sábado, outubro 17, 2009

ARI CUNHA

O homem do verde

CORREIO BRAZILIENSE - 17/10/09


Ozanan Coelho recebe homenagem da Casa do Ceará. Artigo assinado por JB Serra e Gurgel. Veio trabalhar em Brasília. Companheiros eram Guarani Cabral de Lavor, Paulo Roberto Nóbrega, Luiz Paulo Alencar Nogueira, Antônio Mendes Tabosa, José Wagner Machado. Estava sendo construído o acesso à Ponte JK. Ozanan destruiu vasta área do cerrado. Instado a plantar mil árvores, aceitou o desafio e plantou quase 15 mil. Viu liberada a construção do acesso à ponte. Essa é a história daquele que foi grande amigo de Stênio Bastos, que se deliciava em trazer sementes do Ceará para Brasília. O Departamento de Parques e Jardins segue a tradição com o mesmo prazer de cidade verde. Hoje, estão lá Raimundo Lima Filho e José Natalício da Silva. Cuidam com amor e carinho do verde e das flores da cidade.


A frase que não foi pronunciada

“Se dinheiro falasse, o meu diria tchau.”
» Conversa de neurônios na hora de pagar as contas de água, luz e telefone.




Atualidades

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Olha para o céu, Frederico, de José Cândido de Carvalho, acaba de ser relançado pela José Olympio. Em 2009 comemoramos os 70 anos de seu surgimento e lembramos os 20 anos de falecimento do autor. Vale a releitura em tempos de transposição do São Francisco.

Xoxo

»
Sem maioria favorável, o Estatuto da Igualdade Racial tem sofrido perdas nas intenções. Não foi votado no plenário da Câmara, deixou de lado a cota nas universidades e terras para quilombolas. O texto vai para o Senado sem grandes polêmicas.

Aumento

»
Estão sendo registrados aumentos em várias unidades residenciais construídas por empresas particulares. Depois do habite-se, o locatário tem facilidades para usar varanda. Em alguns casos, expansão de mais um andar com piscina. O governo vai cobrar por isso, com multas pela infração.

Atenção

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Frágil o alambrado que separa a pista da Barragem do Paranoá. Um acidente mostra o estrago na cerca e a altura DE que o carro teria caído se não fosse a proteção. Valeria uma análise aprofundada do setor competente sobre a instalação de guard rails em áreas críticas da cidade.

Mudanças

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O senador Demóstenes quer mais profundidade na análise psicológica de presos que são liberados sem a menor condição de convívio com a sociedade. São centenas de registros de internos que cometeram crimes depois da saída permitida. Disse o senador que é necessário um método científico de avaliação da periculosidade antes da liberdade.

Novidade

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Para o novo Código Civil, o ministro Luiz Fux, do STJ, quer que a tecnologia seja usada para acelerar os processos. As partes, acusação e defesa, poderão enviar documentos por meio eletrônico, sem trânsito ou estacionamentos.

Liderança

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Em pleno Dia dos Professores, a presidência da Comissão de Educação foi disputada entre partidos. O senador Flavio Arns voltou para o PSDB, o que, na opinião do senador Mercadante, seria suficiente para deixar a liderança da comissão. Ainda não aconteceu. Era a única comissão presidida pelo PT.

Ruim

»
Com quase 9% de aumento, abastecer o carro com álcool deixou de ser mais barato. O desempenho é pior e o consumo maior. A Agência Nacional do Petróleo garante que em 17 estados e no DF o álcool é mais vantajoso.

Escudos

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O presidente deposto de Honduras posa para entrevistas usando um escudo pelas costas. Uma placa na parede com a palavra Brasil fica sempre por trás de Zelaya. Por um dia, policiais, governo e oposição deram um grito único nas ruas. Honduras foi classificada para a Copa.

Notícia

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Paula Oliveira, a advogada que disse ter sido vítima de xenofobia, confessou a automutilação. O Ministério Público da Suíça permitiu que a brasileira pagasse fiança para não ser presa. O julgamento não tem data marcada.


História de Brasília

É provável que, brevemente, tenhamos a Viação Cometa em Brasília. Essa empresa paulista já está atuando em convênio com a Viação Araguarina, com baldeação em Belo Horizonte. (Publicado em 11/2/1961)

DOIS IDIOTAS

LYA LUFT

REVISTA VEJA
Lya Luft

A gente decide

"Dentro de minhas limitações pessoais e de minha condição
individual, eu faço diferença, todos fazemos"

No dia dos seus 102 anos, uma adorável matriarca está sentada junto à mesa de sua cozinha, rodeada de filhas e amigas. Ela corta os quiabos que serão preparados e servidos mais tarde aos visitantes, como de costume. Entrevistada, diz ao jornalista: "A vida, a gente é que decide. Eu escolhi a felicidade".

A aniversariante, dona Canô, mãe de Bethânia, minha irmã querida, naturalmente não quis dizer que "escolher a felicidade" é viver sem problemas, sem dramas pessoais ou as dores do mundo. Nem quer dizer ser irresponsável, eternamente infantil. Ao contrário, a entrevistada falou em "decidir" e "escolher".

Apesar de fatalidades como a doença e a morte, o desemprego, as perdas amorosas, a falta do dinheiro essencial à dignidade, podemos decidir que tudo fica como está ou vai melhorar, dentro do que podemos. Posso optar por me sentir injustiçada, ficando amarga e sombria; posso escolher acreditar no ser humano e em alguma coisa maior do que toda a nossa humana circunstância; posso buscar sempre alguma claridade, e colaborar com ela. Dentro de minhas limitações pessoais e de minha condição individual, eu faço diferença, todos fazemos.

Desse início pessoal, passo ao mais geral: leio que 40% dos nossos jovens e crianças vivem abaixo da linha de pobreza; que o desemprego é uma calamidade, a violência cresce a cada dia e o analfabetismo não diminui; que crianças continuam, aos milhares e milhares, brincando no barro feito de terra e esgoto. Leio, vejo e sei que milhares e milhares de velhos vivem em condições sub-humanas, pois sua aposentadoria é miserável, o serviço de saúde pública também, morre-se em corredores de hospitais ou em filas de postos de saúde, onde médicos exaustos e pessimamente pagos fazem muito mais do que podem.

Ilustração Atômica Studio


Não vou recitar a ladainha de que as circunstâncias não justificam euforia nem ufanismo simplesmente porque nós não decidimos algo melhor do que isso que escrevi acima, e todo o resto que qualquer um conhece – e apesar disso continuamos deitando a cabeça no travesseiro toda noite e dormindo quem sabe até bem.

Tenho medo do ufanismo: ele pode ser burro e cego. Olimpíada no Brasil, Copa do Mundo no Brasil, tudo bem: mas eu preferia que antes disso a gente tivesse resolvido os gravíssimos e tristes problemas, tão dramáticos, de comida, saúde, educação, moradia, decência e dignidade de boa parte do povo brasileiro que agora samba e celebra porque teremos Copa, teremos Olimpíada, teremos festa.

Sei que este não é um artigo simpático. Certamente não é alegrinho. Realmente ele trata do que não decidimos, ou decidimos mal, ou decidimos não decidir, como, por exemplo, exigir líderes mais sensatos, mais presentes, mais realistas, mais dignos em todos os níveis. Podíamos decidir ser mais respeitados enquanto povo, mais olhados enquanto gente, mais seguros e mais protegidos enquanto sociedade.

Ou isso a gente não decide porque nem sabe das coisas, pois não se informa, não sabe ler, se sabe ler não costuma, nem o jornal esquecido no banco do ônibus. Onde o povo carrega doença e dor, descrença e desalento, mas também, aqui e ali, leva um jornal para saber onde afinal vivemos, em quem afinal podemos acreditar, e o que afinal deveríamos esperar. Indagados, os mais desassistidos dirão que Deus é quem sabe, Deus decide, a quem ama Deus faz sofrer – frase de imensurável crueldade.

Ou será melhor nem saber nem aprender a ler, nem pegar a folha de jornal, nem ouvir o noticioso no radinho de pilha. Basta saber que sempre há em algum canto motivo para um breve ou longo carnaval, celebrando alguma coisa que possivelmente não vai encher nem o nosso bolso nem a barriga de nossos filhos, nem construir uma casa decente, nem botar esgoto, nem cuidar da nossa saúde, nem amparar nossos velhos, nem coisa nenhuma que seja forte, firme, boa e real. Porque, infelizmente, por aqui ainda decidimos pouco, e poucas vezes decidimos bem. Não porque Deus quis assim, mas porque a gente nem ao menos sabe por onde começar.

PAINEL DA FOLHA

Nem pensar

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 17/10/09

Ao dizer ontem que não comentaria a crítica recebida de Lula ‘porque ele não é candidato a presidente no ano que vem e porque eu não defini se serei candidato ou não’, acrescentando que ‘essa decisão só será tomada pelo meu partido e por mim no ano que vem’, José Serra estava respondendo não apenas ao adversário mas também ao aliado. No caso, o DEM, que, preocupado com a desenvoltura da campanha de Dilma Rousseff (PT), aumentou a pressão para que o PSDB coloque sem demora o bloco na rua.

Em público, Serra foi ‘light’. Em privado, escalou Sérgio Guerra para avisar aos ‘demos’ em termos mais duros que não há hipótese de ele ceder à pressão.

À flor da pele - O presidente do DEM, Rodrigo Maia, ligou para o do PSDB, Sérgio Guerra, em protesto por não ter sido chamado para um jantar que reuniu em São Paulo os ‘demos’ Gilberto Kassab e Jorge Bornhausen, Orestes Quércia (PMDB) e o tucano Aloysio Nunes Ferreira.

Incomodou 1 - Não passou despercebida pelo Planalto a entrevista dada ao jornal ‘Valor’ pelo marqueteiro Luiz Gonzalez, colaborador de longa data de Serra e provável responsável pela comunicação se o tucano disputar a Presidência em 2010. O adjetivo mais usado pelos governistas foi ‘arrogante’, pelo fato de Gonzalez ter se referido a Dilma como ‘essa mulher’.

Incomodou 2 - Para colaboradores de Lula, o marqueteiro esboçou uma linha de campanha ao dizer que Serra conservará êxitos do atual governo, como o Bolsa Família, e poderá aprimorá-los porque tem ‘experiência’. Dizem, porém, que Serra teria se desviado desse curso já no dia seguinte, ao bater na visita da comitiva presidencial às obras no rio São Franscisco.

Lama - Lula telefonou de Cabrobó (PE) para Michel Temer, possível vice na chapa de Dilma, cobrando-o em tom de brincadeira por não participar da caravana. ‘O Geddel está dizendo que você tem de vir sujar o pé de barro’. Também brincando, Temer prometeu organizar uma viagem de líderes partidários ao local.

Planilha - No trecho baiano da viagem, Márcio Fortes (Cidades) informou a Lula que o total da verba do PAC em saneamento e habitação para a região é de R$ 5,8 bi. Geddel Viera Lima (Integração), que não desgrudou de Lula, reagiu: ‘Nossa! Tem mais dinheiro seu do que meu aqui!’.

Longo prazo - Normalmente discreto a respeito do tema sucessão gaúcha, o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), disse ontem que alimenta o sonho de disputar o governo... em 2014.

Curto prazo - Peemedebista com melhor desempenho nas pesquisas para 2010, Fogaça disse apoiar o ex-governador Germano Rigotto e defendeu que o partido defina logo o nome do candidato.

Menos, menos - Dono da sunga mais famosa do final dos anos 70, Fernando Gabeira (PV-RJ) saiu em defesa de Eduardo Suplicy (PT-SP), que anteontem vestiu sunga vermelha no Senado a pedido do ‘Pânico na TV’. ‘Quebras de decoro mais sérias foram absolvidas pela Casa recentemente’, disse o deputado. Mas também puxou a orelha no senador: ‘Quem dá entrevista a humoristas está sujeito a fazer papel ridículo’.

Tour - Depois da baixa derivada das restrições a visitas impostas durante a crise no Senado, o Congresso bateu recorde no final de semana prolongado: 5.713 pessoas.

Vizinhança - Reunidos em Macapá (AP), os governadores da Amazônia declararam apoio à entrada da Venezuela no Mercosul. Único tucano presente, José de Anchieta (RR) prometeu apelar a seu partido contra a decisão de rejeitar a proposta no Senado.

Tiroteio

Lula prometeu viver como os nordestinos durante três dias. Mas com uísque, risoto e banheiro privativo, fez o contrário: levou um pedaço de Brasília para o sertão.

Do deputado ACM NETO (DEM-BA), sobre a estrutura montada para a visita presidencial às obras de transposição do São Francisco.

Contraponto

Em laboratório

A Comissão de Agricultura do Senado realizava uma audiência pública sobre clonagem animal, com a participação de pesquisadores da Embrapa. Constrangido pelo fato de que apenas dois colegas estavam presentes, o presidente, Valter Pereira (PMDB-MS), tentou ser espirituoso:

- Vou mandar amarrar os senadores numa piola.

Quando, ainda assim, Gilberto Goellner (DEM-MT) ameaçou se levantar para sair, Pereira não aguentou:

- Vou aproveitar que os pesquisadores da Embrapa estão aqui e mandar clonar uns senadores.

João Pedro (PT-AM), o outro senador na sala, opinou:

- Acho que seria melhor combinar antes com o eleitor...



GOSTOSA


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RUY CASTRO

Na latinha, após o jogo

FOLHA DE SÃO PAULO - 17/10/09

RIO DE JANEIRO - Repórter: "Fulano, como você explica essa derrota por 10 a 0, que afundou ainda mais o [preencha o nome do clube] rumo ao rebaixamento?".
Jogador: "Com certeza. A gente sabia que eles eram perigosos, e o professor já tinha avisado que eles iam explorar o nosso desespero. Nossa equipe começou antenada, mas demos uma dormida, tomamos um gol aos 15 segundos e aí fica complicado. Mas temos outro jogo na quarta-feira e agora é levantar a cabeça e trabalhar para ganhar três pontos e buscar o nosso objetivo, que é escapar do rebaixamento e lutar por uma colocação no Brasileirão e, quem sabe, uma vaga na Sul-Americana".
Repórter: "Como você vê a cobrança da torcida? Ela está pegando no pé do Fulaninho?".
Jogador: "Com certeza. A torcida paga ingresso e tem direito de cobrar. Mas Fulaninho é um grande jogador e está nos ajudando muito. O grupo é guerreiro, tem qualidade, e é continuar mantendo a pegada que os resultados vão aparecer. Ainda tem muito jogo pela frente e vamos buscar o nosso objetivo, que é uma colocação no Brasileirão e lutar por uma vaga na Sul-Americana e, quem sabe, na Libertadores".
Repórter: "Agora são 20 jogos seguidos sem ganhar. É a pior campanha na história do clube. Dá para sonhar com alguma coisa que não seja escapar ao rebaixamento?".
Jogador: "Com certeza. Todo mundo aqui é homem, tem vergonha na cara, fomos nós que botamos o clube nessa situação e só nós podemos tirar. O grupo está de parabéns e temos que honrar essa camisa. É pôr o coração na ponta da chuteira para buscar o nosso objetivo, que é entrar no grupo da Sul-Americana e lutar por uma vaga na Libertadores e, quem sabe, o título do Brasileirão".
Juro a você, adoro ouvir essas entrevistas após o jogo!

ANCELMO GÓIS

AUMENTO PARA DUNGA

O GLOBO - 17/10/09


A CBF resolveu aumentar de R$ 155 mil para R$ 220 mil o salário de Dunga. Merece.
Aliás, não é demais lembrar que há no Brasil uma meia dúzia de técnicos ganhando mais do que ele.
BANCO MINEIRO
A Caixa Econômica deve comprar o Banco Bonsucesso, mineiro que atua no financiamento com desconto em folha.
Luiz Gushiken, uma das eminências pardas do PT, atua como consultor nesta operação.
AÉCIO FAZ BAGUNÇA
Aconteceu há uns dez dias num restaurante de hotel, em São Paulo. Há testemunhas.
João Santana, o baiano marqueteiro de Dilma Rousseff, encontrou Aécio Neves e foi direto ao assunto: “Por favor, não vire candidato, que bagunça a vida do nosso lado”. Aécio sorriu.
CASO VALE
O deputado Brizola Neto, cujo avô era quem o nome informa, começa segunda a coletar assinaturas na Câmara para uma CPI da Vale.
QUEM VEM
Bertrand Delanöe, o prefeito de Paris, desembarca no Rio segunda agora.
Delanöe é gay assumido.
NO MAIS
O jornal “El País”, da Espanha, celebrou os 80 anos de Fernanda Montenegro, relembrando uma frase da atriz dita há dez anos:
– A diferença entre o europeu e o brasileiro é que o brasileiro não se envergonha de dizer que é feliz. Já o europeu, sim.
GARCIA É ZÉ ARIGÓ
O ator Andy Garcia, 53 anos, confirmou que vai interpretar no cinema o médium brasileiro Zé Arigó, o tal que recebia o espírito do alemão Dr. Fritz. O filme é um projeto antigo do ator americano Alan Arkin, que está saindo do papel.
VOO 1907
O STJ mandou a Gol pagar pensão de R$ 524,01 e indenizar em 400 salários mínimos os pais de Quezia Gonçalves Moreira, vítima do voo 1907, que caiu em setembro de 2006.
A decisão, por ser a primeira de tribunal superior no caso, deve servir de jurisprudência para os demais processos.
ALIÁS...
A Gol já liquidou, por acordo, a indenização de parentes de 118 passageiros do total de 154 mortos naquele acidente.
DIREITOS DO VÔLEI
A TV Globo comprou os direitos de transmissão de todos os eventos internacionais da Federação Internacional de Vôlei de 2011 a 2018.
Embora a TV Record tenha oferecido US$ 10 milhões a mais, prevaleceu o trabalho que a Globo faz há anos com a CBV pelo desenvolvimento do esporte no País.
DE VOLTA PARA CASA
Oscar Niemeyer, 101 anos, deve ter alta hoje do Hospital Samaritano, no Rio.
O mestre foi internado no último dia 23, retirou a vesícula e parte do intestino. Passa bem.
QUADRO NO ‘FANTÁSTICO’
O “Casseta & Planeta” estreia amanhã seu novo quadro no “Fantástico”, na TV Globo.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

DORA KRAMER

Sua excelência é o candidato

O ESTADO DE SÃO PAULO - 17/10/09

Os três dias de turnê eleitoral do presidente Luiz Inácio da Silva pelas cercanias do Velho Chico esclareceram uma situação até então algo enigmática: a razão da ansiedade do PMDB em fechar logo a aliança em torno de uma candidatura em tese frágil, e da tranquilidade do PT ante um cenário aparentemente adverso, em que pela primeira vez não teria Lula como candidato à Presidência da República.

Pois é, não teria, porque de fato terá. De direito, Lula está impedido de concorrer a um novo mandato consecutivo e a reação às mal disfarçadas tentativas mostraram que haveria percalços intransponíveis no caminho.

Escolheu uma candidatura anódina, materializada na figura de uma companheira fiel, sem passado, presente nem futuro no campo político-eleitoral.

Houve quem pensasse até que Lula desistira temporariamente do poder, conformando-se com a hipótese de entregá-lo por quatro anos à oposição mediante acordo prévio de não agressão, para apostar na volta em 2014, com campanha durante a Copa no Brasil e presidindo em 2016 o Brasil da Olimpíada.

Quanto à segunda parte, o cálculo confere. Já quanto à primeira, o próprio Lula tratou de esclarecer nos dias de caravana: errou quem pensou que fosse homem de desistir. Ou adepto de previsões tolinhas como as que fizeram certos tucanos, achando que transferência e retomada de poder são atos automáticos passíveis de controle.

O plano do presidente é muito mais sofisticado e agora ficou evidente: oficialmente Dilma Rousseff é a candidata - um nome na tela da máquina de votação -, mas, na prática, quem concorre no imaginário do eleitorado é ele mesmo.

Daí a decisão de estabelecer pessoalmente o contraditório com o hoje mais provável candidato do PSDB, o governador José Serra, de partir para o ataque direto à oposição, de assumir com todas as letras o desejo de fazer da eleição um plebiscito, na base do "nós"contra "eles".

Como é presidente, legalmente o representante da Nação, Lula usa o "nós" como sinônimo de Brasil. Subjacente à palavra de ordem lançada simbolicamente às margens do São Francisco está o seguinte conceito: quem estiver co(nos)co é brasileiro de fé, mas quem se aliar a "eles" põe em risco o futuro da Pátria.

O recado foi passado dia desses pela própria Dilma em reunião com um dos partidos aliados, dizendo que sua candidatura deveria ser vista como a possibilidade de um "terceiro mandato" de Lula.

Daí que ninguém deve estranhar o papel coadjuvante de Dilma nos eventos públicos nem deve se espantar se o presidente tomar conta da cena inteira. Essa é mesmo a ideia: brigar por um terceiro mandato "de fato".

Pode dar certo, mas se der errado será um vexame danado.

Formalidades

A antecipação da campanha eleitoral de 2010, nos termos em que ocorre, dizima o principal argumento dos defensores do fim do instituto da reeleição. Segundo eles, a reeleição é a raiz do problema do uso das prerrogativas de um governante para fins eleitorais.

A conduta do governo federal é a prova cabal de que o abuso do poder independe de o ocupante do cargo ser ou não o candidato na eleição subsequente.

No caso da campanha do presidente Lula para transformar a ministra Dilma Rousseff numa candidata competitiva, ocorre mesmo um fato inédito, pois na reeleição de direito Lula foi bem mais contido.

Alega-se que é impossível separar o governante do candidato. De certa forma é verdade, embora haja meios e modos de balizar comportamentos quando se observam os preceitos da impessoalidade e da probidade.

Isso depende dos controles sociais e institucionais, mas depende, sobretudo, da noção de limite entre o público e o privado do ocupante do cargo. Quando essa noção inexiste, tanto faz como tanto fez.

Gato e rato

Não pode ser vista como normal uma situação em que deputados e senadores de oposição tenham de recorrer à clandestinidade para assegurar assinaturas em requerimento para criação de uma comissão parlamentar de inquérito.

Tampouco é natural que um líder da oposição precise convencer o presidente do Congresso a marcar uma sessão do Congresso. No caso, para oficializar a criação da referida CPI.

São tantas as deformações que não se vê nada demais em mais essa distorção: esconder as assinaturas em favor da instalação da CPI do MST para "proteger" os parlamentares da pressão do governo para que as retirem, como fez na primeira tentativa de criação da CPI, antes da exibição das imagens da destruição do laranjal na fazenda da Cutrale.

Deputados e senadores eleitos, donos de imunidade parlamentar e de representação popular, precisam ser protegidos contra a ação do Palácio do Planalto.

E aí fica difícil o desempate de quem se sai pior: o gato que caça ou o rato que foge.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Imaginem o que acontecerá se não houver nenhuma fiscalização”
SENADOR PEDRO SIMON, SOBRE AS OBRAS DA COPA DE 2014 E AS OLIMPÍADAS DE 2016

LULA QUER GEDDEL VICE DE WAGNER EM 2010
O ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), pré-candidato ao governo da Bahia, foi convidado pelo presidente Lula para ser o vice do atual governador Jaques Wagner (PT), em 2010, com o compromisso de ser apoiado ao governo baiano em 2014. Com isso, Lula tenta unificar o palanque governista na Bahia, favorecendo a reeleição de Wagner e a campanha, no Estado, da ministra presidenciável, Dilma Rousseff.
GATO ESCALDADO
O presidente Lula tem sido aconselhado a usar copos plásticos. Os cinco pontos no dedo, pelo acidente no hotel sueco, ainda doem muito.
POETAS, SERESTEIROS, CORREI...
O neopoeta Lula disse ontem que “transposição não rima com eleição”. Mas pode rimar com empulhação, esculhambação, infração...
COBRANÇA
A Câmara cobra, sem sucesso, do ex-deputado João Caldas (PL-AL), dívida de R$ 3,6 mil referentes a taxas do seu apartamento funcional.
COMIDA DE BARATA
No prego há dois anos, o porta-aviões São Paulo, orgulho da Armada, está sendo consumido por ratos e baratas, que devoram a embarcação.
TV DIGITAL BRASILEIRA ADOTADA PELOS VIZINHOS
O ministro Hélio Costa (Comunicações) não gosta do semi-ditador Hugo Chávez, mas, levando em conta que os países não têm amigos nem inimigos e sim interesses, e como seguro morreu de velho, ele mandou à Venezuela o seu secretário-executivo Roberto Pinto Martins para celebrar a adesão daquele país ao sistema brasileiro de TV digital. O espaçoso Chávez até fez lobby para o Equador adotá-lo também.
ADESÃO
Argentina, Chile e Peru já aderiram ao sistema de TV digital brasileiro. Helio Costa já negocia com Colômbia e países da América Central.
CHINFRIM
Em Brasília, a TV digital pára de funcionar diante da mais remota ameaça de chuva. A imagem congela, depois se fragmenta e some.
VOANDO ALTO
A Embraer vai vender dois aviões E-190 para a Air Astana, do Cazaquistão. A disputa foi contra a poderosa canadense Bombardier.
BEM LONGE DE CASA
O ostracismo em Brasília levou o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP) a se meter na política paraibana: tentou convencer o prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital, a romper com José Maranhão (PMDB) e disputar com ele o governo estadual. Foi inútil.
NÃO DÁ IDÉIA...
Lula não apareceu em Aparecida do Norte, dia 12. Preferiu se ajoelhar em outros altares no Dia da Padroeira do Brasil: no de “santa Dilma” – que o verdadeiro Todo-Poderoso nos perdoe.
ALÔ, TSE
O custo do tour administrativo-eleitoral de Lula, Dilma, Ciro e Aécio às obras de transposição do Rio São Francisco é um assunto que se guarda a sete chaves. Resta só uma certeza: nós pagamos a conta.
DE BAIXO PARA CIMA
A reunião de deputados do PMDB, esta semana em Brasília, deixou a certeza de que a aliança com o PT para apoiar Dilmar Rousseff só será formalizada de baixo para cima: se os partidos resolverem pendências regionais. Em alguns estados, essa aliança por enquanto é improvável.
BOTA ABAIXO
Como dinheiro sobra, o governo Lula vai gastar R$ 643,2 mil em paredes divisórias, forros de gesso e acústica – paredes sem ouvidos – na reforma do Palácio do Planalto. Tem até vidro de cristal em divisória.
O PESO DA BALANÇA
O Senado deve aprovar ainda este mês a entrada da Venezuela no Mercosul. Para a alegria de Hugo Chávez e da balança comercial brasileira, que recebe mais de US$ 6 bilhões por ano dos vizinhos.
MÃOZINHA NUCLEAR
O urânio enriquecido do Irã é pobre, revela o Washington Post. Cheio de impurezas, se usado para armas nucleares poderia destruir as centrífugas. Ou seja, o programa vai mal das pernas, o que poderia levar o porralouca Ahmadinejad a tentar enriquecê-lo fora do país. Hum...
PAES SERÁ SUPLENTE
As esquerdas cearenses chegaram a um consenso: apresentarão o nome do ex-deputado Paes de Andrade como suplente para o Senado, em 2010, do deputado Eunício Oliveira (PMDB), seu genro.
PENSANDO BEM...
“pianistas” (lembram?), aloprados, mensaleiros e atos secretos são “pinto” perto da cueca vermelha do senador Suplicy no Senado...

PODER SEM PUDOR
O QUARTO ‘L’
Lula adquiriu todas as manhas dos políticos tradicionais. Na visita às obras de transposição do rio São Francisco, estes dias, ele se deparou com uma bajulação do prefeito de Santa Rita de Cássia (BA):
– Três grandes homens nordestinos têm os nomes começando por “L”: Lampião, Luiz Gonzaga e Lula!...
Malandro, Lula puxou pelo braço o ministro Geddel Vieira Lima (Integração), que estava ao lado, e fez demagogia de corpo presente:
– Tem aqui o Leddel também!...

BAR ZIL

SÁBADO NOS JORNAIS

- Globo: Cobrado sobre viagem, Lula chama oposição de ‘ociosa’


- Folha: Governo decide taxar capital externo


- Estadão: Após pressão de Lula, Vale decide investir US$ 12 bi


- JB: Brasil lidera combate à fome no planeta


- Correio: Brasiliense prepara o passaporte

sexta-feira, outubro 16, 2009

LUIZ PAULO HORTA

Um retrato na parede

O Globo - 16/10/2009


A popularidade do presidente Lula chegou ao zênite - constata o "Le Monde". Os aplausos vêm de todo lado. E é mesmo uma performance extraordinária, de um animal político como não víamos desde Getúlio Vargas.

Na Roma antiga, quando um general conseguia uma vitória importante, tinha direito a um "triunfo": entrar na cidade debaixo de fanfarras, mantos vermelhos esvoaçantes, aplausos da multidão. Mas no carro triunfal, atrás do general, vinha um escravo encarregado de dizer-lhe ao ouvido: "Cuidado, você continua a ser um homem como os outros, sujeito ao declínio e à morte."

Se eu fosse o escravo grego do presidente, o que eu lhe diria ao ouvido? Alguma coisa como: "Lula, está ótimo, um sucesso, realmente. Mas não vá achar que você fez tudo sozinho. Isso não faz bem a ninguém."

Estou pensando no ex-presidente Fernando Henrique. Dizem que ele é vaidoso. Imagino o que ele estará pensando do Lula que embolsa todos os troféus, enquanto FHC passou à condição de retrato na parede.

É injusto. Porque o "Brasil maior" que Lula comanda como artista consumado é o resultado de políticas que vêm de quase 20 anos - primeiro, a abertura da economia, que começou com Collor; depois, a verdadeira revolução que foi o Plano Real. Ali, sim, passou-se a desmontar a máquina perversa que, via inflação, sugava o sangue e o dinheiro do pobre. O Nosso Guia, em 1989, não teria feito a abertura da economia; e, em 1994, foi frontalmente contrário ao Real. O que mostra que, como diria o escravo grego, ele é um homem como os outros.

Entre Fernando Henrique e Lula vigora (guardadas as diferenças de época e de circunstâncias) a relação que existiu, no começo da República, entre Campos Sales e Rodrigues Alves. Quando o paulista Campos Sales tornou-se presidente, em 1898, o Estado brasileiro estava falido. Pagava-se ainda o preço dos descalabros financeiros que vinham da gestão Ruy Barbosa no Ministério da Fazenda - uma política inflacionária que acabou numa falência geral, depois de muita especulação na Bolsa. Campos Sales embarcou para a Europa e foi discutir diretamente com os nossos credores. Voltou com um plano duríssimo, aplicado com mão de ferro por seu ministro Joaquim Murtinho. Discute-se até hoje se aquilo foi bom ou não. Mas em 1902 ele passou a Rodrigues Alves um Estado financeiramente saneado. E assim começou a fase de grandes obras públicas que tanto beneficiaram o Rio de Janeiro.

Lula teve a mesma sorte de Rodrigues Alves. Depois de oito anos de Plano Real, herdou um país que estava pronto para crescer. A inflação fora dominada; tinham sido liquidados os bancos estaduais que eram outras tantas Casas da Moeda para felizes governadores; a Lei de Responsabilidade Fiscal proibia os governantes de deixarem heranças calamitosas para seus sucessores. Mais que isso: o país gozava de absoluta normalidade institucional. O presidente não precisava governar de olho nas ruas, como acontece na Argentina. E assim Lula pôde tomar medidas aparentemente contraditórias: manteve a política econômica do Governo anterior, mas aumentou os gastos públicos, deu aumento ao funcionalismo, aos aposentados, aumentou o salário mínimo, transformou o Bolsa Escola de dona Ruth Cardoso num imponente Bolsa Família.

Algumas dessas medidas, como se observou, tiveram efeito "anticíclico" na assustadora crise de 2008/2009. O mercado interno brasileiro, aquecido pelos referidos aumentos, atravessou a tormenta sem consequências dramáticas. Resta demonstrar que essas são políticas sustentáveis, e que não vão exigir, logo adiante, novos aumentos de impostos.

Enquanto isso, pouco ou nada se fez em tudo o que significa melhoria estrutural. Não veio a reforma tributária que corrigisse um sistema de cobrança cruel e inepto. A reforma da Previdência começou e depois voltou para trás. Não se investiu em portos, em estradas. Não se mexeu na catástrofe que é o nosso sistema educacional. E, o mais grave, não se conhece uma palavra do presidente contra os desvios éticos que assombraram os últimos anos, encabeçados pelo "mensalão".

Daqui a alguns anos, falaremos numa "era Lula" assim como se fala numa era Getúlio. E o balanço deve ser favorável, porque a vasta maioria da população se sentiu compreendida e amparada. Milhões deixaram a faixa da pobreza. Mas o conjunto da obra tem o ar de uma imensa improvisação. É o Brasil.


LUIZ PAULO HORTA é jornalista.

GOSTOSA


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DIRETO DA FONTE

COPA

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO - 16/10/09


Jerome Valcke, secretário-geral da FIFA, desembarca em São Paulo dia 14, com Ricardo Teixeira, Orlando Silva e Luciano Coutinho. Juntos, têm reunião na Assembleia com Serra, Kassab e Barros Munhoz, sobre a Copa de 2014.
O assunto: definir novas "normas jurídicas" que garantam ao pessoal de fora o direito de trazer equipamentos eletrônicos e coisas do gênero para trabalhar, durante aquele mês, sem pagar tributos por isso. Coisa rotineira, negociada sempre pela Fifa com países-sedes.
Mas que foi inicialmente entendido, por muita gente, como uma inaceitável isenção de impostos.

O leão e a Copa -

Jerome Valcke, secretário-geral da FIFA, desembarca em São Paulo dia 14, com Ricardo Teixeira, Orlando Silva e Luciano Coutinho. Juntos, têm reunião na Assembleia com Serra, Kassab e Barros Munhoz, sobre a Copa de 2014.
O assunto: definir novas "normas jurídicas" que garantam ao pessoal de fora o direito de trazer equipamentos eletrônicos e coisas do gênero para trabalhar, durante aquele mês, sem pagar tributos por isso. Coisa rotineira, negociada sempre pela Fifa com países-sedes.
Mas que foi inicialmente entendido, por muita gente, como uma inaceitável isenção de impostos.

Amor à causa

Emilio Botin, o poderoso mór do Santander, está novamente em Sampa.
Desta vez, veio por causa da Fórmula-1.

Internet para todos

Foi o Santander, aliás, o responsável ontem pelo fórum Efeito Obama, no Hotel Renaissance, onde os marqueteiros de Obama estão expondo os novos mecanismos usados na vencedora campanha americana.
E foi logo na abertura que Fernando Egydio Martins, do banco, explicou aos convidados a razão pela qual estão patrocinando o evento:
"Este sistema de informações e comunicação chegou para ficar na vida de todos e não só na política".

Dura, a vida

Lula quase teve que dividir o quarto com Dilma no tour pelas obras do São Francisco. O alojamento era apertado no canteiro de obras perto de Custódio, em Pernambuco.
Lula ficou com quarto, sala e banheiro. Dilma, com outro igual. O restante do staff se virou em dois cômodos.

Queda do muro?

Setores da oposição, incluindo aí Serra e Aecio, estão se movimentando para evitar maiores interferências do governo sobre a Vale.
Com direito a reflexos no Congresso...

Irmã camarada

Era verdade mesmo. La Toya desembarca dia 12, no Via Funchal, para prestar tributo a Michael Jackson.
Luiza Possi é uma das que vão dividir o palco com ela.

Porta-retrato

A portas fechadas, Lewis Hamilton é centro de conversa de 20 minutos com proprietários de Learjet.
O encontro-relâmpago, sábado - com direito a fotos, é claro - faz parte do patrocínio da Bombardier, fabricante do avião, ao moço.

Voz própria

Pesquisa inédita da Funddação SM e OEI, com 3.512 professores revela que a maioria não diz amém ao que pensam especialistas.
Exemplo? Iniciantes da carreira rejeitam os estágios supervisionados. Ou seja, os mais jovens não querem saber de tutores. E 60% acreditam que o currículo dos cursos não acompanha as mudanças da sociedade.

SUGERIR NÃO OFENDE

Marília Pêra dá uma dica aos piratas que tentam vender o CD Elas Cantam Roberto e, maliciosamente, avisam: "Sem Marília Pêra!!"
Segundo a atriz, basta inverter o jogo e gritar: "Com Ivete Sangalo! Com Claudia Leitte! Com Hebe Camargo!" etc. "Não é necessário matar alguém que está maçante em um CD para que ele venda melhor", avisa.
"Basta pular a faixa."

Progressivo desalinhamento do câmbio

Na economia brasileira, só se pensa naquilo: o quanto o real está valorizado. O mais provável, inclusive, é que ele se valorize ainda mais e continue na sua lenta, gradual e irrestrita tendencia de alta - para desespero do governo Lula, do setor produtivo e até do mercado financeiro. Felizes mesmo, só os turistas que desejam viajar para o exterior.
O câmbio real no Brasil está muito próximo do nível mais valorizado desde o início do regime de câmbio flutuante, em 99. A constatação está em um paper reservado de Affonso Celso Pastore para clientes, esta semana. Alí, o economista diz não haver, na observação, "nenhuma recomendação quanto ao que deveria ser feito, mas apenas constatação empírica."
Reconhecendo que a situação difere da ocorrida entre 2005 e 2007, quando o câmbio também se valorizou mas era fácil argumentar que a trajetória rumava a um ponto de equilíbrio. Hoje o processo é de "progressivo desalinhamento cambial".

NA FRENTE

Duas horas. Foi o tempo que Eduardo Fischer levou para conquistar Joel Rosenman - detentor da marca e um dos organizadores de Woodstock - para trazer o festival ao Brasil. Em SP, no ano que vem.

Cerca de 50 crianças assistidas pela Casa Hope e pela Unesol vão assistir aos treinos da F1, hoje, em Interlagos. Serão levadas pela Schincariol.

A musicista Silvia Ocougne e Leopold Nosek batem papo sobre música e psicanálise. Amanhã, na Sociedade Brasileira de Psicanálise, na Vila Mariana.

Fausto Martin De Sanctis lança o livro Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro. Dia 28, na Saraiva do Higienópolis.

Nova tentativa do Outeiro das Brisas em Trancoso: relança dia 28, no Baretto, o Outeiro Golfe Clube. Desta vez, em parceria com a Sotheby"s.

Enquanto avançam, na Câmara, as novas regras para os precatórios, Marco Antonio Innocenti, da OAB paulista, faz as contas: em São Paulo, a dívida anda pelos R$ 18 bilhões.

Contas feitas, o suposto filho de Daniel Filho, que pede pensão, nasceu quando ele tinha 12

NELSON MOTTA

Bolivarianismo esportivo

O Globo - 16/10/2009


Está mais do que comprovado cientificamente que, em grandes altitudes, um atleta condicionado a jogar nessas condições leva decisiva vantagem sobre os habituados a jogar na planície. A Fifa havia proibido esse cambalacho injustificável, mas, pressionada pelos sul-americanos, voltou atrás. E a farsa populista voltou aos gramados.

Equatorianos e bolivianos dão show de bola e de preparo atlético a 3 mil metros de altitude e humilham craques argentinos, brasileiros e uruguaios, que se arrastam pelo campo, tontos e esbaforidos. As populações nativas ficam eufóricas, os governantes mais ainda, a honra e a dignidade nacional foram salvas: pátria o muerte e bola na rede. Uma vitória sobre um "império" futebolístico como Brasil ou Argentina não tem preço no mercado populista da América Latina.

Mesmo que depois, em igualdade de condições, quase sempre eles sejam goleados e colocados em seu devido lugar. Mas eles gostam de ilusões.

É a influência dos três patetas, Chávez, Morales e Correa, até no futebol.

No seu habitat natural, eles vivem a ilusão de que jogam mais e melhor do que os outros, com mais fôlego, mais talento, mais patriotismo, que afirmam a sua identidade nacional. É a versão esportiva do realismo fantástico latinoamericano. Evo Morales logo vai pedir a liberação de folhas de coca para os jogadores indígenas. Afinal, é uma questão cultural.

Maradona, gênio do futebol e perfeito idiota latinoamericano da política, bateu bola em La Paz com Evo Morales e fez gol contra: assegurou que a altitude não teria nenhum efeito fisiológico nos jogadores. E a Argentina tomou de seis da Bolívia. Imaginem se tivesse? A bravata é a principal forma de expressão do idiota latinoamericano, também no futebol. E quase custou a classificação à Argentina, que em dez jogos contra a Bolívia, ao nível do mar, ganharia nove.

Mas as evidências não bastam, é preciso que a CBF trabalhe para reverter esta demagogia populista travestida de igualitarismo, escondendo uma típica malandragem latinoamericana que só pode ser entendida como bolivarianismo esportivo, seja isto lá o que for.

NELSON MOTTA é jornalista

GOSTOSA


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EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO

O palanque do São Francisco

O Estado de S. Paulo - 16/10/2009
Arrimo da candidatura Dilma Rousseff, o presidente Lula retomou as excursões eleitorais com a ministra, interrompidas pelo tratamento a que ela se submetia. O objetivo imediato é reverter a sua estagnação nas recentes pesquisas de intenção de voto. A pré-candidata precisa aparecer nos telejornais não só ao lado de seu mentor, mas em situações que tenham "cheiro de povo", impregnadas do calor humano ausente dos eventos palacianos em Brasília. Isso parece explicar também as cenas de religiosidade explícita que ela vem protagonizando, em cultos evangélicos em São Paulo, na Igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador, ou, ainda, na festa do Círio de Nazaré, em Belém.

Para o reinício da campanha, Lula inventou um giro de três dias para "vistoriar" as obras de transposição do Rio São Francisco por sinal, o mais controvertido empreendimento do País, o que lhe permitiu percorrer o território eleitoralmente seguro dos sertões de Minas, Bahia e Pernambuco, com pernoites em acampamentos, como dizem seus assessores, à maneira de Juscelino Kubitschek ao tempo da construção de Brasília. Entre uma "inspeção" e outra, uma confraternização e outra, um discurso e outro, tudo o que se prestar à humanização da figura da ministra deve ser aproveitado. Pouco importa o caráter postiço, quando não o ridículo, da oportunidade fabricada, como a fingida pescaria da dupla às margens do São Francisco, na região de Pirapora (cidade mineira excluída do tour por ter um prefeito do DEM).

Por atos e palavras, um carnaval de embromação. Em Buritizeiro, do outro lado do rio, Lula subiu a um palanque para dizer que "no nosso projeto original de fazer essa viagem não estava previsto a gente fazer comício", mas "fazer uma sinalização para o Brasil e para o mundo" (sic). Ao seu lado, além de Dilma, três ministros e o deputado Ciro Gomes, do PSB, ex-titular da Integração Nacional e candidato presidencial declarado. Lula, que não perde ocasião de afagá-lo ? agora diz "adorar", tanto quanto adora Dilma ?, quer vê-lo disputando o governo de São Paulo, para atacar, pela retaguarda, o tucano José Serra, como, de resto, já começou a fazer com a costumeira incontinência.

"Esse trabalho vai ficar para a história do povo brasileiro", entoou o presidente, depois de criticar os "governantes de duas caras" e os políticos que governam "para os coronéis que há 500 anos mandam neste país". É um acinte. Lula se vangloria de ter a coragem de pôr em marcha uma ideia que remonta ao imperador Pedro II, em 1847. Mas este ano o governo desembolsou efetivamente menos de 4% do R$ 1,68 bilhão previsto. Em 2008, foram 7%. O custo total da obra é de R$ 4,5 bilhões. Nenhuma surpresa para quem conhece o estilo lulista de governar e o abismo entre o que o seu governo faz e o que ele diz que faz. Não é o caso, evidentemente, do 1,5 mil moradores de Barra, na Bahia, arregimentados para ouvi-lo e conhecer a sua candidata. Uma delas, mãe de 7 filhos e cliente do Bolsa-Família, exultava. "Posso morrer agora que vi o presidente Lula", proclamou. Ela não era a única a dizer que votará "em quem o presidente pedir".

São reações compreensíveis. O que não se entende, como apontou a colunista Dora Kramer, no artigo Uma nação de cócoras, publicado ontem, é a passividade da oposição diante do absoluto descaramento com que Lula transgride a legislação eleitoral, confeccionando, com recursos públicos, pretextos que não resistem a um sopro para fazer a campanha da ministra. O governador Aécio Neves, que disputa com Serra a indicação do PSDB, deu um exemplo dessa leniência, no primeiro dia da viagem do presidente. Antes de se encontrar com ele no aeroporto de Buritizeiro e posar para uma foto com Dilma e Ciro Gomes, considerou "natural" o comportamento de Lula para "viabilizar uma candidatura" no seu campo. "Acho que o presidente tem todo o direito de viajar pelo País", opinou, numa entrevista. "Acho que essas viagens são legítimas, da mesma forma que nós, do campo da oposição, de forma extremamente respeitosa (sic), temos que ter a nossa estratégia."

O temor aos 80% de popularidade de Lula, que é o que provavelmente explica a complacência oposicionista, acaba funcionando como um incentivo para ele intensificar as suas operações de propaganda eleitoral sob a aparência de atos administrativos que evidenciariam a suposta operosidade do seu governo.

PANORAMA POLÍTICO

DEFINIÇÃO

ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 16/10/09

A pré-campanha antecipada do presidente Lula e da ministra Dilma Rousseff está tirando o sono da oposição. À beira de um ataque de nervos, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), quer definições: “Não dá mais para ficar sem candidato, com a Dilma no meio da rua fazendo campanha.
Ela está avançando”. Sua avaliação é que não há tempo para prévias. Quer que os governadores José Serra e Aécio Neves se entendam já.

No DEM cresce a inquietação

A falta de um candidato definido na oposição foi o tema da reunião da Executiva do DEM ontem. O partido acha que o PSDB já deveria ter escolhido o candidato.
“O governo tem um aglutinador em campanha, o presidente Lula, e um candidato escolhido, e nós da oposição não temos um intérprete capaz de aglutinar a nossa turma”, critica o líder demista no Senado, José Agripino (RN). Ao contrário dos tucanos, que ainda apostam no PMDB, o DEM está certo que o partido vai se coligar com o PT, cedendo seu tempo de TV para Dilma Rousseff, e desvinculando a eleição presidencial das disputas pelos governos estaduais.
Eu me preocuparia é se os fiscalizados por nós estivessem achando o TCU uma mãe” — José Jorge, ministro do TCU, sobre as críticas do governo federal

PARA O MUNDO. O governador Blairo Maggi (MT), que já ganhou o troféu “Motosserra de Ouro”, propõe que a próxima reunião do Fórum dos Governadores da Amazônia Legal seja em Copenhague, em paralelo à Convenção da ONU para as Mudanças Climáticas. Eles estão reunidos hoje em Macapá para discutir a redução das emissões de CO2. Esses estados querem ser remunerados pela preservação da floresta. “A gente fala muito para dentro”, disse Maggi aos colegas

Selo verde

Uma delegação da União Europeia chega ao Pará dia 21 para avaliar como anda a preservação do meio ambiente.
Na programação, está a visita a um frigorífico. A criação de gado é um dos principais vetores de desmatamento da Amazônia.

Impopular

A base do governador Jaques Wagner (PT-BA) na Assembleia Legislativa apresentou proposta que prevê pagamento de aposentadoria a ex-governadores que exercerem o cargo por no mínimo dois anos, com salário integral da ativa.

Desmistificando a internet

Em evento sobre marketing eleitoral, ontem, em São Paulo, os estrategistas da campanha de Barack Obama desmistificaram o peso da internet na vitória do democrata. Disseram que a cada US$ 1 gasto com propaganda na rede, foram gastos US$ 3 na televisão. A internet, graças a um poderoso banco de dados com o perfil de consumo dos americanos, foi importante para a arrecadação de contribuições financeiras.

Os dois gols contra do Mantega

O ministro Guido Mantega (Fazenda) não foi ao Nordeste com o presidente Lula.
Mas muito se falou sobre ele por lá. Na comitiva reclamaram que a área econômica devia ter um mínimo de sensibilidade política antes de expor o governo a ataques da oposição e ao desgaste com a classe média. Chamaram de gols contra dois anúncios feitos pela Fazenda, dos quais ela recuou depois: a taxação das cadernetas de poupança e a retenção da restituição do Imposto de Renda.

O IBOPE ouviu 2.000 pessoas, de 7 a 11 de outubro, sobre as eleições para o governo do Rio. Deu Sérgio Cabral, com 38%; Anthony Garotinho, com 19%; Fernando Gabeira, 13%; e Lindberg Farias, 3%.

APOIO. Dando sequência à rodada de conversas com os partidos aliados, a ministra Dilma Rousseff janta com o PP no dia 27.

O LÍDER do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), pediu só agora urgência para o projeto que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima. A matéria está parada há mais de um ano.

ILIMAR FRANCO com Fernanda Krakovics, sucursais e correspondentes

ENGANAÇÃO