sexta-feira, abril 01, 2011

MÍRIAM LEITÃO

Crédito ilegal, e daí? 
MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 01/04/11

Os bancos públicos sempre financiaram o desmatamento da Amazônia. Mas, desta vez, o Ministério Público está acusando o Banco do Brasil e o Banco da Amazônia de descumprirem resolução do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central. É isso que tornou a Ação Civil Pública do MP do Pará mais grave. Em 2008, o CMN e o BC proibiram crédito a quem não cumprisse a lei ambiental e fundiária.
Agora, quase três anos depois de a resolução estar em vigor, o Ministério Público mostrou que o Banco da Amazônia (Basa) concedeu R$18 milhões e o Banco do Brasil, R$8 milhões, a empresas sem o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural, o documento que prova que a propriedade é legal e não grilada. Os beneficiados não têm também licença ambiental e alguns deles foram autuados pelo Ibama, e há até casos de flagrante de trabalho em condições degradantes.
O valor pode parecer pouco perto dos bilhões de créditos concedidos a produtores rurais, mas os procuradores fizeram o levantamento só de uma amostra e apenas no Pará. E encontraram 37 empréstimos concedidos a quem tinha uma ou todas as irregularidades pelo Basa, e 55 desses empréstimos no Banco do Brasil. Procurei os dois bancos. O Basa respondeu que não iria responder por não ter a ação em mãos.
É esquisito um país em que uma resolução do Banco Central manda cumprir a lei. Mas isso é o Brasil. A resolução 3545 do CMN/Bacen é para sanar a contradição do governo: de um lado, diz estar combatendo o desmatamento; de outro, bancos públicos financiam quem está irregular do ponto de vista fundiário, ambiental e trabalhista. Os bancos devem ter achado que a resolução era só para inglês ver, mas os procuradores foram ver também. E entraram ontem com uma Ação Civil Pública contra os bancos pedindo que eles façam uma auditoria nos seus próprios empréstimos, que quantifiquem o dano causado por estes créditos e que paguem uma indenização à coletividade. O dinheiro iria para um fundo gerido pelo Ministério da Justiça, para ações de recuperação ambiental.
No Brasil, há leis que pegam e outras que não pegam. Pelo visto, o mesmo acontece com resolução de autoridade monetária. Segundo os termos da Ação, os bancos abusam dos termos "responsabilidade socioambiental" e "sustentabilidade" e concedem empréstimos irregulares. Os procuradores acharam as informações indo aos cartórios dos municípios que estão entre os conhecidos campeões de desmatamento e verificaram os registros de cédula de crédito rural. O pior é que são créditos subsidiados com fundos públicos. Tudo parece espantosamente velho, porque sempre foi assim: dinheiro público subsidiado é concedido a desmatadores e grileiros.
E, no entanto, a terra se move. Há avanços importantes na Amazônia. No próprio Pará, o Ministério Público tem conseguido convencer produtores rurais e pecuaristas a se regularizar. Há prefeitos mobilizados no trabalho de convencimento. Por isso, ao mesmo tempo em que ajuizavam a ação, os procuradores mandaram um documento para entidades empresariais do Pará e aos prefeitos que estão no movimento Município Verde explicando o sentido da ação. Segundo o MP, "a concessão irregular do crédito aumenta o custo do próprio financiamento e acaba inviabilizando o acesso de todos os produtores que estão em processo de regularização."
Às vezes, é o próprio setor público que impede que o produtor se regularize, porque há casos de empresas que pedem o Cadastro no Incra e não conseguem por burocracia. É por isso que a ação é também contra o Incra, por ineficiência no controle e cadastramento dos proprietários.
Há algum tempo, ONGs, empresas, Ministério Público têm tentado empurrar os produtores rurais da Amazônia para a legalidade. Foi assim com o pacto da soja. Começa a ser assim com o movimento da carne legal. Diante de um relatório de um grupo de ONGs, mostrando que os frigoríficos compravam de desmatadores, grandes redes de supermercados exigiram dos frigoríficos a comprovação de que só compravam de fornecedores em dia com a legislação fundiária e ambiental. Os frigoríficos grandes, como JBS, Marfrig e outros, se comprometeram a cumprir a ordem em seis meses. Depois, pediram mais seis meses.
Neste meio tempo, houve dois movimentos. Alguns pecuaristas correram para regularizar suas terras, cumprir leis ambientais como a da reserva legal; em outros casos, houve retrocesso, conta Paulo Adário, do Greenpeace:
- No Pará, houve aumento forte de legalização. No começo, havia apenas uma dezena de casos de empresas cadastradas. Hoje, já há 40 mil fazendeiros cadastrados, de um total de 150 mil. Mas o processo do Pará é mais simplificado. O processo "Mato Grosso Legal" é mais sofisticado e exigente. Lá, começou também a haver um movimento de legalização, mas, quando começou a discussão de mudança do Código Florestal, parou tudo. Os pecuaristas ficaram na esperança de flexibilização de exigências como o da reserva legal.
Ou seja, acharam que vão se legalizar mudando a lei e não o comportamento; mudando o Código e não replantando o que foi tirado ilegalmente. Já os que começaram o trabalho de se regularizar não têm nada a ganhar, porque os bancos públicos concedem financiamento a quem respeita ou não a lei, ignorando o que determinou o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central.
A luta contra a terra sem lei, que existe em grande parte da Amazônia, é cheia dessas contradições que a ação do MP do Pará flagrou: o Estado ameaça com uma das mãos, e com a outra afaga. Morde com uma resolução dura e assopra com uma atitude leniente dos bancos públicos. É assim que o país inteiro vai virando o paraíso do "ilegal, e daí?", como alerta este jornal.

DIA DE LULA, DILMA E DO RESTO DOS PETISTAS

1º DE ABRIL
DIA DOS VAGABUNDOS DO PT

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Rede dos EUA investe mais de R$ 1 bi em ensino no Brasil
MARIA CRISTINA FRIAS

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/04/11

Uma das maiores redes de ensino privado do mundo, a rede americana Laureate planeja investir entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões no Brasil, nos próximos cinco anos.
"O Brasil é a prioridade número um em investimento para a companhia", disse o presidente mundial Douglas Becker, em sua primeira entrevista no país.
Companhia de capital fechado que reverte todo o seu lucro para as universidades, a Laureate já investiu R$ 1 bilhão no Brasil nos últimos cinco anos, ao adquirir dez universidades em oito cidades. Segundo Becker, a ideia é expandir para outros municípios e também crescer organicamente, ampliando as operações já existentes.
"Quando esses investimentos acontecerem, o Brasil deve se tornar a nossa maior operação no mundo", disse. O grupo está em 27 países e a operação brasileira é a quarta maior em número de estudantes: 130 mil.
"Eu sou fã do MEC. Vocês possuem um regulador proativo e inovador", disse Becker. "Corro o mundo falando das vantagens do ProUni, do sistema de testes, o Enade."
Segundo Becker, o investimento no Brasil poderá ser maior. "Não há limite para nosso investimento no Brasil, desde que surjam oportunidades de qualidade."
A Laureate quer trazer para o Brasil seu sistema de educação via internet. "No Brasil, ensino à distância está associado à baixa qualidade. Para nós, são os cursos de mais qualidade e os mais caros, com mestrados e doutorados. Um dos nossos desafios é introduzir o conceito de qualidade nesse setor."

TEOR ALCOÓLICO
O Brasil aumentou em 12% suas importações de uísque escocês no ano passado, na comparação com 2009.
O valor total das compras foi de R$ 175,5 milhões, o que deixou o país como o 11º maior destino do produto, segundo dados da Associação Escocesa de Uísque.
O principal comprador da bebida são os Estados Unidos, cujo comércio totalizou R$ 1,3 bilhão em 2010.
Entre os dez maiores compradores, a África do Sul foi a que registrou maior crescimento percentual, de 56%.
Apesar da alta no Brasil, o consumo do uísque caiu 9% nas Américas do Sul e Central em 2010, de acordo com a entidade.
Na soma de todos os países, as vendas do produto escocês cresceram 10% e atingiram R$ 9 bilhões durante o ano passado.

Decola... A Webjet foi a companhia aérea que apresentou melhor índice de regularidade em fevereiro e março, com mais de 99% dos voos confirmados, segundo dados da Infraero.

...sem atraso No ano, porém, a empresa segue como a segunda com mais atrasos e cancelamentos devido a problemas enfrentados em janeiro, segundo a companhia. Naquele mês, 31,2% dos voos não decolaram pontualmente.

Juros, impostos e política tributária
O livro, feito em homenagem ao economista Dionisio Carneiro, reúne textos de mais de 30 autores sobre a política econômica do país.

NOVOS DILEMAS DA POLÍTICA ECONÔMICA
de Edmar L. Bacha e Monica B. de Bolle (org.)
EDITORA LTC
QUANTO R$ 78 (356 págs.)

CONTABILIDADE REGIONALIZADA
Os contadores dos países da América Latina pretendem consolidar a criação de uma entidade única no dia 23 de maio, durante reunião em Buenos Aires.
O objetivo da associação será representar os profissionais da região junto ao Iasb (International Accounting Standards Board), que formula as normas internacionais do setor.
"As regras passam por um processo de adaptação à nossa realidade e queremos sincronizar as reivindicações dos contadores da região", diz o presidente do Conselho Federal de Contabilidade, Juarez Carneiro.
Nesta semana, em reunião em Brasília, representantes de países como Brasil, Argentina, Chile, México, Uruguai, entre outros, já assinaram um protocolo de intenções para a criação do grupo.

DIGESTÃO COSMÉTICA
A empresária Cristiana Arcangeli, que vendeu a Éh Cosméticos para a Hypermarcas, expande a distribuição de sua nova linha de "aliméticos" -de beleza pela nutrição.
A Beauty'in, que já lançou água com vitamina e bala de colágeno, começou em SP e vai agora para cinco outras capitais e planeja exportação.
Arcangeli, que na venda da Éh assinou contrato para não competir com cosméticos até abril, deve voltar a lançar "alguma coisa com xampus" no final do ano ou em 2012.

EM MOVIMENTO
O mercado de contratação registrou nos últimos meses uma maior movimentação de profissionais de média gerência e em início de carreira, decorrente da alta nos investimentos das empresas em projetos de expansão, segundo estudo da Robert Half.
"O mercado está expandindo. Do outro lado, não tem gente suficiente", diz Ricardo Bevilacqua, diretor da empresa de recrutamento.
Para 60% dos executivos a contratação de profissionais qualificados será um problema em 2011, aponta o estudo.
O vínculo entre funcionário e empresa caiu e o interesse em fazer carreira na mesma instituição está menor.
Mais de 45% pretendem mudar de emprego em 2011.

Freio O Índice de Produção Industrial do HSBC atingiu 53,2 em março -número abaixo dos 54,6 de fevereiro. A queda representa um crescimento mais moderado nas encomendas e produção e leve acúmulo de produtos finais.

Parceria Negócios entre a Costa Rica e o Brasil no setor de biocombustíveis foram tratados ontem entre o vice-presidente da Fiesp, João Ometto, e os ministros René Salazar (Relações Exteriores) e Laura Maykall (Política Econômica).

Canadá O número de profissionais brasileiros que imigram para a província de Québec aumentou em 35% nos últimos dois anos, segundo o escritório de imigração do Québec em São Paulo.

Vizinhança O principal anseio do empresário brasileiro com relação à América Latina é que os governos elaborem uma estratégia única para atrair investidores (58%), segundo a Grant Thornton. Para 56% seria ideal receber incentivos fiscais.
com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION, MARIANA BARBOSA e VERENA FORNETTI

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Guerra santa
FERNANDO DE BARROS E SILVA

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/04/11

SÃO PAULO - "Sobre o PSD, o meu pai sempre me recomendava: filho, lembre-se de santo Antônio de Pádua. Se não puder falar bem, não diga nada". Foi assim que Geraldo Alckmin se referiu ao novo partido do prefeito Gilberto Kassab.
Com ironia cortante mas contida, associada ainda mais ao exemplo religioso, o governador marcou posição e fez um gol. Sua tirada "católica", com o perdão do santo, vale por dez insultos de arquibancada.
Kassab, por sua vez, parece empenhado em fazer um concurso contra si mesmo: qual sua frase mais desastrada sobre o PSD? "Não será um partido nem de direita nem de esquerda nem de centro" -essa é só a mais recente da coleção.
A reação do tucano à legenda anfíbia, que se oferece para todos os lados, atrás da melhor oportunidade, escancara de vez a cisão no atual bloco de poder em São Paulo.
Vice de Alckmin, o agora "social democrático" Guilherme Afif começou a ser fritado na Secretaria de Desenvolvimento. Fritura em fogo brando, à moda do chuchu.
Quem não está gostando desse enredo é José Serra, apontado como a única pessoa capaz de salvar a aliança Alckmin-Kassab em 2011. O tucano não admite disputar a prefeitura nem para a própria sombra. A menção ao assunto já o irrita.
Até por isso, Janio de Freitas foi certeiro ontem ao dizer ser difícil discernir se Alckmin falou "a favor ou contra Serra" ao defender, de forma explícita, que ele é o melhor ou único candidato em São Paulo.
Nessas condições políticas -e diante da performance de Kassab à frente da cidade-, não é à toa que o PT vislumbre desta vez uma janela de oportunidade maior para retomar o comando da capital paulista.
O partido hoje tende a achar que Serra, por imposição da realidade, será o adversário. Mas, como não se sabe, por ora não interessa ao PT atritar muito com Kassab. O prefeito é um potencial aliado, por cima, ou, mais provável, por baixo do pano. Como ensina Alckmin: se não puder falar bem, não diga nada.

GOSTOSA

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Luzão educacional
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 01/04/11

Heliópolis será premiada. Ganha sua primeira universidade, uma aliança entre a comunidade local, empresas e uma estrutura pedagógica preestabelecida pelo Grupo Anima de Educação. Custo? Nada menos que R$ 10 milhões, com direito a projeto de Ruy Ohtake.

Coordenado pelo Mattos Muriel Kestener Advogados, e liderado por Carlos F. Bühler, terá início no segundo semestre.

Tudo certo, a ideia é de o modelo ser replicado.

Nau nos afogados
A Sabesp entrou com ação judicial contra a White Martins que deve dar o que falar. Ante a decisão do Cade, ano passado, de que fornecedores de gás formaram, sim, um cartel, a estatal paulista quer indenização. Pelo que? Pelo que pagou a mais na vigência do cartel.

Se vitoriosa e a moda pegar...

Enxugando
A limpeza da calha do rio Pinheiros vai custar menos que o previsto. Estimado em R$ 102 milhões, o serviço sairá por R$ 71,8 milhões.

A redução é fruto de pregão eletrônico feito, segunda, pela EMAE, empresa ligada à pasta do secretário José Aníbal.

Drag queen
Depois de disputa acirrada, foi a recém-chegada GEO a vencer a concorrência para trazer ao País Priscilla - A Rainha do Deserto, sucesso da Broadway.

Terá como parceira a americana Base Entertainment.

Procurando tu
Busca-se ator ou cantor, entre 25 e 35 anos, moreno.

Não, não é para namoro. É para ser Luiz Gonzaga no novo projeto de Breno Silveira: um filme sobre o músico.

É meu
O restaurante Josephine conseguiu liminar que proíbe o clube Josephine de utilizar o mesmo nome do restaurante.

A casa noturna tem quatro semanas para tomar as devidas providências.

Invasão
A Valec, que está construindo a Ferrovia Oeste-Leste, teria entrada em várias fazendas no Sul da Bahia sem autorização.

Produtores de cacau convocaram reunião com a empresa. Mas até agora, só conseguiram um pedido de desculpas.

Tipo importação
E Philippe Starck está no Brasil. O arquiteto foi contratado para desenhar o projeto do novo empreendimento que será construído no lugar do ex-Hospital Matarazzo. Com ajuda do escritório Edo Rocha.

Way in

Raquel Silveira batizou de Mostra Black o evento que reunirá dez arquitetos e paisagistas, alguns dos quais ausentes há anos de projetos coletivos, num misterioso casarão nos Jardins. Quem fechou com ela? Nomes do porte de Sig Bergamin, Gilberto Elkis, David Bastos e Ana Maria Vieira Santos.

A casa será reformada pela equipe e abre as portas dia 31 de maio.

Quatro patas
Gianni Samaja está que é só alegria. Seu cavalo Good Reason SA foi considerado o melhor do mundo pela Associação Americana de Quarto de Milha.

Pela terceira vez consecutiva!

Hombre...Antonio Banderas pediu ao Copacabana Palace "um quarto simples e aconchegante". Nada de suítes de 300 m2. Ele garantiu ao hotel que o hospeda a partir do dia 21, para o lançamento do seu perfume The Secret, que gosta mesmo é de ser "um turista comum."

É, difícil reconhecê-lo na rua.

Amorim

Longe do Itamaraty, Celso Amorim continua a arrastar atrás de si um séquito de diplomatas por onde anda. Em Washington, onde foi a estrela da Conferência sobre Política Nuclear Internacional, na segunda-feira, o ex-chanceler estava acompanhado por mais de dez diplomatas.

Amorim 2
Enquanto não começa a dar aulas na UFRJ, no segundo semestre, Amorim diz se "entreter" com palestras como esta. A iniciativa, confidenciou, não lhe rende muito.

O Carnegie Endowment for International Peace só lhe pagou a passagem de avião. A hospedagem mesmo, ficou por conta do embaixador Mauro Vieira, seu antigo chefe de gabinete.

Na frente

Gilmar Mendes, Aristides Junqueira, Paul Singer e Renato Janine Ribeiro comandam o seminário A Cultura das Transgressões no Brasil. Com participação de FHC e Marcílio Marques Moreira. Dia 18, no IFHC.

A coleção de artes e antiguidades de Roberto e Maria Abreu Sodré será leiloada. Dias 12 e 13, no B"NAI B"RITH, nos Jardins.

Mariana e Zeco Auriemo recebem, dia 14, para jantar em torno de Laudomia Pucci.

Denise Milan assume a posição de art advisor no conselho do Fetzer Institute. Em Michigan.

Projeto da Emoções Incorporadora, de Roberto Carlos e parceiros, será apresentado hoje no Leopolldo.

A coletiva Perfil inaugura terça. Na AM Galeria Horizonte, nos Jardins.

A peça Tango, Bolero e ChaCha Cha, dirigida por Bibi Ferreira, estreia no teatro do Frei Caneca. Hoje.

Confissão recente de Dilma: vai ter que comprar patins se acordar, no meio da noite, no Palácio da Alvorada. A cozinha é... Longe.

ELIANE CANTANHÊDE

Angústias existenciais tucanas
ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/04/11

BELO HORIZONTE - Os oito governadores tucanos passam amanhã por um teste relevante e até curioso: vão mostrar ao digníssimo público e ao caríssimo eleitor se o PSDB pretende ou não exercer o papel que as urnas lhe delegaram -o de oposição.
Uma das principais bandeiras tucanas é (ou foi?) o combate à inflação, marco do governo Fernando Henrique Cardoso e do círculo virtuoso da economia brasileira. E eis que a inflação volta a rondar o país no governo Dilma Rousseff.
O Banco Central acaba de corrigir a estimativa de inflação de 5% para 5,6% neste ano e de jogar para 2012 (ou para as calendas?) o centro da meta de 4,5%. Enquanto isso, a previsão de crescimento vai no sentido inverso. Era de 5% para economistas laureados como os "pais do real" e de 4,5% para o governo. Agora é de 4%. Inflação em alta, crescimento em baixa...
Não bastasse, na quarta-feira, o dólar caiu 1,39%, bateu em seus valores mais baixos desde agosto de 2008 e deixou os exportadores descabelados, enquanto os brasileiros enchem as malas em Miami.
Pois bem. Os governadores "de oposição" vão simplesmente calar? Vão forçar a comparação com o Plano Real de FHC e cobrar providências? Ou, ao contrário, vão ser todos elogios às medidas da presidente e do governo do PT?
A reunião, seguida de almoço com Aécio e sem Serra, será aqui em Belo Horizonte, exatamente onde o ex-vice-presidente José Alencar recebeu ontem as últimas homenagens antes da cremação.
Ele nem era de oposição, mas sempre achou que tinha o direito e o dever de gritar contra juros altos, câmbio defasado, política econômica recessiva. Deve ser porque, além da coragem pessoal, era leal a suas posições e a seus princípios -coisas que andam em falta por aí.
PS 1 - O 31 de março passou e ninguém nem notou.
PS 2 - Capitão e deputado Bolsonaro, por que não te tratas?

SEM CAUSA

SEM

WASHINGTON NOVAES

O clima acelera; a diplomacia, não
WASHINGTON NOVAES
O Estado de S.Paulo - 01/04/11

É paradoxal: quanto mais se evidenciam as mudanças climáticas e mais graves são as notícias de desastres nessa área, mais parece crescer o ceticismo em torno da possibilidade de se chegar a um acordo global (porque precisa ter essa abrangência para ser efetivo) que possa reduzir em quantidade suficiente as emissões de gases que intensificam o efeito estufa e favorecem os "eventos extremos". Estamos deixando "a ganância levar vantagem", diz Jeffrey Sachs, que já foi um dos mais conceituados especialistas em finanças no mundo e hoje é professor da Universidade de Columbia e secretário-geral das Metas para o Milênio, da ONU.

É nesse ambiente de pessimismo que começa na segunda-feira, em Bangcoc, mais uma reunião preparatória da Convenção do Clima para o encontro decisório do final do ano na África do Sul. No final de abril haverá também uma reunião específica no México para tentar avançar com o projeto do Fundo Verde para o Clima, que tem como alvo os US$ 30 bilhões que os países industrializados se dispuseram em Copenhague a viabilizar para os mais pobres, na rota delineada para chegar a US$ 100 bilhões até 2020. Mas já sabendo - como advertiu a secretária-geral da convenção, Christiana Figueres - que "até agora países industrializados e os demais só anunciaram reduções de emissões correspondentes a 60% do que a ciência diz que precisa acontecer até 2020, para que a temperatura do planeta não suba além de 2 graus Celsius e não provoque desastres ainda maiores" (UNFCCC, 25/3).

Christiana Figueres tem "implorado" a todos os países que avancem mais e ao Japão, que não vete um novo Protocolo de Kyoto (o atual, que expira em 2012, permite a países industrializados financiar projetos redutores de emissões nos demais países e descontar as reduções no seu balanço próprio). Mas já tem pela frente uma posição anunciada pelos "emergentes" em Nova Délhi (UPI, 28/2): as propostas aprovadas em Cancún, em dezembro último, não são um bom caminho, não substituem o chamado roteiro de Bali, desenhado há alguns anos e até agora sem cumprimento. E Arthur Runge-Metzer, estrategista da União Europeia nessa área, acha quase impossível um acordo na África do Sul: considera o panorama "assustador" (Bloomberg, 24/3). Para complicar, um subcomitê do Congresso norte-americano retirou da Agência de Proteção Ambiental os poderes para regular emissões no país - solapando, assim, o centro da política do presidente Barack Obama para o clima (The New York Times, 10/3).

Segundo o Instituto Gallup, só 51% dos norte-americanos se dizem muito preocupados com a questão (eram 66% há três anos, segundo a CBS News).

Para complicar ainda mais a questão, o acidente nuclear no Japão coloca muitas dúvidas novas no cenário da energia. Como fará cada país, cada região, diante das ameaças evidenciadas? Cada um, cada uma, está reavaliando as usinas instaladas e se preparando para tomar posições. Para muitos, uma mudança nessa área pode significar problemas e custos imensos - como na França, no próprio Japão, na Rússia, nos EUA.

Enquanto isso, ao lado de relatos dramáticos sobre eventos extremos e suas consequências em várias regiões brasileiras e em outros países, cientistas advertem que a Groenlândia e a Antártida perderam mais gelo do que se previa, em consequência de uma elevação maior do que a esperada no nível dos oceanos (O Globo, 11/3). A Organização Mundial de Saúde afirma que os eventos extremos na Europa aumentaram 65% entre 1998 e 2007, período em que 40 milhões de pessoas ali pediram ajuda para os problemas de saúde e alimentação decorrentes - 400% mais que nas duas décadas anteriores. Relatório do Banco Mundial - Desenvolvimento e Mudanças Climáticas 2010 - assinala que 75% dos prejuízos com os eventos ocorrem nos países "em desenvolvimento". Se o aumento da temperatura ultrapassar 2 graus, o PIB da África e do Sudeste da Ásia poderá cair de 4% a 5%.

A destruição dos ecossistemas costeiros - manguezais, brejos e terras alagadiças à beira-mar - está liberando uma quantidade gigantesca de dióxido de carbono. Porque eles podem conter até cinco vezes mais carbono que as florestas tropicais, segundo o Grupo de Trabalho Internacional para Carbono Azul Costeiro (Conservation, 25/3). Em alguns pontos, podem ser 50 vezes mais.

Ainda estão sobre a mesa as intenções (não compromissos obrigatórios) dos países industrializados de reduzir suas emissões até 2020: de 20% a 30% sobre as de 1990, na União Europeia; 25% no Japão; de 15% a 25% na Rússia; 17% (calculadas sobre as de 2005) nos EUA, que pretendem chegar a 30% em 2015, a 42% em 2030 e a 83% em 2050. Mas tudo dependerá das futuras reuniões do clima.

O Brasil, que criou um "sistema nacional de alertas contra catástrofes naturais" e um Fundo Nacional sobre Mudanças Climáticas, com orçamento de R$ 238 milhões, tem fortes vulnerabilidades, segundo a publicação Clima e Energia, da Coppe-UFRJ. Principalmente no Nordeste (agravamento de secas, redução da produção de energia no São Francisco) e com impactos da elevação do nível do mar em vários pontos do País, especialmente no litoral fluminense. Mas o País só assume "compromissos voluntários" no âmbito da Convenção do Clima. Como o de reduzir as nossas emissões entre 35,1% e 38,8% sobre as que ocorreriam em 2020, pelo quadro observado em 2009. Segundo a convenção, isso inclui redução no desmatamento na Amazônia e no Cerrado (564 megatoneladas), restauração de pastagens naturais (83 a 104 megatoneladas), sistemas mais eficazes de alimentação do gado, métodos de cultivo mais adequados, fixação biológica do nitrogênio, eficiência energética, mais biocombustíveis, mais energia hidrelétrica, energias alternativas, substituição de carvão de matas nativas pelo de florestas plantadas em siderúrgicas.

Vamos ver em que dá isso tudo.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Pause
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 01/04/11

O temor de que o nascituro PSD fracasse na obtenção de registro judicial até setembro colocou um freio na desfiliação do DEM de prefeitos e deputados que serão candidatos em 2012. Mesmo os que já assumiram compromisso público de migrar para o partido de Gilberto Kassab desconfiam de seu cronograma de formalização. O pleito do PTB sobre a "patente" da sigla também contribui para o clima de incerteza.
Diante da perspectiva de perder musculatura em sua empreitada, o prefeito paulistano tem orientado seus seguidores na mudança partidária a protelar ao máximo a desfiliação. Isso preocupa a cúpula nacional do DEM, ainda receosa de que Kassab consiga manter nichos de influência na legenda.
Tudo a seu tempo Advogados contratados para viabilizar o PSD alegam que o momento é de "construção política" da legenda e que a coleta das quase 500 mil assinaturas em nove Estados, exigida por lei, ocorrerá num segundo estágio.

Ficção 

Agripino Maia, presidente nacional do DEM, afirma que o partido não recebeu nenhum pedido oficial de desligamento. "O próprio Kassab só renunciou à Executiva. O Indio [da Costa] também. É muita falação e nada concreto".

Dúvida cruel
Um dos casos simbólicos é o da prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera. Antes inclinada a ficar no DEM, ela tem expressado a aliados o desejo de acompanhar Kassab no PSD, mas deve adiar a decisão até o limite, dada a insegurança jurídica da transição.

Headhunter 

A decisão de levar para o governo o vice-presidente da CUT, José Lopez Feijóo, foi selada há dois meses, em reunião entre Lula, Dilma e ministros. O ex-presidente elogiou o sindicalista, disse que ele estava em busca de novos desafios e sugeriu a contratação.

Tesoura 
Carlinhos Beauty, cabeleireiro de Brasília, proporá um desafio ao ministro Luiz Sérgio (Relações Institucionais): acertar o ponto de suas madeixas.

Na mesa 

Para aliviar a pressão do PMDB, o Planalto estuda indicar o ex-governador José Maranhão (PB) para a presidência da Embratur. Se ele aceitar, uma opção seria transformar o atual ocupante do posto, Mario Moysés, ligado ao PT, no número dois de Henrique Meirelles na Autoridade Olímpica.

Placar 
Pesquisa da consultoria Arko Advice, feita no Congresso, sinaliza problemas para o governo na votação, prevista para as próximas semanas, da revisão do tratado de Itaipu. Questionados se acreditam na aprovação da proposta, 26% dos deputados disseram que não, contra 32,7% confiantes de que a mudança passará. Outros 35,3% não souberam apontar o resultado.

Nada a declarar 
Há quem estranhe o silêncio de Carlos Lupi (Trabalho) sobre os tumultos que paralisam obras do PAC. O ministro viajou para reunião de trabalho em Angola. Dois secretários da pasta acompanham as reuniões realizadas entre sindicalistas e empresários.

Tenho dito 

Apesar de uma ala do PMDB de São Paulo ainda insistir na indicação de nomes do partido para a Secretaria de Agricultura de Geraldo Alckmin, Michel Temer mandou avisar que não quer nenhum peemedebista no primeiro escalão tucano. O partido deve ficar com a Codasp, órgão que cuida das estradas rurais.

Visita à Folha 
Alexandre Padilha, ministro da Saúde, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Gabriela Wolthers e Mércia Maciel, assessoras de imprensa.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"É estranho a presidente reclamar de sua maioria no Congresso, pois foi exatamente esta maioria que ajudou a elegê-la."
DO LÍDER DO PMDB NA CÂMARA, HENRIQUE EDUARDO ALVES (RN), sobre o fato de Dilma ter dito em Portugal que seu governo tem "problema sério de maioria".

contraponto

Sem retoques
Após comparecer ao velório de José Alencar, na noite de quarta-feira, o ex-presidente Lula deixava o Planalto ao lado da mulher, Marisa Letícia, quando uma pessoa o abordou pedindo para tirar uma foto. Ciente de que o marido havia chorado bastante, a ex-primeira-dama achou por bem intervir:
-Não tira não, Lula, você está todo inchado.
Ele, no entanto, liberou:
-Ah, tira assim, inchado mesmo...

GOSTOSA

RUY CASTRO

Marcas de fantasia
RUY CASTRO

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/04/11

RIO DE JANEIRO - Não se trata de voltar ao tempo em que crianças tomavam algo chamado óleo de fígado de bacalhau sem espernear. Ou que os remédios traziam como chancela apenas o sobrenome de seu criador ou fabricante, como o Sal de Uvas Picot, as Pílulas de Vida do Dr. Ross, o Vinho Reconstituinte Silva Araújo, a Loção Cura Caspa Brandão, e isso parecia bastar.
Longe também vai o tempo em que o nome no rótulo já indicava para o que servia o produto: Astringosol (antisséptico bucal), Rugol (pomada para rugas), Odo-ro-no (desodorante), Nicotan (pasta dental para fumantes), Antisardina (creme para a cútis, como se anunciava) ou Lavolho (colírio).
Claro que, às vezes, a pessoa podia se enganar: quem pedisse Pyrex na farmácia, achando que era uma anfetamina, descobria que se tratava de uma fôrma de cozinha, própria para levar ao forno.
O normal era que remédio tivesse nome de remédio -Melhoral, Cibalena, Atroveran, Enteroviofórmio, Colubiazol. E assim foi até há pouco. Mas, ultimamente, os laboratórios adotaram a tática de vender otimismo, ilusão e prazer na marca de fantasia. Os novos remédios -alguns deles, tremendos torpedos- evocam bombom, filme de arte, teatro, até sexo.
Daí que alguns dos antidepressivos mais populares de hoje se chamam Serenata, Città e Exodus. Ou que um antibiótico atenda por Astro. Há também um remédio para a menopausa chamado Aplause. E outro, para dores nevrálgicas, com o nome de Lyrica. Um conhecido anticoncepcional se chama Diane 35. E uma espécie de inalante leva o sugestivo nome de (com todo respeito) Penetro. Deve ser por isso que chamam de marca de fantasia.
Como hoje frequento mais farmácias que botequins, até sem querer sou informado dessas novidades. E, como bom espírito de porco, meu favorito é um remédio para hipertensão chamado Capoten

FERNANDO GABEIRA

Nuclear em novo momento
FERNANDO GABEIRA
O Estado de S.Paulo - 01/04/11

O terremoto no Japão estremeceu a indústria de energia nuclear. Ele aconteceu quando a confiança nessa matriz estava em alta. Governos influentes, como o de Barack Obama, anunciaram planos de expansão do nuclear. O momento era bom no plano das ideias. Autor de Gaia, um famoso livro sobre meio ambiente, James Lovelock defendeu as usinas nucleares, considerando os perigos do aquecimento global e as circunstâncias europeias.

O impacto da posição de Lovelock foi muito grande, entusiasmando políticos e lobistas a iniciarem uma nova ofensiva. Além de todas as suas vantagens, a energia nuclear era considerada uma saída inteligente para atenuar os males do aquecimento.

A tendência geral alterou-se, no momento. Pesquisas nos EUA revelaram que o apoio ao nuclear caiu de 56% para 47%. E na Alemanha, onde é forte a oposição popular às usinas nucleares, os verdes derrotaram a Democracia Cristã em Baden-Württemberg. A Alemanha é o berço do movimento antinuclear que deu origem ao mais forte partido de ecologistas da Europa. Atenta a essa singularidade, a primeira-ministra Angela Merkel anulou uma decisão anterior que prolongava a vida das usinas existentes.

Todos os desastres em usinas nucleares embaralham um pouco as relações no setor. Fukushima aconteceu num país democrático, obrigado a informar com constância o estado dos reatores, turbinas e piscinas de material usado. Nesse sentido, é um desastre próximo, o primeiro a acontecer num contexto de comunicações mais rápidas. Ainda assim, 57% dos japoneses condenam a maneira como o governo e a empresa de eletricidade conduziram o processo. Notícias desencontradas surgiram desde o início e até recentemente havia dúvidas quanto ao nível de contaminação da água no reator 2.

Choque maior para os estudiosos foi constatar que o Japão, um país tecnológico, estava trabalhando com conceitos antigos e não tirou proveito das modernas ciências da sismologia e avaliação de riscos. Até certo ponto isso era justificável no passado. O engenheiro Tsuneo Futami, que foi diretor da Tóquio Eletricidade e participou da construção de Fukushima, afirma que a palavra tsunami não passava pela cabeça de ninguém.

De fato, apesar de registros de tsunamis em outros séculos no Japão, a palavra só foi incorporada à linguagem cotidiana nos últimos sete anos. A empresa procurou, de certa forma, uma defesa contra tsunamis. E procurou construindo uma barreira de defesa concebida para enfrentar o mais forte terremoto e as mais altas ondas conhecidas. Só que o mais forte estava por vir e as barreiras se mostraram frágeis para conter as águas.

Todos os países, menos o Brasil, logo decidiram rever suas normas de segurança. O argumento das autoridades era o de que as instalações seriam seguras e aqui não aconteceria um desastre como o de Fukushima. Nada a revisar, portanto.

Felizmente, essa posição defensiva durou pouco. O próprio ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, anunciou que o País iria reavaliar as condições de segurança de suas usinas. Ato contínuo, a direção da Eletronuclear afirmou que iria examinar as condições das encostas em Angra e contratar uma auditoria externa. Em 1985 houve um deslizamento na área da usina, soterrando o laboratório de radioecologia.

O mais interessante viria 24 horas depois do anúncio. A empresa estava planejando a construção de dois píeres para permitir a fuga pelo mar.

Mesmo antes de uma auditoria, tanto a Eletronuclear como todos os que trabalham com o tema sabem que a BR-101 é muito frágil para ancorar um plano de fuga. Na verdade, se for submetida a uma análise científica moderna, terá de receber novo traçado.

No dia em que acompanhei a simulação de um plano de fuga, o policial rodoviário que veio nos dar cobertura morreu no caminho, vítima de um desastre na estrada. E a sirene não funcionava. Parte dos moradores estava preparada para fugir, mas não havia trabalho voltado para os turistas: um acidente teria de acontecer no inverno e no meio da semana.

Ao focar a auditoria de segurança nas encostas, a Eletronuclear projeta os problemas para fora da usina, na presunção de que no interior está tudo bem. Os EUA foram um pouco adiante e se perguntaram qual o nível de segurança dos seus geradores de reserva. Esse é o nosso caminho, mesmo sabendo que não haverá terremotos ou tsunamis no Atlântico.

Mas o debate mais amplo é inevitável. Devemos ou não construir usinas nucleares? As condições de agora não precisam ser tão emocionais como foram no passado. Uma simples discussão sobre futuras usinas pode subestimar o debate sobre as que já existem e precisam de atenção.

Mesmo num país como a Alemanha, onde o tema é mais empolgante, não há razão para grandes dramas. Embora EUA e China já trilhem mais discretamente o caminho, a Alemanha está bem adiantada no desenvolvimento da energia solar. Há alguns anos era apenas uma ideia, hoje é uma realidade na forma de dezenas de usinas no mundo, milhares de empregos.

A tragédia no Japão colheu-nos num momento da história em que é possível exigir das usinas existentes uma ampla revisão de suas normas e, simultaneamente, apontar as energias alternativas, sobretudo a solar e suas variáveis, como a saída para o impasse.

Possivelmente conviveremos com o nuclear e o solar por muito tempo. A existência de uma nova matriz exigirá que antiga se reformule para melhor até que o curso dos anos e as lutas simbólicas definam se apenas uma delas vai sobreviver.

Lobão e governo brasileiro são ainda refratários ao solar. No entanto, a primeira usina nacional funcionará em breve no Ceará. O desempenho dela e dezenas de outras maiores, espalhadas pelo mundo, vai dar um novo tom à discussão. Saem os slogans, entram os fatos. Fukushima, Hiroshima, na paz e na guerra, alguns desses fatos vieram do Japão.

FAMÍLIA PT

ALON FEUERWERKE

Gosto pelo teatro
ALON FEUERWERKE

CORREIO BRAZILIENSE - 01/04/11

O governo brasileiro é assim. Adora receber elogios do FMI, do Banco Mundial, da imprensa estrangeira especializada, dos banqueiros, das agências de classificação de risco. Mas adora também falar mal dessa turma, dos “loiros de olhos azuis”, talvez para arrancar lágrimas e suspiros do pessoal do “outro mundo possível”
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Portugal e aconselhou os irmãos lusos a recusar a interferência do FMI. Portugal anda à beira da quebra. E sem governo, pois o gabinete caiu depois de falhar quando tentou no parlamento apoio político para medidas de austeridade.
Mas alguém vai ter que pagar a conta do ajuste português. Quem vai ser? A União Europeia? A Alemanha? As urnas do último fim de semana não foram exatamente estimulantes para a chanceler alemã, Angela Merkel. Como o eleitor dela reagirá quando propuserem a ele ficar com a dolorosa?
Os europeus certamente encontrarão um caminho para sair do enrosco de ter uma periferia financeiramente complicada. É o caso de acompanhar. A Europa já se recuperou de coisas piores.
Mas não dá para passar batido pelas palavras do nosso ex-presidente.
Lula é o inventor de uma fórmula quase imbatível. Executar a política do FMI e atacar o FMI. É um estilo. Foi bem descrito nos telegramas vazados pelo WikiLeaks sobre as conversas reservadas da diplomacia norte-americana com a cúpula petista.
Endurecer verbalmente em público, ceder à realpolitik no particular.
No que exatamente Lula deixou de executar a essência das políticas preconizadas pelo FMI? Desde que o mundo é mundo o FMI só pede uma coisa quando vai socorrer alguém: que esse alguém se organize e mostre capacidade de pagar as dívidas.
Foi o que fez o Brasil no governo Fernando Henrique Cardoso, e continuou fazendo no de Luiz Inácio Lula da Silva. Organizou-se, institucional e operacionalmente, para ter uma razoável sobra de caixa antes de contabilizar encargos financeiros. É o tal superávit primário.
Sem falar na disciplina contábil empurrada manu militari a estados e municípios.
A linha dura ao Brasil após décadas de experimentação foi quem colocou nossa economia nos trilhos. Tanto é assim que Dilma Rousseff mal assumiu e já se apressou a declarar que faria um baita corte no orçamento. Para sobrar todo o dinheiro necessário ao equilíbrio das dívidas.
E talvez algum para investimentos. Mas em segundo plano. Importante é ter credibilidade, é ter o respeito dos credores.
Também por isso os trabalhadores que recebem salário mínimo e os benefícios previdenciários indexados ao mínimo ficaram este ano sem qualquer reajuste acima da inflação medida em 2010. Alguém ouviu o FMI reclamar?
Ou seja, Lula praticou na terra dos patrícios o velho método do “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”. Rebeldia para consumo externo, enquadramento na vida real.
O governo brasileiro é assim. Adora receber elogios do FMI, do Banco Mundial, da imprensa estrangeira especializada, dos banqueiros, das agências de classificação de risco. Mas adora também falar mal dessa turma, dos “loiros de olhos azuis”, talvez para arrancar lágrimas e suspiros do pessoal do “outro mundo possível”.
Adora mesmo é um teatro.

Mistério
A sobrecarga e a aproximação da Copa do Mundo aumentam a pressão para que o governo faça algo nos aeroportos brasileiros.
Aeroporto é atividade monopolista. Não tem concorrência. E tem receita garantida. Um ramo completamente vocacionado para a atividade estatal.
Bastaria fazer um plano e executar.
Se o PT estivesse na oposição, alguém do PT observaria o cenário e diria que a atividade aeroportuária no Brasil está sendo sucateada para fins de privatização.
A boa novidade é que as novas autoridades da área parecem — atenção, parecem — não comprar facilmente a tese de que privatizar é a solução mágica.

Dobradinha
O PT não tinha maioria para aprovar o voto em lista fechada na comissão especial do Senado que discute a reforma política, mas mesmo minoritário emplacou a proposta, graças à abstenção do PSDB.
Pela primeira vez, o caminho está aberto para o voto em lista fechada, preordenada, caminhar bem no Congresso Nacional.
Se a dobradinha prosseguir, é claro.

ANNA RAMALHO

Ele fica
ANNA RAMALHO
JORNAL DO BRASIL - 01/04/11

O comandante da PM decidiu permanecer à frente da corporação. O coronel Mário Sérgio de Brito Duarte bateu o martelo e declinou muito agradecido do convite feito pela Secretaria Nacional de Segurança Pública para comandar a Força Nacional de Segurança Pública em Brasília. 

Pai, primeiro

O convite havia sido feito em fevereiro, mas com filhos gêmeos recém-nascidos, o comandante achou melhor ficar no Rio.

Porém...
As especulações devem voltar, já que ontem Mário Sérgio foi para Brasília receber uma condecoração. 

Parece piada
Até o dia 20 de junho os jovens brasileiros podem se inscrever para a 8ª edição do programa Parlamento Jovem. Desenvolvido pela Câmara dos Deputados, o projeto permite que estudantes simulem, durante cinco dias, a jornada de trabalho dos deputados federais. 

Com todo o respeito, só rindo.

Até porque...
A jornada de trabalho das Excelências já é motivo de riso: de terça a quinta. De preferência, meio expediente.

Ok, ok, há exceções. E não se fala mais nisso.

Toma, papudo!Jair Bolsonaro, o deputado-brucutu, já ganhou apelido na rede: Boçalnaro.

Bem feito.

Zen Gil

Reação de Gilberto Gil, em Barcelona, onde se encontrava em turnê, quando soube das declarações do brucutu Bolsonaro sobre sua filha Preta:

– Isso é Bolsonaro!

OVNI

Ninguém entende o que ainda faz no governo o ministro Fernando Haddad.

O homem, além de não fazer nada pela Educação, ainda embola o meio de campo. 

Mineiros unidos

Durante o velório de José Alencar, em Minas, Aécio Neves lembrou da parceria entre ele e Alencar que resultou na escolha de Uberaba como sede da fábrica de fertilizantes da Petrobras. 

Conta, Aécio 

– A Petrobras que já havia dado outro destino para essa importante fábrica que vai mudar o processo industrial de todo o Triângulo Mineiro. Ele, muito firme naquele instante, pegou o telefone e ligou para a então ministra da Casa Civil, hoje presidente da República, Dilma, e disse que não aceitaria que Minas Gerais, mais uma vez, ficasse num plano secundário em relação aos investimentos da Petrobras. Aquele telefonema foi decisivo.

Raspadinhas


Francesa radicada no Brasil, Cécile Taquoi canta 'Três culturas e um som', que estreia, hoje, no Teatro Café Pequeno.

A artista plástica Sonia Madruga participa da mostra coletiva Zona Oculta, também hoje, no Espaço Cultural Cedim Heloneida Studart.

O Instituto Cultural Cravo Albin apresenta, amanhã, 'Vozes de Nelson Cavaquinho', com exposição de Ricardo Poock, e curadoria de Jorge Salomão.