordenado pelo casal Patrícia e Caio Carvalho, da Confederação Brasileira de Hipismo, o centro fica em condomínio de Monte Mor onde ginetes como Doda Miranda já têm terreno.

Potro ao pé

Gisele Bündchen renovou com a Colcci. Vem para a São Paulo Fashion Week, em janeiro. Com status de mãe.

Milton forever

Persona gratíssima na cidade de Búzios, Milton Nascimento foi nomeado Membro Imortal da Academia de Letras e Artes Buziana.

Memória de guerra

Quarenta anos depois de assassinado pelos militares, Carlos Marighella, fundador da ALN, vai virar cidadão paulistano.
A homenagem póstuma acontece dia 4, na Câmara Municipal , com apoio do ministro Paulo Vannuchi.

E, pelo jeito, sua reintegração não para por aí: Isa Grinspun trabalha para transformar em filme a
história de sua vida.

Medo ou temor?

Palmério Dória reclama: nenhuma livraria do Maranhão aceitou fazer o lançamento do seu livro.
"Honoráveis Bandidos, um Retrato do Brasil na Era Sarney" será lançado dia 4, no Sindicato dos Bancários na cidade de São Luís.

Pechinchas do Baú

O SBT e o canal de vendas Shop Tour fecharam negócio. A partir de novembro, infocomerciais de 1 minuto entram na programação do canal de Silvio Santos.

Na Frente

FHC, Serra e Kassab marcaram presença, anteontem, na abertura da mostra O Pequeno Príncipe na Oca. Mas não chegaram a entrar no pique do evento. Fizeram seus discursos e... saíram sem ver a exposição.

O documentário 13 Minutos será exibido hoje, no Cine Bombril. Com debate com Denis Mizne, do Sou da Paz.

Fábio Assunção tem novo projeto: será protagonista do longa Amor Sujo, de Paulo Caldas. No papel de um padre. Polêmico, claro.

Serra e Reinhold Stephanes estarão no jantar dos 90 anos da Sociedade Rural Brasileira, dia 9, na Sala São Paulo.

Armando Monteiro jogou a toalha. Depois de fazer algumas pesquisas, resolveu abrir um escritório de representação da CNI em São Paulo. O que vai acontecer na terça.

Emanoel Araujo comemora hoje os 5 anos do Museu Afro Brasil com duas mostras: Sonhos e Utopias pela Liberdade e a instalação Oriki in Corpore.

A Wizo promove jantar dançante em benefício da entidade. Amanhã, no Gallery.

PT e PC do B convidaram Jiang Yuande, embaixador da China, para homenagear os 60 anos da Revolução Chinesa, segunda-feira, em Brasília . " Para o bem ou para o MAO"?

SEMPRE CAGANDO

WASHINGTON NOVAES

Rumo a Copenhague pisando em ovos


O Estado de S. Paulo - 23/10/2009


Que significará exatamente a afirmação do presidente da República (Estado, 24/9) de que o Brasil está disposto a discutir metas e compromissos de reduzir suas emissões de poluentes que contribuem para mudanças climáticas? Significará assumir compromissos obrigatórios no âmbito da Convenção do Clima, em Copenhague, em dezembro - compromissos que até agora tem recusado? E, se aceitar, como ficará sua posição perante os demais países emergentes, que até aqui se recusam a assumir esses compromissos, por entenderem que eles devem caber aos países industrializados, que emitem há muito mais tempo e, até há pouco, em maior volume?

Terão o mesmo sentido afirmações do ministro do Meio Ambiente de que o Brasil quer assumir compromissos "externos e obrigatórios" de reduzir o desmatamento na Amazônia em 80% até 2020? Segundo o ministro Carlos Minc (Estado, 25/8), o Brasil assumirá metas de redução, mas cobrará recursos, parcerias e tecnologias dos países industrializados, uma vez que nosso país já aceitou a meta de lutar para que o aumento da temperatura do planeta não passe de dois graus. Hoje, diz ele, embora o desmatamento tenha caído, a participação da indústria e da geração de energia no total das emissões nacionais subiu de 18% para 30% do total.

Na questão do desmatamento, a intenção brasileira há tempos anunciada é de reduzi-lo em 40% no período 2006-2009, tomando por base a média do período 1996-2005. Na verdade, meta já atingida, uma vez que o desmatamento médio no período-base foi de 19,5 mil km2 por ano, enquanto em 2006 foram 14,1 mil, em 2007 chegaram a 11,5 mil e em 2008, a 12,7 mil km2 - e a meta seria de 13,6 mil km2. Para chegar à redução de 70% em 2017 - outra intenção anunciada - o desmatamento terá de baixar para 5.700 km2 anuais. E para reduzir em 80% até 2020 precisará cair para 3.800 km2/ano.

Tudo isso, neste momento, parece estar no limbo, diante das dificuldades encontradas em Bangcoc nas discussões entre países industrializados, emergentes e demais nações, encerradas há duas semanas. Um impasse, na verdade, pois não se avançou em compromissos de redução de emissões, nem na transferência de recursos e tecnologias dos países desenvolvidos para os demais e que os ajudem a enfrentar os "desastres naturais" decorrentes do clima. Os países emergentes chegaram a acusar os industrializados de "sepultar" o Protocolo de Kyoto, que estabelece obrigação de esses países industrializados reduzirem, em conjunto, suas emissões em 5,2% sobre os níveis de 1990, no período 2008-2012. Só a Noruega se dispôs a reduzir suas emissões em 40% (sobre 1990) até 2020. E o diagnóstico dos cientistas é de que todos os industrializados precisariam fazer esse corte e chegar a 2050 com redução de 80%.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegou a dizer que "só temos um par de sapatos (Kyoto), a lógica é ficar com ele", enquanto o Massachusetts Institute of Technology (MIT) divulgava estudo afirmando que o aumento da temperatura poderá até o fim do século subir até sete graus, bem mais do que o previsto pelo próprio Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). "A criação está ameaçada", afirmou o papa Bento XVI. O economista sir Nicholas Stern, consultor do governo britânico, autor de estudo sobre o clima e a economia, diz que é preciso, no mínimo, reduzir as emissões globais dos atuais 50 bilhões de toneladas anuais para 35 bilhões em 2030 e 20 bilhões em 2050. Para isso Estados Unidos, Japão e Europa precisariam baixar suas emissões em 80%, tomando por base as de 1990. E os demais países também precisariam reduzir, já que eles estão superando os industrializados em emissões. A Índia, que hoje emite 4 bilhões de toneladas anuais, passará a 7 bilhões em 2031, na tendência atual (emite hoje 1,27 tonelada/ano por pessoa, ante a média global de 4,82). A China poderá duplicar suas emissões até 2050.

Ainda haverá mais uma reunião preliminar da Convenção do Clima, em Barcelona, no começo de novembro. É possível que até lá se avance. Mas está difícil. Enquanto isso, o Brasil deveria prestar atenção a uma discussão que ocorre no âmbito do IPCC e que pode ter consequências importantes para o País.

Até aqui os estudos sobre emissões afirmam que o metano tem uma equivalência em relação ao dióxido de carbono de 23 vezes - isto é, uma tonelada de metano emitida para a atmosfera equivale a 23 toneladas de carbono, quando se mede a contribuição para o aumento do calor e as mudanças no clima. Para o Brasil é um complicador, já que, com o maior rebanho bovino do mundo, tem aí contribuição forte para as mudanças climáticas - cada boi emite 58 quilos de metano por ano em seus arrotos, no processo de ruminação de alimentos (medição da Embrapa Meio Ambiente). Com cerca de 170 milhões de bovinos, essas emissões podem chegar a quase 10 milhões de toneladas anuais, que equivaleriam a mais de 200 milhões de toneladas de carbono. No inventário brasileiro de emissões referentes a 1994 (o único até agora), elas foram quantificadas em 9,37 milhões. Somadas às emissões de metano por mudanças no uso da terra e de florestas e às decorrentes do tratamento de resíduos, chegaram a 12,29 milhões de toneladas. Que devem ser multiplicadas por 23.

A nova discussão num painel no IPCC - da qual participa o físico brasileiro Luiz Gylvan Meira Filho, que coordenou a área do clima no governo federal até 2002 - parte do princípio de que o método até aqui utilizado para aferir a equivalência do metano, o GWP (ou Global Warming Potential), deve ser substituído pelo GTP (Global Temperature Increase Potential), porque o aquecimento causado pelo metano é dissipado por radiação. E muda a equivalência, de 23 para 4 ou 5. No âmbito da química, os números não se alteraram - pelo menos até aqui.

Os pecuaristas, principalmente, têm muito interesse no tema. Precisam discuti-lo.

MÍRIAM LEITÃO

Evitar bolhas

O GLOBO - 23/10/09


O ministro Guido Mantega estava ontem numa situação curiosa: criticado aqui no mercado pelo IOF do capital estrangeiro e elogiado pelo “Financial Times” pelo mesmo motivo. “O IOF não é para impedir a entrada de capital na bolsa, mas evitar uma bolha; não é para barrar entrada de capital, mas evitar exageros, não desestimula investimento de longo prazo”, me disse Mantega

Mas o imposto de 2% sobre operações financeiras na entrada de capital para bolsas e aplicações em títulos públicos divide até o próprio governo.

O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, criticou a medida em entrevista ao “Estadão”.

— Estranhei muito a declaração do ministro porque ele participou comigo de uma reunião na véspera com empresários de todos os setores.

A decisão foi elogiada por todos e ele não disse nada — afirmou Mantega.

Há vários tipos de críticas à medida. Uma é que é inócua, não vai impedir a queda do real, outra é que ela provocaria distorções como por exemplo desviar recursos que viriam para aplicação na Bovespa para as ADRs de empresas brasileiras em Nova York. Mantega disse que ontem mesmo iria se reunir com Edemir Pinto, da BM&F Bovespa, para avaliar se há necessidade de alguma correção, mas avisou que nem pensa em voltar atrás: — Uma decisão como essa não pode ser conversada antes, a não ser entre a Fazenda, Receita, Banco Central. Depois, podem ser feitos ajustes, mas o IOF vai continuar.

Sobre o risco de desvio de recursos daqui para bolsas no exterior, ele também não acredita: — Nem todas as ações brasileiras têm ADRs, os IPOs (lançamentos de ações) não devem ser afetados. A tributação afeta quem tinha interesse de aplicação de curto prazo, mas no longo prazo um custo como esse se dilui.

Mas a questão é que a medida não segurou a queda do dólar, ele caiu num dia, para subir no dia seguinte. O aumento do IOF seria inócuo para evitar a valorização da moeda brasileira porque na verdade é um movimento global de apreciação de moedas principalmente de países exportadores de commodities.

Mantega disse que a tributação não foi feita para evitar a entrada de capital: — Queremos evitar os excessos, atenuar os exageros.

Não queremos que se crie uma bolha na Bolsa brasileira.

O IOF não vai impedir a valorização, tanto que a bolsa voltou a subir, mas acho que países-alvo, como Brasil, Austrália, outros produtores de commodities, precisam tomar decisões para atenuar o excesso de atratividade de seus mercados. Existe neste momento excesso de liquidez mundial e falta de ativos atrativos.

O Brasil depois da crise ficou ainda mais atrativo.

O jornal “Financial Times” elogiou a medida e disse que o governo brasileiro foi sábio ao tentar evitar uma bolha especulativa “antes que seja tarde demais.” O jornal mostrou que está entrando muito mais dinheiro para a bolsa do que para investimentos diretos e disse que esse é um ingrediente clássico para a formação de bolhas. O “FT” também defendeu a taxação do capital na entrada, e não na saída, e afirmou que o status do país como futura potência exportadora de petróleo só tende a agravar o problema.

Mantega explicou que o IOF não foi feito para aumentar a arrecadação, não é um controle do câmbio, e nem mesmo abandono do regime de câmbio flutuante: — É uma medida regulatória e não tem o objetivo de arrecadação. Em outros momentos, como no ano passado, foi colocado e tirado.

Não vai impedir a valorização do real e ninguém está pensando em abandonar o câmbio flutuante. Esse é apenas um pequeno obstáculo ao ingresso para evitar bolhas e excessos. Há um desequilíbrio cambial no mundo, por isso, acho que outros países vão pensar em maneiras para evitar distorções em seus mercados.

Ele tinha falado no dia anterior que o governo está pensando em outras medidas, e eu quis saber quais seriam. Mantega disse que estão sendo estudadas formas para reduzir o custo financeiro do setor exportador, ou para aumentar a competitividade.

Propostas inclusive que vêm sendo sugeridas no grupo de setores empresariais que se reúne com o governo e que se chamava Grupo de Acompanhamento da Crise, e que agora trocou de nome.

Mesmo assim, o debate vai continuar. O IOF criado pelo governo provoca dois tipos de críticas: o de ser inócuo e não atingir o objetivo que o exportador quer, que é deter a queda do dólar; e o de ser nocivo por derrubar a Bolsa.

Mantega estava ontem diante de outra situação curiosa.

O procurador-geral da Fazenda Nacional, Luis Inácio Lucena Adams, foi indicado advogado-geral da União: — Perco um excelente procurador e ganho um advogadogeral. Como 70% das questões que chegam à AGU são tributárias e fazendárias acho que só temos a ganhar.

Adams foi, junto com sua equipe, responsável pela maior vitória da Fazenda este ano e maior derrota dos exportadores.

A PGFN defendeu que o governo nada devia aos exportadores de crédito-prêmio de IPI. Era uma conta que podia superar R$ 200 bilhões se o governo tivesse que pagar os atrasados desde 1990 de uma isenção de imposto que a Constituição havia derrubado.

Apesar da divisão da base aliada e dos sinais ambíguos de algumas alas do governo, a PGFN foi firme na defesa da questão e o Supremo decidiu que o benefício ao exportador se extinguiu mesmo em 1990.

JAPA GOSTOSA


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JOSÉ SIMÃO

Ueba! Sabrina Sato sem calcinha!

FOLHA DE SÃO PAULO - 23/10/09



Kit "Ai Que Vergonha" tem camisa do Flu, boné do Rubinho, cueca do Suplicy e DVD do Joel!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Polícia acha maconha dentro de sanduíche no interior de São Paulo. Qual é o nome da cidade? BAURU! Rarará! PM acha sanduíche de maconha em rua de Bauru!
E a faixa numa loja de sapatos: "Na compra acima de R$ 300, ganhe uma rasteira de brinde". Rasteira é sandália. Você gasta R$ 300 e leva uma rasteira. Do segurança! Vupt! Se gastar R$ 600, então? Leva uma voadora! No peito! E adorei a charge do Duke sobre a Riolência 2016: dois cariocas conversando. "Rio 2016?" "Não, M-16."
RIO M-16! E o Zé Mayer, hein? O Galã Galinha! Ele é igual ao Romário: atacante da terceira idade! Viagra pro Zé Mayer é calmante. E a filosofia do Zé Mayer: Deus é dez, Robinho é 11, uísque é 12, Zagallo é 13 e acima de 18 eu tô pegando! E todo mundo sabe que quem botou a cueca vermelha no Suplicy foi a Sabrina Sato. E o site Éramos6 tá lançando a campanha: "Não queremos a cueca do Suplicy, queremos a Sabrina sem calcinha!".
E a Dilma casou com o PMDeiBem. Ueba! Agora sim. Pomos a Mão no Dinheiro do Brasil. Partido da Mutreta da Demência Brasileira! E depois do escândalo do Enem, o MEC mudou de significado. MEC quer dizer Melhor Estudar em Casa!
Rarará! E cresce o kit "Ai Que Vergonha": uma camiseta do Fluminense (mas um torcedor do Flu me disse que não é camiseta, é "manto sagrado"), a cueca vermelha do Suplicy, um DVD do Joel Santana falando ingrêis e o boné do Barrichello. Usou o boné do Rubinho, cai uma tartaruga na cabeça! E tem mais: o hino da Vanusa e o Galvão torcendo pra chover! É mole? É mole mas sobe! Ou, como diz aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Mudé, no Pará, tem um motel chamado COME CRU! Deve ser o motel dos apressados. Mais direto impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Pensão alimentícia": companheiro que teve filho com a dona da pensão.
O lulês é mais fácil que o ingrêis. O ingrêis do Joel Santana. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! E vai indo que eu não vou!

ANCELMO GÓIS

Aço do Pará

O GLOBO - 23/10/09


A Vale apresenta quarta-feira agora o estudo de impacto ambiental e o pedido de licença para construir a siderúrgica de Marabá, no Pará.
Negócio de uns R$ 5 bi.
LAVOISIER
O Programa Monumenta, relançado por Lula na quarta com o nome de PAC das Cidades, é, na verdade, uma ideia original do então ministro do Planejamento José Serra.
Serra o apresentou em 1995 ao presidente do BID, Enrique Iglesias, em Tel Aviv, na reunião anual do órgão. Como se sabe, na natureza, nada se cria, tudo se copia.
O ANO QUE COMEÇOU
Ricardo Teixeira, presidente da CBF, e Luiz Barreto, ministro do Turismo, convocaram representantes das 12 cidades-sede da Copa de 2014 para uma reunião dia 5 de novembro.
Vão discutir a promoção turística do Brasil até lá. O objetivo é unificar a imagem do país a ser projetada lá fora.
DEPRESSA, MEU REI...
Aliás, a Bahia saiu na frente, e a licitação para concessão à iniciativa privada do Estádio da Fonte Nova já está na rua.
Já a do Maracanã, como se sabe, foi adiada mais uma vez. Depois dizem que baiano é que é devagar.
Com todo o respeito.
MASCOTE DO IMPERADOR
Quarta, Adriano, o Imperador, ídolo do Flamengo, comprou um cachorrinho buldogue para lhe fazer companhia.
Pagou R$ 3.800.
TEMPORÃO DO CAVACO
O ministro Temporão vai festejar na Lapa, logo mais, seu aniversário de 58 anos.
Reunirá os amigos no Clube dos Democráticos. A atração da noite é o grupo Sereno da Madrugada, de seu filho violonista, Fernando Temporão.
A CAPITAL DO RISO
O Rio, apesar dos pesares, foi tema ontem de um apaixonado artigo no jornalão espanhol El País, assinado por Juan Cruz.
O mote foi a entrega do Prêmio Quevedo a Ziraldo, nosso cartunista. “O que se passa com os brasileiros é que eles riem”, escreveu Cruz. “Quando a Espanha lançou Madrid aos Jogos de 2016, não contava com isso, que o Brasil ri. E o Rio é a capital do riso até no nome”.
Segue...
ESCREVEU AINDA
JUAN CRUZ: – Um dia, perguntei a Fernando Henrique Cardoso como estava seu País. Ele disse: “Mal, mas os brasileiros não sabem”. É que os brasileiros riem.
MEIRELLES 2010
A Rádio Corredor do PMDB tem falado cada vez mais em Henrique Meirelles, presidente do BC, recém-filiado ao partido, como candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff. É. Pode ser.
PAZ NO RIO
O movimento Rio de Paz promove amanhã, em Copacabana, um ato contra 20.000 mortes violentas registradas no estado nos últimos 1.000 dias.
Voluntários desfilarão pela Avenida Atlântica a bordo de 20 carrinhos de supermercado, imitando mortos, para reproduzir a cena de um dos corpos encontrados na guerra do Morro dos Macacos.
BENÇA, VÔ CHICO
Nasceu ontem Leila, filha de Helena Buarque com Carlinhos Brown, na Casa de Saúde São José, no Rio. Com ela, já são sete os netos de vovô Chico Buarque e vovó Marieta Severo.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


DORA KRAMER

Jogo de profissional

O ESTADO DE SÃO PAULO - 23/10/09


Há duas maneiras de analisar o anunciado acordo entre PT e PMDB. Sob a ótica da eleição presidencial, o aludido "pré-compromisso" não significa nada em termos definitivos.

Tanto é que a presidente em exercício do partido, deputada Íris de Araújo - integrante da chamada ala governista -, disse que o rumo do PMDB só será definido na convenção de junho do ano que vem.

Agora, do ponto de vista das eleições estaduais, para governadores, senadores e deputados, o acerto firmado entre as cúpulas do PT e do PMDB significa muito.

Para o PMDB, bem entendido, que apenas cumpre sua vocação de federação de interesses regionais.

Se dependesse do PT, que em nenhum momento pediu para que se firmasse compromisso algum, o assunto só entraria na pauta mais adiante.

O acordo foi a maneira que o PMDB encontrou de se prevenir contra manobras do PT para se apropriar com exclusividade da marca Lula, uma vez que o presidente não conseguiu - ou não quis - que os petistas se enquadrassem às exigências do parceiro de abrir mão de candidaturas próprias em Estados considerados importantes pelos pemedebistas.

A saída foi forçar um compromisso de divisão da coordenação presidencial, pois com isso o PMDB acredita que terá mais força para negociar as alianças regionais em melhores condições.

Os próprios termos do acordo deixam isso muito claro. São quatro pontos. O primeiro - "os dois partidos se comprometem a construir a aliança" - é mera manifestação de intenção. O segundo - "os dois partidos comporão, necessariamente, a chapa de presidente e vice-presidente a ser apresentada ao eleitorado em 2010"- é um certificado de venda de terreno na Lua, pois trata de uma decisão a ser tomada pelas convenções partidárias daqui a oito meses.

O terceiro ponto - "os dois partidos dividirão a coordenação da campanha e a elaboração do programa de governo"- dá uma pista sobre o que realmente interessa.

O quarto vai direto ao ponto: "Esse compromisso será levado às instâncias partidárias para construir soluções conjuntas nas eleições regionais."

Tendo assento na coordenação nacional, o PMDB ganha força para influir nas alianças regionais sem que dependa de uma ação de Lula.

Note-se uma incongruência nos termos do acordo: no item 2 diz que os dois partidos integrarão "necessariamente" a chapa presidencial e no item 4 informa que o compromisso será "levado às instâncias partidárias". Trata-se, portanto, de uma questão em aberto segundo os próprios signatários.

Não houve falha de redação e sim propósito de parte a parte. Ao PMDB pouco se lhe dá quem sucederá a Lula. Ao partido interessa eleger o maior número possível de governadores, senadores e deputados para garantir o cacife de principal parceiro do presidente. Seja ele, ou ela, quem for.

Esse acordo interessa até à ala dita dissidente do PMDB, pois o fortalecimento do partido para firmar alianças regionais conforme sua conveniência é algo benéfico para todos, aliados da candidatura presidencial governista ou não.

Lá na frente, se Dilma Rousseff, Ciro Gomes ou quem venha a ser o preferido do Planalto estiver bem, o compromisso fica mantido.

Do contrário, bastará alegar que a convenção decidiu rejeitar a aliança e ninguém poderá falar em quebra de contrato. O mesmo vale para o PT se por algum motivo não lhe interessar fazer par oficialmente com o PMDB.

Gato escaldado

O presidente Lula, consta, teria sugerido ao PMDB intervenções nas seções do partido que discordem da aliança com o PT.

Foi mais ou menos o que o PMDB pediu a Lula meses atrás que fizesse com as regionais petistas que insistissem em candidaturas próprias.

Nenhum dos dois, porém, tem a menor intenção de patrocinar intervenções nas seções regionais.

O PMDB por falta de moral para falar em disciplina partidária e o PT porque não esquece da notória intervenção no Rio para se aliar a Anthony Garotinho, que pouco depois lhe daria o apelido de "partido da boquinha".

Pé atrás

Vamos e venhamos: está esquisita essa história da agenda da ex-secretária de Receita Federal Lina Vieira. O governo conferiu credibilidade a Lina quando tratou com desfaçatez a questão do encontro entre ela e a ministra Dilma Rousseff, contando uma história mal contada sobre o sumiço das imagens das câmeras de segurança.

Agora, que a ex-secretária não contribui com a própria versão ao afirmar, como afirmou quando foi depor no Senado, que uma reunião ocorrida no início de outubro acontecera perto do Natal, lá isso não contribui.

Judas

A entrevista do presidente Lula à Folha de S. Paulo, um marco, requer análise detalhada e, portanto, espaço. Vamos a ela amanhã.

CLÁUDIO HUMBERTO

“O governo não vai querer analisar nada”
SENADORA TUCANA MARISA SERRANO (MS), SOBRE AS INVESTIGAÇÕES DA CPMI DO MST

PT CRIA PROBLEMAS PARA MARQUETEIRO DE LULA
Como Lula não consultou a direção do PT para definir seu marqueteiro João Santana no comando da campanha de Dilma Rousseff, o ainda presidente petista Ricardo Berzoini deu o troco: confiou a um militante paraense a produção do próximo programa do partido em rede de rádio e TV, no horário gratuito. Berzoini não admite a crise em público. Nem se importa com a alegação de “dar a cara de Dilma” a esse programa.
PERGUNTA PARA DEUS
Lula disse à Folha que “no Brasil, Cristo teria que se aliar a Judas”. Em troca de qual boquinha para o traidor?
AI, QUE FOME
Enquanto não termina a licitação, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) paga R$ 1,2 milhão por três meses de restaurante.
VERSAILLES REVISITADO
A Presidência da República tem 617 cargos em comissão, os populares aspones. Não tem como invejar a Câmara ou o Senado...
AO MÉRITO
Ontem foi o Dia do Paraquedista. Os milhares de “cumpanhêros” que caem no serviço público lulista devem ter achado que era com eles.
PELEGADA ACHA PENSÃO MILIONÁRIA INSUFICIENTE
O Ministério da Justiça analisa a revisão da “anistia política” da presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas Graziella Baggio. Ela achou pouco R$ 7 mil mensais e R$ 648 mil retroativos. Pensionistas do Aerus sustentam que ela não seria mais aeroviária e não poderia presidir o sindicato. Há um ano, os aeronautas suspenderam na Justiça uma eleição fraudada e o mandato de Graziella já venceu.
ASSIM NÃO É LEGAL
Diante do quadro eleitoral, os eleitores, não só os bandidos, também poderiam ter progressão da pena. De votar.
LANCHONETE AIR
A Gol continua oferecendo um lanchinho muito mixuruca aos clientes, mas quem quiser pagar R$ 10 leva um sanduíche não menos sofrível.
AGENDA
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto, participa no próximo dia 13, em Teresina, do 1º Fórum Ibero-Americano de Direito.
MUNDO INSEGURO
Com o Rio pegando fogo, o ministro Nelson Jobim (Defesa) discute segurança com... a Eslovênia. Vai também aprender muito, até o fim do mês, na Espanha e Itália, que pelo visto está na moda no ministério.
BOLSA RECHEADA
O Ministério da Educação paga a excursão de dez servidores no exterior por uma semana. Um acompanha o chanceler Celso Amorim em visita a Mali, Guiné Equatorial e Togo, na África.
MAIS ESSA
Após a derrubada do helicóptero por traficantes, a imprensa internacional destacou os PMs liberando, e tomando os pertences, de dois assaltantes de um rapaz, que morreu sem socorro no Rio.
OS DESCONTENTES
A criação da CPI do MST contou com o apoio de 37 parlamentares do PMDB. É mais ou menos o número de descontentes com o acordo dos do partido para apoiar a campanha presidencial de Dilma Rousseff.
MST NO PODER
Decidido: Neuri Mantovani, que integrou a primeira direção do Movimento dos Sem Terra, vai substituir Marcos Lima na Subsecretaria de Assuntos Parlamentares da Presidência da República.
TROCA DE EXPERIÊNCIAS
A Infraero explica que seu presidente, Murilo Barboza, vai à Itália “trocar experiência no setor aeronáutico” e já visitou “com profundidade dez aeroportos administrados pela estatal”. Verá quanta diferença...
DINHEIRO (NOSSO) DE VOLTA
O Grupo Otimismo, de apoio a portador de Hepatite, recuperou R$ 231 milhões para o Ministério da Saúde, após denunciar ao Ministério Público, em 2005, erro nos repasses para comprar interferon peguilado.
REFLEXO
Ontem, como é de praxe, a internet no Congresso Nacional parou de funcionar ao primeiro sinal de chuva. Servidores e jornalistas ficaram de braços cruzados esperando o retorno do serviço. Ou o fim da chuva.
PERGUNTAR NÃO MATA
Também caçarão traficantes os 36 caças de combate que o governo vai comprar?

PODER SEM PUDOR
TERMÔMETRO POLÍTICO
Em 1966, o pai do jovem advogado Marco Maciel arranjou para ele um emprego de assessor do governador Paulo Guerra, no Palácio Campo das Princesas. Dias depois, Guerra seria visitado pelo amigo Chico Heráclito, chefe político de Limoeiro, que ao entrar no gabinete passou pela figura alta e esquálida de Maciel, vestido num terno branco e gravata vermelha. Chico Heráclito foi logo perguntando ao governador:
– Quem é aquele termômetro na sua antesala?

CPI

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: PM que roubou tênis era quem fiscalizava policiais


- Folha: Bolsa chora de barriga cheia, diz Mantega


- Estadão: Reforma do Senado fica só na promessa


- JB: Desemprego volta ao nível pré-crise


- Correio: A intocável hora extra do Senado


- Valor: Investidor tira R$ 1,6 bi da bolsa, mas já retorna


- Jornal do Commercio: Motorista mata, paga e é liberado

quinta-feira, outubro 22, 2009

JORGE ANTUNES

Época de caça

O Globo - 22/10/2009


O Brasil é assim mesmo.

Um dia é dos cassadores, outro dos cassados. Já me acostumei. Os anos 1970 foram dos cassadores. Os anos 1990 foram dos cassados. A coisa é cíclica.

O Tesouro Nacional vive, sempre, sendo saqueado, sejam quais forem os donos do poder. Parece que de tempos em tempos a brincadeira de caça ao Tesouro vira os lados dos contendores. Em 2005 o povo disse não ao desarmamento: era a vez dos caçadores. O ano corrente é a vez dos caças. O Brasil quer comprar 36 deles. Eu não quero comprar nada. O leitor certamente também não quer. Nem nossos netos e bisnetos. Dizem que eles — pobrezinhos que acabaram de nascer ou que ainda vão nascer — serão os pagadores.

Com os 36 caças, quem vamos caçar? Acho que ninguém. Talvez numa guerra daqui a 20 anos eles nos serão úteis. Mas, pensando bem, creio que não. Pois daqui a 20 anos os 36 caças estarão obsoletos.

A transferência de tecnologia que o povo deseja não é a da indústria bélica. O Brasil, dizem, precisa dessa tecnologia, porque queremos ser grandes vendedores de armas e de material bélico. Eu não quero que o Brasil seja assim. O leitor quer? Que Brasil é esse de que falam, quando falam essas coisas? Alguns dirão que, sem guerras, o Brasil poderá usar seus caças para voos ruidosos sobre nossas cabeças maravilhadas nos desfiles militares e demais festas cívicas. Com isso, o povo extasiado, olhando para o alto, diria: “Ohhhhhhh!” Pois eu digo que é muito caro. Mais bonito e barato, nessas ocasiões, seria o povo soltar pipas, coloridas, alegres. Eu, de minha parte, já me proponho a fazer uma bela pipa e também a empiná-la.

O vice-presidente José de Alencar disse, recentemente, que armas nucleares seriam importante “ f a t o r d e d i s s u a s ã o ” e d a r i a m “mais respeitabilidade” ao país.

Não se fazem mais josés de alencares como antigamente. O outro José de Alencar, autor de “Iracema”, foi mais sábio. Foi um nacionalista que empreendeu esforços patrióticos para povoar o Brasil com conhecimento e cultura.

Mais sábio ainda foi Voltaire. O filósofo do iluminismo francês disse que “a música seria o mais caro dos ruídos se não existisse o do canhão”.

O Papa Paulo VI, bem mais à frente, não deixou por menos. Lamentava que os países em desenvolvimento se preocupassem em comprar armas, em vez de se esforçarem para elevar seu nível de vida.

Renunciando à compra de um único caça-bombardeiro, um país qualquer poderia, por exemplo, montar cerca de 700 concertos com uma orquestra sinfônica. Com um só tiro de canhão de 150mm, poder-se-ia pagar a um professor durante um mês inteiro.

O dinheiro pago por dois ou três revólveres seria suficiente para promover um excelente concerto de música de câmara.

Não é a simples descoberta de riquezas no pré-sal que vai fazer deste país uma grande potência mundial.

Costuma-se dizer que os países árabes são ricos, por possuírem a quase totalidade dos petrodólares. Mas é notório que seu desenvolvimento não aumenta apreciavelmente. A razão dessa contradição está no fato de que eles, em vez de importar professores e dar maior vivência à sua cultura, costumam importar caças-bombardeiros, técnicos de futebol e armas ultramodernas.

A história nos dá lições que precisam ser recuperadas. Os romanos, com sua força prodigiosa e seu enorme potencial militar, subjugaram a Europa mas só serviram de veículo para a cultura grega. “A Grécia vencida venceu o seu feroz vencedor.” Foi assim que Horácio, em suas “Epistulae”, se referiu ao fenômeno causado pela pujança da cultura grega.

Precisamos de um país com arte para todos. Precisamos de um país com cultura de todos para todos. Somos um dos povos mais criativos do mundo. Somos um povo que já sabe lutar para que seus direitos históricos não sejam cassados. Precisamos de um país sem caças. Não admitimos mais a caça às bruxas e tampouco a lei do cão. Quem não tem lei do cão caça com arte

JORGE ANTUNES é maestro, compositor e professor titular da Universidade de Brasília.

FABIANO SANTOS

O pior dos pecados


Jornal do Brasil - 22/10/2009

A próxima semana é decisiva para o país. A Comissão de Relações Exteriores do Senado votará parecer do senador tucano Tasso Jereissati sobre o ingresso da Venezuela como membro permanente no Mercosul. O parecer, como era de se esperar, é negativo. Cabe agora refletir sobre o efeito que a eventual aprovação do relatório pode acarretar não somente ao país mas sobretudo à região no seu conjunto. Algumas ponderações, em apoio à posição do PSDB, relativizam os ganhos provenientes do fluxo de comércio entre Brasil e Venezuela e, adicionalmente, superestima a premissa de que a adesão deste país inviabilizaria a negociação de acordos comerciais com terceiros países ou blocos. Ademais, e este talvez seja o erro mais preocupante, as vozes contrárias recomendam a rejeição do Protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul supondo que não afetará o status quo da região não somente de uma perspectiva meramente contábil e comercial mas também de um ponto de vista, obrigatório para um país como o Brasil no contexto contemporâneo, geopolítico.

Para se ter uma ideia do tamanho do problema econômico, tomemos como referência o período posterior à assinatura do acordo de complementação econômica entre o Mercosul e a Comunidade Andina, o ACE nº 59, em dezembro de 2003. De 2004 a 2008 as exportações brasileiras para a Venezuela aumentaram 250%, enquanto as importações deste país para o Brasil cresceram 170%. No mesmo período, o superávit comercial brasileiro com a Venezuela saltou de US$ 1,2 bilhão para US$ 4,6 bilhões, permanecendo positivo mesmo após a eclosão da crise mundial. Ao contrário do que ocorreu no caso da balança comercial com os EUA, que permaneceu deficitária nos últimos meses.

Todavia, o problema maior não é econômico – é geopolítico e estratégico. Com a saída da Venezuela da Comunidade Andina, ocorrida exatamente para que ingressasse no Mercosul, e supondo a aprovação do parecer tucano, este país adentraria estranho terreno de virtual limbo econômico-institucional, não sendo improvável a hipótese da busca, por parte de Hugo Chávez, de parcerias econômicas e aliados políticos extrarregionais “relevantes”, entre eles a China, com impacto, aí sim, imprevisível sobre a estabilidade política da região.

Muito utilizado também é o argumento segundo o qual a inclusão de Chávez no bloco dificultaria a negociação de acordos comerciais futuros, principalmente com a União Europeia e com a Alca. Em primeiro lugar, é importante frisar que a nenhum país é dado o direito de vetar decisões no âmbito do Mercosul. É óbvio, contudo, que a inclusão de um novo sócio tornará mais complexo o processo decisório e a produção de consenso. Neste sentido, é também natural que ocorra um novo processo de adequação e fortalecimento das instâncias decisórias do Mercosul, incluindo-se o Parlasul, no sentido de coordenar os interesses do países membros na direção do requerido consenso. Em segundo lugar, é importante lembrar que as negociações com a UE não têm avançado, não por conta de dificuldades de parceiros na América do Sul mas sim devido à intransigência na liberalização dos mercados agrícolas, devido ademais, no caso da Alca, à postura agressiva e pouco conciliatória adotada pelos negociadores norte-americanos durante o governo FHC. Não foi por outro motivo que, no final de seu mandato, FHC reorientou a estratégia de expansão do capitalismo brasileiro para o projeto de integração sul-americana, estratégia esta que vem sendo aprofundada no governo Lula.

É muito difícil entender a lógica geopolítica dos senadores e lideranças que se opõem ao Protocolo diante de evidências tão contundentes, de que a decisão de rejeitar a matéria é de gravíssima consequência para a trajetória brasileira de ascensão a líder regional – trajetória que, como todos sabemos, não nasceu com o atual governo mas sim e sobretudo com o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Não aceitar o desafio de ampliar o Mercosul e administrá-lo com toda a complexidade que este assumirá diante da presença de novos interlocutores externos e internos (sim, pois o ingresso de países andinos significa compartilhar os benefícios de um mercado comum com nossas populações do Norte e Nordeste) é o mesmo que abdicar da responsabilidade de liderar – e, em política, abdicar do papel que a história impõe de liderar é certamente o pior dos pecados.

Fabiano Santos é cientista político do Iuperj.

GOSTOSA


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CELSO MING

O câmbio, sob novo arranjo

O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/10/09



Se já não estava claro, agora vai ficar. O tal controle de capitais está mostrando sua fragilidade. O mercado inventa gambiarras para trazer os dólares de modo que não passem pelo pedágio de 2% do IOF. Depois da paulada inicial, o câmbio retoma a trajetória anterior.

O principal efeito será a não desejada exportação de negócios da Bolsa para Nova York, e não a queda do dólar no câmbio interno. O ministro Guido Mantega vai repetir que a moeda americana teria caído ainda mais se não tivesse feito o que fez. Vá saber...

Sejamos realistas, se for para segurar o dólar, como quer Mantega, é preciso abandonar o sistema de câmbio flutuante.

Essa questão é relevante não só porque há anos os exportadores e a indústria pressionam pela mudança da política cambial. É, também, porque, na condição de forte candidato à Presidência, o governador José Serra entende que é preciso mudar tudo no câmbio e, se chegar lá, tentará dar esse passo. O que seria, então, a arrumação da economia numa paisagem de volta ao câmbio fixo?

Grande número de críticos prega mudanças irresponsáveis. Afirma que bastaria derrubar os juros ou impor controles ainda mais rígidos à entrada de capitais para obter um câmbio favorável às exportações e ao setor produtivo sem gerar consequências negativas. E avisa que um pouquinho a mais de inflação não teria importância, especialmente se fosse garantido mais crescimento do PIB. O problema é que o tantinho de inflação vira tantão a partir do momento em que as pressões por reajustes de preços, salários e aposentadorias não puderem ser contidas.

A volta ao câmbio fixo ou a volta ao câmbio de bandas seria como transferir a cozinha para onde está a sala de estar: muda todo o formato da política econômica.

Para garantir cotações relativamente fixas no câmbio, seria preciso abandonar o sistema de metas de inflação. O Banco Central teria de comprar moeda estrangeira quando a cotação ameaçasse cair abaixo do nível comprometido. E teria de vender quando ocorresse o contrário.

Não poderia, como agora, esterilizar (retirar do mercado) o volume de reais despejado na economia por meio da compra de dólares, pois esse enxugamento de reais restabeleceria a relação entre oferta e procura de moeda e manteria a tendência de baixa do dólar. Ou seja, a política monetária (política de juros) não poderia ser manobrada para ancorar a inflação. Estaria a serviço da sustentação da cotação do dólar.

A questão seguinte consiste em saber como controlar a inflação numa situação em que a autoridade monetária não tivesse mais o controle do volume de moeda na economia.

A única forma de se obter sucesso seria pôr em marcha uma implacável política fiscal. Não bastaria o governo garantir algum superávit primário, como hoje. Teria de assegurar pelo menos um déficit nominal (incluídos os juros da dívida) igual a zero. Isso exigiria sobra de arrecadação de cerca de 6,0% do PIB (hoje o superávit admitido é de 2,5%).

Como o Orçamento da União é rígido e não admite folgas desse tipo, seria preciso saber que despesas essenciais seriam cortadas ou que novas fontes de arrecadação seria preciso mobilizar. Afora isso, uma política fiscal draconiana enfrentaria fortes resistências políticas. Mas, teoricamente, poderia funcionar.

Confira

Sem surpresas - O Copom manteve os juros básicos nos 8,75% ao ano. Como se esperava, o comunicado se limitou a dizer que a inflação não ameaça e que é preciso esperar para que o afrouxamento monetário do início deste ano (até julho) mostre seus efeitos.

EUGÊNIO BUCCI

Notícias sobre a inexistência de Deus


O Estado de S. Paulo - 22/10/2009
Uma notícia bombástica, que circulou há poucos dias, passou sem maior estardalhaço: Deus não existe. Ou, para sermos um pouco mais precisos, Deus existe apenas dentro da cabeça dos humanos. O autor da descoberta, o português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura, foi categórico na entrevista que concedeu por e-mail a Ubiratan Brasil, publicada no Caderno2 de sábado passado: "Deus não existe fora da cabeça das pessoas que nele creem. Pessoalmente, não tenho nenhuma conta a ajustar com uma entidade que durante a eternidade anterior ao aparecimento do universo nada tinha feito (pelo menos não consta) e que depois decidiu sumir-se não se sabe para onde. O cérebro humano é um grande criador de absurdos. E Deus é o maior deles."

De passagem pela Itália, na semana passada, Saramago aproveitou para provocar um pouco mais: "Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar seu neomedievalismo universal, um Deus que jamais viu, com o qual nunca se sentou a tomar um café, demonstra apenas o absoluto cinismo intelectual da personagem."

Ora, pois. Como bem observou o jornalista Luís Antônio Giron, na revista Época desta semana, "nada mais lucrativo que irritar sacerdotes. É um hábito arraigado de Saramago, intelectual português de 86 anos que professa a fé marxista desde quase bebê". No mais, os jornais e as revistas não dedicaram espaços exagerados à polêmica, no que têm suas razões. Afinal, essa informação sobre a inexistência de Deus tem um quê de coisa velha, artificialmente requentada. Tem sempre esse sabor de revelação bombástica, mas não é a primeira vez que aparece. Nem a segunda. No dia 8 de abril de 1966, a revista Time circulou com uma capa histórica. Sobre fundo negro, vinha estampada a pergunta perturbadora: Deus está morto?

Não consta que o semanário americano tenha oferecido a seus leitores uma resposta conclusiva. A questão ficou em aberto - mas, já naquela época, era antiga. O filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900) já se tinha ocupado do assunto bem antes da Time: "Deus morreu! Deus continua morto! E nós o matamos!" E muito antes dele, na Grécia antiga, outro filósofo, Epicuro (século 3º antes de Cristo, Cristo este que não teve a existência contestada pelo escritor), ensinara que os átomos de que os deuses são feitos não se confundem nem se misturam com os átomos que nos constituem a nós, humanos. Certamente, os átomos de que falavam os gregos não eram exatamente esses com que lidamos hoje nos laboratórios, mas a ideia continua válida: os deuses (ou "o" Deus, como querem os monoteístas) não pertencem ao nosso domínio, não temos como alcançá-los, nem deveríamos perder tempo com essas veleidades. Epicuro pregava que os deuses não se incomodam conosco, nem um pouco. Se existem, habitam outra dimensão, bem longe do nosso mundo.

Sendo assim, a imprensa, que vive de descortinar novidades, tem suas fundamentações para esnobar Saramago: ele não anuncia novidade alguma. A notícia que ele proclama é de anteontem. Mesmo as religiões, que falam em nome de Deus, sem, no entanto, provar cientificamente sua existência, já não desfrutam o prestígio que um dia experimentaram. Há dois anos saiu no Brasil um livro de Richard Dawkins, Deus, um Delírio (Companhia das Letras, 2007), que repassa argumentos, não de todo novos, sobre os males causados pelas religiões, como os massacres cometidos sob justificativas supostamente divinas. Diante de tantas atrocidades, não é difícil concluir que o fanatismo é o próprio Satã encarnado sobre a Terra. A propósito, acaba sendo injusto, sumamente injusto, ou melhor, demoniacamente injusto, atribuir a Deus a culpa por torturas e genocídios praticados por gente de carne e osso. Se ele, como postulam Saramago e Dawkins, não existe, como poderia ser culpado?

No fim das contas, a afirmação do autor português só tem um problema. Ao dizer que Deus só existe na cabeça daqueles que nele creem, ele acaba caindo em contradição. Pense bem o leitor: o que é que existe de fato fora da cabeça das pessoas? A literatura, por acaso? Ora, a literatura só existe dentro da cultura e da linguagem - e a cabeça das pessoas não é feita de outra matéria que não os signos da linguagem (os pretensos materialistas que se insurgem contra isso não se deram conta, ainda, de que os signos são matéria). Isso quer dizer que a literatura também só existe na cabeça das pessoas - não há de ser nas estantes das bibliotecas que ela existe.

No mais, tudo aquilo que a ciência descreve e explica, igualmente, só vai adquirir sentido na cabeça das pessoas. Onde mais? Nessa perspectiva, as coisas todas, boas ou más, concretas ou abstratas, só ganham existência no nosso repertório quando a elas damos nomes. O resto está fora da linguagem e, quanto ao que está fora da linguagem, o que sabemos de fato existir ou inexistir? Nem mesmo o verbo existir, nem ele, existe fora da linguagem. E nem Saramago. Isso mesmo: nem Saramago. Também ele existe na cabeça das pessoas, e só aí sobreviverá por algum tempo, depois que seu corpo desaparecer. Se dele, Saramago, apenas o corpo existir, pobre Saramago. A cabeça das pessoas, enfim, é um bom lugar para se existir. Às vezes, é o único.

Estamos, portanto, de volta ao ponto de partida. Deus existe? Para tomar café com o papa, é bem provável que não. Mesmo assim, uma autoridade eclesiástica, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, padre Manuel Morujão, achou por bem passar um pito em seu conterrâneo: "Um escritor da craveira de José Saramago deveria ir por um caminho mais sério." Talvez a ele, Morujão, pudéssemos dizer: um sacerdote deveria ir por um caminho mais tolerante. O que pouco importa. Essa pendenga toda não vale uma Igreja. Não vale sequer um Nobel. Mas bem que valeu um artigo.

UNIFORME DOS ATLETAS RIO2016

ARI CUNHA

Ônibus melhores

CORREIO BRAZILIENSE - 22/10/09


Está entravando o progresso brasileiro a falta de ônibus novos. Temos pistas nas cidades e em alguns estados, rodagens que merecem mais atenção. Ônibus, automóveis e caminhões vencidos estão em atividade no país. O prejuízo é de bilhões de reais por ano. Refazer estradas, cuidar do acostamento, reduzir aclives é defender dinheiro público. Carros que se chocam ou se projetam nos despenhadeiros das rodovias, no mais das vezes são resultado de má conservação, desleixo das empresas ou dos proprietários. Queda de barreiras é outro imprevisto que começará a aparecer nesta temporada de águas. Dinheiro que governo aplica sem que dê projeção. É dele que o povo precisa para se mover. A esperança é contar com a as autoridades para maior conforto da família brasileira.


A frase que não foi pronunciada

“Política é uma obsessão positiva. Obsessão é uma política negativa.”

» Reguffe, deputado distrital, pensando enquanto se prepara para as próximas eleições.



Lula violento

» Presidente Lula da Silva, no alto de sua popularidade, deseja o Brasil de joelhos aos seus pés. Bem que a popularidade lhe dá vantagens, mas está querendo mais da natureza humana. Chamou a Justiça de “irresponsável”, criticou o governador de S. Paulo, José Serra, e o bispo contrário à obra de transposição do Rio São Francisco. Com uma cajadada atingiu três instituições formadas por gente de sua amizade.

Nova

» Vem novidade por aí. Brasil e Estados Unidos fazem acordo para aumentar o prazo de validade do visto. A Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados já aprovou o assunto. Depois do trâmite, o visto pode passar a valer por 10 anos.

Patinar

» Com a estratégia de apenas reagir às iniciativas do governo, a oposição mostra a falta de jogo de cintura para enfrentar as eleições. Ação na Justiça contra a viagem do presidente vai ocupar um tempo precioso que poderia ser a apresentação de propostas inovadoras na política ou diretamente à sociedade.

Festa no céu

» Depois de pregar a inclusão digital, o governo amarga a notícia de que telecentros comunitários estão fechados por absoluta desinformação dos prefeitos. Faltou orientação ao conselho gestor escolhido pelas comunidades. O passo foi mais largo que as pernas.

Carnaval

» Tende a crescer a violência nos morros cariocas. Mas o caso tem solução. É fundamental criar acessos para a passagem da polícia na área. Por enquanto quem fica na torre de comando são os traficantes, o que é insano. Resta saber se há vontade social, política e econômica para agir também contra os policiais corruptos.

Mulheres

» Passou sem muito alarde a troca do verbo reservar para preencher na reforma eleitoral. A partir das próximas eleições os partidos devem preencher um terço das vagas com mulheres candidatas.

Por cento

» No documento encaminhado aos parlamentares por Regis Arsanian, embaixador do Brasil junto ao Mercosul, há um dado curioso: 56% das emissões globais de CO² decorrem da queimada de combustíveis fósseis. O desmatamento representa 17% dessas emissões.

Planejamento

» Com o trabalho terceirizado, o Ministério do Planejamento deixou o atendimento ao público com qualidade sofrível. Funcionários destacados para informar parecem ser preparados para impor barreiras. O melhor é conversar com quem é da casa. Nos corredores e elevadores, as dicas são precisas e desburocratizadas.

Patente

» Sem substância química, um sorvete em alta temperatura pode virar pudim. A rede americana Cold Stone Cremery, que inventou a receita, deve chegar ao Brasil no próximo ano.


História de Brasília

Com o tráfego aéreo sobrecarregado, muitos foliões imprecavidos vão rufar suas cuiquinhas por aqui mesmo. (Publicado em 11/2/1961)

VINÍCIUS TORRES FREIRE

Até governo se queixa do novo IOF


Folha de S. Paulo - 22/10/2009



Integrantes de ministérios "ligados à produção" criticam a medida, ecoando empresas e até grandes exportadores

ERAM MAIS do que esperadas as queixas de instituições financeiras a respeito da taxação dos investimentos externos em ações e renda fixa (o "IOF do dólar").
A BM&FBovespa está em revolta com a taxação dos investimentos em ações. Cedo ou tarde também vazariam críticas do Banco Central à medida, à surdina, como é de costume e razoável acontecer, embora o tom dos vazamentos do BC tenha sido desta vez estridente em particular, um sinal de fim de festa e de paciência de integrantes da diretoria. Mas têm chegado à cúpula do governo relatos de críticas e insatisfações de outros ministérios também, como a Agricultura e o Desenvolvimento (e Comércio Exterior!), os quais, em tese, "representam" setores e interesses de empresas. Por quê?
Porque, em primeiro lugar, vários interesses empresariais são obviamente conflitantes no que diz respeito ao comércio exterior. Para citar um caso anedótico, basta considerar a recente disputa entre fabricantes de calçados brasileiros e os importadores de tênis chineses. Para citar caso ainda mais restrito, houve empresário que reclamou do novo IOF porque o imposto "vai prejudicar a importação de etanol, para contrabalançar a alta dos preços na bomba". Pois é, com o real forte e regulação ruim, o Brasil se preparava até para importar álcool.
Mas o caso mais comum da onda de queixas que grandes empresas levaram a esses ministérios a respeito do imposto é sobre a "dificuldade" que o novo IOF vai impor a operações de emissão de ações e de debêntures, algumas já em andamento.
Representante de uma grande empresa, também grande exportadora e muito ativa no mercado de capitais, chegou a dizer, em entrevista reservada, que "essa história de IOF é resultado das maluquices da Fiesp, com aplauso político da CNI".
Certos exportadores reclamam que foram "pegos de calças curtas" pela medida do IOF. Os exportadores (e provavelmente importadores e não apenas eles) tinham contratos no mercado futuro, alguns para fazer hedge cambial, operações que podem ficar mais caras com o imposto. Hedge é uma operação para se proteger de variações indesejáveis do preço de ativos. Quando o preço desses ativos varia, pode ser que o titular da operação tenha de fazer depósitos adicionais para, digamos, "aumentar as garantias" que deixa na instituição que cuida da operação, a BM&F, no caso brasileiro (garantias para cobrir parte de eventuais perdas). É o que a finança chama de "aumento de margem".
No caso de exportadores que deixam muito dinheiro no exterior, à espera de melhor cotação do dólar para trazê-lo ao país, pode ser que uma eventual necessidade de cobertura de margem implique internalização de dólares, que pagariam o imposto. O problema não parece lá nada grande, mas a queixa chegou a um dos ministérios citados.
Em segundo lugar, integrantes do governo (afora BC) também consideram a medida inócua, "sinal de atraso" ou, então, ainda "muito limitada, se a intenção é segurar o câmbio". Nos ministérios ligados "à produção", reclama-se ainda que o governo deixou de lado a "agenda de redução de impostos", assim como se esqueceu do problema dos créditos tributários dos exportadores.

GOSTOSAS