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sábado, maio 23, 2009
RUY CASTRO
RIO DE JANEIRO - Zé Rodrix, que morreu ontem em São Paulo, era ótimo sujeito, amigo carinhoso, músico completo. Compôs "Casa no Campo", hino dos que sonhavam "cair fora" nos anos 70, fugir do "sistema", abandonar as cidades. Mas era coisa de artista, não fazia parte de sua história íntima -carioca radicado em São Paulo, Zé me parecia um homem urbano por excelência.
Foi o maior contador de anedotas que conheci: piadas curtas, cortantes, às centenas, "de salão" ou não, que despejava em velocidade, fazendo as vozes mais hilariantes e sempre sabendo a hora de parar. Mas ninguém queria que ele parasse. Vimo-nos pela última vez em novembro, em Porto Alegre, na Feira do Livro, onde fora lançar sua "Trilogia do Templo" -três romances sobre a Maçonaria, em que, ali, sim, saltou sobre o abismo, pondo o coração em cada linha e chegando com os dois pés ao outro lado.
Outro Zé muito querido, o jornalista José Onofre, morreu nesta terça-feira, na sua Porto Alegre natal. Como editor de segundo caderno em São Paulo, ele não queria saber se um artigo estava grande demais ou se não havia um "gancho" que o justificasse. Se estivesse informativo, atraente e bem escrito, bastava -o leitor iria com esse artigo até o fim do café da manhã. O próprio Zé, ao escrever, era um craque em imagens e símiles. Certa vez, ao descrever um uísque, disse que ele "sabia a velhas escrivaninhas".
José Onofre foi decisivo em minha vida profissional num período de difícil transição, em fins dos anos 80. Para ele escrevi centenas de artigos, sempre com o maior prazer. Muito magro, os indefectíveis paletó e gravata pareciam deixá-lo incorpóreo; uma única vez, no Rio, ele me apareceu ousadamente esportivo: de paletó -sem gravata.
Zé Rodrix tinha 61 anos; José Onofre, 66.
MÍRIAM LEITÃO
Expresso desorientado
O GLOBO - 23/05/09
O presidente Lula é um falador intempestivo e descontrolado. Não demonstra ter noção do peso das palavras proferidas por quem, provisoriamente, ocupa o cargo de presidente, não tem apreço pelo comedimento, se entrega a surtos de egolatria. Na Turquia, chamou de trambiqueiras empresas que o BNDES salvou. Acusou de medíocres os ex-governantes e não poupou nem Pedro II.
A viagem do presidente foi um expresso desorientado. Dedicou quase o mesmo tempo a parceiros de pesos diferentes em nossa relação comercial e econômica: com a Turquia, o Brasil teve um comércio de US$ 70 milhões em abril, com a Arábia Saudita, de US$ 270 milhões, enquanto que com a China, de US$ 3,2 bilhões. O volume tornou os chineses nossos maiores parceiros comerciais no mês, superando os americanos.
Publicamos aqui, no dia 25 de abril, que a viagem à China tinha sido encurtada de cinco para dois dias no momento errado, quando o país é cortejado pelo mundo inteiro e as relações com o Brasil estavam se adensando.
Mais um erro do Itamaraty, que não foram poucos, nessa viagem. Pelo relato de Deborah Berlinck, a primeira dama teve que improvisar um véu na Arábia Saudita. Não é dela a culpa, evidentemente. Para isso, existem os especialistas em protocolo. Os sauditas são muito mais radicais na repressão aos direitos da mulher que outros países islâmicos. Por ser a sede das duas cidades sagradas, Meca e Medina, na direção das quais os muçulmanos rezam diariamente e para as quais peregrinam, a Arábia Saudita sempre tentou ser a líder religiosa do mundo árabe. Quando se anda por Riad, é possível ver mulheres de rosto descoberto. Mas não são as sauditas, são as sírias, libanesas, palestinas com hábitos mais flexíveis. Mulheres sauditas não saem às ruas sozinhas, não dirigem carros, são confinadas em casa até serem entregues aos seus maridos, mediante pagamento de dote, são consideradas culpadas e condenadas a prisão e chibatadas caso sejam estupradas. Até recentemente, eram decapitadas caso se recusassem ao casamento arranjado pelo pai. Um horror sobre o qual se fala pouco, dada a dimensão das reservas de petróleo e dos laços estratégicos que a Arábia Saudita tem com os Estados Unidos.
O país é governado pela mesma família, Saud, do Rei Abdul Aziz, desde os anos 30 do século passado. Um dos estratagemas do rei para superar as rivalidades e unir as tribos foi casar-se com uma mulher de cada tribo e, com elas, ter 36 filhos homens que se sucederam no trono. Um pequeno briefing por parte do Itamaraty, obrigação nas viagens, ajudaria o presidente a não perguntar por que algumas mulheres cobrem o rosto e outras não. Também ajudaria Dona Marisa a não ter que improvisar um véu para ir ao palácio presidencial, onde, naturalmente, não se encontrou com homens, mas esteve em sala separada com as mulheres. O risco de não dar informações necessárias à comitiva é o de cometer gafes que podem arruinar uma viagem.
Na China, o resultado tão comemorado era, em parte, notícia velha, como a confirmação do já anunciado empréstimo de US$ 10 bilhões para a Petrobras. Assunto já líquido e certo há meses. Ao discursar por lá, de novo o presidente Lula mostrou possuir informações vencidas na área climática. Voltou a sustentar a tese de que quem deve ter metas de emissão de gases de efeito estufa são os países que mais emitiram no passado. Era uma forma de agradar ao país anfitrião, hoje o maior emissor. Lula errou na mensagem.
A China já está avançando rapidamente na tentativa de conversão da sua economia para redução das emissões de carbono, porque o crescimento sem preocupação ambiental, dos anos anteriores, provoca frequentes e penosos desastres ambientais. Disputar o direito de poluir podia até fazer sentido quando não se sabia todo o risco que o planeta corria. A teimosia do Itamaraty nessa posição pró-carbono só confirma que queremos chefiar o atraso, quando poderíamos, com todo o nosso patrimônio ambiental, ser parte da liderança das inovações inevitáveis.
Mas foi na Turquia que se ouviu o surto de impropriedades do presidente Lula. Para ele, todas as empresas que perderam com a alta do dólar são trambiqueiras e estavam especulando. Faltou explicar por que o BNDES as socorreu tão prontamente, virando sócio e emprestando dinheiro subsidiado para o resgate da Aracruz e da Votorantim Celulose e Papel; por que o Banco do Brasil emprestou para a Sadia logo no primeiro rombo; por que o Banco Central liberou reservas para que os bancos emprestassem para as empresas com dívidas no exterior. Trambique é golpe sujo. As empresas erraram, reconheceram o erro, anunciaram seus prejuízos e estão se reorganizando. Ou são trambiqueiras ou são empresas nas quais o governo pode pôr o dinheiro do contribuinte. O presidente precisa sanar essa contradição.
Na falação turca, Lula mandou os jornalistas viajarem mais. Os que cobrem a Presidência não fazem outra coisa nos últimos anos. O presidente está convencido de que é o único governante que tem grandeza. Até Pedro II, hoje com suas virtudes reconhecidas pelos republicanos, foi tratado com desprezo e atingido pelas farpas de Lula, o Grande. Seus impulsos, cada vez mais incontidos, mostram que qualquer minuto de seu mandato, além dos oito anos previstos em lei, seria excessivo.
SÁBADO NOS JORNAIS
- Globo: Bônus em 2010 para o PAC é ‘propina oficial’, diz oposição
- Folha: 43% não concluem curso supletivo
- Estadão: Dilma rejeita pressão por cargos na Petrobras
- Jornal do Commercio: Prefeito anuncia mutirão de limpeza
- Jornal do Brasil: Dívidas no cartão começam a cair
sexta-feira, maio 22, 2009
AUGUSTO NUNES
VEJA ON-LINE
A menina presa numa cela com 20 homens virou testemunha e sumiu
Na primavera de 2007, quando o monumento ao absurdo foi erguido, o policial Wallace ainda não trabalhava na delegacia de Abaetetuba. Mas ele sabe da história da menina que ficou presa durante 26 dias numa cela com mais de 20 homens. “Ela deixou a cidade, acho que está protegida pelo governo”, disse por telefone à jornalista Branca Nunes, que recorreu em seguida ao Conselho Tutelar de Belém. A funcionária Tatiane também conhece o caso, mas ignora o paradeiro da garota que tinha 15 anos, media 1m50 e pesava 38 quilos quando o pesadelo aconteceu. Aconselhada por Tatiane a procurar o Conselho Tutelar de Barcarena, a repórter ali ouviu do funcionário Juarez a recomendação para que tentasse o Conselho Tutelar de Abaetetuba. “Ela entrou no programa de proteção a testemunhas”, enfim ofereceu uma pista o funcionário Francisco. Como ensinam os filmes policiais americanos, quem entra num programa do gênero desaparece sem deixar rastros.
Essa é a única semelhança entre os programas de proteção a testemunhas brasileiros e o que o cinema mostra ─ e efetivamente acontece em países sérios. Não é o caso do Brasil. Se o administrado pelo governo federal é uma caricatura bisonha do modelo adotado nos Estados Unidos, os similares estaduais são uma piada cruel. O caso da menina que há um ano e meio frequentou o noticiário com as iniciais L.A.B. é dramaticamente exemplar. A Justiça e a polícia do Pará não conseguiram impedir que ficasse quatro semanas submetida à rotina de estupros e torturas. É improvável que consigam garantir-lhe proteção agora. L. decerto entrou na relação de testemunhas para ficar calada: o único crime que testemunhou foi o que fez dela a vítima. E nenhuma autoridade paraense aprecia a idéia de ouvi-la contando, com a própria voz, como foi a temporada no coração das trevas.
O horror começou em 31 de outubro de 2007, quando foi presa por tentativa de furto numa casa de Abaetetuba, cidade com mais de 130 mil habitantes a quase 100 quilômetros da capital. Durante o interrogatório, declarou a idade à delegada de plantão Flávia Verônica Monteiro Teixeira. Por achar o detalhe irrelevante, a doutora determinou que fosse trancafiada na única cela do lugar, ocupada por homens. Já naquela noite, e pelas 25 seguintes, o bando de machos se serviu da fêmea disponível.
As tímidas tentativas de resistência foram dobradas pelo confisco da comida, por queimaduras com cigarros e cinzeiros e por outras brutalidades. As cinco ou seis relações sexuais diárias só foram suspensas nos três domingos reservados a visitas conjugais. Espantados com o que viam, alguns presos alertaram os carcereiros para a presença na cela de uma menor de idade. Os policiais cortaram rente à cabeça os cabelos longos e lisos e gostaram do resultado: como faltavam curvas acentuadas ao corpo mirrado, L. ficara parecida com um menino.
Depois de 10 dias de cativeiro, a garota foi levada à sala da juíza Clarice de Andrade. Também informada de que a prisioneira tinha 15 anos, a segunda doutora da história resolveu devolvê-la à cela. E ali ficaria muito mais tempo se um dos detidos não saísse da cadeia disposto a relatar o que ocorria ao Conselho Tutelar. Confirmada a veracidade da denúncia, uma funcionária da entidade procurou o promotor Lauro Freitas, que foi à delegacia no dia seguinte. Os policiais haviam pressentido o perigo a tempo. A menina não estava mais na cadeia. “Fugiu”, disse ao promotor um delegado.
Quando Freitas a encontrou, os carcereiros providenciaram documentos falsos para transformar a adolescente numa mulher de 20 anos, e obrigaram os pais da vítima a assinar uma certidão de nascimento fraudada. A farsa foi implodida quando a história ultrapassou as divisas do Pará e pousou nos jornais e revistas da parte menos primitiva do país (leia a reportagem de VEJA). E então vieram as providências de praxe. O Ministério Público do Pará denunciou por lesão corporal, ameaça, estupro e tortura cinco delegados, dois investigadores, três carcereiros e dois presos. A denúncia deu em nada. O Tribunal de Justiça do Pará decidiu que o comportamento da juíza Clarice não merecia qualquer reparo. A governadora Ana Júlia Carepa anunciou o afastamento das autoridades diretamente envolvidas. Todas voltaram ao local do emprego quando a poeira baixou. Depois de admitir que outras cadeias do Pará serviam de cenário para o mesmo espetáculo da promiscuidade, Ana Júlia baixou um decreto proibindo que homens e mulheres dividam a mesma cela. Alguém deveria ter-lhe dito que isso é proibido há muito tempo. E sugerido que garantisse o cumprimento dos códigos em vigor no Estado que governa.
Durante um mês, valeu para uma menina de 15 anos apenas lei da selva. As leis destinadas à proteção de crianças e adolescentes só voltaram a valer depois de consumada a violência inverossímil. O corpo foi violado impunemente. A identidade não seria: o Brasil não pôde conhecer-lhe o nome nem o rosto. Só as iniciais : L.A.B. Ninguém soube como se chamava nem que aparência tinha a menina paraense que agora ninguém sabe onde está.
FIM DE SEMANA EM NATAL
Sexta
Lançamento - O professor e escritor Gabriel Chalita lança o livro Cartas entre Amigos, obra escrita em parceria com o padre Fábio de Melo, às 19h, no auditório do Natal Shopping. Entrada franca.
Artes plásticas - O artista plástico Marcelo Fernandes continua com sua exposição "Cores", no Espaço Cultural Calígula (Largo da Rua Chile, Ribeira). A mostra ficar aberta até o dia 28. Entrada franca.
Cinema - O Projeto Ninho Alimentando a Cultura, da Nestlé, leva cinema itinerante a Currais Novos. Serão seis filmes exibidos em praça pública de sexta a domingo, a partir das 18h. Entrada franca.
Fotografia - 1º Concurso Fotográfico "MPBeco em Foco". Entrega das fotos até dia 3 de junho.
30 anos do NAC - Ainda em comemoração aos 30 anos do Núcleo de Arte e Cultura da UFRN, a programação de hoje contempla, das 8h às 18h, arte, dança, exposições e shows, no Circo Tropa Trupe (ao lado do campo de futebol da Universidade).
NUPE - O Núcleo de Permacultura da UFRN promove sua grande festa hoje, ao lado do Circo Tropa Trupe, a partir das 22h. Além do brechó com produtos produzidos a partir do 'lixo', haverá shows com as bandas Coros, Cordas e Diafragma, Gondwana, DuSolto, Pedro Breu e Coronel Drake. Entrada franca.
Mercado - Toda sexta-feira o Mercado de Petrópolis oferece o melhor do forró-pé-serra com Raimundo Flor e Forró Legal. Das 18h às 22h. Entrada franca.
Buraco da Catita - Toda sexta tem roda de choro e muita animação a partir das 20h. R. Câmara Cascudo, Ribeira - próximo à Praça Augusto Severo. Tel. 8802 1812. Entrada franca.
Ritmos latinos - A banda Camba, sob o comando dos músicos Sergio Groove e Gilberto Cabral, leva seu repertório de salsa, merengue, rumba e outros ritmos latinos para o Bar das Bandeiras (rua Chile, Ribeira), a partir das 22h. Entrada: R$ 8 (grátis drink cubano Mojito). Tel. 8705 4583 / 8878 3530.
Clássicos internacionais - Culinária sofisticada ao som da banda Café no La Cachette (Avenida Engenheiro Roberto Freire, 3218, Ponta Negra). Couvert: R$ 4. Tel. 3219 3068.
Jovem Guarda - O roqueiro Leno (da dupla Leno e Lilian) toca velhos sucessos da Jovem Guarda na AABB (Av. Hermes da Fonseca), a partir das 22h.
Rock - A banda MobyDick levará seu rock nesta sexta-feira ao Dennis Sushi Bar (Av. Jaguarari, ao lado da Faculdade Câmara Cascudo). A partir das 21h. Entrada gratuita. Contato: 3222-8737.
Shopping - A Ilha Chopp (Natal Shopping) promove hoje a apresentação de Radamés e Banda. Amanhã quem toca é Alessandro Saldanha, a partir das 22h.
Medievo - Djs Leo B, Rapha Correia, Di Rocha e Dj Maria Helena animam a noite de hoje da Medievo (Largo do Atheneu, em Petrópolis). Tel. 8711-7777.
Sábado
Memorial - A partir das 8 horas, no Memorial Câmara Cascudo (Cidade Alta) acontece o Seminário "Diálogos sobre Museus, Patrimônio e Turismo" e o coquetel de lançamento da exposição "Roteiro de um Turista Aprendiz". A programação faz parte das comemorações da 7° Semana de Museus. Entrada franca.
MPBeco - Segundo eliminatória da quarta edição do Festival de Música do Beco da Lama (Cidade Alta) com Simona Talma, às 18h, seguida da apresentação das 14 músicas concorrentes, encerrando com Sueldo Soaress. Entrada franca.
Wando - No Kintal II (Av. Dr João Medeiros Filho, Zona Norte), às 21h.
Espaço do Samba - Grupos locais apresentam, com início às 17h, o melhor do samba - de Cartola a Paulinho da Viola, passado por Noel Rosa, Roberto Ribeiro e João Nogueira. Subida da av. Rio Branco, Cidade Alta. Tel. 9133 8582 / 8723 8582.
Dança - A Domínio Companhia de Dança apresenta novas coreografias com o espetáculo Além do que se vê. Começa às 20h, no Teatro Alberto Maranhão. Inteira R$ 20,00 e promocional R$ 10,00. Tel. 3211-6121
Bandas novas - A banda MobyDick dá continuidade ao projeto onde bandas novas poderão mostrar seu valor. Desta vez será a Legers, com influência do rock californiano. Às 22h, no Budda Pub (av. Engenheiro Roberto Freire, 9102, Ponta Negra). R$ 12. Tel. 3219 2328.
ArraiAsa - A Chácara, em Macaíba, será inaugurada com a festa junina do Asa de Águia. R$ 40 (pista / Loja Rabello do Midway) e R$ 80 (camarote / Loja Vivo do Midway). Tel. 3217-4352.
Vaquejada I - Em Extremoz, no Parque Araçá, shows das bandas Forró Real, Grafith e Brasas do Forró, a partir das 21h.
Vaquejada II - Em Angicos, Parque São José, acontece hoje as apresentações de Ferro na Boneca, Cláudio Rios e Forró Pegado. Amanhã é a vez de Garota Safada, Saia Rodada e Pode Balançar, a partir das 21h.
Domingo
Domingo na Fazendinha - Leve as crianças para a Fazenda Recanto da Natureza, na estrada de Macaíba. R$ 10 (criança) e R$ 15 (adulto).
A CPI E OS APETITES SEVERINOS
EDITORIAL
| O Estado de S. Paulo - 22/05/2009 |
Quatro anos atrás este mês, o governo decidiu não entregar ao então presidente da Câmara dos Deputados, o inesquecível Severino Cavalcanti, a estratégica diretoria da Petrobrás que ele reivindicava para um afilhado, como compensação por não ter conseguido emplacar um parlamentar amigo na reforma ministerial que o presidente Lula pretendia fazer - e da qual, por isso mesmo, desistiu. Era, na sintaxe severina, "aquela diretoria que fura poço e acha petróleo", a de Exploração e Produção. Severino, como se recorda, teve de renunciar ao cargo e ao mandato para não ser cassado por uma daquelas maracutaias que fazem a opinião pública perder o respeito pelo Congresso. Mas nem por isso perdeu a solidariedade do presidente. Outro que a conserva intacta é o ainda mais notório senador Renan Calheiros. Em dezembro de 2007, ele abriu mão da presidência da Casa para preservar o mandato, ameaçado pela revelação de que recorrera ao lobista de uma empreiteira para pagar despesas relacionadas com um affair sentimental. Atualmente, ele lidera a bancada peemedebista e contabiliza entre os seus feitos a eleição do correligionário José Sarney para a presidência do Senado. Atualmente, também, os políticos usam uma terminologia mais precisa - e significativa - para se referir à diretoria de Exploração e Produção da Petrobrás. É a "diretoria do pré-sal". E aqui o círculo se fecha. Calheiros é um dos cobiçosos caciques da sua agremiação que espera a volta do presidente do exterior para, como se diz, dar uma de Severino. Ele e a sua gente querem persuadir Lula a nomear para essa diretoria, ocupada pelo petista Guilherme Estrella, o atual diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa. É assim que funcionam as coisas na República do Quem Indica: Costa chegou ao posto na cota do PP, que por sua vez opera em dobradinha com o PMDB no Congresso; se for nomeado para a "diretoria do pré-sal", assumirá uma dívida de gratidão que o partido de Renan decerto saberá cobrar. Mas tamanha é a voracidade peemedebista que essa é apenas a metade da missa: para o lugar de Costa, a sigla indicaria outro apadrinhado, com o que ela passaria a desfrutar de 3 das 6 diretorias da empresa. (A agremiação já controla a da Área Internacional e a subsidiária Transpetro.) A ocasião, é o caso de parafrasear, faz o glutão. E a ocasião da hora, sabem todos, é a CPI da Petrobrás. Quando o PSDB, com o apoio um tanto a contragosto do DEM, conseguiu criá-la na semana passada no Senado, mesmo o imaginário brasileiro recém-chegado de Marte saberia que o alcance da iniciativa dependeria antes de mais de nada dos humores peemedebistas. É como se, ao fazer o que compete às oposições em qualquer democracia, o PSDB criasse uma dificuldade para que o PMDB pudesse vender ao governo uma facilidade. De fato, dos 11 membros titulares da comissão, 8 sairão das bancadas da base governista e, destes, 3 serão correligionários de Calheiros. "Tenho uma bancada de 20 senadores e todos querem participar da CPI", lembra ele singelamente. Para bom entendedor, isso significa o seguinte: de um lado, o critério para a escolha dos representantes da sigla levará em conta o grau de simpatia de Lula pelos pleitos do partido; de outro lado, vai sem dizer, o PMDB terá de ficar ou com a presidência ou com a relatoria da comissão. Enquanto predominava a ideia de blindar a CPI contra alguma ousadia oposicionista, ficando o seu controle compartilhado com o PT, o partido do presidente estava confortável com o arranjo. Talvez tivesse subestimado a salinidade, digamos, da fatura por serviços futuros que o PMDB se prepara para levar desde já ao Planalto. Além disso, diante da ameaça da oposição de paralisar os trabalhos no Senado, obstruindo a votação das medidas provisórias em pauta, Calheiros e outros líderes governistas indicaram que estão dispostos a entregar a presidência do inquérito a um membro do DEM, talvez o discreto Antonio Carlos Magalhães Junior, que assumiu a cadeira do pai, de quem era suplente, quando ele faleceu em 2007. Mas esses são problemas do PT. O problema, para o País, é a forte possibilidade de que a legítima investigação parlamentar sobre as caixas-pretas da Petrobrás seja sacrificada no consórcio entre um governo alarmado e o seu aliado Severino. |
CELSO MING
Não há o que segure
| O Estado de S. Paulo - 22/05/2009 |
A valorização do real é inevitável. O Banco Central (BC) seguirá na sua política de compra de dólares, como continuará negando que a intervenção tenha por objetivo segurar as cotações no câmbio. O Banco Central amontoará ainda mais reservas e não conseguirá reverter a tendência, porque ela é firme. Os dólares chegarão ao País, como já vem acontecendo, de muitas formas: Investimentos Estrangeiros Diretos (IED); aplicações no mercado de ações; inversões no mercado de renda fixa; financiamentos a empresas brasileiras. Ou, em vez de entrar, não irão embora como ocorreu nas crises do passado. Chegará o dia (e o volume) em que não valerá a pena seguir estocando reservas, especialmente na paisagem de incerteza sobre o futuro do dólar. E bem antes será preciso saber lidar com a abundância de moeda estrangeira. Há as propostas simplesmente reativas e as que sugerem forte mudança na política econômica adotada. Entre as reativas estão as de sempre: controlar a entrada de capitais; limitar aplicações de estrangeiros em Bolsa; derrubar fortemente os juros. Barrar a entrada de capitais em pleno processo de globalização não parece fazer sentido. O governo precisa de recursos para o PAC; a Petrobrás necessita de centenas de bilhões de dólares para o pré-sal; as empresas brasileiras terão de abastecer-se de crédito externo. Aplicações de estrangeiros em ações de empresas brasileiras podem ser feitas na Bolsa de Nova York e cerceá-las por aqui não tem cabimento num momento em que as empresas brasileiras se preparam para fazer lançamentos públicos de ações para se capitalizar. A ideia de flexibilizar, digamos assim, as regras do sistema de metas de inflação e derrubar impiedosamente os juros faria parte de uma proposta de nova política econômica, que lembra o atual modelo argentino. Trata-se de uma espécie de movimento de desvalorização forçada do real. Consiste em levar o BC a comprar dólares com reais e, em vez de retirá-los por meio de emissão de títulos, deixá-los no mercado. Os juros cairiam em consequência da abundância de recursos na economia. Quem defende essa posição - e entre estes parece estar o governador paulista, José Serra - dá um salto no escuro quando chega a esse ponto. Reais em excesso que proviessem do pagamento pela compra de dólares produziriam inflação. O que fazer com ela? Defensores da posição de um câmbio desvalorizado, como o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira, não aceitam a conclusão. Dizem que não haverá inflação e, se houver, será preferível à forte valorização do real. Na Argentina, onde esse modelo está em vigor, as estatísticas são descaradamente manipuladas para esconder a inflação. É uma situação que parece insustentável. Investimentos estão sumindo, há desabastecimento, a população compra dólares, a economia está malparada e o produtor argentino vai perdendo competitividade do mesmo jeito. Se não é por aí, também não está claro por onde será. Não há resposta pronta para a tendência de forte valorização do real. Um ajuste terá de vir. Se a carga tributária paga pelo produtor caísse na mesma proporção em que cai o dólar, a capacidade de resistência do produtor seria muito melhor. Mas o governo só pensa naquilo... Confira Mal das pernas - Ontem, a Standard & Poor?s, uma das mais importantes agências de classificação de risco, avisou que os títulos de dívida da Inglaterra podem ser rebaixados. Isso significa que o rombo fiscal da Inglaterra ameaça sua capacidade de pagar dívidas. O problema é que a maioria dos países ricos está na mesma situação: Estados Unidos, Japão, Espanha, Itália... Boa parte da baixa do dólar no câmbio internacional aconteceu porque crescem as dúvidas sobre a capacidade de a economia americana honrar seus compromissos. Essas dúvidas tendem a aumentar mais. |
MÓNICA BÉRGAMO
PERTO DO FIM
| Folha de S. Paulo - 22/05/2009 |
A Justiça deve decidir nos próximos dias o destino do garoto de oito anos cuja guarda é disputada pelo pai americano, David Goldman, e pelo padrasto brasileiro, João Paulo Lins e Silva. A família brasileira colecionou, nas últimas semanas, uma série de derrotas. O juiz da 16ª Vara Federal do RJ não acolheu pedido de impugnação contra o laudo da perícia que, entre outras coisas, afirmou que o garoto se adaptaria facilmente nos EUA, não considerou necessário ouvir o menino uma vez mais e negou pedido de investigação sobre a situação financeira do americano. MESMA COISA JAIR DYLAN |
LUIZ GARCIA
Famílias nas calçadas
| O Globo - 22/05/2009 |
O mais bem-sucedido programa social do governo federal, o Bolsa Família, atende hoje 20.400 moradores de rua no país inteiro. Provavelmente, não é grande fatia do total. Na verdade, não se tem a menor ideia de quantos brasileiros vivem nas calçadas. |
BRASÍLIA - DF
O discurso da oposição
| Denise Rothemburg | ||||||||||
| Correio Braziliense - 22/05/2009 | ||||||||||
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FERNANDO GABEIRA
Trágicos vales do mundo
| Folha de S. Paulo - 22/05/2009 |
Meu objetivo é estar no Nordeste. Perdi uma viagem neste fim de semana, porque a agenda era difícil. Não vou desistir. Vamos discutir em breve a situação do vale do Mearim, no Maranhão. Quero alcançá-lo na semana que vem. Outros vales do mundo são atingidos por tragédias. O do Swat, onde lutam exército paquistanês e talebans, produziu mais de um milhão de refugiados. A ONU já alertou para algo pior que Ruanda. |
ARI CUNHA
A depreciação do dólar
| Correio Braziliense - 22/05/2009 | ||
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MERVAL PEREIRA
Em busca do Plano B
| O Globo - 22/05/2009 |
Como, em política, ninguém prega prego sem estopa, a série de movimentos aparentemente desconexos dos últimos dias mostra que a doença da ministra Dilma Rousseff está colocando a classe política em polvorosa, em busca de uma porta de saída para o impasse da sucessão presidencial. A solução mais óbvia, nem por isso mais fácil, é a possibilidade de Lula vir a disputar um terceiro mandato consecutivo. |
PANORAMA POLÍTICO
Minas Gerais
| Ilimar Franco |
| O Globo - 22/05/2009 |
O ministro Hélio Costa (Comunicações) apresentou proposta ao presidente Lula para garantir a aliança entre PMDB e PT em Minas. Ele quer que seja realizada uma pesquisa. A cédula teria um nome de cada partido, e quem se sair melhor seria o candidato. O líder na Câmara, Henrique Alves (RN), alerta: "O PT não pode querer ter a Presidência e disputar nos estados com o PMDB". Na telinha |





