terça-feira, julho 21, 2009

O DONO

TERÇA NOS JORNAIS

- Globo: Planejamento manda cortar CPMF de todos os contratos

- Folha: Justiça acata denúncia contra Dantas

- Estadão: Inscrições no Enen recuam em São Paulo

- JB: Hospital de referência do Rio barra pacientes

- Correio: Gigante agrícola

- Valor: Banco Santander prepara oferta de ações no Brasil

- Estado de Minas: Gripe causa mal-estar na Saúde em BH

segunda-feira, julho 20, 2009

PARA OS AMIGOS LEITORES


FELIZ SEMANA MUNDIAL DO AMIGO !!!!!!


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ENVIADO PELO AMIGO APOLO

RICARDO NOBLAT

Lavanderia Lula

O GLOBO - 20/07/09

“Um homem decente envergonha-se do governo sob o qual vive” (H. L. Mencken, jornalista americano do século passado)

O senador Antonio Carlos Magalhães inaugurou a Lavanderia Lula. Em 2003, acusado de grampear telefones de adversários políticos na Bahia, correu o risco de ser julgado pelo Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro. Apoiara a eleição de Lula um ano antes. Lula retribuiu salvando-lhe o mandato.

Desde então a lavanderia é um sucesso.

O que Lula fez por ACM não impediu que os dois quase saíssem no tapa anos mais tarde. ACM sentiu seu império baiano ameaçado pelo PT de Jaques Wagner. Soltou os cachorros em cima de Lula. Que respondeu chamando-o de rato e suando a camisa para eleger Wagner. Os dois só voltaram a se encontrar quando ACM estava em um hospital de São Paulo a poucos dias de morrer. Lula fez questão de visitá-lo.

Entre ACM e José Sarney (PMDB-AP), o mais recente freguês da lavanderia, Lula meteu as mãos em muito pano sujo. O êxito dele não consiste em transformar pano sujo em pano imaculado.

Por ora, ainda não opera milagres. Amanhã, nunca se sabe. Mas Lula sempre tenta dar um jeito de impedir que pano encardido acabe jogado no lixo por imprestável.

Na maioria das vezes, é bem-sucedido.

Lula não discrimina entre aliados fiéis, aliados nem tão confiáveis assim, adversários moderados e adversários históricos. Se vir alguma vantagem em enxaguá-los até que recuperem parte da pureza perdida ou se livrem de nódoas comprometedoras, ele se entrega à tarefa com gosto. Do controverso Roberto Jefferson, na época presidente do PTB, Lula disse que se tratava de um homem a quem daria um cheque em branco.

O homem merecedor de tamanha prova de confiança deflagrou o escândalo que quase derrubou o governo.

Em meio ao escândalo, informado sobre a disposição do publicitário Marcos Valério de contar tudo o que sabia, um Lula alterado por algumas doses a mais de bebida chegou a falar em renúncia.

Foi um Deus nos acuda. Lula só sossegou quando lhe garantiram que Valério estava sob controle. Está até hoje.

Procurem algo de duro dito depois por Lula a respeito de Jefferson. É possível que encontrem um elogio. Nada encontrarão contra José Dirceu, apontado pelo Procurador Geral da República como o chefe da “sofisticada organização criminosa” que quis se apoderar de parte do aparelho do Estado.

Lula escalou Dirceu para pagar a conta do mensalão.

Para compensar, lava a biografia do amigo toda vez que julga necessário.

Foi quase pedindo desculpas públicas a Antonio Palocci que Lula o demitiu do Ministério da Fazenda forçado pelo caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Pereira. Palocci jurou diante de uma CPI que jamais frequentara certa mansão suspeita de Brasília. O caseiro jurou têlo visto por lá uma dezena de vezes. Lula chamou Palocci de “meu irmão”. E sonha com o dia de tê-lo de volta no governo.

E o “nosso Delúbio”, hein? E Romero Jucá, que ofereceu fazendas inexistentes como garantia de um empréstimo tomado em banco oficial? Lula saiu em defesa dos dois. Ficou rouco de repetir: “Ninguém é culpado até ser condenado pela Justiça”.

Ao pé da letra, de acordo.

Mas o que se espera de um presidente não é o mesmo que se espera de um juiz. Presidente deve satisfações à sociedade. Juiz, somente à sua consciência.

Um mau exemplo dado por um juiz nem de longe equivale a um mau exemplo dado pela pessoa mais observada e admirada pelos brasileiros.

Foi um bom exemplo o empenho de Lula em manter Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado? Quase conseguiu. Lula dá um bom exemplo quando chama Sarney de “pessoa incomum” e obriga o PT a sustenta-lo no cargo? A Lavanderia Lula presta inestimáveis serviços ao seu fundador e único dono, e também aos que dela precisam.

Mas bem não faz — pelo contrário — ao avanço entre nós de uma prática política decente e justa, capaz de atrair gente interessada em servir à coisa pública, e não em se servir dela. Essa será a herança maldita de Lula.

INFORME JB

A estratégia da oposição na CPI

Autor(es): Vasconcelo Quadros
Jornal do Brasil - 20/07/2009

O procurador Roberto Gurgel concordou com o pedido da oposição e deve designar uma equipe de procuradores para, se for o caso, abrir inquérito a cada denúncia consistente que surgir durante a CPI da Petrobras. Ela começa a funcionar no próximo dia 6. Normalmente, o MPF só investiga depois que a CPI é concluída. A estratégia tem a finalidade de combater a manobra do grupo governista, que quer uma investigação chapa branca e rápida. Se depender do presidente da CPI, João Pedro (PT-AM), e do relator, Romero Jucá (PMDB-AM), o presidente da estatal, Sérgio Gabrielli, será o primeiro a prestar depoimento – o que quebraria a lógica de qualquer investigação e tornaria a CPI natimorta.

Apurar primeiro

"Caso os dirigentes sejam convocados no início, não teremos elementos para questioná-los", reclama o tucano Álvaro Dias (foto). A oposição quer esgotar as suspeitas em torno da Refinaria Abreu de Lima, os contratos aditivos das obras de plataformas em alto mar, os gastos e destino da verba de patrocínios e a suposta intermediação no esquema de royalties.

Ida e volta

Movimento gaúcho que luta pela abertura dos arquivos da ditadura quer que Yeda Crusius se retrate por ter chamado de torturadores os professores que fizeram manifestação em frente à sua casa. A governadora entrou na justiça contra os organizadores por ter se sentido impedida no direito de ir e vir.

Refém

Do cientista político David Fleisher sobre as sucessivas declarações do presidente defendendo dirigentes peemedebistas. "O Lula é refém do PMDB. Ele acha que sem o partido não tem governabilidade nem candidatura de Dilma".

Alto clero

O distrital Berinaldo Pontes (PP) gastou uma fortuna em outdoors plantados nas saídas de Brasília para informar que foi citado em pesquisa entre os 150 mais destacados parlamentares do país.

Grampo

Sai esta semana o relatório do inquérito do grampo que abalou o país. Se nenhum fato novo surgir, ninguém saberá quem escutou a angelical conversa entre o presidente do STF, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres.

Eles sabem

Grupos de direitos humanos estão pedindo que o general Mário Lucio Araujo, responsável pelas expedições ao Araguaia, ouça quem sabe onde foram colocados os restos dos guerrilheiros desaparecidos. Pela ordem de importância ainda estão por aí o coronel Sebastião Rodrigues de Moura, o major Curió, o tenente José Reis e o sargento José Sarmento Santa Cruz.

Outros

Também podem contribuir, se quiserem, o coronel Lício Ribeiro, o tenente José Jiménez, um oficial conhecido por Cid e o seleto grupo que participou da etapa final da Marajoara, a operação em que foram presos e executados os últimos guerrilheiros.

Sêneca

Sarney poderia ter se inspirado em outras citações de Sêneca para justificar seu jeito de combater injustiças. O filósofo também sentencia que "a linguagem da verdade é simples" e que "nós descemos e não descemos duas vezes o mesmo rio".

Boi Barrica

O vazamento estratégico da Operação Boi Barrica, no ano passado, deu mais fôlego às investigações contra Fernando Sarney.

GOSTOSA


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RUY CASTRO

Endereços com história


FOLHA DE SÃO PAULO - 20/07/09

Só se soube outro dia, por uma coluna de jornal, que a bela casa em forma de navio na Rua Codajás, numa seção exclusiva do Leblon chamada Jardim Pernambuco, foi abaixo em silêncio e em segredo há alguns anos. Em seu lugar, surgiu outra, talvez mais moderna e confortável, mas sem o mesmo charme. A casa original tinha história: Tom Jobim morou nela durante toda a segunda metade dos anos 1960.

Conheci essa casa de Tom. Foi nela que ele me recebeu, em março de 1967, para uma entrevista para a revista Manchete e, uma hora depois, sugeriu que fôssemos continuar a conversa em seu QG, o bar Veloso, em Ipanema. Foi daquela casa que Tom saiu para gravar em Los Angeles com Frank Sinatra e foi também nela que ele compôs Wave, Chovendo na Roseira, Sabiá, Retrato em Branco e Preto e finalizou Águas de Março.

Em compensação, grandes endereços anteriores de Tom, berços indisputados da bossa nova, estão de pé e podem ser admirados sem problema. O predinho da Rua Nascimento Silva, 107, típico da velha Ipanema, continua firme, com o apartamento onde ele compôs A Felicidade, Se Todos Fossem Iguais a Você, Chega de Saudade, Dindi, Fotografia, Brigas Nunca Mais etc., e todas as canções de Canção do Amor Demais.

E a casa da Rua Barão da Torre, por acaso também 107, para onde ele se mudou em 1960 e onde nasceram Corcovado, Ela é Carioca, Samba do Avião, Só Danço Samba, Inútil Paisagem, O Morro Não Tem Vez e, como se chamava mesmo?, Garota de Ipanema, está tal e qual e é agora uma... pousada.

Como se vê, nem toda a história está perdida. Mas o Rio tem toneladas de história, e nem sempre se pode impedir que, por ignorância ou incúria, uma parte tão preciosa dela tombe a golpes de insensibilidade e marreta.

PAINEL DA FOLHA

Justiça cega

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/07/09

Nem bem o PT proclamou o lançamento da pré-candidatura de Tarso Genro ao governo do Rio Grande do Sul, os presidentes dos principais partidos de oposição a Lula passaram a fazer campanha por sua demissão imediata do Ministério da Justiça.
‘O ministro da Justiça do país tem de estar afastado da conjuntura eleitoral’, diz o senador Sérgio Guerra (PSDB). Para o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RS), a permanência de Tarso se torna insustentável, uma vez que a Polícia Federal atua na investigação das denúncias de corrupção no governo Yeda Crusius (PSDB). ‘Há incompatibilidade clara. Se a PF já atuava com viés político, imagine agora’, diz o deputado.

Não saio - Confrontado com o questionamento, Tarso diz que, se houvesse impedimento de pré-candidatos atuarem no Executivo, a própria Yeda teria de deixar o governo. ‘Minhas funções de ministro não se confundem com atuação política.’

Oficial - Em pelo menos um evento internacional do qual Dilma Rousseff (Casa Civil) participou como ministra, seu currículo com informações incorretas foi usado para apresentá-la. Foi em março de 2005, num seminário do Banco Mundial sobre o futuro da energia, em Washington.

Bastão - O adiamento para depois do recesso da ida de José Múcio para o TCU, sem razão que o justifique, foi lido por aliados como a certeza de que Lula só espera o julgamento de Antonio Palocci pelo STF, marcado para agosto, para fazer dele o novo articulador político do governo.

Dominó 1 - Presidente da TV Brasil, Teresa Cruvinel se desentendeu com mais um dos diretores que ajudaram a colocar de pé o projeto da emissora. Agora foi Delcimar Pires, diretor de administração, ligado ao chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho.

Dominó 2 - A demissão não havia sido formalizada até sexta-feira, mas ninguém acreditava haver clima para o retorno de Pires ao cargo. Três diretores já deixaram a TV por motivos semelhantes: Orlando Senna, Mario Borgneth e Leopoldo Nunes.

Nova sigla 1 - Será anunciada nesta semana a criação de um novo partido, o PSR (Partido Socialista da República). A legenda nasce com 3 deputados federais, 6 estaduais e 2 distritais. Só falta colher as 500 mil assinaturas necessárias para o registro.

Nova sigla 2 - Os 3 representantes do novo partido na Câmara dos Deputados serão Silvio Costa (PMN-PE), Bispo Rodovalho (DEM-DF) e Manoel Júnior (PSB-PB). Em comum, todos estavam sem ambiente nos atuais partidos.

Baianidade - José Serra estará duas vezes em Salvador e Aécio Neves, uma, em agosto. O governador paulista participa de uma palestra na Associação Comercial e, dias depois, assina um convênio com o governo estadual. Já o mineiro receberá o título de cidadão baiano da Assembleia.

Dilma potiguar? - Quem leu entrevista de Lina Vieira à ‘Tribuna do Norte’, em que condena a falta de punição aos que enriquecem por meio da corrupção, ficou com a impressão de que a ex-titular da Receita será mais uma técnica a abraçar a política em 2010.

Vem cá - O governador Eduardo Campos vai chamar o PP, que quer apoiar a reeleição de Sérgio Guerra (PSDB) ao Senado, para dizer que, em Pernambuco, quem estiver no palanque de Dilma e dele terá de ser fiel à chapa inteira.

Tiroteio

Se os senadores são os pizzaiolos, então o presidente Lula foi o grande chef do mensalão.

Do deputado VIC PIRES (DEM-PA), sobre a frase do presidente comparando os senadores a pizzaiolos, na semana passada, por conta da criação da CPI da Petrobras.

Entre amigos - A UNE negocia com a Funcef, o fundo de pensão dos funcionários da Caixa, adiantamento para começar a reforma da sede, orçada em R$ 30 milhões, enquanto o Congresso não aprova projeto do governo que destina recursos para a obra.

Passar bem

Em sua primeira campanha, em 2006, Flávio Dino (PC do B-MA) visitava Matões e foi pedir votos a Lula Pereira, um líder político muito respeitado na cidade.
- Sou juiz federal e estou deixando a carreira para me candidatar a deputado. Gostaria de ter seu apoio -, disse.
- Meu filho, desista. Não tem a menor chance -, respondeu o coronel, secamente.
Dino, espantado, ainda tentou argumentar:
- Mas seus filhos me conhecem e serão meus eleitores...
- Um juiz largar a carreira para ser candidato a deputado só pode ser maluco. E eu não voto em doido -, explicou o velhinho, já se levantando para encerrar a conversa.

QUADRILHA

SEGUNDA NOS JORNAIS

- Globo: CPMF: governo é acusado de negligência administrativa

- Folha: Cesarianas já são 84,5% dos partos na rede privada

- Estadão: Fim de contratos atrasa investimento em portos

- JB: Brasil lidera ranking de mortes nos estádios

- Correio: 1 milhão de assinaturas contra os fichas-sujas

- Valor: Crise aumenta o déficit comercial da indústria

- Estado de Minas: Prefeitura vai licitar feira da Afonso Pena

domingo, julho 19, 2009

BRASÍLIA - DF

Palanques de Dilma


Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense - 19/07/2009

Apesar dos esforços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a consolidação da aliança PT-PMDB caminha para a reprodução do sistema de forças que predominou na reeleição em 2006. Onde os dois partidos marcharem juntos, é possível unificar o palanque eleitoral da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Nos estados em que vivem às turras, predomina a tese de dois palanques governistas.


A Bahia e o Rio Grande do Sul são casos emblemáticos. No primeiro, o governador Jaques Wagner (PT) e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), continuam em rota de colisão. O peemedebista sonha com os votos do carlismo. No segundo, o ministro da Justiça, Tarso Genro (PT), detona a governadora tucana Yeda Crusius (RS), mas está cada vez mais distante do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), que pinta como seu futuro adversário na disputa pelo governo.

Brasília, 50 anos/A Câmara dos Deputados prepara a edição bilíngue de um novo catálogo das obras de Athos Bulcão, artista plástico recentemente falecido, cuja arte faz parte da identidade visual de Brasília. O livro será lançado durante as comemorações dos 50 anos de fundação da cidade, em 2010.

Ética/ A Comissão de Ética da Presidência da República volta a discutir a situação do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, como presidente licenciado do PDT. Os conselheiros vão encaminhar novo pedido de informações ao pedetista.

Batata/Das indicações ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que o Senado votará no retorno do recesso, a de Bruno Dantas é dada como imune aos humores dos parlamentares. Chefe da Consultoria Legislativa, Dantas chegou a ser um dos cotados para suceder o ex-diretor-geral Agaciel Maia.

Amigos

Cordiais adversários, os governadores da Bahia, Jaques Wagner, e de São Paulo, José Serra, fecharam acordo para melhorar as relações tributárias entre os dois estados. Cabo eleitoral da ministra Dilma Rousseff, Wagner é parceiro do tucano desde os tempos em que ambos eram líderes de suas bancadas na Câmara. A propósito, o petista ajudou a eleição do deputado Marcelo Nilo (PSDB) à presidência da Assembleia Legislativa da Bahia.

Órfãos


Lanterninha nas pesquisas, o ex-prefeito Cesar Maia (foto) não quer ser candidato a governador do Rio de Janeiro, nem se o deputado Fernando Gabeira (PV) concorrer a uma vaga ao Senado e deixar o DEM, o PSDB e o PPS fora da disputa pelo Palácio Guanabara. A ex-juíza Denise Frossard (PPS), que seria uma alternativa, anda muito desanimada com a política.



Não vem


O ex-governador Orestes Quércia (foto) descarta aliança com o PT em São Paulo, apesar dos sinais emitidos por líderes petistas que articulam a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB) ao Palácio dos Bandeirantes. A chapa seria completada por Aldo Rabelo (PCdoB) de vice, com Aloizio Mercadante (PT) e Quércia como candidatos ao Senado. O peemedebista não confia nos petistas.

Guarani

Políticos do Mato Grosso do Sul se mobilizam contra a demarcação da chamada Nação Guarani, reserva indígena que abrangeria um terço do seu território. A disputa judicial já é tratada como semelhante à da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, sacramentada em abril pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Fornalha

O Brasil é campeão mundial de uso de biomassa na produção de ferro. Um terço das siderúrgicas utiliza o carvão vegetal como combustível. Para produzir 9,2 toneladas de carvão vegetal por ano, as guseiras (que vendem ferro-gusa para outras siderúrgicas) queimam 44 milhões de árvores. Somente no Pará há 25 mil carvoarias.

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ELIANE CANTANHÊDE

Que se dane o(a) sucessor(a)


Folha de S. Paulo - 19/07/2009
BRASÍLIA - O Congresso está paralisado de pânico com a crise, os escândalos, a irritação da opinião pública, mas as bombas-relógio para o futuro governo continuam andando, sinuosamente.
Num levantamento feito pelo tucano Eduardo Graeff, da órbita de FHC e de Serra, dois desses projetos são na área da Previdência:
1) A emenda do senador Paulo Paim (PT-RS), estendendo o reajuste do salário mínimo a todos os benefícios, aumenta as despesas em 48,7%, de R$ 201,4 bi em 2008 para R$ 299,6 bi em 2011, quando assume o sucessor de Lula. O déficit pula R$ 3,8 bi de 2009 a 2011.
2) Projeto para atualizar aposentadorias e pensões com base no número de salários mínimos na data da concessão cria gastos adicionais de R$ 5,89 bi por mês, ou de R$ 76,6 bi por ano (com o 13º).
Três outros são sob medida para categorias específicas:
1) A "PEC dos delegados de polícia" concede à categoria a mesma remuneração dos membros do Ministério Público. Como são cerca de 14 mil delegados no país, isso pode virar um balão inflável que vai estourar no bolso do contribuinte.
2) O que transforma a remuneração da Polícia Militar do DF em base para policiais militares dos Estados, para os integrantes do Corpo de Bombeiros e para os inativos.
3) O que restabelece o adicional por tempo de serviço como componente da remuneração da magistratura e do Ministério Público, com efeitos retroativos e extensão da vantagem para inativos e pensionistas. E as outras carreiras de Estado também não vão querer?
A arrecadação continua caindo pelo sexto mês consecutivo, enquanto a expectativa é que os aumentos de vagas e de remuneração em várias faixas do funcionalismo vão explodir em R$ 16 bi a mais só no primeiro ano do futuro governo.
Isso não é brincadeira. Dilma, Serra e Aécio certamente querem ser Lula ontem, mas duvido que Lula queira ser um deles amanhã.

ANCELMO GÓIS

Maternidade precoce


O Globo - 19/07/2009


Estudo do Instituto Mapear para o governo Sérgio Cabral traça um perfil dos 1,5 milhão de alunos do ensino médio da rede pública fluminense e revela que 12% (uns 180 mil, ou dois Maracanãs lotados) já têm filhos.

São jovens que tem, em média, entre 15 e 19 anos e em muitos casos vivem com o pai ou a mãe da criança.

Sobrepreço em Angra
O TCU julga quarta o contrato de retomada das obras da usina nuclear Angra 3.

A inspeção achou indícios de superfaturamento, totalizando R$ 469,3 milhões. O TCU estima em 811%, por exemplo, o sobrepreço da pintura do reator.

Governo pedófilo
Do ex-deputado petista Paulo Delgado sobre a UNE receber R$ 920 mil de órgãos públicos para realizar seu congresso: — A UNE estatal não é ideologia e sim pedofilia.

Paris é uma festa
Sexta, no badalado café parisiense Les Deux Magots, oito deputados brasileiros, liderados por Michel Temer, saboreavam um bom vinho nacional.

A boca livre parlamentar é paga, como se sabe, pelo governo francês e por empresas locais que fazem lobby para vender caças ao Brasil.

Como diria Zózimo...

E o trem-bala, hein? Começou em US$ 9 bi, entrou no PAC acelerando para US$ 11 bi e, agora, no primeiro cálculo da consultoria contratada para avaliar a obra, disparou para US$ 17,6 bi.

E, como se sabe, ainda nem tem empreiteira no meio...

Força de vontade
Um grande editora negocia com Ronaldo Fenômeno um livro de auto-ajuda em que o craque falaria de como, mais de uma vez, ele se levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima.

Pode ser um best-seller

O DOMINGO
É de Mariana Rios, formosura capixaba que, aos 23 anos, conquistou o público com sua personagem em “Malhação”, a cantora Yasmin. Para aproveitar a boa fase, Mariana, que também é cantora na vida real, lança em setembro seu primeiro CD, em parceria com a Som Livre, e estreia no cinema, no longa “O déjà vu da Nova Chicago”, de Gustavo Coelho. Que seja feliz

Lá e cá
Levantamento das autoridades dos EUA mostrou que, em 2008, foram recolhidos 2.809 celulares em cadeias da Califórnia, 1.861 nas do Mississipi e 1.623 em prisões federais.

Os detentos comandavam o crime das celas.

Deve ser terrível... você sabe

O Rei no Radio City
As festas pelos 50 anos de carreira de Roberto Carlos serão coroadas com um show, dia 19 de abril de 2010, quando o Rei completa 69 anos, no Radio City Music Hall, a tradicional casa de espetáculos de Nova York.

Clinton e Gil
Sexta, Bill Clinton convidou nosso Gilberto Gil, que faz turnê pelos EUA, para participar da 5aIniciativa Global Clinton, evento que o ex-presidente promove, cheio de estrelas internacionais.

Gil também cantará no Prêmio Cidadão Global Clinton, dia 24 de setembro, em Nova York

ZONA FRANCA

Regina Vater abre dia 27 exposição na Galeria Maria de Lourdes Mendes de Almeida, na Ucam de Ipanema.

O MinC lança dia 23 de julho, em São Paulo, o vale-cultura.

Terça, Nelson Sargento comemora aniversário no Carlos Gomes pelo Projeto Sete em Ponto e homenageia Luiz Carlos da Vila, que faria 60 anos.

É amanhã o lançamento da “S/N” 12, sobre velocidade, no Felice Caffè.

Emílio Rios festeja segunda 20 anos do Guaracamp, em Campo Grande.

11|21 lança campanha nacional em TV para a Sapeka.

Rogê agita as terças de julho no Carioca da Gema, na Lapa.

Tania Malheiros festeja oito anos de carreira, no Rio Scenarium, terça e quarta, com show “Brinde ao samba”.

João Jorge

A seção “Há 50 anos”, do GLOBO, lembrou, na semana que passou, os festejos do cinquentenário do Teatro Municipal, motivo na época de ampla cobertura da coluna de Ibrahim Sued.

Aliás, na programação do cinquentenário, houve uma encenação de “Lago dos cisnes”. Entre os bailarinos do espetáculo de Tchaikovsky, estava João Jorge. Sabe quem é? Joãosinho Trinta, o supercarnavalesco.

Céu de Santa Teresa
Moradores de Santa Teresa preparam uma mobilização contra o aumento do número de voos no Santos Dumont.

Reclamam que a barulheira recorrente dos jatos sobre o outrora bucólico bairro carioca é enorme com as novas rotas

Vanvan
Evangelina Seiler, a Vanvan, nora de FH, aceitou convite da secretária de Cultura de Cabral, Adriana Rattes, para assumir a Casa França-Brasil, no Rio.

Até a sra madame?
Quinta, por volta de 16h30m, uma mulher de 44 anos, moradora do Humaitá, bairro nobre da Zona Sul do Rio, foi flagrada por três guardas municipais quando... grafitava com spray os Arcos da Lapa, veja só.

Estava com um amigo francês, que fotografava sua “arte”, mas se mandou na hora. Foi levada para a 5aDP e autuada por crime ambiental. Bem feito.

‘A polícia empurrou o funk para a favela’

Na semana em que a PM voltou a proibir bailes funk no Rio, o antropólogo Hermano Vianna (foto), um dos maiores estudiosos do tema no país, brinda a coluna com este artigo: “Em 1987, defendi mestrado sobre o funk carioca. De lá para cá, muita coisa mudou. As festas tocavam 100% de música importada. Hoje, apresentam 100% de nova música nacional, também exportada e elogiada mundo afora. Ano passado, pesquisa do FGV Opinião revelou que o funk do Rio movimenta R$ 10 milhões mensais e gera milhares de empregos.

Esse vigor foi conquistado, praticamente, contra o Estado. Na minha pesquisa, os bailes eram em clubes como Cassino Bangu, Mackenzie do Méier e CCIP de Pilares. Todos foram fechados.

A polícia empurrou a festa para a favela.

Agora quer proibir também o baile de favela...

Nos anos 1990, fui a muitas reuniões entre gente do funk e autoridades. Sempre na Secretaria de Segurança ou em DP. Isto não mudou: para o poder público, o baile é, sobretudo, caso de polícia.

Há uma infinidade de leis confusas e contraditórias que tornam impossível a realização dos bailes. É urgente um novo marco legal para essas festas, com regras claras e realistas sobre volume sonoro, recursos anti-incêndio, segurança etc. Eventos com grande público têm planejamento especial de trânsito e policiamento. Por que os bailes não são tratados assim? O pessoal dos bailes (equipes, DJs, MCs, público etc.) precisa se unir para apresentar e negociar suas propostas. O movimento funk deve se organizar de modo permanente e tomar a frente de sua defesa e do diálogo com quem é contra os bailes.”

A nova geração de Gay Talese

Veja o que dizem sobre os jornais alguns políticos travestidos de “new journalism”: O suplente do suplente Paulo Duque, da Comissão de Ética do Senado, diz que se lixa para a opinião pública e garante que os jornais “estão acabando”.

Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, defendeu assim a criação do blog da estatal: “Nós vamos revolucionar o jornalismo brasileiro.” Lula, ao falar sobre novas mídias, disse que “vivemos um momento revolucionário da humanidade, em que a imprensa já não tem o poder que tinha há alguns anos”.

Em tempo: terça, o “Valor” publicou pesquisa do Ibope que diz: jornal continua sendo o meio de comunicação mais confiável para 60%.

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DANUSA LEÃO

A fome

folha de são paulo - 19/07/09


Está mais do que na hora de lei limitar a dois o número de filhos, e quem ultrapassar não ter mais Bolsa Família

SEGUNDO A ONU, vai a 1 bilhão o número de pessoas que passam fome no mundo; pois nem assim o governo Lula ataca com seriedade (nem sem) o problema do controle da natalidade. Sem esse controle, mais e mais gente nasce, e em alguns anos o bilhão vai se transformar em 2, 3, 4 bilhões. Quanto mais pobre é o país, quanto mais pobre a região do país, mais ignorante é a população, que, sem uma orientação para valer, vai continuar fazendo a única coisa que sabe: procriar.
Não ouvi falar de nenhuma campanha mostrando que é possível e permitido não ter mais que um ou dois filhos, ou até nenhum. Será que alguma mãe gosta de ver seus oito ou dez filhos passando fome numa casa com chão de terra batida, sem nenhuma perspectiva? Essas pobres mães recebem mensalmente a esmola-família, e não tendo acesso à informação, portanto nenhuma orientação sobre o controle da natalidade, continuam tendo um filho por ano. Todos sabemos -ou deveríamos saber- que não é possível continuar nascendo tanta gente.
Para terem direito ao benefício do Bolsa Família, as famílias precisam se comprometer a mandar seus filhos à escola. Tudo bem; mas você acredita que isso esteja acontecendo? Eu, não. Em primeiro lugar porque sabemos que existem poucas escolas no interiorzão, e as distâncias são longas. Às vezes é preciso andar mais de uma hora para chegar a um barracão tosco e aprender a ler; mas aprender para que, se, na realidade em que vivem, é perfeitamente dispensável saber ler? Quem deveria fiscalizar não fiscaliza, pois cortar o auxílio significa perder votos na próxima eleição, por isso a indústria do analfabetismo continua em alta. Interessa ter um povo que leia e compreenda o que acontece em Brasília?
Claro que não. Uma população pobre, recebendo a esmola magnânima, leva a uma consequência direta: a popularidade de Lula cresce, que é o que interessa -a eles.
Não é um problema local, mas do universo inteiro, e tem que ser atacado. Só para lembrar: a China escapou de uma catastrófica explosão demográfica, quando proibiu as famílias de ter mais de um filho, sob pena de multa e penalidades dramáticas. Antes que me joguem pedra na rua, não estou dizendo que devemos copiar a China em tudo, apenas dando um exemplo mais ou menos recente, pois não tomar uma providência enérgica, no panorama atual, é de profunda irresponsabilidade.
Está mais do que na hora de haver uma lei limitando a dois o número de filhos, e quem ultrapassasse esse número não teria mais direito ao Bolsa Família; essa limitação deveria ser para gente de qualquer classe social, claro, mas pessoas mais esclarecidas estão tendo cada vez menos filhos, aqui e no mundo inteiro. Ao mesmo tempo, uma grande campanha ensinando como evitar filhos, e dando aos pais a ajuda necessária para que os procedimentos sejam seguidos. Levaria tempo? Levaria.
Mas poderia começar, e logo.
O Ministério da Saúde não distribui camisinhas de graça no Carnaval? E por que não faz o mesmo nas favelas e nas regiões mais pobres do Brasil, não esquecendo de explicar que a Igreja Católica, que parou no tempo e prefere ver pessoas mortas por Aids a liberar a camisinha, não tem rigorosamente nada a ver com o assunto?
Dois filhos por mãe ou esmola zero. Crianças crescendo sem se alimentar convenientemente, ignorantes, e que quando adultas terão dificuldade para arranjar emprego, não é bom para ninguém, e o problema não é do Brasil, mas do planeta.
E voltando à China: se tivesse uma população três ou quatro vezes maior, o país não seria a potência que é.

MÍRIAM LEITÃO

Como voam os rios

O GLOBO - 19/07/09

O avião em que voa o suíço Gerard Moss parece laboratório. E é. Ao lado do piloto fica uma engrenagem que lembra uma coleção de grandes tubos de ensaio. Sua missão, a cada decolagem, é capturar a umidade externa, que depois vai ser condensada nos tubos e guardada em miúdas gotas que serão estudadas. Elas trazem informação preciosa: onde nascem as chuvas

Elas nascem na terra, no céu, nos rios, nos oceanos, e debaixo da terra. Árvores da Amazônia jogam um papel fundamental nesse complicado processo. Uma grande árvore consegue evaporar até 300 litros num dia. A floresta é inigualável na capacidade de concentrar umidade no ar. Os ventos empurram essas massas de vapor de água. Elas são imensas, comparáveis aos rios. Por isso, os cientistas as chamam de “rios voadores”.

Enquanto ouvia a explicação de cientistas e de Gerard Moss na reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), semana passada, em Manaus, não pensava em nada mais. Fascinada, acompanhava as explicações que transformava em notas rápidas para o meu b l o g ( w w w. m i r i a m l e i tao.com). Nas salas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a internet wireless funcionava, permitindo o fluxo de informação.

Já havia lido sobre os rios voadores, mas nada como ouvir de perto sobre os estudos que tentam desvendar mais um dos mistérios da Amazônia. Quanto da nossa chuva, devemos à floresta? Já se sabe que é grande parte.

— Um dos dados captados pela pesquisa é que a vazão de um dos rios voadores que estudamos, indo da Amazônia para a área mais degradada de São Paulo, foi de 3.200 metros cúbicos por segundo. Esse volume de água é 27 vezes a do Rio Tietê, é maior do que a do São Francisco. Não é perene.

Nem tudo será chuva.

Por isso, se diz que é vapor de água precipitável. Mas é água passando lá em cima — diz Moss.

Ele chegou no painel sobre rios voadores, na SBPC, avisando aos alunos e professores presentes que não é cientista e até já foi acusado de vulgarizar a ciência, mas que passar informação para a população é fascinante. Ajuda a proteger a Amazônia, ainda mais.

— Para mim, desmatamento não é uma estatística.

Eu voo no Brasil há 20 anos e vi a degradação avançando. Sou sentimental, eu sei, mas se tivéssemos noção do valor da Amazônia, lutaríamos para manter cada árvore em pé.

O Brasil é campeão das chuvas. Aqui, chove três vezes mais do que nos EUA.

Desorganizar esse regime de chuvas é o maior risco agora. O desequilíbrio de um sistema delicado e complexo que cria dependências mútuas — a chuva precisa da floresta, que precisa da chuva, que cai lá e no resto do Brasil — é um dos riscos neste momento de mudança climática. A Amazônia tem que ser estudada: cada árvore, cada fenômeno.

Por isso, sua ocupação pela ciência vai nos dar mais do que a ocupação pelos madeireiros, pelo fogo que prepara os pastos, pelo rebanho que ocupa os pastos, pela soja e outras culturas que podem vir depois.

Ou não. Pior é o aspecto da terra calcinada que fica na maioria dos casos após essa entrada predatória.

No Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) tem um bosque que se chama: Bosque da Ciência.

Nesse bosque, mora uma árvore mais velha que o Brasil. Tem 600 anos. O tronco já tem cavidades, mas ela está viva; quem sabe por ter um tronco assim é que sobreviveu tanto tempo, porque é espécie madeireira.

Os galhos têm poucas folhas, mas é pela época do ano, explicou o cinegrafista da Rede Amazonas. Em outras épocas fica mais frondosa. Mas foi debaixo dessa Tanimbuka que Juliana Rosa, produtora do Espaço Aberto, pôs quatro cadeiras de vime, emprestadas pelo instituto, para que a gente gravasse o programa desta semana, que vai ao ar na quinta. Sentaramse comigo o químico Ângelo da Cunha Pinto, da UFRJ, o biólogo Philip Fearnside, e Gerard Moss.

Fearnside é o segundo cientista mais citado no mundo quando o tema é aquecimento global. Seu sotaque não nega que é estrangeiro, mas sua história assegura que já é brasileiro.

Está no país desde 1974. É pesquisador do Inpa há 31 anos. Tanto ele quanto o suíço Gerard Moss usam o pronome “nós”, quando se referem aos brasileiros.

Fearnside acha que será um erro se optarmos por asfaltar a BR-319. Ele disse, no programa, que ela incentivará a ocupação da floresta mais preservada, não foi feito trabalho decente de proteger a área em volta, há alternativas melhores, e não foi feito estudo de viabilidade econômica. Será mais um dos desastres irracionais que acontecem na Amazônia.

Racional é pesquisá-la porque da sua biodiversidade exuberante quase nada sabemos, confirmou o professor Ângelo. Moss contou um pouco de como são feitos os difíceis e caros voos para se pegar no ar material para estudar os rios voadores. Ele chegou para a entrevista com uma camisa escrito, de um lado, “Brasil das Águas”, de outro, “Petrobras”.

O primeiro nome é de um projeto ao qual se dedicou por cinco anos, de recolher com voos rasantes de hidroavião água dos rios para analisar a qualidade. O segundo nome é da patrocinadora dos estudos.

O que vi e ouvi, na viagem da semana passada, confirma o que vi em outras. O dilema entre agronegócio e Amazônia não existe. Sem a floresta não seríamos o que somos em produção de alimentos.

Como disseram os professores com dados e ênfase: a floresta presta serviços ambientais ao país e ao mundo. É hoje o tempo de a economia ouvir o que a ciência tem a dizer. Amanhã pode ser muito tarde.

Com Alvaro Gribel

VERGONHA

JOÃO UBALDO RIBEIRO

Dos delitos e das penas


O GLOBO - 19/07/09

A verdade às vezes dói, mas tem de ser reconhecida. E a verdade é que minha missão em Itaparica resultou em fracasso quase absoluto. A última gota foi o cachorro de uma casa vizinha, que deve ser de uma raça especializada em latir cuja convivência, com certeza, Satanás já incluiu entre os padecimentos avernais. Meu amigo Xepa sustenta que ele é parente de Tainha, o cachorro torcedor do Bahia que mencionei aqui na semana passada. Por eu ser Vitória, a família estaria me sabotando. Hesitei em acreditar na explicação e perguntei a Xepa se por acaso o cachorro tinha lhe falado alguma coisa.

– Você está querendo curtir com a minha cara – disse Xepa –, pra me pegar dizendo que cachorro fala e me botar de mentiroso no jornal. É claro que ele não fala nada, ele só rosna e dá uma corridinha para o poste, quando alguém toca no seu nome, eu já disse que ele é um cachorro normal.

Bem, sabotagem de torcida organizada ou não, enfiei a viola no saco e voltei aqui para minha toca habitual. Cheguei no começo da semana e creio que já passei pela descompressão. Tenho experiência e sei, por exemplo, que assistir a um noticiário de televisão inteiro, logo de primeira, pode ser muito traumatizante. Fui devagar, no começo emudecendo a tevê durante a narração de mortes de crianças e vítimas de balas perdidas e me concentrando mais na área de entretenimento para adultos, como, por exemplo, a TV Senado.

Mas, já ousando sintonizar outros canais, que vejo aqui, nisso que, a princípio, imagino que seja mais uma reportagem sobre como a final do campeonato mundial de xadrez foi realizada enquanto os contendores estavam num engarrafamento de rotina em São Paulo? Não, não é. É uma matéria sobre os rigores da lei se abatendo sobre um motorista de táxi paulistano porque ele foi flagrado usando touca em serviço. Não é no sentido figurado que porventura a expressão tenha, mas no literal mesmo. Estava fazendo frio e o motorista, que, se bem me lembro, é meio careca, cobriu a cabeça com uma touca de lã. Vai pagar multa severa, por violar as implacáveis exigências de vestuário para motoristas de táxi paulistanos. Assaltar motoristas nos semáforos não dá em nada, mas usar touca dá multa, deve estar certo, não sei o que seria de nós sem os agentes responsáveis pela rigorosa aplicação da lei.

Aparece também uma senhora condenada a entregar seu papagaio de estimação ao Ibama, bem como a cumprir pena de serviços comunitários – em seu caso creio que varrendo as ruas do bairro. Claro, papagaio é animal doméstico até de índios e deve haver milhares, talvez dezenas de milhares, de papagaios de estimação em todo o Brasil, mas, certamente por denúncia de algum invejoso, esse foi pegado e a infratora duramente castigada. Não se pode passar a mão pela cabeça desses foras-da-lei. A proteção dos animais silvestres no Brasil é muito rigorosa, tão rigorosa que, como se sabe, se sai menos mal quem matar um fiscal do Ibama do que quem deixar que este o pilhe violando uma lei ambiental. O crime ambiental é inafiançável e as penas são severas. Matar gente, ao contrário. Foge-se do flagrante, arruma-se um bom advogado, responde-se ao processo em liberdade e pega-se uma cadeiazinha branda, em regime semiaberto ou de acordo com qualquer das liberalidades previstas em lei.

É o que fica patente diante de nova reportagem, desta feita sobre um dos muitos casos de motoristas bêbedos que atropelaram e mataram uma ou mais pessoas. A conclusão é óbvia. O Brasil proporciona a seus cidadãos, de forma certamente pioneira, até mesmo entre os países em desenvolvimento, uma maneira tranquila e eficaz de eliminar desafetos. Quem quiser matar alguém sem sofrer consequências desagradáveis só precisa dispor, como na matéria que vejo aqui na televisão, de um carro e de mil e duzentos reais para pagar a fiança. Vamos convir que sai barato e quem se queixa está chorando de barriga cheia. O carro e os mil e duzentos dão direito até a várias mortes e mutilações simultâneas, no que se costuma chamar de chacina, quando praticado com outras armas. Não é preciso nem passar pelo teste do bafômetro. Aliás, beber antes do homicídio motorizado está na lei como agravante, mas na prática é atenuante. Já vi autoridades policiais dando entrevistas em que diziam como o motorista, depois de passado o pileque, ficara coberto de remorso e arrependimento. Remorso e arrependimento, aliás, que não mais parecem necessários, nem para compor a situação. O homicida simplesmente recita o que seu advogado formulou e daí sai para o merecido descanso, porque matar alguém, mesmo de um jeito legitimado pela sociedade, será talvez um pouco estressante e não vejo ninguém preocupado com o estado de espírito que deve acometer os culpados, os coitados que se virem sozinhos.

E há também notícias sobre ladrões de dinheiro público, quadrilhas, corrupção, não sei mais o quê. Deve ser a idade, mas já não distingo mais as coisas e apenas antevejo que chegará o dia em que nós brasileiros, nas primeiras conversas com novos conhecidos, informaremos não somente o nome e a profissão mas também a quadrilha a que pertencemos. Ninguém se espanta mais com as onipresentes histórias de políticos que nasceram pobres ou remediados e hoje têm grandes fortunas. Meter a mão no dinheiro público se confirma a cada dia como irreversível e incoercível vocação nacional, até porque só é delito quando aparece nos noticiários e os apresentadores são obrigados a fingir que realmente se aplicam sentenças de dezenas de anos de reclusão, com a devolução do dinheiro tungado. Passo um instantinho meio chateado, mas logo me tranquilizo. Depois de uma eficiente operação policial, Romário vai passar a noite na cadeia, já podemos dormir tranquilos.

SUELY CALDAS


Lula e a UNE

O ESTADO DE S. PAULO - 19/07/09

Nos últimos dias o presidente Lula declarou seu apoio incondicional e elogiou o presidente do Senado, José Sarney, chamando-o de "pessoa especial". Na quarta-feira, em Alagoas, abraçou Fernando Collor e agradeceu a ele e ao senador Renan Calheiros o apoio ao seu governo.

Nenhuma manifestação da outrora aguerrida, combativa e irreverente União Nacional dos Estudantes (UNE), que há 17 anos comandou os caras-pintadas pelas ruas do País, protestando contra a corrupção no governo e pedindo o impeachment de Collor. No governo Lula a UNE calou diante do mensalão e de tantos outros atos de corrupção, chegou a defender Calheiros no episódio da pensão paga por uma empreiteira a sua ex-namorada, paralisou diante dos inúmeros escândalos envolvendo Sarney e família e silenciou ante a imagem do efusivo abraço entre Lula e Collor.

Afinal, o que aconteceu com a UNE e os estudantes?

Na quinta-feira a direção da UNE recebeu Lula como principal orador da abertura de seu 51º Congresso Nacional. O presidente lembrou de seus idos de sindicalista radical e disse ter passado o tempo em que "encostar-se no governo significava cooptação". A UNE não encostou, grudou no governo Lula. Tem recebido generosidades e retribuído com aplausos, adesão e apoio político, mesmo quando Lula perdoa corruptos e diz que assina um cheque em branco para o ex-deputado cassado Roberto Jefferson. Não é cooptação? Vamos aos fatos. Em 2004 o governo repassou R$ 199 mil de verbas federais para a UNE e, a partir de 2005, mais R$ 10 milhões - dos quais R$ 7 milhões entre janeiro de 2008 e fevereiro de 2009. Além disso, a Petrobrás, com R$ 100 mil, e a Caixa Econômica Federal, com R$ 30 mil, patrocinaram a Bienal da Cultura da UNE, em Salvador, que ainda levou R$ 2,5 milhões dos cofres públicos.

"Nos anos de Fernando Henrique tínhamos muitas dificuldades de diálogo", explicou a presidente da UNE, Lúcia Stumpf, em entrevista publicada no Estadão em 5 de março, ao comparar a relação da entidade com os dois governos.

Além dos R$ 10 milhões, Lula e as estatais doaram para esse 51º Congresso mais R$ 920 mil, dos quais a Petrobrás - com sua esquisita e sem critérios política de patrocínios - participou com R$ 100 mil. Agradecida, a direção da UNE tratou de retribuir: saiu em defesa da estatal e condenou a investigação, pela CPI, de suspeita de desvios de dinheiro na Petrobrás. Condenar a apuração de fraudes com dinheiro público é algo inédito na história da UNE (como diria Lula, nunca antes neste país) que contribui para afastar cada vez mais os estudantes que deveria representar.

Com a popularidade pessoal em alta, Lula extrapola ao sair por aí vinculando sua imagem ao que há de mais atrasado no País, elogiando as oligarquias que ele tanto combateu e denunciou, abraçando Collor e ignorando o movimento que se espalhou pelo País pedindo seu impeachment, humilhando os senadores do PT ao obrigá-los a defender Sarney e assumirem o papel de coniventes com os escândalos de que o senador é acusado. Para Lula tudo vale para atrair o que há de pior no PMDB e garantir seu projeto de eleger Dilma Rousseff e continuar no poder. Os senadores petistas até pararam de justificar a defesa de Sarney com o argumento da governabilidade. Diante da enxurrada de denúncias indefensáveis o argumento se esvai. Afinal, complacência com o desvio de dinheiro público não pode servir de apoio a nenhuma governabilidade.

Lula arrisca perder popularidade política, mas se acontecer ele recua rapidinho. A UNE é que corre riscos mais graves. Sua imagem, hoje, entre os estudantes é de uma entidade pelega, financiada e dependente do governo Lula, que ignora as carências estudantis e, quando se envolve na luta política do País, escolhe o lado errado, da corrupção, dos oligarcas que exploram o Estado há décadas. No auge da pressão popular para tirar Renan Calheiros da presidência do Senado os universitários do Rio de Janeiro organizaram uma passeata. Não tiveram o apoio e ainda foram reprovados pela UNE, que saiu em defesa de Calheiros.

Sem lideranças respeitadas e reconhecidas, os estudantes tendem a não se interessar e fugir da luta política numa fase da vida em que a contestação é útil para a formação e a inserção do jovem na sociedade no futuro. Mas esse é o jeito Lula de governar. Ele, que tanto combateu o peleguismo no passado, hoje usa o dinheiro público para comprar o apoio de parlamentares (o mensalão, as emendas), de sindicalistas (as centrais sindicais acabam de ser contempladas) e da UNE.

GOSTOSA


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AUGUSTO NUNES

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SEÇÃO » Direto ao Ponto

O país nasceu por engano, balançou no berço da safadeza e agora é controlado pela aliança dos amorais

19 de julho de 2009

O Brasil nasceu por engano. Buscavam o caminho das Índias as caravelas que em abril de 1500 perderam o rumo tão espetacularmente que acabariam caindo nos abismos do outro lado do mundo se não tivessem topado com aquela demasia de praias com areias finas e brancas, banhadas por ondas verdes ou azuis, muita mata, muita flor, muito rio, muito peixe, muito bicho de carne tenra, muita fruta sumarenta e, melhor que tudo, muita índia pelada.

O Brasil balançou no berço da safadeza. Souberam disso tarde demais aqueles viventes cor de cobre, sem roupas no corpo nem pelos nas partes pudendas, os homens prontos para trocar preciosidades por quinquilharias, as mulheres prontas para abrir o sorriso e as pernas para qualquer forasteiro, pois os nativos praticavam sem remorso o que só era pecado do outro lado do grande mar, e não poderiam ser tementes a um Deus que desconheciam.

O Brasil nasceu carnavalesco. Nem um Joãosinho Trinta em transe num terreiro de candomblé pensaria em juntar na avenida, como fez o português Henrique Soares, maior autoridade religiosa presente e celebrante da primeira missa naquelas imensidões misteriosas, um padre de batina erguendo o cálice sagrado, navegantes fantasiados de soldados medievais, marinheiros com roupa de domingo, índios com a genitália desnuda que séculos depois seria banida da Sapucaí por bicheiros respeitadores dos bons costumes e a cruz dos cristãos no convívio amistoso com arcos, flechas e bordunas.

O Brasil balançou no berço da maluquice. Marujos ainda mareados pela travessia do Atlântico, ainda atarantados com a visão do paraíso, decidiram que aquilo era uma ilha e deveria chamar-se Ilha de Vera Cruz, e assim a chamaram até perceberem, incontáveis milhas além, que era muito litoral para uma ilha só, e pareceu-lhes sensato rebatizar o colosso ausente de todos os mapas com o nome de Terra de Santa Cruz, porque disso ninguém duvidava: era firme a terra que pisavam.

O Brasil nasceu preguiçoso. Passou a infância e a adolescência na praia, e esperou 200 anos até criar ânimo e coragem para escalar o paredão que separava o mar do Planalto, e esperou mais um século até se aventurar pelos sertões estendidos por trás da floresta virgem, num esforço de tal forma extenuante que ficou estabelecido que, dali por diante, os nativos da terra, os estrangeiros e seus descendentes sempre deixariam para amanhã o que poderiam ter feito ontem.

Tinha de dar no que deu. Coerentemente incoerente, o Brasil parido pelo equívoco hostilizou os civilizadores holandeses para manter-se sob o jugo do império português, o Brasil amalucado teve como primeira e única rainha uma doida de hospício, o Brasil da safadeza acolheu o filho da rainha que roubou a matriz na vinda e a colônia na volta, o Brasil preguiçoso foi o último a abolir a escravidão, o Brasil sem pressa foi o último a virar República, o Brasil carnavalesco transformou a própria História num tremendo samba do crioulo doido.

O cortejo dos presidentes, ministros, senadores, deputados federais, governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores aberto em 1889 informa que a troca de regime não mudou a essência da coisa: o Brasil republicano é o Brasil monárquico de terno e gravata, só que mais cafajeste. Muito mais cafajeste, informa a paisagem deste começo de século. Depois de 500 anos, os herdeiros dos traços mais detestáveis do DNA nacional promoveram o grande acerto dos amorais, instalaram-se no coração do poder e vão tornando decididamente intragável a geleia geral brasileira.

Nascido e criado sob o signo da insensatez, o país que teve um imperador com 5 anos de idade que parecia adulto é governado por um presidente que parece moleque. Com um menino sem pai nem mãe no trono, o Brasil não sentiu medo. Com um sessentão no comando, o Brasil que pensa se sente sem pai nem mãe.