sexta-feira, outubro 09, 2009

METENDO A MÃO NO BOLSO DO POVO

ARI CUNHA

Nosso escriba

CORREIO BRAZILIENSE - 09/10/09


Há pessoas que, ao abrirem um livro, antes do conteúdo analisam a técnica tipográfica, a nitidez da impressão, a qualidade do papel, a facilidade na leitura. Hoje, meu irmão me mostrou uma carta em que o tio Bernardo (Bernardo Monteiro de Almeida) comentava sobre a aventura dele como revisor de um jornal médico. Dizia ele que a revisão é uma pedra no sapato de quem quer que se dedique ao trabalho. Um revisor infalível, que nunca deixou escapar nenhum “gato”, é animal fantástico, espécie de fabuloso dragão ou maravilhoso hipogrifo, bicharocos que nunca andaram por este mundo de Deus. Tio Bernardo tinha as paredes de casa cobertas por livros. Era a wikipedia da família. Suas cartas eram emitidas sempre em duas vias. O conteúdo também. Ficava no papel e para sempre na memória de quem teve a honra de ler seus textos. (Circe Cunha)


A frase que não foi pronunciada

“O que a gente queria era acabar com os laranjas.”
» Possível argumento do MST para o programa CQC.




Adiante do tempo
» Falta muito para o voto distrital valer. A proposta ainda precisa passar por uma comissão especial e pelo plenário do Senado. A ideia é que o eleitor escolha alguém do próprio distrito para representá-lo e depois vote novamente com base na lista partidária.

Cheguei
» Com o fortalecimento do PV, os planos do PSol para 2010 foram alterados. Heloísa Helena deve apoiar a candidatura de Marina Silva à Presidência e voltar ao Senado. Para alegria de alguns e desespero de outros.

Óbvio
» Se o servidor é público, não há razão para temer a divulgação do salário recebido. O assunto tramita no Senado, foi cogitado pelo governador Arruda, do Distrito Federal, e deveria ser publicado mensalmente nas esferas municipais, estaduais e federal do Executivo, Legislativo e
Judiciário. Sobre o teto salarial, o senador Renato Casagrande lembra que a integração do sistema já está prevista na Lei Geral da Previdência.

Dúvidas
» Armazenamento de torianita causa preocupação no senador Romeu Tuma. O presidente da Cnen, Odair Dias Gonçalves, declarou que esse minério não é controlado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear, por ter baixo teor de radiação. Mesmo assim, o senador Tuma quer respostas do ministro Sérgio Rezende.

Ferramenta
» Por que tanta violência? A resposta será fruto de investigação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. A ferramenta para traçar políticas públicas de combate a esse mal será mais eficiente depois que o IBGE mostrar o resultado.

Destruir
» Nenhum pé de coentro plantava o MST. Isso era nos bons tempos. As coisas pioraram. Parecia pouco. Agora, o melhor é arrancar o que leva anos para produzir. E a impunidade continua solta e financiada pelo próprio governo. Ninguém criminaliza o MST. O movimento é que criminaliza as próprias ações.

Fazer valer
» Supressão hormonal assusta menos que cortar o mal pela raiz. Mas o senador Gerson Camata não para por aí. Quer prisão para os portadores de drogas. Afinal, são eles que alimentam os crimes do tráfico. E reforça que a detenção deve valer. Explicou que o crime no Brasil compensa. Deu dezenas de exemplos de criminosos reincidentes que não cumpriram toda a pena.

Transporte
» Marcio Fortes, ministro das Cidades, anuncia a disponibilização de R$ 5 bilhões para projetos que garantam o transporte durante dos jogos da Copa de 2014. Coincidentemente, a informação chega um dia depois das notícias do blecaute no transporte do Rio de Janeiro.

Unila
» Caminha a passos largos a criação da Universidade Federal da Integração Latino Americana. A cidade de Foz do Iguaçu foi a escolhida pelo governo federal para receber a instituição. Uma das finalidades é o processo de integração com os países membros do Mercosul. Dr. Rosinha foi o relator da matéria e deu voto favorável.

História de Brasília

O Departamento de Turismo da Prefeitura está fracassando em matéria de carnaval, que devia incentivar. O chefe anterior, porque ia embora, não moveu uma palha. O atual, porque entrou agora, não se manifestou sobre o assunto. E assim, a cidade ficará sem carnaval. A culpa, em parte, cabe também ao comércio, que se omite em todas as temporadas, tão propícias a maior movimento de vendas. (Publicado em 10/2/1961)

DORA KRAMER

Agitação e propaganda

O ESTADO DE SÃO PAULO - 09/10/09

Reuniões com partidos da “base” em busca de uma declaração oficial de apoio, celebrações olímpicas, romaria religiosa e até uma visita de boas-vindas ao bebê de Ivete Sangalo compõem a nova agenda da ministra Dilma Rousseff em substituição à monocultura do périplo pelas obras do PAC.

Trata-se obviamente de uma mudança tática, para humanizar a figura da ministra, desmanchar a imagem de dama de ferro que soou antipática e preencher com muita agitação e propaganda o período que separa as últimas das próximas pesquisas de opinião.

Uma investida com o objetivo de mexer nos índices de intenção de voto e fazer Dilma voltar a representar uma possibilidade de poder a ser levada a sério até o início do jogo propriamente dito, em março de 2010. Muito provavelmente a tentativa será bem-sucedida, pois nessa altura dos acontecimentos as pesquisas medem muito mais o grau de exposição dos pretendentes que a vontade do eleitorado tal como ela será manifestada na hora H.

Portanto, para fins de análise do cenário para valer, levem-se em conta os eventos recreativos, mas desconte-se quase tudo que hoje se apresenta como articulação política, sob pena de se consumir mercadoria pirata. Por exemplo, o frisson pela definição “nos próximos dias” das posições do PDT, PR, PP, PSC, PRB e outros pês cuja importância na ordem das coisas é nenhuma. A não ser para criar a impressão de que o Palácio do Planalto está empenhado em, e conseguindo, “adensar o entorno”.

“Os partidos da base estão sentindo o favoritismo da Dilma”, sustenta o líder do PT na Câmara, Cândido Vacca rezza, numa demonstração de que não é hora ainda de se falar a sério. Fosse como diz o líder, não se ouviriam dois ministros, um do PDT (Carlos Luppi) e outro do PMDB (Geddel Vieira Lima), dizerem com todas as letras que o compromisso da “base” é com Lula, não com a candidatura.

Todo dia se produz uma novidade. Várias estapafúrdias. A mais recente dá conta da disposição do presidente do PMDB, Michel Temer, de intervir no diretório paulista caso Orestes Quércia insista no apoio ao PSDB.

O motivo seria “indisciplina partidária”. Ainda que disciplina partidária no caso não fosse uma contradição em termos, precisaria haver intervenção em mais uns dez diretórios Brasil afora. Rapidamente, diga-se. Antes que Quércia – controlador da máquina em São Paulo – considerasse a hipótese de expulsar Temer do PMDB, a partir de uma manobra do diretório regional.

Catequese

A Comissão Pastoral da Terra condena a divulgação das imagens dos sem-terra derrubando o laranjal e acha natural o MST depredar a fazenda da Cutrale porque as terras, em litígio judicial, seriam públicas.

Donde as almas sob orientação da CPT são ensinadas a defender a censura e a considerar o bem público terra de ninguém.Com todo o respeito que não merece a pastoral nesse aspecto, suas santíssimas andam com o juízo à deriva.

Eis a questão

Vamos ao fato: as condenações de autoridades federais às ações do MST não merecem crédito. E desacreditadas ficarão até que o governo abandone a lógica da transgressão de Estado e passe a cumprir a lei, instituída há quase dez anos por medida provisória, que retira do programa de reforma agrária terras invadidas e veda benefícios oficiais a invasores.

Quando Luiz Inácio da Silva assumiu a Presidência da Re pública, em janeiro de 2003, o Ministério da Reforma Agrá ria passou a considerar “autoritário” o teor da MP e por decisão unilateral, discricionária, sem propor alteração no texto ao Congresso, deixou de cumprir a lei.

Diante disso, o palavrório supostamente indignado é espuma para amenizar o constrangimento por causa das imagens da derrubada do laranjal divulgadas na televisão.

Essa lei, aliás, seria um bom tema de discussão aos pré-candidatos à sucessão de Lula. Dilma Rousseff continuará ignorando? José Serra cumprirá? Ciro Gomes revogará? E Marina Silva, o que fará?

O magnífico

Autor de notórias declarações impróprias nas horas mais inadequadas possíveis, o ministro da Justiça, Tarso Genro, parece que brinca. O Estado não garante a segurança de uma prova que mexe com a vida de milhões de estudantes, os jovens se revoltam, as universidades desconsideram o exame como avaliação nos vestibulares, o Enem cai no descrédito, se estabelece com isso um retrocesso na já precária área da educação, e o ministro da Justiça acha bom. “Porque não apenas nós, mas toda a sociedade brasileira se tornou consciente da grande importância do Enem para a educação no Brasil.”

Por “nós” entenda-se o governo que, segundo o ministro, só percebeu do que se trata graças a dois gatunos de quinta.

JAPA GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO

Rio 2016! Tô com preguiça olímpica!

FOLHA DE SÃO PAULO - 09/10/09


E Honduras? Direto de Tegucigolpe: "Golpista aceita diálogo, mas quer a última palavra"


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! É que em Bebedouro tem uma dentista chamada Cláudia CANAL! E no Rio tem um proctologista chamado Fernando Pinto Bravo. Socuerro! Não é vocação, é predestinação! Os Predestinados! E o Rio 2016! Tiros por minuto! Manifestantes queimam trem em Nilópolis. Acenderam a pira olímpica. Rarará. Já acenderam a pira olímpica! E anteontem o Rogério Ceni homenageou a eleição do Rio 2016! TOMOU UM GOL OLÍMPICO! Rarará. E eu quero advertir sobre as sequelas olímpicas. Na Olimpíada passada fiquei um mês com um zumbido no ouvido. Zumbido olímpico.
Causado pelos gritos do Galvão. O Galvão deixa sequelas. Fica aquele zumbido no ouvido: Ééééééééééé! Rio 2016! Mas diz que o mundo vai acabar em 2012! E em Ceilândia, cidade-satélite de Brasília, tem um bar onde o Lula tem tratamento VIP. É o BAR DO SARNEY. E lá nem o Lula, nem o Sarney, nem ninguém pode falar "não sei". Porque fica em Ceilândia! Infame. É infame, mas é minha!
E Honduras? Direto de Tegucigolpe: "Golpista aceita diálogo, mas quer a última palavra". Entendi, é como o pai português: "A Maria pode casar com quem quiser contanto que seja com o Manuel". Rarará. E o porta-voz do Zelaya numa entrevista pro Terra Magazine: "Zelaya quer um estÍmulo oral para garantir sua segurança". O quê? Estimulo oral?
Já tá abusando! Agora quer um boquete também? Rarará! Cama, comida, roupa lavada e boquete? O Zelaya quer um boquete. Essa não! E eu tenho que fazer uma confissão olímpica: eu tô com uma preguiça olímpica. Vou ganhar ouro em preguiça! É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: "É mole, mas trisca pra ver o que acontece!".
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Itaitinga, no Ceará, tem um forró chamado O Fungado da Jiboia! Uau!
A jiboia vai fungar! Parece Dias Gomes. Mais direto impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. Hoje não tem. ENEM amanhã! Vou dar esse truque a semana inteira! Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. Acorda Brasil! Que eu vou dormir!

ANCELMO GÓIS

Esteves e Sayão

O GLOBO - 09/10/09


A Cemig deve pagar uns US$ 400 milhões pelas ações do Banco Pactual, hoje controlado por André Esteves, na Light.
Na verdade, cerca de um terço dessas ações pertence aos ex-sócios do banco, entre os quais Gilberto Sayão.
GRANDE NEGÓCIO
O Pactual pagou por essas ações uns US$ 100 milhões em abril de 2006 e, de lá para cá, só de dividendos, o banco recebeu outros US$ 100 milhões.
O PREÇO DA GRIPE
Com a queda dos casos de gripe suína no fim do inverno, o ministro Temporão traça a estratégia para o combate em 2010. Para isso, ontem, o governo autorizou a abertura de verba especial de R$ 2,1 bilhões. Só com a vacinação, que deve começar em março, vai se gastar R$ 1 bi.
PROCURA-SE UM NOME
Como Petrosal teve que ser abandonado, porque já tinha outra empresa com o mesmo nome, o ministro Edison Lobão sugeriu, então, Petromar, para a estatal que vai explorar o pré-sal.
Só que a venezuelana PDVSA já tem uma subsidiária com o mesmo nome.
PILOTO SUMIU
O voo 3158 da TAM decolou do Rio às 22h20, terça, para Recife. Pouco mais de duas horas depois, a aeromoça anunciou o pouso em... Natal, que no mapa fica depois de Recife.
Começou, claro, um bafafá no avião até que o piloto informou que estava cumprindo a escala que lhe foi passada.
Ah, bom!
MÚSICA DE DEUS
De Sérgio Cabral, pai, guardião da MPB:
– O Senado aprovou projeto classificando o gospel como manifestação da cultura do Brasil. Mas não pode. Gospel é música americana.
Há controvérsias.
PARREIRA: RIO 2016
Carlos Alberto Parreira, o técnico campeão da Copa de 1994, vai presidir a Comissão de Treinadores, a ser criada pelo COB, para auxiliar no desenvolvimento dos esportes olímpicos com vistas aos Jogos de 2016.
A CONTA DO JOGO
Numa conversa ontem com o senador Delcídio Amaral (PT-MS), o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, prometeu ajudar com uns R$ 450 mil na reforma do Estádio Morenão, em Campo Grande. Vai ser lá o jogo do Brasil com a Venezuela, quarta, pelas eliminatórias.
USP LEVA BOMBA
Saiu a lista das 200 melhores faculdades do mundo, segundo o jornalão inglês The Times. A USP, a superuniversidade brasileira que ano passado ocupava a 196ª posição, não apareceu mais. Caiu.
SONHO ROUBADO
O filme Sonhos roubados, de Sandra Werneck, quando estava quase na fase final de produção, foi escolhido pela Ancine para receber R$ 300 mil de seu fundo destinado à finalização.
Mas, o longa ficou pronto antes de o dinheiro sair, e Sandra vai devolver a grana.
CINEMA NO PRESÍDIO
A sala de cinema do presídio feminino Talavera Bruce será inaugurada dia 19, com o filme Flordelis – basta uma palavra para mudar, de Marco Antônio Ferraz e Anderson Corrêa. O longa conta a história de uma ex-moradora da favela que adotou 50 crianças.

GOSTOSA

MERVAL PEREIRA

A longo prazo

O GLOBO - 09/10/09


As negociações para a disputa pela sucessão do presidente Lula estão sendo aceleradas nos últimos dias dentro da base governista, na tentativa do Palácio do Planalto de garantir uma candidatura única. Mas a ansiedade para antecipar tanto um compromisso não parece ser a melhor estratégia quando se trata de PMDB e PT. A longo prazo, tudo poderá estar mudado.

Veja-se o caso do deputado federal Ciro Gomes (PSB), que deu a contragosto o primeiro passo para servir ao governo como candidato da base a governador de São Paulo, mas foi ajudado providencialmente pela incontinência verbal da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), que o rejeitou como alternativa a um candidato petista.

Era o que Ciro precisava para reafirmar junto ao PSB sua candidatura a presidente.

A agressividade com que foi rejeitado pelo PT paulista pode deixá-lo à vontade para exercer um papel que está esboçando: o de ser um candidato lulista, mas contra o PT.

Os ataques ao PMDB já começaram e certamente farão parte de seu repertório de campanha. Com isso, Ciro Gomes poderá apagar a fama de ser apenas uma “língua de aluguel” do governo, que entrou na disputa não para ganhar, mas para atacar o governador e pré-candidato tucano José Serra, seu inimigo pessoal.

Nesse papel, Ciro estaria reduzido a um candidato nanico que serve de trampolim para uma das partes realmente na disputa. Como tem pretensões maiores, terá que se livrar desse estigma que o próprio Lula está lhe impingindo.

Como se não bastasse o trabalho que Ciro terá para controlar seu temperamento explosivo e sua própria incontinência verbal.

Outra candidatura que não estava nos planos do Planalto, e que se consolida à distância do antigo partido, é a da senadora Marina Silva (PV), que pode vir a ser apoiada pelo PSOL ainda no primeiro turno, firmando uma proposta oposicionista ligada a questões da modernidade, como o meio ambiente.

Dificilmente sua candidatura terá mais espaço político para começar a campanha, mas, se o apoio popular se confirmar mesmo com um esquema partidário acanhado e pouco espaço para a televisão, será sinal de que ela se tornará um ponto de negociação forte tanto para PT quanto para PSDB.

Não é à toa que ela fez críticas à política autodestrutiva dos dois adversários, sinalizando que poderia vir a negociar com qualquer dos dois, desde que se coloquem em posição de construir entendimentos, e não em uma campanha eleitoral destrutiva.

A presença em sua campanha da vereadora e ex-senadora Heloísa Helena, que ainda aparece nas pesquisas eleitorais com os mesmos votos que teve na eleição de 2006 (cerca de 7% do eleitorado nacional), será um sinal de que Marina é vista como uma alternativa eleitoral mais viável, capaz de agregar apoios em outros setores da sociedade.

O PT também está conseguindo levar à loucura o PMDB, que, não conseguindo se acertar com o partido oficial, parte para tentar resolver as questões políticas por cima, isto é, obrigando a que o presidente Lula e a candidata oficial, Dilma Rousseff, se comprometam a acertar as alianças regionais, depois de garantido o lugar de vice para o partido.

Tomar uma decisão desse porte a cerca de oito meses da realização das convenções partidárias que selarão os acordos é confiar muito na lealdade do PMDB, virtude que nunca foi o forte do partido.

Muita coisa acontecerá até lá, principalmente várias pesquisas de opinião, que poderão confirmar que os ventos estão soprando para o lado de Dilma, e que a aposta de longo prazo dos governistas do PMDB estava certa.

Ou, então, mostrar que a candidatura oficial não decolou, o que dará força aos que, no PMDB, tendem a apoiar a candidatura de um tucano, seja ele quem for.

Nesse caso, se as pesquisas de opinião chegarem ao meio do ano apontando para uma vitória do candidato do PSDB, provavelmente a convenção do PMDB não ratificará a decisão de participar da chapa oficial, liberando seus filiados para apoiar quem quiserem.

Esses cenários poderão representar a definitiva afirmação da candidatura de Dilma, ou o começo de sua “cristianização” pelos aliados hoje abrigados na coligação governista.

O PSDB continua disposto a empurrar a definição para o mais tarde possível, aguardando o desenrolar dos acordos políticos e, sobretudo, o resultado das pesquisas de opinião pelo final do ano.

Elas servirão para consolidar a candidatura do governador paulista José Serra, caso seja confirmada sua liderança, como também para definir a estratégia a ser seguida.

Ainda não há uma certeza entre os tucanos sobre o papel do presidente Lula na alavancagem da candidatura da ministra Dilma, e o assunto é tratado com um cuidadoso respeito.

Por sua vez, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), está conseguindo sair de seu estado e tornarse visível ao grande eleitorado como uma figura central da política brasileira, papel que já exerce nos bastidores com grande efeito.

Se se convencer de que, com sua presença na chapa tucana, na condição de vicepresidente, poderá garantir a vitória do partido, certamente se curvará às pressões, que são muitas, inclusive em seu estado.

Mas se persistir na dúvida sobre o resultado eleitoral, pode se resguardar com um mandato no Senado para uma futura oportunidade.

A questão é que, se Dilma se eleger em 2010, será quase certamente candidata à reeleição se estiver bem cotada junto ao eleitorado.

Caso seu governo esteja mal avaliado, o governismo terá ainda uma carta na manga para 2014, na figura de Lula.

Nos dois casos, a disputa será mais difícil do que a atual.

PAINEL DA FOLHA

Combustível novo

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 09/10/09

ONGs ligadas ao MST que receberam R$ 115 milhões do Incra nos últimos cinco anos também têm contratos com a Petrobras. A lista de entidades beneficiadas inclui as chamadas Ematers, que tocam projetos de assistência técnica para pequenos agricultores; a Asbraer, associação que representa as Ematers nacionalmente; e as Federações de Trabalhadores na Agricultura nos Estados, que agregam sindicatos rurais, a maioria sob o guarda-chuva da CUT.
Os recursos chegam às ONGs por meio de projetos de biodiesel. À frente da Petrobras Biocombustível está o petista Miguel Rossetto, ex-ministro de Desenvolvimento Agrário, pasta à qual o Incra se subordina.




Ficha 1. O dirigente do MST Paulo Albuquerque, que coordenou a invasão à fazenda da Cutrale, já teve prisão decretada pela Justiça de São Paulo em 2005, junto de um grupo liderado por José Rainha Jr. À época, a juíza Adriana Nolasco da Silva alegou ameaça à ordem pública.

Ficha 2. Em julho passado, Albuquerque comandou invasões a sedes do Incra, incluindo a da capital paulista. Na época, o MST acusava o órgão de não cumprir metas de assentamento nem investir em outros mais antigos.

Na cara do gol. Dilma Rousseff não mencionou nenhuma vez as palavras mágicas Copa e Olimpíada durante mais de uma hora de balanço do PAC. Apenas quando jornalistas puxaram o assunto a ministra da Casa Civil falou a respeito dos eventos que o Brasil vai abrigar respectivamente em 2014 e 2016.

Mantra. A frase mais repetida pelos peemedebistas que participaram de jantar com a candidata do PT na terça-feira foi proferida pelo deputado Jader Barbalho: "Com o Lula nós podemos fazer adesão. Com a Dilma só podemos fazer aliança". Traduzindo: no eventual futuro governo, o partido reivindicará mais, muito mais do que tem hoje.

Eu não. Michel Temer diz que não pretende pedir intervenção no diretório paulista do PMDB, comandado por Orestes Quércia. O presidente nacional da sigla trabalha para ser vice de Dilma. Quércia está com José Serra (PSDB).

Pode vir quente. Não obstante a declaração pacificadora de Temer, Quércia afirma estar pronto para o que der e vier: "Já tentaram intervir em São Paulo uma vez, e eu ganhei na Justiça".

Sutura. O ferimento que rendeu a Lula cinco pontos no indicador da mão esquerda foi feito quando o presidente tentava consertar uma torneira no hotel em que ficou na Suécia. Não conseguiu.

Base. Dilma se reúne com prefeitos e vice-prefeitos do PT no dia 7 de novembro em Guarulhos, maior cidade sob o comando do partido em São Paulo. Em pauta, a mobilização das administrações petistas para a campanha de 2010.

Se vira... E nos dias 11 e 12 de novembro uma frente coordenada pelos petistas Emídio de Souza, de Osasco, e Eduardo Pereira, de Várzea Grande, realizará a Marcha Paulista em Defesa dos Municípios, com uma lista de cobranças a José Serra.

...nos 30. Há reivindicações em todas as áreas da administração. Os prefeitos tentam dissipar o caráter político do evento, a ser realizado na Assembleia, dizendo que Serra e secretários receberão a pauta previamente e serão convidados a participar dos debates.

Em coro. O senador Pedro Simon e o deputado Eliseu Padilha afinaram o discurso quanto à data para o PMDB deixar o desgastado governo de Yeda Crusius (PSDB-RS): ambos agora dizem que isso deve acontecer quando o partido escolher seu candidato (José Fogaça ou Germano Rigotto) à sucessão estadual.

com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Tiroteio

É inadmissível a restituição do IR ser usada para resolver problemas de caixa. Isso não é reflexo da crise, e sim da farra com o dinheiro público.


Do deputado EDUARDO SCIARRA (DEM-PR), sobre o atraso no pagamento das restituições, revelado pela Folha.

Contraponto

Love is in the air Ao final de reunião na terça-feira sobre os projetos do marco regulatório do pré-sal, Dilma Rousseff foi abordada pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que pediu um dedo de prosa a sós com a ministra.
Quando os dois se afastavam dos demais participantes do encontro, Gabrielli passou o braço sobre os ombros de Dilma. Diante da cena idílica, um líder aliado não resistiu e comentou com os dois:
-Até que, entre tapas e beijos, vocês estão bem!
Gabrielli, que ao longo da convivência colecionou uma série de refregas com Dilma, respondeu com bom humor:
-Ah, muito mais beijos do que tapas!

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

ELIANE CANTANHÊDE

A cara do Itamaraty

FOLHA DE SÃO PAULO - 09/10/09



BRASÍLIA - Com o "agrément" do governo argentino para o novo embaixador brasileiro em Buenos Aires, Ênio Cordeiro, o chanceler Celso Amorim formaliza a nova dança de cadeiras no Itamaraty e deixa seus principais amigos e colaboradores em funções-chave da diplomacia na campanha eleitoral e na reta final do governo Lula.
Amorim é um dos quatro ministros que entraram com Lula no primeiro dia do primeiro mandato e tendem a chegar com ele, no mesmo cargo, até o último dia do último mandato. A não ser que, contrariando as expectativas, Amorim decida sacar a sua ficha de filiação ao PT, novinha em folha, para disputar um mandato, por exemplo, de deputado federal pelo Rio de Janeiro.
Samuel Pinheiro Guimarães, decisivo para enterrar a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), se despede da carreira depois de ocupar a Secretaria-Geral, segundo posto da hierarquia, mas sem jamais ter sido embaixador no exterior. Sai da carreira, mas mantém fortes laços com o PT e com Lula e tem vaga certa na formulação do programa de Dilma à Presidência.
Com o maduro Samuel num posto-chave, Amorim passou a dar destaque para os "jovens" da carreira, a ponto de surpreender com a insólita indicação de Antonio Patriota para a mais poderosa embaixada do planeta, a de Washington, sem que ele jamais tivesse ocupado alguma outra embaixada antes. Ou seja, sem ser treinado nem avaliado.
Uma ousadia e tanto, ainda sem se saber o grau de acerto -ou de erro.
O Itamaraty da campanha e do último ano fica assim: Patriota na Secretaria-Geral, Mauro Vieira na Embaixada de Washington, Ênio Cordeiro na de Buenos Aires, Vera Machado na Subsecretaria-Geral de Política, Roberto Azevedo na OMC e Maria Luiza Viotti na ONU.
Convém registrar esses nomes.
Eles são o Itamaraty de hoje e, provavelmente, de amanhã, ganhe quem ganhar em 2010.

CLÁUDIO HUMBERTO

“O governo sofre de delírio coletivo”
LÍDER DO DEM, RONALDO CAIADO (GO), SOBRE OS RESULTADOS DO PAC, APRESENTADOS ONTEM

QUEDA NA ARRECADAÇÃO DEIXA LULA “ASSUSTADO”
O presidente Lula reuniu alguns ministros mais próximos, ontem e, apesar do bom humor, reclamou da “queda brutal” de arrecadação, na “crise da marolinha”. Lula se disse “assustado”, mas admitiu que isso foi provocado em grande medida pela isenção do IPI de automóveis e da chamada “linha branca” (geladeira, fogão, etc) e outros fatores. É por isso que o governo aplica o calote na restituição do imposto de renda.
NO ALVO
Novo truque da candidata Dilma: criar o “PAC da Copa de 2014” e o “PAC das Olimpíadas”. É o Plano de Arremesso de Candidata.
NO SENADO, NÃO
Senador peemedebista a favor da CPI do MST diz que o PT “não vai permitir a investigação, especialmente em tempos de eleição”.
“ENEM” NINGUÉM SABE
Marque com um X a resposta correta: a) Fráude; b) Fralde; c) Incomptência; d) incompetênçia; e) favoressimento; f) favoreçimento.
NEGLIGÊNCIA
Assim como a Câmara, o Senado há semanas não repõe os receptores de álcool em gel, para prevenir o contágio de gripe suína.
DILMA E O PDT: DISSABORES DE UMA NOVATA
Política novata, Dilma Rousseff adorou o jantar com a bancada do PDT em sua casa, mas teve de lidar com figuras como o desconhecido deputado Fernando Chiarelli (SP), que, além de atrasado, chegou, digamos, alegre. Sem conhecer a anfitriã, logo sapecou intimidade: “Como vai, menina?”, Ela arqueou a sobrancelha, incomodada, e não respondeu. Ele não será político influente, em eventual governo Dilma.
AULA DE POLÍTICA
Lição do senador Osmar Dias (PR) a Dilma: “Não vou fazer palanque para o governo. Não sou marceneiro, sou político. Primeiro vou me eleger”.
CLIMA RUIM
O ministro Carlos Lupi, chefão do PDT, não deixou dois deputados de Minas dirigir a palavra a Dilma: Ademir Camilo e Mario Heringer.
ROUSSEFFINHO
Alfredo Nascimento (Transportes) só chama o colega Geddel Vieira Lima de “Rousseffinho”, referindo-se à defesa da ministra-candidata.
BARRADO NO BAILE
A maioria da bancada do PMDB na Câmara, que nunca teve trânsito fácil no Banco Central, faz severas objeções à pretensa candidatura de Henrique Meirelles a vice-presidente, na chapa de Dilma Rousseff.
“NOFA”, MINISTRO...
Críticos da droga de ministro Carlos Minc o acusam de tentar imitar a antecessora Marina Silva. Pode ser. Mas ele poderia ao menos mudar a placa do seu carro oficial. Está lá: “Ministra do Meio Ambiente”. Hum...
EMBAIXADA DO SOSSEGO
A ex-prefeita petista Marta Suplicy e o ex-marido Felipe Belisário Wermus, vulgo “Luiz Favre”, ainda não devolveram o passaporte diplomático, que ela pediu quando era ministra do Turismo.
MALUF EM AÇÃO
O deputado Paulo Maluf (PP-SP) não perde o estilo. Ontem, pelas 15 horas, ele discutia o preço de um caro perfume com uma amável vendedora da loja Dufry, no aeroporto de Brasília, quando, galanteador, abriu o sorriso: “Vou comprar esta loja e você será minha vendedora favorita”.
VOA, LULA, VOA
O presidente voador já tem compromisso, em Washington (EUA), dia 12 de abril: o seminário sobre segurança nuclear, para o qual seu amigo porra-louca Ahmadinejad não foi convidado por Barack Obama.
VAI SAIR
O ministro Aroldo Cedraz, do TCU, recebeu o governador de Alagoas, Teotonio Vilela, para discutir como desencalacrar a obra de duplicação da rodovia ligando os paraísos de Maceió e Barra de São Miguel.
DIA PROPÍCIO
O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) vai oferecer um jantar para a bancada do PT na terça-feira (13). Será o primeiro encontro do novo ministro com os aliados petistas do Congresso.
MI CASA, TU CASA
Nova piada com o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya: ele se inscreveu no programa Extreme Makeover (Reconstrução Total), do canal a cabo People & Arts, para reformar nossa embaixada de graça.
PENSANDO BEM...
começaram as “provas” das Olimpíadas, com o governo alegando “falta de caixa” para devolver o Imposto de Renda.

PODER SEM PUDOR
FORA DE COGITAÇÃO
O líder do então PFL, José Carlos Aleluia (BA), era um dos maiores críticos do jeito encontrado pelo presidente Lula para acomodar amigos que, derrotados nas urnas em 2002 e quase sempre despreparados, ocuparam cargos estratégicos no governo. Ele resumia a trapalhada numa frase:
– Com esse ministério sentimental, não há o menor risco de o governo dar certo...

O IDIOTA E A MENTIROSA

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: Governo pune classe média pela queda de arrecadação


- Folha: Nova lei abranda punição a candidatos nas eleições


- Estadão: Real se fortalece e Mantega teme 'excesso de otimismo'


- JB: 130 milhões de hectares para reforma agrária


- Correio: Policial é morto em emboscada


- Valor: Governo projeta fundo soberano para o câmbio


- Estado de Minas: A pior chuva dos últimos tempos


- Jornal do Commercio: Governo admite atraso na restituição do IR

quinta-feira, outubro 08, 2009

AUGUSTO NUNES

VEJA ON-LINE

O calote aplicado a quem paga imposto pelo governo que empresta dinheiro até ao FMI

8 de outubro de 2009

O presidente Lula tem aparecido pouco no emprego para dedicar-se em tempo integral a uma urgência urgentíssima: cumpre-lhe ensinar ao resto do mundo como se faz para acabar com uma crise econômica medonha quando mal começou. Graças ao timoneiro incomparável, vem aprendendo o planeta, o país do carnaval foi o último país alcançado pelas ondas de fabricação americana, surfou com olhar distraído no que aqui não passou de marolinha e é o único que já prospera na praia.

“Saímos da crise melhor do que estávamos quando entramos”, ufana-se há semanas o maior dos presidentes. O Brasil não tem pressa para receber o dinheiro que emprestou ao FMI, o Banco Central não sabe o que fazer com tanto dólar, sobram verbas para a Copa de 2014, para a Olimpiada de 2016, para a renovação do contrato com a base alugada, para buscar o mundaréu de petróleo no fundo do mar, para o que der e vier. Há dinheiro para tudo.

Menos para devolver a milhões de lesados o que o Imposto de Renda cobrou a mais, informou a manchete da Folha de S. Paulo. Dos R$ 15 bilhões que o governo deve, e jurou restituir ainda neste ano, R$ 3 bilhões ficarão para 2010. O calote golpeou sobretudo trabalhadores da classe média, que não terão dinheiro para pagar as próprias contas porque estão pagando contas do governo sem fundos.

“Tivemos de compensar uma arrecadação menor”, gaguejou com voz de gazua o ministro Guido Mantega, encarregado pelo presidente Lula de executar a tunga em parceria com a Receita Federal. Depois de algumas horas de sumiço, o guardião do cofre reapareceu para tentar iludir em economês os enganados de sempre. ”O que nós fazemos é priorizar a restituição daqueles contribuintes sem problemas, que não estão na malha fina”, fantasiou. ”Também privilegiamos as restituições menores, que se supõe que sejam de uma faixa salarial mais baixa”.

Por confundir a mudez que vem do espanto com o silêncio de quem consente, Mantega resolveu fingir na conversa com os jornalistas que acha estranho tanto barulho por nada. ”Não sei por que estão chamando a atenção para esta questão. Estamos agindo normalmente em relação a isso”. Os tungados acham normal que o governo se comporte como o remediado metido a besta, sempre caprichando na pose de rico comprometida pelo paletó puído. Assim tem sido há quase sete anos. Mas só um anormal de ofício pode querer que milhões de pagadores achem normal o calote que, segundo Mantega, foi aplicado para bancar o prejuízo causado por uma crise que, segundo Lula, não só acabou faz tempo como melhorou o Brasil.

É isso o que Mantega quer. É disso que Lula gosta. E isso é o que jamais terão dos brasileiros que existem fora do rebanho.

PANORAMA POLÍTICO

O fiel da balança

ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 08/10/09

A oposição está nas mãos do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), na votação, na Comissão de Relações Exteriores, do ingresso da Venezuela no Mercosul . O relatório contra do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) tem oito votos, enquanto dez são a favor. A oposição espera que Sarney, que é um crítico de Chávez, mude um voto, o que levaria o presidente da comissão, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), a desempatar. Sarney vai ajudar o governo ou seguir sua convicção pessoal?

Livro vai contar a vida de Dilma

Seguindo uma das regras mais elementares do marketing político, a coordenação informal da campanha da ministra Dilma Rousseff decidiu lançar um livro contando a vida da candidata do PT à Presidência da República. A publicação será um instrumento de trabalho político para Dilma entre março, quando deixará o governo, e junho, quando os partidos fazem as convenções para oficializar seus candidatos. "É preciso uma versão oficial da vida dela, como fez o Obama nos Estados Unidos", comentou um dos mais próximos colaboradores da ministra. A única coisa que falta decidir é se a obra terá autor ou será autobiográfica.

Vamos reunir a direção ampliada do PDT, em novembro, para aprovar um indicativo de apoio à candidatura da ministra Dilma Rousseff" - Carlos Lupi, ministro do Trabalho e presidente do PDT

COMEÇOU A FESTA. Candidato à reeleição, o governador José Roberto Arruda (DF) anunciou que vai reduzir o IPVA e não reajustará o IPTU em 2010. Pesquisa Ibope, que ouviu 2.500 pessoas, de 1º a 5 de outubro, deu Arruda, com 44%; Joaquim Roriz, 33%; e Agnelo Queiroz, 9%. A sucessão presidencial em Brasília está assim: Ciro Gomes, 25%; José Serra, 15%; Heloisa Helena, 13%; Dilma Rousseff, 12%; e Marina Silva, 11%.

Quem come não tem direito à palavra

Aconteceu ontem na comissão que debate o projeto de partilha. A reunião tinha começado às 12h30m e se encaminhava para seu final às 15h30m. O relator Henrique Alves (PMDB-RN) estava faminto, quando chega o tucano João Almeida (BA) e pede para falar. Protestos. O bem humorado presidente da comissão, Arlindo Chinaglia (PT-SP), sentenciou: "Quem já almoçou não tem direito de falar". E encerrou os trabalhos.

O PSDB leva a melhor. O PSB perde

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), venceu queda de braço com o governador socialista Eduardo Campos (PE). Ambos disputavam a filiação do ex-governador da Paraíba Cassio Cunha Lima. Guerra conseguiu convencer Cassio a ficar no PSDB. Seu principal argumento foi o de que Ciro Gomes (PSB) não manteria sua candidatura a presidente até o fim. Ao ficar com os tucanos, Cassio tirou dois deputados federais e cinco deputados estaduais do PSB.

DEPOIS DO PDT, será a vez de os deputados e senadores do PR se encontrarem com a ministra Dilma Rousseff. No encontro, na próxima terça-feira, estarão presentes também o governador Blairo Maggi (MT) e o ex-governador do Rio Anthony Garotinho.

O GOVERNADOR Alcides Rodrigues (PP) quer lançar à sua sucessão o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO).

O COMITÊ Rio 2016 esclarece que o rugby e o golfe serão disputados nas Olimpíadas do Rio, e não nos Jogos de Londres em 2012. A inclusão do futsal e outros esportes só poderão ser tentados para 2020.

Castigo

Seis fiscais do Ibama do Rio foram demitidos há 13 dias, acusados de corrupção, após conclusão de processo administrativo. Presos em 2006, na Operação Euterpe, da PF, eles recebiam propina para conceder licenças ambientais.

Bombeiros

Os deputados João Paulo Cunha e José Mentor, do PT paulista, puxaram, anteontem, o socialista Márcio França para uma conversa no café da Câmara. Tentaram minimizar as declarações de Marta Suplicy contra Ciro Gomes.

GOSTOSAS

ALBERTO TAMER

Brasil corre riscos se crescer mais de 5%

O ESTADO DE SÃO PAULO - 08/10/09


O mundo precisa crescer mais em 2010 e o Brasil, menos. O FMI está prevendo apenas 1,3% nos países desenvolvidos e 3,5% aqui. Mas suas estimativas quanto ao PIB brasileiro estão desatualizadas, não levam em consideração os resultados dos últimos trimestres. Tanto governo como institutos de pesquisa e bancos projetam 4,5% a 5% no próximo ano. Alguns admitem até perto de 7%. Não é impossível. Muito contrario, é provável, tendo em vista a forte recuperação dos últimos meses, que só está se acentuando neste trimestre.

Se a previsão do FMI está desatualizada, muito atual o seu alerta para o excesso de investimentos externos que continua entrando no País e a necessidade de rever a política de estímulo tributário e fiscal do governo.

"O Brasil vai instigar o apetite dos mercados de capitais por causa da solidez de sua economia. O seu problema é como administrar a abundância", disse o diretor do FMI Nicolas Eyzaguirre, em Istambul. Segundo ele, se a demanda do setor privado global aumentar, "o Brasil deve começar a pensar em diminuir o estímulo fiscal para evitar valorização da moeda".

São duas vertentes que se cruzam: aumento no afluxo de recursos externos, provocando valorização do real, e incentivos oficiais, criando inflação. Ela não está sendo atendida por causa da defasagem entre consumo e produção e o menor nível de investimento privado na indústria. O alerta não é só do FMI, mas de quase todos os economistas brasileiros: o governo deve administrar o crescimento em 2010, rejeitando a tentação de seguir a China, para a qual o FMI prevê mais de 9%.

AS TENTAÇÕES DE LULA
Mas não é só essa, é outra mais atual, atualíssima: atuar para que a economia cresça menos do que o previsto e se anuncia, num ano em que o presidente pretende fazer sua sucessora.

Aqui, a tentação se transforma em dilema: crescer mais com inflação maior, o que levaria o Banco Central a aumentar os juros? O que seria mais bem recebido pelos eleitores dentro de um ano, nas urnas?

E não digam que esse é um dilema que surgirá apenas no futuro, que vamos deixar como está. Não. Ele existe exatamente agora, sim. E não estou falando só de juros, mas de expansão da demanda também.

Como a economia não está sendo puxada pelas exportações e sim pelo consumo interno, acho que não temos um dilema, mas um "trilema", em que se digladiam crescimento, juros e inflação. Dá para resolvê-lo, já que se errou ao não se dar ao setor privado o mesmo estímulo generosamente oferecido ao consumidor?

O QUE LULA VAI FAZER?
O ex-presidente do BC, Affonso Celso Pastore, sem dúvida um dos melhores economistas do País, afirma que o presidente já mostrou não ser complacente com a inflação. Opôs-se a todos, mesmo no governo, e deu mão forte a Meirelles na alta dos juros. Pastore acredita que o governo manterá a mesma linha, aceitando um crescimento menor para evitar pressões sobre os preços, hoje ajudados pela produção agrícola.

O raciocínio é simples: a inflação tem efeito imediato sobre o assalariado; ele a sente a cada dia, na caixa do supermercado, enquanto crescimento menor só se reflete sobre o emprego e a demanda em médio prazo. Afinal, o desemprego em 8,1% recuou a níveis de antes da crise e com a redução dos estoques as empresas voltarão a empregar.

SEI, SEI, MAS...
Tudo isso faz sentido, mas será uma decisão, num ano eleitoral, cancelar a redução de impostos e suspender incentivos fiscais. São benefícios que são logo repassados aos preços e aos consumidores.

A questão mais delicada, no momento, é saber se, quando e em que ritmo o governo vai reduzi-los, diluindo seu efeito sobre as eleições de 2010. É verdade que já existem sinais, como no caso do IPI dos veículos, mas os benefícios fiscais são mais amplos, passam de US$ 1 trilhão.

São questões econômicas sobre as quais as decisões políticas devem ter mais peso. Pastore acredita que a solução é ter crescimento mais moderado para evitar alta de juros excessiva, voltando-se a passar 10%.

SEM ESPAÇO MONETÁRIO
Por enquanto, só foi possível crescer mais com juros menores porque a taxa básica real, descontada a inflação, era muito alta. Essa margem de manobra não existe mais. Não se pode contar tanto com a política monetária dos últimos meses, para conter pressões inflacionárias.

É o dilema do presidente. Se levarmos em conta como agiu antes, pode-se prever que vai aceitar crescimento menor para ter a inflação sob controle. O erro maior do governo foi não ter dado ao investimentos privados industriais o estímulo semelhante oferecido à demanda interna. Passamos a consumir mais sem aumentar proporcionalmente a produção, que leva mais tempo para maturar e sempre chega depois.
Um erro que ainda persiste. E será mais difícil corrigir num ano de eleição.

DIRETO DA FONTE

Salve a concorrência

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO - 08/10/09


Benvinda, a concorrência. José Gomes Temporão conseguiu economizar nada menos que R$ 45,1 milhões na compra de quase 42 mil comprimidos para atender a 23 mil pacientes que sofrem de insuficiência renal e precisam de hemodiálise.
É a primeira vez que o Ministério da Saúde faz esse tipo de compra. Antes ela cabia aos Estados e os comprimidos saíam em média por R$2,85 cada, dos quais o ministério pagava R$1,95. A diferença vinha dos cofres estaduais.

Concorrência 2
No leilão de segunda, pagou-se pouco menos de R$ 0,90 o comprimido. Tudo porque entrou no páreo nova empresa de genéricos - só havia uma, até então, fabricando o Sevelamer.
O curioso é que quem levou não foi a nova concorrente - e sim a que, antes, tinha o monopólio do produto.

Bandalargando
Agora já tem data. O Plano Nacional de Banda Larga fica pronto em novembro.
Não se sabe, porém, se ele vai seguir diretriz sugerida por Lula em tempos de eleição: a de criar medidas de impacto no acesso dos brasileiros à internet.

Alta voltagem
Mesmo estando em Roma, Aécio Neves sequer parou para festejar. Fechada por R$ 2,2 bilhões a compra da Terma, distribuidora de eletricidade, ele definiu com os italianos a assembleia que elegerá novo presidente do grupo em novembro.
E partiu para Dubai, onde o aguardava uma caravana de empresários mineiros.

I love Moscou
Não foi por acaso que a Embraer realizou em Moscou, ontem, o encontro de usuários europeus do Legacy 600. As vendas por ali prometem.

Bola pra frente
Os advogados do País estão divididos. Grande parte está indignada com o STF, que ignorou pleito da
OAB quanto ao quinto constitucional.
Outra está animadíssima com o 10º Campeonato Nacional de Futebol da classe, que reúne centenas de craques em Vitória, até domingo.

Perigo na praia
Está na mesa de José Serra projeto que proíbe o uso de óleo de canhão... para bronzeamento rápido!
Nova mania entre jovens, o "remédio" pode ser comprado em lojas de armas. Mas, diz o autor do projeto, Luciano Batista, pode até matar.

Preste atenção...
Nana Caymmi solta a voz em Lula, o Filho do Brasil.
Vai cantar Nossa Canção, o sucesso dos anos 60 imortalizado pelo Rei Roberto.

Entrou areia
Antonio Banderas invadiu a praia e se deu mal.
Avançou 150 metros quadrados de área pública para construir seu chalé e foi acionado por um tribunal de Andaluzia. Vai ter que refazer o projeto.

Dans la nuit
Mais chegado aos flashes que a família, Dimitri Mussard, herdeiro da Hermès, dará plantão na noite de SP.
Como embaixador do Club A, que abre dia 23.

O pós-melancia
Em evento anteontem, em São Paulo, Marisa Orth deu o troco aos que falam das mulheres-frutas: lançou o "homem-pantufa".
Aquele "gostoso de usar dentro de casa mas que você morre de vergonha de mostrar para os outros".


Deborah na real
Com oito quilos a mais para viver Bruna Surfistinha no cinema, Deborah Secco mergulhou meeesmo na construção da personagem. Fez ronda em vários bordéis da região de Campinas.
Para ver - in loco - as moças em ação.

Na frente

Com Helena Ranaldi no papel que foi de Fanny Ardant, estréia hoje, no Teatro Vivo, o espetáculo A Música Segunda, de Marguerite Duras.
Será capitaneado pelo Banco Standard o almoço de hoje para o presidente Jacob Zuma, da África do Sul. No WTC.
Raul Rosenthal lança hoje seu primeiro livro, Sonhar Acordado. Na Livraria da Vila dos Jardins.
Desembarca hoje na Gucci do Iguatemi o novo perfume da marca, Flora.
O pianista italiano Stefano Bollani faz apresentação única, dia 15, no Auditório Ibirapuera.

Silvana Tinelli pilota, hoje, jantar de entrega da condecoração "Ordine della Stella della Solidarietá Italiana", por parte do cônsul Marco Marsilli.
André Domingues lança esta noite Caymmi Sem Folclore, pela Barcarolla. Na Cultura da Avenida Paulista.

Inspirado em "a grama do vizinho é sempre mais verde", Tó Brandileone faz show com composições de amigos e parceiros. Sábado, no Ao Vivo Music.

Com café da manhã para convidados, a Rádio Eldorado comemora 9 anos do projeto Pintou Limpeza. Amanhã, na Fnac.

Sai Obama, entra José Mayer no carnaval. Na região da 25 de Março, em SP, e no Saara, no Rio, já estão vendendo máscaras do galã cinquentão.